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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

BALBÚRDIA DO PIX MOSTRA QUE O LULOPETISMO DESCONHE O PAÍS QUE ELE PRÓPRIO AJUDOU A CRIAR

 

Não se enganem, o boato de que o PIX seria taxado não começou com o vídeo do deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira e nem foi pura obra de fake news espalhadas pela extrema-direita, mas movimento orgânico que dominou a população nesses primeiros dias do ano de 2025, o qual promete ser um annus horribilis para Lula e sua corja, conforme prenunciado em artigo publicado aqui no blog no dia primeiro. 

O acontecimento reforça dois dos maiores sintomas da derrocada lulopetista: a alienação sobre a realidade brasileira e a profunda prepotência de Lula e cia. Na verdade, tais defeitos costumam estar juntos e quanto maior é a ignorância, maior a soberba. 

Contudo, a pataquada do PIX é mais imperdoável porque está diretamente ligada à dinâmica social que o lulopetismo ajudou a forjar nas últimas duas décadas, um país de empreendedores, recheado de Elon Musks que vendem bolo de pote e fazem corridas de Uber rumo ao primeiro milhão. Esses indivíduos fazem seus corres abaixo dos radares do Ministério da Fazenda e de seu voraz Leão enquanto se embebem de ideologia liberal despejada sobre eles pela mídia burguesa e pelo governo dito de esquerda. 

Não nos esqueçamos que Lula fez o que Bolsonaro se negou a fazer e cedeu ao lobby dos varejistas tupiniquins ao taxar compras internacionais antes isentas - a famosa taxa das blusinhas - que foi um duro golpe para o consumo das classes populares. Diante desse histórico, qual não foi a impressão popular quando o governo resolveu apertar o cerco sobre as transações efetuadas pela modalidade de PIX? O microempreendedor individual (MEI) que vende coco na praia entrou em pânico. 

Por óbvio, não se trata e nunca se tratou de taxar a transação por PIX, pois tal tipo de cobrança configuraria a finada CPMF - Cobrança Provisória sobre Movimentação Financeira - extinta em 2011 e só pode ser constituída por força de lei aprovada no Congresso, mas a intenção de ampliar o cerco sobre a sonegação é muito clara e defendida abertamente pelo governo. O problema, porém, é que o sonegador é justamente o MEI com fumos de bilionário, forjado pelo lulopetismo ao longo de décadas de desregulamentação das relações de trabalho e de financeirização generalizada. 

O MEI possui isenção de impostos, mas isso caso movimente uma quantia baixa de valores. Para manter a isenção, mas ter seus lucros assegurados, muitos fazem movimentações em contas de pessoas físicas e não em sua conta jurídica, recebendo em PIX porque essa forma de pagamento estava fora do rastreamento da Fazenda. Da noite para o dia, com sua nova regra, o governo arriscou colocar na ilegalidade milhões de microempreendedores que teriam de prestar contas de suas movimentações, se regularizar junto ao fisco e virtualmente perder as isenções financeiras.

Daí a revolta contra a ação de Lula. O país de empreendedores forjado por ele durante anos de medidas neoliberais se levantou em peso contra a possibilidade de começarem a pagar impostos. As criaturas se viraram contra o criador. 

É difícil imaginar que Haddad não soubesse dessas consequências de sua medida, mas certamente em sua arrogância ele não deve ter imaginado tal reação, prevendo uma vitória igual a obtida na tributação das compras internacionais. Em sua fúria de taxar as grandes pobrezas, embevecido pelos tapinhas nas costas que recebe dos bem-pensantes do mercado financeiro, contava ter mais uma vez montado nas costas dos pobretões do Brasil para rachar de dinheiro o baronato. Ledo engano! Mas, como já  dizíamos, Fernando Haddad é o pior ministro do governo Lula 3.

O bolsonarismo ter capitalizado com a insatisfação diante da medida do governo não pode ser surpresa, pois esses ditos empreendedores são uma de suas bases fundamentais ao acolherem o discurso liberal do self made man, da livre competição e do Estado interventor, com suas taxas e regras. O Brasil dos MEIs é o Brasil do bolsonarismo. 

Mas é justamente este país que o lulopetismo ajudou a forjar: com relações de trabalho precarizadas, serviços públicos arruinados, afundado na superexploração, com a miséria galopante e em que as soluções são individuais, pela via do esforço pessoal, do empreendedorismo. Lula o criou, mas não o compreende porque não possui capacidade para tal, sendo muito mais o instrumento das forças históricas do capitalismo. Contudo, em sua soberba, ele acredita ter o povo em suas mãos, ser seu intérprete mais exato e virá daí sua ruína. (por David Coelho)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

2024 FOI O ANO EM QUE O LULISMO NAUFRAGOU

 

Como já previsto em artigos anteriores à posse, o governo Lula 3 está sendo um desastre de ponta a ponta. Cozido no fogo brando da crise mundial capitalista, o presidente está emparedado entre as imposições dos capitalistas - que querem salvar seus lucros à base da espoliação generalizada dos trabalhadores - e do povo - que vê o custo de vida acelerar, o desemprego e o subemprego dispararem. 

A mediocridade de Lula, incapaz de oferecer qualquer caminho político razoável para o país, apegado aos áureos e efêmeros tempos da bonança das comodities, o leva cada vez mais ao atoleiro, fazendo-o tomar a aparência, a cada dia que passa, de um boneco sem vida e sem alma, perdido no meio do caos. Certamente, não fosse seu estrondoso ego e sua imensa vontade de poder, ele estaria em casa curtindo sua aposentadoria de luxo, mas não aceitará nunca que a esquerda possa existir sem ele, pois em sua cabeça megalomaníaca, o Brasil só pode funcionar com sua beneplácita liderança. Até Mao Tse Tung seria mais humilde. 

Seu governo é uma mistureba de tudo o que de ruim existe no país: narcotraficantes, milicianos, fundamentalistas, latifundiários, grilheiros, garimpeiros, banqueiros, pelegos, tecnocratas, academicistas, ex-tucanos, ex-psolistas, ex-comunistas, identitários e o Fernando Haddad, tudo em uma salada de merda intragável. Em uma época de emergência social, seu governo mais se assemelha a um convescote do Baile da Ilha Fiscal, à espera do encerramento da pataquada chamada capitalismo.

Dizem que nos momentos de agonia de um regime social as figuras mais decrépitas e toscas assumem a dianteira do poder expressando a profunda crise moral da sociedade. Lula é uma dessas figuras, juntamente a Biden, Trump, Macron, Scholz, Milei, Trump, Bolsonaro e outros. 

