| Da esq. p/ a dir., Ulysses Guimarães, Brizola, Lula (o único ainda ativo), Osmar Santos e Franco Montoro. |
| Apesar da expressiva maioria em favor da emenda Dante de Oliveira, ela não atingiu os 2/3 necessários |
| Da esq. p/ a dir., Ulysses Guimarães, Brizola, Lula (o único ainda ativo), Osmar Santos e Franco Montoro. |
| Apesar da expressiva maioria em favor da emenda Dante de Oliveira, ela não atingiu os 2/3 necessários |
Bem diziam os antigos: quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue.
Então, que nenhum dos nossos se queixe se os excluídos forem muitas vezes mais barbarizados, como o foram em 2012 na desocupação do Pinheirinho (CL)
O mais grave é que isso ocorre no exato momento da sua desintegração total, evidenciada pelo pipocar das guerras e movimentos migratórios sem precedentes na história mundial, em face da inviabilidade estrutural dos conceitos de forma e conteúdo desse mesmo sistema.
Assim, essa esquerda acaba por concordar implicitamente com a tese equivocada de que o capitalismo pode se adaptar às mutações sociais próprias ao movimento dialético da história tornando-se eterno.
Dessa forma, no Brasil a esquerda institucional oPTou pela socialdemocracia e está definhando juntamente com a sua escolha de administração e participação política: a ordem econômica-institucional capitalista.
Essa é a razão básica do crescimento da direita, que sem oposição consistente e duradoura, tenta fazer vingar os seus postulados retrógrados que encontram eco numa sociedade desesperada, desinformada e inconsciente de si mesma.
Por aqui, há quase onze anos, em 2013, na cidade de São Paulo, Meca do capitalismo da América do sul, houve uma explosão de insatisfação popular por conta de um gatilho de tal estado de ânimo: um mero aumento de passagens. Um gatilho que gerou turbulências que perduram até hoje.
Diante da ausência de comando de organismos sindicais e partidos da esquerda, que preferiram condenar o movimento, como ficou clara na posição da presidenta Dilma Rousseff, a direita “deitou e rolou” com seu discurso neofascista, recebendo apoio de uma classe média que, embandeirada de verde-amarelo, estimulou o impeachment que veio já em 31 de agosto de 2016, tendo o ex-petista Hélio Bicudo como signatário e sendo aceito pelo abominável presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e referendado pelo legislativo.
Tudo ocorreu num prazo de pouco mais de três anos e foi o estopim da ascensão ao poder político federal de um deputado federal do baixo clero, de baixíssima capacitação moral e competência para o exercício do cargo: Bolsonaro, o ignaro.
Resultado: fomos os campeões em porcentagem de mortes por uma epidemia sanitária - cerca de 10% do total das mortes calculadas em 7 milhões, quando temos apenas 3% da população mundial-, em face da demora do uso de vacinas e da incitação governamental à normalização e manutenção das atividades sociais - comércio, produção de mercadorias, serviços, escolas, etc. -, para ficarmos apenas nesse dado irrefutável de comportamento irresponsável e genocida.
A ordem capitalista, na sua percepção do desastre sistêmico iminente que paira sobre sua cabeça, encontrou sobradas razões para anular um processo judicial parcial e midiático - não esqueçamos que a mesma rede Globo que hoje condena a lava jato, é aquela que tinha o privilégio de transmitir ao vivo e à cores as espetaculares prisões e arbitrariedades -, e trouxe ao processo eleitoral aquele que poderia vencer o tresloucado presidente candidato à reeleição, que deixara de servir aos interesses dos donos do PIB por sua idiossincrasia.
Tal qual Tancredo Neves no passado, que sempre serviu de válvula de escape à direita para os momentos de tensões políticas e de ameaças à ordem institucional capitalista, trouxeram de volta o conhecido e moderno conciliador socialdemocrata que, para muitos trabalhadores desempregados, mal-empregados e pequenos comerciantes representava a lembrança de tempos mais venturosos: Luiz Inácio Lula da Silva.
O personagem perfeito para cumprir o papel de administrador da crise de depressão capitalista mundial sob o manto da esmaecida estrela vermelha do socialismo mundial cooptado.
