quinta-feira, 9 de abril de 2026
O QUE É PIOR, A NEGLIGÊNCIA HOSPITALAR OU O FANATISMO DE MADAMES?
terça-feira, 7 de abril de 2026
O EXTERMINADOR DO PRESENTE PROMETE LIBERAR 'TODO O INFERNO' CONTRA O IRÃ E DIZ QUE UMA CIVILIZAÇÃO MORRERÁ HOJE
Uma civilização inteira morrerá nesta noite, para nunca mais ser ressuscitada.
Nos dois casos, ele segue fielmente as pegadas do exterminador alemão.
segunda-feira, 6 de abril de 2026
ATÉ QUANDO O ESTADÃO CONTINUARÁ DANDO DESTAQUE EXAGERADO AO FACTOIDE DO BANCO MASTER?
| Motoristas que trafegam pela avenida Tiradentes já estão acostumados a esta vista da sede da Rota |
Estava cobrindo férias de um colega no mesmo Estadão e, naquele momento, precisava muito ser efetivado.
Aí fui reportar uma manifestação de preservadores do patrimônio histórico no Jardim da Luz (o mais antigo desses espaços públicos na cidade de São Paulo, tendo sido aberto à população em 1825, inicialmente como jardim botânico).
É que o secretário municipal de Cultura, Jorge da Cunha Lima, tinha lançado um programa de revitalização da região, o Luz Cultural. E havia ordenado a demolição de uma torre que, durante uma das badernas militares da década de 1920, havia sido atingida por tiros de canhão e guardava as marcas de tais canhonaços.
Uma entidade de moradores da região fez uma barreira humana para impedir a continuidade dos trabalhos e eu, considerando válida sua argumentação, preparei uma notícia de rotina sobre a ocorrência. Mas ela repercutiu mais do que se esperava e o jornal me designou para fazer suítes (continuações) diárias.
| Eis a torre da discórdia |
O experiente fotógrafo que me acompanhava pediu ao Cunha Lima que apontasse num mapa que estava no chão a região do Luz Cultural. Ele teve abaixar-se para fazer isto e foi clicado numa posição de quem está pedindo perdão.
Resultado: o mea culpa ocupou toda a última página (anúncios publicitários à parte) do jornalão, com meu texto celebrando a vitória e a foto do secretário fazendo o que parecia ser uma penitência.
Mais tarde, fiquei em dúvida sobre se havia batido pesado demais no Cunha Lima. Quando, contudo, fiquei sabendo que ele era o diretor de redação da Última Hora em Pernambuco e debandou do jornal quando os militares deram o golpe de 1964, frustrando qualquer possibilidade de reação à quartelada, recordei-me da velha máxima Deus escreve certo por linhas tortas.
Mas, pelo menos eu encerrei minha campanha tão logo ele admitiu a lambança. Hoje em dia, contudo, o Estadão parece querer passar o ano inteiro com tal episódio secundário sendo destacado na capa.
| Estardalhaço demais para um mero indício |
O Dias Toffoli nada fez como ministro do Supremo que justificasse qualquer benevolência com ele. Que seja impichado o quanto antes.
domingo, 5 de abril de 2026
RESSURREIÇÃO DE CRISTO OU CELEBRAÇÃO DO BEZERRO DE OURO?
| Clique aqui para acessar o vídeo da canção João e Maria no Youtube |
sexta-feira, 3 de abril de 2026
BRASIL PODE SURPREENDER NESTA COPA: EM VEZ DE CAIR NAS QUARTAS-DE-FINAL, LEVA JEITO DE QUE CAIRÁ NAS OITAVAS
| Está rindo do que? De ter encontrado otários que ignoravam sua decadência? |
Ao rememorarmos ou tomarmos conhecimento do magistral futebol jogado pelos nossos escretes em 1958 e 1970, inevitavelmente o comparamos com a Incrível Seleção Brancaleone da atualidade.
Desde 2023, segundo o Superscore, o Brasil disputou 35 partidas, entre jogos oficiais e amistosos. Embora enfrentasse principalmente os adversários fracos que a CBF escolhia para encher os cofres e não visando à preparação para competições realmente importantes, venceu 15, empatou 10 e perdeu 10.
Seu aproveitamento foi de míseros 52,4%, índice que o coloca na 39ª posição entre os 48 selecionados já classificados para o Mundial de 2026, atrás dos poderosos Marrocos, Senegal, Irã, Argélia, Uzbequistão, Costa do Marfim, Turquia, Congo, Iraque, Tunísia, Haiti, Panamá e Cabo Verde. Pior, impossível.
Sob o comando do técnico Tite (2016-2022), pelo menos ficamos em primeiro lugar nas duas eliminatórias sul-americanas disputadas e conquistamos a Copa América de 2919. Aproveitamento? 80,7%.
Seus sucessores foram o interino Ramon Menezes, o mediano Fernando Diniz, o técnico de clubes Dorival Júnior e o superado Carlo Ancelotti.
O italiano estava encerrando seu ciclo no Real Madrid e, nos clássicos contra o Barcelona, vinha de perder os últimos quatro, sendo dois por goleadas, além da humilhante média de quatro gols sofridos por partida. Competições vencidas: nenhuma.
