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domingo, 15 de fevereiro de 2026

NÃO É NECESSÁRIO CANHÃO PARA MATAR UM TOFFOLI: INSETICIDA BASTA.

A grande imprensa continua manipulando não só seu próprio público, como também a internet, que a copia.

Dias Toffoli é o alvo da vez. Não passa de um mosquito, uma insignificância.

Deve ser expelido do Supremo e, em seguida, ver o sol nascer quadrado? Sim, sem dúvida.

Mas, justifica-se tanto alarde por tão pouco? Não, nem a pau, Juvenal.

Além de a exaustiva campanha jornalística ser uma óbvia maneira de reduzirem a credibilidade do Supremo, justamente no momento em que ele mantém preso o pior homicida culposo da história do Brasil.

Repito a frase antológica do Paulo Francis: O combate à corrupção é uma bandeira da direita.

Faz todo sentido que o Estadão e a Folha queiram levar os leitores a esquecerem que há uma imensidão de problemas muitíssimo mais graves no Brasil, causados pelo vilão-mor, o capitalismo. 

Mas, é incompreensível que tantos comentaristas de esquerda estejam embarcando também nessa canoa furada.

Assim como na de valorizarem a eleição de cartas marcadas da democracia burguesa, como se houvesse pelo menos um candidato  aproveitável dentre os que têm reais chances de vitória. 

Flávio Bolsonaro, Lula, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas me fazem lembrar um pitoresco desafio estilizado da Orquestra Armorial, o "Coco Praieiro": É que, se tratando do seu canto, eu sou sincero: um mais um é igual a zero, tire a prova se restar.

Em se tratando destes quatro eu sou sincero: o resultado da soma de qualquer um com qualquer outro é número negativo. Bem negativo,

E não passa de uma lavagem cerebral a insistência em darem desde já tamanho destaque à corrida eleitoral?! Trata-se da mais flagrante forçação de barra, para fazer os leitores engolirem isca, anzol e linha. 

Antigamente o noticiário sobre a eleição só aumentava depois das férias escolares de julho, e já era uma amolação sem tamanho. Agora dura mais de 10 meses. Haja saco!

Encerro com o Raul Seixas: Todo o jornal que eu leio me diz que a gente já era, que  já não é mais primavera, Oh, baby, a gente ainda nem começou.

De algo tenho certeza absoluta: todo jornal que eu leio tenta me iludir. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

BRASÍLIA É TERRITÓRIO INIMIGO: NELA NUNCA HÁ DE CHEGAR NOSSO CARNAVAL!

Quando o Carnaval Chegar é a canção mais emblemática do período que vai da derrota da luta armada até a redemocratização do Brasil.

Depois que a imensa superioridade de forças do inimigo condenou ao fracasso a heroica tentativa de sairmos da ditadura pela porta da frente, só nos restou mesmo a longa espera de que ela ruísse em decorrência de suas próprias contradições. 

Houve, claro, momentos fulgurantes como o repúdio ao bárbaro assassinato de Vladimir Herzog em 1975 e as diretas-já em 1983/84, mas todos desconfiávamos que não seria tão fácil expelir os militares do poder que exerciam como usurpadores e déspotas.

E existia a resistência cotidiana aos abusos e atrocidades, cujo símbolo mais marcante foram D. Paulo Evaristo Arns e sua abnegada equipe, o embrião do Tortura Nunca Mais.

Mas, não estava em nossas mãos darmos um fim à ditadura. Sentíamo-nos exatamente como Chico Buarque descreveu: "Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar/ Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".

Lá por meados da década de 1970, quando terminou o último dos quatro julgamentos a que fui submetido em auditorias militares, eu tive de fazer minha opção: permanecer ou não no Brasil? 

Ao sair dos calabouços verde-oliva, ainda sob o impacto de tudo que sofrera nos porões verde-oliva, decidi embarcar para qualquer país civilizado tão logo pudesse fazê-lo legalmente, já que não tinha como montar um esquema de fuga minimamente confiável.

Aos poucos, contudo, foram-me voltando os sonhos, as elucubrações sobre o que faríamos quando, findo o pesadelo, pudéssemos finalmente reconstruir este país. "Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".