Lula só pode voltar ao governo porque fechou um acordo junto à grande burguesia nacional e estrangeira, pactuando um programa neoliberal ainda mais restritivo que o de seus governos anteriores. A conta está sendo cobrada diuturnamente pelo capital através dos jornalões e dos lobistas do mercado financeiro. Para atender ao pactuado, o presidente ataca direitos trabalhistas e sociais, como ficou claro ao cortar o BPC - pago a idosos, doentes e deficientes - e reduzir o valor real do salário mínimo. Também fez jogo duríssimo contra os servidores públicos, cortando ponto e mandando mesmo a Polícia Federal para reprimir manifestantes.

A educação federal, por sua vez, ficou de greve durante três meses e conseguiu apenas promessas vazias. Os pontos do acordo de greve estão sendo sistematicamente descumpridos e mesmo o reajuste de 9%, prometido para janeiro, ainda não saiu do papel. Inúmeros campi Brasil afora estão caindo aos pedaços, enquanto outros ainda aguardam a efetiva implementação desde o governo Lula 2. Durante o ano, cortes sistemáticos nos orçamentos das redes chegaram ao ponto de deixar a UFRJ - a maior universidade federal do país - sem luz e sem água por mais de uma semana. Nada disso, contudo, impediu Lula de fazer promessa demagógica de criar novos unidades em 2026, ano eleitoral. 

Diante da profunda crise capitalista, as soluções lulistas são ou o receituário neoliberalóide ou o discurso pausterizado de apelo ao passado. Nada funciona, pois a situação pede ações revolucionárias de enfrentamento efetivo ao capital, algo muito distante das aptidões de Lula e cia, serviçais fiéis da burguesia. Diante disso, o fracasso de Lula 3 está sendo visto à luz de todos, prenunciando um 2025 turbulento, em que as lutas fratricidas das várias facções do governo e entre os poderes conduzirá a um tensionamento inédito das relações políticas no Brasil. O presidente e seu grupo farão de tudo para entregar dedos, anéis e mãos para os capitalistas, mas nada disso adiantará.

Trágico é que hoje a única alternativa é a da extrema direita, mesmo com a crença politicista que ações judiciais e prisões farão desaparecer os bolsonaristas. Apenas um movimento revolucionário vigoroso e revigorado poderá fazer frente ao colapso lulista e à desordem capitalista, enfrentando os desafios do próximo ano e dos demais. (por David Coelho) 

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

LULA BAIXA PACOTAÇO CONTRA OS TRABALHADORES

Quando mais um capítulo da arrastada e mal engendrada novela do GOLPE distraí o distinto público, o essencial foi levado adiante pelo medíocre ministro Fernando Haddad, o pior dos ocupantes da Esplanada dos Ministérios. Após cerca de um mês de conversas, Lula determinou, através de seu poste da Economia, uma série de ações contra a classe trabalhadora, particularmente os mais vulneráveis. 

Cinicamente, os ataques foram anunciados junto com a medida paliativa de isentar do imposto de renda quem ganha até 5 mil reais, promessa de campanha de Lula, e que serviria apenas para aliviar um pouco a escrachante carga tributária que pesa sobre as miudezas deste país. É inconcebível que pague imposto quem não possui renda! Muito pior, pois os trabalhadores não conseguem escapar da cobrança, pois essa vem retida na fonte do pagamento de seus salários, ao contrário dos ricaços que sonegam o quanto podem seja ao maquiar seus balanços de pagamento, seja ao pura e simplesmente darem calote no Leão ou seja ao encontrarem infinitas brechas jurídicas para não pagar nada. 

Os dois principais ataques de Lula contra a classe trabalhadora foram no salário mínimo e no BPC -Benefício de Prestação Continuada. Pelo primeiro, a correção do mínimo será feita limitada a um valor ínfimo acima da inflação, levando ao virtual congelamento dele ao longo do tempo. Já as mudanças do segundo irão jogar milhões de pessoas na indigência, pois o BPC é um benefício pago a pessoas em extrema vulnerabilidade que em geral nunca ou quase nunca tiveram empregos regulares, possuem doenças incapacitantes, eram trabalhadores rurais sem vínculos empregatícios ou já são idosos sem fonte de renda. Lula e Haddad, com isso, condenam milhões de velhos e doentes à fome.
Além destas ações, ainda existem cortes na saúde e na educação, inclusive com a possibilidade de um possível fim dos pisos constitucionais para essas áreas, o que representaria a falência da educação e da saúde públicas no Brasil. 

Na realidade, Lula, ao impor tal pacotaço de maldades, leva adiante seu programa austericída, cumprindo com o acordado com as elites econômicas brasileiras que o retiraram da cadeia e o recolocaram no governo justamente para impor com mais eficiência o programa de arrocho sobre os trabalhadores, destruição do serviço público e financeirização da economia, fundamentando o país em uma base extrativista. Se trata do mesmo programa de Bolsonaro, mas vendido como sendo o programa da democracia. É no ferro no povo dentro da legalidade. 

Enquanto os aloprados do golpismo vão sendo exibidos no noticiário ao velho estilo novelão da Globo - que, não nos esqueçamos, era também o estilo da Lava Jato - o capital vai tratorando o país através de seu servo Lula. (por David Coelho)


quarta-feira, 12 de junho de 2024

CHILIQUE DE LULA CONTRA GREVE DA EDUCAÇÃO FEDERAL TEM RAZÃO DE SER: GREVISTAS COLOCAM EM XEQUE OS PODRES ACORDÕES DOS CAPITALISTAS

 

O chilique de Lula na segunda-feira, 10/06, veio acompanhado de chiliques nos jornais Folha de São Paulo e O Globo, grandes porta-vozes da burguesia brasileira. O cerne dos três, presidente e jornalões, é atacar a greve, tentando jogar a sociedade contra os profissionais da educação - quem perde são os alunos, disseram presidente e editorialistas - e acusar a greve de intransigente. 

Ora, intransigente tem sido Lula que desde o ano de 2023 vem se recusando a negociar com os trabalhadores da educação federal, enquanto concede aumentos substanciais às categorias bolsonaristas da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal, o que, segundo fontes do PT, seria uma estratégia para conquistar tais setores ao lulismo... o filme se repete, de forma bisonha

Mas qual o motivo do ataque coordenado entre Lula e jornalões à greve dos trabalhadores da educação? O motivo é simples, nossa greve não é apenas uma greve de um setor, mas um movimento que coloca em xeque a política econômica de austeridade fiscal cristalizada no Arcabouço Fiscal, versão piorada do Teto de Gastos e que foi aprovada pelo presidente Lula e por seu medíocre ministro Haddad em 2023.

