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quinta-feira, 29 de julho de 2021

DE JAIR BOLSONARO PARA OS NEONAZISTAS: "VOCÊS SÃO A RAZÃO DA EXISTÊNCIA DO MEU MANDATO". (ALGUÉM DUVIDAVA DISTO?)

Em Israel, visitando o muro das lamentações. Será que, como no Brasil,
o que ele lamenta é o fato de os nazistas não terem matado mais gente?

PESQUISADORA ENCONTRA CARTA DE BOLSONARO
PUBLICADA EM SITES NEONAZISTAS EM 2004
Foi por acaso que a antropóloga Adriana Dias encontrou provas de que neonazistas brasileiros apoiam Jair Bolsonaro há pelo menos 17 anos.

Dias estava em casa se preparando para uma palestra e precisou consultar uma parte do vasto material que armazena em Campinas, onde vive e trabalha. Há 20 anos pesquisando a movimentação de grupos neonazistas no Brasil, a professora da Unicamp pediu para que o marido buscasse um site que ela havia fisicamente impresso no longínquo ano de 2006.

Doutora em antropologia social, Dias já imprimiu milhares de páginas de dezenas de sites neonazistas em língua portuguesa – isso antes de derrubá-los para sempre. Adriana Dias é uma caçadora digital de nazistas.
Quem não te conhece, que te compre

Sempre que encontra um desses sites, ela pede aos provedores para que o conteúdo seja tirado do ar. Antes, no entanto, imprime todas as páginas para arquivar em sua pesquisa e tê-los como prova.

"Eu abri em uma página aleatória e ali estava o nome de Jair Bolsonaro."

O material é uma prova irrefutável do apoio de neonazistas brasileiros a Bolsonaro quando o hoje presidente da República era apenas um barulhento e improdutivo deputado. A base bolsonarista é, há quase duas décadas, composta por neonazistas.

Três sites diferentes de neonazistas trazem um banner com a foto de Bolsonaro – com link que leva diretamente ao site que o político tinha na época – e uma carta em que o parlamentar afirmava: .

"Ao término de mais um ano de trabalho, dirijo-me aos prezados internautas com o propósito de desejar-lhes felicidades por ocasião das datas festivas que se aproximam, votos ostensivos aos familiares".

O melhor vinha depois:.

 "Todo retorno que tenho dos comunicados se transforma em estímulo ao meu trabalho. Vocês são a razão da existência do meu mandato."

Nós não conseguimos descobrir se Bolsonaro enviou a carta, via gabinete em Brasília, apenas para as pessoas que administravam os sites neonazistas. Mas uma coisa chamou atenção da pesquisadora Adriana Dias: a mensagem não foi publicada em canto nenhum da internet além dessas páginas.

Eu pedi para que nosso repórter em Brasília, Guilherme Mazieiro, fosse atrás da história.
Os diretores da Hebraica estiveram
confraternizando com o inimigo?

Ele conversou com um servidor de carreira que ocupou um cargo de comando na administração da Câmara para saber como a casa arquiva e-mails enviados e recebidos por parlamentares e como, eventualmente, poderíamos legalmente acessá-los
.

A fonte explicou que o conteúdo dos e-mails é tratado como informação pessoal e, portanto, não passível de ser obtido via Lei de Acesso à Informação, mas apenas em casos de decisão judicial, como busca e apreensão. A resposta foi confirmada em pedido de informação oficial que Mazieiro fez à Câmara. Mas o backup existe, segundo a fonte, desde 1995.

Tentamos também outro caminho. Há um processo na Justiça Federal em Minas Gerais sobre um neonazista preso por ter registrado, em foto, o momento em que ele simula o enforcamento um morador de rua. Durante a busca e apreensão em sua casa, policiais encontraram uma carta enviada a ele por Jair Bolsonaro. Tentamos acesso à carta, para compará-la àquela estampada nos sites neonazistas.

Mazieiro enviou e-mails em 29 de abril e 7 de junho ao procurador Carlos Alexandre Ribeiro de Souza Menezes para conversar. Não tivemos resposta. O processo corre no Tribunal Regional Federal da 1a Região, em Brasília. Em sigilo.

Jair Bolsonaro já elogiou as qualidades de Hitler, já tirou foto com sósia de Hitler, já disse que o holocausto poderia ser perdoado. Seu ex-secretário especial da Cultura reproduziu, no início de 2020, em discurso, falas, ambientação e postura, um vídeo copiando o político nazista Joseph Goebbels. Seu assessor especial, Filipe Martins, é réu por fazer um gesto de white power em uma sessão do Senado.
A neta do ministro do Hitler com o admirador nº 1 e
continuador da obra do Brilhante Ustra: par perfeito!

