sábado, 4 de dezembro de 2021

APÓS TER SIDO O PRINCIPAL ELEITOR DO BOZO E BOICOTADO O #FORA BOLSONARO, LULA AGORA FAVORECE OS EVANGÉLICOS!

mônica bergamo
LIDERANÇAS EVANGÉLICAS
CREDITAM VITÓRIA DE
MENDONÇA PARA STF
 TAMBÉM AO PT E À LULA
Lideranças religiosas que não se alinham a Jair Bolsonaro de forma ruidosa passaram a creditar a aprovação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal também ao PT e ao ex-presidente Lula, que não teriam feito carga contrária ao terrivelmente evangélico indicado por Jair Bolsonaro para a Corte.

Senadores do PT, como Humberto Costa, e o próprio Lula conversaram com evangélicos que apoiavam a ida de Mendonça para o STF. O partido não fechou questão contra a indicação, e liberou seus parlamentares para votar como quisessem.

O ex-presidente manifestou a religiosos, e também a senadores petistas, a posição de que um presidente da República tem o direito de fazer a indicação que acha mais apropriada. E que Bolsonaro exercia esse direito, assim como ele e Dilma Rousseff viram aprovados todos os nomes que indicaram para o Supremo.

Pela contabilidade das lideranças evangélicas, senadores do PT seguramente votaram contra Mendonça 
mas o apoio de apenas alguns poucos deles pode ter feito toda a diferença para a aprovação do nome, num placar que estava muito apertado.

Já o presidente Bolsonaro, que cumpriu a promessa de indicar um evangélico para o cargo, gerou desconfiança na reta final por não ter feito o esforço que religiosos esperavam pela aprovação de André Mendonça. Mas, apesar do ruído de última hora, tem a gratidão das lideranças.

A resistência maior a Mendonça entre setores do partido se mantinha por causa da proximidade dele com a Operação Lava Jato. Promessas do futuro ministro de que será um juiz garantista, no entanto, ajudaram a amenizar o clima contrário a ele. (por Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo deste sábado, 4)
O que está por trás destes afagos oportunistas é a cobiça de Lula
 pelos votos evangélicos, sem dar a mínima para o medievalismo deles

DEZ ANOS SEM O DOUTOR SÓCRATES. ELE FOI MAIOR DO QUE O FUTEBOL!

Manifestação das diretas-já no Anhangabaú. Atrás do apresentador Osmar Santos, 
da esq. p/ a dir., estão Sócrates, FHC, Casagrande e o dirigente Adílson Monteiro Alves.
M
uhammad Ali esteve no Brasil quando assumia conscientemente o papel de símbolo da luta dos negros contra o racismo; Pelé, por sua vez, era um gênio do futebol e um zero à esquerda em preocupações sociais.

Um repórter perguntou ao grande  Ali o que achava de Pelé. Com seu brilhantismo habitual, ele respondeu algo assim (não encontrei a frase exata): "Se alguém é um esportista extraordinário, isto já basta. Mas, se além disto, ele também levanta as bandeiras de sua gente e trava o bom combate, aí sim ele é completo".

Sócrates era completo.

Parafraseando o que Foreman disse sobre o próprio Ali, talvez Sócrates não tenha sido o maior jogador brasileiro de todos os tempos, mas, sem dúvida, foi o melhor cidadão brasileiro que já atuou no futebol profissional.

A ponto de, quando os melhores cidadãos brasileiros saíram às ruas para recuperar o direito de elegerem o presidente da República, ele ter assumido um compromisso solente com a multidão que lotava o Vale do Anhangabaú (SP). 

Dispôs-se a, caso fosse aprovada a emenda das diretas-já, recusar a proposta estratosférica da Fiorentina e permanecer no País para ajudar a reconstruí-lo. 

Por acaso, foi exatamente a vez em que consegui um lugarzinho bem próximo do palanque. Um momento de arrepiar! Meninos, eu vi...
Algo raro na época: mesmo não sendo centroavante, Sócrates fez os 4 gols que
decidiram o campeonato paulista de 83. Um foi de pênalti e os outros 3 são estes
No dia 4 de dezembro de 2011 perdemos um grande companheiro, um irmão de fé. Foi doído demais.

Hoje, contudo, fico pensando: o que ele faria na atual pasmaceira, como se encaixaria neste Brasil covarde e abúlico, que não reage nem mesmo quando um louco furioso extermina sua gente?

