Mostrando postagens com marcador Dias Toffoli. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dias Toffoli. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de abril de 2026

CUIDADO COM QUEM TEM O SOBRENOME 'MESSIAS' E ATUA NA POLÍTICA: PODE SER UM FALSO PROFETA OU UM ANJO CAÍDO

A rejeição do Senado ao indicado de Lula para o STF, Jorge Messias, foi um belo tapa na cara dos evangélicos, que forçam a barra para obterem cada vez mais poder.

E também na cara do Lula, que está fazendo um governo inconsistente e quer um quarto mandato por pura satisfação de ego, pois não confronta mais os poderosos como deveria e já abandonou as bandeiras anticapitalistas e libertárias faz muito tempo.

O currículo de Messias é pobre e não o qualifica para o Supremo. O atual episodio faz lembrar o de Dias Toffoli em 2009: é outro que Lula indicou por mera politicagem ou pelos  seus bons préstimos como serviçal do PT. Deu no escândalo que está dando.

Só mesmo a polarização com os Bolsonaros leva a esquerda majoritária a engolir o flerte descarado de Lula com os vendilhões do templo, como se o Brasil não fosse um estado laico, constitucionalmente separado de qualquer religião desde 1891. 

O novo vexame do Lula deveria lhe servir de advertência. Quando a aceitação do Messias pelo Senado se tornou duvidosa, ele poderia simplesmente substituí-lo por alguém não identificado com nenhum partido e possuidor de notório saber jurídico. Sua teimosia tem aumentado cada vez mais no atual mandato.

De resto, parece que os messias se dão muito mal na política brasileira. 

O Jorge só se destacou como o carteiro escolhido por Dilma Rousseff para entregar ao Lula a papelada que o blindaria contra o Mensalão; e como o aspirante ao Supremo que foi feito de gato e sapato pelo Senado. É um falso profeta (aqueles que distorciam os ensinamentos de Cristo para benefício pessoal).

Já o Jair, pior presidente brasileiro de todos os tempos, tentou impor-nos uma ditadura por meio de golpe de estado e foi um desvairado sabotador da vacinação contra a covid. É um anjo caído (os que, liderados por Lúcifer, se rebelaram contra Deus e foram expulsos do céu).

O falso profeta não conseguiu pregar no templo e o anjo caído foi enxotado da vida pública. O destino pune. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

ATÉ QUANDO O ESTADÃO CONTINUARÁ DANDO DESTAQUE EXAGERADO AO FACTOIDE DO BANCO MASTER?

Motoristas que trafegam pela avenida Tiradentes
já estão acostumados a esta vista da sede da Rota

A extremada insistência d'O Estado de S. Paulo em derrubar os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli me fez lembrar de um episódio da minha carreira jornalística em que estive envolvido numa empreitada semelhante, só que em miniatura.

Estava cobrindo férias de um colega no mesmo Estadão e, naquele momento, precisava muito ser efetivado. 

Aí fui reportar uma manifestação de preservadores do patrimônio histórico no Jardim da Luz (o mais antigo desses espaços públicos na cidade de São Paulo, tendo sido aberto à população em 1825, inicialmente como jardim botânico).   

É que o secretário municipal de Cultura, Jorge da Cunha Lima, tinha lançado um programa de revitalização da região, o Luz Cultural. E havia ordenado a demolição de uma torre que, durante uma das badernas militares da década de 1920, havia sido atingida por tiros de canhão e guardava as marcas de tais canhonaços.   

Uma entidade de moradores da região fez uma barreira humana para impedir a continuidade dos trabalhos e eu, considerando válida sua argumentação, preparei uma notícia de rotina sobre a ocorrência. Mas ela repercutiu mais do que se esperava e o jornal me designou para fazer suítes (continuações) diárias.

Eis a torre da discórdia
Aí não só critiquei o trabalho de uma entidade municipal que deveria estar protegendo esses símbolos do passado (o que a levou a convocar imediatamente uma reunião que impugnou a demolição), como também passei a comentar outras iniciativas duvidosas do Cunha Lima.

Após uma meia dúzia do noticiário adverso que eu estava criando, ele me chamou para entregar os pontos. Disse que a demolição tinha sido um erro e ele, como homem de bem, o reconhecia. Mas pediu que parasse com a campanha contra outras realizações de sua pasta.

O experiente fotógrafo que me acompanhava pediu ao Cunha Lima que apontasse num mapa que estava no chão a região do Luz Cultural. Ele teve abaixar-se para fazer isto e foi clicado numa posição de quem está pedindo perdão. 

Resultado: o mea culpa ocupou toda a última página (anúncios publicitários à parte) do jornalão, com meu texto celebrando a vitória e a foto do secretário fazendo o que parecia ser uma penitência.

