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sábado, 11 de janeiro de 2025

FUZILARIA CONTRA ASSENTAMENTO DO MST SINALIZA QUE A EXTREMA-DIREITA NÃO DESISTIU DO GOLPE

O ataque ao assentamento Olga Benário do MST, que surpreendeu 20 trabalhadores e líderes rurais, assassinando covardemente três deles, deve ser visto como provocação da extrema-direita para insuflar uma beligerância que lhe permita continuar acumulando forças para um golpe de Estado. O objetivo  de estabelecer nova ditadura continua em pé.

Salta aos olhos que, controlando o Congresso Nacional e se beneficiando da crescente rejeição ao Governo Lula, a direita convencional é franca favorita para conquistar a presidência da República em 2026.

Mas isto não basta para os extremistas de direita que, como em 1964, querem mesmo é obter um poder ilimitado. Daí eles estarem investindo em atentados, na esperança de suscitar reações contrárias; ou seja, seu objetivo é gerar uma espiral de violência política que lhes sirva como pretexto para mais uma virada de mesa. 

Lula corre sério risco de não terminar o mandato caso continue dando respostas frouxas aos sucessivos desafios ultradireitistas. A situação só não está pior porque os atentados a bomba desses terroristas (cujo impacto político seria muito maior) têm flopado. 

Mas, enquanto os responsáveis por essa onda terrorista não forem identificados e presos, a tendência é eles produzirem estridência cada vez maior.

E enquanto o principal golpista do 08.01 permanecer em liberdade, continuará servindo como exemplo de que a determinação das autoridades em aplicar todo o rigor da lei contra os aloprados de direita é quase nenhuma. Isto só os estimula a barbarizarem e a matarem em escala cada vez maior. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

TERRORISTA TRAPALHÃO E AMARELÃO, BOLSONARO TANTO SEMEOU VENTOS QUE ACABOU COLHENDO UMA TEMPESTADE

Antigamente a sabedoria popular recomendava: quem é burro (como o Framcisco Wanderley Luiz), peça a Deus que o mate e ao diabo que o carregue.

Jair Bolsonaro, contudo, não estava sendo burro em 2018, ao simular um atentado que lhe servisse de desculpa para fugir dos debates eleitorais nos quais já tinha sido derrotado por Guilherme Boulos e triturado por Marina Silva. 

Burros foram os que acreditaram naquela patranha, que o vídeo Facada no Mito (depois removido do YouTube a pedido do farsante)  desmascarou sem deixar margem nenhuma para dúvida.

Empossado após a eleição mais fraudulenta do Brasil em todos os tempos, ele novamente continuou a servir-se do terrorismo, mas com um novo propósito: o de eternizar sua presidência pela via do golpe de estado.

Passou quatro anos semeando ventos, mas não colheu o tipo de tempestade que almejava pelo simples motivo de que jamais passou de um poltrão se fingindo de machão. 

Três vezes ele engatilhou o sonhado golpe (nos Dias da Pátria de 2021 e 2022, depois no 08.01.2023) e nas três amarelou repulsivamente, sendo o único golpista que não era encontrado no palco do golpe.

O ridículo chegou ao extremo na terceira micareta: aí ele não conseguiu pensar num único ponto do território brasileiro no qual estivesse a salvo de prisão caso seu putsch flopasse, então foi abrigar-se na Disneylândia enquanto seus bovinizados seguidores viam o sol nascer quadrado.

Como o feitiço às vezes se volta contra o feiticeiro, um desses seguidores resolveu fazer agora o que o Bolsonaro queria que fosse feito durante o seu mandato, para criar uma confusão que lhe permitisse colocar o país sob estado de sítio, botar as tropas nas ruas e impor uma ditadura enquanto fingia a estar evitando.

Depois que tal conspiração ruiu fragorosamente, as bombas detonadas em Brasília perderam qualquer razão de ser: a direita, na prática, já está no poder, não pela via golpista mas pelo controle do Legislativo, que tornou o Lula pouco mais do que uma rainha da Inglaterra, obrigado a negociar com o Centrão até a permissão para ir no banheiro...

Mas, quem saiu dominante das eleições municipais não foi a direita ferrabrás, mas sim a convencional, que agora está com a faca e o queijo na mão para obter outra vitória esmagadora em 2026.

Tal direita nada tem a lucrar com o terrorismo, portanto deverá colaborar com os petistas para evitar o alastramento dessa praga. 

E, se o Bolsonaro apostava todas as suas fichas em conseguir uma anistia ilegal para concorrer á presidência na próxima eleição, a palhaçada terrorista desta semana serviu. isto sim, para a direita majoritária se dar conta de que correrá algum risco se contribuir para os planos malucos do Bozo. 

O que já era difícil (porque implicava confronto de Poderes) agora se tornou impossível. Sem força para fazer aprovar a anistia inconstitucional no Congresso, o azarão Bozo tende a ficar chupando o dedo enquanto Tarcísio de Freitas participará da próxima eleição como o grande favorito.

