quinta-feira, 5 de maio de 2016

COLUNISTA DO ESTADÃO DIZ QUE TEORI FRUSTROU UM PLANO PARA SALVAR DILMA

Eliane Cantanhêde, colunista d'O Estado de S. Paulo que sempre teve excelente acesso aos bastidores dos Poderes, garante que Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal, frustrou um plano de seus colegas Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello para salvarem a presidente Dilma Rousseff de ser, na próxima semana, afastada provisoriamente do cargo pelo Senado.

Como se trata de informação quase impossível de se confirmar, eu apenas a registro como uma possível explicação da decisão inesperada de Zavascki e do elogio aparentemente exagerado que o ex-ministro Joaquim Barbosa lhe fez ("uma das mais extraordinárias e corajosas decisões da história político-judiciária do Brasil"):
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"A decisão do ministro Teori Zavascki de afastar o deputado Eduardo Cunha foi amadurecida durante a madrugada e teve o objetivo de desativar uma bomba preparada pelos ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello que, segundo análises de juristas,  poderia implodir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a posse do vice Michel Temer.
Mello e Lewandowski: pulo do gato?

Lewandowski e Mello poriam em votação hoje (5ª feira, 5) à tarde a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental de autoria da Rede de Sustentabilidade, que, além de pedir o afastamento de Eduardo Cunha, determinava simultaneamente, segundo interpretação de outros ministros, a anulação de todos os seus atos no cargo –e, por conseguinte, também do acatamento do pedido de impeachment de Dilma.

Zavascki se irritou e outros ministros estranharam que Mello tenha aceitado relatar a ADPF da Rede, quando o natural seria que a enviasse para ele, que relata o caso Cunha desde dezembro. E as suspeitas pioraram quando Mello acertou com o presidente Lewandowski para suspender toda a pauta de hoje no plenário para se concentrar nessa ação.

Ao perceberem a manobra –ou 'golpe', segundo um deles– , ministros do Supremo se mobilizaram para neutralizar a aprovação da ADPF hoje à tarde pelo plenário. Decidindo o afastamento de Cunha com base no processo aberto pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, Zavascki esvazia horas antes a ação da Rede, que deixa de ter um 'objeto'. Se Cunha não é mais deputado, não há como julgá-lo como tal.
Teori: decisão extraordinária e corajosa?

...Conforme fontes consultadas pelo Estado, o jabuti identificado na ADPF da Rede está no sétimo parágrafo, sobre 'os atos impugnados' na ação e sobre 'uma prática institucional incompatível com o regime constitucional da presidência da Câmara dos Deputados'.

São citados, em seguida, dois tipos de atos: 1) o 'grave ato omissivo' da Câmara, que deveria ter afastado o seu presidente depois que se tornou inabilitado para o cargo; 2) os 'atos comissivos que foram praticados cotidianamente por um agente político que não poderia prosseguir na função de presidente da Câmara'.

Nesse segundo caso, dos atos de Cunha, está dito: 'Embora não se cogite de nulidade dos atos praticados até o reconhecimento da inconstitucionalidade ora questionada, impõe-se o exame célere da matéria para que promova o restabelecimento da normalidade institucional'.

Na leitura de ministros e assessores do próprio Supremo, só não se cogita da nulidade desses atos até que a denúncia contra Cunha seja recebida. A partir de reconhecida a inabilitação dele, estaria aberta a brecha para que seus atos fossem revistos para resguardar a 'normalidade institucional'".

DILMA QUER DESCER A RAMPA AO LADO DE EX-MINISTROS "DO SEU DESASTRADO GOVERNO QUE QUEBROU O PAÍS"

Por Ricardo Kotscho (*)
DILMA JÁ MONTA O SEU BUNKER, MAS PARA QUÊ?
Na minha infância, ouvia muito falar nesta palavra alemã bunker, como eram chamados os abrigos subterrâneos, onde minha mãe se refugiava com a família, durante os bombardeios na Segunda Guerra Mundial. Eram lembranças muito tristes, que me marcaram para o resto da vida.

Setenta e um anos após o final da última grande guerra, esta palavra volta ao noticiário, agora no Brasil. Já certa da derrota na batalha do impeachment, Dilma começou a preparar o desembarque do Planalto e a montar um bunker da resistência no Alvorada, segundo relato dos repórteres Marina Dias e Valdo Cruz, na Folha de 3ª feira (3).

