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sábado, 16 de agosto de 2025

MACACO QUE MUITO PULA QUER CHUMBO: AS MICAGENS DO 'BANANINHA' FAZEM A DIREITA RECHAÇAR BOLSONARO.

Interessado em herdar votos do inelegível Jair Bolsonaro, o presidenciável Tarcísio de Freitas fingiu ter esquecido quem é o personagem político mais prejudicial para o Brasil neste momento, ao afirmar que "o Brasil não aguenta mais o PT, o Brasil não aguenta mais o Lula".

É uma jogada que faz sentido, porque não há hipótese de o país vergar-se à chantagem do Donald Trump para salvar o Jair da condenação como golpista. No entanto, o que o palhaço ultradireitista dos EUA está conseguindo é apenas dar o tiro de misericórdia nas chances do bufão ultradireitista do Brasil. 

Tarcísio faz média com o Jair  porque não tem dúvidas quanto a ser ele uma carta fora do baralho, portanto inofensiva para seu objetivo maior. Daí a tentativa de seduzir o gado bolsonarista com tal frase de amoralismo explícito e oportunismo rasteiro.

Mas, expôs-se ao contra-ataque daqueles direitistas que ainda conservam a sanidade mental e sabem muito bem que o Brasil, acima de tudo, não aguenta mais governantes capazes de condenar ao extermínio centenas de milhares de seus governados apenas por pirraça contra a ciência (como fez o Jair ao sabotar a vacinação e induzir o uso de placebos fatais durante a epidemia de covid 19). 

Eu nunca fui nem sou devoto do reformista Lula, pois a situação trágica dos explorados e excluídos brasileiros não comporta soluções meia-boca como a simples maquilagem do capitalismo extremamente predatório aqui dominante. 

Desviar algumas migalhas do banquete dos poderosos para a mesa dos pobres é tão inócuo quanto atirar num crocodilo com um estilingue. 

Mas faltaria à verdade se não reconhecesse que todos os prejuízos causados ao Brasil pelo Lula durante a vida inteira são irrisórios se comparados ao catastrófico mandato presidencial do Jair,

Então, os conservadores que não embarcaram no trem fantasma bolsonarista estão capitalizando tal vacilada do Tarcísio. E o jornal O Estado de S. Paulo, que os representa, lançou neste sábado (16) um editorial contundente, destacando que "o Brasil não aguenta mais o bolsonarismo também". Foi convincente:
"O antipetismo viabilizou a ascensão de Bolsonaro, e o antibolsonarismo viabilizou o retorno de Lula, mantendo o País cativo de um ciclo infernal de ressentimento, radicalização e estagnação. Rompê-lo é condição para avançar".   
De resto, será hilário se a atuação repulsiva de Eduardo Bolsonaro junto ao governo estadunidense for punida com uma consequência diametralmente oposta à pretendida. O que, entretanto, jamais deverá servir de desculpa para a Câmara Federal não cassar seu mandato e para a Procuradoria Geral da República não denunciá-lo por traição à pátria. (por Celso Lungaretti) 

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

DANDO COMO ASSEGURADA A PRISÃO DO BOLSONARO, JORNALÕES REPENSAM AS SUAS LINHAS DE ATUAÇÃO A PARTIR DAÍ

Manifestação na porta da Folha contra o editorial que
qualificou de comedida a ditadura militar brasileira
Leitores que conseguem captar o que está nas entrelinhas das notícias percebem que a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo começam a movimentar-se para a direita, adotando vieses mais desfavoráveis a Lula e a Alexandre de Moraes. 

Resta saber até onde vai a alteração de rumo, por enquanto mais acentuada na Folha

Se será apenas uma reação à retomada de algumas velhas palavras de ordem populistas do século passado por parte do PT (voltou a falar no abismo entre pobres e ricos, sem, contudo reassumir a luta de classes e a obrigatoriedade de superação do capitalismo) ou há algo de mais podre ainda no balaio. Fico com a primeira hipótese.

O Estadão é quem mantém a posição mais firme quanto ao golpismo: é totalmente avesso ao bolsonarismo e favorável  à rigorosa punição da ralé estridente que lambe os sapatos de bilionários dos EUA. Critica algumas medidas de Moraes e do Supremo que considera excessivas, mas sem absolver os piores culpados pela insegurança institucional. Já no Governo Lula voltou a bater pesado, após um período em que pareceu poupá-lo para não favorecer a extrema-direita 

Ziguezagues mais ou menos acentuados marcam toda a trajetória desses dos jornalões. 

