quinta-feira, 28 de maio de 2026

FLÁVIO BOLSONARO PRESTA VASSALAGEM A DONALD TRUMP: ATÉ QUANDO ESSE CLÃ REPULSIVO ENVERGONHARÁ O BRASIL?

O MORDOMO DA CASA BRANCA

O senador Flávio Bolsonaro empenhou-se em conseguir uma foto ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo de provar, aos que duvidam de sua candidatura no campo da direita, que é forte o bastante para ter acesso à Casa Branca, espécie de Meca dos reacionários de todo o mundo, mesmo sendo apenas um parlamentar brasileiro medíocre. 

Nesse sentido, pouco importa se o encontro durou um minuto ou uma hora, conforme diferentes versões. O que interessa, para o clã Bolsonaro, é que aconteceu e foi registrado numa imagem que pode dar sobrevida a uma candidatura questionada mesmo por alguns dos mais fiéis adeptos do bolsonarismo, graças aos enroscos de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista de um dos maiores escândalos da história recente do País.

Dito isso, a imagem vale muito mais do que mil palavras. Fora os fanáticos seguidores de Jair Bolsonaro, ninguém consegue enxergar ali alguém que pretende ser chefe de Estado no Brasil. Pelo contrário: na pose de mordomo da Casa Branca, Flávio transpira subserviência a Trump. Tal comportamento é o exato oposto do que se espera de um presidente da República, que representa o Estado brasileiro nas relações internacionais e, por isso, deve ser sempre altivo.

Mas ali Flávio Bolsonaro não representava o Brasil e, caso seja eleito, continuará sem fazê-lo. O único propósito de Flávio é representar sua família, sobretudo seu pai, hoje em prisão domiciliar em razão de uma tentativa de golpe de Estado. 

Por isso se comportou como um orgulhoso sabujo de Trump: para deixar claro que, uma vez presidente, colocará o Brasil a serviço do trumpismo. 

Coisas assim deveriam horrorizar os bolsonaristas que se dizem patriotas.

Mas o bolsonarismo que Flávio herdou do pai e que tenta manter, de maneira um tanto atabalhoada, não hesita em sacrificar os interesses brasileiros se isso representar a manutenção do poder do clã Bolsonaro. 

Ao lado de Flávio no encontro com Trump estava o irmão Eduardo, certamente o responsável pela visita. Deputado que perdeu o mandato por faltas, Eduardo, autoexilado no Texas, há tempos trabalha para envenenar as relações entre Brasil e EUA com o objetivo de fustigar Trump a intervir aqui em favor de Jair Bolsonaro.

Como se recorda, a traição dos Bolsonaros ao País funcionou num primeiro momento, quando Trump impôs draconianas tarifas comerciais ao Brasil como forma de pressionar o País a rever a condenação de Jair Bolsonaro. Depois, no entanto, o instinto transacional de Trump falou mais alto e ele percebeu que faria melhor negócio se dialogasse com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva – a quem chamou de presidente dinâmico

Mas esse revés não parece ter desanimado a família Bolsonaro, que continua empenhada em envergonhar e prejudicar o Brasil usando suas relações com a extrema direita americana para ter acesso a Trump e usar essa suposta proximidade com o presidente americano como trunfo eleitoral.

Todo esse esforço, contudo, resultou apenas numa foto que rapidamente serviu de matéria-prima para todo tipo de piada nas redes sociais. Não poderia ser diferente, considerando-se que nada a respeito desse encontro deve ser levado a sério, pois só serviu para dar um respiro a Flávio em meio ao escândalo de sua relação com Daniel Vorcaro. 

Se a campanha de Flávio tivesse produzido a imagem com inteligência artificial, ou se o aflito senador tivesse posado com um Trump de papelão, teria obtido o mesmo resultado e ainda pouparia o dinheiro da viagem a Washington.

Mas Flávio adicionou pilhéria à bazófia. C onsiderando-se que o senador mentiu seguidas vezes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, é muito difícil acreditar em qualquer coisa que ele diga a respeito do encontro com Trump – ainda mais porque só temos a sua versão sobre a reunião. 

A julgar pelo que ele relatou aos jornalistas pouco depois do encontro, Flávio falou de tudo com o presidente americano, desde terras raras até crime organizado, passando por tarifas e a saúde do pai. E ainda deu dez minutos de lambuja para Trump comentar sobre as obras para o salão de baile na Casa Branca. Já a julgar pelo site da Casa Branca ou pelas redes sociais de Trump, que ignoraram o encontro, a coisa toda se resumiu mesmo à imagem embaraçosa de Flávio. (editorial d'O Estado de S. Paulo de 20/05/2026)

quarta-feira, 27 de maio de 2026

LEGADO DE UM REVOLUCIONÁRIO/16

Gostaria de deixar como legado, para os que virão depois, o fim da exploração do homem pelo homem. 

