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segunda-feira, 23 de outubro de 2023

PERCEBEMOS QUE A SELEÇÃO BRASILEIRA E O SANTOS CHEGARAM AO FUNDO DO POÇO QUANDO TOMAM CHOCOLATES DE 7x1

O hino do Corinthians mente: ele não é "do Brasil, o clube mais brasileiro", até porque nasceu em 1910 de uma iniciativa de membros das colônias espanhola e italiana em São Paulo. Os segundos racharam em 1914 e saíram para fundar o Palestra Itália.

Quem mais merece tal qualificação é o Santos, pois sua trajetória de altos e baixos tem muitos pontos em comum com a da Seleção Brasileira.

Assim, a grande fase do Santos começa exatamente em 1958. O ano da primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil foi, também, o ano em que Pelé obteve seu primeiro título oficial pelo Santos, o de campeão paulista.

O Santos já vinha num crescendo: depois de vencer o certame estadual em 1935 e só voltar a fazê-lo em 1955, repetiu a dose em 1956.

Mas, foi a partir de 1958, durante a era Pelé, que deslanchou de fez, a ponto de tornar-se o segundo melhor time de futebol do planeta durante as décadas de 1950 e 1960, atrás apenas do Real Madrid. 

E, no cenário brasileiro, sua hegemonia foi avassaladora, ainda que o grande Botafogo de Nilton Santos, Didi e Garrincha às vezes o surpreendesse.

Seus mais memoráveis momentos foram quando venceu a Libertadores de América em 1962 e 1963, sagrando-se, em seguida, campeão mundial, ao destruir o Benfica e ao arrancar um triunfo na raça contra o Milan, embora inferiorizado por uma contusão do Pelé.  
Um ridículo revisionismo da Fifa, mais de 60 anos depois, rebaixou tais decisões entre o campeão europeu e o campeão sul-americano a meras copas intercontinentais, como se houvesse naquela época, no restante do mundo, times capazes de não serem massacrados pelos melhores da América do Sul e da Europa.

Também venceu a Libertadores da América em 2011, já na geração de Neymar. Contudo, o brilho dessa conquista foi empanado pelo baile que levou do Barcelona, ao tentar emplacar o Mundial de Clubes. Além dos 4x0 no lombo, ficou nítido o desinteresse do clube catalão em ampliar a goleada, inclusive concluindo com displicência um rosário de outras chances de gols que criou. 

Resumindo, o Santos e a Seleção Brasileira atingiram seus ápices em 1958/1970 e vêm decaindo desde então. 

O escrete ainda vitoriou-se em 1994 na loteria dos pênaltis, após a decisão mais tediosa de um Mundial da Fifa em todos os tempos (120 minutos 0x0!!!); e em 2002, quando os principais adversários atravessavam períodos de entressafra. 

Ou seja, nada de que pudéssemos nos orgulhar como nos orgulhamos das conquistas mágicas de 1958 e 1970, e até mesmo da Copa que tínhamos tudo para ganhar e deixamos escapar por míseros detalhes (1982).
O Santos, nem isto.  Neste século, só campeonatos paulistas que os outros grandes já não disputam a sério, o Brasileirão de 2002 e de 2004, a Copa do Brasil de 2010 e a Libertadores de 2011. Já nos últimos anos, aparece apenas no noticiário lutando para não ser rebaixado ou por conta dos sucessivos episódios de pancadaria na Vila Belmiro (mais dia, menos dia, alguém morrerá).

Mas, há outras semelhanças com a decadência da Seleção: os piores vexames do Santos neste século foram os 7x1 que tomou do Corinthians em 2005 e a surra, pelo mesmo placar, que o Internacional lhe aplicou neste domingo (22). Ou seja, o mesmíssimo 7x1 que o Brasil sofreu da Alemanha em 2014, a pior derrota do nosso escrete em todos os tempos!

Finalmente, foram igualmente péssimos os dirigentes que ora conduzem o Santos diretamente para a série B e os que conduziram o Brasil a cinco Mundiais pífios consecutivos, igualando as duas maiores secas do escrete canarinho (de 1930 a 1954 e de 1974 a 1990), com a agravante de que nada, por enquanto, indica que possa dar a volta por cima em 2026.    

Afora o fato de que as gestões do período de fim de feira foram marcadas por escândalos escabrosos de corrupção, a ponto de um dirigente do futebol brasileiro (João Havelange) ter de renunciar à presidência da Fifa para não ir em cana e outro (José Maria Marin), sem a mesma indulgência, ter visto o sol nascer quadrado nos EUA. 
Quanto ao clube praieiro (como o Milton Neves faz questão de sempre lembrar), a coisa chegou ao ridículo, pois, "nos anos 60, alguns dirigentes santistas explicaram da seguinte forma o desaparecimento de parte da grana da excursão feita pelo time: a porta do avião se abriu em pleno voo e uma das malas caiu".

Um negócio da China no qual o Santos torrou rios de dinheiro, o Parque Balneário, também teve muitos desdobramentos na Justiça, mala de dinheiro com uma verdadeira fortuna esquecida em cima de um balcão, etc. 

