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domingo, 6 de julho de 2025

PORTA-VOZ DO LULA NO SEU 1º MANDATO EXPLICA ATUAL CAMBALHOTA IDEOLÓGICA

"O vento virou novamente. Encurralado por um Congresso reacionário e fisiológico dominado pelo centrão bolsonarista, em que tem minoria absoluta (menos de cem deputados no colegiado de 513), esta semana Lula saiu das cordas para voltar às origens do PT, na luta por justiça social e na defesa do que resta do seu mandato em busca da reeleição.

Após a acachapante derrota na votação que derrubou a mudança no IOF na semana anterior, Lula despertou para a realidade: sem poder contar com a frágil base aliada e despencando nas pesquisas, se ficasse parado, não teria mais como governar. Foi ao ataque e recorreu ao STF contra a decisão do Congresso, uma iniciativa de alto risco.

O governo Lula acabou, já proclamavam os líderes da oposição e amplos setores da mídia e do mercado. Vivia-se no Palácio do Planalto o mesmo clima pesado de 2005, quando estourou o escândalo do mensalão e foi anunciada a primeira morte política do metalúrgico que virou presidente da República prometendo acabar com a fome." (por Ricardo Kotscho, jornalista e escritor, duas vezes agraciado com o então prestigioso Prêmio Esso e outras duas com o Prêmio Vladimir Herzog)
Está certo o Kotscho, secretário de Imprensa do Lula no biênio 2003/2004, ao reconhecer que o ex-sindicalista, desde o início empenhado em apenas minorar as terríveis mazelas do capitalismo mediante o desvio de algumas migalhas a mais do banquete dos bilionários para a mesa dos pobres, dá a atual cambalhota ideológica como um sapo que engolirá no desespero de tentar reerguer seu exaurido governo.

Omite, contudo, que o Lula só se salvou de ser impichado a partir do mensalão porque os realmente poderosos o viam como uma força auxiliar da dominação burguesa, que às vezes os incomodava  um pouco mas servia para evitar que os coitadezas se dessem conta de que mereciam uma parte bem maior do bolo que, vale dizer, há muito tempo o Delfim  Netto já negaceava em repartir.

Entre a desculpa esfarrapada do ministro que colheu os louros pelo fugaz milagre brasileiro (Temos de esperar o bolo crescer para depois dividirmos) e a incontinência verbal responsável pelos sucessivos sincericídios do histórico defensor da perpetuação da exploração do homem pelo homem desde que maquilada em social-democracia (Nunca antes nesse país os banqueiros lucraram tanto quanto no meu governo) jamais houve a incompatibilidade apregoada pela propaganda enganosa petista. 

Daí a classe dominante ter decidido poupar Lula em 2005, quando poderia tê-lo derrubado com um peteleco. Lampedusa, pela boca de seu personagem Tancredi Falconeri em
O leopardo, explica exemplarmente tal lógica: É preciso que algo mude para que continue tudo como está.

E a minha avaliação é de que ambas as partes estão blefando, cada uma querendo obter mais vantagens do que a outra nas negociações que farão. Nem Lula vai virar Brizola, nem o Tarcísio, se eleito, sucumbirá ao extremismo brochado do Bolsonaro.

É óbvio que a nova postura petista é preferível à anterior. Tão óbvio quanto que Lula, até por estar desde os anos 80 desideologizando e endireitando o PT, não a levará às últimas consequências. 

Se, para minha enorme surpresa, a classe dominante decidir descartá-lo de imediato ao invés de deixá-lo sangrando até a próxima eleição, duvido que ele saia atirando como Vargas e Allende. O estilo dele é mais de sair com o rabo entre as pernas, como o Jango e a Dilma.  (por Celso Lungaretti) 
"Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero/
Não tolero lero-lero, devo nada pra ninguém"

domingo, 16 de janeiro de 2022

A REVELAÇÃO DESTE DOMINGO É QUE JÁ SOMOS O PAÍS COM MAIOR NÚMERO DE CONTAMINAÇÕES E ÓBITOS PELA COVID

A manchete alude apenas aos
que sabem ter contraído covid 
D
á um baita desânimo constatar que um texto tão importante quanto o que o blog Náufrago da Utopia publicou na noite de sábado (15), antecipando o que seria a matéria principal da edição de domingo do maior jornal brasileiro, foi acessado por um contingente apenas mediano de leitores, como se fosse, p. ex., o anúncio de mais um filme do recém-encerrado Festival do Western Italiano. 

Por que tão importante? Porque uma nova pesquisa do Datafolha confirmou que os dados informados à população brasileira pelo que passa por ser governo neste desgraçado país estão imensamente aquém dos reais: 
— os 22 milhões de brasileiros reconhecidos pelas autoridades negacionistas como tendo sido contaminados pela covid são, na verdade, mais de 100 milhões, embora só 42 milhões saibam ter contraído o vírus; e, 
— graças a tamanho empenho governamental para escamotear a verdade mediante a subnotificação na fonte e o falseamento das totalizações (alguém acredita que um ataque hacker supostamente imprevisto foi o  causador de tamanho estrago no sistema principal do Ministério da Saúde, a ponto de até hoje o dito cujo não estar 100% normal?!), tudo indica que, se conhecêssemos os dados reais, estaríamos agora conscientes de que o  Brasil é o país com pior resultado mundial no combate à covid.

Sim, há enorme possibilidade de que já tenhamos ultrapassado os EUA (hoje com 65,5 milhões de contaminações x 850 mil óbitos) e a Índia (37,1 milhões x 486 mil). Trump deve estar orgulhoso: seu discípulo superou o mestre...

E tudo caminha no sentido de a coisa ainda piorar, seguramente quanto às contaminações e talvez (façamos figa para que tal não aconteça!) em número de mortos, pois a ômicron está entrando aqui como faca no queijo e, se em seguida adquirir letalidade comparável à rapidez de sua propagação, conheceremos a tempestade perfeita.

Enquanto isto, continuamos obnubilados por uma eleição que só vai mesmo começar a ser definida no próximo semestre, isto se até lá o Brasil não derreter de vez e se até lá uma explosão social não alterar todo o quadro, inclusive o calendário eleitoral.  

Como desgraça pouca é bobagem, se a eleição fosse hoje, a vitória ficaria entre:
— o representante do capitalismo agonizante que pretende distribuir algumas migalhas para os coitadezas (Lula);
— o representante do capitalismo agonizante que já atingiu o ápice da loucura e extermina os coitadezas como moscas (Bolsonaro); e
— o representante do capitalismo agonizante que ainda não sabe exatamente em qual das direções acima irá, mas tem como principal antecedente a afinidade com o estado policial (Moro).

Ou seja, ao invés de buscarmos verdadeiras soluções (que não sejam mera continuidade do
mais do mesmo em que nos debatemos há décadas, patinando sem sair do lugar) e, de imediato, cerrarmos fileiras para garantir que pelo menos haja um amanhã, estamos mesmerizados pelas elucubrações sobre o que só acontecerá daqui a nove meses, exatamente como convém àqueles que querem piorar o que já é péssimo e àqueles que pretendem apenas mudar uma coisinha ou outra para que tudo continue na mesma.

Sequer nos damos conta de que, pelo andar da carruagem, nada nos garante que tenhamos nove meses pela frente. Podemos não durar nem nove semanas mais... (por Celso Lungaretti) 
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