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sexta-feira, 6 de junho de 2025

SEM CHANCE DE TER CANDIDATO VIÁVEL PARA PRESIDÊNCIA, ESQUERDA DEVERIA ARTICULAR UMA ANTICANDIDATURA

Pesquisa do Instituto Quaest, de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial do ano que vem, nos ajuda a refletir, embora haja partido de uma premissa duvidosa, a de que Lula será um dos finalistas.

Seu governo errático, emparedado pelo Congresso, cometendo erros crassos e mostrando não ter sequer ideia de como reverter a acachapante rejeição do eleitorado, pode, sim, soçobrar de vez antes do primeiro turno. 

Mas as pesquisas do Quaest o apontam como empatado com o Bozo (41% x 41%) num cenário e vencedor nos sete outros:
-- por 44% x 34% contra Eduardo Bolsonaro;
-- por 43% x 39% contra Michelle Bolsonaro;
-- por 43% x 33% contra Ronaldo Caiado;
-- por 42% x 33% contra Romeu Zema:
-- por 41% x 40% contra Tarcísio de Freitas;
-- por 40% x 38% contra Ratinho Jr.; e
-- por 40% x 36% contra Eduardo Leite.

Se o quadro não permite que Lula durma tranquilo (pois dá para perceber que não irá além do que tem agora e os adversários, sim, decerto o farão), o palhaço sinistro deve estar tendo piores pesadelos. Além dos aproximados 99% de chance de estar inelegível em 2026 (e uns 75% de estar vendo o sol nascer quadrado), é, dos sete adversários do Lula, aquele com maior índice de rejeição. Só continua insistindo por teimosia.
 
Tarcísio, contando com os privilégios de governador do mais rico e poderoso estado da Federação, tem tudo para disparar na ponta quando a corrida for pra valer. Não excluo sequer a possibilidade de ele liquidar a fatura já no primeiro turno.

bananinha Bolsonaro deveria começar desde já a buscar um entendimento com a Michelle, pois ela está bem na frente dele e tem potencial para aumentar a vantagem. Dos dois, quem tem chance de usar a faixa presidencial é ela. 

Com Romeu Zema, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, o filho 03 da Famiglia Bolsonaro integra o quarteto dos azarões do páreo, os quais, na verdade, estão apenas se credenciando para ministros do futuro governo.

Michelle, que tende a receber muitos votos femininos e evangélicos, poderá até se dar bem, caso não seja destruída nos debates eleitorais. É bom o Tarcísio não a subestimar, pois ela já surpreendeu os círculos políticos frustrando os planos do Jair, que favorecia explicitamente o Eduardo como seu provável substituto no pleito.

Ronaldo Caiado, o comandante da UDR na verdadeira guerra contra o MST que teve lugar no Pontal do Paranapanema (SP) em fins do século passado, não ganhará absolutamente nada no voto, mas se a extrema-direita flertar novamente com um golpe, é o único da turma, Jair Bolsonaro incluso, que se enquadra no perfil machão tão ao gosto dos fascistas. 

Como desconhece a história deste país, o gado do 08.01 apostou num galinha morta ao invés de tentar a sorte com um galo de briga que, no mínimo, não teria fugido vergonhosamente da rinha. Azar dos bovinos, sorte nossa.  

De resto, ao observar esse catado de feios, sujos e malvados, sem qualquer representante da esquerda combativa, fico torcendo para que algum valente do nosso lado ouse entrar na campanha como anticandidato, até para, por contraste, evidenciar ainda mais a putrefação dos insaciáveis políticos profissionais. 

Temos de aproveitar todas as brechas para questionar os limites da democracia burguesa, um jogo de cartas marcadas contra os idealistas e a favor de quem já possui muita grana e/ou poder. (por Celso Lungaretti)
 

terça-feira, 15 de abril de 2025

O PRÓXIMO PRESIDENTE DA REPÚBLICA SERÁ AQUELE QUE NÃO TIVER EXPIRADO NEM FICADO GAGÁ ATÉ O DIA DA POSSE...

P
ara minha surpresa, a colega Eliane Cantanhêde desta vez ousou mais do que eu no desafio ao verdadeiro patrulhamento ideológico exercido pelos identitários. 

Confesso que há muito considero Lula decadente e, por força da teimosia que nele se acentuou cada vez mais com o passar dos anos, desprovido de vários requisitos para o exercício da presidência da República. 

Salta aos olhos e clama aos céus que hoje ele olha para o futuro com a nuca, insistindo em enfrentar os problemas do século 21 com soluções que já haviam caducado no século passado e hoje se tornaram anacrônicas ao extremo.

Quanto a Bolsonaro, jamais foi apto para o cargo. O envelhecimento e os problemas de saúde só o tornaram pior ainda do que já era na década de 1980, quando planejou explodir uma tubulação da adutora do Guandu (RJ) como protesto contra o valor por ele considerado baixo do seu soldo de tenente.
Sonhando com a popularidade perdida?
Mas, até pelo paradoxo de considerar que os defeitos deles se agravaram com a velhice, sendo eu também idoso, hesitei em proclamar a minha opinião em alto e bom som. Pensei em como seria constrangedor enfrentar acusações de etarismo...

Já a Cantanhêde pegou o touro a unha, como jornalistas devem sempre fazer.

