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quinta-feira, 14 de maio de 2026

COPA DO MUNDO: NEGÓCIOS EM ALTA E O JORNALISMO NO RALO. QUE FIM DE FEIRA!

A grande mídia escrita, televisada e radiofônica, que acaba definindo também a pauta das redes sociais, decai vez mais no Brasil. E seus serviçais jornalísticos, idem.

Neste 13 de maio, os escravos da indústria cultural não se libertaram da incumbência de fazerem calhau passar por ouro: deram grande destaque à divulgação dos 55 nomes que poderão ser utilizados por Carlo Ancelotti no Mundial e à presença de Neymar na relação. 

Cinquenta e cinco jogadores! Está na cara que o decadente técnico italiano já tem no bolso do colete aqueles que constarão da lista definitiva de 26 atletas. Contusões à parte, os 29 restantes, principalmente  o ex-futebolista Neymar, foi convocado só para fazer média com clubes, torcidas, emissoras, publicitários, anunciantes, etc.

Criar o clima de Copa do Mundo é importante para todos os negócios que giram em torno da competição. Mas nós deveríamos manter o recato, não nos comportando amoralmente como negociantes!

Repugnam-me profundamente os comunicadores que puxam o saco dos patrões, manipulando seus públicos para que os Cidadãos Kane brasileiros faturem 
uma grana preta.

E o que dizer dos meus colegas de profissão (argh!) que continuam fazendo de conta que as fraudes do Banco Master foram significativas, como se já não tivessem passado despercebidos escândalos muito piores?! 

Neste caso, o que estamos vendo não é nada além das primeiras escaramuças da corrida eleitoral. Quanta lama escorrerá do esgoto até outubro,  com a cumplicidade de jornalistas  coniventes! (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 12 de maio de 2026

O DONO DA BOI GORDO ERA UM SELF SHIT MAN DO CAPITALISMO. O BOZO, UM SERIAL KILLER. OS POLÍTICOS, SONS OF BITCHES.

Outra prova de que o Brasil não é um país sério

Rui Martins, meu amigo de longa data e colaborador deste blog desde o seu início em 2008, bateu pesado (vide aqui) no Paulo Roberto de Andrade, criador e dono das Fazendas Reunidas Boi Gordo,  cuja falência foi decretada oficialmente em 2004.

Está certo o Rui quanto à necessidade de se punir quem aplica golpes no mercado, mas o Brasil está diminuindo a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, com sua sabotagem vacinal, acrescentou no mínimo três centenas de milhares de óbitos ao número de mortos pela covid. 

O pilantra Andrade deveria passar alguns anos na prisão. O serial killer Bolsonaro merecia ficar o resto da vida a pão e água num cárcere medieval. País que quebra o galho de um exterminador desses decididamente não é um país sério, como Charles De Gaulle disse ou levou a fama de haver dito. 

Tenho mais desprezo pelos políticos profissionais, que roubam sem correr riscos, do que pelos bandidos, cujo ofício embute o perigo de serem mortos. O golpe da amenização das penas da dosimetria, um absurdo gerado no Congresso, está aí para mostrar como a corja da politicagem age com o máximo de fisiologismo para proteger seus pares, ainda que de outros partidos.

Quanto à Boi Gordo, era cliente de uma agência de comunicação empresarial na qual trabalhei. Depois soubemos que Andrade havia cumprido pena de prisão num passado distante. 

.Seu negocio era vender bezerros para os investidores, cuja grana era devolvida, se bem me lembro, um ano e meio depois, acrescida da maior parte do valor obtido com a engorda. 

Tratava-se de  uma pirâmide: o dinheiro utilizado para pagar os clientes cuja engorda se encerrava saía dos novos contratos vendidos pela Boi Gordo.

Andrade percebeu que o esquema batera no teto e os novos contratos não seriam mais suficientes para reembolsar os clientes velhos. Então, tentou salvar a empresa comprando uma megafazenda no Mato Grosso, onde venderia lotes de terra e a Boi Gordo se incumbiria de construir as fazendas solicitadas pelos clientes. 

