domingo, 5 de julho de 2015

PARA NUNCA ESQUECERMOS, PARA JAMAIS PERMITIRMOS QUE SE REPITA: ALEMANHA 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7. BRASIL, 1.

Ajoelhou, tem de rezar.
Na próxima 4ª feira, 8, transcorrerá mais um infeliz aniversário brasileiro.

Se não chega a ser tão nefando quanto o de 1º de abril (nada pode ser tão ruim quanto o dia que nos fez perder 21 anos, tantas vidas, nossas melhores esperanças e a nossa inocência!), foi um golpe terrível na auto-estima dos brasileiros.

O complexo de vira-latas, de que nos livráramos no finzinho de junho de 1958, voltou com tudo, pior do que nunca. Esquecemos a pretensão de ombrearmo-nos aos maiores do planeta e passamos a nos enxergar de novo como competidores pela supremacia na América do Sul. Atrás da Europa, tudo bem, só não se pode ficar abaixo dos esfarrapados da vizinhança!

Cinco dias depois, a maioria dos brasileiros torcia pateticamente pelos algozes alemães contra os hermanos argentinos, preferindo os abastados  filhos da Merkel, destruidora de nações, a outros coitadezas como nós, semelhantes a nós em tudo e sofredores como sempre fomos e jamais deixaremos de ser enquanto nos prostrarmos aos desígnios das grandes nações capitalistas.
Sofremos 4 gols em 7 minutos. E eles só assistindo...

Mas limitemo-nos, neste texto, aos tormentos futebolísticos, mais no espírito de um domingo. Já chega o quanto os outros, os do subdesenvolvimento econômico, político e cultural, nos consomem e tiram o sono durante os dias úteis, quando somos bombardeados pelas más notícias por todos os lados...

Primeiro ponto: a tragédia do Mineirão foi anunciada. Eu, p. ex., a vinha anunciando há cerca de um ano, porque sabia que o hexa jamais chegaria pelas mãos do treinador Luiz Felipe Scolari.

A Seleção Brasileira simplesmente não acompanhara a enorme evolução tática e técnica do futebol mundial a partir da revolução catalã da segunda metade da década passada, de forma que a nossa única esperança era termos no banco alguém como o corinthiano Tite, capaz de armar seu time de forma a compensar a inferioridade de forças (foi o que ele fez no Mundial de Clubes de 2012, ao dar um nó tático em Rafael Benítez e, contando com a aplicação do elenco e os milagres do goleiro Cássio, surpreender o franco favorito Chelsea).

Felipão, flagrantemente ultrapassado e taticamente medíocre, só poderia piorar o que já era ruim. E foi, também, o que ele fez, desguarnecendo o meio-de-campo contra a Alemanha porque sonhara com Bernard conduzindo o Brasil à vitória. Coisa dos treinadores do tempo do Onça, como Osvaldo Brandão.
"Triste Brasil. Ó quão dessemelhante!"

Mas, por que o jurássico Felipão, que vinha de fracasso em fracasso desde o Mundial de 2002, estava lá? Simplesmente porque a presidência da Casa Bandida do Futebol caiu no colo de José Maria Marin, após a desgraça do também corrupto Ricardo Teixeira. 

Foi Marin que, contra a opinião da crônica esportiva e dos torcedores conscientes, retirou do ostracismo outro anacronismo com o qual se identificava pela índole autoritária de ambos. Deram-se as mãos e impuseram ao escrete brasileiro sua mais acachapante derrota em um século de história e mais de mil partidas disputadas.

E o que aconteceu desde então? Nada.

Saiu Marin, entrou Del Nero. Seis por meia-dúzia.

Escolheram Gilmar Rinaldi para diretor de seleções, não ligando ou pretendendo mesmo que viceje à sombra da CBF o balcão de negócios denunciado pelo grande Zico (leia aqui).

Rinaldi imediatamente quis ter a seu lado o ex-jogador limitado e técnico fracassado Dunga, outro cujo passado o condena: pertenceu à máfia de intermediação de jogadores, convocou para a Copa de 2010 um dos clientes da empresa internacional da qual participava e mentiu à imprensa e à Justiça gaúcha a este respeito (leia aqui).
Feios, sujos e malvados: de um nos livramos, faltam três.

Marin foi preso a pedido do FBI e Del Nero voltou espavorido para o Brasil, não botando o pé fora desde então, pois teme ser também denunciado, preso e extraditado.

Armou-se uma CPI da CBF e a chamada bancada da bola, com a participação inclusive de senadores do PT, tudo faz para que ela acabe em pizza (leia aqui).

O Brasil foi expelido da Copa América pelo fraquíssimo selecionado paraguaio, aumentando os temores de que possa, pela primeira vez, ficar fora de um Mundial da Fifa. Com o futebol que acaba de exibir no Chile, mesmo não estando Neymar ausente como nos dois últimos papelões, pode, sim, não passar das eliminatórias.

Rinaldi armou uma maratona de blablablá engana-trouxa, durante a qual muito se falará e isto de nada servirá, pois o primeiro e fundamental passo para se restabelecer a moralidade e o profissionalismo na CBF e na Seleção é a saída de Del Nero, de Dunga e dele próprio, Rinaldi.

Resumindo: a situação continua exatamente a mesma um ano depois dos 7x1 e a perspectiva é de que, se nada de substancial mudar, mais humilhações virão.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

É MOCINHO CONTRA BANDIDO? ENTÃO, OS BANDIDOS PODEM CONTAR COM UMA FORCINHA DOS SENADORES DO PT...

O jornalista José Cruz é eclético, escreve lá de Brasília sobre política, economia e esporte. Então, ninguém melhor do que ele para relatar como os parlamentares que, digamos, $impatizam com a Casa Bandida do Futebol, tentarão evitar que a CPI da CBF cumpra seu papel de higienizar a dita cuja, botando pra correr o cúmplice do detento Zé das Medalhas, o diretor de seleções e o técnico não só flagrantemente incompetentes, mas cujas ligações perigosas com a intermediação de jogadores os tornam inaceitáveis para os respectivos cargos, dentre outras figurinhas carimbadas. Só para lembrar:
  • a Polícia Federal está investigando a parceria entre a Rede Globo e a CBF (vide aqui), outro assunto que interessa à bancada dos corruptos da bola manterem bem longe dos holofotes da CPI;
  • o grande Zico, homem decente e um dos maiores futebolistas brasileiros de todos os tempos, acaba de lançar uma carta aberta (vide aqui), alertando para a forte possibilidade de que Rinaldi esteja transformando a gestão de seleções brasileiras de todas as categorias num próspero balcão de negócios;
  • como técnico da Seleção Brasileira no seu fracasso anterior, Dunga convocou para disputar o Mundial 2010 da Fifa o jogador Maicon, cliente de uma empresa internacional de intermediação de jogadores da qual ele próprio, Dunga, participava, embora mentisse à imprensa e à Justiça gaúcha a este respeito (vide aqui).
Eis os detalhes sobre o fermento que senadores do PT acabam de colocar em mais uma pizza que deverá sair do forno do Congresso, segundo José Cruz:

Desmoralizada em campo e fora dele, a cartolagem da CBF continua com domínio sobre o desprestigiado Congresso Nacional. Os políticos, em geral, se curvam ao poder da bola.