Agora me caiu a ficha de que raríssimos revolucionários conseguem realizar algo tão grandioso como o que sonhavam. Nem sequer duradouro. Mas, desde a Comuna de Paris nossas vitórias são temporárias e nossas derrotas, devastadoras. 

Mesmo assim,  não me arrependo do rumo que segui e das opções que fiz. Sou incapaz de imaginar-me como um homem egoísta, movido por ambições menores, indiferente às vítimas do terrorismo de estado que assolou o Brasil. 

Quando, nas minhas palestras, alguém me perguntava se tinha valido a pena sacrificar tanto para obter tão pouco, eu respondia que já era deplorável um país de 90 milhões de habitantes haver apenas uns 3 mil  dispostos a correr os riscos de lutar pela liberdade, mesmo que seja em enorme desigualdade de forças; menos ainda  seria vergonhoso.

Assim como a Resistência Francesa não conseguiu vencer os nazistas (as tropas aliadas é que o fizeram) mas salvou a honra da França, nós não acabamos com a ditadura nem fizemos a revolução, mas salvamos a honra do Brasil. Depois de tanta derrota sem luta, finalmente uns poucos enfrentamos a repressão na praia dela, o campo de batalha., e até conquistamos êxito em algumas situações. 

A partir daí, os rompimentos de paradigmas foram se sucedendo:
**  oito jovens, com idades entre 17 e 21 anos, terem partido para a luta armada, exatamente quando os quadros  mais velhos e mais experientes dela se distanciavam, por ter-se tornado quase kamikaze a partir da decretação do ato institucional número 5;
** minha surpreendente designação, aos 18 anos, para a posição de comandante estadual daVPR e meu papel do racha da VPR, iniciado por mim e pelo José Raimundo da Costa (Moisés);
** eu ter resistido a uma proposta de reingresso num partido de esquerda, em meados da década de 1970, desde que desse uma entrevista a jornalistas do Brasil e correspondentes do exterior, relatando as torturas a mim infringidas mas omitindo que a VPR consentira na minha estigmatização, mesmo sabendo que eu sequer conhecia a localização da área 2 de treinamento, estourada pela repressão (ao contrário de muitos outros militantes que aceitaram fazer mea culpa insinceras para serem readmitidos como coitadinhos, esperei  34 anos mas resgatei a verdade e o respeito dos companheiros).

Cedo percebi que, depois de destruída a VPR, não havia mais dirigentes que fizessem questão de que eu fosse mantido como bode expiatório de fatos ocorridos em 1970. O problema era eu não aceitar a infalibilidade dos comandantes. Minha reabilitação implicaria o reconhecimento de uma injustiça dos mandachuvas, ainda que de outra organização, e era isto que os incomodava.

Mas ceder a eles seria a negação de tudo que aprendera na prisão quando. finda a fase das torturas, refletia longamente sobre o que acontecera conosco. Era difícil eu aceitar que, embora estivéssemos basicamente certos, houvéssemos sofrido tamanho massacre.

Para encurtar a história, conclui então que, até o esmagamento da Comuna de Paris em 1871, o socialismo e o anarquismo haviam sido o que Marx sonhara: uma onda revolucionária varrendo o mundo. 

Depois de derrota tão amarga, ingredientes autoritários foram sendo aos poucos acrescentados, até a época atual, quando a esquerda humanista quase desapareceu e as
nomenklaturas brotaram como cogumelos, incapazes de forjar regimes duradouros e sucumbindo, mais dia, menos dia, às armas, ao consumismo e à lavagem cerebral do capitalismo.. 

Como começarmos a desconstruir tal colosso? Minha única certeza é de que não será a partir das eleições de cartas marcadas da democracia liberal. São um engodo. Reproduzem infinitamente o capitalismo, mesmo no seu estado terminal de hoje em dia.

Tantos espertinhos á se proclamaram corregidores de Marx, mas a contradição básica do capitalismo permanece a mesma: ao descolar a produção do consumo, permite que uma parte dos indivíduos viva de forma nababesca e outra parte seja reduzida à pobreza. Então, entre a extrema pobreza e a pobreza em países de renda média, cerca de 44% da população mundial é pobre. Os ricos são aproximadamente 10%.

Há como tornar 44% igual a 10%? É óbvio que não! E, para piorar, é o percentual dos ricos que cresce, não o dos pobres. Então, os exploradores têm um poder de fogo cada vez maior para a preservação de sua condição privilegiada, e não se vexam de utilizá-lo.

Aproximamo-nos de outra grande depressão, que tende a ser mais grave ainda do que a iniciada em 1929 A forma de evitá-la seria colocar o atendimento às necessidades  humanas como prioridade máxima da economia, ao invés do lucro.

Com uma organização diferente da sociedade, hoje é possível proporcionar a cada ser humano o necessário para uma existência digna. Os 
avanços científicos e tecnológicos o possibilitam. 

Mas, como chegarmos a isto se, por exemplo, há canalhas no Brasil que movem céus e terras para evitar a introdução da escala 5x2, já insuficiente e abandonada por vários países?!