A infraestrutura, com aeroporto, supermercado, usina de força, banco, etc., ra muito dispendiosa. E foi bem no meio do projeto que a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo proibiu a Boi Gordo de vender novas cotas. A quebra se tornou iminente.
Antonio Fagundes, o rei do gado extraviado
Mas, não me parece que a intenção dele fosse encerrar as atividades e fugir com a grana, pelo menos no momento em que o fez. Caso contrário não gastaria tanto na compra de bois campeões e em melhoria genética. 

Quando o colapso se tornou evidente, ele foi desfrutar sua fortuna nos Estados Unidos, deixando os investidores na mão. 

Pelo que eu soube, o Andrade só pagou uma categoria de investidores: os bandidos que lavavam dinheiro aplicando-o na Boi Gordo. Com esses não se brinca. (por Celso Lungaretti)

GOLPE DO BANCO MASTER VAI ACABAR EM PIZZA COMO O DA BOI GORDO?

 Megafazenda da Boi Gordo no
Mato Grosso: o princípio do fim.
 

O golpe do Banco Master terminará em pizza e Daniel Bueno Vorcaro vai rir da nossa cara, enquanto estiver tomando seu uísque à beira-mar de um resort de renome, curtido só por milionários?

Ao seu lado, poderá estar gargalhando até do nosso Judiciário um de seus prováveis inspiradores, Paulo Roberto de Andrade, famoso por um golpe de mais de 2,5 bilhões, não em ministros, políticos e bancos, mas em 34 mil pequenos investidores da classe média.

Segundo o professor Marcos Assi, na revista Exame, o golpe do Banco Master tem uma diferença marcante: os maiores lesados não foram apenas pequenos e médios investidores, mas fundos de pensão, municípios, Estados e empresas de capital aberto, com envolvimento direto ou indireto de políticos e até de importantes juristas, num total astronômico calculado em 10 bilhões de dólares.

O trambiqueiro Paulo Roberto de Andrade (foto à esquerda), criador e gestor da pirâmide ou safadeza das Fazendas Reunidas Boi Gordo nunca foi preso, graças a um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal de Justiça. Depois da programada delação, Daniel Vorcaro também sairá livre e poderá comemorar com os amigos que viajavam no seu avião?

Mais de vinte anos depois da falência da Boi Gordo, a Justiça se arrasta na venda das fazendas tomadas de Andrade, cujo total serviria para indenizar parcialmente os investidores lesados. O pessimismo é do advogado de muitos dos lesados, Aurélio de Almeida Paiva.

E, embora grande parte dos investidores tenha enviado seus investimentos em dólares para Miami, até hoje a Justiça brasileira, encarregada da falência, não pediu aos Estados Unidos o retorno total desses recursos ao Brasil.

Diante do escândalo do Banco Master, lembrei-me de um artigo sobre a falência da Boi Gordo que escrevi em 2009, com descrença e pessimismo na Justiça brasileira, bem evidente já no título: Dono da Boi Gordo rico, feliz e livre.

O empresário Paulo Roberto de Andrade tinha sido processado por crime falimentar e condenado a três anos de prisão pela 13ª Vara Criminal de São Paulo. Mas seu advogado entrou com um habeas corpus para Andrade aguardar em liberdade o fim do processo. E o ministro Og Fernandes, da 6ª Turma do STJ, concedeu a liminar alegando que o TJ paulista não podia determinar a prisão antes do trânsito em julgado da sentença.

Enfim, o STJ anulou a ação penal contra Andrade e reconheceu a prescrição do processo. Mas acrescentou um parágrafo elucidativo, segundo o promotor Eronildes Rodrigues dos Santos, da Vara de Falências de São Paulo: 
É a pizza. Fazer o quê? Lamento a anulação de um caso emblemático como esse. Houve um golpe, milhares de pessoas foram lesadas e não haverá responsabilização penal
É o cowboy fora da lei cantado pelo Raulzito?
Procurado. o ministro Nilson Naves, responsável pela decisão do STJ, está ocupado e não tinha tempo para atender.