Uma manobra do senador Humberto Costa (PT/PE) aumentou de sete para 11 o número de integrantes da CPI da CBF.  Com o apoio de 27 senadores, ele apresentou requerimento alterando a composição da CPI que, em tese, dará à CBF chance de contar com mais parlamentares a ela alinhados, tentativa para barrar as investigações na suspeitíssima casa do futebol.

Os cartolas continuam com estreitas relações com vários parlamentares, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros, íntimo amigo e ex-patrão do lobista da CBF, Vandemberg Machado. E, José Sarney. Mesmo aposentado, ele ainda é influente entre políticos. Seu filho, Fernando Sarney, é vice-presidente da CBF no Nordeste.

...Essa estranha pernada do PT é para tentar barrar as pretensões do autor da CPI, senador Romário, de mergulhar nos bastidores das finanças da CBF. A manobra de Humberto Costa, alinhado ao Planalto, surgiu enquanto o governo que ele defende tenta enquadrar os clubes no cumprimento de seus compromissos fiscais.
Você compraria um carro usado destas pessoas?

De um lado temos a proposta de “moralização” – como se isso fosse possível no futebol… –  e, no Congresso, representantes do próprio governo aliviam para esconder mais e mais os suspeitíssimos bastidores da CBF, cujo ex-presidente, José Maria Marin, continua preso, e o atual, Del Nero, não se anima deixar o país…

Mesmo diante das indefinições, as articulações são para que a relatoria fique com Romero Jucá (PMDB/RR), da base do governo. Como disse um experiente consultor do Senado, “Jucá tem boas referências, é um político preparado”.

Mas, lembrando Millôr Fernandes, “esse negócio de político preparado é relativo, porque creolina também é preparado e serve para limpar  latrinas”.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ELIO GASPARI, SOBRE DILMA E OS DELATORES: "O PT ENFIOU-SE NESSE MUNDO DE PIXULECOS PORQUE QUIS".

Na mesma linha do meu artigo ¿Por qué no te callas, Dilma?, o jornalista e historiador Elio Gaspari fulmina uma das declarações mais infelizes da presidenta Dilma Rousseff, neste momento em que ela se mostra visivelmente transtornada com a queda vertiginosa de sua popularidade. A qual, contudo, não será revertida com destempero emocional e rompantes demagógicos. Urge recobrar a serenidade.

DILMA E OS DELATORES
Elio Gaspari
Um dos enigmas do comportamento político de Dilma Rousseff está na sua capacidade de viver numa realidade própria. É a essa característica que se deve atribuir parte do descrédito que acompanha sua administração. Diz uma coisa, faz outra e vai em frente. Recuando quase meio século na história do país para manipular os desdobramentos da Operação Lava Jato, a doutora afirmou o seguinte:
"Eu não respeito delator, até porque estive presa na ditadura militar e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas e garanto a vocês que resisti bravamente."
Mistificando o presente, associou o comportamento de quem passa pela carceragem de Curitiba com o dos presos do DOI durante a ditadura.

"Nenhum deles pensava em aumentar seu patrimônio"
Seu paralelo ofende o Ministério Público, o Judiciário e o Supremo Tribunal Federal, que homologa cada um dos acordos onde estão as confissões.

Nenhum preso da Lava Jato passou por qualquer constrangimento físico. Até agora, todos os atos praticados pelos investigadores respeitaram o devido processo legal.

Deixando-se essa questão de lado, o que não é pouca coisa, vai-se ao coração da fala: "Eu não respeito delator". Num lance de autoexaltação, lembrou que "resisti bravamente". Ela sabe que o comportamento de um preso sob tortura nada tem a ver com sua bravura. Relaciona-se apenas com o caráter do torturador e do regime a que ele serve. 

Quem fala sob tortura não é delator, é apenas um cidadão torturado e a doutora respeita muitos deles. Dilma Rousseff, a "Wanda" do Comando de Libertação Nacional, sabe que o "Kleber" não foi um delator. Em 1969, depois de ter sido torturado por vários dias, ele indicou para a polícia o endereço de um aparelho da rua Atacarambu, em Belo Horizonte, onde estavam sete de seus companheiros. 

Dos milhares de presos torturados durante a ditadura, talvez não tenham chegado a uma dezena aqueles que, livres, continuaram colaborando com os agentes da repressão. Se os acusados que estão colaborando com a Lava Jato são mentirosos, não merecem respeito e seus acordos devem ser cancelados. Insultá-los leva a lugar nenhum.
"Os empreiteiros buscavam o enriquecimento pessoal"

Misturar empreiteiros milionários com militantes torturados é um truque que desmerece o estado de Direito e o regime democrático de hoje. Nas palavras de um ministro do governo Médici, referindo-se aos presos de seu tempo, "a delação, para eles, é o supremo opróbrio".

Outro hierarca elaborou o lance seguinte: Os presos, tendo delatado, justificavam-se inventando que haviam sido torturados. Donde, não havia tortura, mas delatores. No paralelo de Dilma não haveria roubalheiras, mas delatores que não merecem respeito.

Há ainda outra diferença entre os presos que eram torturados nos DOI e os que passam pela Lava Jato. Uns sequestravam diplomatas, assaltavam bancos e roubaram o cofre onde a namorada de um ex-governador de São Paulo guardava dois milhões de dólares, parte dos quais vindos de empreiteiras. Seus alvos faziam parte do arco de interesses que todos, inclusive a doutora, pretendiam destruir. Nenhum deles pensava em aumentar seu patrimônio. Os empreiteiros da Lava Jato buscavam o enriquecimento pessoal e o PT enfiou-se nesse mundo de pixulecos porque quis.

terça-feira, 30 de junho de 2015

¿POR QUÉ NO TE CALLAS, DILMA?

Quando não se tem nada aproveitável para dizer...
A presidenta Dilma Rousseff deveria mirar-se no exemplo do Marco Polo Del Nero e não sair tão cedo do seu canto.

Por motivo diferente, claro. Ao contrário do cúmplice de José Maria Marin, ela pode correr mundo  à vontade, sem o mínimo receio de prisão e extradição. Deste tipo de vexame a Dilma nos poupa.

Mas, cada vez que abre a boca no exterior, deixa morrendo de vergonha todos que a temos como presidenta da República.

