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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O CENTRÃO JÁ ESTUDA FÓRMULAS PARA TOMAR DOS TRABALHADORES O QUE ELES POSSAM GANHAR COM O FIM DA ESCALA 6x1

Em países que não estão na idade da pedra, as jornadas de trabalho são de 35 a 40 horas semanais (Alemanha), 35 horas (França), médias próximas a 32 horas (Canadá e Austrália) e média de 36,6 horas (Japão).

Já a semana de 4 dias foi assumida pela Islândia a partir de testes efetuados entre 2015 e 2019, com 90% dos trabalhadores hoje se beneficiando de jornadas reduzidas; a Bélgica foi a primeira nação a institucionalizar a opção de 4 dias, em 2022; na Alemanha, 73% das empresas já optaram pela jornada de 4 dias. 

Escócia, Espanha, Nova Zelândia e Reino Unido desenvolvem projetos pilotos visando à redução da jornada; e até no Brasil, que Torquato Neto definiu com um estribilho antológico (Aqui é o fim do mundo), algumas empresas já realizam projetos pilotos para se direcionarem à jornada de 4 dias. 

Como era de esperar-se, contudo, o fim da jornada 6x1 é mal visto pela parte mais retrógrada do empresariado, mas a Câmara e o Senado dificilmente ousarão flertar com retrocesso num ano eleitoral. Afinal, a prioridade máxima de deputados e senadores é sempre a reeleição, todo o resto vem depois.
No centrão há quem defenda que a jornada de cinco dias totalize 44 horas semanais. 

Pretexto: não aumentar o custo Brasil. Só que, nos países que estão atendendo os reclamos dos trabalhadores, houve ganho de produtividade, maior do que qualquer prejuízo 

O ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) bate pesado nos recalcitrantes:
É claro que haverá oposição no Congresso, mas restrita à extrema-direita. Quem se opuser à redução da escala terá que prestar contas nas urnas em outubro.

Os setores empresariais contrÁRIOS Aos direitos dos trabalhadores repetem os mesmos argumentos surrados desde a abolição da escravidão, passando pela criação da CLT, 13º salário, férias etc.

Evidentemente, o capitalismo não se redime cada vez que cede algumas migalhas do seu banquete para quem lhe garante toda a riqueza da qual desfruta. Mas, os trabalhadores ainda não sentem-se prontos para irem buscar tudo que lhes é negado. É pena.
Como não rezo pela cartilha do quanto pior, melhor, estou ao lado deles nesta pendenga. Que tenham um pouco mais de tempo para curtir o que a vida pode lhes oferecer. Espero que o utilizem bem, não o vendendo de volta para os patrões.  

os privilégios e a DESIGUALDADE
De resto, quando comecei a trabalhar em 1973, a jornada já era de 40 horas semanais nas empresas de comunicação empresarial, 

Mais tarde, nas grandes redações, já se cumpria o estipulado numa lei de 1969:  5 horas diárias e, num eventual acordo com o patrão, poderia passar a 7 horas, mas remuneradas como se fossem 9 horas (as 2 extras eram pagas em dobro).

Eu me considerava merecedor de tudo que pagavam, até o último centavo; mas detestava que, atuando no setor terciário, desfrutasse de várias vantagens com relação aos trabalhadores rurais e aos operários industriais. Nunca vi motivo para, nem me sentia  feliz sendo, um privilegiado.

Essa desigualdade me incomodava ainda mais porque meu pai, contra-mestre de tecelagem, não só era obrigado a cumprir religiosamente as 48 horas semanais, como tinha de submeter-se à divisão por turmas que prejudicava muito seu sono: numa semana trabalhava das 5 às 13 horas. noutra semana das 13 às 21 horas. (por Celso Lungaretti)

domingo, 6 de julho de 2025

PORTA-VOZ DO LULA NO SEU 1º MANDATO EXPLICA ATUAL CAMBALHOTA IDEOLÓGICA

"O vento virou novamente. Encurralado por um Congresso reacionário e fisiológico dominado pelo centrão bolsonarista, em que tem minoria absoluta (menos de cem deputados no colegiado de 513), esta semana Lula saiu das cordas para voltar às origens do PT, na luta por justiça social e na defesa do que resta do seu mandato em busca da reeleição.

Após a acachapante derrota na votação que derrubou a mudança no IOF na semana anterior, Lula despertou para a realidade: sem poder contar com a frágil base aliada e despencando nas pesquisas, se ficasse parado, não teria mais como governar. Foi ao ataque e recorreu ao STF contra a decisão do Congresso, uma iniciativa de alto risco.

