Único filme dirigido pelo superlativo ator Marlon Brando, A Face Oculta (1961) é um western sobre vingança, tema pra lá de recorrente no gênero.
Introduziu, contudo, um toque de modernidade para a época, ao insinuar que entre o bandido (Brando) abandonado e o comparsa (Karl Malden) que o deixou entregue à lei tenha existido uma atração homossexual, não necessariamente levada às vias de fato.
Ou seja, há uma traição explícita que todos os espectadores captam e uma atração implícita, que só críticos e um público mais sofisticado percebem, pois Hollywood ainda se submetia ao código de censura moralista que artificializou seu cinema por décadas.
Inicialmente, A face oculta tinha Stanley Kubrick como diretor e Sam Peckinpah como roteirista, mas ambos saíram brigados com a Paramount e Brando assumiu. No entanto, seu relacionamento com a companhia se mostrou igualmente tempestuoso, as filmagens e a edição se alongaram, o orçamento foi em muito ultrapassado. Como consequência, mesmo sem fracassar na bilheteria o filme acabou dando prejuízo.
Belas imagens, grande atuação do par central, algum aprofundamento psicológico, mas uma fita que perde muito na comparação com os faroestes italianos, que bombaram a partir de Por um punhado de dólares (1964) do Sergio Leone, e propondo uma abordagem mais criativa e (os melhores deles) transgressora para os bang-bangs.(por Celso Lungaretti)
Cliqueaquipara ver A Face Oculta legendado no Youtube
Esqueçam o Papai Noel que a Coca-Cola vestiu com suas cores e representa a apoteose do consumismo!
O que o mundo realmente evoca (ou deveria evocar) no Natal é a saga de um filho de carpinteiro que trouxe esperança a pescadores e outras pessoas simples de um país subjugado ao maior império da época.
Os primeiros cristãos eram triplamente injustiçados:
economicamente, porque pobres;
socialmente, porque insignificantes; e
politicamente, porque tiranizados.
Jesus Cristo nasceu três décadas depois da maior revolta de escravos enfrentada pelo Império Romano em toda a sua existência.
As mais de 6 mil cruzes fincadas ao longo da Via Apia foram o desfecho da epopeia do gladiador trácio que, à sua maneira rústica, acenou com a única possibilidade então existente de revitalização do império: o fim da escravidão. Roma ganharia novo impulso caso passasse a alicerçar-se sobre o trabalho de homens livres, não sobre a conquista e o chicote.
Kirk Douglas, inesquecível como Spartacus
Vencido Spartacus, não havia mais quem encarnasse (ou pudesse encarnar) a promessa de igualdade na Terra.
Jesus Cristo a transferiu, portanto, para o plano místico: todos os seres humanos seriam iguais aos olhos de Deus, devendo receber a compensação por seus infortúnios num reino para além deste mundo.
Este foi o cristianismo das catacumbas: a resistência dos espíritos a uma realidade dilacerante, avivando o ideal da fraternidade entre os homens.
Hoje há enormes diferenças e uma grande semelhança com os tempos bíblicos: o império igualmente conseguiu neutralizar as forças que poderiam conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização.
A revolução é mais necessária do que nunca, contudo inexiste uma classe capaz de assumi-la e concretizá-la, como o fez a burguesia, ao estabelecer o capitalismo; e como se supunha que o proletariado industrial fizesse, edificando o socialismo.
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O RISCO DE CATÁSTROFES E O FANTASMA
DO RETROCESSO CIVILIZATÓRIO
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O fantasma a nos assombrar agora é o mesmo do fim do Império Romano: ou seja, o de que tal impasse nos faça retroceder a um estágio há muito superado em nosso processo evolutivo.
"...o capitalismo hoje produz legiões de excluídos..."
O capitalismo hoje produz legiões de excluídos que fazem lembrar os bárbaros que deram fim a Roma; não só os que vivem na periferia do progresso, mas também os miseráveis existentes nos próprios países abastados, vítimas do desemprego crônico.
E as agressões ao meio ambiente, decorrentes da ganância exacerbada, estão atraindo sobre nós a fúria dos elementos, com consequências avassaladoras. Décadas de catástrofes serão o preço de nossa incúria.
No entanto, como disse o grande jornalista Alberto Dines, “criaturas e nações cometem muitos desatinos, mas, na beira do abismo, recuam e escolhem viver”.
Se a combinação do progresso material com a influência mesmerizante da indústria cultural tornou o capitalismo avançado praticamente imune ao pensamento crítico e à gestação/concretização de projetos alternativos de organização da vida econômica, política e social, tudo muda durante as grandes crises, quando abrem-se brechas para evoluções históricas diferentes.
