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domingo, 19 de julho de 2026

CELSO PRESENTE! HOJE E SEMPRE!

 CELSO LUNGARETTI DEIXA UM LEGADO DO QUE É SER UM VERDADEIRO REVOLUCIONÁRIO


N
ão queria eu dar essa triste notícia, mas nosso amigo Celso Lungaretti faleceu neste sábado, 18 de julho de 2026, em São Paulo. Celso teve uma queda, passou por cirurgia e chegou a ficar internado por alguns dias, mas, infelizmente, não conseguiu resistir.

Perdemos um grande revolucionário, um homem que desde a adolescência esteve comprometido pela construção de um mundo mais justo e solidário, onde a exploração humana fosse abolida, as opressões e a miséria não existissem mais. Do movimento secundarista passou à guerrilha, travando a batalha contra a feroz e abominável ditadura militar. Preso no Rio de Janeiro, foi barbaramente torturado pelos militares, embora o pior viesse após sua liberdade, pois passaria anos buscando provar sua inocência na delação do segundo campo de treinamento da VPR, o que conseguiu após a revelação de novos documentos e a análise do historiador Jacob Gorender. 

Nunca se vergou aos poderes e tão pouco se acomodou à politicagem, mantendo estrita independência frente à dita esquerda da ordem, destoando de outros que bajulam incansavelmente o lulismo no poder. Isso trouxe-lhe problemas quando pleiteou sua justa indenização pelas perseguições que sofreu durante a ditadura militar: o governo Lula de tudo fez para dificultar sua causa.

Mais uma vez não se escondeu quando foi chamado a contribuir com a causa de Cesare Battisti, perseguido pelo governo italiano. Envolveu-se por completo na batalha pública e jurídica em prol do asilo ao militante, novamente enfrentando parte da esquerda da ordem, além da direita empedernida. A reversão do asilo, com a extradição de Cesare anos depois, não invalida a vitória obtida em 2010, que era um dos maiores orgulhos de Celso. 

Só vim a conhecer pessoalmente Celso em 2022, quando o encontrei em São Paulo, mas nossa relação começou antes, durante a derrocada de Dilma em 2016. Já era leitor assíduo do blog, uma exceção no marasmo da blogosfera esquerdista, dominada ou pelo lulismo rasteiro ou pela péssima qualidade. Celso sempre me encantou com suas análises precisas, rigorosas e sem rabo preso. Diante do desastre lulopetista, Celso conclamou seus leitores a fazerem posts para analisar a conjuntura e os motivos da histórica derrota materializada no impeachment. Escrevi um artigo e enviei, logo Celso me pediria outros e assim nascia nossa parceria, um veterano jornalista e um jovem professor de filosofia. 

A verdade é que aprendi muito com ele, aprimorei minha forma de escrever, aprendi a como trabalhar uma editoração, mas também, e sobretudo, aprendi a ser um ativista melhor. Celso sempre prezava a necessidade de buscar antes aproximar pessoas, mesmo que adversárias, do que distancia-las, pois a causa maior, da revolução, exige o máximo de combatentes. Com ele também aprendi que a paciência revolucionária é uma de nossas maiores virtudes, pois o verdadeiro revolucionário quase sempre estará à margem, mas em algum momento a história lhe fará justiça. 

Tenho certeza que a história já fez justiça a Celso Lungaretti e seu nome já está escrito entre aqueles que devotaram sua vida à construção do mundo justo e equânime. Infelizmente, ele não verá o triunfo deste mundo, mas sua memória será honrada por aqueles que o construirão. 

Cabe a nós que ficamos continuar e honrar seu legado. Neste momento de ascensão da extrema-direita, com xenofobia, racismo, machismo, destruição ambiental e exacerbação da exploração do ser humano pelo ser humano, a humanidade deve encontrar seu caminho interrompido e colocar abaixo o capital e suas estruturas asfixiantes e nefastas. Que a memória de Celso Lungaretti nos ajude nisso. 

Celso, presente! Hoje e Sempre! (por David Coelho)


sexta-feira, 26 de junho de 2026

REVOLUCIONÁRIOS NÃO DESISTEM DO BOM COMBATE MESMO QUANDO A CORRELAÇÃO DE FORÇAS É-LHES DESFAVORÁVEL.

