domingo, 21 de dezembro de 2014

A BELA VENINA E AS FERAS DO PODER

Um dos meus artigos mais controversos de todos os tempos foi Combate à corrupção é bandeira da direita (vide íntegra aqui), que lancei em abril de 2009, alguns meses depois que parte da esquerda pateticamente tomou partido numa guerra de gangsteres pelo mercado de telecomunicações, travada bem no centro dos podres poderes.  Enojara-me sobremaneira o endeusamento a um delegado metido a Quixote, mas que não passava do laranja de uma das facções mafiosas.

Como a sucessão de escândalos na política e na economia parecia não ter mais fim (dura até hoje, por sinal...), resolvi recolocar em circulação a tese corretíssima do Paulo Francis, de que só à direita convém manter a opinião pública mesmerizada por esses roubos menores, intrínsecos ao capitalismo, enquanto é levada a passar batido pelo maior de todos os roubos: a propriedade privada dos meios de produção.

Assim, quando a lama novamente inundava o noticiário, escrevi estas verdades:
"...a desproporção entre o dano causado ao cidadão comum pelos ladrões de galinha da política e as atividades corriqueiras dos capitalistas é incomensurável.
O capitalismo nos acarreta:
* emergências ecológicas como as alterações climáticas que ameaçam a própria sobrevivência da nossa espécie; 
* recessões desnecessárias como a atual (que ainda não se sabe se evoluirá ou não para depressão);
* a condenação de parcela considerável da humanidade a vegetar em condições subumanas;
* o desperdício criminoso do potencial ora existente para assegurar-se a cada habitante deste sofrido planeta o mínimo condizente com uma sobrevivência digna;
* a mobilização permanente dos homens para atividades improdutivas e desnecessárias ao invés da redução da jornada de trabalho para que todos possam desenvolver-se plenamente como seres humanos; 
* etc. (muitos, muitos etcéteras!).
 ...interessa aos defensores do capitalismo fazer a patuléia acreditar que a razão maior de seus apuros econômicos são os impostos, que estes acabam sendo em grande parte desviados pelos políticos e que isto, só isto, impediria nosso país de deslanchar.
Ademais, as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida...
De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento..."
Coerentemente, escândalos como o do mensalão e o do petrolão só entram nos meus textos em função de suas consequências políticas. Pouco me importariam as investigações da Polícia Federal e a miséria moral dos delatores premiados, se as revelações bombásticas não parecessem estar pavimentando o caminho para uma tentativa de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Afinal, acusações de corrupção já derrubaram um presidente (Fernando Collor) e ajudaram a derrubar outros três (Washington Luís, Getúlio Vargas e João Goulart).

Jamais poderia, contudo, ignorar uma das escaramuças da batalha de opinião que se trava entre acusadores e defensores da direção da Petrobrás: as tentativas de desqualificação da ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, uma Francenildo de saias, que certamente seria aclamada pelo PT dos velhos e bons tempos.  Como a perspectiva dos companheiros mudou depois da chegada ao poder!

Nem sequer se dão conta de que os relatos de Venina convencem por estarem vindo ao encontro do que todo cidadão minimamente perspicaz já terá percebido. Os ataques a ela, além de sórdidos, são contraproducentes, autênticos tiros pela culatra.

Quando um partido dos trabalhadores começa a satanizar caseiros e funcionários para livrar a cara de ministros e presidentas de empresas, é hora de refletir seriamente sobre se sua sigla não virou propaganda enganosa.

O assassinato de reputações é uma das práticas mais odiosas da nossa vil política. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

UM FILME DE TRIBUNAL INESQUECÍVEL: "12 HOMENS E UMA SENTENÇA".


12 homens e uma sentença (1957), que escolhi a dedo para retomar a disponibilização de filmes para ver no blogue, é uma obra-prima do cinema humanista. Marcou a estréia do fundamental diretor Sidney Lumet na tela grande, depois de cinco anos desperdiçando talento com tralhas televisivas.  

O roteirista Reginald Rose estava inspiradíssimo ao criar esta história tão fora do padrão estadunidense: a ação se passa inteiramente na sala de deliberações de um júri. Parece teatro filmado, mas não é. E Lumet soube evitar uma possível monotonia ao criar um clima de tensão crescente, absorvente, não deixando a peteca cair em momento algum.

Além do tema fascinante, dos diálogos memoráveis e da excelência do trabalho de Lumet, um filmes desses depende em muito da escolha dos atores certos e da qualidade dos seus desempenhos. Foi outra bola dentro: nenhum destoou.

Num dia muito quente, no qual a ventilação (para piorar) não está funcionando, o que os jurados mais querem é um rápido desfecho, com a condenação a toque de caixa de um jovem porto-riquenho acusado de parricídio. 

Mas, a sentença precisa ser unânime e um deles (Henry Fonda, magnífico!) começa a levantar dúvidas e mais dúvidas, alegando que o advogado de ofício o defendera pessimamente. Vai desmontando a acusação e trazendo um a um para seu lado.

Outros atores superlativos: E. G. Marshall, Jack Warden, Lee J. Cobb e Martin Balsam.

Foi o pontapé inicial de uma carreira cinematográfica das mais consistentes do século passado. Lumet fez outro dos melhores filmes de tribunal de todos os tempos (O Veredicto, 1982) e tem no seu currículo preciosidades como O homem do prego (1964), A colina dos homens perdidos (1965), Até os deuses erram (1972), Rede de intrigas (1976) e O príncipe da cidade (1981).

A mesma história seria depois refilmada três vezes: 12 Homens e uma Sentença (d. William Friedkin, 1997), 12 (d. Nikita Mikhalkov, 2007) e 12 Douze hommes en colère (d. Dominique Thiel, 2010). Nenhuma chega perto desta aqui. A picaretagem russa não credita a ideia original a Reginald Rose, embora salte aos olhos que a inspiração veio dela.

