Rui Martins, meu amigo de longa data e colaborador deste blog desde o seu início em 2008, bateu pesado (videaqui) no Paulo Roberto de Andrade, criador e dono das Fazendas Reunidas Boi Gordo, cuja falência foi decretada oficialmente em 2004.
Está certo o Rui quanto à necessidade de se punir quem aplica golpes no mercado, mas o Brasil está diminuindo a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, com sua sabotagem vacinal, acrescentou no mínimo três centenas de milhares de óbitos ao número de mortos pela covid.
O pilantra Andrade deveria passar alguns anos na prisão. O serial killerBolsonaro merecia ficar o resto da vida a pão e água num cárcere medieval. País que quebra o galho de um exterminador desses decididamente não é um país sério, como Charles De Gaulle disse ou levou a fama de haver dito.
Tenho mais desprezo pelos políticos profissionais, que roubam sem correr riscos, do que pelos bandidos, cujo ofício embute o perigo de serem mortos. O golpe da amenização das penas da dosimetria, um absurdo gerado no Congresso, está aí para mostrar como a corja da politicagem age com o máximo de fisiologismo para proteger seus pares, ainda que de outros partidos.
Quanto à Boi Gordo, era cliente de uma agência de comunicação empresarial na qual trabalhei. Depois soubemos que Andrade havia cumprido pena de prisão num passado distante.
.Seu negocio era vender bezerros para os investidores, cuja grana era devolvida, se bem me lembro, um ano e meio depois, acrescida da maior parte do valor obtido com a engorda.
Tratava-se de uma pirâmide: o dinheiro utilizado para pagar os clientes cuja engorda se encerrava saía dos novos contratos vendidos pela Boi Gordo.
Andrade percebeu que o esquema batera no teto e os novos contratos não seriam mais suficientes para reembolsar os clientes velhos. Então, tentou salvar a empresa comprando uma megafazenda no Mato Grosso, onde venderia lotes de terra e a Boi Gordo se incumbiria de construir as fazendas solicitadas pelos clientes.
A infraestrutura, com aeroporto, supermercado, usina de força, banco, etc., ra muito dispendiosa. E foi bem no meio do projeto que a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo proibiu a Boi Gordo de vender novas cotas. A quebra se tornou iminente.
Antonio Fagundes, o rei do gadoextraviado
Mas, não me parece que a intenção dele fosse encerrar as atividades e fugir com a grana, pelo menos no momento em que o fez. Caso contrário não gastaria tanto na compra de bois campeões e em melhoria genética.
Quando o colapso se tornou evidente, ele foi desfrutar sua fortuna nos Estados Unidos, deixando os investidores na mão.
Pelo que eu soube, o Andrade só pagou uma categoria de investidores: os bandidos que lavavam dinheiro aplicando-o na Boi Gordo. Com esses não se brinca. (por Celso Lungaretti)
Arejeição do Senado ao indicado de Lula para o STF, Jorge Messias, foi um belo tapa na cara dos evangélicos, que forçam a barra para obterem cada vez mais poder.
E também na cara do Lula, que está fazendo um governo inconsistente e quer um quarto mandato por pura satisfação de ego, pois não confronta mais os poderosos como deveria e já abandonou as bandeiras anticapitalistas e libertárias faz muito tempo.
O currículo de Messias é pobre e não o qualifica para o Supremo. O atual episodio faz lembrar o de Dias Toffoli em 2009: é outro que Lula indicou por mera politicagem ou pelos seus bons préstimos como serviçal do PT. Deu no escândalo que está dando.
Só mesmo a polarização com os Bolsonaros leva a esquerda majoritária a engolir o flerte descarado de Lula com os vendilhões do templo, como se o Brasil não fosse um estado laico, constitucionalmente separado de qualquer religião desde 1891.
O novo vexame do Lula deveria lhe servir de advertência. Quando a aceitação do Messias pelo Senado se tornou duvidosa, ele poderia simplesmente substituí-lo por alguém não identificado com nenhum partido e possuidor de notório saber jurídico. Sua teimosia tem aumentado cada vez mais no atual mandato.
De resto, parece que os messias se dão muito mal na política brasileira.
O Jorge só se destacou como o carteiro escolhido por Dilma Rousseff para entregar ao Lula a papelada que o blindaria contra o Mensalão; e como o aspirante ao Supremo que foi feito de gato e sapato pelo Senado. É um falso profeta(aqueles que distorciam os ensinamentos de Cristo para benefício pessoal).