Provavelmente morreria de desgosto. (CL)
Documentário de curta metragem criado por Danilo Corrêa

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

QUANDO NINGUÉM ESPERAVA NADA DE GRÊMIO x SÃO PAULO, SURGE UMA GRATA SURPRESA: O GOL "JORNADA NAS ESTRELAS"

Acompanho o futebol desde, pelo menos, 1960, então não acreditava que ainda veria novidades como o gol marcado nesta quinta-feira (2) pelo quase desconhecido Jhonata Robert, um pernambucano com pouco mais de 22 anos que atua como ala ou meio-campista no Grêmio.

Simplesmente a bola vinha caindo no círculo central e Jhonata, que chegou correndo, deu um balão para o alto antes que ela quicasse no chão. Foi cair dentro do gol de Volpi, que estava adiantado e não conseguiu voltar em tempo. 

Já nos acréscimos, o Grêmio transformou em goleada a vitória, no estádio Olímpico (RS), contra o apático São Paulo, pelo Brasileirão 2021: 3x0. 

Faltando duas rodadas para o final do campeonato, o tricolor gaúcho tem chances apenas matemáticas de escapar do rebaixamento, enquanto o tricolor paulista parece já estar a salvo. 

Mas, uma difícil combinação de resultados ainda o pode degolar, o que o faria arrepender-se amargamente do desinteresse com que disputou a partida de ontem, deixando-se amassar o tempo todo.  
Tentos que futebolistas marcaram de muito longe deixaram de ser novidade após a célebre tentativa de Pelé no Mundial Fifa de 1970, que, contudo, ficou no quaseMas, em todas conheço, o arremate foi desfechado para a frente e passaria por cima se não tivesse caído aos poucos.

O chute de Jhonata foi para o alto, em ângulo inclinado, e caiu quase na perpendicular. A chance era enorme de, ao atingir o solo, bater no chão e passar por cima da meta. Mas, aterrissou tão próxima da chamada linha fatal que não subiu o suficiente para superar a altura do travessão. 

Foi mais uma incrível sorte do que competência. Ainda assim, exatamente pelo inusitado e pela raridade, merece todos os prêmios de mais belo gol do ano, inclusive o da Fifa.

Fez-me lembrar o saque jornada nas estrelas, com que o brasileiro Bernard Rajzman surpreendeu o mundo do vôlei no Mundialito de 1982, disputado no Maranãzinho (RJ). 

Ele o criou no vôlei de praia, ao perceber que mandando a bola uns 25 metros para o alto, ela caía com trajetórias surpreendentes por causa do vento e os adversários eram ofuscados pelo sol ao tentarem a defesa.
Adaptou a jogada para ginásios cobertos, nos quais os holofotes atrapalhavam tanto quanto o sol ao ar livre. Chegou a marcar, graças a seu saque inovador, quatro pontos seguidos contra a Coréia e um decisivo na vitória por 3x2 contra a União Soviética, levando o público ao delírio. 

Mas logo a jogada foi assimilada pelos adversários, que aprenderam como anulá-la, e o jornada nas estrelas (apelido inspirado na franquia cinematográfica) caiu em desuso.

Para, surpreendentemente, algo semelhante a ela ressurgir no futebol, quase quatro décadas depois. (por Celso Lungaretti)    

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

O BRASIL É O FIM DO MUNDO E AQUI SÓ VENCE NA VIDA QUEM DIZ SIM. ENTÃO MOSTREM AS SUAS CARAS, SENADORES!

S
egundo Valdo Cruz, veterano comentarista de política e economia da 
Globo News, eis a forma
como se deu o milagre da multiplicação dos votos tidos como certos contra André Mendonça e que acabaram
sendo favoráveis a ele:
"Na avaliação do resultado final (47 votos a 32), não fossem os votos de senadores da oposição ou independentes, Mendonça não teria conseguido os 41 votos necessários para a aprovação.

Nas contagens feitas por senadores, o Podemos, que filiou recentemente Sergio Moro para lançá-lo como candidato à Presidência da República, votou em peso a favor de André Mendonça. São nove parlamentares.

A maioria do PSD, que lançará na disputa presidencial o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também votou a favor de Mendonça. O partido tem 12 senadores.
No PT, cuja bancada tendia a votar fechada contra André Mendonça em razão das posições do ex-ministro favoráveis à Operação Lava Jato, pelo menos dois senadores votaram a favor.

No partido Rede Sustentabilidade, os dois senadores votaram também pela aprovação do ex-advogado-geral da União.
No Cidadania, os três senadores — Alessandro Vieira, Eliziane Gama e Leila Barros — votaram a favor do novo ministro do STF.

Em resumo, segundo avaliam interlocutores de André Mendonça, não fossem os votos desses senadores de oposição ou independentes, ele teria sido rejeitado..."

