quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O SHOW DO TORQUEMADA SERÁ UMA ABOMINAÇÃO, MAS MUITO PIOR FOI O CIRCO DE HORRORES DO BOZO

O
Irã teocrático recua cada vez mais para a Idade Média: agora vai realizar julgamentos públicos televisionados que mais parecerão uma cópia atualizada do Tribunal do Santo Ofício

A repressão contra os manifestantes que protestam nas ruas já matou mais de 3 mil iranianos e, quando começar o Show do Torquemada, o número tende a disparar. O céu é o limite.

Nem preciso dizer que repudio indignado tal carnificina. Mas, não temos de optar entre o governo dos EUA e o do Irã, pois ambos reviram o estômago de qualquer pessoa civilizada, Como nos antigos faroestes italianos, o filme que estamos vendo não tem heróis, só vilãos.

Desconfio, portanto, da avalanche de textos que a grande imprensa publica sobre o Irã. Afinal, em termos numéricos, muito pior do que a repressão desencadeada pelos sinistros aiatolás foi o homicídio doloso de algo entre 350 e 400 mil brasileiros por parte do Bolsonaro, quando ele sabotava o combate científico à covid.

Refiro-me àqueles que teriam sobrevivido à pandemia caso o presidente do Brasil não fosse um celerado. 

Nunca esquecerei da morte por asfixia dos coitadezas de Manaus, há exatos cinco anos, que foi uma consequência, principalmente. da escolha deliberada do governo Bolsonaro de ignorar alertas, minimizar a pandemia e tratar vidas como dano colateral.

O Bozo não passa de um Hitler em miniatura e merecia a mesmíssima execração por parte da mídia. Mas parece que, nas contas da imprensa canalha, a morte de alguns milhares tem mais importância do que a morte de centenas de milhares. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

BRUXAS ANDAVAM À SOLTA NO RÉVEILLON

rui martins
O ANO DE 2026 COMEÇOU MUITO MAL (VENEZUELA, IRÃ E CRANS MONTANA)
O ano de 2026 começou mal na Suíça, piorou logo depois na Venezuela e continua tenso no Irã. A sequência pode ficar ainda mais terrível, com uma uma invasão da Groenlândia, desta vez sem o pretexto do narcotráfico.

O ato de pirataria do presidente Trump, ao sequestrar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, rompe o equilíbrio mundial e instaura a lei da selva. Foi esta a principal reação da imprensa internacional. 

O desrespeito à soberania venezuelana, garantido pelo poderio militar dos EUA, fragiliza o respeito e o equilíbrio entre os países e instaura o domínio da força.

Isto não é nenhuma novidade, a maneira como Trump vem agindo lembra a progressão da Alemanha nazista de Hitler. 

Não se pode também esquecer que invasão e ataques já ocorreram e continuam na Ucrânia pela Rússia. E a prometida invasão da Groenlândia lembra as ameaças da China de apossar-se de Taiwan.

Neste momento, ao se buscar uma visão na qual se consiga distinguir quem são os melhores e os piores, podem surgir algumas dificuldades.

Trump é um imperialista interessado em apossar-se de um país e torná-lo um protetorado para ter acesso ao petróleo, mas Maduro não deixa de ser um ditador, tanto que o Brasil não reconheceu sua vitória nas eleições.

Em todo caso, se os donos do mundo são ditadores que talvez cheguem a um acordo de paz repartindo entre si países e suas riquezas, a ONU deixará de ter qualquer utilidade.

O terceiro fator, que tumultuou e tumultua este começo do ano, é o Irã, vivendo um clima de revolta da população, capaz de derrubar a ditadura teocrática islâmica e o aiatolá Khamenei. E aqui, novamente, a confusão: é a esquerda quem apoia o ditador islâmico.

Mas vamos retornar ao primeiro tema do ano, qual seja a tragédia do incêndio no subsolo do bar-discoteca Le Constellation. Tanta insegurança e negligência nos fariam pensar, se fosse no Brasil, em corrupção.

Talvez nunca tenha havido uma passagem de ano tão trabalhosa e tão dolorosa para os jornalistas suíços e europeus, na madrugada do réveillon, no dramático incêndio no  Le Constellation e na luxuosa estação de esqui de Crans Montana.

