terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A BOA NOTÍCIA É QUE GUERRAS, RADIAÇÃO, ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E FOME NÃO NOS DIZIMARÃO. A MÁ: MORREREMOS DE SEDE.

O
mundo já não vive apenas uma crise pontual ou mera escassez de água, mas sim uma falência hídrica global.

O alerta consta de um relatório da Universidade das Nações Unidas, apresentado como subsídio à Conferência da ONU sobre a Água de 2026.

Segundo o estudo, em vastas regiões do planeta os sistemas hídricos foram tão degradados que já não conseguem se recompor nos marcos tradicionais de gestão.

Muitos problemas se tornaram estruturalmente irreversíveis: aquíferos superexplorados, rios artificializados, zonas úmidas destruídas, poluição crônica e uso predatório do solo corroeram os mecanismos naturais de armazenamento e renovação da água. 

O resultado é um déficit permanente entre oferta e demanda, com impactos crescentes sobre alimentos, energia, saúde pública, estabilidade política e desenvolvimento econômico.

Parece que voltamos ao século passado, quando a seca era um tema recorrente nas canção nordestinas.

A diferença é que naquele tempo ainda havia como corrigir tais situações. Agora, não mais.
Isto é o capitalismo: a prevalência da ganância sobre as necessidades humanas.

Uma expressão que usávamos antigamente era quem viver, verá.

Agora faz mais sentido dizermos 
se alguém sobrar, verá(por Celso Lungaretti)
Clique aqui para assistir ao teipe de "Asa 
Branca".
Cantam Luiz Gonzaga, Fagner,  Sivuca e Guadalupe.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

SÓ SAM PECKINPAH, CINEASTA MAIOR, ABORDARIA A 2a GUERRA MUNDIAL SEM BASTARDAS E INGLÓRIAS PATRIAPATICES

Sam Peckinpah (1925-1984), descendente de índios paiutes,  foi um dos meus diretores favoritos de um tipo de cinema que teve seu apogeu na segunda metade do século passado e hoje quase não existe mais.

Refiro-me aos filmes de ação que, embora satisfizessem as expectativas de plateias menos sofisticadas, tinham embutidos ingredientes que agradavam em cheio aos cinéfilos mais exigentes.

Ou seja, dependendo do perfil de quem os assistia, podiam ser vistos apenas como espetáculos ou como muito mais do que isto.

Peckinpah nos brindou com um belo lote dessas pequenas obras-primas: Pistoleiros do entardecer (1962), Meu ódio será sua herança (1969), Sob o domínio do medo (1971), Pat Garrett e Billy the Kid (1973), Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia (1974)...

A perfeição com que ele filmava cenas violentas lhe valeu injustas críticas de ser apenas uma prostituta explorando os baixos instintos das plateias, quando, na verdade, era o contrário.

O cinema estadunidense sempre banalizara a morte, como se fosse algo silencioso, indolor e inodoro: o mocinho atirava, os bandidos tombavam, o tiroteio terminava, e esta parecia ser a ordem natural das coisas.

Não para Peckinpah: com sua câmara lenta e uma duração bem maior dessas agonias, a morte de seus personagens era quase sempre mostrada como um acontecimento terrível, sofrido, único. 

Cruz de Ferro (1977) é uma das culminâncias de sua obra, ao mostrar os dramas internos de um destacamento de soldados alemães prestes a serem destruídos pela contra-ofensiva soviética, quando o curso da segunda guerra mundial já começara a mudar.

A novela de Willi Heinrich, que conheceu como soldado os episódios depois transpostos para a tela, é poderosa; e a adaptação de Peckinpah e seus roteiristas, simplesmente primorosa. 

Flagra o choque de dois personagens empenhados num duelo mortal em meio ao caos dà derrota iminente:
* um capitão de origem prussiana (Maximilian Schell) que, para satisfazer as expectativas familiares, precisa voltar para casa com uma Cruz de Ferro conquistada no campo de batalha, caso contrário desonrará as tradições dos seus antepassados; e 
* um cabo heroico (James Coburn) que preza acima de tudo o companheirismo com seus comandados, ao mesmo tempo em que detesta os oficiais.