PRECISAMOS FALAR SOBRE O SIGNIFICADO PARA A ESQUERDA DE UMA ALIANÇA COM O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO EVANGÉLICO

Quando se confirma a entrada no Supremo Tribunal Federal de uma figura duplamente nefasta (carreirista e fundamentalista religioso ao mesmo tempo), é preciso falar um pouco a respeito do papel dos evangélicos na sociedade. 

A respeito do personagem em questão e do apoio a ele dado pelo petismo oportunista, farei adiante um artigo específico, daí não tratar disso aqui. 

Possuo aquilo que o identitarismo contemporâneo chama de lugar de fala para abordar o tema evangélicos. Tendo mãe evangélica e grande parte da família materna seguidora de tal religião, estive dentro das paredes petencostais até os meus 16 anos, daí conhecer bem toda a prática política, econômica e ideológica do dito agrupamento. 

Assumi o ateísmo em tenra adolescência, antes mesmo de suspender em definitivo minha participação na comunidade religiosa; tenho, desde então, refletido a respeito da lógica religiosa no capitalismo atual. 

O chamado fundamentalismo religioso, fenômeno surgido no século 19 nos EUA, foi uma reação conservadora às interpretações liberais da bíblia patrocinadas por teólogos das grandes universidades daquele país e da Europa. 

A lógica do fundamentalismo é retomar aos fundamentos, isto é, aos princípios bíblicos tal como expressos literalmente. Por isso, o fundamentalismo é avesso a qualquer hermenêutica bíblica. 

Ao contrário do que se pensa, o fundamentalismo cristão é anterior ao islâmico. 
Merecia vaga no STF quem se avacalhou ao ponto de
perseguir cartunista só porque o Bozo mandou?
 
 

O mundo mulçumano sempre possuiu larga tradição filosófica de leitura do Alcorão. Foram intelectuais de extrema-direita que importaram a leitura fundamentalista do mundo ocidental e geraram o movimento fundamentalista islâmico. 

A ideologia fundamentalista gera uma hostilidade profunda à racionalidade. Sua negação de qualquer hermêneutica do texto religioso desemboca numa uma negativa geral a qualquer compreensão da realidade que não se ajuste ipsis literis aos princípios dogmáticos da fé. 

Esta lógica de condenação da racionalidade leva a uma desvalorização da mediação linguística e à super valorização da experiência mística. 

Por isso, os evangélicos dão grande apelo ao transe, às orações, ao louvor emotivo, ao exorcismo. Pior, os próprios princípios da fé são revelados de forma eminentemente mística, sem intermediação da linguagem, o que os tona francamente arbitrários e inquestionáveis, pois são considerados revelações do Espírito Santo. 

A negação do discurso e o apelo à experiência mística, sempre individual, está na base, inclusive, dos cismas e da criação infinita de novas congregações, pois cada qual acredita ter ele a interpretação e a ideia correta da fé. 

Não havendo parâmetro comum para interpretação e norteamento da prática, tudo passa a ser válido, prevalecendo, no frigir dos ovos, a capacidade de cada líder em convencer com seu discurso emotivo.  
Do ponto de vista estrutural, de modo geral, o fundamentalismo religioso é assim. Mas, nem de longe isso explica seu sucesso social. Aí é preciso entender sua inserção dentro da sociedade capitalista.

É reacionário por origem o fundamentalismo, pois tem como base histórica uma negação das interpretações liberais da bíblia. Ou seja, sua origem é uma negação à racionalização da experiência religiosa. 

Aprendemos com Lukács, a partir de Marx, que o irracionalismo é estimulado pelo sistema capitalista justamente para obstacularizar a compreensão da dinâmica social da exploração de classes e de sua desumanidade.

Mais que isso até. O irracionalismo é o resultado necessário de um sistema social baseado na reprodução da forma-valor sem consideração às necessidades humanas. Um sistema irracional gera uma lógica irracional de viver e entender a realidade. 

O fundamentalismo religioso, assim, é produto do capitalismo e útil a ele, ao mesmo tempo. Produto por se originar da própria irracionalidade do sistema e útil por retroalimentar essa irracionalidade em prol da perpetuação do sistema. 

Por isso, a igreja evangélica é uma estrutura reacionária afeita ao domínio burguês contrarrevolucionário. Ela existe para domesticar e subjugar o povo, submetendo-o aos ditames capitalistas. E aqui, as exceções deste ou daquele evangélico progressista ou mesmo revolucionário entra apenas enquanto exceção de uma dinâmica ontológica. 

Não à toa, as igrejas evangélicas crescem na miséria e na crise, pois se trata do momento propício para aparecerem oferecendo uma saída mística, de apaziguamento psicológico, ao indívíduo desorientado. 

