sexta-feira, 20 de março de 2026

VINGADORA DO TECLADO PERSEGUE CUCA EM NOME DE UMA CONDENAÇÃO ANULADA E DE UM PROCESSO EXPIRADO

Alicia Klein, colunista do UOL, esbravejou que ninguém aguenta mais falar do Cuca, o novo técnico do santos. Só que é ela mesma quem insiste em abusar da nossa paciência.

Mas, em algo a Alícia tem razão: por que falarmos da condenação do Cuca a 15 meses de prisão num processo de 1989, totalmente superado? Isto me parece mais uma  caça às bruxas.

Está na hora de os patrulheiros cricris respeitarem dispositivos legais como o da prescrição das penas após haver transcorrido um determinado período. Afinal, quase sempre o descumprimento da lei ocorre em prejuízo dos idealistas que tentam transformar o mundo. 

A Justiça burguesa defende, acima de tudo, os interesses dos capitalistas. Faz sentido facilitar-lhe as coisas, detonando um  dispositivo valiosíssimo para quem trava batalhas na defesa dos direitos humanos?
Quando eu participava da luta contra a extradição do escritor Cesare Battisti em 2008/2011, aquele caso simples se transformou num bicho de sete cabeças a partir do momento em que a Itália neofascista escamoteou o fato de que aquela condenação havia prescrito. 

Mas, claro, a colunista identitária age movida por rancor e não leva em consideração que cada julgamento pode se tornar parâmetro para outros casos.

Depois de a campanha orquestrada por comentaristas esportivos do UOL haver resultado na desistência do Cuca em treinar o Corinthians, os advogados dele solicitaram um novo julgamento  e a Justiça suíça decidiu anular sua condenação de 1989 por erros processuais e rejeitar a reabertura do caso porque ele estava prescrito desde 2004.

Ademais, a suposta vítima já tinha falecido e o parente que poderia pleitear a continuidade do processo havia aberto mão de tal opção.

Ninguém aguenta mais que revanchistas do teclado tentem privar um sexagenário do seu direito ao trabalho, em função de um episódio controverso  ocorrido 38 anos atrás. (por Celso Lungaretti)

MASSACRE DE ÁRVORES E EXTERMÍNIO DE GENTE: ESTÁ CHEGANDO O ARMAGEDDON?

Numa nova visita a São Paulo para matar saudades, não pude deixar de dar meu passeio verde pela Cidade Matarazzo, uma área arborizada junto da avenida Paulista. 

Nela podemos ter a sensação de estarmos numa floresta. Ou refletir que sentir o verde ou viver no verde é luxo e privilégio de uma elite. Mas é preciso reconhecermos: uma elite ambientalista.

Diante de tamanho respeito pela natureza, com árvores das diversas regiões brasileiras, é quase impossível não lembrarmos e deixarmos de fazer um paralelo um paralelo com outro tipo de empreendimento imobiliário. 

Onde? No Alto da Lapa, onde a construtora Tegra fez justamente o contrário: destruiu o Bosque dos Salesianos com autorização do prefeito Ricardo Nunes. O mesmo Nunes já havia autorizado o corte de 384 árvores no Butantã.

De um lado, um empreendimento investe no respeito da natureza, vai buscar longe vegetação e árvores para valorizar uma região. Do outro, não existe nenhuma avaliação da riqueza natural representada pelas árvores centenárias, nem respeito pelo clamor da população das vizinhanças do Bosque dos Salesianos.

Deixando a Cidade Matarazzo e sua floresta agora desprotegida, cheguei logo à avenida Paulista, para rever o Masp, com suas exposições atuais e seu acervo.

Tal acervo conheço desde minha época de estudante, quando ia ao antigo museu, ainda na rua 7 de Abril. 
Mas, no caminho, um pequeno grupo me lembra haver a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, com um cartaz perguntando: Haverá paz no mundo?

Fazem parte das chamadas Testemunhas de Jeová, um ramo derivado dos evangélicos estadunidenses, criado em 1872. Seus missionários chegaram no Brasil em 1920 e hoje são um 1,4 milhão.

A mensagem dos Testemunhas é centrada na chamada Batalha do ArmagedDon, profetizada pelo apóstolo João, quando na ilha de Patmos, no mar Egeu. 

