sexta-feira, 18 de abril de 2014

MEU JESUS É O QUE ANDAVA SOBRE AS ÁGUAS

Hoje não tem artigo, crônica ou crítica. Tem música.

E é uma canção belíssima: La Saeta. Fiquei arrepiado ao escutá-la pela primeira vez, na voz do nosso Fagner, em dueto (ouça-o aqui) com o autor Joan Manuel Serrat -outro extraordinário cantor/compositor catalão, a exemplo de Lluís Llach.

Talvez porque, desde meus verdes anos, sempre me incomodasse a opulência do catolicismo oficial -- aquele dos altares, das procissões, da Inquisição e das  Redentoras.

Com o tempo aprendi que não era esse o verdadeiro legado de Jesus Cristo, mas sim uma mensagem de esperança para os pobres, os humildes, os fracos, os desprotegidos, os injustiçados e os excluídos da Judeia -como destaca o douto estudioso de religiões Reza Aslan numa das exegeses mais importantes e consistentes já produzidas sobre os evangelhos, Zelota (leia uma boa reportagem aqui).

Também mexeu muito comigo a tese levantada por um dos pais da contracultura, Norman O. Brown, em seu clássico absoluto, Vida contra morte (1959): a de que o pecado cometido pela humanidade contra o Pai já foi purgado por milênios de calvário, sendo chegada a hora de resgatarmos a promessa de liberdade e plenitude que o Filho trazia e foi escamoteada por visões religiosas que preferem enfatizar os horrores da crucificação, para tanger seus rebanhos ao conformismo.

Tudo a ver com esta canção que, comparando o calvário longínquo de Jesus ao calvário permanente dos ciganos, é uma altaneira negação do Cristo dos crucifixos (sois pecadores, arrependei-vos!) para afirmar o que andava sobre as águas (tudo podeis, libertai-vos!).

Eis a letra completa de La Saeta:

Dijo una voz popular:
¿Quién me presta una escalera
para subir al madero
para quitarle los clavos
a Jesús el Nazareno?

Oh, la saeta, el cantar
al Cristo de los gitanos
siempre con sangre en las manos,
siempre por desenclavar.

Cantar del pueblo andaluz
que todas las primaveras
anda pidiendo escaleras
para subir a la cruz.

Cantar de la tierra mía
que echa flores
al Jesús de la agonía
y es la fe de mis mayores.

¡Oh, no eres tú mi cantar
no puedo cantar, ni quiero
a este Jesús del madero
sino al que anduvo en la mar!

E aqui, a interpretação mais empolgante que dela encontrei no Youtube:

quinta-feira, 17 de abril de 2014

CABEÇA DE PAPEL

Passada a fase da tortura propriamente dita --que para mim coincidiu com a de incomunicabilidade, fiquei sem receber visita de parente ou de advogado, sem sequer a certeza de que não seria assassinado, até o 75º dia de prisão--, começava a de outra tortura, esta involuntária, que os militares infligiam a nós, presos políticos: a de termos de  suportar seu exibicionismo pueril.

Levando uma rotina tediosa, velhos sargentos adoravam ter ouvintes compulsórios de seus  causos  e bravatas.

Éramos obrigados a escutá-los sem manifestar desagrado, sob pena de sermos privados de pequenas mercês, como um reforço no  bandejão  para recuperarmos os muitos quilos perdidos na etapa da pancadaria, da qual saíamos bem mais magros do que entráramos [meus pais ficaram horrorizados quando me visitaram pela primeira vez, anos depois me contaram que eu parecia um daqueles prisioneiros esqueléticos dos campos de concentração nazistas...].

Na Polícia do Exército da Vila Militar (RJ), cansei de escutar o relato das indignidades a que eles haviam submetido Caetano Veloso e Gilberto Gil. Não lhes perdoavam a fragilidade, comparada ao comportamento mais firme dos militantes. E se orgulhavam, p. ex., de terem arrancado lágrimas de um deles ao tosar-lhe a cabeleira, por pura maldade.

Tal machismo de colegiais, aliás, também se evidenciou nas constantes zombarias e insultos de que era alvo, na PE de São Paulo, um sargento de ascendência nipônica, encarcerado por covardia diante do inimigo.

O pobre coitado transportava víveres para as tropas durante a Operação Registro --o cerco do qual o comandante Carlos Lamarca escapou à frente de um pequeno grupo de companheiros que treinavam guerrilha, em abril de 1970--, quando foi dominado pelos fugitivos.

O resto o sargento Kondo me contou quando não havia oficiais o azucrinando:
"Eu estava só com  recos  [recrutas] inexperientes. Eles nos renderam e obrigaram a transportá-los, no nosso caminhão, para fora do cerco. Disseram que nos matariam se não colaborássemos. Então, passamos as barreiras calados, sim. E por isso estou aqui vivo. É melhor aguentar ofensas do que morrer".
Quem o colocou na berlinda, espalhando aos quatro ventos que Lamarca só escapara por culpa dele, foi o repulsivo coronel Erasmo Dias. Os que o vinham atormentar, atiravam-lhe na cara: "Vergonha da farda!". 

Acabou servindo, claro, como o principal bode expiatório do fracasso da operação que mobilizou inutilmente milhares de militares. Se bem me lembro, ficou preso por algum tempo e depois foi expulso do Exército.

Mas, tudo isto foi introdução, para os leitores perceberem as circunstâncias em que ouvi um relato terrível, que até hoje não sei se foi  papo furado  ou se referia a um acontecimento verídico.

Aconteceu de uma patrulha militar surpreender, à noite, um estuprador de menor em ação. Foi levado ao quartel e deveria, evidentemente, ser entregue às autoridades civis.

O oficial que estava de guarda, entretanto, preferiu outra solução.

Mandou que batessem no detido com palmatória, na sola do pé; que o forçassem a correr; e foram repetindo esse tratamento até ele não aguentar nem andar e ter de ser arrastado pelos soldados.