Estamos em plena contagem regressiva, encaminhando-nos para o momento em que as contradições insolúveis do capitalismo acabarão desembocando numa depressão tão terrível como a da década de 1930; e em que nos veremos gravemente ameaçados pela sucessão de emergências e mazelas que decorrerão das alterações climáticas. O sofrimento e a devastação serão infinitamente maiores se os homens enfrentarem desunidos tais desafios. Caso as nações e os indivíduos prósperos venham a priorizar a si próprios, voltando as costas aos excluídos, estes morrerão como moscas.
"...a solidariedade, ao invés do egoísmo..."
O desprendimento, em lugar da ganância; a cooperação, substituindo a competição; e a solidariedade, ao invés do egoísmo, terão de dar a tônica do comportamento humano nas próximas décadas, se as criaturas e nações escolherem viver.
E há sempre a esperança de que os mutirões criados ao sabor dos acontecimentos acabem apontando um novo caminho para os cidadãos, com a constatação de que, caso se mobilizem e organizem tendo o bem comum como prioridade suprema, eles aproveitarão muito melhor as suas próprias potencialidades e os recursos finitos do planeta.
Então, para além deste Natal mercantilizado, que se tornou a própria celebração do templo e de seus vendilhões, vislumbra-se a possibilidade de outro. O verdadeiro: o Natal cristão, dos explorados, dos humilhados e ofendidos.
Se frutificarem os esforços dos homens de boa vontade.(por Celso Lungaretti)
Lembram do Weintraub, que o escritor Ignácio de Loyola Brandão qualificou de ministro da Educação sem educação, grosso, horrendo, nojento? Ele deixou seguidores.
Os muares do governo de Santa Catarina acabam de zurrar o banimento de nove livros das escolas do Estado. Eis o ofício da Secretaria da Deseducação, vertido para a linguagem humana:
"Determinamos que as obras listadas sejam retiradas de circulação e armazenadas em local não acessível à comunidade escolar. Em breve enviaremos novas orientações".
Por que, ao invés de armazená-los, não queimam os livros em público, como faziam os nazistas?
Pode ser também uma homenagem ao clássico Fahrenheit 451, o filme de 1966 dirigido por François Truffaut, que adaptou para as telas o livro escrito por Ray Bradbury em 1953, quando grassava o macartismo nos EUA...
Para quem não se lembra ou nunca viu, é sobre bombeiros de um estado totalitário que localizam e carbonizam aquele que é um dos grandes diferenciais entre bípedes humanos e quadrúpedes energúmenos.
Dos livros colocados no index escolar catarinense, os mais conhecidos são A Coisa (It) do Stephen King, Laranja Mecânica do Anthony Burgess, Coração Satânico do William Hjortsberg e Donie Darko do Richard Kelly. Todos viraram filmes.
Os demais proscritos são A química entre nós, de Larry Young e Brian Alexander; Ed Lorraine Warren: demonologistas, de Gerald Brittle; Exorcismo, de Thomas B. Allen; Os 13 porquês, de Jay Ascher; e O diário do diabo, de Robert K. Wittman e David Kinney
Eu aprecio particularmente três desses livros/filmes. No do Stephen King, faço a ressalva de que o autor parecia estar recebendo US$ 1 milhão por página, de tanto que encompridou a narrativa.
Seu principal mérito foi ter inserido na receita de terror ingredientes de bullying e de rito de passagem. O telefilme de 1990 deu o devido destaque ao que era inovador, enquanto o blockbuster de 2017 quis mais é aplicar os $u$to$ de sempre.
A parábola de Burgess contra o totalitarismo é imperdível e imprescindível, um dos marcos da era da contracultura. Arrasa como livro e como filme (do Stanley Kubrick, 1971). Chocou-se com o moralismo rançoso dos censores da ditadura militar e, agora, com seus herdeiros travestidos de educadores.
Um paliativo então adotado foi a de cobrir com bolinhas pretas os pênis dos atores, numa sequência em que se movimentavam o tempo todo. O resultado acabou sendo hilário, pareciam bolinhas de pingue-pongue saltitando pela tela.
Coração Satânico, do Alan Parker (1987) é uma história de terror inteligente como dificilmente se vê nos filmes de hoje e tem um Lúcifer inesquecível, interpretado por Robert De Niro.