As chamas e a fumaça, ainda na primeira hora e meia de 2026, acabaram com festejos e alegria. Os socorros foram rápidos mas não puderam evitar 40 mortes e 119 pessoas gravemente queimadas, a  maioria jovens; dos mortos, a metade era de menores.

Coube também aos jornalistas de diversas nacionalidades denunciarem, como responsáveis  pelas irregularidades existentes e pelas dificuldades para sair-se rapidamente do local: 
-- as autoridades locais; 
-- os funcionários encarregados do controle das instalações de casas de diversão;
--e o casal proprietário.
Ninguém poderia imaginar que fosse possível ocorrer tal tragédia na Suíça, onde existe uma real e constante preocupação com a segurança da população. Muito menos numa estação de esqui e num bar-discoteca de luxo.

Entretanto, as negligências cometidas em matéria de segurança levantam suspeitas de que a falta de controles ou os controles malfeitos teriam sido intencionais. As investigações necessárias deverão mostrar por que o estabelecimento funcionava sem as garantias normalmente exigidas.

Numa entrevista à tevê suíça, o embaixador italiano Gian Lorenzo Cornado denunciou não haver sequer extintor ou mangueira de incêndio, nem saída de emergência utilizável. 

O incêndio começou com velas de faíscas nas garrafas de champanhe, cujas chamas chegaram ao teto protegido com material inflamável amortecedor de som.

Nem numa boate de periferia no Brasil existe uma tal insegurança e irresponsabilidade. A saída de emergência estava fechada para evitar que frequentadores do bar saíssem sem pagar.
(por Rui Martins)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

2 FILMES E 4 CANÇÕES SOBRE O HEROICO COMANDANTE GUEVARA, O 'CHE PUEBLO'

 
"El nombre del hombre muerto 
ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente, 
antes que o dia arrebente.
El nombre del hombre muerto, 
antes que a definitiva noite 
se espalhe em Latinoamérica,
el nombre del hombre es Pueblo, 
el nombre del hombre es Pueblo"
(Capinam, Gil e Torquato)
No final da década de 1960 eram muitos os jovens que, em todo o mundo, viam Che Guevara como o próprio símbolo da revolução.

Enquanto Marx, Lênin, Stalin, Trotsky, Mao e o próprio Fidel só significavam algo para os politizados, o Che tinha uma força simbólica indiscutivelmente maior -- e muito mais adeptos na faixa da adolescência e mocidade.

Quais serão os motivos de culto tão perene?

Há quem o atribua, depreciativamente, à semelhança visual entre o Che abatido e o Cristo crucificado, omitindo que as trajetórias também são semelhantes.

Ambos desdenharam os bens materiais e foram solidarizar-se com os pobres, oferecendo-lhes apoio e esperanças. Despertaram a fúria dos poderosos de seu tempo e foram por eles destruídos, terminando sua jornada com muito sofrimento.

Vale também lembrar que os relatos que chegaram até nós sobre o homem de \Nazaré não têm áreas nebulosas como aqueles episódios em que Guevara parece haver incorrido em violência excessiva.
Filme de Walter Salles (2004) sobre o Che de antes da revolução  
Mas, se Cristo disse que não vinha trazer a paz, mas a espada, foi Guevara quem a empunhou. E a guerra nunca inspirou os melhores sentimentos ao ser humano. Pelo contrário, desperta seus piores instintos.

Então, a luta justificada e necessária contra o tirano Fulgêncio Batista pode ter feito aflorar o Robespierre latente naquele homem antes tão afável, como foi retratado no filme Diários de Motocicleta.

Contradições são, enfim, inerentes a todo ser humano. Não existe o herói perfeito e impoluto, salvo em nossa imaginação. 
Canção do Gil e Capinam; participou do Festival da Record de 1967.
ERA BRIZOLA UM GUSANO?  Um relato interessante foi o que me fez o companheiro Moisés (José Raimundo da Costa), antigo militante do Movimento Nacionalista Revolucionário, responsável pela abandonada guerrilha de Caparaó. 

Disse que a dita cuja era parte do projeto de criação de um eixo guerrilheiro unindo Brasil e Bolívia, mas Leonel Brizola, a quem cabia desencadear a luta em nosso país, teria produzido apenas um arremedo de guerrilha, para justificar a dinheirama que recebera do governo cubano.

