sábado, 14 de fevereiro de 2026

20 FRASES FUNDAMENTAIS PARA QUEM PRETENDE MUDAR O MUNDO

"Ser governado é ser guardado à vista inspecionado, espionado, dirigido, legisferado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude.

Ser governado é ser, em cada operação, em cada transação, em cada movimento, notado, registrado, arrolado, tarifado, timbrado, medido, taxado, patenteado, licenciado, autorizado, apostilado, admoestado, estorvado, emendado, endireitado, corrigido.

É, sob pretexto de utilidade pública e em nome do interesse geral, ser pedido emprestado, adestrado, espoliado, explorado, monopolizado, concussionado, pressionado, mistificado, roubado.

Depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, perseguido, injuriado, espancado, desarmado, estrangulado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar nada, ridicularizado, zombado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral!

E dizer que há entre nós democratas que pretendem que o governo prevaleça; socialistas que sustentam esta ignomínia em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade; proletários que admitem sua candidatura à presidência! Hipocrisia!" (PIERRE-JOSEPH PROUDHON).


"Onde quer que tenha chegado ao poder, a burguesia destruiu todas as relações feudais, patriarcais e idílicas. Dilacerou impiedosamente os variegados laços feudais que ligavam o ser humano a seus superiores naturais, e não deixou subsistir entre homem e homem outro vínculo que não o interesse nu e cru, o insensível pagamento em dinheiro.

Afogou nas águas gélidas do calculo egoísta os sagrados frêmitos da exaltação religiosa, do entusiasmo cavalheiresco e do sentimentalismo pequeno-burguês. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e no lugar das inúmeras liberdades já reconhecidas e duramente conquistadas colocou unicamente a liberdade de comércio sem escrúpulos.

Numa palavra, no lugar da exploração mascarada por ilusões políticas e religiosas ela colocou um exploração aberta, despudorada, direta e árida" (KARL MARX e FRIEDRICH ENGELS)
.
"Aquele que botar as mão sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo" (Proudhon)

"Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo, de diversas maneiras. Chegou a hora de transformá-lo" (Marx e Engels)

"Se o capitalismo é incapaz de satisfazer as reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, então que morra!" (LEON TROTSKY)

"A propriedade é o roubo" (Proudhon)

"De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades"(Marx e Engels)

"O primeiro homem que inventou de cercar uma parcela de terra e dizer 'isto é meu', e encontrou gente suficientemente ingênua para acreditar nisso, foi o autêntico fundador da sociedade civil. De quantos crimes, guerras, assassínios, desgraças e horrores teria livrado a humanidade se aquele, arrancando as cercas, tivesse gritado: Não, impostor!" (Jean-Jacques Rousseau)

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempos de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar" (BERTOLD BRECHT)

"A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo" (Marx)

"Imagine que não há países; não é difícil. Nenhum motivo para matar ou morrer e nenhuma religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo será um só" (JOHN LENNON)

"Que meu país morra por mim" (JAMES JOYCE)

"A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos" (Marx)

"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados"  (CHE GUEVARA)

"Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti"(JOHN DONNE)

"Gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente"(GERALDO VANDRÉ)

"Pereça a pátria e salve-se a  humanidade"(Proudhon)

"Oh, Deus, por que me abandonaste? Porque eu não existo!" (JEAN-LUC GODARD)

"
Se guardo a impossível salvação na loja de retalhos, o que resta? 

Todo um homem, feito de todos os homens, que os vale todos e a quem vale não importa quem" (JEAN-PAUL SARTRE)

"O velho mundo está morrendo e o novo mundo luta para nascer: agora é o tempo dos monstros" (ANTONIO GRAMSCI)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

PRIMEIRO MANDAMENTO DE UM VERDADEIRO ESQUERDISTA: JAMAIS RASGAR SEDA PARA ESTADOS POLICIAIS!

