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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

DUAS OU TRÊS COISAS A SE PONDERAR SOBRE A FORMAÇÃO DO CINTURÃO CONSERVADOR NO CONE SUL

"Alguma coisa está
fora da ordem, fora
da nova ordem mundial"
dalton rosado
 
A DEGENERAÇÃO OSTENSIVA DO CAPITAL
O capitalismo, desde o início, tem se caracterizado pela beligerância genocida. Em nenhuma quadra da história se mataram tantos seres humanos quanto nos últimos 200 anos da república capitalista. 

Mal tinha sido derrubada a monarquia francesa, eis que surge Napoleão Bonaparte com suas chamadas campanhas militares de conquistas (1804 a 1815).

O século 19 foi marcado por ebulições próprias ao desenvolvimento do mercantilismo da revolução industrial inglesa, como o surgimento da energia a vapor que transformava energia térmica em energia mecânica impulsionando máquinas, o transporte ferroviário, equipamentos industriais e gerando eletricidade. 

A queima do carvão ou da lenha representou o embrião e despertar da revolução tecnológica que viria a seguir, e com ela o desejo de hegemonia econômica e política tanto no continente europeu como na América estadunidense, inclusive com as duas grandes guerras mundiais nas quais morreram cerca de 3% de toda a população do planeta. 

A trajetória de implantação do capitalismo mercantilista tem, portanto, um rastro de sangue. O capital é assassino e a democracia burguesa, uma farsa representativa que ora demonstra toda a sua incongruência política, simultaneamente à derrocada dos seus fundamentos econômicos decadentes. 

Como se admitir que o povo dos Estados Unidos eleja um Donald Trump, notório golpista político patrono dos atentados ao Capitólio em 2021 contra a posse de Joe Biden no qual morreram manifestantes e militares, além de ser um criminoso condenado por crimes sexuais e de sonegação, senão pelo prevalecimento fr mecanismos estranhos à livre manifestação da vontade popular?

O resultado da influência do poder econômico na eleição de políticos de direita revela que, na democracia burguesa, os eleitores estão presos a um processo suicida de manipulação da vontade e convergem para o abatedouro tal como gado no corredor de abate, inconscientes e sem alternativas; escolhem dentre o que já foi previamente escolhido pelo capital. 

Agora o Chile e a Bolívia acabam de eleger governantes de direita que se somam ao Javier Milei da Argentina, formando um cinturão conservador no cone Sul das Américas, numa demonstração clara de um movimento pendular eleitoral entre direita e esquerda fruto da insatisfação popular que não se apercebe de que ambos os  projetos representam apenas variações políticas que atuam sob uma mesma base de exploração social: o capitalismo.

A trajetória de implantação do capitalismo mercantilista, que moldou uma forma política que lhe é imanente, tem um rastro de sangue. 

O capital é assassino e a democracia burguesa uma farsa representativa que ora demonstra toda a sua incongruência política pari passu à derrocada dos seus fundamentos econômicos decadentes. 

Como se admitir que o povo dos Estados Unidos eleja um Donald Trump, notório golpista político patrono dos atentados ao Capitólio em 06 de janeiro de 2021 contra a eleição e posse de Joe Biden no qual morreram manifestantes e militares, além de ser um criminoso condenado por crimes sexuais e de sonegação, senão pela manipulação da vontade eleitoral por mecanismos estranhos à legítima e livre manifestação da vontade popular?
O resultado da influência do poder econômico na eleição de políticos de direita revela que na democracia burguesa os eleitores estão presos a um processo suicida de manipulação da vontade e convergem para o abatedouro tal como gado no corredor de abate, inconscientes e sem alternativas; escolhem dentre o que já foi previamente escolhido pelo capital. 

Agora o Chile e a Bolívia acabam de eleger governantes de direita que se somam ao Javier Milei da Argentina, formando um cinturão conservador no cone Sul das Américas, numa demonstração clara de um movimento pendular eleitoral entre direita e esquerda. 

Tal movimento é fruto da insatisfação popular que não se apercebe de que ambos os projetos representam apenas variações políticas que atuam sob uma mesma base de exploração social: o capitalismo.

A inconsciência social popular sobre si mesma atua como se se considerasse coletivamente que o capitalismo e suas relações de exploração e ordem política fosse algo tão natural como se beber água e se alimentar diariamente. 