Pobre Pelé, que tantas vezes jogou baleado para garantir o queijo desses cartolas roedores! (por Celso Lungaretti

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

O TRAVESSEIRO MORAL DA POLÍTICA


 H
á quem se confronte permanentemente com os próprios critérios morais elevados e balizem seu comportamento a partir de uma ética consentânea com tais padrões. Esses dormem o sono dos justos, ainda que exaustos pela difícil jornada de andarem na contramão de uma ordem de relação social flagrantemente injusta.    

Há quem concebe determinados padrões morais questionáveis e os elege equivocadamente como corretos e que, a partir desses, formatam um código ético igualmente equivocado, mas encosta sua cabeça no travesseiro e dorme de imediato e tranquilamente entendendo que faz o certo.  

Mas há os que conscientemente adotam um padrão moral execrável e a partir dele se comportam dentro de um padrão ético no qual elegem como correto aquilo que julgam ser o melhor para si, independentemente dos efeitos colaterais danosos causados aos seus semelhantes, e dormem como alguém que tomou uma dose cavalar de soníferos, assim agindo por não conhecerem o que seja a inconsciência dos seus atos.     

Vamos classificar as hipóteses do padrão de conforto do travesseiro acima consideradas como sendo, pela ordem, aquela do primeiro parágrafo como classe A, a do segundo como classe B e a do terceiro como classe C para que os leitores deste artigo compreendam melhor o que consideramos como qualificações de comportamentos sociais.    

A política institucional costuma ser uma máquina de deturpação de consciências morais e éticas e é sob tal prisma que fazemos a análise. 

Quando se entra para jogar uma competição esportiva, por exemplo, na qual estão definidas as regras do jogo, e a peleja transcorre dentro dos critérios previamente estabelecidos de igualdade de direitos e obrigações, não se pode reclamar da derrota culpando a bola ou o campo, que foi a mesma/o para todos, ou outro fator igualmente similar para os competidores.  

Assim ocorre na política da democracia burguesa, formatada e decantada equivocadamente como um padrão igualitário, justo e coletivo de escolha de dirigentes políticos, de tal modo absorvida e compreendida como tal e como oportunidade de igualdade de condições para todos que é comumente tida como um padrão ético e moral aceitável. 

Os políticos mais argutos, sejam eles representantes do capital - a grande maioria, sempre -, ou de interesses corporativos setorizados, ou ainda, de seus próprios interesses empresariais  - quando se metem a ser, concomitantemente, representantes políticos de si mesmos como empresários -, enquadram-se na classe “C” do nosso padrão de conforto de travesseiro

Para estes políticos, Brasília é o Jardim do Éden, sem pecado original, pintado por Michelângelo. Lá eles têm poder político capaz de definir a direção das verbas discricionárias, que são aquelas destinas às obras e atendimento às demandas sociais que excedem os gastos como a manutenção das instituições da opressão do Estado.  

Há as verbas cujos destinos são previamente determinados, ou seja, o chamado dinheiro carimbado do orçamento da União, destinadas ao custeio da manutenção da estrutura opressora do Estado, que absorvem grande parte do orçamento dito público; o restante das verbas é destinado à manipulação eleitoreira. 

Além do poder, que é o que mais cobiçam tais politiqueiros, existem os altos salários, salas VIPs nos aeroportos, moradias confortáveis e gratuitas, carros oficiais à disposição, festas e solenidades nas quais convivem com membros da alta burguesa - diplomatas de vários países, representantes de corporações empresárias poderosas, altos magistrados, etc. - e secretárias bilingues que lhes assistem.        

Os políticos novatos da esquerda institucional - há exceções cada vez mais raras que confirmam a regra -, mesmo aqueles que são eleitos pelas lutas dos movimentos populares nos quais se destacam, ao chegarem em Brasília se deparam com um cenário diferente daquele que julgavam atuar.  

Os Deputados Federais dessa esquerda cedo descobrem serem peões num tabuleiro de xadrez em que somente as peças predominantes têm valores e potências especiais, e suas falas para plenários vazios, nos quais tiram fotos e gravam discursos direcionados para os seus eleitores, não têm grande importância, a não ser para a legitimação de um jogo desigual no qual quem eles representam - o povo das lutas que os elegeram - estão previamente derrotados. 

Os votos sempre minoritários da esquerda institucional parlamentar somente legitimam uma escolha de pretensos representantes do povo, numa ópera-bufa em que eles mais se parecem com polichinelos bem-intencionados.   

Brasília é uma máquina política de desconstruir revolucionários

Lembro-me do impacto que me causou um certo episódio por mim vivido. Acompanhei a Prefeita Maria Luíza, então ainda no PT como eu,  em algumas viagens à Brasília, entre elas a uma audiência na Presidência do Banco do Brasil, como meros pedintes sem qualquer poder de pressão, desejoso de que fossem liberadas verbas retidas por conta a impagável dívida pública municipal da qual aquela instituição financeira era credora.  

Dependíamos da liberação das verbas, de certo modo, até para a continuidade do exercício do mandato, por conta das constantes ameaças de destituição do cargo naquela que era a primeira experiência petista de governo, posto que as Prefeituras das capitais eram completamente dependentes de verbas estaduais e federais, já que ainda não vigia a Constituição Federal de outubro de 1988, que somente consagraria a autonomia financeira dos Municípios no ano seguinte. Vivíamos sob os resquícios da ditadura militar. 