Vai ser assim com Daniel Vorcaro? Quem viver verá! 

A lei, ora a lei, dizia  Getúlio Vargas. (por Rui Martins)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

CUIDADO COM QUEM TEM O SOBRENOME 'MESSIAS' E ATUA NA POLÍTICA: PODE SER UM FALSO PROFETA OU UM ANJO CAÍDO

A rejeição do Senado ao indicado de Lula para o STF, Jorge Messias, foi um belo tapa na cara dos evangélicos, que forçam a barra para obterem cada vez mais poder.

E também na cara do Lula, que está fazendo um governo inconsistente e quer um quarto mandato por pura satisfação de ego, pois não confronta mais os poderosos como deveria e já abandonou as bandeiras anticapitalistas e libertárias faz muito tempo.

O currículo de Messias é pobre e não o qualifica para o Supremo. O atual episodio faz lembrar o de Dias Toffoli em 2009: é outro que Lula indicou por mera politicagem ou pelos  seus bons préstimos como serviçal do PT. Deu no escândalo que está dando.

Só mesmo a polarização com os Bolsonaros leva a esquerda majoritária a engolir o flerte descarado de Lula com os vendilhões do templo, como se o Brasil não fosse um estado laico, constitucionalmente separado de qualquer religião desde 1891. 

O novo vexame do Lula deveria lhe servir de advertência. Quando a aceitação do Messias pelo Senado se tornou duvidosa, ele poderia simplesmente substituí-lo por alguém não identificado com nenhum partido e possuidor de notório saber jurídico. Sua teimosia tem aumentado cada vez mais no atual mandato.

De resto, parece que os messias se dão muito mal na política brasileira. 

O Jorge só se destacou como o carteiro escolhido por Dilma Rousseff para entregar ao Lula a papelada que o blindaria contra o Mensalão; e como o aspirante ao Supremo que foi feito de gato e sapato pelo Senado. É um falso profeta (aqueles que distorciam os ensinamentos de Cristo para benefício pessoal).

Já o Jair, pior presidente brasileiro de todos os tempos, tentou impor-nos uma ditadura por meio de golpe de estado e foi um desvairado sabotador da vacinação contra a covid. É um anjo caído (os que, liderados por Lúcifer, se rebelaram contra Deus e foram expulsos do céu).

O falso profeta não conseguiu pregar no templo e o anjo caído foi enxotado da vida pública. O destino pune. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 22 de abril de 2026

A GRANDE IMPRENSA E OS BANCOS ESTÃO UNIDOS NO LOBBY CONTRA O FIM DA ESCALA 6x1. DESCARADAMENTE!

O
 banco Inter, líder do ranking de reclamações do Banco Central, divulgou um estudo estimando que o fim da escala 6x1 acarretará no médio prazo uma redução de 0,82% no Produto Interno Bruto brasileiro.

Só isto? E por que esperaram tanto tempo? Já na década de 1930 a Dinamarca adotava a escala 5x2. 

Afinal, para que servem os bancos além de lucrarem uma enormidade parasitariamente (pois nada produzem) e de frequentarem o noticiário com um escândalo atrás do outro?

Há 110 anos Lênin disse tudo que importava sobre o capital financeiro no seu clássico O imperialismo, etapa superior do capitalismo. Eis alguns trechos:
Os bancos, de modestas empresas intermediárias que eram antes, se transformaram em monopolistas do capital financeiro. Três ou cinco grandes bancos de cada uma das nações capitalistas mais avançadas realizaram a "união pessoal" do capital industrial e bancário, e concentraram nas suas mãos somas de milhares e milhares de milhões, que constituem a maior parte dos capitais e dos rendimentos em dinheiro de todo o país.

A oligarquia financeira tece uma densa rede de relações de dependência entre todas as instituições econômicas e políticas da sociedade burguesa contemporânea, sem exceção: tal é a manifestação mais evidente deste monopólio.

