terça-feira, 28 de abril de 2026
O ESTADÃO, VOLTANDO AOS MAUS TEMPOS, CONTESTA A DECISÃO DO STF PRÓ COTAS RACIAIS NA REACIONÁRIA SANTA CATARINA
segunda-feira, 27 de abril de 2026
LEGADO DE UM REVOLUCIONÁRIO (parte 6)
| Sítio que serviu como fachada para a primeira área de treinamento da VPR em Registro |
Afinal, meu principal papel na organização era o de municiar os outros comandantes com informações e análises; e, como as prisões de alto escalão tiveram outras origens, a organização só poderia me recriminar a dissimulação a que eu recorria, sempre fingindo estar mais abalado pelas torturas do que realmente estava.
Até que ponto eu conseguia enganar os torturadores e até que ponto eles às vezes não iam às últimas consequências comigo por temerem que eu morresse? Jamais saberei ao certo, mas, dois dias depois da minha prisão, um velho militar suspeitou que eu estivesse passando mal e chamou o médico.
Minha pressão deveria estar assustadora, pois logo me encheram de calmantes e escalaram aquele oficial para conversar comigo e me tranquilizar um pouco.
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| A morte em novembro de 1969 de Chael Charles Schreier, com inconfundíveis marcas de tortura, repercutiu mundialmente e até inspirou matéria de capa famosa da revista Veja |
Tudo me fazia crer que eu já estava prestes a ser transferido, para finalização de inquérito em algum dos quartéis da Vila Militar quando, no dia 11 de junho, a VPR e a ALN sequestraram o embaixador alemão Ehrenfried von Holleben.
Os analistas da repressão mandaram agentes do Deops me interrogarem para a finalização do que dizia respeito a mim nos inquéritos da VPR e da VAR-Palmares (ou seja, éramos obrigados a repetir sem torturas tudo que eles haviam arrancado de nós mediante torturas, sendo esta versão indolor então encaminhada às auditorias militares).
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| Depondo na auditoria da Marinha, no processo da VAR-Palmares. No outro dia seria a vez da Dilma. |
Geralmente a transferência para uma unidade não-torturadora antecedia a tomada de depoimentos para fins jurídicos, assim a farsa ficava completa. Os relatórios sangrentos produzidos pelo DOI-Codi permaneciam secretos e os depoimentos que embasavam nossas condenações não tinham manchas de sangue.
Mas, com o sequestro do embaixador von Holleben em curso, nem se preocuparam em me transferir para outra unidade; pegaram meu depoimento no DOI-Codi mesmo. A própria repressão dava como favas contadas que meu nome estaria entre os 40 da lista de troca.
O avião partiu no dia 16 e eu fui deixado para trás, sendo alvo inclusive de zombarias dos torturadores (Levaram até lastro no seu lugar). Como eu atendia aos critérios para inclusão entre os libertados e não fora responsável por nenhuma prisão de quadro importante, logo imaginei que o veto a meu nome tinha algo a ver com a queda da área de treinamento guerrilheiro.
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| Foram 40 os presos políticos trocados pelo embaixador Ehrenfried von Holleben |
A localização da segunda área, a definitiva, por parte do DOI-Codi/RJ, se deu em 8 de abril de 1970, um sábado, dois dias após minha prisão. Durante aquela tarde, houve uma reunião com a participação de uns 40 altos oficiais visitantes e eu fui conduzido até ela. Quando chegava na sala onde o encontro se realizava, cruzei com integrante da VPR que dela estava saindo. Sua prisão ocorrera naquele sábado.
De mim queriam saber detalhes sobre a primeira área, a abandonada. Mas, o inusitado daquela reunião e a má ideia que tiveram de atar-me eletrodos nos dedos, criando a ameaça de choques elétricos, produziu efeito contrário. Foi quando um dos oficiais visitantes suspeitou que eu estivesse passando mal e fez com que viesse o médico.
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| Formatura do Lamarca que, 10 anos depois, romperia o cerco de Registro. |
Depois, na segunda-feira, fomos ambos levados até Registro num jatinho da FAB, para ficarmos à disposição dos responsáveis pela caçada aos companheiros. Quando aterrissamos, nos separaram e nunca mais falei com tal pessoa.
Tinha quase certeza de que eu fora preterido na lista de troca do embaixador alemão por estar servindo de bode expiatório da delação da área enquanto quem tinha realmente fraquejado decolava com o prestígio intacto para a Argélia. Fiquei perplexo e desolado.
Continuei acreditando firmemente (até hoje!) na necessidade de uma urgente revolução anticapitalista, mas perdi para sempre a confiança cega nos companheiros.