Mais do que quando militava na VPR, eu tinha a noção exata do que precisava ser feito para o Brasil voltar a ser, pelo menos, uma nação civilizada. Nos bares, nosso refúgio, eu e os amigos discutíamos ponto por ponto as medidas a serem tomadas no glorioso day after.

Era nosso lenitivo para continuarmos engolindo os sapos de cada dia. "E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar"

Mas, a classe política frustrou nossas esperanças e destruiu nossos sonhos. Com a ditadura já agonizante, manobrou para que fosse rejeitada a Emenda Dante de Oliveira, que restituiria o poder a quem de direito, os cidadãos eleitores deste país. 

E o maquiavélico Tancredo Neves pôde, triunfalmente, anunciar que chegara "a hora dos profissionais".

O candidato da ditadura, Paulo Maluf, não seria detonado pelo povo nas urnas, mas sim por umas poucas centenas de parlamentares no Colégio Eleitoral, o que se constituía num símbolo gritante da exclusão do povo na tomada das grandes decisões nacionais.

Pior: Maluf deixou de ser eleito graças a seus iguais, os congressistas que, como ratos, abandonaram o navio da ditadura que já fazia água, para assegurarem a manutenção dos seus privilégios na Nova República.

A indústria cultural, com a Rede Globo à frente, conseguiu vender a ilusão de que tanto dava a diretas-já quanto a vitória no espúrio Colégio Eleitoral. A longa agonia pública de Tancredo Neves era a peça que faltava no quebra-cabeças. A pieguice obnubilou as consciências. Os maus venceram, como quase sempre.

E tocada, entre outros, pelos que haviam sido sustentáculos da ditadura, a redemocratização ficou pela metade, como convinha à burguesia, que antes exercia o poder por meio dos fardados, depois passou a exercê-lo por meio de civis safados.

Nem sequer foram punidos os assassinos seriais da ditadura. Nem sequer foram devolvidos os corpos de companheiros martirizados. "Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar". E não adiantou esperar o carnaval, pois ele não chegou.

Assista ao filme...
Gato escaldado, nunca mais acreditei que a redenção dos males brasileiros pudesse provir das tempestades em copo d'água da política oficial. Sabia/sei que a chegada do nosso carnaval não depende da desgraça momentânea dos Tarcísios, das Michelles, dos Flávios e dos Jaíres (embora seja inconcebível que este último escape de uma punição exemplar como golpista e como homicida culposo, pois seria a avacalhação suprema do Brasil!).

Esses senhores nunca determinaram os acontecimentos, apenas cumprem/cumpriram determinadas funções dentro do sistema de exercício e sustentação do poder burguês. Então, enquanto tais funções não forem extintas, suas agruras só servirão para jogar poeira colorida nos olhos do povo.

Trata-se apenas de um sacrifício ritual para servir como catarse aos "de fora". Cada vez que um desses espantalhos tomba, a indústria cultural cria a ilusão de que a justiça foi feita e as instituições funcionam. 

Mas, saem uns, entram imediatamente outros da mesma laia; a desigualdade e a podridão continuam as mesmas.

Há ingênuos que pensam ser fundamental garantir a vitória do Lula (força auxiliar da dominação burguesa) contra os candidatos da direita escrachada. Parecem ignorar que desde a década de 1980 o Lula tudo tem feito para domesticar a esquerda, trocando a luta de classes pelo jogo de cartas marcadas das eleições. Infelizmente, com êxito.

E, ao que tudo indica, nem neste 2026 haverá uma esquerda combativa preparando o carnaval, que só chegará quando os cidadãos assumirem a iniciativa de, eles próprios, colocarem-no nas ruas, sem se deixarem iludir pelas pantomimas brasilienses. (por Celso Lungaretti)

...e curta a canção.

domingo, 14 de dezembro de 2025

JAIR BOLSONARO E FILHOS SE TORNARAM PÁRIAS NA POLÍTICA BRASILEIRA. ALELUIA!

R
oseann Kennedy, em sua coluna dominical no Estadão
, dá uma informação tão auspiciosa que justifica a reprodução, abaixo, dos principais trechos: os poderosos estão rejeitando definitivamente o famigerado clã Bolsonaro. Leiam e curtam. (Celso Lungaretti)  

"...o senador Flávio Bolsonaro conseguiu um feito político: formou um tripé de rejeição. O filho 01 do ex-presidente enfrenta desconfiança e resistência de partidos do Centrão, de parte do agronegócio e de setores econômicos.