Os acordões que livraram Lula da cadeia e o conduziram de volta à presidência, fazendo chapa ao insípido Alckimin, passam diretamente pelo aprofundamento das privatizações do serviço público, cortes de gastos e ataques aos trabalhadores. A última missão de Lula é completar aquilo que o presidente fujão, Bolsonaro, não conseguiu: implementar as "reformas" neoliberais que formalizam o assalto rentista ao orçamento público e promovem a superexploração dos trabalhadores brasileiros. 

Nesse aspecto, não pode causar estranheza a proposta de Haddad de acabar com os mínimos constitucionais para a educação e a saúde, garantias hoje já largamente ignoradas, mas que eliminadas de vez significariam o fim da educação e da saúde públicas no Brasil. Ou sua outra proposta de desatrelar benefícios sociais da correção inflacionária, virtualmente levando seus beneficiários à fome. Que crianças fiquem sem escola, doentes sem hospital e velhos morram de fome, mas que o capital seja saciado! 

Mas não contavam com a greve da educação federal. Seus paus mandados, encastelados nas direções sindicais, tentaram de tudo para evitar que a greve saísse. Não conseguiram. Depois, tentaram de tudo para que ela se encerrasse em pouco tempo, também não conseguiram. Em todas as ocasiões, as bases os atropelaram. Acabaram tomando um puxão de orelha do seu chefe supremo, o pelego-mor, e agora estão em desespero pois não sabem mais o que fazer. 

Ao mesmo tempo, lulistas se aliaram a bolsonaristas para irem às portas dos campi, fantasiados de pais preocupados, pressionarem contra a greve. Dentro das instituições federais, professores lulistas passaram a trabalhar contra a greve, fazendo cartas apócrifas, mentindo e mesmo minando a legitimidade sindical. Vale tudo para proteger o Messias de Garanhuns!

Apesar disso tudo, a greve segue forte e o cerne da política econômica da burguesia brasileira é desnudada. Essa, portanto, não é uma simples greve de mais uma categoria do funcionalismo público, é uma greve contra o nó górdio do regime capitalista hoje no Brasil e, particularmente, uma greve que tensiona os acordões espúrios de Lula e do PT. (por David Coelho)

quinta-feira, 30 de maio de 2024

LULA DEU UM GOLPE NA EDUCAÇÃO FEDERAL

 


Nesta segunda-feira, 27/05, o governo Lula assinou clandestinamente nos porões do Ministério da Gestão e Inovação, um acordo fake com uma organização sindical ilegítima, o Proifes, para colocar fim à greve da educação federal. Enquanto dezenas de servidores estavam nas portas do dito ministério protestando, representantes dessa organização entraram pelas portas dos fundos e se reuniram com enviados de Lula. Para completar a farsa, Feijó, preposto do sindicalismo pelego da CUT, foi até a sala onde se encontravam os representantes dos sindicatos legítimos da categoria para declarar que a greve estava encerrada!

Pelego do Proifes assina acordo nos porões do
MGI. Reacionarismo e rock de mãos dadas.
Para quem não conhece, o Proifes é uma organização sindical criada pelo governo Lula em 2008, quando Haddad era ministro da educação, enquanto estratégia para enfraquecer o Andes, esse o legítimo sindicato dos docentes das universidades federais. Isso porque o Andes havia cometido o terrível pecado de se colocar firmemente contra a reforma da previdência, promovida por Lula em 2003, e, por isso, foi punido pelo governo com a perda de sua carta sindical. O Proifes, portanto, já surgiu como uma entidade chapa branca, atrelada aos interesses antidemocráticos e antissindicais de Lula, visando dividir e enfraquecer o movimento dos docentes federais. 

No discurso, Lula diz defender a educação, mas na prática age contra ela de modo sistemático. Seu interesse com o setor não vai muito além de quantos votos ele consegue arrancar entre professores, alunos e técnicos. Para além das eleições, se congrega com setores capitalistas interessados em privatizar a educação pública, sacrifica os trabalhadores da educação em nome dos lucros dos banqueiros e impõe a intransigência nas negociações. 

E tudo isso quando concedeu recomposições salariais de até 60% para a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Penal, entidades profundamente bolsonaristas. Essa é a brilhante estratégia de Lula, esmagar os amigos e fortalecer os inimigos! É a estratégia digna de quem se acha ungido pelos deuses e acima do bem e do mal. 

Apesar do golpe de Lula, a greve segue!

Apesar da estratégia de Lula de esmagar a greve, essa seguirá firme e está ainda mais forte. A ação autoritária e desrespeitosa do presidente serviu apenas para despertar a ira de professores, técnicos e estudantes, os impulsionando ainda mais à luta. Dia 03/06, segunda-feira, ocorrerão atos de resistência nacionalmente e na porta do ministério da gestão e inovação para dar uma resposta incisiva e firme a Lula: não aceitaremos sermos desrespeitados! Todos e todas estão convocados a participar. 

Que Lula decida: ou está ao lado da educação e de seus trabalhadores ou está ao lado dos inimigos da educação! É momento de decisão e não cabe meio termo! (por David Coelho)

                 É assim que Lula trata a educação brasileira!

sexta-feira, 24 de maio de 2024

LULA E HADDAD SEGUEM NO ATAQUE À EDUCAÇÃO FEDERAL

 

"A greve continua, Lula, a culpa é sua!", com esse grito a assembleia do Colégio Pedro II aprovou nesta sexta, dia 24/05, a continuidade da greve. Já são mais de 40 dias de greve total ou parcial na rede federal de ensino sem que o governo Lula se digne a oferecer algo de relevante à categoria dos docentes e técnicos. 

Pior, a última proposta de Lula foi insistir no reajuste zero para a categoria no ano de 2024 e propor algo tão rebaixado para os próximos anos que sequer cobre a inflação futura de forma adequada. No caso dos técnicos, a categoria que ganha o pior salário do serviço público federal, a oferta é ainda mais rebaixada, pois o plano de Lula, Haddad e Tebet é caminhar para a terceirização desse segmento. 

Quando o tema é a recomposição do orçamento para a educação, o debate fica quase nulo. O governo que se diz em favor da educação e que diz querer abrir 100 novos Institutos Federais Brasil afora não propõe qualquer tipo de recomposição orçamentária para recuperar os cortes acumulados nos últimos dez anos, desde o governo Dilma 2. Hoje existem instituições ao redor do país em estado de calamidade, com paredes caindo, tetos desmoronando e sob risco de incêndio. Na última semana, tivemos, por exemplo, notícias de que um ventilador caiu na cabeça de um aluno, que uma professora foi engolida por um buraco em sala de aula e que aulas foram suspensas por falta de água, tudo isso na UFRJ, a maior e mais tradicional universidade do Brasil. 

