sábado, 26 de abril de 2025
SE COLLOR MERECE OITO ANOS DE PRISÃO, BOLSONARO DEVERIA PEGAR OITO SÉCULOS
terça-feira, 8 de abril de 2025
O CIRCO DOS HORRORES NUNCA MAIS LEVANTARÁ SUA LONA TENDO O BOZO COMO BUFÃO PRINCIPAL
![]() |
Após amarelar em 2021, o Bozo sentou no colo do Temer |
Assim, imediatamente após a terceira amarelada, já escrevi que mito com faniquito é rima que não funciona.
sábado, 15 de março de 2025
SÓ FALTA O LULA NOMEAR UM XERIFE PARA EVITAR QUE GALINHAS SEJAM SACANEADAS
![]() |
Muito barulho por nada em 1986. Teremos remake? |
"Não tem como explicar por que o ovo tá caro. Alguém está passando a mão, este é o dado concreto. Não sabemos quem é, e nós queremos saber. Estão sacaneando as galinhas".
![]() |
Mal recebiam o pagamento, os brasileiros corriam a fazerem compras, por saberem que o dinheiro logo se desvalorizaria |
sábado, 30 de novembro de 2024
SE LULA FACILITAR A ANISTIA DO BOZO, SAIRÁ DO PALÁCIO DO PLANALTO PARA ENTRAR NA LIXEIRA DA HISTÓRIA
Mas, incompetente inclusive como gângster, parece que o bufão psicopata não aprendeu nem mesmo que chantagistas precisam ter um refém em seu poder para imporem sua vontade aos chantageados. Até os velhos parceiros das milícias do Rio de Janeiro poderiam ter-lhe explicado isto.
O Al e o Sortudo, seja lá o círculo infernal que habitem atualmente, devem estar gargalhando da tentativa do capo da Famiglia Bozone, de forçar o mais mole de todos os moluscos a conceder-lhe uma anistia na marra, caso contrário virará o Brasil de pernas pro ar.
Se ele tiver um pouco de sorte, talvez os poderosos atuais lhe permitam mofar durante os próximos anos numa embaixada qualquer e não na masmorra brasileira em que já deveria estar trancafiado faz muito tempo.
Quanto ao político gelatinoso que a direita aparentemente permitirá que continue fingindo-se de presidente até o primeiro dia de 2027, vale uma advertência: ele tinha o direito e (a falta de) caráter necessários para perdoar o adversário que em 1989 revelou ao Brasil inteiro que ele traíra sua esposa, produzira uma filha bastarda, escondia a dita cuja da opinião pública havia um tempão e pressionara fortemente (mas em vão) a amante a abortá-la em benefício de suas ambições políticas.
Mas, para se deixar clicar abraçado ao Collor, depois que este o submetera a tamanha humilhação, Lula só precisava ter um estômago capaz de digerir quaisquer sapos que ele engolisse.
segunda-feira, 26 de agosto de 2024
A FAMIGLIA BOLSONARO ESTÁ EM PÂNICO: PABLO MARÇAL AVANÇA PARA SER O NOVO MALVADO FAVORITO DA EXTREMA-DIREITA.
Por que Pablo Marçal assusta tanto seus iguais? A melhor explicação que encontrei é a de Celso Rocha de Barros neste artigo simplesmente brilhante. Sua conclusão:
![]() |
Na disputa de qual parlapatão é mais crível fazendo cara de mau... |
"...a guerra civil na extrema-direita prova que há riscos em recrutar seus eleitores apenas por estímulos emocionais de curto prazo, por choques de adrenalina causados por ofensas e grosserias, por reflexos de autodefesa diante de ameaças imaginárias. Deu certo para Bolsonaro até aparecer alguém com ainda mais disposição do que ele para mentir, para ofender, para chocar pela baixeza".É bom que já haja quem analise o fenômeno sem papas na língua. A vitória do Bozo em 2018 apenas confirmou o que Charles De Gaulle disse (ou lhe imputam erroneamente) quando da chamada guerra da lagosta, seis décadas atrás: "O Brasil não é um país sério".
