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sábado, 31 de maio de 2025

SOBRE O FILME 'NO CALOR DA NOITE', UM CLÁSSICO DE 1967, E A NOITE QUE HOJE SE ADENSA E AMEAÇA NOS TRAGAR A TODOS

F
oi por causa da insônia que resolvi rever No calor da noite (disponível no streaming da Prime Vídeo).

É que, quando acordo no meio da madrugada, assistir a um filme qualquer geralmente me ajuda a reencontrar o sono perdido.

A receita só não funcionou desta vez porque o velho clássico de Norman Jewison me provocou uma reflexão sobre a alternância dos humores do respeitável público, que oscilam do ótimo para o péssimo e vice-versa, sem alterarem o fundamental: enquanto o capitalismo continuar sobrevivendo à sua disfuncionalidade, os paliativos adotados pelas pessoas para seguirem vivendo não passarão de tempestades de som e fúria significando nada, como diria Shakespeare.

Evidentemente, sempre nos será mais gratificante vivermos em circunstâncias otimistas do que nas agônicas.  E os melhores dentre nós optam por resistirem com todas as forças ao avanço da desumanidade nos  regimes agônicos, ao invés de prostrarem-se a eles. 

Estimo que assim seja e minha opção de uma vida adulta inteira foi engrossar as fileiras dos resistentes. Tento, ademais, alertar os meus leitores e seguidores de que a alternância desses ciclos não significa que a solução esteja num deles. 

Não está. Ora sobreviveremos razoavelmente (mas muito aquém dos potenciais de melhora existentes) dentro do capitalismo, ora  comeremos o pão que o diabo amassou submetidos ao dito cujo, até que nos decidamos tomar a História nas mãos para destravá-la, livrando-nos do regime da exploração do homem pelo homem. É simples assim.

Atendo-nos ao passado mais recente, o século 20 começou com a ilusão de que os avanços científicos trariam grande progresso para a humanidade, que estaria entrando numa idade do ouro. 

Veio, no entanto, o primeiro conflito mundial e foi como um balde de água fria, com os horrores da guerra de trincheira superando os piores augúrios. E a paz precária acabou sendo apenas um intervalo no qual se incubaram totalitarismos e crises econômicas agudas, as quais desembocaram na Grande Depressão que perdurou durante toda a década de 1930 e só foi superada a partir de uma nova guerra mundial, seguida da penosa reconstrução do que fora destruído.

Assim como hoje falamos de décadas perdidas, poderíamos qualificar toda a primeira metade do século passado como perdida, do ponto de vista da ascensão da humanidade a um estágio superior de civilização.

A década de 1950 começou com a guerra fria pendendo como uma guilhotina sobre o futuro da humanidade e com uma repulsiva caça às bruxas ressurgindo em plenos EUA, o macartismo. 
Mas, após os Estados Unidos mostrarem sua pior face na perseguição arbitrária a alguns inimigos reais mas inofensivos e uma expressiva maioria de inimigos apenas imaginários, sucumbindo a uma grotesca histeria que foi insuflada ao máximo para servir à manipulação política, seria também lá que uma página mais digna da História começaria a ser escrita.

Foi a eclosão de movimentos para que os direitos civis dos negros passassem a ser respeitados, com os ditos cujos não mais sendo tratados como cidadãos de segunda categoria no seu próprio país. 

Hollywood, ainda que movida pelo interesse e não por convicção, não ficou indiferente aos ventos de mudança: a partir do metade final dos anos 50 produziu muitos filmes contrários ao racismo ou que abordavam criticamente as injustiças e desigualdades que continuavam existindo no país mais rico e poderoso do mundo.

A década de 1960 nasceu por lá sob o signo de esperanças ingênuas (John Kennedy não ascendeu ao poder por acaso!). E, embora houvesse uma encarniçada resistência dos setores mais retrógrados, foram crescendo as iniciativas para a erradicação de mazelas há muito arraigadas na sociedade. 

Os assassinatos de Martin Luther King e Malcon X reentronizariam o princípio da realidade, mas é impossível não simpatizarmos com aqueles esforços bem intencionados... e nem sempre bem concretizados em termos cinematográficos
.

A sequência de filmes que adotaram essas novas abordagens se inicia com Sementes de violência (d. Richard Brooks, 1955), seguindo-se Um homem tem três metros de altura (d. Martin Ritt, 1957), Acorrentados (d. Stanley Kramer, 1958), O sol é para todos (d. Robert Mulligan, 1962), Ao mestre, com carinho (d. James Clavell, 1967), Adivinhe quem vem para jantar (d. Stanley Kramer, 1967) e A libertação de L. B. Jones (d. William Wyler, 1970), entre outros.

Um magnífico exemplar de tal tendência é o que motivou esta digressão,  
No calor da noite (1967), que consegue passar sua mensagem edificante sem ranço didático nem pieguice. 