Mas, Lula e Haddad seguem intransigentes. Querem esmagar a greve da educação a todo custo, a ponto de terem colocado um ultimato para os servidores: não haverá mais negociações e dia 27 assinará o acordo com quem lá estiver para assinar. Na prática, Lula espera que compareça para assinatura o Proifes, pseudo sindicato criado pelo próprio governo em 2008 para minar as organizações independentes e que possui por tradição a falta de democracia interna. Tal sindicato chapa branca representa menos de 5% da categoria dos servidores da educação, não possui carta sindical, mas se arroga o direito de falar pelo conjunto dos trabalhadores. 

Contudo, já demos o alerta, se Lula esmagar a greve da educação, será um tiro no peito de seu próprio governo, pois estará alienando um grupo que foi absolutamente fundamental para sua eleição, enquanto reforça categorias radicalmente bolsonaristas, como é o caso da PRF e dos Policiais Penais, que receberam reajustes que beiram os 60%. Quem é que fortalece mesmo a extrema direita? Não é fortalecer o fascismo despejar dinheiro nos apoiadores de Bolsonaro, enquanto as categorias tradicionalmente à esquerda são dilaceradas? 

Por trás de tudo estão os compromissos de Lula com o grande capital, sua dívida no pacto celebrado para tirá-lo da prisão e levá-lo de volta à presidência. Ele deve ao capital, sobretudo o financeiro, sua liberdade e seu poder, e fará de tudo para pagar a dívida, mesmo sob o risco de se autodestruir. No fim, o deus lula tem pés de barro e, tal como todo deus, não passa de uma mistificação tão vazia quanto uma bolha de sabão. (por David Coelho) 

terça-feira, 14 de maio de 2024

GREVE DA EDUCAÇÃO PODE SELAR DESTINO DO GOVERNO LULA 3

 

Não acredito que Lula e os lulistas mereçam conselhos, até porque conselho se dá a quem é amigo e deseja minimamente ouvir o que se tem a dizer, características muito distantes da turma hoje ocupante do Palácio do Planalto. Contudo, farei um alerta na esperança de ter algum impacto. 

A greve da educação federal no Brasil já completa 44 dias, 74 se formos contar a greve parcial dos técnicos nas universidades, desencadeada antes da recente onda. Praticamente todas as universidades e institutos federais do país estão parados, parcial ou totalmente. Nesse período todo, a proposta do governo Lula não foi muito além de oferecer uma recomposição salarial que sequer cobre a inflação futura, quanto menos a passada. É pedido 33% de reajuste para os técnicos e 21% para docentes, no entendimento que as perdas salariais dos técnicos é muito maior, passando de metade do salário. Mas o governo apresentou proposta de irrisórios 13%, a ser divido nos próximos três anos, muito longe do ideal, pois a inflação dos próximos anos é prevista para alcançar 11%. 

Pior!, o governo Lula, com Haddad e Tebet à frente, apostam em uma estratégia de divisão e cansaço da categoria. Estão fechando acordos com setores do funcionalismo considerados de maior peso, enquanto mantém a educação isolada com o ônus de uma greve longa e cansativa. No Colégio Pedro II, onde trabalho, já tivemos casos de docentes ameaçados por pais de alunos descontentes com a greve, além da criação de grupos de responsáveis para ir às portas dos campi serem filmados pela Globo gritando contra a greve. Não é preciso dizer que tais grupos congregam a nata do bolsonarismo, algo já esperado, mas também muitos lulistas. 

A etapa final da estratégia do governo é forçar a saída prematura dos docentes da greve, deixando os técnicos sozinhos, já com o intuito de terceirizar as funções desses servidores. Para isso, Lula e Haddad pretendem apresentar uma proposta de reajuste atraente para os docentes e revisar alguns pontos da carreira desses. Os professores, que em sua maioria sequer queriam entrar em greve, podem ficar tentados a aceitar o pedido e encerrarem sua mobilização. 

Contudo, a solução nesse sentido seria trágica para a educação, pois reforçaria a divisão entre técnicos e docentes, não necessariamente solucionaria o problemas dos últimos, pois ainda ficaríamos com perdas imensas, e esmagaria os técnicos. No caso do Colégio Pedro II, e de outras instituições federais, a situação é mais complexa porque o sindicato é unificado, então é impossível terminar a greve sem ter atendido às duas categorias. Ou seja, ficaríamos ainda mais tempo na greve, com um ambiente conturbado e com um desgaste gigantesco, interna e externamente. 

Porém - e aqui vai o alerta - o governo precisa se atentar que a educação é o setor que mais apoiou a eleição de Lula em 2022. Esmagar essa categoria é um contrassenso, ainda mais sabendo-se que setores do funcionalismo profundamente bolsonaristas receberam recomposições vultuosas, como é o caso da PRF, da PF e dos policiais penais, com reajustes que bateram os 60% no caso dos últimos. O governo envia a mensagem que os inimigos precisam ser premiados, mas os aliados devem ser tratados a pontapés! 

A popularidade de Lula caí a cada dia, fruto de sua política econômica atrelada aos interesses dos capitalistas. Ele vai sendo tragado pela crise capitalista e, caso opte por penalizar a educação, terá menos um grupo de apoiadores. A derrota da greve da educação poderá selar o destino de Lula 3, com um fim trágico para esse. (por David Coelho) 



terça-feira, 7 de maio de 2024

GOVERNO LULA QUER MATAR OS APOSENTADOS DE FOME

 

A última grande proposta a ser apresentada pelo calhorda governo Lula é algo que fatalmente levará os aposentados brasileiros a morrer de fome. De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, a ministra Simone Tebet, que é uma coadjuvante do patético Fernando Haddad, estaria propondo a desvinculação entre salário dos aposentados e salário mínimo. 

Hoje, pela Constituição, o salário dos aposentados possui isonomia frente ao salário mínimo. Sempre que esse último é reajustado, o primeiro também o é. Esse fato assegura que os aposentados tenham garantido o mínimo para sua sobrevivência, mínimo esse que já é pouquíssimo quando se consideram os imensos gastos com medicamentos, planos de saúde, terapias e outras atividades requeridas para essa faixa etária. E o quadro dos aposentados é ainda pior porque eles não estão mais ativos economicamente, então sua força para pressionar o governo e o capital é muito diminuta, dependendo sempre da ação dos trabalhadores da ativa. 

