| Paulo porco chauvinista Zampolli |
Não são de estranhar-se os sucessivos episódios de incontinência verbal nos altos escalões do Governo Trump: o exemplo vem do próprio chefe da quadrilha.
| Paulo porco chauvinista Zampolli |
Assim, eu me reportava diretamente aos dois integrantes do Comando Nacional (o Jamil/Ladislau Dowbor e a Lia/Maria do Carmo Brito, esta de origem Colina) que faziam a ponte entre a cidade e o campo, onde o terceiro comandante nacional (o Cid/Carlos Lamarca) tratava de implantar a escola de treinamento guerrilheiro.
E mantinha-me em contato diário com os outros comandantes baseados no RJ, o Juvenal/Juarez Guimarães de Brito e o Roberto Gordo/José Ronaldo Tavares de Lira e Silva, responsáveis pelas nossas duas unidades de combate lá atuantes.
Já não era tratado como neófito inexperiente, mas aceito como igual pelos veteranos, pois sobreviver aos perigos diários durante quase um ano naquela fase da luta se tornara um marco inalcançável para muitos.
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| Como cantou Milton Nascimento, memória não morrerá! |
Ponderei que era arriscado exagerarmos, já que, para a ditadura, um embaixador dos EUA tinha peso bem maior do que um cônsul nipônico. Também não deveríamos trocá-lo apenas pelo Japa, caso contrário cairia para o inimigo a ficha de que tinha nas mãos um quadro que valorizávamos muito.
Então, precisávamos botar outros companheiros na lista, mas não a ponto de os fardados ficarem em dúvida sobre o atendimento ou não da nossa exigência. Propus o número de cinco, cinco pedimos e cinco obtivemos.
Enviado o Japa para a Argélia, restava a dúvida sobre se ele teria dado alguma pista sobre a área ou os trabalhos nela poderiam prosseguir normalmente.
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| Albuquerque Lima (esq.) queria reproduzir no Brasil o nacionalismo do ditador peruano Juan Velasco Alvarado |
Enfim, no RJ eu estava atuando verdadeiramente como um quadro de Inteligência, ao contrário do que acontecera em SP, onde a minha contribuição era maior como integrante do Comando estadual do que na minha função específica.
Mais: desenvolveu-se uma grande afinidade entre o Juvenal e eu, pois ambos éramos egressos do movimento estudantil (ele fora professor e se tornou o comandante militar do Colina, com um notável talento para planejar ações astutas como a expropriação do cofre do Ademar).
Tínhamos formação humanista: acreditávamos na luta armada, mas travada com critério, sem bravatas nem desnecessário derramamento de sangue. Nossa visão da organização era bem profissional, ao estilo dos tupamaros uruguaios. E sabíamos que, caso vencêssemos (hipótese que sabíamos ser remota), deveríamos evitar a todo custo as armadilhas do autoritarismo que desfigurara outras revoluções.
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| Depondo na Auditoria da Marinha um dia após a Dilma |
Não se é verdadeiramente revolucionário sem esse desejo ardente de transformar a sociedade, que nos leva a assumir os riscos que surjam pelo caminho. Mas, nem meus piores augúrios igualavam o pesadelo que veio a seguir.
Se valho alguma coisa, foi por não ter-me deixado quebrar pelas adversidades que despencaram sobre mim a partir daquela funesta quinta-feira, 16 de abril de 1970.
Antes, aconteceu o que se repetiria muitas vezes na minha militância: tive uma forte suspeita de que algo muito ruim estava a caminho, mas não consegui convencer quem poderia evitá-lo.
Foi num ponto meu com a Lia e o Jamil, na segunda ou terça-feira. Disseram que o Lamarca exigira a presença dos demais comandantes nacionais e dos comandantes de unidades de combate na área de treinamento guerrilheiro, pois temia que a Organização novamente não estivesse priorizando a tarefa principal (lançamento da coluna guerrilheira) como deveria.
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| Wellington Moreira Diniz em 2013, ao ser julgada sua anistia |
Eu o conhecia do congresso de outubro da VAR-Palmares e não acreditava que faltaria a dois compromissos com a Organização por motivo fútil. Pensei logo que ele deveria ter sido morto ou preso.
E me ocorreu que, se ele houvesse mesmo caído no sábado, seria uma temeridade os comandantes estarem reunidos no campo e não a postos para lidar com uma possível emergência. A VPR, por causa das quedas que se sucediam implacavelmente, resolvera adotar um modelo vertical, com cada unidade de combate, bem como a minha de Inteligência, conhecendo apenas seu comandante.
O contato entre elas era unicamente o contato entre os comandantes. Com estes ausentes, ficaria muito mais difícil cientificarmos uns aos outros e tomamos providências para evitar uma sucessão de quedas em cascata.
Insisti longamente com o Jamil e a Lia no sentido de que adiassem a reunião com o Lamarca, mas ambos não ousaram discrepar dele. Representavam dois terços do Comando Nacional, portanto poderiam fazê-lo, mas refugaram. Foi fatal.
O Wellington tinha mesmo sido preso no sábado e desde então sofria as piores torturas, mas aguentou bravamente até a quarta-feira, quando acabou abrindo o fotógrafo ao qual conduzira o Lamarca para tirar fotos após a sua operação plástica. O fotógrafo, por sua vez, entregou um médico que era nossa principal fonte de aliados e, ao mesmo tempo, a maior vulnerabilidade que tínhamos no RJ.
