terça-feira, 13 de abril de 2021

A BATATA DO BOLSONARO ESTÁ ASSANDO NO FORNO DA OAB

paulo roberto netto
COMISSÃO DA OAB DIZ QUE BOLSONARO COMETEU CRIME
DE RESPONSABILIDADE E CONTRA A HUMANIDADE AO
FUNDAR 'REPÚBLICA DA MORTE' DURANTE PANDEMIA
C
omissão criada pela Ordem dos Advogados do Brasil para avaliar as ações do governo federal à frente da pandemia de covid concluiu que o presidente Jair Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade e contra a humanidade ao fundar uma República da Morte no País. 

Segundo o colegiado, Bolsonaro agiu deliberadamente contra medidas de proteção ao coronavírus e se omitiu em diversas situações que poderiam reduzir o número de óbitos causados pela doença.

A comissão foi presidida pelo ex-ministro do STF Ayres Britto e contou com a participação de  Miguel Reale Jr., entre outros. Eis uma das conclusões do relatório desses dez juristas:
"A questão que se põe no presente momento é a seguinte: pode-se provar com segurança, e de acordo com as leis da natureza, que centenas de milhares de vidas teriam sido salvas, caso o presidente e outras autoridades tivessem cumprido com o seu dever constitucional de zelar pela saúde pública? A resposta é um retumbante sim".
O colegiado relembra três ocasiões em que omissões e ações do governo pesaram no combate à pandemia: 
— a falta de interesse de Bolsonaro em negociar vacinas com a Pfizer no ano passado;
— as ações do presidente ao desautorizar o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello a comprar doses da Coronavac com o Instituto Butantan; e
— a resistência do governo federal em adotar medidas sanitárias que ajudariam a minimizar a transmissão do vírus, como o distanciamento social e o uso de máscaras.
"Não há outra conclusão possível: houvesse o presidente cumprido com o seu dever constitucional de proteção da saúde pública, seguramente milhares de vidas teriam sido preservadas. Deve, por isso mesmo, responder por tais mortes, em omissão imprópria, a título de homicídio. 
Deve também, evidentemente, responder, em omissão imprópria, pela lesão corporal de um número ainda indeterminado de pessoas que não teriam sido atingidas caso medidas eficazes de combate à Covid-19 tivessem sido implementadas. Por óbvio, para fins de responsabilização criminal, esse número deve ser apurado."
TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL – No plano internacional, a comissão da OAB afirma que há fundadas e sobradas razões para Bolsonaro responder por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional. 
Os juristas afirmam que o presidente utilizou a pandemia
deliberadamente como instrumento de ataque e submissão de toda a população. E indaga:
"Acaso uma gestão governamental deliberadamente atentatória à saúde pública, que acaba por abandonar a população à própria sorte, submetendo-a a um superlativo grau de sofrimento, não poderia ser caracterizada como um autêntico crime contra a humanidade? Em outras palavras: fundar uma República da Morte não configuraria tal crime? Parece-nos que sim".
O relatório da comissão será levado para discussão no plenário do Conselho Federal da OAB, que reúne representantes das seccionais estaduais da entidade e o seu presidente, Felipe Santa Cruz. Com base no parecer, a Ordem poderá apresentar um pedido de impeachment contra Bolsonaro. Até o momento, a OAB não elaborou nenhum pedido de afastamento do presidente. (por Paulo Roberto Netto, no blog do Fausto Macedo)
.
TOQUE DO EDITOR  Mandou bem o repórter, mas teve de se manter nos limites da grande imprensa, sem acrescentar o que, suponho, ele já soubesse: quando a OAB encomenda um relatório desses e vaza para alguém da imprensa, não é para ficar exposto no mural da sede, mas sim para ser utilizado no pedido de afastamento que ela haverá de lançar no momento propício.

Eu, como não sou mais obrigado a participar desse joguinho que fui obrigado a jogar durante 31 anos, canto a bola, sem medo de errar: a entidade vai, sim, se posicionar favoravelmente ao impeachment do pior presidente do Brasil em todos os tempos. 

E, seja pela via do impeachment, seja por incapacitação para o cargo em função de insanidade mental, seja porque o obriguem a renunciar, não há a mais remota possibilidade de o genocida iniciar o ano de 2022 como presidente. Hoje ele já não passa de um cadáver político à espera de que o rabecão o venha recolher. (por Celso Lungaretti

GENERALIZA-SE A AVALIAÇÃO QUE ESTE BLOG FOI DOS PRIMEIROS A FAZER: DO JEITO COMO ESTÁ, O BRASIL NÃO AGUENTARÁ ATÉ 2022!

guilherme boulos
CPI DO GENOCÍDIO E IMPEACHMENT
O Senado deverá instalar a CPI da Pandemia

Pandemias costumam ser investigadas em comitês científicos, não em comissões parlamentares. Mas o Brasil é ponto fora da curva. 

Temos um governo que recusou vacinas, boicotou medidas sanitárias, desinformou o povo com falsos remédios. Por isso, somos há meses o país em que mais morre gente por Covid no mundo. 

A CPI se tornou necessária. O mais justo seria entrar para a história como a CPI do Genocídio.