James Mason e David Warner também compõem personagens inesquecíveis. Trata-se de uma verdadeira lição de cinema para os atarantados Tarantinos, que não se vexam de realizar bobagens patrioteiras como Bastardos Inglórios (por Celso Lungaretti) 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

NÃO É NECESSÁRIO CANHÃO PARA MATAR UM TOFFOLI: INSETICIDA BASTA.

A grande imprensa continua manipulando não só seu próprio público, como também a internet, que a copia.

Dias Toffoli é o alvo da vez. Não passa de um mosquito, uma insignificância.

Deve ser expelido do Supremo e, em seguida, ver o sol nascer quadrado? Sim, sem dúvida.

Mas, justifica-se tanto alarde por tão pouco? Não, nem a pau, Juvenal.

Além de a exaustiva campanha jornalística ser uma óbvia maneira de reduzirem a credibilidade do Supremo, justamente no momento em que ele mantém preso o pior homicida culposo da história do Brasil.

Repito a frase antológica do Paulo Francis: O combate à corrupção é uma bandeira da direita.

Faz todo sentido que o Estadão e a Folha queiram levar os leitores a esquecerem que há uma imensidão de problemas muitíssimo mais graves no Brasil, causados pelo vilão-mor, o capitalismo. 

Mas, é incompreensível que tantos comentaristas de esquerda estejam embarcando também nessa canoa furada.

Assim como na de valorizarem a eleição de cartas marcadas da democracia burguesa, como se houvesse pelo menos um candidato  aproveitável dentre os que têm reais chances de vitória. 

Flávio Bolsonaro, Lula, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas me fazem lembrar um pitoresco desafio estilizado da Orquestra Armorial, o "Coco Praieiro": É que, se tratando do seu canto, eu sou sincero: um mais um é igual a zero, tire a prova se restar.

Em se tratando destes quatro eu sou sincero: o resultado da soma de qualquer um com qualquer outro é número negativo. Bem negativo,

E não passa de uma lavagem cerebral a insistência em darem desde já tamanho destaque à corrida eleitoral?! Trata-se da mais flagrante forçação de barra, para fazer os leitores engolirem isca, anzol e linha. 

Antigamente o noticiário sobre a eleição só aumentava depois das férias escolares de julho, e já era uma amolação sem tamanho. Agora dura mais de 10 meses. Haja saco!

Encerro com o Raul Seixas: Todo o jornal que eu leio me diz que a gente já era, que  já não é mais primavera, Oh, baby, a gente ainda nem começou.

De algo tenho certeza absoluta: todo jornal que eu leio tenta me iludir. (por Celso Lungaretti)

sábado, 14 de fevereiro de 2026

20 FRASES FUNDAMENTAIS PARA QUEM PRETENDE MUDAR O MUNDO

"Ser governado é ser guardado à vista inspecionado, espionado, dirigido, legisferado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude.

Ser governado é ser, em cada operação, em cada transação, em cada movimento, notado, registrado, arrolado, tarifado, timbrado, medido, taxado, patenteado, licenciado, autorizado, apostilado, admoestado, estorvado, emendado, endireitado, corrigido.

É, sob pretexto de utilidade pública e em nome do interesse geral, ser pedido emprestado, adestrado, espoliado, explorado, monopolizado, concussionado, pressionado, mistificado, roubado.

Depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, perseguido, injuriado, espancado, desarmado, estrangulado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar nada, ridicularizado, zombado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral!

E dizer que há entre nós democratas que pretendem que o governo prevaleça; socialistas que sustentam esta ignomínia em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade; proletários que admitem sua candidatura à presidência! Hipocrisia!" (PIERRE-JOSEPH PROUDHON).


