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domingo, 15 de junho de 2025

PASSEI A MINHA VIDA ADULTA INTEIRA VENDO ISRAEL FAZER OS ÁRABES DE SACO DE PANCADAS; MUITO SOFRE QUEM PADECE

As charges são do Jota Camelo
Eu começava a prestar atenção nos grandes acontecimentos mundiais quando ocorreu a chamada
guerra dos seis dias, em junho de 1967: Síria, Egito, Jordânia e Iraque, apoiados pelo Kwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão, foram derrotados de forma acachapante por Israel, apesar de sua evidente superioridade em efetivos e recursos.

Passei o resto da vida vendo os árabes serem triturados impiedosamente pelo estado sionista, sempre com o apoio declarado ou velado dos EUA e a despeito das condenações inócuas da ONU, olimpicamente ignoradas pelos genocidas da estrela de Davi.

O enredo se repete mais uma vez; já faz parte da ordem natural das coisas. Só quando algo nele mudar justificará uma análise mais aprofundada. Mais do mesmo vale apenas o tamanho deste post.

Não gosto de assinar protestos ou dar declarações indignadas quando sei de antemão que de absolutamente nada adiantarão. 

Posso passar anos travando uma luta extremamente desigual para nosso lado, como foi aquela contra a extradição de Cesare Battisti no período 2008/2011, desde que vislumbre uma mínima chance de vitória. 

Mas não perco meu tempo quando nem isto existe, pois detesto sentir-me impotente para mudar o curso de acontecimentos deploráveis. Sou guerreiro, não carpideira.

Nesses casos em que nada há que compense fazer, nada faço. Sigo o exemplo do Paulo Francis dos bons tempos, que encerrava o assunto dizendo muito sofre quem padece e passava a ocupar-se das campanhas que não tinham desfecho predeterminado. 

Mas, a semelhança acaba aí. Ele, depois da sua última grande fase (a de quando era o guru do Pasquim), acabou desistindo de todas as cruzadas idealistas, e isto eu não fiz nem farei. 

Tenho 74 anos e continuo pronto para ir em qualquer lugar, correndo o risco que houver, mesmo me arrastando com minha muleta, se depender de mim uma vitória no bom combate. 

Aí a minha inspiração vem de outro exemplo, o de Gilberto Gil na canção Viramundo: "Prefiro ter toda a vida/ a vida como inimiga/ a ter na morte da vida/ minha sorte decidida". (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

NÃO SE DEVE FAZER NEGÓCIOS COM ISRAEL. DEVE-SE LUTAR POR SUA DESTRUIÇÃO!

 

O ministro da defesa, José Múcio, é o maior exemplo da pusilanimidade do Lula: tendo feito vista grossa para os acampamentos bolsonaristas em frente aos quartéis, fez de tudo para proteger os militares durante a tentativa patética de insurreição do 8 de janeiro de 2023. Mesmo assim, foi mantido no cargo pelo presidente e hoje age abertamente em prol dos interesses mais reacionários e escusos do Brasil. 

Agora, resolveu fazer lobby aberto pelo estado terrorista de Israel dizendo que a compra de armamentos daquele país pelo Brasil foi barrada por questões ideológicas. Segundo ele, a concorrência para adquirir tanques e maquinários de guerra foi ganha pelos judeus, mas acabou travada por questões ideológicas. Além de reproduzir o blablabla de identificar o regime sionista com os judeus - Israel é um estado político que usa de uma religião para se legitimar -, ainda reduz o genocídio contra os palestinos a uma questão de ideologia! Não bastasse ser conivente com o extermínio operado por israelenses contra palestinos, e agora contra libaneses, ao não romper relações diplomáticas com Tel-Aviv, Lula aceita em seu governo um ministro que julga de menor importância a morte de milhares de pessoas! 

Não tenhamos dúvida, se Múcio vivesse no período do nazismo, também diria que possíveis ações contra a Alemanha de Hitler seriam ações meramente ideológicas. Para ele, o que importa é agradar aos milicos e garantir que eles tenham acesso a seus brinquedos de guerrear para poderem brincar de marcha soldado nos desfiles de sete de setembro. 

Não apenas a compra de tais equipamentos, com gasto superior a 1 bilhão de reais, é um acinte em um país com tantos problemas, como a compra ter sido feita de Israel é um absurdo ainda maior. Israel não é um estado legítimo, é um bunker colonial dos EUA e o único tratamento que deve receber é nosso profundo desprezo. Ao invés de negociar com Israel, a tarefa de todo ser humano digno é lutar por sua destruição. Não se trata de uma questão ideológica, se trata da luta contra o colonialismo e contra a limpeza étnica promovida há mais de sete décadas por europeus e estadunidenses no coração do Oriente Médio. (por David Coelho) 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

TIRANDO O VÉU DO IRÃ

 Depois da entrevista coletiva para a imprensa internacional, me coloquei no caminho da saída do entrevistado e à sua passagem lhe estendi a mão, me identificando em francês: "sou jornalista do Brasil, tenho seguido seus filmes e suas denúncias. Espero que seja bem acolhido no país no qual vai viver seu exílio".

Houve um forte aperto de mãos. Enquanto eu fixava seu rosto, ele me sorria, ouvindo a tradutora lhe transmitir em persa meu recado. Talvez lhe tenha parecido original a preocupação do jornalista com a acolhida no lugar onde vai viver, mas isso é próprio de quem já viveu o exílio.

Foram apenas alguns segundos, revividos por mim nestes dias em que as manchetes dos noticiários falam do Irã. O entrevistado era Mohammad Rasoulof, cujo filme As Sementes do Figo Sagrado tinha recebido o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Cannes e foi exibido no telão de 400m2 da Piazza Grande, no Festival suíço de Locarno.

O cinema é também uma maneira de se contar um país. Isso nós brasileiros vivemos durante a ditadura militar. Naquela época, em praticamente todos os festivais no exterior, o cinema brasileiro aparecia e dava sua mensagem denunciando a ditadura e os crimes cometidos pelos militares. Existe mesmo um ótimo texto do cineasta Thiago B. Mendonça sobre esse período de censura e controle, com o título A ditadura e o cinema brasileiro, ilustrado com uma conhecida foto do filme Terra em Transe, de Glauber Rocha.