O Congresso brasileiro tem um histórico de abertura de CPIs. Duas delas levaram a impeachment de presidentes: a do PC, em 1992, e a da Petrobras, em 2015. 

Collor foi derrubado pelo esquema PC Farias. Dilma caiu pelo patético pretexto das pedaladas fiscais. Não há paralelo possível com a carnificina de Bolsonaro. Por isso mesmo, não seria inesperado que a CPI funcionasse como gatilho para novo impeachment.

A tese de que Bolsonaro estaria blindado com a eleição de Arthur Lira na Câmara é cada vez mais duvidosa. O próprio Lira deu o aviso há duas semanas. 

O governo está no seu pior momento, com popularidade abaixo de 30%, colhendo os frutos da condução desastrosa da pandemia e da economia. 

O descaminho em que Bolsonaro enfiou o Brasil não tem saída com ele no comando. Está isolado, perdendo apoio entre os empresários, no povo e em crise com as Forças Armadas.

Hoje Bolsonaro é refém do centrão. E se há algo que caracteriza esse grupo é a fidelidade única a seus próprios interesses. 

O centrão tem ministérios e emendas parlamentares, mas a essa altura o foco já é a reeleição. Se Bolsonaro se torna definitivamente tóxico, quem vai querer pagar o preço de estar com ele? Alguém acredita que o centrão estaria disposto a afundar junto com o governo? Seria inédito na história política nacional.

Por isso, a CPI pode ser só o primeiro passo. De fato, se a investigação tiver o mínimo de seriedade, os crimes de Bolsonaro serão expostos de forma retumbante, sobretudo em relação à saúde pública.

Aliás, nem precisaria de uma CPI. Qualquer busca no Google mostra que ele trabalhou contra a vacina, ignorando três ofertas do Instituto Butantan em 2020 e recusando 70 milhões de doses da Pfizer, também no ano passado. Preferiu gastar R$ 90 milhões em cloroquina. 

É notório, ainda, que ele boicotou medidas de isolamento sanitário. Irresponsavelmente, deixou também de investir R$ 80 bilhões, previstos no Orçamento, para combate à pandemia. A ficha corrida é longa.

O Senado está diante de uma decisão histórica. Ou lava as mãos num acordão costurado em cima de mais de 350 mil cadáveres. Ou aponta os crimes de Bolsonaro e abre caminho para um processo de impeachment. 

O Brasil não aguenta até 2022. (por Guilherme Boulos)

segunda-feira, 12 de abril de 2021

O CAPITAL É UM ASSASSINO IMPLACÁVEL

Quem matou quase 3 milhões de pessoas num espaço de um ano: o coronavírus ou o capitalismo? Inegavelmente, foi a conjunção dos dois fatores! 

É claro que uma pandemia, em qualquer modo de relação social, provoca muitos óbitos; mas, sob o capitalismo, as mortes se potencializam.

Calcula-se que uns 3,4 bilhões de pessoas, correspondendo a cerca de 45% da população mundial, já viviam com menos de US$ 5,5 (R$ 30) por dia antes da pandemia, escancarando o nível de pobreza dos excluídos do sistema. 

Como a pandemia acresceu cerca de meio bilhão de pessoas a tal estatística, agora são 52% da população mundial que vivem em estado de pobreza; e, tratando-se de um cálculo médio, estão dentre eles, portanto, os que vivem estado de miséria absoluta. 

Este último contingente deixou de ser interessante para o capitalismo simplesmente porque não produz valor, mas consome valor sem produzi-lo; representam um custo social para o Estado, cidadela armada por leis e armas do capitalismo.

Podemos então concluir que as milhões de mortes da crise sanitária têm, também, um sentido de assassinato premeditado de contingentes populacionais considerados descartáveis pela lógica insana e assassina do capital.

O vírus, não sendo seletivo, elimina igualmente membros da elite beneficiária de sua lógica social segregacionista, mesmo que estes tenham mais recursos e morram em menor percentagem, afinal nem tudo é perfeito...
Fica comprovado o acerto da avaliação de Robert Kurz, em
Dinheiro Sem Valor:
"Os sanguinários sacerdotes dos astecas eram inofensivos o amigáveis em comparação com os burocratas do sacrifício ao fetiche do capital global no [ao atingir] seu limite histórico".  
A falência do Estado já ocorre por conta da necessidade de cumprimento de suas obrigações teleológicas fundamentais. quais sejam:
 manutenção da cara estrutura institucional dos poderes da república (basta compararmos o salário de um magistrado brasileiro e o salário-mínimo de um trabalhador empregado) e das Forças Armadas;
 e gastos com infraestrutura de indução ao desenvolvimento econômico (estradas, pontes, energia, abastecimento de água, etc.) e financiamento e socorro empresarial estratégico em situações de crise financeira aguda (como na do subprime em 2008/2009 e, agora, na da pandemia com Joe Biden tirando trilhões de dólares da cartola mágica do Federal Reserve, o Banco Central deles).

As demandas sociais básicas atendidas (educação e saúde) representam, para o capital, as despesas secundárias que servem para dourar a pílula do discurso sobre a essencialidade do Estado; algo assim como os gastos com a funcionária que varre as dependências de uma indústria ou serve cafezinho, sem contribuir diretamente para a extração de mais-valia na produção de mercadorias. 

