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segunda-feira, 6 de abril de 2026

ATÉ QUANDO O ESTADÃO CONTINUARÁ DANDO DESTAQUE EXAGERADO AO FACTOIDE DO BANCO MASTER?

Motoristas que trafegam pela avenida Tiradentes
já estão acostumados a esta vista da sede da Rota

A extremada insistência d'O Estado de S. Paulo em derrubar os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli me fez lembrar de um episódio da minha carreira jornalística em que estive envolvido numa empreitada semelhante, só que em miniatura.

Estava cobrindo férias de um colega no mesmo Estadão e, naquele momento, precisava muito ser efetivado. 

Aí fui reportar uma manifestação de preservadores do patrimônio histórico no Jardim da Luz (o mais antigo desses espaços públicos na cidade de São Paulo, tendo sido aberto à população em 1825, inicialmente como jardim botânico).   

É que o secretário municipal de Cultura, Jorge da Cunha Lima, tinha lançado um programa de revitalização da região, o Luz Cultural. E havia ordenado a demolição de uma torre que, durante uma das badernas militares da década de 1920, havia sido atingida por tiros de canhão e guardava as marcas de tais canhonaços.   

Uma entidade de moradores da região fez uma barreira humana para impedir a continuidade dos trabalhos e eu, considerando válida sua argumentação, preparei uma notícia de rotina sobre a ocorrência. Mas ela repercutiu mais do que se esperava e o jornal me designou para fazer suítes (continuações) diárias.

Eis a torre da discórdia
Aí não só critiquei o trabalho de uma entidade municipal que deveria estar protegendo esses símbolos do passado (o que a levou a convocar imediatamente uma reunião que impugnou a demolição), como também passei a comentar outras iniciativas duvidosas do Cunha Lima.

Após uma meia dúzia do noticiário adverso que eu estava criando, ele me chamou para entregar os pontos. Disse que a demolição tinha sido um erro e ele, como homem de bem, o reconhecia. Mas pediu que parasse com a campanha contra outras realizações de sua pasta.

O experiente fotógrafo que me acompanhava pediu ao Cunha Lima que apontasse num mapa que estava no chão a região do Luz Cultural. Ele teve abaixar-se para fazer isto e foi clicado numa posição de quem está pedindo perdão. 

Resultado: o mea culpa ocupou toda a última página (anúncios publicitários à parte) do jornalão, com meu texto celebrando a vitória e a foto do secretário fazendo o que parecia ser uma penitência.

Mais tarde, fiquei em dúvida sobre se havia batido pesado demais no Cunha Lima. Quando, contudo,  fiquei sabendo que ele era o diretor de redação da Última Hora em Pernambuco e debandou do jornal quando os militares deram o golpe de 1964, frustrando qualquer possibilidade de reação à quartelada, recordei-me da velha máxima Deus escreve certo por linhas tortas.

Mas, pelo menos eu encerrei minha campanha tão logo ele admitiu a lambança. Hoje em dia, contudo, o Estadão parece querer passar o ano inteiro com tal episódio secundário sendo destacado na capa.

Estardalhaço demais
para um mero indício
Nunca foi tão justificada a frase do Paulo Francis, sobre o combate à corrupção dos políticos nada mais ser do que uma bandeira da direita. 

Não passa de uma consequência do amoralismo intrínseco ao capitalismo e jamais será erradicada enquanto durar a exploração do homem pelo homem. 

Infelizmente, a esquerda abandonou sua missão de educar o povo e prefere ficar travando uma batalha de tortas de lama com  a direita. 

O Dias Toffoli nada fez como ministro do Supremo que justificasse qualquer benevolência com ele. Que seja impichado o quanto antes.

Já a atuação do Alexandre de Moras  na hora mais perigosa desta nação foi inestimável, evitando o golpe de 08.01 e conduzindo à prisão o pior genocida do seu próprio povo em todos os tempos no Brasil. Crucificá-lo por um grão de areia num oceano de iniquidade é, no mínimo, suspeito. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A BOA NOTÍCIA É QUE GUERRAS, RADIAÇÃO, ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E FOME NÃO NOS DIZIMARÃO. A MÁ: MORREREMOS DE SEDE.

O
mundo já não vive apenas uma crise pontual ou mera escassez de água, mas sim uma falência hídrica global.

O alerta consta de um relatório da Universidade das Nações Unidas, apresentado como subsídio à Conferência da ONU sobre a Água de 2026.

Segundo o estudo, em vastas regiões do planeta os sistemas hídricos foram tão degradados que já não conseguem se recompor nos marcos tradicionais de gestão.

