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quinta-feira, 4 de maio de 2023

O BOZO JÁ NÃO PASSA DE UMA PRISÃO ESPERANDO ACONTECER

J
air Bolsonaro estava certo de que sua única punição pra valer seria a inelegibilidade, daí ter voltado ao Brasil para tentar manter-se como líder da extrema-direita alucinada.

Esqueceu que o seu papel no circo sempre foi o de palhaço, não o de domador: meteu a cabeça na boca do leão. E as garantias que recebeu foram varridas de cena pelo inesperado.     

Não tenho dúvidas de que as principais forças políticas de nossa podre institucionalidade, inclusive o PT, tinham concordado com tal pizza. O que valeu para os torturadores da ditadura militar valeria também para o maior exterminador de brasileiros de todos os tempos. 

A gente brasileira só passou por brava naquele hino que acabou sendo trocado por outro mais borocoxô. E a tal crava forte da Justiça deve ser muito pesada, pois quase nunca é erguida e, quando isto porventura acontece, desaba no chão logo em seguida.  

Mas O Estado de S. Paulo e a Polícia Federal não colaboraram com os pizzaiolos. O primeiro trouxe à tona o escândalo das joias ofertadas ao Ali Babão e sua sem-sorte em troca do que ainda não foi esclarecido, mas um dia decerto será; e a segunda, a falsificação do cartão de vacinação do negacionista fujão e seus acompanhantes para burlar as autoridades estadunidenses.

Fez lembrar a trupe alagoana do Fernando Collor, acostumada a agir como bem entendia onde a imprensa e a polícia não cumpriam suas missões. Quis repetir o
modus operandi ao governar o país e deixou as digitais impressas numa monte de ilegalidades. 

O Bozo e seus milicianos do RJ fizeram o mesmo, só que em progressão geométrica, comparativamente à progressão aritmética do caçador de marajás

Acreditando que se eternizariam no poder mediante golpe de estado, não se incomodaram em espalhar provas aos montes, além de engajarem em suas maracutaias uma infinidade de cúmplices prontos a caguetá-los para salvar a própria pele quando a vaca fosse pro brejo.

Agora, a pizza pronta para ir ao forno inevitavelmente será jogada no latão de lixo e a quadrilha que começou com as rachadinhas e acabou rachando o Brasil está a caminho das grades. 

Até mesmo os responsáveis por ela ter chegado tão longe já perceberam que não colherão benefício nenhum protegendo-a, enquanto o prejuízo aumenta cada vez mais. Então, como bem notou o Josias de Souza, decidiram buscar outro candidato a tirano para liderar a boiada:
"Avalia-se que permanece inalterada a disposição de algo entre 15% e 20% do eleitorado de acreditar em tudo o que Bolsonaro diz. Estima-se, porém, que os conservadores incrédulos tendem a intensificar a busca por líderes políticos que, como eles, já não acreditam em nada do que Bolsonaro faz e diz".
Happy end
? Não. Temos todos de botar a mão na consciência e nos perguntar como deixamos uma corja tão crapulosa e medíocre, verdadeiros ladrões de galinhas, causar tanto estrago ao longo de quatro anos. 

Porque não tivemos coragem de impinchar o maior merecedor de impeachment dentre todos os que já foram aqui impinchados ou que escaparam de sê-lo, algo entre 350 mil e 400 mil brasileiros acabaram exterminados durante a pandemia da covid, embora pudessem ser salvos se a vacinação não houvesse sido flagrantemente sabotada. 

E a facilidade com que corruptores e corrompidos teceram uma teia quase perfeita de impunidade deixa um alerta: a extrema-direita acabará se reerguendo adiante e vai voltar à carga com alguma liderança melhor (pior do que a incompetência, insanidade e covardia do Bolsonaro seria impossível!).  

Não nos iludamos, portanto. O que obtivemos até agora foi apenas uma trégua; nada nos garante que, principalmente se a economia brasileira continuar no fundo do poço, o pesadelo não vá se repetir. 

Dependendo de como agirmos doravante os bárbaros poderão completar sua obra, destruindo o que ainda nos resta de civilização. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 19 de abril de 2023

A PRISÃO DO BOZO TEM DE VIR COMO UM AJUSTE DE CONTAS COM OS QUE MORRERAM POR CAUSA DELE E NÃO ESTÃO MAIS AQUI

F
aço questão de reproduzir e endossar o artigo desta 4ª feira (19) do Josias de Souza, por ele ser uma das raríssimas vozes da grande imprensa a implicitamente posicionar-se contra a infâmia que os pizzaiolos dos três Poderes estão prestes a levar ao forno, aprovando rapidamente a inelegibilidade do golpista vacilão e deixando que se arrastem até a prescrição os processos para puni-lo pela infinidade de outros crimes por ele cometidos. 