Levei muito tempo para compreender que, num instante em que a VPR sofria a pior de suas crises de segurança e precisava repor com urgência os quadros que perdera, a verdade sobre quem entregara ao inimigo as joias da coroa teria um efeito acachapante, dificultando ainda mais seus esforços para dar a volta por cima. Compreendi adiante o porquê, mas aos 18 anos não se aceita facilmente uma injustiça dessas. Quase fui destruído.
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| A repressão mobilizou 2.954 homens para voltarem com as mãos abanando, enquanto o Lamarca escapava |
Eles acreditavam ter liquidado completamente a VPR naquele estado e devem ter ouvido poucas e boas dos superiores, pois tinham inclusive descoberto o plano para sequestrarmos o von Holleben e não lhe providenciaram proteção, provavelmente supondo que não havia mais ninguém para efetuar a proeza. Só que houve.
Um deles descarregou a raiva em mim. O oficial responsável pelo inquérito da VAR-Palmares viera tomar meu depoimento e um raivoso do DOI-Codi, ao passar pelo corredor, viu-me e perdeu a cabeça. Entrou e esmurrou-me tão violentamente pelas costas que me derrubou da cadeira e jogou a mesinha em cima do oficial visitante.
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| "Longe, longe, ouço essa voz que o tempo não vai levar" |
domingo, 26 de abril de 2026
TRUMP ESCAPA DO 3º ATENTADO, MAS AINDA NÃO AMEAÇA O RECORDE DE HITLER.
Já contra o seu ídolo Adolf Hitler, de quem ele não passa de uma tosca miniatura, foram executadas ou apenas planejadas 42 tentativas.
Quanta gente morreu por causa da incompetência desses patriotas!
Saiba mais sobre tais tentativas clicando aqui):
- a da cervejaria Hofbräuhaus, em 1921;
- a da Missão Espiritual de Maurice Bavaud, em 1938;
- a do aniversário do Putsch da Cervejaria, em 1939;
- a das garrafas de conhaque explosivas, em 1943;
- a do homem-bomba Rudolf von Gertsdorff, também em 1943; e
- a Operação Valquíria, em 1944.
SÉRIE "AS CINCO COPAS DO MUNDO QUE O BRASIL CONQUISTOU": 2002. OS SOLDADOS DO FELIPÃO CUMPRIRAM BEM A MISSÃO.
Não vinha mesmo fazendo campanha brilhante: apanhara da Noruega (1x2) na 1ª fase e necessitara dos pênaltis para despachar a Holanda nas semifinais (1x1 e 4x2).
Zagallo, acertadamente, pretendeu substitui-lo por Edmundo. Mas, o inacreditável Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, impôs uma mudança de escalação na enésima hora, em benefício do garoto-propaganda da Nike, que voltava sonado do tratamento de emergência.
Dunga ainda tentou dar força a Zagalo, para que mantivesse a decisão sensata. Mas, Bebeto usou sua influência no sentido oposto, favorecendo a aceitação do ultimato de Teixeira.
A frustração por haver deixado escapar uma Copa tida como ganha ainda se fazia sentir nas eliminatórias para o Mundial seguinte.
Em suas 18 partidas desde o apagão de 1998 Brasil foi dirigido por nada menos do que quatro técnicos: Luxemburgo, Candinho, Leão e Felipão. Acabou por garantir sua vaga apenas na última rodada, ficando 13 pontos atrás da Argentina e só três à frente do Uruguai (repescagem) e da Colômbia (desclassificada).
Luiz Felipe Scolari, técnico de conceitos rústicos e alguma força de caráter, era malvisto pela cartolagem, pois não tinha perfil de títere.
| Seaman sofreu com o Gaúcho |
De quebra indispôs-se com Romário, por suposta ou real má vontade do Baixinho para com o escrete. Afastou-o em definitivo, apesar do seu pedido de desculpas público e do lobby de cartolas & imprensa esportiva.
Com seu carisma e extrema habilidade motivacional, aproveitou as críticas à Seleção para fechar o grupo em torno de si. Era a Família Scolari lutando contra tudo e contra todos.
Treinou contra a China (4x0), Costa Rica (5x2) e desperdiçou duas vezes a oportunidade de golear a incipiente Turquia, vencendo-a apenas por 2x1 na 1ª fase e 1x0 na semifinal (gol de Ronaldo, em bela arrancada pela meia-esquerda).
| Clique aqui para assistir aos melhores momentos de Brasil 2x1 Inglaterra |
*carregando a bola do meio-de-campo até a entrada da área, serviu Rivaldo livre, para este empatar;
| Felipão teve seu último momento afortunado |
Já criara mais chances no 1º tempo, quando Kleberson acertou o travessão e Oliver Kahn, o melhor goleiro do Mundial, andou fazendo defesas difíceis.
Decidiu no 2º. A tarefa foi facilitada por uma inusitada falha de Khan, que bateu roupa num chute forte mas defensável de Rivaldo, deixando Ronaldo à vontade para abrir o marcador.