O governo Lula acabou, já proclamavam os líderes da oposição e amplos setores da mídia e do mercado. Vivia-se no Palácio do Planalto o mesmo clima pesado de 2005, quando estourou o escândalo do mensalão e foi anunciada a primeira morte política do metalúrgico que virou presidente da República prometendo acabar com a fome." (por Ricardo Kotscho, jornalista e escritor, duas vezes agraciado com o então prestigioso Prêmio Esso e outras duas com o Prêmio Vladimir Herzog)
Está certo o Kotscho, secretário de Imprensa do Lula no biênio 2003/2004, ao reconhecer que o ex-sindicalista, desde o início empenhado em apenas minorar as terríveis mazelas do capitalismo mediante o desvio de algumas migalhas a mais do banquete dos bilionários para a mesa dos pobres, dá a atual cambalhota ideológica como um sapo que engolirá no desespero de tentar reerguer seu exaurido governo.

Omite, contudo, que o Lula só se salvou de ser impichado a partir do mensalão porque os realmente poderosos o viam como uma força auxiliar da dominação burguesa, que às vezes os incomodava  um pouco mas servia para evitar que os coitadezas se dessem conta de que mereciam uma parte bem maior do bolo que, vale dizer, há muito tempo o Delfim  Netto já negaceava em repartir.

Entre a desculpa esfarrapada do ministro que colheu os louros pelo fugaz milagre brasileiro (Temos de esperar o bolo crescer para depois dividirmos) e a incontinência verbal responsável pelos sucessivos sincericídios do histórico defensor da perpetuação da exploração do homem pelo homem desde que maquilada em social-democracia (Nunca antes nesse país os banqueiros lucraram tanto quanto no meu governo) jamais houve a incompatibilidade apregoada pela propaganda enganosa petista. 

Daí a classe dominante ter decidido poupar Lula em 2005, quando poderia tê-lo derrubado com um peteleco. Lampedusa, pela boca de seu personagem Tancredi Falconeri em
O leopardo, explica exemplarmente tal lógica: É preciso que algo mude para que continue tudo como está.

E a minha avaliação é de que ambas as partes estão blefando, cada uma querendo obter mais vantagens do que a outra nas negociações que farão. Nem Lula vai virar Brizola, nem o Tarcísio, se eleito, sucumbirá ao extremismo brochado do Bolsonaro.

É óbvio que a nova postura petista é preferível à anterior. Tão óbvio quanto que Lula, até por estar desde os anos 80 desideologizando e endireitando o PT, não a levará às últimas consequências. 

Se, para minha enorme surpresa, a classe dominante decidir descartá-lo de imediato ao invés de deixá-lo sangrando até a próxima eleição, duvido que ele saia atirando como Vargas e Allende. O estilo dele é mais de sair com o rabo entre as pernas, como o Jango e a Dilma.  (por Celso Lungaretti) 
"Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero/
Não tolero lero-lero, devo nada pra ninguém"

domingo, 2 de fevereiro de 2025

ALGUM DETALHEZINHO MUDOU PARA QUE CONTINUASSE TUDO COMO ESTAVA

O que muda com a troca do imperador da Câmara Federal e do rei-sol do Senado?

Nada além do que este blog antecipou desde que o Bozo se desmoralizou definitivamente no 08.01.2023, passando a ser apenas uma prisão esperando acontecer.

Fortaleceu-se o Centrão, debilitaram-se o Governo Lula, o PT e os bolsonaristas.

Quem não acreditou em nós e continuou tendo pesadelos nos últimos dois anos, pode finalmente dormir tranquilo: a direita tão cedo não tentará novos golpes de Estado, simplesmente porque já obteve tudo que almejava, mesmo tendo os conspiradores trapalhões dado com os burros n'água.

Mas, Centrão fortalecido significa simplesmente mais gazuas para nossos nobres parlamentares arrombarem os cofres da União. Daí eu ter acabado de receber do blog dos servidores federais uma pista do que vem por aí: nosso exmo. presidente (ou seria Sua Majestade, a Rainha da Inglaterra...), vai passar mais um ano sem dar reajustes para os que ainda mantêm a máquina governamental em funcionamento, apesar da rapinagem ininterrupta que a rodeia. Apertem os cintos, o piloto desistiu!

E o descontrole das contas públicas, como sempre, gerará aumento da inflação. Ou seja, o governo dos trabalhadores novamente ferrará os trabalhadores e privilegiará os nababescos representantes de si mesmos (do povo é que não são!).

Resumo da ópera: a novidade é que não há novidades e tudo marcha exatamente como previsto por este blog logo após o banzé na praça dos Três Poderes: o governo Lula surfaria na impopularidade do Bozo durante o resto do ano retrasado, cairia na real no ano passado e se arrastaria em frangalhos nos dois anos restantes, pois nunca teve plano de voo nem nada de positivo a oferecer ao povo brasileiro, salvo dar um fim ao circo de horrores que o antecedeu. 

Sem ideias e sem coragem para tentar sair do ridículo papel de força auxiliar da burguesia, servindo fundamentalmente para desmobilizar o povo e dourar a pílula da dominação capitalista, provavelmente terá servido apenas para reentronizar no poder os direitistas que já aprenderam a usar talheres, já que aqueles que comem com as mãos eram grotescos demais até mesmo para os padrões brasileiros. (por Celso Lungaretti) 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

OS FANTASMAS DO SÉCULO 20 AINDA ARRASTAM CORRENTES, MAS JÁ SE TORNARAM INOFENSIVOS.