O maior exterminador de brasileiros de nossa História não pode safar-se com tanta facilidade como se safaram os torturadores da ditadura militar, mas é a isto que chegaremos se depender dos magistrados, dos parlamentares e do  Lula, aquele que em 2008 proibiu seus ministros mais combativos de proporem a revisão da anistia de 1979 (aquela que livrara a cara dos algozes, igualando-os a suas vítimas).  

Há meses venho alertando que, se os que deveriam falar pelos coitadezas que o palhaço psicopata massacrou continuarem calados, nem sequer o pior criminoso que este país já produziu irá para trás das grades. 

Ou saímos às ruas numa nova campanha tipo
diretas-já, ou estaremos compactuando com a avacalhação definitiva desta joça que um dia foi um país. (por Celso Lungaretti)
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.COM CHANCE DE AMARGAR CADEIA, FICAR SÓ INELEGÍVEL SERÁ LUCRO PARA BOLSONARO
Bolsonaro gosta de encenar dois papeis: o de machão que bate e arrebenta, que fala que "a morte é o destino de todos" e diz a pessoas em luto pela covid-19 deixarem de "frescura e mimimi", e o sujeito frágil que se vitimiza e chora diante das câmeras, sempre com pena de si mesmo. Conecta-se, dessa forma, com uma parcela do seu público fiel, que quer seguir, mas também proteger seu mito

Às vésperas do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que deve decretar sua inelegibilidade devido à micareta que montou no Palácio do Alvorada para atacar o sistema de votação brasileiro a embaixadores estrangeiros, Jair já ensaia em frente ao espelho as expressões de injustiçado indignado com as quais vai manter seu rebanho mobilizado nos próximos anos.

Mas, se é pequena a chance de absolvição no TSE, é menor ainda a possibilidade de recursos reverterem a decisão na própria corte. Ou de o Supremo Tribunal Federal (aquele que seus seguidores destruíram no dia 8 de janeiro) torná-lo apto a concorrer novamente em 2026 ou 2030.  
Até porque ele produziu uma quantidade absurda de provas contra si mesmo, descritas nas 16 ações que pedem sua inelegibilidade.

A vergonhosa micareta com os embaixadores estrangeiros chegou a ser transmitida usando a estrutura pública da TV Brasil, fazendo com que as provas do crime chegassem ao lar de qualquer brasileiro. 

Jair Bolsonaro passou anos atacando o sistema eleitoral, difundindo que as urnas eletrônicas eram corrompidas e manipuladas em nome de Lula, usando técnicos das Forças Armadas para tentar colocar em dúvida a lisura da corte, transformando os chefes do TSE (Luís Roberto Barroso e, depois, Alexandre de Moraes) em alvos móveis, armando seus seguidores através de decretos para depois conclamá-los a fazer o que fosse necessário para defende-lo. 

O seu vitimismo, mais do que uma pressão à Justiça, é uma forma de garantir a manutenção de sua influência, vendendo a seus seguidores a perspectiva de manutenção de poder. Talvez até plagiando algumas frases usadas pelo cristianismo, como "Ele voltará!".

Se o TSE e o STF foram a representação do demônio para os bolsonaristas até aqui, por que não continuar, não é mesmo? E o que pode ser mais motivador para um bolsonarista radical do que o entendimento que seu líder foi sacaneado por diabo Xandão? Afinal, a realidade nunca importou para esse pessoal, não seria diferente agora. 

Se ficar apenas inelegível, Bolsonaro permanecerá no lucro. Ele deve passar os próximos anos lutando para não ser condenado e preso por um rosário de crimes que cometeu antes, durante e depois de sua passagem pela Presidência da República. Uma novidade a quem agiu protegido pelo foro privilegiado por mais de três décadas. 

Há quem sustente que uma prisão não deveria acontecer para não aumentar seu vitimismo e gerar uma onda de violência entre seus seguidores. 

Mas, desde quando a polícia deixa de prender bandido por que seus associados vão estourar uma reação? 

Jair Bolsonaro foi extremamente modesto ao afirmar, em entrevista ao Wall Street Journal, em fevereiro, que "uma ordem de prisão pode vir do nada", quando ele voltasse ao Brasil do seu autoexílio nas cercanias da Disney. Afinal, fez por merecer uma cana longa. 

As investigações em curso sendo tocadas pela Policia Federal apontam que é ele quem está no centro de uma série de ações voltadas a derrubar o Estado democrático de direito. 

Esse pacote envolveu o fomento aos acampamentos golpistas de onde brotaram as ações terroristas de 12 de dezembro (quando ônibus e carros foram queimados em Brasília), de 24 de dezembro (com a bomba plantada em um caminhão de combustível para explodir o aeroporto da capital federal) e de 8 de janeiro (com a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes). 

