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| Fernando Ruivo, vítima de azar. |
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| Livro que melhor reconstitui queda das áreas guerrilheiras da VPR |
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| Fernando Ruivo, vítima de azar. |
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| Livro que melhor reconstitui queda das áreas guerrilheiras da VPR |
"Tiradentes foi um revolucionário no seu momento como o seria em outros momentos, inclusive no nosso. Pretendia, ainda que romanticamente, a derrubada de um regime de opressão e desejava substitui-lo por outro, mais capaz de promover a felicidade do seu povo.
...No entanto, este comportamento essencial ao herói é esbatido e, em seu lugar, prioritariamente, surge o sofrimento na forca, a aceitação da culpa, a singeleza com que beijava o crucifixo na caminhada pelas ruas com baraço e pregação....
O mito está mistificado.
Brecht cantou: Feliz é o povo que não tem heróis. Concordo. Porém nós não somos um povo feliz. Por isso precisamos de heróis. Precisamos de Tiradentes" (Augusto Boal, Quixotes e Heróis).
| Liberdade, ainda que tardia... Mas a tardança precisava ser de 3 décadas?! |
Bati pesado demais? Não. Aquele show de voyeurismo é uma das atrações mais repulsivas (e lucrativas) da TV brasileira.
Hoje eu poderia acrescentar que o BBB reúne pessoas desumanas a ponto de considerarem mais importante a grana e o holofote do que a morte do pai, pois nem no momento de maior luto desistem de continuar chafurdando na lama daquela pocilga global.
Haverá algum limite para a pequenez dos responsáveis pelo Big Shit Brasil e dos seus participantes? Infelizmente, não. (por Celso Lungaretti).
Não vejo necessidade de expor aqui, mais de meio século depois, a fundamentação econômica de suas teses. Exatamente pela difícil compreensão, não haviam despertado o interesse da grande maioria dos quadros da organização.
O que me pareceu um verdadeiro ovo de Colombo foi sua conclusão. Se não, vejamos.
A esquerda brasileira se dividia de forma exacerbada entre dois segmentos. Um, o que prevalecia acentuadamente antes do golpe de 1964, acreditava na necessidade de uma etapa inicial, democrático-burguesa na nossa revolução, para extirpar resquícios feudais que ainda continuariam existindo no campo.
Como consequência, os camponeses também estariam entre os sujeitos revolucionários e haveria uma burguesia nacional que poderia ser nossa aliada durante tal fase.
O outro, cujos adeptos eram principalmente os esquerdistas empenhados em aprofundar os motivos da derrota infame diante da quartelada castellista, via o Brasil como um país definitivamente capitalista, cuja burguesia se atrelava à sua congênere internacional e cujos sujeitos revolucionários seriam os explorados das cidades e dos campos (os últimos lutando não pela posse individual da terra, mas para dela disporem visando à produção coletiva).
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| Dowbor hoje leciona economia na PUC |
Então, a revolução brasileira só teria alguma chance de êxito se iniciada pelo conjunto de forças de esquerda, cada uma dando a contribuição a seu alcance, até que, ao longo do processo, alguma se afirmasse (ou não) como a principal.
Posso dizer para vocês, companheiros, no meu Brasil nós acabamos de derrotar o extremismo. Nós temos um ex-presidente preso, condenado a 27 anos de cadeia. Nós temos quatro generais de quatro estrelas presos porque tentaram dar um golpe. Mas o extremismo não acabou. Ele continua vivo e vai disputar a eleição outra vez.
Entrei pela avenida 13 de maio e, no cruzamento com a rua Jaime Benevolo, estava uma casa branca de esquina, bem pintada e cuidada, simples e bela como são as coisas sem ostentação e com grande significado.
Nela havia uma placa de advogado que atendia na residência.
Eu, como legítimo rapaz latino americano, sem dinheiro no banco e vindo do interior para cursar a Faculdade de Direito, pensei com meus botões: se conseguir como advogado ter uma casa como essa já estará muito bom...
Consegui muito mais do que a minha modesta pretensão podia alcançar.
| Clique aqui para ver o vídeo de Vou pra Fortaleza, composta pelo Dalton e cantada por Graça Santos. |
56 anos após, você, como é próprio às mães nordestinas, transformou-se na terceira capital do Brasil (Brasília, como Distrito Federal, não conta) e bairrismo incluso, esse texto é só pra dizer que te amo!
Tal consciência me fez ficar bem mais preocupado com o legado que deixaria para os pósteros, pois não tinha certeza de quanto tempo me restava para produzi-lo, nem sabia se teria condições para reproduzir fielmente o que vivenciara lutando pelos ideais revolucionários.