Retornando ao Irã, existe um texto mais antigo, de Natalia Barrenha, que trata do redescobrimento do cinema iraniano há vinte anos, mas já começando a se defrontar com o problema do fundamentalismo da teocracia islâmica

 Talvez seja instrutivo agora, sob os clarões das explosões dos mísseis iranianos lançados sobre Israel, contar a história do filme de Rasoulof.

Mesmo porque existe a preocupação de alguns setores em mostrar aos brasileiros frequentadores de redes sociais só a visão positiva do Irã, quase uma propaganda, mesmo na questão dos direitos humanos em geral e, na questão da liberdade das mulheres, fazendo de conta ignorar que a teocracia iraniana é também misógina ao extremo.

A curiosidade popular com relação à situação das mulheres iranianas surgiu depois do assassinato da jovem curda Mahsa Amina pela polícia da moralidade, em 2022, pelo crime de não ter o véu chador cobrindo a cabeça, exigido pela religião. Isso foi bastante divulgado pelas televisões brasileiras e, no Irã, provocou numerosas manifestações de mulheres e a criação do movimento Mulher, Vida, Liberdade. A repressão às mulheres foi violenta e o presidente da época, Ibrahim Raisi, aplicou a pena de morte na forca para muitas delas.

O filme de Rasoulof, que precisou fugir do Irã para não ser preso, conta a história de Iman, um jurista fiel e de dedicação servil à teocracia, que chegou ao ápice de sua carreira ao ser nomeado juiz do tribunal revolucionário de Teerã. Iman logo descobre que uma de suas funções é a de assinar as sentenças de morte, decididas pelo tribunal. A situação se complica para Iman quando sua filha mais velha, progressista, abriga em casa uma colega de escola ferida nas manifestações depois do assassinato da jovem Mahsa Amina.

O filme quer ser uma antecipação, pois aposta na revolta da família contra o marido e pai, em outras palavras, numa revolta popular contra a ditadura teocrática, mesmo porque o Irã vai mal economicamente e uma importante parcela da população não apoia o governo.

Uma parte da esquerda francesa se pergunta por que alguns líderes como Mélenchon apoiam o Irã, que não é nenhum exemplo a seguir. Essa atração pelo Irã vem da época da revolução do aiatolá Khomeini, em 1979, contra a monarquia do Xá Rheza Pahlevi. E um dos líderes pensantes e influentes da esquerda dessa época, Michel Foucault, não escondia sua admiração por Khomeini. Enquanto Jean Daniel, diretor do semanário Le Nouvel Observateur dava trânsito livre para Foucault na revista que funcionava como guia do pensamento da esquerda da época.

Jean-Paul Sartre também nutria admiração pelo aiatolá Khomeini, que viveu algum tempo perto de Paris, no município de Yvelines, no Neauphle-le-Château, depois de um longo exílio no Iraque. Sartre acreditava que a queda do Xá daria origem a um regime anticolonialista e anti-imperialista. Na verdade, surgiu uma rigorosa teocracia xiita baseada na lei corânica da charia, incompatível com a observância dos direitos humanos no que se refere à liberdade de expressão, liberdade de crença, liberdade sexual e liberdade das mulheres.

Foucault chegou a criar a expressão espiritualidade política, depois de uma viagem ao Irã, para definir o islamismo do aiatolá Khomeini, embora lhe criticassem ignorar os perigos imanentes de um regime religioso islâmico. Em síntese, Foucault avalisou o regime de Khomeini, que se tornou uma ditadura islâmica, de tal forma que, mesmo hoje, com as interpretações sociológicas do pós-colonialismo, sul global e wokismo, o Irã se beneficia de uma certa proteção e apoio junto da esquerda.

É o caso do Brasil, onde o sul global e a presença do Irã no Brics têm levado a uma islamização da esquerda, reforçada depois da resposta israelense na Faixa de Gaza ao ataque do Hamas no 7 de outubro. A proibição por muitos países europeus, em nome do respeito à laicidade, de que crianças e jovens frequentem as aulas nas escolas públicas usando roupas religiosas que lhes cubram a cabeça, as pernas e o corpo, chegou a ser criticada e considerada islamofobia pela professora Francirosy Campos Barbosa. Na Bélgica, houve protestos semelhantes com a decisão governamental de tornar obrigatória a presença dos alunos do curso ginasial nas aulas de educação sexual.

As redes sociais de esquerda passaram o pano nos crimes do ex-presidente iraniano Ibrahim Raisi, chamado de acougueiro, acusado de condenar à morte oito mil pessoas. Na sua rede social dedicada principalmente à promoção e conhecimento do Irã, o professor Salem Nasser, da FGV, também ignorou a má reputação de Ibrahim Raisi e insinuou serem as leis iranianas melhores que as brasileiras em matéria de direitos humanos. Também não comentou a morte da jovem Mahasa Amina.

A campanha contra o sionismo, por setores da esquerda, fez com que Israel, cujos primeiros kibutz eram de inspiração marxista, venha sendo abandonado em nome do colonialismo imperialista. O contraponto é estar havendo apoio a ditaduras e teocracias, cujas ideologias significam retrocesso inclusive em questões de direitos humanos, gênero, liberdade e paridade das mulheres com os homens. (por Rui Martins)

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

UM ANO DE MASSACRE NA FAIXA DE GAZA

Há exatamente um ano, o Hamas, agrupamento que luta contra a ocupação israelense da Palestina, desferiu imenso ataque ao Estado de Israel, investindo contra instalações militares, matando civis e militares, além de sequestrar indivíduos. Até hoje não ficaram claras as circunstâncias do ataque e continua sendo inacreditável que tenha sido possível invadir com tanta facilidade o território de um dos países mais fortificados e militarizados do mundo

O que podemos dizer claramente é que o ataque foi um trunfo para Benjamin Netanyahu, o primeiro ministro israelense. Conforme disse em artigo logo após o ataque, Netanyahu foi o grande vencedor das ações do Hamas, pois encontrava-se em situação difícil com manifestações de rua, processos judiciais e uma possibilidade real de se retirar do poder. Os ataques de 7 de outubro de 2023 foram uma dádiva para ele que, a partir dali, impôs um estado de guerra em Israel, concentrando poderes em suas mãos para mobilizar uma operação militar sem precedentes. 

Desde então, o regime sionista conduz sanguinário massacre contra o povo palestino na Faixa de Gaza. Até o momento, mais de 40 mil palestinos foram mortos em bombardeios e execuções sumárias, a maioria desses mortos eram crianças e mulheres. Gaza foi reduzida a escombros, não possuindo mais qualquer instalação mínima de eletricidade, água, internet ou distribuição de alimentos e remédios. Os insistentes pedidos para a entrada de suprimentos foram repetidamente negados pelo governo israelense. 