A inconsciência coletiva corresponde a um torpor ensandecido, senão vejamos: 
* elege-se Jair Bolsonaro, o terrorista planejador do atentado à represa do Guandu no Rio de Janeiro, causa de seu afastamento do Exército quando ainda era tenente e declarado defensor de torturadores e assassinos como o coronel Brilhante Ustra e apologista do arbítrio político de exceção;
* elegem-se tipos como Donald Trump, um genocida que quer receber o título Nobel da Paz Mundial, apesar de matar pessoas em barcos indefesos atingidos por poderosas bombas em nome de uma presunção não comprovada de que se trata de narcotraficantes;
*
mantém-se na Presidência o delinquente dos Estados Unidos que não apenas nega o aquecimento global causado pelo consumo de combustíveis fósseis que tem os Estados Unidos V(e a China) como maiores emissores do gás carbônico na atmosfera pelo seu uso, como quer tomar na marra o petróleo venezuelano, fonte de riqueza daquele país numa ordem capitalista que não consegue equacionar o problema do ecocídio causado pela produção, consumo e venda dessa fonte energética predadora da vida;
* aceita-se que um país invada o outro por terra e lance bombas contra civis inocentes como faz o ex-agente da KGB Vladimir Putin, na agressão assassina da população civil da Ucrânia;
*aceita-se o genocídio em Gaza de mulheres, idosos e crianças, praticado pelo governo sionista de Israel;
* gasta-se mais dinheiro em armamentos do que no combate à fome que aumenta, apesar do desenvolvimento científico das técnicas agrárias;
* aceita-se o pagamento extorsivo dos juros da dívida pública em detrimento do provimento de demandas sociais básicas;
* aceita-se que se dê cerca de R$ 5 bilhões para o financiamento de partidos políticos em suas campanhas eleitorais e se esquece da permanente influência do poder econômico do processo eleitoral;
* naturaliza-se a existência de máfias do crime organizado em permanente competição como  o crime do colarinho branco numa disputa que enoja o cidadão comum explorado, ambos infiltrados no aparelho de estado parlamentar, esferas executivas e no judiciário;
* campeiam soltos e com exemplos, e a cada dia pululando, mais volumosos e impunes no noticiário criminal, os crimes de corrupção com o dinheiro público
O retrato da barbárie social parcialmente aqui citado (há muitas outras) tem uma causa: o capitalismo e sua degeneração econômica e política; superá-lo é a palavra de ordem inadiável. 

Como fazê-lo? Isso somente é possível com a introdução de um novo modo de produção social capaz de negar todas as incongruências do sistema produtor de mercadorias e que viabilize uma ordem jurídico-constitucional que lhe seja correspondente. 

Repetir esse desfecho e formular apelo à conscientização do mal e na necessidade de sua superação como um mantra deve servir de incômodo como uma pedra no sapato de um caminhante que errou o caminho. (por Dalton Rosado)

sexta-feira, 18 de julho de 2025

TORNOZELEIRA É MEIO CAMINHO ANDADO

Minha gente, vamos lá!
Nossa turma vai sair,
nossa escola vai sambar,
vai cantar pra gente ouvir!

Tá na hora, vamos lá,
carnaval é pra valer!
Nossa turma é da verdade
e a verdade vai vencer!
(Gilberto Gil, "Ensaio Geral")

domingo, 15 de junho de 2025

PASSEI A MINHA VIDA ADULTA INTEIRA VENDO ISRAEL FAZER OS ÁRABES DE SACO DE PANCADAS; MUITO SOFRE QUEM PADECE

As charges são do Jota Camelo
Eu começava a prestar atenção nos grandes acontecimentos mundiais quando ocorreu a chamada
guerra dos seis dias, em junho de 1967: Síria, Egito, Jordânia e Iraque, apoiados pelo Kwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão, foram derrotados de forma acachapante por Israel, apesar de sua evidente superioridade em efetivos e recursos.

Passei o resto da vida vendo os árabes serem triturados impiedosamente pelo estado sionista, sempre com o apoio declarado ou velado dos EUA e a despeito das condenações inócuas da ONU, olimpicamente ignoradas pelos genocidas da estrela de Davi.

O enredo se repete mais uma vez; já faz parte da ordem natural das coisas. Só quando algo nele mudar justificará uma análise mais aprofundada. Mais do mesmo vale apenas o tamanho deste post.

Não gosto de assinar protestos ou dar declarações indignadas quando sei de antemão que de absolutamente nada adiantarão. 

Posso passar anos travando uma luta extremamente desigual para nosso lado, como foi aquela contra a extradição de Cesare Battisti no período 2008/2011, desde que vislumbre uma mínima chance de vitória. 

Mas não perco meu tempo quando nem isto existe, pois detesto sentir-me impotente para mudar o curso de acontecimentos deploráveis. Sou guerreiro, não carpideira.

Nesses casos em que nada há que compense fazer, nada faço. Sigo o exemplo do Paulo Francis dos bons tempos, que encerrava o assunto dizendo muito sofre quem padece e passava a ocupar-se das campanhas que não tinham desfecho predeterminado. 

Mas, a semelhança acaba aí. Ele, depois da sua última grande fase (a de quando era o guru do Pasquim), acabou desistindo de todas as cruzadas idealistas, e isto eu não fiz nem farei. 