Pois bem. Fomos convidados para almoçar no restaurante da Presidência e, num gesto de cordialidade de quem está pedindo sem poder exigir o cumprimento do que pedira, fomos almoçar junto com o Presidente do Banco do Brasil, que se mostrava feliz em mostrar aos seus pares a sua acompanhante, a bela Prefeita de Fortaleza, como se fosse um troféu de guerra.  

Naquele recinto espaçoso estavam alguns Ministros, diplomatas, parlamentares, figurões da mídia - lembro-me da presença do filho de Flávio  Cavalcanti, da TV, e outros representante do show bussines brasileiro. 

Cardápio à la carte variado - de lagosta a pratos típicos; carta de vinhos antigos; talheres de prata e pratos de porcelanas folheados à ouro com o emblema do banco; garçons bilingues de luvas e black tie; e todo um confortável rigor na mobília.  

Diante de tal ostentação, lembrei-me das favelas e dos bairros pobres de Fortaleza e, ao invés de me sentir lisonjeado por estar ali, como na música de Raul Seixas, senti-me no lugar errado. E compreendi a forma pela qual Brasília encanta os menos avisados a respeito da sedução do poder político ali em vigor.  

Hoje compreendo perfeitamente as razões pelas quais fomos expulsos do PT e a incompatibilidade de posturas revolucionárias diante da convivência com a democracia burguesa e da conciliação que se faz necessária para ali sobreviver. Ali há que se fufucar, que é o termo ora usado em Brasília para significar a adesão recíproca aos Ministérios de Lula em alusão ao o novo Ministro André Fufuca, atualmente Deputado Federal pelo PP do Maranhão. Esse mesmo PP é aquele partido do ex-Deputado Pedro Corrêa, delator das tenebrosas transações do petrolão, o que é suficiente para mostrar o quanto o lulismo sempre volta ao mesmo lugar.  

Com honrosas exceções, os políticos da esquerda institucional enquadram-se na classe “B” do nosso padrão desconforto de travesseiro

Entretanto, existem os imprescindíveis revolucionários, sempre menosprezados pelos membros da classe C e B do referido padrão, como se fossem doidivanas inconsequentes ou ingênuos por não aderirem ao establishment ou tentarem comê-lo pelas beiradas.  

Os revolucionários se situam na classe A do padrão de conforto do travesseiro, mesmo quando se lhes oferecem um mero colchonete de palha sobre uma esteira de vime para dormir nos cárceres estatais dos seus adversários. (por Dalton Rosado) 



quarta-feira, 8 de março de 2023

CAIU A CASA BOLSONARISTA!


 No jargão policial costuma se dizer que a casa caiu quando um criminoso é flagrado da prática de um crime e vai preso. 

No caso da dupla Boçalnaro, o ignaro, e Michele, a evangelista, com o flagrante de recebimento de presentes dados pelo corrupto e sanguinário governo saudita de Mohammed Bin Salman, sem declaração para o fisco, com parte deles apropriado privativamente e outra apreendida pela Receita Federal graças à firmeza profissional de um fiscal alfandegário, falta apenas a prisão para a configuração da máxima acima referida. 

A cada dia que passa as desculpas do casal se evidenciam como esfarrapadas e contraditórias, como alguém que mente e precisa cada vez mais de outras mentiras para negar o fato, até tudo ficar ridiculamente evidente.

Não vou discorrer longamente sobre a crônica policial do fato, basta lembrar que a cada dia mais aparecem documentos afirmando que um lote conseguiu passar clandestinamente e foi recebido pelo próprio Bolsonaro, e outro foi apreendido pela alfândega, como vem sendo noticiado pela imprensa policial com detalhes contraditórios tais como: 

- o Presidente afirma nunca ter pedido, nem recebido joias sauditas, mas passou recibo de tal recebimento de um dos lotes;

-  ao invés de incorporar as joias recebidas ao patrimônio da União, como é de praxe para presentes recebidos em função do cargo e da representação, foi apropriada privativamente;

- que agora, e muitos meses após a apreensão de um outro pacote de joias, a primeira dama Michele, a evangelista, afirma desconhecer a posse de tanto patrimônio e que nem as mesmas lhe haviam sido presenteadas, mas o próprio governo fez várias tentativas de liberação de tais preciosidades cujo valor somente foi revelado quando de uma avaliação para posterior leilão da Receita Federal, pois o caso se arrasta desde 2021;

- que o Ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou, meses atrás, que recebeu, sem protocolo, o que seria um presente saudita para a primeira  dama, mas a beneficiária nada sabia a respeito do caríssimo presente; 

- que o valiosíssimo presente era transportado na mochila de um servidor público, e que somente foi detectado após verificação por máquinas apropriadas para raio x de tais tipos de objetos; 

-  que, que, que, que... 

A corrupção em razão do exercício de cargos públicos importantes é notória e não podia ser diferente numa estrutura estatal que dá apoio a uma outra e definitiva corrupção: a forma-valor, responsável por subtrair o tempo valor do trabalhador e proporcionar a acumulação do capital pelo capitalista, o qual aparece como benfeitor social por dar o emprego aos explorados por ele. A fonte de sua riqueza é a própria exploração. 