Por último: considero simplesmente grotesca a prática brasileira de impedir qualquer discussão entre os jurados, relegando a sua participação a entrarem mudos, a tudo assistirem sem dar um pio, preencherem um reles questionariozinho e saírem calados. Nossa formação é elitista e autoritária (em sentido amplo) a ponto de sequer admitir que os membros do júri troquem idéias entre si e, talvez, cheguem a conclusões diferentes das que promotores e advogados lhes propõem. Este filme mostra quão melhor seria se eles fossem encarados como adultos e seres pensantes...


Se as legendas não aparecerem, clique no 4º ícone da dir. p/ a esq.

O MELHOR DO NÁUFRAGO: "VARIAÇÕES SOBRE UMA POESIA DE BRECHT".

AOS QUE VIRÃO DEPOIS DE NÓS
Bertold Brecht

Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ri, é porque
ainda não recebeu a terrível notícia.

Que tempos são esses, quando
falar de flores é quase um crime,
pois significa silenciar sobre tanta injustiça?

Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está, então, inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas, acreditem: é por mero acaso.
Nada do que eu faço
me dá o direito de comer quando tenho fome.
Por acaso venho sendo poupado.
Se a minha sorte me abandona, estou perdido!

Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas, como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
Se o copo de água que bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas, mesmo assim, eu continuo comendo e bebendo.

Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo
que se tem para viver na terra.

Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas, eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!

Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens
no tempo da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a Terra.

Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a Terra.

Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países
que de sapatos, desesperados!
Quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar
o caminho para a amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.

Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós com um pouco de compreensão.

EU VIVO NUM TEMPO DE GUERRA

Boal e Guarnieri (Arena conta Zumbi)

Eu vivo num tempo de guerra. Eu vivo num tempo sem sol.

Só quem não sabe das coisas é um homem capaz de rir. Ah, triste tempo presente, em que falar de amor e flor é esquecer que tanta gente está sofrendo tanta dor!

Todo mundo me diz que eu devo comer e beber. Mas, como é que eu posso comer? Mas, como é que eu posso beber? Se eu sei que estou tirando o que vou comer e beber de um irmão que está com fome, de um irmão que está com sede, de um irmão...

Mas, mesmo assim, eu como e bebo. Mas, mesmo assim: esta é a verdade!

Dizem crenças antigas que viver não é lutar. Que sábio é o que consegue ao mal com o bem pagar. Quem esquece a própria vontade, quem aceita não ter seu desejo, é tido por todos um sábio. É isso que eu sempre vejo. É a isso que eu digo NÃO!

Eu sei que é preciso vencer
Eu sei que é preciso brigar
Eu sei que é preciso morrer
Eu sei que é preciso matar

É um tempo de guerra
É um tempo sem sol
É um tempo de guerra
É um tempo sem sol

Sem sol, sem sol, tem dó!
Sem sol, sem sol, tem dó!

Ah, eu vivi na cidade no tempo das desordens, eu vivi no meio da gente minha no tempo da revolta, assim passei os tempos que me deram pra viver!

E você que me prossegue
E vai ver feliz a Terra
Lembre bem do nosso tempo
Desse tempo que é de guerra

Veja bem que preparando
O caminho da amizade
Não podemos ser amigos, ao mau
Ao mau vamos dar maldade

Se você chegar a ver
Essa terra da amizade
Onde o homem ajuda ao homem
Pense em nós só com bondade


AOS QUE VIERAM DEPOIS DE NÓS

(minha saudação aos jovens que 
reerguiam o movimento estudantil)

Jovens companheiros,

recebam o abraço de um náufrago da utopia de 1968, quando os melhores brasileiros, muitos deles tão novos como vocês, percorreram esses mesmos caminhos de idealismo e esperança, sem conseguirem levar a bom termo a jornada.

Eram tempos sem sol, em que só tinham testas sem rugas os indiferentes e só se davam ao luxo de rir aqueles que ainda não haviam recebido a terrível notícia.

Num país de tão gritante desigualdade social, eu e meus amigos chegávamos a ser tidos como privilegiados. E, tanto quanto a vocês, os reacionários empedernidos e os eternos conformistas nos diziam: “Come e bebe! Fica feliz por teres o que tens!”.

Da mesma forma que vocês agora, um dia percebemos que nada do que fazíamos nos dava o direito de comer quando tínhamos fome. Por acaso, estávamos sendo poupados – ao preço de silenciarmos sobre tanta injustiça.

E cada um de nós se perguntou: “Como é que eu posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro a quem tem fome? Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?”.

Escolhemos o caminho árduo dos que têm espírito solidário e senso de justiça.

Poderíamos, é claro, nos manter afastados dos problemas do mundo e sem medo passarmos o tempo que se tem para viver na terra. Mas, não conseguíamos agir assim. Viéramos para o convívio dos homens no tempo da revolta e nos revoltamos ao lado deles.

Foi uma luta desigual e trágica. Muitos daqueles com quem contávamos preferiram a “sabedoria” de seguir seu caminho sem violência, não satisfazendo seus melhores anseios, mas esquecendo-os. E se tornaram inacessíveis aos amigos que se encontravam necessitados.

No final, desesperados, trocávamos mais de refúgios do que de sapatos, pois só havia injustiça e não havia mais revolta.

Os que sobrevivemos, ainda amargamos a incompreensão dos que se puseram a falar sobre nossas fraquezas, sem pensarem nos tempos sem sol de que tiveram a sorte de escapar.

E assim transcorreram anos e décadas. Só nos restava confiar em que o ódio contra a vilania acabaria endurecendo novos rostos e que a cólera contra a injustiça um dia ainda faria outras vozes ficarem roucas.

A espera chegou ao fim. Saudamos esse movimento que vocês iniciaram e estão sustentando contra todas as incompreensões e calúnias, como o renascer da nossa utopia.