Não tenho como confirmar, mas as datas coincidem. E algum motivo deve haver para os cubanos naquele tempo se referirem a Brizola como um gusano (verme).
Canção do Milton e Fernando Brant; estava no Festival da Record de 1968   
Totalmente identificado com Fidel até a tomada de poder e durante os primórdios do governo castrista, Guevara acabou percebendo que o socialismo de seus sonhos não seria possível numa ilha pobre, asfixiada pelo embargo comercial estadunidense e obrigada a sujeitar-se às imposições da URSS em troca de ajuda econômica e proteção militar.

Seguindo o exemplo de Garibaldi e Bolívar, ele foi lutar noutros países. Abriu mão do poder e de honrarias para efetuar tentativas desesperadas de romper o isolamento da revolução cubana. E, após sua morte, acabou se tornando o símbolo maior do internacionalismo revolucionário.
EXECUTADO UM DIA APÓS SUA CAPTURA – Seu exemplo e seu martírio inspiraram os jovens que, em 1968, protagonizaram a última maré revolucionária. Tanto os marxistas que foram à luta armada, quanto os neo-anarquistas que barricaram Paris e cercaram o Pentágono, tinham Che como símbolo..
Canção de Cesar Roldão Vieira que participou do III FIC, em 1968 
Tornou-se o maior mito libertário do nosso tempo, alimentando as esperanças de que ainda aconteça aquela revolução com a qual os melhores seres humanos sempre sonharam e Marx tão bem delineou, o reino da liberdade, para além da necessidade.

Pode-se supor que, como Trotsky, ele tenha concluído que a revolução invariavelmente se deforma quando fica restrita a um só país – ainda mais uma nação pobre, atrasada e asfixiada pelo embargo comercial, como Cuba. 

E fez o que poucos fariam: assumiu a missão de encontrar uma saída para o impasse, nas condições mais desfavoráveis.
Canção do Vandré que só foi liberada após a abertura do ditador Geisel 
Morreu em outubro de 1967, executado um dia após sua captura pelo exército boliviano, que nada mais era do que um testa de ferro dos exterminadores dos EUA. Participaram da operação os rangers e os green berets do exército estadunidense, além de agentes da CIA. 

No mundo todo, os jovens que também lutavam contra o Império se identificaram com seus sonhos e seu exemplo. 

Não foram uma foto e um pôster que o transformaram em mito, mas sim esse exemplo de dedicação a uma causa justa até o sacrifício extremo.
Primeiro filme (2009) do Steven Soderberg (2009) sobre a trajetória do Che .
E, como os corações mais sensíveis e as mentes mais lúcidas não conseguiram vencer o sistema regido pela desigualdade e ganância, Che inspira até hoje os que não aceitam o capitalismo globalizado como o fim da História.

Daí a inutilidade dos frequentes ataques à memória do homem Ernesto Guevara -- como os lançados pela mídia reacionária.

Jamais atingirão, contudo, o mito Che Pueblo, personificação dos ideais igualitários que os melhores seres humanos vêm acalentando através dos tempos. (por Celso Lungaretti) 
Observação; fico devendo uma canção raríssima que Sergio Ricardo cantava 
em 1968 com o título de Che Guevara não morreu, foi proibida e voltou
 a partir da abertura política, rebatizada  de Aleluia (CL)
Sequência (2009) do filme do Steven Soderberg sobre a trajetória do Che

domingo, 11 de janeiro de 2026

A CARNE MAIS BARATA DO MERCADO É A CARNE NEGRA (SÓ CEGO NÃO VÊ)

A desigualdade econômica brasileira é vergonhosa para um governo supostamente de esquerda: 1% dos mais ricos concentra 64,2% da renda declarada em 2023, sendo que mais da metade desse volume fica em mãos do 1% privilegiado. 

O cálculo se baseia na declaração de Imposto de Renda de 2023. Mas, como ricaços e riquinhos tiveram 1.001 maneiras para burlarem o fisco, é de supor-se que a desigualdade seja ainda maior.

Tais dados constam do recém-divulgado Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira. Melhor seria intitulá-lo relatório da distribuição da pobreza... 

E as mulheres negras têm a pior renda média anual do País, chegando a receber,  segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e o Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de R$ 20 mil, menos da metade do salário de homens brancos.