Mas há diferenças sobre o destino da corrupção, pois há quem pratica a corrupção com o objetivo de ficar rico pessoalmente e há quem quer fortalecer a estrutura partidária. Em ambos os casos, tal comportamento é conceitualmente criminoso, além de moralmente e eticamente condenável. 

Boçalnaro, o ignaro, e Michele, a evangélica, não têm partidos políticos, nem estruturas orgânicas caras, e se sustentam/sustentaram politicamente numa ideologia política de conceitos anticivilizatórios e retrógrados que calam fundo na inconsciência social e no niilismo populacional, principalmente sobre o que está posto como relação social e institucional, que não é mesmo coisa santa. 

Neste ponto, o casal se diferencia do nazifascismo clássico que tinha uma estrutura de poder, apesar de identidades quanto à ligação com milícias - tal como eram os camisas pardas-, militarismo fanático, como as SS, entre outras muitas identidades conceituais sobre costumes, raças, homossexualismo, etc. 

É por isto que a corrupção boçalnarista é privada, primária, baseada no enriquecimento pessoal e se alia com gente igual a Valdemar da Costa Neto, que quer dinheiro e poder para negociações tenebrosas a partir do parlamento, sempre pronto para o toma lá da  cá.  

Aliás, dizem que por conta do episódio desgastante das joias, Michele, a evangélica, já foi rifada como pretensa doce encarnação do boçalnarismo no PL. Os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio... 

O PT joga o jogo. Não é por menos que o mesmo Valdemar da Costa Neto, hoje demonizado, foi condenado no mensalão e era à época - desde o vice José Alencar, do PL - uma aliado que se virou contra o próprio partido de Lula. Nisto, Valdemar é coerente: está sempre do lado do governo, qualquer que seja ele, desde que lhe paguem o pedágio. 

Mas não pensem que a direita brasileira está morta e sepultada. 

A cadela fascista está sempre no cio e amanhã, se já não der para seguir com Boçalnaro, o ignaro, por sua completa primariedade política e fanfarronice obtusa apoiada por filhos zero à esquerda, que mais parecem os sobrinhos do capitão das antigas revistas em quadrinhos, tentará continuar com um direitista tão populista como aparentemente sério e probo a serviço de tudo que é retrocesso civilizatório, como era um Sérgio Moro antes de cair a sua máscara de caráter.   

Além de genocida, ficou demonstrado na CPI da Covid o quão corrupto poderia ter sido a compra de vacinas que não foram adquiridas em tempo hábil, o que transformou o Brasil no campeão de mortes em números relativos - temos 3% por cento da população mundial e 11% de mortes - e o terceiro em números absolutos, perdendo apenas para a Índia e os Estados Unidos. 


Al Capone, que durante a lei seca e a depressão dos anos de 1920/1930 nos Estados Unidos, matou e extorquiu à vontade, somente foi processado por uma mera sonegação de imposto de renda, modo pelo qual o sistema foi capaz de colocá-lo na cadeia.

Será que o casal Boçalnaro, o ignaro, e Michele, a evangelista, serão condenados pela justiça apenas por míseros R$ 16,5 milhões em joias apreendidas,  uma fichinha em relação à compra de 51 milhões em imóveis à vista e em dinheiro vivo sem comprovação, rachadinhas, entre outros crimes de corrupção que a história ainda haverá de demonstrar? 

O capital é corrupto, apesar de descriminalizado, e a corrupção política é o subproduto indesejado por sua lógica totalitária, posto que quer o estado economicamente saudável e a seu serviço, sem concorrência paralela. (por Dalton Rosado

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

LULA AGORA PAGA O PREÇO DE NÃO TER FEITO A OBRIGATÓRIA AUTOCRÍTICA

elio gaspari
A BOLA ESTÁ NOS PÉS DE LULA. A  QUESTÃO É O QUE ELE VAI FAZER COM ELA. 
Lula já viu isso. 

Celso Rocha de Barros conta no seu livro PT, uma história que, no primeiro semestre de 1994, Lula pediu ao presidente do PT, Rui Falcão, que começasse a sondar nomes para seu governo. 

Pudera, em fevereiro ele tinha 30% das intenções de voto e Fernando Henrique Cardoso, com sua promessa de estabilização da moeda, patinava em 7%. 

Falcão não gostou da ideia. Achava-a prematura. Em julho, Lula caiu de 41% para 38% e FHC foi para 21%. Em outubro, deu no que deu.

Sem levar em conta o debate de domingo (16), o ponteiro da pesquisa do Ipec não se mexeu. No debate, Lula entrou cavalgando o Bolsonaro da pandemia. Estonteou-o. Nos segmentos seguintes, Bolsonaro trouxe-o para a discussão das malfeitorias praticadas durante seus oito anos de governo.

Lula repetiu o mantra do comissariado: as roubalheiras foram penalizadas pelos instrumentos que seu governo respeitou. Quebraram empreiteiras,  desempregando milhares de pessoas. 

A Lava Jato foi uma operação enviesada. A presença do ex-juiz Sergio Moro na comitiva ilustrava essa acusação. Até aí, cada um acha o que bem entende.