Muitos problemas se tornaram estruturalmente irreversíveis: aquíferos superexplorados, rios artificializados, zonas úmidas destruídas, poluição crônica e uso predatório do solo corroeram os mecanismos naturais de armazenamento e renovação da água. 

O resultado é um déficit permanente entre oferta e demanda, com impactos crescentes sobre alimentos, energia, saúde pública, estabilidade política e desenvolvimento econômico.

Parece que voltamos ao século passado, quando a seca era um tema recorrente nas canção nordestinas.

A diferença é que naquele tempo ainda havia como corrigir tais situações. Agora, não mais.
Isto é o capitalismo: a prevalência da ganância sobre as necessidades humanas.

Uma expressão que usávamos antigamente era quem viver, verá.

Agora faz mais sentido dizermos 
se alguém sobrar, verá(por Celso Lungaretti)
Clique aqui para assistir ao teipe de "Asa 
Branca".
Cantam Luiz Gonzaga, Fagner,  Sivuca e Guadalupe.

sábado, 16 de agosto de 2025

MACACO QUE MUITO PULA QUER CHUMBO: AS MICAGENS DO 'BANANINHA' FAZEM A DIREITA RECHAÇAR BOLSONARO.

Interessado em herdar votos do inelegível Jair Bolsonaro, o presidenciável Tarcísio de Freitas fingiu ter esquecido quem é o personagem político mais prejudicial para o Brasil neste momento, ao afirmar que "o Brasil não aguenta mais o PT, o Brasil não aguenta mais o Lula".

É uma jogada que faz sentido, porque não há hipótese de o país vergar-se à chantagem do Donald Trump para salvar o Jair da condenação como golpista. No entanto, o que o palhaço ultradireitista dos EUA está conseguindo é apenas dar o tiro de misericórdia nas chances do bufão ultradireitista do Brasil. 

Tarcísio faz média com o Jair  porque não tem dúvidas quanto a ser ele uma carta fora do baralho, portanto inofensiva para seu objetivo maior. Daí a tentativa de seduzir o gado bolsonarista com tal frase de amoralismo explícito e oportunismo rasteiro.

Mas, expôs-se ao contra-ataque daqueles direitistas que ainda conservam a sanidade mental e sabem muito bem que o Brasil, acima de tudo, não aguenta mais governantes capazes de condenar ao extermínio centenas de milhares de seus governados apenas por pirraça contra a ciência (como fez o Jair ao sabotar a vacinação e induzir o uso de placebos fatais durante a epidemia de covid 19). 

Eu nunca fui nem sou devoto do reformista Lula, pois a situação trágica dos explorados e excluídos brasileiros não comporta soluções meia-boca como a simples maquilagem do capitalismo extremamente predatório aqui dominante. 

Desviar algumas migalhas do banquete dos poderosos para a mesa dos pobres é tão inócuo quanto atirar num crocodilo com um estilingue. 

Mas faltaria à verdade se não reconhecesse que todos os prejuízos causados ao Brasil pelo Lula durante a vida inteira são irrisórios se comparados ao catastrófico mandato presidencial do Jair,

Então, os conservadores que não embarcaram no trem fantasma bolsonarista estão capitalizando tal vacilada do Tarcísio. E o jornal O Estado de S. Paulo, que os representa, lançou neste sábado (16) um editorial contundente, destacando que "o Brasil não aguenta mais o bolsonarismo também". Foi convincente:
"O antipetismo viabilizou a ascensão de Bolsonaro, e o antibolsonarismo viabilizou o retorno de Lula, mantendo o País cativo de um ciclo infernal de ressentimento, radicalização e estagnação. Rompê-lo é condição para avançar".   
De resto, será hilário se a atuação repulsiva de Eduardo Bolsonaro junto ao governo estadunidense for punida com uma consequência diametralmente oposta à pretendida. O que, entretanto, jamais deverá servir de desculpa para a Câmara Federal não cassar seu mandato e para a Procuradoria Geral da República não denunciá-lo por traição à pátria. (por Celso Lungaretti) 

sexta-feira, 11 de abril de 2025

ESTÁ RUIM? VAI PIORAR! A LOUCURA DO TRUMP APENAS COMEÇOU...

C
omo sempre, o blog Náufrago da Utopia foi dos primeiros espaços virtuais da esquerda (vide aqui) que apresentou o tarifaço de Donald Trump como um fracasso anunciado, sem chance nenhuma de dar certo e que prejudicaria tanto seus alvos quanto o próprio autor. Perda total, em suma.

Não é a primeira vez, nem será a última. Quem sabe, faz a hora, não espera acontecer. 