Palmas para ela! (por Celso Lungaretti)
.
eliane cantanhêde,
BOLSONARO É RÉU, INELEGÍVEL E DOENTE, LULA
 BEIRA OS 80, CANSADO E IMPOPULAR;
2026 É GRANDE INCÓGNITA
A nova cirurgia de Jair Bolsonaro, de 12 horas, joga luzes sobre a grande incógnita das eleições presidenciais de 2026, quando os dois principais líderes políticos do país, Bolsonaro, pela extrema direita, e Luiz Inácio Lula da Silva, pela esquerda, dão sinais de que terão dificuldades para se candidatar e, portanto, para manter a sólida polarização brasileira.

Bolsonaro, 70 anos, tem sofrido efeitos colaterais bastante graves da facada que quase o matou durante a campanha de 2018, que ele venceu, e não se pode dizer que tenha exatamente uma saúde de ferro. Mas o pior é que ele, além de inelegível, enfrenta um julgamento difícil e carregado de provas como, segundo a PGR, chefe da organização criminosa que planejou e tentou dar um golpe de Estado no País. Seu grande risco é estar atrás das grades na eleição.
Afinal, a obstrução era intestinal ou cerebral?

Lula, 79 anos, curou-se de um câncer de garganta, mas, já no terceiro mandato, levou um tombo no banheiro e teve de fazer mais de um procedimento para estancar um sangramento intracraniano. Terá 80 anos na posse do futuro presidente e 84 no fim do próximo mandato presidencial. Além disso, Lula enfrenta popularidade preocupante, Congresso hostil, oposição muito articulada e uma montanha de críticas, inclusive da mídia e entre aliados.

A diferença entre os dois é o tipo de problema para cobrir o próprio vácuo, se vácuo houver. Bolsonaro está rouco de tanto dizer, e tentar convencer, que será candidato, mas sofre uma competição cada vez menos disfarçada e mais atuante dentro do próprio ambiente bolsonarista. O nome mais em evidência é o de Tarcísio Gomes de Freitas, governador de São Paulo, mas ele é seguido pela ex-primeira dama Michelle, governadores como Ratinho Jr. e Ronaldo Caiado, e os tais outsiders que usam as pesquisas e abusam das redes sociais.

O problema de Lula é inverso: a falta de um sucessor, como já lhe cobraram um ícone da esquerda e um ícone indígena latino-americanos, Pepe Mujica e o cacique Raoni. É como se a esquerda nacional só tivesse uma alternativa, ou Lula ou Lula. De uma pobreza de dar dó. Dó e um certo pânico, que permeia os debates de Brasília, mas é tratado sob constrangimento. Quem mais tem, ou teria coragem de botar o dedo nessa ferida para Lula, como Mujica e Raoni?
Jogo sujo eleitoral: Joe Gagá.
Bolsonaro é vítima do seu
problema, já que não quer, não permite e se esgoela, mas sofre a profusão de candidatos disputando o seu próprio eleitorado. Lula, porém, não se pode dizer vítima da falta de nomes, não só do PT, mas de toda a esquerda, porque foi ele quem criou e agora alimenta esse seu problema, na base do se não for eu, não vai ser ninguém.

E é assim que Lula vem desautorizando e enfraquecendo a melhor aposta dele, do partido e das esquerdas, Fernando Haddad, e não sobra ninguém. Ou melhor, quem sobra, por melhor que seja, é novo, inexperiente, tem de comer muito feijão para chegar a candidato com chances reais. Estamos falando do prefeito de Recife, João Campos, do PSB, que disputou a reeleição e não apenas venceu como levou o troféu de mais votado do País.

Sim... Se as candidaturas de Lula e Bolsonaro são incertas e não sabidas e a polarização parece claudicar, ou caducar, era de se esperar que o centro (atenção: não o Centrão, que é outra história) se articulasse para entrar de cabeça nesse vácuo, mas daí vem a dúvida cruel: quem e o que sobrou do centro no Brasil? O País é dividido entre 30% da esquerda, 30% do bolsonarismo e 30% que não é de nenhum dos dois lados. Está num limbo, sem ver a luz no fim do túnel. Um ano e meio antes das eleições, 2026 é uma enorme incógnita. (por Eliane Cantanhêde)
Bons tempos: em 1968 ninguém ousava qualificar Chico Buarque
de etarista, embora esta sua canção fosse até cruel com os idosos

sexta-feira, 17 de abril de 2020

BÁRBAROS NO PORTÃO

Enquanto os bárbaros ameaçam arrombar o portão, as autoridades da cidade sitiada discutem o sexo dos anjos. 

A lamentável confusão que culminou na troca do ministro da Saúde na fase mais crítica da luta contra a epidemia do novo coronavírus faz evocar essa imagem.

O presidente da República, convertido por sua ignorância e pusilanimidade no maior estorvo à coordenação dos esforços sanitários, é o único responsável por ter produzido mais um ruído em torno do nada. 

Figura minúscula da política, insiste em desperdiçar energias de um país em emergência.

Em razão dessa conduta abstrusa de Jair Bolsonaro, uma camisa de força institucional foi sendo tecida em torno da Presidência. Governadores e prefeitos, gestores diretos da saúde pública, tiveram de tomar decisões onerosas para seus cidadãos protegendo-se de uma saraivada de críticas desonestas e desinformadas do chefe de Estado.