Quem comprará jornais e revistas obsoletos, acompanhará o mofino noticiário político pela internet, assistirá aos telejornais tediosos e escutará o mais do mesmo das rádios se lhe cair a ficha de que quase tudo que está em evidência não alterará em nada o rumo real dos acontecimentos?

Paulo Francis estava certo, a indústria cultural fez de nós patetas vivendo num inferno pamonha

Assim, as análises que tenho lido sobre a Micareta da Paúra do Xilindró se limitam a discutir:
— quantas reses atenderam ao berrante do Bolsonaro (quando a olho nu deu para concluirmos que foi uma manifestação igual a tantas outras ocorridas na avenida Paulista desde o #ForaDilma, nem insignificante, nem retumbante);
— se a influência do genocida maluco aumentou ou diminuiu (isto sob os critérios viciados da política institucional, ou seja, considerando ganho a volta de alguns governadores patéticos ao palanque ultradireitista);
— a possibilidade de o chororô repulsivo do fanfarrão acovardado lhe assegurar a impunidade que não merece nem obterá, etc.

Resumindo: mera espuma, sem nada de verdadeiramente relevante. Muita galinha e pouco ovo. Conversa pra boi dormir. 

Então, vamos ao que efetivamente importa.
A extrema-direita mostrou no último domingo (25) que já perdeu o discurso, as garras e o líder.

Depois do vexame que o Bolsonaro protagonizou ao pedir arrego publicamente, levantando a bandeira da paz porque já não tem como sustentar mais nenhuma guerra, nem mesmo como manter-se fora das grades, a tendência é que a direita civilizada recupere as rédeas.

Lula.3 está aí para comprovar que os donos do PIB podem manter sua dominação sem sobressaltos, por meio do avassalador poderio econômico de que dispõem e da lavagem cerebral efetuada dia e noite por sua indústria cultural. Por que eles haveriam de novamente bancar loucuras estridentes que só assustam o mercado e afugentam investidores? 

Então, a tendência é de a direita quadrúpede doravante ir saindo de cena e a bípede preencher  seus espaços, com o centrão continuando a governar e os presidentes da República sendo cada vez mais reduzidos a rainhas da Inglaterra.

É este o inimigo que devemos nos preparar para combater. Os fantasmas do século passado ainda arrastam correntes, mas já se tornaram inofensivos. 

E, como havia um vendilhão do templo no palanque dos golpistas derrotados e foi ele quem proferiu o mais raivoso discurso de ódio, vou encerrar com Gênesis 19:26-29
"Mas a mulher de Ló olhou para trás e foi transformada numa estátua de sal". (por Celso Lungaretti) 

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

TANTAS O BOZO FEZ QUE O SEU DESCARTE SE TORNOU INEVITÁVEL. E O LULA NÃO DISPORÁ MAIS DE UM ESPANTALHO TÃO CONVENIENTE

A pá de cal na carreira política de Jair Bolsonaro será a atual comprovação, acima de qualquer dúvida e não deixando nenhuma brecha para seu vitimismo habitual, de que ele montou um aparato de espionagem privada a serviço do seu clã, dentro do Estado e bancado pelos contribuintes. 

As investigações da Polícia Federal estão sendo impecáveis e irrefutáveis, de forma que o processo delas decorrente inevitavelmente terminará, no mínimo, com a prisão do chefe da organização criminosa familiar e a de seu filho Carlos.   

O crime no qual as digitais do bando de arapongas trapalhões ficaram impressas com máxima clareza, espalhadas por todos os cantos, é tão grave que virá somar-se aos dois outros potencialmente mais danosos para o palhaço genocida em termos penais: as centenas de milhares de mortes decorrentes de sua sabotagem ao combate científico de uma pandemia letal e a tentativa de golpe de Estado em 08.01.2023.  

E, como gato escaldado tem medo de água fria, até a corja do centrão tende a deixá-lo agora entregue à própria sorte, pois uma das coisas que ela mais teme é esse tipo de arapongagem ampla, geral e irrestrita, que pode colocar nas mãos do mandatário de ocasião trunfos devastadores para impor sua vontade a parlamentares que têm esqueletos no armário (e só pouquíssimos deles não os possuem).
Com Bolsonaro definitivamente fora do jogo, um grande prejudicado será o Lula, cujo governo está perdido no espaço, cedendo a todas as chantagens dos parlamentares fisiológicos e tentando ressuscitar políticas econômicas cujo prazo de validade expirou várias décadas atrás. 

Ele deixará de ser tolerado a contragosto pelos que temem a volta de um presidente que foi pior ainda. Então, se Lula não conseguir fazer o PIB crescer significativamente (3% é pouco após as perdas de poder aquisitivo virem se acumulando desde 2014!), ao mesmo tempo evitando que os poderosos fiquem com quase tudo para si, terá muita dificuldade para concluir o seu mandato. 

Quanto à esquerda complacente, faço-lhe um alerta: se ela continuar servilmente a bordo da barca lulista, correrá sério risco de afundar com ela. 

