terça-feira, 2 de setembro de 2014

O EXERCÍCIO DAS FUNÇÕES LEGISLATIVAS REQUER... CANAIS PORNÔS?!

Recebi este desabafo do diretor/fundador do site Congresso em Foco, nosso bom companheiro Sylvio Costa:
"Publicamos na semana passada matéria sobre algo que demonstra, uma vez mais, como certos políticos perderam completamente o sentido de decência, o senso de responsabilidade e o simancol. Três deputados pediram reembolso à Câmara de despesas com TV por assinatura que incluíam o pagamento de gastos com os chamados 'canais adultos'.
Fora a mesquinharia do fato, porque os caras ganham mais do que o bastante para bancar esse tipo de despesa, o caso é simbólico, por mostrar de modo exemplar a confusão que esses parlamentares - e, infelizmente, tantos mais - fazem entre o público e o privado.
O fato teve uma repercussão estrondosa, em especial no Facebook, onde o post alcançou mais de 200 mil visualizações rapidamente e gerou milhares de comentários, compartilhamentos e 'likes'. E aí vocês acreditam que o Facebook censurou o post?! Até agora não nos explicaram a razão. Mas, para nós, está evidente a violação da liberdade de expressão assegurada pela Constituição.
E a coisa fica mais incômoda por um detalhe: a assessoria de imprensa do Facebook no Brasil, cobrada por nós insistentemente a respeito do episódio, nos disse que a resposta está demorando porque eles aguardam uma orientação da matriz dos Estados Unidos.
Como assim? A Câmara banca com dinheiro público, o nosso dinheiro, despesas particulares de deputados e a matriz do FB nos EUA é que decide se os cidadãos brasileiros têm ou não direito a tomar conhecimento do assunto?!"
Para acessar a notícia censurada, clique aqui. E, para saber mais sobre o episódio todo, aqui.

Logo, logo, os deputados vão apresentar recibos das garotas de programa e solicitarão reembolso.

Pensando bem, por que não? Eu apostaria que, aproveitando assim o seu tempo, eles deixarão de onerar o Erário em valor infinitamente maior que o de um michê. A menos que as fulanas acrescentem adicional de insalubridade --que, no caso, tende a ser bem vultoso.

Finalmente, a postura do Facebook é totalmente inaceitável, uma afronta aos brasileiros. Já não chega termos amargado a censura dos militares?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

"O ÚLTIMO TANGO EM PARIS": A MANTEIGA ERA O DE MENOS...

Além de perseguir, intimidar, torturar, estuprar, executar, ocultar restos mortais, etc., a ditadura militar impôs aos brasileiros o mais ridículo e hipócrita moralismo de fachada, censurando destrambelhadamente tanto a pornografia mais vulgar quanto autênticas obras-primas como o filme O último tango em Paris (Ultimo tango a Parigi, 1972), que vocês podem ver na janelinha abaixo, com legendas em espanhol.

Este foi um dos que se tornaram verdadeiras lendas. Quem viajava para nações civilizadas tinha a obrigação de assisti-lo, pois na volta todos os amigos e conhecidos lhe cobravam descrições.

Hoje seria encarado como um drama erótico  soft, daqueles que nem sequer justificam uma proibição para menores de 18 anos.

Afora os nus que já não chocavam quase ninguém na década de 1970, o que impactava mesmo era a sodomização (simulada) de Maria Schneider por Marlon Brando, que recorre à manteiga como lubrificante.

Quanto o  Tango  foi finalmente liberado, em 1979, eu estava entre os primeiros a assisti-lo em São Paulo, numa sessão especial para críticos de cinema. Seu organizador não viu mal nenhum em levar o filho de uns 14 anos. Ao final, concordei com ele: nada havia sido mostrado que um moleque dessa faixa etária ignorasse.

Surpreendente mesmo foi a constatação de que o Tango era muito, muitíssimo maior do que a cena da manteira. Um arraso!

Logo após o suicídio da esposa, viúvo procura lar provisório, pois as lembranças o atormentam. Ao visitar um apartamento disponível, cruza com uma jovem que também o está avaliando. Depois de trocarem umas poucas palavras, fazem amor furiosamente.

Paul (Brando) aluga o apê e Jeanne (Schneider) passa a frequentá-lo para transarem e curtirem suas fantasias. Ele lhe impõe a regra de não revelarem seus nomes nem sua história.

Ela, portanto, não tem consciência do quanto a relação entre ambos está sendo determinada pelas dores e tormentos de Paul, inclusive no episódio da sodomia.

Quando, finalmente, ele sai da fossa e resolve iniciar um relacionamento convencional, quebra-se o encanto e Jeanne o repudia; o desfecho é trágico.

Impossível não nos comovermos com o sofrimento de Paul, um homem em parafuso, dilacerado (a performance de Brando é magnífica!); nem deixarmos de admirar a maestria com que o grande diretor italiano Bernardo Bertolucci retratou, em Jeanne, uma juventude frívola, superficial, disposta aos prazeres e até às humilhações sexuais, mas bloqueada para os sentimentos profundos.

E como a trilha musical jazzística de Gato Barbieri casou bem com o filme! Uma das melhores que eu conheço, tão superlativa quanto as do incrível Ennio Morricone.   

MEMÓRIAS DE UM CRÍTICO ACIDENTAL

Durante uns cinco anos, entre 1979 e 1984, atuei como crítico de cinema e de música em veículos de pouca expressão.

Mesmo ganhando pouco, é a fase da minha carreira profissional que me deixou as melhores recordações. Até como compensação, tinha liberdade para escrever o que queria, do jeito que queria. Repetindo o Jim Capaldi, "oh, how we danced!"...

Espelhava-me em pesos-pesados como Paulo Francis, Luiz Carlos Maciel e Rubem Biáfora, com quem aprendera a apreciar a arte com olhar independente, em vez de ser mais um a fazer oba-oba para os artistas e obras de que todo mundo gostava.

Isto me colocava na contramão de uma crítica que começava a funcionar apenas como fornecedora de subsídios para consumo, oferecendo aos leitores uma bula para eles decidirem se valia a pena ver determinado filme, comprar certo disco. Cheguei a escrever que se tratava, isto sim, de uma burla que se cometia com a arte.