Para o capital, tais demandas sociais não passam de um mal necessário ou, dito de outra forma, são custos secundários que servem para a manutenção de um me-engana-que-eu-gosto que faz com que a população cada vez mais clame pela existência institucional, juntamente com o capital, daquilo que também a oprime: o Estado.  

A falência estatal generalizada decorre do descompasso entre a necessidade de cumprimento de suas funções acima elencadas, precipuamente capitalistas, e a depressão econômica causada pela dessubstancialização do valor decorrente da deterioração da massa global de acumulação real do capital
válido, advindo da produção de mercadorias, em face da obsolescência de sua substância vital: o trabalho abstrato.

A propriedade, medida monetariamente, é um acúmulo de horas de trabalho abstrato nela coagulado; e sem tal mensuração, como tudo tende a acontecer na atualidade, a propriedade nada mais é do que a representação moderna do absolutismo escravista antigo, sem escrúpulos de consciência. 

Ora, se o Estado depende da economia, de onde retira (sob a forma de impostos) recursos para o seu equilíbrio financeiro, e se essa economia roda em falso por força das contradições dos seus próprios fundamentos, o desequilíbrio, obviamente, se torna inevitável. Esta é a razão da falência estatal generalizada; não se trata de uma questão de boa ou má gestão financeira (a esquerda precisa compreender isto em seu afã de administrar politicamente o Estado). 

Como consequência desta realidade social na qual um modelo atingiu o estágio de falência, clamando pela sua superação, estamos num momento épico de embate entre o pensamento conservador capitalista (que quer se manter vivo a qualquer custo) e sua inviabilidade demonstrada pelo processo dialético social em constante movimento.

É exatamente neste embate que o capital se torna assassino.

Quando um governante insensível ao drama humano afirma vai morrer muita gente, e daí?, e propõe a imunização de rebanho como forma de superação da crise sanitária, mesmo sabendo que isto representaria a morte por contaminação de cerca de 3% da população mundial, ele está convergindo, mesmo que sua crassa ignorância o impeça de  saber isto, com a ideia da eliminação daquela parte da população que não produz valor, mas o consome. 

Mas o capital é uma lógica de relação social que apenas usa as pessoas e as mercadorias numa relação social reificada, o que reduz os seres humanos a agentes inconscientes e cegos em relação ao comando abstrato da forma-valor à qual obedecem, funcionando como carrascos executores de suas ordens insanas e assassinas. 

O coronavírus não foi previsto pelos que anunciavam um período de recessão mundial para 2020 (e que já havia ocorrido em 2019, quando o PIB mundial cresceu apenas 2,4%, o seu pior desempenho desde 2008); e veio de tal forma avassaladora que completou o quadro de uma crise conjuntural e estrutural impossível de ser resolvida sob os mesmos critérios anteriores (como o Plano Marshall, de socorro ás nações mais combalidas no pós-2ª Guerra Mundial).

Não será a injeção de dinheiro sem valor na economia, como está sendo proposto e efetivado por Joe Biden, que há de sanar o problema. Não se cura a doença com a causa de sua existência. 

O capital fictício a ser injetado na economia como forma de reavivá-la não ataca os fundamentos da debacle da própria economia. Não representa, portanto,  solução efetiva e duradoura, somente podendo ser implementada com sucesso temporário num país emissor da moeda internacional. 

Somente os critérios de uma produção e apropriação social dos bens e serviços produzidos socialmente, racionalmente distribuídos, aliados aos ganhos da ciência na profilaxia da pandemia, poderá reduzir a devastação do genocídio em curso, seja pelo aspecto do empobrecimento causado pelo limite interno de expansão capitalista, seja pela avanço surpreendente das infecções viróticas, inclusive com o surgimento de novas cepas cujos alcances vacinais ainda não são conhecidos.  

O capital é um assassino implacável. 

É por isto que eu escrevo este libelo acusatório do genocídio por ele patrocinado: evidentemente, vejo os defensores do capital como coautores dessa tragédia humanitária, sejam eles cidadãos civis ou políticos, juristas ou militares, trabalhadores incautos ou empresários de grande ou de pequeno porte.

Mesmo nos seus silêncios sepulcrais, as vítimas do coronavírus clamam contra o capital!

O capital é um assassino implacável e seus defensores estão no banco dos réus como coautores, independentemente da existência física desse júri que a consciência cívica nos impõe.
(por Dalton Rosado)

domingo, 11 de abril de 2021

PAÍS SE ESPATIFA E BOLSONARO APATIFA A PRESIDÊNCIA

 Bozo xinga Doria de "vagabundo" e "patife", recebendo,
como troco, a recomendação de tomar vácina antirrábica

 
É
como se os 212 milhões de brasileiros estivessem num avião em queda livre, prestes a se espatifar no chão. Levando-se em consideração o esforço que o piloto da aeronave realiza para apatifar a cabine de comando, espatifar é o termo apropriado. 

Para mais de 350 mil mortos por covid o avião já se espatifou. A tragédia alcançará milhares de outras almas. Simultaneamente, Bolsonaro converte sua inépcia num processo de apatifamento da Presidência. Deu para chamar rival de patife.

Quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, arrastou o bolsonarismo para dentro de um inquérito sobre notícias falsas, Bolsonaro abespinhou-se: "Acabou, porra!" 

Era engano. Estava apenas começando. Ou, por outra, tratava-se de uma continuidade. Bolsonaro continuava sendo Bolsonaro. 

Quem tem muitos calos não deveria meter-se em apertos. Mas o capitão não sabe desfazer as crises que faz. Tornou-se um estorvo para a aquisição de vacinas, retardando as compras. Há mais braços por imunizar do que doses disponíveis. 

Em consequência, o vírus se desdobra em novas estirpes. E os infectados puxam para o alto a curva dos mortos. 
Tropeçando em cadáveres, governadores e prefeitos arrostam o desgaste de decretar medidas restritivas que estão sempre muitos passos atrás da taxa de contágio. Retardam o
lockdown

Bolsonaro não inventou a crise sanitária. Mas mostrou aos brasileiros que pior do que uma crise, só duas crises. Em vez de administrar a gripezinha que estava no finalzinho, preferiu tratar a segunda onda como conversinha. Deu no que está dando. 

Com a popularidade em queda, o capitão dedica-se em tempo integral a colocar a culpa nos outros. "Dá para admitir no Brasil essa política de lockdwon feche tudo? Toque de recolher?", indagou neste sábado (10). 

Para Bolsonaro, "tudo tem um limite", exceto o cinismo. "Eu e todo o meu governo estamos ao lado do povo. Todos os 23 ministérios estão ao lado do povo. Não abusem da paciência do povo brasileiro." 

Bolsonaro elevou o tom da crítica ao governador de São Paulo. A exemplo do presidente, João Doria politiza a pandemia. 

A diferença é que o governador frequenta a conjuntura como provedor das vacinas do Instituto Butantan. Oito em cada dez brasileiros vacinados receberam doses de CoronaVac —"a vacina chinesa do Doria", que a União não compraria. 

"Parece que esses caras querem —como esse patife de São Paulo quer— quebrar o estado, quebrar o Brasil para depois apontar um responsável. É coisa de patife, que é esse cara que está em São Paulo e que usou o meu nome para se eleger." 

Alguma coisa voltou a subir à cabeça do capitão. Nada que se pareça com sensatez. Na antevéspera, Bolsonaro havia acusado o ministro Luís Roberto Barroso de fazer politicalha ao determinar ao Senado que instale a CPI da Covid. 

Aos poucos, a usina de crises do Planalto vai alcançando a autossuficiência. Bolsonaro fornece matéria-prima para a CPI, ele mesmo desarticula o governismo no Senado, ele mesmo força o Supremo a apressar a conversão da liminar de Barroso em veredicto formal da Corte. 

Apatifar é um verbo pouco usado. Significa tornar-se um patife, virar um canalha, aviltar-se. Somando-se à incúria presidencial o linguajar chulo de Bolsonaro, o resultado é a conversão da Presidência numa patifaria. 

Quem não consegue presidir a própria língua não pode presidir o país. (por Josias de Souza)

sábado, 10 de abril de 2021

MARIO SERGIO CONTI: SE NÃO AGIR PARA AFASTAR BOLSONARO, LULA ESTARÁ COONESTANDO O GENOCÍDIO

"Lula vem pregando a volta a um passado mítico, no qual todos se deram bem. 
É uma ilusão, ainda que com um grão de verdade. 

O Brasil era melhor; mas é inviável a repetição daqueles tempos —que, aliás, geraram o lamaçal de hoje.

Lula prega o diálogo de todas as forças políticas, o que é positivo, dado o sectarismo do atual presidente. 

Mas, fazer isso sem agir para tentar destronar o exasperante Bolsonaro, seria coonestar o genocídio —seria se entregar aos usos e costumes da ratatuia que o enredou"(Mario Sergio Conti)

FORTUNA DE 65 BILIONÁRIOS BRASILEIROS SERIA SUFICIENTE PARA SALVAR DA MORTE 6.500.000 POBRES COITADOS

A
listagem das pessoas mais ricas do mundo, elaborada anualmente pela revista de negócios estadunidense Forbes, dimensiona bem quão iníquo e anti-humano é o capitalismo: num mundo devastado por uma terrível tragédia humanitária (a pandemia), o número de tais biliardários aumentou escandalosamente, de 2.095 para 2.775 (660 a mais).

As fortunas desse pelotão de elite da desigualdade econômica totalizaram US$ 13 trilhões em 2020, contra US$ 8 trilhões em 2019.

Ou seja, quando mais o mundo padece, mais essa corja enriquece.

A mesma tendência se verificou com relação aos nababos brasileiros: eram 45 e, ao todo, possuíam R$ 710 bilhões; agora são 65, com um patrimônio total de R$ 1,225 trilhão.

A pergunta que não quer calar: confiscando-se a grana de míseros 65 ricaços, quantos milhões de brasileiros pobres e vulneráveis poderiam ser salvos da morte pelo vírus ou pela fome e males da miséria que a atual depressão econômica maximizará? 