Isso sem contar as centenas de indígenas Yanomami mortos e os quase 700 mil óbitos por covid-19 por ação de seu governo. E os pastores que cobraram propina em ouro no Ministério da Educação, a corrupção que grassava na na compra de vacinas no Ministério da Saúde, a tentativa de adquirir votos de miseráveis usando o Auxílio Brasil e o crédito consignado. 

Não é à toa que Jair Bolsonaro voou para os Estados Unidos dias antes de terminar o mandato e por lá ficou, tentando vender que o golpismo não pode ser operado de longe. "Eu nem estava lá, e eles querem me culpar!", disse ele ao jornal estadunidense, usando um álibi tão eficaz quanto a cloroquina para a covid-19. 

Uma ordem de prisão não virá do nada, pelo contrário, se vier será uma ação tardia, um ajuste de contas com os que morreram por causa dele e não estão mais aqui para exigir Justiça. 

Se fosse condenado à prisão como Lula, que papel ele desempenharia? A do machão, que não se importa com o que acontecerá consigo mesmo? Da vítima, choramingando na cela? Ou do fujão, rumo a algum país com o qual o Brasil não tem acordo de extradição? (por Josias de Souza)

sábado, 18 de março de 2023

PODEROSOS TENTARÃO IMPINGIR AO BRASIL UMA "SOLUÇÃO AL CAPONE" PARA OS CRIMES DO GENOCIDA FUJÃO

H
á pelo menos um mês (vide, p. ex.,
 este post meu e este do David) estamos alertando que se trama nos podres Poderes uma solução repulsiva e covarde para a imensidão de crimes cometidos por Jair Bolsonaro no exercício da presidência da República. 

Se depender desses pizzaiolos contumazes, ao invés das grades que ninguém como o Bozo jamais fez tanto por merecer no Brasil, sua punição será, tão somente, a inelegibilidade. 

Como este blog não segue a reboque nem da grande imprensa nem das redes sociais, mas está sempre à frente de ambas, continua sendo ignorado por aquele tipo de leitores para quem só importa o que todo mundo está dizendo.

E o pior é que pouco podemos fazer contra isso. Muito pouco. 

Por questão de princípios, continuaremos não aceitando inserções publicitárias nem o apadrinhamento por parte de quaisquer forças políticas. Nascemos independentes e assim seguiremos até o fim (do blog ou do Brasil...). 

Quem quiser esperar um mês ou mais para ver destacado na grande imprensa aquilo que antecipamos lá atrás, fique à vontade, embora preferíssemos mesmo é que os leitores nos ajudassem a espalhar pela web os artigos que, pelo menos em três casos (o do Dalton, o do Rui e o meu), são o resultado de meio século de lutas e do acúmulo de todo tipo de experiências. 

E não hesito em apontar o caçula da turma, o David, com um dos mais promissores talentos das novas gerações, uma das poucas esperanças de reconstrução da esquerda brasileira, que foi levada ao fundo do poço por reformistas e populistas. 

O resgate da combatividade da esquerda, que existe para dar um fim à exploração do homem pelo homem e não para coonestá-la no mendicante papel de força auxiliar da burguesia, vai ser a tarefa fundamental para os companheiros que virão daqui para a frente (daí frequentemente ilustrarmos nossos posts com a imagem da fênix).

Feita esta introdução, passo a reproduzir trechos da coluna semanal do Demétrio Magnoli na Folha de S. Paulo deste sábado (18). 

Não escondo meu motivo: será um acinte tal desfecho para o crapuloso mandato do pior presidente que este país já teve e maior assassino de brasileiros de todos os tempos. Se tal pizza for servida e consumida, o Brasil como o conhecemos terá acabado. 

Então, precisamos desde já iniciar a luta contra a proposta indecente. Antes que a pizza saia do forno. (por Celso Lungaretti)
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AL CAPONE, BOLSONARO E NÓS (trechos)
Al Capone acabou em Alcatraz pelo menor de seus crimes: evasão fiscal. 

Os crimes comuns que pesam sobre Jair Bolsonaro no caso das joias pouco significam perto dos crimes constitucionais praticados sistematicamente ao longo de seu mandato. Mas delineia-se um cenário no qual o ex-presidente terá o destino do mafioso. Seria uma forma de misturar, no liquidificador da demagogia, impunidade com inelegibilidade.

Durante a pandemia, Bolsonaro:
— sabotou as restrições sanitárias e a campanha de vacinação, operando contra o direito coletivo a saúde pública; 
— seu governo estimulou a invasão de terras indígenas por garimpeiros e madeireiros, desafiando o compromisso estatal de proteção desses povos;
— durante quatro anos, o presidente mobilizou seus apoiadores em persistente agitação golpista, que culminou no 8 de janeiro de Brasília, traindo o dever de respeito às instituições democráticas. 

Contudo, ao que parece, responderá apenas por peculato, descaminho e abuso de poder.