Na semana passada, Bolsonaro e vários membros de seu governo receberam sorridentes a deputada alemã Beatrix von Storch, do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha, neta do ministro das Finanças de Hitler, o homem que liderou o confiscos dos bens dos judeus enviados para os campos de concentração e extermínio durante a ditadura do Partido Nazista.

Agora, tornamos público o fato de que neonazistas brasileiros apoiam Jair desde, pelo menos, 2004. 

Que não se trate isso mais como especulação, coincidência ou provocação. A base do bolsonarismo é nazista. E sabemos onde pode haver provas que confirmem a ligação do presidente com a ideologia de Hitler: basta que a Câmara dos Deputados abra seus arquivos – se não à população brasileira, a alguma autoridade interessado em rastrear o neonazismo por aqui – e que o procurador Carlos Alexandre Ribeiro de Souza Menezes preste contas de um processo fundamental para a história do país.

A bola está com Artur Lira e o com Ministério Público Federal. E com o Supremo Tribunal Federal, que já mandou investigar, no passado, ameaças à democracia brasileira. (por Leandro Demori, no Intercept Brasil)

terça-feira, 8 de junho de 2021

LEANDRO DEMORI, DO INTERCEPT BRASIL, ESTÁ INTIMADO A DEPOR AMANHÃ. SERIA TRÁGICO, SE NÃO FOSSE SÓ UMA FARSA...

O
editor-executivo do Intercept Brasil, Leandro Demori, foi intimado a depor nesta 4ª feira (9) à Polícia Civil sobre uma acusação que fez... à dita cuja! 

Ou seja, além de estarem violentando a liberdade de expressão, as otoridade estupram o senso comum, pois que isenção se pode esperar de quem está investigando aquele que lhe imputou o cometimento de crimes?

E foi exatamente isto que Demori fez, ao indagar, numa newsletter enviada aos assinantes para convencê-los a fazerem doações, se a polícia civil do Rio mantém um grupo de assassinos.

O restante do texto apresentou consistentes evidências de que a resposta era um sonoro SIM!

Melhor fariam as otoridade se investigassem tais evidências, e não quem as estava levando ao conhecimento da sociedade, como qualquer jornalista que se preze tem a obrigação de fazer.
Quanto ao Demori, sugiro que doravante bole títulos mais surpreendentes para suas matérias. No caso desse aí, até as pedras das ruas já sabiam qual era a única resposta possível e imaginável à indagação formulada...

Expresso a minha solidariedade pessoal e a da equipe do Náufrago da Utopia ao Intercept Brasil, ao Demori e a todos os veículos e profissionais que estão sofrendo essas INCONSTITUCIONAIS E GROTESCAS tentativas de INTIMIDAÇÃO. (Celso Lungaretti) 

sábado, 1 de fevereiro de 2020

JAMAIS DEVEMOS ENCARAR O BOZO COMO PREFERÍVEL AO MORO. TEMOS É DE SER A ALTERNATIVA A TODOS OS FASCISTAS!

Começa a encorpar-se na esquerda a tendência a erigir Sergio Moro em inimigo principal, a ser combatido inclusive favorecendo implicitamente o Bozo na disputa por poder que se trava no seio do fascismo tupiniquim. 

Depois de Reinaldo Azevedo e Lula, agora é o editor-executivo do Intercept Brasil que assume tal postura, da qual este blog discorda incisivamente, daí estar abrindo a discussão sobre ela. 
.
leandro demori
BOLSONARO, CUIDADO
Vejam que coisa curiosa: o Brasil vem piorando há cinco anos nesse ranking mundial de percepção da corrupção. É a mesma idade da Lava Jato.

Há meia década, nós, brasileiros, achamos – a cada ano mais – que nunca se roubou tanto neste país. 

Mas vejam: isso é um ranking de percepção de corrupção, não da corrupção efetiva. É um ranking sobre o sentimento da população em relação à roubalheira. E o que potencializa essa percepção? 

Cinco anos de notícias diárias sobre o combate à corrupção, com certeza, sim.

E quem alimenta a imprensa com esse ciclo eterno? Sobretudo a Lava Jato.

Então, quanto mais Lava Jato tivemos, mais as pessoas foram achando o país corrupto. Quem se beneficiou disso? A Lava Jato, ora, que só cresceu, concentrou poder e cometeu arbitrariedades disfarçadas de heroísmo.