Só então o encaminharam à delegacia. E, claro, os policiais não registraram em lugar nenhum as condições deploráveis em que receberam o prisioneiro. O Exército era todo poderoso.

Isto teria causado a gangrena e morte do estuprador, exatamente como o oficial previra.

Nunca consegui esclarecer se é ou não possível assassinar-se alguém desta maneira. Mas, o  sargentão  contou essa história para seus subalternos aparentando sinceridade e mostrando admiração pelo superior que teria dado a ordem macabra. Eu só escutei, enojado.

Talvez os leitores com conhecimentos de medicina possam lançar algumas luzes.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

OUTRO 16 DE ABRIL

Júlio chega à praça Saens Peña às 6h38 do dia 16 de abril de 1970.

É uma fase de arbítrio e intolerância. Os partidos e organizações que ousaram pegar em armas para resistir à ditadura militar pagam um preço bem alto: as notícias de prisão e morte de militantes são praticamente diárias. Há indícios de melhora da situação econômica do País.

Ele veio de ônibus, calculando que daria tempo. Deu. O ponto com o Ivo e os dois simpatizantes está marcado para as 6h45.

Outro motivo para ter optado pelo ônibus é a certeza de que o coletivo estaria quase vazio nesse horário. Ótimo para quem precisa tomar cuidado com o revólver que traz na cintura, encoberto pela camisa folgada, que usa fora da calça.

Nesta manhã de quinta-feira Júlio não tem outros compromissos. Baterá um rápido papo com os simpatizantes que Ivo vai lhe passar e pronto! Estará livre para voltar ao quarto que aluga na casa de uma simpática velhinha do Rio Comprido (ótima cobertura, nada de fichas para preencher, nada que possa atrair atenções indesejáveis).

Para manter a fachada de vendedor, às vezes ele é obrigado a ficar matando tempo pela cidade mesmo quando não tem nenhuma tarefa da Organização para cumprir. Nesta semana, entretanto, ele disse à Dª Chica que ganhou alguns dias de folga.

Como os dois comandantes de unidades de combate foram convocados pelo Lamarca para uma reunião de emergência na área guerrilheira, não há muito para um comandante de Inteligência fazer.

Assim, Júlio tratou de arrumar uma desculpa para manter horários mais flexíveis. E, como vantagem adicional, pôde sair à paisana, sem o terno desconfortável para o clima carioca nem a pasta 007 em que costuma levar o seu .38 e uma caixa de balas.

Esteve com Ivo na véspera, num restaurante da avenida Nossa Senhora de Copacabana. Encaminharam algumas tarefas, discutiram novidades, fizeram avaliações políticas. Sempre bem informado, Ivo ajuda Júlio a montar suas análises da situação.

O jovem comandante dá alguns detalhes de bastidores que lhe foram transmitidos por outros aliados, Ivo diz o que sabe a respeito, trocam idéias, tecem conjeturas.

A conversa rendeu tanto que acabaram separando-se às 22h40, meio tarde para quem precisa manter-se a salvo das batidas policiais. Foi quando Ivo disse ter dois simpatizantes para passar:
— Eles trabalham numa estatal e têm informações interessantes para o teu setor. Mas só podem te encontrar bem cedinho, o expediente deles começa às 8.
Júlio, que detesta cair da cama, foi obrigado a aceitar o horário desagradável. Consolou-se com a ideia de que depois poderia voltar para seu quarto e dormir mais um pouco.

Chega sem cautela nenhuma, pois confia no jeitão tranqüilo e na experiência de Ivo, um renomado ginecologista beirando os 40 anos, que chegara até a ser candidato à Prefeitura por um pequeno partido. Simpático e bem relacionado, ele é uma verdadeira mina de aliados e simpatizantes para a Vanguarda Popular Revolucionária.

Nas terríveis condições da clandestinidade, os militantes tentam agarrar-se a pequenas ilusões, que os ajudam a manter a ilusão maior de que exista alguma segurança para eles. Se encararem a verdade — de que, a cada instante, estão sujeitos a serem presos, torturados e mortos —, acabarão enlouquecendo.

Assim, Júlio tem muito medo de cair num ponto com calouros na luta armada, mas confia quase cegamente nos veteranos — dentre os quais ele próprio se inclui, afinal já leva essa vida há um ano e a maioria não aguenta mais do que alguns meses.

Além disso, esteve com Ivo oito horas atrás. O que poderia acontecer ao bom doutor em tão curto espaço de tempo?

Se pressentisse algum perigo, Júlio teria ido de terno, com o braço para dentro e a arma já engatilhada na mão direita, oculta pelo paletó. É o que faz em pontos arriscados.

Até algumas semanas atrás, teria também uma cápsula de cianureto entre os dentes, pronta para ser rompida por uma mordida mais forte. Foi uma contribuição de simpatizantes da área de medicina, mas o primeiro quadro que preferiu a morte à tortura... sofreu apenas um ataque de diarreia que o debilitou ainda mais diante dos algozes. É que os aprendizes de feiticeiro ignoravam algum detalhe da fabricação do comprimido letal.

A notícia do fracasso chegou à Organização e os militantes mais queimados — aqueles com reais motivos para evitarem cair vivos — tiveram de voltar a conviver com seus temores, sem a opção de uma saída fácil e quase indolor.

ponto é numa padaria da praça. Júlio olha para os lados antes de entrar, mas só por hábito. E começa a pedir um café no balcão, quando é violentamente agarrado por vários homens. Um o segura por trás, impedindo que mexa os braços. É arrastado para fora, desarmado, encapuzado e jogado no chão de um veículo. Percebe que seu pior pesadelo virou realidade.