Está mais do que na hora de resgatar a combatividade perdida e a identidade histórica de antípoda do capitalismo, ao invés de se sujeitar ao melancólico papel de força auxiliar da dominação burguesa, deixando-se cooptar em troca de migalhas de poder.
(por Celso Lungaretti 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

UMA ESQUERDA MORREU MAS NÃO SABE, OUTRA PRECISA NASCER MAS NÃO CONSEGUE

Comunidade primitiva, escravidão, feudalismo, cada etapa histórica pela qual a humanidade passou teve começo, meio e fim.

Agora está em curso a agonia do capitalismo, que não sobrevive sem contínua expansão, só que não tem mais para onde expandir-se, depois de vir por tanto tempo driblando com artifícios o fato de que cada vez se alarga mais o abismo entre os volumes sob ele produzidos e os indivíduos em condições de adquiri-los.

O desenvolvimento das forças produtivas que ele impulsionou em séculos passados seria suficiente para que cada habitante do planeta dispusesse do suficiente para uma existência gratificante e para que não esgotássemos estupidamente os requisitos imprescindíveis para a própria sobrevivência da humanidade.

Mas, como o Império Romano conseguiu esmagar a única força capaz de fazê-lo avançar para um estágio superior de civilização  (os gladiadores de Spartacus, que acenaram com a promessa de fim da escravidão, embora não sentissem-se suficientemente fortes para assumir bandeira tão ambiciosa e quisessem apenas escapar para serem livres longe dos romanos), o capitalismo já estagnou e está nos estertores, mas ainda consegue evitar a imprescindível ruptura.

Os ganhos obtidos pela humanidade com os desenvolvimentos científicos e com o barateamento da produção foram usurpados pelo capitalismo, que acumulou um monumental poder de fogo e, com isto mais a lavagem cerebral martelada dia e noite por sua indústria cultural, consegue não só perpetuar e fazer aumentar cada vez mais os riscos de extinção da espécie humana, como alavancar implacavelmente a desigualdade entre as classes em cada país e entre os países mais desenvolvidos e os países relegados à miséria, à fome, às pestes e às guerras insanas como as duas atuais.

O capitalismo conseguiu neutralizar inclusive a esquerda institucional, que por vários motivos já não consegue mais sobreviver fora do sistema, como nós, os contestadores da geração 68, tentamos e em parte então conseguimos durante um curto período. Hoje, os jovens de que desesperadamente necessitamos em nossas fileiras, não se dispõem mais a lutar em duas frentes, a militância anticapitalista e a batalha pela subsistência.

Então, os partidos que se rendem à institucionalidade burguesa, como o PT, levam a esmagadora vantagem de darem a seus quadros a possibilidade de  se dedicarem somente ou principalmente à militância.

[Falo do fundo eleitoral, da cota de assessores dos quais cada representante no Legislativo pode dispor às expensas dos contribuintes, das boquinhas na administração pública e nas estatais, dos salários exorbitantes que são pagos para militantes do partido no poder ao atuarem em entes na esfera de influência do dito cujo, na enxurrada de anúncios para as páginas virtuais de blogueiros mais dependentes que nunca do PT, etc., etc., etc.]
O centrão todo poderoso e a rainha da Inglaterra

È óbvio que a dependência financeira gera a dependência política. Tal esquerda
teúda e manteúda é obrigada a omitir-se vergonhosamente quando o PT passa como um trator sobre os valores fundamentais do marxismo e do anarquismo.

Quanto à esquerda que tenta sustentar-se na raça, sem vender sua alma ao donos do Brasil, ela fica eternamente relegada à insignificância, com efetivos e recursos insuficientes para virar o jogo mediante uma ação organizada de atração/conscientização de novos quadros, ou formação de territórios livres como a Colônia Cecília no final do século retrasado e em nossas comunas alternativas de 1968, muito menos para expropriar o inimigo (como fazíamos em 1969/1972).

O que resta é a alternância infinita de governos da esquerda domesticada e governos da direita selvagem, como está se vendo no Brasil e na Argentina, sem que consigamos quebrar essa polarização que faz a História travar e tudo piorar cada vez mais.

Por enquanto, a esperança que restou são novas explosões de indignação como a do Brasil em 2013 e a de diversos países (com destaque para o Chile) em 2019, pois se todas as portas da razão estão fechadas, pelo menos o espontaneísmo é impossível de represar infinitamente: sempre acaba chegando a gota d'água que extravasa o copo da cidadania manietada.

Mas, até para isto, precisamos formar os mínimos quadros de uma nova vanguarda, caso contrário as ondas de revolta, com líderes como a pobre Sininho, passarão sem que consigamos cravar a estaca no coração do vampiro. 

Vale lembrar: numa dessas
janelas históricas, o Partido Bolchevique, que seria quase insignificante em tempos normais, conseguiu em 1917 tomar o poder como quem tira o doce da boca de uma criança, simplesmente porque era a única força disciplinada e consciente dos seus meios e dos seus fins durante aquele pandemônio.