Sua pré-candidatura fez uma confusão já na largada. Naquele dia 5 de dezembro, a Bolsa despencou, o índice Ibovespa derreteu. O dólar disparou e fechou em alta de 2,29%. Isso porque o entendimento é que Flávio na corrida presidencial eleva a possibilidade de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em primeiro turno.

Representantes de grandes bancos, portanto, continuam na expectativa de uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao Palácio do Planalto, e avaliam que o sobrenome Bolsonaro é tão tóxico que não pode estar na chapa nem para vice-presidente.

Esse mesmo entendimento cresce entre integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária.

A bancada do agro é a maior da Câmara e do Senado e sempre foi alinhada com Bolsonaro. Entretanto, depois de a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro contribuir para o tarifaço de Trump a produtos brasileiros e abalar os números das exportações, muitos deles já viraram as costas para o bolsonarismo.

A tentativa de Jair Bolsonaro de derreter a tornozeleira eletrônica tem sido citada como um dos motivos para eles buscarem encerrar esse capítulo da história apostando em um nome fora da família.

'É uma coleção de vexame', observa um político descrente com os Bolsonaros. Primeiro foi Roberto Jefferson com disparos de fuzil e granada contra policiais federais, depois Carla Zambelli correndo com uma arma na mão em direção a um eleitor da oposição e agora foragida, teve ainda a fuga de Alexandre Ramagem, e tudo culmina com o ex-presidente tentando derreter a tornozeleira.

A rejeição a Flávio Bolsonaro pode ficar ainda maior. No próprio PL, sigla à qual o senador é filiado, há quem sinalize que a lista de problemas tende a avançar com outro grupo, o de evangélicos. Esse segmento vinha cada vez mais empolgado com eventual candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e há quem reclame de 'traição' do enteado".

domingo, 7 de dezembro de 2025

O HOMEM DA TORNOZELEIRA DE FERRO CONTINUA MISÓGINO E MEGALOMANÍACO

D
ata Folha confirma que a disputa presidencial no campo da direita continua restrita a dois nomes, em disputa autofágica: Michelle Bolsonaro é a preferida de 22% do eleitorado e Tarcísio de Freitas, de 20%.

Flávio Bolsonaro, o favorito do Papai, não passa de carta fora do baralho, com míseros 8% de adesões. 

Mas, misógino como sempre, o Jair prefere apostar no azarão Flávio do que na esposa Michelle. Já está em franca decadência e ainda desperdiça a oportunidade de agradar às mulheres (52,5% do eleitorado). 

Ademais megalomaníaco, o homem da tornozeleira de ferro parece ignorar que não tem mais poder de fogo para obrigar o Legislativo a conceder-lhe anistia nenhuma.    

Possuidor de carisma zero, Flávio pouco tende a melhorar agora que o Jair fez a besteira de definir seu apoio a ele, o filho número umJá passou o tempo em que o posicionamento do então presidente demente tinha peso decisivo... 

Como cansei de repetir aqui, ninguém é líder dos brucutus da extrema-direita depois de refugar em três momentos decisivos, como o Jair fez no 7 de setembro de 2021, no Dia da Pátria de 2022 e no 08.01.2023.

Já o Lula, único candidato da domesticada ex-querda, terá de fazer o milagre da multiplicação dos votos se quiser um quarto mandato apesar de não estar dando conta nem do terceiro. 

É que ele precisará desesperadamente de 50% mais um dos votos no primeiro turno, caso contrário será engolido pela direita unida no segundo turno.

Optar pelas eleições da democracia burguesa ao invés dos movimentos no seio da sociedade, deixando o terreno livre para a direita na praça que era do povo como o céu era do condor (agora a praça pertence mais aos urubus...) teve um preço. 

Se a direita continuar cometendo tantos erros, o Lula poderá até ganhar eleições mas não para ser presidente de verdade, dependente que está do centrão. para vencer qualquer votação importante no Legislativo.