"Onde quer que tenha chegado ao poder, a burguesia destruiu todas as relações feudais, patriarcais e idílicas. Dilacerou impiedosamente os variegados laços feudais que ligavam o ser humano a seus superiores naturais, e não deixou subsistir entre homem e homem outro vínculo que não o interesse nu e cru, o insensível pagamento em dinheiro.

Afogou nas águas gélidas do calculo egoísta os sagrados frêmitos da exaltação religiosa, do entusiasmo cavalheiresco e do sentimentalismo pequeno-burguês. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e no lugar das inúmeras liberdades já reconhecidas e duramente conquistadas colocou unicamente a liberdade de comércio sem escrúpulos.

Numa palavra, no lugar da exploração mascarada por ilusões políticas e religiosas ela colocou um exploração aberta, despudorada, direta e árida" (KARL MARX e FRIEDRICH ENGELS)
.
"Aquele que botar as mão sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo" (Proudhon)

"Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo, de diversas maneiras. Chegou a hora de transformá-lo" (Marx e Engels)

"Se o capitalismo é incapaz de satisfazer as reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, então que morra!" (LEON TROTSKY)

"A propriedade é o roubo" (Proudhon)

"De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades"(Marx e Engels)

"O primeiro homem que inventou de cercar uma parcela de terra e dizer 'isto é meu', e encontrou gente suficientemente ingênua para acreditar nisso, foi o autêntico fundador da sociedade civil. De quantos crimes, guerras, assassínios, desgraças e horrores teria livrado a humanidade se aquele, arrancando as cercas, tivesse gritado: Não, impostor!" (Jean-Jacques Rousseau)

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempos de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar" (BERTOLD BRECHT)

"A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo" (Marx)

"Imagine que não há países; não é difícil. Nenhum motivo para matar ou morrer e nenhuma religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo será um só" (JOHN LENNON)

"Que meu país morra por mim" (JAMES JOYCE)

"A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos" (Marx)

"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados"  (CHE GUEVARA)

"Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti"(JOHN DONNE)

"Gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente"(GERALDO VANDRÉ)

"Pereça a pátria e salve-se a  humanidade"(Proudhon)

"Oh, Deus, por que me abandonaste? Porque eu não existo!" (JEAN-LUC GODARD)

"
Se guardo a impossível salvação na loja de retalhos, o que resta? 

Todo um homem, feito de todos os homens, que os vale todos e a quem vale não importa quem" (JEAN-PAUL SARTRE)

"O velho mundo está morrendo e o novo mundo luta para nascer: agora é o tempo dos monstros" (ANTONIO GRAMSCI)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

PRIMEIRO MANDAMENTO DE UM VERDADEIRO ESQUERDISTA: JAMAIS RASGAR SEDA PARA ESTADOS POLICIAIS!

Um dos panfletos mais influentes produzidos pela humanidade em todos os tempos, o Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels em 1848, começa destacando esta verdade que vem sendo comprovada ao longo dos séculos:

"A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada. 
Tal guerra termina sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito".
A luta de classes conduziria, segundo Marx e Engels, ao momento em que a classe explorada (o proletariado), ao pôr fim à dominação que lhe impunha a classe exploradora (a burguesa), já não teria sob si uma nova classe explorada em gestação, pronta para substitui-la. 

Dito de outra forma, os proletários seriam os últimos explorados e, ao se libertarem, libertariam a humanidade inteira. 

A própria sociedade dividida em classes deixaria de existir, dando lugar a uma sociedade sem exploradores nem explorados, na qual todos os cidadãos colaborariam solidariamente para o bem comum e passariam a dividir de maneira mais equânime os frutos do trabalho das gentes. 
Até quando  durará a idolatria ao deus dinheiro?

Cada ser humano ofereceria a contribuição de que fosse capaz de dar para a coletividade e receberia da coletividade aquilo de que necessitasse para uma existência plena e gratificante. 