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| Comissão Nacional da Verdade falhou em entregar às famílias os restos mortais dos desaparecidos |
Sabia que, mesmo se sobrevivesse, nunca mais seria o mesmo. E não tinha certeza de que valeria a pena sobreviver.
Se funcionasse a capsula de cianureto produzida por estudantes de química aliados da VPR, eu a teria usado, mas aqueles aprendizes de feiticeiro haviam falhado em algum detalhe, de forma que poucos dias antes o Juvenal me informara do fracasso colhido por quem a utilizara. Então, só restava preparar-me para o pior. (por Celso Lungaretti)
Os bancos, de modestas empresas intermediárias que eram antes, se transformaram em monopolistas do capital financeiro. Três ou cinco grandes bancos de cada uma das nações capitalistas mais avançadas realizaram a "união pessoal" do capital industrial e bancário, e concentraram nas suas mãos somas de milhares e milhares de milhões, que constituem a maior parte dos capitais e dos rendimentos em dinheiro de todo o país.
A oligarquia financeira tece uma densa rede de relações de dependência entre todas as instituições econômicas e políticas da sociedade burguesa contemporânea, sem exceção: tal é a manifestação mais evidente deste monopólio.O imperialismo é a época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade. A reação em toda a linha, seja qual for o regime político, é a exacerbação extrema das contradições
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| Fernando Ruivo, o azarado. |
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| Livro que melhor reconstitui queda das áreas guerrilheiras da VPR |
"Tiradentes foi um revolucionário no seu momento como o seria em outros momentos, inclusive no nosso. Pretendia, ainda que romanticamente, a derrubada de um regime de opressão e desejava substitui-lo por outro, mais capaz de promover a felicidade do seu povo.
...No entanto, este comportamento essencial ao herói é esbatido e, em seu lugar, prioritariamente, surge o sofrimento na forca, a aceitação da culpa, a singeleza com que beijava o crucifixo na caminhada pelas ruas com baraço e pregação....
O mito está mistificado.
Brecht cantou: Feliz é o povo que não tem heróis. Concordo. Porém nós não somos um povo feliz. Por isso precisamos de heróis. Precisamos de Tiradentes" (Augusto Boal, Quixotes e Heróis).
| Liberdade, ainda que tardia... Mas a tardança precisava ser de 3 décadas?! |
Bati pesado demais? Não. Aquele show de voyeurismo é uma das atrações mais repulsivas (e lucrativas) da TV brasileira.
Hoje eu poderia acrescentar que o BBB reúne pessoas desumanas a ponto de considerarem mais importante a grana e o holofote do que a morte do pai, pois nem no momento de maior luto desistem de continuar chafurdando na lama daquela pocilga global.
Haverá algum limite para a pequenez dos responsáveis pelo Big Shit Brasil e dos seus participantes? Infelizmente, não. (por Celso Lungaretti).
Não vejo necessidade de expor aqui, mais de meio século depois, a fundamentação econômica de suas teses. Exatamente pela difícil compreensão, não haviam despertado o interesse da grande maioria dos quadros da organização.
O que me pareceu um verdadeiro ovo de Colombo foi sua conclusão. Se não, vejamos.
A esquerda brasileira se dividia de forma exacerbada entre dois segmentos. Um, o que prevalecia acentuadamente antes do golpe de 1964, acreditava na necessidade de uma etapa inicial, democrático-burguesa na nossa revolução, para extirpar resquícios feudais que ainda continuariam existindo no campo.
Como consequência, os camponeses também estariam entre os sujeitos revolucionários e haveria uma burguesia nacional que poderia ser nossa aliada durante tal fase.
O outro, cujos adeptos eram principalmente os esquerdistas empenhados em aprofundar os motivos da derrota infame diante da quartelada castellista, via o Brasil como um país definitivamente capitalista, cuja burguesia se atrelava à sua congênere internacional e cujos sujeitos revolucionários seriam os explorados das cidades e dos campos (os últimos lutando não pela posse individual da terra, mas para dela disporem visando à produção coletiva).
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| Dowbor hoje leciona economia na PUC |
Então, a revolução brasileira só teria alguma chance de êxito se iniciada pelo conjunto de forças de esquerda, cada uma dando a contribuição a seu alcance, até que, ao longo do processo, alguma se afirmasse (ou não) como a principal.
Posso dizer para vocês, companheiros, no meu Brasil nós acabamos de derrotar o extremismo. Nós temos um ex-presidente preso, condenado a 27 anos de cadeia. Nós temos quatro generais de quatro estrelas presos porque tentaram dar um golpe. Mas o extremismo não acabou. Ele continua vivo e vai disputar a eleição outra vez.
Entrei pela avenida 13 de maio e, no cruzamento com a rua Jaime Benevolo, estava uma casa branca de esquina, bem pintada e cuidada, simples e bela como são as coisas sem ostentação e com grande significado.
Nela havia uma placa de advogado que atendia na residência.
Eu, como legítimo rapaz latino americano, sem dinheiro no banco e vindo do interior para cursar a Faculdade de Direito, pensei com meus botões: se conseguir como advogado ter uma casa como essa já estará muito bom...
Consegui muito mais do que a minha modesta pretensão podia alcançar.
| Clique aqui para ver o vídeo de Vou pra Fortaleza, composta pelo Dalton e cantada por Graça Santos. |
56 anos após, você, como é próprio às mães nordestinas, transformou-se na terceira capital do Brasil (Brasília, como Distrito Federal, não conta) e bairrismo incluso, esse texto é só pra dizer que te amo!