A Folha de S. Paulo, cúmplice da ditadura militar de 1964/85, não só sintonizava seu conteúdo com os interesses do regime totalitário, como chegava a ceder suas viaturas para a repressão e a facilitar a prisão dos profissionais da casa, que eram chamados à portaria para atender visitantes e nela encontravam equipes do Deops ou DOI-Codi.
Nos terríveis anos Médici, o Estadão preenchia com
trechos de poesias o espaço das notícias censuradas
Uma atitude diametralmente oposta à do
Grupo Estado, cuja família proprietária, embora participante civil destacada do complô para usurpação do poder em 1964, preservava, pelo menos, sua dignidade pessoal. 

Ninguém esquece a frase de um dos Mesquitas, após ordenar à equipe de segurança que impedisse a entrada da repressão no saudoso prédio da rua Major Quedinho para prender um profissional da casa: "Ele pode ser subversivo lá fora, mas aqui dentro é meu jornalista".

Dizimados os efetivos da luta armada, Ernesto Geisel assumiu o poder em março/1974 e começou a implementar sua abertura lenta, gradual e progressiva, desmantelando aos poucos a engrenagem de terrorismo de estado que se tornara dispensável.

Foi quando Golbery do Couto e Silva, eminência parda do governo que se iniciava, cochichou ao Otávio Frias pai: como Geisel, qual um déspota esclarecido, pretendia flexibilizar aos poucos a censura até extingui-la, convinha à Folha assumir uma postura mais crítica, não deixando O Estado de S. Paulo ocupar sozinho o espaço, que se abriria, de oposição jornalística (consentida) ao regime.

Assim, foi por orientação do próprio feiticeiro da ditadura que um grupo de imprensa servil e submisso se travestiu de independente. Mas, claro, isto só se tornou conhecido dos leitores muito tempo depois.
A Folha saudando a marcha da família próspera,
com Asmodeus, pela supressão da liberdade...
 

Perspicazes, os Frias perceberam que, surfando nessa onda, poderiam não só limpar sua barra pelo colaboracionismo anterior, como tornar a
Folha  um jornal atraente para a classe média cada vez mais insatisfeita com o regime militar. Um ovo de Colombo que lhe garantiria, a médio prazo, a liderança do mercado brasileiro.

Deram carta branca para o trotskista Cláudio Abramo, diretor de redação, recrutar alguns dos maiores talentos do jornalismo brasileiro, oferecendo-lhes um porto seguro numa época em que tantos veículos temiam acolhê-los ou impunham-lhes restrições castradoras.

Então, os textos da Folha passaram a ostentar assinaturas vistosas como as de Alberto Dines, Gerardo Mello Mourão, Glauber Rocha, João Batista Natali, Lourenço Diaféria, Luiz Alberto Bahia, Newton Rodrigues, Osvaldo Peralva, Paulo Francis, Perseu Abramo, Plínio Marcos, Tarso de Castro, etc., todos escolhendo seus assuntos sem restrições editoriais (apenas não podiam ir além do que a ditadura conseguia digerir) e desfrutando de espaços generosos.

Além disto, formou uma valorosa equipe de repórteres especiais, com destaque para Ricardo Kotscho, passando a desenvolver um apreciável jornalismo investigativo.

Em setembro de 1977, uma crônica descuidada do Lourenço Diaféria serviu como pretexto para o II Exército exigir a destituição de Cláudio Abramo, pondo fim à primavera da Folha

Parte da equipe se dispersou, parte permaneceu fazendo textos mais comedidos. De todo modo, o jornal já dera a arrancada decisiva, conquistando uma imagem de originalidade e independência que conseguiu manter mesmo com Boris Casoy como diretor de redação. escolhido por ser aceito sem restrições pelos verde-olivas.
Manchete hilária: o Estadão acreditava que o 
poder seria saneado e logo devolvido aos civis
.

 
Surpreendentemente, Casoy foi até mais comedido em suas devoções direitistas do que o patrãozinho  Otávio Frias Filho, que resolveu assenhorar-se do brinquedo em 1984 e se revelaria de corpo inteiro em fevereiro de 2009, no famoso editorial da ditabranda, quando a Folha grotescamente tentou provar que Sérgio Fleury e Brilhante Ustra exterminavam esquerdistas sem perder a ternura jamais... 

Não lhe nego o mérito de haver engajado a Folha na campanha das diretas-já, mas se tratava de uma decisão obrigatória, já que os leitores do jornal eram maciçamente pelo fim da regime.

Enfim, as preferências dos jornalões e do grande empresariado mudam com frequência e, no momento, os dois jornais devem estar considerando que a derrocada do bolsonarismo seja fato consumado (até o centrão já começa a descer do muro, sinalizando que não quer de volta os altamente tóxicos macaquinhos amestrados do Trump).

Secundariamente, empenham-se em evitar que o Supremo acumule poder demasiado e que o bom desempenho do Lula na Batalha de Itararé... quer dizer nas escaramuças tarifárias, lhe garantam um quarto mandato.