Pergunto: vai resistir para quê, resistir contra quem, quais são os seus planos?

Até onde sei, nenhuma força inimiga está preparando um bombardeio sobre o Palácio do Planalto.

Ensaiando para a descida da rampa?
A guerra política é travada no parlamento e nos tribunais, com acusação e defesa citando a Constituição Federal. Não há no horizonte, até onde minha vista alcança, aviões militares, canhões ou navios de guerra.

São ambiciosos os planos de Dilma para o período em que ficará afastada do poder central. Em nada lembram a retirada discreta de Fernando Collor, quando caiu em 1992, esperando em silêncio e resignação, isolado na Casa da Dinda, pelo julgamento final. A quase ex-presidente quer montar uma estrutura de 15 assessores, mais seguranças, carros oficiais e um avião da FAB, além de manter todas as mordomias do Palácio da Alvorada.

Ao contrário de Collor, que deixou o Planalto pela porta dos fundos acompanhado apenas pela mulher, Dilma está pensando num final grandioso para a despedida, programada para o próximo dia 12, segundo o cronograma do Senado. Quer descer a rampa solenemente ao lado do que restou do ministério de seu desastrado governo que quebrou o País.

Em seus atos de desespero nos últimos dias, a ainda presidente deixou claro que pretende cair atirando, para infernizar a vida do seu sucessor constitucional (e, por tabela, a de todos nós, que pagamos a conta), como fez no 1º de Maio, ao anunciar um pacote de bondades que aumenta as despesas e diminui a arrecadação, no apagar das luzes, deixando um rombo perto de R$ 100 bilhões nas contas públicas.
O bunker mais lembrado: o dos últimos dias de Hitler.

Mesmo que o possível governo Michel Temer fracasse em sua tentativa de ressuscitar a economia brasileira, é consenso no meio político, até no PT, que não há a menor chance de Dilma voltar ao cargo no final dos 180 dias de afastamento. Então, eu só gostaria de entender: para quê tudo isso? Para continuar repetindo ao Brasil e ao mundo que ela está sendo vítima de um "golpe", colocando em risco a estabilidade institucional?

Jânio e Jango também ficaram esperando que as multidões saíssem às ruas para pedir a volta deles. Morreram esperando.

Vida que segue.

* Um dos maiores jornalistas de sua geração, 4 vezes agraciado com o Prêmio Esso, Ricardo Kotscho foi secretário de Imprensa do Governo Lula.
Clique p/ assistir A queda - as últimas horas de Hitler em
versão dublada; se preferir legendada, basta acessar aqui.

DILMA COGITA FAZER O QUE VARGAS E BRIZOLA JAMAIS FARIAM: PEDIR AOS GRINGOS QUE PRESSIONEM O BRASIL.

Chorar no colo dos gringos é inaceitável!
Antigamente se fazia piada sobre o Juquinha, que só pensava em sexo.

A Dilma, por sua vez, tem uma única obsessão: não ser afastada da Presidência.

Nunca diz por quê. Já faz 16 meses que não governa verdadeiramente o Brasil e deixa a crise econômica aumentar dia a dia, hora a hora, pois está num mato sem cachorro, perplexa com o tamanho da encrenca que causou e incapaz de apontar qualquer saída.

Mesmo assim, quer porque quer continuar nos conduzindo para a ruína, a depressão econômica e a convulsão social.

E, descontrolada, não hesita em pisotear mais alguns valores tradicionais da esquerda, como o de repudiar interferências externas nas nossas decisões. Como dizia o Vandré dos bons tempos, "marinheiro, marinheiro/ quero ver você no mar/ eu também sou marinheiro/ eu também sei governar". 

Marinheiros, no caso, eram os colonizadores portugueses. E, desde que me conheço como homem de esquerda,  só houve uma vez em que pedimos ajuda aos marinheiros, em absoluto desespero de causa: foi quando as bestas-feras da ditadura barbarizavam o País e precisávamos desesperadamente evitar a morte e a tortura dos companheiros.