![]() |
...o Bozo, após as brochadas de 2021, 2022 e 2023, não dá nem pra saída. |
quinta-feira, 20 de junho de 2024
O LULA DIZ PARA SE DANAREM OS ARTISTAS QUE ENSINAM PUTARIA ÀS CRIANÇAS. ESTARÁ FLERTANDO COM UMA VOLTA DA CENSURA?
![]() |
"Cruz, credo! O tal Michelangelo tem de se danar! Criança não pode ver essa putaria!" |
"Eu sou da turma em que artista, cinema e novela não é (sic) para ensinar putaria. É para ensinar cultura, contar historia, contar narrativas, e não para dizer que nós queremos ensinar às crianças coisas erradas. Nós só queremos fazer aquilo que se chama arte. Quem não quiser entender o que é arte, dane-se. Queremos muita arte, muita cultura".
Os episódios do Jânio Quadros, Fernando Collor e Dilma Rousseff evidenciaram que quem é expelido da presidência da República não volta a ela no Brasil. E salta aos olhos que o Bozo não será exceção (alguém pode tentar contrapor o caso do Getúlio Vargas, mas ele não foi defenestrado como presidente eleito e sim como o ditador do período 1930-1945).
segunda-feira, 22 de abril de 2024
TRAIÇÃO ÀS DIRETAS-JÁ ABRIU CAMINHO PARA A REDEMOCRATIZAÇÃO CONSENTIDA
![]() |
Por este placar os paulistanos viram, voto a voto, a emenda Dante de Oliveira ir sendo rejeitada... |
As minhas melhores lembranças são:
— o mar de camisas amarelas sinalizando a volta da esperança;
— o incrível tour-de-force de Leonel Brizola que, em função da mesquinha disputa de espaço político no campo da esquerda, começou sob vaias seu discurso numa manifestação das diretas-já na Praça Clóvis (SP) e, com sua fala empolgante, conseguiu colocar o público a seu favor, terminando sob aplausos generalizados; e
— a promessa do craque Sócrates em comício-monstro no Anhangabaú (SP), de que, caso fosse restituído ao povo brasileiro o direito de escolher seu presidente, ele ficaria aqui para contribuir na redemocratização, recusando a proposta astronômica da Fiorentina.
Infelizmente, o Congresso rejeitou naquele funesto 25 de abril a emenda Dante de Oliveira e a eleição acabou sendo, mais uma vez, indireta.
![]() |
...por haver obtido só 62,6% de votos favoráveis e não os 66,67% que seriam necessários. Os ausentes decidiram. |
Um dos piores deles era José Sarney, que presidia o PDS mas estimulou a dissidência que viraria PFL... tendo, contudo, ele próprio se filiado ao PMDB, provavelmente para tornar mais digerível sua indicação para vice na chapa de Tancredo (a qual, evidentemente, já haveria sido articulada nos bastidores).
A presidência acabou lhe caindo no colo: como Tancredo, vitimado por uma infecção generalizada, nem sequer pôde assumir (Deus castiga!, diziam os antigos), o primeiro presidente pós-ditadura acabou sendo alguém que, meses antes, era um dos mais servis serviçais dos militares.
2. foi só depois de eles terem assegurado, com seus votos, a rejeição da emenda Dante de Oliveira?
3. ou já era este seu objetivo desde o início, tendo voltado as costas ao povo para depois obterem bom preço nas barganhas com o PMDB?
![]() |
Foto divulgada para tranquilizar os brasileiros quanto ao estado de saúde do Tancredo; causou péssima impressão. |
Vai daí que não se investigaram as atrocidades cometidas pelo regime militar, nem se julgaram os criminosos (já que haviam anistiado preventivamente a si próprios!).