A ameaça constante de que decretos do Planalto viessem a se sobrepor às ordens de restrição de atividades das autoridades locais exigiu do Supremo Tribunal Federal a declaração, unânime entre os ministros, da ilegitimidade de atos unilaterais do Executivo federal.

Os presidentes e as maiorias da Câmara e do Senado armaram-se para rebater e rechaçar as barbaridades que pudessem surgir da famigerada caneta de Jair Bolsonaro.

O próprio Ministério da Saúde teve de aprender a operar num ambiente hostil, em que o presidente da República contrariava, com gestos e falas, as normativas da pasta, que não diferem em nada das que prevalecem em todo o planeta.

A muito custo, reitere-se, foi erguida essa barreira de contenção ao poder de destruição do chefe do governo, em meio à batalha sem precedentes contra a pandemia. Por isso, não será uma troca de ministro que colocará tudo a perder.

A opção pelo oncologista Nelson Teich tem a vantagem de eliminar nomes exóticos e obscurantistas que eram cogitados. Mas o desconhecimento, pelo novo ministro, do que seja a complexa máquina da saúde pública no Brasil vai cobrar um preço de aprendizagem em que o país não precisaria incorrer.

Defender, como Teich, a massificação dos testes é correto, porém insuficiente. A questão é como fazer um país que testa pouquíssimo passar a processar milhões dessas avaliações em poucos meses.

E como seu ministério vai ajudar agora, emergencialmente, os hospitais cujas UTIs estão se exaurindo?

Essa não é uma questão teórica. Brasileiros vão morrer desassistidos na fila da saúde pública se ela não for respondida com ações tempestivas e muito bem planejadas.

Os desafios do novo ministro são concretos e prementes. Tudo o que ele não tem é mais tempo a perder. (editorial desta 6ª feira, 17, da Folha de S. Paulo)
.
Toque do editor — E não é que eu vivi o suficiente para ver o dia em que posso aprovar de cabo a rabo um editorial da Folha de S. Paulo?! 

E a azeitona na empada é que não fui eu a movimentar-me em direção àquele que na década passada eu qualificava de jornal da ditabranda, mas foi o dito cujo que se deslocou até onde eu já estava.

[Se nada existe para excluir, haveria, sim, o que incluir: é o que está no último parágrafo destas considerações.  Mas, para a grande imprensa, ainda não chegou a hora do Basta! e do Fora!. Não tenho dúvidas de que logo chegará...]

Então, nem vou redigir eu mesmo um post sobre a troca de ministro da Saúde, pois o essencial já está aí: depois que o Supremo proibiu Bolsonaro de sabotar o combate à pandemia com seus rompantes de obscurantista alucinado, tanto dá Mandetta quanto Teich.
O principal é que o STF converteu a caneta Bic do presidente miliciano numa peça decorativa; e que, por mais que ele se esforce para fingir comedimento, é enorme a chance de novamente descontrolar-se e rodar a baiana, esgotando de vez a paciência dos que até agora se limitaram a enquadrá-lo e os fazendo perceber que de nada adianta contemporizarem com um transgressor serial da Constituição. 

A sucessão interminável de crimes de responsabilidade do Bolsonaro mais do que justifica sua remoção do cargo. E, enquanto não for tomada esta providência obrigatória, ele continuará reincidindo, como naquela fábula em que, ao atravessar o rio nas costas do sapo, o escorpião o pica, condenando-se a morrer afogado porque foi incapaz de controlar sua natureza. (por Celso Lungaretti)  

segunda-feira, 13 de abril de 2020

ACREDITE SE QUISER: NO BRASIL, É O MINISTRO QUE FRITA O PRESIDENTE

leonardo sakamoto
O DILEMA DE BOLSONARO: SE CORRER,
 MANDETTA PEGA; SE FICAR,
MANDETTA COME
"Vai, me demite!"
Em entrevista ao Fantástico, neste domingo (12), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não disse essa frase. Mas provocou o presidente Jair Bolsonaro em tantos aspectos que nem era necessário dizer. Ela estava lá. Bem como a sinuca de bico em que o Palácio do Planalto está metido neste momento. 

Mandetta disse que o país vive uma situação esquizofrênica, na qual o chefe da pasta da Saúde defende uma coisa sobre o enfrentamento ao coronavírus e o chefe da nação, outra. 

Criticou, sem citar nomes, tanto a visita que o presidente fez a uma padaria em Brasília, em meio à proibição de aglomerações, quanto a teoria da conspiração de que o coronavírus é uma arma chinesa – divulgada por Abraham Weintraub, ministro da Educação. 

Afirmou que o pior ainda está por vir em maio e junho, enquanto Bolsonaro prometeu, no mesmo domingo, em uma live a líderes religiosos, que a pandemia estava começando a ir embora.

A cereja do bolo foi a entrevista ter sido dada para a Rede Globo (que Bolsonaro trata como a encarnação do Tinhoso), a partir do palácio de onde Ronaldo Caiado governa Goiás.  

Aliado de Mandetta e médico, ele rompeu com o presidente exatamente por conta do menosprezo por medidas de prevenção ao coronavírus.

Se for demitido, Mandetta também deve sair por cima. Como ele mesmo disse, as comunidades científica e médica esperam um salto no número de infectados e de mortos por Covid-19 entre abril e maio. Mandetta não precisará dizer que a contagem de corpos explodiu após a sua saída, pois o presidente será lembrado diariamente disso – mesmo que não haja uma relação de causa e efeito entre elas.  