Tenho 74 anos e continuo pronto para ir em qualquer lugar, correndo o risco que houver, mesmo me arrastando com minha muleta, se depender de mim uma vitória no bom combate. 

Aí a minha inspiração vem de outro exemplo, o de Gilberto Gil na canção Viramundo: "Prefiro ter toda a vida/ a vida como inimiga/ a ter na morte da vida/ minha sorte decidida". (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 6 de junho de 2025

SEM CHANCE DE TER CANDIDATO VIÁVEL PARA PRESIDÊNCIA, ESQUERDA DEVERIA ARTICULAR UMA ANTICANDIDATURA

Pesquisa do Instituto Quaest, de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial do ano que vem, nos ajuda a refletir, embora haja partido de uma premissa duvidosa, a de que Lula será um dos finalistas.

Seu governo errático, emparedado pelo Congresso, cometendo erros crassos e mostrando não ter sequer ideia de como reverter a acachapante rejeição do eleitorado, pode, sim, soçobrar de vez antes do primeiro turno. 

Mas as pesquisas do Quaest o apontam como empatado com o Bozo (41% x 41%) num cenário e vencedor nos sete outros:
-- por 44% x 34% contra Eduardo Bolsonaro;
-- por 43% x 39% contra Michelle Bolsonaro;
-- por 43% x 33% contra Ronaldo Caiado;
-- por 42% x 33% contra Romeu Zema:
-- por 41% x 40% contra Tarcísio de Freitas;
-- por 40% x 38% contra Ratinho Jr.; e
-- por 40% x 36% contra Eduardo Leite.

Se o quadro não permite que Lula durma tranquilo (pois dá para perceber que não irá além do que tem agora e os adversários, sim, decerto o farão), o palhaço sinistro deve estar tendo piores pesadelos. Além dos aproximados 99% de chance de estar inelegível em 2026 (e uns 75% de estar vendo o sol nascer quadrado), é, dos sete adversários do Lula, aquele com maior índice de rejeição. Só continua insistindo por teimosia.
 
Tarcísio, contando com os privilégios de governador do mais rico e poderoso estado da Federação, tem tudo para disparar na ponta quando a corrida for pra valer. Não excluo sequer a possibilidade de ele liquidar a fatura já no primeiro turno.

bananinha Bolsonaro deveria começar desde já a buscar um entendimento com a Michelle, pois ela está bem na frente dele e tem potencial para aumentar a vantagem. Dos dois, quem tem chance de usar a faixa presidencial é ela. 

Com Romeu Zema, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, o filho 03 da Famiglia Bolsonaro integra o quarteto dos azarões do páreo, os quais, na verdade, estão apenas se credenciando para ministros do futuro governo.

Michelle, que tende a receber muitos votos femininos e evangélicos, poderá até se dar bem, caso não seja destruída nos debates eleitorais. É bom o Tarcísio não a subestimar, pois ela já surpreendeu os círculos políticos frustrando os planos do Jair, que favorecia explicitamente o Eduardo como seu provável substituto no pleito.

Ronaldo Caiado, o comandante da UDR na verdadeira guerra contra o MST que teve lugar no Pontal do Paranapanema (SP) em fins do século passado, não ganhará absolutamente nada no voto, mas se a extrema-direita flertar novamente com um golpe, é o único da turma, Jair Bolsonaro incluso, que se enquadra no perfil machão tão ao gosto dos fascistas. 

Como desconhece a história deste país, o gado do 08.01 apostou num galinha morta ao invés de tentar a sorte com um galo de briga que, no mínimo, não teria fugido vergonhosamente da rinha. Azar dos bovinos, sorte nossa.  

De resto, ao observar esse catado de feios, sujos e malvados, sem qualquer representante da esquerda combativa, fico torcendo para que algum valente do nosso lado ouse entrar na campanha como anticandidato, até para, por contraste, evidenciar ainda mais a putrefação dos insaciáveis políticos profissionais. 

Temos de aproveitar todas as brechas para questionar os limites da democracia burguesa, um jogo de cartas marcadas contra os idealistas e a favor de quem já possui muita grana e/ou poder. (por Celso Lungaretti)
 

sábado, 24 de fevereiro de 2024

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

EM 1970, 0S JOVENS DO MUNDO INTEIRO CANTAVAM "GIVE PEACE A CHANCE". HOJE EMUDECERAM. QUE JUVENTUDE É ESSA?

"Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada
homem é parte do continente, parte do todo. 

Se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor,
como se fosse um promontório, como se fosse
uma parte de seus amigos ou mesmo sua. 