A Alemanha saiu para o jogo e, em rápido contra-ataque pela direita, Kleberson cruzou, Rivaldo deixou passar e Ronaldo colocou no canto: 2x0.
Terminou a campanha com estatísticas invejáveis:
sábado, 25 de abril de 2026
LEGADO DE UM REVOLUCIONÁRIO (parte 5)
Avalio como desnecessário e deprimente repetir os pormenores da minha descida ao inferno. Melhor falar nas lições que extraí, algumas no próprio momento, outras repassando os tormentos na memória, de volta à cela.
Os torturadores tudo faziam para me desnortearem, impossibilitando-me de pensar. Assim, a primeira sessão de torturas foi com a sala lotada de oficiais, agentes, motoristas de viaturas, etc. Agrediam-me de todo lado, faziam perguntas ao mesmo tempo e desferiam murros e pontapés por eu não conseguir responder a todos . Além disto, recebia sucessivos choques elétricos.
Depois, já pendurado no pau-de-arara, começava a ser realmente interrogado. E aí se iniciava a verdadeira batalha. Como a intensidade das torturas era demasiada, tinha de ir buscar nas minhas convicções mais profundas a força para nada dizer a esmo.
Sou sincero: não consegui depois reconstituir boa parte do que ocorreu comigo naqueles primeiros dias de sofrimentos dilacerantes.
Seja por ter conseguido trancar na minha mente os dados dos pontos que teria com os comandantes superiores organicamente a mim e com os que eram do mesmo escalão, seja porque não tinha nada para discutir de imediato com eles, o certo é que aqueles que, ao caírem, causaram mais danos à VPR, o fizeram antes de quando eu os encontraria. Por mérito ou por acaso, não foi graças a mim que a repressão ficou sabendo o suficiente para nos impor as quedas em cascata.
Mas não fui nem poderia ter sido capaz de convencer a repressão de que nada sabia. Para desviar a atenção dos inquisidores de nossos tesouros, fui obrigado a entregar-lhes algum calhau. O que me pareceu justificado naqueles momentos terríveis (e só neles!).
Que direito tinha eu de definir, por critérios utilitários, quem seria barbaramente torturado e talvez até morresse, expondo-o para preservar os líderes da nossa organização? Nenhum. Amaldiçoei-me por perceber isto tão tardiamente.
Após minha libertação, nunca mais cogitei voltar a assumir as mesmas responsabilidades como militante. Sabia que, se o fizesse, ficaria novamente conflitado face à questão de quais companheiros eram descartáveis e quais não. Uma vez já tinha sido demais.
Quanto à injusta estigmatização que sofri por atribuírem-me uma responsabilidade que jamais tive na queda da área 2 de treinamento guerrilheiro, às vezes fico pensando que poderia ter provado a minha inocência muito antes se não carregasse tamanho remorso por, numa circunstância extrema, haver agido como o soldado que coloca o patamar hierárquico acima de tudo e não como o homem justo que sempre procurei ser. (por Celso Lungaretti)
sexta-feira, 24 de abril de 2026
ALTO ASSESSOR DE TRUMP DIZ QUE TODAS AS MULHERES BRASILEIRAS SÃO PUTAS
| Paulo porco chauvinista Zampolli |
Não são de estranhar-se os sucessivos episódios de incontinência verbal nos altos escalões do Governo Trump: o exemplo vem do próprio chefe da quadrilha.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
LEGADO DE UM REVOLUCIONÁRIO (parte 4)
Assim, eu me reportava diretamente aos dois integrantes do Comando Nacional (o Jamil/Ladislau Dowbor e a Lia/Maria do Carmo Brito, esta de origem Colina) que faziam a ponte entre a cidade e o campo, onde o terceiro comandante nacional (o Cid/Carlos Lamarca) tratava de implantar a escola de treinamento guerrilheiro.
E mantinha-me em contato diário com os outros comandantes baseados no RJ, o Juvenal/Juarez Guimarães de Brito e o Roberto Gordo/José Ronaldo Tavares de Lira e Silva, responsáveis pelas nossas duas unidades de combate lá atuantes.
Já não era tratado como neófito inexperiente, mas aceito como igual pelos veteranos, pois sobreviver aos perigos diários durante quase um ano naquela fase da luta se tornara um marco inalcançável para muitos.
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| Como cantou Milton Nascimento, memória não morrerá! |
Ponderei que era arriscado exagerarmos, já que, para a ditadura, um embaixador dos EUA tinha peso bem maior do que um cônsul nipônico. Também não deveríamos trocá-lo apenas pelo Japa, caso contrário cairia para o inimigo a ficha de que tinha nas mãos um quadro que valorizávamos muito.