Mais tarde, fiquei em dúvida sobre se havia batido pesado demais no Cunha Lima. Quando, contudo,  fiquei sabendo que ele era o diretor de redação da Última Hora em Pernambuco e debandou do jornal quando os militares deram o golpe de 1964, frustrando qualquer possibilidade de reação à quartelada, recordei-me da velha máxima Deus escreve certo por linhas tortas.

Mas, pelo menos eu encerrei minha campanha tão logo ele admitiu a lambança. Hoje em dia, contudo, o Estadão parece querer passar o ano inteiro com tal episódio secundário sendo destacado na capa.

Estardalhaço demais
para um mero indício
Nunca foi tão justificada a frase do Paulo Francis, sobre o combate à corrupção dos políticos nada mais ser do que uma bandeira da direita. 

Não passa de uma consequência do amoralismo intrínseco ao capitalismo e jamais será erradicada enquanto durar a exploração do homem pelo homem. 

Infelizmente, a esquerda abandonou sua missão de educar o povo e prefere ficar travando uma batalha de tortas de lama com  a direita. 

O Dias Toffoli nada fez como ministro do Supremo que justificasse qualquer benevolência com ele. Que seja impichado o quanto antes.

Já a atuação do Alexandre de Moras  na hora mais perigosa desta nação foi inestimável, evitando o golpe de 08.01 e conduzindo à prisão o pior genocida do seu próprio povo em todos os tempos no Brasil. Crucificá-lo por um grão de areia num oceano de iniquidade é, no mínimo, suspeito. (por Celso Lungaretti)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

NÃO É NECESSÁRIO CANHÃO PARA MATAR UM TOFFOLI: INSETICIDA BASTA.

A grande imprensa continua manipulando não só seu próprio público, como também a internet, que a copia.

Dias Toffoli é o alvo da vez. Não passa de um mosquito, uma insignificância.

Deve ser expelido do Supremo e, em seguida, ver o sol nascer quadrado? Sim, sem dúvida.

Mas, justifica-se tanto alarde por tão pouco? Não, nem a pau, Juvenal.

Além de a exaustiva campanha jornalística ser uma óbvia maneira de reduzirem a credibilidade do Supremo, justamente no momento em que ele mantém preso o pior homicida culposo da história do Brasil.

Repito a frase antológica do Paulo Francis: O combate à corrupção é uma bandeira da direita.

Faz todo sentido que o Estadão e a Folha queiram levar os leitores a esquecerem que há uma imensidão de problemas muitíssimo mais graves no Brasil, causados pelo vilão-mor, o capitalismo. 

Mas, é incompreensível que tantos comentaristas de esquerda estejam embarcando também nessa canoa furada.

Assim como na de valorizarem a eleição de cartas marcadas da democracia burguesa, como se houvesse pelo menos um candidato  aproveitável dentre os que têm reais chances de vitória. 

Flávio Bolsonaro, Lula, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas me fazem lembrar um pitoresco desafio estilizado da Orquestra Armorial, o "Coco Praieiro": É que, se tratando do seu canto, eu sou sincero: um mais um é igual a zero, tire a prova se restar.

Em se tratando destes quatro eu sou sincero: o resultado da soma de qualquer um com qualquer outro é número negativo. Bem negativo,

E não passa de uma lavagem cerebral a insistência em darem desde já tamanho destaque à corrida eleitoral?! Trata-se da mais flagrante forçação de barra, para fazer os leitores engolirem isca, anzol e linha. 

Antigamente o noticiário sobre a eleição só aumentava depois das férias escolares de julho, e já era uma amolação sem tamanho. Agora dura mais de 10 meses. Haja saco!

Encerro com o Raul Seixas: Todo o jornal que eu leio me diz que a gente já era, que  já não é mais primavera, Oh, baby, a gente ainda nem começou.

De algo tenho certeza absoluta: todo jornal que eu leio tenta me iludir. (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

INÓCUO SOB O CAPITALISMO, O COMBATE À CORRUPÇÃO É UMA BANDEIRA QUE SEMPRE ALAVANCA O POPULISMO DE DIREITA.

Combater a corrupção no capitalismo = enxugar gelo
O
circo do combate à corrupção  reergueu suas tendas para o espetáculo caso Master, ora em cartaz

Desde já se sabe que os palhaços da política profissional não passarão maus momentos. Os histriões dos principais partidos já teriam até acertado uma trégua entre eles, para evitar que as denúncias mútuas façam mais cabeças rolarem). 

No final, apesar de estar esperneando um bocado, o principal me(r)dalhão punido deverá ser Dias Toffoli, um mero e medíocre lambari, que não deveria nem ter recebido de presente uma cadeira no Supremo Tribunal Federal,

Daí eu estar republicando trechos de um artigo de 2009, quando uma disputa por mercado recebeu inclusive o apoio de partidos de esquerda -- uma vergonha! 