Hoje, contudo, Dilma cogita clamar pelos marinheiros por um motivo tão frívolo quanto mesquinho. É o que se constata lendo a coluna da Mônica Bérgamo desta 5ª feira, 5: 
"Até tu, Dilma?!"
 "O governo Dilma Rousseff tenta colher assinaturas entre integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, para divulgar uma carta aberta dirigida a entidades internacionais denunciando os riscos que 'a possibilidade de chegada ao Poder de um governo não eleito' traria à democracia do país. 
Empresários, sindicalistas e representantes de movimentos sociais que integravam o Conselhão estão sendo consultados. O governo já ouviu algumas negativas -especialmente dos primeiros. 
A carta pede que a 'comunidade internacional amiga do Brasil' se posicione, 'atuando em prol não apenas da restauração democrática do país', mas também do fortalecimento 'do Estado de Direito' e suas instituições".
Deveria procurar redatores melhores. Temer foi eleito com os mesmíssimos 54,5 milhões de votos que ela e tem total direito de assumir o poder se o Senado a afastar, repetindo o que já decidiu a Câmara Federal, sem que o Supremo Tribunal Federal visse nisso tudo qualquer "risco" à democracia brasileira.

Pedir pressões estrangeiras para restaurar a democracia no país é aberrante e grotesco mais ainda quando parte de uma presumida herdeira de Getúlio Vargas e Leonel Brizola. Inimigos figadais dos gringos e seu intervencionismo no 3º mundo, ambos ficariam horrorizados. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

CONHEÇA A VERDADEIRA OPINIÃO DA IMPRENSA ESTRANGEIRA SOBRE A QUEDA DE DILMA: IMPEACHMENT OU GOLPE?

Por Carlos Goes (*)
Você deve ter ouvido alguém dizer que a imprensa estrangeira teria afirmado que há um golpe de Estado em curso no Brasil. Esse fato ratificaria o argumento governista de que há uma conspiração da mídia e das elites para derrubar o governo -e que a imprensa internacional, um observador externo neutro, rapidamente percebeu isso. A emergência dessa narrativa decorreu da combinação de dois fatores: a confusão entre colunas de opinião e editoriais; e a atual segmentação das mídias em nichos políticos.

De fato, algumas colunas de opinião a favor do governo Dilma foram publicadas na imprensa internacional. Celso Rocha de Barros, por exemplo, escreveu para o New York Times dizendo que o processo de impeachment seria um modo de afundar a Lava-Jato.

Com ainda mais impacto, o premiado jornalista americano Glenn Greenwald e David Miranda, ativista político e militante do PSOL, utilizaram do reconhecimento internacional que detêm para fazer avançar a tese do golpe em jornais e na TV. Ao mesmo tempo, diversos órgãos publicaram colunas de opinião argumentando que o processo não é um golpe -tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

O objetivo da imprensa em trazer colunistas que pensam de forma distinta é dar uma visão mais ampla para o leitor. Já a opinião dos órgãos de imprensa em si não se encontra nesses espaços de debate - e sim em seus editoriais. Estes, por sua parte, não confirmam a narrativa de que a imprensa estrangeira estaria denunciando um golpe em curso no país.

Em seu editorial, o jornal francês Le Monde afirmou peremptoriamente que a situação brasileira "não é um golpe" e que falar de golpe constitucional é uma contradição em termos.

Já o Washington Post argumentou que, apesar de eles preferirem novas eleições ao impeachment, o processo é constitucional e "definitivamente não é um golpe".

A tradicional revista The Economist disse que golpe é "a tomada do poder pelo uso inconstitucional da violência" e que esse "não é o caso do Brasil".

O The Guardian e o New York Times demonstraram preocupações de que o impeachment possa ameaçar o prosseguimento da Lava Jato, mas destacaram que vários aliados de Dilma são acusados de corrupção e não questionaram a legalidade do processo de impedimento.

Mesmo o El País, que escreveu um editorial contrário ao impeachment, não afirmou que o processo é um golpe.

Se a tese do golpe não prosperou nos editoriais internacionais, como essa falsa percepção se disseminou? Ocorre que, na era das redes sociais, a informação circulada tende a ter o que cientistas sociais chamam de "viés de confirmação". Ou seja: você e eu tendemos a reproduzir aquilo que confirma nossa visão, e a ignorar aquilo que a confronta.

Você já deve ter percebido isso intuitivamente, ao observar a explosão de blogues e outros veículos que, longe de tentarem trazer uma visão plural, servem para confirmar o que já pensa a direita ou a esquerda.