Com as mãos algemadas para trás, o capuz apertado, a cara contra o chão, sente falta de ar. Alguém lhe segura a cabeça, forçando-a para baixo, de forma que fique bem oculto dos civis. Durante o trajeto, vai repassando na memória o que lera no panfleto Se Fores Preso, Companheiro, do experiente Carlos Marighella.

Lembra-se de que aconselhava o revolucionário a se comportar como um militar nas mãos do inimigo: dar só o nome (nem mesmo a patente poderia abrir). Mas, isso foi escrito em tempos distantes. Será possível manter agora essa atitude de desafio?

Um companheiro mandou do presídio uma descrição da sala de tortura, que disse ser envidraçada. Sugeriu que o preso se atirasse contra o vidro — o que ele próprio não fizera. Júlio pensa que é uma boa opção.

Isto, claro, se lhe derem chance. E se não lhe faltar coragem. A hora da verdade chegou e ele não tem certeza de como se comportará.

Quanto durou o trajeto? Quinze minutos? Vinte? Percebe que chegou num quartel, o motorista explica-se ao sentinela. Acesso permitido. O veículo pára e Júlio é retirado aos trambolhões. Tiram as algemas, mas mantêm o capuz. Sente que está numa espécie de recepção.
- Nome!
Resolve ficar calado. Que vantagem há em revelar um nome que está nos cartazes de Terroristas Assassinos Procurados? Imediatamente começaria a ser tratado como um peixe grande.
-Nome!

- Como você se chama, filho-da-puta?

- É, assim não vai. Leva ele logo pro pau.
Conduzem-no aos empurrões. Cai, levanta-se, tenta manter a dignidade. Finalmente tiram o capuz. Está numa sala repleta de homens fortes e mal-encarados. Procura os vidros contra os quais se atirar, mas não existe nenhum. As paredes são todas acolchoadas.

Mandam-no tirar a roupa. Fica imóvel, mas também não resiste quando lhe arrancam todas as peças. Sente-se inferiorizado e frágil diante dos brutamontes. Deixa que lhe envolvam os braços com tecido, amarrem com uma corda, coloquem um cabo de vassoura entre eles e as pernas e o icem. Fica pendurado sobre dois cavaletes, como um frango no grill das padarias.

Atam eletrodos nos dedos. Começam a girar a manivela de um telefone de campanha. Lentamente. Ele concentra todas as suas forças em não gritar. Não lhes dar esse prazer. Não mostrar fraqueza. Resistir.

De repente, o torturador acelera, gira bem depressa a maquininha. A sensação é terrível. Não consegue respirar. Sufoca. Quando o choque cessa, Júlio tenta absorver todo o ar que existe na sala. Mas, giram de novo. Param. Giram. Param.

Percebe que esses gritos animalescos estão saindo de sua garganta.

Socam-lhe o corpo, a cabeça. Mas são os choques que o abalam de verdade. A impressão de que morrerá sufocado, de que seu coração vai estourar.

Deixam que tome fôlego, perguntam-lhe o nome. Percebe que não aguentará, vai ter de mudar de atitude. Precisa de tempo para pensar. Diz o nome.
- Tá mentindo, piroca! Fala a verdade! Como se chama? (outra descarga)

- (ofegando) Sou eu mesmo! O dos cartazes!
Vão digerir a informação. Tiram-no do pau-de-arara, mandam ficar em pé, com o rosto contra a parede. Deixam que amarre de qualquer jeito a calça e a camisa rasgada em torno do corpo.

Antes de dar-lhes as costas, vê os torturadores sorrindo, com ar de deboche. Odeia-se por não ter resistido mais.

Percebe que isso é só o começo, o pior está para vir.

Um grandalhão dá um tapa na sua nuca, depois tenta assustá-lo com o símbolo do Esquadrão da Morte. Com uma mão agarra-o pelos cabelos da nuca; com a outra, coloca bem diante dos seus olhos a caveira do ridículo anel que usa.
— Bem-vindo ao inferno!
platéia estoura em gargalhadas.

À dor e vergonha vem se somar o desânimo. “Até quando terei de aguentar essa ralé?” — pensa Júlio. Sua impressão é de que realmente desceu ao inferno.

(início do meu livro Náufrago da Utopia) 

domingo, 13 de abril de 2014

PATINHOS FEIOS EM DIA DE CISNES E CINDERELAS DA VIDA REAL

Grandes momentos do esporte e da vida são aqueles em que os mais desacreditados azarões saem vitoriosos contra franco favoritos, dando inesquecíveis lições de humildade. 

É o que acaba de acontecer em São Paulo, onde o nanico Ituano (que está na série D do Brasileirão) sagrou-se campeão estadual de futebol com um time montado na enésima hora, tão somente porque, se não participasse do certame, seria nele também rebaixado. O técnico Doriva tirou leite de pedra.

Como emociona ver o júbilo desses patinhos feios em dia de cisnes!

Então, veio-me a ideia de postar aqui um filme nessa linha.

Poderia ser A luta pela esperança (d. Ron Howard, 2005), sobre ex-pugilista que é levado à miséria pela Grande Depressão e já não consegue sequer manter unida sua família, até que surge uma chance para voltar aos ringues, laçado às vésperas da luta para substituir um boxeador contundido.

Agarra a chance com a mesma sofreguidão que náufrago agarra uma boia... e acaba se reerguendo. [Se este resumo te fez lembrar Rocky, um Lutador, é porque tem mesmo tudo a ver: foi na saga real de James Braddock que Sylvester Stallone se inspirou para criar seu personagem fictício]. 

Mas, o que encontrei no Youtube é o também comovente e edificante O melhor jogo da História (d. Bill Paxton, 2005), enfocando o primeiro US Open de golfe disputado nos Estados Unidos (em 1913) e seu surpreendente campeão, o amador Francis Ouimet.

Contra os temidos campeões ingleses e os representantes estadunidenses mais qualificados, o adolescente de família proletária luta por um lugar ao sol, sem que ninguém o leve a sério, tanto por ser jovem demais, quanto por sua condição social inferior (pecado capital em se tratando de um esporte de elite!).