Um dos panfletos mais influentes produzidos pela humanidade em todos os tempos, o Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels em 1848, começa destacando esta verdade que vem sendo comprovada ao longo dos séculos:

"A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada. 
Tal guerra termina sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito".
A luta de classes conduziria, segundo Marx e Engels, ao momento em que a classe explorada (o proletariado), ao pôr fim à dominação que lhe impunha a classe exploradora (a burguesa), já não teria sob si uma nova classe explorada em gestação, pronta para substitui-la. 

Dito de outra forma, os proletários seriam os últimos explorados e, ao se libertarem, libertariam a humanidade inteira. 

A própria sociedade dividida em classes deixaria de existir, dando lugar a uma sociedade sem exploradores nem explorados, na qual todos os cidadãos colaborariam solidariamente para o bem comum e passariam a dividir de maneira mais equânime os frutos do trabalho das gentes. 
Até quando  durará a idolatria ao deus dinheiro?

Cada ser humano ofereceria a contribuição de que fosse capaz de dar para a coletividade e receberia da coletividade aquilo de que necessitasse para uma existência plena e gratificante. 

Ou seja, adeus guerra ininterrupta! Não mais as disputas canibalescas por privilégios diferenciados, mas sim o aproveitamento ótimo do potencial ora existente de produção em grande quantidade de tudo que os homens carecem para uma sobrevivência digna!


De quebra, a produção coletiva supriria integralmente tudo de que os seres humanos carecem para sua bem-aventurança, com, ademais, a vantagem de uma redução cada vez maior do número de horas trabalhadas para que cada cidadão cumprisse sua parte no esforço coletivo.

Livres do tacão da necessidade, todos teríamos tempo livre para sonharmos e tentarmos viabilizar nossos sonhos. O ponto de chegada da construção de uma nova sociedade, essencialmente humana, assim foi expresso no jargão marxista: de cada um, de acordo com sua possibilidade, a cada um, de acordo com sua necessidade.

Algo assim, entretanto, só funcionaria se envolvesse todos os humanos. Havendo diferenças significativas entre os benefícios disponibilizados .para cada contingente, voltariam as disputas, as guerras, as fronteiras, os exércitos, etc. Os mais fortes tornariam a levar vantagem sobre os mais fracos e a humanidade não sairia de sua pré-História.
Até Goebbels teria vergonha disto

Tal pesadelo começou a tornar-se realidade exatamente quando foi bem-sucedida a primeira de todas as revoluções socialistas, em 1917. 

A então URSS teve de assegurar a própria sobrevivência física, caso contrário seus sonhos morreriam juntamente com ela, esmagados por inimigos decididos a tomar-lhe pela força o que possuísse de valor.

E, ao defender suas conquistas como mera nação, não como coletividade humana, foi obrigada a transferir para médio ou longo prazo a tentativa de construção da sociedade ideal, contentando-se com forjar apenas a sociedade mais avançada ao seu alcance naquele momento histórico.

Assim voltaram, um a um, todos os horrores dos quais ela havia se livrado. 

E, por ser um país com desenvolvimento econômico tardio se comparado com as grandes nações europeias e os EUA, teve de efetuar enorme esforço para, antes de mais nada, alcançar o estágio de crescimento de seus adversários capitalistas. 

Mais: já prevendo um enfrentamento nos campos de batalha com a poderosa Alemanha nazista, os soviéticos tiveram não só de desenvolver sua economia a todo vapor, queimando etapas, como também de obter os resultados desejáveis o quanto antes, para aguentar o tranco quando chegasse a guerra anunciada.

Após tudo que os trabalhadores russos haviam suportado desde a desastrosa participação na 1ª guerra mundial, passando pela primeira revolução socialista da História, pelo enfrentamento da devastação e da miséria legadas pelo czarismo e pela resistência a uma formidável aliança contra si de muitos inimigos externos e internos, só mesmo um Estado policial conseguiria arrancar deles os descomunais esforços necessários para reduzir seu atraso material com relação à Alemanha. 