Em termos mais científicos, pesquisadores da Universidade da Indiana, ao estudarem estatisticamente a interação política no Twitter,confirmaram a existência dessa dissonância informativa.

O maior problema dessa segmentação é que as pessoas passam a ter não somente visões de mundo distintas - o que é saudável e necessário em uma sociedade democrática -, mas de fatos distintos.

Cada um de nós tem o direito a nossa própria opinião. Mas nós não temos direito a nossos próprios fatos.

E, independentemente de sua opinião sobre o impeachment da presidente, o fato é que os principais veículos da imprensa internacional não disseram que o processo em curso é um golpe.
* O autor, Carlos Góes, é mestre em economia internacional pela Universidade Johns Hopkins (EUA) e pesquisador-chefe do Instituto Mercado Popular

A BARBÁRIE EM CURSO E O RETROCESSO CIVILIZATÓRIO

(uma breve análise de conteúdo causal)

Por Dalton Rosado
Na Síria, uma criança apavorada em meio às mortes por explosões de bombas pergunta: o que eu fiz de errado?

Verifica-se uma situação mundial de barbárie e um retrocesso civilizatório representado pela crescente negação de direitos e adoção de posturas inumanas. 

Os exemplos são flagrantes e são visíveis pelos modernos meios de comunicação; ou ao abrirmos as nossas janelas, sejam elas protegidas por grades, aparelhos de filmagens ou segurança armada (para aqueles que podem pagar por segurança); ou, ainda, ao abrir a porta num humilde arranjo de casa na favela (com cuidado, para não encontrar uma bala perdida).
  • Vemos conflito territorial e étnico-político pela disputa da hegemonia econômica na Ucrânia, que reacende sintomas da antiga guerra fria; situação falimentar da dívida pública estatal mundial, e a Grécia é o exemplo mais recente e ilustrativo, com uma ordem para se apertar os cintos do povo dos países periféricos ao G7;
  • constata-se a existência de uma estupidez assassina e destrutiva patrocinada pelo fundamentalismo religioso chamado Estado Islâmico, Al Qaeda, Boko Haram, e outras seitas menos conhecidas;
  • atentados à bomba na Europa e no mundo árabe e se intensificam as hostilidades na fronteira da Palestina com Israel;
  • morrem milhares de imigrantes nos mares em direção à Europa fugindo da guerra e da fome e sendo rejeitados por uma União Europeia economicamente estagnada e com taxas de desemprego de dois dígitos;
  • latinos morrem na travessia da fronteira do México com os EUA;
  • recrudescem os assaltos a banco no Brasil numa escala capaz de tornar Bonnie e Clyde inocentes miniaturas de bandidos (há quase um desses assaltos por dia no Brasil) e as estatísticas mostram a ocorrência de assassinatos diários no Brasil em número maior do que nas regiões de guerra convencional;
  • E tudo isso conjugado com um processo de agressão ecológica predatória da natureza, seja pelo lançamento de dejetos em rios e mares, ou pelo aquecimento global fruto da emissão de gás carbônico na atmosfera pela queima de combustível fóssil que provoca o efeito estufa;
E o pior é que a coisa não fica por aí: 
  • decai o nível moral do parlamento (basta considerarmos que no Brasil os dois chefes das casas parlamentares estão sendo processados por corrupção e permanecem nos seus postos sob o beneplácito da justiça);
  • decai a qualidade artístico-cultural da grande mídia;
  • o caríssimo processo eletivo democrático é comandado pelo poder econômico (com dinheiro da corrupção ou do grande empresariado). Ufa...
A que devemos tudo isso?

O fator nuclear, central, que se constitui com célula primária para essa decadência social e moral, é o anacronismo de uma forma de produção segregacionista que, graças às suas contradições endógenas, se inviabilizou e se coloca como um impasse cuja dissecação causal é tema tabu. Qualquer iniciativa de produção passa inexoravelmente pela viabilidade econômica, e como já são raros os projetos que podem resultar em lucro, cai a produção e toda a atividade econômica fundada no dinheiro entra em colapso. Há, também, fatores imanentes graças às suas naturezas econômicas, como inflação e impostos, entre outros, que contribuem para o aumento da miséria coletiva.