No Náufrago da Utopia 2, eu tentei escrever algo que representasse uma contribuição aos companheiros que virão depois. 

Um rascunho do novo livro já era a série Legado de um Revolucionário, criada logo após eu ter escapado por um triz de ir papear com o Marx, Proudhon, Trotsky e Che Guevara, não sei se tocando harpa ou visitando aquele abismo mapeado pelo Dante.

Mas, se a proposta do livro era a de ser um legado, exatamente qual seria tal legado? Tive de dar tratos à bola para chegar a uma conclusão: percebi que minha trajetória se diferenciava pela série de lutas que travei contra adversários muito mais poderosos, mesmo assim obtendo êxitos ou ajudando os companheiros a obtê-los, 

Na primeira categoria está a luta por minha anistia, apesar de ter sido retaliado durante todo o caminho. Um advogado famoso estranhou que cada vitória minha no Superior Tribunal de Justiça fosse seguida de mais uma medida protelatória. Normalmente, decisões unânimes não são contestadas, porque o resultado, como é óbvio, continuará sendo o mesmo e os questionadores passarão vergonha.  

Já o meu caso foi uma verdadeira corrida de obstáculos e a vitória definitiva só chegou quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral e fixou um parâmetro a ser seguido pelas cortes de todo o país. 

Na segunda categoria, foi a luta pela liberdade do escritor Cesare Battisti, da qual participei de 2008 até 2011, como uma espécie de porta-voz informal do comitê de solidariedade. Era eu que lançava um artigo novo e diferente dos anteriores praticamente todo dia, afora outras incumbências. 

O Carlos Lungarzo, o Eduardo Suplicy, a Fred Vargas e eu fomos buscar essa vitória na bacia das almas, quando tudo parecia perdido.  

Outros episódios na mesma linha estão lembrados no Náufrago da Utopia 2. E é por eles todos que eu quero ser lembrado: como quem ousou lutar batalhas dificílimas e geralmente vencê-las, provando que nós, revolucionários, não podemos nos conformar jamais com as injustiças e, se travarmos as lutas até o fim, temos sempre a possibilidade de dar a volta por cima. Este espírito faz muita falta na esquerda atual. 

Um exemplo marcante foi quando os bolsonaristas expulsaram os petistas da avenida Paulista no tempo do Fora, Dilma! Aí, já no governo do Bolsonaro, secundaristas e a Gaviões da Fiel não tiveram medo de Bicho Papão e botaram os fascistas pra correr. Foram esconder-se atrás dos seus amiguinhos, os policiais. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 10 de junho de 2026

HABEMUS LIBELLUM

O
s leitores saudosos deste blog podem festejar: terminei os textos do Náufrago da Utopia 2: Memória e Legado, tendo entrado agora  na fase de sintonia fina. 
Ainda nesta semana o blog voltara ao normal, com um post novo quase todos os dias. 

O livro Náufrago 2 vai demorar um pouco mais. No entanto, tenho esperança de o estar lançando ainda neste ano, provavelmente durante a época natalina.

Como o Caetano Veloso diria,
Não se perca de mim, não se esqueça de mim, não desapareça! (CL)

sábado, 23 de maio de 2026

MUNICÍPIO DE SC ORGULHA-SE DE QUE TERÁ O METRO QUADRADO MAIS CARO DO BRASIL; É UM ACINTE AO MISERÊ DO POVO.

Leio no Estadão deste sábado (23) que o município catarinense de Itapema está investindo R$ 60 milhões  para alargar a orla de sua praia, tornando-se a cidade com metro quadrado mais caro do Brasil. 

Enquanto isto, 48,9 milhões de brasileiros, perfazendo 23% da nossa população, vivem abaixo da linha de pobreza. tendo de não morrer de fome com uma renda de aproximadamente R$ 700 mensais. Conseguirão adquirir um milímetro quadrado em Itapema? 

Já lá se vão 60 anos que Cesar Roldão Vieira compôs e Ary Toledo interpretou a canção Anúncio de Jornal (abaixo), mas o miserê continua o mesmo. No ranking global de nações do FMI estamos na 84ª colocação. 