Então, precisávamos botar outros companheiros na lista, mas não a ponto de os fardados ficarem em dúvida sobre o atendimento ou não da nossa exigência. Propus o número de cinco, cinco pedimos e cinco obtivemos.
Enviado o Japa para a Argélia, restava a dúvida sobre se ele teria dado alguma pista sobre a área ou os trabalhos nela poderiam prosseguir normalmente.
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| Albuquerque Lima (esq.) queria reproduzir no Brasil o nacionalismo do ditador peruano Juan Velasco Alvarado |
Enfim, no RJ eu estava atuando verdadeiramente como um quadro de Inteligência, ao contrário do que acontecera em SP, onde a minha contribuição era maior como integrante do Comando estadual do que na minha função específica.
Mais: desenvolveu-se uma grande afinidade entre o Juvenal e eu, pois ambos éramos egressos do movimento estudantil (ele fora professor e se tornou o comandante militar do Colina, com um notável talento para planejar ações astutas como a expropriação do cofre do Ademar).
Tínhamos formação humanista: acreditávamos na luta armada, mas travada com critério, sem bravatas nem desnecessário derramamento de sangue. Nossa visão da organização era bem profissional, ao estilo dos tupamaros uruguaios. E sabíamos que, caso vencêssemos (hipótese que sabíamos ser remota), deveríamos evitar a todo custo as armadilhas do autoritarismo que desfigurara outras revoluções.
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| Depondo na Auditoria da Marinha um dia após a Dilma |
Não se é verdadeiramente revolucionário sem esse desejo ardente de transformar a sociedade, que nos leva a assumir os riscos que surjam pelo caminho. Mas, nem meus piores augúrios igualavam o pesadelo que veio a seguir.
Se valho alguma coisa, foi por não ter-me deixado quebrar pelas adversidades que despencaram sobre mim a partir daquela funesta quinta-feira, 16 de abril de 1970.
Antes, aconteceu o que se repetiria muitas vezes na minha militância: tive uma forte suspeita de que algo muito ruim estava a caminho, mas não consegui convencer quem poderia evitá-lo.
Foi num ponto meu com a Lia e o Jamil, na segunda ou terça-feira. Disseram que o Lamarca exigira a presença dos demais comandantes nacionais e dos comandantes de unidades de combate na área de treinamento guerrilheiro, pois temia que a Organização novamente não estivesse priorizando a tarefa principal (lançamento da coluna guerrilheira) como deveria.
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| Wellington Moreira Diniz em 2013, ao ser julgada sua anistia |
Eu o conhecia do congresso de outubro da VAR-Palmares e não acreditava que faltaria a dois compromissos com a Organização por motivo fútil. Pensei logo que ele deveria ter sido morto ou preso.
E me ocorreu que, se ele houvesse mesmo caído no sábado, seria uma temeridade os comandantes estarem reunidos no campo e não a postos para lidar com uma possível emergência. A VPR, por causa das quedas que se sucediam implacavelmente, resolvera adotar um modelo vertical, com cada unidade de combate, bem como a minha de Inteligência, conhecendo apenas seu comandante.
O contato entre elas era unicamente o contato entre os comandantes. Com estes ausentes, ficaria muito mais difícil cientificarmos uns aos outros e tomamos providências para evitar uma sucessão de quedas em cascata.
Insisti longamente com o Jamil e a Lia no sentido de que adiassem a reunião com o Lamarca, mas ambos não ousaram discrepar dele. Representavam dois terços do Comando Nacional, portanto poderiam fazê-lo, mas refugaram. Foi fatal.
O Wellington tinha mesmo sido preso no sábado e desde então sofria as piores torturas, mas aguentou bravamente até a quarta-feira, quando acabou abrindo o fotógrafo ao qual conduzira o Lamarca para tirar fotos após a sua operação plástica. O fotógrafo, por sua vez, entregou um médico que era nossa principal fonte de aliados e, ao mesmo tempo, a maior vulnerabilidade que tínhamos no RJ.
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| Comissão Nacional da Verdade falhou em entregar às famílias os restos mortais dos desaparecidos |
Ao ser conduzido para a sede do DOI-Codi, no quartel da Polícia do Exército na Tijuca, eu quase sufocava por causa do capuz que me colocaram e de me forçarem a cabeça para baixo a fim de não ser visto da rua ou dos carros que passavam ao lado.
Sabia que, mesmo se sobrevivesse, nunca mais seria o mesmo. E não tinha certeza de que valeria a pena sobreviver.
Se funcionasse a capsula de cianureto produzida por estudantes de química aliados da VPR, eu a teria usado, mas aqueles aprendizes de feiticeiro haviam falhado em algum detalhe, de forma que poucos dias antes o Juvenal me informara do fracasso colhido por quem a utilizara. Então, só restava preparar-me para o pior. (por Celso Lungaretti)














