Eu ainda não tinha criado este blogue no final de setembro/2007, quando escrevi meu artigo político de maior repercussão até hoje, reagindo de batepronto (como é do meu feitio) à matéria de capa com que a Veja despejara toda sua bilis sobre o mito Che Guevara.
Como acaba de reincidir, concedendo espaço desmesurado à exaltação de um livro que não é livro -- assim como ela própria há muito deixou de ser revista -- mas, tão somente, um medíocre panfleto ultradireitista, perpetrado por dois membros de sua equipe, vale a pena ler de novo o texto com que defendi, daquela vez, a memória do grande revolucionário internacionalista.
Afinal, nestes quase quatro anos transcorridos desde então, a tendenciosidade da Veja só fez aumentar. Superando esforçados competidores na mesma faixa, como a Rede Globo e a Folha de S. Paulo, ela pratica o pior jornalismo de esgoto da imprensa brasileira -- a ponto de infestar até o espaço que deveria ser destinado à Cultura com sua primária e boçal propaganda anticomunista.
O novo ataque à memória de figuras gigantescas do século passado, como Guevara e Allende, só serve para destacar ainda mais a pequenez da Veja.
O contraste é devastador para sua imagem, já em frangalhos.
Afinal, nestes quase quatro anos transcorridos desde então, a tendenciosidade da Veja só fez aumentar. Superando esforçados competidores na mesma faixa, como a Rede Globo e a Folha de S. Paulo, ela pratica o pior jornalismo de esgoto da imprensa brasileira -- a ponto de infestar até o espaço que deveria ser destinado à Cultura com sua primária e boçal propaganda anticomunista.
O novo ataque à memória de figuras gigantescas do século passado, como Guevara e Allende, só serve para destacar ainda mais a pequenez da Veja.
O contraste é devastador para sua imagem, já em frangalhos.
'VEJA' MIRA GUEVARA E ACERTA O PRÓPRIO PÉ
Os 40 anos da morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, a se completarem no próximo dia 9, dão ensejo a uma nova temporada de caça ao mito Che Guevara por parte da imprensa reacionária, começando por Veja, que acaba de produzir uma das matérias de capa mais tendenciosas de sua trajetória.
"Veja conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha e no governo cubano na tentativa de entender como o rosto de um apologista da violência, voluntarioso e autoritário, foi parar no biquíni de Gisele Bündchen, no braço de Maradona, na barriga de Mike Tyson, em pôsteres e camisetas”, afirma a revista, numa admissão involuntária de que não praticou jornalismo, mas, tão-somente, produziu uma peça de propaganda anticomunista, mais apropriada para os tempos da guerra fria do que para a época atual, quando já se pode olhar de forma desapaixonada e analítica para os acontecimentos dos anos de chumbo.
Não houve, em momento algum, a intenção de se fazer justiça ao homem e dimensionar o mito. A avaliação negativa precedeu e orientou a garimpagem dos elementos comprobatórios. Tratou-se apenas de coletar, em todo o planeta, quaisquer informações, boatos, deturpações, afirmações invejosas, difamações, calúnias e frases soltas que pudessem ser utilizadas na montagem de uma furibunda catalinária contra o personagem histórico Ernesto Guevara, com o propósito assumido de se demonstrar que o mito Che Guevara seria uma farsa.
Assim, por exemplo, a Veja faz um verdadeiro contorcionismo retórico para tentar tornar crível que, ao ser preso, o comandante guerrilheiro teria dito: "Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto". Ora, uma frase tão discrepante de tudo que se conhece sobre a personalidade de Guevara jamais poderá ser levada a sério tendo como única fonte a palavra de quem posou como seu captor, um capitão do Exército boliviano (na verdade, eram oficiais estadunidenses que comandavam a caçada).
É tão inverossímil e pouco confiável quanto a “sei quando perco” atribuída a Carlos Lamarca, também capturado com vida e abatido como um animal pelas forças repressivas.
E são simplesmente risíveis as lágrimas de crocodilo que a Veja derrama sobre o túmulo dos “49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório na Bolívia” e morreram perseguindo os guerrilheiros. Além de combater um inimigo que tinha esmagadora superioridade de forças e incluía combatentes de elite da maior potência militar do planeta, Guevara ainda deveria ordenar a seus comandados que fizessem uma cuidadosa triagem dos alvos, só disparando contra oficiais...
É o mesmo raciocínio tortuoso que a extrema-direita utiliza para tentar fazer crer que a morte de seus dois únicos e involuntários mártires (Mário Kozel Filho e Alberto Mendes Jr.) tenha tanto peso quanto a de quatro centenas de idealistas que arriscaram conscientemente a vida e a liberdade na resistência à tirania, confrontando a ditadura mais brutal que o Brasil conheceu.
Típica também – e não por acaso -- da retórica das viúvas da ditadura é esta afirmação da Veja sobre o legado de Guevara:
“No rastro de suas concepções de revolução pela revolução, a América Latina foi lançada em um banho de sangue e uma onda de destruição ainda não inteiramente avaliada e, pior, não totalmente assentada. O mito em torno de Che constitui-se numa muralha que impediu até agora a correta observação de alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas”.
Assim, a onda revolucionária que se avolumou na América Latina durante as décadas de 1960 e 1970 teria como causa “as concepções de revolução pela revolução” de Guevara e não a miséria, a degradação e o despotismo a que eram submetidos seus povos. E a responsabilidade pelos banhos de sangue com que as várias ditaduras sufocaram anseios de liberdade e justiça social caberia às vítimas, não aos carrascos.
É o que a propaganda enganosa dos sites fascistas martela dia e noite, tentando desmentir o veredicto definitivo da História sobre os Médicis e Pinochets que protagonizaram “alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas”.
Não existe muralha nenhuma impedindo a correta observação desses episódios, tanto que ela já foi feita pelos historiadores mais conceituados e por braços do Estado brasileiro como as comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos. Há, isto sim, a relutância dos verdugos, de seus cúmplices e de seus seguidores, em aceitarem a verdade histórica indiscutível.
E a matéria de capa da Veja não passa de mais um exercício do jus sperniandi a que se entregam os que têm esqueletos no armário e os que anseiam por uma recaída totalitária, com os eventos desastrosos e os banhos de sangue correspondentes.




3 comentários:
Essa mesma Veja, outrora, fez uma matéria de capa, no ano de 1997, exaltando o Che Guevara. Vejam como são as coisas!
Enquanto isso, o leãozinho inglês, Cameron, cogita utilizar o Exército na repressão aos distúrbios... É a velha história, TODO PODER AMEAÇADO REAGE VIOLENTAMENTE.
Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes são os verdadeiros patrões dessa porcaria de revista.
Veja, não Veja!
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