O verso inicial deste tributo a Martin Luther King é "Sim, sou
um negro de cor". Hoje os patrulheiros cricris chiariam...
Já seria um absurdo imenso uma organização pleitear o silenciamento de alguém, mas, para completar a insensatez, um juiz deu ganho parcial de causa aos sionistas, determinando que Altman retire do ar diversas publicações, sob pena de pesadas multas. Ou seja, na prática, impôs a censura, concordando com o falso argumento propagado pelos defensores do terrorismo israelense de que criticar Israel é ser antissionista.
Em que pese as inúmeras divergências que possamos ter em relação às posições de Bruno Altman, sobretudo em seu apoio ao lulopetismo, não podemos ficar calados diante de tal perseguição. Por isso, prestamos nossa solidariedade a ele e reivindicamos o cumprimento integral do direito à liberdade de expressão, tal como é consagrado pela Constituição do Brasil.
Contra a Conib, e demais defensores do sionismo, mascarados ou não de esquerda, só podemos deixar nosso repúdio e mais uma vez perceber o quão autoritário é esse movimento. (por David Emanuel Coelho)
"Determinamos que as obras listadas sejam retiradas de circulação e armazenadas em local não acessível à comunidade escolar. Em breve enviaremos novas orientações".
Em uma parte do seu show The Wall, Roger se veste com trajes semelhantes aos usados pelos nazistas. É uma forma de emular representantes de um regime totalitário que são denunciados durante o show, fazendo parte, inclusive, do clássico filme da banda lançado em 1982, inspirado no disco homônimo de 1979. O show aborda a opressão capitalista expressa mediante formas abusivas de controle que transformam o indivíduo em mais um tijolo no muro da sociedade, sem liberdade ou esperança.
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| Orwell explica como uma denúncia de 40 anos contra o fascismo vire apologia a ele. |
Incrivelmente, o referido ministro respondeu ao pedido discutindo a possibilidade de abrir processo investigativo contra o cantor por apologia ao nazismo, caso esse venha a usar suas tradicionais vestimentas. Resta saber se Dino também irá abrir investigação sempre que um filme, representação teatral ou simples apresentação escolar for feita com pessoas vestidas de nazistas. O ridículo do governo Lula e seu ministro podem chegar a este ponto! Pior, pois sabemos que os verdadeiros nazistas ocuparam o governo durante quatro anos, mataram milhares, seguem impunes e muitos ainda estão aninhados no Congresso, no Judiciário e mesmo no próprio governo federal, sem que o senhor Dino tenha disposição para mover um dedo contra eles, sendo muito mais fácil ameaçar cantores!
Mas o que poderia estar por detrás de tanta celeuma contra uma apresentação realizada de forma corriqueira e inquestionável nos últimos quarenta anos? Dois países, Israel e Ucrânia. Roger é costumeiro crítico das atrocidades cometidas pelo Estado de Israel contra os palestinos, o que lhe vale a pecha de persona non grata naquele país há muito tempo.
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| Não satisfeito em querer censurar as redes sociais, Dino também quer censurar cantores. |
Recentemente também trouxe a fúria do governo dos EUA, e logo de seus vassalos europeus, ao questionar o sacrossanto Zelensky e os interesses do Tio Sam em alimentar o conflito com a Rússia, escalando-o para uma possível guerra mundial. A fúria da plutocracia estadunidense aumentou quando ele também defendeu os direitos da China sobre Taiwan lembrando, corretamente, que pelo direito internacional, a ilha é considerada território chinês, fato reconhecido mesmo pelo governo estadunidense desde a década de 1970. Desde suas falas sobre a Ucrânia e sobre Tawain, a luz censora começou a acender contra o cantor, começando pelo próprio governo Alemão que desejava banir o show de Waters. Democracia é tudo.
Que a fúria censora chegue ao Brasil é apenas mais um sinal da época turbulenta vivida por nós. Que o governo Lula leve o pedido minimamente a sério é mais um sinal de seu fiasco.
Contra a censura e a perseguição política a Roger Waters, devemos defender o direito amplo à liberdade de expressão e à expressão artística! (por David Emanuel Coelho)
No entanto, a sociedade onde vivemos é a capitalista e não demoraria muito para o capital se imiscuir também na internet, a transformando de um espaço livre e colaborativo em uma instância controlada por grandes corporações em busca de alavancar ganhos. No começo, muitas dessas corporações ainda se apresentavam enquanto organizações abertas, buscando facilitar o trabalho colaborativo a nível mundial. A Google, por exemplo, surgiu enquanto um simples indexador da rede mundial, trabalhando em paralelo e complementarmente aos demais usuários.