Ufa!! Retiramos o bode da sala!!
Mas, passado ano e meio do alívio, eis que temos que encarar a realidade. Há dez anos temos um PIB pífio e que se anuncia como ainda menor para este ano do que foi no ano passado, isso após 10 anos de paralisia econômica.
Mas não devemos acreditar no senso de justiça das três principais instituições da democracia burguesa - parlamento, judiciário e força militar - a serviço dos donos do PIB daqui e do mundo, que agem de acordo com a direção dos ventos tal qual as birutas dos aeroportos.
Temos problemas estruturais que já não encontram paliativos nas conhecidas medidas políticas e econômicas tradicionais que se expressam:
- nos renitentes altos níveis de desemprego;
- nos baixos salários médios que fazem os sindicatos se silenciarem por medo de demissões em massa e se enfraquecem por não apresentares soluções consistentes para seus associados;
- na ameaça de retomada da inflação, que representa confisco de salários já defasados;
- no aumento da criminalidade e poderio do crime organizado;
- na contradição do discurso de preservação ambiental em contraponto à ênfase na produção e distribuição de petróleo;
- na necessidade governamental de obediência às exigências ditatoriais de mercado que se contrapõem às justas necessidades do povo, sob pena de êxodo de investimentos;
- na frustração pela sempre postergada retomada do desenvolvimento econômico num mundo em depressão, que promoveria relativo bem estar social;
- nas taxas de juros altas e que incidem sobre uma dívida pública crescente e que penaliza o povo brasileiro (cada buchudinho da favela paga R$ 3.600 de juros ao sistema bancário e rentistas do mundo todo), e que se diferencia dos juros pagos pelos membros do G7, demonstrando quão extorsivo é o sistema bancário mundial;
- e tantas outras contradições que se explicitam no fato de não se poder (e nem se querer) negar aquilo a que se serve e do que se serve, ou seja, no fato da esquerda pretensamente anticapitalista receber benesses, sob as mais variadas formas, para administrar e assumir a falência sistêmica capitalista.
Mas, para desespero dos conformistas, há um clima de guerra mundo afora.
Tal clima de guerra deriva de uma crise estrutural do capitalismo que tenta manter pela força bélica o que já não pode ser contido pelas regras da política diplomática. A insatisfação no interior dos países gera uma ebulição por conta da pretensão de formação de novos blocos pretendentes a se tornarem economicamente e militarmente hegemônicos seguindo a natureza belicosa e competitiva própria ao sistema produtor de mercadorias.
Enquanto isso, a esquerda perde sua referência revolucionária e se perde numa função estranha ao que é, ou deveria ser, seu ethos original para ocupar um espaço de coadjuvante na administração política do capitalismo decadente.
Assim, a esquerda institucional abdica do protagonismo na cena mundial que está a merecer uma intervenção propositiva diferente, emancipatória, salvadora, igualando-se ao papel que os atores capitalistas estão a encenar.
O povo, na sua crença ilusória e simplista da capacidade do poder político governamental de resolver os problemas que se agravam, vê-se diante da repetida frustração da ação governamental em cumprir tal desiderato, e manifesta o seu desencanto a cada ciclo eleitoral, e assim a vida segue com mudanças cosméticas que não alteram a substância do que lhe serve de base.
Mas o espaço de manobra é cada vez mais reduzido no tempo e no espaço e essa é a razão pela qual o governo Lula perde prestígio, fato demonstrado pelas últimas pesquisas de opinião pública.
A política, stricto sensu, na verdade é um poder sem soberania de vontade que foi moldado para servir ao capital e, portanto, não pode se voltar contra seu criador sob pena de deixar de ser o que é: uma esfera meramente serviçal de um senhor absolutista e ditatorial.
À esquerda cabe se reinventar e confrontar essa realidade, por mais dura e difícil que seja, e para merecer a credibilidade duradoura perante a opinião pública.