Nós, que tentamos e não conseguimos preparar o terreno para a amizade, temos agora a certeza de que a luta prosseguirá. E a esperança de que vocês vejam chegar o tempo em que o homem será, para sempre, amigo do homem.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

SAIBA POR QUE A "FOLHA" FICOU TÃO INCOMODADA COM O RELATÓRIO DA CNV

Despertando imensa indignação em 2009
Quem conhece o viés conservador/reacionário dos jornalões brasileiros, não se surpreendeu com a defesa incondicional que os três principais (O Estado de S. Paulo, a Folha  de S. Paulo e O Globo) fizeram da indefensável anistia de 1979, cuja revisão acaba de ser recomendada por alguns integrantes da Comissão Nacional da Verdade e por dois ministros do Supremo Tribunal Federal.

Ao defenderem-na, tais tentáculos da indústria cultural omitem que ela não passou de um mostrengo jurídico, a mera imposição da lei do mais forte sobre uma oposição expurgada (por frequentes cassações dos mandatos de seus parlamentares) e chantageada (a libertação de centenas de presos políticos e a permissão de volta dos exilados dependiam de sua anuência a tal grotesquerie). 

Assim como a presidenta Dilma Rousseff, entoam em uníssono a cantilena do respeito aos "pactos e acordos que levaram o país à redemocratização", sem jamais esclarecerem que o pacto se deu entre Fausto e Mefistófeles, e que o acordo foi selado por quem mantinha reféns com quem ansiava por vê-los livres.

A ONU, a OEA e o Direito internacional desconsideram quaisquer simulacros de anistias gestados em plena vigência do arbítrio, com o objetivo de fornecerem uma espécie de habeas corpus preventivo para agentes do Estado que estupraram os direitos humanos (e para os seus mandantes).

Semeando a confusão em 1964
Também não causa surpresa nenhuma o fato de que, dos três, seja o mais envolvido com as atrocidades da ditadura quem mais se esforce para desacreditar o relatório final da CNV.

Assim, em editorial de 12/12/2014, Página virada (vide íntegra aqui), a Folha sustentou uma tese das mais estapafúrdias e ofensivas para os brasileiros, qual seja a de que o axiomático para os países civilizados não vige nestes tristes trópicos:
"Não é sensato nem desejável que compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, determinando que a tortura é crime imprescritível, possam sobrepor-se à soberania jurídica nacional quando se trata das próprias fundações do Estado de Direito entre nós"
Ou seja, o editorialista quis fazer-nos crer que apurarmos a responsabilidade por crimes hediondos e punirmos os culpados abalaria as "próprias fundações do Estado de Direito entre nós". Quem mais estaremos impedidos de submeter à Justiça? Os grandes traficantes? Os exploradores da pornografia infantil? Os assassinos seriais?

Será que este disparate provém do mesmo profissional que, em 17/02/2009 (vide aqui), qualificou de ditabranda o despotismo vigente no Brasil entre 1964 e 1985?

Para que a Folha do último dia 12 tivesse jeitão de sexta-feira 13, não poderia faltar a contribuição do Vlad Dracul do colunismo político, Reinaldo Azevedo. Em Comissão Nacional da Farsa (vide aqui), ele repetiu a falácia predileta dos ogros da ditadura e dos cuervos por eles criados, a de que algozes e vítimas são equiparáveis:
"Os assassinatos cometidos por terroristas não ocuparam o tempo dos donos da verdade. Segundo eles, são 434 os mortos e desaparecidos. As 120 pessoas eliminadas pelo terrorismo viraram esqueletos descarnados também de memória".
Colaborando com a repressão em 1970
Quais terroristas, cara pálida? Os inventados nos anos de chumbo pelos serviços de Guerra Psicológica das Forças Armadas, ao aplicarem um rótulo descabido a quem justificadamente pegou em armas contra uma ditadura?

Tratou-se de uma ignominiosa manipulação, que visava a efeitos meramente propagandísticos. Até as pedras sabem que os resistentes jamais pretenderam insuflar o terror, mas sim libertar o País de tiranos --os quais, eles sim, recorreram desmedidamente ao terrorismo (de estado) para manter o povo brasileiro amedrontado e subjugado.

Vale repetir: a resistência à tirania é um direito inalienável dos cidadãos, que remonta à Antiguidade e hoje ninguém mais contesta no mundo civilizado. Então, não é o caso de, simplesmente, compararmos atos de violência com outros atos de violência, como se fossem grandezas equivalentes.

A violência perpetrada por agentes do Estado, visando à perpetuação de um governo ilegítimo (pois resultante de uma quartelada), tem uma caracterização jurídica diametralmente oposta à da violência praticada por civis que, em condições de extrema inferioridade de forças, resistiam a tal despotismo.

Ademais, a violência dos agentes do Estado foi relevada, estimulada e acobertada, permanecendo impune até hoje, enquanto a violência dos resistentes já foi punida nos anos de chumbo --da forma mais arbitrária e com rigor extremo, quase sempre descambando para a bestialidade.

RA deveria estar-se mirando no espelho, quando escreveu que "esse relatório é um lixo moral"...

Por último, é alogiável que a Folha de 15/12/2014, ao dar voz aos familiares de vítimas da esquerda (vide aqui), tenha apresentado os dois lados do caso do empresário Henning Albert Boilesen:
Retaliada pelos resistentes em 1971
  • o compreensível desabafo do filho (segundo quem se tratava de "um pai de família que, certo dia, despediu-se da mulher, saiu para trabalhar e levou 25 tiros na cabeça de terroristas de esquerda"); 
  • e também a informação de que "o relatório da Comissão Nacional da Verdade afirma que Boilesen era um empresário que arrecadava recursos para o aparato de repressão e que chegou a importar um aparelho de choques e a assistir a sessões de tortura".

Poderia explicar melhor, claro. Boilesen não foi um financiador da repressão qualquer, mas sim o principal deles. Ao criarem a Operação Bandeirantes, as Forças Armadas não assumiram de imediato a paternidade do monstro, deixando que permanecesse durante o segundo semestre inteiro de 1969 na semiclandestinidade: não tinha existência legal, mas mandava mais do que o Deops, ao qual institucionalmente competia a repressão aos subversivos.