Temos formado ultimamente uma geração de jogadores mal resolvidos, que prometem muito e entregam pouco, com carências gritantes em várias posições da defesa e do meio de campo.Com o revolucionário Jorge Jesus talvez acontecesse um milagre, (...) mas a escolha do convencional Ancelotti só reforça a impressão de que, tanto quanto Bolsonaro, está além de qualquer possibilidade de salvação.
quinta-feira, 2 de abril de 2026
FLÁVIO QUER INTERVENÇÃO DE TRUMP NO BRASIL SE PERDER EM OUTUBRO
| por Rui Martins |
quarta-feira, 1 de abril de 2026
SÉRIE "AS CINCO COPAS DO MUNDO QUE O BRASIL CONQUISTOU": 1970. BENDITOS CRAQUES, MALDITO DITADOR.
Os que vêm acompanhando esta série hão de estranhar que a música citada acima não seja aquela que mais marcou a conquista do Mundial Fifa de 1970, Pra frente Brasil. Depois de A taça do mundo é nossa (1958) e Frevo do Bi (1962), seria a escolha óbvia.
Atravessei a Copa como preso político no DOI-Codi/RJ (só assistiria às partidas completas no aniversário do tri), tomando conhecimento dos gols canarinhos pela gritaria no quartel e recompondo as forças durante a pausa para respirar que as partidas da Seleção nos proporcionavam – pois os torturadores preferiam assistir às belas proezas nos estádios do que protagonizar a bestialidade nos porões.
Nada impedia que, poucas horas depois, estivéssemos recebendo choques elétricos e pancadas, pendurados no pau-de-arara. A gritaria de júbilo cedia lugar aos urros desesperados.
E, para os que estranharem esta intromissão da detestável política num espaço dedicado ao encantamento do futebol, vale lembrarmos quão determinante ela foi no momento dos acontecimentos.
Foi como agiu João Saldanha, jornalista e técnico com notórias afinidades com o Partido Comunista Brasileiro, um homem carismático e de personalidade fortíssima (o apelido de João Sem Medo era dos mais merecidos).
Aí, uma conspiração esportivo-militar derrubou o técnico heroico; pesaram fatores como a independência que Saldanha assumia em relação aos repulsivos cartolas e sua relutância em colaborar com o marketing do ditador de plantão.
Com a promessa de que sucederia Saldanha se o derrubasse, Yustrich desandou a atacá-lo de todas as formas, sem sucesso.
Até que levou a coisa para o lado pessoal, atingindo a honra do João, que provou ser mesmo sem medo: apanhou um revólver e foi atrás do difamador em pleno estádio do Flamengo. Yustrich, o falso ferrabrás, fugiu pulando desajeitadamente a cerca.
| Rivellino, a patada atômica |
Uma bomba de Rivellino, cobrando falta da meia-lua, restabeleceu a ordem natural das coisas. E o primeiro tempo ainda teve a tentativa de Pelé de encobrir o goleiro com um chute do meio de campo – um dos grandes gols que não aconteceram da história do futebol.
A partida seguinte foi a batalha dos mais recentes campeões: Brasil (1958 e 1962) contra Inglaterra (1966).
O único gol foi uma pintura: Tostão recebe pela ponta-esquerda, enrola-se com três adversários e, já caindo, consegue passar para Pelé, que talvez marcasse mas, com muitos ingleses à frente, preferiu colocar Jairzinho cara a cara com Banks. Caixa.
Nas quartas-de-final, a tradição prevaleceu. O Peru, treinado pelo nosso Didi, jogou como nunca e perdeu como sempre.
Em compensação, os zagueiros peruanos levaram o previsível o esperado baile. 4x2, com gols de Tostão (2), Rivellino e Jairzinho.
A partida ficou ainda mais complicada a partir de uma falha grotesca de Felix, que aparentemente fez golpe de vista numa bola que poderia ter agarrado com certa facilidade. 0x1.
Quando o primeiro tempo já terminava, Clodoaldo surgiu como elemento-surpresa para fazer um gol providencial. 1x1.
Veio então o tira-teima entre duas seleções bicampeãs: Brasil e Itália (1934 e 1938). Quem vencesse, levaria a Taça Jules Rimet definitivamente para casa.
O Brasil jogou completo: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino.
A superioridade brasileira foi marcante, contra uma Itália que, tecnicamente bem inferior, ainda se desgastara demais para despachar a Alemanha Ocidental na outra semifinal, decidida somente na prorrogação (4x3).
| Clique aqui para ver o compacto da final |
A cansada Itália se entrega de vez quando, logo em seguida, Gerson lança a bola do meio-de-campo e Pelé, na área, apara de cabeça para Jairzinho marcar. 3x1.
O resto foi festa, olé e um gol apropriadamente qualificado de orgástico pelo Pasquim: Pelé encosta para Carlos Alberto, que vinha na corrida e fez exatamente o que já se desenhara na mente de todos os brasileiros, desferindo um potente chute cruzado que estufou as redes italianas.
Mas, o que ficou mesmo na memória popular foi a magnífica campanha de nossos craques, que venceram todas as partidas, dando-se ao luxo de sobrepujar, de forma categórica, três das outras seleções campeãs mundiais.