Mas, se a proposta do livro era a de ser um legado, exatamente qual seria tal legado? Tive de dar tratos à bola para chegar a uma conclusão: percebi que minha trajetória se diferenciava pela série de lutas que travei contra adversários muito mais poderosos, mesmo assim obtendo êxitos ou ajudando os companheiros a obtê-los,
Já o meu caso foi uma verdadeira corrida de obstáculos e a vitória definitiva só chegou quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral e fixou um parâmetro a ser seguido pelas cortes de todo o país.
Na segunda categoria, foi a luta pela liberdade do escritor Cesare Battisti, da qual participei de 2008 até 2011, como uma espécie de porta-voz informal do comitê de solidariedade. Era eu que lançava um artigo novo e diferente dos anteriores praticamente todo dia, afora outras incumbências.
O Carlos Lungarzo, o Eduardo Suplicy, a Fred Vargas e eu fomos buscar essa vitória na bacia das almas, quando tudo parecia perdido.
Outros episódios na mesma linha estão lembrados no Náufrago da Utopia 2. E é por eles todos que eu quero ser lembrado: como quem ousou lutar batalhas dificílimas e geralmente vencê-las, provando que nós, revolucionários, não podemos nos conformar jamais com as injustiças e, se travarmos as lutas até o fim, temos sempre a possibilidade de dar a volta por cima. Este espírito faz muita falta na esquerda atual.
Um exemplo marcante foi quando os bolsonaristas expulsaram os petistas da avenida Paulista no tempo do Fora, Dilma! Aí, já no governo do Bolsonaro, secundaristas e a Gaviões da Fiel não tiveram medo de Bicho Papão e botaram os fascistas pra correr. Foram esconder-se atrás dos seus amiguinhos, os policiais. (por Celso Lungaretti)
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