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sábado, 14 de fevereiro de 2026

20 FRASES FUNDAMENTAIS PARA QUEM PRETENDE MUDAR O MUNDO

"Ser governado é ser guardado à vista inspecionado, espionado, dirigido, legisferado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude.

Ser governado é ser, em cada operação, em cada transação, em cada movimento, notado, registrado, arrolado, tarifado, timbrado, medido, taxado, patenteado, licenciado, autorizado, apostilado, admoestado, estorvado, emendado, endireitado, corrigido.

É, sob pretexto de utilidade pública e em nome do interesse geral, ser pedido emprestado, adestrado, espoliado, explorado, monopolizado, concussionado, pressionado, mistificado, roubado.

Depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, perseguido, injuriado, espancado, desarmado, estrangulado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar nada, ridicularizado, zombado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral!

E dizer que há entre nós democratas que pretendem que o governo prevaleça; socialistas que sustentam esta ignomínia em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade; proletários que admitem sua candidatura à presidência! Hipocrisia!" (PIERRE-JOSEPH PROUDHON).


"Onde quer que tenha chegado ao poder, a burguesia destruiu todas as relações feudais, patriarcais e idílicas. Dilacerou impiedosamente os variegados laços feudais que ligavam o ser humano a seus superiores naturais, e não deixou subsistir entre homem e homem outro vínculo que não o interesse nu e cru, o insensível pagamento em dinheiro.

Afogou nas águas gélidas do calculo egoísta os sagrados frêmitos da exaltação religiosa, do entusiasmo cavalheiresco e do sentimentalismo pequeno-burguês. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e no lugar das inúmeras liberdades já reconhecidas e duramente conquistadas colocou unicamente a liberdade de comércio sem escrúpulos.

Numa palavra, no lugar da exploração mascarada por ilusões políticas e religiosas ela colocou um exploração aberta, despudorada, direta e árida" (KARL MARX e FRIEDRICH ENGELS)
.
"Aquele que botar as mão sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo" (Proudhon)

"Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo, de diversas maneiras. Chegou a hora de transformá-lo" (Marx e Engels)

"Se o capitalismo é incapaz de satisfazer as reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, então que morra!" (LEON TROTSKY)

"A propriedade é o roubo" (Proudhon)

"De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades"(Marx e Engels)

"O primeiro homem que inventou de cercar uma parcela de terra e dizer 'isto é meu', e encontrou gente suficientemente ingênua para acreditar nisso, foi o autêntico fundador da sociedade civil. De quantos crimes, guerras, assassínios, desgraças e horrores teria livrado a humanidade se aquele, arrancando as cercas, tivesse gritado: Não, impostor!" (Jean-Jacques Rousseau)

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempos de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar" (BERTOLD BRECHT)

"A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo" (Marx)

"Imagine que não há países; não é difícil. Nenhum motivo para matar ou morrer e nenhuma religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo será um só" (JOHN LENNON)

"Que meu país morra por mim" (JAMES JOYCE)

"A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos" (Marx)

"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados"  (CHE GUEVARA)

"Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti"(JOHN DONNE)

"Gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente"(GERALDO VANDRÉ)

"Pereça a pátria e salve-se a  humanidade"(Proudhon)

"Oh, Deus, por que me abandonaste? Porque eu não existo!" (JEAN-LUC GODARD)

"
Se guardo a impossível salvação na loja de retalhos, o que resta? 

Todo um homem, feito de todos os homens, que os vale todos e a quem vale não importa quem" (JEAN-PAUL SARTRE)

"O velho mundo está morrendo e o novo mundo luta para nascer: agora é o tempo dos monstros" (ANTONIO GRAMSCI)

segunda-feira, 23 de junho de 2025

POR SE PROSTRAR À POSTURA IMPERIAL DOS EUA, A ONU TEM DE SER SUBSTITUÍDA POR UM NOVO PACTO ENTRE AS NAÇÕES

oliveiros marques
MORRE A ONU
Urge sepultar esta velha dama indigna
A poucos meses de completar 80 anos, morre em Washington uma senhora que veio ao planeta com a missão de garantir a concertação mundial. 