É um verdadeiro genocídio, limpeza étnica praticada à luz do dia, diante de todo o mundo. 

Dos EUA e da Europa vêm os apoios para o massacre. O caquético Biden fornece o aparato militar e o suplemento financeiro, enquanto finge se importar com as vidas palestinas, repetindo a cantilena de um cessar-fogo próximo. Puro jogo de cena de um presidente criminoso e genocida! Na Europa, os governos reprimem manifestantes pró-Palestina, enquanto a imprensa dissemina islamofobia, mentindo que se levantar contra o Estado de Israel é antissemitismo. Discurso comprado por muitos da dita esquerda.

No primeiro semestre de 2024, inúmeras ocupações de campi universitários foram registrados nos EUA e na Europa para exigir o rompimento das relações comerciais dessas instituições com Israel. A resposta das elites estadunidenses e europeias foi  uma dura repressão e uma forte campanha de censura e perseguição aos estudantes mobilizados. Os mesmos que diziam defender a plena liberdade de expressão, se adiantaram para exigir censura sob a justificativa de combater o antissemitismo. 

Já no Brasil, a dita esquerda sionista tentou defender o massacre aos palestinos, mas logo caminhou para o isolamento diante da carnificina assistida. Mesmo assim, sua influência é sentida, tendo ela conseguido bloquear o apoio à causa palestina dentro do PSOL - o partido mais sionista da esquerda. Figuras iguais a Boulos, Bella Gonçalves (Belo Horizonte) e Talíria Petrone (Niterói) trataram de ficar mudas diante da situação na Faixa de Gaza. A última, inclusive, chegou ao disparate de publicar em redes sociais propaganda em que Bill de Blasio, ex-prefeito de Nova York e notório apoiador de Israel, pede votos para ela! O descaramento e a podridão moral se tornaram regra em um partido surgido para ser um novo horizonte para a esquerda. 

O governo Lula, por sua vez, assumiu correta postura de denúncia do massacre e teve a coragem de qualificar Netanyahu enquanto um genocida, para ódio da nossa mídia sionista. Contudo, tal ação ficou apenas no discurso, pois o Brasil não rompeu relações com Israel e mesmo manteve negociações de materiais bélicos com aquele país. Como de hábito, Lula e seu grupo se restringiram ao discurso. 

Neste exato momento, Israel avança em uma guerra contra o Líbano e contra o Irã. O Oriente Médio está prestes a ser engolfado por uma gigantesca e avassaladora guerra. Longe de ser um movimento restrito ao contexto daquela região, é mais uma etapa da escalada bélica mundial, cujos epicentros hoje estão lá e na Ucrânia. O capitalismo em crise avança paulatinamente para uma guerra mundial a fim de salvar a si mesmo.

Com o imprescindível Babá, 
em defesa da Palestina. 
 
E no meio disso, mais um extermínio para a história humana, dessa vez do povo palestino. Na Faixa de Gaza não ocorre nenhuma guerra, pois não existem dois exércitos em condições iguais combatendo, mas um morticínio contínuo e criminoso de uma poderosa força militar, com mísseis e soldados sádicos, contra um povo totalmente indefeso. É preciso parar o terrorismo de Israel já! 

Nossa solidariedade completa ao povo palestino em sua luta pela libertação do julgo sionista! (por David Coelho)


domingo, 18 de fevereiro de 2024

LULA TEM TODA RAZÃO SOBRE O MASSACRE ISRAELENSE A GAZA

 Netanyahu ficou furioso, dizem os jornais, com a declaração de Lula de que as ações do governo israelense na Faixa de Gaza se comparam às ações nazistas contra os judeus. Tal fala veio no meio de um discurso maior, e contundente, em que o brasileiro condenou a retirada do apoio humanitário por parte das nações ocidentais à agência da ONU para os refugiados palestinos - UNRWA - bem como a matança indiscriminada de civis. Não se trata de guerra, mas de massacre, enfatizou Lula. Em resposta, o abutre israelense convocou o embaixador brasileiro para uma reprimenda, naquilo que certamente será o início de uma longa e, cada vez mais profunda, crise diplomática. 

O discurso não foi improvisado, muito ao contrário, parecia bem decorado pelo presidente, e deve ter passado pela chancela de diversos assessores e mesmo do Itamaraty e, portanto, não é possível defender se tratar de um arroubo momentâneo, muito mais porque o petista não é dado a usar tais tipos de arroubos em questões tão sensíveis e, sobretudo, em aspectos de geopolítica. Além disso, está situado dentro de um processo de crescente tensão entre os governos brasileiro e israelense que se iniciou quando o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, se encontrou, em novembro, com Bolsonaro em um ato político na Câmara. Não é segredo as ligações do governo de Netanyahu com o bolsonarismo, seguindo seu alinhamento à extrema-direita mundial. 

Tudo a leva a crer que é tal apoio de Netanyahu ao bolsonarismo o principal motivo da crescente crítica de Lula às ações de Israel na Faixa de Gaza, ainda mais porque, à época do encontro entre o embaixador e o ex-presidente fujão, o governo prometeu uma resposta contundente assim que a situação dos brasileiros retidos na Palestina fosse resolvida. Pelo visto, tal resposta está chegando. 

Contudo, os motivos não importam muito. O importante é considerar que Lula, pela primeira vez em muito tempo, está dizendo algo verdadeiro e se posicionando de forma efetiva ao lado de uma causa absolutamente justa. Mesmo com todas as nossas críticas ao petista, não podemos deixar de registar nossa concordância e nosso apoio a ele por sua fala. (por David Emanuel Coelho) 


domingo, 3 de dezembro de 2023

O HAMAS É COMPATÍVEL COM A ESQUERDA REVOLUCIONÁRIA?


 Num longo artigo, mostramos como a esquerda brasileira reage diante da estrutura político-religiosa de Israel chamada sionismo e como vê o futuro para os palestinos. Ainda no texto seguinte, sobre judeus de esquerda, vimos a rejeição ao conceito de Estado étnico, no qual se entra só por herança sanguínea. Essa posição é tão marcante que esse grupo propõe mesmo a recriação de Israel como um Estado nacional sem exigência étnica. Com que forma? De Estado único no qual convivam judeus e palestinos ou na existência de dois Estados vizinhos, um palestino e outro judeu?