No entanto, o Lula do debate mostrou que não está convencido do que fala. Numa ocasião disse: "Se houve corrupção na Petrobras". Noutra, emendou: "Pode ter havido"

Moro foi um juiz parcial, e muitos procuradores agiram como dirigentes de grêmio estudantil, mas a roubalheira estava lá.

O modelito das plataformas estava lá desde o governo de Fernando Henrique Cardoso e ele nomeou Henri Philippe Reichstul para a presidência da empresa para cuidar do caso. Em 2003, com a chegada do PT ao governo, os cuidados acabaram.

As empreiteiras devolveram R$ 6,17 bilhões como pessoas jurídicas e os malfeitores devolveram mais de R$ 100 milhões como pessoas físicas. Se houve corrupção na Petrobras? Pode ter havido?

Bolsonaro tem nos pés a bola de ferro das centenas de milhares de mortos de um presidente que chamava de "maricas" quem tinha medo da Covid e queria se vacinar. 
Ele foi além, dizendo numa mensagem de madrugada, que não compraria a vacina chinesa. Orgulha-se de ter comprado o fármaco, mas quem começou a vacinar foi o governador paulista João Doria.

No debate de domingo o capitão mostrou que não tem uma resposta razoável para seu comportamento. Nem Lula para as roubalheiras da Petrobras.

Pouco habituado a debates com adversários, Lula desorientou-se no último bloco do debate, quando Bolsonaro trouxe a Petrobras para a roda, 

Lula não prestou atenção ao cronômetro. Ambos tinham 15 minutos de crédito. A certa altura o capitão tinha cerca de 6 minutos e Lula pouco mais de 1 minuto. Gastou-o dizendo que em janeiro o capitão iria para casa. Deixou Bolsonaro com 5 minutos e 42 segundos.

Na lógica do futebol, deixou o adversário com o domínio da bola na pequena área. Para seu alívio, Bolsonaro chutou na trave, vestindo a camisa da campanha de 2018.

Para quem ainda não decidiu seu voto, um não explicou sua conduta na pandemia e o outro diz que pode ter havido corrupção na Petrobras.

Falta a ambos a sabedoria de Juscelino Kubitschek: 
"Não tenho compromisso com o erro"

Isso precisa ser repetido porque eles querem governar o Brasil nos próximos quatro anos.  (por Elio Gaspari)

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

DEBATE CONSTRANGEDOR: DISCUTIU-SE O QUE É PIOR, GENOCÍDIO OU CORRUPÇÃO?

grande vencedor do debate eleitoral deste domingo (16) entre Lula e Bolsonaro foi quem aproveitou de outra forma o seu precioso tempo, ao invés de assistir ao arranca-rabo de dois personagens tão distantes do estadista que ao menos ajudasse a minorar o sofrimento dos brasileiros neste período terrível de nossa História.

[Isto porque a verdadeira solução jamais vai ser dada pelas urnas: o povo brasileiro terá de buscá-la nas ruas, dando um fim à exploração do homem pelo homem.] 

Em segundo lugar ficou Lula, que foi muito bem no bloco inicial, ao atirar nas fuças do genocida a sua responsabilidade por cerca de 400 mil mortes de brasileiros que poderiam ter sido evitadas caso tivéssemos um presidente de verdade coordenando os esforços contra a pandemia e não um lunático negacionista  os sabotando desvairadamente.

O Bozo contra-atacou no terceiro bloco com emboloradas cobranças sobre a roubalheira na Petrobrás, como se ela não houvesse sido fichinha perto da descomunal corrupção legitimada do orçamento secreto

O que ambos omitem: nem o
mensalão e o petrolão poderiam haver ocorrido sem a anuência do Lula e da Dilma, nem o orçamento secreto teria drenado tantos e tão vultosos recursos do Tesouro caso Bolsonaro se opusesse. 

Uns e outro pagaram pedágio ao centrão pela governabilidade, assim como comerciantes italianos pagavam proteção à máfia e os  fluminenses a pagam até hoje aos milicianos (os quais, vale dizer, sempre foram afinadíssimos com o clã Bolsonaro, enquanto Lula jamais teve qualquer coisa a ver com Marcola e o PCC).

De resto, Lula convence mais ao repetir as loas aos seus governos, pois eles pareceram mesmo benfazejos para a população em geral, incapaz de discernir entre conjuntura favorável e méritos pessoais. Já o Bozo soa ridículo com seus elogios em boca própria de uma administração caótica e catastrófica.

Como tais debates rapidamente entediam o povão com sua interminável citação de dados soltos no espaço e Lula começou bem melhor, deve ter fortalecido a impressão de que será um presidente capaz de corrigir as loucuras e consertar, na medida do possível, a destruição perpetrada desde 2019.
Saldo de mais esta
Batalha de Itararé (pois prometeu muito e entregou quase nada): quem for tão masoquista a ponto de votar no Bolsonaro, receberá exatamente o que merece, qual seja dor, miséria e barbárie.

E quem votar no Lula terá o prêmio de consolação de ver o estado de coisas melhorar um pouco, com a volta do país à razão e à civilização. 