Isto é o que ocorre quando um espertalhão coloca ideias de jerico na cabeça de imbecis, mas não tem como controlá-los o tempo todo. A chance de o tiro sair pela culatra e atingir o próprio instigador se torna enorme. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

LEI ANTITERRORISMO: LULA PODE TERMINAR O QUE DILMA COMEÇOU

 


Vejo na Globonews o serelepe senador Randolfe Rodrigues falando de um possível endurecimento da lei antiterrorismo, entulho autoritário aprovado por dona Dilma após anos de pressão do Tio Sam. 

Seria uma resposta legislativa aos atos denominados pela Rede Globo de terroristas do último dia 08 de janeiro. Segundo o notório político, a intenção seria alterar a cláusula da lei que excluí de punição atos relacionados a protestos por motivação política

Curiosamente, tal mudança era desejo antigo de Jair Bolsonaro, certamente acalentando em seus sonhos a ambição nada secreta de enquadrar movimentos sociais e trabalhistas como sendo puro terror. Não tendo avançado antes, pode agora avançar sobre o patrocínio dos defensores da democracia. 


O governo Lula, incapaz de combater efetivamente o bolsonarismo em sua base econômica, social e institucional, prefere ampliar a repressão reforçando o poder policial e judicial. Com isso, paradoxalmente, contribui para reforçar  o poder da própria extrema-direita que tem no punitivismo estatal uma de suas maiores fontes de energia. 

Nem de longe as invasões e depredações ocorridas em Brasília são atos de terrorismo. No Brasil, não há terrorismo organizado, ao não ser o do próprio Estado, pois como poderíamos denominar a ação, por exemplo, da PMRJ senão de terrorista, ao invadir comunidades do Rio e sair matando a esmo dezenas de indivíduos?

Por mais lamentáveis que sejam, atos de depredação não são terrorismo

A Globo possui seus interesses em denominar os militantes bolsonaristas de terroristas porque ela vê mais longe. Para ela, bolsonaristas, black blocs, MST, grevistas, todos são essencialmente iguais, pois todos significam a desestabilização da ordem burguesa, não importando se tal vem da esquerda ou da direita. O discurso criminalizador é igual e todos são igualmente terroristas. O terror, no caso, é contra o regime capitalista. 

O lulopetismo segue pela mesma lógica. Para ele, só contam os movimentos sociais domesticados, capazes de serem usados como correia de transmissão e de serem metamorfoseados em votos. Tudo o que saía disso, quebrando a ordem política, é também visto como ameaça. Tanto que a primeira vez que se falou seriamente na aprovação da lei antiterrorismo foi pela boca do senador Paulo Paim, após o trágico incidente que vitimou o cinegrafista da Band. O motivo parecia nobre, mas a intenção era outra: justamente no auge das manifestações de 2013-14, criminalizar os rebeldes sem causa que incendiavam o Brasil à época. 

Até o momento, o governo Lula nada fez contra as altas lideranças militares e civis que retroalimentam o bolsonarismo, mesmo após a divulgação do grave fato de uma possível proteção do chefe do Exército aos manifestantes acampados em Brasília. Mas sempre é mais fácil capturar os peixes pequeno, ao invés de se digladiar com os tubarões. 

O Brasil dispõe de um arsenal de leis punitivas e não é difícil enquadrar os eventuais crimes cometidos pelos bolsonaristas no estouro da boiada do dia oito em qualquer uma delas. Lei antiterrorismo e seu endurecimento servem apenas a cassar o restante de democracia neste país, já de resto subdemocrático. Deve-se combater a extrema direita com política e mobilização popular e não reforçando a repressão do Estado burguês. 

Caso se concretizem tais mudanças, Lula terminará o que Dilma começou e, mais uma vez, a repressão brasileira ampliará seus instrumentos pelas mãos da dita esquerda. (por David Emanuel Coelho)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O BOZO OFERECEU AOS MEDÍOCRES UMA CHANCE ÚNICA DE SEREM NOTADOS

jefferson tenório
ENTRE O PATÉTICO E O TERROR, NASCE O 
BOLSOTERRORISMO NOS ACAMPAMENTOS
O bolsonarismo tem nos mostrado que há uma linha tênue entre o patético e o terrorismo. 

A crise estética pelo já conhecido mau gosto e breguice dos grupos antidemocráticos se confunde com uma organização criminosa que vem ganhando força, principalmente nos acampamentos bolsonaristas. 

Fazer contato com extraterrestres usado celulares na cabeça, gritar por intervenção militar, marchar de modo descompensado agarrado às bandeiras, se colocar no para-brisa de caminhão em alta velocidade ou passar a noite de natal na frente de quartéis cantando Noite Feliz podem servir para memes e deboches, entretanto esses acampamentos são também incubadora para o nascimento e manutenção do bolsonarismo.