De resto, a obsessão dessa horda descerebrada com o restabelecimento de dogmas medievais em matéria de religião e de sexo tem um aspecto positivo: evita que tais primatas causem danos muito maiores com atentados terroristas e tentativas de putschs. (por Celso Lungaretti)
Nascido numa estrebaria, era filho de José, o carpinteiro
Esqueçam o Papai Noel que a Coca-Cola vestiu com suas cores e a apoteose do consumismo. O que o mundo realmente celebra (ou deveria celebrar) no Natal é a saga de um filho de carpinteiro que trouxe esperança a pescadores e outras pessoas simples de um país subjugado ao maior império da época.
Os primeiros cristãos eram triplamente injustiçados:
economicamente, porque pobres;
socialmente, porque insignificantes;
e politicamente, porque tiranizados.
Jesus Cristo nasceu três décadas depois da maior revolta de escravos enfrentada pelo Império Romano em toda a sua existência.
As mais de 6 mil cruzes fincadas ao longo da Via Apia foram o desfecho da epopeia de Spartacus, que, à sua maneira rústica, acenou com a única possibilidade então existente de revitalização do império: o fim da escravidão. Roma ganharia novo impulso caso passasse a alicerçar-se sobre o trabalho de homens livres, não sobre a conquista e o chicote.
Vencido Spartacus, não havia mais quem encarnasse (ou pudesse encarnar) a promessa de igualdade na Terra.
Kirk Douglas no papel de Spartacus
Jesus Cristo a transferiu, portanto, para o plano místico: todos os seres humanos seriam iguais aos olhos de Deus, devendo receber a compensação por seus infortúnios num reino para além deste mundo.
Este foi o cristianismo das catacumbas: a resistência dos espíritos a uma realidade dilacerante, avivando o ideal da fraternidade entre os homens.
Hoje há enormes diferenças e uma grande semelhança com os tempos bíblicos: o império igualmente conseguiu neutralizar as forças que poderiam conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização.
A revolução é mais necessária do que nunca, mas inexiste uma classe capaz de assumi-la e concretizá-la, como o fez a burguesia, ao estabelecer o capitalismo; e como se supunha que o proletariado industrial fizesse, edificando o socialismo.
AS AMEAÇAS DE CATÁSTROFES
E O FANTASMA DO RETROCESSO
O fantasma a ora nos assombrar é o do fim do Império Romano: ou seja, o de que tal impasse nos faça retroceder a um estágio há muito superado em nosso processo evolutivo.
O capitalismo hoje produz legiões de excluídos que fazem lembrar os bárbaros que deram fim a Roma; não só os que vivem na periferia do progresso, mas também os miseráveis existentes nos próprios países abastados, vítimas do desemprego crônico. E as agressões ao meio ambiente, decorrentes da ganância exacerbada, estão atraindo sobre nós a fúria dos elementos, com conseqüências avassaladoras. Décadas de catástrofes serão o preço de nossa incúria.
"Se os prósperos voltarem as costas aos excluídos, estes morrerão como moscas"
No entanto, como disse o grande jornalista Alberto Dines, “criaturas e nações cometem muitos desatinos, mas na beira do abismo recuam e escolhem viver”.
Se a combinação do progresso material com a influência mesmerizante da indústria cultural tornou o capitalismo avançado praticamente imune ao pensamento crítico e à gestação/concretização de projetos alternativos de organização da vida econômica, política e social, tudo muda durante as grandes crises, quando abrem-se brechas para evoluções históricas diferentes.
Estamos em plena contagem regressiva, encaminhando-nos para o momento em que as contradições insolúveis do capitalismo acabarão desembocando numa depressão tão terrível como a da década de 1930; e em que nos veremos gravemente ameaçados pela sucessão de emergências e mazelas que decorrerão das alterações climáticas. O sofrimento e a devastação serão infinitamente maiores se os homens enfrentarem desunidos tais desafios. Caso as nações e os indivíduos prósperos venham a priorizar a si próprios, voltando as costas aos excluídos, estes morrerão como moscas.
"...a solidariedade, ao invés do egoísmo..."
O desprendimento, em lugar da ganância; a cooperação, substituindo a competição; e a solidariedade, ao invés do egoísmo, terão de dar a tônica do comportamento humano nas próximas décadas, se as criaturas e nações escolherem viver.
E há sempre a esperança de que os mutirões criados ao sabor dos acontecimentos acabem apontando um novo caminho para os cidadãos, com a constatação de que, caso se mobilizem e organizem tendo o bem comum como prioridade suprema, eles aproveitarão muito melhor as suas próprias potencialidades e os recursos finitos do planeta.
Então, para além deste Natal mercantilizado, que se tornou a própria celebração do templo e de seus vendilhões, vislumbra-se a possibilidade de outro. O verdadeiro: o Natal cristão, dos explorados, dos humilhados e ofendidos.
Se frutificarem os esforços dos homens de boa vontade.