A crise do subprime, em 2008, já deveria ter servido para alertar os donos de gado e gente que há um tsunami econômico em gestação. Mas, nada consistente está sendo feito para evitá-lo. 

Pelo contrário, o presidente estadunidense Donald Trump torna o mundo cada vez mais desigual e desumano, revivendo as práticas mais sórdidas do capitalismo selvagem, afora esforçar-se em estimular a beligerante imposição da força sobre os países mais fracos. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 25 de maio de 2026

ALÉM DE FABRICAR QUEIJO E CHOCOLATE, A SUÍÇA AGORA PRODUZ NEONAZISTAS

rui martins
A SUÍÇA QUER FECHAR AS PORTAS
Dia 14 de junho, o povo decidirá por voto secreto se a Suíça deve limitar sua população a 10 milhões de habitantes. 

Tal votação foi provocada pelo partido da extrema direita, UDC, com o objetivo de impedir a entrada de novos imigrantes na Suíça. A sondagem mais recente mostra uma pequena vantagem dos conservadores favoráveis a um limite da população.

A Suíça é um raro país governado pela democracia direta. Isso significa a possibilidade dos suíços proporem modificações nas leis do país nas esferas municipais, cantonais ou estaduais e federais. Não é fácil, mas diversas leis vigentes tiveram sua origem por iniciativa popular, aprovada pela maioria dos votantes em todos os cantões.

Desde sua criação em 1891, já houve mais de 200 iniciativas federais propondo modificações na Constituição suíça, das quais 26 foram aprovadas e entraram em vigor.  

A mais recente foi a criação e aprovação pelo povo, em 2024, de um décimo terceiro pagamento anual para os aposentados. Nisto o Brasil antecipou a Suíça em 61 anos, pois o décimo-terceiro salário brasileiro foi criado em 1962, incluindo também a aposentadoria em 1963, no governo João Goulart.

Existe hoje na Suíça uma preocupação com as consequências negativas, caso a iniciativa popular prevaleça, com o
Não a uma Suíça de 10 milhões sendo aprovado pelo povo.

Experiências parecidas, vividas por outros países, reforçam as más previsões econômicas para uma Suíça de fronteiras fechadas. Mesmo porque a dita cuja seria obrigada a romper compromissos e tratados com a União Europeia garantindo a livre circulação de pessoas.

O primeiro-ministro inglês Keir Starmer, após sua derrota eleitoral no mês passado, reconhecia os prejuízos da política isolacionista do Brexit e falava numa reaproximação com a União Europeia, embora evitasse tocar num retorno com anulação do brexit pelas complicações políticas e econômicas decorrentes.

Na verdade, o brexit foi um tiro no pé, mas a União Europeia não acredita num breturn depois da vitória, nas eleições municipais, do partido Reform UK, de Nigel Farage, o arquiteto do brexit, juntamente com Boris Johnson e David Cameron. 

Um swissexit, provocado por um voto popular suíço isolacionista, não teria o mesmo efeito negativo do referendo brexit?

Outro exemplo de contenção do aumento da população foi o da
política do filho único na China, de 1979 a 2015, com o objetivo de garantir o desenvolvimento chinês. 
Uma iniciativa popular pode jogar no lixo esta bandeira...

Isto acabou criando um desequilíbrio de gênero na China, pois a maioria dos casais, obrigados a ter um só filho, preferia ter menino.

A população foi se tornando idosa sem ser gradativamente substituída por jovens, isso que gerou uma diminuição da força de trabalho.

Desde 2021 os casais podem ter três filhos, mas agora são eles mesmos que decidem ter um ou dois filhos provocando baixa taxa de natalidade e um desequilíbrio demográfico.

Para complicar ainda mais a situação, a China enfrenta uma explosão de casos de demência (síndrome designativa de funções cognitivas que incluem o Alzheimer) na sua enorme população de idosos. 

Sem esquecer da falta de cuidadores dentro da família chinesa para zelar pelos avós e pais envelhecidos. A política do filho único criou para os jovens a responsabilidade de assumir, durante a vida, os cuidados dos quatro avós e dos dois pais.
...substituindo-a por esta. As cores se parecem

O cronista Yves Petignat, do jornal suíço Le Temps, destaca o paradoxo de que o partido UDC, autor da iniciativa popular, tem sua força justamente na Suíça rural, longe dos centros urbanos, onde a população está envelhecendo, existe desequilíbrio demográfico e a maioria dos jovens prefere ir viver nos .centros urbanos. 
(por Rui Martins)  

domingo, 24 de maio de 2026

LEGADO DE UM REVOLUCIONÁRIO/15

Três meses depois, diante da Faculdade de Filosofia,
seria travada a
batalha da rua Maria Antônia
De 1979 a 1984 trabalhei em revistas de cinema e de música, quando fiquei conhecendo profissionalmente boa parte dos que atuavam em ambas as frentes. Mas houve apenas três nos quais o relacionamento se tornou mais profundo.