Armagedom seria a última guerra, pois  significaria a intervenção de Deus numa guerra mundial. 

Essa crença é também partilhada pelos cristãos, embora sem a mesma ênfase das Testemunhas. Entretanto, o clima de guerra atual parece estar excitando os próprios evangélicos, esperançosos de ser esta a época do retorno de Cristo.

Essa situação, segundo denúncia do Daily Mail, estaria ocorrendo junto dos soldados e militares estadunidenses que participam da guerra contra o Irã. Como consequência da influência dos evangélicos junto aos trumpistas, comandantes militares associados ao governo de Donald Trump foram acusados de transmitir mensagens religiosas a tropas estadunidenses em meio ao conflito com o Irã, nas quais sustentam que a guerra faria parte de um plano divino ligado ao Armageddon.

Mas, no caminho, um pequeno grupo me lembra haver a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, com um cartaz perguntando: Haverá paz no mundo?
por Rui Martins

A imprensa francesa também repercute essa utilização das profecias  apocalípticas 
pelos comandantes trumpistas para que os soldados entrem em combate julgando participar de uma guerra divina do Bem contra o Mal. 

Do lado do Irã, os combatentes iranianos acreditam que se tornarão mártires se morrerem na luta contra os EUA e Israel.

terça-feira, 17 de março de 2026

"UMA BATALHA ATRÁS DA OUTRA" ME FEZ LEMBRAR A PROPAGANDA ENGANOSA DAS "VIÚVAS DA DITADURA"

Ao assistir Uma batalha após a outralogo me lembrei da propaganda enganosa das viúvas da ditadura na década retrasada. Eu as combati muito no Orkut.

Sem terem como negar os crimes contra a humanidade cometidos pelo seu lado, os ultradireitistas tentavam igualar os raros excessos em que os guerrilheiros incidiam à adoção generalizada dessas práticas por parte do regime militar. Era como equiparar um a mil. 

Da mesma forma, esse filmeco de ação mostra mostra os combatentes como figuras caricatas, disparando chavões e palavrões a torto e a direito e explodindo instalações que jamais seriam alvos para nós (incluo-me entre os combatentes da luta armada) por não serem identificadas como nefastas pelo povão. 

Para culminar, apresenta  uma guerrilheira  como erotômana,  exigindo que um coronel do exército forçasse uma ereção sob a mira de sua arma).

O que tem isso a ver com os verdadeiros guerrilheiros e as nossas verdadeiras ações armadas? Absolutamente nada.  E o pior é que omite o lado mais execrável da repressão, como se não tivessem havido sevícias e matanças desembestadas. 

Eu, por exemplo, tive meu tímpano estourado quando o cabo da guarda me levava de volta para a solitária, após uma sessão de torturas. Ou seja, apesar de sua posição inferior na hierarquia militar, ele se deu ao luxo de extravasar suas frustrações num preso político. E, que eu saiba, jamais foi punido por isto.
Nossos poucos pentes de metralhadora
não eram utilizados em treinamentos
Houve também um capitão que, numa diligência em área rural, me aconselhou a tentar fugir, pois ninguém estava prestando atenção

Eu, como parte mais fraca, evitava entrar em confronto com os militares, mas daquela vez não aguentei mais e respondi, mostrando meu peito: "Se é para me matar, atira aqui e não pelas costas".

Para piorar, o diretor Paul Thomas Anderson enxertou comicidade bobinha num assunto muito sério. Centenas de companheiros valorosos morreram na resistência ao totalitarismo e ao terrorismo de estado. Outros tantos sofreram o diabo nos porões da ditadura. Merecemos respeito.

O festival de besteiras que assola a tela continuou com a frouxidão da rede de militantes, sem resquício nenhum de nossas normas de segurança bem mais profissionais (tínhamos como paradigmas os tupamaros uruguaios). Organizados daquela maneira não aguentaríamos sequer um mês nos anos de chumbo

Guerrilheiros treinando com metralhadora? Esquece: tiros isolados poderiam estar sendo desferidos por caçadores, mas rajadas inevitavelmente atrairiam a repressão. Ademais, os pentes escasseavam para nós e jamais os desperdiçaríamos dessa maneira.