De resto, a cada maluquice voluntarista do Trump fico mais convencido de que, como fui um dos primeiros a escrever, ao colocar em xeque uma institucionalidade que favorecia aos EUA e não o contrário, Trump pavimenta mais um trecho do caminho que levará o seu país à segunda prateleira das nações capitalistas mais poderosas.

Não são demonstrações de força, mas sim meros blefes e cortinas de fumaça que antecedem a queda. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 15 de julho de 2025

DEDETIZARAM O APARTAMENTO DO JAIR BOLSONARO E ELE TEVE UMA CRISE DE CHORO: "QUEREM ME ELIMINAR!"

Q
uando as coisas correm bem para Jair Bolsonaro, ele aciona o modo fanfarrão e sai distribuindo medalhas de imbrochável, imorrível e incomível a torto e direito.

Quando a Justiça está prestes a condená-lo por besteirinhas como comandar uma tentativa de golpe de estado durante a qual o presidente da República, seu vice e um ministro do Supremo seriam assassinados, ele troca a chavinha para o modo vítima e faz afirmações de partirem o coração... daqueles bobos que acreditam em qualquer chororô piegas. de marmanjo acovardado. Como esta:
"Eu tenho dito, não há interesse em me prender, eles querem me eliminar. Eu sou um problema, solto ou preso eu sou um problema".
Que tal incluírem este sucesso do passado como música de fundo da próxima vez em que ele encenar a farsa do injustiçado?

QUEM É BURRO, PEÇA A DEUS QUE O MATE, AO DIABO QUE O CARREGUE E AO XANDÃO QUE TRANQUE A CELA E DESTRUA A CHAVE

Desde o primeiro momento o blog Náufrago da Utopia avaliou como desastrosa a chantagem do clã Bolsonaro contra as instituições brasileiras, apostando em que nada de bom e tudo de ruim dela adviria. Agora tal avaliação está confirmada na íntegra.

Assim, o procurador geral da República Paulo Gonet acaba de pedir a condenação de Jair Bolsonaro por cinco crimes, três deles gravíssimos: liderar organização criminosa armada, tentar abolir violentamente o Estado democrático de Direito e dar um golpe de Estado (ainda que fracassado).

Só mesmo um cidadão tacanho, sem nenhuma familiaridade com as leis brasileiras, como é o caso do bananinha 03, poderia supor que uma ameaça estrangeira de ordem econômica impediria o Supremo Tribunal Federal de cumprir o seu dever. Mesmo que o Executivo quisesse prostrar-se aos EUA, não teria poder para tanto.

Então, o tiro do Trump, além de ser negativo ao extremo para a imagem dos Estados Unidos aos olhos do mundo inteiro, só poderia perder-se no vazio. 

E o amadorismo da tramoia foi tamanho que Lula ganhou a parada praticamente sem sair do lugar. Quem poderia recriminar seu governo por não realizar uma missão impossível?

Nem mesmo o agro, que vinha pendendo para o lado do Bolsonaro, está culpando o presidente pelos prejuízos que os aprendizes de feiticeiro lhe vão causar.

O centrão imediatamente recuou do apoio ao projeto inconstitucional dos bolsonaristas, que previa uma decisão da Câmara Federal em favor de uma anistia que não lhe cabia conceder, o que geraria um perigoso confronto entre Poderes. 

Hugo Motta já decidiu não pautar tal votação para o presente semestre, pois sabe quão impopular se torna quem apoia um governo estrangeiro em detrimento do seu país. 

O bolsonarismo se tornou tóxico da noite para o dia. Os tais patriotas, estarrecidos, descobriram que são, isto sim, traidores e entreguistas. E, como alfinetou uma jornalista amiga, graças ao plano infalível do Eduardo, o Lula saiu das cordas, enquanto os ultradireitistas nelas se enrolam cada vez mais. 

A disputa entre os postulantes à vaga do inelegível Jair na próxima campanha presidencial acirrou-se de tal maneira que agora está mais para briga de foice no escuro. 

Por enquanto quem se adaptou melhor às novas circunstâncias foi a Michelle Bolsonaro, que preferiu manter a serenidade e o comedimento enquanto o cenário estiver a ela desfavorável. Já Tarcísio de Freiras entrou em parafuso e o bananinha  03 faz questão de reivindicar a autoria de uma iniciativa sórdida, da qual qualquer pessoa  de bem se envergonharia.

PRISÃO DOMICILIAR -- Chega a ser irônico que, após tanto fazer para ultrapassar a democracia burguesa no Brasil, Jair Bolsonaro acabará cumprindo pena em prisão domiciliar (na ditadura dos seus sonhos o rigor seria bem maior...). Tal é a perspectiva nos círculos políticos, em razão de sua condição de septuagenário e das doenças que o têm obrigado a sucessivas internações hospitalares.