Depois de dois mandatos presidenciais, talvez ele acumule outros dois como rainha da Inglaterra. Talvez. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

ESTARÁ MICHELLE BOLSONARO DESTINADA A TORNAR-SE A EVA PERÓN BRASILEIRA?

A vitória de Michelle Bolsonaro contra a articulação PL-PSDB no Ceará dá o que pensar. 

Foi um claro movimento para ela se colocar como a herdeira do bolsonarismo, botando para escanteio Flávio e Carlos Bolsonaro, que haviam acertado a barganha para viabilização da candidatura de Ciro Gomes ao Senado.  

Como Eduardo Bolsonaro se desmoralizou totalmente com suas estrepolias estadunidenses, a candidatura presidencial mais viável da família, neste momento, é a de Michelle.

Faz lembrar a Eva Perón, que não passava de uma atriz de novelas radiofônicas  quando a união com Juan Domingos Perón lhe deu a oportunidade de se tornar a segunda maior liderança política da Argentina. 

Se Evita virou a voz estridente dos descamisados, Michelle tem tudo para se tornar a santa redentora dos evangélicos (embora haja quem a considere apenas uma santinha do pau oco).

Quem chegou a acreditar que o Jair fosse Messias em algo além do sobrenome, crê em qualquer coisa.

Michelle é, provavelmente, o único contraponto à união da direita em torno de Tarcísio Freitas. Os três filhos Patetas do Jair não têm carisma nem base eleitoral própria para competirem com ela. E Papai, no xilindró, pode fazer muito pouco por eles.

Há outra afinidade entre as trajetórias de Eva e Michelle que quem assistiu  ao filme Evita, dirigido por Alan Parker e estrelado pela Madonna, certamente notará. A fita está disponível no streaming da Disney para quem quiser conferir.

Eu sei o que elas duas fizeram em verões passados. 

Registro a semelhança, mas só como curiosidade. Se há algo que eu não sou é preconceituoso...

(por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

EM JULHO O "NÁUFRAGO DA UTOPIA" JÁ ANTECIPOU O MALOGRO DA CHANTAGEM TARIFÁRIA DO "TIGRE DE PAPEL" TRUMP

"Ou (o Brasil) se avacalha de vez com uma rendição não só vergonhosa como desnecessária, ou se une contra o vilão pândego que, diria o Jards Macalé,  range, ruge, morde, mas não passa de um tigre de papel

Sabe de antemão que, caso mantenha a firmeza, inevitavelmente será o vencedor da pendenga."

Tal análise, feita  neste meu post do último dia 12 de julho, está sendo inteiramente confirmada agora, mais de três meses depois: o Brasil manteve a firmeza, pagou para ver e fez Trump recuar do seu blefe arrogante. 

Assim, preparando o terreno para as negociações diretas que Trump e Lula manterão, o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio e o ministro das Relações Exteriores brasileiro Mauro Vieira só relacionaram como temas a serem discutidos aqueles. eminentemente técnicos, que dizem respeito aos verdadeiros interesses dos dois países.
O bananinha sai da pendenga como grande perdedor 

Nenhuma palavra a respeito de assuntos políticos como a condenação de Jair Bolsonaro a uma merecida pena de prisão; trata-se do reconhecimento tácito de que Trump errava ao tentar interferir nas decisões da Justiça brasileira. 

Minha recomendação de 12 de julho acabou sendo mesmo a linha de ação adotada com êxito pelo governo brasileiro: 
"O melhor, portanto, é deixarmos o golpista e genocida Jair Bolsonaro, o traidor da pátria Eduardo Bolsonaro, o errático Tarcísio de Freitas e outros personagens tão medíocres quanto estes fazendo o papel de palhaços na farsa trumpiana. É para isto, e só para isto, que todos eles servem".
De resto, mesmo não tendo conseguido seu intento, o bananinha precisa ser punido pela Justiça e perder seu mandato de deputado por ter intrigado contra o Brasil nos EUA, comportando-se como um reles quinta-coluna. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

LIDERANÇA DO JAIR BOLSONARO DEFINHA E SURGEM GRUPOS ULTRADIREITISTAS CONCLAMANDO À LUTA ARMADA

Redes ultradireitistas estão convocando seus seguidores para a luta armada, adverte Paulo Motoryn, editor de Brasília do Intercept Brasi
l, neste artigo.