Ou seja, adeus guerra ininterrupta! Não mais as disputas canibalescas por privilégios diferenciados, mas sim o aproveitamento ótimo do potencial ora existente de produção em grande quantidade de tudo que os homens carecem para uma sobrevivência digna!


De quebra, a produção coletiva supriria integralmente tudo de que os seres humanos carecem para sua bem-aventurança, com, ademais, a vantagem de uma redução cada vez maior do número de horas trabalhadas para que cada cidadão cumprisse sua parte no esforço coletivo.

Livres do tacão da necessidade, todos teríamos tempo livre para sonharmos e tentarmos viabilizar nossos sonhos. O ponto de chegada da construção de uma nova sociedade, essencialmente humana, assim foi expresso no jargão marxista: de cada um, de acordo com sua possibilidade, a cada um, de acordo com sua necessidade.

Algo assim, entretanto, só funcionaria se envolvesse todos os humanos. Havendo diferenças significativas entre os benefícios disponibilizados .para cada contingente, voltariam as disputas, as guerras, as fronteiras, os exércitos, etc. Os mais fortes tornariam a levar vantagem sobre os mais fracos e a humanidade não sairia de sua pré-História.
Até Goebbels teria vergonha disto

Tal pesadelo começou a tornar-se realidade exatamente quando foi bem-sucedida a primeira de todas as revoluções socialistas, em 1917. 

A então URSS teve de assegurar a própria sobrevivência física, caso contrário seus sonhos morreriam juntamente com ela, esmagados por inimigos decididos a tomar-lhe pela força o que possuísse de valor.

E, ao defender suas conquistas como mera nação, não como coletividade humana, foi obrigada a transferir para médio ou longo prazo a tentativa de construção da sociedade ideal, contentando-se com forjar apenas a sociedade mais avançada ao seu alcance naquele momento histórico.

Assim voltaram, um a um, todos os horrores dos quais ela havia se livrado. 

E, por ser um país com desenvolvimento econômico tardio se comparado com as grandes nações europeias e os EUA, teve de efetuar enorme esforço para, antes de mais nada, alcançar o estágio de crescimento de seus adversários capitalistas. 

Mais: já prevendo um enfrentamento nos campos de batalha com a poderosa Alemanha nazista, os soviéticos tiveram não só de desenvolver sua economia a todo vapor, queimando etapas, como também de obter os resultados desejáveis o quanto antes, para aguentar o tranco quando chegasse a guerra anunciada.

Após tudo que os trabalhadores russos haviam suportado desde a desastrosa participação na 1ª guerra mundial, passando pela primeira revolução socialista da História, pelo enfrentamento da devastação e da miséria legadas pelo czarismo e pela resistência a uma formidável aliança contra si de muitos inimigos externos e internos, só mesmo um Estado policial conseguiria arrancar deles os descomunais esforços necessários para reduzir seu atraso material com relação à Alemanha. 

Vale acrescentar a grande fome na Ucrânia entre 1932 e 1933, cujas vítimas fatais teriam sido 3,4 milhões (!) de camponeses. O regime soviético destinava muitos recursos à implantação de sua infra-estrutura de nação moderna e faltavam-lhe produtos industrializados para compensar a população rural pela cessão de suas colheitas.
Crianças ucranianas x grande fome

A solução encontrada por Stalin foi tomar na marra essas colheitas, por meio de um dos piores terrorismos de estado já vistos pela humanidade.

Outro motivo dos massacres foi dissuadir os ucranianos de continuarem mantendo suas pequenas plantações, que Stalin queria ver substituídas por fazendas coletivos

O certo é que o estado policial se fez, e seu nome era stalinismo.

Confirmava-se integralmente a profecia de Marx: só os países  mais avançados em termos econômicos estavam prontos para a construção do socialismo. Os outros teriam, antes disto, de reduzirem pouco a pouco sua inferioridade em estágio de desenvolvimento.