A ficha me começou a cair quando assisti numa cabine a Alien, o Oitavo Passageiro, de Riddley Scott, ao lado dos maiores nomes da critica cinematográfica de São Paulo.

À saída, os medalhões travaram verdadeira competição para ver quem se lembrava de mais filmes antigos dos quais Scott chupara trechos. Demonstraram claramente ter considerado Alien uma colcha-de-retalhos e um lixo.

Qual não foi minha surpresa ao constatar, dias depois, que todos eles haviam feito média com o filme, permanecendo confortavelmente em cima do muro, nem sim, nem não, muito pelo contrário.

Perdi o pouco de respeito que ainda me inspiravam.

O 'PROMÍSCUO' ZEFIRELLI  

Outro episódio na mesma linha foi o ocorrido quando da coletiva que o diretor italiano Franco Zefirelli concedeu, ao lançar em São Paulo O Campeão. Antipatizei com o filme por ser um reforço dos valores familiares, uma guinada na direção do conservadorismo, depois de toda a efervescência da geração das flores.

Além disto, Zefirelli acabava de ser contratado a peso de ouro para montar uma ópera no Rio de Janeiro, embora, garantissem os expertos, houvesse muitos brasileiros que poderiam desempenhar melhor a função, recebendo bem menos.

Então, combinei com o colega do Diário Popular que, durante a entrevistas, jogaríamos o máximo de cascas de banana no caminho de Zefirelli.

Dito e feito. O italiano escorregou feio, chegando até a admitir que, ao contrário do moralismo piegas do seu filme, ele próprio era "promíscuo". E foi além no ridículo involuntário: "Mas, se todos fossem como eu, não existiria civilização".

Zefirelli assumiu que era "promíscuo"...
Em nossas matérias, não perdemos a oportunidade de espinafrar o conspícuo remanescente de Sodoma e Gomorra -- que, ademais, reconhecera não conceber os filmes seguindo suas convicções, mas sim com o calculismo de um homem de marketing.

Ou seja, ele procurava antecipar-se aos sentimentos e modismos que estariam em voga quando a película fosse lançada. É o que se depreende desta afirmação: "Não fiz Irmão Sol, Irmã Lua por ser franciscano, mas sim por ter percebido que a juventude estava entrando nessa onda e, logo, muita gente a seguiria..."

Mas, só nós dois registramos os maus momentos de Zefirelli. Os críticos realmente influentes omitiram suas bobagens e trataram de apenas levantar-lhe a bola, mantendo-se nas boas graças do sistema.

Eu, pelo contrário, nunca conciliei. Não hesitei em qualificar de irrelevante o Superman de 1978, com Marlon Brando. Aí, um diretor do poderoso Circuito Serrador fez questão de me entregar pessoalmente a permanente para ter livre acesso aos cinemas da empresa... com direito a um sermão sobre haver afastado espectadores do seu grande lançamento daquele ano. Não dei a mínima.

Já as farpas contra o O Franco-Atirador, de Michael Cimino, serviram para azedar também meu relacionamento com os mandachuvas do principal veículo em que escrevia, o semanário Fim-de-Semana.

Eles eram todos altos funcionários do jornal O Estado de S. Paulo (dizia-se até que não passaria de um veículo criado para descarregar impostos da empresa, apresentando perdas extremamente superfaturadas...) e, como tais, reacionários até a medula.

O franco-atirador: arte ou lavagem cerebral?
Ora, O Franco-Atirador, agraciado com vários Oscar, apresentava o conflito vietnamita na ótica calhorda de lamentar os traumas sofridos pelos soldados estadunidenses em contato com a barbárie dos asiáticos.

Ou seja, além de despejarem toneladas de napalm nos coitados, os estadunidenses ainda os satanizavam. Parecia a velha piada do brutamontes se queixando ao fracote de que havia machucado a mão ao esmurrar a cara dele.

Perdi aquela tribuna e não lamentei. "Canto eu vendo, não vendo é opinião", dizia uma velha música da era dos festivais.

INTIMIDAÇÃO DE CRÍTICOS  

Não pude, entretanto, deixar de lamentar o fato de haver indiretamente causado a demissão do crítico e cineasta Jairo Ferreira da Folha de S. Paulo, em outro episódio.

Naquele tempo, a nata dos cineastas engajados estava na órbita da estatal Embrafilme, cuja assessoria de imprensa passou a fazer uma espécie de lobby para intimidar críticos: cada vez que um deles lançava seu novo filme, todos os outros escreviam elogios extremados e desancavam de forma igualmente extremada quem ousasse discordar da excelência da película lançada.

Isto tudo vinha em luxuosos press-kits, cuidadosamente produzidos para embasbacar, amedrontar e, finalmente, cooptar os críticos.

O amigo Jairo Ferreira foi na minha cola e se deu mal...
Observei o fenômeno uma, duas vezes. Na terceira, fiz uma veemente denúncia. Contei como funcionava o esquema e escrevi que, mesmo correndo o risco de me indispor com os Glauberes e Nelsons Pereiras, iria discordar: aquele filme não prestava.

O amigo Jairo leu, gostou e resolveu bater na mesmíssima tecla.

Só que a Embrafilme despejava rios de dinheiro na Folha, com seus anúncios enormes e caríssimos. Então, por coincidência, uma semana depois ele foi demitido, a pretexto de que uma crítica sua, escrita para ser publicada no sábado, saíra só na segunda-feira, quando o filme já não estava em cartaz.

A editora da Ilustrada disse que não tinha sido avisada da urgência. Ele me garantiu que a alertara.

PARA ALÉM DA CRÍTICA DOMESTICADA  

De resto, a contribuição maior que eu tentei dar foi propor uma crítica que não se limitasse aos mexericos de estúdios a que o Rubens Ewald Filho conferia tanta importância (quem namorou com quem durante as filmagens, etc.) ou à abordagem puramente técnica.