Motoryn rastreou o vídeo veiculado por um grupo de WhatsApp usado para compra e venda de produtos domésticos na cidade de Araçatuba, interior de São Paulo. 

Nele, um encapuzado pregava abertamente uma guerra anticomunidsta visando à derrubada de governo, com afirmações como estas:
"Chegou a hora de lutar. O Brasil está sob ataque. Comunistas infiltraram-se em nossas instituições, corromperam o sistema e ameaçam nossa liberdade, nossa pátria e nosso futuro." 
"Essa guerra não será vencida com manifestações pacíficas ou gritos nas redes sociais. Manifestações não funcionam mais. Redes sociais não derrubam governos." 

"No Nepal, meninas de 12 anos, desarmadas, enfrentaram comunistas nas ruas e venceram. " 
"...o Brasil definha. Não contem com o exército brasileiro. Ele não existe mais como força patriótica. Transformaram-se em melancias. A polícia federal? Corrompida. O judiciário? Vendido." 
"Compartilhem esta mensagem, despertem os adormecidos, organizem-se." 
"O Brasil clama por sua liberdade. Vamos lutar pelo tudo ou nada até a vitória. Pátria acima de tudo. Brasil acima de todos." 
Há até um lado positivo em tal convocação, pois se trata do reconhecimento implícito de que a liderança do Jair Bolsonaro definha e ele não controla mais seu antigo rebanho. A ameaça maior, de um golpismo que se alastrava  pelos centros do poder. foi debelada. 

A perspectiva atual é a de que as eleições dp próximo ano transcorram normalmente, com Lula como candidato do reformismo pequeno-burguês e os direitistas Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro e Ratinho Jr. disputando a outra vaga no segundo turno. 

Mas, mesmo que hoje não se constituam verdadeiramente numa alternativa de poder, os extremistas de direita tendem a causar muito estrago. E, se ocorrer uma grave crise capitalista, eles poderão até ganhar fôlego para voos maiores. 

Temos mais é de esmagar esses ovos de serpente antes que eclodam. (por Celso Lungaretti)

sábado, 16 de agosto de 2025

MACACO QUE MUITO PULA QUER CHUMBO: AS MICAGENS DO 'BANANINHA' FAZEM A DIREITA RECHAÇAR BOLSONARO.

Interessado em herdar votos do inelegível Jair Bolsonaro, o presidenciável Tarcísio de Freitas fingiu ter esquecido quem é o personagem político mais prejudicial para o Brasil neste momento, ao afirmar que "o Brasil não aguenta mais o PT, o Brasil não aguenta mais o Lula".

É uma jogada que faz sentido, porque não há hipótese de o país vergar-se à chantagem do Donald Trump para salvar o Jair da condenação como golpista. No entanto, o que o palhaço ultradireitista dos EUA está conseguindo é apenas dar o tiro de misericórdia nas chances do bufão ultradireitista do Brasil. 

Tarcísio faz média com o Jair  porque não tem dúvidas quanto a ser ele uma carta fora do baralho, portanto inofensiva para seu objetivo maior. Daí a tentativa de seduzir o gado bolsonarista com tal frase de amoralismo explícito e oportunismo rasteiro.

Mas, expôs-se ao contra-ataque daqueles direitistas que ainda conservam a sanidade mental e sabem muito bem que o Brasil, acima de tudo, não aguenta mais governantes capazes de condenar ao extermínio centenas de milhares de seus governados apenas por pirraça contra a ciência (como fez o Jair ao sabotar a vacinação e induzir o uso de placebos fatais durante a epidemia de covid 19). 

Eu nunca fui nem sou devoto do reformista Lula, pois a situação trágica dos explorados e excluídos brasileiros não comporta soluções meia-boca como a simples maquilagem do capitalismo extremamente predatório aqui dominante. 

Desviar algumas migalhas do banquete dos poderosos para a mesa dos pobres é tão inócuo quanto atirar num crocodilo com um estilingue. 