Partindo da premissa (sim, para nós é uma premissa!) de que o capitalismo tende inevitavelmente a concentrar renda, gerando um desequilíbrio entre potencial produtivo do sistema e poder aquisitivo dos consumidores que só faz aumentar dia após dia e causa disfuncionalismo/contradições cada vez mais graves, não precisamos de nenhuma análise para saber que tais planos infalíveis para recolocar a economia nos eixos ou mesmo para tirar do buraco alguma nação importante que ficou para trás nas disputas canibalescas de mercado, está destinado a flopar.

A dúvida não é se o capitalismo vai sair de sua agonia, mas sim quanto demorará para, ou dar lugar a uma nova e mais avançada forma de organização da sociedade, ou exterminar a espécie humana. Não existe terceira opção.

Quanto ao talvez maior e mais despropositado tiro no pé dado pelo presidente de uma potência em todos os tempos, surpreendente foi, desta vez, que as avaliações da direita chegam a ser até mais contundentes que as da esquerda, no que tange à inconsistência do plano e incompetência de seus autores e executantes. 

Quando, nos dois primeiros governos do Lula, os direitistas nos atiravam na cara que, longe de ser o ogro que eles temiam, o presidente metalúrgico estava sendo uma verdadeira mãe para o empresariado em geral e para os banqueiros em particular, isto estragava o meu dia, pois eu sabia que era a verdade nua e crua. 
Como negá-lo, se o próprio Lula não parava de trombetear nas entrevistas que os banqueiros eram ingratos, pois nunca haviam ganhado tanto dinheiro quanto no governo dele?!

Então, tem para mim um sabor de vingança ler, no editorial de hoje (11/04) do Estadão, o jornal cujos proprietários mais se envolveram  em 1964 com a conspiração para derrubada do presidente legítimo, pérolas como estas (CL):

"É inútil procurar lógica nas decisões do presidente dos EUA, cujo único interesse é acumular poder e exercê-lo para bagunçar o mundo conforme seus instintos. A loucura apenas começou..."

"...meros sete dias depois de ter bombardeado todas as nações com tarifas severas, bagunçando o comércio global e derretendo bolsas planeta afora, Trump simplesmente decidiu, num estalar de dedos, suspender a maioria delas por 90 dias..." 

"...a guerra comercial contra a China segue escalando perigosamente..." 

"...nada do que Trump e seus assessores dizem indica qualquer estratégia lógica..." 

"(trata-se de) um conjunto heteróclito de ideias fixas, caprichos, rancores e uma dose de niilismo misturados na cabeça de Trump..."

"...os títulos do governo dos EUA, outrora porto seguro em tempos de crise, estavam sendo liquidados, dissolvendo a fronteira entre uma recessão com a marca de Trump e uma depressão com a marca de Trump..." 

"...como Trump, o grande estrategista, tomará sua próxima decisão? Ele mesmo respondeu: 'É realmente mais um instinto, acho, do que qualquer outra coisa...'. A busca por uma estratégia oculta parece ser uma necessidade psicológica de encontrar ordem no caos. Um plano – ainda que ruim ou maligno – é mais reconfortante que nenhum...." 

"..sejam lá quais forem as decisões, boas ou ruins, que os instintos de Trump vierem a ditar, essa atmosfera permanente de incerteza e caos por si só impõe um custo incalculável aos EUA e, consequentemente, à ordem econômica e geopolítica da qual os americanos foram o principal avalista por 80 anos, que tomará anos para ser recuperado – isso se for."

terça-feira, 13 de junho de 2023

DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013. PARTE 4: A QUINTA-FEIRA QUE INCENDIOU O BRASIL

 

13 DE JUNHO DE 2013: A NOITE QUE INCENDIOU O BRASIL

O ano de 2013 começou modorrento na política. Os debates se travavam em torno das possíveis alianças para o pleito presidencial do ano seguinte e especulava-se uma insatisfação do PMDB para com dona Dilma devido à tentativa dela em criar novo partido com Gilberto Kassab. A maior preocupação do lulopetismo era com o tempo de TV na propaganda eleitoral, temia-se perder preciosos minutos na televisão caso a aliança com a direita desandasse. 

Fora da política, o grande debate era com o atraso das obras para a Copa do Mundo. A Copa das Confederações seria já em Junho de 2013 e o cronograma estava atrasado, trazendo a ira da FIFA e comentários nada amistosos de Jérôme Valcke, à época Secretário Geral da organização. As obras para os torneios também traziam escândalos de corrupção e acusações de abusos contra a população pobre, obrigada a se retirar de suas casas para o alargamento de vias e construção ou reforma de estádios. Contudo, nada na superfície indicava o furacão que viria na metade do ano. 