A morte de qualquer homem me diminui, porque eu
sou parte da humanidade. E, por isso, nunca
procures saber por quem os sinos
dobram: eles dobram por
ti." (John Donne)

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

PARA A GRANDE IMPRENSA, MOVIMENTOS TERRORISTAS SÃO DIABÓLICOS E NAÇÕES TERRORISTAS SÃO ANGELICAIS


Deu hoje (12/10) no New York Times
— os terroristas do Hamas, no sexto dia de conflito, já mataram pelo menos 1,2 mil israelenses;
— os anjinhos sionistas já mataram, com seus bombardeios a torto e a direito, 1,1 mil palestinos, atingindo inclusive escolas e hospitais.

Afora isto, os imaculados israelenses estão chantageando os diabólicos militantes do Hamas com o bloqueio de água, luz, combustíveis e alimentos na Faixa de Gaza.

Ou seja, porque 150 israelenses estão prisioneiros do Hamas, Israel tomou como reféns todos os 2 milhões de habitantes de Gaza. 

Na ponta do lápis, cada israelense vale 13.333 palestinos. Isto é crime contra a humanidade, mas no presente caso não passa de legítima defesa, pelo menos segundo a tônica do noticiário da grande imprensa.
É óbvio que a invasão da Faixa de Gaza por parte das tropas terrestres israelenses, que tende a ser lançada nas próximas horas, 
levará o número de vítimas palestinas aos píncaros.

Enfim, lamentei muito não poder mais exercer nos jornalões e revistonas a profissão de jornalista desde que, graças à minha atuação no
Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti, entrei em 2011 numa lista negra igualzinha às do macartismo nos EUA. 

Todos os homens da grande imprensa não suportaram perder aquela batalha para um punhado de idealistas.

Hoje, no entanto, sinto imenso alívio por não estar mais sendo obrigado a servir a tão tendenciosos patrões, que desde sábado passado estão atirando as boas práticas jornalísticas definitivamente no lixo. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 26 de julho de 2023

A POLARIZAÇÃO É INDESEJÁVEL AO EXTREMO PARA NÓS, DA ESQUERDA. BRIGA DE FOICE NO ESCURO SÓ SERVE A NOSSOS INIMIGOS.

"Desde que a ditadura aprovou a Lei de Anistia, (...) 2.053 pessoas foram mortas em decorrência de suas atividades políticas no País. O número só aumenta. Após os assassinatos de Marielle e Anderson, em março de 2018, 327 brasileiros entraram nessa estatística sangrenta."

Os dados são do Leonencio Nossa, no Estadão. E, claro, não passam da ponta do iceberg. A violência com motivações políticas que não culminou em óbitos tende a ser incomensuravelmente maior.

Então, quero reforçar o que já escrevi noutras ocasiões: a nós, da esquerda, não interessa nem convém tal briga de foice no escuro.

Não sou religioso nem prego o martírio: quando somos agredidos, devemos, sim, nos defender, se necessário com as mesmas armas (mas sem incidir nas mesmas práticas hediondas, claro!). 

De resto, não, nunca, jamais devemos ir além do limite a que o inimigo chegou ou ou iniciarmos nós mesmos as hostilidades. É preciso ficar bem nítido que nosso uso da violência é sempre defensivo. 

Pois o nosso objetivo não é nem nunca foi o de exterminarmos os ultradireitistas, mas sim o de atrairmos o máximo de cidadãos para a luta contra o capitalismo que os engendra. e ao qual eles servem.

E isto passa por descartamos o rancor e o revanchismo contra aqueles que a lavagem cerebral da mídia adversa, dos hackers reacionários e dos mercantilizadores da fé transformou em serviçais fanáticos do anticomunismo.

Se cometerem crimes, que a democracia burguesa cumpra seu dever de processá-los. 

Nossa postura deve ser não a de tentarmos nós mesmos puni-los, mas sim a de cobrarmos e pressionarmos para que as devidas providências sejam tomadas pelas autoridades policiais e judiciais.

Se não cometerem crimes e quiserem reintegrar-se à vida civilizada, não nos cabe criar-lhes obstáculos. 

A polarização política atual é no mínimo bizarra, pois não se dá entre valores da mesma grandeza. 
Nós representamos os interesses maiores da humanidade, principalmente a sobrevivência da nossa espécie e a viabilização de uma existência digna para todos. 

Os fascistas estimulam a imposição do darwinismo social e do retrocesso civilizatório; a exacerbação da intolerância e da violência cega; e a priorização do lucro e da ganância em detrimento da própria vida humana.  

Somos ampla maioria. E o seremos muito mais se conseguirmos abrir os olhos e clarear o raciocínio dos muitos que, mesmerizados, são tangidos a lamber a mãos de seus exploradores e opressores, favorecendo interesses diametralmente contrários aos deles próprios. (por Celso Lungaretti)

domingo, 5 de fevereiro de 2023

LULA 3 FAZ 1 MÊS (E JÁ PARECE TER 100 ANOS)

Lula com os companheiros Rodrigo Pacheco e
Arthur Lira. Navegar é preciso... mas, chafurdar?! 
Tão logo o 8 de janeiro sepultou de vez o bolsonarismo (a ultradireita, embora duramente atingida, poderá nos incomodar  de novo lá por 2024 ou 2025, mas o movimento identificado com as características peculiares do genocida ensandecido só tem futuro nas prisões federais e nos manicômios judiciais), cantei a bola de que Lula, à falta de propostas para fazer a economia brasileira sair do fundo do poço, obteria aplausos fáceis com a obrigatória desbozificação. 