Mas faltaria à verdade se não reconhecesse que todos os prejuízos causados ao Brasil pelo Lula durante a vida inteira são irrisórios se comparados ao catastrófico mandato presidencial do Jair,

Então, os conservadores que não embarcaram no trem fantasma bolsonarista estão capitalizando tal vacilada do Tarcísio. E o jornal O Estado de S. Paulo, que os representa, lançou neste sábado (16) um editorial contundente, destacando que "o Brasil não aguenta mais o bolsonarismo também". Foi convincente:
"O antipetismo viabilizou a ascensão de Bolsonaro, e o antibolsonarismo viabilizou o retorno de Lula, mantendo o País cativo de um ciclo infernal de ressentimento, radicalização e estagnação. Rompê-lo é condição para avançar".   
De resto, será hilário se a atuação repulsiva de Eduardo Bolsonaro junto ao governo estadunidense for punida com uma consequência diametralmente oposta à pretendida. O que, entretanto, jamais deverá servir de desculpa para a Câmara Federal não cassar seu mandato e para a Procuradoria Geral da República não denunciá-lo por traição à pátria. (por Celso Lungaretti) 

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

O CORDÃO DOS PUXA-SACO (DO DONALD TRUMP) CADA VEZ AUMENTA MAIS...

Pôster do símbolo da vergonha
francesa que foi o governo de Vichy
rui martins
SOBERANIA NACIONAL É
PARA SER RESPEITADA
Um grupo de nove governadores se reuniu na casa do governador do Distrito federal, Ibaneis Rocha, para discutir o tarifaço. Até aí, tudo bem.

Mas, o fizeram sem sequer mencionarem as ações desenvolvidas junto ao governo estadunidense pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro e às ameaças, chantagem e ingerências na soberania brasileira feitas pelo presidente Donald Trump com o objetivo de forçar o Supremo Tribunal Federal a anular o processo por golpismo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e lhe conceder uma ampla anistia para poder disputar as eleições presidenciais no próximo ano.

Ignorando o aspecto político do tarifaço aplicado ao Brasil, os governadores, representados junto à imprensa pelo governador Tarcísio de Freitas, se limitaram a criticar o presidente Lula por não ter ido a Washington negociar com Trump, como se não soubessem das tratativas feitas pelo vice-presidente Geraldo Alkmin. 

Essa abordagem, também utilizada numa entrevista pelo governador mineiro Romeu Zema, foi considerada como discurso de palanque com objetivo eleitoral pelo comentarista da Jovem Pan Cristiano Vilela, dado o resultado colhido por quem procedeu de tal maneira: a presidenta suíça Karin Keller-Sutter voou para Washington assim que seu país foi taxado em 39%, mas nem sequer foi recebida por Trump e voltou com as mãos abanando.

No caso do Brasil a situação se complica, pois as ameaças de Trump repercutidas pela própria embaixada dos EUA em Brasília e a ingerência ditando o que deve fazer o Judiciário brasileiro, consideradas pelo presidente Lula como atentatórias à soberania nacional, impedem uma negociação direta. Muitos comentários na imprensa são pela defesa da soberania brasileira e contra uma interferência estadunidense  no Judiciário brsileiro.

A posição assumida pelos governadores avestruzes, que devem estar com a cabeça enterrada na areia para não enxergarem a afronta na qual se constituem os ultimatos de Trump, nos fez lembrar de um episódio de 85 anos atrás. Mesmo depois da invasão da França pelas tropas nazistas havia políticos complacentes com Hitler, a ponto de constituírem um governo colaboracionista, comandado pelo marechal Philippe Pétain e Pierre Laval, o chamado regime de Vichy (1940-1944). 
Caiado, 1989, líder de jagunços na guerra do Pontal

Tal regime de sujeição voluntária aos invasores alemães transformou em leis francesas as exigências de Hitler. Foi o caso do envio dos judeus aos campos de concentração e extermínio nazistas, num plano antissemita de genocídio. 

O lema Deutsche Uber Alles (Alemanha Acima de Tudo) foi copiado no Brasil Acima de Tudo, da extrema direita evangélico-bolsonarista e não difere em muito do Make America Greater Again  (Faça a América Grande de Novo).

Trump não é Hitler, mas está evidentemente assumindo atitudes despóticas, inclusive dentro dos EUA. Interfere no funcionamento da Justiça e na rotina das universidades., Atropela os direitos humanos no tratamento e expulsão  dos imigrantes, convocando um reforço da Guarda Nacional em Washington como quem se prepara para aumentar seu poder discricionário e impedir resistências. 