Essa seria a garantia de paz duradoura entre esses dois povos? Alguém me alerta: nessas duas hipóteses Israel sairá perdendo, mesmo sem guerras, porque os palestinos têm uma bomba natural mais potente – a bomba demográfica! 

Mas isso é uma visão muito pessimista e negativa, alguém argumentará. Vivendo juntos ou próximos com os mesmos direitos, eles começarão a se misturar como aconteceu no Brasil entre os brancos escravocratas e os descendentes dos antigos escravos negros, depois da abolição da escravatura e de todos os brasileiros serem iguais, sendo punida toda forma de racismo.

E com o velho testamento bíblico na mão, outro poderá argumentar: só poderá dar certo porque judeus e palestinos descendem de Ismael e Isaac, que eram meio-irmãos, pois o pai era o mesmo – o já idoso Abraão. Essa é uma história bem antiga, de uns 4 mil anos, quando ainda não se falava em casamentos entre jovens príncipes e princesas, mas numa sociedade em que havia escravas e seus proprietários eram pai e mãe centenários.

Sendo verídica essa história, poderíamos ser otimistas e imaginar o reencontro familiar entre os netos e filhos desse patriarca. Porém, briga de família a três pode complicar na hora de repartir a herança e a mesma fonte bíblica fala em guerras sem fim dos judeus com cananeus e filisteus, todos parentes, circuncisos e descendentes do mesmo bisavô e tetravô! E com o passar do tempo, turcos, libaneses, egípcios e iranianos poderiam ser considerados primos.

Tudo se complicou quando todos, exceto os judeus, no Oriente Médio passaram a seguir Maomé, surgindo o islamismo. Mesmo assim, restaram duas vertentes islâmicas: a dos sunitas e dos xiitas, nem sempre amigas. O Irã é xiita e a Arábia Saudita, sunita.

Depois da queda do Xá Reza Pahlevi, o Irã xiita se tornou uma rigorosa teocracia islâmica, seguidora da shariah, o conjunto de leis que codifica todas as exigências religiosas públicas e privadas dos muçulmanos, adotada com graduações diferentes pelos países muçulmanos. Nem todas as regras da shariah são compatíveis com os direitos humanos, como liberdade de expressão, liberdade de crença, liberdade sexual, de gênero e liberdade das mulheres. No Irã, a teocracia é repressiva principalmente contra as mulheres, havendo assassinatos cometidos pela polícia por simples questão de vestimenta. O cinema vive também sob censura.

Os sunitas são considerados mais tolerantes, porém inspiraram alguns movimentos considerados extremistas como Al-Qaeda, Estado Islâmico, Boko Haram e Hamas.


A esquerda deixou de ser laica?

Será que meus amigos de esquerda estão certos? Nestas semanas de guerra de Israel contra o Hamas, todos os textos aos quais tive acesso, cujos autores são de lideranças reconhecidas de esquerda, me deixam a impressão de estar havendo uma confusão involuntária - ou será voluntária, estratégica, temporária? - entre o povo palestino e o movimento Hamas, a ponto de se declararem enfaticamente defensores do Hamas contra Israel. 

Será que a partir de agora todo esquerdista tem de ser obrigatoriamente a favor do Hamas, mesmo se a esquerda e, não é de hoje, vem criticando o sionismo e a política israelense com relação aos palestinos? Depois de termos dado bastante espaço à questão do sionismo israelense, parece ser a vez de se discutir o caráter religioso fundamentalista islâmico do Hamas. O conceito laico da esquerda deixou de ser básico e se tornou superado?

O tema é bastante complexo porque além do caráter laico dos grupos palestinos que deram origem à OLP, Organização pela Libertação da Palestina, inclui também a questão da utilização de atos terroristas na conquista do reconhecimento das reivindicações palestinas.

O primeiro desses atos, que provocou divisões dentro da esquerda internacional, foi o atentado nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972. O último atentado, o do 7 de novembro, com a invasão de Israel e o assassinato de centenas de civis desarmados, voltou a provocar divisões, chegando a romper a união das esquerdas francesas.

É bom lembrar que, em 1948 tanto a URSS, quanto os socialistas e os comunistas franceses, apoiaram a criação de Israel. O apoio socialista estava ligado ao partido trabalhista no poder em Israel e os kibutz israelenses eram considerados um tipo de experimentação socialista.  O apoio da URSS durou pouco e o apoio aos árabes foi seguido pelos comunistas europeus.

Nos anos 70, por influência dos católicos de esquerda e dos franceses anticolonialistas, surgiu o apoio à causa palestina, seguido pelos maoístas.

Com o fim da guerra do Vietnã, os comunistas e a esquerda francesa focaram seu apoio em Yasser Arafat. Mitterrand e os socialistas continuavam defendendo a existência de Israel e Arafat acabou reconhecendo a existência de Israel e aceitou a coexistência de dois Estados. Mas o governo de direita em Israel e a Intifada fortaleceram a esquerda pró-palestina que denunciou Israel como Estado opressor e de apartheid, denunciando também o sionismo.

A situação tomou novas feições no fim dos anos 1980, quando os maiores apoiadores dos palestinos contra Israel eram o Hezbollah e o Hamas, dois movimentos islâmicos fundamentalistas. O fim do laicismo ou secularismo na luta pelos palestinos provocou divergências entre os socialistas e comunistas franceses, mas vinha sendo tolerado diante do eleitorado árabe muçulmano gerado pela imigração. Entretanto, a brutalidade do atentado do Hamas do 7 de outubro dividiu a esquerda francesa e voltou à atualidade a questão do movimento palestino estar nas mãos do islamismo fundamentalista, cujas dimensões vão além da causa palestina e representam, em muitos aspectos, um retrocesso no movimento da descolonização palestina.

O avanço do islamismo fundamentalista entre os países árabes, que chega a ter influência mesmo na atual Turquia, e mesmo em países africanos saídos da colonização, preocupa por representar uma marcha à ré na questão dos direitos humanos e na própria concepção de uma sociedade socialista. Diante da teocracia islâmica no Irã, com aplicação da lei da shariah, com punições físicas e pena de morte, ocorre um nítido recuo na liberalização feminina, uma rejeição total da questão dos gêneros com a não aceitação da homossexualidade, entre outras tantas exigências religiosas.