Antes de virar prefeito, Haddad recebeu as 
bençãos de Maluf.
Nas profundezas sociais do país, porém, algo se mexia e as contradições acumuladas durante décadas estavam perto de explodir em fúria e violência. Já no começo do ano as manifestações contra o aumento da passagem em Porto Alegre haviam prenunciado algo novo, mas logo ficaram no passado como mais um ato do obscuro Movimento Passe Livre. 

Fernando Haddad, prefeito recém empossado de São Paulo, havia decidido não aumentar as tarifas do transporte público no começo do ano para não iniciar mal seu mandato. Conchavado com o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, postergou o aumento para Junho, e determinou o reajuste em vinte centavos. Logo o MPL convocou manifestações contra o aumento, tal como fizera anteriormente. A resposta de Haddad e Alckmin foi brutal

A manifestação do dia 11 de Junho é reprimida violentamente pela polícia, espancamentos gratuitos são registrados. De Paris, onde estavam para lançar a candidatura de São Paulo para mais um megaevento, Haddad e Alckimin atacam os manifestantes e dão luz verde para o recrudescimento da repressão. O ex-prefeito se refere aos manifestantes como "gente que não aceita o estado democrático de direito". Quem poderia imaginar que essa retórica era tão velha? Alckmin em sua verve fascistóide apenas prefere falar de criminosos e vândalos e ordena o aumento da força policial. Nenhum dos dois se dispõe a negociar o reajuste ou ouvir as demandas dos manifestantes, respondendo apenas com a brutalidade. Não por acaso, hoje ambos estão no mesmo governo, como um sinal da unidade da plutocracia nacional mortalmente ferida naquele 2013.

Editorial do Estadão pede mais repressão aos
manifestantes.

No dia 13 de Junho, editoriais do Estadão e da Folha de São Paulo reclamavam uma dura repressão contra os manifestantes. O Estadão clamava que era chegada a hora do Basta e exortava o governo a impedir as ocupações das vias. Já a Folha dizia que era preciso retomar a Nossa avenida Paulista, se referindo ao principal lugar de concentração dos militantes. Exortado pela mídia, o governo se sentiu justificado em liberar de vez seus cães da coleira, o que viria a provocar naquela noite algumas das cenas mais bestiais da história nacional. 

A história possui momentos de inflexão em que ações aparentemente irrisórias de personagens acabam provocando um deslocamento imprevisto. Esses personagens, inclusive, costumam ser absolutamente medíocres e totalmente desprovidos de qualquer senso histórico, social ou político mais amplo. Naquele 13 de Junho tivemos a confluência da ação desses personagens medíocres - os editorialistas da grande mídia, Alckmin e Haddad - mas que conduziram a desdobramentos inimagináveis e incontroláveis. 

Apesar da repressão, os atos só cresciam.
As manifestações só cresciam em tamanho ato após ato, fazendo jus ao bordão dos manifestantes "Amanhã será Maior!". Naquela quinta mais de dez mil pessoas desfilaram pelas ruas até serem reprimidas pela PM e pela Guarda Municipal. Espancamentos aleatórios, uso indiscriminado de bombas de gás, tiros indiscriminados de bala de borracha, prisões a esmo, vandalismo perpetrado pelos próprios policiais para culpar os manifestantes, tudo isso foi capturado em vídeo por toda região do centro paulistano. A repressão foi tão bestial e despropositada que pessoas alheias à manifestação foram igualmente espancadas. Jornalistas ficaram cegos devido às balas de borracha atiradas pelas tropas e outros foram duramente espancados pelas forças policiais. 

Logo as imagens do terror policial correram o país e provocaram escândalo diante do absurdo e da desproporcionalidade da repressão. Ficou claro para todos o que estava em jogo ali: não era o simplesmente aumento da passagem, era o direito democrático à liberdade de se manifestar. Ao contrário da crença arraigada de que o levante de Junho de 2013 foi catalisado pela alta das tarifas do transporte, o real motivo foi a ação bárbara da polícia naquela noite do dia 13. Os levantes foram, em primeiro lugar, uma resposta à brutalidade policial.

Jornalista da Folha ferida com 
tiro de bala de borracha.

A bestial repressão acabou sendo um tiro pela culatra, pois, ao contrário de esvaziar os atos, estes não apenas cresceram geometricamente, mas se espalharam pelo país. O que eram simples manifestações localizadas à cidade de São Paulo contra o aumento da tarifa se transformaram em levantes de extensão nacional. Em uma semana o Estado brasileiro estava nas cordas e a burguesia brasileira, pela primeira vez em décadas, tremia diante da possibilidade real de uma mobilização revolucionária em suas ruas. 