De acordo com a última pesquisa Datafolha, o presidente tem 33% de aprovação e 40% acreditam que ele mais ajuda que atrapalha. Ao mesmo tempo, 76% afirmam que o ministro da Saúde vem fazendo a coisa certa. 

Parte da aprovação da condução do presidente na crise passa por ter um ministro que vem sendo reconhecido como diligente. Como ficam as taxas de aprovação com uma mudança brusca? 

Bolsonaro pode engolir o orgulho e fazer de conta que nada aconteceu, continuando com uma deprimente guerra pública de declarações com Mandetta. Mas isso não deixa de ser humilhante para quem, a todo o momento, gosta de dizer que é ele quem manda, que não está sendo tutelado pelos militares, que é o técnico de um time que o respeita. 

Ou pode demiti-lo e, depois, arcar com as consequências de seus atos – coisa que será uma novidade para ele. 
Vale lembrar que o ministro também demorou a agir quando a crise despontou no horizonte e ele seria substituível. 

O temor de quem tem apreço pela vida humana, contudo, é de que um negacionista possa ser colocado no lugar pelo presidente. 

A certeza, contudo, é que o Gabinete do Ódio vai trabalhar bastante nesta 2ª feira (13). Para produzir fogo amigo. (por Leonardo Sakamoto)

segunda-feira, 6 de março de 2017

GRITAR "FORA, TEMER" GARANTE APLAUSOS, MAS A APOSTA REALISTA É "DENTRO, TEMER"

Por Vinícius Mota
GOVERNO TEMER É GERINGONÇA DIFÍCIL DE DERRUBAR
A ansiedade que antecede a divulgação da nova lista de investigados ilustres do procurador Janot agita a República. A torcida ao redor dos defenestrados pelo impeachment aproveita a oportunidade e amplia o coro Fora, Temer.

Os profissionais da política, contudo, já entenderam a natureza do jogo. A Lava Jato tem baixa probabilidade de dissolver, até o pleito de outubro do ano que vem, o amálgama deste governo de transição.

O foro privilegiado garante uma longa sobrevida aos implicados. Em março de 2015, a primeira lista de Janot foi divulgada pelo Supremo com dezenas de investigados. Dois anos depois, nada de notável aconteceu na corte, a não ser a abertura de processo contra Eduardo Cunha.
Qual o nome deste quadro? "A fantasia guiando os ingênuos"?

Apenas uma feitiçaria do STF, difícil de acontecer, poderia remeter muitos desses inquéritos para a primeira instância federal, que tem se mostrado mais célere.

Resta o julgamento das contas da chapa Dilma-Temer pelo tribunal eleitoral. Prazos regimentais, nomeações de novos juízes pelo presidente da República e o leque de recursos da defesa, que pode fazer o caso chegar até o Supremo, alongam no horizonte a definição desse litígio.

A solução da Carta na hipótese de cassação de Temer, um pleito indireto para mandato tampão, torna-se tanto mais insólita quanto mais se aproxima a eleição direta regular. Os juízes levarão isso em conta ao decidir o processo eleitoral.

A tecnologia para lidar com impactos políticos da Lava Jato está desenvolvida. O Congresso e sua maioria de centro-direita governam através de Temer. Um ministro que cai é logo trocado por outro indicado pelo Legislativo. Se a geringonça funcionar, o vencedor em 18 não precisará adotar medidas tão duras na economia.
Por isso presidenciáveis profissionais, como Lula, não contam com a queda de Temer. Tampouco desgostam de que ele carregue o peso das reformas ingratas.

Obs.: enquanto a esquerda desperdiça tempo precioso num desabafo que não levará a lugar nenhum, deixa de fazer a lição de casa, qual seja a apuração dos erros crassos que conduziram à vexatória derrota de 2016, a rigorosa autocrítica dos responsáveis (seguida, possivelmente, do seu afastamento) e a definição de novas estratégias e táticas, para substituírem as que fracassaram tão rotundamente na prática. 

Nós continuamos patinando sem sair do lugar, mas os fascistas, não. Eles se articulam e suas fileiras crescem a cada dia. É cada vez maior a possibilidade de uma vitória dos Bolsonaros e Caiados na eleição de 2018. E, com essa esquerda que está aí, nem de longe conseguiremos fazer frente a um fascismo com embasamento social, como o que se prenuncia. Ou acordamos depressa de nossa letargia ou seremos futuramente engolidos. A contagem regressiva está em curso. (Celso Lungaretti

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

PORTA-VOZES DA 'NOVA DIREITA' QUEBRAM O PAU. QUE TAL DAR UMA UZI PARA CADA?

Toque do editor
Desde que deixei de trabalhar na grande imprensa, fiquei privado das informações de cocheira que os personagens bem situados nos escalões superiores dos Poderes sopram para jornalistas (sempre com segundas intenções, claro, mas o bom profissional consegue administrar tais situações sem transgredir seus princípios).

Lendo criticamente o noticiário e as análises relevantes, consigo ter uma boa noção das grandes coordenadas da política e da economia. Sobre os movimentos de bastidores, contudo, a coisa se torna bem mais difícil quando tentamos nos orientar às cegas.