Contribuem para essa situação, também, fatores de natureza psicossocial, subjetivos. Entre esses podemos destacar:
  • o caráter onívoro e fetichista da mercadoria que coloca tudo o que se faz ou se institucionaliza sob a égide da lógica da produção de mercadoria, condição que restringe a capacidade e liberdade do pensar e do agir criativos e dignificantes;
  • o caráter fratricida da relação social mercantil que estabelece uma eterna oposição concorrencial entre os indivíduos sociais na busca vital pela obtenção do dinheiro, condição que se opõe ao indispensável sentido de solidariedade, transformando todos em adversários de todos;
  • a vigência da lei da vantagem, sob a qual há (i) uma subtração legal pelo mercado (p. ex., os juros de 450% a.a. no cartão de crédito ou a extração de mais-valia relativa ao extremo), na qual cada detentor de mercadoria busca a sua hegemonia ao mesmo tempo em que promove a ambição estimulada pelo desejo de acumulação da riqueza abstrata; e (ii) uma subtração ilegal (a corrupção com o dinheiro estatal, a fraude, o furto, o roubo com latrocínio, etc.). Tal característica institucionaliza a deturpação moral como algo admissível e indiferenciado que estimula a violência urbana;
  • o individualismo que torna cada indivíduo social uma ilha de interesses personalíssimos em detrimento do interesse coletivo, uma espécie de reprodução da passagem bíblica “Mateus, Mateus, primeiro os teus” (talvez seja por isso que os deputados invocaram tanto os seus familiares como justificativa de voto na questão do impeachment, e em nome de Deus), ou na linguagem popular, “farinha pouca, meu pirão primeiro”;
o caráter ecologicamente predatório da guerra mercadológica que passa por cima de tudo pela obtenção vital do lucro (é graças a isso que o comprovado consumo suicida de combustível fóssil não é substituído por fontes de energias limpas, circunstância que passa, também, pela questão da viabilidade econômica, ou seja, vemos a nossa vida depender da viabilidade da produção de dinheiro, numa inversão do pretenso objetivo virtuoso);
  • o estímulo ao tráfico da produção clandestina de mercadorias nocivas ao ser humano como as armas e as drogas, indutor da criminalidade (podemos dizer: a droga é uma mercadoria; e a mercadoria é uma droga);
  • transferência de responsabilidade do indivíduo social para o Estado pretensamente provedor e para a política (seus algozes institucionais), que enganam o povo com a falácia da representatividade, acomodando-o e desestimulando-o ao gerenciamento de seus próprios interesses sociais coletivos.
Para estancar a barbárie em curso, que se avoluma dia-a-dia, só há uma saída: a superação de sistema produtor de mercadorias e de todos os seus construtos institucionais e auxiliares, sejam eles públicos ou privados.
         
Que a menina síria tenha um futuro de paz e felicidade.

terça-feira, 3 de maio de 2016

DILMA DESCARTA RENÚNCIA. TEMER NADA MAIS TEM A TEMER.

A presidente Dilma Rousseff negou nesta 3ª feira (3) que pretenda renunciar, repetindo o besteirol de sempre: que a renúncia interessaria apenas àqueles que defendem seu afastamento, que a democracia brasileira "sofre um assalto", etc. Eis duas frase completas, as outras são mais do mesmo:
"Muitas vezes, não foi uma, nem duas, eles pediram que eu renunciasse, porque se eu renunciar se esconde para debaixo do tapete esse impeachment sem base legal, portanto, esse golpe. 
É extremamente confortável para os golpistas que a vítima desapareça, que a injustiça não seja visível. Pois eu quero dizer para vocês: a injustiça vai continuar visível, bem visível".
Noves fora, o que realmente importa é: graças à constrangedora miopia política e a total falta de grandeza de Dilma, estamos definitivamente condenados a passar os próximos 32 meses governados por Michel Temer (só ingênuos supõem que ela possa retornar ao poder ao final do processo de impeachment). Pobres de nós!

A renúncia, Dilma saberia se tivesse a mais remota noção do que está acontecendo neste país, interessa apenas e tão somente àqueles que estamos dispostos a travar uma luta desesperada para que haja uma nova eleição presidencial. Pois, começando tão tarde tal mobilização, nossa única chance seria obtermos o apoio integral e irrestrito de todas as forças políticas que querem bloquear Temer.