Começa com um sofisticado policial negro da Filadelfia, Virgil Tibbs (Sidney Poitier), de passagem por uma cidadezinha sulista atrasada e preconceituosa, se envolvendo com a investigação do assassinato de um grande empresário.

O xerife Bill Gillespie (Rod Steiger), cuja mentalidade é igualmente tacanha, se vê obrigado a pedir sua colaboração, pois é inexperiente em episódios de tal gravidade e os cidadãos não lhe perdoarão um fracasso, ainda mais sabendo que ele tinha um especialista à mão.

Então, mais do que o esclarecimento do crime, o filme vale mesmo é pela interação entre Gillespie e Virgil, que começa em choques de personalidade e acaba em respeito mútuo; e pela reação da comunidade racista à momentânea ascendência que o policial negro adquire.

Assistir de novo, tanto tempo depois, este filme bem intencionado foi paradoxal porque os preconceitos e a obtusidade que estavam então em fase de superação são exatamente aquilo que o presidente Donald Trump tudo faz para restabelecer, cometendo uma lambança atrás da outra. 

Trata-se de missão impossível e que causará enormes danos à humanidade (principalmente no enfrentamento das alterações climáticas), além de poder levar os EUA a deixarem de ser potência dominante. A China, que já morde seus calcanhares, deverá ser a grande beneficiada pela guerra que Trump move contra a ciência e o pensamento. 

Quem tenta fazer a História andar para trás invariavelmente  quebra a cara, como o Jair Bolsonaro aprendeu (e o Lula, que parece não ter compreendido o porquê do retumbante fracasso da política econômica da Dilma Rousseff, mostra-se tentado a repetir as mesmas besteiras...). 

Quanto à esquerda, mais do que nunca precisa compenetrar-se de que seu papel hoje é o de lutar contra os retrocessos civilizatórios e resistir à desumanização. mas não dentro da perspectiva de restaurar o status quo anterior.   
E há um forte motivo para tanto: as perspectivas que pareciam existir na última virada de século, de que finalmente a humanidade se beneficiaria em larga escala dos avanços científicos e tecnológicos, desfez-se como bolhas de sabão.

Outra vez se comprovou que o capitalismo não pode ser regenerado, nem os principais ganhos obtidos com as melhoras nas atividades produtivas serem redirecionado para os mais necessitados, pois sua lógica é a do aumento incessante da desigualdade econômica e tais ganhos acabam servindo apenas para reforçar a dominação exercida pelos bilionários, uma minoria de repulsivos Eltons Musks. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 25 de abril de 2025

TRUMP REVISITA O FASCISMO ESPANHOL: "MORRA A INTELIGÊNCIA, VIVA A MORTE!"

Unamuno, com barba branca, saindo da Universidade após confrontar os fascistas
Em outubro de 1936, numa solenidade que tinha lugar na universidade espanhola de Salamanca, algum professor dormia com o inimigo, proferindo um discurso de exaltação à irracionalidade franquista. 

Os descerebrados presentes se empolgaram e um deles gritou o lema da Falange fascista: "Viva a morte!". Outros o secundaram, bradando esta e outras palavras de ordem a favor de uma Espanha monárquica, ultranacionalista e ultracatólica no mau sentido. Enfim, como sempre brigavam com o presente e exigiam uma volta ao absolutismo feudal.

Lá estava também o general Milan-Astray, cujos seguidores ergueram o braço, fazendo a saudação usual ao ditador Francisco Franco em pleno ambiente universitário, como se ele se encontrasse no local. Uma contradição  em termos. 
Milan-Astray, o parceiro da morte

O reitor Miguel de Unamuno, um liberal humanista, confrontou corajosamente a horda, dizendo que falaria porque "ficar calado significaria mentir e o silêncio pode ser interpretado como aquiescência".

Rebateu a pretensão dos fascistas de estarem defendendo a civilização cristã, acrescentando que estava em curso uma guerra civil na qual vencer não significava convencer, mesmo porque "o ódio que não deixa lugar para a compaixão não pode convencer". 

O general Milán-Astray perdeu as estribeiras ao ouvir as fortes críticas ao seu modelo para a Espanha e, furibundo, urrou: "Morra a inteligência, viva a morte!".

Unamuno finalizou com uma frase que entraria para a História: "Vencereis, porque lhes sobra força bruta. Mas não convencereis, porque para convencer é preciso persuadir. E para persuadir é necessário algo que lhes falta: razão e direito na luta.".

Os descendentes de Unamuno começam a articular uma forte resistência civilizada à nova caça às bruxas ora em curso, tendo na última terça-feira (22) realizado a primeira manifestação generalizada contra as trevas trumpianas: cerca de cem reitores, representando dezenas de instituições acadêmicas, incluindo Yale, Princeton e Harvard, denunciaram a "interferência governamental sem precedentes" no ensino superior.