A solução Al Capone tornaria Bolsonaro inelegível, por decisão do TSE, com base na Lei da Ficha Limpa. Seria um típico jeitinho brasileiro –isto é, um artifício para ignorar os princípios que sustentam a ordem democrática...

... enterrar na cova do esquecimento os crimes constitucionais de Bolsonaro equivale a assinar um cheque em branco para a delinquência antidemocrática dos detentores de poder, no presente e no futuro. E é isso que vai se desenhando, a julgar pela postergação infinita dos procedimentos judiciais necessários.

"Não vamos atirar pedras", respondeu o ministro do STF Luís Roberto Barroso quando indagado, no 9 de janeiro, sobre a responsabilização do ex-presidente pela tentativa de acender a faísca do golpe de Estado. 
A senha indica um desejo de grande parte da elite política. Bolsonaro leve e solto, impune, mas transferido ao gueto diáfano dos que não podem disputar eleições –eis a forma ensaiada de uma reconciliação nacional.

Al Capone era um criminoso comum. Colocá-lo atrás das grades, sob uma sentença qualquer, servia ao interesse público. 

Bolsonaro pertence a categoria diferente. A impunidade de seus crimes constitucionais só serve, no fim das contas, aos interesses de longo prazo do bolsonarismo. (por Demétrio Magnoli)

terça-feira, 14 de março de 2023

PARA LULA, CPI DA INVASÃO BÁRBARA SERIA "CONFUSÃO TREMENDA". PARA NÓS, CHANCE DE VERMOS BOLSONARO ATRÁS DAS GRADES

A repórter Natália Santos, n'O Estado de S. Paulo desta 3ª feira (14), levanta uma questão importante: por que são os bolsonaristas que se empenham em criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para a  investigação da tentativa  de golpe de Estado que eles mesmo fizeram em 8 de janeiro e por que é o Governo Lula que tenta barrar tal CPI? 

Terá o Brasil virado de cabeça pra baixo? Agora, são os criminosos que exigem a apuração dos seus crimes e são as autoridades que se recusam a fazê-lo?

Dá para acreditar que Lula, aparentemente o maior beneficiário pela evocação da invasão bárbara das sedes dos Poderes, trazendo de volta todas as imagens chocantes daquele vandalismo desembestado, descarte a iniciativa e tudo faça para abortá-la, afirmando que a CPI "pode criar uma confusão tremenda"?!

"Nós não precisamos disso agora", disse ele à Globonews.

"Nós precisamos muito disso agora", respondo eu, pois um episódio tão grave e ultrajante jamais pode terminar em pizza, com Bolsonaro perdendo apenas os direitos políticos! 

Chega de oportunismo e covardia! O único desfecho aceitável da passagem do genocida pela presidência da República é sua prisão como responsável último:
— pelo extermínio premeditado de centenas de milhares de brasileiros durante a pandemia de covid; 
— pela tentativa de usurpação do poder para nele se perpetuar; e 
— pela matança também premeditada de indígenas, inclusive crianças, abandonando-os à desnutrição e doenças.

Alternativamente, se comprovado que sua extrema crueldade deriva de insanidade mental, o confinamento do demente num manicômio judicial.

Lula, que como presidente tudo fez para desestimular a apuração dos crimes cometidos pelos torturadores dos anos de chumbo, ensaia repetir a dose. Só que desta vez o motivo não é apenas sua aversão à esquerda revolucionária, que vem desde o tempo das greves no ABC e marca toda sua trajetória sindical e política. 
Há mais e eu já decifrei o enigma cinco semanas atrás, 
neste artigo . Eis o trecho:
"Assim como vários espiões alertaram a Inteligência estadunidense de que os japoneses atacariam precisamente Pearl Harbor mas o governo considerou válido o sacrifício de vidas e equipamentos para convencer a população a aceitar a entrada do país na 2ª Guerra Mundial (até então prevalecia amplamente a posição de que deveria permanecer neutro), é impossível que Lula e seus ministros ignorassem o que se tramava.  

Lá em 1941, como cá em 2023, deixou-se acontecer o que nem de longe representaria um perigo verdadeiro,  mas, no nosso caso,  serviu para destruir a imagem do bolsonarismo e alavancar poderosamente a do Lula. Me engana que eu gosto..."
Não vejo outra explicação plausível para o enorme empenho do Lula em evitar a CPI. Nem pretendo relevar mais essa saída do Lula pela tangente, como a que ele utilizou na década retrasada para, na prática, eternizar a impunidade dos torturadores, ao impor a seus dois ministros mais combativos que ficassem surdos ao clamor dos torturados ainda vivos e à dor de quem havia perdido seus entes queridos e às vezes nem seus restos mortais conseguira localizar.