O primeiro ainda no tempo do movimento secundarista, quando fomos na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, na rua Maria Antônia, para acompanhar uma assembleia para se discuti como o movimento estudantil daria seu poio à greve de Osasco (a primeira com a tomada de fábricas, seguida pela ocupação da cidade por numeroso contingente de policiais militares).

Os quatro chegamos adiantados e estávamos esperando o começo da assembleia que, como era frequente naquela época, não se iniciaria na hora marcada. Foi quando vimos o cantor e compositor Geraldo Vandré no saguão de entrada, sendo hostilizado pelos universitários.

Era meu ídolo desde que ouvira pela primeira vez sua Canção Nordestina. Depois de descrever a situação de penúria de seu povo (é paraibano) ele lançou um grito que começava baixo mas ia crescendo até me fazer estremecer: E essa dor no coração/ aaaaaAAAAAAIIIIII, quando é que vai se acabar?/ Quando é que vai se acabar?

A partir daí comprei um o último dos seus elepês, passei a acompanhar suas aparições na TV e torci por ele nos grandes festivais de MPB. Os companheiros que estavam comigo também gostavam de suas composições, embora com menos intensidade. 

Vendo-o naquela saia justa, o mais velho de nós, o Diego Perez Hellin, o convenceu a ir conosco oo bar da esquina para tomar umas cervejas. Seria uma saída honrosa para ele, ao invés de retirar-se como um vira-lata escorraçado. 

Por que estava sendo desprezado daquela maneira? É que no recente primeiro de maio, o PCB convencera o governador Abreu Sodré a participar da comemoração do Dia do Trabalhador, mas os partidos e organizações mais à esquerda o apedrejaram tão logo tomou a palavra.  Alguém o acertou e um filete de sangue escorria da testa do governador.

Então o Vandré, para surpresa geral, ajudou o Sodré a escafeder-se, indo se abrigar na catedral da Sé. A foto dessa ajuda foi publicada na capa da Folha da Tarde e, por não saberem que o Sodré era velho amigo do  artista, os universitários passaram a xingá-lo de traíra

Bem mais tarde, um amigo confiável me contou que, quando trabalhava na Imprensa do governo paulista, constatara que o Sodré abrigava o Vandré em pleno Palácio dos Bandeirantes. Era raro um político profissional correr o risco de esconder alguém caçado pela repressão. 

O bate-papo com ele durou algo entre duas e três horas. Canções foram cantadas e o Vandré nos mostrou a que ele estava então criando, os versos escritos num papel grande de embrulhar pão, com várias palavras riscadas e substituídas por outras. Era a Caminhando

Ou seja, por um destino insólito ficamos conhecendo previamente a canção que seria símbolo da luta contra a ditadura militar e faria os milicos destruírem a vida do Vandré.

Quando a Caminhando  (ou Pra não dizer que não falei das flores) se tornou quase um hino revolucionário, ninguém ou quase ninguém ficou sabendo que a música havia sido composta pelo Vandré para reafirmar suas convicções, tipo eu continuo o mesmo e ainda acredito nas mesmas coisas

Nem eu poderia divulgar o episódio como merecia, pois, além do receio de ser novamente preso, construíra uma reputaçãozinha como crítico de rock e não tinha cacife para publicar na grande imprensa algo tão polêmico. 

Quando a abertura ampla, geral e irrestrita do ditador Geisel estava no auge, a Caminhando foi liberada e a cantora Simone a relançou em dezembro de 1979. Levei ao Vandré a proposta de escrever algo sobre ele para um pacote de revistas importantes e ele respondeu que, como não tinha disco para lançar, não tinha motivo para aparecer na imprensa. 

Mas acabamos conversando, novamente por duas ou três horas, no apartamento da rua Martins Fontes em que ele morava havia muito tempo. 

Ele pediu para manter em off tudo que rolou nesse papo e eu cumpri a promessa. Mas fiquei muito frustrado porque teria algo significativo a revelar:
-- que, embora passasse por louco, o Vandré falava coisa com coisa. Disse, p. ex., que a Caminhando poderia voltar a ser sucesso na voz da Simone, mas ele não deveria voltar junto. Ou seja, insinuava que poderia ser retaliado pela repressão ou alvo dos atentados terroristas de extrema-direita que estavam ocorrendo;
-- que só voltaria a cantar no território nacional quando aqui vigesse a plenitude democrática (e cumpriu, indo apresentar-se no Paraguai, nas proximidades da fronteira com o Brasil);

Eu gostaria de haver lançado um texto atestando que o Vandré não estava biruta, mas a ocasião não se apresentou. Só o fiz após a devolução do poder à cidadania. 

Mas, quando o Vitor Nuzzi lançou uma biografia do Vandré, reacendendo a discussão sobre o equil´brio mental do artista, eu publiquei uns 10 artigos negando tal hipótese. 