E, se houvesse tanta gente assim combatendo a ditadura, seria o suficiente para fazermos a revolução no país inteiro. Éramos um punhado de idealistas sendo esmagado pelos muitíssimos militares. 

A inferioridade de forças era tão acentuada que nossas organizações começaram fazendo ações armadas sozinhas e acabaram tendo de juntar duas ou três para as levarem a cabo.

Quanto à cambada de gringos e ricaços que nos combatia, eles eram bem diferentes da fantasia mostrada no filme, um misto tosco de CCCTFP,  Opus Dei linha dura das Forças Armadas. Para começar, não incineravam seus membros.

A igualação dos desiguais é uma tônica no filme

Provavelmente, o delegado Sérgio Fleury foi o único assassinado pelo fogo amigo. Sabia demais e estava descontrolado, daí terem feito dele um raro dono de barco que caiu no mar e morreu afogado. Acredite quem quiser...

Nada além de um road movie metido a besta, Uma batalha após a outra fica quilômetros atrás de Sem Destino, sendo inferior até a Mad Max 2, p. ex. 

Se o Oscar não fosse um festival da indústria cinematográfica e jamais do cinema, eu consideraria descabida a  a premiação  de melhor filme e melhor diretor

Nas principais categorias, o único a merecer a estatueta era o Wagner Moura, como melhor ator. Fez jus a ela por ter conseguido tornar crível um personagem inverossímil.

Já o Sean Penn foi agraciado com a estatueta de ator coadjuvante apesar de haver tido o pior desempenho de sua carreiraMas, já que o Oscar não tem real relevância afora a comercial, tanto faz, como tanto fez. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 16 de março de 2026

A POLARIZAÇÃO ESTÁ INDO PARA O RALO E A DIREITA PODERÁ DOMINAR EXECUTIVO E LEGISLATIVO. VIRARIA ROLO COMPRESSOR.

O
Estadão discorre, em editorial, sobre a sensação de que o ciclo do presidente Lula no poder começa a se esgotar.

Justificativa: Uma série de pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias abalou a autoestima sempre elevada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus sabujos no Palácio do Planalto e no PT (...). Os tropeços lulopetistas estancaram a aprovação de Lula e de seu governo. Em paralelo, Lula e o PT assistem à perigosa consolidação do senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
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Embora seja um óbvio wishful thinking (o Estadão sempre quer derrubar o Lula), cabe aqui aquele lugar comum de que os antigos relógios com ponteiros marcavam a hora corretamente em dois momentos do dia.
Faltou tradição e propriedade
para repetir fielmente o slogan da TFP
  

A série interminável de problemas de saúde do octogenário Lula e do septuagenário Jair Bolsonaro pode levar o eleitorado à conclusão de que ambos não têm mais fôlego para outro mandato. 

A polarização entre os dois está indo para o ralo e é grande a possibilidade de vitória de um político sem tanta rejeição.

Ademais, a falta de programa de governo e até de rumo da atual gestão do Lula deixa mesmo uma péssima impressão

Talvez seja este o motivo de a grande imprensa estar forçando tanto a barra para supervalorizar o pleito. Com a longa exposição do Lula, o eleitorado pode cansar-se dele até outubro e o PT não teria substituto à altura. 

Já se o Flávio saturar os votantes, a direita poderá trocá-lo, sem grande dificuldade, pelo Tarcísio ou a Michelle. 

Mais: sumindo o espantalho ultradireitista (Flávio evita repetir as loucuras genocidas do pai), a necessidade de renovação tende a tornar-se o sentimento dominante daqui a seis meses.

Então, eu recomendo aos dirigentes petistas uma profunda reflexão sobre tudo isso. Afinal, a direita unida e os endinheirados da Faria Lima apoiando Flávio Bolsonaro o fazem, neste instante, o favorito da corrida presidencial. 
 
Insistir com Lula poderá causar uma derrota acachapante e tudo de que não precisamos é de uma direita dominante tanto no Executivo quanto no Legislativo. Viraria rolo compressor.