Não se falava, na época, em Hitler ungido por Deus, mas uma grande parte da igreja luterana alemã apoiava Hitler e -- ao contrário da teologia do domínio criada nos EUA pelos pentecostais, baseada no Deus guerreiro do Velho Testamento -- a extrema-direita religiosa hitlerista queria se desfazer da herança judaica do cristianismo por um Jesus ariano. A igreja luterana anti-Hitler teve dois mártires, executados pelo governo nazista: Martin Niemoller e Dietrich Bonhoeffer

Por que essa equiparação ao regime colaboracionista de Vichy? Porque numa entrevista ao UOL, apesar da insistência de três entrevistadores, o governador Ronaldo Caiado  minimizou, ignorou, descartou hipocritamente a evidência de que o tarifaço de Trump contra o Brasil é político. 
Tarcísio e Zema: volta à aliança café com leite

Caiado, que presidia a União Democrática Ruralista quando esta trocava tiros com o MST no Pontal do Paranapanema (SP), mostra que três décadas e meia depois ele em nada mudou, complacente com Trump mas criticando a reação altaneira do presidente Lula, como se o Brasil fosse obrigado a se sujeitar aos desmandos arrogantes dos EUA. 

Lula deveria ter ido a Washington negociar com Trump sobre até onde vai a soberania brasileira e até onde podem legislar os ministros do Supremo Tribunal Federal?

Caiado, assim como Romeu Zema (MG) e Tarcísio de Freitas (SP), aceita que o Brasil seja submetido a um tratamento de colônia ou de país sujeito às leis e pressões autocráticas de um presidente estrangeiro, desvinculadas das normas internacionais de regulação do comércio exterior e taxas aduaneiras? 

Em caso afirmativo, esses três líderes presidenciáveis estariam abrindo mão da soberania e independência brasileiras, em favor de uma relação de sujeição e colaboração com os EUA, inspirada na França de Vichy.

Há também algo estranho nas últimas críticas do governo Trump ao Brasil, focadas no desrespeito aos direitos humanos e violências policiais. Não passaram despercebidas as denúncias às violências cometidas pela polícia de Guilherme Derrite, secretário de confiança do governador Tarcísio de Freitas.
O bananinha diz que aceita a missão de ser presidente.
Resta saber de qual país, Brasil ou Estados Unidos?

Detalhe: os articuladores e fornecedores de informações ao secretário de Estado dos EUA Marco Rubio e ao presidente Trump, contrárias ao governo e ao Judiciário brasileiros, são o neto do ditador João Figueiredo, Paulo Figueiredo, e o filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, auto-candidato à sucessão de Lula e preferido pelo pai. 

Cabe, portanto, a suspeita de que tais denúncias sejam destinadas a inviabilizar junto a Trump uma candidatura, nas próximas eleições, do nome de Tarcísio de Freitas. Uma espécie de fogo amigo. (por Rui Martins)

quinta-feira, 31 de julho de 2025

TIRO PELA CULATRA: CHANTAGEM DO TRUMP FAZ TODOS OS MINISTROS DO STF APOIAREM O ALEXANDRE DE MORAES

E
m razão das sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes, um dos seus integrantes, o Supremo Tribunal Federal vem se pronunciar na forma abaixo:
1. O julgamento de crimes que implicam atentado grave à democracia brasileira é de exclusiva competência da Justiça do país, no exercício independente do seu papel constitucional.
2. Encontra-se em curso, perante o Tribunal, ação penal em que o procurador-geral da República imputou a um conjunto de pessoas, inclusive a um ex-presidente da República, uma série de crimes, entre eles, o de golpe de Estado.
3
. No âmbito da investigação, foram encontrados indícios graves da prática dos referidos crimes, inclusive de um plano que previa o assassinato de autoridades públicas.
4. Todas as decisões tomadas pelo relator do processo foram confirmadas pelo colegiado competente.
5. O Supremo Tribunal Federal não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição e as leis do país, que asseguram a todos os envolvidos o devido processo legal e um julgamento justo.
6. O Tribunal manifesta solidariedade ao Alexandre de Moraes.
Brasília, 30 de julho de 2025.
Yes, nós temos bananas. E também bananinhas... podres!

terça-feira, 15 de julho de 2025

QUEM É BURRO, PEÇA A DEUS QUE O MATE, AO DIABO QUE O CARREGUE E AO XANDÃO QUE TRANQUE A CELA E DESTRUA A CHAVE

Desde o primeiro momento o blog Náufrago da Utopia avaliou como desastrosa a chantagem do clã Bolsonaro contra as instituições brasileiras, apostando em que nada de bom e tudo de ruim dela adviria. Agora tal avaliação está confirmada na íntegra.