Enfim, uma bem argumentada demonstração da incompatibilidade do movimento Hamas com os objetivos revolucionários marxistas é feita pelo órgão da União comunista trotskista, Luta Operária, mostrando não existir para a esquerda só a opção primária “quem é contra Israel tem de ser a favor do Hamas”.

O trecho conclusivo de um longo artigo parece bem demonstrativo da pressa com que a esquerda brasileira aderiu aos islamitas: 

“O Hamas procura de fato um compromisso com o imperialismo e o reconhecimento deste, mesmo que fale em destruir a “entidade sionista” de Israel. Ele defende os interesses da burguesia palestina e as suas políticas estão em desacordo com os interesses dos palestinos oprimidos, cuja revolta ele teme. Pelo contrário, é com estes que os revolucionários devem estar unidos na luta contra o imperialismo. Apoiar o Hamas por do oportunismo, assimilando-o à “resistência legítima” de todo um povo, fazendo do reconhecimento do sentimento palestino de opressão nacional o apoio à política nacionalista de uma organização religiosa reacionária como o Hamas, equivale a abdicar de toda a política de classe”.

(por Rui Martins) 

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

CONTRA A CENSURA SIONISTA A BRENO ALTMAN!

 


A
última pretensão dos sionistas no Brasil é calar jornalistas e críticos do Estado de Israel. A Conib - Confederação Israelita do Brasil - que se arregam o título de sionistas de esquerda, um contrassenso conceitual, decidiu ir à justiça para censurar publicações do jornalista Breno Altman, fundador do site Opera Mundi.

Já seria um absurdo imenso uma organização pleitear o silenciamento de alguém, mas, para completar  a insensatez, um juiz deu ganho parcial de causa aos sionistas, determinando que Altman retire do ar diversas publicações, sob pena de pesadas multas. Ou seja, na prática, impôs a censura, concordando com o falso argumento propagado pelos defensores do terrorismo israelense de que criticar Israel é ser antissionista. 

Em que pese as inúmeras divergências que possamos ter em relação às posições de Bruno Altman, sobretudo em seu apoio ao lulopetismo, não podemos ficar calados diante de tal perseguição. Por isso, prestamos nossa solidariedade a ele e reivindicamos o cumprimento integral do direito à liberdade de expressão, tal como é consagrado pela Constituição do Brasil. 

Contra a Conib, e demais defensores do sionismo, mascarados ou não de esquerda, só podemos deixar nosso repúdio e mais uma vez perceber o quão autoritário é esse movimento. (por David Emanuel Coelho) 

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

QUANDO A ONU CONDENOU O SIONISMO


N
estes dias de guerra, quando Israel bombardeia Gaza e causa milhares de mortes de civis, em represália aos atentados cometidos pela organização terrorista Hamas, provocando manifestações internacionais, certas palavras destacam-se na imprensa mundial como sionismo, antissemitismo e islamofobia. Vamos tratar do sionismo.

Pouca gente se lembra de que a ONU, mesmo tendo sido criadora do Estado de Israel - que já deveria conviver com um Estado palestino vizinho -, condenou o sionismo, a ideologia e o movimento que uniu os judeus pela criação de Israel.

Ora, isso ocorreu no dia 10 de novembro de 1975, na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque. O Brasil estava sob a ditadura militar, o presidente era Ernesto Geisel, luterano e filho de imigrantes alemães, e votou pela condenação do sionismo, indiretamente contra Israel, junto com Cuba, China, URSS e outros 69 países, se demarcando do voto dos Estados Unidos.

Os militares olhavam os judeus com desconfiança, pois muitos deles condenavam ou lutavam contra a ditadura. Durante outra ditadura, a de Vargas, o líder comunista Luís Carlos Prestes esteve preso durante nove anos e sua esposa, Olga Prestes, alemã e judia, também foi presa. Grávida, em 1936 foi deportada para a Alemanha nazista, ficou nos campos de trabalho forçado para judeus e morreu aos 34 anos numa câmara de gás.

A jornalista Marina Lemle, do blog HCS-Manguinhos, publicou, em maio de 2014, uma importante reportagem sobre um seminário realizado no Instituto de História da UFRJ, “Judeus, militância e resistência à ditadura militar”. O título da reportagem é bastante revelador: “Judeus que resistiram à ditadura eram secularizados”.

Participaram alguns nomes importantes da esquerda judaica, como Bernardo Sorj, Bila Sorj, Jeffrey Lesser, Marcos Chor Maio, Roney Cytrynowicz, Roberto Grun e Alberto Dines.

“Dines contou que a comunidade judaica era claramente dividida entre os “roite idn” (judeu vermelho, em ídish) e os não “roite”. Segundo ele, a vida judaica de esquerda no Brasil era muito intensa e corria separada da vertente sionista”.

Dines contou também terem desaparecido durante a ditadura militar os judeus Ana Rosa Kucinski Silva, Mauricio e André Grabois - pai e filho -, Chael Schreier, Gelson Reicher, Pauline Philipe Reischtuhl, Vladimir Herzog e Yara Iavelberg.

Provavelmente, estes judeus seculares também teriam concordado com a definição de sionismo, dada pela ONU, Resolução 3379, que considerou o sionismo como forma de racismo e discriminação racial.

A aprovação da Resolução 3379 teria sido também uma condenação da decisão israelense de permanecer nos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, como resultado da ascensão política do terceiro-mundismo e da legitimidade da causa palestina.

Nessa época, há 48 anos, os evangélicos – que se identificam com a história bíblica do povo judeu, são de extrema direita e apoiam Netanyahu e Israel contra os palestinos – não possuíam a mesma força religiosa de hoje para influir no voto do Brasil.

Em 1991, com o fim da guerra fria, a maioria dos países não árabes mudou o voto e anulou a Resolução 3379, votando a Resolução 4686, cujo texto é o mais sucinto da história da ONU. Só diz o seguinte: a Assembleia Geral decide revogar a determinação contida na resolução 3379 de 10 de novembro de 1975. (por Rui Martins)

 

sábado, 11 de novembro de 2023

A FALSA CARTADA DO ANTISSEMITISMO


 A
té o momento são mais de 10 mil palestinos mortos pelos bombardeios de Israel. Uma matança indiscriminada e injustificada contra um povo já oprimido e desterrado por uma ocupação terrorista de mais de sete décadas. Contudo, a cada questionamento do Estado de Israel a resposta é que tal questionamento ampliaria o antissemitismo, ou seja, o ódio aos judeus. 