Ora atribui seu novo recorde de impopularidade a um inverossímil preconceito sexual por parte dos brasileiros que há poucos meses a reelegemos. Não consta que, depois de outubro de 2014, tenha ocorrido em nosso país uma epidemia de machismo. Trata-se, tão somente, de uma saída pela tangente, uma desculpa de má pagadora.

E, se nem na Quadrada das Almas Perdidas uma lorota destas cola, muito menos na capital do Império. Os leitores do Washington Post, um dos jornais mais importantes do planeta, devem ter sentido pena de nós.

Ora Dilma faz um verdadeiro samba do crioulo doido por não levar em conta a regra de ouro de que roupa suja se lava em casa. Qualquer mandatário que se desse ao respeito e tivesse respeito pelo seu cargo não se manifestaria em solo estrangeiro sobre um assunto doméstico tão pobre e tão podre.

Primeiramente, porque é o partido no poder que está sendo duramente atingido por alcaguetagens dos seus parceiros de maracutaias, a ponto de tirar Dilma do sério. Então, a primeira coisa que ocorrerá a um estrangeiro dotado de espírito crítico, lendo a catilinária de Dilma contra o delator premiado da vez, é: como o tal Partido dos Trabalhadores foi envolver-se com uma ralé moral tão nauseabunda?!
...a regra de ouro é: em boca fechada, não entra mosca.

Se, além disto, tal cidadão conhecer o passado do PT, mais estupefato ainda ficará: pois não é que uma agremiação nascida das lutas contra o patronato está em parafuso por haver sido pilhada em conluio com um dos segmentos mais vorazes e inescrupulosos do empresariado, os empreiteiros de obras! Virou tudo de cabeça pra baixo?

É óbvio que as declarações de Dilma, dadas durante conversa com jornalistas em Nova York, se endereçavam ao público brasileiro; mas, eram a hora e o lugar errados para as fazer, porque, queira ela ou não, o que presidente da República fala em viagem internacional tende a ter repercussão também internacional. Por que não incumbir um porta-voz qualquer de dar tal recado cá no Brasil?

É claro que melhor mesmo teria sido ela, simplesmente, calar. Pois,  nada se aproveita desta mistura de alhos com bugalhos:
"Eu não respeito delator, Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas. Eu garanto para vocês que eu resisti bravamente".
O que tem a ver, afinal, uma militante que combateu uma ditadura bestial com um meliante categorizado da organização criminosa que assaltou o Estado em plena democracia? 

Como equiparar o ato de não ceder às bestas-feras que queriam barbarizar e executar os melhores brasileiros com o ato de não ajudar os agentes de um Estado de Direito a denunciarem e processarem os piores brasileiros?  
Daria para esperar outra coisa deste indivíduo?

Como uma ex-resistente se tornou tão desnorteada a ponto de ela própria se colocar no mesmo plano de um reles Ricardo Pessoa (ao afirmar que ele fez o que ela não aceitou fazer), como se fossem valores de mesma grandeza?

Como uma presidente da República se põe a deitar falação sobre investigações policiais e judiciais em curso (o que, claro, configura pressão indevida e absolutamente injustificável sobre outras esferas do Estado)? 

E, tendo tal forçação de barra pontos de contato com os disparates demagógicos de alguns articulistas e blogueiros chapa branca, é o caso de indagamos se ela estará insinuando  a existência de alguma semelhança entre os métodos da Polícia Federal e os do DOI-Codi, entre o juiz Sérgio Moro e os auditores militares.  Espero que não, pois aí já seria desespero de causa; e causas desesperadas, defendidas com tamanho desapreço pela verdade, estão de antemão fadadas à nocividade.

De resto, como ex-preso político que também sofri o diabo nos porões do regime militar, acrescento que a comparação de Dilma peca igualmente no aspecto de ser descabido ela afirmar que resistiu bravamente aos que queriam transformá-la numa delatora.

É preconceituoso e desumano qualificar de delatores aqueles de quem os torturadores arrancaram alguma informação; todos sabemos que a resistência humana tem limites, quem cultuava super-homens eram Nietzche e os nazistas (quanto à Dilma, deve sonhar toda noite com super-mulheres-sapiens...).. 

Os correspondentes aos delatores premiados de agora não eram os pobres torturados de outrora, mas sim os vis  cachorros da repressão --militantes que, aceitando propostas indecentes dos torturadores, passavam a trabalhar para eles, em troca da liberdade, de uma nova identidade e de um pagamento mensal. Ou seja, negociavam os detalhes da barganha, firmavam o pacto e então mudavam de lado, para receberem  favores e contrapartidas dos verdugos. Não porque fossem coagidos a tanto, mas simplesmente para encurtarem a permanência na prisão e levarem vida melhor fora dela.
Quem se deita com cães, amanhece com pulgas.

Se Dilma queria comparar o dono da construtora UTC com alguém, por que não fez o paralelo certo, equiparando-o aos ditos cachorros? Talvez porque assim a pertinência seria maior mas a dramaticidade, menor; a ambiguidade é que convinha a seu propósito de usar um nobre passado como escudo contra acusações (verdadeiras ou não) que lhe fazem no presente.

Muitos dos que optamos por travar o bom combate em circunstâncias tão extremas, arriscando a vida, a integridade física/psicológica e a segurança de nossos entes queridos, consideramos imensamente mais importante o que fizemos então do que qualquer coisa que façamos ou sejamos agora.

Mesmo para manter uma faixa presidencial sob a democracia burguesa, não utilizaríamos como trunfo retórico nem faríamos chantagem emocional a partir de uma luta que para nós foi sagrada. Até porque nós, os sobreviventes do morticínio, temos a obrigação de honrar o sacrifício dos companheiros que não estão mais conosco.

É pena que a Dilma não seja mais como nós nem pense mais desta maneira. Sua imagem histórica como presidenta não tem conserto e temo que a permanência no cargo, doravante, nada lhe trará de gratificante. Fez as apostas erradas e perdeu; enquanto permanecer na mesa, será para padecer em agonia lenta.

Deveria encarar seu passado revolucionário como o maior patrimônio que lhe restou, a melhor lembrança que deixará para os pósteros. Dilma presidenta foi um equívoco, mas Wanda guerrilheira merecerá eternamente o respeito e a gratidão do povo brasileiro.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

VIVA ZYRIZA!!!

NOVAMENTE A GRÉCIA APONTA UM 
CAMINHO PARA A HUMANIDADE. 


NOVAMENTE A

ALEMANHA É O

BUNKER DA

DESUMANIDADE.

domingo, 28 de junho de 2015

O RAULZITO HOJE FARIA 70 ANOS/2: REFLEXÕES SOBRE A SOCIEDADE ALTERNATIVA.

Dupla homenagem ao Raulzito: o documentário Raul - o início, o fim e o meio (a janelinha para você vê-lo no blogue está lá embaixo...) e dois dos meus 
textos a seu respeito. 