Queria que o cinema fosse tratado como algo maior. Que os temas levantados pelos filmes também fossem discutidos e aprofundados, não apenas a maneira como estavam sendo apresentados. Que se confrontasse, p. ex., o filme e a obra literária do qual ele derivava. Ou o filme e o acontecimento histórico que ele retratava.

Ou o cinema nos desafia, ou não é nada.
Seria mais trabalhoso para os críticos mergulharem fundo em cada filme? Claro que seria. Mas, só assim daríamos aos espectadores subsídios para fluírem a arte em sua plenitude, como algo capaz de modificar e melhorar o ser humano.

A avaliação era do filósofo Herbert Marcuse, meu autor de cabeceira naquele tempo: a sociedade pós-industrial tenta domesticar a arte, transformando-a em entretenimento inócuo. Mas, a verdadeira arte será sempre um contraponto à realidade, servindo de ponte entre o que é e o que poderia ser. Cabe aos combatentes da utopia impedir que ela morra.

É claro que meu trabalho acabou sendo ignorado pela grande imprensa; e que, ao propor um enfoque diametralmente oposto ao que convinha ao sistema, queimei minhas chances de estabelecer-me como crítico. Acabei não conseguindo sequer sobreviver nessa área, sendo obrigado a trocá-la pelo - argh! - jornalismo econômico.

Mas, como nunca tive compromisso com o sucesso, faria tudo de novo. Afinal, disse Isaac Deutscher, há vitórias que nos aviltam e derrotas que nos dignificam.

Sendo essas as únicas opções, preferirei sempre as segundas.

RELAÇÃO COMPLETA DOS FILMES QUE VOCÊ PODE VER NESTE BLOGUE

Foi em outubro que comecei a abrir uma janela para filmes que são meus cults pessoais e poderiam interessar aos leitores deste blogue. 

O esquema é sempre o mesmo: uma introdução, seguida do próprio filme, completo, legendado (em português ou espanhol) ou dublado, conforme estiver disponibilizado no YouTube.

Meu objetivo foi o de tornar acessíveis as grandes obras do cinema que têm como foco a exploração do homem pelo homem, as mazelas sociais, a opressão e a repressão, o colonialismo, o racismo e outros preconceitos, as lutas libertárias, os direitos humanos, etc. 

E, claro, também se tratou de uma forma de eu matar as saudades da minha fase de crítico de cinema, sobre a qual falo um pouco no post seguinte.

Hoje, dos 71 filmes que disponibilizei, 62 continuam vivos no Youtube, podendo, portanto, ser assistidos por aqui. Eis a relação (clique no título p/ abrir o post respectivo):

Adeus, amigo 
Aguirre, a cólera dos deuses 
Allonsanfàn 
Átila, o huno 
Batalha de Argel, a 
Batismo de sangue 
Bye Bye Brasil 
Cecilia, la 
Chove sobre Santiago 
Cinco câmeras quebradas 
Deus e o diabo na terra do sol 
Dias de ira 
Dragão da maldade contra o santo guerreiro, o 
Encurralado 
Ensaio de orquestra 
Era uma vez no Oeste 
Estado de sítio 
Fahrenheit 451 
Fitzcarraldo 
Gandhi 
Giordano Bruno 
Górgona, a 
Helena de Tróia 
Homem da capa preta, o 
Hora e vez de Augusto Matraga, a 
Inconfidentes, os 
Inocência perdida 
Inspeção geral 
Jesus Christ superstar 
Jovem demais para morrer 
Keoma 
Lamarca 
Lúcio Flávio, o passageiro da agonia 
Marighella 
Memórias de um espião 
Meu nome é ninguém 
1900 (versão estendida)
Minha vontade é lei 
Moby Dick 
No 
No calor da noite 
No coração da montanha 
Noite em 1967, uma 
Noite vazia 
Nome da rosa, o 
Por uns dólares a mais 
Pra frente, Brasil 
Profecias do dr. Terror, as 
Quando explode a vingança 
Queimada 
Que sou nunca escondi, o 
Sagarana, o duelo 
Sala do suicídio 
Sete máscaras da morte, as 
Sétimo selo, o 
Soldado de laranja 
Terra em transe 
Três homens em conflito 
Treze dias que abalaram o mundo
Trinta anos esta noite 
Último tango em Paris, o 
Z 

Os nove que saíram do ar no Youtube, sem que até agora eu tenha encontrado outra forma de disponibilizar (mas, estarei sempre alerta, daí não ter deletado os respectivos posts), são estes:

Cão branco
Desejo final, o
Hannah Arendt
Melhor jogo da história, o 
Odisséia, a 
Pink Floyd - The wall 
Sacco e Vanzetti 
Salário do medo, o 
Sem destino

Para minha surpresa, um dos filmes para ver no blogue já alcançou o terceiro lugar em hits, dentre os mais de 2.500 posts que vocês encontram aqui. Daí eu o estar republicando, como curiosidade.

domingo, 31 de agosto de 2014

A VERSÃO DO CONDENADO NO TRIBUNAL DA VPR NÓS JÁ TEMOS. FALTA QUEM APRESENTE O "OUTRO LADO"...

Já pensaram nisto aqui com o triplo de público?! Pois é... 
A Bienal Internacional do Livro de São Paulo tinha gente saindo pelo ladrão neste sábado (30), véspera do encerramento. 

O espaço é insuficiente para um evento de tal porte; as ruas eram estreitas e a circulação, dificultada ainda mais pela existência de vários pontos de engarrafamento; os estandes não tinham número, embora os procurássemos pelo dito cujo que as editoras haviam anunciado e a imprensa publicado; o transporte gratuito a partir da estação do metrô não dava conta da demanda e a fila  foi se tornando quilométrica; minha esposa passou quase uma hora tentando adquirir ingresso, sua vez nunca chegava e ela acabou desistindo.... Enfim, foi o horror, o horror!

Como eu assumira o compromisso de estar presente para receber os visitantes juntamente com a Adriana Tanese Nogueira, aproveitei minhas prerrogativas de idoso para entrar com menos sufoco. Até chegar ao estande, contudo, sofri pisões, encontrões e atentados à minha paciência, que resistiu bravamente. Mas, quero ser mico de circo se colocarei o pé em qualquer edição futura, enquanto não a transferirem para local mais apropriado. O corvo disse: nunca mais!