Não acho que o bolsonarismo seja apenas uma questão ideológica. A resiliência desses grupos demonstra que estamos diante de um fenômeno identitário. Isto significa que mais do que dar voz e visibilidade aos lunáticos da frente dos quartéis, Bolsonaro ofereceu aos medíocres uma oportunidade única de serem notados. 

O bolsonorismo é a busca para ser visto. É a tentativa do homem de bem, sem moral e sem ética ter a sensação de protagonismo. 

Quando Bolsonaro dizia "Deus acima de todos", lia-se "Eu acima de todos". Pois ao se colocar no lugar de Deus, Bolsonaro não emprestou apenas numa ideologia, mas uma identidade aos invisíveis, aos que sempre perderam, aos que sempre carregaram uma vida vazia e frustrada. 

E que agora se colocaram no lugar de Deus. Como se estivessem numa missão de vida ou morte. Donos dos destinos da pátria e os únicos que podem salvar o Brasil. Assim são constituídos os grupos antidemocráticos bolsonaristas. 

No sábado, véspera de Natal, a polícia civil do distrito federal encontrou e detonou um artefato explosivo nos arredores do Aeroporto Internacional de Brasília. Segundo o delegado Robson Candido, o suspeito pela tentativa do atentado é um empresário do Pará e que já foi detido. 

Além disto, numa busca e apreensão em sua residência foram encontrados mais explosivos, diversas armas e um fuzil. O que comprova que o empresário planejava executar outros atentados.

Com tudo isso, é inegável que o bolsoterrorismo ganhou força e deve ser encarado com seriedade e gravidade pelas autoridades. E por mais que Bolsonaro se mantenha em silêncio, sua postura antidemocrática em não aceitar a derrota estimula atos golpistas e de violência. 

O fato é que o terrorismo de Bolsonaro foi sendo gestado ao logo de seu mandato. No entanto, suas últimas ações como o indulto de Natal concedido aos policiais envolvidos no massacre do Carandiru; o seu silêncio; o seu choro, aliado à complacência dos militares diante dos atos antidemocráticos, fazem parte desse pacote ideológico e identitário que tem insuflado os manifestantes. 

É preciso estarmos atento, pois o patético e o terror estão muito próximos. O risível está próximo do fascismo. O bolsoterrorismo não é uma piada. É uma ação concreta, estimulada e executada pelos homens de bem. Fiquemos de olho. (por Jefferson Tenóriocolunista do UOL, professor de literatura e escritor, tendo recebido o prêmio Jabuti em 2021 por seu romance O avesso da pele)

domingo, 25 de dezembro de 2022

GOLPISTA TRAPALHÃO: OS PUTSCHS DO BOZO FLOPAM E AS BOMBAS DÃO CHABU

Será a última brochada
ou dá tempo para outra?
josias de souza
COM BOMBA, BRASIL COLHE TERRORISMO APÓS BOLSONARO
TER SEMEADO GOLPISMO
Um bolsonarista plantou um explosivo em um caminhão de combustíveis perto do Aeroporto Internacional de Brasília nesta véspera de Natal. Ela só não detonou devido à incompetência do sujeito. 

Segundo a polícia, ele veio do Pará para participar da aglomeração golpista no entorno do quartel-general do Exército. O ato terrorista nos alerta, mais uma vez, que o legado de Jair é uma bomba. 

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Robson Cândido, o objetivo era chamar atenção para a sua pauta ideológica, focada em evitar a posse do vencedor das eleições. Disse que o criminoso tem registro de Colecionador. Atirador, Caçador, contava com um arsenal de armas e munições e será autuado por atentado ao Estado democrático de direito. 

Estamos colhendo agora o resultado de anos de cultivo de discursos violentos, golpistas, insanos e psicopatas do presidente da República junto aos seus seguidores mais radicais. Para uma camada da população, houve fraude nas urnas em meio a um complô internacional que envolve bilionários pedófilos, fabricantes de vacinas chinesas, Fidel, Che, Marx, Lenin e, claro, Leonardo Di Caprio. 

Lula vai tomar posse e assumir o governo. Bolsonaro sabe disso, mas continuou alimentando o golpismo por meio de de mensagens cifradas, discursos dúbios e silêncio cúmplice. Quer manter sua influência sobre esse numeroso grupo, aumentando o custo de manda-lo à prisão a partir de 2023. 

Frustrados com o Exército e o mito por nada terem feito para cumprir a profecia de golpe militar, alguns foram às cabeças, queimando ônibus e carros na capital federal e caminhões no Mato Grosso e atirando em policiais no Pará. Agora, dão um passo além, colocando uma bomba num caminhão de combustível para chamar a atenção do mundo, na torcida por desencadear uma revolução. 
Precisava ter a cabeça do índio.
Cabeça de palhaço não servia! 
Bolsonaro se satisfaz com o que está acontecendo e certamente gostaria de ver essas cenas se repetirem em São Paulo, no Rio, em Manaus, Florianópolis, Recife. Não bastasse deixar as contas públicas do país em caos no final do governo, quer o caos nas ruas para que Lula assuma um país em ruínas. 