Bolsonaro tornou o Brasil um pária da humanidade. Se ele escapar impune, nossa imagem passará a ser de vergonha da humanidade. (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

CASO O BOZO FIQUE APENAS INELEGÍVEL, SE ERGUERÃO 400 MIL EXTERMINADOS

O coveiro dos sufocados pela
covid não pode sair impune!
Leio no Estadão desta 5ª feira (5) uma notícia  que me deixa com a pulga atrás da orelha:
"Com cinco ministros no governo, o Grupo Prerrogativas vai montar uma ofensiva para levar o ex-presidente Jair Bolsonaro a responder por ações de seu governo na Justiça. A estratégia do grupo, que reúne advogados e juristas ligados ao PT, será traçada com o objetivo de tornar Bolsonaro inelegível.

Em jantar realizado nesta 2ª feira, 3, para comemorar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cerca de 200 integrantes do Prerrogativas demonstraram que agem em sintonia com o Palácio do Planalto. O mote Sem anistia, puxado por eleitores de Lula, também foi entoado naquele encontro".
Não descarto a hipótese de que o Prerrogativas acabe fazendo o que é certo, ou seja, lutar para que o maior assassino de brasileiros da nossa História receba punição à altura: a pena máxima de prisão (que no Brasil é de trinta anos e, no caso dele, merece ser cumprida até o último dia, se não for antes para o inferno).

Mas, há um péssimo precedente de recuo do Lula ante pressões direitistas: em agosto de 2007, o lançamento do livro-relatório Direito à Memória e à Verdade, historiando os assassinatos de resistentes por parte do regime militar, despertou enorme chiadeira das viúvas da ditadura, principalmente porque o então ministro da Defesa Nelson Jobim se declarou favorável à punição dos torturadores dos anos de chumbo.
Foi o que bastou para o Alto Comando do Exército lançar uma insubmissa nota oficial contestando a posição do Estado brasileiro na questão; o episódio foi encerrado na base do passa-se um pano e fica o dito por não-dito.  Eis o artigo no qual comentei toda a querela.

O exemplo de pusilanimidade que o governo deu em 2007 ensejou outra crise no comecinho de 2010, quando a terceira versão do Programa Nacional dos Direitos Humanos foi apresentada. Dele constava a investigação das atrocidades cometidas pelas bestas-feras da ditadura.

Quem encabeçou o contra-ataque foi o próprio Nelson Jobim, que mudara diametralmente de posição após sua derrota na pendenga anterior: exigiu que se investigassem também crimes atribuídos àqueles que exerciam o direito milenar de resistência à tirania.

Lula decidiu que fosse simplesmente suprimida do PNDH-3 a menção aos torturadores, determinando, ainda, ao ministro da Justiça Tarso Genro e ao secretário especial de Direitos Humanos Paulo Vannuchi que dali em diante não envolvessem mais o Executivo na questão e apontassem aos torturados sobreviventes e às famílias dos exterminados o caminho dos tribunais.

De imediato antecipei que, com o governo federal lavando as mãos, nenhum torturador cumpriria pena de prisão, pois as instâncias superiores do Judiciário seriam impedidas pela Lei de Anistia de fazerem justiça. 

E foi exatamente o que aconteceu. A vigência da anistia de 1979 se revelou um obstáculo intransponível e, sem o empenho do governo em anular o dispositivo que garantia impunidade eterna para os carrascos, o Congresso também fez de conta que a encrenca não era com ele.   

Se Lula de novo posicionar-se (por ação ou omissão) confortavelmente em cima do muro, desiludirá de uma vez só todos os esperançosos em que  as conveniências políticas não prevalecessem mais sobre a justiça no Brasil. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

ESTADÃO PROPÕE QUE O BOZO SE TORNE INELEGÍVEL POR CAUSA DO GOLPISMO

VÂNDALOS NÃO TÊM LUGAR NA DEMOCRACIA
N
a 6ª feira passada ((9), o presidente Jair Bolsonaro disse que as manifestações contrárias ao resultado das eleições, alegando supostas fraudes, eram organizadas por "cidadãos de bem" e estavam "de acordo com as nossas leis"

Anteontem (12), em Brasília, alguns desses "cidadãos de bem", acampados desde o fim das eleições presidenciais diante do Quartel-General do Exército para pedir que os militares impeçam a posse do vencedor, o petista Lula da Silva, mostraram que a única lei que respeitam é a da selva.

Horas depois da diplomação de Lula da Silva e de seu vice, Geraldo Alckmin, no Tribunal Superior Eleitoral, ato que encerrou o processo eleitoral, os vândalos, a pretexto de protestar contra uma ordem de prisão temporária de um de seus líderes, incendiaram ônibus e carros, depredaram prédios públicos e privados e tentaram invadir a sede da Polícia Federal.

Não há argumento retórico que faça dessa barbárie uma maneira legítima de manifestação. 