O bêbado, desta vez, merece mesmo a sova, mas bater nele não passa da obrigação. Se Lula tivesse um pouco de simancol, não estaria exibindo o muque como se fosse um Hércules após matar a hidra de Lerna... 

Como a sorte continua bafejando Lula, ao genocídio dos idosos (uso os termos como o povo os entende, não como os doutos pregam) no qual se constituiu a pandemia de covid veio somar-se o genocídio dos indígenas, com suas imagens terríveis de até onde pode chegar a desumanidade do homem contra o homem.

[Aliás, nem tudo deve ter sido apenas sorte. Assim como vários espiões alertaram a Inteligência estadunidense de que os japoneses atacariam precisamente Pearl Harbor mas o governo considerou válido o sacrifício de vidas e equipamentos para convencer a população a aceitar a entrada do país na 2ª Guerra Mundial (até então prevalecia amplamente a posição de que deveria permanecer neutro), é impossível que Lula e seus ministros ignorassem o que se tramava. 

Lá em 1941, como cá em 2023, deixou-se acontecer o que nem de longe representaria um perigo verdadeiro,  mas, no nosso caso,  serviu para destruir a imagem do bolsonarismo e alavancar poderosamente a do Lula. Me engana que eu gosto...]   
Noves fora, a realidade do novo governo é dada pelas alianças que já foi obrigado a fazer, apoiando a manutenção de Rodrigo Pacheco e Arthur Lira como presidentes das duas casas legislativas. 

Ou seja, quando o povo não aguenta mais a putrefação
 da política brasileira, Lula coloca a esquerda institucional cada vez mais a reboque dos podres poderes, alinhada até com o centrão! É por aí que o fascismo deverá voltar à tona, novamente fingindo-se de outsider, embora não passe da versão mais tóxica do submundo que nos governa.

Se a direita convencional lembra as famílias mafiosas que deixaram a violência estridente de lado, trocando-a por empreendimentos mais respeitáveis na ótica capitalista (como os imobiliários), a extrema-direita miliciana ainda conserva os maus bofes do tempo de Al Capone, daí não ter sido tão difícil derrotá-la desta vez. Mas, tudo faz crer que, depois da disputa que se trava pela liderança do movimento ora acéfalo, o lobo trajará pele de cordeiro quando da sua nova investida.

De resto, só não vê quem não quer que, a pretexto de minar o golpismo ultradireitista, Lula investe cada vez mais no autoritarismo e no punitivismo (que têm como alvo visível os fascistas e como alvo oculto a esquerda). 

Ou seja, já prepara os instrumentos para reprimir as grandes manifestações de insatisfação popular que tendem a eclodir quando cair para os brasileiros a ficha de que, com suas posturas econômicas do século passado, o governo mais do mesmo do PT não tirará o Brasil da recessão interminável nem que a vaca tussa. 

Coerente com sua aversão figadal à esquerda revolucionária, evidenciada desde as caças às bruxas no seio do PT durante a década de 1980, Lula já se preocupa com uma nova onda de protestos como a brasileira de 2013 e a de vários países em 2019.

É por a maior parte da esquerda brasileira ter desistido de transformar em profundidade a sociedade que as falsas soluções do fascismo iludiram a tantos nos últimos anos. 

E se nossa esquerda não acordar para a realidade de que a crise capitalista se agrava cada vez mais  e acabará provocando uma devastadora explosão social em futuro não muito distante, as bandeiras fantasiosas dos fascistas poderão até prevalecer da próxima vez, consumando a destruição do país.

Temos de corporificar também uma alternativa ao status quo, mas propondo para o Brasil um caminho diametralmente oposto ao deles, que só têm a oferecer o retrocesso civilizatório, o caos e a barbárie. 

De nossa parte, o posicionamento a assumirmos é o de defensores do aprofundamento da civilização, com a superação do primado do lucro e da competição insana, substituídos pela priorização do bem comum e dos esforços solidários para a satisfação plena das necessidades humanas. (por Celso Lungaretti)
Aproveito a deixa do título do post para reverenciar o principal
cineasta espanhol das últimas décadas, Carlos Saura, que neste sábado,
04/02, completou 91 anos de idade. Ele está na ativa desde 1956. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

DEPOIS DA BARBÁRIE FASCISTA, A HIPOCRISIA SEM IDEOLOGIA

As charges são todas do Jota Camelo

Por que a selvageria dominical ultradireitista foi rejeitada praticamente por todos os cidadãos que desfrutam de notoriedade e têm uma imagem a manter?