E é para a formação dessa nova vanguarda, que resgate a combatividade esquerdista evaporada durante a hegemonia do PT, que eu venho lutando ao longo do presente século. Trata-se do último legado que quero deixar, depois de dedicar a minha vida à revolução desde a virada de 1967 para 1968, quando tracei meu caminho na vida.

E uma bandeira a ser erguida imediatamente, para a acumulação de forças, é a adequada punição do indiscutível responsável pela morte evitável de centenas de milhares de vulneráveis durante a recente pandemia de covid. 

Salta aos olhos e clama aos céus que Lula, depois de tudo haver feito para que os torturadores da ditadura militar não fossem punidos, age agora de forma muito semelhante, tendo inclusive demorado uma eternidade para indicar o novo procurador geral da República e, depois, escolhido um candidato que inspira mais dúvidas do que certezas.

É óbvio que o encarceramento do genocida causaria comoção, e gente indo às ruas defender seus ideais assusta a esquerda que se desvirtuou e hoje pouco mais é do que uma força auxiliar da burguesia. A ela convém a pasmaceira, que lhe permite continuar se satisfazendo com as migalhas que caem da mesa da burguesia. Mas nós queremos muito mais: que finalmente se banqueteiem os que fazem o PIB crescer mas sempre veem, impotentes, uma minoria usurpar a parte do leão. 

Depois de todos os crimes cometidos pelo genocida no quadriênio infernal de 2019/2022, se ele escapar das grades será como se um Hitler, caso sobrevivesse à derrota nazista, tivesse sido deixado livre e solto para continuar praticando e pregando sua necropolítica abominável.

Cada derrota consentida fortalece o inimigo e debilita nossa moral. É fundamental cessarmos o quanto antes tal hemorragia. Se quisermos resgatar a esquerda autêntica do fundo do poço, o primeiro passo é termos a coragem de agir como nossos corações e mentes mandam, ao invés de permitirmos que se passe pano naquelas imagens dantescas de seres humanos morrendo sufocados por falta de respiradores. 

Temos de projetar para os brasileiros a imagem de uma esquerda que está de novo disposta à luta. Aquela que se deixou expulsar pusilanimemente  da avenida Paulista e depois ficou assistindo de longe enquanto secundaristas e torcedores de futebol travavam suas batalhas no seu lugar não nos serve mais para nada. Seu prazo de validade está definitivamente vencido.

Já passou da hora de arregaçarmos as mangas e começarmos a construir uma esquerda de verdade. (por Celso Lungaretti)
"Inventando o necessário movimento pra não estar morto. Xaxando,
sambando, frevando ou sem saber dançar direito: renascer das cinzas!"

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

LULOPETISMO NO PAÍS DAS MARAVILHAS

 

Ao terminar o primeiro ano do terceiro mandato de Lula, retorna o ufanismo barato e o oba-oba iludido dos lulopetistas. O filme é repetido, já tendo estado em cartaz nos primeiros dois mandatos do presidente e mesmo no primeiro mandato da banqueira postiça Dilma. 

O entusiasmo está pautado em análise superficial de dados econômicos, tapinhas nas costas dos jornalões burgueses e aprovações de projetos que em nada mudam a vida do povo brasileiro. Assim, celebram a aprovação de uma Reforma Tributária absolutamente reacionária, que em nada modifica a espoliação generalizada dos trabalhadores enquanto os capitalistas seguem com inúmeras benesses. 

O nível da desfaçatez é tamanho que a equipe de comunicação do governo chegou a celebrar nas redes sociais o recorde de pontuação do Ibovespa, como se o sucesso da Bolsa de Valores tivesse algum impacto na melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Mas a alienação não parou por aí, pois um dos piores ministros do governo, Fernando Haddad, teve a ousadia de celebrar a aprovação do seu Teto de Gastos, versão piorada do arrocho fiscal imposto desde Michel Temer. 

Na realidade, quase nada mudou após quase um ano de governo Lula 3. A pobreza continua se alastrando país afora, a violência urbana explode, o desemprego e o subempregos dominam, o custo de vida segue penalizando o povo e nenhuma saída é proposta pelo governo atual. Ao contrário, a rendição lulopetista ao centrão e à bandidagem da plutocracia foi rápida e incondicional. Até o momento, Lula gastou cerca de 20 bilhões de reais com emendas parlamentares, um valor descomunal quando comparado com o orçamento, por exemplo, da Educação, que foi de 100 bilhões. Ou seja, o governo petista desembolsou 20% do gasto com educação para comprar parlamentares neste ano de 2023, prenunciando um desembolso ainda maior em 2024!

Isso deve ser celebrado? Só se for ao estilo Fernando Diniz que, goleado, comemorou ter envolvido o Manchester City na final do mundial de clubes! Siderado, viu algo irreal na humilhação imposta ao Fluminense e ao futebol brasileiro e, de igual forma, apenas o lulopetismo vê algum triunfo em um ano de atoleiro e aprofundamento da crise social. 