Para além da necessidade de redobrar a segurança no 1º de Janeiro, quando centenas de milhares de brasileiros estarão celebrando o fim deste período autoritário em Brasília, faz-se necessário que o novo governo tenha um plano bem definido para desmobilizar o legado violento de Jair Bolsonaro. 

O ministro da Justiça em exercício, Flávio Dino, sabe o tamanho do desafio. 

Esse tipo de comportamento deve arrefecer quando Lula começar a despachar do Palácio do Planalto e uma grande parte dos golpistas perceberem que foram enganados por seu líder. Mas há aqueles que partirão para radicalizar a radicalização, fazendo de tudo para alcançar o que foi prometido a eles. 

O país terá de estar pronto não apenas para punir os envolvidos, mas também aqueles que plantaram na cabeça dessas pessoas que política se resolve com morte. 

No dia 17 de maio, Bolsonaro afirmou que o uso de armas é necessário para a garantia de preservação da democracia, sua visão violenta de democracia no caso. E deixou claro: 
"Não interessa os meios que um dia porventura tenhamos de usar".
Jair não pediu textualmente a ninguém para plantar uma bomba perto do aeroporto. Mas, convenhamos, nem precisava. (por Josias de Souza) 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

RESISTÊNCIA À TIRANIA, TERRORISMO CONVENCIONAL E TERRORISMO DE ESTADO

Este atentado terrorista contra o arquiduque Ferdinando precipitou  a 1ª Guerra Mundial
O
terrorismo foi uma prática característica da segunda metade do século XIX, quando revoltosos impotentes para conduzir seus povos à tomada de poder decidiram intimidar os governantes, atentando contra suas vidas.

Então, em vez de conquistar as massas para a revolução, eles optaram por tornar impossível à classe dominante continuar governando. Tentavam criar o caos. O termo terrorista definia com exatidão a atuação política desses cidadãos.

Os terroristas mais característicos foram os narodniks da Rússia, que cometeram um sem-número de atentados contra o czar e seus ministros, à bala e com bombas.

Já os movimentos de resistência aos regimes militares latino-americanos, tanto quanto os que combateram o nazi-fascismo na Europa, sempre objetivaram conquistar o apoio das massas para sua causa. Nunca quiseram criar o caos. Designavam suas ações com uma expressão que fala por si mesma, propaganda armada. Eis algumas dessas ações:
O irmão de Lênin tentou
matar o czar: foi executado
— e
xpropriavam bancos para manter a luta e sustentar militantes nas condições de rigorosa clandestinidade;
— sequestravam diplomatas para trocá-los pelos resistentes que estavam presos e sofrendo torturas atrozes;
— ocupavam estações de rádio para obrigar a colocação no ar de seus manifestos;
— tomavam supermercados e convidavam os trabalhadores a saqueá-los;
— sequestravam empresários e condicionavam sua libertação à distribuição de gêneros alimentícios em favelas;
— criavam guerrilhas na esperança de que se tornassem o embrião de um exército de libertação.

Como em toda luta desse tipo, houve um ou outro excesso, como a bomba contra o jornal O Estado de S. Paulo (que só chamuscou o mural) e o atentado contra o QG do II Exército (que vitimou um recruta e foi criticadíssimo pela própria esquerda).

No entanto, o Comando de Caça aos Comunistas (organização paramilitar consentida pela ditadura), sozinho, cometeu muito mais ações caracteristicamente terroristas do que todos os grupos de esquerda juntos.

Idem, os integrantes dos órgãos de segurança da ditadura que tentaram sabotar a abertura de Geisel, com bombas, atentados e agressões covardes aos jornaleiros que ousavam vender veículos alternativos (suas bancas eram incendiadas!).

Centenas, talvez milhares, de inocentes teriam morrido no Riocentro, se o feitiço não houvesse virado contra o feiticeiro.

E, claro, que moral tinha a ditadura militar brasileira para rotular alguém de terrorista?! Com absoluto desprezo pelos direitos humanos, cometeu atrocidades que incluíram o sequestro e a execução de opositores, capturados com vida e levados a centros clandestinos de tortura, para sofrerem suplícios terríveis e depois receberem o tiro de misericórdia; e a ocultação de seus cadáveres, tanto que famílias continuam em busca dos restos mortais dos seus entes queridos.
Atentado contra o WTC deu aos EUA pretexto para desmedidas violações dos direitos humanos   
Quem levou a grau extremo a prática do
terrorismo de estado não deveria nem sequer tocar nesse assunto...
ROLO COMPRESSOR – O rótulo de terrorista, portanto, não passou de uma deturpação da História com fins propagandísticos. Assim como chamavam de terroristas quem não o era e nunca foi, os militares brasileiros chegaram até a distribuir por todo o País cartazes acusando de assassinos pessoas que jamais haviam matado uma mosca – inclusive eu.