Assim, ao fazer tal proposta, Tebet, em nome de Lula, está propondo esmagar ainda mais o já parco rendimento dos aposentados, abrindo a porteira mesmo para uma possível não correção desses salários pela inflação. No limite, os aposentados podem passar a viver futuramente em situação de total indigência, igual a milhões de idosos chilenos que foram vítimas do regime de aposentadoria desenhado pela ditadura de Pinochet, podendo mesmo enfrentar a fome. 

Ao governo Lula 3 interessa apenas o pagamento da dívida aos banqueiros, despejar toneladas de dinheiro no agronegócio, entupir os bolsos dos pastores, dos militares e de comerciantes. Para isso, sustenta o Teto de Gastos, atualizado com o nome eufemista de Arcabouço Fiscal, e planeja acabar com os gastos mínimos constitucionais para a Educação e a Saúde. Que morram velhos, que se apodreçam as escolas, que os hospitais fechem, mas que o capital continue em frente explorando, destruindo, pilhando e exaurindo a humanidade e o planeta! Esse é o lema do lulismo! 

E assim, após um ano e meio de governo, vai se confirmando todas as sinistras previsões a respeito do quadro horrendo que se materializaria em um novo governo Lula. No ataque contínuo aos trabalhadores, agora também aos aposentados, o presidente vai marchando a passos rápidos para o fiasco. (por David Coelho) 

sábado, 4 de maio de 2024

30 DIAS DE GREVE NA REDE FEDERAL: LULA E HADDAD CONTINUAM OS ATAQUES À EDUCAÇÃO

 

A greve do Colégio Pedro II - o mais antigo colégio de ensino médio do Brasil, com quase 190 anos de história - completou 1 mês nesta sexta-feira, 03/04. Junto a ele, praticamente todas as instituições de ensino federais estão em greve, total ou parcialmente. Na última semana, os docentes do CEFET/RJ e da UFF também se declararam em greve, deixando no Rio de Janeiro apenas a UFRJ com os professores fora do movimento. Coincidência ou não, o sindicato dos professores dessa universidade é ligado ao PT.

Sem dúvida, é uma das maiores greves do ensino federal em muito tempo, resultado de anos de defasagem salarial, corte sistemático do orçamento da educação e precarização em série das carreiras de técnicos e docentes. O desastre no ensino público federal pode ser medido pelo altíssimo grau de evasão dos técnicos, atraídos por carreiras mais vantajosas em outros segmentos do poder público, o que leva ao quadro de grave carência de servidores para trabalhar em diversas áreas cruciais do atendimento educacional. 

Na infraestrutura das instituições é também patente o estado de deterioração e abandono. Não raro existem campi com blocos condenados, salas interditadas, paredes desmoronando, elevadores sem condições de uso, etc. Também nessa semana, a reitora do Colégio Pedro II, Ana Paula Giraux, deu entrevista anunciando que o campus Centro, o mais antigo da instituição, onde o próprio Dom Pedro II ia para participar dos exames finais, corre sério risco de pegar fogo. Isso sem contar centenas de Institutos Federais país afora que ainda funcionam em prédios improvisados, mais de uma década após terem sido inaugurados pelo próprio Lula. 

Mas qual a proposta do governo? Uma recomposição salarial tímida, que não chega à metade do que foi pedido, o que já era bem inferior às perdas reais acumuladas. Pior, fizeram uma proposta de ajuste idêntica para professores e técnicos, mesmo sendo as perdas dos últimos muito maiores, e lançaram a deixa na mesa de negociação em Brasília: "levem para as assembleias, quem sabe não aceitam?". A estratégia era claríssima, fazer os professores aceitarem a oferta e induzir que esses abandonem a greve, deixando apenas os técnicos, parte menos visível para a opinião pública. Ato sórdido de um governo sórdido! 

Recusada em massa a proposta, pois em nenhum lugar os servidores a aceitaram, o governo decidiu partir para nova estratégia, o isolamento da educação dentro do funcionalismo público. Para isso, esperará o dia  13 de maio para nova rodada de negociações com os servidores desse setor, enquanto avança com outros. O objetivo é fechar acordos com setores estratégicos e de peso, deixando professores e técnicos com o ônus de uma greve longa e desgastante. Mais sordidez!



Tudo em nome do sacrossanto Teto de Gastos, rebatizado eufemisticamente de Arcabouço Fiscal. Haddad, o pior ministro do governo, cão de guarda do capital, já disse não existir espaço no orçamento para os servidores e que a meta é o déficit zero, o qual só pode ser conquistado às custas dos servidores, dos serviços públicos, da saúde e da educação, sobretudo. 

Lula se elegeu dizendo defender a educação. Mas em que tal defesa vai além de mera retórica oportunista ainda não foi mostrado. Até agora o que vemos é desrespeito, sordidez, demagogia e compromisso com a precarização do ensino público! (por David Coelho) 



quarta-feira, 10 de abril de 2024

HADDAD, O INIMIGO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA!

 

Dino estava na disputa com Haddad para saber quem seria o pior ministro do governo Lula 3, tendo ele ido para o STF, após lá abocanhar uma bocona, ficou ao Haddad o título inconteste de pior titular da Esplanada dos Ministérios. Agora, contudo, sabemos que ele não é apenas patético, mas também nefasto

Em declaração hoje, 10/04, disse não haver espaço para o reajuste do funcionalismo público, pois o orçamento deste ano já estaria fechado. Ocorre que até o momento a categoria que mais tem pressionado pela recomposição salarial e, inclusive, está em greve é a da educação, com mais de 445 campi de Institutos Federais, centros tecnológicos e universidades tecnológicas paralisadas. O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, onde atualmente trabalho, entrou em greve no dia 03 de abril, se juntando à greve nacional. 

Nos últimos anos, o salário dos técnicos administrativos e dos docentes sofreram perdas imensas, passando de 50% no caso dos primeiros. Ou seja, enquanto a inflação aumentou galopante e o custo de vida atingiu índices gigantescos, o valor nominal pago aos servidores seguiu o mesmo, na prática achatando seus salários e levando não poucos a uma situação de penúria. 

Daí terem sido comuns os relatos na Assembleia dos servidores do Colégio Pedro II em que se relatou a dificuldade em pagar aluguéis, transporte e mesmo alimentação. Alguns confessaram fazer bico de Uber para complementar a renda familiar, enquanto outros não esconderam a intenção de abandonar a carreira na educação em prol de outras mais atrativas. O resultado disso é a degradação dos serviços prestados no Colégio, um dos mais tradicionais do Brasil, com quase 190 anos de história. Faltam funcionários para serviços elementares e os que existem não dão conta de muitas demandas. 