Tenho orgulho da minha atuação na série de escândalos que conseguiram aviltar ainda mais a política brasileira; alertei sempre que eles beneficiariam principalmente a direita. Não fui ouvido, mas meu papel eu cumpri. A omissão e oportunismo de outros companheiros prevaleceu e nosso povo sofreu as consequências. 

O vilão supremo Jair Bolsonaro, inclusive, não chegaria onde chegou se a Operação Lava-Jato não tivesse predisposto eleitores a fazerem a escolha mais funesta de suas vidas. Tento evitar que o desatino se repita.
O powerpoint do Dallagnol, um descalabro da Lava-Jato.
Q
uando, na década retrasada, contingentes da nossa esquerda tomaram partido por uma facção de gangsteres do capitalismo, de preferência à outra que com ela travava uma disputa mafiosa pelo florescente mercado de telecomunicações, fui um dos poucos articulistas a alertar que tal imbróglio não nos dizia respeito e nele não havia ninguém com quem devêssemos nos alinhar. 

De inocente útil chegava o delegado Protógenes Queiroz, o personagem mais badalado da Operação Satiagralha, que tirou as batatas do fogo enquanto um ex-superior hierárquico dele, alinhado com uma das quadrilhas litigantes, evitava queimar os dedos. Detonou sua carreira policial, mas ganhou inesperado prêmio de consolação: uma cadeira na Câmara Federal... pela legenda do PCdoB! 

A tal populismo rasteiro se reduzia um partido que ousou pegar em armas contra a ditadura militar. E não estava sozinho: o Psol também estendeu o tapete vermelho para o ingênuo delegado Brancaleone, que, contudo, o rejeitou.

Foi quando recoloquei em circulação uma conclusão definitiva do Paulo Francis sobre o udenismo e o golpismo de meados do século 20: O combate à corrupção é uma bandeira da direita (mais tarde, cunhei eu também um bordão nessa linha, a corrupção é intrínseca ao capitalismo).

Eis minha argumentação de abril/de 2009): 
Diagnóstico correto. E cuidado, essa doença mata!
...
as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida...

De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.

Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.

Esta deveria, isto sim, demonstrar que o capitalismo em si causa prejuízos imensamente maiores para o cidadão comum do que os desvios de recursos dos cofres públicos; e que a moralização da política não se dará com medidas policiais, mas sim com uma transformação maior da sociedade.

Não o faz. Desatinadamente, algumas de suas tendências reforçaram as denúncias que culminaram no suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e as que deram pretexto à dita redentora de 1964 (que, claro, nada mudaram exceto melhorar a sorte dos beneficiários do butim ou ávidos de poder).

Então, digo e repito: em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere magnificar, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.
Em sua agonia, o capitalismo cada vez mais recorre à força.

A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.

Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém.

E por que a corrupção não pode ser erradicada sob o capitalismo? Porque este coloca como prioridade máxima da existência humana o enriquecimento individual, a vitória na luta de todos contra todos por um lugar ao sol, ainda que pisando no pescoço da mãe para alcançar tal intento, como diria o Brizola.

Se esta é a lógica do sistema, sempre haverá quem busque atalhos para alcançar o objetivo à margem das regras que o próprio sistema estabelece mas manda às favas quando lhe convém. 

A alternância de cruzadas moralizadoras com períodos em que a corrupção corre solta dá a tônica do capitalismo. 

Revolucionários não deveriam jamais vergar-se aos estados de ânimo popular produzidos pela lavagem cerebral permanente do sistema, mas sim esclarecer corajosamente a seus públicos que todas as Lava-Jatos da vida cumprem a mesmíssima função de enxugar gelo.

E, enquanto a ilusão não se desfizer, acarretará golpes de estado, impeachments, vitórias eleitorais de demagogos grotescos e outros desdobramentos nefandos. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O PRINCIPAL ERRO DO TOFFOLI FOI ASSUMIR UM CARGO DO QUAL NUNCA ESTEVE À ALTURA. O RESTO É EFEITO.

O
ministro do STF Dias Toffoli está todo encalacrado no caso das fraudes do Banco Master. Merece.

Quando eu lutava contra a extradição do escritor Cesare Battisti, vagou uma cadeira no Supremo e ele, apesar de não preencher nem de longe os requisitos para o cargo, acabou sendo o indicado pelo Lula.

Sua escolha foi defendida principalmente pelo Zé Dirceu, de quem havia sido advogado. E aqueles caciques petistas (não eram todos) que faziam questão da libertação do Battisti contavam com o voto dele neste sentido.