Já o Jair, pior presidente brasileiro de todos os tempos, tentou impor-nos uma ditadura por meio de golpe de estado e foi um desvairado sabotador da vacinação contra a covid. É um anjo caído (os que, liderados por Lúcifer, se rebelaram contra Deus e foram expulsos do céu).
O falso profeta não conseguiu pregar no templo e o anjo caído foi enxotado da vida pública. O destino pune. (por Celso Lungaretti)
A decadência política e pessoal do Lula se traduz nos sucessivos sincericídios que comete, passando recibo daquilo que deveria esconder. Já não chega o Trump como presidente boquirroto e ridículo?
Neste sábado (18), por exemplo, o Lula confirmou o que há muito a verdadeira (mas minoritária) esquerda proclama: tanto quanto o Bozo, ele só se elege graças à polarização política:
Posso dizer para vocês, companheiros, no meu Brasil nós acabamos de derrotar o extremismo. Nós temos um ex-presidente preso, condenado a 27 anos de cadeia. Nós temos quatro generais de quatro estrelas presos porque tentaram dar um golpe. Mas o extremismo não acabou. Ele continua vivo e vai disputar a eleição outra vez.
Lembram daquele passado no qual a direita não conseguia ganhar eleições e recorria o tempo todo ao anticomunismo? Mais uma vez o PT copia as piores mazelas do inimigo. Que fim de feira!
Mas, como decaiu tanto? Sendo um mero partido reformista que precisa do apoio da direita para continuar no poder.
Para quem não se lembra, foi apenas após o lançamento do manifesto pró-democracia da elite empresarial, encabeçado pela Fiesp e Febraban, que Lula assumiu a dianteira na última corrida eleitoral.
Odocumentofoi divulgado por meio de anúncios de página inteira nos principais jornais e revistas, além da mídia eletrônica. Seria cômica se não fosse trágica a cara de pau daqueles que em 2022 haviam colocado o Bolsonaro no poder, mas ficaram desapontados com as loucuras da extrema-direita e saíram em busca de um serviçal mais equilibrado e confiável.
Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições. Tal catilinária não cabia na boca daquela gente sórdida, mas funcionou tão bem em 2022 como havia funcionado em 2018.
Lula hoje não passa do cavalo de Troia infestado de direitistas que vêm destruir as cidadelas populares para escancarar os portões aos exploradores do povo.(por Celso Lungaretti)
É muito raro o Lula vir ao encontro de uma posição que eu já defendia, mas não impossível.
A última vez foi quando ele declarou que o pandemônio armado pelo Bozo face à covid causara a morte de mais algumas centenas de milhares de brasileiros que, fosse outro o presidente, teriam sobrevivido.
Isto eu escrevia desde muito antes, baseado em estudos das mais conceituadas instituições estrangeiras. E a diferença entre nós foi que jamais cessei de martelar tal tecla, enquanto o Lula se deixou intimidar pelas críticas da grande imprensa e arquivou o assunto.
Agora, concordamos em que, se a Organização das Nações Unidas não toma providência nenhuma contra os massacres e a pirataria internacional do Donald Trump, não tem mais razão de existir.
Foi o que eu escrevi há 20 dias: "...talvez vejamos a extinção da ONU, por haver se tornado uma despesa inútil. Existe para evitar genocídios, mas nunca consegue impor o respeito às práticas civilizadas por parte dos arrogantes estadunidenses e israelitas",
Agora, Num momento de incomum franqueza, ele bateu pesado na ONU ao discursar neste sábado (21) no 1º Fórum Celac-África. Torço para que o Lula não recue desta vez:
"O que estamos assistindo no mundo da falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz . (...) Quando é que vamos tomar atitudes para não permitir que países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis?
Estou indignado com a passividade dos membros de segurança que não foram capazes de resolver o problema na Faixa de Gaza, no Iraque, na Líbia, na Ucrânia, no Irã. Ou seja, tudo se resolve por guerra?
É preciso que a gente levante a cabeça, não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático? Em que artigo da carta da ONU está dito que o presidente de um país pode invadir o outro?
Esta é a maior concentração de conflitos desde a 2a Guerra Mundial. As guerras na Ucrânia, em Gaza, no Irã e em tantos outros conflitos nos afastam do caminho do desenvolvimento e geram efeitos econômicos, sociais e políticos no mundo todo além de aumentarem o preço da energia e dos alimentos".