Um dos meus principais argumentos foi o de que, ao desembarcar no Galeão em 1973, policiais praticamente o sequestraram e o internaram numa clínica carioca na qual ele permaneceu 58 dias sem poder falar com parentes, advogado ou demais pacientes.  O que terá acontecido nesses 58 dias de incomunicabilidade?   

*  *  *

Com o Raul Seixas mantive um relacionamento fugaz, mas pitoresco. Eu tinha passado batido pelo lançamento, em julho de 1973, do seu primeiro disco, Krig-ha Bandolo! 

Em dezembro desse mesmo ano, Jards Macalé reuniu muitos dos melhores músicos da época  num show comemorativo dos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A gravadora RCA tentou lançá-lo em 1974, com o título de O banquete dos mendigos, mas foi proibido pela censura e recolhido nas lojas.

Com a abertura ampla, geral e irrestrita do ditador Geisel, ele foi lançado em 1979 e eu finalmente o fiquei conhecendo. E, ao escutar Raul Seixas interpretando Cachorro urubu, foi como se um raio me atingisse. Os versos alusivos ao maio de 1968, a primavera de Paris, eram um arraso: Todo jornal que eu leio/ me diz que a gente já era/ que não é mais primavera/ oh, baby,  a gente ainda nem começou.

Depois fiz questão de ir numa coletiva de imprensa do disco Abre-te, Sésamo, e o Raul estava hilário. Então, ao escrever sobre o novo LP, gastei só umas 8 linhas com a parte comercial e umas 50 reproduzindo o que havia rolado no almoço com o Raul, a Kika (última namorada da vida dele) e o divulgador da CBS.

Os artistas quase nunca mandavam um obrigado! pelo que jornalistas tinham escrito sobre eles. O Raul foi uma exceção, ligando para me convidar a uma boca livre da CBS. Tornamos a nos ver mais duas ou três vezes, mas, como não se podia estar com o Raul sem tomar pelo menos metade do que ele bebesse, esqueci quase tudo que conversamos.

O que eu percebi dele é que, como eu, tinha 1968 como um grande referencial de sua vida. A coisa era exatamente como ele contou em Ouro de tolo: dera um duro danado para chegar onde estava e aí viu que não era exatamente isto que queria na vida (Eu é que não me sento/ no trono de um apartamento/ com a boca escancarada, cheia de dentes/ esperando a morte chegar). 


Na minha opinião, o Raul sonhara com sua consagração musical ocorrendo numa época igual a 1968, mas o que obtivera foi a necessidade de ajustar-se a uma sociedade careta e detestável.  

Quando estávamos nos embriagando, ele não fazia nenhuma das palhaçadas que ajudavam a vender discos. Era bem diferente de sua imagem pública.    

Recordo também quando disse que ele e o Paulo Coelho, antes do sucesso, traduziam para próprio uso os livros de bruxos famosos, como o Aleister Crowley. Ambos aproveitaram de forma diferente tais ensinamentos: o Raul com a sociedade alternativa e o Paulo com suas lorotas sobre ser um mago.                                                                                    *  *  *
Finalmente, fiz uma entrevista adequada com D. Paulo Evaristo Arns, a quem respeitava pelo seu destemor ao enfrentar a ditadura militar e a hierarquia católica conservadora. Mas em algum momento a parte formal deu lugar a um papo franco sobre nossas histórias de vida. Isto foi antes de minha reabilitação.

Na hora de ir embora, mesmo com dificuldade para andar e corcunda por causa de um atentado terrorista que sofrera em qualquer país latino-americano (não disse qual), ele se levantou para acompanhar-me até o portão. 
D. Paulo (centro) sempre defendia sua gente

Tentei dissuadi-lo, porque era uma caminhada longa do gabinete dele até a saída do mosteiro de São Francisco. Não adiantou. 

Depois, digerindo na memória tudo que ocorrera, lembrei-me do seu olhar determinado, que brilhava ao falar sobre seus grandes momentos, como a missa de sétimo dia que ele rezou em memória de Vladimir Herzog, dividindo o púlpito com sacerdotes de duas outras confissões, sem deixar-se intimidar em nenhum momento. 

Tinha alma de guerreiro. (por Celso Lungaretti)

sábado, 23 de maio de 2026

MUNICÍPIO DE SC ORGULHA-SE DE QUE TERÁ O METRO QUADRADO MAIS CARO DO BRASIL; É UM ACINTE AO MISERÊ DO POVO.

Leio no Estadão deste sábado (23) que o município catarinense de Itapema está investindo R$ 60 milhões  para alargar a orla de sua praia, tornando-se a cidade com metro quadrado mais caro do Brasil. 

Enquanto isto, 48,9 milhões de brasileiros, perfazendo 23% da nossa população, vivem abaixo da linha de pobreza. tendo de não morrer de fome com uma renda de aproximadamente R$ 700 mensais. Conseguirão adquirir um milímetro quadrado em Itapema? 