Mais do que isto, ela cresce na ausência da organização revolucionária, na ausência da teoria social racionalmente correta. 

Quando a esquerda, tal qual o PT, se torna eleitoreira e abdica de esclarecer os trabalhadores sobre as causas de sua condição, o irracionalismo avança. 

Pior ainda é quando (como novamente faz Lula e sua turma) a esquerda acena e estabelece alianças com o fundamentalismo. Equivale a pedir para ser engolido por ele, mas disto também falarei noutra oportunidade. (por David Emanuel Coelho) 

CANDIDATO DA EXTREMA-DIREITA FRANCESA PARECE MAIS AUTOR DE FICÇÃO CIENTÍFICA

rui martins
ÉRIC ZEMMOUR ESTÁ PERDENDO O FÔLEGO?
D
entro de pouco mais de quatro meses, os franceses vão às urnas escolher o presidente. Já existem 13 candidaturas confirmadas, representando as diversas tendências políticas. 

O atual presidente Emmanuel Macron deverá pleitear sua reeleição em janeiro, enquanto o mais ativo e turbulento pré-candidato, o nacionalista franco-atirador Éric Zemmour, racista, islamofóbico e anti-imigração, acaba de oficializar sua participaçãoó

Jornalista de televisão, conhecido polemista, escritor de livros políticos com venda na casa do milhão de exemplares, Zemmour estava sendo o mais ativo, o mais popular, o mais entrevistado, o mais amado e o mais odiado de todos os pretendentes ao Eliseu. 

Em plena campanha há meses, aproveitando o lançamento de seu livro A França não disse a última palavra, Zemmour vinha de debates e dando entrevistas por todo país, mas sem se declarar candidato.

Embora haja sido considerado capaz de chegar ao 2º turno e seu nome tenha subido nas pesquisas eleitorais, ele parece ter alcançado o seu limite máximo de popularidade nos 15%, dando agora sinais de um corredor de maratona perdendo o fôlego. 

A última sondagem eleitoral revelou ter sido suplantado, com 19%, por Marine Le Pen, candidata pela terceira vez à presidência pelo partido Rassemblement National (Reunião Nacional). Embora ambos defendam ideias de extrema-direita, é difícil imaginar uma desistência de Zemmour em favor da Le Pen, embora esta já se tenha pronunciado por uma união de forças.
Comparado com Jean-Marie Le Pen, fundador do partido Frente Nacional de extrema-direita, e com sua filha Marine, o combativo Zemmour é muito mais radical. Na sua campanha, ele traça um quadro apocalíptico para a França, com as mulheres perdendo seus direitos se não for eleito; assume de certa forma a figura de um salvador da França como um país de raça branca, e de seu idioma, o francês.

Se nada for feito, segundo ele, a França como é hoje desaparecerá, substituída por um país inseguro e dividido como o Líbano, tendo suas periferias e algumas regiões com suas populações dominadas pelos muçulmanos, falando árabe e considerando o chefe religioso local, com suas leis religiosas da shariah, como superior ao presidente e à Constituição da França. 

A culpa, segundo Zemmour, é dos governos atual e anteriores, que permitiram a entrada de imigrantes africanos e muçulmanos com famílias numerosas e de alta natalidade.

Zemmour não demonstrou nenhuma dificuldade em explicar numa entrevista a um canal francês de televisão como acabará com essa situação, considerada pela imprensa exagerada e catastrófica. Para ele, no caso de ser eleito, as soluções serão:
— a promoção de um plebiscito autorizando a expulsão de todos os estrangeiros ainda em situação irregular;
— 
a suspensão ou anulação de toda legislação favorável à entrada de parentes dos já legalizados para as famílias serem reunidas de novo; 
— a expulsão de todos os estrangeiros que tenham sido condenados por infrações ou delitos; e
— a expulsão para seus países de origem de todos os estrangeiros ora presos aguardando julgamento ou cumprindo pena de prisão, tão logo saiam da prisão ou terminem suas penas.

Essa relação de atos racistas e discricionários inclui também a anulação de todas as leis favorecendo as famílias de imigrantes e seus filhos, por considerá-las como um tipo de incitação à imigração na França.
UM POLEMISTA E NÃO UM POLÍTICO – Na França de hoje, embora o islamismo seja a segunda religião professada, ele representa apenas 8% da população. E embora haja muitos franceses com nomes árabes (o que irrita Zemmour), continuam nascendo muitos franceses com nomes tradicionais cristãos. 