O BRASIL DEVERIA LIDERAR OS PAÍSES
NÃO-CAPACHOS DE NOSSO CONTINENTE
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Quando os EUA fizeram gato e sapato da soberania da Venezuela, eu cobrei do Lula uma posição mais incisiva para evitarmos tais barbaridades. Queria que o Brasil liderasse os países não-capachos do nosso continente num firme repúdio aos desvarios do Trump.
Antes tarde do que nunca, o Lula parece ter compreendido que os Trumps deste mundo não são detidos por algo menos do que as graves ameaças econômicas que o Irã está criando.(por Celso Lungaretti)
"...Entrei num partido pela primeira e única vez na vida por acreditar que havia chegado o momento de tentar fazer a passagem das dinâmicas de pressão popular à intervenção institucional.
Eu deveria ter sido o candidato a governador de São Paulo pelo Psol na eleição de 2014, mas na última semana antes da nominação, um conflito estourou no interior do partido e acabei por abandonar o projeto.
Só fui me candidatar em 2022 a deputado federal, num momento em que acreditava que tudo deveria ser feito para impedir um segundo mandato de Jair Bolsonaro. Acabei me tornando suplente de deputado.
Desde que o Jair Bolsonaro assumiu o poder, juntei-me a quem lutou sem trégua contra seu governo e seu projeto. Montamos grupos de ação a partir da pandemia, organizando manifestações e outras formas de ações públicas.
Juntos com ex-ministros e intelectuais de todos os espectros políticos, criamos a Comissão Arns de defesa de direitos humanos.
Levamos Jair Bolsonaro aos tribunais internacionais por genocídio indígena. Com deputados do Psol e contra a cúpula do próprio partido, protocolamos um dos primeiros pedidos de impeachment.
Foi uma roubada que passou em minha vida
Como um dos resultados, em 2021 acabei por precisar ser acolhido pelo governo francês em um programa de auxílio a acadêmicos em perigo.(trecho da introdução que Vladimir Safatle escreveu para a reedição de seu livroA esquerda que não teme dizer seu nome)
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Observação: A semelhança da passagem do Vladimir Safatle pelo Psol com a minha é tanta que decidi lembrar uma roubada na qual entrei em 2012.
Eu estava em evidência nas redes sociais por haver lançado um livro marcante e pela minha atuação na luta para evitar que o escritor Cesare Battisti fosse entregue à Itália berlusconiana, então um candidato a prefeito me convidou para ingressar no partido e candidatar-me a vereador.
Pensando em como seria bom ter 18 assessores custeados pela Câmara Municipal investigando escândalos de todo tipo para depois eu denunciá-los em plenário e na imprensa, aceitei.
Mas, com uma ressalva: como eu não fazia trabalho de massa, só poderia ter êxito se o partido alavancasse a minha candidatura, tal qual agia o PCB no passado (os dirigentes escolhiam quem eles consideravam mais útil naquele momento e criavam condições para que fosse ele o eleito).
Desde o primeiro momento o que eu tinha ou julgava ter apalavrado com o candidato não foi cumprido. Houve uma baita demora para liberarem os fundos de campanha e uma demora maior ainda em me enviarem as listagens de eleitores residentes na capital, para enviar-lhes material de campanha.
Burguesa, com certeza, ela é. Democracia, nem tanto...
Como as pesquisas revelassem que o Psol conseguiria eleger um único vereador (o mais votado da legenda), o candidato da base municipal travava uma briga de foice no escuro com o indicado pelos dirigentes nacionais.
Cada lado tratava de impulsionar o seurepresentante e de dificultar a vida dos concorrentes mais promissores.
Logo que foram anunciado os resultados do pleito, anunciei meu desligamento do partido. Enojado.
OEstadão discorre, em editorial, sobre a sensação de que o ciclo do presidente Lula no poder começa a se esgotar.
Justificativa: Uma série de pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias abalou a autoestima sempre elevada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus sabujos no Palácio do Planalto e no PT (...). Os tropeços lulopetistas estancaram a aprovação de Lula e de seu governo. Em paralelo, Lula e o PT assistem à perigosa consolidação do senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
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Embora seja um óbvio wishful thinking (o Estadão sempre quer derrubar o Lula), cabe aqui aquele lugar comum de que os antigos relógios com ponteiros marcavam a hora corretamente em dois momentos do dia.