Então, foi uma vaquinha organizada por Boilesen junto a seus amigos (empresários fascistas) que bancou o funcionamento da Oban, pois, naquele tempo, era menos usual o desvio de recursos orçamentários para outras finalidades. Esta situação persistiu até 1970, quando os militares instituíram o DOI-Codi (que absorveu a Oban, legalizando-a...).

E foi também graças aos esforços de Boilesen que os órgãos de repressão passaram a contar com generosas doações para premiarem os torturadores que capturassem ou matassem os membros da resistência. Havia até uma tabelinha de preços por cabeça, à maneira dos cartazes de procurado vivo ou morto que vemos nos filmes de faroeste.

Qual movimento de resistência de qualquer país e de qualquer época que não justiçaria alguém como Boilesen, o homem que alimentava e açulava os pitbulls responsáveis por tantas mortes e torturas de seus quadros?
Manifestação diante da delegacia que sediou a Oban

De qualquer forma, a Folha pelo menos fez constar, ainda que sucintamente, o outro lado referente ao Boilesen. Só esqueceu do outro lado referente a si própria, pois, no mesmíssimo capítulo referente ao Boilesen, o relatório final da CNV também a cita:
"Ficou conhecido o banquete organizado pelo ministro Delfim Netto no Clube São Paulo, antiga residência da senhora Viridiana Prado, durante o qual cada banqueiro, como Amador Aguiar (Bradesco) e Gastão Eduardo de Bueno Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo), entre outros, doou o montante de 110 mil dólares para reforçar o caixa da Oban.
Ao lado dos banqueiros, diversas multinacionais financiaram a formação da Oban, como os grupos Ultra, Ford, General Motors, Camargo Corrêa, Objetivo e Folha (grifo meu)".
E, mais adiante:
"...a pesquisadora Beatriz Kushnir constatou a presença ativa do Grupo Folha no apoio à Oban, seja no apoio editorial explícito no noticiário do jornal Folha da Tarde, seja no uso de caminhonetes da Folha para o cerco e a captura de opositores do regime".
Vale lembrar, ainda, que a Folha foi o grande jornal mais tímido no repúdio ao sórdido papel histórico que desempenhara nos anos de chumbo.

A família proprietária do Estadão jamais escondeu sua participação no golpe de 1964, mas se distanciou dos militares quando estes descumpriram a promessa de devolver o poder saneado aos civis e, ao invés disto, radicalizaram a ditadura. A partir de então, O Estado de S. Paulo e o Jornal da Tarde mantiveram postura exemplar, denunciando o arbítrio e se tornando alvos preferenciais da censura. 

Os Mesquitas mostraram até coragem pessoal em algumas situações, como quando orientaram os seguranças da casa a impedirem que os agentes do DOI-Codi sequestrassem um jornalista no ambiente de trabalho  (o dito cujo acabou saindo do prédio no porta-malas do carro do patrão e sendo oculto no sítio do mesmo).

O Globo só deu a mão à palmatória em 31/08/2013 (vide aqui), mas, pelo menos, o fez ostensivamente.

Já a Folha, torcendo para que passasse o mais despercebido possível, inseriu este texto num caderno comemorativo do seu 90º aniversário, acrescentado à edição de 19/02/2011, mais como álibi para quando alguém a acusasse de jamais ter feito a indispensável autocrítica. 

Passaria despercebido em meio ao auê louvaminhas para si própria, caso a ombudsman não tivesse aludido a ele na sua coluna dominical, frustrando a matreirice. Eis o que o jornal sorrateiramente admitiu, entre outros pecados:
"...A partir de 1969, a 'Folha da Tarde' alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.
A entrega da Redação da 'Folha da Tarde' a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da Ação Libertadora Nacional, de Carlos Marighella... 
...Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins".
A última frase é daquelas que outrora, invariavelmente, despertavam o comentário "acredite quem quiser!".

Então, faz todo sentido que a Folha, mais de quatro décadas depois, continue tentando relativizar o que não passou de mais um capítulo da eterna luta da civilização contra a barbárie. Como então se alinhou com os bárbaros, está pisando em ovos até agora.

Mas, abstendo-se de informar aos seus leitores que nesta questão não é parte isenta, mas sim interessada, deveria ao menos ser um pouquinho mais discreta. Está dando na vista.

PARREIRA SUGERE QUE OS BRASILEIROS SOMOS TODOS IMBECIS

Se tivesse um mínimo de simancol, estaria cabisbaixo até hoje.
Em 2014, a Seleção Brasileira de futebol amargou a maior goleada de sua história centenária. Em mais de mil partidas oficiais disputadas, jamais sofrera placar tão acachapante quanto os 7x1 que a Alemanha lhe aplicou.

Mais: a pior derrota em todos os tempos aconteceu justamente na semifinal de uma Copa do Mundo disputada nos nossos gramados. E, somada aos 0x3 na disputa do 3º lugar com a Holanda, fechamos nossa participação com um infame acumulado de 1x10 nos dois jogos finais.

Ou seja, nossa campanha foi desastrosa, humilhante, vergonhosa, patética, repulsiva. Únicos pentacampeães mundiais de seleções, ao invés de temor, passamos a despertar compaixão: os alemães, visivelmente, facilitaram a marcação do nosso chamado gol de honra (a expressão não cai bem para tamanha desonra...) no apagar das luzes e até a aplaudiram! A que ponto chegamos.
Este livro nem sebo aceita

Incrivelmente, Carlos Alberto Parreira --que, como coordenador técnico da Seleção, foi um dos principais responsáveis pelo retumbante fiasco-- tem a cara de pau de dizer que está tudo esquecido: 
"Eu achava que em um ano recuperava aquele clima terrível da Copa, daquele jogo da Alemanha e depois da Holanda. Mas bastaram seis meses e seis vitórias em seis jogos, algum deles com a equipe muito bem, e o país já superou".
Superou p... nenhuma!!! Só se aqui fosse um país de imbecis...