Em 2024, só em São Paulo havia 1.840 mansões, cuja área seria suficiente para abrigar 107 mil famílias.

A situação gerada pelo capitalismo no Brasil é simplesmente pornográfica, se levarmos em conta o enorme potencial desperdiçado. (por Celso Lungaretti).  


quarta-feira, 20 de maio de 2026

DA RACHADINHA AOS 156 PEDIDOS DE IMPEACHMENT

Filme realizado com financiamento oriundo da corrupção,  Dark Horse será a confirmação de que a extrema-direita emburreceu  e mediocrizou-se mais ainda, caso o comparemos, p.ex., com o  Triunfo da Vontade, dirigido  por Leni Riefenstahl em 1935.

Por que? Porque Adolf Hitler, por pior governante e ser humano que fosse, era um personagem histórico, enquanto Jair Bolsonaro jamais passou de um personagem histérico que os ultradireitistas enfiaram goela do eleitorado adentro, ultrapassando todos os limites de propaganda enganosa, que era martelada dia e noite nas redes sociais.

Trinfo da Vontade é considerado um dos melhores filmes de propaganda politica já feito, enquanto  o abacaxi louvaminhasdo Bolsonaros de tem todo jeitão de que será uma insignificância, começando por tentar provar que a fakeada no celerado teria sido algo além da encenação mambembe que foi.

Uma curiosidade é ter Bolsonaro quebrado o recorde nacional de pedidos de impeachment: 156. E pensar que existem desmiolados dispostos a votar no seu filho 01. O Brasil não é mesmo um país sério!

De resto, os realizadores erraram  no título (deveria ser Ugly Horse), mas acertaram no dia de lançamento nos EUA:  31 de outubro. Hallowen tem tudo a ver com ele.

O lançamento no Brasil será em 11 de setembro. Desta vez ele não fugirá, como fez nos  Dias da Pátria de 2021 e 2022, quando agendou golpes de estado, mas, pusilânime que é, refugou. 


A tentativa de usurpação do poder só foi levada até o fim em janeiro de 2023 porque ele previamente fugiu e foi se esconder na Disneylândia.

.

Quanto ao Flávio Bolsonaro, como pode um candidato à presidência da República envolver-se pessoalmente com tal delito menor, uma ninharia no mundo da alta política? Uma vez ladrão de galinha, sempre ladrão de galinha! (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 19 de maio de 2026

BRASIL DESCLASSIFICADO DE NOVO!!!

O choro do menino torcedor em 1982 não
se repetirá: ninguém espera nada do Brasil
Ô
ps, desculpe a nossa falha. Esta será a manchete cá do blog no dia em que a seleção brasileira estiver disputando e perdendo mais uma partida de quartas de final (se chegar até lá, o que hoje é duvidoso). 

Para manter o alto nível do blog, tenho de antemão preparado algumas aberturas  sobre acontecimentos cujo desfecho é pra lá de previsível. Como este.

Agora falando sério, não vejo a menor chance de o Brasil ir longe neste Mundial após a convocação deplorável do Carlo Ancelotti, que: 
-- inclui um ex-futebolista que, além de não estar vendo a cor da bola, invariavelmente se contunde ou se esconde quando mais se precisa dele;  
-- exclui os melhores artilheiros do Brasil, Pedro e João Pedro, sabe-se lá se por miopia ou má fé;  
-- deixa de lado o principal pegador de pênaltis do Brasil, Hugo Souza, que poderia substituir o goleiro nos instantes finais de uma partida empatada;
-- dá toda pinta de que seu técnico italiano apostará, como sempre, em defesa fechada e contra-ataques rápidos, sem levar em conta partidas como PSG 5x4 Bayern, quando a modernidade no futebol esteve à mostra.

Anceiotti inclusive parece não ter aprendido nada com a goleada Barcelona 5x2 Real Madrid, embora já se tenham passado 16 meses. 

Foi o maior fiasco de uma temporada em que o timaço por ele treinado passou em branco, daí ter vindo para o Brasil como  saída honrosa, já que acabaria sendo demitido na Espanha.
Um conselho: consiga vídeos de nosso escrete em 1970 e assista-os quando o Brasil estiver maltratando a bola. 