Está na hora de se avaliarem outras opções. (por Celso Lungaretti)

domingo, 15 de março de 2026

O QUE É RUIM SEMPRE PODE PIORAR. OS BOLSONAROS ESTÃO AÍ PARA PROVAREM

"
...Para se diferenciar do pai, Flávio Bolsonaro adotou um figurino mais moderado, um Bolsonaro que tomou vacina, e entrou de sola nas reuniões com os donos do dinheiro grosso, que começaram a levá-lo mais a sério, até pela falta de alternativas para derrotar Lula.

Fora isso, não se encontra em sua trajetória parlamentar nenhuma pista sobre o que pensa e o que pretende fazer caso seja eleito, algo que possa servir de base para um futuro programa de governo. 

Assim como aconteceu com Jair Bolsonaro em 2018, no embalo da Lava Jato, o que move e sustenta o candidato Flávio é apenas o antipetismo, contra tudo isso que está aí.

Contribui para criar este clima de mal-estar generalizado e de terra arrasada que assola o país a série de escândalos que agora atingem também o Judiciário, associados ao governo pela oposição, que jogaram para segundo plano os bons números da economia, o principal trunfo de Lula para buscar o quarto mandato. 

As sucessivas pesquisas divulgadas este ano deram ao candidato da oposição o mais importante nesta altura do campeonato: a expectativa de poder. De quebra, ainda enterraram qualquer chance para o surgimento de uma terceira via.

Por isso que as pessoas já começam a se perguntar: dá para imaginar Flávio Bolsonaro como presidente da República?

É algo tão surreal que provavelmente não tinha passado antes nem pela cabeça dele. Só quem acreditava em Bolsonaro 2º era o pai, que agora pode concorrer ao prêmio de homem de visão do ano.

Os próximos meses prometem fortes emoções. Apertem os cintos.

Vida que segue." 
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Observação: últimos parágrafos da coluna dominical do Ricardo Kotscho, publicada no UOL. É sobre rachadinhas, mutretas e pesadelos...

Mas, faço uma ressalva: discordo da presunção do Kotscho e outros petistas, de que a economia esteja melhorando.  

Os índices mais reveladores sobre a situação brasileira são os de desenvolvimento humano (Brasil na 84ª  posição) e qualidade de vida (66ª colocação )

Se o PT ainda estivesse na oposição, concordaria comigo: é bem pouco para uma nação com o enorme potencial brasileiro. E tudo indica que, sem livrar-se da exploração capitalista, nosso país jamais decolará. (CL)

sábado, 14 de março de 2026

SÉRIE "COMO FORAM AS CINCO COPAS DO MUNDO QUE O BRASIL CONQUISTOU": 1962. GENIAL, GARRINCHA SÓ NÃO FEZ CHOVER

"Vocês vão ver como é

Didi, Garrincha e Pelé
Dando seu baile de bola
Quando eles pegam no couro
Nosso escrete de ouro
Mostra o que é nossa escola

Quando a partida esquentar
E Vavá de calcanhar
Entregar a pelota a Mané
É Mané Garrincha, Didi,
Didi diz 'é por aqui'
Aí vem o gol do Pelé"

(B. Marques/D. Bezerra)
O Brasil era o favorito do Mundial 1962, no Chile, com seu grupo de jogadores que pouco havia mudado desde 1958, quando deslumbrou o Planeta Bola. A principal alteração estava no banco, com o discreto Aymoré Moreira substituindo o adoentado Vicente Feola.

Mas, a contusão de Pelé, logo na segunda partida, foi um balde d'água fria no nosso ânimo. 
Antes, a Seleção aplicara protocolares 2x0 num México cujo único destaque era o goleiro Carbajal, por já estar disputando seu quarto Mundial consecutivo (acabaria fechando a conta em cinco).

Contra a Tchecoslováquia, o rei tentou um chute de fora da área, que foi à trave enquanto ele ia ao chão, abatido por um estiramento muscular.

A aplicação tática do adversário fez escassearem nossas oportunidades de gol e os dois melhores arremates brasileiros morreram nos postes. 0x0.
Pelé fora de combate

O Brasil entrou em campo no jogo seguinte, contra a Espanha, seriamente ameaçado: uma derrota provavelmente o desclassificaria e um empate o faria enfrentar um adversário mais capacitado na fase seguinte.

Foi um jogo épico, contra um adversário muito forte e que contava com o mito Puskas (húngaro que, após ser o grande destaque da Copa de 1954, assumira a cidadania espanhola).