Muitas mulheres se vestem cobrindo todo o corpo e o rosto com a burca, porém isso não significa o fim da moda francesa. Mesmo porque, de uma maneira geral, apesar das pressões comunitárias, as estatísticas mostram não serem todos os imigrantes africanos fiéis seguidores do Islã. Apenas um terço da população faz suas cinco preces diárias e nem todos observam o jejum do Ramadã e ou comem só carne halal.
Zemmour critica igualmente o Tratado de Maastricht, de 1992, fundador da União Europeia, pelo qual os países europeus deixaram de ser isolados para viverem em comunidade, inclusive com um Parlamento Europeu. 

Na contramão do ideário de Zemmour, a França e os cidadãos europeus tiveram crescimento econômico nestes últimos 30 anos, embora sem resolverem o problema do desemprego de massa, com transformações estruturais influenciando na vida comum dos franceses.

Mesmo tendo preocupado muitos franceses com o risco de conseguir eleger-se e aplicar suas medidas draconianas contra os estrangeiros, Zemmour é basicamente, como disse sua concorrente Le Pen, um polemista e não um políticoNa verdade, Zemmour não conta com uma base de políticos já eleitos (como prefeitos e deputados) para apoiá-lo, nem com um partido que o sustente. 

É também criticado por não possuir um programa global detalhado para o exercício da presidência. E o mais grave, não parece dispor de condições para obter as exigidas 500 assinaturas de parrainage (que se poderia traduzir por patronagem). de personalidades como parlamentares, prefeitos, conselheiros de prefeituras. 

Essas 500 assinaturas são essenciais para confirmar a candidatura. Ora, o fato de Zemmour defender posições consideradas de extrema-direita e de tais assinaturas serem públicas pode provocar a rejeição de muitos.  (por Rui Martins)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

DE TODAS AS PROFECIAS SOBRE APOCALIPSE ZUMBI NO BRASIL, A DO ANDRÉ MENDONÇA É A MAIS ASSUSTADORA

O serviçal jurídico que o Bozo tenta impor de qualquer jeito ao Supremo Tribunal Federal como ministro terrivelmente evangélico que defenderia seus interesses na mais alta corte do país, acaba de fazer a profecia mais sinistra que tenho ouvido ultimamente sobre o Brasil: a de que, em 10 anos, os pobres de grana ou de espírito, zumbificados pela lavagem cerebral dos mercantilizadores da fé, se tornarão maioria.

Foi o que me decidiu a postar um filme para ver no blog que não se enquadra nos critérios habitualmente aqui adotados: O Nevoeiro, que Frank Darabont dirigiu e co-roterizou (ao lado de Stephen King, o autor da novela) em 2007.

É mais do mesmo, lembrando muita coisa escrita antes e depois por King, que inevitavelmente se repete, pois não há escritor do mundo que consiga ser original em 60 romances e cerca de 200 contos (além de 6 livros de não-ficção) que escreveu em quase meio século de carreira e deram origem a 335 séries de TV, minisséries, longas e curtas metragens.
A beata maluca: ameaça tão mortal quanto os monstros 

Mostra pessoas cercadas num supermercado enquanto, fora dele, sob um nevoeiro espesso e esquisito, estranhas criaturas parecidas com polvos estraçalham quem se expõe ao ar livre. 

Perdi a conta de situações parecidas noutros filmes inspirados em King, como também nos do George A. Romero, etc.

Mas, a cereja do bolo é que uma fanática religiosa (a sra. Carmody, interpretada por Marcia Gay Harden) começa a pregar e vai conquistando pouco a pouco aquelas pessoas confusas e apavoradas, explicando os acontecimentos como castigo de Deus e conduzindo-as à insanidade bárbara de sacrificar os descrentes (ou seja, os que não engoliam o blablablá ignorante dela) para aplacar a ira divina.

A coisa chega a tal ponto que os racionais restantes acabam tendo de matá-la a tiros antes que a turba por ela açulada os matasse. 

Uma solução desesperada que, claro, não recomendo para nossos problemas atuais, embora os sacrifícios mortais já estejam ocorrendo (as centenas de milhares de mortes inúteis, causadas pelo negacionismo e sabotagem com que foi administrada a crise sanitária do coronavírus) e as senhoras Carmody da vida real tenham desempenhado papel semelhante à das telas.

Qualquer semelhança com a regressão civilizatória em curso não é, nem de longe, mera coincidência. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 30 de novembro de 2021

A ESTRELA SOLITÁRIA BRILHA DE NOVO NA DIVISÃO DE ELITE DO FUTEBOL BRASILEIRO

dalton rosado
A RESSURREIÇÃO DO BOTAFOGO
Nasci no Rio Comprido, bairro pobre da zona Norte da Cidade Maravilhosa, e lá vivi a primeira infância.