Isso somente poderá ser alcançado com a negação do poder político vertical imanente à ordem capitalista, ou seja, se se despir da roupagem com a qual se travestiu e que se constitui como contradição contida na afirmação concomitante daquilo que diz negar na sua ação político-social. (por Dalton Rosado)
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| Por este placar os paulistanos viram, voto a voto, a emenda Dante de Oliveira ir sendo rejeitada... |
As minhas melhores lembranças são:
— o mar de camisas amarelas sinalizando a volta da esperança;
— o incrível tour-de-force de Leonel Brizola que, em função da mesquinha disputa de espaço político no campo da esquerda, começou sob vaias seu discurso numa manifestação das diretas-já na Praça Clóvis (SP) e, com sua fala empolgante, conseguiu colocar o público a seu favor, terminando sob aplausos generalizados; e
— a promessa do craque Sócrates em comício-monstro no Anhangabaú (SP), de que, caso fosse restituído ao povo brasileiro o direito de escolher seu presidente, ele ficaria aqui para contribuir na redemocratização, recusando a proposta astronômica da Fiorentina.
Infelizmente, o Congresso rejeitou naquele funesto 25 de abril a emenda Dante de Oliveira e a eleição acabou sendo, mais uma vez, indireta.
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| ...por haver obtido só 62,6% de votos favoráveis e não os 66,67% que seriam necessários. Os ausentes decidiram. |
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| Foto divulgada para tranquilizar os brasileiros quanto ao estado de saúde do Tancredo; causou péssima impressão. |
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| A eles se juntaria em 2016 a Dilma, segunda impichada |
"Não, não serei eu a tecer loas à transição manipulada que deu fim à ditadura militar sem mudança real na composição do poder (só nos métodos...) e sem que deixassem o povo decidir quem ele queria colocar no lugar do último general ditador.
Nem endeusarei –jamais!– o político conservador com carisma zero que preferiu ver os brasileiros derrotados mais uma vez, desde que isto lhe permitisse apropriar-se da faixa presidencial sem passar pelo crivo das urnas".
Um fato claro nas manifestações de Junho de 2013 foi o rechaço absoluto à política institucional. Não apenas a recusa da presença de bandeiras partidárias, mas também o ódio aos políticos e a qualquer tipo de presença de organizações associadas ao sistema político nacional marcaram a irrupção do movimento em todo o país.
Esse elemento, inclusive, é diferenciador das experiências passadas de manifestações populares no Brasil, quando era comum a presença maciça de organizações partidárias e de palanques. As Diretas Já são o exemplo paradigmático do modo de manifestação na história brasileira, com o formato de comícios em que políticos se revezavam em discursos enquanto o povo apenas ouvia sem agir diretamente.
As Diretas também podem ser encaradas como um marco importante no processo de consolidação da República Nova e seu pacto conservador, pois incluiu forças políticas díspares indo desde o liberal Tancredo Neves, da oposição consentida à ditadura, até o operário Luís Inácio, passando por Leonel Brizola, todos unidos em torno da legitimação do processo transitório urdido pelos militares.
Assim, é bem simbólico que a ruptura com o Pacto Cidadão tenha ocorrido com o rechaço absoluto aos políticos e a seus comícios alienantes.
Na realidade, a institucionalidade política está em degradação ao redor do mundo inteiro graças ao fenômeno da oligopolização econômica. No período clássico do liberalismo capitalista, a existência de pequenos e médios burgueses fazia acirrar a competição no mercado e criava vários grupos de interesse em confronto na arena política. A disputa entre esses grupos tornava as instituições estatais permeáveis à pressão popular, pois cada agrupamento buscava se chancelar junto a um segmento do povo. Igualmente, é nesse período que a socialdemocracia ascende na Europa representando a classe trabalhadora na equação das disputas políticas.
Contudo, a situação muda com a reorganização neoliberal do capitalismo. Os pequenos e médios burgueses desaparecem, engolidos por mega corporações multinacionais. Os sobreviventes passam a ser meros prestadores de serviços das empresas maiores, sem autonomia. Os antigos burgueses se tornam trabalhadores precarizados ou vão viver de bicos cinicamente rotulados como empreendedorismo pelo grande capital. A homogeneização da economia acaba com a competição no mercado, pois, embora existam diferentes produtos e marcas, todas elas pertencem aos mesmíssimos grupos.