Na verdade, nem mesmo a conquista do hexacampeonato, se e quando ocorrer, será suficiente para apagar o papelão de 2014. 

Felipão e Parreira podem perder as esperanças: a última imagem que deixarão vai ser péssima a ponto de eclipsar seus feitos do passado. Brasileiro que sabe das coisas e não se deixa engambelar pelo auê midiático visando tornar de novo rentável o produto futebol, não os perdoará jamais! 

E não vão ser seis vitórias em amistosos caça-níqueis, contra adversários preocupados apenas em fazer testes para o futuro, que nos convencerão de que o escrete, sob o comando de outro técnico tão inadequado quanto o Felipão de 2014, marcha para algo além de novos vexames.

Quem viver, verá. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

DICA DE UM FILME MALDITO QUE AFINAL É DISPONIBILIZADO NA WEB

Eu sempre aplaudirei as iniciativas para tornar-se a arte acessível a quem a queira fluir, tendo ou não grana para pagar por ela. É o espírito de 1968. Continuo fiel a ele. 

Na década de 1970, participei entusiasticamente de coletâneas alternativas impressas em gráficas menores como a Casa do Pequeno Trabalhador e que depois eram vendidas a preço de banana, pela quantia de que o interessado dispusesse. Ninguém jamais ficou sem livro, em último caso os presenteávamos.  Nunca o arrecadado cobriu totalmente os custos, mas não ligávamos de bancar a diferença fazendo vaquinhas entre nós. 

Hoje, como blogueiro, não dou a mínima para o direito autoral de meus textos nem admito forma nenhuma de comercialização nos meus blogues. Quem os acessa está livre de malhos comerciais e pode copiar o que quiser para colar onde quiser, desde que (única exigência) cite a fonte.

Admiro os jovens blogueiros que se empenham em fazer da internet, tanto quanto possível, um território livre da ganância capitalista. Vejo isto como mais uma confirmação de que as boas sementes da minha geração frutificaram.

Caso dos chamados downloaders, que se dão ao trabalho de garimpar arquivos de filmes, adaptar ou criar legendas e os disponibilizarem. A maioria, sem ganhar um centavo por uma faina que geralmente é das mais trabalhosas (levam até duas semanas para traduzir e adequar uma legenda). E a quase totalidade, sem sequer assinar o próprio nome, por receio dos cães de guarda dos direitos autorais.

Um deles, meu amigo virtual há bom tempo, é o Tatuador. Ele acaba de disponibilizar um filme raríssimo, atendendo gentilmente a uma sugestão minha: Escalofrío (d. Carlos Puerto, filmado em 1977 e lançado no ano seguinte). Quem quiser baixar, encontra-o aqui

Também chamado de Satan's blood, pode ser definido como um Bebê de Rosemary com algumas sequências eróticas pesadas (embora não explícitas). E é um thriller envolvente, com boas surpresas e reviravoltas, prendendo a atenção o tempo todo (apenas o finalzinho é previsível).

Para melhor compreendê-lo, temos de levar em conta o subtexto (aquilo que não é dito, mas está por trás de tudo): a Espanha acabava de sair de 37 anos de uma brutal ditadura fascista; e o franquismo tivera como um dos principais sustentáculos a Igreja Católica, herdeira das terríveis caças às bruxas promovidas pela Santa Inquisição e responsável pelo moralismo rançoso imposto ao país durante as intermináveis décadas de tirania.

Então, ao mostrar o completo triunfo de uma trama de satanistas e carregar na dosagem de sexo, Carlos Puerto dava duas sonoras bofetadas nas bochechas de religiosos que se acumpliciaram com a barbárie. Trata-se, em suma, de um filme-desabafo, como muitos que foram lançados em países que se redemocratizaram.

Provavelmente se deva a isto a dificuldade que existia até agora para o encontrarmos disponibilizado na web. Embora tenha qualidade artística muito superior à do trivial do gênero de terror e haja sido adotado por muitos como cult, permanecia quase clandestino na web.

Então, o Tatuador merece todo reconhecimento por haver contribuído, em muito, para que Escalofrío possa ser apreciado por contingentes mais amplos de internautas.

O melhor papel que os downloaders podem desempenhar é exatamente este, de implodir tanto as barreiras da mercantilização da arte quanto as da censura, seja ela explícita ou implícita.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O RELATÓRIO DA CNV E OS OBNUBILADORES DE OPINIÃO

Para tentarem diminuir o impacto do relatório final da Comissão Nacional da Verdade,  os remanescentes e as viúvas da ditadura, os cuervos que ela criou e os oportunistas que fazem do anticomunismo seu ganha-pão lançaram uma verdadeira blitzkrieg de demagogia e simplismos tendenciosos, que fariam a delícia do Sérgio Porto. O material por eles expelido em apenas dois dias seria suficiente para o saudoso Lalau acrescentar um quarto volume à série Festival de Besteiras que Assola o País

Como não estou no ramo das análises clínicas, evitarei colocar sob o microscópio o material em questão, até para poupar quem tem olfato mais delicado. Irei diretamente ao âmago da questão.

A resistência à tirania é um direito inalienável dos povos, que remonta à Antiguidade e hoje se tornou axiomático para os civilizados.

Então, não é o caso de, simplesmente, compararmos atos de violência com outros atos de violência, como se fossem grandezas equivalentes.

A violência perpetrada por agentes do Estado, visando à perpetuação de um governo ilegítimo (pois resultante de uma quartelada), tem uma caracterização jurídica diametralmente oposta à da violência praticada por civis que, em condições de extrema inferioridade de forças, resistiam a tal despotismo.