Por fim, o orçamento da educação vem sendo estraçalhado nos últimos 10 anos, desde pelo menos o finado governo Dilma 2, com cortes sucessivos que afetam investimentos, mas também o custeio das estruturas, a contratação de serviços terceirizados, reformas e a assistência estudantil. Assim, é comum encontrar nos campi Brasil afora prédios inacabados ou mesmo faculdades com salas interditadas, além de não raro aulas serem interrompidas por falta de limpeza dos banheiros e espaços gerais. Estudantes pobres muitas vezes precisam abandonar os estudos por falta de apoio financeiro.

Diante desse cenário, o futuro da educação brasileira é nebuloso. As redes estaduais e municipais já estão sucateadas e arruinadas há décadas, sofrendo com falta de professores, de funcionários, infraestrutura precária, etc. A rede federal, que ainda mantém um mínimo de atendimento com qualidade, pode sofrer o mesmo destino no médio e longo prazo, enterrando de vez a educação em nosso país. 

Por isso, Haddad parece querer juntar ao seu currículo o epíteto de destruidor da educação pública, algo ainda mais desonroso para um professor e ex-ministro da Educação. Político medíocre, intelectual vazio, pelo menos dessa forma entrará para a história. (por David Coelho) 

domingo, 29 de outubro de 2023

APÓS UM ANO DA DERROTA DE BOLSONARO, QUASE NADA MUDOU


 "Tendo os olhos voltados para o passado e formando uma grande aliança com o status quo nacional, o lulismo, por sua vez, venceu muito mais enquanto um veto às forças retrógradas, ao obscurantismo, à falta de pudor pela vida e à devastação ambiental. 

Mas não conseguiu colocar-se enquanto um movimento inspirador de transformações. E aí reside todo o drama do momento. 

A eleição de Lula só foi possível por um grande acordo de cúpula, uma articulação nas altas esferas do capitalismo, passando pelo STF, banqueiros, tucanos históricos e grande capital internacional. Foi o grande pacto nacional já vaticinado por Romero Jucá, cuja meta é reestabelecer os marcos institucionais pré-junho de 2013, trazendo de volta a reprodução sossegada do valor. 

Noutras palavras, restaurar a pax neoliberal, cujo ápice se deu no segundo governo do Lula, e desacelerar a luta de classes. 

No entanto, vontade é uma coisa, efetividade é outra. Quem de fato comanda o ritmo dos acontecimentos não é o político x ou y, ou mesmo a nanica burguesia brasileira, mas a economia capitalista, terreno completamente objetivo e com sua própria legalidade. E, nessa seara, até mesmo os capitalistas estadunidenses e europeus estão apavorados, sentindo o buraco abrir-se cada dia mais. 

Os prenúncios de cataclisma ficam mais evidentes e as tensões geopolíticas recolocam no plano mundial o que vem acontecendo no plano micro da economia do dia-a-dia. 

Aumento do custo de vida, desabastecimento, fome –a qual agora assombra até mesmo a classe média branca europeia– e, finalmente, a sombra da guerra mundial mostram a aproximação de uma depressão titânica capaz de engolir a tudo e todos, cujo desfecho é imprevisível e cujo impacto no Brasil poderá fortalecer a extrema-direita oposicionista.

Para além disso, a reorganização econômica do Brasil para um regime agromineral-extrativista segue em frente. Bolsonaro foi o representante mais bem acabado desta nova lógica porque ele simplesmente a colocava sem peias, sem duplo discurso e sem qualquer tipo de vergonha. Lula retorna para dar um verniz civilizado para esta nova lógica, mantendo-a, mas com uma capa racionalista.

Nisso reside outro ponto débil com potencial para engolir o novo presidente, pois quanto mais avança a nova matriz econômica, mais fortes ficam as forças do atraso e, correlatamente, sua expressão política no Brasil, o bolsonarismo. 

A precarização das relações de trabalho, a flexibilização das leis ambientais, a dilapidação da indústria e das empresas públicas, a crise urbana com a explosão da violência, tudo isso fortalece o tripé reacionário do agronegócio, igrejas evangélicas e militarismo. Terá Lula condições de mexer no nervo disto e reverter as condições regressivas no Brasil? Eu diria que não. 

Não apenas o agora presidente eleito ajudou neste processo quando de suas passagens pelo governo federal, como também está hoje afiançado de modo íntimo com os grandes capitalistas brasileiros que almejam justamente o avanço do dito cujo, embora, como dito, num ritmo menos irascível. Seria preciso romper e radicalizar à esquerda, mas isto seria dissolver o grande pacto e recolocar a luta de classes noutro nível. 

Então, o futuro se prenuncia tenebroso. A extrema-direita seguirá mobilizada e o novo governo, centrado no passado e acreditando ser possível uma conciliação já caducada, aprofundando o modelo de espoliação do pais, estará muito em breve em face de uma profunda impopularidade e frustração. Neste momento, o pior poderá acontecer e os derrotados de hoje talvez voltem reenergizados."

Quase um ano atrás, esse texto, publicado um dia após a vitória de Lula no segundo turno das eleições para presidente, analisava o futuro do novo/velho presidente. Pouco precisa ser dito a respeito das mobilizações bolsonaristas dos meses subsequentes, cujo ápice viria a ser o infame 8 de Janeiro, a micareta verde e amarela usada até hoje como espantalho por lulistas de todos os matizes. Na realidade, o quebra-quebra em Brasília foi mais explosão de impotência que ameaça real, pois a tentativa concreta e consequente de reverter as eleições mediante bloqueios das estradas e pelo levante do agronegócio não surtiu efeito. 

Lula só pode vencer porque se amarrou a um pacto impossível de ser cumprido. Um ano depois, isso é visível para qualquer um na paralisia governamental e em sua total rendição ao atraso atrasante pitorescamente representado no Congresso Nacional pelo Quadrilhão, ops, Centrão. O presidente não governa, faz truque de circo para engambelar o distinto público. Por quanto tempo seus caricatos malabarismos ainda farão efeito é difícil de prever, mas basta andar um pouco pelas ruas de nossas cidades e ter ideia do buraco cada vez maior de nossa crise. 