Pelos meus cálculos, seguramente tal quantia faria a diferença entre a vida e a morte para, no mínimo, 6,5 milhões de brasileiros.

Ou seja, para cada um desses 65
cidadãos Kane que vai continuar desfrutando de uma riqueza excessiva ao extremo e quase sempre mal ganha, 100 mil compatriotas sofrerão mortes horríveis.

E, antes que entulhem minha caixa com mensagens vituperando meu comunismo, quero lembrar que solução semelhante para encher os cofres de uma nação em graves dificuldades econômicas foi adotada pelo rei francês Felipe, o Belo no século 14, quando usou de todo o seu poder para fabricar um processo contra a ordem dos templários, como pretexto para confiscar-lhe suas consideráveis riquezas.

Detalhe: para que admitissem crimes e perversões que, em sua maioria, não tinham cometido, foram barbaramente torturados e vários deles executados, inclusive o grão-mestre, condenado à fogueira. Naquele tempo, os poderosos também sofriam tais injustiças. Agora, são os coitadezas que suportam todo seu peso.

Até quando?  (por Celso Lungaretti) 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

O GENOCIDA SE COMPORTA COMO UM PERSONAGEM DE ÓPERA BUFA, MAS OS BRASILEIROS NÃO RIEM, ESTREBUCHAM!

juan arias
A DANÇA MACABRA DE BOLSONARO ("me vacino",
"não me vacino") OFENDE A MEMÓRIA DOS MORTOS
A atitude negacionista de Bolsonaro sobre a pandemia e a vacina é mais do que conhecida. E agora se tornou mais aguda com seu comportamento burlesco sobre se vai ou não tomar a vacina. Se não fosse dramático, poderia ser uma ópera-bufa.

Depois de zombar da vacina, dizendo que os homens se transformariam em jacarés e nas mulheres cresceriam barbas, ele afirmou enfaticamente: “Eu não vou tomar vacina e ponto final, problema meu”. 

Agora, não se sabe se por medo ou pressão de seus assessores correu a notícia de que o presidente enfim decidiu tomar a vacina.

O acontecimento deveria ter sido no último sábado de Aleluia. De repente, o ministro da Saúde desmentiu a notícia e o presidente não se vacinou. Os fotógrafos ficaram sem a foto histórica.

Bolsonaro, com seu costume de mentir e desmentir-se, afirmou que se lhe disserem que tem de se vacinar, então, o fará quando toda a população já tiver feito isso, e se sobrar uma dose.

É uma piada, pois todos os chefes de Estado do mundo, de direita ou de esquerda, foram os primeiros a ser vacinados e em público.

Todas as atitudes de Bolsonaro sobre se deve ou não ser vacinado refletem sua idiossincrasia como político em quem é impossível confiar porque, além de mentir descaradamente, gosta de confundir a sociedade. Que confiança proporciona o presidente à nação no trágico momento que está passando, com a maior crise de saúde de sua história e quase sem mais lugar físico para enterrar os mortos?
Essa diversão de ser vacinado ou não se repete em suas ameaças de dar um golpe militar ou não. Os acontecimentos dos últimos dias em seu confronto com as forças do Exército, que deixaram o país em suspense, são mais um claro sinal de seus transtornos psíquicos e de seu gosto por ameaçar com uma guerra civil.

Ao que parece, o presidente, para desmentir que seja um militar frustrado que pretende se ressarcir da humilhação de ter sido expulso do Exército quando jovem, hoje infantilmente finge considerar as Forças Armadas como meu Exército.

É uma chacota que as Forças Armadas não deveriam permitir, nem que seja para não decepcionar a sociedade que, desde a redemocratização, tem considerado as forças militares sérias e confiáveis na defesa da democracia e das instituições do Estado.

Se a princípio os militares confiaram no capitão aposentado para lutar contra o perigo imaginário de um comunismo que não existe no Brasil, hoje esse cenário não existe e o perigo real contra a democracia é justamente o capitão complexado e complacente com a morte da qual chega a zombar.

Assim como Bolsonaro primeiramente zombou da pandemia e, agora, da vacina, ele tenta hoje impor um estado de exceção para fugir de suas responsabilidades e alimentar suas hostes golpistas que diminuem a cada dia.
A este ponto o falso herói que desafia a morte na pandemia e continua a brincar sobre vacinar-se ou não, como se não estivéssemos lutando contra a morte, é uma responsabilidade das instituições e do Exército que continuam tolerando seus delírios violentos.

Amanhã a sociedade poderá se revoltar contra essas instituições que consentiram impunemente que o país continuasse nas mãos de quem zomba da dor alheia e sente repulsa pelos valores da liberdade, enquanto continua a cultivar seus sonhos de arrastar o país para aventuras autoritárias, repetindo como um mantra quem manda sou eu.

Não é verdade. Ele manda em conjunto com as demais instituições responsáveis por defender a Constituição e garantir a ordem e a prosperidade no país.

O teste importante será a reeleição de 2022, isso se antes não forem capazes de destituir o presidente por seus crimes e suas contínuas ameaças à ordem estabelecida.

Os militares vão continuar no governo até as eleições, depois de terem constatado os delírios do capitão que se sente dono e senhor das forças da ordem, chegando mesmo a humilhá-las?