Ademais, a violência dos agentes do Estado foi relevada, estimulada e acobertada, permanecendo impune até hoje, enquanto a violência dos resistentes já foi punida nos anos de chumbo --da forma mais arbitrária e com rigor extremo, quase sempre descambando para a bestialidade.

Também não tem importância jurídica nenhuma o objetivo último, distante e longínquo, dos que combatiam a ditadura militar. 

Terem-na combatido foi um FATO. O que pretendiam fazer depois que a derrubassem, se a tivessem derrubado, não passava de INTENÇÕES (e, nem de longe, havia unanimidade entre os resistentes quanto a isto, pois cada corrente tinham em mente um ponto de chegada diferente). 

Então, o que realmente importa era estarem --no seu pleno direito-- enfrentando usurpadores do poder, que utilizavam desmedidamente a violência para nele se manterem. O resto serve apenas para discussões ociosas e para manipulações grosseiras.

Quanto ao, também, FATO de que o Direito internacional, a ONU e a OEA desconsideram anistias decididas por ditaduras durante a sua vigência, é chocante que os editorialistas dos jornalões e os Reinaldos Azevedos da vida continuem escamoteando ou fingindo ignorar esta obviedade! 

A anistia de 1979 não passou de um mostrengo jurídico, a mera imposição da lei do mais forte sobre uma oposição expurgada e chantageada. E deveria ser apresentado ao povo como o que realmente foi, um motivo de humilhação e vergonha para os brasileiros. A indústria cultural deseduca.

Os "pactos e acordos que levaram o país à redemocratização", a que amiúde alude a presidenta Dilma Rousseff, foram espúrios e são inaceitáveis num Estado de direito. Pois o pacto se deu entre Fausto e Mefistófeles, e o acordo foi selado por quem mantinha reféns com quem ansiava por vê-los livres.

A Lei da Anistia é outro entulho autoritário do qual nos deveríamos ter livrado em 1985. Estamos há três décadas sendo relapsos no cumprimento de um de nossos deveres como nação civilizada. E certos obnubiladores de opinião tudo fazem para que continuemos deitados eternamente em atraso esplêndido.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A PRINCIPAL RECOMENDAÇÃO DA CNV FICARÁ SÓ NO LERO LERO?

"Não guardo mágoa, 
não blasfemo, não pondero
Não tolero lero lero, 
devo nada pra ninguém"
(Cacaso)

Tem gente demais escrevendo sobre o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que será tema obrigatório ao longo desta semana e, provavelmente, notinha de rodapé na próxima.

Então, evitando entediar os leitores, vou separar o joio do trigo, o que realmente importa do supérfluo, do rancoroso e do oba oba palaciano.

Em 1979, as altas autoridades da ditadura negociaram com a oposição consentida uma anistia recíproca, que não passou da imposição da vontade dos vencedores sobre os vencidos: o preço da libertação de presos políticos e da permissão para que exilados voltassem a salvo de represálias foi o perdão eterno dos agentes crapulosos do Estado e seus mandantes.

A barganha espúria teve a conseqüência de manter o passado insepulto; há três décadas e meia seus fantasmas teimam em assombrar a Nação brasileira.

A ONU, a OEA e o Direito internacional acertadamente consideram aberrantes e ilegais esses simulacros de anistias emanados de ditaduras, pois a desigualdade de forças determina invariavelmente o resultado .

Canso de indagar: se Adolf Hitler houvesse montado farsa semelhante quando os aliados desembarcaram na Normandia, os altos dirigentes nazistas seriam poupados do julgamento de Nuremberg? 

Então, cabia ao Estado brasileiro, como uma das primeiras medidas da redemocratização, revogar a Lei de Anistia imposta --um mero habeas corpus preventivo de que os torturadores e seus mandantes se muniram-- e substitui-la por outra, compatível com um Estado de direito.

O governo de José Sarney (logo quem!) não fez a lição de casa, assim como não a fizeram todos os presidentes da República depois dele. 

Em 2008, o lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade e a insubmissão de alguns comandantes militares que peitaram o governo, acendeu a polêmica no seio do Ministério de Luiz Inácio Lula da Silva. Os ministros Tarso Genro e Paulo Vannuchi defendiam a revisão da anistia de 1979, mas perderam a parada para a corrente do imobilismo, da omissão e da covardia, liderada pelo ministro da Defesa Nelson Jobim. 

Lula instruiu os ministros enaltecerem os resistentes, mas não tomarem nenhuma iniciativa concreta, em nome do seu governo, contra a Lei da Anistia. 

Evidentemente, com o Executivo fora da jogada, não se poderia esperar grande coisa do Legislativo e do Judiciário. 

Que o primeiro fingiria nada ter a ver com a encrenca era a chamada caçapa cantada.  

Pior ainda fez o Supremo Tribunal Federal em 2010, ao considerar plenamente válida uma armação que fez lembrar os sequestros de pessoas: os indiscutíveis representantes dos algozes mantiveram centenas de vítimas como reféns até que os presumidos representantes das ditas cujas concordassem em pagar o resgate exigido. Os que chamam isso de pacto, devem ter em mente a acepção goethiana do termo; os Faustos foram infaustos, enquanto Mefistófeles estava mefistofélico como nunca.

Genro e Vannuchi, para salvarem a própria imagem depois que Lula os desautorizou a cumprirem com seu dever, apontaram o caminho dos tribunais para os inconformados com a impunidade dos ogros. Várias tentativas têm sido feitas desde a ação pioneira da família Telles contra o torturador-mor Carlos Alberto Brilhante Ustra, algumas até indo além das primeiras instâncias,  sem que, contudo, fosse ultrapassado o derradeiro obstáculo: o STF.

Agora Dilma Rousseff terá outra oportunidade de fazer o que é certo, tomando a única atitude capaz de destravar esses processos: a de colocar todo o peso do governo federal a favor da revisão da Lei da Anistia. Caso contrário, a principal recomendação da CNV --acabar com a impunidade dos verdugos-- ficará no lero lero.