Quanto mais operações da Lava Jato, mais notícias. Quanto mais notícias, mais as pessoas foram achando que o país piorava em relação à corrupção. 

Qual remédio foi vendido para aplacar essa percepção crescente de que somos um país de ladrões? Mais Lava Jato. [E, por favor, isso nada tem a ver com o combate à corrupção em si, mas com os métodos e a transformação da função pública em circo.]

No dia seguinte à divulgação da pesquisa, Sergio Moro disse:
"Indicadores da Transparência Internacional mostram como é difícil mudar a percepção sobre corrupção. Nota no Brasil não melhorou nos últimos anos apesar dos avanços da Lava Jato e de 2019.Isso significa que precisamos fazer muito mais, inclusive no Congresso".
Viram o remédio do Sergio? Mais Lava Jato, e os abusos de poder que ainda finge não terem existido.
Essa panaceia – como se os remédios anti-corrupção fossem sozinhos salvar o Brasil – criou a armadilha perfeita para destruir a confiança em toda a classe política e se buscar a saída fora dela: 
— MPF e Judiciário com seu lavajatismo;
— aventureiros como Bolsonaro; e
— (agora) Huck com sua anti-política.

Estamos bolsonarotemáticos, mas quem é o grande candidato da extrema-direita hoje? Ele, Moro. 

Talvez Bolsonaro já tenha se convencido que sua única chance é tirar Moro do palco imediatamente, antes que seja engolido. 

Isso aqui, p. ex., deu no Jornal Nacional nesta semana. Nem notícia é. Com Moro fora do governo, ele perde seu principal microfone.

Seguirá a ter repercussão, mas dependerá muito mais de besteiras ditas no Twitter do que de coletivas oficiais cheias de repórteres. O séquito de jornalistas que passam o dia atrás da agenda do ministro minguará, e serão três anos sem esse enorme palanque que é o Ministério da Justiça. Um longo caminho até 2022.

A história mostra que não existem ministros indemissíveis. Ouça, Bolsonaro, ouça. (por Leandro Demori) 
.
celso lungaretti
VAMOS PASSAR RECIBO DE IMPOTÊNCIA?!
Foi chocante receber neste sábado (1º) um e-mail do Intercept Brasil, no qual seu editor-executivo, Leandro Demori, lança um alerta dramático ao Bozo ("Ouça, Bolsonaro, ouça"), como se o fã incondicional do Donald Trump e do Brilhante Ustra merecesse ser salvo das insídias de outro fascista tão execrável quanto ele, o Sergio Moro... 

A coisa vem de longe. Reinaldo Azevedo, o iniciador dessa tendência, há muito vem açulando o Bozo contra o Moro (vide este artigo, p. ex.), parecendo seriamente preocupado com a possibilidade de o marreco prevalecer sobre o palhaço.

Lula foi na mesma direção, empilhando elogios ao Bozo numa entrevista tão desastrosa que deu ao jornal da ditabranda uma oportunidade de ouro para desmoralizar o dono do PT (vide aqui), sem o mínimo receio de receber resposta à altura, pois não existia nenhuma capaz de salvar a situação.

Mas, qual deve ser a posição da esquerda face à luta pelo trono cujas escaramuças já estão em curso, embora a eleição de outubro de 2022 ainda vá demorar uma eternidade? 
Quem se prostra abjetamente à institucionalidade democrático-burguesa (embora o impeachment da Dilma tenha atestado de forma cabal que se trata de um jogo de cartas marcadas e que o poder econômico vira a mesa como e quando bem entende) faz intrigas para enfraquecer a ambos, atirando-os um contra o outro, na esperança de derrotá-los nas urnas e governar durante mais um tempinho, até o pé na bunda seguinte.

Ou seja, desiste de quaisquer tentativas de abreviar o circo de horrores que nos está sendo imposto e já começa também a apostar todas as suas fichas na sucessão.

Na contramão dessa corrente que mais parece inspirada em Maquiavel do que em Marx, o blog Náufrago da Utopia continuará defendendo o renascimento da esquerda nas ruas e o firme engajamento nas lutas sociais, acumulando forças para, nos próximos confrontos com a direita, não ser derrotada vergonhosamente como o foi em 2016 e 2018. 

A credibilidade da esquerda só será resgatada com posicionamentos consistentes e corajosos, não por meio dessas matreirices para, como se dizia antigamente, gozar com a pica alheia

Se for só isso que temos a oferecer neste momento trágico da vida brasileira, o homem comum concluirá que somos não só uns pobres coitados, como também... impotentes! (por Celso Lungaretti)
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