Já lá se vão 60 anos que Cesar Roldão Vieira compôs e Ary Toledo interpretou a canção Anúncio de Jornal (abaixo), mas o miserê continua o mesmo. No ranking global de nações do FMI estamos na 84ª colocação. 

Em 2024, só em São Paulo havia 1.840 mansões, cuja área seria suficiente para abrigar 107 mil famílias.

A situação gerada pelo capitalismo no Brasil é simplesmente pornográfica, se levarmos em conta o enorme potencial desperdiçado. (por Celso Lungaretti).  


sexta-feira, 22 de maio de 2026

LEGADO DE UM REVOLUCIONÁRIO/14

A
s estranhas coincidências continuaram dando o ar de suas graças.

Assim é que, no final de 2008 recebi um telefonema do Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti pedindo minha ajuda na batalha de opinião contra a extradição do escritor italiano. A vitória conquistada no episódio dos quatro de Salvador  chamara a atenção desses seus apoiadores.

A prestação de solidariedade a perseguidos políticos é dever de todo revolucionário, embora a maioria tire o corpo fora. Eu não. Aceitei de imediato, sem ilusão nenhuma quanto a tão imensas seriam as dificuldades que enfrentaria. 

Não deu outra. Passei dois anos e meio correndo o Brasil para fazer palestras; participar de debates, mesas redondas e atos públicos em defesa do Cesare. Compareci às sessões de julgamento no Supremo Tribunal Federal para, se a decisão fosse pela extradição,  reagir imediatamente, pois deveríamos contrapor nossa verdade às mentiras que vinham da Itália e eram repercutidas caninamente pela imprensa brasileira.

No meio de tudo isso, um dia me lembrei do primeiro livro para adultos que lera na vida, lá pelos meus 14 anos: A tragédia de Sacco e Vanzetti, do Howard Fast, que escolhi na Biblioteca Circulante da Mooca baseado apenas na orelha.

A história era a de dois anarquistas italianos acusados e executados em Massachusetts por um assalto à mão armada com duplo homicídio que, contudo, não haviam cometido. 
Parlamentares visitaram o Battisti na Papuda

Tratava-se apenas de um exemplo chocante para intimidar os imigrantes que chegavam aos EUA com ideais esquerdistas.

Embora a inocência de ambos estivesse mais do que provada e manifestações de protesto pipocassem por várias nações (até o Papa pediu pela vida deles), os assassinatos pela via judicial acabaram ocorrendo. Cinquenta anos depois o governador de Massachusetts reconheceu que havia sido cometido um erro jurídico, reabilitando-os postumamente.

Esse livro impactou muito em mim quando o li, mas tantos outros haviam depois passado por minhas mãos que eu esquecera dele. 

Quando afinal percebi que, de certa forma, estava tentando corrigir o passado, fiquei surpreso: estatisticamente, a possibilidade de um dia eu estar envolvido com um episódio semelhante era irrisória. Mais ainda pelo fato de eu nem sequer ser de esquerda quando retirei aquele livro da biblioteca.

Não foi esta a única coincidência inverossímil. Apesar de minhas famílias paterna e materna não terem interesse pela política, um antepassado meu, Angelo Longaretti, havia assassinado um fazendeiro truculento que espancava seu pai.

Haviam discutido pelo valor que o pai dele, um homem idoso, tinha a receber, pois estava de saída daquela fazenda. Isto se misturava com o assédio que a filha sofrera de um dos filhos do mandachuva, Finalmente, ao ver o seu pai agredido e aparentemente morto (tinha só desmaiado), Angelo o matou com um tiro fortuito de uma garrucha enferrujada. 
O Crítica Radical foi muito atuante em defesa do Cesare


A colônia italiana se mobilizou em peso, mas o julgamento foi de cartas marcadas. Não se providenciou sequer tradutor, de forma que as testemunhas de Angelo, também italianas de nascença ou de ambiente familiar, depuseram à toa. 

O morto era irmão de Campos Sales, o quarto presidente da República do Brasil, o qual tentou mudar a lei, com a introdução da pena de morte para que em seguida fosse aplicada retroativamente contra Angelo. Mas acabou desistindo dessa ideia de jerico por pressão da Inglaterra, que atuava como uma espécie de guardiã da aplicação correta da lei noutros países.

Sem vínculo comigo, mas igualmente repulsivas foram a decisão do STF favorável à extradição de Olga Benário Prestes para a Alemanha nazista, embora estivesse grávida de brasileiro; e a omissão do ditador Getúlio Vargas, que dava a última palavra em casos como esse e poderia ter impedido tal infâmia.

A esquerda perdoa alguns ditadores que passam para o seu lado, como Vargas, que em 1950 se tornaria nacionalista como retaliação aos EUA por terem, em 1945, apoiado sua destituição. Eu, que passei pelos porões de uma ditadura e quase morri, não perdoo ditador nenhum. 