Talvez seja sua última chance de honrar o passado de resistente e torturada, depois de haver olimpicamente ignorado a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre os mortos do Araguaia.

Há quem acredite que, pelo menos no caso do atentado ao Riocentro, o STF deixará de se comportar como guardião da impunidade dos hediondos; afinal, cronologicamente, tal ação terrorista, datada de abril de 1981, não estava mais sob o guarda-chuva protetor da Lei da Anistia. Mas, ainda que isto ocorra, nada indica que abrirá um precedente para a condenação de réus de cometeram suas bestialidades no período permitido (até 15 de agosto de 1979). Não nos iludamos.

E é também sem ilusões que devemos encarar a possibilidade de que, façamos o que fizermos, talvez nenhum dos 196 acusados pela CNV acabe preso. Nossa Justiça é morosa ao extremo e permite uma infinitude de manobras protelatórias para os que podem pagar bons advogados. Mais da metade já morreu e, dada a idade avançada, poucos alcançarão a próxima década. Será melhor colocarmos nossas esperanças na justiça divina...

Ainda assim, não podemos fechar esta página vergonhosa da nossa História com um veredito tão dúbio.

Por um lado, o Estado brasileiro estaria admitindo que seus agentes podem ser anistiados após executarem prisioneiros indefesos, estuprarem, torturarem, maltratarem crianças para coagirem pais, ocultarem cadáveres, etc.

Por outro, instituiu as comissões de Mortos e Desaparecidos Políticos, de Anistia e da Verdade para apurarem as atrocidades do período e, as duas primeiras, concederem reparações às vítimas ou seus herdeiros.

O que isto sinaliza para os pósteros? Que, em determinadas circunstâncias, eles poderão cometer os crimes mais atrozes sem serem punidos, correndo apenas o risco de ficarem com péssima imagem. Os cínicos concluirão que as generosas recompensas para quem serve aos déspotas compensam o mico de depois figurarem na História como vilões e serem alvos de escrachos...

É por isto que se impõe a substituição do simulacro de anistia por uma anistia de verdade! Os tentados a atentarem contra as instituições (e eles têm mostrado a cara por aí!) saberão que, da próxima vez, tendem a não escapar tão facilmente do merecido castigo.

Para os governantes que têm paúra de quarteladas, uma sugestão: se querem conceder algo aos velhos gorilas para apaziguá-los, que seja a garantia de não encarceramento dos condenados. Que, lá no fim da linha, os poucos que tiverem sobrevivido à maratona jurídica sejam indultados por velhice e/ou doença grave, ou mantidos em prisão domiciliar. Certamente não mostraram idêntica consideração para com nossos velhos, mas temos a obrigação de ser melhores do que eles.

No entanto, é como oficialmente culpados que eles têm de passar à História. Se quisemos respeitarmo-nos como povo e como nação. Se tivermos vergonha na cara.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

POLÍCIAS MILITARES JÁ DEVERIAM ESTAR EXTINTAS DESDE A REDEMOCRATIZAÇÃO

Em seu relatório final, a Comissão Nacional da Verdade está propondo o fim das Polícias Militares em todo o País, uma vez que "a atribuição de caráter militar às polícias militares estaduais, bem como sua vinculação às Forças Armadas, emanou de legislação da ditadura militar", anomalia que perdura até hoje, "fazendo com que não só não haja a unificação das forças de segurança estaduais, mas que parte delas ainda funcione a partir desses atributos militares".

Vale lembrarmos que, em junho de 2012, o Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas igualmente recomendou a extinção das ditas cujas, em função não só de seu altíssimo índice de letalidade, mas também do fato de que parte expressiva de tais óbitos se devia a "execuções extrajudiciais".

Após analisar 11 mil casos de alegadas  resistências seguidas de morte, a ONU constatou o que por aqui todos estávamos carecas de saber desde 1992, quando Caco Barcellos lançou seu primoroso livro-reportagem Rota 66 - A história da polícia que mata: frequentemente não houvera resistência nenhuma mas, tão somente, assassinatos a sangue frio de suspeitos já rendidos.

Para piorar, as autoridades brasileiras quase sempre acobertavam os homicídios desnecessários e covardes perpetrados pelos PMs.

Na reunião da ONU em que se discutiu o assunto, coube à Coreia do Sul dar nome aos bois, equiparando tais episódios aos crimes outrora cometidos pelos nefandos esquadrões da morte (aqueles bandos de policiais exterminadores que, durante a ditadura militar, trombeteavam triunfalmente seus feitos e agora atuam com alguma discrição, mas continuam existindo, sim, senhor!).

"TREINAMENTO CRUEL E HUMILHANTE"

A recomendação da CNV vem ao encontro da proposta de emenda constitucional (PEC 51/2013), que está tramitando no Congresso Nacional. Ela prevê a desvinculação entre a polícia e as Forças Armadas; a efetivação da carreira única, com a integração entre delegados, agentes, polícia ostensiva, preventiva e investigativa; e a criação de um projeto único de polícia. .

Marcelo Freixo, professor de História e deputado estadual pelo PSOL (RJ), é um dos grandes defensores da PEC 51/2013. Ele lembra, inclusive, que o treinamento imposto pela PM --rigoroso a ponto de justificar a comparação com sessões de tortura-- já causou a morte de soldados.

O caso mais chocante aconteceu no Rio de Janeiro, em novembro/2013, quando um integrante da 5ª Companhia Alfa da PM morreu, outros 33 recrutas passaram mal e 24 sofreram queimaduras nas mãos ou nas nádegas (quem não suportava os exercícios era obrigado a sentar-se no asfalto escaldante).

Os oficiais não lhes davam sequer tempo para se hidratarem, então alguns beberam a água suja destinada aos cavalos. A enfermaria da unidade revelou que alunos chegaram a urinar e vomitar sangue.