![]() |
A eles se juntaria em 2016 a Dilma, segunda impichada |
E, por havermos deixado passar o momento ideal para a apuração e punição dos responsáveis por tais episódios infames, a impunidade das bestas-feras e dos seus mandantes se tornou inevitável e irreversível.
"Não, não serei eu a tecer loas à transição manipulada que deu fim à ditadura militar sem mudança real na composição do poder (só nos métodos...) e sem que deixassem o povo decidir quem ele queria colocar no lugar do último general ditador.
Nem endeusarei –jamais!– o político conservador com carisma zero que preferiu ver os brasileiros derrotados mais uma vez, desde que isto lhe permitisse apropriar-se da faixa presidencial sem passar pelo crivo das urnas".
quinta-feira, 8 de junho de 2023
DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013. PARTE 2: A FALÊNCIA DA REPÚBLICA NOVA
OS ANTECENDENTES DE JUNHO DE 2013: a falência da República Nova
O regime militar foi estabelecido em 1964 para garantir uma modernização conservadora no Brasil em que a industrialização e urbanização foi feita de modo subordinada ao capitalismo central da Europa e dos EUA. Como consequência, o país não modificou sua estrutura social, mantendo a propriedade fundiária inalterada e a super exploração da mão de obra, resultando em um país com um dos parques industriais mais avançados do planeta, mas com mazelas piores que os presentes em países miseráveis da África.
O Milagre Econômico foi concebido às expensas do endividamento externo do país e objetivava isolar a oposição revolucionária aglutinada nas guerrilhas. Com o boom econômico, grande parte da classe média e mesmo da classe trabalhadora passou a dar apoio à ditadura, deixando os bravos militantes à mercê da truculência da repressão. Contudo, o Milagre duraria pouco e já por volta de 1974 fazia água diante do Choque do Petróleo, fazendo crescer a insatisfação popular. Apesar de uma tentativa de ressureição por parte do ditador Geisel, o único jeito foi implementar um processo de abertura política a fim de garantir a permanência da estrutura econômica e social instaurada após o Golpe.
No centro do projeto de transição estava a criação de uma democracia de baixa intensidade, com eleições regulares, alternância de poder e certos direitos elementares, mas que nada de essencial mudasse. Para tal feito, a distensão foi acontecendo a conta-gotas, com os agrupamentos mais radicais sendo introduzidos paulatinamente no jogo institucional.
No entanto, a situação social e econômica se deteriorava rapidamente e a hiperinflação corroía a renda dos trabalhadores levando às gigantescas mobilizações operárias do fim da década de 1970 e que se estenderam por grande parte da de 1980. Diante de uma possível mobilização revolucionária, a saída do regime foi acelerar os processos de distensão e permitir a organização política dos trabalhadores a fim de integra-los no processo de autorreforma da ditadura. Nisso, a oposição liberal jogou grande papel, colocando ênfase mais no retorno pleno da democracia e menos em questionamentos à estrutura socioeconômica. Vendia-se a ideia de que as transformações sociais viriam futuramente com eleições livres.
O nível do engano desta estratégia ficou demonstrada com o fracasso do movimento das Diretas-Já e a articulação entre a oposição liberal com as facções civis apoiadoras da ditadura. A morte de Tancredo Neves levou ao poder José Sarney, eminência parda do regime em retirada e que tratou de prosseguir a dissenção segundo os planos dos ditadores, convocando uma constituinte limitada, não investigando os crimes dos militares e, sobretudo, não mexendo na estrutura econômica cristalizada durante o regime.
Formou-se, então, um pacto entre as forças de esquerda do país e os grupos conservadores e reacionários advindos da Ditadura. Por esse pacto, transformações pontuais eram permitidas ao país desde que não se tocasse na estrutura fundamental da propriedade privada, sobretudo no papel subordinado do Brasil no capitalismo internacional. Tal pacto foi batizado de Nova República, em que a questão social estaria no centro dos problemas políticos sem, contudo, tematizar a economia.