A FAMÍLIA EM PRIMEIRO LUGAR

A luta foi heroica, mas isto não nos exime das autocríticas.
Dos veteranos da VPR, só estávamos lá eu e o Mário de Freitas. O Antônio Nogueira da Silva Filho deve ter-se perdido no pandemônio, pois ia para lá, mas lá não chegou  na hora prevista. Enfim, entre nossas lembranças e o que a Adriana apurou para escrever o livro Acorda, amor (vide aqui), deu para trocarmos muitas reminiscências. Nós, velhos guerreiros, adoramos uma boa hora da saudade...

Para fechar esta série, esclareço que o Nogueira, como aliado da VPR, participou em 1969 dos encaminhamentos para implantação de uma área de treinamento guerrilheiro em Goiás, onde, depois se decidiu, ele próprio deveria ser treinado para integrar a futura guerrilha.

Refletindo melhor, resolveu que a responsabilidade para com a esposa e três filhos vinha em primeiro lugar. Então, comunicou à VPR que não participaria da guerrilha, mas estava disposto a permanecer na área durante todo o período de treinamento, a fim de não se tornar um risco para a segurança do projeto. Quando a área perdesse a utilidade e fosse abandonada, ele se desligaria da Organização.

Por que sua sensata proposta não foi aceita? Provavelmente, porque a VPR já teria desistido da área em Goiás, preferindo a de Registro (SP), onde a rede de apoio estaria bem mais próxima. 

Então, a O. reagiu muito mal: simplesmente o submeteu a um tribunal revolucionário in absentia e dois dos juízes decidiram expulsá-lo, enquanto o terceiro, voto vencido, preferia o justiçamento

Tribunal revolucionário, quem merecia era o cabo Anselmo!
Todos os militantes receberam a ata do julgamento, da qual o Nogueira só tomou conhecimento por camaradagem do saudoso José Raimundo da Costa, o Moisés (segundo o condenado, o relato distorceu muito o que ocorrera, para o desqualificar e vilificar, erigindo-o em mau exemplo que ninguém deveria seguir).

ABANDONADO À PRÓPRIA SORTE

Pior: todos os que tinham contato orgânico com ele, foram orientados a não cobrirem os pontos. Os recados que o Nogueira deixou numa caixa de correio da VPR ficaram sem resposta. Nem mesmo da expulsão teria sido comunicado, caso não houvesse se encontrado casualmente com o Moisés. E nenhuma ajuda lhe foi dada para sair do Brasil, mesmo já sendo perseguido pela repressão.

[O mesmo tratamento recebeu Massafumi Yoshinaga quando se desligou da VPR. Embora sua passagem pela O. o tivesse tornado procuradíssimo pelo DOI-Codi, não recebeu nem auxílio financeiro, nem nenhuma ajuda para deixar o País, acabando por se tornar praticamente um mendigo a dormir nas barracas do Mercado Municipal. Isto em muito contribuiu para sua decisão de entregar-se e servir como trunfo propagandístico para a ditadura.]

Também com o Bacuri (Eduardo Leite) o Nogueira cruzou, recebendo outras informações chocantes sobre o julgamento. Explica-se: por mais que isto fosse desaconselhável e perigoso, acostumávamo-nos a marcar os pontos em certos locais da cidade, então um descontatado às vezes reencontrava por aí o fio da meada.

Com muita dificuldade, o Nogueira acabou conseguindo deixar o país e juntar-se à família na Itália. Também sem conhecimento da O., o Moisés lhe cedeu um passaporte em branco, para facilitar sua fuga. 

REVOLUCIONÁRIOS OU AVESTRUZES?

O Projeto Orvil (o chamado livro negro da repressão, montado com as informações dos inquéritos policiais-militares e com aqueles  arquivos secretos dos torturadores que só o governo não consegue achar... ) aponta como juízes do tribunal revolucionário o Carlos Alberto Soares de Freitas, o Ladislau Dowbor... e eu! 

O primeiro foi assassinado pelos gorilas em 1971; o Ladislau hoje é um doutor em Ciências Econômicas que se distanciou por completo do seu passado de militante e dirigente revolucionário; e, na última vez que tive notícias daquele que Nogueira considera o principal responsável por sua desgraça, o Mário Japa (Chizuo Osava), ele estava casado com a Maria do Carmo Brito, morava no RJ e era correspondente de uma agência noticiosa estrangeira.

O lançamento de Acorda, amor dá, aos que podem apresentar o outro lado deste episódio, uma boa oportunidade para o fazerem. Afinal, 45 anos depois, só o que nos resta é contribuirmos para que a História registre a versão correta dos acontecimentos, doa a quem doer (inclusive a nós mesmos, se for o caso). A verdade é revolucionária!!! 

Eu, p. ex., detesto ser envolvido num episódio do qual não participei e nem sequer tomei conhecimento na época. Dos três juízes --ninguém garante que os outros dois nomes não sejam igualmente incorretos-- os que porventura estejam vivos poderiam muito bem dar-se a conhecer, assumindo o papel que representaram e o justificando ou por ele se desculpando. O Chizuo, idem. 

sábado, 30 de agosto de 2014

UM ESPECTRO RONDA O BRASIL: O ESPECTRO DO MARINISMO.

A rapidez com que a candidatura presidencial de Marina Silva deslanchou, além de deixar aparvalhados petistas e tucanos, impôs aos analistas o desafio de decifrarem a nova esfinge da política brasileira, que está devorando todas as suas certezas de antes do fatídico 13 de agosto.

Despretensiosamente, alinhavei trechos dos últimos artigos de colunistas que, no meu entender, abordaram aspectos interessantes da questão. Os meus comentários vêm em vermelho.

Valem pelo que valem: ajudam-nos a refletir sobre um fenômeno novo. Neste sentido, não dei bola para o fato de que dois deles costumeiramente são satanizados em certas tribunas da esquerda. Como se dizia antigamente, até um relógio quebrado marca a hora certa duas vezes ao dia...