Será que Lula terá o mesmo destino de Fernandez, Biden e Macron e também se verá cozido pelo fogo brando da crise capitalista? O próximo ano indicará, mas os prenúncios de agora são apenas de que o lulismo continua sem ter aprendido nada, vivendo em seu mundo da fantasia. (por David Emanuel Coelho) 

Antes da Disney, essa adaptação fez mais jus ao livro de Lewis Carroll


quinta-feira, 30 de novembro de 2023

GOVERNABILIDADE PARA QUÊ?


 Há um consenso de que não dá para governar o Brasil sem se ceder às exigências do parlamento, pois esse jamais terá hegemonia partidária da esquerda, e isso ocorre em todo o mundo com maior ou menor intensidade. 
Mas, apesar disso, todos querem que o pé de laranja dê manga, ou seja, que haja governabilidade mesmo dentro dos parâmetros existentes. 

A direita ocupa sempre majoritariamente as cadeiras do parlamento, não porque os eleitores do Brasil sejam majoritariamente de direita, porque, se o fossem, Lula não teria ganho as eleições, mas porque as eleições proporcionais são manipuladas pelo poder econômico e político do Brasil profundo, onde imperam os chamados currais eleitorais.  

A grande maioria dos deputados federais e estaduais não se elegem por relevantes serviços prestados à comunidade, mas pela compra de votos junto aos chefetes políticos locais e verbas federais ou estaduais que conseguem liberar para os seus municípios e com isso obterem, ambos, o dinheiro das comissões pagas pelas empreiteiras visando às eleições que ocorrem a cada quatro anos para prefeitos e parlamentares em datas alternadas.   

Há parlamentares que se elegem sem comparecer regularmente aos estados pelos quais foram eleitos, e moram em Brasília e em alguma grande capital brasileira sem que os seus leitores sequer tenham ouvido falar em seus nomes.  

O que estou afirmando não é nenhuma novidade e todos sabem disso.  

Mas porque insistimos em considerar democrático tal processo?! É que normalizamos a corrupção política, bem como, na visão do eleitor incrédulo ou ingênuo, que o poderio econômico eleitoral é o momento propício para a  obtenção de algum benefício direto.  

É simplesmente imoral a verba eleitoral dos partidos políticos recentemente aprovada pelo TSE em proposta do orçamento federal de R$ 1,2 bilhões - já foi de mais de R$ 2 bilhões, e diminuiu um pouco por conta do escárnio à nossa inteligência o que isso representa - num país com renda média mensal dos assalariados, segundo o IBGE, em torno de R$ 2.533,00, o que bem demonstra a nossa pobreza coletiva, se considerarmos a grande desigualdade de salários de uns e outros. 

Podemos constatar, pelo baixo nível de renda per capita, que a grande maioria do eleitorado apenas sobrevive miseravelmente e aguarda o momento da eleição para obter um ganho ilusório qualquer. 

Se dividirmos a verba partidária pelo número de deputados federais, veremos que cada um deles custa anualmente aos brasileiros cerca de R$ 2,4 milhões para defender os interesses da cidadania democrática

O que você acha que os partidos políticos brasileiros, que mais parecem empresas privadas com um dono na presidência, fazem com essa dinheirama?! 

Tudo converge para um processo eleitoral parlamentar viciado, e essa é a razão de termos no parlamento muitos elementos cujos currículos pessoais fariam qualquer pai de família zeloso do futuro de sua filha alertá-la para o mau casamento, caso pretendesse escolher um desses para casamento e vida familiar.  

Mesmo nos partidos de esquerda os candidatos mais combativos e líderes comunitários ou de movimentos sociais apenas servem de escada para o pequeno número dos seus companheiros que se elegem porque atuam com mais desenvoltura nestes quesitos de relações políticas interioranas de influência maléfica e compra de votos.  

O problema não para por aí. Há o lobby parlamentar das grandes corporações setoriais; dos grandes interesses econômicos; e até mesmo do crime organizado que financiam candidatos e os elegem.  

A democracia burguesa funciona assim, e há quem ainda diga que é um mal menor, ou seja, que fora disso é a ditadura! Um engano assombroso! 

Tenho dito repetidamente que o governante não governa, mas apenas se equilibra no poder tal qual um surfista que apenas se equilibra na onda para cegar à praia, sem alterar em nada a força da sua natureza.  

O estado nacional é uma criação do republicanismo burguês, doutrina tida e citada como princípio e código moral e ético de conduta pelos luminares do poder institucional a ser seguida e obedecida.  

Na verdade, a política institucional não tem soberania de vontade, vez que é dependente dos impostos que cobra e extrai da vida econômica burguesa, por ela mesma injusta e socialmente segregadora, e tudo faz e age no sentido não apenas de sua preservação, mas do seu desenvolvimento como remédio charlatão que serve para a cura de todas as doenças.  