Apesar de ter falhado algumas vezes ao longo dessa trajetória, nunca antes se mostrara tão incapaz de reagir. Nunca fora tão desprezada, humilhada e violentada quanto neste 21 de junho. Os Estados Unidos tripudiaram sobre ela.

Trump, em sua postura de imperador do mundo, comete um crime gravíssimo ao contrariar diversas resoluções internacionais. A mais séria delas: a que proíbe ataques a instalações nucleares. 

O imbecil laranja sequer tinha autorização de seu Congresso para realizar o ataque contra o Irã. Mas, como imperador, julga-se autossuficiente.

Os Estados Unidos repetem o roteiro do Iraque. Baseados em falsas narrativas sobre armas nucleares, Trump ataca o Irã — país signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares — apenas para fazer o jogo sujo de seu comparsa Benjamin Netanyahu. Vale lembrar: Israel nunca assinou o tratado, e os EUA abandonaram-no já no primeiro governo Trump.

Com esse ataque ao Irã, a mão que pairava sobre os Estados nacionais deixa de existir. O recado é claro: se eu quiser o seu petróleo, suas terras raras, seu lítio — qualquer riqueza do seu território — direi que você tem armas nucleares e o atacarei. 

E não nos esqueçamos: não há qualquer relatório da
Agência Internacional de Energia Atômica que aponte enriquecimento de urânio em nível necessário para fins militares no Irã.

O único país no mundo que já utilizou armas nucleares — os EUA, contra Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra Mundial — não pode se arrogar o direito de regular a ordem global. Aliás, mesmo quando ainda eram signatários do Tratado de Não-Proliferação se empenharam em reduzir seu próprio arsenal. 

Cinicamente, sustentam um discurso que vale para os outros, mas não para si mesmos. E o objetivo é escancarado: manter-se como a maior potência militar do planeta, a ponto de ameaçar anexar o Canadá, tomar a Groelândia na mão grande, ou mudar o nome do Canal do Panamá.

É urgente a refundação, articulando-se um novo pacto entre os países, para além da ONU — que se mostra, a cada dia, mais subserviente aos interesses estadunidenses. Um novo eixo precisa emergir no mundo, capaz de confrontar, de forma firme e definitiva, a postura imperial dos Estados Unidos. (Oliveiros Marques é sociólogo e colaborador do Brasil 247)
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sobre o mesmo assunto, leia também (clique p/ abrir):

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

A FRASE DO DIA É DE UM IMPRESCINDÍVEL

"Os publicitários
 são filhos de
 Goebbels" 
.
(Zé Celso Martinez Corrêa, sobre os exacerbadores do consumismo, que impingem ao povo os milagres fajutos do capitalismo agonizante, levando-o a ignorar o milagre da multiplicação dos peixes)
"Eles não falam do mar e dos peixes, nem deixam ver a moça
pura canção, nem ver nascer a flor, nem ver nascer o sol"

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

O BRASIL SE AVACALHA CADA VEZ MAIS

"
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. 

Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo" (Bertold Brecht)
Segundo as mais recentes pesquisas eleitorais, os candidatos mancomunados com Jair Bolsonaro estão liderando a caça aos votos para prefeito em 23 das 103 maiores cidades brasileiras (aquelas que têm mais de 200 mil eleitores) e os apoiados por Lula, em míseros 16.

Isto nos leva a uma constatação estarrecedora: a de que uma parcela significativa do nosso eleitorado continua mesmerizada pelo causador da morte de aproximadamente 400 mil brasileiros que teriam sobrevivido à covid caso o presidente da República não fosse um sabotador da vacinação. 

Por este crime inominável qualquer nação que se desse ao respeito já o teria trancafiado pelo resto da vida numa prisão. Ele continuar até hoje em liberdade é um verdadeiro acinte. 