Considero esta divagação sobre a sociedade alternativa como uma das minhas melhores contribuições 
às novas gerações. 

Parafraseando o Bob Dylan, há sangue nas teclas: trata-se de uma síntese das lições que extraí de um período incrível, quando, inconformados com a bestial repressão que se desencadeara contra os sonhadores de 1968, expulsando-nos das ruas, tentávamos ainda manter vivos os nossos ideais em comunidades fechadas, náufragos teimosos que éramos...

No início dos anos 80, quando trabalhava em revistas de música, tive uma breve amizade com o Raul Seixas.

O que nos aproximou foi termos ambos 1968 como referencial maior de nossas existências. 

Canções tipo "Metamorfose Ambulante", “Tente Outra Vez”, "Cachorro Urubu" e "Sociedade Alternativa" lavavam minha alma, num momento em que a velha esquerda rabugenta se reconstruía, passando como um rolo compressor sobre os sonhos da  geração das flores.

De papos sóbrios e etílicos que tive então com o Raulzito, posso dizer que o lance da sociedade alternativa era, basicamente, o de agruparmos as pessoas com boa cabeça em comunidades que estivessem, ao mesmo tempo, dentro do sistema (fisicamente) e fora dele (espiritualmente).

Essas comunidades existiram no Brasil, de 1968 até meados da década seguinte. Nelas praticávamos um estilo solidário de vida, buscando reconciliar trabalho e prazer. Procurávamos ter e compartilhar o necessário, evitando a ganância e o luxo.

Acreditávamos que um homem novo só afloraria com uma prática de vida nova; quem quisesse mudar o mundo dentro das estruturas podres, acabaria sendo, isto sim, mudado pelo mundo.

Então, em vez de conquistar o governo para tomar o poder e tentar implantar uma sociedade mais justa de cima para baixo, nós queríamos deslocar o eixo para o sentido horizontal: acreditávamos em ir praticando uma vida não-competitiva em comunidades que se entrelaçariam e cresceriam aos poucos, até engolirem a sociedade antiga.

As teses e posturas da chamada Nova Esquerda dos anos 60 continuam sendo uma das melhores tentativas que podemos fazer para sairmos deste  inferno pamonha  que o capitalismo globalizado engendrou. Daí o empenho dos conservadores de direita e de esquerda (eles existem, sim!) em relegá-las ao esquecimento. 1968 ainda é tabu.

O NÉO-ANARQUISMO 

Se, como todo mundo diz, a Sociedade Alternativa proposta pelo Raulzito tinha muito a ver com os livros do bruxo Aleister Crowley (que ele e o Paulo Coelho andaram traduzindo do original), também se inspirava nas barricadas parisienses, nas comunidades hippies e na contracultura, o que poucos apontam.

Ele e eu conversamos muito sobre isso; éramos ambos saudosos dos tempos em que tentávamos nos tornar homens novos na convivência solidária com os irmãos de fé, em nossos territórios livres.

A referência ao maio/1968 francês é óbvia, por exemplo, na segunda estrofe de "Cachorro Urubu": "E todo jornal que eu leio/ me diz que a gente já era,/ que já não é mais primavera./ Oh, baby, a gente ainda nem começou."

Os conservadores sempre tentaram reduzir a obra do Raulzito a uma provocação artística, sem maiores conseqüências políticas e sociais. Mas, ele não era meramente um gênio de comportamento anárquico, como tentam retratá-lo, folclorizando-o para torná-lo inofensivo.

Era, isto sim, um homem sintonizado com o néo-anarquismo que esteve em evidência na Europa e EUA na virada dos anos 60 para os 70. E só não dizia isso de forma mais explícita em suas canções porque o Brasil era um estado policial, submetido a uma censura rígida, embora burra.

Este não era, claro, o único aspecto de sua multifacetada personalidade – talvez nem o principal. Mas é o que mais tem sido omitido pelos que querem fazer dele apenas um monumento do passado, não um guia para a ação no hoje e agora.

LIKE A ROLLING STONE 

Eu vivi na estrada e em comunidade alternativa, em 1971/72. Foi uma experiência riquíssima, num momento em que eu precisava extravasar as emoções represadas no cárcere e me reconstruir, já que o sonho de uma sociedade de liberdade e justiça social ficara adiado por décadas e eu, esperançoso como qualquer adolescente, não me preparara psicologicamente para suportar a sociedade unidimensional que a contra-revolução erigiu.

Atrapalhava muito, naquela terrível Era Médici, a tensão entre a liberdade que queríamos vivenciar em recinto fechado e o terror e o medo que grassavam lá fora.

Vivíamos acuados, os cidadãos comuns nos olhavam com receio ou rancor por causa de nossas cabeleiras e roupas extravagantes. Enquanto isso, a economia deslanchava e alguns sentiam-se tentados a ir buscar também o seu quinhão do  milagre brasileiro.

Hoje, quem tem olhos para ver já pode aquilatar o que é a sociedade de consumo e a posição de país periférico na economia globalizada: parafraseando Conrad, "o horror, o horror!".

Acostumado aos tempos em que se trabalhava para viver, eu não consigo aceitar que atualmente as pessoas vivam para trabalhar, mobilizadas por objetivos profissionais umas 14 horas por dia (expediente, horas extras que dificilmente são pagas, cursos e mais cursos de atualização profissional, etc.).

E tudo isso para quê? Para poderem comprar um monte de objetos supérfluos e quase nunca encontrarem relacionamentos gratificantes no dia-a-dia, pois já não sabem mais interagir – querem apenas usar umas às outras.

Então, fico pensando que, em lugar de levarmos vida de cão dentro do sistema, poderíamos todos estar nos agrupando em casarões da cidade e sítios no campo, criando pequenos negócios para subsistência, plantando, levando uma vida simples mas solidária. Reaprendendo a ter no outro um irmão e não um competidor.

Com as facilidades de comunicação atuais (que fizeram muita falta há quatro décadas), essas comunidades urbanas e rurais se entrelaçariam, ajudando umas às outras, trocando o que produzissem, prescindindo dos bancos, escapando dos impostos e das formas de controle do Estado. Em suma, praticando criativamente, adaptados aos dias de hoje, os ensinamentos de Thoreau em A Desobediência Civil.

Seria um ponto de partida. E, conforme os territórios livres fossem crescendo, poderiam até virar algo mais sério – uma alternativa para toda a sociedade.

COMO FAZER 

Nas comunidades de 1968/72, o que se fazia era reviver a velha democracia grega: reuniões para se decidir os assuntos mais importantes, para nos conhecermos melhor, para sonharmos e brincarmos.

Podia começar num debate acirrado e terminar com todo mundo nu dançando ao som de "Let the sun shine in" (com inocência, pois não éramos dados ao sexo grupal).

Enfim, tentávamos existir plenamente como grupo, esforçando-nos para superar o egoísmo e a possessividade.