Isto ocorre por elas enfrentarem, no mercado de trabalho brasileiro, desvantagens significativas, das quais decorrem consequências como a menor participação, maiores taxas de informalidade, salários acentuadamente inferiores e sub-representação em cargos de liderança (por Celso Lungaretti)
"A carne mais barata do mercado é a carne negra/ que vai de 
graça pro presídio e pra debaixo do plástico/ que vai de 
graça pro subemprego e pros hospitais psiquiátricos"

sábado, 10 de janeiro de 2026

HÁ 10 ANOS MORRIA O 'CAMALEÃO DO ROCK'. MERRY CHRISTMAS, MR. BOWIE

Hoje (10) se completa uma década desde a morte do David Bowie, de câncer no fígado, aos 69 anos. 

Apelidado de camaleão do rock, ele foi uma das figuras mais influentes da cena musical no final da década de 1970 e durante a de 1980, compondo e interpretando suas canções; atuando como ator no cinema e teatro, bem como produtor musical; criando trilhas sonoras, etc. 

Não era um dos meus preferidos como ator ou autor, mas deixo aqui este registro por reconhecê-lo como um dos artistas mais importantes do pós-1968, tanto como um dos principais integrantes do movimento glitter rock, quanto como precursor do punk.

Merry Christmas, Mr. Bowie, ainda que seja com uma quinzena de  atraso... (por Celso Lungaretti)

Em Furyo, em nome da Honra),do Nagisa Oshima (1983),  Bowie teve uma 
de suas melhores atuações como ator e ganhou muitos prêmios como compositor

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA RECEBERÃO REAJUSTE OU ESMOLA?

O piso dos professores da educação básica para jornada de 40 horas semanais é de R$ 4.867,77. Agora, pelos critérios vigentes desde 2020, deveria ser reajustado em míseros 0,37%, equivalentes à merreca de R$ 18,01. 

Mas o Lula pretende editar uma medida provisória para reduzir ainda mais tal percentual. Daqui a pouco o aumento será de centavos e não mais de reais.

Uma pergunta: em 1978/80, quando se projetou nacionalmente como líder das grandes greves do ABC, o Lula ousaria submeter aos trabalhadores uma proposta patronal de reajuste que mais parecesse um insulto à categoria?

A resposta é não. Caso contrário a massa chutaria a mesa na Vila Euclides na qual ele subia para discursar, jogando-o ao chão.

Quem te viu, quem te vê! (por Celso Lungaretti)

Terá o Lula saudade da professorinha? Mais parece ódio...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

NÃO TOLERO LERO-LERO

Li que a Organização dos Estados Americanos convocou uma reunião extraordinária para os representes dos vários países fazerem discursos estridentes mas nada decidirem de concreto contra os EUA em função do sequestro de Maduro.

O blablablá do embaixador Benoni Belli, representante permanente do Brasil junto à organização, teve como principal trecho o seguinte:
“Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”. 
A pior roubada do mundo é ser aliado do Lula
O que o Brasil fará contra tal
precedente extremamente perigoso? Nada. 

Ficará torcendo para a blitzkrieg do Adolf Trump não avançar Amazônia adentro. 

Fez-me lembrar que fazia um tempão que eu não disponibilizava aqui a ótima canção Lero-Lero, composta pelo Edu Lobo e Cacaso. 

É um bom momento para eu preencher essa lacuna. (por Celso Lungaretti) 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

SÓ INGÊNUOS DUVIDAVAM DE QUE O LULA PERMANECERIA EM CIMA DO MURO

O Lula queria liderar a América do Sul, mas
a agressão à Venezuela o colocou no seu lugar
C
onfirmando minha previsão de que o Lula permaneceria em cima do muro diante do sequestro de Maduro, fontes palacianas informam que sua postura deverá ser a de apenas pregar genericamente a importância da soberania do Brasil e da América do Sul, deixando o ex-aliado entregue às urtigas. 

Já foi nesta linha o pronunciamento do Itamaraty no Conselho de Segurança da ONU: ao invés de um rugido, um miado. 

Depois da porta arrombada, declara que os EUA não têm autonomia para invadir um país e depor seu presidente sem anuência internacional. 