DESENVOLVIMENTISMO x SUSTENTABILIDADE

A expectativa de segundo turno entre duas mulheres, uma ex-gerentona neopetista e uma evangélica ex-petista, ambas bravas e autoritárias, promete boas emoções. Vai sair faísca.

Duas mulheres, duas histórias diferentes. Dilma Rousseff vem da classe média de Minas e entrou pela porta da frente em bons colégios católicos. Marina Silva emergiu da miséria no Acre e chegou pela porta dos fundos: esfregava chãos e lavava banheiros das freiras para ter direito às aulas.

Dilma vem da resistência armada à ditadura, era do PDT e virou presidente pelo PT. Marina nasceu com a bandeira do meio ambiente, cresceu no PT, fez fama nacional no PV, tentou sem sucesso criar a Rede e acabou candidata a derrotar Dilma pelo PSB. Ou seja: Marina, muito mais petista de raiz do que a neófita Dilma, se tornou a maior ameaça à continuidade do PT no Planalto.

Dilma e Marina conviveram no PT e no ministério do primeiro governo Lula. Foi aí que a encrenca começou. As duas encarnaram uma guerra entre "desenvolvimentismo" e "sustentabilidade" e disputaram não só espaço e poder interno, mas as graças do ídolo Lula. Dilma venceu todas, e Marina deixou o governo, o lulismo e o PT. Ganhou vida própria. E assombra os petistas. (Eliane Cantanhêde, em sua coluna de 29/08 na Folha de S. Paulo - clique aqui para ler a íntegra) 

É algo geralmente omitido pelos detratores de Marina, obcecados em desconstruí-la a qualquer preço e com quaisquer métodos: a acriana tem muito mais cara de PT do que a mineira. E ela leva vantagem também em termos de trajetória política, pois se lançou com bandeiras ecológicas (importantíssimas quando a própria sobrevivência da espécie humana está ameaçada pela ganância capitalista) e se mantém fiel a elas até hoje

Dilma, pelo contrário, lutava pela justiça social no tempo da guerrilha e depois se tornou (argh!) desenvolvimentista. Chegou ao cúmulo de apresentar como seu sonho dourado a transformação do Brasil num país de classe média (argh de novo!). Para quem se mantém essencialmente nos marcos do marxismo e do anarquismo, como eu, sua degringola ideológica é chocante: de Che Guevara para Juscelino Kubitschek!

Enquanto for Dilma a candidata do PT, não tenho dúvida nenhuma em afirmar que quem melhor representa a esquerda no embate é Marina. Se os petistas tomarem a única providência que parece oferecer-lhes possibilidade de salvação, tornando Lula candidato, aí a coisa mudará de figura. 

DOIS PARADIGMAS SERÃO QUEBRADOS?

O dado mais relevante da pesquisa Datafolha realizada nos dias 28 e 29 de agosto é a consolidação, neste momento, de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) como as primeiras colocadas na disputa presidencial. Elas estão empatadas com 34% de intenções de voto cada uma.

Nunca nas eleições diretas para presidente da República pós-ditadura militar, nesta fase da campanha, os dois protagonistas isolados foram de partidos cujas origens estão na esquerda do espectro político.

A eleição é em 5 de outubro. Restam pouco mais de 30 dias para uma reversão do quadro. Se isso não ocorrer, pela primeira vez o Brasil não terá um legítimo representante do centro ou da direita entre os dois finalistas na disputa presidencial. (Fernando Rodrigues, em sua coluna de 30/08 na Folha de S. Paulo - clique aqui para ler a íntegra) 

Não excluo a possibilidade de que a decisão ainda venha a ser entre esquerda e direita, como previ no dia do acidente com o jatinho de Eduardo Campos. O meu prognóstico se baseou exatamente no fato de que tem sido esta a tônica desde a redemocratização.

Caso o PT insista em perder com Dilma, sua candidatura ainda pode descer ladeira abaixo com velocidade suficiente para Aécio Neves a ultrapassar na reta de chegada.

Mas, a aposta mais sensata, neste momento, é mesmo na quebra deste paradigma, e também de outro: nunca o 2º turno foi disputado por duas mulheres.

GERENTONAS x ESTADISTAS

No Brasil, os eleitores procuram administradores, gerentes, quando se trata de disputas municipais e estaduais. Nas eleições presidenciais, contudo, buscam a personificação de uma utopia possível. FHC e Lula chegaram ao Planalto nas asas de grandes ambições. Hoje, é Marina quem aparece como a representação de uma ruptura profunda.

A utopia associada a FHC pode ser sintetizada pelas ideias de estabilização e modernização. Desde o segundo mandato tucano, porém, o PSDB abandonou a trilha das reformas e, sob o fogo da crítica petista, borrou o horizonte utópico com as cores cinzentas da "capacidade gerencial"... 

A utopia associada a Lula pode ser sintetizada pelas ideias de igualdade e justiça social. Inflado pelos ventos de popa da economia mundial, o potencial utópico do lulopetismo durou um mandato mais que o dos tucanos, mas encerrou-se no quadriênio de Dilma Rousseff. As suas reformas sociais praticamente esgotaram-se nas políticas de crédito e transferência de renda que ajudaram a estimular o boom de consumo popular. 

Hoje, num sentido fundamental, o PT converteu-se na nova Arena: o partido cuja força emana do controle da máquina pública. O mapa das intenções de voto na candidata-presidente evidencia a regressão política do partido que traçou seu caminho para o poder entre os eleitores de alta e média escolaridade dos grandes centros urbanos. 

Marina aparece como representação da terceira utopia, tão nitidamente expressa nas Jornadas de Junho de 2013...  (Demétrio Magnoli, em sua coluna de 30/08 na Folha de S. Paulo - clique aqui para ler a íntegra)

Eu já havia escrito algo bem próximo: que o PT está repetindo a trajetória do PMDB e do PSDB, partidos que começaram à esquerda e foram se descaracterizando cada vez mais, o primeiro se tornando uma agremiação meramente fisiológica e o segundo, o mais conspícuo representante da direita brasileira.