Era, sim, a mais vil e infame aplicação, no Brasil, dos conceitos de Goebbels: repetir tantas vezes uma mentira até que ela passasse por verdade.

Tudo isso ficou para trás quando os historiadores esclareceram a verdade sobre os anos de chumbo, os juristas reconheceram que a ação dos grupos armados se deu em conformidade com o princípio de resistência à tirania e o Estado brasileiro admitiu e começou a reparar sua culpa pelos maus feitos da turba de delinquentes que agiu em seu nome durante 21 anos.
Guerra psicológica: mentiras oficiais
eram espalhadas pelo Brasil inteiro
   

No entanto, a extrema-direita se reagrupou e passou a desenvolver uma propaganda avassaladora e massacrante, principalmente na internet. E voltou a tratar os resistentes como terroristas, exumando o velho clichê propagandístico, que já estava desmoralizado e banido do debate civilizado.

Não tenta mudar conceitos no ambiente acadêmico, pois sabe que seria exposta ao ridículo. Seu alvo preferencial, ao buscar prosélitos, são os incultos, os fracassados, os medíocres, os frustrados e os ressentidos – a mesmíssima escória que respaldou a ascensão de Mussolini e Hitler.

Aproveitando a justa indignação contra o Governo Lula – que é tudo, menos um governo de esquerda –, desenvolve uma pregação totalitária sem sutileza nenhuma. Se a justiça fosse séria no Brasil, muitos néo-integralistas já estariam presos por pregarem ostensivamente o fim da democracia.

Essa corja atua como rolo compressor, intimidando as pessoas equilibradas, que acabam deixando de participar dos fóruns de discussão política na internet para não terem de enfrentar uma malta de adversários que não hesita em recorrer a intimidações e grosserias.

Ou seja, fazem na internet o que os primeiros fascistas e nazistas faziam nas ruas: amedrontavam as pessoas de bem, para que não reagissem à escalada do arbítrio.

Como devemos nos comportar?

Não é próprio dos seres humanos decentes ficarmos discutindo com seres tão destituídos de humanidade, solidariedade, compaixão e, até, compostura. Pessoas capazes de vituperar de forma demagógica e virulenta o que um grande homem como o rabino Henry Sobel fez [pequenos furtos em estabelecimentos comerciais] em decorrência de uma moléstia, só nos causam o mais profundo asco.

Mas, quem deixar o terreno livre para os obscurantistas será cúmplice de todos os retrocessos que vierem a ocorrer. Então, não podemos nos acovardar nem continuar cedendo terreno.
Eduardo Bolsonaro negando a tortura; na
Europa, quem nega o holocausto vai em cana

Tampando o nariz, devemos reagir. Marcar posição. Afirmar nossa crença na civilização e nosso repúdio à barbárie.

Pois eles, com suas mentiras e calúnias, são muito mais fracos do que nós, com nossos ideais e verdades. Podemos expulsá-los de volta para as trevas das quais nunca deveriam ter saído.

Lembrem-se: é fácil esmagar o ovo da serpente, mas muito difícil matar a víbora depois. (por Celso Lungaretti)
OBSERVAÇÃO – Relendo artigos antigos, encontrei num deles este esclarecimento até didático sobre o que realmente era e é terrorismo, palavra que nos anos de chumbo passou a ter um novo significado, utilitário, no uso propagandístico que lhe deram as viúvas da ditadura brasileira e os ultradireitistas em geral.

Em março de 2007 fiz um artigo sobre o que haviam sido os 21 anos de ditadura militar e os direitistas o combateram encarniçadamente. Dei uma resposta a todos neste outro texto e, derrotados na batalha dos argumentos, eles partiram para o ad hominem, tentando desqualificar-me como ex-terrorista.

Aí, para encerrar a polêmica, escrevi um terceiro artigo no qual ensinei aos fanáticos burrinhos o que era realmente terrorismo.  Foi dele que extraí esse longo trecho, que, acredito, continua sendo esclarecedor nos dias atuais. (CL)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

ESTADÃO PROPÕE QUE O BOZO SE TORNE INELEGÍVEL POR CAUSA DO GOLPISMO

VÂNDALOS NÃO TÊM LUGAR NA DEMOCRACIA
N
a 6ª feira passada ((9), o presidente Jair Bolsonaro disse que as manifestações contrárias ao resultado das eleições, alegando supostas fraudes, eram organizadas por "cidadãos de bem" e estavam "de acordo com as nossas leis"

Anteontem (12), em Brasília, alguns desses "cidadãos de bem", acampados desde o fim das eleições presidenciais diante do Quartel-General do Exército para pedir que os militares impeçam a posse do vencedor, o petista Lula da Silva, mostraram que a única lei que respeitam é a da selva.

Horas depois da diplomação de Lula da Silva e de seu vice, Geraldo Alckmin, no Tribunal Superior Eleitoral, ato que encerrou o processo eleitoral, os vândalos, a pretexto de protestar contra uma ordem de prisão temporária de um de seus líderes, incendiaram ônibus e carros, depredaram prédios públicos e privados e tentaram invadir a sede da Polícia Federal.