E isto não mudará nem mesmo se ele, após a condenação como o principal culpado pela tentativa de golpe de estado, for também apenado como o responsável indireto por algo entre 350 mil e 400 mil brasileiros que encontraram a morte como consequência de sua sabotagem vacinal, caso contrário tendiam a sobreviver à pandemia.

As leis brasileiras são  muito condescendentes com os criminosos que ocuparam posições de poder. E só poderão ser alteradas para casos futuros. 

Bolsonaro jamais cumprirá uma pena minimamente próxima de todo morticínio e sofrimento que causou E ainda esperneia para livrar-se das que, sendo ele o indivíduo monstruoso que é, não passarão de refresco... (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 10 de julho de 2025

A FRASE DO DIA É SOBRE AS IRONIAS DA HISTÓRIA E TIROS SAINDO PELA CULATRA

O Lula ESTÁ INCONSOLÁVEL: desde OS ANOS 70 DANDO UM duro DANADO  para domesticar a esquerda brasileira 
e o Trump, EM POUCOS dias, DESTRUIU toda A SUa obra!
.
A esperteza, quando é demais, acaba engolindo o esperto...
Não há nada como um dia depois do outro, daí estarmos
iniciando uma nova temporada do filme Os companheiros,
um clássico das lutas sociais, dirigido por Mario Monicelli.

terça-feira, 8 de julho de 2025

O PT QUER RESPEITO NA CASA DE MOTTA (OU SERÁ "NA CASA DE NOCA"?)

rui martins
É O FIM DA SUBMISSÃO DO GOVERNO AO CENTRÃO?
O governo Lula chegou a um ponto de confronto com seus adversários no Congresso e isto poderá mudar o clima político brasileiro?

A chamada traição do presidente da Câmara (Hugo Motta) em conluio com o presidente do Senado (Davi Alcolumbre), convocando na calada da noite os parlamentares para rejeitarem o decreto do governo que aumenta os Impostos sobre as Operações Financeiras poderá criar o clima político reclamado por lideranças de esquerda descontentes com a chamada submissão ou concertação do presidente com seus inimigos na Câmara e no Senado?

Uma reação com resultados imprevisíveis, podendo mesmo levar a um impeachment, se os movimentos sociais identitários de esquerda e petistas não conseguirem recuperar o espaço perdido nas eleições parciais do próximo ano. Existe também um risco exterior, representado pela proximidade entre os governos de Trump e Milei, identificados com o abandono das bandeiras sociais.

Até agora, algumas redes sociais de esquerda têm lamentado uma falta de informação junto ao povo das iniciativas do presidente Lula. Noutras palavras, a falta de uma certa publicidade capaz de fazer frente à campanha constante, nas redes sociais, de desmoralização pessoal do presidente e do seu governo, bancada por grupos bolsonaristas de influência evangélica, ainda ativos.

Esses grupos utilizaram ao máximo em seu favor, distorcendo os fatos, o escândalo dos descontos indevidos do INSS nas aposentadorias.

Diante da conclusão próxima do processo contra militares e políticos golpistas, falando-se na prisão, já em outubro, do ex-presidente Jair Bolsonaro, é normal um clima de excitação geral e de passagem de armas na direita e extrema direita, com a substituição do chefe e sacralização do governador Tarcísio de Freitas como seu sucessor. 

Ele promete um indulto a Bolsonaro e, sem dúvida, aos seus cúmplices, depois de vencer, o que é dado como certo, a eleição para presidente em 2026.

Como se houvesse uma barreira inexpugnável de desinformação, uma grande parcela do povo parece ignorar os bons índices do governo, prejudicados pelo aumento de preços provocados por fatores externos ou por uma intenção de descredibilizar o governo.

Um exemplo gritante são os comentários publicados no site da CNN, logo após a decisão do presidente Lula de judicializar a questão, recorrendo ao Supremo Tribunal Federal, diante da rejeição do decreto do IOF.

Uma parte dos comentários é contra o decreto, por achar que o povo não aguenta mais imposto e quer diminuição, ignorando que o IOF permitirá a isenção de impostos para grande parte do povo vivendo com baixos salários. Uma parcela da população trabalhadora, mal informada, parece desconhecer esse pormenor e corre o risco de defender as transações de capitais de pessoas abastadas em detrimento do seu pequeno salário.

Entretanto, enquanto a desinformação sobre o governo de Lula vinha funcionando nas redes sociais, reforçando uma espécie de oposição populista, pela primeira vez surgem indícios de uma conscientização popular provocada por mais um abuso dos parlamentares ao criar 18 novos cargos de deputados.