Faz lembrar quando Inglaterra e França permitiram que Hitler invadisse a Áustria e partes da Checoslováquia, só declarando guerra à Alemanha quando esta anexou a Polônia. 

Daquela vez foi com um vergonhoso atraso de um ano e meio de atraso que ambas reagiram à altura. Desta vez, quanto tempo demorará? 

Se depender do Lula, uma eternidade. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

CLÁSSICO DO CINEMA ANTI-IMPERIALISTA, 'GRINGO' É A ATRAÇÃO DA 'FILMES PARA VER NO BLOG' DE HOJE. TEM TUDO A VER!

Gian-Maria Volonté e Lou Castel: amizade inesperada. 
Q
uando acompanhamos indignados a nova agressão do Trump ao continente americano, talvez nos sirva de um pequeno consolo assistir a este excelente faroeste anti-imperialista do cinema italiano.  

O que gostaríamos de ver é uma união de países contra a pirataria internacional e a entrega de um ultimato ao sequestrador fanfarrão, mas não podemos esperar algo assim dos presidentes bananas de nuestra América, começando pelo Lula.

Isto porque ele se mostra mais apreensivo com as sequelas eleitorais do episódio do que com o risco que a própria Amazônia passou a correr de ser ocupada e saqueada. Então, fiquemos com a arte, pois a vida anda uma desilusão só...  
Klaus Kinski: messiânico e carismático.
Gringo é o filme de 1967 que apontou um novo rumo para a carreira do diretor e roteirista Damiano Damiani (1922-2013), cujas incursões pelos épicos, dramas e comédias haviam tido resultados inexpressivos.

Ao contar uma história com fundo político e todos os ingredientes do cinema de ação procurados pelos fãs dos westerns, conseguiu agradar não só à clientela habitual dos bangue-bangues (desacostumada a a roteiros com essa qualidade superior e a tal excelência de interpretações, trilha sonora e direção), como também atrair um público mais politizado.

Gringo (também conhecido como Uma bala para o general) mostra  o mercenário estadunidense El Niño (Lou Castel) tentando chegar ao acampamento de um dos líderes da Revolução Mexicana, dom Elias (Jaime Fernández) para o assassinar a soldo do reacionário governo asteca. 

Consegue infiltrar-se num grupo guerrilheiro que ataca trens e guarnições militares para obter armas destinadas a Elias, mas sua tarefa se complica quando nasce uma inesperada amizade entre ele e o comandante da tropa, El Chuncho (Gian-Maria Volonté).

Num filme superlativo, com vários momentos inesquecíveis, destaque também para a primeira  interpretação impactante do Klaus Kinski, como El Santo. (por Celso Lungaretti)

domingo, 4 de janeiro de 2026

BARBA NEGRA NÃO É MAIS O MAIOR PIRATA DE TODOS OS TEMPOS. TRUMP, O CORSÁRIO DO PETRÓLEO, TOMOU SEU LUGAR

"Eu sou o pirata da perna de pau,
do olho de vidro, da cara de mau

...Minha galera
Só tem garotas na guarnição,
Por isso se outro pirata
Tenta a abordagem, eu pego o facão
E grito do alto da popa:
Opa! Homem não"

(marcha composta pelo Braguinha que 
fez muito sucesso no carnaval de 1946) 

sábado, 3 de janeiro de 2026

TODO APOIO AO POVO VENEZUELANO! NÃO PODEMOS ACEITAR A AGRESSÃO IMPERIALISTA!

 

Trump deu mais um passo em sua sanha criminosa ao atacar na madrugada deste sábado (03/01) a Venezuela e sequestrar Maduro e sua esposa. Independentemente da caracterização que possa ser feita do governo de Maduro e do atual estado do regime naquele país, é inadmissível uma intervenção militar imperialista a um país soberano com bombardeios a cidades.

Por óbvio, a ação não visa democracia, o bem-estar do povo venezuelano ou mesmo o combate ao narcotráfico, essas são apenas desculpas para perpetrar o ato de agressão militar. O fato é que a extrema-direita venezuelana não possui forças para retomar o controle do governo daquele país e precisou de uma ação ação militar dos EUA para tal. 