Incapaz de modificar a estrutura socioeconômica, a esquerda passou a se concentrar na conquista de direitos sociais que deveriam ser codificadas na nova carta constitucional e em legislações infraconstitucionais. Acreditava-se que a ação estatal seria capaz de corrigir as graves desigualdades do país e estabelecer um desenvolvimento social para o país sem romper com o pacto. Começava assim o chamado cidadanismo, em que o indivíduo teria sua vida melhorada graças aos direitos sociais garantidos pelo poder público, ou seja, pelos serviços públicos ofertados pelo Estado.
Porém, a promessa nunca se tornou realidade justamente devido ao subfinanciamento dos serviços públicos e as limitações da vida cotidiana dos trabalhadores, esmagados pela miséria, pelo desemprego e pela falta de perspectivas. O pacto, porém, continuou sua existência, agora explicitado pelo chamado Presidencialismo de Coalização, iniciado logo após o impeachment de Fernando Collor.
Collor, inclusive, pode ser considerado a última etapa do processo de transição iniciado pela ditadura, pois também oriundo da oligarquia florescida durante o regime militar. Após sua saída da presidência, a oligarquia mais reacionária do país continuaria a ter papel importante, mas com ação maior no legislativo e nos Estados, assumindo papel denominado impropriamente de fisiologista, primeiro com FHC, depois com Lula e Dilma.
A falta de mudanças após o fim do regime militar foi se juntar com as contradições oriundas da reorganização produtiva do país após o declínio da Indústria nacional gerando tensões sociais geometricamente crescentes. A frustração com a falta de mudanças e o sentimento de estagnação se agravaram com a ausência de mudanças no governo lulopetista que havia sido eleito com altas promessas de novos tempos para o país. Embora, tal como na época do Milagre, o boom das commodities tenha favorecido e mascarado as contradições, a ponto de garantir a eleição de Dilma e um fim de governo com altíssimos níveis de aprovação para Lula, a verdade é que as tensões se acumulavam de forma grave e bastaria um rastilho para explodirem.
A crise de 2009, tal como o Choque do Petróleo, teve impacto profundo no Brasil, fazendo de imediato caírem as entradas de divisas. Um país desindustrializado, altamente dependente da importação de mercadorias, sentiu profundamente a nova situação com o encarecimento acelerado do custo de vida e a desaceleração da economia. Em uma sociedade com renda historicamente reduzida, a piora da inflação já significou terrível aperto financeiro e reversão de expectativas, trazendo à luz do dia as contradições acumuladas.
As massas identificaram rapidamente a contradição entre os péssimos serviços públicos disponibilizados pelo Estado - garantidos como direitos pelo cidadanismo - e os exorbitantes gastos com as mega obras para a Copa e para as Olímpiadas. Implicitamente, aquele pacto oriundo do fim da ditadura era rechaçado nas ruas do Brasil pois se passava a exigir a efetivação da promessa de serviços de qualidade e da melhora das condições de vida cotidianas. Questionar a condição calamitosa da saúde e da educação, questionar o caos do transporte público, questionar a ruína da vida urbana e a falta de perspectiva e de qualidade de vida era colocar o dedo diretamente na ferida do Pacto urdido na República Nova.
Por isso, tal pacto morreu em Junho de 2013, tendo essa ruptura ficado mais clara nos anos seguintes, sobretudo com o Impeachment de Dilma e a eleição de Bolsonaro. Os partidos políticos surgidos após a ditadura foram massivamente rechaçados pela população, não raras vezes de forma violenta, inclusive, e sobretudo, os partidos de esquerda, vistos como traidores do ideal de mudança social.