Vale acrescentar a grande fome na Ucrânia entre 1932 e 1933, cujas vítimas fatais teriam sido 3,4 milhões (!) de camponeses. O regime soviético destinava muitos recursos à implantação de sua infra-estrutura de nação moderna e faltavam-lhe produtos industrializados para compensar a população rural pela cessão de suas colheitas.
Crianças ucranianas x grande fome

A solução encontrada por Stalin foi tomar na marra essas colheitas, por meio de um dos piores terrorismos de estado já vistos pela humanidade.

Outro motivo dos massacres foi dissuadir os ucranianos de continuarem mantendo suas pequenas plantações, que Stalin queria ver substituídas por fazendas coletivos

O certo é que o estado policial se fez, e seu nome era stalinismo.

Confirmava-se integralmente a profecia de Marx: só os países  mais avançados em termos econômicos estavam prontos para a construção do socialismo. Os outros teriam, antes disto, de reduzirem pouco a pouco sua inferioridade em estágio de desenvolvimento.

Foi uma das grandes tragédia do século 20: a descaracterização das nações que tentaram construir o socialismo apesar da precariedade e do atraso. 

Quanto muito chegaram até o capitalismo, sendo, ainda, seus dramas explorados ad nauseam pela indústria cultural para predispor o resto da humanidade contra a esquerda, como se o  socialismo num só país fosse a nova realidade sonhada por Marx e Engels e não o seu contrário.  

Todas essas experiências históricas acabaram degenerando em nomenklaturas, sociedades nas quais subsistia (às vezes até ampliada) a desigualdade econômica, e tendo como segmento mais influente não uma classe, mas sim uma casta. 

No caso da antiga União Soviética tal papel cabia aos membros destacados do Partido Comunista, enquanto na Venezuela quem até recentemente mandava eram altos comandantes militares. O povo apanhava e obedecia.
Lênin criou o bolchevismo; Trotsky o levou à vitória. 

A profecia sobre o substituísmo, de autoria do jovem Trotsky, cumpriu-se: primeiramente, o Partido Comunista substituiu o proletariado; depois, o Comitê Central substituiu o Partido Comunista; finalmente, um tirano substituiu o Comitê Central.

O tirano primeiro foi Stalin, e seus simulacros não passam de filhotes: mantêm os compatriotas na penúria ou obrigados a vazarem para construir uma vida melhor no exílio, enquanto eles próprios se locupletam com poder e luxo dignos de nababos.

A
liás, foi Trotsky quem, pesaroso, reconheceu  que, se o stalinismo havia engendrado uma casta dominante, a qual só se diferenciava da antiga classe dominante pelo fato de que a situação favorecida não se baseava na posse de bens e riquezas, mas sim no posto funcional dos membros da nova elite (não sendo, portanto, transmissível por herança), far-se-ia necessária uma nova revolução para resgatar as promessas originais do socialismo: uma revolução dos novos explorados contra a nomenklatura opressora.

Isto implicava que a tarefa à qual Trotsky dedicara toda sua vida adulta não fora cumprida e a faina deveria ser praticamente recomeçada do zero. Mas, ele era suficientemente honesto para admitir uma verdade tão dolorosa. 

Já os pseudo-herdeiros do marxismo não têm nem a mesma honestidade intelectual, muito menos o mesmo espírito igualitário. Preferem vender uma caricatura de revolução para o mundo como se fosse a verdadeira revolução. 
O poder não só envelhece, como também envilece. 
De um lado estão os que fazem um capitalismo ligeiramente atenuado em seus malefícios e destrutividade passar por algo próximo dos ideais esquerdistas (ele tem a ver, isto sim, com o reformismo de Edouard Bernstein, que a Rosa Luxemburgo reduziu a pó de traque no seu clássico Reforma ou Revolução).