Do Papa a Lula; do economista e líder dos sem-terra, João Pedro Stédile, ao chefe do Gabinete do ódio, Carlos Bolsonaro, o Carluxo, todos querem o desenvolvimento econômico, cada um à sua maneira, como se a preservação da relação social sob a forma-valor fosse algo tão natural como tomar água e se alimentar diariamente.         

Como toda unanimidade é burra, já dizia Nelson Rodrigues, acho que todos os capitalistas deveriam eleger um novo Deus para adoração, porque o deus valor, no seu processo de autodestruição, quer matar. e está matando, a sua própria criação: todos os serem humanos que o adoram e a ele estão subjugados. 

 É dessa forma que todos querem que o pé caiba no sapato, independentemente do tamanho desse último, vez que estão todos inseridos num mesmo contexto basilar, ainda que professem credos diferenciados. 

O Estado é apenas a instância reguladora e regulamentadora de uma ordem econômica que lhe é subjacente e que pauta os seus procedimentos sempre dentro do desiderato de manutenção de sua existência como modo de relação social. 

Quando se obedece ao preceito do ajuste fiscal, por exemplo, como acabou de se aceitar no governo Lula, tal procedimento é a régua econômica que determina que o Estado não pode gastar além do que arrecada , ainda que quem emita moeda forte possa fazê-lo sem ter problemas mais graves de inflação, porque a exportam e todos a aceitam ingenuamente. Tal obediência mais não é do que a subjugação governamental a duas regras básicas: 

1) imposição da lógica ditatorial capitalista para a preservação das finanças do Estado, que assim mesmo está falido, como sentinela da ordem econômica do capital; e 

2) manutenção da credibilidade do padrão monetário estatal por ele emitido como fator indispensável à relação social capitalista.  

  Ainda outro dia assisti a um debate no qual o interlocutor de esquerda exaltava os ganhos obtidos com a vitória do Lula no campo das conquistas sociais, bem como das posturas humanistas que recolocaram o Brasil num conceito de país mais civilizado e acolhedor de todas as etnias e credos. 

Dizia ele, entretanto, que isso não era bastante, porque a direita além de estar crescendo, tem atualmente uma militância popular que lhe confere alguma legitimidade, representada pelo crescimento e união de neopentecostais, viúvas da ditadura miliar, ruralistas latifundiários, empresários do agronegócio, setores beneficiados com subsídios e/ou isenções fiscais, etc.  

Até aí estava tudo bem, mas a solução por ele apresentada era a conscientização da população de que deve se opor a esse crescimento mediante uma estrutura de organização de base conscientizadora, sem dizer exatamente os conceitos dessa conscientização, deixando parecer que tudo seria apenas uma questão de ação política popular menos preguiçosa e mais ativa, e de modo a se estabelecer um governo estatal, mas tão popular que fosse capaz de se tornar independente da conciliação com os donos do parlamento e do PIB.  

Algo assim como se tudo fosse uma questão de competência administrativa da esquerda institucional, mesmo sob as velhas bases de relações sociais escravistas, que se deduz que o entrevistado considera, equivocadamente, como possíveis de ocorrer se se derem numa correlação de forças majoritárias de esquerda apoiada pela população. 

Admitindo que no governo Lula a economia vai melhorar, citava ele como exemplo de sua cruzada conscientizadora contra a conciliação a ineficácia da conciliação política havida no governo Dilma, que resultou em sua queda num golpe de direita.  

Concordo, como de resto venho demonstrando em inúmeros artigos, que há que se conscientizar a população, mas não podemos querer que as coisas se consertem e obtenhamos apoio popular permanente para um projeto político fadado ao fracasso se não combatermos as causas e estruturas que lhe dão sustentação. 

Assim, considero que: 

- a economia brasileira globalizada, ainda que venha a ter melhorias pontuais, não resistirá à depressão econômica internacional, aliada aos efeitos danosos do aquecimento global e guerras, e tende a sofrer dificuldades ao longo do mandato de Lula; 

-  há que se fazer um esforço comunitário para que a população seja conscientizada sobre o fato de que no capitalismo não pode haver estado democrático e um governo daí derivado que seja capaz de protege-la e, principalmente, sobre a essência e raiz dos seus problemas de modo a que possa se livrar do fetichismo da mercadoria, que tal qual os apostadores da loteria, promove prognósticos esperançosos mas inatingíveis de riqueza individual;   

- acabar com o eterno pêndulo entre direita e esquerda institucionais, que atuam sob uma mesma base, e sem que nenhuma das duas possa oferecer alternativas de soluções dos problemas sociais e ecológicos que nos afetam e que aumentam a cada dia e de modo cada vez mais acentuado e contundente. 

A conscientização tem que se dar pela negação do negativo! (por Dalton Rosado)   


 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

A ESQUERDA BRASILEIRA NÃO SOBREVIVERÁ SE ACATAR A RENDIÇÃO DE LULA AO CENTRÃO

Um manda e o outro obedece?
Existe algo mais frustrante do que vermos nossas previsões serem desmentidas pelos acontecimentos?

Existe. É quando elas são inteiramente confirmadas pelos acontecimentos, mas não serviram de nada, pois quem podia aproveitá-las as ignorou.