Não faz muito tempo, nos idos do governo da petista Dilma Rousseff, parlamentares que hoje se identificam com o bolsonarismo pugnaram pela aprovação de uma lei que enquadrasse como terroristas os manifestantes que incendiassem veículos e depredassem prédios públicos. O objetivo, claro, era constranger os movimentos sociais. 

Mas eis que, quando é a extrema direita que reivindica o direito à truculência, os "terroristasse transformam em "patriotas".

Não podia acabar em outra coisa um governo que começou sob o signo da divisão e da violência retórica. 

É quase natural que apoiadores do presidente instaurem o caos na capital do País porque não se conformam nem com o resultado das eleições nem com decisões da Justiça – sejam as que permitiram a candidatura de Lula, sejam as que tolheram o golpismo bolsonarista no processo eleitoral. 

No caso da prisão contestada pelos baderneiros, a ordem, do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi dada depois de pedido da Procuradoria-Geral da República justamente por indícios de crimes contra a democracia. A violência dos manifestantes confirmou o acerto da decisão da Justiça.

Mas os atos de vandalismo em Brasília revelam mais do que o desprezo de bolsonaristas pela lei e pela democracia. Eles evidenciam que a contínua confrontação de Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral e o Judiciário produziu e continua a produzir danos inéditos sobre o País. 

Antes de Bolsonaro empreender sua campanha contra as urnas eletrônicas, nunca tinha havido nada minimamente parecido em termos de resistência e de violência contra o resultado de uma eleição.

Vale lembrar que, na 6ª feira passada, Jair Bolsonaro voltou a fazer declarações golpistas, instigando apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. 

"Quem decide para onde eu vou são vocês. Quem decide para onde as Forças Armadas vão são vocês. Quem decide para onde o Congresso vai são vocês", disse o presidente, como se estivesse numa anarquia, e não num Estado Democrático de Direito. 

Os atos de vandalismo em Brasília explicitaram a gravidade das palavras irresponsáveis de Bolsonaro.

Perante um presidente da República que ignora solenemente a Constituição, é possível entender o motivo pelo qual foi dada tanta solenidade ao ato de diplomação da chapa presidencial no TSE. 

Não eram circunstâncias normais. Não era apenas diplomar os ganhadores das eleições, reconhecendo oficialmente a regularidade e a legitimidade da vitória. 

Neste ano, por força dos ataques e ameaças praticados contra a democracia, a diplomação representou uma celebração do regime democrático. 

Foi o reconhecimento de que, apesar de todas as dificuldades, o processo eleitoral funcionou. "Essa diplomação atesta a vitória plena e incontestável da democracia e do Estado de Direito contra os ataques antidemocráticos", disse o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes.

A especial solenidade do ato de diplomação foi também um importante alerta em defesa da democracia. As instituições estão atentas e vigilantes. No Estado Democrático de Direito, não há espaço para o golpismo, para a violência ou para a barbárie. 

Aos que trilham esse caminho, a lei prevê punição – a inelegibilidade é uma delas. (editorial d'O Estado de S. Paulo de 14/12/2022)

sábado, 1 de setembro de 2018

O LEGADO DE LULA: UMA TERRA ARRASADA E UMA ESQUERDA MAIS ARRASADA AINDA.

A comédia dos erros terminou melancolicamente

Sem surpresa nenhuma o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, pois é isto que determina a Lei da Ficha Limpa

Se sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro foi justa ou injusta, é algo a ser resolvido na esfera da Justiça Criminal, cujas decisões o Tribunal Superior Eleitoral não tem poder para questionar.

Se sua exclusão do pleito deveria se dar após uma sentença de 2ª ou 3ª instância, é algo a ser resolvido pelo Supremo Tribunal Federal, cujas decisões o TSE não tem poder para questionar. O certo é que, desde 2010, a condenação em 2ª instância vem sendo considerada suficiente.

E todas as decisões do TRF-4, do STJ e do STF foram no sentido de que nem a sentença do Lula seria cancelada, nem a inelegibilidade após a 2ª instância revista neste momento. O que vimos nesta 6ª feira (31) foi apenas a confirmação da derrota anunciada – e pelo acachapante placar de 6x1!