Uma espécie de manifesto contra os abusos dos parlamentares, seus salários e seus privilégios começou a circular pela Internet. Insensíveis até agora aos argumentos, as chamadas camadas populares bolsonaristas parecem sensíveis aos abusos. Teremos chegado ao ponto de uma inversão de tendências, no qual o pastor Henrique Vieira trará para si os fanáticos seguidores de Silas Malafaia?

A esquerda e os petistas voltarão às ruas, tomando os lugares deixados vazios pelo recuo dos bolsonaristas, numa retomada das praças por um populismo de esquerda? Ficção política ou reviravolta do possível?

A decisão do presidente Lula de recorrer ao STF, contra a derrubada do aumento do imposto sobre operações financeiras, levou o líder da oposição a declarar guerra contra Lula. (por Rui Martins)
"O couro comeu na casa de Noca, nego, não teve jeito. Na casa
de Noca, quando o couro come, é sinal de que a dona quer
respeito. Tem nego pensando que é só ir entrando e
pegando, levando na marra a primeira que vê"

domingo, 6 de julho de 2025

PORTA-VOZ DO LULA NO SEU 1º MANDATO EXPLICA ATUAL CAMBALHOTA IDEOLÓGICA

"O vento virou novamente. Encurralado por um Congresso reacionário e fisiológico dominado pelo centrão bolsonarista, em que tem minoria absoluta (menos de cem deputados no colegiado de 513), esta semana Lula saiu das cordas para voltar às origens do PT, na luta por justiça social e na defesa do que resta do seu mandato em busca da reeleição.

Após a acachapante derrota na votação que derrubou a mudança no IOF na semana anterior, Lula despertou para a realidade: sem poder contar com a frágil base aliada e despencando nas pesquisas, se ficasse parado, não teria mais como governar. Foi ao ataque e recorreu ao STF contra a decisão do Congresso, uma iniciativa de alto risco.

O governo Lula acabou, já proclamavam os líderes da oposição e amplos setores da mídia e do mercado. Vivia-se no Palácio do Planalto o mesmo clima pesado de 2005, quando estourou o escândalo do mensalão e foi anunciada a primeira morte política do metalúrgico que virou presidente da República prometendo acabar com a fome." (por Ricardo Kotscho, jornalista e escritor, duas vezes agraciado com o então prestigioso Prêmio Esso e outras duas com o Prêmio Vladimir Herzog)
Está certo o Kotscho, secretário de Imprensa do Lula no biênio 2003/2004, ao reconhecer que o ex-sindicalista, desde o início empenhado em apenas minorar as terríveis mazelas do capitalismo mediante o desvio de algumas migalhas a mais do banquete dos bilionários para a mesa dos pobres, dá a atual cambalhota ideológica como um sapo que engolirá no desespero de tentar reerguer seu exaurido governo.

Omite, contudo, que o Lula só se salvou de ser impichado a partir do mensalão porque os realmente poderosos o viam como uma força auxiliar da dominação burguesa, que às vezes os incomodava  um pouco mas servia para evitar que os coitadezas se dessem conta de que mereciam uma parte bem maior do bolo que, vale dizer, há muito tempo o Delfim  Netto já negaceava em repartir.

Entre a desculpa esfarrapada do ministro que colheu os louros pelo fugaz milagre brasileiro (Temos de esperar o bolo crescer para depois dividirmos) e a incontinência verbal responsável pelos sucessivos sincericídios do histórico defensor da perpetuação da exploração do homem pelo homem desde que maquilada em social-democracia (Nunca antes nesse país os banqueiros lucraram tanto quanto no meu governo) jamais houve a incompatibilidade apregoada pela propaganda enganosa petista. 

Daí a classe dominante ter decidido poupar Lula em 2005, quando poderia tê-lo derrubado com um peteleco. Lampedusa, pela boca de seu personagem Tancredi Falconeri em
O leopardo, explica exemplarmente tal lógica: É preciso que algo mude para que continue tudo como está.

E a minha avaliação é de que ambas as partes estão blefando, cada uma querendo obter mais vantagens do que a outra nas negociações que farão. Nem Lula vai virar Brizola, nem o Tarcísio, se eleito, sucumbirá ao extremismo brochado do Bolsonaro.

É óbvio que a nova postura petista é preferível à anterior. Tão óbvio quanto que Lula, até por estar desde os anos 80 desideologizando e endireitando o PT, não a levará às últimas consequências. 