Do outro, cruéis nomenklaturas que criam confusão utilizando falaciosamente uma retórica esquerdista para parecer aparentada com o socialismo marxista, o qual, contudo, era eminentemente libertário e se propunha a conduzir a humanidade para um estágio superior de civilização, não para as trevas do passado. 

Erram terrivelmente os  companheiros que abandonaram o marxismo e o anarquismo para assumirem grotescas visões geopolíticas, daí estarem agora defendendo até mostrengos medievais como o regime iraniano. Eles só nos envergonham e desencaminham a luta dos explorados. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

REPRIMIDOS PELA DITADURA TEOCRÁTICA, OS CINEASTAS IRANIANOS RESISTEM!

"
Me mandaram uma carta
pelo correio da manhã
e nessa carta me dizem 
que foi preso meu irmão
e sem compaixão, com grilhões,
pelas ruas o arrastaram, sim!

A carta disse o delito
que Roberto cometeu:
haver apoiado a paralisação
que já  havia terminado.
Se esse é um motivo, 
presa vou também, sargento, sim!"
(Violeta Parra, A Carta)
Foi preso em Teerã o cineasta Mehdi Mahmoudian, militante pelos direitos humanos e coautor do roteiro do filme iraniano Foi Apenas um Acidente, Palma de Ouro em Cannes, inspirado nos seus anos de prisão. 

Motivo da detenção: ter assinado um manifesto contra o ditador Ali Khamenei, o chamado líder supremo da ditadura teocrática iraniana.

Isso não é novidade no Irã: o diretor desse mesmo filme, Jafar Panahi, já passou um longo período na prisão e, se retornar ao Irã, terá de cumprir pena de um ano de prisão.

O Irã acaba de viver uma revolta popular, na qual foram presas 40 mil pessoas e executadas de 20 a 30 mil, por terem se manifestado nas ruas, que se tingiram de sangue. Foram dias de repressão extremada, durante os quais até quem tentasse ajudar os feridos era aprisionado.

Revolta popular, censura de filmes, prisão de artistas nos lembram os anos negros da nossa ditadura militar, na qual houve violência e mortes contra os opositores.
Mehdi Mahmoudian, alvo da repressão teocrática.

Aqui não ocorreram, contudo, tantos óbitos quanto os lá registrados nestas últimas semanas, em razão da atuação bestial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, que é como  o regime denomina sua polícia.

A ditadura iraniana foi criada em 1979 pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, tendo depois se transformado numa teocracia sanguinária.

Faz alguns dias, a União Europeia qualificou, de maneira unânime, esses Guardas da Revolução como movimento terrorista.

Interessante lembrar que o filme Foi Apenas um Acidente poderia ser resumido como o rapto e detenção de um importante torturador do regime iraniano por suas vítimas. Como se os brasileiros torturados no Doi-Codi tivessem capturado seu torturador.

[O filme brasileiro Ação Entre Amigos, do Beto Brant, veio bem antes, em 1998, e tem tema similar: quatro ex-militantes sequestram seu torturador de outrora]

Vale acrescentar que existem, dentro da esquerda brasileira, alguns líderes ou guru engolindo a versão da ditadura iraniana, segundo a qual teriam sido agitadores de fora que provocaram o governo; ou, pior, que muitos dos mortos seriam fiéis ao aiatolá, mártires vitimados pelos agitadores.

Enquanto certos canais de esquerda passam o pano no massacre e justificam a reação do aiatolá Ali Khamenei, mesmo que em 1979, como o segundo nome do governo em importância, este haja perseguido e mesmo assassinado comunistas, socialistas e homossexuais.

Nem o líder da esquerda francesa, Jean-Luc Mélenchon, aprova o regime religioso iraniano, qualificando-o de ditadura islâmica e preconizando um governo laico para o país. 
Os ridículos soldadinhos de chumbo da ditadura iraniana

Outra iniquidade é tantos aqui aceitarem, como prova de progresso (!) no Irã, as pressões e encorajamentos  aos trans para submeterem-se à operação para mudar de sexo. Isto para não falarmos da igualmente minimizada situação inferior das mulheres na sociedade iraniana. 