Havia problemas, claro. Emprestávamos ao outro o que ele estava precisando mais, numa boa; só que, às vezes, descobríamos na enésima hora que alguém tinha levado sem pedir aquilo que a gente ia usar. Dava discussão e os limites tinham de ser depois definidos na reunião coletiva da nossa comuna.

Também não era fácil administrarmos o jogo das paixões. Minha amizade com um ótimo companheiro andou estremecida por uns tempos quando a namorada rompeu com ele e iniciou uma relação comigo. Por mais que quiséssemos nos colocar acima de sentimentos menores como o ciúme, eles existiam e nos machucavam.

O importante, entretanto, era essa vontade que todos tínhamos de superar as limitações de nossa educação pequeno-burguesa e viver de forma generosa e solidária.

Quando alguém tinha um problema, era de todos. Quando alguém estava triste, logo um companheiro ia perguntar o motivo. Tudo que podíamos fazer pelo outro, fazíamos.

Onde erramos? Duas vaciladas fatais implodiram nossa comuna. Uma foi deixarmos a droga correr solta – LSD e maconha, principalmente, pois o propósito era abrirmos as  portas da percepção, no dizer de Huxley. Isto, entretanto, trouxe à tona facetas da personalidade reprimida que o grupo não conseguia administrar. Acabaram ocorrendo conflitos, separações.

A outra foi recebermos de braços abertos todos os pirados que apareciam, vendo um amigo em cada pessoa que parecesse estar fora do sistema. Como sempre, apareceram os aproveitadores, os parasitas, os pequenos marginais. E a polícia veio atrás.

Mas, as experiências que vivenciamos foram tão intensas que aquele ano valeu por uns cinco. Foi com imenso pesar que vimos aqueles laços se romperem, sendo obrigados a voltar, cada um por si, à luta inglória pela sobrevivência. É uma tortura ser obrigado a correr de novo atrás do ouro de tolo, quando não se tem mais  aquela velha opinião formada sobre tudo...

Com algumas correções de rumo e numa conjuntura menos repressiva, as comunidades ainda poderão ser viabilizadas. Há que se tentar outra vez. Mesmo porque, como disse o Raul, "basta ser sincero e desejar profundo/ você será capaz de sacudir o mundo".

O NOVO DESAFIO 

A tentativa de irmos engendrando uma alternativa ao sistema dentro do próprio sistema tem muito mais a ver agora do que no tempo do Raul, pois os homens precisarão unir-se para enfrentar a crise das alterações climáticas.

Na segunda metade deste século, o planeta será fustigado por terremotos, maremotos, furacões, tufões, tsunamis, inundações, fome e seca. As perdas poderão ser diminuídas se os homens se ajudarem mutuamente, sem o egoísmo e a competitividade capitalistas; caso contrário, até mesmo o fim da espécie humana não estará descartado.

O futuro da humanidade não pode ficar à mercê da ganância, sob pena de interesses mesquinhos acabarem destruindo o planeta.

Os homens têm de encontrar formas de organizar-se para a produção em termos solidários, visando o bem comum e não o lucro. Cooperarem em vez de competirem.

Mas, isso não pode ser imposto por uma burocracia. Chega de ditadura do proletariado, estatização compulsória da economia e outras experiências que tiveram maus resultados!

É uma mudança de cultura que teremos de efetuar voluntariamente, se quisermos legar aos nossos descendentes algo além de uma Terra arrasada.

Teremos de construir algo novo a partir da cooperação voluntária dos cidadãos. Mostrar que o bem comum deve prevalecer sobre os interesses individuais. Convencer os recalcitrantes ou mantê-los fora da nova sociedade que estivermos criando. Mas, fazer o possível e o impossível para evitar que ela também descambe para a coerção e a repressão.

E não serão os podres poderes atuais que vão encabeçar essa luta. A união de que necessitamos deve ser forjada a partir de agora, como uma rede a ser montada pelas pessoas de boa cabeça, independentemente de governos e partidos políticos.

Se o enfrentamento da maior ameaça com que os homens já se depararam não propiciar o surgimento de uma sociedade melhor, nada mais o fará.

O RAULZITO HOJE FARIA 70 ANOS/1: A TEIMOSIA BRABA DO GUERREIRO.

Dupla homenagem ao Raulzito: o documentário Raul - o início, o fim e o meio (a janelinha para você vê-lo no blogue está lá embaixo...) e dois dos meus textos  a seu respeito, começando com esta entrevista que fiz em 1980, para a revista Música.

Ele gostou tanto  que ligou para a redação e me convidou para uma  boca livre  da gravadora CBS. Foi o início de minha fugaz amizade com o maluco beleza, com direito a papos filosóficos e etílicos.

E, em termos jornalísticos, tratou-se de um dos poucos textos que fiz macaqueando explicitamente a postura do Norman Mailer de se colocar como parte do evento retratado. Hoje me parece artificial essa referência a mim mesmo na 3ª pessoa, como "o repórter". Naquele tempo achei o máximo. Quem disse que a idade não traz sabedoria?

A referência, no 2º parágrafo, a um "jornaleco colorido que pras gravadoras é uma canja" dificilmente será entendida atualmente. Trata-se do jornal Canja, uma picaretagem que não vingou. Era realmente uma publicação que só mostrava o lado positivo dos artistas, banindo até o mais remoto resquício de distanciamento crítico. Nem as gravadoras prestigiaram essa bajulação oportunista.

A Kika a que me refiro no texto foi a última namorada do Raul e a musa por ele homenageada na canção "Ângela", uma das mais bem-sucedidas que conheço no tratamento poético do erotismo.

Mas, chega de papo furado e vamos ao artigo.

O repórter era o compromisso das onze e meia da  matina  na agenda do Raul Seixas; aliás, da agenda que fizeram para ele e que se encarregaria logo, logo, de rasgar e transformar em aviãozinho de papel...

[O Raul foi primeiramente num jornaleco colorido que pras gravadoras é uma canja: encarrega-se ele mesmo de fazer o press-release. Não tem críticos, portanto não tem opinião, portanto apenas ecoa o que as gravadoras querem passar sobre seus artistas e o que estes querem passar sobre si mesmos. Antes os house-organs: são de graça.]

E o Raul chegou ao meio-dia, muito discreto com sua jaqueta vermelha e seus óculos alaranjados. Ele, a Kika -- sua companheira -- e o Luís da CBS. O repórter tinha sido colocado numa brecha entre aquele matinal fornecimento de matéria-prima para divulgação (liquidação de primavera: duas páginas de entrevistas por uma de anúncio, quem vai nessa?) e um encontro mais sério, no Folhão, às duas da tarde. Sobrou o almoço. Mas, antes, um papo rápido, enquanto o fotógrafo trabalha.