Será um antídoto ao anacronismo futebolístico e  forma de evitar uma indigestão. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 18 de maio de 2026

TÉCNICO DECADENTE CONVOCA JOGADOR DECADENTE? É O QUE HOJE SABEREMOS.

A lembrança mais forte que tenho de Neymar na seleção brasileira é a da desclassificação diante da Croácia no Mundial de 2022: ganhávamos por 1x0 na finzinho da prorrogação, mas aí os croatas contra-atacaram e Neymar não deu um passo para ir ajudar os defensores. 

Ficou resmungando no ataque, com as mãos na cintura; o gol adversário se consumou e perdemos nos pênaltis.

Afora estar visivelmente acabado para o futebol e ter canela de vidro, Neymar se comporta como um reizinho, embora só tenha conquistado com a camiseta do escrete uma mísera Copa das Confederações. 

É pouco e o desperdício de uma vaga para ele no banco de reservas poderá custar-nos caro.  

Hoje o decadente Carlo Ancelotti mostrará se está lá para fazer o que é certo ou não tem personalidade para resistir a pressões descabidas. 

Não espero muito dele, pois os melhores selecionados já aprenderam a furar retrancas e a recompor  suas defesas ao perderem a bola. O Carletto já era. (por Celso Lungaretti)

domingo, 17 de maio de 2026

APÓS TORNAR INVEROSSÍMIL SUA SOBREVIVÊNCIA NA TERRA, PODERÁ A ESPÉCIE HUMANA SALVAR-SE EM MARTE?

Não existe plano B para sair deste planeta e sobreviver em Marte
, alertou o engenheiro Ivair Gontijo no início da palestra que fez na São Paulo Innovation Week, festival de inovação e empreendedorismo promovido pelo Estadão.

O mineiro Ivair trabalha num programa da Nasa, a agência espacial do governo dos EUA. Está envolvido principalmente com a coleta de amostras de rocha e solo de Marte, que futuramente serão trazidas à Terra e aqui estudadas. 

Indagado sobre a possibilidade de a espécie humana, que parece condenada a ser extinta nos próximos 100 anos, encontrar uma alternativa de sobrevivência no planeta vermelho, ele foi categórico:
É milhões de vezes mais barato e mais fácil resolver os problemas daqui. Para ir a Marte, precisamos resolver problemas gigantescos. Como produzir oxigênio? Comida? E os problemas de saúde, tecnológicos? Como se resolvem esses problemas? Não temos solução.
Estará totalmente descartada a possibilidade de o homem ir viver em Marte? Ele não foi tão longe, mas quase: 
Mesmo com o avanço da ciência e da exploração espacial, não se deve enxergar o avanço em outros planetas como um refúgio. 

Morar em Marte, por enquanto, só em histórias de ficção científica.

Contudo, deixou um fio de esperança para nós:

Uma missão tripulada para Marte vai demorar muito tempo, mas eu acredito que vai acontecer e que eu ainda vou ver no meu tempo de vida.

Infelizmente, dá para notarmos que foi só um agrado que ele fez para a plateia, dissonante das suas análises sérias. (por Celso Lungaretti) 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

COPA DO MUNDO: NEGÓCIOS EM ALTA E O JORNALISMO NO RALO. QUE FIM DE FEIRA!

A grande mídia escrita, televisada e radiofônica, que acaba definindo também a pauta das redes sociais, decai vez mais no Brasil. E seus serviçais jornalísticos, idem.

Neste 13 de maio, os escravos da indústria cultural não se libertaram da incumbência de fazerem calhau passar por ouro: deram grande destaque à divulgação dos 55 nomes que poderão ser utilizados por Carlo Ancelotti no Mundial e à presença de Neymar na relação. 

Cinquenta e cinco jogadores! Está na cara que o decadente técnico italiano já tem no bolso do colete aqueles que constarão da lista definitiva de 26 atletas. Contusões à parte, os 29 restantes, principalmente  o ex-futebolista Neymar, foi convocado só para fazer média com clubes, torcidas, emissoras, publicitários, anunciantes, etc.