O Rio de Janeiro era a cidade cultural do país e sede do Governo Federal nos anos 50, os chamados anos dourados do pós-guerra. Minha mãe, uma nordestina arretada, falava do Rio como quem fala do paraíso. 

Naquele tempo a maior malandragem era vender o Pão de Açúcar com bondinho e tudo aos caipiras ricos que vinham conhecer a capital federal.

Pré-adolescência em Belo Horizonte e adolescência em Mossoró, Rio Grande do Norte, terra da minha mãe (dos 10 aos 20 anos).
Meu pai era mineiro de Mariana e eu moro há 51 anos em Fortaleza, cidade que me acolheu e na qual construí minha história pessoal já longeva. Sou a síntese da brasilidade de que falou Chico Buarque numa de suas belas canções. 

Aprendi a gostar do Botafogo ainda na adolescência. Eis os ingredientes que me faziam admirá-lo:
— não era um time da elite carioca, nem estava entre os mais ricos; 
— não possuía a maior torcida, mas era muito teimoso no enfrentamento dos poderosos Flamengo, Fluminense e Vasco. 

Sempre tive a mania de ficar do lado dos aparentemente mais fracos e o Botafogo era o mais modesto dentre os quatro maiorais em termos financeiros. 

O Fluminense era o clube da fina flor da sociedade carioca, muito refinado para o meu coração plebeu. Dizem que por lá, após uma derrota, os torcedores ricos iam dançar valsas e polcas e comer quitutes nas Laranjeiras. O apelido de pó de arroz vem daí. 

Acho que o Vasco, por ser o time que mais cedo aceitou jogadores de ascendência africana em seu elenco. seria o segundo na minha simpatia. 
O ataque demolidor de 1962, da esq. p/ a dir.:
Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha e Zagallo.
Mas, era impossível eu não gostar daquele time de 1962 (quando eu tinha 12 anos): 
— cuja linha era composta por Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalo;
— que na defesa tinha a enciclopédia do futebol que atendia pelo nome de Nilton Santos; 
— e que no contava com a coragem de Manga, o goleiro que defendia os arremates pegando a bola com uma única mão. 

Este último,  grande pernambucano que depois foi campeão brasileiro e brilhou mundo afora, ficou marcado por, como reserva de Gylmar dos Santos Neves na Copa do Mundo de 1966, ter sido o titular logo na partida das oitavas de final que decidiria a vaga (Gylmar atuara na vitória contra a Bulgária e na derrota diante da Hungria). Manga e todo o escrete jogaram mal e os portugueses nos despacharam para casa: 3x1.  

Os embates na década de 1960 com o Santos de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, que juntos formavam o ataque da seleção brasileira de então, ficaram na memória futebolística brasileira como espetáculos de rara arte e alegria. Pelé como o rei e Garrincha como a alegria do povo.  

Mesmo antes de ver quatro de seus jogadores se tornarem campeões mundiais nas copas de 1958 e 1962, o Botafogo já tinha história. 
Manga, hoje com 84 anos, foi o primeiro ex-jogador aceito
no Retiro dos Artistas do RJ, para veteranos empobrecidos
 

Fora tetracampeão do Rio de Janeiro de 1932 a 1935, com um time que tinha o brilhante Carvalho Leite e Patesko. 
Depois veio Heleno de Freitas, um fenômeno de elegância e categoria, bem como Paulo Valentim, da estirpe dos craques brasileiros que logo se situariam entre os melhores do mundo. 

[Só que ainda não sabíamos disso e sofríamos com o complexo de vira-latas, expressão cunhada por Nelson Rodrigues e sua sensibilidade arguta.]

Pelé e Garrincha em 1958, com o esquete de ouro, nos colocou no patamar que deveríamos estar perante o mundo (bola para isto já tínhamos há muito tempo). 

Uma nova leva de craques surgiu no final dos anos 60: Jairzinho, Gerson, Rivellino, Rogério, Zequinha, Paulo César Caju. 

[Foi este último que o carrasco Médici quis vetar ainda nas eliminatórias do Mundial Fifa de 1970, talvez porque o apelido caju se devesse à sua admiração pelos panteras negras, movimento revolucionário estadunidense, que o fez tingir seu cabelo de vermelho, algo inusitado na época.