Talvez haja sido mais eficiente em forjar meu legado na ação concreta do que em colocá-lo na tela e no papel como uma espécie de autobiografia precoce (lembrando o livro de Yevgeny Yevtushenko que tanto me impressionou quando eu ainda era um aprendiz nas lutas sociais). Pois é disto que se trata: dar, ainda vivo, uma interpretação final da minha trajetória no bom combate.
Espero que este balanço da minha jornada sirva da inspiração para os que virão depois, já que é remota a perspectiva de ver em vida germinarem as sementes revolucionárias que plantei.
Tudo começou na virada de 1967 para 1968, quando, depois de uns poucos dias de imersão, junto com outros recrutas, nas obras dos papas do marxismo (bem no estilo do filme A Chinesa, do Godard), decidi dedicar a minha vida à revolução.
Mal acabara de completar 18 anos, portanto poderia estar apenas lançando palavras ao vento. Mas, no meu íntimo, já a considerava uma missão para a vida inteira.
| Colegas no primário e depois companheiros de militância |
A coisa começou a mudar de figura com o AI-5, que marcou a transição da ditadura militar para o terrorismo de estado pleno, tornando a militância revolucionária quase kamikaze. Não ignorávamos os riscos que correríamos com a radicalização repressiva e, mesmo assim, os oito líderes da Frente Estudantil Secundarista na zona leste paulistana optamos por seguir adiante.
Aí sim se estabeleceu uma diferenciação, pois muito maior foi o número dos passeateiros que se omitiram quando a radicalização ditatorial deu um salto qualitativo com a assinatura do AI-5, preferindo não encarar o combate nas trevas.
Nosso grupo de jovens (o mais novo com 17 anos e o mais velho com 21) preferiu os perigos bem maiores que passaram a existir para quem estava na linha de frente, descartando a autopreservação pusilânime. As mortes de dois dos nossos, Eremias Delizoicov e Gerson Theodoro de Oliveira, foram um dos preços que pagamos por nosso destemor. A prisão e as torturas que cinco de nós sofremos, outro.
Tereza Ângelo foi poupada de ambas, mas mesmo assim se tornou paranoica, imaginando estar sendo perseguida pela repressão mesmo após o fim da ditadura. Não foi por pouca coi: teve seu companheiro e seu irmão assassinados pelos exterminadores do regime.
Mal acabávamos de ser admitidos na Vanguarda Popular Revolucionária, em abril de 1969, fui surpreendido pela surpreendente designação para criar um setor de Inteligência em São Paulo, ou seja, fui alçado de imediato ao segundo escalão da VPR. Acima, só estava o Comando Nacional.
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| Gerson morreu baleado na rua |
Os acasos, no entanto, me projetaram muito acima do que eu pudesse imaginar ou, mesmo, quisesse. Começando por ter alugado um apartamento em parceria com outro comandante estadual, José Raimundo da Costa, pelos prosaicos motivos de que a grana estava curta para nós ambos e meu nome real poderia ser usado no contrato de locação, pois ainda não caíra.
A convivência com o Moisés (seu codinome), remanescente das escaramuças da marujada contra a direita golpista no pré-1964. me permitiu tomar rapidamente conhecimento da história da VPR e de suas lutas internas.
Ele tinha na ponta da língua cada detalhe e eu sede de conhecer o passado da organização. Também me interessavam muito os acontecimentos do período em que a esquerda deixara a épica vitória de 1961 se transformar na derrota sem luta de 1964.
Graças ao Moisés, fiquei conhecendo a encarniçada disputa de poder interno ao longo de 1968, entre as chamadas tendências militarista e massista, a primeira priorizando as ações armadas contra a ditadura e a segunda insistindo na manutenção de vínculos orgânicos com os movimentos de massa.
O acerto de contas acabou ocorrendo no início de 1969, paralelamente à pior crise de segurança até então enfrentada pela VPR, com quedas de alguns de seus quadros mais importantes.
Houve, em seguida, um congresso na praieira Mongaguá, para colocar a casa em ordem. Foi quando Carlos Lamarca se tornou o líder explícito da organização. E eu, que deveria apenas presenciar as discussões como convidado, acabei tendo o mesmo direito de palavra dos 12 participantes.
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| O Moisés foi executado na Casa da Morte de Petrópolis |
Democracia e república escondem no seu mais recôndito interior uma verdade que agora vem à tona deixando atônitos seus empedernidos defensores.
Elas são o sustentáculo de uma ordem social fetichista, injusta na sua essência constitutiva, economicamente segregacionista, sexualmente dissociada, etnicamente racista, humanamente xenófoba, politicamente nacionalista, e que, portanto, são antidemocráticas e anti-republicanas, se quisermos dar aos dois termos um sentido de busca do ideal de justiça.
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| Capa histórica do JT |
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| A dupla funcionou bem nos contra-ataques |
| Assista aqui ao melhor de Brasil 0(3) x Itália (02) |