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segunda-feira, 23 de março de 2026

A MÚSICA DO DIA, DEDICADA A DONALD TRUMP, SÓ PODERIA SER "PALHAÇO"

Um dos principais cantores brasileiros do século passado, o rei da voz Francisco Alves obteve grande sucesso com Palhaço, marcha carnavalesca de 1947, composta a seis mãos por Benedito Lacerda, David Nasser e Herivelto Martins.

A quem ela poderia ser dedicada hoje em dia? Não há dúvida nenhuma: a Donald Trump, um inequívoco histrião hors concours,. 

Ele pensou que fosse um grande conquistador (mas não passa de um pequeno parlapatão). Então, como se ainda estivesse em 1930/40, agiu contra países mais fracos tal qual Hitler e Mussolini agiriam.

A consequência foi ele ter entrado como um leão numa guerra que deveria ser apenas Israel x Irã e agora estar saindo com o rabo entre as pernas, como um cão enxotado a pontapés, tendo de propor uma trégua e se de dispor a negociações.

As ilusões de Trump não completaram nem sequer um mês. E todos nós assistimos de camarote ao retumbante fracasso desse palhaço. (CL)

Acesse "Palhaço" no Youtube clicando aqui 

domingo, 15 de junho de 2025

O PUNITIVISMO SÓ PROVÊ INTIMIDAÇÃO OU VINGANÇA. É HORA DE DARMOS UM BASTA À DESUMANIDADE CAPITALISTA!

Celebridades que questionaram a sentença monstruosa da juíza Bárbara de Lima Iseppi contra o comediante Léo Lins estão voltando atrás à medida que os rancorosos punitivistas divulgam exemplos chocantes do tipo de humor que ele fazia, chantageando esses me(r)dalhões eternamente reféns das tendências majoritárias nos seus respectivos nichos. 

Entre interesses e convicções, escolhem sem pestanejar os primeiros, por mais humilhante que seja a retratação. Preferem ser vistos como cidadãos que opinam levianamente, sem informarem-se direito sobre o assunto, do que como vozes discrepantes das Maria-vai-com-as-outras que seguem invariavelmente o rebanho, mesmo no erro e na abjeção.

Depois que Hitler e Mussolini tiveram o fim que sempre mereceram, alemães e italianos que antes esmagadoramente os idolatravam, correram a proclamar inocência. 

Mas os chifres e os rabos pontiagudos não sumiram graças a tamanha hipocrisia, tanto que a Itália continuou se rendendo ao fascismo. A virtude não está mais no meio...  

Assim, após chafurdar na lama com o pornocrata Silvio Berlusconi, a velha bota tem hoje como primeira-ministra a Giorgia Meloni,  cujo lema é Deus, Pátria e Família. 

Opositora do aborto voluntário, da eutanásia, da união civil entre pessoas do mesmo sexo, da paternidade LGBT, etc., ela se diz apenas conservadora cristã. Sei.

Então, eu faço questão de reafirmar que, seja lá o que o Léo Lins tiver um dia afirmado, mantenho minha posição de sempre: penas de prisão só se justificam como resposta a ações e não, jamais, a opiniões, por mais repulsivas que sejam.

Se roubou, estuprou, feriu, matou, vandalizou, etc., que mofe na prisão. 

Se apenas escandalizou a sociedade ou debochou de minorias, que seja condenado a prestar serviços comunitários, assistir a palestras, receber tratamentos, etc. 

Tal era o entendimento da esquerda à qual aderi na virada de 1967 para 1968: uma sociedade que erige a ganância em prioridade suprema predispõe os indivíduos a todo tipo de comportamentos distorcidos, daí devermos antes reeducar as vítimas do capitalismo do que fazer desabar sobre elas todo o peso da lei.
A esquerda daquele tempo tinha coragem de assumir que o crime maior de todos é a própria existência do capitalismo e, enquanto não o superarmos, o punitivismo será quase sempre intimidação e/ou vingança, não justiça.

Mas as pessoas simples estão ainda imbuídas do simplismo do olho por olho, dente por dente, ilusório lenitivo para suas dores. 

E a esquerda atual abre mão do dever de educá-las, preferindo a opção confortável de somar-se cinicamente a elas, jogando Marx no lixo.

Eu fico com Marx. (por Celso Lungaretti)
"Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero/ 
Não tolero lero-lero, devo nada pra ninguém"

segunda-feira, 9 de junho de 2025

A ULTRADIREITA PRODUZ MUITO ESTRAGO QUANDO CHEGA AO PODER, MAS NELE NÃO SE ETERNIZA POR SER AUTOFÁGICA

Por que Hitler, após uma sucessão impressionante de conquistas na década de 1930, não tratou de consolidar a dominação nazista no Leste Europeu  e na Europa Ocidental, ao invés de lançar-se a novas empreitadas?

Porque o fracasso da invasão da Inglaterra interrompeu uma escalada que vinha sendo triunfal e Hitler tentou consertar a situação com uma nova vitória de grande impacto psicológico, a incorporação da União Soviética a seu império. 

Ou seja, desprezando o antecedente histórico do malogro de Napoleão Bonaparte na imensidão gelada da Rússia e subsequente perda de tudo que havia conquistado, Hitler deu ensejo a que a História se repetisse, não como farsa, mas como uma nova tragédia cujas características básicas foram idênticas.