Se, para minha enorme surpresa, a classe dominante decidir descartá-lo de imediato ao invés de deixá-lo sangrando até a próxima eleição, duvido que ele saia atirando como Vargas e Allende. O estilo dele é mais de sair com o rabo entre as pernas, como o Jango e a Dilma.  (por Celso Lungaretti) 
"Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero/
Não tolero lero-lero, devo nada pra ninguém"

sexta-feira, 6 de junho de 2025

SEM CHANCE DE TER CANDIDATO VIÁVEL PARA PRESIDÊNCIA, ESQUERDA DEVERIA ARTICULAR UMA ANTICANDIDATURA

Pesquisa do Instituto Quaest, de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial do ano que vem, nos ajuda a refletir, embora haja partido de uma premissa duvidosa, a de que Lula será um dos finalistas.

Seu governo errático, emparedado pelo Congresso, cometendo erros crassos e mostrando não ter sequer ideia de como reverter a acachapante rejeição do eleitorado, pode, sim, soçobrar de vez antes do primeiro turno. 

Mas as pesquisas do Quaest o apontam como empatado com o Bozo (41% x 41%) num cenário e vencedor nos sete outros:
-- por 44% x 34% contra Eduardo Bolsonaro;
-- por 43% x 39% contra Michelle Bolsonaro;
-- por 43% x 33% contra Ronaldo Caiado;
-- por 42% x 33% contra Romeu Zema:
-- por 41% x 40% contra Tarcísio de Freitas;
-- por 40% x 38% contra Ratinho Jr.; e
-- por 40% x 36% contra Eduardo Leite.

Se o quadro não permite que Lula durma tranquilo (pois dá para perceber que não irá além do que tem agora e os adversários, sim, decerto o farão), o palhaço sinistro deve estar tendo piores pesadelos. Além dos aproximados 99% de chance de estar inelegível em 2026 (e uns 75% de estar vendo o sol nascer quadrado), é, dos sete adversários do Lula, aquele com maior índice de rejeição. Só continua insistindo por teimosia.
 
Tarcísio, contando com os privilégios de governador do mais rico e poderoso estado da Federação, tem tudo para disparar na ponta quando a corrida for pra valer. Não excluo sequer a possibilidade de ele liquidar a fatura já no primeiro turno.

bananinha Bolsonaro deveria começar desde já a buscar um entendimento com a Michelle, pois ela está bem na frente dele e tem potencial para aumentar a vantagem. Dos dois, quem tem chance de usar a faixa presidencial é ela. 

Com Romeu Zema, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, o filho 03 da Famiglia Bolsonaro integra o quarteto dos azarões do páreo, os quais, na verdade, estão apenas se credenciando para ministros do futuro governo.

Michelle, que tende a receber muitos votos femininos e evangélicos, poderá até se dar bem, caso não seja destruída nos debates eleitorais. É bom o Tarcísio não a subestimar, pois ela já surpreendeu os círculos políticos frustrando os planos do Jair, que favorecia explicitamente o Eduardo como seu provável substituto no pleito.

Ronaldo Caiado, o comandante da UDR na verdadeira guerra contra o MST que teve lugar no Pontal do Paranapanema (SP) em fins do século passado, não ganhará absolutamente nada no voto, mas se a extrema-direita flertar novamente com um golpe, é o único da turma, Jair Bolsonaro incluso, que se enquadra no perfil machão tão ao gosto dos fascistas. 

Como desconhece a história deste país, o gado do 08.01 apostou num galinha morta ao invés de tentar a sorte com um galo de briga que, no mínimo, não teria fugido vergonhosamente da rinha. Azar dos bovinos, sorte nossa.  

De resto, ao observar esse catado de feios, sujos e malvados, sem qualquer representante da esquerda combativa, fico torcendo para que algum valente do nosso lado ouse entrar na campanha como anticandidato, até para, por contraste, evidenciar ainda mais a putrefação dos insaciáveis políticos profissionais. 

Temos de aproveitar todas as brechas para questionar os limites da democracia burguesa, um jogo de cartas marcadas contra os idealistas e a favor de quem já possui muita grana e/ou poder. (por Celso Lungaretti)
 

terça-feira, 27 de maio de 2025

EM QUE MOMENTO O BRASIL TINHA SE F...O? E COMO O QUADRO ESTÁ MUDANDO?

A primeira pergunta, obviamente, coloca o Brasil diante da mesma indagação que Mario Vargas Llosa, no seu clássico Conversa na Catedral, fez sobre o país dele:  ¿En que momento se había jodido el Perú?.

O Brasil é pródigo em momentos patéticos, quando desperdiçou chances claríssimas de construir um futuro bem melhor para seu povo. Caso de 1792, quando delatores fizeram fila (Joaquim Silvério dos Reis estava longe de ser o único...) para delatar ao Visconde de Barbacena a Inconfidência Mineira. 

Com isto, continuou por mais três longas décadas sendo colônia do minúsculo Portugal, que muito dele tirava, quase nada dava e teria sido facilmente derrotado nos campos de batalha se seus filhos não fugissem à luta.