De repente o ministro do STF Gilmar Mendes, que era um ídolo para toda a imprensa reacionária, fez declarações contundentes contra o Toffoli, argumentando que não possuía méritos acadêmicos suficientes para integrar o STF.

Houve até jornalão que publicou editorial nessa linha. Mas aí o Mendes fez uma longa reunião com o Toffoli e saiu se desdizendo. Afirmou que ele era perfeitamente apto para o cargo.

Nós, do comitê de solidariedade ao Battisti, percebemos depressa que havia algo de podre no reino da Dinamarca.
Isto logo se confirmou: o Toffoli se considerou impedido para julgar o Cesare, embora haja depois atuado em vários casos nos quais existiam razões bem maiores para ele ficar de fora.

Pior ainda ele se mostrou pessoalmente. 

Na véspera de um dos julgamentos do Battisti o Carlos Lungarzo (em nome da Anistia Internacional), o então senador Eduardo Suplicy e eu (um dos dois maiores defensores da memória da luta armada nas redes sociais, ao lado do Ivan Seixas), fomos levar um memorial em defesa do Cesare.

Conseguimos entregá-lo a quase todos os ministros durante a pausa para o cafezinho. E fomos recebidos com respeito, inclusive pelos que tinham tinha posição contrária, como o Lewandowski.

O Toffoli foi exceção. Parecia um homem proeminente sendo incomodado por pedintes. Só faltou jogar imediatamente o memorial no lixo.  

No entanto, o prestígio de nós três fora conquistado com muita luta durante décadas, enquanto o Toffoli nada tinha feito de relevante antes de ser beneficiado por uma indicação política. 

Tomara que caia, pra arejar o lodaçal!

De resto, bolsonaristas e outros direitistas estão movendo céus e terras para envolver o ministro Alexandre de Moraes no escândalo. 

A contribuição dele para livrar o país de sua maior aberração política em todos os tempos jamais pode sucumbir a uma insignificância  como o contrato firmado pela esposa com o Banco Master e a acusações não provadas. 

Se isso virasse o novo normal, as dependências dos Poderes ficariam vazias.

E mesmo que dolo houvesse, quem tranca o Bolsonaro tem cem séculos de perdão... (por Celso Lungaretti) 
"Lá vai ela toda prosa, vestida de verde e rosa/ Parece até a 
Mangueira em dia de carnaval/ Vai de mini, minissaia, blusa
tomara que caia/ Tomara mesmo que caia, pra alegrar o visual"

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

ENQUANTO FESTEJÁVAMOS A PRISÃO DO BOLSONARO, ÉRAMOS TUNGADOS NA REVISÃO DA VIDA TODA DO INSS

N
esta terça (25), o plenário virtual do STF, por 8x3, extinguiu a última esperança dos trabalhadores, de receberem de volta o que lhes foi tungado pelos pacotes econômicos da ditadura militar.

Votaram a favor da canalhice Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. A orientação do governo do PT, que tem trabalhadores até na sigla, foi de que os ministros com ele alinhados favorecessem o esbulho dos direitos dos ditos trabalhadores (!).

O imbróglio começou em dezembro de 2019, quando uma decisão do Superior Tribunal de Justiça determinou o reconhecimento do direito dos aposentados e pensionistas a terem acrescidos aos cálculos de seus benefícios o universo de suas contribuições ao longo da vida, as quais não mais ficariam restritas àquelas feitas de 1994 em diante, conforme determinou a ditadura. Aí, um ano depois, o STF validou a revisão dos benefícios por 5 votos a 4.

No entanto, por pressões petistas o assunto votou a ser votado pelo Supremo e aí o digno voto de Ricardo Lewandowski foi desonrado por Cristiano Zanin, que herdou sua cadeira após a aposentadoria e mudou o resultado do julgamento. O governo do PT preferiu preservar recursos para a politicalha imunda do que pagar o que devia aos trabalhadores. 

Não me surpreendeu nem um pouco. Nós, os anistiados políticos, já havíamos sido vítimas de decisão semelhante. 

A lei que instituiu a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça garantia aos pensionistas o recebimento em 60 dias de uma indenização retroativa pelo tempo transcorrido desde que havíamos sido barbarizados pelas bestas-feras do regime militar, sem termos recebido nenhuma compensação durante décadas.

O governo do PT não cumpriu a lei e, ao invés de pagar tudo de uma vez, mandou um documento para assinarmos, concordando em receber o que nos era devido em suaves prestações mensais.

Não assinei o tal documento, por considerá-lo uma ofensa a quem tinha sangrado na luta contra a ditadura, já que nos chegou como uma ordem, sem justificação nenhuma. O governo do PT não julgou necessário dar a mínima explicação sobre o porquê de nos pedir que agíssemos contra nossos interesses. 