No dia anterior, Harvard iniciara a batalha jurídica ao estrangulamento financeiro como arma trumpiana para obter o que Unamuno qualificaria de aquiescência dos bem pensantes: entrou com uma ação judicial contra o bloqueio, por parte do Governo Trump, de US$ 2,2 bilhões em subsídios federais, como represália por tal universidade por haver rejeitado as exigências infames dos descendentes de Franco e do general Milan-Astray.

A China, apostando na inteligência, redobra esforços 
para se colocar cada vez mais na dianteira científica e tecnológica, inclusive fazendo altos investimentos para atrair cientistas de outros países - enquanto Trump, flertando com a morte, os aterroriza ao impor uma recaída dos EUA no macartismo. 

Não preciso de bola de cristal para saber quem  sairá fortalecido das atuais escaramuças e quem marcha para um fracasso retumbante e para o fim da hegemonia que herdou dos campos de batalha da segunda guerra mundial. (por Celso Lungaretti)  

sábado, 22 de março de 2025

ESTADOS UNIDOS, TERRA DOS LIVRES E LAR DOS VALENTES? ACREDITE QUEM QUISER...

rui martins
EUA: o perigo do totalitarismo.
Qual o verdadeiro objetivo dos cortes nas pesquisas e instituições científicas dos Estados Unidos, pelo presidente e seu auxiliar direto Elon Musk? O que se pretende com a suspensão das ajudas do governo às universidades e com os controles de professores e alunos, antes não existentes?

A imprensa europeia ainda parece atônita diante das notícias trazidas por professores desejosos de vir ensinar na Europa, contrários ao governo Trump ou prestes a serem demitidos pelas chamadas medidas econômicas.

Difícil de responder, mesmo porque o plano comercial de taxar pesadamente as importações equivale a provocar reações capazes de provocar um aumento da inflação nos EUA. 

A desativação ou diminuição das atividades de setores de ministérios, de ajudas mesmo se interessadas a países estrangeiros como as da Usaid, é feita dentro de um plano bem programado ou com o objetivo de desativar as principais atividades sociais do Estado?

Alguma coisa parecida com aquilo posto em execução na Argentina pelo presidente Milei, elogiado pelos grandes grupos econômicos e bem recebido por economistas e patrões no Fórum Econômico de Davos?

Ou já se trata de se colocar em prática ou estar testando as medidas destinadas a se criar um mundo totalmente diferente, controlado com a utilização de plataformas sociais e inteligência artificial (uma versão atual e mais sofisticada do 1984 de George Orwell: um totalitarismo utilizando câmeras). 

O sistema de controle e vigilância de toda população, imaginado pelo escritor, não é mais ficção e já pode ser instalado em todas as residências, ruas e locais coletivos para funcionar o dia inteiro.

Nos nossos dias, existem diversos países com vontade de controlar a formação de pensamento do seu povo. Reeditando um procedimento mais comum na Idade Média, algumas nações utilizam a censura, felizmente sem fogueiras. 

E, embora possa parecer surpreendente, os Estados Unidos, um dos países nos quais mais se fala atualmente em exercício da liberdade de expressão, é um dos maiores utilizadores da censura.

O jornal suíço Le Temps dedicou duas páginas da sua edição de fim-de-semana para destacar a existência de mais de 4 mil livros censurados nas bibliotecas e escolas estadunidenses, perguntando qual seria a sequência dessa vaga liberticida.
Entre os livros censurados estão O diário de Anne Frank, o próprio 1984 e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Essa realidade foi mostrada no documentário Os Bibliotecários, de Kim A. Snyder, exibido em janeiro no Festival do cinema independente de Sundance, em janeiro. Isso nunca se viu, nem na época do macartismo, se diz no documentário. Vale lembrar que a Constituição estadunidense garante a liberdade de expressão e a liberdade acadêmica.

Mas não é tudo e não vem só de Trump, mas também dos fundamentalistas que o apoiam desde o primeiro mandato. Nos dois últimos anos, houve mais 10 mil pedidos processuais de censura de livros, bem como de álbuns e manuais escolares tratando do período da escravidão e da luta pela liberdade e direitos cívicos dos afroamericanos.

Basta uma frase ou uma imagem para o livro ser catalogado como obsceno ou pornográfico pelas associações e grupos de pressão de fundo religioso nacionalista cristão.

O jornalista Jean-Jacques Roth afirma não serem só livros mas haver palavras e expressões proibidas pelo mundo trumpista numa ofensiva lançada contra a cultura, contra a ciência e contra a espinha dorsal do racionalismo moderno. 