Começamos. Por que o sarro com o presidente da WEA, André Midani ("André Ledani só faz confusão/ Sonhei com ele e mijei no colchão"), na faixa "Conversa Para Boi Dormir"? 
"Bom, quando ele saiu da Philips e quis me levar junto, pensei que reconhecesse meu valor. Mas, não sei por que, a WEA praticamente nem divulgou meu penúltimo LP, Por Quem os Sinos Dobram. Você ouviu falar nele? Alguém ouviu? Daí, achei que era hora de levantar acampamento. E agora estou na Columbia Broadcasting System. Very good!" [Dá um sorriso moleque e aponta com o olhar um diretor da CBS.]
O Raul parece o tempo todo interessado nas peripécias do fotógrafo, que tenta achar o melhor ângulo. "O que é que há, Raul, está estranhando?" Ele: "Sei lá, vai ver que sou meio tímido. Fico sempre inibido". O repórter se espanta, tenta captar se ele estava falando sério. Estava.

NOSSOS COMERCIAIS, PLEASE! 

Começo de entrevista é sondagem de parte a parte. Então, pintam os lances mais formais, tipo:
"Desde o tempo de 'Ouro de Tolo' até hoje, continuo fazendo o mesmo trabalho, dentro das mutações da civilização, como observador, contador de histórias, gostador de música..."
Ou: 
"Hoje é uma época caótica, não temos nada. Existiram duas décadas com ídolos saídos da terra, enraizados na terra -- a de Elvis e James Dean, depois a dos Beatles. E aconteceram todas aquelas mudanças de comportamento. Agora não há nada, não está acontecendo nada. Os anos 80 são isto: nada. Então, se no atacado a coisa dançou, a gente tenta salvar algo no varejo. O rock dos outros pode estar morto, mas o meu rock está vivo e com força total".
Além disso, há propostas, projetos: lançar seu atual LP, Abre-te Sésamo, não numa coletiva de imprensa, mas numa mesa-redonda sobre os anos 80, com a participação de Lula, D. Helder, Walter Clark e alguns jornalistas escolhidos a dedo ("Quero sentar-me e ficar ouvindo, para variar"); dar um show com sinfônica no Anhembi, marcando "my great come back"; gravar um LP nos EUA, chamado Opus 666, uma transa místico-poética em torno de uma visão atual do Diabo ("Depois esse disco chega como importado no Brasil e todo mundo compra. Santo de casa não faz milagre").

A ENTREVISTA DE VERDADE 

Corte para um restaurante chinês. O Raul se descontraiu por completo depois de uma confissão do repórter. Estavam atravessados em sua garganta os necrológios infames que a grande imprensa cometeu por ocasião dos dez anos do maio francês, da Primavera de Praga e de tudo que iluminou sua mocidade no longínquo 68, então saiu o disco O Banquete dos Mendigos [registro de um magnífico espetáculo em prol dos direitos humanos, que passou muito tempo proibido pela censura] e o repórter se arrepiou todo quando ouviu o Raul cantar a já esquecida "Cachorro Urubu": 
"E todo jornal que eu leio/ Me diz que a gente já era,/ Que já não é mais primavera/ o baby, a gente ainda nem começou".
Então, Raul sentiu-se entre amigos. E a conversa deixou de ser oficial. Para começar, ele fez aparecer, num passe de mágica, uma garrafinha metálica cheia de uísque. Despejou-a inteira em seu copo, tomou um longo gole e depois passou-o adiante. O proprietário (um chinês velhinho, de cabelos brancos) notou a garrafa trazida de fora, veio olhar: "Que engraçada, essa amostra..."

O Raul não deixou por menos, caricaturizou: "Essa não vai na conta, no?!". Mais tarde explicou que o velho estava tirando uma com a cara dele. "Se é para ser filho da p..., então eu vou ser o maior de todos!"

A Kika quis saber: "Como é, vocês não vão acabar a entrevista?". O repórter se espantou: "Ora, mas é agora que nós estamos fazendo a entrevista de verdade". O Raul completou: "E ai de nós quando acabarmos!".

Traçando um frango xadrez e bebendo muito saquê, o Raul começou a mostrar a mesma irreverência de suas músicas:
"Já que estão falando de abertura, então vamos ver até onde vai. Por isso eu fiz 'Abre-te Sésamo,' exatamente para questionar, porque o que está aí não é abertura nem nada. Depois, em 'Aluga-se', eu dou um bom conselho pro Delfim: se eu fosse ele, alugava o Brasil".
SERÁ QUE EU FALEI BOBAGEM?  

Lá pelas tantas, o Raul colocou todo o resto de comida numa travessa só e nos convidou a comermos diretamente dali, como irmãos. O repórter ainda mandou ver umas garfadas, os outros já haviam encerrado. Os assuntos iam e vinham. A Kika falou de um germe recém-descoberto que comia ferrugem. O Raul aproveitou: "É, o bichinho come tudo que há de ruim nesta sociedade industrial -- o petróleo, a ferrugem, até os edifícios. Quando é que ele vai chegar no Figueiredo?" Aí, fingiu-se de assustado: "Será que eu falei bobagem, heim?".

A cada instante, a Kika e o Luís lembravam que estava ficando tarde para a entrevista na Folha. O Raul acabou desabafando: "A maioria dessas entrevistas é um saco, principalmente as coletivas!". O repórter comentou que as coletivas têm meia hora de papo formal sobre o disco ou o show que o artista está promovendo, depois fica tudo mais descontraído e até saem conversas interessantes; só que ninguém anota, pois os jornalistas de hoje só sabem trabalhar com o lado promocional. O Raul faz um gesto de "olhaí, eu não disse?". E interrompe: "Não precisa falar mais nada. A gente já se entendeu".

Bota-fora. Raul chama um último saquê, o repórter lamenta: "O diabo vai ser passar o resto da tarde na redação, escrevendo". O Raul não quis ouvir: "Não fala isso, irmãozinho, não fala isso! Eu fico muito triste". O repórter novamente estranhou e quis ver se havia algum traço de ironia no rosto dele. Nenhum.

PODE NÃO CANTAR NADA, MAS QUE COXAS!  

Bêbados em pleno começo de tarde, na rua Teodoro Sampaio. Luís e Kika já estão longe, ansiosos por apanhar depressa o carro. Raul atrás, abraçado ao repórter, admirando os traseiros de quatro garotas que passam despreocupadas. "É demais! É demais!" Pergunta ao repórter o que acha de uma cantora da moda, bem medíocre. "Sei lá. Em que sentido?" Ele dá outro sorriso maroto e aponta as meninas: "Nesse mesmo. Eu vi na TV e não me aguentei. Pode não cantar nada, mas que coxas!"