Essas forças armadas vão voltar a apoiá-lo nas próximas eleições ou vão optar por uma solução realmente democrática? 

Ou será que os militares não conseguem entender o que representaria para a sociedade e para eles próprios um segundo mandato desse que já deu sinais inequívocos de que despreza as instituições e pode conduzir o país a um caos sem volta?

Se as instituições do Estado e as próprias Forças Armadas continuarem pensando apenas em seus privilégios pessoais e em suas vantagens corporativas enquanto a pobreza, a fome e o desemprego aumentam, o Brasil corre o risco de se tornar parte dos países párias do mundo, quando já foi considerado um exemplo de potência mundial e de desenvolvimento econômico e social.

Há erros históricos que não têm volta. O Brasil ainda está em tempo de embarcar num novo período de desenvolvimento e prosperidade, mas com a condição de que o capitão saia do poder quanto antes e deixe de se considerar o dono absoluto do país, como os antigos imperadores.

Tudo ainda pode mudar quando quem guia a nação deixa de desprezar os valores civilizadores capazes de criar uma sociedade unida em torno de uma nova esperança, sem guerras fratricidas e sem pisotear os valores em que se fundamenta a verdadeira convivência mundial.

O Brasil ainda tem tempo de voltar do inferno em que o mergulhou um presidente insignificante que só sonha com armas e confrontos políticos e sociais.

Esperança não é um verbo conjugável. É um substantivo que pode ressuscitar a qualquer momento, como o sol no meio de uma tempestade. (por Juan Arias, na edição brasileira do jornal global El Pais)

A QUADRILHA CHAMADA BRASIL

P
arabéns, Jair Bolsonaro, você conseguiu. Pária é pouco. Campeão disparado da covid, o Brasil é hoje o pior lugar do mundo. 

Aos olhos internacionais, somos vistos com revolta, repugnância e medo, como nem nos tempos pré-Oswaldo Cruz, em que éramos sinônimos do tifo, da peste bubônica e da febre amarela. 

Somos agora o último reduto da pandemia, 215 milhões de bombas humanas, potenciais exportadores da morte.

Os vizinhos já nos batem a porta na cara, e isso é só o começo. Em breve, não teremos mais para onde ir, suspeitos de estar levando cepas inéditas, de nossa exclusiva lavra. 

Por enquanto, essa repulsa do estrangeiro se refere apenas a nós, cidadãos brasileiros, com nossos perdigotos e resistência à máscara. Mas não será surpresa se o medo de contágio incidir sobre nossos produtos, quem sabe infectados, e o mercado também se fechar para eles.

E quem permitirá que seus cidadãos desçam aqui, mesmo a negócios —a turismo, esqueça—, e voltem para casa contaminados? Pode-se circular por um país que se supera todo dia em contágios e óbitos e, em breve, não terá oxigênio para os doentes nem espaço nos cemitérios? 

Cemitérios, aliás, que já funcionam 24 horas por dia, enquanto a vacinação se regula pelos relógios de ponto, com hora para pegar e largar. 

Não por falta de quem aplique as vacinas, mas das vacinas mesmo, de cuja demanda se duvidava.

Mas o principal motivo da repugnância por nós é a certeza de que o problema não se resume a um demente no poder. 

Envolve também os cúmplices e complacentes, aqueles que o garantem no cargo —generais que babam à sua presença, magistrados que votam por ele, bilionários que o aplaudem, ministros de Estado covardes (inclusive o da Saúde), políticos pilantras e os vadios que lotam festas.

Não fazemos parte dessa quadrilha. Mas, para quem nos vê de fora, essa quadrilha se chama Brasil. (por Ruy Castro)

quinta-feira, 8 de abril de 2021

O BRASIL PRECISA DO LOCKDOWN, MAS NÃO DISPÕE DE RECURSOS PARA O VIABILIZAR: SAIBA QUE ESTA É UMA FALSA DICOTOMIA – 2

(continuação deste post)
A
té os que fazem caridade distribuindo sopas para os mendigos nas madrugadas ou pratos de comidas para famélicos sociais, tomados por um resquício de humanidade que felizmente ainda subsiste nos sujeitos burgueses automatizados e insensibilizados, não se apercebem que aquilo por eles distribuído são, também, mercadorias. 

Muito menos se dão conta de que tal condição impõe limites econômicos de abrangência de sociabilidade humana (a grande mercadoria alimentar, p. ex., destina-se à exportação, como forma de gerar superávit na famigerada balança comercial).

O lockdown e as vacinas são os instrumentos capazes de nos livrar imediatamente da morte por contaminação social infecciosa generalizada e extirpar, no longo prazo, a vida desses vírus microscópicos que precisam exatamente da proximidade de corpos humanos para continuar existindo. 

O isolamento social é medida inarredável a ser tomada. Somente os negacionistas dominados pelo fetichismo da mercadoria não compreendem tal necessidade, como fazem questão de também ignorarem (talvez por vergonha de reconhecerem sua condição de intelectualmente obtusos) o imperativo da vacinação em massa como a única solução definitiva, após acreditarem tanto tempo nas sandices daquele a quem chamam de mito, mas que demonstrou não passar de um grande mico.
Aliás, o mito, na nomenclatura fantasiosa dos clássicos gregos, é um ser que somente existe na ideia metafórica das crendices em superpoderes de deuses criados pelo surrealismo fantástico que anseia por um mundo idealizado, mas cada vez mais distante da realidade. 