Então a AGU adotou uma infinidade de medidas protelatórias contra mim e demais insatisfeitos (cerca de um milhar), todas elas derrubadas pelo STJ por unanimidade. Quando uma era negada, a AGU entrava com outra.

Houve anistiados que me recriminavam, afirmando que eu deveria ser grato ao governo do PT. Grato por quê? Por ele estar escamoteando o pagamento do que o governo do FHC me concedera?

Finalmente o STF avocou o caso dos retroativos não pagos como repercussão geral e decidiu que deveriam, sim, ser pagos imediatamente. 

Na sessão de julgamento, dois ministros do Supremo salientaram que sempre existiram recursos para o pagamento imediato do que nos era devido, mas o governo do PT só usava para sua destinação original uma parcela mínima desses recursos,  para depois poder remanejar os quase 98% que sobravam para as habituais utilizações politiqueiras.

Eis uma afirmação esclarecedora do Dias Toffoli:
"...2,1% do total previsto nas leis orçamentárias atuais para indenização de anistiados foram efetivamente gastos, segundo as informações do próprio governo federal. Portanto, os outros 97,9% restantes representam valores disponibilizados e não pagos. As leis orçamentárias anuais disponibilizam valores para o pagamento da específica ação governamental de indenização aos anistiados políticos..."
E pensar que fui criticado por  não ter-me deixado enganar pelo governo do PT, que agia com má fé o tempo todo! (por Celso Lungaretti)      

domingo, 18 de fevereiro de 2024

DILMA DESPREZOU A CHANCE DE VIABILIZAR A REVISÃO DA ANISTIA DE 1979. TOFFOLI DECIDE ASSUMIR ESTA BANDEIRA.

A justiça é seletiva e letárgica no Brasil: os piores criminosos, quando servem aos
 poderosos,  quase sempre morrem antes de serem condenados e cumprirem pena.  
Passados 39 anos desde que o Brasil se redemocratizou, só agora poderá ser removido um dos piores entulhos autoritários do ciclo dos generais: o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deseja promover, ainda em 2024, uma audiência pública para rediscutir a Lei da Anistia.

Trata-se, evidentemente, apenas de um ponto de partida. Só havendo vontade política por parte dos três Poderes a iniciativa prosperará.  

Pelo menos ela vem num momento propício: após a fracassada tentativa golpista de Jair Bolsonaro haver revelado que continua existindo uma banda podre nas Forças Armadas, os fardados não estão em condições de proteger seus aloprados. Precisam é convencer os brasileiros de que deixaram de ser uma ameaça à democracia. 

Vale lembrar que a quase totalidade dos vilãos maiores já saiu de cena. Morreram:
Se Toffoli obtiver o que Dilma nem tentou,
que tal trocarmos esta imagem pela dele?
— todos os ditadores que em 1964/85 colocaram a faixa presidencial sobre a farda:
— todos os signatários do Ato Institucional nº 5 menos um (Delfim Netto, hoje com 95 anos); e
— os capangas mais famosos do regime de exceção, como o delegado Sérgio Fleury, o comandante de centro de torturas Brilhante Ustra e o responsável pelo retumbante fiasco do cerco a Carlos Lamarca em Registro, Erasmo Dias, que era um tigrão para barbarizar universitários mas virava tchutchuca diante de combatentes treinados, mesmo dispondo de 1.733 soldados para impedir a fuga de cinco guerrilheiros.

Ainda assim, é preciso darmos o desfecho correto a uma das páginas mais vergonhosas da nossa História, inclusive para não legarmos um precedente ignóbil aos que virão depois. 

O próprio Jair Bolsonaro poderá espernear contra as penas a que será condenado por genocídio, golpismo e uma infinidade de outros crimes, alegando merecer a mesma anistia dos responsáveis pelas atrocidades dos anos de chumbo. Portanto, mesmo que ela venha a ser pra lá de tardia, é importante que a justiça não falhe em definitivo.   

Neste sentido, pouco importa se o Toffoli não tem exatamente o perfil ideal para encabeçar tal cruzada. Afinal, aquela cujo dever moral era (até mesmo por haver sofrido a tortura na própria carne) usar toda a sua autoridade presidencial para tentar remover o obstáculo que impedia a condenação dos torturadores, falhou miseravelmente.

Refiro-me, claro, a Dilma Rousseff, que assumiu a presidência da República em 2011, cinco semanas depois de a Corte Interamericana de Direitos Humanos haver decidido que a anistia brasileira de 1979 era inválida por haver sido promulgada em plena ditadura, com parlamentares oposicionistas sendo inclusive chantageados a votarem a favor (só assim presos políticos seriam libertados e exilados políticos poderiam voltar para cá sem serem detidos no desembarque).
Henfil e os mortos e desaparecidos políticos: a alusão
é à propaganda "tomou doril, a dor sumiu"

Como a sentença da corte internacional vinculada à OEA prevalecia sobre as decisões do Judiciário nacional, Dilma teve nas mãos a oportunidade de finalmente tirar o gênio da garrafa, sem maiores riscos: bastaria ter cumprido o que a corte determinou.