Fica difícil de entender como certos influenciadores ditos progressistas ignoram o papel importante dos cineastas iranianos na denúncia da ditadura religiosa iraniana, sem querer reconhecer a importância de Jafar Panahi, Mohammad Rasoulof ou Keywan Karimi

Causa, ainda, pasmo  haver pessoas de esquerda apoiando uma ditadura religiosa sangrenta contra uma revolta popular! Os defensores da teoria do domínio do fato e os financiadores do terrorismo de estado iraniano não são farinha do mesmo saco?

Eis um trecho do manifesto assinado por Mehdi Mahmoudian e por artistas, logo depois presos:

O assassinato em massa e sistemático de cidadãos que bravamente foram às ruas para pôr fim a um regime ilegítimo constitui um crime de Estado organizado contra a humanidade. 

O uso de munição real contra civis, a morte de dezenas de milhares, a prisão e perseguição de dezenas de milhares, a agressão aos feridos, a obstrução do atendimento médico e o assassinato de manifestantes feridos representam nada menos que um ataque à segurança nacional do Irã e uma traição ao país.                          .         
                               (por Rui Martins)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O CENTRÃO JÁ ESTUDA FÓRMULAS PARA TOMAR DOS TRABALHADORES O QUE ELES POSSAM GANHAR COM O FIM DA ESCALA 6x1

Em países que não estão na idade da pedra, as jornadas de trabalho são de 35 a 40 horas semanais (Alemanha), 35 horas (França), médias próximas a 32 horas (Canadá e Austrália) e média de 36,6 horas (Japão).

Já a semana de 4 dias foi assumida pela Islândia a partir de testes efetuados entre 2015 e 2019, com 90% dos trabalhadores hoje se beneficiando de jornadas reduzidas; a Bélgica foi a primeira nação a institucionalizar a opção de 4 dias, em 2022; na Alemanha, 73% das empresas já optaram pela jornada de 4 dias. 

Escócia, Espanha, Nova Zelândia e Reino Unido desenvolvem projetos pilotos visando à redução da jornada; e até no Brasil, que Torquato Neto definiu com um estribilho antológico (Aqui é o fim do mundo), algumas empresas já realizam projetos pilotos para se direcionarem à jornada de 4 dias. 

Como era de esperar-se, contudo, o fim da jornada 6x1 é mal visto pela parte mais retrógrada do empresariado, mas a Câmara e o Senado dificilmente ousarão flertar com retrocesso num ano eleitoral. Afinal, a prioridade máxima de deputados e senadores é sempre a reeleição, todo o resto vem depois.
No centrão há quem defenda que a jornada de cinco dias totalize 44 horas semanais. 

Pretexto: não aumentar o custo Brasil. Só que, nos países que estão atendendo os reclamos dos trabalhadores, houve ganho de produtividade, maior do que qualquer prejuízo 

O ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) bate pesado nos recalcitrantes:
É claro que haverá oposição no Congresso, mas restrita à extrema-direita. Quem se opuser à redução da escala terá que prestar contas nas urnas em outubro.

Os setores empresariais contrÁRIOS Aos direitos dos trabalhadores repetem os mesmos argumentos surrados desde a abolição da escravidão, passando pela criação da CLT, 13º salário, férias etc.