O ideal do cidadanismo, de trazer melhoramentos sociais sem romper com a ordem socioeconômica herdada da Ditadura bateu ali claramente no teto, entrando fragorosamente em parafuso. Nas semanas daquele Junho intenso, novas formas políticas foram possíveis, ficando tudo em suspenso. (por David Emanuel Coelho)
LEIA O PRIMEIRO ARTIGO DA SÉRIE:
quarta-feira, 17 de maio de 2023
LIVRO DE JOSÉ CHASIN É RELANÇADO EM BELO HORIZONTE. RETOMAR O CAMINHO DA REVOLUÇÃO É HOJE MAIS FUNDAMENTAL DO QUE NUNCA.
Realizou-se nessa terça-feira, 16/05, na Faculdade de Direito da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - o lançamento do livro O Futuro Ausente, do marxista José Chasin, que pode ser baixado gratuitamente nesse link.
Na realidade, o texto foi escrito há trinta anos na esteira da falência da URSS e do fiasco da transição democrática no Brasil com a eleição de Collor e o naufrágio da dita nova esquerda, com o PT à frente. Contudo, quando se lê o texto revela-se mais atual que a maioria esmagadora do que é escrito hoje em dia em nome do marxismo ou da esquerda em geral. Suas análises e problemas continuam na ordem do dia e não é possível refletir sobre os problemas e desafios da esquerda sem necessariamente passar por essa obra.
Chasin é formado em filosofia pela USP, tendo sido ativo no movimento estudantil no período pré-1964. Fez parte à época do PCB - Partido Comunista Brasileiro - dentro do qual fez forte oposição às perspectivas teóricas e práticas do partido, sobretudo em sua ideia de apoiar uma suposta revolução burguesa no Brasil, posição com fundamental responsabilidade, como se sabe, pelo fiasco da esquerda em se opor ao golpe militar. Após a instalação da ditadura, perseguido pelo regime, não encontrou oportunidades para lecionar, tendo de ir para empregos comuns no setor privado, assim ficando até meados da década de 1970, quando consegue posto de professor na Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP).
Ali, bastante fora do radar da repressão - que se concentrava na USP- desenvolve forte movimento de debate intelectual das obras de Marx, questionando as leituras simplistas da esquerda dominante e introduzindo outros marxistas, notadamente Lukács. Logo, porém, o regime também se atenta à dinâmica que lá se passava graças à ação de Vicente Unzer de Almeida, então professor da Fesp, alto executivo da Mercedes-Benz e colaborador da ditadura, além do apoio de professores da esquerda descontentes com as críticas desenvolvidas por Chasin. Diante desse movimento, acaba sendo demitido em 1976 com base no Ato Institucional nº 5 e no Decreto-Lei 477.
![]() |
Mesa de lançamento do livro. Da esquerda para a direita: Vitor Sartori, Sabina Silva, Vânia Noeli e Ester Vaisman. |
Nesse meio tempo entre sua volta de Moçambique e seu falecimento, foi responsável pelo surgimento do movimento Ensaio, editora que publicou diversas traduções importantes do pensamento marxista e uma importante revista para o debate intelectual entre várias vertentes da esquerda nacional. Por lá escreveram e debateram Florestan Fernandes, Paulo Freire, Ricardo Antunes, Antônio Cândido, Sérgio Lessa, entre outros.
Na realidade, eu nunca tive aulas com José Chasin, mesmo tendo estudado no mesmo departamento onde deu aulas, e isso porque minha entrada na universidade ocorreu 8 anos após sua morte. Fui apresentado ao filósofo através de sua viúva, Ester Vaisman, a quem devo muito de minha formação marxista. Antes de tomar contato com suas obras, eu já tinha uma posição revolucionária, mas de forma alguma uma formação marxista adequada, tendo sido apenas com a leitura de seus textos que consegui chegar a um nível de rigor teórico e prático adequado.