Criar o clima de Copa do Mundo é importante para todos os negócios que giram em torno da competição. Mas nós deveríamos manter o recato, não nos comportando amoralmente como negociantes!

Repugnam-me profundamente os comunicadores que puxam o saco dos patrões, manipulando seus públicos para que os Cidadãos Kane brasileiros faturem 
uma grana preta.

E o que dizer dos meus colegas de profissão (argh!) que continuam fazendo de conta que as fraudes do Banco Master foram significativas, como se já não tivessem passado despercebidos escândalos muito piores?! 

Neste caso, o que estamos vendo não é nada além das primeiras escaramuças da corrida eleitoral. Quanta lama escorrerá do esgoto até outubro,  com a cumplicidade de jornalistas  coniventes! (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 12 de maio de 2026

O DONO DA BOI GORDO ERA UM SELF SHIT MAN DO CAPITALISMO. O BOZO, UM SERIAL KILLER. OS POLÍTICOS, SONS OF BITCHES.

Outra prova de que o Brasil não é um país sério

Rui Martins, meu amigo de longa data e colaborador deste blog desde o seu início em 2008, bateu pesado (vide aqui) no Paulo Roberto de Andrade, criador e dono das Fazendas Reunidas Boi Gordo,  cuja falência foi decretada oficialmente em 2004.

Está certo o Rui quanto à necessidade de se punir quem aplica golpes no mercado, mas o Brasil está diminuindo a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, com sua sabotagem vacinal, acrescentou no mínimo três centenas de milhares de óbitos ao número de mortos pela covid. 

O pilantra Andrade deveria passar alguns anos na prisão. O serial killer Bolsonaro merecia ficar o resto da vida a pão e água num cárcere medieval. País que quebra o galho de um exterminador desses decididamente não é um país sério, como Charles De Gaulle disse ou levou a fama de haver dito. 

Tenho mais desprezo pelos políticos profissionais, que roubam sem correr riscos, do que pelos bandidos, cujo ofício embute o perigo de serem mortos. O golpe da amenização das penas da dosimetria, um absurdo gerado no Congresso, está aí para mostrar como a corja da politicagem age com o máximo de fisiologismo para proteger seus pares, ainda que de outros partidos.

Quanto à Boi Gordo, era cliente de uma agência de comunicação empresarial na qual trabalhei. Depois soubemos que Andrade havia cumprido pena de prisão num passado distante. 

.Seu negocio era vender bezerros para os investidores, cuja grana era devolvida, se bem me lembro, um ano e meio depois, acrescida da maior parte do valor obtido com a engorda. 

Tratava-se de  uma pirâmide: o dinheiro utilizado para pagar os clientes cuja engorda se encerrava saía dos novos contratos vendidos pela Boi Gordo.

Andrade percebeu que o esquema batera no teto e os novos contratos não seriam mais suficientes para reembolsar os clientes velhos. Então, tentou salvar a empresa comprando uma megafazenda no Mato Grosso, onde venderia lotes de terra e a Boi Gordo se incumbiria de construir as fazendas solicitadas pelos clientes. 

A infraestrutura, com aeroporto, supermercado, usina de força, banco, etc., ra muito dispendiosa. E foi bem no meio do projeto que a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo proibiu a Boi Gordo de vender novas cotas. A quebra se tornou iminente.
Antonio Fagundes, o rei do gado extraviado
Mas, não me parece que a intenção dele fosse encerrar as atividades e fugir com a grana, pelo menos no momento em que o fez. Caso contrário não gastaria tanto na compra de bois campeões e em melhoria genética. 

Quando o colapso se tornou evidente, ele foi desfrutar sua fortuna nos Estados Unidos, deixando os investidores na mão. 

Pelo que eu soube, o Andrade só pagou uma categoria de investidores: os bandidos que lavavam dinheiro aplicando-o na Boi Gordo. Com esses não se brinca. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 8 de maio de 2026

O MOVIMENTO ESTUDANTIL ERGUE-SE CONTRA O SUCATEAMENTO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Para matar as saudades das ocupações estudantis de 1968 e da tomada da reitoria da USP em maio de 2007, republico abaixo minhas impressões de quando visitei a segunda. Já com 56 anos, fiz questão de levar  minha solidariedade à moçada que ficou lá por 50 dias e acabou sendo vitoriosa contra a truculência policial e fulminando os quatro decretos autoritários do governador José Serra.