É como me sinto agora. Cansei de escrever que uma falsa vitória do Lula na eleição de 2022 não tiraria o Brasil da armadilha na qual se debate. Dito e feito.

Ele não é, nem nunca foi, um político comprometido com causas. A única causa que move todas as ações, falas e intenções do Lula se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Então, desde 2011 ele tinha como obsessão máxima a volta à presidência da República, custasse o que custasse.

Neste sentido, foi o grande ausente das manifestações #ForaBolsonaro, porque avaliou corretamente que sua maior, quiçá única, chance de êxito pessoal seria enfrentar no 2º turno o palhaço assassino. 

Se um movimento  do tipo diretas-já se avolumasse, poderia propiciar a afirmação de alguma nova liderança no campo antifascista, sem a enorme rejeição do Lula. No entanto, caso ele tivesse como adversário um político monstruoso, com rejeição maior ainda, surfaria na onda da polarização e talvez vencesse.

Eu acuso: se o Bozo foi responsável indiscutível pela morte de algumas centenas de milhares de brasileiros que, sem sua sabotagem ao combate científico da pandemia, estariam conosco até hoje, o Lula teve grande parte da culpa pelo psicopata da necropolítica haver concluído seus quatro anos de desgoverno catastrófico, apesar de cometer crimes de responsabilidade às dúzias, o tempo todo.    
O jingle agora é "entrega a Caixa pro centrão também"
Um sabotou as medidas que aumentariam em muito as chances de sobrevivência dos atingidos pela covid. O outro sabotou as iniciativas para, pela via do impeachment, removermos o quanto antes o louco da direção do hospício.

Aos trancos e barrancos, Lula conseguiu seu intento. Mas, sua vitória por diferença irrisória foi, sim, falsa, porque não expressou a correlação real de forças da política brasileira. 

A direita se tornou, na década passada, dominante, o que se traduziu em sua atual superioridade numérica nas duas casas do Congresso. E, sem plano de voo, Lula só está conseguindo governar com o consentimento do centrão, mediante a entrega de tudo que aquela ralé gananciosa exige, inclusive a Caixa Econômica Federal. 

Para facilitar a vida do seu governo, Lula concede aos inimigos trunfos valiosíssimos para fortalecerem-se ainda mais, em detrimento do futuro do PT! 

E tal consentimento precisa ser obtido em praticamente cada votação importante, com Lula pagando, todas as vezes, um preço altíssimo à predominante bancada dos fisiológicos unidos jamais serão vencidos, integrada pelos fisiológicos da Bíblia, da bala, do boi, das boquinhas e das bocarras.

Resumo da opera: já avesso à esquerda durante as longínquas jornadas do ABC que originaram o PT, Lula a vem desconstruindo aos poucos desde então.
Para cão bravo, dono manso.

Primeiramente liderou a formação do partido que as absorveu, depois tudo fez para desideologizá-lo, de forma a torná-lo um inofensivo apêndice da democracia burguesa, limitado a disputar eleições, sem jamais contrapor-se à exploração do homem pelo homem.

A colheita de seus esforços veio no atual século, com cinco presidências de resultados, que propiciaram pequenas melhoras para os explorados, seguidas por grandes pioras. 

Os castelos de cartas erguidos principalmente em 2002/2010 desabaram e hoje a esquerda está debilitada como nunca, tendo perdido as ruas e a batalha da formação de opinião.  De tanto o PT desinvestir nelas e priorizar apenas as corridas eleitorais, o inimigo as tomou e agora, inclusive, ganha quase todas as eleições.

O pior pecado de Lula foi capitular ante o que há de de mais repulsivo na política brasileira, tirando de nós a autoridade moral que tínhamos por não compactuar com a podridão ambiente. 

Bolsonaro deixou que as grandes decisões nacionais passassem a ser tomadas pelo centrão... e Lula está agindo exatamente igual! Como fazermos para os despolitizados nos verem como os mocinhos deste faroeste caboclo, se nos igualamos aos bandidos?

De quebra, embora na prática o Lula tenha se transformado numa rainha da Inglaterra, o descontentamento do povo, neste momento histórico de agonia do capitalismo e agudização das suas contradições, se voltará cada vez mais contra ele, o símbolo visível de tudo que está aí
"Pedi e vos será dado" (Ll, 11,5-13)

Enquanto isto, o pior presidente brasileiro de todos os tempos ganha fôlego graças à omissão de Lula no cumprimento do dever. 

Sua indecente demora em indicar o novo procurador geral da República torna cada vez mais distante a obrigatória e extremamente necessária colocação atrás das grades do colecionador contumaz de crimes políticos e comuns (único desfecho admissível para o pesadelo que este país viveu entre 2019 e 2022!). 

Está na hora de a esquerda brasileira optar: ou decide sobreviver, reassumindo os valores solidários, igualitários e libertários que definiram a esquerda mundial nos dois últimos séculos, ou marcha para o limbo junto com os domesticados Lula e PT. (por Celso Lungaretti)
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