[E o repórter se dá conta que, ao contrário de quase todos os artistas que conheceu, Raul Seixas é sincero. Tanto nas suas esculhambações políticas como no clima sensual de suas músicas. No deboche bem humorado do 'Rock das Aranhas'. No conselho a uma baby de treze anos, de que se "quer deitar/ Não dar ouvido à razão, não/ Quem manda é o coração". Nos versos de sexo quase explícito de Ângela: "Rouba do meu leite agora/ O gosto da minha vitória" e também "Minha espada erguida para a guerra/ Com toda fúria que ela encerra". De forma alguma idéias tomadas de empréstimo a bons letristas como Paulo Coelho e Cláudio Roberto. Mas verdades, também para si. Principalmente para si.]

O Raul disse que estava há quatro noites sem dormir. Saiu bem atrasado para a Folha. Chegando lá, capotou. Desistiu de todas as entrevistas marcadas para a tarde. Foi para o hotel descansar.

* * *

O repórter só escreveria esta matéria alguns dias depois. Típico trabalhador da indústria cultural: salários aviltados, necessidade de fazer toneladas de matérias para sobreviver. Despersonalizando o estilo, prostituindo um dom.

No entanto, calou fundo nele a "teimosia braba do guerreiro", a imagem desse admirável guerreiro que insiste em manter a loucura dos anos 60 em meio ao marasmo e calculismo dos 80. E as sucessivas audições de Abre-te Sésamo lembraram-lhe tudo que a música era e ultimamente deixou de ser: alegria, revolta, paixão, coragem.

Então, o repórter resolveu, ao menos desta vez, fazer a matéria que tinha vontade de fazer, ao invés do texto bem comportado que as escolas ensinam e os editores recomendam. Saiu assim.

DE HORA EM HORA DILMA PIORA E A ESQUERDA DEGRINGOLA

Como diria o Lênin, estamos num daqueles momentos em que "é preciso dar um passo atrás para depois dar dois passos adiante".

Enquanto Dilma Rousseff estiver na Presidência e o Brasil em recessão, sua popularidade minguará cada vez mais: o mau humor generalizado com a queda de poder aquisitivo, acrescido da indignação também generalizada por ela haver adotado a política econômica que jurou de pé juntos jamais adotar, magnifica o impacto das acusações de corrupção que jorram profusamente das operações Lava Jato e Acrônimo. A agonia lenta de Dilma é o pior dos mundos possíveis.

Colocado numa permanente defensiva, o PT só tem forças para tentar salvar a si próprio, enquanto as forças conservadoras vão impondo sua pauta em toda linha, como se quisessem fazer o País voltar à Idade Média. 

A direita não tem pressa: de hora em hora a situação da Dilma piora. Seu desgaste vai aumentar até que haja algum tipo de ruptura. E, quanto mais durar o impasse, mais a esquerda se desmoralizará, até ficar com a imagem em frangalhos.

Lembrem-se: a força motriz de todo esse baixo astral é o péssimo desempenho da economia brasileira. E não há hipótese de sairmos da crise antes de 2017, nem garantia nenhuma de que a maré vá começar a virar mesmo então.

Se hoje a Dilma só tem a aprovação de 10% dos brasileiros, como estará, digamos, daqui a um ano? Com 1%? Não dá para esperarmos tanto. O Brasil se esfarelará.

Então, se o PT hoje não estivesse tão aferrado ao poder pelo poder, como o Lula tão bem diagnosticou, seria a hora de pensar seriamente na renúncia de Dilma Rousseff.

Uma nova eleição jogaria a crise econômica no colo do PSDB e PMDB (o primeiro certamente sairia das urnas como o administrador da massa falida e o segundo como a eminência parda de sempre), tirando-os da cômoda posição de surfarem na desdita brasileira.

Como num passe de mágica, os casos de roubalheira seriam restituídos à sua dimensão habitual. Não existe sinceridade em tal furor moralista por parte do stablishment brasileiro; a corrupção é intrínseca ao capitalismo, jamais será erradicada sob o capitalismo, há raros períodos (como o atual) em que convém aos poderosos jogá-la no ventilador, depois tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes. Já vimos esse filme várias vezes.

E a esquerda sairia da posição de vidraça que a paralisa, voltando a ser estilingue. Poderia começar a combater os avanços conservadores, tentando reconstruir-se na luta. Precisa reencontrar sua alma. Precisa reencontrar-se com os seus.

Mas, claro, para tanto seria necessário existir um Lênin entre nós, alguém com visão de estadista. Não há. Então, tudo indica que os passos continuarão sendo dados todos para a frente... na direção do abismo e até o mais amargo fim.

PARA DUNGA E SEUS ANÕES, ATÉ O PARAGUAI É GULLIVER...

O Brasil micou. Na política, na economia, até no futebol. E o pior é que há nenhum motivo para sonharmos com uma melhora, só a desalentadora suspeita de que dias piores virão.

Depois de ser chutada do Mundial da Fifa que nem cachorro vira-lata, a Seleção Brasileira conseguiu agora a proeza de ser mandada para casa após fazer quatro partidas simplesmente horrorosas na Copa América, contra adversários que antes eram fregueses de caderneta: Peru, Colômbia, Venezuela e Paraguai.

E deve ter aprendido a lição de que contar com um fora de série não adianta quando se trata do Neymar: ele nunca conviveu bem com a responsabilidade de carregar o time nas costas. Tem talento mas não espírito de liderança, como menino mimado que é.

Se não lhe derem coadjuvantes minimamente competentes e (pelo menos um) com personalidade forte, será mais fácil o Neymar igualar-se aos tico-ticos do que alçá-los a águias.

E é hora de se buscar um técnico muito melhor do que Dunga, treinador sem currículo, sem brilho e sem ideias.

Ele foi o pai do novo fiasco, um fracasso anunciado: tomou sufoco da Venezuela por recuar sem necessidade e repetiu a dose contra o Paraguai, atraindo a desgraça.

Com Dunga o Brasil correrá sério risco de não disputar a próxima Copa do Mundo. Para tudo há uma primeira vez.

Só vejo um nome para salvar o arremedo de escrete brasileiro que está aí: o Tite. Ele tirou leite de pedra ao montar, com o pouco que tinha à mão, o grande time do Corinthians do início desta temporada; e agora, mesmo após o sucateamento da equipe, vai conseguindo manter o Timão à tona. É o homem certo para este momento tão errado do futebol brasileiro...

sábado, 27 de junho de 2015

CABO ANSELMO LANÇA LIVRO "MINHA VERDADE". MAS, O VEREDICTO DA HISTÓRIA É BEM DIFERENTE...

A História deu o veredicto sobre o antigo marinheiro de primeira classe José Anselmo dos Santos, erroneamente apelidado de Cabo Anselmo, em 2012, quando a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça negou seu pleito, decidindo que jamais fora vítima da ditadura mas sim um agente provocador a serviço dos golpistas desde a fase de preparação da quartelada de 1964.