É outra história da vida real que lembra os contos de fadas, como o baile de gala da Cinderela.

sábado, 12 de abril de 2014

TRIBUTO ÀS CHUTEIRAS IMORTAIS - 4: O TETRA CAUTELOSO (1994)

O baixinho carregou o Brasil nas costas
O Brasil chegou à Copa de 1994 com a responsabilidade de reconquistar a hegemonia do futebol mundial, depois de cinco decepções consecutivas.

Primeiro foi a desagradável surpresa de ver a Seleção totalmente superada pelo carrossel holandês em 1974, na Alemanha. Mereceu perder a semifinal para o timaço de Cruyff e Neeskens, por 2x0.

Consolamo-nos com a avaliação de que havia sido a Copa da entressafra. Uma geração de craques chegara ao fim (Pelé, Gerson, Carlos Alberto, Tostão, Clodoaldo), Jairzinho deixara de ser um furacão e Rivelino não conseguia resolver tudo sozinho.

Foi a defesa que carregou o Brasil, aos trancos e barrancos, até o 4º lugar, aceitando só quatro gols. Pena que o ataque marcou míseros seis, metade dos quais contra o patético Zaire.

Em 1978, na Argentina, Rivelino estava maduro demais e Zico ainda verde. Mas, depois de empates decepcionantes contra a Suécia e a Espanha, a Seleção do técnico Cláudio Coutinho melhorou. Esteve próxima de derrotar os anfitriães (0x0), além de obter quatro vitórias.

Só não foi à final porque o Peru entregou o jogo para a Argentina, deixando-se golear por 0x6 para que ela alcançasse o saldo de gols necessário.

Por haver terminado a campanha invicto, derrotado apenas nos bastidores mafiosos do futebol, o Brasil autoproclamou-se campeão moral

A DERROTA MAIS SOFRIDA, EM 1982

Os cracaços Sócrates e Zico mereciam melhor sorte.
E seria derrotado novamente em 1982, não por armações extra-campo, mas pela fatalidade que se abateu sobre a melhor Seleção do Mundial da Espanha. Como a Hungria em 1954 e a Holanda de 1974, o Brasil maravilhou o mundo mas foi sobrepujado por um adversário calculista em dia de sorte.

Com Falcão, Zico e Sócrates compondo um meio-de-campo notável, o Brasil não se abalou com um frangaço de Valdir Peres, vencendo a URSS de virada por 2x1; goleou como quis a Nova Zelândia e a Escócia; e impôs categóricos 3x1 à Argentina de Maradona, a outra favorita ao título.

Três falhas da defesa puseram tudo a perder contra a Itália, apesar dos golaços de Sócrates e Falcão.

Os torcedores brasileiros, que desde 1970 não ficavam tão empolgados com a Seleção, respaldaram a renovação, na Copa seguinte, da aposta do técnico Telê Santana no futebol-arte -- caso raro após uma campanha malsucedida.

A volta ao México em 1986 não foi, entretanto, auspiciosa. Sócrates e Falcão já tinham passado do auge, Zico andou contundido. Mesmo assim, acumulamos quatro vitórias até a eliminação noutra partida sumamente infeliz, contra o esquadrão francês de Platini.

Idem, o chamado rei de Roma: nosso grande Falcão.
Com 1x1 no placar, Zico desperdiçou um pênalti e a partida foi para a prorrogação, equilibrada até o fim.

Na decisão por pênaltis (3x4), brilhou a estrela de Bats, que fez defesa elástica no chute de Sócrates e teve a sorte que faltou ao nosso goleiro: a cobrança brasileira contra a trave (Júlio César) acabou em nada, enquanto a cobrança francesa contra a trave reboteou nas costas de Carlos e entrou.

Tão decepcionados ficaram os brasileiros com essa derrota do futebol-arte que nem se deram conta de que o talento acabara saindo vencedor do duelo contra as rígidas esquematizações táticas: a Argentina foi campeã, com Maradona fulgurante como nunca.

Assim, no Mundial da Itália, em 1990, foi numa rígida esquematização 5-3-2 que o técnico Sebastião Lazaroni apostou, para vê-la ruir como castelo de areia num solitário lampejo de Maradona.

NOVE ATRÁS E DOIS NA FRENTE

Com Parreira o Brasil voltou a vencer. Mas, sem encantar
Em 1994, o técnico Carlos Alberto Parreira avaliou que o fundamental era interromper a série de fracassos, mesmo que sacrificando a beleza e a ousadia novamente reivindicadas pelos brasileiros -- comparando as estilísticas exibições da Era Telê com a perda total na Era Dunga (feia retranca, futebol burocrático e desclassificação precoce), os torcedores haviam reassumido a preferência pelo primeiro.

Parreira ficou no meio termo. Descartou esquemas pretensiosos que engessavam o time, como os de Cláudio Coutinho e Lazaroni; e temeu expor a Seleção em demasia, como Telê Santana fizera em 1982.

Optou por um futebol pragmático e cauteloso, com defesa sólida e ataque que aproveitasse bem as poucas chances criadas.

Nos seus planos não cabia Romário, o maior atacante brasileiro então em atividade (no Barcelona), mas tido como independente em demasia. Na verdade, Romário tinha consciência de que podia fazer mais pelo time do que qualquer técnico; e não escondia isto.

Cavando esta falta, Branco salvou o Brasil.
Ao final de uma péssima campanha na eliminatória, entretanto, o Brasil não poderia perder do Uruguai no Maracanã, caso contrário se repetiria a tragédia de 1950.

Parreira tremeu. E, a contragosto, atendeu ao clamor unânime dos torcedores brasileiros pelo craque Romário.

Aconteceu o previsível: o baixinho exorcizou os fantasmas com dois belos gols e garantiu seu lugar na Copa, contra a vontade de técnico e cartolas.