Como sempre, ninguém tinha ciência do que viriam das mobilizações daqueles dias, mas todos tinham certeza de que nada seria como antes. E, de fato, quando a bola rolou para a medíocre Copa das Confederações, a verdadeira disputa estava nos arredores dos estádios e naquela noite de 13 de Junho de 2013 começava o período mais turbulento e imprevisível da história brasileira no último meio século. (por David Emanuel Coelho) 

LEIA OS PRIMEIROS ARTIGOS DA SÉRIE: 

DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013: A LUTA PELO PASSE LIVRE

DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013: A FALÊNCIA DA NOVA REPÚBLICA



terça-feira, 14 de março de 2023

PARA LULA, CPI DA INVASÃO BÁRBARA SERIA "CONFUSÃO TREMENDA". PARA NÓS, CHANCE DE VERMOS BOLSONARO ATRÁS DAS GRADES

A repórter Natália Santos, n'O Estado de S. Paulo desta 3ª feira (14), levanta uma questão importante: por que são os bolsonaristas que se empenham em criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para a  investigação da tentativa  de golpe de Estado que eles mesmo fizeram em 8 de janeiro e por que é o Governo Lula que tenta barrar tal CPI? 

Terá o Brasil virado de cabeça pra baixo? Agora, são os criminosos que exigem a apuração dos seus crimes e são as autoridades que se recusam a fazê-lo?

Dá para acreditar que Lula, aparentemente o maior beneficiário pela evocação da invasão bárbara das sedes dos Poderes, trazendo de volta todas as imagens chocantes daquele vandalismo desembestado, descarte a iniciativa e tudo faça para abortá-la, afirmando que a CPI "pode criar uma confusão tremenda"?!

"Nós não precisamos disso agora", disse ele à Globonews.

"Nós precisamos muito disso agora", respondo eu, pois um episódio tão grave e ultrajante jamais pode terminar em pizza, com Bolsonaro perdendo apenas os direitos políticos! 

Chega de oportunismo e covardia! O único desfecho aceitável da passagem do genocida pela presidência da República é sua prisão como responsável último:
— pelo extermínio premeditado de centenas de milhares de brasileiros durante a pandemia de covid; 
— pela tentativa de usurpação do poder para nele se perpetuar; e 
— pela matança também premeditada de indígenas, inclusive crianças, abandonando-os à desnutrição e doenças.

Alternativamente, se comprovado que sua extrema crueldade deriva de insanidade mental, o confinamento do demente num manicômio judicial.

Lula, que como presidente tudo fez para desestimular a apuração dos crimes cometidos pelos torturadores dos anos de chumbo, ensaia repetir a dose. Só que desta vez o motivo não é apenas sua aversão à esquerda revolucionária, que vem desde o tempo das greves no ABC e marca toda sua trajetória sindical e política. 
Há mais e eu já decifrei o enigma cinco semanas atrás, 
neste artigo . Eis o trecho:
"Assim como vários espiões alertaram a Inteligência estadunidense de que os japoneses atacariam precisamente Pearl Harbor mas o governo considerou válido o sacrifício de vidas e equipamentos para convencer a população a aceitar a entrada do país na 2ª Guerra Mundial (até então prevalecia amplamente a posição de que deveria permanecer neutro), é impossível que Lula e seus ministros ignorassem o que se tramava.  

Lá em 1941, como cá em 2023, deixou-se acontecer o que nem de longe representaria um perigo verdadeiro,  mas, no nosso caso,  serviu para destruir a imagem do bolsonarismo e alavancar poderosamente a do Lula. Me engana que eu gosto..."
Não vejo outra explicação plausível para o enorme empenho do Lula em evitar a CPI. Nem pretendo relevar mais essa saída do Lula pela tangente, como a que ele utilizou na década retrasada para, na prática, eternizar a impunidade dos torturadores, ao impor a seus dois ministros mais combativos que ficassem surdos ao clamor dos torturados ainda vivos e à dor de quem havia perdido seus entes queridos e às vezes nem seus restos mortais conseguira localizar.

Bolsonaro tornou o Brasil um pária da humanidade. Se ele escapar impune, nossa imagem passará a ser de vergonha da humanidade. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

ESTADÃO PROPÕE QUE O BOZO SE TORNE INELEGÍVEL POR CAUSA DO GOLPISMO

VÂNDALOS NÃO TÊM LUGAR NA DEMOCRACIA
N
a 6ª feira passada ((9), o presidente Jair Bolsonaro disse que as manifestações contrárias ao resultado das eleições, alegando supostas fraudes, eram organizadas por "cidadãos de bem" e estavam "de acordo com as nossas leis"

Anteontem (12), em Brasília, alguns desses "cidadãos de bem", acampados desde o fim das eleições presidenciais diante do Quartel-General do Exército para pedir que os militares impeçam a posse do vencedor, o petista Lula da Silva, mostraram que a única lei que respeitam é a da selva.