Enquanto isso, lá vão os piores ministros do governo, Dino e Haddad, contracenar na palhaçada. O primeiro batendo nos indigentes bolsonaristas que passam pela sua frente; e o segundo ao destilar seu interminável blablabla tecnocrata por todo lugar que vai. Na realidade, os melhores ministros de Lula são os do Centrão: ao menos esses têm consciência que a nossa realidade é insanável e buscam apenas o cinismo da pura pilhagem, ou seja, não buscam enganar ninguém. 

A única coisa a se celebrar nesse período foi a derrocada de Bolsonaro, mas mesmo esse está longe de ter pago sua imensa dívida com a Justiça e o povo brasileiro. Ao que parece, tem tudo para continuar sem pagar, com a crucial ajuda de Lula. Afinal, todo bom comediante precisa da sua escada. (por David Emanuel Coelho)


sexta-feira, 21 de julho de 2023

IGUAL A HADDAD, FLÁVIO DINO TAMBÉM PRODUZ IDIOTICES A MAIS DE METRO

 Flávio Dino, ministro da Justiça, não cansa de ter ideias geniais para resolver os complexos problemas do país. Depois de ter proposto censurar a internet como mecanismo para combater fake news, hoje veio à lume com duas ideias dignas de sua alta sabedoria. 

A primeira é tornar hediondo ataques a escolas. Tal medida terá o mesmo efeito prático que hoje já existe com relação à extensa lista de crimes taxados pela legislação brasileira como hediondos. Entre eles está o tráfico de drogas, o qual de fato tem sido ferozmente abalado desde sua tipificação. Na realidade, em breve não haverá mais diferença entre crimes comuns e hediondos tamanha a fúria legislativa em tornar tudo algo hediondo. 

Mais patético é que a aposta no punitivismo continua deixando intocado o complexo problema dos ataques, em que se misturam problemas psíquicos, sociais e ações de grupos de extrema direita. Pior, pois ignora o absoluto desprezo dos atacantes a qualquer punição e mesmo à própria vida, pois não raro muitos deles acabam ou se suicidando ou se colocando de modo tão flagrante contra a resposta policial a ponto de praticamente induzirem serem mortos por ela. 

Dino apenas expressa o velho mofo do bacharelismo brasileiro que, conjugado com a impotente vontade política, tenta resolver os problemas do mundo com leis, penas e regramentos. Tal tipo de comportamento possui uma crença quase mística no poder da racionalidade jurídica e administrativa. 

Mas o pior foi sua proposta de tipificar atentados contra membros do STF e chefes dos três poderes. Parece ter o douto ministro se equivocado e esquecido estarmos em plena República, não podendo a vida dos chefes de Estado ter mais valor que a vida do cidadão comum. Mas Dino não se importa com o espírito republicano, ele quer de volta o obtuso crime de regicídio, afinal pequenos imperadores nossos juízes e políticos já se acham, a lei virá apenas para confirmar essa crença. 

E assim avança o governo Lula, com seus ministros crentes fiéis do poder tecnocrata: Haddad no poder dos labirínticos cálculos econômicos e Dino na capacidade de punições reverterem aquilo cuja raiz está no âmago de uma sociedade apodrecida. Ambos se levam profundamente à sério e acreditam mesmo estarem salvando o Brasil com canetadas e planilhas, quando tudo não passa de espuma pairando no caos de som e fúria. (por David Emanuel Coelho)  

quarta-feira, 19 de julho de 2023

FERNANDO HADDAD E A IDIOTICE TECNOCRATA

 
Sempre que vejo a cara de Fernando Haddad passa em mim um misto de sono e ódio. Sono porque ainda deverá surgir sujeito mais sonífero na política nacional e raiva porque ele realmente acredita nas inutilidades que fala e faz, como se estivesse fazendo de fato alguma diferença no mundo. 

O pior tipo de indivíduo é o crédulo, aquele fielmente crente em estar fazendo alguma diferença, quando na realidade é apenas mais um impotente à serviço de forças cujo entendimento ele não domina. Tal como o personagem Cândido, de Voltaire, essa figura segue firme a filosofia de seu Pangloss e acredita estar no caminho certo para melhorar o mundo enquanto tudo apenas desaba ao seu redor. Haddad é um desses tipos, alguém que se leva à sério quando é apenas mais um inútil peão do capitalismo. 

Assim, não poderia ser surpresa o rasgado elogio de um burguês ao Ministro: "O empresariado está em total apoio a Haddad. Tinha uma preocupação antes, quando foi escolhido, mas isso deixou de ter. De zero a 10, é 10. Tudo o que ele tem feito é com coerência, inteligência, persistência". Com um elogio rasgado desses de um capitalista - o mesmo que até poucos meses atrás jurava amor eterno a Bolsonaro - é possível acreditar em Haddad, ou mais propriamente, no governo Lula para mudar minimamente a situação deplorável do Brasil? Não mesmo!

Mas o ex-prefeito deve acreditar piamente estar trilhando um caminho revolucionário. Possivelmente se olha no espelho toda noite e enxerga não um pequeno intelectual, mas uma espécie de cruzamento entre Bismark e Keynes, a capacidade política do primeiro e a perspicácia econômica do segundo. De fato, contudo, é apenas um Guedes com diploma e piorado. 

O ministro do ex-presidente fujão, pelo menos, tinha noção de sua inutilidade. Sabia que o capitalismo brasileiro é irremediável e que tudo o que se pode fazer é partilhar do saque generalizado. Não tentava se fingir de intelectual, se orgulhava de sua ignorância sistemática e falava abertamente o programa da burguesia nacional de espoliar o país. Em resumo, sabia viver no fim dos tempos e que o importante era se dar o melhor possível, bem ao espírito bolsonarista. 

Já Haddad acredita que Reforma Tributária e calculozinhos aqui e ali vão fazer efeito e reverter o quadro bárbaro em que o Brasil está. Ele acredita na racionalidade econômica e na  capacidade estatal de intervir no curso dos acontecimentos, sendo sua patética seriedade originada daí. Nisso, se assemelha a um padre cuja insistência na realidade da transubstanciação só pode ser patética diante da generalizada incredualidade dos fiéis há muito céticos sobre aquela doutrina. 

Em época de Cracolândias, Milícias, Desemprego Crônico, Fome generalizada e Guerra Mundial, soa abertamente ridículo o discurso empolado e tecnicista de Haddad. O ministro muitas vezes se parece mais a um alienígena caído na Terra e totalmente ignorante da vida dos comuns terráqueos. 