O imperialismo é a época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade. A reação em toda a linha, seja qual for o regime político, é a exacerbação extrema das contradições
De resto, o destaque desmesurado dado a tal estudo na grande imprensa é pra lá de suspeito. Como editor que já fui, eu consideraria tal arremedo de notícia merecedor de 10 linhas, e olhe lá... (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

ATÉ QUANDO O ESTADÃO CONTINUARÁ DANDO DESTAQUE EXAGERADO AO FACTOIDE DO BANCO MASTER?

Motoristas que trafegam pela avenida Tiradentes
já estão acostumados a esta vista da sede da Rota

A extremada insistência d'O Estado de S. Paulo em derrubar os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli me fez lembrar de um episódio da minha carreira jornalística em que estive envolvido numa empreitada semelhante, só que em miniatura.

Estava cobrindo férias de um colega no mesmo Estadão e, naquele momento, precisava muito ser efetivado. 

Aí fui reportar uma manifestação de preservadores do patrimônio histórico no Jardim da Luz (o mais antigo desses espaços públicos na cidade de São Paulo, tendo sido aberto à população em 1825, inicialmente como jardim botânico).   

É que o secretário municipal de Cultura, Jorge da Cunha Lima, tinha lançado um programa de revitalização da região, o Luz Cultural. E havia ordenado a demolição de uma torre que, durante uma das badernas militares da década de 1920, havia sido atingida por tiros de canhão e guardava as marcas de tais canhonaços.   

Uma entidade de moradores da região fez uma barreira humana para impedir a continuidade dos trabalhos e eu, considerando válida sua argumentação, preparei uma notícia de rotina sobre a ocorrência. Mas ela repercutiu mais do que se esperava e o jornal me designou para fazer suítes (continuações) diárias.

Eis a torre da discórdia
Aí não só critiquei o trabalho de uma entidade municipal que deveria estar protegendo esses símbolos do passado (o que a levou a convocar imediatamente uma reunião que impugnou a demolição), como também passei a comentar outras iniciativas duvidosas do Cunha Lima.

Após uma meia dúzia do noticiário adverso que eu estava criando, ele me chamou para entregar os pontos. Disse que a demolição tinha sido um erro e ele, como homem de bem, o reconhecia. Mas pediu que parasse com a campanha contra outras realizações de sua pasta.

O experiente fotógrafo que me acompanhava pediu ao Cunha Lima que apontasse num mapa que estava no chão a região do Luz Cultural. Ele teve abaixar-se para fazer isto e foi clicado numa posição de quem está pedindo perdão. 

Resultado: o mea culpa ocupou toda a última página (anúncios publicitários à parte) do jornalão, com meu texto celebrando a vitória e a foto do secretário fazendo o que parecia ser uma penitência.

Mais tarde, fiquei em dúvida sobre se havia batido pesado demais no Cunha Lima. Quando, contudo,  fiquei sabendo que ele era o diretor de redação da Última Hora em Pernambuco e debandou do jornal quando os militares deram o golpe de 1964, frustrando qualquer possibilidade de reação à quartelada, recordei-me da velha máxima Deus escreve certo por linhas tortas.

Mas, pelo menos eu encerrei minha campanha tão logo ele admitiu a lambança. Hoje em dia, contudo, o Estadão parece querer passar o ano inteiro com tal episódio secundário sendo destacado na capa.

Estardalhaço demais
para um mero indício
Nunca foi tão justificada a frase do Paulo Francis, sobre o combate à corrupção dos políticos nada mais ser do que uma bandeira da direita. 

Não passa de uma consequência do amoralismo intrínseco ao capitalismo e jamais será erradicada enquanto durar a exploração do homem pelo homem. 

Infelizmente, a esquerda abandonou sua missão de educar o povo e prefere ficar travando uma batalha de tortas de lama com  a direita. 

O Dias Toffoli nada fez como ministro do Supremo que justificasse qualquer benevolência com ele. Que seja impichado o quanto antes.