Chutando da meia lua, Adelardo colocou a Espanha na frente.
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Zagallo cruzou rasteiro para Amarildo empatar.
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Gylmar salvou o Brasil fazendo uma defesa descomunal, depois de rebater um cruzamento, dividindo a bola com um avante espanhol. 
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O grande Gento pegou o rebote dentro da área e desferiu um arremate mortal para o gol, com Gylmar caído. Mas o goleiraço, num lance de puro reflexo, conseguiu erguer o braço e espalmar.

Parêntesis 1: o ponta-esquerda Gento não só era um fora de de série como tinha muito caráter. Certa vez, incumbido de cobrar um pênalti inexistente para o Real Madrid, chutou na direção da bandeira de escanteio, recusando-se a tirar proveito do erro da arbitragem.
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Parêntesis 2: também errou a arbitragem de Brasil x Espanha, ao não assinalar um pênalti cometido por Nilton Santos. Marcou fora da área a falta ocorrida dentro.

Nilton Santos, dito enciclopédia do futebolusou de malandragem, dando um passo dissimulado à frente para confundir o juiz, que estava vindo conferir de perto o local da infração. 

A Espanha reclamou outro pênalti, num lance que naquele tempo os árbitros consideravam bola na mão e não mão na bola (só os toques intencionais eram assim punidos).
A Espanha deu muito trabalho ao Brasil. aqui 

E, no finalzinho da partida, houve mais um, claríssimo, em favor do Brasil, também ignorado.

Parêntesis 3: então com 11 anos, eu não entendia por que o placar do estádio de Viña del Mar estampava a frase porque nada tenemos, lo haremos todo.

Só bem mais tarde vim a saber que um forte terremoto destruíra a infraestrutura futebolística do Chile, dois anos antes do Mundial, mas o dirigente Carlos Dittborn conseguira evitar a mudança de sede, pronunciando então tal frase, que motivou sua gente a, com um esforço descomunal, reerguer tudo em tempo hábil.

Parêntesis 4: tratou-se da primeira Copa do Mundo cujas partidas foram integralmente exibidas no Brasil (em teipe). Passavam na noite do dia seguinte e um locutor agradecia a gentileza do comandante fulano, piloto da Varig, que havia trazido a fita no seu voo.

As duas emissoras que transmitiam futebol, a Record e a Tupi, optaram pelo revezamento: cada equipe se incumbia da locução e comentários de um tempo da partida.

Então, era o chatíssimo Walter Abrão quem resmungava, no finalzinho da partida contra a Espanha, quando Garrincha não atava nem desatava na ponta: É muito egoísmo, ficar prendendo a bola numa hora destas, em vez de servir um companheiro!
Brasil 3x1 Inglaterra está aqui 

Foi a maior queimada de língua que vi na vida. Em mais uma jogada genial daquele que vinha sendo desde o início o melhor atacante brasileiro, Mané se livrou dos adversários, atraiu toda a marcação (inclusive o goleiro) e deu um centro milimétrico em direção à segunda trave, onde Amarildo, desmarcado, esperava para cabecear. O possesso nem precisou pular. 2x1

Apesar do folclore, Garrincha era simplório, mas estava longe de ser um retardado ou desmiolado. Tanto que, quando Pelé se contundiu, a ficha logo caiu para o Mané: era a ele que competia liderar o ataque brasileiro no restante do Mundial.


Então, às suas jogadas desconcertantes mas nem sempre objetivas, ele acrescentou uma inusitada dose de pragmatismo: passou a priorizar o gol.

Nas quartas-de-final contra a Inglaterra, fez um cabeceando do meio da área e outro, sensacional, chutando da intermediária.

Foi quase uma folha seca ao estilo de Didi (só que, com a bola rolando, é bem mais difícil!). 3x1.

Na semifinal contra os anfitriões, o inverossímil: pegou um rebote na entrada da área e com a perna esquerda, que geralmente só lhe servia de apoio, acertou um chute perfeito, no ângulo. 
Para ver Brasil 4x2 Chile, clique aqui 

[ou seja, ele fazia suas diabruras também com a perna esquerda, seis centímetros mais curta!]

De quebra, outro gol de cabeça, quase igual ao da partida anterior. E o Brasil despachou o Chile: 4x2.