Para que meus leitores também não fiquem às cegas, eu costumo disponibilizar-lhes textos de autores que têm acesso às informações necessárias para comporem um bom quadro de bastidores. 

Caso deste abaixo, que leva a assinatura de Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford e analista do Banco Central. 

Ele foi ao encontro de algo que já atraíra a minha atenção – a encarniçada disputa por mais influência que os porta-vozes da nova direita estão travando –, mas, por tratar-se de um universo antípoda do meu, eu não tinha como aquilatar o que está por trás do arranca-rabo. Via o efeito, mas não sabia a causa.
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BARRACO EXPÕE DISPUTA DENTRO DA 
DIREITA, QUE NÃO SE DECIDE SOBRE TEMER
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Celso Rocha de Barros
Como diria o comissário Gordon (*), não foi o debate de que precisávamos, mas talvez tenha sido o debate que merecíamos. Uma pequena guerra civil começou dentro da chamada nova direita brasileira: Reinaldo Azevedo, colunista da Folha, foi atacado por Joice Hasselmann, ex-veja, e por Rodrigo Constantino, ex-veja, por suas críticas à Lava Jato, e respondeu animadamente.

Intelectualmente, foi um daqueles jogos em que o compacto com os melhores momentos tem só o hino nacional e o apito final. Mas o barraco dos conservadores foi o canário na mina: é sinal de uma crise chegando, e de uma disputa real dentro da direita brasileira, que deve se tornar mais acirrada nos próximos meses.

A direita brasileira precisa se decidir sobre Temer; abandoná-lo é colocar em risco as reformas de mercado, apoiá-lo é colocar-se no centro do alvo da Lava Jato. Não será fácil.

Azevedo defende o governo Temer e, recentemente começou a fazer críticas à Lava Jato. Talvez o apoio e o timing das críticas não sejam completamente não relacionados. Ao contrário de Olavo de Carvalho ou Constantino, Azevedo tem trânsito na direita institucional brasileira; suas posições são mais ou menos próximas das do DEM, p. ex., ou da direita do PSDB. Esses setores investiram pesadamente no governo Temer. E todo mundo ali vai aparecer nas delações.
OC, Azevedo, Bolsonaro e Constantino: ambições à flor da pele

Para essa turma, o ideal é que a cruzada anticorrupção pare no PT, e o discurso Temer colocou o Brasil nos trilhos de novo tem de colar até a eleição de 2018. Se der certo, os governistas entram com boas chances na disputa presidencial.

Os adversários de Azevedo são recém-chegados buscando maior inserção institucional. Não se importariam se a política brasileira implodisse. No cenário de implosão, Azevedo os ameaça com Lula; mas eles sonham, aberta ou secretamente, com Bolsonaro. E, sobretudo, cada um deles sonha ser Steve Bannon, o assessor de extrema-direita de Trump.

Os movimentos anti-Dilma tentam se equilibrar no meio dessa tensão. Recentemente, convocaram uma passeata a favor da Lava Jato. Mas a convocação é uma piada: em vez de tentar atrair o maior público possível para defender a operação, o Movimento Brasil Livre incluiu na pauta dos protestos a reforma da Previdência e a revogação do Estatuto do Desarmamento. 

Fez isso para impedir que apareça qualquer um que se disponha a gritar Fora, Temer!. Isto é, o MBL apoia a Lava Jato desde que o seu lado continue no poder. Como diria o PT, assim até eu.
O sonho de alguns deles: ser o Steve Bannon do Bolsonaro  

Por sua vez, Ronaldo Caiado não disfarça a pretensão de ser candidato a presidente no ano que vem. Olhando com os olhos de 2018, Caiado já se apavorou com o que viu, e pediu a renúncia de Temer. 

Mas é difícil que arraste consigo sua base social ou o resto da direita, ao menos enquanto Temer estiver amarrado às reformas. E quem se converter ao Fora, Temer! tão perto de 2018 vai parecer oportunista (e o será).

A história não contada do impeachment de Dilma Rousseff é justamente sua origem na crise de liderança da direita brasileira depois da quarta derrota presidencial seguida do PSDB. Desde então, a direita brasileira foi liderada por quem gritasse mais alto. Agora a combinação de delações contra a direita e eleições presidenciais vai testar a competência política dos vencedores de 2016.
* personagem das história em quadrinhos do Batman

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

LINDBERGH FARIAS (46 ANOS) FRUSTRA A PLATÉIA DO GRAND CIRCO DO SENADO: NÃO SAI NO TAPA COM O RONALDO CAIADO (66)!

Estou postando abaixo três vídeos de canções que competiram nos grandes festivais de MPB da década de 1960, não obtiveram maior destaque e hoje estão praticamente esquecidas. 

Mesmo assim têm lá seu valor e merecem ser ouvidas, daí eu recomendar aos leitores que aproveitem esta oportunidade para as conhecerem.

Outro motivo: ver se, à guisa de exemplo, elas inspiram o senador Lindbergh Farias a adotar uma postura menos pusilânime quando desafiado pelo antigo chefão dos jagunços da UDR.

Se um Caiado desses nos convida a ir lá fora para acertar as diferenças no tapa, temos mais é de agarrar rapidinho a oportunidade, antes que ele mude de ideia. Queixar-se à Justiça ou à comissão de ética é coisa de mariquinhas  choramingando 'fessôra, o Joãozinho me beliscou...