Mas, passado o alívio, lá por 2024 começará a perceber que Lula também não tinha noção nenhuma de como tirar a nação do buraco econômico e iniciar um novo ciclo de desenvolvimento. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

A ONU JÁ ESTÁ LIVRE DO BOZO; O BRASIL TERÁ DE ESPERAR ATÉ 2023.

rui martins
O ÚLTIMO DISCURSO DE BOLSONARO NA ONU
A
melhor definição do que foi provavelmente o último discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU foi a de Dora Kramer: Ele vendeu um país irreal!

Coincidindo com as últimas sondagens, pelas quais sua derrota poderá ocorrer no 1º turno, o discurso de 20 minutos, feito nas quatro linhas protocolares da diplomacia, embora eivado de mentiras, mostrou um Bolsonaro sem as costumeiras agressões. 

Mas foi um discurso de campanha eleitoral, aproveitando a presença na ONU e a retransmissão no Brasil pelas rádios e tevês. 

Um discurso sobre um país que não existe, onde o presidente não deixou morrer milhares de pessoas pela demora em desenvolver um amplo programa de imunização e vacinas. 

Um país imaginário no qual se produzem muitos cereais para serem exportados, embora (e isso Bolsonaro não disse) cerca de 30 milhões de pessoas passem fome. 

Um país onde a economia sustentável está em expansão e onde a vegetação da Amazônia é preservada, apesar do desmatamento e do número recorde de florestas incendiadas.

Tudo é otimismo no Brasil de Bolsonaro, ninguém se lembra da corrupção no Ministério da Educação, no abandono da cultura, no incentivo à posse de armas; ninguém fala na rachadinha e nem nas casas compradas pela família Bolsonaro com dinheiro vivo de origem duvidosa. (por Rui Martins)

sábado, 3 de setembro de 2022

IMPERDÍVEL: RICARDO KOTSCHO FAZ O ESCÁRNIO FÚNEBRE DO BOZO!

ricardo kotscho
BOLSONARO JOGA TUDO NO 7 DE SETEMBRO,
MAS JÁ PERDEU A GUERRA QUE NÃO HOUVE
Bolsonaro fez de tudo para transformar a campanha eleitoral num campo de batalha entre o bem e o mal, o céu e o inferno, Deus e o diabo. 

Desafiou as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral; ameaçou com a volta do comunismo; arrombou as contas públicas para comprar os votos que lhe faltam; insinuou que tinha o apoio das Forças Armadas para um dar um autogolpe em caso de derrota; pintou e bordou ao arrepio das leis, do bom senso e da civilidade.

Mas setembro chegou, e não houve guerra nenhuma. 

Empacado nas pesquisas e com seu governo rejeitado por mais de metade da população, Bolsonaro agora joga sua última cartada no 7 de setembro, com aviões, navios de guerra, tanques e canhões abrilhantando seu comício bélico na praia de Copacabana para demonstrar uma força que já não tem. 

Mesmo que leve batalhões de fanáticos devotos às ruas, enrolados em bandeiras e gritando Mito!, ele sabe que já perdeu as mínimas condições de continuar governando o país. Desmoralizou-se antes da abertura das urnas, e levou de roldão setores das Forças Armadas. Virou uma caricatura de si mesmo, apequenou-se no delírio de aprendiz de ditador bananeiro.

Nenhuma motociata, por mais monstruosa que seja, será capaz de lhe devolver o respeito da maioria população e do mundo civilizado. 

As denúncias desta semana sobre o império imobiliário dos Bolsonaros, construído à base de rachadinhas, chocolates e muito dinheiro vivo, tiraram-lhe das mãos a bandeira do combate à corrupção, a última que lhe sobrou na patética campanha reeleitoral.

Se não consegue nem administrar as milícias digitais da família, sobre as quais perdeu o domínio por falta de pagamento, o que o capitão teria a oferecer ao país para permanecer mais quatro anos no Palácio do Planalto, incapaz de apresentar um único plano de governo? 

Resta-lhe daqui para a frente apenas espernear, jogar lama nos adversários, nos juízes e nas mulheres, correr de palanque em palanque feito um celerado, bradando aos céus, para manter fiéis os convertidos que ainda não o abandonaram, depois de quase quatro anos de desgoverno. Nem as imprecações de Michelle e dos Malafaias da vida serão capazes de reverter este cenário. 

Agora falta apenas um mês para a eleição, mas parece uma eternidade, eu sei, depois de tudo que já passamos. 

Ficaram para trás apenas os destroços do que já foi um grande e respeitado país:
— as árvores derrubadas, os rios poluídos de mercúrio dos garimpos e as matas queimadas da Amazônia para dar lugar aos pastos;
— o colapso na educação e na saúde;
— a cultura perseguida e degradada;
— a destruição das políticas públicas para promover a inclusão e a igualdade social;
— as massas de miseráveis dormindo nas ruas;
— a matança de favelados, indígenas e negros;
— a volta do Brasil ao Mapa da Fome

Até onde minha vista alcança, no entanto, nada impedirá que em 2 de outubro vivamos uma grande festa da democracia, aconteça o que acontecer no dia 7 de setembro. Vamos virar a página desse capitulo triste da nossa história. Dias melhores virão. 

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho, num texto de gala!)