O PT ainda não chegou lá, claro, mas é para onde se encaminha, com o cada vez mais acentuado abandono das bandeiras revolucionárias, trocadas por um reformismo tão tímido que nem Eduard Bernstein aplaudiria. 

E, por já não ter quase nada a oferecer ao eleitorado dos grandes centros urbanos, seu celeiro de votos serão, cada vez mais, os pequenos e médios municípios, e principalmente os das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Enquanto isto, sua influência tende a continuar diminuindo no Sudeste (responsável por 55,4% do PIB) e Sul (16,2%). Mas, suponho, não a ponto de se tornar um partido dos grotões, como o PDS (sucessor da Arena) nos seus estertores...

Outro ponto em que concordo inteiramente com Magnoli: as jornadas de junho de 2013 foram um divisor de águas, com os manifestantes de rua retomando o protagonismo político depois de uma década de pasmaceira, durante a qual os movimentos sociais  não só superestimaram a importância do poder político (cada vez mais avassalado ao poder econômico), como a própria disposição do PT em tentar concretizar as transformações profundas de que o Brasil desesperadamente carece.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

SÁBADO, NA BIENAL: O TRIBUTO DE UMA FILHA CUJO PAI FOI SUBMETIDO A TRIBUNAL REVOLUCIONÁRIO.

Quando Adriana Tanese Nogueira começou a escrever um livro sobre a corajosa ajuda que seu pai prestou à Vanguarda Popular Revolucionária no pior momento da ditadura militar, o preço que ele pagou por sua disposição sincera de contribuir para a resistência e como sua desdita afetou os entes queridos, era natural que me contatasse, pois os sites ultradireitistas me citavam como um dos três membros do tribunal revolucionário que julgou Antônio Silva Nogueira Filho, juntamente com Ladislas Dowbor e Carlos Alberto Soares de Freitas.

Era falso. Eu não chegara sequer a ser informado do episódio, que certamente foi encaminhado em nível de Comando Nacional, já que nunca veio à baila nas reuniões do Comando Estadual de São Paulo, do qual eu fazia parte.

Foi só em 2004 ou 2005 que, dando uma olhada no que aparecia quando teclava meu nome na busca do Google, fiquei sabendo que me imputavam tal papel.  E não estranhei, porque os Ternumas da vida também me davam como autor de um comunicado da VPR que jamais redigi --para minha irritação, pois não só era mentiroso, como pessimamente escrito, com erros que nem no ginásio eu cometia. 

Expliquei à Adriana que a rede virtual fascista era abastecida com informações dos órgãos de repressão --os tais arquivos secretos que o governo nunca foi capaz de localizar. Evidentemente, os torturadores conservaram consigo boa parte dos registros emporcalhados de sangue de interrogatórios dos DOI-Codi's, Dops, etc., utilizando-os depois para produzirem a interpretação inquisitorial da História

E, como era mais cômodo para os torturados confirmarem as suposições dos torturadores quando se tratava de assunto de menor importância, alguém deve ter relacionado meu nome ao tal julgamento, ou por não saber quem realmente dele participou, ou porque não quisesse identificar os reais participantes.

Abri portas e indiquei caminhos para que a Adriana pudesse levar a bom termo sua empreitada, superando a dificuldade natural de tentar apurar, desde os EUA, algo que aconteceu aqui. E acompanhei, durante certo tempo, seu labor de ir escrevendo e tornando pública sua obra, capítulo por capítulo, num blogue que criou.especialmente para tal finalidade.

Depois, o Caso Battisti me absorveu tanto que perdi o hábito de visitar o blogue dela. Daí a minha agradável surpresa com o livro resultante, de 740 páginas, dividido em dois volumes: Acorda, amor (Editora Biblioteca 24 horas, 2014), que será lançado na Bienal Internacional do Livro amanhã (sábado, 30), entre 12 e 14 horas, no estande F698.

Como passei a vida inteira tentando melhorar minha carpintaria de textos, é sempre gratificante para mim ler obras com narrativa fluente e empolgante como a da Adriana, cuja formação psicanalítica ajuda muito a desenvolver o lado humano dos personagens. Infelizmente, muitos livros sobre os anos de chumbo são áridos e de difícil compreensão para os leigos, afugentando leitores.

Conheço bem demais as agruras e sofrimento das famílias dos que lutamos contra a ditadura, então este lado de Acorda, amor não me surpreendeu. Mas, a dramaticidade e o horror de certas situações deverá calar fundo em quem veio depois de nós e não está familiarizado com tais vias crucis.
Eremias: retalhado com 35 tiros.

Para mim, são lembranças dolorosas. Não gosto nem de pensar que meus saudosos pais foram despertados de madrugada por uma avalanche de bárbaros que, depois de virarem a casa do avesso, ainda tiveram a petulância de pedir que me aconselhassem a rendição, pois só com a ajuda deles eu escaparia com vida. Meu pai, homem que nunca gostou de correr riscos desnecessários, daquela vez não se conteve: "E é para ajudar meu filho que vocês estão aqui com toda essa artilharia pesada?". Quase o levaram preso.

Assim como foi intimidado o pai do meu amigo e companheiro Eremias Delizoicov, retalhado com 35 balaços pelos gorilas da PE da Vila Militar, aos 18 anos de idade (vide aqui). Como a imprensa noticiara inicialmente a morte de outro militante --a repressão só conseguiu identificá-lo pelas digitais, a tal ponto o havia desfigurado!--, o pobre homem ansiava desesperadamente por ver o corpo e tirar dúvidas. 

Até isto lhe foi negado; ameaçaram-no de prisão, se insistisse, Como consequência, o velho casal continuou alimentando por muito tempo a esperança de que o falecido fosse mesmo José Araujo Nobrega, e não seu amado filho. Duas vezes passei horas ouvindo pacientemente suas hipóteses fantasiosas, sem saber se seria melhor desmenti-las ou deixá-los sonhando que o Eremias estaria são e salvo no exterior. 

UM EPISÓDIO CONSTRANGEDOR, MAS QUE DEVE
SER CONHECIDO, POIS DEIXOU LIÇÕES VALIOSAS.