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Parêntesis 5: o Mané foi expulso no fim da semifinal, mas o jeitinho brasileiro fez a diferença nos bastidores. O árbitro, providencial ou premeditadamente, não entregou a súmula em tempo, Garrincha escapou da suspensão e pôde disputar a final.

Assim, o Brasil levou a campo sua força máxima, com exceção do contundido Pelé: Gylmar; Djalma Santos,  Mauro, Zózimo e  Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo.
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Com seu bem montado esquema de formiguinhas, a Checoslovaquia foi um osso duro de roer  – mas a sorte, desta vez, lhe seria madrasta. 

Os meio-campistas Masopust (0x1) e Zito (2x1), ambos surgindo como elementos-surpresa, marcaram.

Amarildo, tentando um cruzamento da linha de fundo, viu, com seu espanto transparecendo no olhar, a bola enganar o goleiro Schroiff, que se posicionara para interceptar o centro. Nem ele acreditou no gol  (1x1) que fizera.
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Meio-campista, Zito só fez um gol no Mundial 1962: o que desempatou
a final. Este e outros grandes lances podem ser 
acessados aqui 
E o empolgante Djalma Santos alçou a bola sem maiores pretensões para a área. O pobre Schroiff, melhor arqueiro da Copa, estava num dia pra lá de infeliz. Ofuscado pelo sol, soltou infantilmente a pelota no pé de Vavá, que não perdoou: 3x1. 
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Parêntesis 6: chefiando a delegação, o empresário paulista Paulo Machado de Carvalho foi fundamental para as conquistas de 1958 e 62.

Sob a conturbada liderança dos cartolas cariocas, o Brasil dera vexame em 1950, quando os dirigentes não só entraram no clima do já ganhou!, como deixaram que ele contagiasse os jogadores. 

Chegaram ao cúmulo de recomendar ao limitado e faltoso zagueiro Bigode que não abrisse a 
caixa de ferramentas na final, pois o mundo inteiro estaria olhando. Com Bigode domesticado, o hábil ponta Gighia fez a festa, levando o Uruguai à vitória.
Quantos Mundiais teríamos mais se o Marechal não
se afastasse por incompatibilidade com os cartolas!

E deu novo vexame em 1954, perdendo não só o jogo, mas também a esportiva , contra a Hungria, que era realmente melhor,

O tumulto  generalizado foi tão raivoso que recebeu o nome de Batalha de Berna.

Aí assumiu Paulo Machado de Carvalho, com um enfoque mais profissional do futebol e uma habilidade imensa no quesito 
motivação dos jogadores.


P. ex.: ao ficar sabendo que Didi estava apático e macambúzio porque sentia falta da caninha habitual, o marechal da vitória o levou ao bar e, para surpresa do jogador, pediu duas pingas.

Didi hesitou, mas o velho disse: 
Comigo você pode. Bebe!

Copo do craque vazio, ele foi além: Beba a minha também!. E finalmente: Agora, vá à luta e arrebenta! Nós precisamos de você

Assim era o homem. Então, não foi surpresa que, depois de criticadíssimo pela equipe esportiva da rádio Bandeirantes (SP) ao longo de toda a campanha, ele desse o troco quando um pouco perspicaz repórter da emissora o foi entrevistar no vestiário festivo da conquista do bi.

O comandante vitorioso só disparou uma frase:
Engoliu mais essa, Pedro Luís?

O veterano locutor discursou durante minutos, criticando a mesquinhez de quem aproveitava um momento de júbilo nacional para vinganças pessoais. 

Em vão: tinha ido a nocaute e, como os pugilistas sonados, não se dera conta disto. (por Celso Lungaretti

SÉRIE COMO FORAM AS CINCO COPAS DO MUNDO QUE O BRASIL CONQUISTOUCLIQUE NOS ANOS PARA ACESSAR OS POSTS
1958 - 1962 - 1970 - 1994 - 2002

sexta-feira, 13 de março de 2026

A INDÚSTRIA CULTURAL NOS ENGANA PORQUE GOSTAMOS E A ESQUERDA COPIA AS PAUTAS DO INIMIGO POR OPORTUNISMO.