Sobre ele e Bebeto recaía a responsabilidade de fazerem os gols, como únicos atacantes avançados. Para servi-los, Mazinho e Zinho, o que não era grande coisa. Tecnicamente superior, Raí estava em má fase: começou como titular e acabou na reserva.

Romário abriu caminho para a vitória contra a Rússia, completada por um gol de pênalti de Raí. 2x0.

Repetiu a dose contra a empolgada mas ingênua seleção de Camarões. Márcio Santos e Bebeto fecharam o placar: 3x0.

E, assinalando o gol de empate, garantiu o frustrante 1x1 contra a Suécia.

Também foi dele o tento que mandou os suecos para casa, na semifinal. 1x0.

Bebeto, por sua vez, despachou os anfitriães, nas oitavas-de-final. A vitória sofrida (1x0) contra os incipientes estadunidenses dá bem uma ideia de como o futebol brasileiro minguava sob Parreira.

Melhores momentos de Brasil x Holanda. Clique aqui p/ ver o jogo completo

A partida inesquecível da nossa Seleção em 1994 foi a pedreira contra os holandeses, nas quartas-de-final. O Brasil começou melhor o 2º tempo e, em ótima jornada, Romário e Bebeto marcaram.

De repente, a sólida defesa brasileira desmanchou no ar, tomando gol até em escanteio alçado para a pequena área.

Jogo empatado e se aproximando da prorrogação, quem salvou a pátria foi o lateral Branco, cavando uma falta na intermediária e acertando um petardo indefensável. 3x2.

Quanto à final contra a Itália -- 120 minutos de quase nada --, foi o que se poderia esperar de duas seleções com medo de atacar.

Aliás, a escalação do Brasil já diz tudo: Taffarel; Branco, Aldair, Márcio Santos e Jorginho; Dunga, Mauro Silva, Zinho e Mazinho; Romário e Bebeto.

Deu no que deu, Romário e Bebeto brigando sempre com uns 4 ou 5 italianos, enquanto quem deveria ajudá-los estava lá atrás...

Taffarel pegou um pênalti e viu os italianos errarem dois
Deu no que deu, Romário e Bebeto brigando sempre com uns 4 ou 5 italianos, enquanto quem deveria ajudá-los estava lá atrás...

Já na prorrogação, com a Itália caindo de cansaço, Parreira ousou colocar um terceiro atacante, Viola, deixando o Brasil bem mais perto do gol; e os brasileiros, com a nítida sensação de que uma vitória de verdade teria sido possível.

Sobrou o coitus interruptus dos pênaltis. E deu Brasil, porque a Itália abusou do direito de errar, desperdiçando três deles. Até o craque do time, Baggio, isolou o seu...

Pelo Brasil marcaram Romário, Branco e Dunga. Márcio Santos perdeu o seu e a quinta cobrança foi desnecessária. 0x0 no jogo, 0x0 na prorrogação e 3x2 nos pênaltis.

Os deuses do futebol nos pregaram uma peça, devolvendo pela metade o título que tomaram em 1982: veio a taça, mas não o orgulho de tê-la conquistado com brilhantismo.

Melhores momentos da final. Clique aqui e aqui para ver o jogo completo

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A NOVA BATALHA DO LUNGARETTI CONTRA AS BUROCRACIAS LETÁRGICAS, INSENSÍVEIS E ATRABILIÁRIAS

Passei o ano de 2004 e metade do de 2005 travando uma dramática batalha pública para que a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça respeitasse o direito que, como desempregado, eu tinha à priorização do julgamento do meu caso. 

Com queixas a várias instituições e entidades, além de denúncias pela imprensa, finalmente consegui que o processo fosse pautado e julgado, passando a receber uma pensão mensal vitalícia como reparação por tudo que sofrera no já longínquo ano de 1970: torturas bestiais, uma lesão permanente e, como consequência da ação espúria dos agentes do Estado, gravíssima estigmatização.

Daquela vez, frequentemente acusei de insensíveis as burocracias que tinham meu destino e até minha vida nas mãos (pois o desemprego me levara a uma situação desesperadora).

Nunca imaginei que fosse defrontar-me uma segunda vez com a mesmíssima insensibilidade -para não dizer rancor. É o que está acontecendo agora. 

E, se levei 50 meses para desatar o nó do reconhecimento da minha condição de vítima da ditadura, agora são 86 meses em que um mandado de segurança permanece inconcluso, o que é um assombro e uma aberração até mesmo pelos padrões brasileiros.

Só me restou iniciar uma nova batalha pública. É o que acabo de fazer, enviando às comissões de direitos humanos da Câmara dos Deputados e do Senado, ao ouvidor-geral da União, à OAB nacional e à Anistia Internacional a seguinte mensagem:

Peço sua intervenção contra o grave abuso de poder que venho sofrendo por parte da Advocacia Geral da União, que utiliza seu arsenal jurídico não para servir à causa da Justiça, mas sim para retardar ao máximo o cumprimento de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça que me favoreceu por unanimidade: 8x0 no julgamento do mérito da questão! 

Já lá se vão 7 anos e 2 meses desde que dei entrada no meu mandato de segurança; e 3 anos e 2 meses desde o julgamento. Precisarei ser eterno para receber aquilo a que tenho pleno direito?! 

Eis o histórico do caso: 

Como parte da reparação a mim concedida pelo ministro da Justiça em função dos danos físicos, psicológicos, morais e profissionais que a ditadura militar me causou em 1970, adquiri em outubro de 2005, por portaria do exmo. ministro da Justiça, o direito a uma indenização retroativa, correspondente aos 35 anos transcorridos entre as violências que sofri e o início do pagamento da minha pensão mensal vitalícia.

Depois de passar 15 meses esperando que a União depositasse o montante de tal indenização retroativa (que, pela lei que criou o programa federal de anistia a ex-presos políticos, deveria ser paga em até 60 dias), decidi ingressar com mandado de segurança para recebê-la.