Então, o que mais me interessou no livro foi mesmo a parte referente ao tribunal revolucionário. Para não estragar o prazer dos possíveis leitores, evitarei antecipar o desfecho (podem continuar lendo sem receios...).
A lição de Rosa: "A verdade é revolucionária".

Apenas informarei que Adriana, como eu, não vilifica quem cometeu erros em circunstâncias tão extremas. Como eu, ela ressalta a justeza da luta e tenta compreender quem foi zeloso demais ou traído pelos nervos.

Esforçávamo-nos  para manter a chama acesa apesar da extrema desigualdade de forças. Não havia semana em que não ficássemos sabendo da morte ou prisão (leia-se torturas bestiais) de companheiros próximos ou, mesmo distantes, igualmente estimados. As confissões arrancadas a ferro e fogo, bem como a faina incansável de espiões, faziam nossos melhores projetos ruírem como castelos de cartas. Por mais que tentássemos nos iludir, lá no fundo percebíamos que nos encaminhávamos para a derrota e, provavelmente, para a morte.

Neste contexto, aliado que manifestasse o desejo de sair da Organização era logo visto como um traidor em potencial. Se já não acreditava na causa, como conseguiria resistir às torturas? Se estaria descontatado, quanto tempo levaria para sua eventual prisão chegar ao conhecimento da O.? Quantos prejuízos ele poderia causar nesse intervalo, antes de as medidas defensivas começarem a ser tomadas?

Recuso-me a acreditar que qualquer um dos meus companheiros --aqueles seres humanos capazes de assumir riscos tão extremos em nome de ideais generosos e solidários!-- raciocinasse, cinicamente, que "o Nogueira nada fez de errado, mas só ficaremos tranquilos quando ele se tornar um arquivo morto".

Contudo, em meio à compreensível paranoia que grassava entre nós (espiões existiam sim, começando pelo cabo Anselmo), alguém deixou a imaginação correr solta e acabou tomando vagas suspeitas como provas irrefutáveis de que o Nogueira  estaria trocando de lado. E um tribunal revolucionário acabou sendo constituído.

Por último: o episódio encerra muitas lições valiosas para todos os que travam o bom combate, no sentido de que tais erros jamais sejam cometidos novamente. Então, mesmo sendo constrangedor para nós, deve ser encarado e discutido, sem medo do uso demagógico que os detratores da luta armada possam dele fazer.

Temos de ser melhores do que essa gente, guiando-nos pela afirmação lapidar de Rosa Luxemburgo: "A verdade é revolucionária". O outro lado tudo faz para esconder seus esqueletos nos armários --e eles eram tantos, e foi tão terrível o martírio infligido a nossos companheiros! Cabe-nos mostrar que também nisto somos infinitamente superiores a eles, em termos morais.

Não há equivalência ou igualação possível entre a regra e a exceção. Nem motivo para escondermos debaixo do tapete o que ocorreu, mas gostaríamos que não tivesse ocorrido. Nenhuma luta de resistência à tirania é isenta de enganos e excessos, mas estes devem ser avaliados com pesos diferentes: os idealistas têm direito à compreensão, enquanto os déspotas e seus esbirros só merecem o opróbrio.

"...nós, que queríamos preparar o terreno para a amizade, não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos. Mas vocês, quando chegar o tempo em que o homem seja amigo do homem, pensem em nós com um pouco de compreensão." (Brecht)

DEPOIMENTO DA AUTORA
"VOU ABRIR A MINHA VOZ E CONTAR MINHA VERDADE. 
NÃO QUERO MANTER ESCONDIDA UMA PARTE DE MIM" 

"Um dia saiu um artigo sobre mim num jornal local [ela mora e trabalha nos EUA]. No final de minha apresentação, após citar as minhas diversas atividades, o jornalista deu algumas referências biográficas. Quando li o artigo meu coração descompassou. Foi citada uma frase que eu mesma escrevi: 'Filha de mãe italiana imigrante e de pai brasileiro revolucionário', acrescentada pela informação que meu pai pertencia ao grupo de Carlos Lamarca.
Adriana: nada do que se envergonhar.

Gelei. Sim, eu tinha dito isso, mas uma coisa é você comentar uma coisa dessas com alguém, outra é você ler suas palavras numa folha de jornal. Senti-me exposta. Fiquei com medo. Mas dissimulei comigo mesma. Estava acostumada a deixar passar, disfarçar, conviver com a história colocando-a de lado.

Ao longo daquele dia, pensamentos soltos atravessaram minha mente. Aquela era uma referência histórica, algo conhecido que explicitamente revelava a atividade política de meu pai no passado. No passado.

Mas será que era passado? Não na minha alma. O medo, que por tanto tempo dominou nossas vidas e que estava aparentemente esquecido e sonolento num canto, acordou. Apesar de ter tentado 'não pensar' o dia todo e 'racionalizar', passei a noite assustadíssima. Não consegui dormir e tive um pesadelo.

Eu vou contar essa história porque não quero viver sob o constrangimento da vergonha. Uma história que me provoca pesadelos quarenta anos depois é uma história que precisa ser contada. Quero regurgitar o que vivemos, devolver ao mundo o que ao mundo pertence. Não vou deixar essa experiência trancada dentro do peito, no cárcere da dúvida e do ridículo. Não vou ser cúmplice do sistema que demonizou os que contra ele resistiram, apesar do absurdo desequilíbrio de forças.

Vou contar essa história para levantar uma bandeira contra a avalanche massificadora da crença que sustenta que bom é quem sabe 'se dar bem'. Bom é o individualista, o puxassaquista, o que encontrou um nicho em meio ao lixo cultural e moral no qual vivemos e venceu a vida por entorpecimento do cérebro e do coração. Não quero e não vou apoiar a crença que bom é o marqueteiro, o espertalhão, o flibusteiro. A isso se reduziu boa parte do ideal social do país. Não o meu. Nem hoje nem amanhã.

O Brasil está ainda tomado pela mentalidade promovida e fortalecida pela ditadura. Nela, os valores estão todos invertidos. Os que assumiram a resistência a um regime opressor são 'terroristas', os que massacraram corpos, amputaram braços e torturaram jovens e adultos, mulheres e homens são anistiados. E a impunidade reina soberana.