E no século passado teve a chance de uma verdadeira redemocratização em 1984, mas, rejeitando a emenda Dante de Oliveira, saiu da ditadura militar pela porta dos fundos, entregando a faixa presidencial para um notório serviçal do regime que findava.   

Outros exemplos eu poderia citar, mas encompridariam demasiadamente este artigo, portanto falemos apenas da última vez em que o Brasil sifu. Foi durante o medíocre primeiro mandato de Dilma Rousseff, que quis porque quis fazer a economia brasileira crescer graças a investimentos estatais, como se ainda estivéssemos no tempo do Petróleo é nosso .

Tornou-se inevitável uma aguda recessão e, quando caiu para a Dilma a ficha de que seria este o seu legado para o governo seguinte, não teve sequer a humildade de reconhecer que não conseguiria desfazer a lambança. 
Fez questão cerrada de reeleger-se, pensando em salvar sua biografia. 

Recorreu a um economista insignificante que servia ao inimigo de classe (Joaquim Levy) para consertar a lambança e, quando este previsivelmente fracassou, praticamente desistiu de defender seu mandato no front econômico, preferindo travar a batalha nos campos mais favoráveis ao  inimigo (o político e o jurídico), nos quais sua derrota era certa.     

Insistindo em permanecer presidente até o mais amargo fim, ao invés de renunciar para que a esquerda pudesse iniciar um contra-ataque, a mãe do fracassado Plano de Aceleração do Crescimento foi também mãe da vitoriosa escalada da extrema-direita, pois, nas manifestações de rua em prol do impeachment, os fascistas não paravam de acumular forças e nós, de perdê-las.

Como resultado estabeleceu-se a detestável polarização entre dois populistas nutridos pela cultura do século 20, ancorando o Brasil no passado ao invés de atualizá-lo para aproveitar as oportunidades do século 21.

Lula só enganou bem durante seu primeiro mandato, quando tirou a sorte grande com o boom das nossas commodities, que gerou apreciável crescimento econômico. Mas, foi só. Desde então alternaram-se governos liberais do PT e o ultradireitista do Bolsonaro, sempre muito aquém das necessidades brasileiras.
Nosso país, portanto, se ferrou pela última vez em 2012, quando Dilma lançou as bases do bolsonarismo e da polarização. E vai finalmente se livrar dos velhos caciques das duas seitas graças aos sucessivos fiascos de ambos, um prestes a ver o sol nascer quadrado e o outro só carecendo de manto e coroa para se tornar uma perfeita rainha da Inglaterra.

Ademais, as sucessivas hospitalizações de Lula e Bolsonaro já convenceram respectivos esquemas políticos de que nenhum deles terá sequer vigor físico para aguentar mais um mandato. Então, as escaramuças internas nos esquemas políticos dos dois astros cadentes já visam à definição de quem os substituirá no pleito presidencial de 2026. 

Tal disputa já começou quente e se prenuncia como uma verdadeira briga de foice no escuro... (por Celso Lungaretti)   

domingo, 27 de abril de 2025

FRANCISCO ERA UM LIBERAL QUE BUSCAVA COLOCAR A IGREJA CATÓLICA NO SÉCULO 19, MAS OS TEMPOS ATUAIS DÃO VITÓRIA A SEU ANTECESSOR.

 


O falecido Papa não era um homem de esquerda, apesar de ter angariado a simpatia de parte considerável da esquerda, órfã de lideranças e carente de um programa político robusto. De seu apoio à ditadura militar argentina e seu papel na perseguição a membros de sua ordem poucos falaram ultimamente, embevecidos com a retórica levemente progressista de Francisco. 

Jorge Mario Bergoglio ascendeu ao trono de São Pedro após a renúncia de Bento XVI em 2013. Ratzinger havia se tornado Papa em 2005 com um programa francamente reacionário, mas desfocado em relação à sua época. Na realidade, ele havia chegado cedo demais, pois a onda neofascista ainda estava embrionária e a esquerda liberal vivia seu auge com Obama, Lula, Kirchner e outras figuras semelhantes dominando o espaço público. O resultado era sua solidão mundial, uma voz de extrema-direita isolada em um mundo progressista. Diante disso, ele resolve renunciar ao papado, abrindo uma crise na igreja cuja resposta veio através da eleição de um cardeal conservador, mas com mentalidade mais liberal, trazido, pela primeira vez, da América Latina. 

A imagem de Bento 16 não era das melhores...

Não poderia existir antítese mais perfeita com relação a Bento 16 que Francisco. O antigo papa era extremamente reservado e frequentemente aparecia com uma carranca pesada. Seu discurso era antipático e seu gosto pelo luxo e pela pompa do Vaticano era imenso. Seu sucessor, contudo, era pura simpatia, tinha o discurso familiar e empático, além de ter quase nenhum apego às pompas e ao luxo. 