A situação é tão absurda que mesmo matérias da grande mídia a respeito da barbárie vivida pelos palestinos termina falando sobre o aumento do antissemitismo, como se tal problema fosse o principal diante da situação calamitosa vivida pelo povo da Faixa de Gaza. 

Mesmo a hipocrisia não tem limites, pois na França uma marcha contra o antissemitismo foi convocada com a participação de forças da Extrema Direita francesa, notória justamente pelo ódio aos judeus e pela adesão aos ideais neonazistas. Por que um grupo de inspiração fascista apoiaria uma marcha contra o antissemitismo? Porque, na verdade, a última preocupação é com o antissemitismo, mas em defender o Estado de Israel, ponta de lança imperialista no Oriente Médio. 

Deixemos claro, a discriminação e perseguição aos judeus é condenável e abominável, prática hedionda fomentada pelo fascismo. Não podemos confundir a condenação às prática de Israel com um ataque à comunidade judaica, pois nem todos os judeus apoiam o descalabro colonial israelense contra o povo palestino e a condenação às ações terroristas daquele país não justificam, em hipótese alguma, práticas discriminatórias aos judeus. 

Contudo, a prática de reduzir a crítica a Israel a uma forma de discriminação é estratégia abominável usada pela burguesia mundial. Se oculta a matança e a usurpação do território palestino usando uma causa extremamente sensível e fundamental, quando na realidade o sionismo é um movimento da extrema direita mundial, como provado pelas relações daquele país, na figura de seu embaixador, com o presidente fujão Bolsonaro.

De fato, hoje, Israel é o maior representante mundial das forças fascistas, alimentando a extrema-direita e o fundamentalismo religioso mundo afora com seu discurso messiânico e militarista. O sionismo é uma ideologia supremacista e racista, que acredita na superioridade e hegemonia de um povo que teria direito dado por deus a uma terra no Oriente Médio. Na realidade, o sionismo existe para defender os interesses imperialistas dos EUA no Oriente Médio e para nada mais. 

Diante da desumanidade profunda vivenciada no Oriente Médio pelas ações do Estado terrorista de Israel, nossa posição só pode ser uma defesa completa e irrestrita do povo palestino, contra a opressão israelense. (por David Emanuel Coelho) 

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

ANTONIO GUTERRES EM UMA SINUCA DE BICO

 


A
ntónio Guterres em busca do tom certo ou, se achar melhor, sentado num barril de pólvora!

O socialista António Guterres, secretário geral da ONU reeleito e cujo mandato irá até 2027, tinha se investido na questão da prevenção da mudança climática, cuja consequências serão danosas para muitos países. Mas seu segundo mandato se transformou, desde o ataque do Hamas no dia 7 de outubro, na difícil "procura do tom certo para ajudar Gaza sem irritar Israel", como comenta o semanário Expresso, de Lisboa.

Membro durante 10 anos do Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Guterrez logo se sensibilizou com a situação dos palestinos em Gaza, em meio aos bombardeios, e tentou obter um cessar fogo para a entrada de ajuda humanitária. Mas nem todos os países concordaram com sua proposta humanitária, pois para eles Israel ainda tem o direito de se defender, não sendo ainda o momento de se falar em contenção. Com esse aval, Israel pode continuar com seu ataque terrestre e invadir os subterrâneos de Gaza, onde estão as estruturas do Hamas, seus arsenais e os israelenses capturados na invasão de Israel há um mês.

Não é fácil para Guterres encontrar um equilíbrio e o tom certo nessa questão, que há meio século envenena o Oriente Médio. Ainda no Expresso, o historiador Lourenço Pereira Coutinho diz que "Antonio Guterrez está do lado do humanismo, não do terrorismo", sendo possível encontrar uma análise equilibrada da situação: Guterrez "sabe que os palestinos são mantidos em campos de refugiados pelos países árabes, que lhes recusam cidadania, e vivem em permanente tensão com os israelenses na Cisjordânia onde, a partir de 1967, estes estabeleceram colonatos"

Esse é um aspecto importante da questão, porém, o texto continua, Guterres "sabe também que Israel é continuamente ameaçado por organizações fanáticas que pretendem a sua destruição".

Guterres, cuja vida política está ligada a conquistas obtidas pelo Partido Socialista em Portugal, tem diante de si um desafio, bem além das contendas partidárias nacionais: o da gestão do fim da guerra.

 Destruído o inimigo que pregava a destruição de Israel, assim que passar o ódio gerado pela guerra, não será o momento de Guterrez  repensar na ONU a criação efetiva do Estado palestino, com o apoio de Mohmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, que não é amigo do Hamas? Sem a adoção dessa solução para os palestinos, já decidida desde o fim da Segunda Guerra Mundial, nunca haverá paz na região.

Missão impossível? (por Rui Martins) 

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

A BÍBLIA ERROU: GOLIAS É QUE VENCEU DAVI!

Estudiosos da Academia de Doutrinação Sionista descobriram que era
fake a narrativa tradicional sobre o desfecho do duelo entre Davi e Golias.

Na verdade, foi Golias o ganhador, depois de denunciar que seu direito à
autodefesa estava sendo violado pela utilização da funda por parte de Davi. 

Com isto, ambos se enfrentaram de mãos limpas e venceu o melhor. (CL)

"Como o Judas de antigamente, vocês mentem e enganam"

sábado, 14 de outubro de 2023

O TERRORISMO DE ESTADO DE ISRAEL JÁ DURA SETE DÉCADAS

 


O debate em torno da luta palestina é atravessado de desinformações e superficialidades, induzidas pela mídia à serviço dos EUA. As análises superficiais rondam em torno das ações do Hamas que são magnificadas e exploradas sem qualquer tipo de criticidade ou contextualização. Ao mesmo tempo, as ações do Estado de Israel e seus crimes são desconsiderados ou justificados com a desculpa de serem apenas respostas ao terrorismo

Nós sabemos muito bem o quanto a chamada Guerra ao Terror tem servido há mais de duas décadas para justificar todo tipo de ação bárbara e arbitrária no Oriente Médio, além de práticas autoritárias e que beiram ao estado de sítio nos países ocidentais. Tal como o combate ao crime nos países da América Latina, a luta contra o terrorismo tem sido usada pelos governos da Europa e dos EUA para impor medidas de exceção, ampliar gastos militares e relativizar direitos fundamentais. 