Vou abrir minha voz e cantar minha verdade. Não quero manter escondida uma parte de mim, minhas raízes, aquele meu começo que produziu tantas consequências importantes. Tantas coisas das quais tenho orgulho. Não vou respirar da núvem tóxica do esquecimento coletivo, tão infantil quanto míope. Não há nada do que se envergonhar, a não ser da crueldade cometida.

Para mim, que trabalho com humanização, não tem como deixar de trazer à luz as origens do meu interesse vital em humanizar o mundo. Não quero mais esconder quem sou, quem somos e por que somos o que somos. Porque é assim que tivemos que viver por todo esse tempo".

SERVIÇO
O QUE: lançamento do livro Acorda, amor (Desaventuras de uma família e de seu país)
QUANDO: sábado, 30 de agosto de 2014
HORÁRIO: das 12 às 14 horas
ONDE: estande F698 da Bienal Internacional do Livro de São Paulo 
QUEM: Adriana Tanese Nogueira, autora (estará presente Celso Lungaretti, veterano da luta armada)
LANÇAMENTO COMPLEMENTAR: livro infantil O flamingo e os pombos
MARCAÇÃO DE ENTREVISTAS / MAIS INFORMAÇÕES: aqui e aqui

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

SÁBADO, NA BIENAL, UM LANÇAMENTO IMPERDÍVEL: A VIA CRUCIS PESSOAL E FAMILIAR DO ALIADO QUE A VPR SUBMETEU A TRIBUNAL REVOLUCIONÁRIO.

Um episódio dramático e pouco conhecido da resistência à ditadura militar é resgatado no livro Acorda, amor, que Adriana Tanese Nogueira --psicanalista e criadora/coordenadora da ONG Amigos do Parto-- estará lançando neste sábado (30), das 12 às 14 horas, no estande F698 da Bienal Internacional do Livro.

Adriana é filha de Antonio Nogueira da Silva Filho, aliado da Vanguarda Popular Revolucionária que foi submetido a um tribunal revolucionário sob acusações vagas. A via crucis pessoal e familiar está exposta, com rigor histórico e narrativa empolgante, no livro que Adriana foi criando, capítulo por capítulo, num site que lançou especialmente para esta empreitada, tendo depois o material sido reunido nos dois volumes de Acorda, amor (Editora Biblioteca 24 horas, 2014, vol. 1 com 338 pag. e vendido por R$ 63,12, vol. 2 com 402 pag. e preço de R$ 72,08). Na ocasião, a autora também estará autografando o livro infantil O flamingo e os pombos, que escreveu junto com sua filha.

Eis seu depoimento sobre como nasceu o projeto: 
"Um dia saiu um artigo sobre mim num jornal local [ela mora e trabalha nos EUA]. No final de minha apresentação, após citar as minhas diversas atividades, o jornalista deu algumas referências biográficas. Quando li o artigo meu coração descompassou. Foi citada uma frase que eu mesma escrevi: 'Filha de mãe italiana imigrante e de pai brasileiro revolucionário', acrescentada pela informação que meu pai pertencia ao grupo de Carlos Lamarca.
 Gelei. Sim, eu tinha dito isso, mas uma coisa é você comentar uma coisa dessas com alguém, outra é você ler suas palavras numa folha de jornal. Senti-me exposta. Fiquei com medo. Mas dissimulei comigo mesma. Estava acostumada a deixar passar, disfarçar, conviver com a história colocando-a de lado.
Ao longo daquele dia, pensamentos soltos atravessaram minha mente. Aquela era uma referência histórica, algo conhecido que explicitamente revelava a atividade política de meu pai no passado. No passado.
Mas será que era passado? Não na minha alma. O medo, que por tanto tempo dominou nossas vidas e que estava aparentemente esquecido e sonolento num canto, acordou. Apesar de ter tentado 'não pensar' o dia todo e 'racionalizar', passei a noite assustadíssima. Não consegui dormir e tive um pesadelo.
Eu vou contar essa história porque não quero viver sob o constrangimento da vergonha. Uma história que me provoca pesadelos quarenta anos depois é uma história que precisa ser contada. Quero regurgitar o que vivemos, devolver ao mundo o que ao mundo pertence. Não vou deixar essa experiência trancada dentro do peito, no cárcere da dúvida e do ridículo. Não vou ser cúmplice do sistema que demonizou os que contra ele resistiram, apesar do absurdo desequilíbrio de forças.
Vou contar essa história para levantar uma bandeira contra a avalanche massificadora da crença que sustenta que bom é quem sabe 'se dar bem'. Bom é o individualista, o puxassaquista, o que encontrou um nicho em meio ao lixo cultural e moral no qual vivemos e venceu a vida por entorpecimento do cérebro e do coração. Não quero e não vou apoiar a crença que bom é o marqueteiro, o espertalhão, o flibusteiro. A isso se reduziu boa parte do ideal social do país. Não o meu. Nem hoje nem amanhã.
O Brasil está ainda tomado pela mentalidade promovida e fortalecida pela ditadura. Nela, os valores estão todos invertidos. Os que assumiram a resistência a um regime opressor são 'terroristas', os que massacraram corpos, amputaram braços e torturaram jovens e adultos, mulheres e homens são anistiados. E a impunidade reina soberana.
Vou abrir minha voz e cantar minha verdade. Não quero manter escondida uma parte de mim, minhas raízes, aquele meu começo que produziu tantas consequências importantes. Tantas coisas das quais tenho orgulho. Não vou respirar da núvem tóxica do esquecimento coletivo, tão infantil quanto míope. Não há nada do que se envergonhar, a não ser da crueldade cometida.
Para mim, que trabalho com humanização, não tem como deixar de trazer à luz as origens do meu interesse vital em humanizar o mundo. Não quero mais esconder quem sou, quem somos e por que somos o que somos. Porque é assim que tivemos que viver por todo esse tempo".
Imperdível. Terei prazer em receber os companheiros e amigos ao lado da Adriana, com quem travei conhecimento quando ela recolhia informações sobre a VPR, e a quem aprendi a admirar intensamente.
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