A coisa fica mais vexatória ainda quando se trata de um homem com 46 anos que vacila diante de um idoso de 66. Tenha dó!!!
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segunda-feira, 14 de março de 2016

EM 1968 OS KATAGUIRIS ERAM NOSSOS

Outros tempos: o líder da manifestação dos 500 mil...
Quando o site da Folha de S. Paulo admitiu Kim Kataguiri como colaborador, houve uma chiadeira geral na rede chapa branca e nos internautas por ela mesmerizados.

Eu jamais prestara atenção no que a imprensa publicava sobre esse jovem astro dos protestos contra a Dilma, muito menos nos insultos que os sites subvencionados lhe disparavam. Tinha coisa mais importante para ler.

Mas, a reação exacerbada que os esquemas propagandísticos petistas insuflaram contra ele me incomodou, já que essa gente nunca repudiara com igual contundência colaboradores da Folha infinitamente mais nefastos se adotada uma escala de valores realmente de esquerda.

Como o Delfim Netto, responsável moral por todos os assassinatos, estupros e torturas ocorridos entre a assinatura e a revogação do AI5; o Ronaldo Caiado, chefão da jagunçada da UDR e, portanto, responsável (no mínimo) moral por um sem-número de assassinatos de sem-terra; e Reinaldo Azevedo, o direitista-mor dos tempos atuais, embora não passe de um genérico tosco do corvo Carlos Lacerda.
...é bem menos carismático que o da passeata dos 100 mil.
Propus o seguinte:
"...comecemos combatendo os reaças empedernidos, os inimigos de uma vida inteira, os feios, sujos e malvados da política oficial, voltando nossa atenção para os jovens Katagrilos só quando não sobrarem Judas piores para malharmos".
Mas, a manifestação-monstro que teve lugar neste domingo (13/03) na avenida Paulista, aprofundando e alargando ainda mais o fosso que traga o governo da Dilma, alçou o tal Kataguiri a personagem do dia. 

Lembrei-me de 1968, quando cá em São Paulo mal ouvíamos falar do Vladimir Palmeira, mas a passeata dos 100 mil o tornou, instantaneamente, o líder estudantil mais paparicado do País.

Então, desta vez interessei-me em ler o depoimento desse Kim que não é personagem de Kipling (faz pouco tempo que o livro do empolgante Rudyard e o filme dele derivado eram só o que tal nome me evocava...).

Até que escreve bem, para a idade. O que há de mais interessante está aqui:
Os jovens estavam ao nosso lado...
"Nasci em 1996. Lula assumiu seu primeiro mandato na Presidência em 2002. Eu tinha seis anos na ocasião e sonhava ser catador de lixo. Ele tinha 57 e acabara de concretizar o próprio sonho... 
"Desde que tomei consciência de minha própria existência e do mundo a meu redor, o PT está no poder. Em termos de política nacional, os únicos exemplos que vivenciei vieram desse partido. Na República, os únicos valores que vi colocados em prática foram os petistas. 
"Enquanto Lula aparelhava o Estado, eu estava no quintal de casa, fingindo ser um dos heróis da série 'Power Rangers'...  
"A dinastia petista obrigou toda uma geração a engolir a impunidade, a polarização da sociedade e do debate político, o desrespeito sistemático às instituições, o discurso de que, 'se todos roubam, não adianta mudar o governo'. O PT sonegou os valores da democracia a mim e a outros milhões de jovens..." 
Eu e meus companheiros secundaristas que, mais ou menos com a mesma idade do nissei, pusemo-nos a enfrentar um inimigo ainda mais poderoso, poderíamos escrever relatos semelhantes.

Tinha 13 anos quando os militares usurparam o poder e ainda nem começara a me interessar pela política. Muito mais marcante para mim tinha sido a crise dos mísseis cubanos, quando cheguei a perguntar para colegas de classe mais velhos se temiam ser convocados para a guerra...
...e estarão de novo, se propusermos as lutas corretas.

Só em 1967 percebi que todos os brasileiros vivíamos debaixo das botas, submetidos à truculência e à boçalidade da caserna. E, somados os períodos da minha inconsciência e o do jugo da prepotência, levei 34 anos para saber o que era desfrutar das liberdades básicas que a democracia burguesa prevê.

Supondo que esse Kim seja sincero nas suas convicções, deveríamos é indagar-nos: como chegamos ao ponto em que líderes como ele afloram do outro lado? Antigamente éramos só nos que produzíamos gente assim.

Já tivemos o apoio da classe média, dos formadores de opinião, dos jovens mais ousados e talentosos, dos defensores do meio ambiente, dos libertários, dos religiosos que priorizam a justiça social, etc. Inspirávamos muito respeito, nosso prestígio era imenso quando da redemocratização. Em três décadas perdemos tudo, dilapidamos tudo.

Chegamos no atual beco sem saída e o melhor que pode ocorrer agora é uma transição civilizada de poder, que não coloque em risco nossa democracia (imperfeita, sem dúvida, mas bem melhor que a lei do mais forte).
O passado passou. Temos é de construir o futuro.

Então teremos o tempo de que necessitamos para depurar nossas fileiras, extrairmos as lições dos erros terríveis que cometemos e construirmos uma esquerda que novamente seja portadora da esperança, não da arrogância.