A ideia do terrorismo sempre foi usada pelo staus quo para difamar grupos insurgentes e jogar a população contra eles. É um meio sobretudo de propaganda e praticamente todo grande grupo contestatório já foi qualificado de terrorista, desde os Panteras Negras até os movimentos anticoloniais, passando pelo movimento dos direitos civis nos EUA e pelos resistentes à ditadura no Brasil e países vizinhos. 

Embora não compactuemos com os métodos do Hamas e tão pouco com sua posição religiosa fundamentalista, não podemos simplesmente fazer eco ao discurso ideológico da mídia burguesa, de seus jornalões reacionários e de seus jornalistas alugados. É preciso entender, antes, como é possível existir um grupo igual o Hamas e porque parte dos palestinos chegou ao desespero de usar métodos de luta praticamente suicidas. 

Primeiramente, é preciso considerar que o Estado de Israel é uma aberração histórica, fruto de uma ideologia artificial chamada sionismo que defende o ressurgimento de um mítico país israelense na Palestina. De fato, tal país jamais existiu na região e boa parte dos atuais moradores de Israel são originários da Europa e dos EUA, tendo sido para lá transplantados após a fundação do Estado. Muito menos são sobreviventes do Holocausto, pois a maioria desses continuou a viver na Europa. 

Na realidade, Israel foi criado para ser um enclave militar das potências ocidentais, lideradas pelos EUA, após o fim da Segunda Guerra e no processo acelerado de descolonização da Ásia e da África. Foi o meio encontrado para manter a presença imperialista em uma região estratégica do mundo, em um contexto que a URSS avançava com seu apoio às lutas anticoloniais. 

Israel só pode ser fundada com o deslocamento forçado de milhões de palestinos que habitavam a região há milênios. Nenhum deles foi consultado a respeito do surgimento do novo país e da vinda em massa de milhões de colonos europeus e estadunidenses. O processo lembra em praticamente tudo as ações de remoção forçada de populações feitas durante a Segunda Guerra e anteriormente. Começava ali a resistência palestina à ocupação israelense. 

Na verdade, Israel é um país frágil. Possui economia fraca, poucos recursos e vive em permanente estado de guerra. Quem mantém o país é sobretudo os EUA, com subvenções bilionárias, armamentos, tecnologia e produtos manufaturados. Sem tal ajuda, é impossível Israel se manter. 

O grande problema é que nos últimos anos tal ajuda tem sido questionada severamente nos Estados Unidos. Muitos argumentam ser um contrassenso ajudar um país estrangeiro enquanto a própria população estadunidense pena com o a fome e condições deterioradas de vida. Ao mesmo tempo, forte movimento de apoio à causa palestina tem crescido e pressionado contra a ajuda. Por isso, o volume da ajuda diminuiu consideravelmente.

Muito da crise vivida em Israel hoje é devido a essa diminuição de recursos, levando a um quadro crescente de insatisfação popular que pegou em cheio o governo de Netanyahu com manifestações massivas desencadeadas por sua tentativa de controle do Judiciário. Com os ataques do Hamas, ele poderá virar a situação, a depender se o dinheiro voltará a fluir com mais intensidade ou não. 

Uma grande ofensiva israelense contra Gaza nesse momento é uma forma de Netanyahu assumir liderança e enfraquecer cobranças contra si. Certamente será um massacre imenso contra o povo palestino, incapaz de fazer frente ao poderio bélico de Israel. O terrorismo de estado elevado à enésima potência não será condenado ou repudiado pela mídia, mas certamente será justificado, sendo seus excessos aceitos. 

No entanto, por trás da ação israelense não existe qualquer justificativa válida, mas apenas o rolo compressor do imperialismo capitalista. No fim, milhões serão massacrados, não por causa da terra supostamente prometida a um povo, mas pelo lucro de pouquíssimos. (por David Emanuel Coelho)


quarta-feira, 11 de outubro de 2023

CONTRA A MATANÇA INDISCRIMINADA, A SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL!

 


Hoje ficamos com a charge acima e a lembrança que, no final, são trabalhadores matando trabalhadores em prol da fortuna dos capitalistas! 

(por David Emanuel Coelho)

terça-feira, 10 de outubro de 2023

COMO A HISTÓRIA SE REPETE, VALE A PENA LER DE NOVO: "ISRAEL É O 4º REICH".

Os judeus criaram os kibutzim.

Para os jovens, explico: tratou-se da experiência temporariamente mais bem sucedida, em todos os tempos, de comunidades coletivas voluntárias, praticantes do igualitarismo – na linha do que Marx e Engels classificaram como socialismo utópico.

O verbete da Wikipedia, neste caso, é rigorosamente correto:
"Combinando o socialismo e o sionismo no sionismo trabalhista, os kibutzim são uma experiência única israelita e parte de um um dos maiores movimentos comunais seculares na história. 
Os kibutzim foram fundados numa altura em que a lavoura individual não era prática. Forçados pela necessidade de uma vida comunal e inspirados pela sua ideologia socialista, os membros do kibutz desenvolveram um modo de vida comunal que atraiu interesse de todo o mundo. 
Enquanto que os kibutzim foram durante várias gerações comunidades utópicas, hoje, eles são pouco diferentes das empresas capitalistas às quais supostamente seriam uma alternativa.  
Hoje, em alguns kibutzim há uma comunidade comunitária e são adicionalmente contratados trabalhadores que vivem fora da esfera comunitária e que recebem um salário, como em qualquer empresa normal".
O primeiro kibutz surgiu na década de 1880
O BUND E A REVOLUÇÃO SOVIÉTICA
– Os judeus também desempenharam papel bem significativo no movimento socialista, principalmente por meio do Bund, que existiu entre as décadas de 1890 e 1930 na Europa.