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

...E SE DECRETASSEM QUE OS BRASILEIROS DEVERIAM ANDAR DE QUATRO?

álvaro costa e silva
OS BOLSONAROS JÁ FIZERAM SUA INDEPENDÊNCIA
Nelson Rodrigues que anda atualíssimo– dizia faltar espanto político ao Brasil. Com seu estilo inconfundível, deu um exemplo:
"Se baixassem um decreto mandando a gente andar de quatro –qual seria a nossa reação? Nenhuma... 

...Cada um de nós trataria de espichar as orelhas, de alongar a cauda e ferrar o sapato. No primeiro desfile cívico, o brasileiro estaria trotando na Presidente Vargas, solidamente montado por um Dragão de Pedro Américo. E seria lindo toda uma nação a modular sentidos relinchos e a escoicear em todas as direções".
A citação ao quadro Independência ou Morte! lembra as comemorações deste sete de setembro, que sob o governo Bolsonaro seguem as regras da vergonha e do assombro. 

Última cartada da campanha que não vê o presidente subir nas pesquisas ou mais um movimento estratégico em direção ao golpe, o desfile do bicentenário que no Rio trocou a Presidente Vargas pela avenida Atlântica, em Copacabana foi sequestrado politicamente, a exemplo das cores verde e amarela da bandeira e da camisa da seleção.
As Forças Armadas preparam uma programação de oito horas (!) na praia. Se fizer sol, haja protetor solar e água de coco. Salto de paraquedistas na areia, salvas de canhão no forte do Posto 6, apresentação da Esquadrilha da Fumaça, parada naval ao longo da costa. 

A motociata do candidato à reeleição sairá do monumento dos Pracinhas, no Flamengo, para encontrar, no gran finale, velhas viúvas da ditadura carregando cartazes de intervenção militar e pedindo o fim do STF. Os custos da farra patriótica não foram informados.

O que menos importa a Bolsonaro é o Brasil. Sua independência e a do seu clã ele já conseguiu, influindo na compra de 107 imóveis, entre os quais a mansão de R$ 6 milhões do filho 01 e outra de R$ 3 milhões da ex-mulher. Metade do patrimônio foi adquirida com uso de dinheiro vivo. 

Isso sim é um espanto. (por Álvaro Costa e Silva)
Errado, Álvaro. Tudo é um espanto no Brasil de hoje!

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

A FAMÍLIA BOLSONARO É A VERSÃO MAMBEMBE DA FAMIGLIA CORLEONE

T
er uma vida longa nunca foi meu sonho, mas constato agora que algumas compensações existem. 

Por exemplo, jamais pensei que veria o Estadão incluir em editorial, 33 dias antes de uma eleição presidencial, comparação tão favorável ao Lula e tão desfavorável ao principal adversário do Lula quanto esta:
"...os benefícios de uma empreiteira, entregues na modalidade de reforma de um imóvel na praia e reconhecidos numa delação, suscitaram a prisão de Lula, prisão esta que Bolsonaro faz questão de relembrar na campanha eleitoral.  
A ironia – ou a incrível desfaçatez – é que Jair Bolsonaro e sua família não têm problemas apenas com um único imóvel na praia.  
Levantamento realizado pelo site UOL, a partir de dados públicos, revelou que, desde os anos 90, o presidente, seus irmãos e seus filhos negociaram nada menos que 107 imóveis, dos quais pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo. Em valores corrigidos pelo IPCA, o montante pago em dinheiro vivo equivale a R$ 25,6 milhões".
É o que todos os perspicazes sabíamos, mas poucos tiveram coragem de dizer ou escrever, como eu fiz. 

Lula não era inocente aos olhos da lei, mas cometeu um deslize pouco significativo em contraste com as infinitas (e infinitamente  mais lesivas ao erário) maracutaias dos outros políticos profissionais, os de centro e direita.

Deslumbrado, Lula supôs que se beneficiaria de idêntica complacência por parte dos policiais e magistrados. Talvez acreditasse ser mesmo uma metamorfose ambulante, como chegou a afirmar. E, singelamente, forneceu um trunfo formidável para os adversários políticos o crucificarem.

Mas, os piores bandidos eram os outros, como aquele ignorantão capaz de qualificar de presidiário quem nunca esteve cumprindo pena num presídio e que até agora só tem evitado as grades porque compra sua provisória impunidade com cargos e verbas públicas. 

Isto ficou totalmente comprovado com as últimas revelações sobre a Família Bolsonaro, que nunca passou da versão mambembe da fictícia Famiglia Corleone. (por Celso Lungaretti) 

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

CIRCO DO BOZO NO JN: FICOU UM GOSTO AMARGO DE PERDA DE TEMPO.

ricardo kotscho
O QUE FALTOU AO JN PERGUNTAR A BOLSONARO,
QUE FALOU  24m37s E
 QUERIA MAIS
"Já acabou?" Ao final da entrevista de 40 minutos no Jornal Nacional, o presidente Jair Bolsonaro estava tão à vontade, que se permitiu brincar com os jornalistas. 

Com ar de alívio, sorriu ao saber que seu tempo tinha acabado e sugeriu prolongar a conversa. Só faltou dizer: "Que pena".