Horas depois da diplomação de Lula da Silva e de seu vice, Geraldo Alckmin, no Tribunal Superior Eleitoral, ato que encerrou o processo eleitoral, os vândalos, a pretexto de protestar contra uma ordem de prisão temporária de um de seus líderes, incendiaram ônibus e carros, depredaram prédios públicos e privados e tentaram invadir a sede da Polícia Federal.

Não há argumento retórico que faça dessa barbárie uma maneira legítima de manifestação. 

Não faz muito tempo, nos idos do governo da petista Dilma Rousseff, parlamentares que hoje se identificam com o bolsonarismo pugnaram pela aprovação de uma lei que enquadrasse como terroristas os manifestantes que incendiassem veículos e depredassem prédios públicos. O objetivo, claro, era constranger os movimentos sociais. 

Mas eis que, quando é a extrema direita que reivindica o direito à truculência, os "terroristasse transformam em "patriotas".

Não podia acabar em outra coisa um governo que começou sob o signo da divisão e da violência retórica. 

É quase natural que apoiadores do presidente instaurem o caos na capital do País porque não se conformam nem com o resultado das eleições nem com decisões da Justiça – sejam as que permitiram a candidatura de Lula, sejam as que tolheram o golpismo bolsonarista no processo eleitoral. 

No caso da prisão contestada pelos baderneiros, a ordem, do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi dada depois de pedido da Procuradoria-Geral da República justamente por indícios de crimes contra a democracia. A violência dos manifestantes confirmou o acerto da decisão da Justiça.

Mas os atos de vandalismo em Brasília revelam mais do que o desprezo de bolsonaristas pela lei e pela democracia. Eles evidenciam que a contínua confrontação de Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral e o Judiciário produziu e continua a produzir danos inéditos sobre o País. 

Antes de Bolsonaro empreender sua campanha contra as urnas eletrônicas, nunca tinha havido nada minimamente parecido em termos de resistência e de violência contra o resultado de uma eleição.

Vale lembrar que, na 6ª feira passada, Jair Bolsonaro voltou a fazer declarações golpistas, instigando apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. 

"Quem decide para onde eu vou são vocês. Quem decide para onde as Forças Armadas vão são vocês. Quem decide para onde o Congresso vai são vocês", disse o presidente, como se estivesse numa anarquia, e não num Estado Democrático de Direito. 

Os atos de vandalismo em Brasília explicitaram a gravidade das palavras irresponsáveis de Bolsonaro.

Perante um presidente da República que ignora solenemente a Constituição, é possível entender o motivo pelo qual foi dada tanta solenidade ao ato de diplomação da chapa presidencial no TSE. 

Não eram circunstâncias normais. Não era apenas diplomar os ganhadores das eleições, reconhecendo oficialmente a regularidade e a legitimidade da vitória. 

Neste ano, por força dos ataques e ameaças praticados contra a democracia, a diplomação representou uma celebração do regime democrático. 

Foi o reconhecimento de que, apesar de todas as dificuldades, o processo eleitoral funcionou. "Essa diplomação atesta a vitória plena e incontestável da democracia e do Estado de Direito contra os ataques antidemocráticos", disse o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes.

A especial solenidade do ato de diplomação foi também um importante alerta em defesa da democracia. As instituições estão atentas e vigilantes. No Estado Democrático de Direito, não há espaço para o golpismo, para a violência ou para a barbárie. 

Aos que trilham esse caminho, a lei prevê punição – a inelegibilidade é uma delas. (editorial d'O Estado de S. Paulo de 14/12/2022)

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

A FAMÍLIA BOLSONARO É A VERSÃO MAMBEMBE DA FAMIGLIA CORLEONE

T
er uma vida longa nunca foi meu sonho, mas constato agora que algumas compensações existem. 

Por exemplo, jamais pensei que veria o Estadão incluir em editorial, 33 dias antes de uma eleição presidencial, comparação tão favorável ao Lula e tão desfavorável ao principal adversário do Lula quanto esta:
"...os benefícios de uma empreiteira, entregues na modalidade de reforma de um imóvel na praia e reconhecidos numa delação, suscitaram a prisão de Lula, prisão esta que Bolsonaro faz questão de relembrar na campanha eleitoral.  
A ironia – ou a incrível desfaçatez – é que Jair Bolsonaro e sua família não têm problemas apenas com um único imóvel na praia.  
Levantamento realizado pelo site UOL, a partir de dados públicos, revelou que, desde os anos 90, o presidente, seus irmãos e seus filhos negociaram nada menos que 107 imóveis, dos quais pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo. Em valores corrigidos pelo IPCA, o montante pago em dinheiro vivo equivale a R$ 25,6 milhões".
É o que todos os perspicazes sabíamos, mas poucos tiveram coragem de dizer ou escrever, como eu fiz. 