Vale a pena lembrarmos como eles contribuíram para a revolução soviética, aproveitando um excelente artigo de Saul Kirschbaum, responsável pelo Programa de Pós-Graduação em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas da USP :
"A crescente urbanização e proletarização dos judeus, que deixavam para trás suas aldeias empobrecidas em busca de novas perspectivas de vida, fez emergir o movimento socialista judaico na segunda metade da década de 1870. 
Nos dez anos que se seguiram, desenvolveu-se a luta organizada dos trabalhadores pela melhoria de suas condições. Associações de operários organizaram greves em várias cidades da região de assentamento judaico. Representantes da intelligentsia, em sua maioria estudantes, começaram a formar círculos de trabalhadores para a disseminação de ideias socialistas. 
Aglutinando todos esses esforços, a ideia de que os judeus em geral e os trabalhadores judeus em particular tinham seus próprios interesses, e por isso precisavam de uma organização própria para atingir seus propósitos, disseminou-se rapidamente entre os ativistas. 
E
Esquerda judaica repudiava o sionismo
Por fim, representantes dos círculos socialistas reuniram-se em Vilna em outubro de 1897 para fundar a União Geral dos Trabalhadores Judeus na Lituânia, Polônia e Rússia, conhecida em ídiche como Der Bund. 
O Bund não se via somente como uma organização política, e devotou grande parte de sua atividade à luta sindical. Seu programa, formulado no primeiro encontro, via como objetivo principal a guerra contra a autocracia czarista. 
O Bund também não se considerava um partido separado, mas parte da socialdemocracia russa, que existia na forma de grupos e associações dispersos. Por causa de sua força, o Bund teve papel decisivo na criação, em março de 1898, do Partido Social Democrata de toda a Rússia, que viria a tornar-se o Partido Comunista. 
As atividades do Bund cresceram e sua influência sobre o público judeu aumentou depois que começou a organizar unidades de autodefesa no período dos pogroms de 1903 a 1907. Desempenhou papel ativo na revolução de 1905, quando tinha atingido 35 mil membros. 
Mas o Bund não foi o único partido a atuar entre as massas judaicas. A extensa atividade política que se seguiu à fracassada revolução de 1905 permitiu a ação de outros três partidos judaicos: o Partido Sionista Socialista dos Trabalhadores, (...) o Partido Judaico Socialista dos Trabalhadores (...) e finalmente o Partido Social Democrata dos Trabalhadores. 
Trotsky (de óculos, ao lado de Lênin) era um de vários líderes da revolução soviética de 1917
que tinham ascendência judaica. Isto seria utilizado mais tarde contra ele pelos stalinistas
.

A revolução que irrompeu na Rússia no início de 1917 pôs fim ao regime czarista e implantou uma república chefiada por um governo provisório. O novo governo aboliu as discriminações e outorgou aos judeus plena igualdade de direitos. 

Os partidos judeus, que tinham restringido ou mesmo totalmente suspendido suas atividades durante o período reacionário que se seguiu a 1907, despertaram para grande atividade. Após a proibição imposta durante os anos de guerra sobre todas as publicações em caracteres hebraicos, as editoras em hebraico e ídiche retomaram suas atividades, e surgiram dúzias de periódicos e jornais. 
...a revolução soviética provou ser possível uma abordagem nova e bem-sucedida para os conflitos nacionais, por meio da criação de um estado multinacional – uma nova forma de diferentes povos conviverem num mesmo território sobre uma base de igualdade nacional. 
Abordagem que, na época em que vivemos, parece ter sido esquecida e negligenciada em toda parte".
No Gueto de Varsóvia, sob a mira dos nazistas
DE MÉDICO A MONSTRO
  Durante longo tempo, a propaganda reacionária apresentou o movimento socialista internacional como uma conspiração judaica para dominar o mundo.

Na segunda metade do século passado, entretanto, Israel viveu sua transição de Dr. Jekill para Mr. Hyde. Virou ponta-de-lança do imperialismo no Oriente Médio, responsável por genocídios e atrocidades que lhe valeram dezenas de condenações inócuas da ONU.

Até chegar ao que é hoje: um estado militarizado, mero bunker, a desempenhar o melancólico papel de vanguarda do retrocesso e do obscurantismo.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, acaba de determinar ao seu gabinete que estude a possibilidade de propor alterações à legislação de guerra internacional a fim de adaptá-la à necessidade de conter a expansão do terrorismo no mundo.

Uma tese que conhecemos muito bem, pois martelada dia e noite nos sites e correntes de e-mails das viúvas da ditadura: a de que o combate ao terrorismo justifica violações dos direitos humanos. Eufemismos à parte, esta é a essência da proposta do premiê israelense.

E, se os totalitários daqui tudo fazem para salvar de punições aqueles que cometeram crimes em seu nome, os de lá não ficam atrás: Netanyahu determinou também a criação de uma comissão para defender as autoridades de Israel das acusações de crimes de guerra que lhes possam ser feitas por tribunais internacionais.
Na Faixa de Gaza, sob as bombas israelenses
Ou seja, face ao repúdio universal dos massacres que perpetrou em Gaza na última virada de ano, Israel se prepara para radicalizar sua posição: defenderá genocidas, ao invés de os punir, como qualquer nação civilizada faria; e quer mudar as leis da guerra, para que passem a considerar lícitas e justificadas campanhas em que morrem 1.400 de um lado e 13 do outro.

Israel não tem mais nada a ver com os ideais que inspiraram os kibutzim e o Bund.

Está mais para um IV Reich. Nazista, como o anterior. (por Celso Lungaretti, em 29/03/2011)
TOQUE DO AUTOR – Este foi meu artigo mais retaliado de todos os tempos, inclusive por um grande jornalista de origem judaica que, pelo papel que havia desempenhado na resistência da imprensa à ditadura militar, eu supunha ser capaz de colocar o pensamento crítico acima do ranço chauvinista. 

No entanto, a bestial retaliação do país Israel ao movimento Hamas, vitimando civis palestinos de forma indiscriminada, serve como confirmação de que eu estava certíssimo 12 anos atrás. Não retiro uma vírgula sequer  do que escrevi então.

É um assombro os descendentes das vítimas do Gueto de Varsóvia terem a cara de pau de repetirem praticamente o mesmo tratamento contra as vítimas da Faixa de Gaza, chegando ao cúmulo de qualificarem os combatentes do Hamas de terroristas, quando terrorismo muito mais condenável (porque partido de uma nação) é aquele no qual Israel está incidindo!

Repudio firmemente a estratégia imoral do Hamas, ao atrair massacres contra o povo palestino, pois até as pedras das ruas sabiam que Israel reagiria com desumanidade extremada.

Mas, o vilão maior da História é e sempre será Israel, enquanto insistir em impor sua belicosa presença numa região onde não passa de corpo estranho. 

Só fanáticos obtusos confundem milenares textos religiosos com  registros de terras em cartório. Os judeus merecem, sim, ter um país para chamar de seu, mas não onde são uma minoria que mantém aquela região em estado de guerra há mais de sete décadas. (CL) 
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