Não há argumento retórico que faça dessa barbárie uma maneira legítima de manifestação. 

Não faz muito tempo, nos idos do governo da petista Dilma Rousseff, parlamentares que hoje se identificam com o bolsonarismo pugnaram pela aprovação de uma lei que enquadrasse como terroristas os manifestantes que incendiassem veículos e depredassem prédios públicos. O objetivo, claro, era constranger os movimentos sociais. 

Mas eis que, quando é a extrema direita que reivindica o direito à truculência, os "terroristasse transformam em "patriotas".

Não podia acabar em outra coisa um governo que começou sob o signo da divisão e da violência retórica. 

É quase natural que apoiadores do presidente instaurem o caos na capital do País porque não se conformam nem com o resultado das eleições nem com decisões da Justiça – sejam as que permitiram a candidatura de Lula, sejam as que tolheram o golpismo bolsonarista no processo eleitoral. 

No caso da prisão contestada pelos baderneiros, a ordem, do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi dada depois de pedido da Procuradoria-Geral da República justamente por indícios de crimes contra a democracia. A violência dos manifestantes confirmou o acerto da decisão da Justiça.

Mas os atos de vandalismo em Brasília revelam mais do que o desprezo de bolsonaristas pela lei e pela democracia. Eles evidenciam que a contínua confrontação de Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral e o Judiciário produziu e continua a produzir danos inéditos sobre o País. 

Antes de Bolsonaro empreender sua campanha contra as urnas eletrônicas, nunca tinha havido nada minimamente parecido em termos de resistência e de violência contra o resultado de uma eleição.

Vale lembrar que, na 6ª feira passada, Jair Bolsonaro voltou a fazer declarações golpistas, instigando apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. 

"Quem decide para onde eu vou são vocês. Quem decide para onde as Forças Armadas vão são vocês. Quem decide para onde o Congresso vai são vocês", disse o presidente, como se estivesse numa anarquia, e não num Estado Democrático de Direito. 

Os atos de vandalismo em Brasília explicitaram a gravidade das palavras irresponsáveis de Bolsonaro.

Perante um presidente da República que ignora solenemente a Constituição, é possível entender o motivo pelo qual foi dada tanta solenidade ao ato de diplomação da chapa presidencial no TSE. 

Não eram circunstâncias normais. Não era apenas diplomar os ganhadores das eleições, reconhecendo oficialmente a regularidade e a legitimidade da vitória. 

Neste ano, por força dos ataques e ameaças praticados contra a democracia, a diplomação representou uma celebração do regime democrático. 

Foi o reconhecimento de que, apesar de todas as dificuldades, o processo eleitoral funcionou. "Essa diplomação atesta a vitória plena e incontestável da democracia e do Estado de Direito contra os ataques antidemocráticos", disse o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes.

A especial solenidade do ato de diplomação foi também um importante alerta em defesa da democracia. As instituições estão atentas e vigilantes. No Estado Democrático de Direito, não há espaço para o golpismo, para a violência ou para a barbárie. 

Aos que trilham esse caminho, a lei prevê punição – a inelegibilidade é uma delas. (editorial d'O Estado de S. Paulo de 14/12/2022)

domingo, 15 de agosto de 2021

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM: O TALIBÃ RETOMA GOVERNO, EM NOVO FRACASSO MILITAR DOS EUA

Kabul, capital do Afeganistão, amanheceu tomada pelos combatentes do Talibã. 

Avançando país adentro no rastro da retirada de tropas dos EUA, ordenada por Trump e acelerada por Biden, a organização de extrema-direita não encontrou resistências para ocupar a cidade e colocar fim ao governo imposto pela Otan, tendo o presidente Ashraf Ghani fugido para o vizinho Ubezquistão. 

Encerra-se assim a mais longa guerra da história estadunidense, com 20 anos de combates e 170 mil mortes, das quais 2.300 foram de soldados dos EUA. A invasão foi a primeira resposta aos ataques terroristas às Torres Gêmeas em Nova York, fato acontecido a 11 de setembro de 2001.

Acreditava-se que Bin Laden, chefe da organização Al Quaeda e responsável por comandar o ataque, estaria refugiado no Afeganistão. Quando o Talibã negou-se a entregar o terrorista, Washington ganhou apoio para uma invasão ao país. Como se saberia mais tarde, o trabalho foi inútil, pois Osama estava, desde sempre, no vizinho Paquistão, à época aliado incondicional dos Estados Unidos. 

Na realidade, desde o começo, a atenção do então presidente Bush era com o Iraque e seus poços de petróleo. O árido e miserável Afeganistão serviu apenas para aplacar a fúria da opinião pública, insatisfeita por imaginar que o odiento regime de Kabul escondia o assassino em massa. 
Helicóptero dos EUA busca diplomatas em retirada de Kabul. Ecos de Saigon.
Não foi à toa, portanto, a continuidade do Talibã, entrincheirado nas inóspitas montanhas do país, enquanto os militares da Otan montavam guarda nas grandes cidades para propagandear ao mundo um Afeganistão moderno e laico. No entanto, a maior parte da população afegã estava nas zonas rurais e, para elas, pouco ou nada mudou com a presença dos EUA e seus aliados. 