Nada mais ridículo do que erigir-se em mito alguém de conhecimento primário, curriculum e práticas recheadas de negatividades e nenhuma proposição, a não ser a desconstrução dos poucos ganhos civilizatórios adquiridos com muito sacrifício pela humanidade no seu itinerário de luta contra a ignorância, marcado por sangue, lágrimas e dor.  

Mas o lockdown é impossível de ser sustentado pelo tempo necessário para a extirpação do vírus sem as medidas de apoio social que jamais podem se realizar sem a eliminação dos conceitos e ordens que o universo do mundo da mercadoria estabelece como regras inquestionáveis.

É claro que alguém tomado pelo sentimento nacionalista de superioridade a partir de conceitos de riqueza abstrata e das armas (o militarismo de ofício, estatal, que substituiu os mercenários na antiguidade, foi aquilo que mais propiciou a remuneração abstrata do salário, inicialmente representado pela mercadoria sal, de onde se origina a palavra salário), tem dificuldade de aceitar a quebra desse código rígido comportamental.

Da mesma forma o doutrinamento liberal de seu ministro da Economia é incompatível com o confisco de bens (mercadorias que representam horas de trabalho abstrato, ou seja, de valor indevidamente apropriado pelo capital nelas coagulado) e de dinheiro como forma de subsídio ao
lockdown
.

[Afinal, para os poderosos do capitalismo, é mais importante a manutenção do teto de gastos do Orçamento Federal do que a perda de 150 mil vidas que poderiam ser salvas.] 

Você, caro leitor, que neste momento lê este artigo, certamente conhece alguém próximo, ou até mesmo de sua família, que faleceu por empreender a chamada fuga pra a frente desconsiderando o necessário isolamento social, comportamento exemplificado desde o início pelo nosso governante insano ao desfilar pelas ruas de Brasília promovendo um populismo de quinta categoria, sem máscaras, comendo pastel e tomando caldo de cana numa birosca qualquer

Para piorar, quem teria de propor medidas urgentes de apropriação das nossas riquezas naturais, visando à proteção dos brasileiros pobres que necessitam ficar em casa, omite-se vergonhosamente. 

Refiro-me, evidentemente, à esquerda adestrada, institucional, dita socialista.

Aquela que está mais preocupada com o pleito distante do que com o extermínio de nossa gente hoje e agora, e que prefere ver o governo atual sangrando na sua própria inconsistência e afundando no desgaste, desde que este proporcione às 
chamadas oposições uma vitória de Pirro nas próximas eleições, à custa de mais algumas centenas de milhares de mortes. 

Recuso-me a fazer parte de tal oposição, pois sou, acima de tudo, a favor da vida. Agora, mais do que nunca, fico satisfeito de ter sido expulso do PT sob a alegação de que era um candidato saído do bolso da então prefeita de Fortaleza, Maria Luíza Fontenele, também expulsa do PT na mesma oportunidade. 

Partido esse que há quatro décadas ajudei a criar, com a ingenuidade característica dos tempos de juventude, no Ceará dos coronéis de então. Quem me mandou acreditar em Papai Noel?! 

Isto me possibilita repetir o que já disse noutros artigos escritos para esta tribuna libertária que é o blog criado por Celso Lungaretti 
— que, tendo sido secretário de Finanças de Fortaleza, saí pobre dessa administração popular que jamais conciliou com a burguesia (Sarney nunca recebeu a Maria Luíza em audiência oficial, mas foi sempre simpático ao Lula); e
— que ajudei a estabilizar as finanças públicas municipais, requisito importante para que Ciro Gomes se tornasse, em apenas um ano, o melhor prefeito do Brasil, galgando posições dentro da politicagem estatal (que hoje considero sumamente nociva à sociedade).

Faço tais afirmações como autocrítica, por entender que inadvertidamente contribui para reequilibrar as finanças públicas de um aparelho estatal capitalista de base municipal, que encontrei falido após os muitos anos de ditadura militar.

[Hoje, quando alguém cita minha passagem como secretário municipal de Finanças à guisa de elogio curricular, costumo responder que tenho esta mancha no meu currículo; é uma reflexão que faço sob o critério estratégico de luta contra o capital.]
  
Perdoem-me aqueles para quem tais afirmações soarem como autoelogio narcisista, que não deve ser a tônica do revolucionário; este, contudo, usa a palavra como instrumento de luta e não hesitará em passar do estágio literário para o do brado retumbante das ruas quando se fizer necessário!

Mas o faço em nome dos muitos que foram injustiçados por não se submeterem à tirania partidária stalinista dos meios justificando os fins, inclusive no PT; até porque o uso do cachimbo entorta a boca. 