João Saldanha, botafoguense de quatro costados e simpatizante comunista, ousou mantê-lo no escrete, dizendo que não dava palpite quando o presidente escalava seus ministros nem aceitava palpite ao escalar seus jogadores; e que o Paulo César Lima poderia não servir como genro, mas serviria para trazermos definitivamente a Jules Rimet (taça que, adiante, vergonhosamente deixaríamos larápios furtarem da sede da CBF).]  
Na sua última grande exibição pelo Botafogo, em 15/12/1962, Garrincha
foi o herói da decisão carioca: marcou 2 gols e de um centro seu saiu o 3º
Muitos outros sequenciaram a galeria de craques do Botafogo como o prezado amigo Afonsinho, Valtencir, Marinho Chagas, Mendonça, Donizeth Pantera, Túlio Maravilha, Leônidas, Gonçalves, Maurício, etc., etc., etc.  

O Botafogo sempre foi celeiro das vitoriosas seleções brasileiras e alguma coisa me diz que voltaremos a ganhar quando o Botafogo novamente forjar grandes craques nas suas fileiras. 

Ressurgimos das cinzas e o botafogo está embalado, viu? (por Dalton Rosado)
Homenagem ao título do glorioso, com letra e música do Dalton

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

APÓS 3 ANOS DESTRUINDO O PAÍS, O BOZO EXULTA: OS BRASILEIROS DEIXARAM DE SER VERMELHOS! AGORA ESTÃO ROXOS DE FOME

leonardo sakamoto
BOLSONARO QUERIA O BRASIL COMO ERA
50 ANOS ATRÁS. COM A FOME, CONSEGUIU
"O pão de cada dia quem me dá é o lixo. Todo dia, meus filhos e eu vamos para o lixo para comer. Quando o caminhão chega, a gente tem que ser muito ligeira para pegar." 

A declaração é de uma mulher que disputava restos de alimentos em um caminhão de lixo em Fortaleza – cena que viralizou pelas redes, tornando-se representativa deste momento do país. 

Não foi a única. Noutro caso, um caminhão que transportava restos de carne e ossos era disputado por famílias no Rio de Janeiro. O motorista afirmou ao jornal Extra que, antes, as pessoas buscavam os ossos para os cachorros, mas hoje pedem para si. 

Na mesma época em que essas imagens provocavam indignação, no início de outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento soltava a previsão de que o Brasil deve ter uma safra recorde de grãos no período 2021/2022, com 288,61 milhões de toneladas – um aumento de 14,2% em relação ao ciclo anterior. 
A economia brasileira, uma plataforma de exportação de
commodities, é pensada para abastecer o mundo, mas não a nossa própria despensa. Vale lembrar isto, quando tentarem te convencer de que o problema não é a desigualdade social, mas apenas a pobreza. 

De acordo com pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, 19,1 milhões passaram fome num universo de 116,8 milhões que não tiveram acesso pleno e permanente à comida no final de 2020. Os famintos eram 9% da população, a maior taxa desde 2004. 

Os números, claro, já estão desatualizados e a fome cresceu por conta da política adotada pelo presidente Jair Bolsonaro na pandemia – apesar de seus seguidores mais fiéis culparem pelo caos as medidas que salvaram vidas da covid-19. 

Caso ele não tivesse sabotado as medidas de isolamento social, nem combatido o uso de máscaras, muito menos promovido remédios inúteis para a covid-19, como a cloroquina, a pandemia teria sido mais curta e a economia voltado ao normal antes, com menos mortos e menos fome. O Brasil registrou mais de 614 mil óbitos pela doença até agora. 

Para piorar, no momento em que a crise apertou, Bolsonaro suspendeu o auxílio emergencial que estava sendo pago a pobres sem emprego no começo deste ano durante 96 dias. E só o retomou após grande pressão social, com valores insuficientes para comprar 25% da cesta básica de alimentos em grandes cidades do país. 

Enquanto isso, o dólar disparava frente à moeda brasileira devido à instabilidade criada pelo próprio presidente, que ameaçava um golpe de Estado, e pela falta de projeto de seu governo para a economia. O dólar mais alto impactou no preço do petróleo e, portanto, do gás de cozinha e dos combustíveis e, por conseguinte, na inflação no preço dos alimentos. 

Durante a campanha eleitoral, em outubro de 2018, Jair Bolsonaro afirmou, em entrevista à Rádio Jornal de Barretos que o objetivo de seu governo era fazer "o Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos atrás". 

Em termos da fome, ele conseguiu. É novembro de 2021, mas parece a luta contra a carestia do início dos anos 1970, escondida pela ditadura militar. 

Em muitos lugares, tudo isso geraria uma convulsão social. No Brasil, contudo, o sistema é desenhado para a contenção. 

Após ter sido presa por furtar dois pacotes de macarrão instantâneo, dois refrigerantes e um suco em pó, no dia 29 de setembro num supermercado de São Paulo, uma mulher teve seu pedido de liberdade negado duas vezes pela Justiça. Mãe de cinco filhos, desempregada, morando com a família na rua, ela disse que roubou por fome. 