Se mais tempo houvesse, William Bonner e Renata Vasconcellos poderiam fazer as perguntas que ficaram de fora e provocaram a maior parte das críticas à sabatina nas redes sociais, como constatou a pesquisa Quaest feita em tempo real e que registrou 65% de reações negativas. 

Bolsonaro preparou-se para uma guerra que não houve, jogou pelo empate e ficou tão satisfeito com o zero a zero que saiu dos estúdios do Projac em Jacarepaguá direto para uma feira livre em Marechal Hermes, reduto de militares, para ouvir as repercussões da entrevista. 

Depois de um início tenso dos dois lados, o presidente engoliu em seco as insinuações de Bonner sobre as ameaças golpistas e, diante da insistência de Bonner, acabou admitindo que respeitará o resultado das urnas, mas só se a eleições forem "limpas e transparentes", ou seja, apenas se ele ganhar. 

Caso contrário, poderá alegar que houve fraude porque não adotaram as medidas sugeridas pelas Forças Armadas, que ainda continuaram sendo sendo discutidas ontem (23) no encontro do ministro Alexandre de Moraes no TSE com o general Paulo Sergio Nogueira, da Defesa, a 40 dias da abertura das urnas. 
Os temas que ficaram de fora da sabatina poderiam render mais algumas horas de entrevista. Alguns exemplos: 
1. Quando Bolsonaro disse que não havia corrupção no seu governo, nada se perguntou sobre o orçamento secreto, o maior escândalo de corrupção oficializada nas chamadas emendas do relator, que colocou mais de R$ 50 bilhões nas mãos de parlamentares do centrão para livre distribuição em suas bases eleitorais, sem nenhum controle dos órgãos de fiscalização. 

Todo dia aparecem na imprensa novas denúncias do mau uso desse dinheiro público na compra de tratores e ônibus escolares, cisternas e caminhões de lixo, asfaltamento de ruas e eventos culturais com artistas sertanejos, com contratos superfaturados, entre outras benesses. Só na Codevasf  e no Fundeb há pilhas de casos suspeitos. 
2Também não foram citadas as compras exóticas, para dizer o mínimo, do Ministério da Defesa, que além das toneladas de picanha, camarão, salmão, cerveja e leite condensado, incluíram estoques de Viagra e de próteses penianas. 

Para não falar desses temas mais desagradáveis, Bolsonaro esticava as respostas sobre outros assuntos, passando por cima das tentativas de interrupção, e ditando o ritmo da entrevista, na qual falou por 24m37s, ficando Bonner e Renata com 15m23s para fazer todas as perguntas do roteiro e contestar ligeiramente as muitas mentiras contadas (uma a cada 3 minutos, segundo o Estadão Confere). 
3
Nada se perguntou também sobre os muitos sigilos de 100 anos decretados por Bolsonaro para interromper investigações sobre filhos e aliados, como o senador Flávio Bolsonaro e o general palanqueiro Eduardo Pazzuelo, ex-ministro da Saúde, aquele que só fazia o que o presidente mandava, enquanto se multiplicava o número de mortos na pandemia. 

Nem sobre as rachadinhas em escala industrial (que abasteceram as campanhas eleitorais do presidente e seus filhos), a compra de imóveis com dinheiro vivo e até uma loja de chocolates. 
4Passaram igualmente batidas as mentiras de que fez a transposição do rio São Francisco (mais de 90% foram Lula e Dilma) e criou o Pix (foi Michel Temer). 
5Mas o maior buraco da entrevista se abriu quando Bolsonaro começou a falar de como o Brasil está vivendo um momento de glórias na economia, sem que ninguém se lembrasse:
dos 33 milhões de brasileiros que estão passando fome;
— dos 60 milhões em insegurança alimentar e dos 10 milhões de desempregados;
— dos 40 milhões que estão na informalidade;
— das levas de miseráveis que perambulam pelas ruas das grandes cidades, e
— da inflação dos alimentos (que bateu recordes no último ano e corrói o Auxílio Brasil de R$ 600 reais, que já não dá para comprar sequer uma cesta básica). 

Nenhuma pergunta foi feita que o presidente já não tivesse respondido antes à imprensa da rede bolsonarista de rádio e televisão e nos intermináveis
podcasts com influencers amigos que alimentam suas redes sociais. Nenhum fato novo ou pergunta inédita que surpreendesse o entrevistado surgiu na bancada, na qual fez falta um detector de mentiras. 

Assim, o presidente pôde nadar de braçada, repetindo velhas mentiras e criando novas, como a de que não xingou o ministro Alexandre de Moraes de canalha e não debochou das pessoas que morreram por falta de oxigênio em Manaus, mas estas foram contestadas pelos entrevistadores. 

Depois de passar incólume por esse teste de fogo baixo, é capaz de o capitão até comparecer aos debates de presidenciáveis já marcados. 

Se não ganhou nenhum voto com essa estratégia, Bolsonaro também não perdeu eleitores. Quem é Bolsonaro vai continuar Bolsonaro, quem é Lula continua Lula e quem é indeciso continuou indeciso. Não aconteceu nada do que os interlocutores palacianos previram. 

Restou um gosto amargo de perda de tempo. 

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)
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