Aí esse Kim e congêneres, se forem coerentes, virão engrossar nossas fileiras. Pois, não tenho dúvidas, alguns anos de hegemonia dos fisiológicos de centro e de direita serão suficientes para queimar o filme deles tanto quanto o nosso está queimado agora.

O governo da Dilma acabará antes do tempo porque não tem como durar sem o País explodir. Recessão que país europeu suporta, aqui mata gente que nem moscas. Estamos numa contagem regressiva e, se não acharmos logo a saída, a penúria redundará em convulsão social e caos. 

Já se o desfecho vier em tempo hábil, a vida seguirá. 

E, como a luta que realmente precisarmos vencer é a que dê um fim à exploração do homem pelo homem, não é este, nem de longe, o momento da batalha decisiva; mas sim o de, como Lênin recomendava, darmos um passo atrás para podermos depois dar dois adiante.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

KIM KATOU UM FRILA. E DAÍ?

É inimaginável que este...
Kim Kataguiri, um dos organizadores das manifestações pró-impeachment em São Paulo, terá uma coluna semanal na Folha Online.

Gente que jamais deu importância a quem escreve no site da Folha está com olhos flamejantes e a boca espumando de ódio, enquanto tecla que cancelou a assinatura do jornal. Não entendi. Deveria é não acessar mais o endereço virtual. 

Enfim, Kataguri é o vilão do dia.

Mas, afinal, quem esse fulaninho de nome esquisito matou, para ser tão odiado?

Ninguém? Ora, então como alguém pode detestá-lo mais do que ao Delfim Netto, responsável moral pela morte de milhares de militantes da resistência à ditadura?

Pois, como todos sabemos, o terrorismo de estado atingiu o auge depois que as bestas-feras da repressão receberam carta branca para assassinar, torturar, estuprar, dar sumiço em cadáveres, barbarizar à vontade. Antes ainda tinham algum receio de se darem mal, depois ficaram certos da impunidade. E foi um Deus nos acuda!

Quem lhes retirou a focinheira, assinando o AI-5, foram 16 canalhas mais o Delfim Netto. O sinistro senhor que escreve há uma eternidade na Folha de S. Paulo sem que nada lhe seja cobrado pela esquerda; pelo contrário, ele agora virou uma estrela do proselitismo salva-Dilma.
...seja um dia tão nocivo quanto este.

E o Ronaldo Caiado, que se projetou como chefe dos jagunços da UDR, não é bem mais execrável do que o Katagrana? Claro que é! E também escreve impunemente na edição impressa da Folha.

Isto para não falar da figurinha carimbada Reinaldo Azevedo, que a corajosa ombudsman Suzana Singer certa vez disse prestar apenas para a web, pois no jornalismo impresso "espera-se mais argumento e menos estridência; mais substância, menos espuma; do contrário, a Folha estará apenas fazendo barulho e importando a selvageria que impera no ambiente conflagrado da internet".

Tal pitbull de papel acaba de ladrar na Folha que o STF e Lula agiram contra a lei ao libertarem Cesare Battisti. Tamanha besteira, falácia tão repulsiva, pisada com tamanha grossura na bola não foi criticada por quase ninguém. Salvo os de sempre: o Rui Martins, o Carlos Lungarzo e eu.

Então, façamos o seguinte: comecemos combatendo os reaças empedernidos, os inimigos de uma vida inteira, os feios, sujos e malvados da política oficial, voltando nossa atenção para os jovens Katagrilos só quando não sobrarem Judas piores para malharmos. 

Por enquanto há uma multidão deles. E ninguém me convencerá a voltar minha metralhadora giratória para caça tão miúda, quando há feras de verdade para abater.

Até porque jamais escolherei meus alvos de acordo com as conveniências do poder, esteja quem estiver no poder.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

DEU A LOUCA NO PT

"Aqueles a quem os deuses querem destruir, primeiramente enlouquecem" -advertiu Eurípedes. Os grãos petistas deveriam botar as barbas de molho, pois parecem estar a caminho da destruição.

Comecemos pelo mensalão. Há anos venho escrevendo e torcendo para que o PT se dê conta de quão adverso é este assunto, não só para ele como para as esquerdas em geral.

De que forma o caso é visto pelo homem comum? Como a comprovação de que, no poder, esquerdistas agem exatamente como os políticos fisiológicos de centro e direita sempre agiram.

Dá para mudar este conceito apenas com a internet e com os veículos de comunicação alinhados com o Governo? Não. O poder de fogo das Globos, Vejas e Folhas é muito superior.

Então, quando a batalha legal foi definitivamente perdida e os dirigentes petistas começaram a cumprir suas penas, o que o partido deveria ter feito? Aconselhar-lhes discrição, pois o maior serviço que eles têm a prestar no momento atual é o de fingirem-se de mortos. 

Quanto mais esperneiam, mais trunfos fornecem para o inimigo deitar e rolar na batalha da comunicação. Alimentar o noticiário equivale a ficarem dando tiros no pé. É simples assim.

Sem nenhuma perspicácia, os quatro tudo têm feito para confrontar Joaquim Barbosa, o STF, as sentenças recebidas, as burocracias prisionais, etc . Não saem das manchetes por uma semana sequer. Transformaram quem apontam como algoz num grande herói da luta contra a corrupção. Quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue.