Mas, preferiu ignorar esta parte da sentença, embora insistentemente cobrada por muitos juristas e entidades defensoras dos direitos humanos; e, quanto à outra parte, permitiu que os militares tornassem uma chanchada a busca dos restos mortais dos guerrilheiros exterminados no Araguaia, que deveriam ser entregues às respectivas famílias.

Finalmente, para tirar o assunto incômodo do noticiário, instituiu a Comissão Nacional da Verdade, sem, contudo, respaldar a sua atuação: sempre que o colegiado se chocou com os negaceios dos perpetuadores da mentira, não recebeu o apoio necessário para cumprir efetivamente a sua missão. 

Logo os integrantes da comissão perceberam que sua função era meramente propagandística e que deles nada se esperava além de um relatório reunindo e sistematizando as informações já levantadas em investigações passadas, como as dos defensores dos direitos humanos e as da imprensa. Nada acabou vindo à tona que se comparasse, p. ex., à Casa da Morte de Petrópolis e às ossadas de Perus.

Vale destacar, contudo, que a da Dilma Rousseff foi apenas a última de uma sequência de omissões, que passa:
É crível isso como presidente do Brasil redemocratizado?
— pela inapetência da
Nova República no que tange à remoção do entulho autoritário, com os parlamentares pisando em ovos por temerem uma recaída totalitária e com um presidente (José Sarney) que passou quase toda a ditadura lambendo os coturnos dos fardados como integrante e até presidente do partido situacionista, só abandonando o navio em 1984, quando o regime militar já agonizava: 
— pela falta de afinidade ideológica do Fernando Collor com a tarefa e a falta de grandeza do Itamar Franco, mais preocupado com os anacrônicos fuscas e os paralelepípedos de cidades históricas ;
— por Fernando Henrique Cardoso não ter ousado concluir a lição de casa, embora haja percorrido uma parte do caminho ao instituir a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos e a Comissão de Anistia;
— pela amarelada de Lula no início de 2010, quando o Alto Comando do Exército lançou um verdadeiro ultimato contra o esboço da terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos e ele, como presidente da República e comandante-em-chefe das Forças Armadas, simplesmente contemporizou e prometeu alterações, quando deveria é  ter respondido ao desafio com a exoneração imediata dos insubmissos (a partir daí os militares não pararam mais de dar murros na mesa sempre que contrariados);
— por, em diversas escaramuças no período 2007/2010, Lula invariavelmente haver tomado o partido de seus ministros conservadores quando, opostos a eles, Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) tentavam engajar o governo federal em iniciativas voltadas para a revisão da Lei da Anistia. (vide este artigo);
O STF num de seus piores momentos: em 2010, quando garantiu a impunidade dos torturadores.
— pela decisão do STF em abril/2010, confirmando que a Lei da Anistia continuava impedindo que os torturadores e respectivos mandantes fossem condenados pelos seus crimes, por mais hediondos que fossem (execuções, torturas, estupros, espancamentos, afogamentos, ocultação de cadáveres, maus tratos a crianças filhas de presos políticos para intimidá-los e outros horrores). 

Concluindo: a Argentina saiu de uma ditadura em dezembro de 1983 e em 1985 já estava processando o ditador e o comandante do principal centro de torturas, que não escaparam de ver o sol nascer quadrado. 

Por aqui, o próprio hino nacional nos garante que somos um povo heroico e que um filho deste solo não foge à luta, mas isto não se sustenta face aos 39 anos de ultrajante impunidade das bestas-feras da ditadura e da hipocrisia de mandatários que foram a própria corporificação da banalidade do mal a que se referiu Hannah Arendt.

Vislumbram-se oportunidades para ainda mudarmos isto, acertando as contas tanto com o terrorismo de estado mais remoto quanto com o golpismo e o genocídio recentes. Se as deixarmos passar, será melhor nos assumirmos de vez como os bananas das Américas.
(por Celso Lungaretti

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

PENDENGA TOFFOLI x TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL É PREOCUPANTE: PODE ESTAR VINDO UMA TEMPESTADE DE M...

Dias Toffoli, ministro do STF, parece disposto a devolver para as grandes empresas corruptoras até o último centavo que a Operação Lava-Jato lhes tomou. 

Justifica-se alegando que os dirigentes crapulosos que fecharam acordo com as autoridades para saírem da prisão estavam sendo pressionados ilegalmente por Sergio Moro, Deltan Dallagnol e cupinchas. E está certo, segundo a letra da Lei.