Faltou tradição e propriedade para repetir fielmente o slogan da TFP
A série interminável de problemas de saúde do octogenário Lula e do septuagenário Jair Bolsonaro pode levar o eleitorado à conclusão de que ambos não têm mais fôlego para outro mandato.
A polarização entre os dois está indo para o ralo e é grande a possibilidade de vitória de um político sem tanta rejeição.
Ademais, a falta de programa de governo e até de rumo da atual gestão do Lula deixa mesmo uma péssima impressão.
Talvez seja este o motivo de a grande imprensa estar forçando tanto a barra para supervalorizar o pleito. Com a longa exposição do Lula, o eleitorado pode cansar-se dele até outubro e o PT não teria substituto à altura.
Já se o Flávio saturar os votantes, a direita poderá trocá-lo, sem grande dificuldade, pelo Tarcísio ou a Michelle.
Mais: sumindo o espantalho ultradireitista (Flávio evita repetir as loucuras genocidas do pai), a necessidade de renovação tende a tornar-se o sentimento dominante daqui a seis meses.
Então, eu recomendo aos dirigentes petistas uma profunda reflexão sobre tudo isso. Afinal, a direita unida e os endinheirados da Faria Lima apoiando Flávio Bolsonaro o fazem, neste instante, o favorito da corrida presidencial.
Insistir com Lula poderá causar uma derrota acachapante e tudo de que não precisamos é de uma direita dominante tanto no Executivo quanto no Legislativo. Viraria rolo compressor.
Está na hora de se avaliarem outras opções.(por Celso Lungaretti)
"...Para se diferenciar do pai, Flávio Bolsonaro adotou um figurino mais moderado, um Bolsonaro que tomou vacina, e entrou de sola nas reuniões com os donos do dinheiro grosso, que começaram a levá-lo mais a sério, até pela falta de alternativas para derrotar Lula.
Fora isso, não se encontra em sua trajetória parlamentar nenhuma pista sobre o que pensa e o que pretende fazer caso seja eleito, algo que possa servir de base para um futuro programa de governo.
Assim como aconteceu com Jair Bolsonaro em 2018, no embalo da Lava Jato, o que move e sustenta o candidato Flávio é apenas o antipetismo, contra tudo isso que está aí.
Contribui para criar este clima de mal-estar generalizado e de terra arrasada que assola o país a série de escândalos que agora atingem também o Judiciário, associados ao governo pela oposição, que jogaram para segundo plano os bons números da economia, o principal trunfo de Lula para buscar o quarto mandato.
As sucessivas pesquisas divulgadas este ano deram ao candidato da oposição o mais importante nesta altura do campeonato: a expectativa de poder. De quebra, ainda enterraram qualquer chance para o surgimento de uma terceira via.
Por isso que as pessoas já começam a se perguntar: dá para imaginar Flávio Bolsonaro como presidente da República?
É algo tão surreal que provavelmente não tinha passado antes nem pela cabeça dele. Só quem acreditava em Bolsonaro 2º era o pai, que agora pode concorrer ao prêmio de homem de visão do ano.
Os próximos meses prometem fortes emoções. Apertem os cintos.
Vida que segue."
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Observação:últimos parágrafos da coluna dominical do Ricardo Kotscho, publicada no UOL. É sobre rachadinhas, mutretas e pesadelos...
Mas, faço uma ressalva: discordo da presunção do Kotscho e outros petistas, de que a economia esteja melhorando.
Os índices mais reveladores sobre a situação brasileira são os de desenvolvimento humano (Brasil na 84ª posição) e qualidade de vida (66ª colocação )
Se o PT ainda estivesse na oposição, concordaria comigo: é bem pouco para uma nação com o enorme potencial brasileiro. E tudo indica que, sem livrar-se da exploração capitalista, nosso país jamais decolará.(CL)
Já cansei de denunciar que a imprensa burguesa alavanca artificialmente a eleição presidencial de cartas marcadas de 2026, cujos candidatos favoritos estão entre os mais medíocres que vi desde que comecei a me interessar pela política:
--Lula, dócil refém do Congresso reacionário, com 37% das intenções de voto, segundo o DataFolha;
--Flávio Bolsonaro, herdeiro do pior presidente de todos os tempos, com 34%; e
--alguns insignificantes empenhados apenas em se divulgarem (nenhum alcança o patamar de 5%, então o máximo que pode almejar é o ganho de musculatura para as eleições vindouras ou a obtenção de uma vaguinha no ministério ou ainda no secretariado de governadores e prefeitos)
O pior é que nossa esquerda entra direta no jogo do inimigo, aceitando ser pautada pelos principais veículos da indústria cultural, até porque aposta todas as suas fichas no anticomunista Lula e este só conseguirá reeleger-se numa disputa polarizada entre ele e o filho número um do ex-presidente número menos um.