Logo em seguida, sem alterar a lei nem as regras do programa, o Governo instituiu um plano de pagamento parcelado, ao qual os anistiados deveriam aderir voluntariamente.

Preferi não fazê-lo, pois meu mandado de segurança já tramitava no STJ. E, desde então, a Advocacia Geral da União tudo tem feito para retardar o desfecho inevitável.

O mérito do caso foi julgado em 23/02/2011: "A seção, por unanimidade, concedeu a segurança, nos termos do voto do sr. Ministro relator". 

A sentença não poderia ser outra, porque, em termos legais, não está errado quem exige o cumprimento estrito das leis e normas em vigor. Portanto, eu jamais poderia ser punido por não haver aceitado uma proposta do Governo que, teoricamente, era voluntária, não compulsória. 

Mas, é exatamente o que acontece: uma retaliação dissimulada, por vias burocráticas.

Com um arsenal inesgotável de medidas protelatórias, a AGU já conseguiu empurrar o caso até este ano de 2014 -que, por sinal, é o ano no qual deverão ser zerados todos os débitos com os anistiados, se não houver prorrogação.

A última dessas saídas pela tangente foi no sentido de que mandado de segurança não se aplicaria ao processo em questão. O relator anterior, Luiz Fux, já rechaçara tal alegação... em 2007! E o STJ também a desconsiderou em vários outros feitos.

Espantosamente, o novo relator, Napoleão Nunes Maia Filho, a acolheu, numa decisão monocrática que cancelou os efeitos do que oito dos seus colegas haviam decidido em pleno julgamento.  

Depois que meus patronos contestaram a bizarra decisão, o processo simplesmente não andou mais. A última vez em que o relator tocou nele foi em agosto de 2012!!!

O próprio Estatuto do Idoso está sendo desrespeitado, pois me garante celeridade nos procedimentos judiciais. Processos totalmente parados há um ano e meio estão longe de serem céleres.

Meu processo é o de nº 0022638-94-2007.3.00.0000.  Uma simples consulta é suficiente para se constatar a veracidade de tudo que afirmei.

Sou um cidadão polêmico, detestado por muitos. Mas, durante 46 anos da minha vida consciente venho travando o bom combate; e nos últimos tempos, com forte ênfase na defesa dos direitos humanos.

É patético que justamente meus direitos humanos estejam sendo, mais uma vez, atingidos. (Celso Lungaretti

quinta-feira, 10 de abril de 2014

SOBRE O ALFREDO SIRKIS, A AUTOANISTIA DOS OGROS, A "FOLHA" E AS LISTAS NEGRAS DO MACARTISMO

Certa vez, o teatro Oficina abriu suas portas para a plenária de um candidato à reeleição e, como ele me convidara e não havia nenhum orador inscrito para dizer algumas palavras sobre o papel desempenhado pelo dito cujo durante a ditadura militar, julguei que fosse isto que ele esperava de mim.

Houve, no entanto, uma manobra de bastidores para que a sessão fosse encerrada antes da minha fala. Contra a qual insurgiu-se o grande Zé Celso Martinez Correa. Ele fez questão de que meu discurso fosse ouvido no teatro que, afinal, a ele pertencia.


Quando saíamos, explicou-me que certos patrulheiros do autoritarismo mais tacanho haviam tentado me calar e aconselhou: "Jamais deixe cassarem sua palavra, em circunstância nenhuma!".


Desde então, já lá se vão quase oito anos, tenho seguido sua recomendação. 


Em todos os sentidos: quando a grande imprensa publica artigos que eu teria o direito de rebater, reivindico sempre o espaço, embora esteja careca de saber que não será concedido.


Quero deixar bem caracterizado o absoluto desprezo dos barões da mídia pelas boas práticas jornalísticas.

Assim, quando o outrora e nunca mais carbonário Alfredo Sirkis obteve (vide 
aqui) enorme espaço na Ilustrada para defender a falácia de que ditadores, em plena ditadura, tenham o direito de anistiarem a si próprios e a seus esbirros, enviei esta mensagem à ombudsman Suzana Singer:
Prezada,
como ex-resistente e personagem histórico com as mesmíssimas credenciais do Alfredo Sirkis, inclusive veterano do mesmo agrupamento revolucionário, solicito à Folha que me conceda espaço para, na Ilustrada do próximo domingo, com espaço e destaque equivalentes, contestar a visão por ele apresentada sobre a revisão ou não da Lei da Anistia.
Vale ressaltar que, desde 2008 (vide aqui), eu sustento posição contrária, tendo-a difundido em mais de uma dezena de artigos que escrevi ao longo destes quase seis anos. Os últimos deles, na semana que passou: este e este.
Espero que a decisão da Folha seja, desta vez, baseada nas boas práticas jornalísticas, não na antipatia que, há décadas, demonstra ter por mim...
Quando era carbonário, ele rugia. Hoje mia...
A resposta foi uma repetição da desconversa que sucessivos ombudsmans já me enviaram pelo menos uma dúzia de vezes:
Prezado Celso 
a coordenadora de artigos de Tendências/Debates diz que acabou de encerrar uma série grande artigos sobre 1964 e deve dar um tempo antes de voltar ao assunto.
Sua sugestão ficou com ela.
Atenciosamente...
Deixo aqui este registro. 

E sugiro a meus leitores uma pesquisa histórica, sobre o macartismo e suas listas negras. Houve um tempo, na década de 1950, em que certas pessoas não podiam ser empregadas nem citadas na imprensa estadunidense.

Qualquer semelhança com o Brasil atual não é mera coincidência.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

COM QUEM NÃO QUER NADA, GASPARI PUXA O CORO DO 'VOLTA, LULA!'

Quem não é jornalista, geralmente toma ao pé da letra o que jornalistas escrevem... e amiúde engole gato por lebre.