Gostaria de estar publicando aqui um texto sobre a ocupação atual, mas as pernas não me ajudam.

Transmito, ainda assim, meu abraço aos que vieram depois mas honram a combatividade de minha geração, a de 1968. 

Um dos maiores orgulhos da minha vida é ter-me mantido fiel à opção revolucionária que fiz entre dezembro de 1967 e janeiro de 1968.  Muitos da minha geração abandonaram os seus ideais e foram enriquecer ou empoderar-se. 

Lamento por eles, mas tomo a liberdade de citar-lhes  Marcos 8:36: de que vale alguém ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma? Memória não morrerá. (CL) 
POR DENTRO DA REITORIA OCUPADA
A última segunda-feira de maio [dia 28] é ensolarada, uma exceção no invernal outono paulistano. As pessoas ao redor da reitoria da Universidade de São Paulo, ocupada pelos estudantes desde o dia 3, mostram aquela animação habitual de quem reencontra o calor e o céu azul, após vários dias frios e cinzentos.

Conversam, brincam, confraternizam. Há líderes de servidores públicos se revezando num alto-falante para instruir/entreter quem chegou adiantado à reunião da categoria que terá lugar ali mesmo, ao ar livre. Ninguém parece preocupar-se com uma invasão da Polícia Militar, para cumprir o mandado de reintegração de posse concedido pela Justiça.

Uma barricada de pneus diante da entrada é a vitrine da ocupação. De que realmente servirá, caso cheguem brutamontes bem treinados e equipados, que têm a violência como realidade cotidiana? Quase nada. Mas, os símbolos têm papel importante nas batalhas em que o grande objetivo estratégico é a conquista de corações e mentes.

Diante da única porta de entrada, alguns estudantes do esquema de segurança fazem a triagem dos visitantes. Basta ter uma carteirinha de aluno ou professor da USP para entrar sem problemas. Como não sou uma coisa nem outra, levo alguns minutos para convencê-los de que não vim brincar de 007

Como credencial, apresento meu livro Náufrago da Utopia, que por acaso trago comigo. Agrada-lhes o caderno iconográfico, com muitas fotos do movimento estudantil de 1968. Meio convencidos de minhas boas intenções, deixam que eu vá parlamentar com a Comissão de Comunicação (ou rótulo que o valha). Acompanhado, por enquanto.

Lá decidem que eu posso circular à vontade pela reitoria ocupada, liberando meu cicerone/vigia para outras tarefas. Uns 15 estudantes rodeiam meia dúzia de computadores, uns digitando e os outros palpitando.
Cuidam de manter o blog da ocupação no ar, de selecionar e imprimir textos que serão expostos nos quadros de avisos e paredes. E também de mandar mensagens de esclarecimento aos jornalistas que falam mal da ocupação. [Como se isso adiantasse. Tirando honrosas exceções, a imprensa se colocou contra os estudantes, às vezes dissimuladamente, outras da forma mais panfletária e caluniosa, como fez a Veja São Paulo, que os acusou de vândalos, baderneiros e arruaceiros.]

A diferença mais marcante com relação às ocupações antigas é, exatamente, o esquema de comunicação sofisticado da atual, incluindo TV por Internet e rádio livre. 

De resto, sinto-me como se tivesse entrado num túnel do tempo e desembarcado naquele mês de julho de 1968 em que a Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia (SP) esteve ocupada para servir como QG das iniciativas em apoio da greve de Osasco, lançando a nova onda que (como agora) rapidamente se alastrou.

Os mesmos colchonetes espalhados por um salão em que repousam alguns sentinelas cansados, após a vigília da madrugada – período mais propício para uma operação policial, exigindo, portanto, cuidados redobrados (e muita disposição para enfrentar o frio).

Os mesmos jovens com roupas coloridas e brilho no olhar, convencidos de que estão fazendo História, embora alguns ainda sejam imberbes.
Aqui foi travada a batalha da Maria Antônia

Os mesmos mosaicos de textos e imagens compondo um visual agradavelmente anárquico. [O pôster mais hilário é o do governador José Serra fazendo mira com um fuzil e os dizeres José Serra, nada mais nos UNE. Que ingenuidade, deixar-se fotografar em pose tão incompatível com sua aura e seu passado!]