Porque ultrapassou as quatro linhas (um dos clichês favoritos do responsável nº 1 por essa ridícula tentativa golpista) e foi destruindo tudo pelo caminho, desde as cadeiras das arquibancadas até o estacionamento do estádio.

Os registros dessa barbárie explícita foram vistos no Brasil inteiro e chocaram os que se impressionam mais com fogos de artifício do que com disparos reais.

Pois infinitamente mais grave havia sido a tentativa de mandar pelos ares, no aeroporto de Brasília, um caminhão transportador de combustível. Eliminaria pessoas como moscas, ao invés de causar meros estragos e prejuízos materiais, quiçá simbólicos.

Mas, as projeções matemáticas de institutos confiáveis do exterior, segundo as quais cerca de 400 mil mortes na pandemia foram causadas pelo negacionismo e sabotagem à vacinação impostos por Bolsonaro, a poucos cidadãos comuns comoveu. São meros números. 

Incomodou a mim, pois já assisti a partidas de futebol com 100 mil torcedores e tenho uma boa noção do que sejam quatro vezes tal multidão. Afora haver tido, durante a vida adulta inteira, o hábito de caminhar pelas ruas das cidades onde estava, sempre interessado em saber como viviam as pessoas simples do meu país. Exatamente as que mais morreram, assassinadas sob as ordens do genocida.

Mas, os poderosos e os famosos não são iguais a mim. Nem de longe. Quase todos perseguem obsessivamente uma condição que os coloque bem acima do seu próprio povo.

Como poderiam ter verdadeira, já nem direi empatia, mas ao menos compaixão  pelos explorados suarentos, pançudos e mulambentos?

Hoje travam uma acirrada disputa para provarem que são mais democratas do que aqueles que competem pelos mesmos espaços no noticiário. 

Quando o Bozo assumiu e havia muito receio de que fosse deflagrada logo em seguida uma exterminadora Operação Jacarta, lembro-me muito bem de quão poucos ousavam rotulá-lo publicamente com os adjetivos que utilizam de boca cheia agora, quando até o engavetador-geral da República Bozóica resolveu exibir o muque contra os seus protegidos de setembro de 2019 até a semana retrasada...

Então, eu que não acompanho nenhuma onda que não sejam as do mar, tenho a dizer que:
— em nenhum momento houve verdadeira possibilidade de putsch vitorioso no domingo passado;
— foi mero vandalismo e demonstração destrambelhada de força, pois invadir prédios vazios e depredá-los não passa de ideia de jerico, só servindo para entregar preciosos trunfos propagandísticos ao inimigo que se pretendia atingir;
— o resultado óbvio foi tornar a bestialidade da extrema-direita execrada como nunca e dar ao Lula uma nova oportunidade de interpretar o seu papel predileto, o de homem providencial;
— a invasão estadunidense do Capitólio já demonstrara de forma cabal que hordas desmioladas e indisciplinadas, quando seu líder as abandona e delas se distancia por receio de responsabilização legal, descontrolam-se e cumprem mais o papel de bumerangue que o de aríete (ao invés de derrubarem as muralhas do inimigo, infringem pesados danos à causa que elas mesmas  defendem); e
— ainda que a incrível falange Bozoleone, como uma moeda caída em pé, reconquistasse o governo, não o conseguiria sustentar nem por uma semana, pois o principal do poder econômico e da institucionalidade burguesa já havia chegado a uma conclusão definitiva quanto àquele que ambos haviam impingido como fake presidente na fraudadíssima eleição de 2018.

E qual era? A de que urgia desbozificar o Brasil, em primeiro lugar por ele prejudicar negócios importantes com sua ciclotimia e surtos de loucura, comprometendo a estabilidade dos cenários que grandes investidores exigem para fazer grandes investimentos. 

Depois, por privilegiar vira-latas do capitalismo como os predadores ambientais em detrimento da imagem do país no exterior e da obtenção do retorno bem maior simplesmente mantendo as florestas como santuários ecológicos. Y muchas otras cositas más...

Agora finalmente se fará o que já deveria ter sido feito em 2020, quando ficou totalmente evidenciado que, caso o mico fantasiado de mito  não fosse impichado o quanto antes, o saldo em mortes de inocentes seria descomunal. Como acabou sendo.

Mas, a extrema-direita não está morta e, depois de reagrupar-se, reciclar-se e escolher um líder que não fuja na horas decisivas, tende a crescer de novo lá por 2024 ou 2025, se o povo não obtiver aquilo que desesperadamente anseia nesta recessão tão prolongada: a retomada do desenvolvimento econômico.

Nunca esquecerei como, da noite para o dia, o fugaz milagre brasileiro fez os brasileiros trocarem as piadas de baixo calão que faziam a boca pequena sobre os generais ditadores pelas aclamações ao carrasco Médici no estádio do Maracanã.