Mas como não era o primeiro crime que havia cometido, os juízes não queriam soltá-la. Foi necessária uma comoção nacional e uma decisão de uma alta corte para que fosse liberada. Seu roubo havia custado R$ 21,69. Parte do Brasil convive bem com a fome dos outros, desde que ela não faça barulho.
 
Em tempo: Nessas horas, lembro-me de uma citação atribuída ao já falecido Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, que lutou contra a ditadura e esteve sempre ao lado dos mais pobres: 
"Se falo dos famintos, todos me chamam de cristão, mas se falo das causas da fome, me chamam de comunista"
Denunciar a fome que brota da incompetência do governo voltou a ser coisa de comunista na boca dos fãs do presidente. (por Leonardo Sakamoto)
TOQUE DO EDITOR  Neste exato instante, a manchete do UOL é sobre coitadezas que desmaiam de fome nas filas de postos de saúde de São Paulo, a cidade brasileira que ocupa o 10º lugar dentre as mais ricas do mundo inteiro. 

Já no primeiro semestre eu alertava a esquerda institucional de que seu desinteresse (para não dizer ojeriza) pelo impeachment do genocida, baseado no cálculo mesquinho de que será o candidato mais fácil de derrotar no 2º turno da eleição presidencial de 2022, poderá vir a ser um tiro pela culatra: o Brasil caminha a passos largos para uma convulsão social de consequências imprevisíveis.

Convulsão que, tudo leva a crer, vai chegar antes do pleito e poderá mandar o calendário eleitoral pelos ares. A contagem regressiva está em curso. (CL)

domingo, 28 de novembro de 2021

O OLAVO DE CARVALHO ENTENDE QUE, PARA ESCAPAR DA POLÍCIA FEDERAL, A FILOSOFIA NÃO É TÃO EFICAZ...

Piores são os fracos que, na hora H, não
se mostram à altura de suas bravatas...
 
F
édon(*): Como estais, mestre?
Olavo: Muito doente, como sabeis, meu bom Fédon.
Fédon: É verdade que estais a pensar em tomar uma decisão drástica para evitar depor no inquérito que procura apurar a existência de uma milícia digital que tem como objetivo desacreditar a democracia e as instituições?
Olavo: É bem certo, Fédon. Fui intimado pela Polícia Federal, mas não tenciono comparecer.
Fédon: Tenho receio do que podereis fazer, mestre. Ireis beber cicuta, para libertar a alma do corpo?
Olavo: Não. Que ideia. Vira essa boca para lá, Fédon. Vou libertar o corpo do Brasil e a alma vai junto.
Fédon: Admirável. Como se dará essa extraordinária evasão, mestre? Por meio da filosofia?
Olavo: Não. Por meio de um carro que me levará ao Paraguai sem passar pela imigração e depois pegando um avião para Miami. A filosofia, neste caso, não seria tão eficaz.
Fédon: Ainda assim, denoto nessa atitude a influência do pensamento de filósofos como Descartes, Derrida e Sartre.
Olavo: Por que esses?
Fédon: Porque ireis sair à francesa.
Olavo: Ah. É verdade. Bem visto, Fédon.
Fédon: Não estais demasiado doente para fazer uma viagem de carro até ao Paraguai?
Olavo: Não. Estou demasiado doente para depor no inquérito. Para fazer viagens de carro de 18 horas estou bom. Não entendeis nada de saúde, Fédon.
Fédon: Tendes uma doença muito estranha, mestre. São as piores. Estou preocupado.
Olavo: Não há razão para preocupações, Fédon. Quando eu estiver na minha casa, nos Estados Unidos, poderemos continuar as nossas conversas por videoconferência.
Fédon: Ainda bem, mestre. Gostaria de aprofundar a sua teoria sobre a imortalidade da alma, que considero muito interessante. Afirmais que as nossas almas já existiam, antes de incarnarem em forma humana, e já eram dotadas de entendimento. É esse, se bem percebi, o conceito de reminiscência. Mas, após a morte do corpo, para onde vai a alma?
O
lavo
: Confesso que não sei, Fédon. Eu digo muitas coisas. Na verdade, no que toca a este tema do corpo e da alma, não posso fazer mais do que especular. O meu corpo funciona cada vez pior —e, como sabeis, já vendi a minha alma há muitos anos. (por Ricardo Araújo Pereira, humorista, autor do livro "Boca do Inferno")
* Nos Diálogos de Platão, Fédon de Elis é o aluno de Sócrates que relata para um discípulo de Pitágoras o que o mestre ensinou no seu derradeiro diálogo, antes da consumação do suicídio. 
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