Mas, voltemos ao Caso Battisti. Minha melhor contribuição foi haver lançado artigos praticamente todo dia, resgatando a memória: 
-- dos grandes atentados fascistas que ficaram impunes ou receberam sentenças ínfimas, começando pelo da Piazza Fontana em 1969 (16 mortos e 88 feridos) e culminando no Massacre de Bolonha ((85 mortos e mais de 200 feridos).;
-- da lei inacreditável que vigorou nos
anos de chumbo italianos, prevendo prisões preventivas de mais de 10 anos para os acusados de terrorismo, que bem poderiam ser inocentes;
-- pelo fato de que as acusações do governo do debochado Silvio Berlusconi contra o Cesare já estavam prescritas, mas o prazo foi escamoteado para justificar a perseguição ao escritor;
-- pela buffonata de atribuírem a Battisti quatro assassinatos, dois dos quais simultâneos, sem levarem em conta que era humanamente impossível ele percorrer em tempo a distância entre duas dessas cidades  (quando esse pequeno detalhe foi atirado na cara dos pubblici ministeri, eles alteraram a acusação para três homicídios cometidos pessoalmente e autoria intelectual do quarto),

Muitos exemplos semelhantes comprovam que na Itália perdurava um estado de guerra silenciosa, o que justificaria uma anistia aos envolvidos ao invés de penas rigorosíssimas para uns e benevolentes para outros.

O pedido de extradição feito apela Itália ao Brasil desembocou numa guerra de versões até então nunca vista, entre a grande imprensa e as redes sociais.

Num primeiro momento, prevaleceu o posicionamento do jornalista e escritor Mino Carta, muito paparicado pelo PT. Quem não estava a par do confronto repetia as diabretes do Mino, sem saber que ele, como os comunistas tradicionais, detestava a nova esquerda e, consequentemente, o Battisti.
O sátiro Berlusconi queria exibir a cabeça do Cesare 

Um episódio interessante foi eu logo ser convidado a entrevistar o Cesare sobre semelhanças e contrastes de dois guerreiros dos
anos de chumbo. 


O Gilmar Mendes jamais consentiria, então tratei de entrar na Papuda acompanhando uma pessoa que tinha o direito de estar lá. Entrevistei-o longamente, anotando apenas uma palavra de cada resposta dele, para não dar na vista.

Nunca havia feito isso, mas consegui lembrar a entrevista inteira. Ela foi publicada no Congresso em Foco, que me contratara o serviço, e, depois de uma semana, massificando-a para que atingisse maior público. Coincidência ou não, foi nesse período que Cesare começou a conquistar as redes sociais.

Quando entrei na batalha de opinião, trazendo a experiência das disputas encarniçadas do movimento estudantil, a coisa foi mudando de figura, Tentei várias vezes acelerar o processo desafiando o Mino a polemizar comigo, mas ele evitou o confronto. 

Escapou da derrota, mas não da corrosão de sua popularidade, Teve de abandonar o blog pessoal por não suportar os questionamentos que seu próprio público lhe fazia,

Numa noite em que vários veículos da grande imprensa levaram ao ar reportagens altamente desfavoráveis ao Cesare, deixando forte impressão de que se tratava de uma ação concertada, consegui redigir, em pouco mais de uma hora, e enviar para minha rede uma refutação que acabaria sendo copiada por um grande número de portais e blogs. Foi o melhor texto que escrevi durante a campanha toda, aproveitando ao máximo o que aprendera no jornalismo.


Doutro lado, deixo registrado que, como relator do caso no STF, Cezar Peluso conseguiu alinhavar  várias e várias dezenas de motivos para enviá-lo à Itália e uns 2 ou 3 que o favoreciam. Foi o relatório mais parcial que eu vi em toda a minha carreira e em toda a minha vida.

O empenho de Gilmar Mendes (presidente da Corte) e Peluso (relator) em crucificar Battisti era desmedido. E, quando terminou o período de Mendes como presidente, foi substituído por... Peluso! E quem foi indicado por Peluso para assumir a relatoria? Ele mesmo: Gilmar Mendes!

Apesar de termos contra nós um país do primeiro mundo cujo presidente era um depravado ultradireitista; quase toda a grande imprensa brasileira; e adversários ocupando o tempo todo as posições mais importantes do julgamento, vencemos.

O fator decisivo foi que jornalistas renomados, confiando em que eu respeitaria suas revelações em off, me transmitiram tudo que eu precisava saber sobre o Lula. Inclusive que ele dissera ao Gilmar Mendes que, se o STF decidisse extraditar o Cesare sem intervenção dele, Lula, repetiria a indignidade do Getúlio Vargas, deixando tal desfecho vergonhoso acontecer; mas, se fosse dele a palavra final, não extraditaria.