Então, por que o PT insistiu tanto em manter um candidato a presidente ilusório até cinco semanas antes do 1º turno? Cabe aqui uma recapitulação.
De Gaulle teria dito que o PT não é um partido sério...
Mesmo tendo o partido sido gerado em plena ditadura militar, seus fundadores não deixaram de colocar no manifesto de fundação, aprovado em fevereiro de 1980, que teria como objetivos supremos o fim da exploração capitalista e a construção de uma sociedade igualitária e livre:
"...As riquezas naturais, que até hoje só têm servido aos interesses do grande capital nacional e internacional, deverão ser postas a serviço do bem-estar da coletividade.  
Para isso é preciso que as decisões sobre a economia se submetam aos interesses populares. Mas esses interesses não prevalecerão enquanto o poder político não expressar uma real representação popular, fundada nas organizações de base, para que se efetive o poder de decisão dos trabalhadores sobre a economia e os demais níveis da sociedade...
...É preciso que o Estado se torne a expressão da sociedade, o que só será possível quando se criarem condições de livre intervenção dos trabalhadores nas decisões dos seus rumos...  
...O PT buscará conquistar a liberdade para que o povo possa construir uma sociedade igualitária, onde não haja explorados nem exploradores..."
Mas, logo na sua primeira década de existência o PT já desistiu informalmente da meta revolucionária, expurgou as tendências internas que a priorizavam e passou a objetivar apenas a conquista de posições de poder dentro do capitalismo, não mais para construir uma sociedade igualitária, mas sim para proporcionar pequenas melhoras aos trabalhadores. 
Eis, enfim, o real candidato do PT: o ciclista Haddad. Terá ele... 

As eleições foram significando cada vez mais para o PT, enquanto a participação nas lutas sociais ia passando para segundo e até terceiro plano. 

As consequências de sua furtiva guinada ideológica não se tornaram tão evidentes no século passado (porque estava na oposição), nem durante os dois mandatos presidenciais de Lula (porque o bom desempenho das commodities brasileiras lhe permitia cumprir a promessa de botar um pouco mais de pão na mesa dos trabalhadores, embora sem retirá-lo da esbórnia dos privilegiados, tanto que nossa escandalosa desigualdade econômica não diminuiu em momento nenhum).

Quando a crise capitalista se aguçou sobremaneira na presente década, contudo, o cobertor foi ficando cada vez mais curto para cobrir tanto a cabeça de uns quanto os pés dos outros. A política de conciliação de classe foi colocada em xeque, pois numa fase de vacas magras já não era mais possível continuar mascarando a existência de uma contradição fundamental entre os interesses de explorados e exploradores. 

A presidente Dilma Rousseff, que há muito se desencantara com a luta de classes e passara a crer que contradições insolúveis pudessem ser resolvidas com soluções tecnoburocráticas (superestimando desmedida e alucinadamente seu próprio papel como gerentona), tentou uma jogada arriscada para impedir o castelo de cartas de desabar. Era preciso fazer a economia crescer o suficiente para os bancos continuarem comemorando recordes de faturamento a cada mês e para os pobres seguirem deslumbrados com o maravilhoso mundo do consumo ao qual haviam obtido limitado e endividado acesso!

Dilma retirou do baú de velharias as fórmulas desenvolvimentistas de seis décadas antes, com a esperança de fazer o carro da economia pegar no tranco graças aos investimentos estatais. Mas, como o relógio da História não anda para trás, o que ela conseguiu foi colocar a economia brasileira no rumo de uma formidável recessão.
...mais sorte do que a Dilma das pedaladas fiscais?
A hora da verdade chegou em 2014, quando fatalmente não conseguiria reeleger-se a partir dos resultados entregues por seu primeiro governo e de esperanças que ainda fosse capaz de despertar. E o quadro pioraria ainda mais caso o distinto público se desse conta da tempestade que se formava.

Então, como tábua de salvação, ocultou dos eleitores (por meio das famosas pedaladas fiscais) o estado calamitoso das finanças públicas; satanizou adversários exagerando verdades e espalhando as mais cabeludas mentiras; e praticou um ignóbil estelionato eleitoral ao prometer salvar os brasileiros das reformas neoliberais que seus rivais estariam tramando na calada da noite, ao passo que ela, a angelical, jamais cometeria tamanha maldade...

Desde então, o PT passou cada vez mais a sobreviver politicamente à custa de fantasias e embromações.

Depois de cumprir uma por uma todas as etapas do ritual do impeachment e ser derrotado em todas, passou a atribuir o defenestramento de Dilma a um diabólico golpe... que, na verdade, nada mais foi do que a secular prevalência, nos momentos críticos, das necessidades e interesses da classe dominante, pois esta é a lógica do sistema. Só ingênuos esperavam que sucedesse o contrário. 

Com isto mais o Fora Temer, o PT conseguiu desviar a atenção dos terríveis erros por ele cometidos, que possibilitaram a derrubada de Dilma mediante um mero piparote parlamentar; e da óbvia constatação de que não adiantava mais eleger presidentes, já que eles seriam deseleitos pelo poder econômico quando este bem entendesse. 

Mas, conseguindo espertamente evitar  um processo de autocrítica do qual sairiam bem menores do que entraram, os dirigentes petistas ao mesmo tempo abortaram a definição de novas linhas mestras para a atuação partidária, já que as anteriores haviam implodido espetacularmente. A salvação dos ineptos se deu à custa de sacrificar-se o futuro: que mágica besta!  
Que dilúvio nos legará esse outro Luís?