Sou capaz de apostar que, se fizesse uma excursão como a que estou fazendo, a reitorazinha teria chiliques, pois, à anarquia criativa, deve preferir os ambientes burocratizados, assépticos e sem vida, a julgar pelo que revela nas entrevistas: faz musculação, esteira e escova nos cabelos, usa terninhos de estilo clássico, quer corrigir pálpebras e bochechas com cirurgia plástica.

Deuses, o que faz uma farmacêutica numa posição dessas? Serão esses os temas que uma reitora deve tratar na imprensa, quando sua universidade vive a maior crise das últimas décadas? 

[De quebra, é uma ingênua que, a mando ou com autorização do governador, pede reintegração de posse e depois paga o mico de ver o mandado judicial descumprido, já que os estudantes não engoliram o blefe e Serra teme as consequências desse presumível confronto sobre suas ambições políticas.]
Apesar de toda a grita demagógica dos direitistas empedernidos e dos cristãos-novos do reacionarismo, não há sinais visíveis de depredação ou vandalismo. Aliás, os estudantes criaram um sem-número de comissões, para cuidar de cada detalhe administrativo da ocupação, zelando pelo patrimônio público. 

Até permitem que os faxineiros continuassem cumprindo sua função de manter limpas as várias dependências, indiferentes ao perigo de que o inimigo possa infiltrar-se camuflado com macacões.

O que não funciona mesmo são os caixas eletrônicos de bancos, nos quais foram colados avisos de sem dinheiro. Uma fração infinitesimal da usura consentida pela Justiça e abençoada pelo sistema foi detida. Vem-me à lembrança uma música de Sérgio Ricardo, ídolo dos universitários responsáveis pelas ocupações de quatro décadas atrás: Os bancos e caixas-fortes/ que eram rocha, se quebraram/ e um rio de dinheiro correu.

À saída, lanço um último olhar a esses jovens belos, brilhantes e idealistas, aparentemente tão frágeis, mas dispostos a enfrentar a tropa de choque da PM, se isso for necessário. Espero, torço para que não venha a ser.

Volto para o mundo real da desigualdade, da competição e da ganância, depois de um breve reencontro com o faz-de-conta revolucionário.
José Serra, ex-presidente da UNE. Pode?

Ciente de que há um longo caminho a percorrer até que os voluntários da utopia voltem a ser em número suficiente para tentarem ir além do faz-de-conta.

E, mesmo assim, esperançoso, pois um passo importante está sendo dado, com esse renascer do movimento estudantil que ora se delineia. É tudo de que precisamos, a renovação e oxigenação da esquerda, depois de tantas desilusões e defecções.

As pedras voltam a rolar. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

SENNA, VÍTIMA DA GANÂNCIA CAPITALISTA

Quem é que pára a máquina de fazer dinheiro da Fórmula-1?

O desabafo foi de Roberto Cabrini, jornalista que, cobrindo o circo da F-1, se tornou amigo de Ayrton Senna. 

Em off, Senna revelou a Cabrini que o GP de Imola, no domingo, não deveria ser realizado, pois no sábado um corredor tinha morrido na pista e o óbito fora encoberto. A lei italiana determina que, quando tal ocorre no treino classificatório, a corrida tem de ser imediatamente suspensa.

Prevaleceu a versão de que o austríaco Roland Ratzenberger tinha expirado no hospital e não na pista, mas isto não passava de uma falsidade decorrente da ganância. 

Eis o relato do jornalista:
O Senna chegou para mim e falou: "Não posso dar entrevista, estou muito impactado, mas eu preciso contar para você: o cara morreu na pista, não pode divulgar porque, se isso é comprovado, não tem corrida".
A Itália investigou o sucedido por mais de uma década, mas se restringindo aos aspectos mecânicos. Seis pessoas foram indiciadas e, em 2007, a Suprema Corte italiana considerou Patrick Head, ex-sócio e cofundador da Williams, culpado por omissão de controle no projeto da coluna de direção. No entanto, o crime já prescrevera e ninguém foi preso. 