Nesta sexta-feira 13, o UOL publica um exercício de futurologia fajuta (montado a partir de citações do José Roberto de Toledo e da Thais Bilenky), segundo o qual Lula se prepara para a eleição mais disputada da nossa História, por causa dos efeitos da agressão estadunidense ao Irã sobre a economia brasileira.
Isto com um semestre de antecedência! Nem sequer temos a certeza de que, aos 81 anos de idade, Lula não sofrerá problemas de saúde que impeçam sua participação no pleito.
E há sempre a possibilidade de que algum candidato dispare na dianteira e fique bem à frente dos adversários, definindo a eleição já no primeiro turno ou tornando favas contadas sua vitória no segundo turno.
Vale também lembrar que é em agosto, após as férias escolares e com o início do horário eleitoral gratuito, que o povaréu começa a escolher em quem votará.
Afora a incerteza sobre se a próxima eleição superará as realmente disputadíssimas, como:
--a de 1989, na qual Fernando Collor venceu o segundo turno com 53,03% dos votos, contra os 46,97% do Lula;
--a de 2014, na qual Dilma Rousseff, a gerentona trapalhona, conquistou 51,64% dos votos, enquanto o tucano de voo rasteiro Aécio Neves ficou em 48,36; e
--a de 2022, cujo resultado final foram os 50,90% do Lula superando os 49,10% do Jair Bolsonaro.
Não há coincidência nenhuma no fato de que, com o ambiente político radicalizado, os dois primeiros fizeram governos desastrosos e Lula se socorre no personalismo para desviar a atenção de que está sem rumo no espaço, fazendo uma gestão econômica que tende a gerar, no próximo quadriênio, outra recessão aguda.
No último governo petista, além de a Dilma acabar sendo impichada, sua reeleição pavimentou o terreno para Jair Bolsonaro conquistar a faixa presidencial em 2018. Será que, caso o Lula se reeleja, o raio vai cair de novo no mesmo lugar?
E que isto importa neste instante para o sofrido povo brasileiro? A nossa esquerda deveria estar representando os superexplorados pelo capitalismo, ao invés de desperdiçar esforços com escaramuças eleitoreiras que a lugar nenhum nos levarão (por Celso Lungaretti)
Enfim surge uma notícia alvissareira nessa corrida presidencial que começou cedo demais e desmedidamente raivosa.
A precocidade se caracteriza por tais campanhas antigamente esquentarem só após as férias escolares de julho e agora durarem o ano inteiro.
Quanto à polarização estridente e truculenta, ela nem sequer faz muito sentido, pois os litigantes são uma extrema-direita subserviente ao capital e uma direita moderada idem, só que travestida de esquerda
A novidade é que uma parte do agronegócio rejeita a candidatura de Flávio Bolsonaro, ao contrário do que aconteceu em 2018.
O motivo, aponta editorial do Estadão, é Flávio não passar de "alguém movido a revanchismo, mais interessado em livrar o pai da cadeia e anistiar golpistas do que em conduzir o País no caminho das reformas e da reconciliação".
O pior é que o fato de as duas candidaturas representarem meras tendências da direita torna ainda mais agressiva a refrega ante elas, pois é preciso muito exagero para diferenciá-las e fazer o eleitor entusiasmar-se por uma ou por outra.
Na opinião do principal jornal conservador do país, o cansaço com a política sem projeto de país não se verifica só no agronegócio, como também noutros segmentos:
"Esses dois polos turvaram o debate público, converteram adversários em inimigos e inibiram alternativas. Hoje, segundo a Quaest, cerca de 30% dos brasileiros se dizem independentes, não querem nem Lula nem os Bolsonaros. Há, ainda, 14% enquadrados como esquerda não-lulista e 21% como direita não-bolsonarista".
O remédio para sairmos dessa briga de foice no escuro, um impasse que nos condena à mediocridade, é, para o jornalão, um reerguimento da direita não-bolsonarista.