A discussão atual sobre o lockdown é fora de foco e representa uma falsa dicotomia. (por Dalton Rosado)

quarta-feira, 7 de abril de 2021

O BRASIL PRECISA DO LOCKDOWN, MAS NÃO DISPÕE DE RECURSOS PARA O VIABILIZAR: SAIBA QUE ESTA É UMA FALSA DICOTOMIA – 1

 dalton rosado
COMENTÁRIO ÀS DISCUSSÕES SOBRE O LOCKDOWN
"
Falsa dicotomia – falsa divisão de
um conceito em dois elementos
pretensamente contrários"
(Dicionário Informal)
pandemia do coronavírus já se constitui na maior tragédia humanitária do pós-guerra, aproximando-se dos 3 milhões de mortos, com a contribuição macabra do governo brasileiro para tanto, de vez que já temos o segundo maior número de mortes, com 337 mil óbitos (001,7% da população de 211,7 milhões de habitantes).

Tenho dito, reiteradamente, que tal crise expôs a insubsistência do capitalismo como modo de mediação social minimante eficaz. 

Os Estados Unidos, meca do capitalismo mundial, têm total ainda mais expressivo de mortes, 556 mil óbitos, os quais, contudo, representam os mesmos 001,7% da população (aproximadamente 328 milhões de habitantes). 

Juntos, os dois países são responsáveis por 31% (893 mil) das mortes mundiais (2,87 milhões), embora tenham apenas 6,9% da população mundial (539,7 milhões para 7,8 bilhões de habitantes). 

Somos os campeões da mortandade mundial e isto, indiscutivelmente, tem muito a ver com a orientação negacionista adotada tanto por Donald Trump (que descartou o isolamento social, embora haja estimulado a fabricação de vacinas, até porque isto poderia gerar lucros para a desenvolvida farmacologia estadunidense) quanto por Jair Bolsonaro, que negou a importância das duas coisas. As estatísticas não mentem. 

Mas, nesta corrida da morte, os EUA, com sua vacinação em massa, já conseguiram reduzir o número atual diário de mortes, enquanto no Brasil estabelecemos recordes em cima de recordes, aproximando-nos velozmente do topo deste ranking sinistro. 

É que, para sorte dos estadunidenses, as vacinas e a eleição vieram mais cedo e puderam defenestrar o negacionista de lá, enquanto aqui teremos de aturar o nosso por mais algum tempo (a menos que consigamos abreviar o nosso calvário...). 

Diante dessa tragédia humanitária estabeleceu-se por aqui uma discussão fora de foco, qual seja:
 há uma ala de governantes e setores da sociedade que entende, corretamente, que devamos fazer o lockdown, variando a opinião quanto a sua intensidade para cada um dos componentes desse grupo, sob o correto argumento de que se trata de uma das duas formas de se evitar a propagação do vírus e consequentes mortes, sendo a outra maneira a vacina, ainda em pequeno número para a imunização de uma parcela suficiente da população brasileira;
b) há uma outra ala de governantes, empresários e trabalhadores, para a qual não devemos fazer o lockdown sob nenhuma forma, argumentando que é menos pior morrer de covid-19 do que de fome e miséria. 

Os auxílios emergenciais, diminutos e somente destinados aos que estão em situação desesperadora, são insuficientes para barrar a depressão econômica e o alastramento da miséria sob os critérios capitalistas de sociabilidade. 

Mas, não podemos fazer emissões volumosas de moeda sem lastro, a exemplo de Joe Biden,  porque o dólar é aceito internacionalmente, apesar de sua falta de consistência; o real não. Portanto, se o imitássemos, isto faria explodir nossa inflação e nosso endividamento com juros altos. O capital tem critérios seletivos; o coronavírus não. 

Ambos os grupos têm argumentos que comportam alguma verdade, mas que encobrem um contra-argumento pouco levado em conta: a possibilidade de apropriação social de recursos materiais que respaldariam o
lockdown, desde que adicionado a critérios racionais de distribuição de alimentos e outras medidas jurídicas de proteção social (como suspensão de despejos por falta de pagamento, execuções de dívidas, etc.).

Tais medidas, entretanto, são impossíveis de serem acatadas pelo capital, ou até mesmo serem propostas por quem deveria fazê-lo por opção de classe, pelo simples fato de que estão todos dominados pelo fetichismo da mercadoria, somente concebendo a vida social a partir dos critérios mesquinhos e financeiramente calculistas da forma-valor (dinheiro e mercadorias), que o segundo grupo quer humanizar por hipocrisia ou ignorância.

É o que chamo de aprisionamento do pensar

Como alguém que acredita somente em produzir para vender e comprar chegaria a admitir  que se possa produzir para dar? 

Como alguém que passa a vida procurando acumular riqueza abstrata como forma de se proteger da insanidade destrutiva e autodestrutiva de uma mediação social reificada (na qual coisas inanimadas ganham vida, enquanto mercadoria, e comandam, com seu fetichismo abstrato que se materializa na vida real, as vidas das pessoas), poderá sequer cogitar a disponibilização de patrimônio (bens, mercadorias, etc.) para salvar vidas? 

Como alguém que aguarda ansiosamente as próximas eleições, obcecado em assegurar para si uma minúscula (mas confortável) fatia de poder político concedida pelo capital como forma de legitimação democrática, ousará adotar medidas que afrontem este mesmo capital? (por Dalton Rosado)
(continua neste post)
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