Mas, se o próprio PT entraria dividido nessa parada (pois ainda estaria sonhando com salvar o mandato de Dilma quando, no 4º trimestre, o Senado deliberar sobre a perda definitiva ou não do dito cujo), qual é a chance de formarmos tal frente com uma mínima possibilidade de êxito? Nenhuma!

Então, sem a renúncia, de nada adianta mandar a PEC da nova diretas já para o Congresso, pois cairá no vazio. Vai ser apenas mais jogo de cena, para dar a impressão de que está resistindo enquanto promove o enterro da nossa última quimera.

Outra coisa: os que querem o afastamento de Dilma não estão nem aí para ela renunciar ou não. Já venceram em toda linha e agora estão se deliciando com o espetáculo. Provavelmente, preferirão vê-la humilhada e escorraçada, protagonizando ao vivo e em cores sua derrota acachapante e se avacalhando com a monocórdia repetição do seu único e falacioso refrão: "é golpe!", "é golpe", "é golpe!".

E quem vai desaparecer não é vítima nenhuma, mas, apenas, uma presidente que se elegeu pela esquerda e governou para a direita, acabando por decepcionar uns por abandonar suas mais sagradas bandeiras e outros por não haver tido competência sequer para entregar-lhes o que prometeu (o ajuste fiscal de odiosas características neoliberais).

Ela se proclama vítima, mas as verdadeiras vítimas são os 11 milhões de desempregados e todos os brasileiros que comem o pão que o diabo amassou sob a pior recessão que este país já conheceu.

Enquanto chora suas mágoas por estar sendo afastada de um cargo que há 16 meses não conseguia verdadeiramente exercer, nenhuma palavra diz sobre os trabalhadores, os explorados, os excluídos, os coitadezas. Era para eles que deveria governar. Mas, com suas estrepolias econômicas, conduziu-os ao inferno.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

DILMA BATE O MARTELO: VAI PROPOR NOVA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL. ENTÃO, POR QUE NÃO RENUNCIA DE UMA VEZ?!

A presidente Dilma Rousseff já tomou a decisão de, antes que o Senado a afaste do cargo na sessão do próximo dia 11, enviar ao Congresso uma proposta de emenda constitucional antecipando a eleição presidencial para 2 de outubro. É o que garante o site petista Brasil 247 (vide aqui).

A iniciativa teria o apoio dos ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), bem como dos senadores Paulo Paim, Jorge Viana e Lindbergh Farias.

Paim declarou estar consciente de que, no momento, não haveria como conseguir 3/5 dos votos dos parlamentares, em duas votações na Câmara e outras duas no Senado, que é o necessário para a aprovação de uma PEC: "Só seria viável se houvesse um grande entendimento entre Executivo e Congresso".

A melhor opção para o Brasil e para os brasileiros é, indiscutivelmente, a de uma nova eleição presidencial, pois assim o povo escolheria quem realmente julgasse apto para conduzi-lo em circunstâncias tão dramáticas como os atuais (em termos formais é falso dizer que Temer não teve votos, pois os 54,5 milhões do 2º turno foram para ambos e não apenas para Dilma, mas todos sabemos que o eleitorado só presta atenção em quem encabeça a chapa).

Enfim, o tempo urge e, para que tal PEC vingue, será necessária uma mobilização imediata e irrestrita de todos que se opõem a um Governo Temer.

E é aí que a porca torce o rabo. Embora já admita a inexorabilidade do seu afastamento do cargo por até 180 dias, Dilma se mostra, contudo, disposta a arrastar sua agonia até o mais amargo fim, na esperança de uma (pra lá de improvável) salvação no Senado, quando este discutir a perda definitiva ou não do seu mandato, provavelmente no quarto trimestre.

Pretende, p. ex., passar meses no périplo chororô, percorrendo o mundo para tentar fazer passar por golpe um episódio igualzinho àquele que, em 1992, ficou corretamente conhecido pelo nome de impeachment.

Se o PT fizer, ao mesmo tempo, duas apostas que apontam em direções contrárias (1. salvar o mandato de Dilma; e/ou 2. forçar a realização de nova eleição presidencial), parecerá a todos que encara a reedição das diretas já apenas e tão somente como prêmio de consolação, então jamais conseguirá reunir apoios suficientes para alcançar qualquer um dos objetivos.