Mas, é simplesmente chocante que, num país onde os coitadezas são tratados a pontapés pelos meretríssimos juízes, às vezes permanecendo uma eternidade presos antes que caia a ficha de eles terem sido vítimas de erros judiciais, os corruptos de alto coturno recebam tratamento tão benevolente. Só falta Toffoli lhes entregar, além da grana das falcatruas de volta, também diplomas de honra ao mérito.

Dá para acreditar que sejam inocentes e mesmo assim tenham aberto mão de fortunas para serem libertados? Quem engolir isto compra até terrenos em Marte.

Mais: Dias Toffoli entrou numa briga estridente com a ONG Transparência Internacional, que criticou suas decisões de ressarcimento de óbvios culpados. Contra-atacou acusando a TI de haver se apropriado de parte dos butins devolvidos.

Quem conhece o ministro de outros carnavais está careca de saber que ele não é nenhum herói e, já com a vida mansa, não estaria jogando uma cartada tão perigosa (pode resultar no seu impeachment) em troca do agradecimento$ comovido$ da Odebrecht e outra$ que tai$. É areia demais para o seu caminhãozinho, está faltando algo nessa história.  

Há, sem dúvida nenhuma, algum sujeito oculto manuseando os cordéis nos bastidores.
  
E, pelo que se viu até agora, o dito cujo pode muito bem ser o Lula, pois ele tem uma verdadeira obsessão em convencer o mundo de que as lorotas por ele contadas para defender-se das acusações da Lava Jato eram a mais pura e angelical expressão da verdade. 

Não lhe basta terem as acusações que lhe eram feitas sido anuladas em função de excessos cometidos pelos acusadores. O céu é o limite: o Lula faz questão de receber um certificado de inocência... que provocaria gargalhadas em quem é do ramo até o fim dos tempos. 

Ele tinha total direito de queixar-se dos dois pesos e duas medidas aplicados no seu caso, pois culpados das mesmíssimas práticas eram quase todos os governantes do Brasil através dos tempos. Perguntasse por que só eu? e estaria tocando em cheio na ferida. Já afirmando eu sou inocente, fui uma exceção à regra, ele se igualou aos grandes humoristas brasileiros.

Se for do Lula que advém a surpreendente coragem de Dias Toffoli ao peitar a maioria dos juristas deste país e uma ONG prestigiosa como a TI, ai de nós: a casa acabará caindo e a direita vai receber um fabuloso trunfo populista para virar o jogo depois da avalanche de derrotas recentes.

Meu palpite é o de que vem uma shit storm por aí. Espero estar equivocado desta vez. (por Celso Lungaretti)

sábado, 9 de setembro de 2023

SEPULTAMENTO DA LAVA JATO SERVE AO PROJETO BURGUÊS NO BRASIL


 Quando me pergunto por que Lula foi o primeiro Presidente da República do Brasil preso, por decisão judicial ou não, somente me vem à cabeça uma única conclusão: sua origem de classe e simbologia socialista.  

O republicanismo burguês sempre soube usar a simbologia pretensamente iluminista em seu favor e isso aconteceu até na revolução burguesa da França no final no século XVIII, que matou os revolucionários mais audazes quando eles prometiam ir além do que os interesses mercantilistas emergentes gostariam. 

Os símbolos nem sempre correspondem à simbologia que encarnam, literalmente falando. 

O fenômeno da Lava Jato, desde o seu começo, meio e fim, pode e deve ser analisado no contexto histórico correto, sem as manipulações facciosas de cada lado.  

A corrupção com o dinheiro dito público, estatal e advindo dos impostos cobrados a uma população economicamente exaurida pela extração de mais valia do capital, é uma espécie de mal necessário.

É um mal porque fragiliza economicamente a cidadela jurídico-institucional do Estado nacional burguês, ora falido, criado para regulamentar, proteger e induzir o crescimento econômico capitalista e mantê-lo de pé; mas é necessário como forma de viabilizar o segmento político burguês que nela, a corrupção, se apoia para ganhar eleições e se legitimar no poder político. A corrupção com o dinheiro dito público mais não é do que a filha pródiga da corrupção original, praticada pelo próprio capitalismo, que é a apropriação indébita e cumulativa da riqueza abstrata privada por alguns, e consequentemente da riqueza material, mas produzida coletivamente.  

Assim, quando se faz necessário, usam-se os mecanismos de convencimento sublinear coletivo sobre as causas dos infortúnios sociais como forma de manutenção da inconsciência coletiva sobre a raiz dos problemas, no que ainda são ajudados pela promessa religiosa, no mau sentido da religiosidade, de que haverá uma recompensa celeste aos males terrenos.  