Foi uma das grandes tragédia do século 20: a descaracterização das nações que tentaram construir o socialismo apesar da precariedade e do atraso. 

Quanto muito chegaram até o capitalismo, sendo, ainda, seus dramas explorados ad nauseam pela indústria cultural para predispor o resto da humanidade contra a esquerda, como se o  socialismo num só país fosse a nova realidade sonhada por Marx e Engels e não o seu contrário.  

Todas essas experiências históricas acabaram degenerando em nomenklaturas, sociedades nas quais subsistia (às vezes até ampliada) a desigualdade econômica, e tendo como segmento mais influente não uma classe, mas sim uma casta. 

No caso da antiga União Soviética tal papel cabia aos membros destacados do Partido Comunista, enquanto na Venezuela quem até recentemente mandava eram altos comandantes militares. O povo apanhava e obedecia.
Lênin criou o bolchevismo; Trotsky o levou à vitória. 

A profecia sobre o substituísmo, de autoria do jovem Trotsky, cumpriu-se: primeiramente, o Partido Comunista substituiu o proletariado; depois, o Comitê Central substituiu o Partido Comunista; finalmente, um tirano substituiu o Comitê Central.

O tirano primeiro foi Stalin, e seus simulacros não passam de filhotes: mantêm os compatriotas na penúria ou obrigados a vazarem para construir uma vida melhor no exílio, enquanto eles próprios se locupletam com poder e luxo dignos de nababos.

A
liás, foi Trotsky quem, pesaroso, reconheceu  que, se o stalinismo havia engendrado uma casta dominante, a qual só se diferenciava da antiga classe dominante pelo fato de que a situação favorecida não se baseava na posse de bens e riquezas, mas sim no posto funcional dos membros da nova elite (não sendo, portanto, transmissível por herança), far-se-ia necessária uma nova revolução para resgatar as promessas originais do socialismo: uma revolução dos novos explorados contra a nomenklatura opressora.

Isto implicava que a tarefa à qual Trotsky dedicara toda sua vida adulta não fora cumprida e a faina deveria ser praticamente recomeçada do zero. Mas, ele era suficientemente honesto para admitir uma verdade tão dolorosa. 

Já os pseudo-herdeiros do marxismo não têm nem a mesma honestidade intelectual, muito menos o mesmo espírito igualitário. Preferem vender uma caricatura de revolução para o mundo como se fosse a verdadeira revolução. 
O poder não só envelhece, como também envilece. 
De um lado estão os que fazem um capitalismo ligeiramente atenuado em seus malefícios e destrutividade passar por algo próximo dos ideais esquerdistas (ele tem a ver, isto sim, com o reformismo de Edouard Bernstein, que a Rosa Luxemburgo reduziu a pó de traque no seu clássico Reforma ou Revolução).

Do outro, cruéis nomenklaturas que criam confusão utilizando falaciosamente uma retórica esquerdista para parecer aparentada com o socialismo marxista, o qual, contudo, era eminentemente libertário e se propunha a conduzir a humanidade para um estágio superior de civilização, não para as trevas do passado. 

Erram terrivelmente os  companheiros que abandonaram o marxismo e o anarquismo para assumirem grotescas visões geopolíticas, daí estarem agora defendendo até mostrengos medievais como o regime iraniano. Eles só nos envergonham e desencaminham a luta dos explorados. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

REPRIMIDOS PELA DITADURA TEOCRÁTICA, OS CINEASTAS IRANIANOS RESISTEM!

"
Me mandaram uma carta
pelo correio da manhã
e nessa carta me dizem 
que foi preso meu irmão
e sem compaixão, com grilhões,
pelas ruas o arrastaram, sim!

A carta disse o delito
que Roberto cometeu:
haver apoiado a paralisação
que já  havia terminado.
Se esse é um motivo, 
presa vou também, sargento, sim!"
(Violeta Parra, A Carta)
Foi preso em Teerã o cineasta Mehdi Mahmoudian, militante pelos direitos humanos e coautor do roteiro do filme iraniano Foi Apenas um Acidente, Palma de Ouro em Cannes, inspirado nos seus anos de prisão. 