Vai daí que o dia 11 será o momento ideal para a última iniciativa capaz de ainda alterar o rumo dos acontecimentos: Dilma renunciar e exigir publicamente que Temer faça o mesmo, em nome dos interesses superiores do povo brasileiro, que está tendo de suportar nossa maior recessão de todos os tempos e um desemprego que já ultrapassou a casa de 11 milhões.

Aí, sim, a campanha pela nova diretas já poderá decolar e fazer a diferença. Caso contrário, a PEC de despedida, embora represente a melhor solução possível nas circunstâncias atuais, cairá inevitavelmente no vazio. 

PACOTE DE BONDADES NO APAGAR DAS LUZES É COMPENSAÇÃO IRRISÓRIA PARA A HERANÇA MALDITA QUE DILMA NOS DEIXA

Por Valdo Cruz
BONDADES NO FIM 
DA RUINDADE
Perto do fim do seu mandato, mesmo que temporário, que dificilmente deixará de ser definitivo, Dilma Rousseff enquadra sua equipe e tira da bolsa um pacote de bondades de despedida.

Até poucos dias, o discurso dentro da equipe econômica era o seguinte: não há dinheiro para aumentar o Bolsa Família, corrigir a tabela do Imposto de Renda na Fonte, nem pensar, e falta grana também para o Minha Casa, Minha Vida.

Ouvi esse discurso não uma, nem duas, mas várias vezes. Na semana passada, porém, a encomenda veio no tom de ordem, mesmo depois de publicamente o secretário do Tesouro Nacional afirmar que não tinha mais dinheiro para isto.

Primeiro, é bom dizer, ninguém é contra reajustar os benefícios do Bolsa Família; tampouco corrigir a tabela do IR na fonte e quanto menos incrementar a construção de moradias num país de sem-tetos.


Só que o governo está quebrado. A petista vai deixar o comando do país com uma previsão de rombo das contas no final do ano de quase R$ 100 bilhões. Será o terceiro ano seguido de contas no vermelho.

Tem mais. Será a primeira presidente eleita, desde a redemocratização, a entregar ao sucessor —que não considera como tal, mas um golpista— uma inflação mais alta do que recebeu. De 5,91% foi a quase 10%.

E sairá com outro recorde. A taxa de juros não cai durante tanto tempo desde o Plano Real. A última vez foi em outubro de 2012. De lá para cá saltou de 7,25% para 14,25% ao ano.

Sem falar no desemprego. Ao assumir, recuava, na casa de 6%. Hoje, está em alta, perto de 11%. São 11,1 milhões de desempregados. Para esconder tal realidade no Dia do Trabalho, Dilma fez sua equipe produzir um pacote do qual era contra.

Enfim, na saída, Dilma tenta ficar bem com sua base. Faz agora o que passou todo o ano dizendo que não faria em nome da austeridade fiscal. Mas como não será ela mais a dona do cofre, Michel Temer que se vire.

domingo, 1 de maio de 2016

A SOBERBA PETISTA FOI TAMANHA QUE A QUEDA ERA UMA QUESTÃO DE TEMPO

SABEDORIA DO PASSADO
Por que ler os clássicos? Uma boa razão (...) é que, ao fazê-lo, temos a chance de apreender algo com a experiência das gerações que nos antecederam. A literatura clássica, afinal, empacota num corpus testado e aprovado pelo tempo a sabedoria do passado.

Se Dilma Rousseff e os petistas de um modo geral estivessem mais atentos aos gregos, talvez não tivessem cometido os erros que agora os colocam à beira do impeachment. A cultura grega era uma cultura da medida e da temperança. Pán métron áriston (tudo com moderação é melhor) era um dito muito popular atribuído ao poeta Cleóbulo...

A perda da moderação é a hýbris, conceito complexo que admite várias traduções, como soberba, orgulho, excesso, desmedida. Ela era invariavelmente punida pelos deuses, produzindo histórias que se tornaram algumas das melhores lendas e tragédias da literatura. Vítimas ilustres da hýbris incluem Ícaro, Prometeu, Narciso, Édipo.

No caso de Dilma e o PT, os excessos foram calculados. Governantes costumam adotar medidas populistas? Sem dúvida, mas Dilma resolveu fazê-lo numa escala inaudita, na qual era o marketing e não as disponibilidades orçamentárias que definiam o tamanho dos programas.