Lula não era inocente aos olhos da lei, mas cometeu um deslize pouco significativo em contraste com as infinitas (e infinitamente  mais lesivas ao erário) maracutaias dos outros políticos profissionais, os de centro e direita.

Deslumbrado, Lula supôs que se beneficiaria de idêntica complacência por parte dos policiais e magistrados. Talvez acreditasse ser mesmo uma metamorfose ambulante, como chegou a afirmar. E, singelamente, forneceu um trunfo formidável para os adversários políticos o crucificarem.

Mas, os piores bandidos eram os outros, como aquele ignorantão capaz de qualificar de presidiário quem nunca esteve cumprindo pena num presídio e que até agora só tem evitado as grades porque compra sua provisória impunidade com cargos e verbas públicas. 

Isto ficou totalmente comprovado com as últimas revelações sobre a Família Bolsonaro, que nunca passou da versão mambembe da fictícia Famiglia Corleone. (por Celso Lungaretti) 

sábado, 6 de agosto de 2022

ESTADÃO INICIA SÉRIE DE REPORTAGENS SOBRE O 'PERIGO' ESQUERDISTA

Cúmplice explícito do golpe de 1964, o Grupo Estado...
O
jornalão O Estado de S. Paulo mantém posição firme contra o governo genocida do Bozo.

O Estadão continua firmemente contrário aos governos e partidos de esquerda. 

Para os maniqueístas, que enxergam tudo sem nuances, estas duas afirmações podem parecer incompatíveis entre si. Mas, não o são.

Trata-se de um jornal conservador, mas não de extrema-direita. Quer que o jugo do capital seja mantido civilizadamente, sem execuções, câmaras de tortura, censura e abusos escandalosos de poder.

Assim, para ele é aceitável que o poder econômico, com boas maneiras, satelize o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, fazendo com que sirvam como biombos para a mão que manipula os cordéis nos bastidores.

Mas é inaceitável que o Executivo, com más maneiras, imponha sua vontade ao Judiciário, como o palhaço genocida tenta de todas maneiras fazer.

Tais sutilezas, que escapam aos cidadãos comuns, podem fazer grande diferença para os revolucionários.
...resistiria francamente à
ditadura a partir do AI-5.

Como travamos nossas batalhas em condições de enorme inferioridade de forças, temos de levar em conta as contradições entre os inimigos e aproveitá-las ao máximo para tornar menos impossíveis nossos êxitos. 

Então, conformemo-nos em ler, no mesmo jornal que lança editoriais extremamente contundentes contra o Bozo, uma série de reportagens como a iniciada pelo Estadão nesta 6ª feira, 5, sobre quais são os riscos da ascensão de governos de esquerda na América Latina.

O jornalão está aflito com a possibilidade de, elegendo-se Lula, a esquerda passar a controlar "13 dos vinte países da região, incluindo as seis maiores economias, estendendo os seus tentáculos de Tijuana, no México, à Terra do Fogo, no Chile e na Argentina".

Mas, mesmo assim, prosseguirá com suas contundentes pregações em favor da democracia burguesa e, portanto, contra o vezo ditatorial do preside(me)nte. Nessa mesma edição, o editorial exigiu, inclusive, que ele adiante responda na Justiça por seus feitos:
"Não há como reduzir a gravidade de tudo o que Jair Bolsonaro vem fazendo contra as eleições, assim como não há como ele ficar impune depois de tudo o que já fez".
E já se prepara para voltar sua metralhadora giratória retórica contra o vindouro Governo Lula (a tal série de reportagens é um aquecimento nesse sentido...), mas não cogita em tentar impedi-lo, pois aprendeu que conceder poderes excessivos a golpistas pode vir a ser um péssimo negócio.

Em 1964, conspirou com os militares para a virada de mesa, acreditando na promessa de que, depois de alguns meses de limpeza na casa com métodos não exatamente democráticos, os fardados devolveriam o poder aos civis. 
Contudo, verdade seja dita, quando a assinatura do AI-5 deixou evidenciado que não haveria redemocratização nenhuma, mas, pelo contrário, um terrorismo de Estado cada vez mais exacerbado, foi o grupo de imprensa que mais corajosamente combateu a ditadura.

Fez tudo ao seu alcance para mostrar a realidade dos fatos, o que transformou
O Estado de S. Paulo e o Jornal da Tarde em verdadeiras colchas de retalhos (o primeiro substituía os trechos que censores vetavam por poesias e o segundo por receitas culinárias, mas o espaço nunca era preenchido por outras matérias com assuntos diferentes).