A única comparação que me vem à mente é a de um Hitler sobrevivendo à derrota nazista e não sendo sequer punido por suas monstruosidades.
Antes mesmo de Lula iniciar seu terceiro mandato, o David Coelho e eu já denunciávamos que os poderosos tinham chegado a um acordo podre, segundo o qual o palhaço psicopata, de imediato, se tornaria apenas inelegível,  enquanto seus processos criminais seriam tocados em passo de lesma.

Por ter aceitado tal barganha Lula merece estar agora exatamente como está: com menos prestígio do que um flagelo do povo brasileiro.  

De resto, aproveito para reiterar que a tentativa circense de golpe de estado em 08.01.2023 também justificaria uma pena de prisão perpétua para Bolsonaro, mas nunca poderá ser considerada o pior de seus crimes. 

Exterminar coitadezas numa escala de centenas de milhares será sempre mais grave do que vandalizar os edifícios dos podres Poderes. (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 30 de maio de 2024

REFLEXÕES NUM DIA VAZIO DE CORPUS TRISTI

Aos 73 anos, não mudo uma palavra no velho aforismo italiano La vecchiaia è na brutta bestia (a velhice é uma fera medonha). 

Isto mesmo reconhecendo que a minha poderia ser muito pior do que está sendo. Problema potencialmente mais grave, só tive um tumor, descoberto logo no início e que, no momento considerado ideal pela oncologista, foi zerado por sessões de radiologia.

Mas, incomodam-me muito as pequenas limitações que vão surgindo, como estar levando umas quatro horas para redigir e editar um artigo que finalizava em três, ou os joelhos que se ressentem das longas caminhadas que sempre gostei de dar e agora estão pedindo próteses. 

Conviveria melhor com minhas limitações se me conformasse com elas, mas tendo a excedê-las amiúde. Aos 17 anos decidi tornar-me um homem de ação e não de contemplação; tal opção moldou meu temperamento na vida adulta. 

Doença nenhuma me impedia de comparecer às manifestações #ForaBolsonaro, mesmo conscientes de que só conseguiria nelas permanecer por cerca de uma hora. E não ia por superestimar a minha importância, mas sim porque me sentiria acabado se nem mesmo desse as caras.

São tantos os médicos me alertando que por enquanto o senhor não tem nada, mas daqui a alguns anos terá de operar catarata, glaucoma... ou raio que os parta, que fico me sentindo como um condenado à espera de uma inevitável sentença vindoura.  

Sem nenhuma ilusão quanto ao fato de que minha existência não vai melhorar, mas sim piorar, com o passar dos anos, ainda assim tentarei prolongá-la o suficiente:
— para ajudar minhas duas filhas a estabilizarem-se na vida (suponho que uns dez anos mais bastarão); e,
— se calhar, ainda desempenhar o papel para o qual venho me preparando desde 1967, qual seja o de ajudar na ressurreição de uma esquerda realmente combativa, em substituição da que resolveu na década de 1980 tornar-se mera coadjuvante do capitalismo e não sua coveira.

Para tanto, vou até obrigar-me a levar a sério os cuidados preventivos dos quais fugi a vida inteira. Já estou morrendo de saudade da feijoada fumegante e gordurosa aos sábados e das horas que passava bebericando e jogando conversa fora com amigos, sem dar a mínima para a ressaca do dia seguinte.
E, como fiz na vida quase tudo que me propus a fazer (mesmo ciente de que as consequências poderiam ser muito duras, como algumas foram), aceito tranquilamente que as pessoas queridas tenham o mesmo ou até mais êxito do que eu na busca dos seus objetivos. Torço por elas e adoro acompanhar suas novas descobertas, realizações, processos de afirmação.

Só de ver minha filha mais velha apaixonada de verdade pela primeira vez, fico extasiado, lembrando de quando passei por idêntica situação e dediquei à minha musa uma poesia que um pau no computador depois destruiu, mas terminava assim: "Faço versos como preces,/ apostando no triunfo da beleza e do amor". 

Mesmo não sendo devoto de nenhuma religião, a prece até que foi atendida, minha primogênita está aí para provar.