Já a atuação do Alexandre de Moras  na hora mais perigosa desta nação foi inestimável, evitando o golpe de 08.01 e conduzindo à prisão o pior genocida do seu próprio povo em todos os tempos no Brasil. Crucificá-lo por um grão de areia num oceano de iniquidade é, no mínimo, suspeito. (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

INÓCUO SOB O CAPITALISMO, O COMBATE À CORRUPÇÃO É UMA BANDEIRA QUE SEMPRE ALAVANCA O POPULISMO DE DIREITA.

Combater a corrupção no capitalismo = enxugar gelo
O
circo do combate à corrupção  reergueu suas tendas para o espetáculo caso Master, ora em cartaz

Desde já se sabe que os palhaços da política profissional não passarão maus momentos. Os histriões dos principais partidos já teriam até acertado uma trégua entre eles, para evitar que as denúncias mútuas façam mais cabeças rolarem). 

No final, apesar de estar esperneando um bocado, o principal me(r)dalhão punido deverá ser Dias Toffoli, um mero e medíocre lambari, que não deveria nem ter recebido de presente uma cadeira no Supremo Tribunal Federal,

Daí eu estar republicando trechos de um artigo de 2009, quando uma disputa por mercado recebeu inclusive o apoio de partidos de esquerda -- uma vergonha! 

Tenho orgulho da minha atuação na série de escândalos que conseguiram aviltar ainda mais a política brasileira; alertei sempre que eles beneficiariam principalmente a direita. Não fui ouvido, mas meu papel eu cumpri. A omissão e oportunismo de outros companheiros prevaleceu e nosso povo sofreu as consequências. 

O vilão supremo Jair Bolsonaro, inclusive, não chegaria onde chegou se a Operação Lava-Jato não tivesse predisposto eleitores a fazerem a escolha mais funesta de suas vidas. Tento evitar que o desatino se repita.
O powerpoint do Dallagnol, um descalabro da Lava-Jato.
Q
uando, na década retrasada, contingentes da nossa esquerda tomaram partido por uma facção de gangsteres do capitalismo, de preferência à outra que com ela travava uma disputa mafiosa pelo florescente mercado de telecomunicações, fui um dos poucos articulistas a alertar que tal imbróglio não nos dizia respeito e nele não havia ninguém com quem devêssemos nos alinhar. 

De inocente útil chegava o delegado Protógenes Queiroz, o personagem mais badalado da Operação Satiagralha, que tirou as batatas do fogo enquanto um ex-superior hierárquico dele, alinhado com uma das quadrilhas litigantes, evitava queimar os dedos. Detonou sua carreira policial, mas ganhou inesperado prêmio de consolação: uma cadeira na Câmara Federal... pela legenda do PCdoB! 

A tal populismo rasteiro se reduzia um partido que ousou pegar em armas contra a ditadura militar. E não estava sozinho: o Psol também estendeu o tapete vermelho para o ingênuo delegado Brancaleone, que, contudo, o rejeitou.

Foi quando recoloquei em circulação uma conclusão definitiva do Paulo Francis sobre o udenismo e o golpismo de meados do século 20: O combate à corrupção é uma bandeira da direita (mais tarde, cunhei eu também um bordão nessa linha, a corrupção é intrínseca ao capitalismo).

Eis minha argumentação de abril/de 2009): 
Diagnóstico correto. E cuidado, essa doença mata!
...
as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida...

De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.

Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.

Esta deveria, isto sim, demonstrar que o capitalismo em si causa prejuízos imensamente maiores para o cidadão comum do que os desvios de recursos dos cofres públicos; e que a moralização da política não se dará com medidas policiais, mas sim com uma transformação maior da sociedade.

Não o faz. Desatinadamente, algumas de suas tendências reforçaram as denúncias que culminaram no suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e as que deram pretexto à dita redentora de 1964 (que, claro, nada mudaram exceto melhorar a sorte dos beneficiários do butim ou ávidos de poder).

Então, digo e repito: em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere magnificar, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.
Em sua agonia, o capitalismo cada vez mais recorre à força.

A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.

Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém.

E por que a corrupção não pode ser erradicada sob o capitalismo? Porque este coloca como prioridade máxima da existência humana o enriquecimento individual, a vitória na luta de todos contra todos por um lugar ao sol, ainda que pisando no pescoço da mãe para alcançar tal intento, como diria o Brizola.