Autoridades do Executivo pedalam? Pedalam, mas a presidente decidiu esmerar-se, transformando uma prática que seus antecessores mantiveram limitada a não mais do que 0,1% do PIB em imodesto 1%.

Candidatos a cargos público mentem em campanhas? Mentem, mas a presidente optou por superar a concorrência e perpetrou o maior estelionato eleitoral da história recente.

A corrupção existe desde sempre? Sim, mas há indícios de que baluartes do PT transformaram esquemas de desvio em método administrativo.

hýbris petista foi tamanha que a queda era uma questão de tempo.

A LÓGICA CAPITALISTA PROMOVE A RIQUEZA DE UNS POUCOS NA RAZÃO DIRETA DA POBREZA DA GRANDE MAIORIA

QUE MUNDO É ESSE?
Um viajante, considerado cidadão  pela União Europeia (afinal tem passagem de ida e volta de primeira classe em voo internacional, reserva em hotel cinco estrelas, dólares na valise e cartão de crédito internacional com limite alto), faz uma viagem de férias pela Europa, onde foi bem recebido, e se diz encantado com a civilidade do povo europeu e com a sua rica história civilizacional, culinária de 1º mundo e vinhos de boa safra. 

Outro viajante, que fugindo da guerra e da fome atravessou o mar numa balsa repleta de gente, com risco de naufrágio iminente, exposto ao frio e à fome, consegue chegar à costa da mesma Europa com pouco dinheiro em moeda do 3º mundo, com passaporte sem visto de entrada, pretendendo lá permanecer, e é recebido pela polícia, sem ser considerado cidadão. Esse segundo ser humano não precisa fazer um relato sobre seus dias após o desembarque: todos nós sabemos que a civilizada Europa lhe reserva um muro de rejeição.

Para a moderna civilização capitalista a cidadania tem critérios de seleção:
  • há aquele com recursos (considerado cidadão) e o imigrante (considerado um intruso);
  • há quem considere que há seres humanos respeitáveis e produtivos e também seres humanos supérfluos;
  • há quem seja contributivo economicamente e quem seja apenas uma boca a mais para ser alimentada e sem produzir valor. Tal comportamento reflete apenas o que ocorre no interior dos países, onde essa cisão social é também flagrante, pois, afinal, numa mesma cidade, há bairros com 100% de esgotamento sanitário e muitos outros com esgoto a céu aberto; bairros com ruas bem pavimentadas e sinalizadas, e outros com chão batido e esburacado; quem more em edifícios luxuosos e muitos outros que moram em favelas; cidadãos de primeira classe e outros cuja cidadania é um mero número de CPF isento do pagamento de imposto de renda;
  • há quem veja as sociedades mercantis, capitalistas, e os poucos países ricos (que correspondem a uma pequena percentagem do todo da população mundial) como exemplo a ser seguido, admitindo, implicitamente, que os que não atingiram tal estágio, assim o são por suas próprias culpas, pois, afinal, não são ricos porque são preguiçosos, ignorantes, incapazes e intelectualmente subdesenvolvidos;
  • há quem não entenda (ou não queira entender) que a lógica mercantil, necessariamente, promove a riqueza abstrata e material de uns poucos na razão direta da pobreza da grande maioria;
  • há quem busque num absurdo fundamentalismo religioso que mata em nome de Deus e que promove o recrudescimento do arcaico, a saída contra a miséria das regiões deserdadas da ordem capitalista mundial;
  • há quem jamais compreenda que a concentração da riqueza por uns poucos (e cada vez mais mundialmente concentrada) deriva da apropriação indébita por esses poucos da produção coletiva mundial de valor (dinheiro e mercadorias);
  • há quem considere que são os ricos os benfeitores sociais, os que dão os empregos, e que sequer imaginam que são os empregados, subtraídos pela extração de mais-valia, os que produzem as suas riquezas e que esses mesmos rios dependem unicamente da reprodução do trabalho vivo (dos trabalhadores) para manterem válidos os valores que detêm (não há valor sem sua reprodução contínua de trabalho objetivado);
  • há os que querem que esse tipo de relação social fundada na esperteza da produção de mercadorias produza bons frutos, e que as suas contradições em processo não venham à tona, tal qual um bumerangue, sob a forma de violência urbana, depressão econômica, decomposição moral, institucional e ecológica.
Mas, afinal, que mundo é esse?

(por Dalton Rosado)
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