O secretário estadual de Segurança José Mariano Beltrame, então classificou a morte do recruta Paulo Aparecido Santos de Lima, de 27 anos, como homicídio.

Uma pertinente indagação de Freixo:
"Como esses soldados, submetidos a um treinamento cruel e humilhante, se comportarão quando estiverem patrulhando as ruas e atuando na pacificação das comunidades?" 
E uma constatação também pertinente (eu diria até irrefutável...):
"Em todos os Estados do país, a PM é concebida sob a mesma lógica militarista e antidemocrática. (...) Em vez de se preocupar em formar soldados para a guerra, para o enfrentamento e a manutenção da ordem de forma truculenta, o Estado precisa garantir que esses profissionais atuem de forma a fortalecer a democracia e os direitos civis. A realização dessa missão passa necessariamente por mudanças na essência do braço repressor do poder público".
ENTULHO AUTORITÁRIO

Tal mostrengo, como reiterou a CNV, existe por obra e graça da ditadura de 1964/85, só sobrevivendo a ela em função da pusilanimidade dos governantes civis a quem cabia eliminar o entulho autoritário.

Na sua trajetória para concentrarem poder na segunda metade da década de 1960, os militares encontraram alguma resistência por parte dos governadores civis que ajudaram a dar o golpe mas depois viram, com óbvio desagrado, esfumarem-se suas ambições presidenciais. Precavidos, os fardados resolveram assegurar-se de que os paisanos não contariam com tropas a eles leais.

O governador Adhemar de Barros, p. ex., até o último momento acreditou que a Força Pública impediria a cassação do seu mandato (tiraram-no do caminho acusando-o de corrupto -o que ele sempre foi- mas, na verdade, porque não se conformava com o monopólio castrense do poder).

Então, nas Constituições impostas de 1967 e 1969, a ditadura fez constar da forma mais incisiva que "as polícias militares (...) e os corpos de bombeiros militares são considerados forças auxiliares, reserva do Exército".

Na prática, seus comandos foram se subordinando cada vez mais aos das Forças Armadas; e as lições de tortura aprendidas de instrutores estadunidenses e aprimoradas nos DOI-Codi's da vida foram ciosamente repassadas aos novos  pupilos. Daí a tortura ter continuado a grassar solta, longe dos holofotes, depois da redemocratização do País, só mudando o perfil das vítimas (passaram a ser os presos comuns).

Além disto, a ditadura estimulou a absorção da civilizada Guarda Civil de São Paulo pela truculenta Força Pública (que atuava como tropa de choque em conflitos), sob a denominação de Polícia Militar. Vale notar que o decreto-lei neste sentido, o de nº 217, é de 08/04/1970, bem no auge do terrorismo de estado no Brasil.

Não é à toa que, até 2011, a unidade mais violenta da PM paulista (a Rota) mantinha no seu site rasgados elogios ao papel que a corporação havia desempenhado na derrubada do presidente legítimo João Goulart, só os deletando sob vara da então ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário.

O DESTINO FOI CRUEL DEMAIS COM ELE

Um ótimo livro sobre o Eduardo
É como  Basílio  que eu me lembro de Eduardo Collen Leite. Bacuri  foi um codinome que usou antes de abril/1969, quando o conheci no Congresso de Mongaguá da VPR.

Deve tê-lo mudado porque era mais um apelido; um tanto gordo, ele lembrava mesmo um porquinho. E, claro, assim o nome de guerra descumpria a finalidade de dificultar a identificação do companheiro que o utilizava.

Eu era um secundarista de 18 anos, um tanto deslumbrado por ter sido repentinamente admitido no círculo dos revolucionários mais procurados do Brasil. Olhava a todos e a tudo com muita atenção, fazia  minhas avaliações, queria entrosar-me o quanto antes com os novos companheiros.

Basílio não parecia o combatente  da pesada  que depois fiquei sabendo ser. Nem de longe. Fiquei surpreso quando o  Moisés  (José Raimundo da Costa) me contou algo de sua história.

Estava com o cabelo curto e um farto bigode, que o deixava com um jeitão de português, além de envelhecê-lo um pouco. Nunca adivinharia que ele tinha só 23 anos.

Era simples, afável, simpático. Quando se alterava, gaguejava um pouco. Foi o que aconteceu ao comunicar que deixaria a Organização.

Minhas recordações, quatro décadas e meia depois, são nebulosas. Lembro-me de que ficou muito emocionado, talvez tenha até chorado.

Notícia de sua morte num jornal alinhado com a repressão
Desentendera-se com outros companheiros a respeito do encaminhamento dado a operação(ões) armada(s); devido às regras de segurança fiquei sabendo disso muito superficialmente, então não pude (nem posso agora) estabelecer quem tinha razão.

Montou uma pequena organização, a Rede, que se manteve bem próxima da VPR, sendo nossa parceira em várias ações.

Quando o Moisés e eu vimo-nos ameaçados de expulsão da VAR-Palmares, no curso da luta interna que desembocaria na recriação da VPR, ele consultou o Basílio a respeito do nosso ingresso na Rede, recebendo sinal verde.

Bem ao seu estilo -- conservava sempre uma carta escondida na manga --, o Moisés só me falou dessa sondagem quando o racha estava consumado e nós, os precursores, reabilitados.

É minha última reminiscência envolvendo o Basílio, até ficar sabendo de sua prisão e martírio -- um dos episódios mais chocantes dos anos de chumbo. "Nenhum tormento conseguiu arrancar qualquer informação do Bacuri", garante Jacob Gorander.

Até hoje não me passa pela garganta que a vítima de tão terríveis e prolongados suplícios tenha sido aquele gordinho boa gente que batia bola comigo na praia de Mongaguá, durante os intervalos do congresso da VPR. As duas imagens não casam.

O destino foi cruel demais com ele.

Obs. - ainda sobre o Eduardo Collen Leite, leia aqui (clique p/ abrir) a descrição do seu martírio no relatório final da Comissão Nacional da Verdade. 
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