Motivo da detenção: ter assinado um manifesto contra o ditador Ali Khamenei, o chamado líder supremo da ditadura teocrática iraniana.

Isso não é novidade no Irã: o diretor desse mesmo filme, Jafar Panahi, já passou um longo período na prisão e, se retornar ao Irã, terá de cumprir pena de um ano de prisão.

O Irã acaba de viver uma revolta popular, na qual foram presas 40 mil pessoas e executadas de 20 a 30 mil, por terem se manifestado nas ruas, que se tingiram de sangue. Foram dias de repressão extremada, durante os quais até quem tentasse ajudar os feridos era aprisionado.

Revolta popular, censura de filmes, prisão de artistas nos lembram os anos negros da nossa ditadura militar, na qual houve violência e mortes contra os opositores.
Mehdi Mahmoudian, alvo da repressão teocrática.

Aqui não ocorreram, contudo, tantos óbitos quanto os lá registrados nestas últimas semanas, em razão da atuação bestial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, que é como  o regime denomina sua polícia.

A ditadura iraniana foi criada em 1979 pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, tendo depois se transformado numa teocracia sanguinária.

Faz alguns dias, a União Europeia qualificou, de maneira unânime, esses Guardas da Revolução como movimento terrorista.

Interessante lembrar que o filme Foi Apenas um Acidente poderia ser resumido como o rapto e detenção de um importante torturador do regime iraniano por suas vítimas. Como se os brasileiros torturados no Doi-Codi tivessem capturado seu torturador.

[O filme brasileiro Ação Entre Amigos, do Beto Brant, veio bem antes, em 1998, e tem tema similar: quatro ex-militantes sequestram seu torturador de outrora]

Vale acrescentar que existem, dentro da esquerda brasileira, alguns líderes ou guru engolindo a versão da ditadura iraniana, segundo a qual teriam sido agitadores de fora que provocaram o governo; ou, pior, que muitos dos mortos seriam fiéis ao aiatolá, mártires vitimados pelos agitadores.

Enquanto certos canais de esquerda passam o pano no massacre e justificam a reação do aiatolá Ali Khamenei, mesmo que em 1979, como o segundo nome do governo em importância, este haja perseguido e mesmo assassinado comunistas, socialistas e homossexuais.

Nem o líder da esquerda francesa, Jean-Luc Mélenchon, aprova o regime religioso iraniano, qualificando-o de ditadura islâmica e preconizando um governo laico para o país. 
Os ridículos soldadinhos de chumbo da ditadura iraniana

Outra iniquidade é tantos aqui aceitarem, como prova de progresso (!) no Irã, as pressões e encorajamentos  aos trans para submeterem-se à operação para mudar de sexo. Isto para não falarmos da igualmente minimizada situação inferior das mulheres na sociedade iraniana. 

Fica difícil de entender como certos influenciadores ditos progressistas ignoram o papel importante dos cineastas iranianos na denúncia da ditadura religiosa iraniana, sem querer reconhecer a importância de Jafar Panahi, Mohammad Rasoulof ou Keywan Karimi

Causa, ainda, pasmo  haver pessoas de esquerda apoiando uma ditadura religiosa sangrenta contra uma revolta popular! Os defensores da teoria do domínio do fato e os financiadores do terrorismo de estado iraniano não são farinha do mesmo saco?

Eis um trecho do manifesto assinado por Mehdi Mahmoudian e por artistas, logo depois presos:

O assassinato em massa e sistemático de cidadãos que bravamente foram às ruas para pôr fim a um regime ilegítimo constitui um crime de Estado organizado contra a humanidade. 