O resultado político é o fim das grandes disputas políticas na sociedade. As poucas corporações compram praticamente todos os políticos, da esquerda à direita, e passam a controlar a agenda institucional tornando o Estado impermeável às reivindicações populares. Ou seja, a política passa a existir em função exclusiva dos interesses dos oligopólios. Os poderes executivo, judiciário e, sobretudo, o legislativo são totalmente dominados pelo poder do grande capital, tornando qualquer demanda popular praticamente impossível de ser apreciada.
Pelo contrário, o que ocorre é uma enxurrada de medidas destrutivas ao interesse popular, com reformas trabalhistas, ataques ao meio ambiente, flexibilizações de benefícios sociais, privatizações, além de toda sorte de maracutaias associadas ao processo, instalando um clima de corrupção endêmica e baixíssimo grau de participação popular.
As eleições se tornam meras chanceladoras de um único modelo político e o debate fica em segundo plano, imperando tão somente o uso ostensivo do marketing e da manipulação para vender o candidato. No fim, em cada eleição há uma disputa vazia em que nada de essencial se muda. Os partidos se revezam no poder com a aparência de serem forças opostas e inimigos mortais, mas, no fim e ao cabo, expressam e representam o mesmo grande capital, governando de modo praticamente idêntico.
No Brasil, após o impeachment de Collor, se cristalizou uma oposição artificial entre PSDB e PT que cumpria rigorosamente o descrito acima, aparentar uma disputa e um revezamento político quando nenhuma diferença essencial existia entre eles. Na realidade, uma mesma linha mestra conduz os governos FHC, Lula e Dilma, uma linha continuada, com variações, por Temer e Bolsonaro e agora prosseguida com Lula 3.
Diante desse cenário, a população brasileira passou a sentir terrível frustração com a política institucional. Eleição após eleição, promessas eram feitas, grandes esperanças mobilizadas, mas nenhuma mudança concreta ocorria. O caldo da insatisfação foi crescendo paulatinamente até tomar proporções titânicas em Junho de 2013.
Os levantes significaram a derrocada completa do sistema político brasileiro que caducou de forma irreversível. O descolamento entre o povo e seus supostos representantes chegou a um nível tão profundo que a população não mais se reconhecia neles e esses tão pouco conseguiam entender os reclames populares. Décadas de engorda em palácios com reuniões fechadas, convescotes e acordões de bastidores deixaram os políticos tradicionais completamente alienados da realidade brasileira, sendo esse caso mais dramático no caso dos políticos de esquerda, rechaçados com ainda mais veemência pelos manifestantes na qualidade de traidores.
O rechaço ao sistema político tradicional abriu possiblidades ricas no Brasil, como as experiências horizontais das Assembleias Populares e dos Movimentos Autonomistas. Infelizmente, tais ações tiveram vida curta, sendo esvaziados após o enfraquecimento do ímpeto das manifestações e as perseguições perpetradas pelo governo Dilma em articulação com os governos estaduais aos militantes mais ativos. No saldo, quem iria se beneficiar do sentimento anti-institucional seria as forças de direita, com a operação lava jato e a ascensão do bolsonarismo. (por David Emanuel Coelho)
LEIA OS PRIMEIROS ARTIGOS DA SÉRIE:
DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013: A TÁTICA BLACK BLOC
DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013: A QUINTA-FEIRA QUE INCENDIOU O BRASIL
DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013: A LUTA PELO PASSE LIVRE
DEZ ANOS DE JUNHO DE 2013: A FALÊNCIA DA NOVA REPÚBLICA
"Bom, o povo, o povão que poderá me escutar será talvez os 70% de brasileiros que estão apoiando o Tancredo. Então, desejo que eles tenham razão, que o doutor Tancredo consiga fazer um bom governo para eles. E que me esqueçam".
"Entendo que fiz a minha parte, estou fazendo a minha parte. Agora, certas medidas têm que ter apoio do Parlamento, de alguns do Supremo, de outros órgãos e instituições".
"Não posso fazer algo que não seja bem feito e que, assim, os efeitos colaterais sejam danosos demais".
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| Lula se recuperando do tumor de 2011 |
"Será que não entendem que Lula está cada dia mais fraco fisicamente, psicologicamente e teoricamente para enfrentar a direita sanguinária?".