Contudo, a internet começou a se disseminar na vida social e passou a ser ferramenta fundamental para o capitalismo em sua fase toyotista. Compras online baratearam os custos, pagamentos instantâneos facilitaram as transações e possibilitaram aos bancos economia com o atendimento presencial, a comunicação expressa por email e depois por aplicativos aproximou os indivíduos, integrando mais eficazmente os sistemas produtivo e comercial e, por fim, uma sociedade mais isolada e com menos tempo livre, fez disparar a interação virtual, criando espaço para as famigeradas redes sociais.
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| Ele é a própria fake news, mas não inventou esse modo de manipulação... |
Assim, as corporações se transformaram de vez em companhias plenamente capitalistas, sem máscara alguma. Do passado colaborativo ficou apenas a lógica de se apoderar do que é produzido, postado e publicado pelos usuários, pois são eles que alimentam o circuito da internet com textos, fotos, vídeos e interações. Obviamente, a internet ainda continua sendo um espaço mais democrático e amplo que as tradicionais formas de comunicação, tais como jornais, rádio e TV, pois aqui há lugar inclusive para um blog revolucionário e sem subvenções igual ao Náufrago, algo praticamente impossível nos formatos tradicionais.
Contudo, neste blog também estamos submetidos à lógica corporativa das Big Tech e, por exemplo, para sermos mais lidos, chegando a um número maior de leitores fora da nossa bolha corriqueira, precisamos pagar ao Facebook para postar anúncios. O mesmo se aplica ao Google, pois caso queiramos ter maior impacto nas pesquisas do site, temos a opção de desembolsar alguns reais para irmos para o início das pesquisas.
À medida em que o mundo concreto, cotidiano, e o virtual foram se fundindo, muitos dos problemas vividos na realidade de carne e osso foram indo para os ambientes online. Não poderia ser diferente, a internet é feita por pessoas, dentro da lógica social capitalista, e os elementos existentes em sua dinâmica expressam os elementos existentes na própria sociedade em geral. Assim, o nazifascismo e os crimes de ódio não foram inventados pela internet, mas já existiam há mais de século. Mesma coisa sobre as fake news, já usadas antes por Hitler e até mesmo alguns séculos atrás.
Basta, por exemplo, considerar como o filme O Amante da Rainha (2012), que pode ser visto na janela ao final do artigo, retrata como a reação feudal usou mentiras divulgadas em jornais, novidade à época, para combater as reformas liberalizantes do rei Cristiano VII, na Dinamarca do século 18. Manipular a opinião pública, mentir e distorcer são ferramentas usadas pelos reacionários ao longo da história porque a verdade é contrária aos interesses deles, só lhes restando, portanto, mistificar para manter seu domínio opressivo.
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| ... antes, outros já tinham usado expediente parecido para chegar ao poder. |
Não seria diferente hoje. O grande ponto é que a internet possui um meio de difusão muito mais impactante e acelerado do que qualquer meio de comunicação anterior na história humana. Em segundos, uma fake news pode alcançar milhões de pessoas. Mais importante que pensar no meio de difusão da mentira é entender porquê, afinal, as pessoas acreditam nelas. A resposta só pode ser uma pré-disposição social para isso.
Considerado isso, o PL 2630, conhecido por PL das Fake News, é uma monstruosidade que em nada ajuda ao Brasil. Pelo contrário, pode atrapalhar enormemente a livre circulação de ideias na internet, pois tenta instituir a censura de conteúdo, abrindo caminho para a perseguição a produções legítimas, que poderiam vir a ser caracterizadas como sendo conteúdo enganador. O motivo disso é simples e passa por um problema conceitual: o que é uma fake news? Pela letra da lei proposta, fake news será o que um conselho público decidir que o seja, ou o que as corporações considerarem como tal.
No entanto, a composição de conselhos varia ao longo do tempo e hoje podem ser indivíduos isentos e sinceramente interessados no bem estar da coletividade, mas amanhã podem ser pastores, ruralistas, garimpeiros ou outros bolsonaristas. A noção de fake news certamente não será mais a mesma. Esse é o grande perigo de transformar o Estado em juiz do que é a verdade, pois os interesses políticos são mutáveis e um dia a faca da censura pode se voltar contra quem censurava.