Desde o primeiro mandato de Trump eram proscritos nos Centers for Disease Control os termos e expressões feto, diversidade, transgênero, baseados na ciência e apoiados por provas

Existe na era Trump uma enorme profusão de proibições, tais como as que incidem sobre designado homem ao nascer, identidade de gênero, LGBT, pessoas grávidas

Devem, ainda, ser evitados os termos ou expressões diversidade, justiça social, raça, etnia, discriminação, racismo

Trata-se de uma guerra de purificação léxica, destinada a desqualificar tudo quanto se relacione com valores progressistas e com os conceitos das ciências políticas e sociais. 

De acordo com Jean-Jacques Roth, o objetivo é o de se criar um mundo onde o real não se relacione com a razão mas sim com a vontade do poder dominante,
um mundo no qual não se procura a verdade mas no qual se decreta o que deve ser verdade. Isso tem um nome: totalitarismo
(por Rui Martins)

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

A JUSTIÇA SUÍÇA DÁ UMA LIÇÃO AOS LACRADORES QUE DESEMPREGARAM CUCA

A sanha punitivista com a qual alguns comentaristas esportivos conseguiram, mediante uma campanha na imprensa e nas redes sociais que lembrou os tempos hediondos do macartismo estadunidense e da ditadura militar brasileira, privar um senhor prestes a completar 60 anos do exercício do seu ofício, foi exemplarmente impugnada pelo destino. Bem feito!

Alegavam que, aos 24 anos de idade, o então jogador Cuca haveria estuprado uma menor na Suíça, juntamente com outros atletas da equipe gaúcha do Grêmio. Mas, embora o tivessem à mão, as autoridades helvéticas permitiram seu retorno ao Brasil. 

Foi adiante condenado, mas, inexistindo tratado de extradição daquele país conosco, fez longa carreira como atleta e depois técnico, sem nunca ser realmente incomodado, apesar de um ou outro protesto. 

A grita mais estridente, contudo, só viria a ocorrer depois de 40 passagens posteriores por diferentes equipesinclusive o Valladolid espanhol e o Shandong Luneng chinês. Foram letárgicos esses caçadores de escalpos! [Ou seria melhor  os chamarmos de caçadores de holofotes, já que as vítimas de seu patrulhamento cricri invariavelmente são famosas?] 

Não levaram sequer em conta o quanto qualquer ser humano muda em 35 anos de existência. A menos de dois meses de tornar-se sexagenário, quando desencadearam a campanha contra ele, Cuca se tornara um inatacável pai de família, que fazia questão de beijar uma medalhinha de Nossa Senhora quando os times por ele dirigidos marcavam gols...

Mais: a condenação do Cuca prescrevera definitivamente em 2004. Ou seja, deixara de existir para fins legais. Então, o verdadeiro crime em 2023 estava sendo cometido por aqueles que incitavam ilegalmente sua estigmatização, inclusive envolvendo as brabas (mas politicamente ingênuas) futebolistas do esquadrão feminino corinthiano nessa campanha de ódio. 

E, como eram jornalistas, também incidiam numa péssima prática para profissionais da imprensa, a de divulgarem partes processuais que estavam sob segredo de justiça (na Suíça), obtidas sabe-se lá como, mas inacessíveis a quem quer que tentasse provar que tais imputações eram parcial ou totalmente infundadas. Atiravam pedras contra as quais o cidadão Alexi Stival não podia exercer o seu direito de defesa. 

Inconformado, ele constituiu advogados que pleitearam e obtiveram legalmente o acesso às cerca de mil páginas do processo suíço. Passo seguinte, eles requereram à justiça helvética a anulação da sentença, já que não houvera um julgamento, mas sim um linchamento togado: o réu não havia sido defendido por ninguém!

Uma juíza digna da toga fez o óbvio: anulou a sentença e determinou que Cuca recebesse uma indenização por haver tido seus direitos atropelados. Mas, não atendeu ao pedido de um novo julgamento por tratar-se de processo já prescrito. Simplesmente extinguiu-o de vez. Nunca mais poderá ser reaberto.

Qualquer ser humano decente pediria desculpas ao Alexi Stival, quase condenado pelo tribunal da internet a uma aposentadoria precoce, já que preferia continuar trabalhando e havia clubes querendo seus préstimos. No entanto, os patrulheiros até agora só se manifestaram tentando justificar seu procedimento, tendo uma delas chegado ao cúmulo de aventar a possibilidade de a alegada vítima aos 13 anos ter morrido (uns 15 anos depois) como consequência tardia do episódio!!!

Ou seja, ignorando quais as verdadeiras circunstâncias do óbito, especulou com aquela que mais lhe convinha, excluindo todas as outras possíveis e imagináveis! Puro Wishful thinking.

Por último, não vou gastar muitas palavras para explicar meu posicionamento de primeira hora nesse episódio, porque o grande Proudhon já o fez muito melhor do que eu jamais o faria. 