E seus proprietários se mantiveram altaneiros, não foram submissos à ditadura como  os concorrentes da Folha de S. Paulo. Quando os agentes do DOI-Codi tentaram entrar no prédio da rua Major Quedinho para prender alguém na redação, um diretor disse a célebre frase: "Lá fora ele pode ser comunista, mas aqui dentro ele é meu jornalista".

Mandou que os seguranças ficassem a postos para repelir qualquer tentativa de invasão e, com a intermediação do governador Abreu Sodré, ficou acertado que o ambiente de trabalho seria respeitado. Aí foi o próprio diretor que saiu do prédio com o procurado no porta-malas e o abrigou em seu sítio.

E, quando se deu o assassinato de Vladimir Herzog, foi o único grupo jornalístico que fez questão de que seus profissionais, ao serem intimados para depor no mesmo inquérito, fossem invariavelmente acompanhados por um
diretor da empresa. 

Isto não passou de repetição da postura adotada na ditadura anterior, a de Getúlio Vargas, quando o Estadão ficou sob intervenção cinco anos e meio, entre 1940 e 1945, tendo inclusive o diretor Francisco Mesquita permanecido preso durante 40 dias. 

Até hoje esses cinco anos e meio não são considerados pelo jornal como parte da sua história, já que lhe tiraram a liberdade para publicá-lo segundo os próprios critérios.

Noblesse oblige, assumiria a mesmíssima postura na ditadura dos generais e, agora, no desgoverno ultradireitista. 

O que nem então, nem agora, o impediu de criticar a esquerda incansavelmente. Mas, em todas essas situações, era mais fácil enfrentarmos quem travava contra nós batalhas de opinião do que quem nos queria exterminar fisicamente. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

O CIRCO DE HORRORES DO BOZO DEVE ANTECIPAR SEU ESPETÁCULO FINAL

eliane cantanhêde
OPÇÃO NACIONAL
 PELA DEMOCRACIA
Alguém precisa explicar para o presidente Jair Bolsonaro que eleição não é igual à mega-sena, não é (só) questão de sorte e azar, muito menos guerra, vida ou morte, liberdade ou prisão. 

Talvez assim ele possa dormir um pouco melhor e parar de fazer ameaças, dia sim, dia não, e de cometer atos falhos, como foi nesta 5ª feira, 4.

Do presidente, num evento evangélico: 
"Estou buscando impor, via Forças Armadas, que foram convidadas, a nós termos eleições... É a transparência". 
É confuso, como sempre, mas a palavra-chave é o verbo impor. Ele admitiu que usa Exército, Marinha e Aeronáutica para impor suas certezas e crenças sobre o processo eleitoral.

É assim que Jair Bolsonaro tem como maior adversário Jair Bolsonaro. É por esticar demais a corda que ele vem perdendo eleitores de 2018, inclusive setores do empresariado e do mundo financeiro, a ponto de ter de cancelar uma visita à Fiesp e um jantar com endinheirados na próxima 5ª feira, 11, em São Paulo. Além de dividir a Polícia Federal, Abin, Itamaraty e as próprias Forças Armadas. Ou seja, as carreiras de Estado.

Com mais de 700 mil assinaturas de diferentes áreas da sociedade civil –com a lamentável e injustificável ausência do agronegócio–, o manifesto pela Democracia Sempre começou em São Paulo, como de costume, mas ganhou asas e há correntes na internet para que o documento seja lido em outras universidades pelo País afora, 5ª feira, na mesma hora do Largo de São Francisco, da USP. 

Uma oração nacional pela democracia, com cuidado para evitar retaliações por parte de chefes e reitores e reações de bolsonaristas violentos, até armados.

Enquanto Bolsonaro afasta eleitores, o governo, o Congresso e a sua campanha se embolam para impedir a vitória do ex-presidente Lula no 1
º turno, reduzir a distância entre os dois nas pesquisas e garantir competitividade para o presidente na reta final. 

Para isso, chutam o pau da barraca, as leis, a prudência e a responsabilidade – não só a fiscal – e vai começar, no dia 8, a execução dos R$ 41 bi da PEC da reeleição.

É uma arma eleitoral poderosa, mas, se o País se mobilizou pela democracia após Bolsonaro transformar embaixadores em figurantes do seu teatro antipatriótico, o que acontecerá se ele insistir em transformar o desfile militar do Dia da Pátria em ato pró-reeleição, impondo (!) a oficiais e soldados o papel de militantes políticos? 

A toda ação corresponde uma reação e há quem analise que o 7 de setembro de Bolsonaro poderá ser decisivo para dar a Lula o que ele mais quer: a vitória em 1º turno. (por Eliane Cantanhêde, n'O Estado de S. Paulo)
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