Será bom se os áulicos contarem isto ao Lula. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

A HORDA DE BÁRBAROS POR FIM SE VAI, MAS O BRASIL ESTÁ UMA TERRA ARRASADA

álvaro costa e silva
GOVERNO BOLSONARO DEIXA BOMBA COMO LEGADO
Disponível na internet, o documento elaborado pela equipe de transição é uma peça espantosa, um livro de terror. Dá a medida de como será difícil a reconstrução do Brasil e o tamanho do desafio que o governo Lula terá de enfrentar.

Pela leitura do diagnóstico, não é possível apontar em que área da máquina federal houve maiores retrocessos, se na saúde, na educação, na segurança, nas políticas sociais, no meio ambiente, nas relações internacionais, na ciência ou na cultura. 

Mostra um país cujas instituições estão falidas e minadas por dentro, como se tivesse passado por uma guerra.
As charges são do Jota Camelo
Geraldo Alckmin, futuro ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, acumulando a função com a vice-presidência, já havia revelado o tom do relatório numa entrevista: 
"Desde que entrei na vida pública nunca vi nada parecido. Os dados dão a entender que o governo Bolsonaro aconteceu na idade da pedra, em que não havia palavras ou números"
Por mais chocante, a declaração de Alckmin não é novidade para quem sobreviveu aos últimos quatro anos.

Bolsonaro não poderia atuar de forma diferente. Ao não entregar a faixa presidencial, é o capitão de sempre, cujo tempo no Planalto foi mero disfarce para o projeto de poder autoritário que o moveu em todos os seus atos. 

Um dos mais recentes foi a aposentadoria, aos 47 anos e com salário integral, do ex-diretor da PRF, um prêmio por ter transformado a instituição em milícia eleitoral agindo por influência e a favor do golpista que agora tem duas coisas a fazer: chorar as pitangas e preocupar-se com a Justiça. (por Álvaro Costa e Silva)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

ALÉM DE EXPULSO DA SUA IGREJA, O PADRE DE FESTA JUNINA...

 ...DEVERIA SER PROCESSADO POR TER COMETIDO 
ESTELIONATO ELEITORAL!
"Decidimos cancelar a Provisão 0025/21 conferida ao Pe. Kelmon Luis da Silva. Também informamos que decidimos desencardinar do clero o Pe. Kelmon Luis da Silva e também o Pe. Lucas Soares Chagas. 

Dessa forma, os mesmos ficam proibidos de ministrar os sacramentos e de falar em nome da Igreja Ortodoxa do Peru – Tradição canônica Síro Ortodoxa Malankara Indiana" (documento postado pela dita igreja no Facebook, em 16/12/2022)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

DESBOZIFICAÇÃO, AINDA QUE TARDIA!!!

"
Antes de se mudar, as pessoas costumam encomendar a dedetização dos novos endereços. Lula confidenciou a operadores da transição a intenção de submeter o palácio residencial do Alvorada a um processo de desbolsonarização. Isso inclui uma varredura para detectar eventuais escutas. Os procedimentos serão estendidos ao gabinete presidencial, no Planalto. 

Até a conclusão do serviço, Lula pretende continuar morando e despachando no hotel onde está hospedado. A atmosfera de suspeição inspirou outra decisão do presidente eleito. Planeja-se para o primeiro dia de governo uma exoneração em massa de ocupantes de cargos comissionados. O objetivo é evitar que bolsonaristas alojados em funções de confiança que sobrevivam à troca de guarda." (Josias de Souza)
"Eu bem que te avisei, você não quis me ouvir / Agora 'tá sabendo
quem é esse Jair / Ele te fez sofrer, ele te fez chorar /
Arrume as malas dele, bota ele pra vazar"

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

A TECLA #ForaBolsonaro FICOU FALTANDO NA URNA. O JEITO É USAR A TECLA LULA

mariliz pereira jorge
O CHEQUE EM BRANCO PARA LULA
As charges são do Jota Camelo
O
tal cheque em branco, que o eleitor está prestes a assinar pela segunda vez no dia 30 de outubro, é para Lula derrotar Jair Bolsonaro. 

É carta branca para acabar com orçamento secreto, sigilo de 100 anos, falas golpistas, ameaça de venezualização, aparelhamento da PF, discussão sobre banheiro unissex.

O cheque é para tentar resgatar o que sobrou do Inpe, do IBGE, da Fiocruz, da Amazônia, das universidades, do ensino fundamental, da cultura, da sanidade mental do povo que não faz arminha com a mão. 

O cheque branquinho é o citalopram para medicar a depressão coletiva de um lado e dar um sossega na histeria da gente de bem.