Por isso, Haddad é um ministro muito pior que Guedes. Mas a crua sinceridade bolsonarista em certa medida é mais necessária que a enganação lulopetista. Seja como for, caminhamos para dias difíceis e a candidez do ministro de Lula só serve para alimentar ainda mais a voracidade das contradições do capitalismo brasileiro nesta quadra do século. (por David Emanuel Coelho) 

terça-feira, 13 de junho de 2023

DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013. PARTE 4: A QUINTA-FEIRA QUE INCENDIOU O BRASIL

 

13 DE JUNHO DE 2013: A NOITE QUE INCENDIOU O BRASIL

O ano de 2013 começou modorrento na política. Os debates se travavam em torno das possíveis alianças para o pleito presidencial do ano seguinte e especulava-se uma insatisfação do PMDB para com dona Dilma devido à tentativa dela em criar novo partido com Gilberto Kassab. A maior preocupação do lulopetismo era com o tempo de TV na propaganda eleitoral, temia-se perder preciosos minutos na televisão caso a aliança com a direita desandasse. 

Fora da política, o grande debate era com o atraso das obras para a Copa do Mundo. A Copa das Confederações seria já em Junho de 2013 e o cronograma estava atrasado, trazendo a ira da FIFA e comentários nada amistosos de Jérôme Valcke, à época Secretário Geral da organização. As obras para os torneios também traziam escândalos de corrupção e acusações de abusos contra a população pobre, obrigada a se retirar de suas casas para o alargamento de vias e construção ou reforma de estádios. Contudo, nada na superfície indicava o furacão que viria na metade do ano. 

Antes de virar prefeito, Haddad recebeu as 
bençãos de Maluf.
Nas profundezas sociais do país, porém, algo se mexia e as contradições acumuladas durante décadas estavam perto de explodir em fúria e violência. Já no começo do ano as manifestações contra o aumento da passagem em Porto Alegre haviam prenunciado algo novo, mas logo ficaram no passado como mais um ato do obscuro Movimento Passe Livre. 

Fernando Haddad, prefeito recém empossado de São Paulo, havia decidido não aumentar as tarifas do transporte público no começo do ano para não iniciar mal seu mandato. Conchavado com o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, postergou o aumento para Junho, e determinou o reajuste em vinte centavos. Logo o MPL convocou manifestações contra o aumento, tal como fizera anteriormente. A resposta de Haddad e Alckmin foi brutal

A manifestação do dia 11 de Junho é reprimida violentamente pela polícia, espancamentos gratuitos são registrados. De Paris, onde estavam para lançar a candidatura de São Paulo para mais um megaevento, Haddad e Alckimin atacam os manifestantes e dão luz verde para o recrudescimento da repressão. O ex-prefeito se refere aos manifestantes como "gente que não aceita o estado democrático de direito". Quem poderia imaginar que essa retórica era tão velha? Alckmin em sua verve fascistóide apenas prefere falar de criminosos e vândalos e ordena o aumento da força policial. Nenhum dos dois se dispõe a negociar o reajuste ou ouvir as demandas dos manifestantes, respondendo apenas com a brutalidade. Não por acaso, hoje ambos estão no mesmo governo, como um sinal da unidade da plutocracia nacional mortalmente ferida naquele 2013.

Editorial do Estadão pede mais repressão aos
manifestantes.

No dia 13 de Junho, editoriais do Estadão e da Folha de São Paulo reclamavam uma dura repressão contra os manifestantes. O Estadão clamava que era chegada a hora do Basta e exortava o governo a impedir as ocupações das vias. Já a Folha dizia que era preciso retomar a Nossa avenida Paulista, se referindo ao principal lugar de concentração dos militantes. Exortado pela mídia, o governo se sentiu justificado em liberar de vez seus cães da coleira, o que viria a provocar naquela noite algumas das cenas mais bestiais da história nacional. 

A história possui momentos de inflexão em que ações aparentemente irrisórias de personagens acabam provocando um deslocamento imprevisto. Esses personagens, inclusive, costumam ser absolutamente medíocres e totalmente desprovidos de qualquer senso histórico, social ou político mais amplo. Naquele 13 de Junho tivemos a confluência da ação desses personagens medíocres - os editorialistas da grande mídia, Alckmin e Haddad - mas que conduziram a desdobramentos inimagináveis e incontroláveis. 

Apesar da repressão, os atos só cresciam.
As manifestações só cresciam em tamanho ato após ato, fazendo jus ao bordão dos manifestantes "Amanhã será Maior!". Naquela quinta mais de dez mil pessoas desfilaram pelas ruas até serem reprimidas pela PM e pela Guarda Municipal. Espancamentos aleatórios, uso indiscriminado de bombas de gás, tiros indiscriminados de bala de borracha, prisões a esmo, vandalismo perpetrado pelos próprios policiais para culpar os manifestantes, tudo isso foi capturado em vídeo por toda região do centro paulistano. A repressão foi tão bestial e despropositada que pessoas alheias à manifestação foram igualmente espancadas. Jornalistas ficaram cegos devido às balas de borracha atiradas pelas tropas e outros foram duramente espancados pelas forças policiais. 

Logo as imagens do terror policial correram o país e provocaram escândalo diante do absurdo e da desproporcionalidade da repressão. Ficou claro para todos o que estava em jogo ali: não era o simplesmente aumento da passagem, era o direito democrático à liberdade de se manifestar. Ao contrário da crença arraigada de que o levante de Junho de 2013 foi catalisado pela alta das tarifas do transporte, o real motivo foi a ação bárbara da polícia naquela noite do dia 13. Os levantes foram, em primeiro lugar, uma resposta à brutalidade policial.

Jornalista da Folha ferida com 
tiro de bala de borracha.

A bestial repressão acabou sendo um tiro pela culatra, pois, ao contrário de esvaziar os atos, estes não apenas cresceram geometricamente, mas se espalharam pelo país. O que eram simples manifestações localizadas à cidade de São Paulo contra o aumento da tarifa se transformaram em levantes de extensão nacional. Em uma semana o Estado brasileiro estava nas cordas e a burguesia brasileira, pela primeira vez em décadas, tremia diante da possibilidade real de uma mobilização revolucionária em suas ruas. 

Como sempre, ninguém tinha ciência do que viriam das mobilizações daqueles dias, mas todos tinham certeza de que nada seria como antes. E, de fato, quando a bola rolou para a medíocre Copa das Confederações, a verdadeira disputa estava nos arredores dos estádios e naquela noite de 13 de Junho de 2013 começava o período mais turbulento e imprevisível da história brasileira no último meio século. (por David Emanuel Coelho) 

LEIA OS PRIMEIROS ARTIGOS DA SÉRIE: 

DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013: A LUTA PELO PASSE LIVRE

DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013: A FALÊNCIA DA NOVA REPÚBLICA



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