Chasin me apresentou um marxismo além do lugar comum ou dos chavões partidários e militantes, fazendo-me compreender o papel determinante da teoria e a necessidade imperiosa de articular essa teoria com o entendimento do mundo concreto, do desdobramento histórico. Também me ensinou a não ter ilusões com a política tradicional e os partidos da dita esquerda, estando a única alternativa possível na emancipação humana total e completa.
![]() |
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, meu local de formação universitária e último espaço de trabalho de José Chasin. |
Na realidade, quando se lê seus textos entre as décadas de 1980-90 é notável o quanto ele viu com clareza o desenvolvimento histórico mundial e particularmente do Brasil, antecipando em muito fenômenos que viriam a ocorrer apenas na época atual. Significativo, por exemplo foi seu prognóstico do fiasco de PT e PSDB - devemos recordar que, na década de 1990, os tucanos eram considerados de esquerda... - e sobretudo o quanto Lula, ou melhor, Luís Inácio, era um político medíocre com profundo peso reacionário.
Vinte e cinco anos após sua morte, é preciso reconhecer o quanto seu pensamento segue vivo e necessário. Se quisermos trabalhar por um futuro que não seja ausente, José Chasin é um dos autores fundamentais para esse processo. (por David Emanuel Coelho)
quinta-feira, 9 de março de 2023
BOLSONARO ESTÁ FORA DE COMBATE, MAS LULA AINDA PODE SER NOCAUTEADO PELA ESTAGNAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA
"Um deles é aquilo que os profissionais de pesquisas chamam de calcificação, ou seja, as duas metades que saíram das urnas em 2022 continuam mais ou menos iguais, com o mesmo teor de polarização. E minimizam, ignoram ou absorvem qualquer fato negativo dentro da própria corrente.
Outro fator (...) é a maneira como vastas parcelas da população lidam com o uso do dinheiro público (que milhões nem entendem que é o dinheiro dos impostos que pagam). No ambiente calcificado, a indignação com o uso privado de recursos públicos é ainda mais seletiva. Perdoa-se sem muitos rodeios se o ocorrido for no lado certo, ou se há necessidade política de votos no Congresso".
Só que a calcificação não vem de agora. A sabotagem premeditada do combate científico à pandemia de covid, jamais deixarei de repetir, fez do palhaço sinistro o maior assassino de brasileiros de nossa História.
Institutos ligados a grandes universidades do exterior dão como favas contadas que um contingente de aproximadamente 400 mil das vítimas fatais se deveu às decisões hediondas do portador da faixa presidencial. Com o tempo isto é a que se lerá nos livros de História brasileiros, mas aí não haverá mais a quem castigar.
Bolsonaro não chegou ao patamar de Adolf Hitler, responsável último pela morte de algo entre 1,5 milhão e 3 milhões de alemães, mas neste país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, sem um passado tão sangrento quanto o de várias nações europeias, tal número é simplesmente estarrecedor e deveria ter despertado indignação exacerbada.
No entanto, não há sequer a certeza de que, mesmo voltando ao Brasil, o celerado vá para trás das grades: é bem capaz de escapar apenas com a inelegibilidade. Mereceria é ter o mesmo final de seus antepassados ideológicos, o alemão faniquiteiro com bigodinho ridículo e o italiano careca com alma e camisa de corvo...
Mas, a tal da calcificação embute um perigo maior do que o apontado por Waack: o de que, mesmo o contrabandista de joias acabando por se tornar um personagem secundário como o é hoje Fernando Collor (os próprios políticos ultradireitistas temem que sua popularidade desabe até uma faixa de 10% a 15% do eleitorado), por este caminho se destruirá o personagem, mas não se vai imunizar a sociedade brasileira contra uma nova investida fascista.
[Ou alguém acredita que os ministros do STF, no momento decisivo, agiriam com tamanha firmeza se não soubessem estar respaldados pelos que realmente mandam no Brasil?]
— seja com as bolsas de valores do mundo inteiro despencando como peças de dominó e provocando uma depressão mais terrível ainda do que a iniciada em 1929;