O que Lula recebe é uma ordem de pagamento emocional para mandar para casa –ou para a cadeia– um incompetente e toda a corja que o rodeia. Chame de cheque em branco, de carta de confiança, de investimento. Pode ser homenagem póstuma aos mortos que não tiveram a chance de uma vacina.

Parte do eleitorado de Lula é apenas fiador do fim de Bolsonaro na Presidência. Não é amor, mas é o que basta no dia 30 de outubro. Depois a conta chega, ninguém vai despir um santo para vestir outro. Por enquanto, é cheque em branco. 
Também serve cartão. Débito ou crédito? Pode até parcelar. Não foi no 1º
 turno? Aceitam pré-datado no 2º. O negócio é estar quite no dia 1º de janeiro. 

Pode ser por aproximação. É só comparecer no dia da eleição com documento e assinar o cheque para nunca mais ouvir cuestão e no tocante. Tá barato.

Também quero saber o que Lula pretende com a economia. Só com uma boa gestão ele poderá assumir os compromissos que tem feito. 

Estão lá as propostas de dar casa, comida, renda, escola e internet. Há promessa de negociação de dívidas, acesso ao crédito, programas voltados à mulher. Como ele fará isso? Também quero saber. 

Por ora, é assinar um #ForaBolsonaro no cheque em branco. (por Mariliz Pereira Jorge, apontando um motivo inquestionável  para eleitores dotados de espírito crítico votarem no Lula)

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

SOCIEDADE APODRECIDA SÓ PODE GERAR UMA SUBJETIVIDADE APODRECIDA

As charges são do Jota Camelo
Como entender o cidadão que se arrumou em pleno domingo, saiu de casa e foi para urna votar num candidato que, pouco tempo atrás, queria matar este fulano de covid? O que explica tal pulsão suicída?

O fascismo sempre esteve pautado no desejo de morte. Não apenas morte dos outros, mas também do próprio indivíduo. 

Não à toa é o regime no qual o capitalismo surge mais plenamente em sua natureza nua e crua enquanto simples e pura forma de exploração. 

O essencial do capitalismo é a reprodução do capital em detrimento da reprodução da vida humana. Vidas humanas são destruídas, seja pela morte física, seja pela morte psicológica ou pela vida limitada em prol do acúmulo capitalista. 

No regime fascista é como se o capitalismo fosse reduzido ao seu grau zero, onde nada mais importa a não ser a pura e simples salvaguarda existencial da sociedade pautada na extração de mais-valia. 

Por isso, não importa ao fascismo a liberdade, a democracia, a cultura, o pensamento ou mesmo a vida. Tudo é dispensável em nome da conservação da dominação burguesa. Ordem, patriotismo, tradicionalismo, obediência, moralismo, isso assume o papel fundamental.

Ao mesmo tempo, o movimento fascista só surge em períodos de aguda crise capitalista, justamente no momento em que se coloca de forma decisiva a continuidade do sistema. 

Nestes períodos, a sociedade acelera seu processo de decomposição, com a força centrífuga, disruptiva, do mercado começando a ganhar cada vez mais força. 

É como se o contrato social de Hobbes fosse se enfraquecendo, com a sociedade marchando  em direção ao estado de natureza, à guerra de todos contra todos

O egoísmo, o fanatismo, o irracionalismo, a crueldade e a desumanidade já comuns do capitalismo se ampliam e acentuam nesta época. A podridão social alcança patamares astronômicos e a feiúra capitalista assume-se em plena luz do dia: é homem lobo do homem em sua forma plena.

Esta forma social apodrecida condiciona o aparecimento de uma subjetividade igualmente apodrecida. Sem remédio ou sem ilusões, não se trata da mera escolha das pessoas, de suas opções conscientes, mas da força material agindo e capturando a vontade de milhões de pessoas. 

Faz-se, assim, absolutamente verdadeiro aquilo a que Marx já aludia nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos: é a realidade que condiciona a consciência. 

Por isso, o sujeito pode sair de casa e ir à urna votar em quem deseja sua morte, em que quer apenas o seu mal. 

No fundo, o que predomina é o delírio autodestrutivo, o comando do fanatismo religioso de que é preciso sacrificar-se em prol da guerra santa, pois haverá uma recompensa no além. 

O erro crasso da esquerda, portanto, é insistir que basta convencimento para mudar a situação. 

Não basta. É preciso modificar a estrutura social, a base do condicionamento psíquico. Sem mirar a modificação da sociedade, a esquerda já está derrotada desde o início. 

Por isso, uma esquerda que trabalha em prol da preservação e aprofundamento desta sociedade apodrecida só pode ser duplamente derrotada, pois, no fundo, está apenas contribuindo para o fortalecimento da extrema-direita. Está, enfim, cavando sua própria cova e a de toda a humanidade. 

Pena que aprender as lições de suas desventuras  não seja o forte do lulopetismo. (por David Emanuel Coelho)
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