segunda-feira, 6 de abril de 2026

ATÉ QUANDO O ESTADÃO VAI CONTINUAR SUPERDIMENSIONANDO UM EPISÓDIO FLAGRANTEMENTE SECUNDÁRIO?!

Motoristas que trafegam pela avenida Tiradentes
já estão acostumados a esta vista da sede da Rota

A extrema insistência d'O Estado de S. Paulo em derrubar os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli me fez lembrar de um episódio da minha carreira jornalística em que estive envolvido numa empreitada semelhante, só que em miniatura.

Estava cobrindo férias de um colega no mesmo Estadão e, naquele momento, precisava muito ser efetivado. 

Aí fui cobrir uma manifestação de preservadores do patrimônio histórico no Jardim da Luz, o mais antigo desses espaços públicos na cidade de São Paulo, tendo sido aberto à população em 1825, inicialmente como jardim botânico.   

É que o secretário municipal de Cultura, Jorge da Cunha Lima, tinha lançado um programa de revitalização da região, o Luz Cultural. E havia ordenado a demolição de uma torre que, durante uma das badernas militares da década de 1920, havia sido atingida por tiros de canhão e guardava as marcas de tais canhonaços.   

Uma entidade de moradores da região fez uma barreira humana para impedir a continuidade dos trabalhos e eu, considerando válida sua argumentação, preparei uma notícia de rotina sobre a ocorrência. Mas ela repercutiu mais do que se esperava e o jornal me designou para fazer suítes (continuações) diárias.

Aí não só critiquei o trabalho de uma entidade municipal que deveria estar protegendo esses símbolos do passado (o que a levou a convocar imediatamente uma reunião que impugnou a demolição), como também passei a comentar outras iniciativas duvidosas do Cunha Lima.
Eis a torre da discórdia

Após uma meia dúzia do noticiário adverso que eu estava criando, o Cunha Luma me chamou para entregar os pontos. Disse que a demolição tinha sido um erro e ele, como homem de bem, o reconhecia. Mas pediu que parasse com a campanha contra outras realizações de sua pasta.

O experiente fotógrafo que me acompanhava pediu ao Cunha Lima que apontasse num mapa que estava no chão a região do Luz Cultural. Ele teve se abaixar para fazer isto e foi clicado numa posição de quem está pedindo desculpa. 

Resultado: o mea culpa ocupou toda a última página (anúncios publicitários à parte) do jornalão, com meu texto celebrando a vitória e a foto do secretário parecendo reconhecer o erro.

Mais tarde, fiquei em dúvida sobre se havia batido pesado demais no Cunha Lima. Mas, quando fiquei sabendo que ele era o diretor de redação da Última Hora em Pernambuco e debandou do jornal quando os militares deram o golpe de 1964, frustrando qualquer possibilidade de reação à quartelada, lembrei-me da velha máxima Deus escreve certo por linhas tortas.

Mas, pelo menos eu encerrei minha campanha tão logo ele admitiu a lambança. Hoje em dia, contudo, o Estadão parece querer passar o ano inteiro com um episódio secundário como constantes matéria de capa.

Nunca foi tão justificada a frase do Paulo Francis, sobre o combate à corrupção dos políticos nada mais ser do que uma bandeira da direita. Não passa de uma consequência da corrupção intrínseca do capitalismo e jamais será erradicada enquanto durar a exploração do homem pelo homem. 
Estardalhaço demais
para um mero indício

Infelizmente, a esquerda abandonou sua missão de educar o povo e prefere ficar travando uma batalha de tortas de lama com  a direita. 

O Dias Toffoli nada fez como ministro do Supremo que justificasse qualquer benevolência com ele. Que seja impichado o quanto antes.

Já a atuação do Alexandre de Moras  na hora mais perigosa desta nação foi inestimável, evitando o golpe de 08.01 e conduzindo à prisão o pior genocida de seu próprio povo da história brasileira. Crucificá-lo por um grão de areia no oceano é, no mínimo, suspeito. (por Celso Lungaretti)

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