Assim como me emociona observar o David Coelho trilhando o caminho que sempre soube que trilharia, desde que, em 2018, me entusiasmei com seus textos nas discussões virtuais e o convidei para colaborar com este blog.

Se a esquerda brasileira estiver destinada a renascer das cinzas, como fez depois da derrota sem luta de 1964, aposto todas as minhas fichas em que ele será uma das novas caras que emergirão no processo. 

Ao participar do comando da greve da Educação Federal, inclusive indo a Brasília para as tratativas, o David me fez lembrar tanto a batalha que lá travei por minha anistia, quanto as idas para acompanhar as várias sessões de julgamento do escritor Cesare Battisti no período 2008/2011.
 
Embora não me agradasse nem um pouco o jeitão da capital federal, que me parecia uma distopia futurista (Mundos fechados, de Robert Silverberg, 1936), acaba sendo gratificante lembrarmos de vitórias arrancadas com enorme sacrifício.

E me tocou também o David ter-me contado que está enfrentando uma sintomática aliança de pais conservadores/reacionários bolsonaristas com lulistas, contingentes amiúde flagrados em perfeita comunhão contra a esquerda combativa. O que faz todo sentido, pois, embora posem de inimigos ideológicos, têm nos interesses mesquinhos seu ponto de convergência, caçadores de rachadinhas e boquinhas que são.

É outra situação do meu passado evocada, a de quando liderei com três colegas uma inusitada paralisação do então Colégio Estadual MMDC, em junho de 1968. Foi numa sexta-feira à noite e teve fortes emoções:
— todos os alunos no pátio, atendendo à nossa convocação;
— alguém (nunca soubemos quem) sabotando a luz e deixando a escola às escuras; 
— a chegada de policiais do Dops numa viatura do Juizado de Menores, como camuflagem;
— o professor de química Mário Hato discursando em nosso favor, trepado numa cadeira, quando um investigador chegou chutando a dita cuja para longe e atirando-o ao chão;   
— o professor dedo-duro  de português acompanhado por dois agentes, procurando-nos por todo o pátio, munidos de faroletes, sem perceberem que, ao avistarmos os fachos de luz, distanciávamo-nos calmamente por entre as rodinhas formadas;
— a abertura dos portões que eles haviam trancado e a saída em massa de nós todos, que demos de cara com um colega preso porque havia sido surpreendido esvaziando os pneus da viatura fake;
— a covardia de um agente que, apavorado com os gritos de Solta!Solta!, se pôs a dar tiros para o alto, provocando o estouro da boiada (um colega tropeçou no momento de um disparo e ficamos acreditando que tinha sido baleado); e
— a ida imediata de nós quatro, os líderes, à redação da Folha da Tarde, para relatarmos tudo que ocorrera, daí resultando uma pequena notícia publicada no dia seguinte com o ótimo título de Dops invade escola atirando
Na segunda-feira, os estudantes do noturno não ousavam entrar no MMDC por temerem prisões. Eu e o Eremias Delizoicov fomos negociar e eles só ingressaram no prédio depois de voltarmos para informá-los do compromisso assumido pela diretora no sentido de não haver prisões nem retaliações. 

Participamos em seguida de uma reunião extraordinária da Associação de Pais e Mestres. Como a companheira Maria das Graças estava acamada com hepatite, coube-nos defender a paralisação. 

Pais barrigudos e furibundos ensaiavam até agredir-nos, mas outros os seguravam. O Eremias os ironizava o tempo todo e eu fazia a defesa política, o que também os tirava do sério porque não conseguiam prevalecer contra um jovem de 17 anos na batalha dos argumentos.

Triste pensar que em outubro de 1969 o Eremias, um ano mais novo do que eu, morreria baleado 35 vezes por uma equipe da PE da Vila Militar (RJ). Estudáramos juntos, embora nem sempre na mesma classe, desde o primário. 

Preso, conheci os quatro que o haviam executado quando poderiam facilmente tê-lo subjugado vivo; além de tudo incompetentes, agiram com tamanha bestialidade por confundirem-no com um ex-sargento que também integrava a Vanguarda Popular Revolucionária e era bem mais velho. 