Assim, o procurador geral da República Paulo Gonet acaba de pedir a condenação de Jair Bolsonaro por cinco crimes, três deles gravíssimos: liderar organização criminosa armada, tentar abolir violentamente o Estado democrático de Direito e dar um golpe de Estado (ainda que fracassado).

Só mesmo um cidadão tacanho, sem nenhuma familiaridade com as leis brasileiras, como é o caso do bananinha 03, poderia supor que uma ameaça estrangeira de ordem econômica impediria o Supremo Tribunal Federal de cumprir o seu dever. Mesmo que o Executivo quisesse prostrar-se aos EUA, não teria poder para tanto.

Então, o tiro do Trump, além de ser negativo ao extremo para a imagem dos Estados Unidos aos olhos do mundo inteiro, só poderia perder-se no vazio. 

E o amadorismo da tramoia foi tamanho que Lula ganhou a parada praticamente sem sair do lugar. Quem poderia recriminar seu governo por não realizar uma missão impossível?

Nem mesmo o agro, que vinha pendendo para o lado do Bolsonaro, está culpando o presidente pelos prejuízos que os aprendizes de feiticeiro lhe vão causar.

O centrão imediatamente recuou do apoio ao projeto inconstitucional dos bolsonaristas, que previa uma decisão da Câmara Federal em favor de uma anistia que não lhe cabia conceder, o que geraria um perigoso confronto entre Poderes. 

Hugo Motta já decidiu não pautar tal votação para o presente semestre, pois sabe quão impopular se torna quem apoia um governo estrangeiro em detrimento do seu país. 

O bolsonarismo se tornou tóxico da noite para o dia. Os tais patriotas, estarrecidos, descobriram que são, isto sim, traidores e entreguistas. E, como alfinetou uma jornalista amiga, graças ao plano infalível do Eduardo, o Lula saiu das cordas, enquanto os ultradireitistas nelas se enrolam cada vez mais. 

A disputa entre os postulantes à vaga do inelegível Jair na próxima campanha presidencial acirrou-se de tal maneira que agora está mais para briga de foice no escuro. 

Por enquanto quem se adaptou melhor às novas circunstâncias foi a Michelle Bolsonaro, que preferiu manter a serenidade e o comedimento enquanto o cenário estiver a ela desfavorável. Já Tarcísio de Freiras entrou em parafuso e o bananinha  03 faz questão de reivindicar a autoria de uma iniciativa sórdida, da qual qualquer pessoa  de bem se envergonharia.

PRISÃO DOMICILIAR -- Chega a ser irônico que, após tanto fazer para ultrapassar a democracia burguesa no Brasil, Jair Bolsonaro acabará cumprindo pena em prisão domiciliar (na ditadura dos seus sonhos o rigor seria bem maior...). Tal é a perspectiva nos círculos políticos, em razão de sua condição de septuagenário e das doenças que o têm obrigado a sucessivas internações hospitalares.

E isto não mudará nem mesmo se ele, após a condenação como o principal culpado pela tentativa de golpe de estado, for também apenado como o responsável indireto por algo entre 350 mil e 400 mil brasileiros que encontraram a morte como consequência de sua sabotagem vacinal, caso contrário tendiam a sobreviver à pandemia.

As leis brasileiras são  muito condescendentes com os criminosos que ocuparam posições de poder. E só poderão ser alteradas para casos futuros. 

Bolsonaro jamais cumprirá uma pena minimamente próxima de todo morticínio e sofrimento que causou E ainda esperneia para livrar-se das que, sendo ele o indivíduo monstruoso que é, não passarão de refresco... (por Celso Lungaretti)

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