Os ataques são a cumulação de um longo processo de cerco e isolamento da Venezuela, com a imposição de sanções, sequestros de recursos e bloqueios econômicos, na tentativa de asfixiar a economia venezuelana, provocar o caos e levar à derrubada de Maduro. Até hoje as ações foram infrutíferas e o regime se revelou resiliente o que levou Trump a tomar o passo seguinte, a intervenção militar direta.

Mesmo que Maduro seja deposto, é pouco provável que o regime cairá, pois está alicerçado em uma estrutura política muito densa e sólida. Na realidade, o ataque dos EUA pode levar a um reforço dessa estrutura, galvanizando grupos que estavam afastados do chavismo e unindo o povo em torno das lideranças do governo. A resposta do ditador laranja pode ser uma invasão aberta, o que poderá conduzir a uma tragédia inimaginável. 

Seja como for, as ações de hoje colocam não apenas a América Latina, mas o mundo inteiro em uma rota desconhecida de profunda instabilidade que pode nos levar a um grande cataclisma bélico. Juntamente à crise da Ucrânia, de Taiwan e da Palestina, o capitalismo vai tragando a humanidade para o abismo. 

Neste momento, devemos prestar nossa total solidariedade ao povo venezuelano e manifestar nosso completo repúdio a Trump e sua ação criminosa! (por David Coelho) 

MEU TOTAL REPUDIO À AGRESSÃO DOS EUA CONTRA A VENEZUELA. MAS, DUVIDO QUE NOSSOS PRESIDENTES BANANAS REAJAM

Mesmo sem jamais haver tido simpatia pelo chavismo, considero anacrônica, covarde e inaceitável a agressão estadunidense à Venezuela. Então, como sempre, minha solidariedade vai toda para a parte mais fraca.

Infelizmente, tenho a certeza de que os presidentes bananas sul-americanos (com exceção do canalha Javier Milei, lambe-botas do Trump) farão discursos indignados e, por meio de seus representantes, chororô no muro de lamentações que é a ONU. Contudo, não se unirão para a tomada de uma atitude mais contundente contra o vilão imperialista à moda antiga.

Quanto ao Lula, cuja trajetória acompanho desde as grandes greves do ABC, não me surpreenderei se no futuro viermos a saber que uma reação frouxa no episódio venezuelano tiver sido a contrapartida dele previamente exigida para o esvaziamento da chantagem tarifária contra o Brasil. Se non è vero, è ben trovato...

O sequestro do Maduro, um indiscutível ato de pirataria internacional, só admite uma resposta: ultimato conjunto aos EUA exigindo sua libertação e, se não for atendido, declaração de guerra. 

Mas, os leitores decerto nem sequer cogitam que  tal linha de ação venha a prevalecer. Mais de um século depois, engoliremos abúlicos tal retrocesso à política do grande porrete de Theodore Roosevelt. Acostumamo-nos à indignidade. 

Que falta faz uma esquerda de verdade por aqui! (por Celso Lungaretti)

Lembrança de uma América do Sul que resistia aos déspotas

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

BRASÍLIA É TERRITÓRIO INIMIGO: NELA NUNCA HÁ DE CHEGAR NOSSO CARNAVAL!

Quando o Carnaval Chegar é a canção mais emblemática do período que vai da derrota da luta armada até a redemocratização do Brasil.

Depois que a imensa superioridade de forças do inimigo condenou ao fracasso a heroica tentativa de sairmos da ditadura pela porta da frente, só nos restou mesmo a longa espera de que ela ruísse em decorrência de suas próprias contradições. 

Houve, claro, momentos fulgurantes como o repúdio ao bárbaro assassinato de Vladimir Herzog em 1975 e as diretas-já em 1983/84, mas todos desconfiávamos que não seria tão fácil expelir os militares do poder que exerciam como usurpadores e déspotas.

E existia a resistência cotidiana aos abusos e atrocidades, cujo símbolo mais marcante foram D. Paulo Evaristo Arns e sua abnegada equipe, o embrião do Tortura Nunca Mais.

Mas, não estava em nossas mãos darmos um fim à ditadura. Sentíamo-nos exatamente como Chico Buarque descreveu: "Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar/ Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".

Lá por meados da década de 1970, quando terminou o último dos quatro julgamentos a que fui submetido em auditorias militares, eu tive de fazer minha opção: permanecer ou não no Brasil? 