Evidentemente, o capitalismo não se redime cada vez que cede algumas migalhas do seu banquete para quem lhe garante toda a riqueza da qual desfruta. Mas, os trabalhadores ainda não sentem-se prontos para irem buscar tudo que lhes é negado. É pena.
Como não rezo pela cartilha do quanto pior, melhor, estou ao lado deles nesta pendenga. Que tenham um pouco mais de tempo para curtir o que a vida pode lhes oferecer. Espero que o utilizem bem, não o vendendo de volta para os patrões.  

os privilégios e a DESIGUALDADE
De resto, quando comecei a trabalhar em 1973, a jornada já era de 40 horas semanais nas empresas de comunicação empresarial, 

Mais tarde, nas grandes redações, já se cumpria o estipulado numa lei de 1969:  5 horas diárias e, num eventual acordo com o patrão, poderia passar a 7 horas, mas remuneradas como se fossem 9 horas (as 2 extras eram pagas em dobro).

Eu me considerava merecedor de tudo que pagavam, até o último centavo; mas detestava que, atuando no setor terciário, desfrutasse de várias vantagens com relação aos trabalhadores rurais e aos operários industriais. Nunca vi motivo para, nem me sentia  feliz sendo, um privilegiado.

Essa desigualdade me incomodava ainda mais porque meu pai, contra-mestre de tecelagem, não só era obrigado a cumprir religiosamente as 48 horas semanais, como tinha de submeter-se à divisão por turmas que prejudicava muito seu sono: numa semana trabalhava das 5 às 13 horas. noutra semana das 13 às 21 horas. (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

INÓCUO SOB O CAPITALISMO, O COMBATE À CORRUPÇÃO É UMA BANDEIRA QUE SEMPRE ALAVANCA O POPULISMO DE DIREITA.

Combater a corrupção no capitalismo = enxugar gelo
O
circo do combate à corrupção  reergueu suas tendas para o espetáculo caso Master, ora em cartaz

Desde já se sabe que os palhaços da política profissional não passarão maus momentos. Os histriões dos principais partidos já teriam até acertado uma trégua entre eles, para evitar que as denúncias mútuas façam mais cabeças rolarem). 

No final, apesar de estar esperneando um bocado, o principal me(r)dalhão punido deverá ser Dias Toffoli, um mero e medíocre lambari, que não deveria nem ter recebido de presente uma cadeira no Supremo Tribunal Federal,

Daí eu estar republicando trechos de um artigo de 2009, quando uma disputa por mercado recebeu inclusive o apoio de partidos de esquerda -- uma vergonha! 

Tenho orgulho da minha atuação na série de escândalos que conseguiram aviltar ainda mais a política brasileira; alertei sempre que eles beneficiariam principalmente a direita. Não fui ouvido, mas meu papel eu cumpri. A omissão e oportunismo de outros companheiros prevaleceu e nosso povo sofreu as consequências. 

O vilão supremo Jair Bolsonaro, inclusive, não chegaria onde chegou se a Operação Lava-Jato não tivesse predisposto eleitores a fazerem a escolha mais funesta de suas vidas. Tento evitar que o desatino se repita.
O powerpoint do Dallagnol, um descalabro da Lava-Jato.
Q
uando, na década retrasada, contingentes da nossa esquerda tomaram partido por uma facção de gangsteres do capitalismo, de preferência à outra que com ela travava uma disputa mafiosa pelo florescente mercado de telecomunicações, fui um dos poucos articulistas a alertar que tal imbróglio não nos dizia respeito e nele não havia ninguém com quem devêssemos nos alinhar. 

De inocente útil chegava o delegado Protógenes Queiroz, o personagem mais badalado da Operação Satiagralha, que tirou as batatas do fogo enquanto um ex-superior hierárquico dele, alinhado com uma das quadrilhas litigantes, evitava queimar os dedos. Detonou sua carreira policial, mas ganhou inesperado prêmio de consolação: uma cadeira na Câmara Federal... pela legenda do PCdoB! 

A tal populismo rasteiro se reduzia um partido que ousou pegar em armas contra a ditadura militar. E não estava sozinho: o Psol também estendeu o tapete vermelho para o ingênuo delegado Brancaleone, que, contudo, o rejeitou.