P. ex., em sua coluna desta 4ª feira na Folha de S. Paulo, o verdadeiro recado de Elio Gaspari está dado no título: Vem, Lula (clique aqui p/ abrir). Só faltou mesmo o ponto de exclamação -poderiam até ser três...

Mas, como não fica bem um medalhão desses ser visto por aí como mais um integrante da claque lulista, Gaspari deu seu recado de forma evasiva, blasé, fingindo não torcer pelo time que está torcendo:
"Tudo ficaria melhor se Lula saísse como candidato a presidente. Por cinco razões:
1) Porque é maior de idade e está no exercício de seus direitos políticos.
2) Porque o 'volta, Lula' vem enfraquecendo o governo do poste que ele ajudou a botar no Planalto.
3) Porque uma parte do desgaste que está corroendo a doutora Dilma é dele e foi-lhe jogado no colo. Afinal, o mensalão e as petrorroubalheiras nasceram na sua administração.
4) Porque a outra parte do desgaste da doutora está associada ao mito da gerentona, criado por ele. Afinal, é a 'mãe do PAC'.
5) Porque a transformação do PT num aparelho arrecadador de fundos teve o seu permanente beneplácito, tanto durante os oito anos em que esteve na Presidência, como depois. .." 
Querem mais? Leiam aqui:
"...não fará diferença se esse mandato for exercido por Lula ou Dilma. Pelo contrário, para o bem ou para o mal, ele representa melhor a estrela que fundou do que ela, um convertida tardia.
A entrada de Lula na disputa daria maior clareza à escolha. Se ele é um político prestigiado, com 37% dos entrevistados pelo Datafolha dispostos a votar em quem tiver seu apoio, torcer para que fique no banco de reservas é uma ilusão".
A quem será que o Gaspari pensa estar enganando?

Indo ao xis da questão, eu não vejo grande ganho para os valores e princípios da esquerda com Lula como cabeça de chapa. Afinal, foi ele quem, logo no primeiro mandato, fulminou as pretensões dos que pretendiam a revogação da anistia de 1979, aquela que assegurou impunidade eterna aos carrascos da ditadura e seus mandantes.

A promiscuidade de Lula com os políticos direitistas e/ou fisiológicos mais podres do Brasil, ao sabor dos interesses petistas atuais, me enoja, como enoja a todos os companheiros que lutaram exatamente contra tais canalhas durante a ditadura militar.

E nunca esquecerei os recordes que o Bradesco e o Itaú trombeteavam praticamente a cada mês de seus dois mandatos.

Mas, admito que o meu senso estético ficará melhor servido com o Lula, que (para o bem ou para o mal) sempre sabe o que está fazendo, do que com a Dilma, a rainha das trapalhadas e dos tiros no pé.

Quanto aos petistas, se eu estivesse no lugar deles optaria pelo Lula, por um motivo bem simples: a chance de a Dilma ser derrotada agora se tornou enorme. Quando sua gestão como presidente do Conselho de Administração da Petrobrás for exposta e dissecada no horário eleitoral gratuito, a candidatura poderá fazer água a tal ponto que ela nem sequer chegue ao segundo turno.

Como, ao contrário do Gaspari, não estou fazendo lobby dissimulado por candidatura nenhuma, não darei divulgação ampla a este texto. Vou mantê-lo apenas cá no blogue, para que os amigos saibam como estou analisando o quadro atual. E, excepcionalmente, desta vez desautorizo a reprodução e repasse.

Por último: não descarto a possibilidade de que a candidatura do Lula em 2014 já fizesse parte do acordo fechado com a Dilma em 2010. Muito menos a de que a decisão de tirar o Lula do banco de reservas, neste momento, já esteja tomada.

Ou seja, depois que os adversários lançarem sua artilharia pesada contra a Dilma, será o momento ideal para o Lula aparecer no seu corcel branco e salvar o dia...

terça-feira, 8 de abril de 2014

AINDA SOBRE O 'BAJULATORIAL' DO MINO CARTA

Como justificar algo totalmente indefensável?
Demétrio Magnoli, que escreve muito bem, detonou o Mino Carta com este texto aqui

Mino Carta, que escreve muito mal, não encontrou (nem havia) nada para dizer sobre a acusação concreta, então apenas tergiversou, neste texto aqui. Fez lembrar um personagem humorístico, o  Rolando Lero...

Internautas esquerdistas e/ou petistas (antigamente eram categorias equivalentes, agora nem tanto...) me recriminam por, na visão deles, eu haver tomado o partido do direitista Magnoli contra o esquerdista Mino, neste texto aqui

Parecem esquecidos de que a CartaCapital moveu contra Cesare Battisti uma das mais rancorosas e exacerbadas perseguições que um órgão da grande imprensa já desencadeou contra qualquer cidadão, pior ainda do que a caçada ao Zé Dirceu por parte da Veja. Estaria o Mino sendo esquerdista ao fazer aquele lobby escrachado para que o Estado brasileiro se prostrasse aos neofascistas italianos?

De resto, o editorial louvaminhas que Mino redigiu e assinou quando do 6º aniversário do golpe militar existe. Encontra-se nos arquivos da Editora Abril, disponibilizado on line. Então, qualquer um poderia tê-lo encontrado. 

Mino e Berlusconi pressionaram, mas Battisti riu por último
Por ter sido o Magnoli quem o achou, deveria eu ignorar a sua existência? Seja ele direitista ou não, isto de nenhuma forma altera o fato de que, em abril de 1970, enquanto companheiros estimados morriam resistindo à ditadura militar e eu estava prestes a ser sequestrado e quase destruído pelo DOI-Codi, o Mino, confortavelmente instalado em sua sala de diretor de redação, a salvo dos perigos que corríamos o tempo todo, fazia coro aos chavões golpistas e celebrava efusivamente uma efeméride infame. 