Apenas lembrarei a semelhança com uma das muitas ilegalidades cometidas contra o escritor Cesare Battisti, pois a condenação italiana já prescrevera quando sua extradição foi solicitada ao Brasil e, mesmo assim, os inquisidores de lá e daqui sustentaram hipocritamente o contrário, tendo seu entendimento capcioso prevalecido, como era de esperar-se.

Sabendo que esses casos rumorosos acabam servindo de precedentes para outros no futuro, meu real motivo foi o de reafirmar que sentença prescrita não pode ser jamais utilizada para desqualificação orquestrada dos antigos réus.

Preocupou-me o fato de que as brechas que se abrem nas garantias legais para os sentenciados, mais dia, menos dia, acabam sendo utilizadas contra perseguidos políticos do nosso lado. 

Afinal, os judiciários brasileiro e europeu são tudo, menos isentos: em última análise, não passam de sustentáculos institucionais para a hegemonia burguesa. (por Celso Lungaretti) 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

É COMOVENTE VER UM JOHN WAYNE CANCEROSO NO PAPEL DE UM JUSTICEIRO LENDÁRIO QUE ESTÁ MORRENDO DE TUMOR

Símbolo máximo do western estadunidense clássico, John Wayne era um reaça com carteirinha assinada: 
— propagou ao máximo as lorotas de Hollywood sobre lei e ordem no velho Oeste; 
— cansou de atuar em fitas que satanizavam os indígenas e os mexicanos;
— voltou as costas aos colegas perseguidos pelo macartismo;
— fez questão de prestar uma homenagem cinematográfica aos medonhos boinas verdes (tropa de elite exterminadora de vietcongs na Guerra do Vietnã), etc.

Mesmo assim, seu grand finale foi admirável: já canceroso, aceitou em 1976 um papel que se confundia dolorosamente com sua vida real, o de um lendário homem da lei que, também condenado a morrer por causa de um tumor, escolhe terminar a vida num duelo contra dois velhos inimigos que o detestam e um admirador que pretende proporcionar-lhe um final digno.

O último pistoleiro acabou sendo também o último filme do velho caçador dos bandoleiros das telas: ele resistiria até junho de 1979, quando faleceu aos 72 anos, não da morte heroica que cairia bem para o mito John Wayne, mas na cama como um Marion Michael Morrison qualquer. Os mitos são quase todos tigres de papel.

Mas, isto não impede o filme de ser um comovente faroeste outonal, no qual o definhar do herói se confunde com o fim da época que o produziu (as dores atrozes, p. ex., já o impedem de sustentar-se sobre a sela num cavalo, então ele a substitui pela almofada que carrega consigo para sentar-se no... bonde!).   
Destaque para uma rara atuação sóbria de John Wayne, como convém a um personagem que já não comportava bravatas e que nem sequer precisava simular sofrimento, porque o ator estava mesmo sofrendo.

É curta mas marcante a participação de James Stewart, com quem Wayne contracenara no superlativo O homem que matou o facínora  e na superprodução A conquista do Oeste, ambos de 1962.

Ele interpreta o médico que confirma ao paciente famoso que ele vai mesmo bater as botas em breve e lhe sugere que, sendo notoriamente corajoso, antecipe-se à morte natural, caso contrário amargará dias terríveis no final.   

Richard Boone, inesquecível como o protagonista da longa série televisiva Paladino do Oeste (1957-1963), não poderia faltar como um dos vilãos de um faroeste nostálgico como este. 

Nem Laurenn Bacall como a viúva em cuja pensão o velho matador experimenta a até então desconhecida felicidade doméstica e a satisfação de servir durante um tempinho como pai substituto para o adolescente carente de um referencial masculino.

Hugh O'Brian, que interpreta um carteador, não pertence exatamente ao time dos veteranos (até John Carradine faz uma ponta!), mas deve ter sido escolhido pela sua atuação como Wyatt Earp numa série de TV que também durou seis temporadas, de 1955 até 1961.

A direção competente de Don Siegel, não resvalando para a pieguice, valoriza O último pistoleiro. Era um mestre no seu ofício, responsável, p. ex., pelos ótimos Vampiros de almas (1956) O estranho que nós amamos (1972) e  O homem que burlou a máfia (1973).

Em 1992, quando Clint Eastwood conquistou os dois principais Oscar a que concorria com  Os Imperdoáveis (melhor filme e melhor diretor), dedicou sua obra-prima aos cineastas com quem mais aprendeu como ator, qualificando-se para depois obter sucesso como diretor: Sergio Leone e... Don Siegel. (por Celso Lungaretti) 

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

EDUCADORES (?) DO GOVERNO CATARINENSE BISAM OS CENSORES DA DITADURA MILITAR

Lembram do Weintraub, que o escritor Ignácio de Loyola Brandão qualificou de ministro da Educação sem educação, grosso, horrendo, nojento? Ele deixou seguidores.