Tomara que a trajetória do David seja menos sofrida. Mas, quando tantos se omitem das lutas absolutamente necessárias, os que as assumem estão sempre sujeitos a carregaren uma carga mais pesada. É por isto que Brecht os chamava de imprescindíveis. (por Celso Lungaretti)

sábado, 18 de maio de 2024

É NA ESCURIDÃO DA NOITE SOMBRIA QUE MELHOR VEMOS BRILHAREM AS ESTRELAS

Ao criar sua majestosa Noite Estrelada, Van Gogh teve de buscá-la na memória, pois
no sanatório em que estava internado não lhe permitiam pintar no quarto de dormir.
dalton rosado
A DITADURA DO FETICHISMO DA MERCADORIA
Não há ditadura maior do que o fetichismo da mercadoria. Isto porque se processa na mente, ainda que seja auxiliada pelas armas e por estas imposta desde o seu surgimento.

Mesmo diante da intensificação das alterações climáticas causadas pelo aquecimento global, para o qual concorrem principalmente as duas locomotivas capitalistas do mundo (Estados Unidos e China) e a omissão dos fóruns internacionais que deveriam priorizar a salvação da espécie humana, o capital segue em frente na sua faina autofágica.

Assim é que o Rio Grande do Sul padece sob tempestades de chuva e vento que matam e desabrigam dezenas de milhares de pessoas.

Paralelamente, intensificam-se as guerras com poderio bélico, com poderio bélico cada vez mais avassalador;  e também podemos sucumbir como espécie graças a uma guerra nuclear que volta a nos assombrar como nas décadas de 1950 e 1960, quando os cidadãos chegavam a adaptar os porões de suas casas para servirem de abrigos atômicos quando acontecesse o pior.   

A que se deve o flagelo da guerra, senão à ambição de poder e riqueza decorrente do fetiche da mercadoria, embrutecendo o ser humano e tangendo-o de forma inexorável para a morte?

Por que se gastam milhões na produção de armamentos:
— senão para gerar o lucro da venda de tal produção e possibilitar que algumas nações armadas até os dentes submetam os países com menor poder de fogo?
 senão em razão dessa coisa absurda que é a coisificação da vida pelo processo de mercado, com a morte sendo celebrada no altar do fetichismo da mercadoria, o santo graal da modernidade decadente?

O jovem estadunidense que deixou sua vida e seu sangue derramado nas terras vietnamitas, ou voltou mutilado no corpo e/ou na alma por matar pessoas que desconhecia, é igual aos russos e ucranianos que deixam seus sonhos de amores e realizações nos campos de trigo do país invadido.

Entretanto, Lyndon Johnson e Vladimir Putin, títeres da tirania política do capital, justificaram e justificam a morte em nome de uma hipotética vida coletiva que eles afirma(ra)m estar ameaçada, sem explicar que eram/são movidos por uma engrenagem política a serviço do capital, do qual são obedientes representantes teleguiados por uma esquizofrenia demoníaca que lhes dá ordens repulsivas, e que consiste no fetichismo da mercadoria.

A vida sob o regime de produção de mercadorias ilude a todos como o sonho do apostador em loterias que faz planos para gastar a dinheirama que pretende ganhar graças àquele bilhete e que, assim, continua a jogar mais para manter viva sua esperança, ainda que as possibilidades estejam esmagadoramente contra ele. 

O êxodo de jovens russos avessos a arriscarem suas vidas numa mera guerra de conquista atesta o fracasso da propaganda oficial que tenta convencê-los da existência de objetivos nobres como a defesa da pátria.  Cresce cada vez mais o número dos convictos da iniquidade dessa guerra. 
Heróis são os que têm a coragem de dizer não à matança bestial, ainda que isto lhes custe as piores perseguições.

Os protestos contra os massacres israelenses aos palestinos em Gaza, nos campi das universidades estadunidenses de Columbia e Nova York, foram reprimidos por policiais obedecendo ordens políticas que justificaram (falaciosamente) tais atos como sendo necessários para retomada do campus, que sofreu atos perturbadores de violência, formas de intimidação e destruição de propriedade.