Somadas a isso, as poucas incursões militares a estas regiões, por parte dos estadunidenses, eram sempre brutais, com ações de mercenários, execuções sumárias, torturas e todo tipo de atrocidade, a ponto de fazer a população local ter mais empatia pelos medievais jihadistas. O resultado não pode ser outro senão o crescente ódio da população à presença dos EUA e ao governo fantoche de Kabul. 

Deste modo, as fileiras talibãs foram crescendo, inclusive com aporte de homens e armamentos do exército afegão, o qual, ironicamente, era armado e treinado pelos EUA. 

Enquanto o Talibã crescia, a popularidade da guerra ia evaporando em um Estados Unidos arrasado pela crise econômica e que gastou, até o dia de hoje, cerca de 3 trilhões de dólares no conflito. Por isso, diante da força do grupo extremista e do desejo de retirada, o caminho foi tentar fazer negociações de paz entre os talibãs e o então governo instalado em Kabul.  
"Não havia nada de importante para ser assegurado"

No fim, contudo, ficou provado que o tal governo era o próprio EUA e o Talibã conseguiu, em semanas, dominar o país praticamente inteiro, entrando na capital com quase nenhuma resistência.

Poderíamos falar de um fracasso estadunidense? Em partes. O Afeganistão nunca foi de fato uma prioridade para o Império. Acabou sendo mais uma solução de marketing que se alongou demais e acabou virando uma armadilha. 

Começou enquanto uma forma de aplacar a opinião pública e logo virou um novelo intrinsecamente emaranhado. No fim, os EUA simplesmente jogam a toalha, deixando um rastro de destruição, mortes e dinheiro torrado. Podem até ter feito o Talibã mais forte, agora com um exército treinado e armamento mais moderno em mãos. 

Mas, quando olhamos o Iraque, podemos perceber este fracasso em perspectiva. Lá também os EUA não conseguiram estabelecer uma ocupação estável, tendo o próprio Estado Islâmico surgido no país. Mas, os poços de petróleo, os oleodutos, os portos e as rotas de comércio do óleo estão seguras por lá, com raras incursões rebeldes. Isto era o que, no fim, importava. 

O fracasso do Iraque, portanto, é relativo; o do Afeganistão meramente simbólico, pois não havia nada de economicamente importante para ser assegurado ali. (por David Emanuel Coelho)

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

AO HUMILHAR ALTOS OFICIAIS, O BOZO SE VINGA DAS PUNIÇÕES QUE DELES RECEBIA QUANDO ERA CABEÇA DE PAPEL ABUSADO

ruy castro
MARCHA, SOLDADO
Se os militares fossem tão argutos como se julgam, já teriam percebido que Freud explica: Jair Bolsonaro está tendo a oportunidade de descontar as humilhações que sofreu em sua medíocre carreira no Exército e se vingar dos oficiais que um dia bramiram na sua cara por alguma corneta que tocou errado ou cavalo que deixou de lavar. 

Na condição de presidente da República, donde chefe supremo das Forças Armadas, é a sua vez de bramir contra militares de alta patente, vários na ativa. 

Com ela, Bolsonaro mostra que pode ser generoso, dando-lhes confortáveis sinecuras, nomeando-os para funções incompatíveis e concedendo-lhes benefícios que nega aos servidores civis, mas que também pode tirar-lhes tudo isso quando quiser. 

E, para provar, dedica-se a devolver o dedo na cara apontando-o para os generais de sua confiança.

É a tática de Bolsonaro para reduzir seus generais a recrutas. Insulta-os ou induz seus jagunços a insultá-los. Daí obriga-os a engolir as ofensas ou arranca-lhes os botões. 

O primeiro a aprender com quem estava falando foi o general Santos Cruz, rapidamente expelido. 

O general Eduardo Pazuello, ministro da Saúde que não sabia o que era o SUS, é outro que acaba de cair em si. 

Na única medida autônoma e sensata que tomou, de apoiar a compra de vacinas para a imunização dos brasileiros, foi quase fuzilado por Bolsonaro, que lhe impôs desdizer-se e se acoelhar para não ser demitido.
Há dias, o general Luiz Eduardo Ramos foi dormir com as orelhas ardendo e ainda se desculpou por ter sido grosseiramente ofendido. E haverá outros. Os bragas, helenos e mourões que se cuidem.