Eu, como venho enfatizando há vários anos, considero de extrema necessidade a ressurreição de uma esquerda combativa, que volte a representar uma alternativa ao capitalismo e não sua linha auxiliar.(por Celso Lungaretti)
Certa vez o Lula disse que o Leonel Brizola pisaria no pescoço da própria mãe para conquistar a presidência do Brasil. Esqueceu de informar qual político profissional não o faria.
Sempre constatei que os ditos sujos (ôps, quero dizer cujos), salvo raríssimas exceções, são os incorrigíveis praticantes de umapoliticalha sórdida.
E que a democracia burguesa não passa de um jogo de cartas marcadas, que no curto, médio ou longo prazo, acaba sempre favorecendo o capital.
É exatamente isto que depreendemos de uma notícia publicada há alguns dias pelo Estadão.
De tão acostumado à impunidade do seu clã, o senador Flávio Bolsonaro se descuidou e cometeusincericídio: anotações sobre a situação nos Estados, por ele esquecidas após uma reunião na sede do Partido Liberal, foram encaminhadas por algum muy amigoao jornalão.
Tomara que esta foto do Pollon vire presságio
Grafadas com sua própria mão, elas revelam que o deputado federal sul-mato-grossense Marcos Pollon está pedindo R$ 15 milhões como compensação para não ser candidato ao pleito desde ano.
A desculpa do Flávio Bolsonaro foi uma das mais esfarrapadas de que já tomei conhecimento: ele teria feito a anotação para não esquecer de avisar o deputado que essafalsa(!) acusação sobre ele estava circulando por aí.
Quem acreditar nessa patranha compra até terreno na lua.
E, já que estamos falando de um rebento da Famiglia Bolsonarone, ele nem deveria poder participar da eleição presidencial depois de trombetear que, uma vez eleito, livrará a cara do homicida culposo chamado Jair e do traidor da pátria chamado Eduardo. Confessou a intenção de delinquir... (por Celso Lungaretti)
O Irã teocrático recua cada vez mais para a Idade Média: agora vai realizar julgamentos públicos televisionados que mais parecerão uma cópia atualizada do Tribunal do Santo Ofício.
A repressão contra os manifestantes que protestam nas ruas já matou mais de 3 mil iranianos e, quando começar o Show do Torquemada, o número tende a disparar. O céu é o limite.
Nem preciso dizer que repudio indignado tal carnificina. Mas, não temos de optar entre o governo dos EUA e o do Irã, pois ambos reviram o estômago de qualquer pessoa civilizada, Como nos antigos faroestes italianos, o filme que estamos vendo não tem heróis, só vilãos.
Desconfio, portanto, da avalanche de textos que a grande imprensa publica sobre o Irã. Afinal, em termos numéricos, muito pior do que a repressão desencadeada pelos sinistros aiatolás foi o homicídio doloso de algo entre 350 e 400 mil brasileiros por parte do Bolsonaro, quando ele sabotava o combate científico à covid.
Refiro-me àqueles que teriam sobrevivido à pandemia caso o presidente do Brasil não fosse um celerado.
Nunca esquecerei da morte por asfixia dos coitadezas de Manaus, há exatos cinco anos, que foi uma consequência, principalmente. da escolha deliberada do governo Bolsonaro de ignorar alertas, minimizar a pandemia e tratar vidas como dano colateral.
O Bozo não passa de um Hitler em miniatura e merecia a mesmíssima execração por parte da mídia. Mas parece que, nas contas da imprensa canalha, a morte de alguns milhares tem mais importância do que a morte de centenas de milhares.(por Celso Lungaretti)
Quando o Carnaval Chegar é a canção mais emblemática do período que vai da derrota da luta armada até a redemocratização do Brasil.
Depois que a imensa superioridade de forças do inimigo condenou ao fracasso a heroica tentativa de sairmos da ditadura pela porta da frente, só nos restou mesmo a longa espera de que ela ruísse em decorrência de suas próprias contradições.
Houve, claro, momentos fulgurantes como o repúdio ao bárbaro assassinato de Vladimir Herzog em 1975 e asdiretas-jáem 1983/84, mas todos desconfiávamos que não seria tão fácil expelir os militares do poder que exerciam como usurpadores e déspotas.
E existia a resistência cotidiana aos abusos e atrocidades, cujo símbolo mais marcante foram D. Paulo Evaristo Arns e sua abnegada equipe, o embrião do Tortura Nunca Mais.
Mas, não estava em nossas mãos darmos um fim à ditadura. Sentíamo-nos exatamente como Chico Buarque descreveu: "Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar/ Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".