Os muares do governo de Santa Catarina acabam de zurrar o banimento de nove livros das escolas do Estado. Eis o ofício da Secretaria da Deseducação, vertido para a linguagem humana: 
"Determinamos que as obras listadas sejam retiradas de circulação e armazenadas em local não acessível à comunidade escolar. Em breve enviaremos novas orientações".
Por que, ao invés de armazená-los, não queimam os livros em público, como faziam os nazistas? 

Pode ser também uma homenagem ao clássico Fahrenheit 451, o filme de 1966 dirigido por François Truffaut, que adaptou para as telas o livro escrito por Ray Bradbury em 1953, quando grassava o macartismo nos EUA...
Para quem não se lembra ou nunca viu, é sobre bombeiros de um estado totalitário que localizam e carbonizam aquele que é um dos grandes diferenciais entre bípedes humanos e quadrúpedes energúmenos.

Dos livros colocados no index escolar catarinense, os mais conhecidos são A Coisa (It) do Stephen King, Laranja Mecânica do Anthony Burgess, Coração Satânico do William Hjortsberg e Donie Darko do Richard Kelly. Todos viraram filmes. 

Os demais proscritos são A química entre nós, de Larry Young e Brian Alexander; Ed Lorraine Warren: demonologistas, de Gerald Brittle; Exorcismo, de Thomas B. Allen; Os 13 porquês, de Jay Ascher; e O diário do diabo, de Robert K. Wittman e David Kinney

Eu aprecio particularmente três desses livros/filmes. No do Stephen King, faço a ressalva de que o autor parecia estar recebendo US$ 1 milhão por página, de tanto que encompridou a narrativa. 

Seu principal mérito foi ter inserido na receita de terror ingredientes de bullying e de rito de passagem. O telefilme de 1990 deu o devido destaque ao que era inovador, enquanto o blockbuster de 2017 quis mais é aplicar os $u$to$ de sempre. 

A parábola de Burgess contra o totalitarismo é imperdível e imprescindível, um dos marcos da era da contracultura. Arrasa como livro e como filme (do Stanley Kubrick, 1971). Chocou-se com o moralismo rançoso dos censores da ditadura militar e, agora, com seus herdeiros travestidos de educadores.

Um paliativo então adotado foi a de cobrir com bolinhas pretas os pênis dos atores, numa sequência em que se movimentavam o tempo todo. O resultado acabou sendo hilário, pareciam bolinhas de pingue-pongue saltitando pela tela.

Coração Satânico, do Alan Parker (1987) é uma história de terror inteligente como dificilmente se vê nos filmes de hoje e tem um Lúcifer inesquecível, interpretado por Robert De Niro.

De resto, a obsessão dessa horda descerebrada com o restabelecimento de dogmas medievais em matéria de religião e de sexo tem um aspecto positivo: evita que tais primatas causem danos muito maiores com atentados terroristas e tentativas de putschs(por Celso Lungaretti)

terça-feira, 1 de agosto de 2023

AMBÍGUO E OPORTUNISTA, OPPENHEIMER ESCANCAROU AS PORTAS DO INFERNO E DEPOIS AS QUIS FECHAR COM SUPER BOND

T
endo este blog publicado uma excelente crítica do filme Oppenheimer (clique aqui para acessá-la), vou acrescentar uns poucos aspectos históricos que considero importantes e o chinfrim diretor Christopher Nolan omitiu ou diluiu na mixórdia de informações atiradas na tela sem uma correta hierarquização por ordem de importância. 

Como se ainda estivesse lidando com personagens de HQ como o Batman, Nolan produziu muito estardalhaço e pirotecnia para, no final, deixar o espectador leigo no assunto com a impressão de que Oppenheimer tenha sido herói e vítima, enquanto os falcões que o perseguiram durante o macartismo seriam os únicos vilãos. Ou seja, quem não sabia nada agora sabe quase nada...

Primeiramente, não fica claro que uma verdadeira histeria obnubilou o raciocínio dos principais físicos da época face à possibilidade de Adolf Hitler contar com uma bomba atômica para seus desígnios hediondos. Tiveram um pesadelo à noite e, ao acordarem pela manhã, estavam convertidos em alarmistas atônitos.

Então, sem hesitarem um segundo, correram a pedir socorro para o Tio Sam, como se dotarem os EUA de um poder apocalíptico garantisse que o mundo ficaria mais seguro. 

O resultado dessa obtusidade dos scholars para enxergarem o que está fora do seu nicho específico foi o verdadeiro milagre de até agora a espécie humana não haver sido destruída por uma guerra atômica. 

As peças do dominó, vale lembrar, estiveram muito próximas de caírem uma a uma na crise dos mísseis cubanos, em 1962.  Fomos buscar na bacia das almas uma sobrevida que já dura sete décadas, mas se sustenta até hoje sobre um equilíbrio precário. Amanhã poderá ser nenhum dia, ou então o day after... 