Ao sair dos calabouços verde-oliva, ainda sob o impacto de tudo que sofrera nos porões verde-oliva, decidi embarcar para qualquer país civilizado tão logo pudesse fazê-lo legalmente, já que não tinha como montar um esquema de fuga minimamente confiável.

Aos poucos, contudo, foram-me voltando os sonhos, as elucubrações sobre o que faríamos quando, findo o pesadelo, pudéssemos finalmente reconstruir este país. "Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".

Mais do que quando militava na VPR, eu tinha a noção exata do que precisava ser feito para o Brasil voltar a ser, pelo menos, uma nação civilizada. Nos bares, nosso refúgio, eu e os amigos discutíamos ponto por ponto as medidas a serem tomadas no glorioso day after.

Era nosso lenitivo para continuarmos engolindo os sapos de cada dia. "E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar"

Mas, a classe política frustrou nossas esperanças e destruiu nossos sonhos. Com a ditadura já agonizante, manobrou para que fosse rejeitada a Emenda Dante de Oliveira, que restituiria o poder a quem de direito, os cidadãos eleitores deste país. 

E o maquiavélico Tancredo Neves pôde, triunfalmente, anunciar que chegara "a hora dos profissionais".

O candidato da ditadura, Paulo Maluf, não seria detonado pelo povo nas urnas, mas sim por umas poucas centenas de parlamentares no Colégio Eleitoral, o que se constituía num símbolo gritante da exclusão do povo na tomada das grandes decisões nacionais.

Pior: Maluf deixou de ser eleito graças a seus iguais, os congressistas que, como ratos, abandonaram o navio da ditadura que já fazia água, para assegurarem a manutenção dos seus privilégios na Nova República.

A indústria cultural, com a Rede Globo à frente, conseguiu vender a ilusão de que tanto dava a diretas-já quanto a vitória no espúrio Colégio Eleitoral. A longa agonia pública de Tancredo Neves era a peça que faltava no quebra-cabeças. A pieguice obnubilou as consciências. Os maus venceram, como quase sempre.

E tocada, entre outros, pelos que haviam sido sustentáculos da ditadura, a redemocratização ficou pela metade, como convinha à burguesia, que antes exercia o poder por meio dos fardados, depois passou a exercê-lo por meio de civis safados.

Nem sequer foram punidos os assassinos seriais da ditadura. Nem sequer foram devolvidos os corpos de companheiros martirizados. "Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar". E não adiantou esperar o carnaval, pois ele não chegou.

Assista ao filme...
Gato escaldado, nunca mais acreditei que a redenção dos males brasileiros pudesse provir das tempestades em copo d'água da política oficial. Sabia/sei que a chegada do nosso carnaval não depende da desgraça momentânea dos Tarcísios, das Michelles, dos Flávios e dos Jaíres (embora seja inconcebível que este último escape de uma punição exemplar como golpista e como homicida culposo, pois seria a avacalhação suprema do Brasil!).

Esses senhores nunca determinaram os acontecimentos, apenas cumprem/cumpriram determinadas funções dentro do sistema de exercício e sustentação do poder burguês. Então, enquanto tais funções não forem extintas, suas agruras só servirão para jogar poeira colorida nos olhos do povo.

Trata-se apenas de um sacrifício ritual para servir como catarse aos "de fora". Cada vez que um desses espantalhos tomba, a indústria cultural cria a ilusão de que a justiça foi feita e as instituições funcionam. 

Mas, saem uns, entram imediatamente outros da mesma laia; a desigualdade e a podridão continuam as mesmas.

Há ingênuos que pensam ser fundamental garantir a vitória do Lula (força auxiliar da dominação burguesa) contra os candidatos da direita escrachada. Parecem ignorar que desde a década de 1980 o Lula tudo tem feito para domesticar a esquerda, trocando a luta de classes pelo jogo de cartas marcadas das eleições. Infelizmente, com êxito.

E, ao que tudo indica, nem neste 2026 haverá uma esquerda combativa preparando o carnaval, que só chegará quando os cidadãos assumirem a iniciativa de, eles próprios, colocarem-no nas ruas, sem se deixarem iludir pelas pantomimas brasilienses. (por Celso Lungaretti)

...e curta a canção.

Related Posts with Thumbnails