Neste dia em que se completam 32 anos desde a morte de Senna, vou reproduzir o único texto que eu escrevi sobre automobilismo ao longo da minha carreira.

De resto, naquele funesto primeiro de maio de 1994 não havia essa informação que Roberto Cabrini só divulgaria em 2024. 

Hoje, eu jamais teria escrito que Senna "não fora "assassinado pela incúria dos dirigentes do automobilismo mundial".  

Acredite quem quiser (CL)

RÉQUIEM PARA UM GLADIADOR
São indignas de Senna as lágrimas de crocodilo que jorram aos borbotões da mídia, reduzindo uma morte épica à banalidade das telenovelas. 

Não foi vítima de um destino traiçoeiro nem assassinado pela incúria dos dirigentes do automobilismo mundial. 

O muro que se agigantou à sua frente o perseguia desde os primórdios da carreira: está nos pesadelos de todos os pilotos. Não existe segurança a 300 quilômetros por hora.

O fascínio da Fórmula 1 tem tudo a ver com o instinto de morte, que Freud detectou como sendo um dos componentes essenciais de nossa psique e de nossa cultura.   

O herói do volante desafia o perigo a cada curva e o público junto com ele, numa identificação tão mágica quanto cômoda.   
São os gladiadores do século 20, correndo riscos em nosso lugar, para que tenhamos uma boa catarse (aliás, até seus trajes e os autódromos –principalmente os circulares da Fórmula Indy– lembram o visual das arenas romanas).

Mas, na era da propaganda, tudo isso deve ficar implícito. Galvões e Lucianos se limitam a dissecar pequenos detalhes técnicos que reduziriam ou aumentariam as probabilidades de sobrevivência dos pilotos. 

Já os próprios, em rasgos de sinceridade, admitem que a linha separando acidentes superficiais dos fatais é tão tênue quanto um fio de cabelo.

Muitos poderiam ter morrido nos oito anos em que a F-1 não registrou óbitos, mas aqueles ínfimos milímetros que decidem a sina do acidentado foram favoráveis. Em Ímola, os deuses não estavam complacentes e tudo saiu da pior maneira possível.

Como Christian Fittipaldi ressaltou, descartando uma maior periculosidade em função da retirada do controle de tração e suspensão ativa: Ano passado tinha tudo que vimos aqui mas, graças a Deus, ninguém se machucou. (...) O Berger, no GP de Portugal da última temporada, não se matou por milagre. (...) É relativo dizer que hoje o risco é maior.
Roland Ratzenberger

Eles, os pilotos, sabem. Mesmo assim, entram naquelas estranhas máquinas e, em posições cujo desconforto beira a tortura, percorrem o fio da navalha em velocidades estonteantes, conscientes de que a mínima falha –sua, dos outros ou do equipamento– poderá ser fatal.

Pior: sua condição de ídolos depende não apenas de receberem a bandeirada na frente, mas de guiarem com arrojo e agressividade. Os fãs cobram esta atitude temerária. Ai dos Prosts que pensam antes na autopreservação, colocando a vitória em segundo plano! São tidos como covardes.

Senna era um típico gladiador. Assumia todos os riscos e jamais refugava nas ultrapassagens difíceis, nos duelos insensatos. Os mesmos que denunciam a insegurança de Ímola eram os que aclamavam Senna quando ele realizava brilhantes –
e perigosíssimas– corridas em pista molhada. O muro esteve sempre muito perto dele, até que o alcançou.

Tímido, pouco à vontade no papel de celebridade, jamais aparentando satisfação maior com as coisas simples da vida, Senna atingia a plenitude na arena de suas conquistas e no pódio triunfal. É difícil imaginá-lo aposentado, remoendo o passado e amaldiçoando o presente.

Parafraseando os roqueiros Pete Townshend e Neil Young, talvez no caso de Senna fosse mesmo preferível morrer antes de envelhecer, consumir-se em chamas do que definhar aos poucos. Foi até o fim no rumo que escolheu: gladiador altaneiro, merece respeito e não lamúrias. (por Celso Lungaretti)
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