O certo é que, para que se consumassem os desastres recentes do PT, concorreu mesmo a adoção de dois pesos e duas medidas: pecados idênticos, cometidos por outros partidos e políticos, foram tratados como venais e os petistas, como mortais. 

Mas as alegações de inocência, tanto no impeachment quanto nos processos por corrupção, nunca passaram de lorotas inverossímeis; o mar de lama existiu mesmo e as práticas que teoricamente ensejariam cassação de mandatos, idem.

Aos olhos dos cidadãos com um mínimo de espírito crítico, o PT, ao incidir nas mesmas práticas e recorrer às mesmas desculpas esfarrapadas quando apanhado com a boca na botija, igualou-se às agremiações convencionais, perdendo o status de partido diferenciado e confiável. Acreditar nele passou a ser um ato de fé; e não é com fanáticos que se constrói uma sociedade emancipada.

Para reforçar a narrativa do golpe e a narrativa do preso político, criou-se o roteiro de um espetáculo de mafuá: a farsa do candidato fantasma, que só serviu para travar a campanha eleitoral e oxigenar o representante do DOI-Codi no pleito presidencial (o truculento candidato que explora, da forma mais grotesca e obtusa, os filões do anticomunismo e do antipetismo) .

Quem disse depois de mim, o dilúvio foi o rei francês Luís XV, e a profecia se cumpriria com seu neto Luís XVI sendo guilhotinado na Grande Revolução Francesa.

Que dilúvio nos legará esse outro Luís? Uma coisa é certa: ele sai de cena deixando atrás de si uma terra arrasada e uma esquerda mais arrasada ainda.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

FIM DE PAPO: ONU NÃO VAI DESCASCAR O ABACAXI PARA O LULA. SÓ INGÊNUOS ACREDITARAM EM FINAL FELIZ

A ONU hoje está mais para um inócuo muro de lamentações...
Infelizmente, o Lula está aprendendo da pior maneira possível o acerto de todos os alertas que nós, revolucionários, lhe vimos fazendo há uma eternidade:
— que a Justiça, na democracia burguesa, sempre tem um viés favorável à classe dominante; 
— que as eleições, na democracia burguesa, só dão acesso ao poder de decidir sobre miudezas e ninharias, mas as decisões realmente importantes são impostas pelo poder econômico; e 
— que direitos, na democracia burguesa, só temos garantidos aqueles que conseguimos defender nas ruas, com militantes organizados e combativos, pois sempre haverá formas e subterfúgios para nos negarem aqueles que estão nos textos legais.
Desde a década de 1980 o Lula tudo sempre fez para tanger o PT à participação no sistema, ao invés de apostar suas fichas no combate ao sistema. Perdeu: o sistema o condenou.
Uma palavra de ordem cai no vazio quando foi mal escolhida

E agora, após o Judiciário ter validado o impeachment da Dilma e depois de sua própria condenação seguida de encarceramento, só agora o Lula vem colocar em dúvida a independência e a lisura dos togados?! Um pouquinho tarde, não?

Eis as lições a serem extraídas dessa sequência de erros e fracassos:
NÓS precisamos desencanar, de uma vez por todas, de que seja possível vencermos a burguesia no estádio da burguesia, com a burguesia como torcida única e o juiz roubando em favor da burguesia. Nossa luta não é na Praça dos Três Poderes, mas sim onde se encontra a fonte primeira do poder: tem de ser travada nas ruas, praças e locais de trabalho, pois é lá que o povo está.  
Já passou da hora de irmos até o povo para mudarmos verdadeiramente a sociedade, e não para incutir-lhe ilusões conciliatórias e reformistas durante a estação de caça ao voto (e, depois da posse, lhe causarmos terríveis decepções).
Quanto ao LULA, se não quiser tornar-se o decano dos presidiários da Lava Jato, precisa desencanar, de uma vez por todas, do sonho de uma noite de verão de que lhe permitirão sair de Curitiba como um vitorioso.  
Afinal, não vieram até aqui para, quando estão com a faca e o queijo na mão, jogarem no lixo o fruto de todos os esforços desenvolvidos desde a virada de 2015 para 2016 (foi quando decidiram que não queriam mais o PT como parceiro menor, pois a fase seguinte seria de imposição de rigores à sociedade e não de continuarem fazendo as pequenas concessões necessárias para manter a ilusão da conciliação de classe).  
Será que o Lula acha este um bom lugar para ficar?!
É hora de o Lula dar um fim às estridências e litigâncias inúteis, liberando os quadros mais sensatos do partido para negociarem, nas esferas política e jurídica, sua passagem ao regime de prisão domiciliar. 

O que mais rola nos bastidores é que, caindo na real, ele irá para casa em 2019. 

Caso contrário, vai continuar indefinidamente mofando na hospedaria do Moro.  
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