Eu não seria o guerreiro que sou se ficasse indiferente a tal revelação. Meu sangue ferveu. Levei apenas meia hora para colocar no ar o artigo em que expressei minha indignação; e continuarei reagindo sempre de bate-pronto nessas situações, pouco importando as ameaças que me façam (o Mino promete doravante processar seus acusadores... ao invés de polemizar com eles, como sempre agiram os jornalistas que confiam nos próprios tacos e desconfiam da Justiça de uma sociedade de classes).

Também reproduzi o parágrafo no qual Magnoli tirou suas conclusões sobre o bajulatorial. E elas são não apenas consistentes e pertinentes, como irrespondíveis (tanto que o Mino foi incapaz de dar-lhes uma verdadeira resposta). Por afirmar que, em tal texto e somente em tal texto, o Magnoli acertou na mosca, estarei cometendo uma heresia? Trata-se de motivo suficiente para eu ser excomungado junto com ele?

Isto era o que mais se via durante a ditadura
É triste constatar que alguns esquerdistas e/ou alguns petistas regrediram aos piores tempos do stalinismo, impermeáveis a fatos e argumentos, partindo logo para a desqualificação e a satanização. Isaac Deutscher cansou de apontar resquícios religiosos por trás dessa intolerância fanática, que nos remete diretamente às trevas inquisitoriais. 

Eu continuo acreditando que os revolucionários existamos para roubar o fogo dos deuses e oferecê-lo aos homens, não para dispararmos raios contra os que se desviam da linha justa, como se quiséssemos assumir o papel de Zeus no Olimpo.

Quem um dia deixou circular, com sua assinatura, um texto tão deplorável, sem haver sido coagido a isto, tem mais é de pedir humildes desculpas aos ofendidos. O que mais haja feito na vida poderá servir como atenuante, mas não anula o objeto da acusação.

E quem preza tal indivíduo, pode solidarizar-se a ele em termos gerais, mas não neste episódio em particular, pois seria associar-se a uma infâmia. É importante estimularmos sempre a resistência face às injustiças e indignidades, nas ditaduras e também no cotidiano de democracias imperfeitas como a nossa; e execrarmos sempre a postura de quem, como um títere, aceita calar a sua voz (e sua consciência) para melhor transmitir a voz do dono.

Os que realmente estamos empenhados em retirar a humanidade de sua pré-história, dando um fim à exploração do homem pelo homem, temos de reaprender a criticar com objetividade e a receber críticas sem pedras na mão, pois elas fazem parte do aprendizado para a nossa grande missão e são inerentes à sociedade que queremos construir, ígualitária e livre, sem autoritarismo e também sem chiliques de prima-donas...

segunda-feira, 7 de abril de 2014

ELE TAMBÉM TEM DUAS CARAS. SÓ QUE AMBAS SÃO HORRÍVEIS.

Dentre os economistas que serviram a ditadura, os mais lembrados são Roberto Campos e Delfim Netto.

O primeiro tinha todos os defeitos e, ao menos, algum caráter. Quando foi abandonada a orientação por ele sempre defendida (era devoto do deus Mercado), não quis mais ser ministro.

O segundo tinha todos os defeitos, somados a um apetite insaciável pelo poder.

Expelido do Ministério da Fazenda em 1974 porque a economia brasileira entrara em parafuso, aceitou voltar por baixo, bem por baixo, em 1979.  Como ministro da Agricultura, mesmo ignorando se alface brotava no chão ou dava em árvores.

Além, é claro, de ter ajudado a escancarar as portas do inferno, ao assinar o AI-5. Hoje alega que ignorava com quantos paus o regime fazia suas canoas, mas homens dignos, nessas circunstâncias, abstêm-se, ao invés de tomarem partido no escuro e assinarem cheques em branco.

Seja quem for que detenha o poder...
Num país sério, seu prestígio teria virado pó a partir da redemocratização.

Aqui continuou dando aulas, escrevendo em jornais e até sendo a eminência parda de presidentes ditos de esquerda (existirão pessoas tão ingênuas a ponto de acreditarem que sejam mesmo os Paloccis da vida que traçam as linhas-mestras econômicas dos governos petistas?).

Agora, Delfim Netto cospe no prato em que comeu, inculpando o então presidente da Petrobrás, Ernesto Geisel, pelo fracasso de sua política econômica e consequentes cinco anos de ostracismo, mas omitindo que, quando assumiu o poder, Geisel teve pena dele e atirou-lhe uma boia, nomeando-o embaixador na França. 

E, como quem não quer nada, dá sua contribuiçãozinha ao lobby para a privatização a Petrobrás, malhando o ferro enquanto está quente:
...o Delfim estará ao seu dispor.
"Em 1972, eu estava em Roma numa reunião do Fundo Monetário Internacional. E o Giscard D´Estaing que era o ministro de finanças da França, tinha ficado muito amigo do Brasil. E ele me disse: 'olha Delfim, os árabes estão preparando um cartel. Eles vão elevar o preço do petróleo a US$ 6'. Nós pagávamos US$ 1,20 o barril.
Quando voltei para o Brasil, comuniquei isso ao presidente, o presidente convocou uma reunião. Nossa proposta (...) era: 'vamos abrir a exploração de petróleo. Vamos fazer contrato de exploração de petróleo com empresas privadas', que era para acelerar o processo.
O Geisel se opôs dramaticamente. Quem quebrou o Brasil foi o Geisel. O Geisel era o presidente da Petrobras. A Petrobras passou 20 anos produzindo 120 mil barris por dia. Quando houve a crise do petróleo, as reservas eram praticamente iguais a um ano de exportação, não tinha dívida. A dívida foi feita no governo Geisel.
O Geisel, na verdade, era o portador da verdade. O Geisel sempre tinha a verdade pronta".
Alguém esperava do Delfim Netto um comportamento diferente? Eu, não.
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