Foi quando recoloquei em circulação uma conclusão definitiva do Paulo Francis sobre o udenismo e o golpismo de meados do século 20: O combate à corrupção é uma bandeira da direita (mais tarde, cunhei eu também um bordão nessa linha, a corrupção é intrínseca ao capitalismo).

Eis minha argumentação de abril/de 2009): 
Diagnóstico correto. E cuidado, essa doença mata!
...
as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida...

De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.

Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.

Esta deveria, isto sim, demonstrar que o capitalismo em si causa prejuízos imensamente maiores para o cidadão comum do que os desvios de recursos dos cofres públicos; e que a moralização da política não se dará com medidas policiais, mas sim com uma transformação maior da sociedade.

Não o faz. Desatinadamente, algumas de suas tendências reforçaram as denúncias que culminaram no suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e as que deram pretexto à dita redentora de 1964 (que, claro, nada mudaram exceto melhorar a sorte dos beneficiários do butim ou ávidos de poder).

Então, digo e repito: em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere magnificar, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.
Em sua agonia, o capitalismo cada vez mais recorre à força.

A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.

Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém.

E por que a corrupção não pode ser erradicada sob o capitalismo? Porque este coloca como prioridade máxima da existência humana o enriquecimento individual, a vitória na luta de todos contra todos por um lugar ao sol, ainda que pisando no pescoço da mãe para alcançar tal intento, como diria o Brizola.

Se esta é a lógica do sistema, sempre haverá quem busque atalhos para alcançar o objetivo à margem das regras que o próprio sistema estabelece mas manda às favas quando lhe convém. 

A alternância de cruzadas moralizadoras com períodos em que a corrupção corre solta dá a tônica do capitalismo. 

Revolucionários não deveriam jamais vergar-se aos estados de ânimo popular produzidos pela lavagem cerebral permanente do sistema, mas sim esclarecer corajosamente a seus públicos que todas as Lava-Jatos da vida cumprem a mesmíssima função de enxugar gelo.

E, enquanto a ilusão não se desfizer, acarretará golpes de estado, impeachments, vitórias eleitorais de demagogos grotescos e outros desdobramentos nefandos. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

IMAGINE UM DONALD TRUMP DECIDINDO QUEM SOBREVIVE E QUEM MORRE

dalton rosado
A DESESPERANÇA
"...em meio a essa imensa confusão, apenas uma coisa
é clara: estamos esperando a vinda de
Godot" (Samuel Beckett) 
Reina um niilismo passivo diante do fracasso dos ordenamentos políticos.

É uma constatação que se impõe, ainda mais se levarmos em conta o descompasso com o enorme ganho do saber adquirido pela humanidade ao longo do lento processo de apreensão do dito cujo e que, aos poucos,  ganhou celeridade nos últimos 50 anos. Isto se deu, com velocidade extrema, a partir do advento da microeletrônica/cibernética e seu uso em todos os aspectos da vida social.

Certamente que a política, enquanto esfera de apoio jurídico-constitucional de uma ordem econômica escravista estabelecida como forma de relação social funcional a partir de uma lógica contraditória e, portanto, ilógica, tornou-se disfuncional em face dos parâmetros modernos de produção social que lhe são antagônicos.

O trabalho abstrato, fundamento da escravização indireta pelo salário e correspondente extração de mais-valia (que é a base primária de uma economia fundada na forma-valor e que se reproduz cumulativamente, segregando os próprios trabalhadores a partir desse fundamento), tornou-se disfuncional, substituído que está sendo em maior parte pela máquina. 

Como consequência, o edifício da ordem jurídico-constitucional desaba juntamente com a razão de ser de sua existência: o apoio jurídico-constitucional ao capitalismo.    

A política tornou-se disfuncional por invalidez; tornou-se inativa como serva obediente sem soberania de vontade que sempre decidiu em favor do capital porque, com o advento da máquina (trabalho morto), em substituição majoritária do trabalho abstrato (trabalho vivo, assalariado), é o próprio capitalismo que sofre de anemia profunda por esvair-se o sangue que lhe mantem vivo. 