Certo estava Bertold Brecht: Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.

Há uma violência intrínseca à forma-mercadoria que é pouco percebida em razão da sua aparente neutralidade, ou seja, por apresentar-se como um fato social aparentemente ingênuo e benfeitor: a produção de objeto que, transformado em mercadoria, atende ao consumo e satisfação de uma necessidade social, humana. Só que, ao fazê-lo de modo meramente oportunista, encobre a essência de seu conteúdo de segregação social.

Assim, a necessidade humana de tais ou quais produtos é utilizada para se obter a escravização indireta pelo trabalho abstrato produtor de mercadoria e mais-valia. que concentra a riqueza material transformada em riqueza abstrata e assim viabiliza a acumulação excludente do capital. 

Tem, portanto, sua essência configurada como um vírus corrompedor de toda a sociedade, responsável pela decomposição da alma humana.

A mercadoria tem valor de uso e valor de troca, que se consubstanciam como acumulação excludente de valor do tempo-trabalho nela hipostasiado, daí decorrendo a acumulação de capital num processo de necessária reprodução continua que tende ao infinito, mas que termina por esbarrar na finitude do consumo humano e nas contradições que lhes são imanentes, tornando-se socialmente destrutiva e, por fim, autodestrutiva de sua forma fantasmagórica.

É a segregação social da forma-mercadoria e seus paradoxos existenciais que se manifestam nas disputas de mercado, com cada capitalista produtor e detentor da sua mercadoria tentando excluir os seus concorrentes, após explorar o trabalho abstrato e o tempo-valor de quem a produz. Ou seja, trata-se do eterno motor da guerra entre os homens teleguiados pela ditadura da riqueza abstrata nela contida e à qual os homens servem politicamente.   

É inaceitável falar-se em democracia como sinônimo de expressão da livre vontade coletiva, se nas tais eleições livres são escolhidos governantes que nada governam, mas que são, isto sim, governados a priori por uma relação social ditada pelo fetichismo da mercadoria, que a tudo corrompe socialmente.

Quando um governante se corrompe, apropriando-se indebitamente dos impostos estatais do aparelho de estado que serve à grande e abrangente corrupção da forma-mercadoria (leia-se capitalismo), seja para si ou para a manutenção política do seu partido, ele está estabelecendo uma concorrência com o Deus a que serve politicamente (o aparelho de estado nada mais é do que um serviçal do capital). 

Daí existir um constante
frisson entre a necessidade de reprodução do capital e a debilidade de sua cidadela protetora, o estado, quando subtraída pela corrupção política.   

Sergio Moro e seus amigos do Ministério Público, manipulando o processo criminal pelo uso de arbitrariedades na instrução processual, pareceram falsa e equivocadamente ser benfeitores sociais, pois o grande público era induzido por um processo midiático político-judicial parcial e faccioso a crer que se combatia realmente a corrupção com o dinheiro dito público (o qual não pertencia ao público público e, para piorar, a corrupção jamais deixou de existir e ainda existe). 

O episódio da Lava-Jato deixará como legado, para os historiadores futuros, a conclusão de que enquanto perdurar a forma-mercadoria como sistema social de produção, existirão:
— o facciosismo  judicial hipócrita; 
— a corrupção sistêmica inerente ao próprio capital; e,
— de quebra, a corrupção política e do crime organizado, que se confundem por objetivos comuns, quais sejam o poder do dinheiro e seu poder derivado sem soberania de vontade, a política.

O dinheiro, única mercadoria sem valor de uso, é a representação numérica da abstração valor que comanda negativamente a vida social real e que somente se reproduz pela fórmula da crítica marxista: dinheiro que se transforma em mercadoria, que se transforma em mais dinheiro
Trata-se de um processo que tende ao infinito, até esbarrar na ilogia de sua própria essência destrutiva e autodestrutiva. Tal crítica, vale dizer, jamais foi 
observada pelos maus intérpretes, ditos marxistas, dos ensinamentos de Karl Marx, o sábio barbudo judeu-alemão antissionista (tal qual Albert Einstein).