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| Apesar de suas limitações, a internet ainda é mais livre e pluralista que a mídia tradicional. |
O mesmo podemos dizer sobre as corporações. Hoje já não é raro elas fazerem vista grossa a conteúdos de extrema-direita, enquanto são rigorosas com conteúdos mais contestatórios e à esquerda. O que não poderiam fazer tendo uma base jurídica as ancorando?
Muito pior é desconsiderar a raiz social da manipulação levada a cabo pelos mistificadores. Desconsidera-se o apodrecimento da sociedade capitalista, a falência da autoridade dos meios tradicionais de saber - imprensa, universidades, poderes da República -, tragados que foram pelo capital, e se coloca a solução em simples processos regulatórios, como se a dinâmica econômica e social pudesse ser contida com leis. É mais uma vez a ilusão do voluntarismo político, já denunciada por Marx, de que o poder administrativo do Estado pode conter a entropia do capitalismo.
Assim, de novo, o lulopetismo presta um desserviço ao país e à esquerda, criando um mecanismo que, além de inútil para cercear a manipulação nos meios digitais, poderá ser usado contra a própria esquerda em um processo de sufocamento ao ambiente relativamente livre da internet. Como sempre, optam por este caminho repressivo para não enfrentar de frente o poderio das grandes corporações ou desmontar a estrutura social e econômica viabilizadora da extrema-direita.
E assim, Lula 3 vai melancolicamente caminhando para o desastre. (por David Emanuel Coelho)
A última polêmica nas hostes lulistas foi uma fotografia estilizada que saiu em edição da Folha de São Paulo da quinta-feira, 19 de Janeiro, de autoria de Gabriela Biló. Houve quem defendesse até mesmo intimação policial da fotógrafa e uma nota foi publicada pela Secretaria de Comunicação da Presidência criticando a publicação.
Coincidentemente, a grita petista lembra os arroubos bolsonaristas contra publicações da imprensa, shows de rock, mesmo peças de humor e, claro, montagens fotográficas. Ambos partem da velha confusão de identificar o cargo de Presidente da República com o de Soberano Monárquico. Caso soubessem um pouco de história, teriam consciência dos cartuns terríveis que circulavam à época do Império retratando Dom Pedro II de forma nem um pouco decorosa.
Contudo, o ponto nefrálgico aqui não é a discussão a respeito da fotografia em si ou do possível autoritarismo nas reações, mas na completa falta de noção entre as fileiras lulopetisas a respeito do que é essencial, pois a foto em um jornal é um elemento semiótico, do terreno simbólico, ocupando as últimas posições na fila das coisas importantes.
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| Sérgio Moro não gostou da facada fest e mandou abrir investigação contra o festival, quando era ministro |
Muito mais grave, é não existir, até o momento, a mais remota notícia governamental sobre o que seria feito quanto à roubalheira das Lojas Americanas. E, por fim, infinitamente mais grave é a total falta de plano do governo para retirar o país do buraco em que está metido, para além de repetir o que já não deu certo.
Tudo isso é muito mais grave, mas não conta com a mesma energia para ser enfrentado por parte dos lulistas. Tigrões com fotógrafas, viram tchutchucas com a turma do governo, mostrando bem o quanto estão pautados pelo inessencial.
De fato, condicionados a fazer política cosmética, sempre lidando com o superficial e nunca descendo à raiz dos problemas, passaram a acreditar ser a atividade militante circunscrita ao reino do simbólico, da representação. Daí se insurgirem contra fotografias, piadas, reportagens, etc. Compartilham nisso algo em comum com o bolsonarismo, também ele governado pelo simbolismo. Ambos estruturados pelo consenso neoliberal, onde o essencial não pode ser tocado.
Cabe à esquerda ir além de fantasmas, imagens, e tocar a nervura do real, em toda sua concretude. (por David Emanuel Coelho)
E supõem que o quero porque quero deles prevaleça sobre a Constituição deste país (que, se assim fosse, já teria trocado o nome para República das Bananas e dos Bananas do Brasil).
"Os realizadores deste filme esclarecem que se trata apenas de uma obra de ficção e que o pior aluno da escola referido no título não é nem o Anderson Torres nem o Mário Frias".