Já cansei de denunciar que a imprensa burguesa alavanca artificialmente a eleição presidencial de cartas marcadas de 2026, cujos candidatos favoritos estão entre os mais medíocres que vi desde que comecei a me interessar pela política: 
--Lula, dócil refém do Congresso reacionário, com 37% das intenções de voto, segundo o DataFolha;
--Flávio Bolsonaro, herdeiro do pior presidente de todos os tempos, com 34%; e 
--alguns insignificantes empenhados apenas em se divulgarem (nenhum alcança o patamar de 5%, então o máximo que pode almejar é o ganho de musculatura para as eleições vindouras ou a obtenção de uma vaguinha no ministério ou ainda no secretariado de governadores e prefeitos)
 
O pior é que nossa esquerda entra direta no jogo do inimigo, aceitando ser pautada pelos principais veículos da indústria cultural, até porque aposta todas as suas fichas no anticomunista Lula e este só conseguirá reeleger-se numa disputa polarizada entre ele e o filho número um do ex-presidente número menos um. 

Nesta sexta-feira 13, o UOL publica um exercício de futurologia fajuta (montado a partir de citações do José Roberto de Toledo e da Thais Bilenky), segundo o qual Lula se prepara para a eleição mais disputada da nossa História, por causa dos efeitos da agressão estadunidense ao Irã sobre a economia brasileira.

Isto com um semestre de antecedência! Nem sequer  temos a certeza de que, aos 81 anos de idade, Lula não sofrerá problemas de saúde que impeçam sua participação no pleito. 

E há sempre a possibilidade de que algum candidato dispare na dianteira e fique bem à frente dos adversários, definindo a eleição já no primeiro turno ou tornando favas contadas sua vitória no segundo turno. 

Vale também lembrar que é em agosto, após as férias escolares e com o início do horário eleitoral gratuito, que o povaréu começa a escolher em quem votará. 

Afora a incerteza sobre se a próxima eleição superará as realmente disputadíssimas, como:  
--a de 1989, na qual Fernando Collor venceu o segundo turno com 53,03% dos votos, contra os 46,97% do Lula;  
--a de 2014, na qual Dilma Rousseff, a gerentona trapalhona, conquistou 51,64% dos votos, enquanto o tucano de voo rasteiro Aécio Neves ficou em 48,36;  
--a de 2022, cujo resultado final foram os 50,90% do Lula superando os 49,10% do Jair Bolsonaro.

Não há coincidência nenhuma no fato de que, com o ambiente político radicalizado, os dois primeiros fizeram governos desastrosos e Lula se socorre no personalismo para desviar a atenção de que está sem rumo no espaço, fazendo uma gestão econômica que tende a gerar, no próximo quadriênio, outra recessão aguda.

No último governo petista, além de a Dilma acabar sendo impichada, sua reeleição  pavimentou o terreno para Jair Bolsonaro  conquistar a faixa presidencial em 2018. Será que, caso o Lula se reeleja, o raio vai cair de novo no mesmo lugar? 

E que isto importa neste instante para o sofrido povo brasileiro? A nossa esquerda deveria estar representando os superexplorados pelo capitalismo, ao invés de desperdiçar esforços com escaramuças eleitoreiras que a lugar nenhum nos levarão (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 12 de março de 2026

VERGONHA: A FIFA LAMBE O CHÃO QUE OS ULTRADIREITISTAS PISAM!

"
A seleção nacional de futebol do Irã é bem-vinda à Copa do Mundo, mas eu realmente não acredito que seja apropriado que eles estejam lá, por sua própria vida e segurança
", disse o genocida Donald Trump em sua plataforma digital.

Com os EUA admitindo publicamente que são incapazes de garantir a vida e segurança dos integrantes de uma seleção que tem total direito de disputar o Mundial, a Fifa está obrigada a transferir a competição para alguma nação que não anteponha ressalvas intimidantes ao cumprimento dos seus deveres.

Já chega a vergonha que o Comitê Olímpico Internacional passou durante o pesadelo nazista, quando consentiu que os Jogos Olímpicos de Verão de 1936 fossem realizados em Berlim.

Depois de o COI fornecer palco para uma apoteose hitlerista, agora a Fifa se prostrará à ameaça velada de um sub-Hitler? (CL)
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