Mas, ainda há esperança. Afinal, é na escuridão da noite sombria que melhor podemos ver brilharem as estrelas! (por Dalton Rosado)

domingo, 4 de fevereiro de 2024

EIS O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA NÃO SER UM IDIOTA OU, PIOR AINDA, O GURU DE UMA LEGIÃO DE IDIOTAS

O finado guru da Famiglia Corleonaro escreveu um livro sobre o que ele considerava ser o mínimo de conhecimento necessário para alguém não ser um idiota. 

Mas, só o adquiriram os que já eram idiotas. E, infelizmente, se tornaram mais idiotas ainda, muito mais! 

Então, estou tomando a liberdade de oferecer abaixo, grátis,  o meu antídoto, que serve também como vacina contra a idiotice. Garanto que os imunizados não sentirão mais vontade de andar para trás como os caranguejos, lamber coturnos de militares ou fazer badernaços na Praça dos Três Poderes. (CL)   

"OS GRANDES SÓ PARECEM GRANDES
PORQUE ESTAMOS AJOELHADOS" 

"Ser governado é ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude.

Ser governado é ser, em cada operação, em cada transação, em cada movimento, notado, registrado, arrolado, tarifado, timbrado, medido, taxado, patenteado, licenciado, autorizado, apostilado, admoestado, estorvado, emendado, endireitado, corrigido.

É, sob pretexto de utilidade pública e em nome do interesse geral, ser pedido emprestado, adestrado, espoliado, explorado, monopolizado, abalado, pressionado, mistificado, roubado.

Depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, perseguido, injuriado, espancado, desarmado, estrangulado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar nada, ridicularizado, zombado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral!

E dizer que há entre nós democratas que pretendem que o governo prevaleça; socialistas que sustentam esta ignomínia em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade; proletários que admitem sua candidatura à presidência! Hipocrisia!" (Pierre-Joseph Proudhon).

"
Onde quer que tenha chegado ao poder, a burguesia destruiu todas as relações feudais, patriarcais e idílicas.

Dilacerou impiedosamente os variegados laços feudais que ligavam o ser humano a seus superiores naturais, e não deixou subsistir entre homem e homem outro vínculo que não o interesse nu e cru, o insensível pagamento em dinheiro.

Afogou nas águas gélidas do calculo egoísta os sagrados frêmitos da exaltação religiosa, do entusiasmo cavalheiresco e do sentimentalismo pequeno-burguês. 

Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e no lugar das inúmeras liberdades já reconhecidas e duramente conquistadas colocou unicamente a liberdade de comércio sem escrúpulos.

Numa palavra, no lugar da exploração mascarada por ilusões políticas e religiosas ela colocou um exploração aberta, despudorada, direta e árida." (Karl Marx e Friedrich Engels) 
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"Aquele que botar as mão sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo." (Proudhon)

"Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo, de diversas maneiras. O que importa é transformá-lo." (Marx)

"Se o capitalismo é incapaz de satisfazer as reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, então que morra!" (Leon Trotsky)

"A propriedade é o roubo." (Proudhon)

"De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades."(Marx e Engels)

"O primeiro homem que inventou de cercar uma parcela de terra e dizer isto é meu, e encontrou gente suficientemente ingênua para acreditar nisso, foi o autêntico fundador da sociedade civil. 

De quantos crimes, guerras, assassínios, desgraças e horrores teria livrado a humanidade se aquele, arrancando as cercas, tivesse gritado: Não, impostor!" (Jean-Jacques Rousseau)

"
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. 

Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempos de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar." (Bertold Brecht)

"A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo." (Marx)

"Pereça a pátria e salve-se a humanidade!" (Proudhon)

"Que meu país morra por mim!" (James Joyce)

"A revolução não é o convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado; ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. A revolução é uma insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra.(Mao Tsé-tung)

"A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos." (Marx)

"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados." (Che Guevara)
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