É o cabeça de papel dando ordens de marcha-soldado a homens que trocaram o mandar por obedecer —e logo a quem. (por Ruy Castro)

terça-feira, 31 de março de 2020

CABE AO MINISTÉRIO PÚBLICO DAR O PASSO INICIAL PARA A INTERDIÇÃO DO BOLSONARO

Bolsonaro ignorando as restrições sanitárias no último domingo
Com meu pedido de desculpa aos leitores(as) por estar publicando com 10 dias de atraso esta informação de enorme relevância no atual quadro político, reproduzirei alguns trechos da representação da Associação dos Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania à Procuradoria da República do Distrito Federal, solicitando uma Junta Médica para atestar se o presidente Jair Bolsonaro tem condições para continuar no cargo:
"Há evidentes indícios da incapacidade do Representado para a prática dos atos da vida civil, de sua falta de pleno discernimento e de condições para continuar exercendo tais atos, sendo necessária a nomeação de um curador para representá-lo.

Há fortes evidências de que o Representado sofre de transtornos de personalidade que o incapacitam para administrar a sua própria vida, que dirá dirigir a Administração Pública Federal e representar a República Federativa do Brasil, que afeta a vida de milhões de pessoas.

Tais transtornos tornaram-se visíveis já desde bem cedo em sua biografia, mas agravaram-se sobremaneira desde 2018, quando foi empossado como chefe do Poder Executivo da União, e alcançaram agora um paroxismo que sugerem fortemente que um psiquiatra poderá atestar como um tipo de demência que o impede de ter quaisquer resquícios de autocontrole, situação ainda mais grave na posição em que se encontra atualmente, por não afetar apenas a condução de sua própria vida, mas afetar toda a população brasileira.

Em 27 de outubro de 1987, Jair Bolsonaro informou à repórter Cássia Maria, da Veja, sobre a operação Beco Sem Saída. Na época, Bolsonaro apoiava a melhoria do soldo e era contra a prisão do capitão Saldon Pereira Filho. 
Ele mesmo desenhou este croqui do atentado 
A operação teria como objetivo explodir bombas de baixa potência em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, e em alguns outros quartéis militares com o objetivo de protestar contra o baixo salário que os militares recebiam na época.

Bolsonaro teria desenhado o croqui de onde a bomba seria colocada na Adutora do Guandu, que abastece de água o município do Rio de Janeiro. A revista entregou o material ao então ministro do Exército e este, após quatro meses de investigação, concluiu que a reportagem estava correta e que o capitão havia mentido. 

Por unanimidade, o Conselho de Justificação Militar considerou, em 19 de abril de 1988, que Bolsonaro era culpado e que fosse 'declarada sua incompatibilidade para o oficialato e consequente perda do posto e patente, nos termos do artigo 16, inciso I da lei n° 5836/72'. 

Embora o Superior Tribunal Militar o tenha absolvido por uma tecnicalidade, não teve condições de continuar na carreira militar, reformando-se como capitão.

A este primeiro incidente de sua juventude, seguiram-se inúmeros outros na trajetória política que empreendeu em seguida, numerosos demais mesmo para serem todos citados aqui, e desnecessário, pois foram públicos e notórios e são sobejamente conhecidos....

[Bolsonaro] descumpriu e desmoralizou as medidas de proteção sanitárias expedidas pelo seu próprio Ministério da Saúde, que visavam impedir aglomerações, que são uma das formas pelas quais o coronavírus se transmite.

Mas, acima de tudo, (...) o Representado revelou fortes indícios de desequilíbrio psíquico, chegando a um ponto em que ele se tornou um gravíssimo risco à vida das demais pessoas, à saúde pública e a si mesmo, da forma inconsequente como se comportam os mentalmente insanos.

O jurista Miguel Reale Jr. também pede exame de sanidade
...Ante o exposto, requer-se seja apreciada a presente Representação, na perspectiva de que o MPF/DF, no exercício de sua legitimidade constitucional e legal, proponha ação judicial destinada à interdição do Representado, com pedido de constituição imediata e urgente de uma Junta Médica para a sua avaliação psiquiátrica, que possa embasar, se necessário, a sua interdição e a designação de um curador, diante de sua incapacidade para o exercício dos atos da vida civil, mormente o exercício do cargo para o qual foi eleito e empossado".

O QUE DIZ O CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

Art. 747. A interdição pode ser promovida:

I  pelo cônjuge ou companheiro;

II – pelos parentes ou tutores;

III  pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o Representado;

IV – pelo Ministério Público.

Art. 748. O Ministério Público só promoverá interdição em caso de doença mental grave:

I  se as pessoas designadas nos incisos I, Il e lII do art. 747 não existirem ou não promoverem a interdição;

II  se, existindo, forem incapazes as pessoas mencionadas nos incisos I e II do art. 747.
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José Belisário Ferreira Filho, ex-presidente da Associação Nacional de Psiquiatria 
Infantil, discorre sobre o que é necessário para um quadro de desequilíbrio
mental de presidente da República tornar necessária a sua interdição,
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Observação do editor: montei este post com informações do Luís Nassif, a quem cumprimento pelo excelente trabalho jornalístico, e vídeo produzido pela TV GGN (Celso Lungaretti)
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