Se esta é a lógica do sistema, sempre haverá quem busque atalhos para alcançar o objetivo à margem das regras que o próprio sistema estabelece mas manda às favas quando lhe convém. 

A alternância de cruzadas moralizadoras com períodos em que a corrupção corre solta dá a tônica do capitalismo. 

Revolucionários não deveriam jamais vergar-se aos estados de ânimo popular produzidos pela lavagem cerebral permanente do sistema, mas sim esclarecer corajosamente a seus públicos que todas as Lava-Jatos da vida cumprem a mesmíssima função de enxugar gelo.

E, enquanto a ilusão não se desfizer, acarretará golpes de estado, impeachments, vitórias eleitorais de demagogos grotescos e outros desdobramentos nefandos. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O PRINCIPAL ERRO DO TOFFOLI FOI ASSUMIR UM CARGO DO QUAL NUNCA ESTEVE À ALTURA. O RESTO É EFEITO.

O
ministro do STF Dias Toffoli está todo encalacrado no caso das fraudes do Banco Master. Merece.

Quando eu lutava contra a extradição do escritor Cesare Battisti, vagou uma cadeira no Supremo e ele, apesar de não preencher nem de longe os requisitos para o cargo, acabou sendo o indicado pelo Lula.

Sua escolha foi defendida principalmente pelo Zé Dirceu, de quem havia sido advogado. E aqueles caciques petistas (não eram todos) que faziam questão da libertação do Battisti contavam com o voto dele neste sentido.

De repente o ministro do STF Gilmar Mendes, que era um ídolo para toda a imprensa reacionária, fez declarações contundentes contra o Toffoli, argumentando que não possuía méritos acadêmicos suficientes para integrar o STF.

Houve até jornalão que publicou editorial nessa linha. Mas aí o Mendes fez uma longa reunião com o Toffoli e saiu se desdizendo. Afirmou que ele era perfeitamente apto para o cargo.

Nós, do comitê de solidariedade ao Battisti, percebemos depressa que havia algo de podre no reino da Dinamarca.
Isto logo se confirmou: o Toffoli se considerou impedido para julgar o Cesare, embora haja depois atuado em vários casos nos quais existiam razões bem maiores para ele ficar de fora.

Pior ainda ele se mostrou pessoalmente. 

Na véspera de um dos julgamentos do Battisti o Carlos Lungarzo (em nome da Anistia Internacional), o então senador Eduardo Suplicy e eu (um dos dois maiores defensores da memória da luta armada nas redes sociais, ao lado do Ivan Seixas), fomos levar um memorial em defesa do Cesare.

Conseguimos entregá-lo a quase todos os ministros durante a pausa para o cafezinho. E fomos recebidos com respeito, inclusive pelos que tinham tinha posição contrária, como o Lewandowski.

O Toffoli foi exceção. Parecia um homem proeminente sendo incomodado por pedintes. Só faltou jogar imediatamente o memorial no lixo.  

No entanto, o prestígio de nós três fora conquistado com muita luta durante décadas, enquanto o Toffoli nada tinha feito de relevante antes de ser beneficiado por uma indicação política. 

Tomara que caia, pra arejar o lodaçal!

De resto, bolsonaristas e outros direitistas estão movendo céus e terras para envolver o ministro Alexandre de Moraes no escândalo. 

A contribuição dele para livrar o país de sua maior aberração política em todos os tempos jamais pode sucumbir a uma insignificância  como o contrato firmado pela esposa com o Banco Master e a acusações não provadas. 

Se isso virasse o novo normal, as dependências dos Poderes ficariam vazias.

E mesmo que dolo houvesse, quem tranca o Bolsonaro tem cem séculos de perdão... (por Celso Lungaretti) 
"Lá vai ela toda prosa, vestida de verde e rosa/ Parece até a 
Mangueira em dia de carnaval/ Vai de mini, minissaia, blusa
tomara que caia/ Tomara mesmo que caia, pra alegrar o visual"
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