Graças a isso, a escritora francesa Fred Vargas, o ex-integrante da Anistia Internacional na Argentina Carlos Lungarzo, o Eduardo Suplicy e eu conseguimos impedir que apoiadores desatinados lançassem  uma campanha para o Lula retirar o processo das mãos do STF e decidir sozinho. Teria sido derrota na certa.
Cezar Peluso e Gilmar Mendes tudo fizeram contra Cesare 

E movemos céus e terras para que os 4x5 que vínhamos recebendo nas votações anteriores se tornassem 5x4 para nós no tópico principal: se o Supremo decidiria sozinho ou a palavra caberia ao condutor das relações internacionais do Brasil (o presidente da República).


Como nas outras situações nas quais tal dilema havia sido discutido prevalecera a prerrogativa presidencial, fizemos campanha cerrada para que os defensores da tradição repetissem o voto dado noutras ocasiões. 

Caso do Ayres Britto que, corajosamente, manteve seu posicionamento costumeiro, apesar de o Gilmar Mendes ter sido até deselegante no discurso irado com que tentou fazê-lo mudar o voto. (por Celso Lungaretti

quarta-feira, 20 de maio de 2026

DA RACHADINHA AOS 156 PEDIDOS DE IMPEACHMENT

Filme realizado com financiamento oriundo da corrupção,  Dark Horse será a confirmação de que a extrema-direita emburreceu  e mediocrizou-se mais ainda, caso o comparemos, p.ex., com o  Triunfo da Vontade, dirigido  por Leni Riefenstahl em 1935.

Por que? Porque Adolf Hitler, por pior governante e ser humano que fosse, era um personagem histórico, enquanto Jair Bolsonaro jamais passou de um personagem histérico que os ultradireitistas enfiaram goela do eleitorado adentro, ultrapassando todos os limites de propaganda enganosa, que era martelada dia e noite nas redes sociais.

Trinfo da Vontade é considerado um dos melhores filmes de propaganda politica já feito, enquanto  o abacaxi louvaminhasdo Bolsonaros de tem todo jeitão de que será uma insignificância, começando por tentar provar que a fakeada no celerado teria sido algo além da encenação mambembe que foi.

Uma curiosidade é ter Bolsonaro quebrado o recorde nacional de pedidos de impeachment: 156. E pensar que existem desmiolados dispostos a votar no seu filho 01. O Brasil não é mesmo um país sério!

De resto, os realizadores erraram  no título (deveria ser Ugly Horse), mas acertaram no dia de lançamento nos EUA:  31 de outubro. Hallowen tem tudo a ver com ele.

O lançamento no Brasil será em 11 de setembro. Desta vez ele não fugirá, como fez nos  Dias da Pátria de 2021 e 2022, quando agendou golpes de estado, mas, pusilânime que é, refugou. 


A tentativa de usurpação do poder só foi levada até o fim em janeiro de 2023 porque ele previamente fugiu e foi se esconder na Disneylândia.

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Quanto ao Flávio Bolsonaro, como pode um candidato à presidência da República envolver-se pessoalmente com tal delito menor, uma ninharia no mundo da alta política? Uma vez ladrão de galinha, sempre ladrão de galinha! (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 19 de maio de 2026

BRASIL DESCLASSIFICADO DE NOVO!!!

O choro do menino torcedor em 1982 não
se repetirá: ninguém espera nada do Brasil
Ô
ps, desculpe a nossa falha. Esta será a manchete cá do blog no dia em que a seleção brasileira estiver disputando e perdendo mais uma partida de quartas de final (se chegar até lá, o que hoje é duvidoso). 

Para manter o alto nível do blog, tenho de antemão preparado algumas aberturas  sobre acontecimentos cujo desfecho é pra lá de previsível. Como este.

Agora falando sério, não vejo a menor chance de o Brasil ir longe neste Mundial após a convocação deplorável do Carlo Ancelotti, que: 
-- inclui um ex-futebolista que, além de não estar vendo a cor da bola, invariavelmente se contunde ou se esconde quando mais se precisa dele;  
-- exclui os melhores artilheiros do Brasil, Pedro e João Pedro, sabe-se lá se por miopia ou má fé;  
-- deixa de lado o principal pegador de pênaltis do Brasil, Hugo Souza, que poderia substituir o goleiro nos instantes finais de uma partida empatada;
-- dá toda pinta de que seu técnico italiano apostará, como sempre, em defesa fechada e contra-ataques rápidos, sem levar em conta partidas como PSG 5x4 Bayern, quando a modernidade no futebol esteve à mostra.

Anceiotti inclusive parece não ter aprendido nada com a goleada Barcelona 5x2 Real Madrid, embora já se tenham passado 16 meses. 

Foi o maior fiasco de uma temporada em que o timaço por ele treinado passou em branco, daí ter vindo para o Brasil como  saída honrosa, já que acabaria sendo demitido na Espanha.
Um conselho: consiga vídeos de nosso escrete em 1970 e assista-os quando o Brasil estiver maltratando a bola. 

Será um antídoto ao anacronismo futebolístico e  forma de evitar uma indigestão. (por Celso Lungaretti)
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