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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A BOA NOTÍCIA É QUE GUERRAS, RADIAÇÃO, ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E FOME NÃO NOS DIZIMARÃO. A MÁ: MORREREMOS DE SEDE.

O
mundo já não vive apenas uma crise pontual ou mera escassez de água, mas sim uma falência hídrica global.

O alerta consta de um relatório da Universidade das Nações Unidas, apresentado como subsídio à Conferência da ONU sobre a Água de 2026.

Segundo o estudo, em vastas regiões do planeta os sistemas hídricos foram tão degradados que já não conseguem se recompor nos marcos tradicionais de gestão.

Muitos problemas se tornaram estruturalmente irreversíveis: aquíferos superexplorados, rios artificializados, zonas úmidas destruídas, poluição crônica e uso predatório do solo corroeram os mecanismos naturais de armazenamento e renovação da água. 

O resultado é um déficit permanente entre oferta e demanda, com impactos crescentes sobre alimentos, energia, saúde pública, estabilidade política e desenvolvimento econômico.

Parece que voltamos ao século passado, quando a seca era um tema recorrente nas canção nordestinas.

A diferença é que naquele tempo ainda havia como corrigir tais situações. Agora, não mais.
Isto é o capitalismo: a prevalência da ganância sobre as necessidades humanas.

Uma expressão que usávamos antigamente era quem viver, verá.

Agora faz mais sentido dizermos 
se alguém sobrar, verá. (por Celso Lungaretti)
Clique aqui para assistir ao teipe de "Asa 
Branca".
Cantam Luiz Gonzaga, Fagner,  Sivuca e Guadalupe.

domingo, 15 de dezembro de 2013

GRANDE CACASO!!!

Talvez o menos conhecido dos grandes letristas do auge da MPB seja Antônio Carlos de Brito (1944-1987), o Cacaso. 

Professor universitário, poeta, cronista e desenhista acidental, abrilhantou com seus textos e caricaturas os veículos alternativos da época, como Opinião e Movimento. 

E são simplesmente brilhantes suas contribuições musicais, tanto que compôs em parceria com, e/ou teve suas criações interpretadas por: Almir Sater, Cláudio Nucci, Djavan, Eduardo Gudin, Edu Lobo, Francis Hime, João Donato, Joyce, Nelson Angelo, Novelli, Olívia Byington, Sivuca, Sueli Costa, Tom Jobim, Toninho Horta, Toquinho. A nata da nata.

Graças a uma citação do Elio Gaspari na sua coluna dominical, fiquei conhecendo, com enorme atraso, outra das poesias magnificamente sarcásticas de Cacaso: "Jogos Florais - 1", feita na época do milagre brasileiro para detoná-lo com muita classe:

Minha terra tem palmeiras,
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso, o sabiá
vive comendo o meu fubá.

Ficou moderno o Brasil,
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.

Antes, eu já me apaixonara por duas canções cujo destaque absoluto são seus versos, musicados e gravados por Edu Lobo. Vale a pena reproduzir na íntegra as letras, pois têm uma qualidade cada vez mais difícil de encontrarmos nos trabalhos atuais:

VIOLA FORA DE MODA

Moda de viola,
de um cego infeliz,
podre na raiz, ah, ah!

Vive sem futuro,
num lugar escuro
e o diabo diz: Ah, ah!

Disso eu me encarrego,
moda de viola
não dá luz a cego, ah, ah!




LERO-LERO

Sou brasileiro,
de estatura mediana,
gosto muito de fulana,
mas sicrana é quem me quer.
Porque no amor,
quem perde quase sempre ganha,
veja só que coisa estranha,
saia dessa se puder!

Eu sou poeta
e não nego minha raça,
faço verso por pirraça
e também por precisão.
De pé quebrado,
verso branco, rima rica,
negaceio, dou a dica,
tenho a minha solução.

Não guardo mágoa,
não blasfemo, não pondero,
não tolero lero-lero,
devo nada pra ninguém.
Sou esforçado,
minha vida levo a muque,
do batente pro batuque,
faço como me convém.

Sou brasileiro,
tatu-peba, taturana,
bom de bola, ruim de grana,
tabuada sei de cor.
4 x 7,
28, noves fora,
ou a onça me devora,
ou no fim vou rir melhor.

Não entro em rifa,
não adoço, não tempero,
não remarco o marco zero,
se falei, não volto atrás.
Por onde passo
deixo rastro, deito fama,
desarrumo toda trama,
desacato satanás.

Diz um ditado,
natural da minha terra:
bom cabrito é o que mais berra,
onde canta o sabiá.
Desacredito
no azar da minha sina,
tico-tico de rapina,
ninguém leva o meu fubá!

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