A missão de Francisco era aproximar do mundo moderno uma instituição esclerosada e para isso combinava o papel do Papa de consciência moral do mundo, algo já muito usado por João Paulo II, com algumas medidas liberalizantes. Enquanto Bento 16 era adepto do slogan o mundo que se curve à igreja, Francisco tentava conduzir uma aproximação com a realidade do século XXI, mas visando alcançar os níveis de desenvolvimento do século XIX. No fim, ambos estavam coagidos pela mesma situação: a perda histórica de relevância da Igreja Católica no mundo, mas enquanto Ratzinger buscava fazer o mundo retroagir para se adequar ao ser da igreja, Bergoglio buscava faze-la se adaptar à situação histórica atual. 

Por ironia, o Papa que chegou cedo demais agora está vencendo, pois a situação mundial hoje é mais adequada ao programa de Bento 16 e não ao de Francisco. Por isso, não será surpresa se o novo pontífice escolhido for alguém mais à direita, um herdeiro de Ratiznger e não de Bergoglio. O que isso significaria para o futuro do catolicismo é difícil dizer, mas é pouco provável que a derrocada dessa religião seja freada na Europa e na América Latina. 

...ao contrário do risonho Francisco.

Entre os europeus, a igreja vai perdendo espaço para os ateus e os sem religião, enquanto que entre os latino-americanos, ela perde terreno sobretudo para os evangélicos, embora os sem religião também cresçam por aqui. Somente a África ainda mantém fidelidade, mas por ser um continente politica e economicamente fraco, a sobrevivência católica ali pouco acrescentaria na balança da geopolítica. Por onde se olhe, o catolicismo vai se tornando uma relíquia e seus papas cada vez mais oscilarão entre serem rabugentos saudosistas do passado e senhores simpáticos a falar vagamente sobre as preocupações do momento

De qualquer forma, é preciso ter sempre em mente que a mudança radical hoje necessária no mundo nunca virá do Vaticano ou dos templos, mas da luta organizada dos trabalhadores do povo em geral. (por David Coelho) 




quinta-feira, 24 de abril de 2025

MAMÃE EU QUERO, MAMÃE EU QUERO, MAMÃE EU QUERO ANISTIA, DÁ CHUPETA, DÁ CHUPETA PRO BOLSONARO NÃO CHORAR

Foi de uma pusilanimidade extrema o chororô de Jair Bolsonaro, queixando-se por ter recebido numa UTI a intimação para responder pelo crime de haver sido o principal responsável por uma tentativa fracassada de golpe de estado para derrubar e matar  o presidente eleito do Brasil, com o objetivo de obter um novo mandato virando a mesa, após ser derrotado nas urnas. 

Primeiramente porque, mesmo hospitalizado, continuava gravando peças propagandísticas de sua incessante campanha para escapar das grades, ainda que seja provocando um confronto de Poderes que poderia ter consequências trágicas para nosso país.

Depois porque dá um péssimo exemplo como cidadão e como homem tentando despertar a compaixão dos brasileiros em seu momento de desgraça, logo ele que antes simulava a masculinidade mais tóxica:
— normalizando o estupro de uma deputada; 
— lamentando que a ditadura militar não houvesse fuzilado "uns 30 mil" oposicionistas, "inclusive o FHC'; e
— avacalhando os coitadezas que agonizavam sem ar durante a pandemia, para cuja letalidade, aliás, ele contribuiu intensamente, ao sabotar vacinas e estimular pajelanças.  

E isto sem se dar conta do ridículo em que incidia, ao proclamar-se "imorrível, imbrochável e incomível", mesmo sendo amplamente conhecido que entregou. moto e arma para a bandidagem como um garotinho apavorado.

Além de haver convocado três vezes seus seguidores para a tomado do poder e se mantido longe do palco da ação em todas elas, inclusive indo refugiar-se na Disneylândia quando da terceira.

E que dizer de sua alucinada  comparação, agora, com as vítimas do nazismo?!
Você só está cumprindo ordem aqui, 
mas o pessoal dos tribunais do Hitler também cumpriam (sic) sua missão: colocavam judeus na câmara de gás. Todos pagaram seu preço um dia. Não vai ser diferente no Brasil, trovejou para a assustada oficial de justiça.

Mais megalomaníaco, impossível. Pois a única comparação pertinente não seria com o Holocausto, mas sim com os julgamentos de Nuremberg, dos quais o Bolsonaro de lá escapou pela via do suicídio. Já o Hitler de cá, por mais que esperneie, desta vez não deixaremos escapar. (por Celso Lungaretti)
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