Dentre tais mecanismos ideológicos-midiáticos, o mais usual é colocar a culpa da miséria social nos ombros da corrupção política com o dinheiro dito público - são os trabalhadores assalariados, que pagam mais impostos, aqueles que financiam a própria opressão estatal da qual são vítimas -, como forma de desvio da questão central: o colapso em curso de uma relação social que sempre foi segregacionista, mas que ora entra em rota de inviabilidade estrutural.   

 A lava jato mais não foi do que a tentativa do segmento nazistóide da elite política, econômica e militar brasileira de uso do judiciário para a definitiva depuração do poder político de um projeto político da esquerda da socialdemocracia quando a crise econômica brasileira explodiu sob o governo de Dilma Rousseff ainda em 2013 e se agravou nos anos seguintes.  

Juntaram-se na operação lava-jato, graças à crise capitalista do subprime de 2008/2009, que jamais foi uma marolinha, como disse Lula, e que se estende até os dias de hoje: 

- a mídia burguesa ávida por escândalos televisionados a partir de operação policiais espetaculares;    

- segmentos mais conservadores da elite política brasileira; 

- parte dos segmentos militares saudosos do poder;   

- segmentos religiosos conservadores evangélicos que cada vez são mais numerosos no Brasil; e 

- conservadorismo ideológico no poder judiciário. 

Pronto! Estavam dadas as condições justificativas do golpe institucional dentro da legalidade jurídico-constitucional e qualquer pretexto menos significativo serviria pra tal, como pedaladas contábeis no orçamento da união, tendo como pano de fundo a corrupção verdadeiramente existente desde os tempos do império, e mais recentemente do mensalão, e que se estendeu ao petrolão.  

Lula sempre foi confiável ao sistema, e a cada dia demonstra seu apego ao poder político burguês, sem jamais contestá-lo, mas apenas querendo dar uma feição humanista àquilo que é desumano por natureza.  

O sistema capitalista mais consciente de seu papel republicano burguês sabe que Lula é anticomunista sob qualquer viés e confiável como socialdemocrata que é, e que sabe usar a simbologia revolucionária, como tem sido recorrente no curso da história recente dos movimentos revolucionários traídos. 

A sua conciliação com os segmentos mais atrasados do parlamento e partidos políticos como forma de governar e se manter no poder político denuncia a sua crença na conciliação de classes como forma de gerenciamento do poder político burguês. 

A sua ênfase na busca pelo crescimento econômico - leia-se mais capitalismo e prosperidade sob tais critérios - num momento no qual as locomotivas do capitalismo internacional estão rateando - Estados Unidos e China estão tendo crescimentos pífios e já se anuncia uma recessão global - é sintoma de que ele aposta nisso como forma de se manter, tal como um surfista, na onda sem alterá-la.  

O sistema tem uma bússola baseada na máxima do “vão-se os anéis e fiquem os dedos” e age por ela orientado. 

É nesse sentido é que numa hora cassou mandato presidencial de Dilma Rousseff e prendeu o Lula usando o Poder Judiciário como forma de justificar a debacle capitalista em curso, sob o aplauso das cercas embandeiradas que separam quintais, como disse Raul Seixas, e noutra hora, diante da primariedade perigosa de um neofascismo militarista bolsonarista tosco que ameaçava as instituições burguesas num país importante como o Brasil, anistia Lula e o traz para a cena política triunfalmente.  

O Poder Judiciário nas altas cúpulas tem visão politicista conservadora, e suas decisões tornadas públicas e televisionadas - apesar de que Lula as querer sigilosas, num retrocesso sobre o item transparências dos figurões da República - são o testemunho de tal inclinação de obediência à Constituição burguesa ou contrariá-la, quando se faz necessário dentro dos interesses sistêmicos.   

O voto monocrático do Ministro Tofolli, concluindo que a prisão de Lula foi um erro histórico do judiciário, considerando apenas os aspectos políticos da questão e a hermenêutica processual usada, sem adentrar no mérito das práticas de corrupção comprovadas, mesmo que por meios arbitrários, conforme restou demonstrado nas operações vaza-jato, ao invés de pacificar a questão, levantou questionamentos e provocou efeitos colaterais de sua decisão:  

- como ficam os vultosos valores devolvidos por bancos internacionais de dinheiros advindos das corrupção?!

- Os corruptos serão ressarcidos?! 

- As delações de políticos e empresários com documentos fornecidos, como a do ex-Ministro Antônio Palocci, eram mentirosas?! 

- as repercussões internacionais das empreiteiras -até suicídios de ex-Presidentes do Peru ocorreram.  

Jogar para debaixo do tapete a sujeira de tudo isso, numa Operação Clean Wash, não resolve o problema. (por Dalton Rosado) 


Related Posts with Thumbnails