Hoje com 74 anos, ele exercita seu direito de espernear contra a verdade histórica na autobiografia Minha Verdade, com prefácio de Olavo de Carvalho, que a editora Matrix começou a colocar nas livrarias neste sábado (27). Quantas árvores terão sido abatidas para fornecer o papel no qual foram impressos os 3 mil inúteis e repulsivos exemplares?

Anselmo sempre alegou só ter começado a colaborar com a repressão, armando ciladas nas quais os resistentes eram presos ou mortos, após ser preso em 1971 pelo delegado Sérgio Fleury, do Deops paulista. Já o PCB desde os anos 60 o vinha acusando de agente provocador.

A Comissão de Anistia chegou à verdadeira verdade a partir de documentação secreta do Serviço de Inteligência da Aeronáutica, de papéis recebidos do Arquivo Nacional e de um depoimento do ex-delegado Cecil Borer no sentido de que Anselmo era mesmo um infiltrado (ver aqui), comprovando de viva voz o que sempre se suspeitara: não passou de uma farsa a alegada fuga do marinheiro da delegacia carioca na qual estava detido em maio de 1966, pois ele foi simplesmente solto.

O MAIS NOTÓRIO "CACHORRO" DO FLEURY

Antes mesmo de definitivamente comprovada sua condição de agente duplo, Anselmo já tinha assegurado uma posição infame na História como o mais célebre dos militantes da luta armada que, presos, atuaram (segundo o jargão dos próprios órgãos de segurança) como cachorros da repressão. 

De acordo com o amigo e protetor de Anselmo até hoje, o (antigo torturador) delegado Carlos Alberto Augusto, do 12º distrito de São Paulo, só no Deops/SP havia uns 50 deles.

Até 2012, perdurava, contudo, uma dúvida: Anselmo mudara de lado em 1971--o que obrigaria a União a atender seu pleito, apesar das abominações que cometeu, tendo até se vangloriado de haver causado a  morte de "cem, duzentos" opositores da ditadura que o tinham como companheiro--  ou era, desde o início, um agente infiltrado? A Comissão de Anistia deu o xeque-mate na questão.

Principal agitador da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil no período que antecedeu o golpe de 1964, Anselmo chegou a ser preso pelo novo regime mas escapou de forma inverossímil; passou vários anos foragido e chegou a treinar guerrilha em Cuba.

De regresso ao Brasil em 1970, militou na luta armada contra o regime militar, ao mesmo tempo em que colaborava com a repressão da ditadura, desgraçando seus companheiros.

Eis como Élio Gaspari relatou, em Ditadura Escancarada, a mais lembrada de suas missões:
"A última operação de Anselmo, na primeira semana de janeiro de 1973, (...) resultou numa das maiores e mais cruéis chacinas da ditadura. Um combinado de oficiais do GTE e do DOPS paulista matou, no Recife, seis quadros da VPR. Capturados em pelo menos quatro lugares diferentes, apareceram numa pobre chácara da periferia.
Lá, segundo a versão oficial, deu-se um tiroteio (...). Os mortos da VPR teriam disparado dezoito tiros, sem acertar um só. Receberam 26, catorze na cabeça. (...) A advogada Mércia de Albuquerque Ferreira viu os cadáveres no necrotério. Estavam brutalmente desfigurados".
Passou então a viver sob a proteção dos órgãos de segurança, que lhe proveram remuneração e fachada legal sob identidade falsa. De vez em quando, para aumentar os ganhos, concedia entrevistas que foram publicadas com destaque na grande imprensa e até viraram livros.

Vários dos ex-colegas de Anselmo na Armada há muito sustentavam que ele sempre serviu à comunidade de informações.

Primeiramente, porque ele tudo fez para radicalizar os movimentos dos subalternos das Forças Armadas – fator decisivo para que a oficialidade, sentindo-se afrontada, decidisse quebrar seu juramento de fidelidade à Constituição, passando a apoiar os conspiradores.

Após o golpe, Anselmo pediu asilo na embaixada mexicana. Mas logo mudou de ideia e, embora fosse uma das pessoas mais procuradas do País, saiu andando calmamente de lá, sem ser detido.

O HÓSPEDE SAÍRA E NÃO VOLTARA...

Algum tempo depois foi preso, exibido como troféu pela ditadura... e logo transferido para uma delegacia de bairro, na qual, diz Gaspari, “Anselmo fazia serviços de telefonista, escrivão e assistente do único detetive do lugar”.A situação carcerária do ex-marujo, continua Gaspari, não cessou de melhorar:
"Com as regalias ampliadas, era-lhe permitido ir à cidade. Numa ocasião surpreendeu o ministro-conselheiro da embaixada do Chile, visitando-o no escritório e pedindo-lhe asilo. Quando o diplomata lhe perguntou o que fazia em liberdade, respondeu que tinha licença dos carcereiros. O chileno, estupefato, recusou-lhe o pedido".
Finalmente, sem nenhuma dificuldade, Anselmo deixou a cadeia em abril de 1966. Nada houve que caracterizasse uma fuga: apenas constataram que o hóspede saíra e não voltara. 

O grande jornalista Jânio de Freitas assim comentou tal episódio:
"O compreensível ódio da oficialidade desacatada pelos marinheiros, logo na mais classista das forças militares, transmudou-se em represália feroz quando o golpe possibilitou a prisão da marujada rebelde. Masmorras e prisão nas piores condições em navios foram o destino comum dos apanhados.
Não, porém, para o maior incitador da rebelião e das ameaças à oficialidade: Anselmo foi posto em um pequeno e pacato distrito policial na orla da floresta do Alto da Tijuca, sem vigilância especial, e disponível para seus visitantes.
Em poucos dias, não precisou de mais do que sair pela porta para a liberdade. Os visitantes perderam a sua nos dias seguintes".
E foi mais longe Jânio de Freitas, acrescentando uma informação não muito conhecida sobre Anselmo:
"Também por aquelas alturas, um cartunista jovem e já famoso foi solicitado a ajudar 'o caçado' Anselmo, arranjando-lhe um abrigo por alguns dias. O rapaz deu-lhe a chave de um apartamento. Em troca, recebeu os efeitos habituais da repressão, e mais tarde viveu anos de exílio na Suíça".
Mas, de todas as ignomínias de Anselmo, nada se compara a haver causado a morte da companheira que engravidara (a Soledad Barret Viedma), tendo preferido propiciar o massacre de seis revolucionários do que salvar sua amante e a criança que ela concebia.

[Vale registrar que Anselmo incluiu no livro uma mensagem do irmão de Soledad, na qual este diz "não acreditar" que ela estivesse grávida ao ser entregue para os carrascos da ditadura. Além de isto não ser conclusivo, em nada diminuiria a torpeza de quem tinha um relacionamento íntimo com ela e traiu miseravelmente sua confiança.]
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