E as lambanças se sucedem, dando a impressão de que alguns realmente enlouqueceram.

Desde quando militantes de esquerda reivindicam ou aceitam privilégios que os outros presos não têm? Durante a ditadura militar, ao invés de fornecerem motivos para a indignação dos ditos cujos e de seus parentes, os resistentes deles se aproximavam e logo os estavam liderando. A repressão, que quis humilhá-los igualando-os aos presos comuns, acabou separando-os de novo, para não fornecer tropas a generais que delas careciam. 

Não passou pela cabeça do Zé Dirceu que pedir para trabalhar como gerente num hotel suspeitíssimo, ganhando uma fábula, era levantar duas bolas para o outro lado marcar pontos?

E que dizer das campanhas de doações para pagamento das multas do Genoíno e do Delúbio? Assim como a Globo não foi investigar as ramificações internacionais do hotel Saint Peter por possuir notável faro jornalístico, Gilmar Mendes não levantou a lebre de lavagem de dinheiro por ter visto numa bola de cristal ou ser um Sherlock de toga. Foi prato feito, nas duas vezes.

Podemos até admitir que não provenha de petistas alguma ilegalidade que o Ministério Público venha a constatar. O que impediria uma armação inimiga, plantando dinheiro sujo apenas para que fosse espetacularmente descoberto? Por estas e outras, o velho PCB resolvia tais problemas fazendo coletas entre simpatizantes prósperos, o que lhe dava a certeza de que entre os donativos não apareceria nenhum cavalo de Tróia...

O FERRABRÁS RURALISTA ATACA DE NOVO

 Leopardos não perdem as pintas
Por último, o programa Mais Médicos poderá agora se tornar um tiro pela culatra, com o show que o DEM montou no Congresso Nacional, sob a batuta de um manjadíssimo vilão do agronegócio: Ronaldo Caiado, aquele ferrabrás que comandava os jagunços da UDR.

Era uma boa idéia trazer médicos cubanos para suprir as deficiências da Saúde pública brasileira nos grotões? Era.

Mas, isto deveria ser implementado sob rígido controle do governo caribenho, que não só arrogou-se o papel de agenciador de mão-de-obra qualificada, como parece estar monitorando, em pleno território brasileiro, o que fazem ou deixam de fazer seus profissionais? Não. Jamais!

No último mês de agosto, mal acabava de defender enfaticamente o programa (vide aqui), fui surpreendido por informações da colunista Eliane Cantanhêde sobre o outro lado da parceria com Cuba. Acrescentei, então, um post scriptum, manifestando minha preocupação com as vulnerabilidades que parecem ter escapado a Padilha & cia.: 
"Depois de escrito este artigo, veio à tona o estranho esquema de pagamentos adotado no programa Mais Médicos. O dinheiro vai para as autoridades cubanas, que repassam só uma parte para os doutores, confiscando mais da metade. A colunista que aludiu a  condição análoga à escravidão  exagera, mas não deixa de ter certa razão. E, com isto, passaram a existir fundamentos legais para o questionamento do programa nos tribunais. Os responsáveis pela lambança deram, de mão beijada, a munição que faltava para os anticomunistas e/ou corporativistas extremados.
Afora isto, o advogado geral da União, Luís Inácio Adams, declarou  parecer  a ele que os médicos caribenhos não têm direito a asilo político, se o solicitarem. Mas, como não cabe à AGU alterar a Constituição, tal direito continua existindo e o asilo tem de ser assegurado, não questionado, independentemente do que pareça ou deixe de parecer ao Adams".
Pergunta singela: como a Ramona chegou ao Caiado?
Agora, a tal Ramona Matos Rodriguez resolveu virar atração permanente do circo do Congresso, queixando-se de ter sido lograda pelas autoridades cubanas em termos financeiros (o que não é motivo para a obtenção de asilo político), de que estas não permitiram a vinda de sua família conforme haviam prometido (também não é motivo, a menos que ela alegue a utilização dos seus parentes como reféns) e que está sendo perseguida pela Polícia Federal (por que não pede, então, asilo noutro país, se os perseguidores somos nós?).

Mas, o fato é que o nosso Governo, de mão beijada, entregou o ouro (propagandístico) ao agonizante DEM. Jamais deveria ter permitido que as mazelas autoritárias do governo cubano fossem aqui reproduzidas, aparentemente com os préstimos da PF. Os médicos deveriam ser contratados individualmente, receber eles próprios o total dos seus vencimentos e não estar sujeitos a nenhum tipo de controle ou vigilância policial no Brasil. 

Mais: têm, sim, o direito de pedirem asilo, cabendo ao Conare analisar, um a um, tais pleitos; enquanto estiverem conosco, não podem ficar sujeitos a nenhuma prática de estado policial, pois nós não o somos mais (felizmente!).   

Há quem julgue estar servindo bem a um governo ou partido endossando e aplaudindo servilmente as maiores aberrações. Eu creio agir muito melhor ao alertar para as armadilhas que existem à frente, de forma que possam ser evitadas. Nem petista sou, mas dou a consultoria de graça, pois nunca fui adepto do quanto pior, melhor.

Infelizmente, meus alertas caem no vazio e as presepadas acabam ocorrendo. "Aqueles a quem os deuses querem destruir, primeiramente enlouquecem."
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