Lá por meados da década de 1970, quando terminou o último dos quatro julgamentos a que fui submetido em auditorias militares, eu tive de fazer minha opção: permanecer ou não no Brasil?
Ao sair dos calabouços verde-oliva, ainda sob o impacto de tudo que sofrera nos porões verde-oliva, decidi embarcar para qualquer país civilizado tão logo pudesse fazê-lo legalmente, já que não tinha como montar um esquema de fuga minimamente confiável.
Aos poucos, contudo, foram-me voltando os sonhos, as elucubrações sobre o que faríamos quando, findo o pesadelo, pudéssemos finalmente reconstruir este país."Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".
Mais do que quando militava na VPR, eu tinha a noção exata do que precisava ser feito para o Brasil voltar a ser, pelo menos, uma nação civilizada. Nos bares, nosso refúgio, eu e os amigos discutíamos ponto por ponto as medidas a serem tomadas no glorioso day after.
Era nosso lenitivo para continuarmos engolindo os sapos de cada dia."E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".
Mas, a classe política frustrou nossas esperanças e destruiu nossos sonhos. Com a ditadura já agonizante, manobrou para que fosse rejeitada a Emenda Dante de Oliveira, que restituiria o poder a quem de direito, os cidadãos eleitores deste país.
E o maquiavélico Tancredo Neves pôde, triunfalmente, anunciar que chegara "a hora dos profissionais".
O candidato da ditadura, Paulo Maluf, não seria detonado pelo povo nas urnas, mas sim por umas poucas centenas de parlamentares no Colégio Eleitoral, o que se constituía num símbolo gritante da exclusão do povo na tomada das grandes decisões nacionais.
Pior: Maluf deixou de ser eleito graças a seus iguais, os congressistas que, como ratos, abandonaram o navio da ditadura que já fazia água, para assegurarem a manutenção dos seus privilégios na Nova República.
A indústria cultural, com a Rede Globo à frente, conseguiu vender a ilusão de que tanto dava a diretas-já quanto a vitória no espúrio Colégio Eleitoral. A longa agonia pública de Tancredo Neves era a peça que faltava no quebra-cabeças. A pieguice obnubilou as consciências. Os maus venceram, como quase sempre.
E tocada, entre outros, pelos que haviam sido sustentáculos da ditadura, a redemocratização ficou pela metade, como convinha à burguesia, que antes exercia o poder por meio dos fardados, depois passou a exercê-lo por meio de civis safados.
Nem sequer foram punidos os assassinos seriais da ditadura. Nem sequer foram devolvidos os corpos de companheiros martirizados. "Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar". E não adiantou esperar o carnaval, pois ele não chegou.
Assista ao filme...
Gato escaldado, nunca mais acreditei que a redenção dos males brasileiros pudesse provir das tempestades em copo d'água da política oficial. Sabia/sei que a chegada do nosso carnaval não depende da desgraça momentânea dos Tarcísios, das Michelles, dos Flávios e dos Jaíres (embora seja inconcebível que este último escape de uma punição exemplar como golpista e como homicida culposo, pois seria a avacalhação suprema do Brasil!).
Esses senhores nunca determinaram os acontecimentos, apenas cumprem/cumpriram determinadas funções dentro do sistema de exercício e sustentação do poder burguês. Então, enquanto tais funções não forem extintas, suas agruras só servirão para jogar poeira colorida nos olhos do povo.
Trata-se apenas de um sacrifício ritual para servir como catarse aos"de fora". Cada vez que um desses espantalhos tomba, a indústria cultural cria a ilusão de que a justiça foi feita e as instituições funcionam.
Mas, saem uns, entram imediatamente outros da mesma laia; a desigualdade e a podridão continuam as mesmas.
Há ingênuos que pensam ser fundamental garantir a vitória do Lula (força auxiliar da dominação burguesa) contra os candidatos da direita escrachada. Parecem ignorar que desde a década de 1980 o Lula tudo tem feito para domesticar a esquerda, trocando a luta de classes pelo jogo de cartas marcadas das eleições. Infelizmente, com êxito.
E, ao que tudo indica, nem neste 2026 haverá uma esquerda combativa preparando o carnaval, que só chegará quando os cidadãos assumirem a iniciativa de, eles próprios, colocarem-no nas ruas, sem se deixarem iludir pelas pantomimas brasilienses. (por Celso Lungaretti)