Começarei com uma autocrítica: lamento muito ter deixado meus leitores acreditarem que o grande ídolo do Bozo fosse oFalso Brilhante(aquele comandante de centro de torturas que, num momento de aflição, chegou a declarar que era o Exército brasileiro quem merecia ocupar o banco dos réus caso houvesse umjulgamento de Nurembergà brasileira, não ele, coitadinho, que só cumprira ordens superiores...).
Ainda que, nesse seu raro instante de sinceridade, o torturador-símbolo do Brasil realmente tenha mesmo soado como um inspirador do palhaço amarelão, no resto do tempo não chegou a descer tão baixo. Então, tudo me faz crer que as loas a Ustra fossem apenas uma provocação à esquerda por parte do Bolsonaro; e que a grande influência da sua trajetória haja sido bem outra, aquela turminha de Chicago do tempo dalei seca.
Mas, incompetente inclusive como gângster, parece que o bufão psicopata não aprendeu nem mesmo que chantagistas precisam ter um refém em seu poder para imporem sua vontade aos chantageados. Até os velhos parceiros das milícias do Rio de Janeiro poderiam ter-lhe explicado isto.
O Al e oSortudo, seja lá o círculo infernal que habitem atualmente, devem estar gargalhando da tentativa docapodaFamiglia Bozone, de forçar o mais mole de todos os moluscos a conceder-lhe uma anistia na marra, caso contrário virará o Brasil de pernas pro ar.
Alucinando na sua realidade paralela, o brochador serial não tem a mais remota noção de que já voltou a ser nada e hoje não conseguiria virar nem Niterói de pernas pro ar.
Aliás, referindo-me a outra bizarrice recente do homem que virou muco (a de trombetear aos quatro ventos que poderá enfurnar-se numa embaixada), isto deveria servir como alerta para os que têm o dever de impedi-lo de fugir da punição por seus crimes.
Se ele tiver um pouco de sorte, talvez os poderosos atuais lhe permitam mofar durante os próximos anos numa embaixada qualquer e não na masmorra brasileira em que já deveria estar trancafiado faz muito tempo.
Quanto ao político gelatinoso que a direita aparentemente permitirá que continue fingindo-se de presidente até o primeiro dia de 2027, vale uma advertência: ele tinha o direito e (a falta de) caráter necessários para perdoar o adversário que em 1989 revelou ao Brasil inteiro que ele traíra sua esposa, produzira uma filha bastarda, escondia a dita cuja da opinião pública havia um tempão e pressionara fortemente (mas em vão) a amante a abortá-la em benefício de suas ambições políticas.
Mas, para se deixar clicar abraçado ao Collor, depois que este o submetera a tamanha humilhação, Lula só precisava ter um estômago capaz de digerir quaisquer sapos que ele engolisse.
Já anistiar o responsável indiscutível pelo extermínio de uns 400 mil brasileiros que deveriam ter sobrevivido à pandemia de covid seria a indignidade suprema. Estaria saindo do Palácio do Planalto para entrar na lixeira da História.(por Celso Lungaretti)
ELIO GASPARI: "ARTICULAÇÃO DE LULA COM TEMER E FHC BEIRA FORMAÇÃO DE QUADRILHA"
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Luiz Inácio Capone da Silva
A repórter Marina Dias revelou [na Folha de S. Paulo] que se articula uma ação conjunta do presidente Michel Temer com seus antecessores Lula e Fernando Henrique Cardoso em busca de um pacto político. Desde fevereiro, quando Temer visitou Lula no hospital Sírio-Libanês depois da internação de sua mulher, Marisa, o presidente faz circular a notícia de um encontro com todos os seus antecessores.
O ex-ministro Nelson Jobim tem costurado conversas com Temer e Fernando Henrique e deverá falar com Lula nos próximos dias. Essa e outras articulações foram cruamente classificadas pelo professor Joaquim Falcão: "Não se busca mais uma sentença absolutória. Busca-se um acordão político transpartidário. Em nome não mais da inocência dos réus, mas da estabilidade econômica e da governabilidade."
Jobim foi ministro da Justiça e da Defesa, presidiu o Supremo Tribunal Federal e tornou-se conselheiro do banco BTG Pactual, cujo presidente viveu alguns meses em regime carcerário comum e domiciliar.
Lucky Temer
Já está em andamento a negociação de um acordo do andar de cima para refrescar a vida da turma do caixa dois. Falta combinar com o andar de baixo, que paga os salários dos parlamentares e as faturas das empreiteiras.
Essa movimentação é de inédita infelicidade. Ela é uma vacina contra alguns dos efeitos da Lava Jato. Em tese, une três pais da pátria. Na prática, juntam-se Temer (acusado de ter negociado capilés da Odebrecht), Lula (réu em cinco ações penais) e Fernando Henrique Cardoso (cujas campanhas presidenciais foram irrigadas pela empreiteira, segundo a narrativa do patriarca Emilio Odebrecht).
Acusação não significa culpa, mas salta aos olhos que até hoje foram poucos os políticos que confessaram seus crimes. Essa turma espera um pacto, mas na trinca falta alguém que não tenha nada, mas nada mesmo, a ver com a Lava Jato.
Fernando Genovese Cardoso
A literatura do crime organizado é cruel com iniciativas desse tipo. Quando os negócios caem ou quando a polícia aperta o cerco, os notáveis se reúnem e buscam uma linha comum de atuação.
Michel não é Michael, Luiz Inácio não é Luigi e Fernando Henrique não é Enrico. Uma reunião desse tipo pode acabar em formação de quadrilha.
Cada um deles ou os três juntos poderiam se reunir para discutir uma maneira mais rápida para mandar larápios para a cadeia. Ajudariam a Lava Jato, o futuro do país e suas próprias biografias.