Como bem ressaltou o David Emanuel Coelho, esses cientistas, com o húngaro Leo Szilard à frente, tinham em comum o propósito de salvarem os judeus e/ou os esquerdistas do nazi-nazismo.

E convenceram Albert Einstein a endossar suas preocupações numa carta escrita por Szilard e assinada também pelo pai da teoria da relatividade, que era respeitadíssimo pelo presidente estadunidense Franklin Delano Roosevelt. 

A partir daí vieram a decisão política e os recursos financeiros para u projeto atômico dos EUA.

Físico da segunda prateleira, que nem antes nem depois ganhou o Prêmio Nobel, Oppenheimer percebeu o mesmo que os colegas mais ilustres: passara a existir uma possibilidade teórica de se fabricar uma bomba atômica. 

E foi escolhido pelo chefe militar do Projeto Manhattan, o general Leslie Groves, para comandar a parte científica do empreendimento. Por quê? Por ter mais jogo de cintura, saber lidar pragmaticamente com diversos aspectos do empreendimento, enquanto os dotados de melhores cérebros sabiam muito de sua especialidade e quase nada de todo o resto. 

Talvez Groves também haja percebido que aquele jogador da série B obcecado por ascender à série A se prestaria aos papéis mais repulsivos para preservar seu posto, como delatar um companheiro suspeito de traição e até tornar-se um destruidor de mundos (conforme a frase de efeito que depois andou pretensiosamente citando, sem perceber que ela mais o incriminava do que o favorecia).

E, quando o perigo nazista, que não era tão sólido quanto os ingênuos cientistas  supunham (os aliados, ao ocuparem a Alemanha, encontraram o projeto atômico nazista ainda longe da conclusão) se desmanchou no ar, foi forte a rejeição entre os medalhões do projeto à ideia de usar-se a bomba contra o Japão. Não era para isto que eles tinham trabalhado com tanto afinco.
Casal Rosenberg: a corda arrebenta
sempre do lado mais fraco.

Oppenheimer, contudo, afiançou-lhes que os líderes políticos e militares sabiam o que estavam fazendo. 

Ou seja, mentiu descaradamente, pois participara de suficientes reuniões com essa gente podre para depreender que ela era capaz de mandar pelos ares uma cidade nipônica apenas para justificar, diante dos eleitores, os US$ 2 bilhões até então despendidos na empreitada. 

Consta também que, quando do teste definitivo da bomba em Los Alamos, Oppenheimer estava mais ansioso do que marido na maternidade à espera do parto da esposa. Os técnicos tiveram de pedir-lhe que se retirasse do recinto, pois deixava todo mundo nervoso. Preocupações humanitárias? Conta outra.

Bombas fabricadas e explodidas, algo entre 150 mil e 250 mil seres humanos exterminados nos primeiros tempos (afora os que morreriam ao longo dos anos seguintes), não escapou a Oppenheimer que aquele horror todo o faria ser visto doravante como um dr. Frankenstein da vida real, pois a etapa seguinte seria a de os muitos culpados eximirem-se da responsabilidade moral pelo monstro, deixando-as nas costas de vocês sabem quem.

Foi quando ele trocou sua fantasia de salvador das vidas dos soldados que morreriam se os EUA fossem obrigados a invadirem o Japão pela de opositor da bomba de hidrogênio e propositor de medidas irrealistas  para evitarem-se novos novas bestialidades como as de Hiroshima e Nagasaki. O melhor momento do filme é quando o presidente Truman se indigna com as lágrimas de crocodilo de Oppenheimer e grita-lhe que a responsabilidade pelo uso da bomba cabia ao stablishment político e militar, não aos cientistas que a criaram.  Uma lição de realpolitik.

Mas Nolan preferiu passar pano na imagem do cientista louco, contrapondo-lhe os mais loucos ainda falcões do Pentágono e caçadores de bruxas do macartismo. Para o público que engole as lorotas de Hollywood, acaba ficando a impressão de que Oppenheimer não foi tão ruim, afinal. Minha opinião é exatamente a oposta. 

Por último, aponto os grandes ausentes do melodrama político de Nolan: Julius e Ethel Rosenberg, o casal de comunistas de passeata que serviram de estafetas para o repasse à espionagem soviética de informações sobre o Projeto Manhattan. 

Foi outra opção de realpolitik: as altas autoridades estadunidenses consideraram preferível isentar os figurões da física que subsidiaram a URSS para que se estabelecesse um equilíbrio do terror (ou seja, visando evitar que o monopólio da destruição do mundo permanecesse nas mãos dos Estados Unidos). Como alternativa, o país que prega justiça para todos proveu catarse para a opinião pública eletrocutando quem estava mais à mão. 