O uso de munição real contra civis, a morte de dezenas de milhares, a prisão e perseguição de dezenas de milhares, a agressão aos feridos, a obstrução do atendimento médico e o assassinato de manifestantes feridos representam nada menos que um ataque à segurança nacional do Irã e uma traição ao país.                          .         
                               (por Rui Martins)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O CENTRÃO JÁ ESTUDA FÓRMULAS PARA TOMAR DOS TRABALHADORES O QUE ELES POSSAM GANHAR COM O FIM DA ESCALA 6x1

Em países que não estão na idade da pedra, as jornadas de trabalho são de 35 a 40 horas semanais (Alemanha), 35 horas (França), médias próximas a 32 horas (Canadá e Austrália) e média de 36,6 horas (Japão).

Já a semana de 4 dias foi assumida pela Islândia a partir de testes efetuados entre 2015 e 2019, com 90% dos trabalhadores hoje se beneficiando de jornadas reduzidas; a Bélgica foi a primeira nação a institucionalizar a opção de 4 dias, em 2022; na Alemanha, 73% das empresas já optaram pela jornada de 4 dias. 

Escócia, Espanha, Nova Zelândia e Reino Unido desenvolvem projetos pilotos visando à redução da jornada; e até no Brasil, que Torquato Neto definiu com um estribilho antológico (Aqui é o fim do mundo), algumas empresas já realizam projetos pilotos para se direcionarem à jornada de 4 dias. 

Como era de esperar-se, contudo, o fim da jornada 6x1 é mal visto pela parte mais retrógrada do empresariado, mas a Câmara e o Senado dificilmente ousarão flertar com retrocesso num ano eleitoral. Afinal, a prioridade máxima de deputados e senadores é sempre a reeleição, todo o resto vem depois.
No centrão há quem defenda que a jornada de cinco dias totalize 44 horas semanais. 

Pretexto: não aumentar o custo Brasil. Só que, nos países que estão atendendo os reclamos dos trabalhadores, houve ganho de produtividade, maior do que qualquer prejuízo 

O ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) bate pesado nos recalcitrantes:
É claro que haverá oposição no Congresso, mas restrita à extrema-direita. Quem se opuser à redução da escala terá que prestar contas nas urnas em outubro.

Os setores empresariais contrÁRIOS Aos direitos dos trabalhadores repetem os mesmos argumentos surrados desde a abolição da escravidão, passando pela criação da CLT, 13º salário, férias etc.

Evidentemente, o capitalismo não se redime cada vez que cede algumas migalhas do seu banquete para quem lhe garante toda a riqueza da qual desfruta. Mas, os trabalhadores ainda não sentem-se prontos para irem buscar tudo que lhes é negado. É pena.
Como não rezo pela cartilha do quanto pior, melhor, estou ao lado deles nesta pendenga. Que tenham um pouco mais de tempo para curtir o que a vida pode lhes oferecer. Espero que o utilizem bem, não o vendendo de volta para os patrões.  

os privilégios e a DESIGUALDADE
De resto, quando comecei a trabalhar em 1973, a jornada já era de 40 horas semanais nas empresas de comunicação empresarial, 

Mais tarde, nas grandes redações, já se cumpria o estipulado numa lei de 1969:  5 horas diárias e, num eventual acordo com o patrão, poderia passar a 7 horas, mas remuneradas como se fossem 9 horas (as 2 extras eram pagas em dobro).

Eu me considerava merecedor de tudo que pagavam, até o último centavo; mas detestava que, atuando no setor terciário, desfrutasse de várias vantagens com relação aos trabalhadores rurais e aos operários industriais. Nunca vi motivo para, nem me sentia  feliz sendo, um privilegiado.

Essa desigualdade me incomodava ainda mais porque meu pai, contra-mestre de tecelagem, não só era obrigado a cumprir religiosamente as 48 horas semanais, como tinha de submeter-se à divisão por turmas que prejudicava muito seu sono: numa semana trabalhava das 5 às 13 horas. noutra semana das 13 às 21 horas. (por Celso Lungaretti)
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