Ou seja, vive o momento da impossibilidade de reprodução aumentada do valor nos níveis necessários por seus próprios fundamentos; assim, a política ficou órfã impotente com a doença terminal do seu amo, o capital.

Este é o ponto fulcral da desesperança, ou niilismo passivo: a espera de um Godot que está morto, qual seja a política.

Como estamos todos acostumados a buscar respostas na institucionalidade política (incapaz de nos oferecer tais respostas), reina a desesperança, que se traduz num niilismo passivo.

Vivemos sob uma forma de relação social destrutiva daquilo que se pode considerar como saudável, seja do ponto de vista da materialização do provimento equânime das necessidades de consumo e demandas sociais básicas, seja do ponto de vista da afirmação das virtudes humanas como tais, ou seja ainda pela questão ecológica.

Além disso, o estágio atual das contradições capitalistas aponta para a destrutibilidade da sua própria forma, traduzida na criação de entraves que impedem a consecução do seu objetivo teleológico: a autorreprodução vazia de sentido humano do capital expresso no dinheiro e das mercadorias sensíveis cujo valor de troca se expressa no tempo-valor.

Ora, com a mecanização preponderante na produção de mercadorias, extingue-se substancialmente o critério de mensuração de trocas destas na guerra concorrencial de mercado de modo a que apenas aqueles grandes conglomerados capitalistas detentores de capacidade de investimento em capital constante em grandes volumes poderão produzir.

É evidente, portanto, que para a sobrevivência desse sistema de verticalização do poder sob critérios de produção controlados pela máquina e seus proprietários, já não será o valor abstrato o critério de mensuração da riqueza, mas a força absolutista político-militar a fornecer um voucher sobrevivência como recentemente propôs Elon Musk. 

Imagine um Donald Trump decidindo quem come e como se obter o alimento? Quem manda e quem obedece?  Quem vive (ou sobrevive) e quem morre?  

É preciso compreender que a máquina e o saber que a criou representam a transição de um modo de produção baseado na força muscular humana para um modo de produção mais confortável e produtivo alterando substancialmente o caráter da sociedade para pior ou para melhor, dependendo do nível de consciência e unidade que os segmentos majoritários da população possam ter sobre seus próprios destinos.

O claro crescimento da direita nos processos eletivos mundo afora, com o surgimento de partidos flagrantemente defensores dos famigerados postulados nazistas deriva da falta de uma proposição de relação social que negue o capitalismo na sua raiz constitutiva: o valor e a dissociação de gênero.

Não há democracia (se se quiser emprestar ao termo uma conotação de livre exercício da soberania da vontade) sob o capital, e não é votando que se rompe com a mesmice, posto que as eleições burguesas mais não são do que um canal de positivação de uma estrutura política de positivação do capital e que somente leva ao descrédito das massas eleitoras diante do fracasso da tentativa bem-intencionada de humanização do capital pelos partidos ditos progressistas.

Então, por que se insistir numa forma jurídico-constitucional-eletiva que comprovadamente é incapaz de prover as demandas sociais de modo equilibrado e aperfeiçoado, e que se deteriora a olhos vistos?

Neste ano de 2026 temos eleições e vai se repetir a polarização entre a direita (que possivelmente virá com uma tentativa de revestir o lobo na pele de um cordeiro) e a social-democracia trabalhista lulista (cujo conteúdo reformista e conciliador propõe a retomada de crescimento econômico, ou seja, mais capitalismo, como forma de crescimento do bolo que possibilite a distribuição de algumas fatias, como queria Delfim Netto nos anos 60).

Mas há alternativa a isso, e passa pela compreensão de que um novo modo de produção requer um novo caráter de sociedade. Podemos conjecturá-la? (por Dalton Rosado)
"Só sinto frio na alma, estou vazio de sentimento.
Não sinto água no corpo, nem amor, nem ferimento"
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