Afinal, alguém precisava pagar pela epidemia de diarreia que se espalhou pelo país inteiro quando se ficou sabendo que os soviéticos também possuíam sua bomba. Azar desses dois pobres coitados que não entendiam bulhufas dos dados técnicos que estavam passando adiante! (por Celso Lungaretti)
É por lembrar das crianças de Hiroshima que nunca perdoarei
quem de alguma forma concorreu para seu extermínio 

sexta-feira, 19 de maio de 2023

ENQUANTO A ESQUERDA INSTITUCIONAL DORME COM O INIMIGO, AS FEMINISTAS SE LIMITAM AOS ALVOS FÁCEIS MAS INÓCUOS

"
...juntaram-se todos os partidos, da extrema-direita à centro-esquerda, do PL de Bolsonaro ao PT de Lula, com a honrosa exceção do pequeno Psol, para esculachar com as leis eleitorais, atropeladas por crimes em série na última campanha, a começar pela cota mínima para candidatas mulheres. 

O pior é que todas as sete mulheres da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara votaram a favor desta bandalha, junto com os 35 homens..." (Ricardo Kotscho, sobre uma bandeira que as feministas nem de longe estão abraçando com a mesma estridência demonstrada na caça punitivista, para não dizer macartista, a celebridades hoje inofensivas, por crimes prescritos há uma eternidade)

sexta-feira, 21 de abril de 2023

O PROCESSO QUE CONDENOU CUCA FOI INCINERADO APÓS PRESCREVER. ENTÃO, CHEGA DE CIRCO!

Reportagem da Placar em 1987. Após
1,5 mês presos, os 4 foram liberados.
O
jornalista Paulo Vinícius Coelho, em sua coluna do UOL (vide aqui), trouxe as informações que faltavam para colocarmos definitivamente uma pedra sobre o tal escândalo de Berna:
  1. a Justiça suíça condenou em 1989 os jogadores do Grêmio pela prática de sexo com uma menor de idade que ingressara espontaneamente no quarto deles;
  2. estavam em quatro e o goleiro Chico foi condenado a três anos de prisão, embora a pena máxima possível fosse de dez anos;
  3. a condenação foi menos rigorosa porque não se comprovou que a menor tivesse sofrido violência física ou coerção;
  4. o Cuca acaba de dar entrevista coletiva protestando inocência e dizendo que sua única participação no episódio se deveu a estar no mesmo recinto, só que era um quarto em L e a menor, como consequência, nem sequer chegou a vê-lo, daí não o ter identificado diante da polícia;
  5. então, ao invés de a três anos como o Chico, ele foi condenado apenas a 15 meses (talvez por, embora separado por uma parede, ele saber o que estava acontecendo e nada ter feito para impedir);
  6. o principal de tudo é que, conforme relata o PVC, "o processo foi incinerado, depois de prescrito", portanto "a condenação não foi nem será cumprida" e hoje os quatro ex-jogadores podem passear à vontade pela Suíça sem nenhum risco de serem presos.
Cuca diz que era jovem demais para lidar com uma situação dessas e deixou tudo por conta dos advogados do Grêmio. Longe da Suíça, nem sequer tomou conhecimento de que estava sendo julgado in absentia

Mais tarde, quando quis fazer algo a respeito, advogados daquele país informaram que nada mais era possível porque o processo virara cinzas.

No que se baseia, afinal, a atual campanha de linchamento moral para impedir o Cuca de, 35 anos depois, exercer o seu ofício? No inventário de cinzas inexistentes, já que nem elas sobraram? 

Então, como nunca se soube exatamente o que constava no processo, já que tramitou em segredo de Justiça, está mais do que na hora de pararmos de infernizar o Cuca com suposições e elucubrações que tanto podem ser corretas como totalmente equivocadas. 

Deixou de existir qualquer base sólida para tirarmos conclusões a respeito do episódio, a menos que a vítima ou algum dos outros envolvidos acrescentem algo às versões do passado longínquo. Mas, nada indica que o farão. 

Chega de circo! (por Celso Lungaretti)
Observação – hoje, 25/04, surgiu a informação de que o processo suíço não foi incinerado, como afirmou o PVC e eu acreditei (mea culpa!), mas permanecerá sob segredo de Justiça até o final do presente século. 

Só que, ao contrário do que parecem supor os justiçadores do tribunal da internet, o resumo do caso num jornal de Berna vale tanto quanto qualquer notícia produzida a partir de vazamento de trechos de (ou de suposições sobre) um processo que não estava disponível para conhecimento do público: nada

Isto porque não existe garantia nenhuma de que, p. ex., tal texto expressava fielmente o conteúdo do processo. E seria de um ridículo atroz proibir-se a divulgação do processo em si, mas permitir que qualquer veículo de imprensa o trombeteasse aos quatro ventos.  (CL)
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