E que necessidade tinha Mussolini de, mesmo sem a Itália ter sofrido (como ocorreu com a Alemanha) perda de espaço vital por força do draconiano Tratado de Versalhes, aliar-se a Hitler, associando o destino do fascismo que implantara com sucesso em seu país aos imprevistos nos campos de batalha europeus? Foi outro ultradireitista que fez desnecessariamente uma aposta muito arriscada e dilapidou todo o cacife que havia acumulado.

Agora que a extrema-direita passava por um novo apogeu após o da primeira metade do século passado, novamente pôs-se a destruir suas chances com erros terríveis. 

Bem vistas as coisas, o multilateralismo favorecia (e não prejudicava) os Estados Unidos, o que torna simplesmente incompreensíveis as loucuras de Trump tentando fazer a História marchar para trás, com a volta forçada do protecionismo econômico. 

Ademais, os excessos autoritários grotescos nos quais ele está incidindo e que atingem em cheio a imagem que os EUA projetavam de si próprios como democracia-modelo conduzirão inexoravelmente a seu afastamento do poder. 

Se eu fosse dado à jogatina, apostaria até meu último centavo em que Trump não terminará o mandato, face à sucessão enorme de brigas impossíveis de vencer que ele está comprando dentro e fora dos EUA.     

E Jair Bolsonaro, que vinha escapando impune de uma infinidade de violações da Constituição e do Código Penal, por que teimou em sabotar o combate científico à epidemia de covid, mesmo depois de Trump haver desistido dessa roubada em que Steve Bannon o estava fazendo embarcar?!

A postura sanitária delirante de Bolsonaro teve muito a ver com seu abandono por parte dos estrategistas mais sofisticados do capitalismo praticado no Brasil, aquartelados na avenida Brigadeiro Faria Lima. 

Ao inundarem os veículos de imprensa com manifestos contra a insegurança econômica causada pelo voluntarismo obtuso de Bolsonaro, eles iniciaram a correção de rumos que acabou determinando o abandono do dito cujo por parte do
cérebro
do capitalismo daqui. 

Foi a partir daí que a derrota dos ultradireitistas  em 2022 se desenhou. 

Diziam os antigos: Quem é burro, peça a Deus que o mate e ao diabo que o carregue. (por Celso Lungaretti)    

terça-feira, 29 de abril de 2025

ACORDO STF/CÂMARA/SENADO ESVAZIARIA PLANO DO BOLSONARO DE PEGAR CARONA NUMA ANISTIA AOS PAUS MANDADOS DO 8/1

U
m acordo está sendo negociado entre o Supremo Tribunal Federal e os presidentes do Senado (Davi Alcolumbre) e da Câmara Federal (Hugo Motta), no sentido de:
-- atenuarem-se as penas dos descerebrados que participaram da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 sem uma real noção da gravidade do que faziam (o tão fanatizado quanto imbecilizado gado bolsonarista);
-- aplicarem-se integralmente as penas a que fazem jus os líderes daquela intentona;
-- tornar mais rigoroso o enquadramento penal dos que repetirem tal tentativa de virada de mesa no futuro.

A informação é da colunista Mônica Begamo, da Folha de S. Paulo, cujas informações de bastidores costumam ser sempre quentes.

Seria uma forma de esvaziarem a sórdida tentativa do Jair Bolsonaro de, a pretexto de reduzir-se o excesso de severidade adotado contra os paus mandados, viabilizar uma anistia que acabasse incluindo também os mandantes, começando pelo próprio ex-presidente, o indiscutível líder e beneficiário do golpe, que várias vezes demonstrou estar apavorado com a perspectiva de ir merecidamente para trás das grades.

Neste meu post de exata uma semana atrás eu já sugerira a possibilidade de uma iniciativa desse tipo:
"Ele [Bolsonaro] finge cinicamente estar preocupado com os transtornos que causou a seus seguidores, sujeitando-os à prisão enquanto se colocava a salvo na Disneylândia... 
Se tivesse a mínima empatia com o sofrimento alheio, pediria em alto e bom som que fossem anistiados os golpistas ingênuos, mas não, nunca, jamais ele próprio, que passou o mandato presidencial inteiro conspirando para usurpar definitivamente o poder.  
O maior obstáculo à anistia ou redução das penas dos que não sabiam direito o que estavam fazendo é a possibilidade de isso vir a servir de cavalo de Tróia para os que sabiam muito bem quão criminosos eram os próprios atos. 
por Celso Lungaretti
Apesar de merecer o mesmo destino que tiveram congêneres seus como Hitler e Mussolini, a pena máxima que a Justiça brasileira poderá aplicar a Bolsonaro é de 30 anos de prisão. Para ele, isto seria lucro.  
Mesmo assim, faz uma descarada chantagem emocional e esperneia como um menininho que não quer tomar purgante. Que nojo!".

segunda-feira, 14 de abril de 2025

DEMAGOGIA ANTES DA CIRURGIA ATESTA QUE CINISMO DO BOLSONARO É ILIMITADO

Jair Bolsonaro jamais demonstrou a menor compaixão pelas centenas de milhares de brasileiros vitimados por sua  alucinada sabotagem à vacinação contra a covid. 

Pelo contrário, até acreditava estar sendo engraçado ao imitar a agonia dos que morriam tentando desesperadamente respirar. 

Agora, ele cometeu a pior demagogia de sua carreira, ao misturar, numa mesma mensagem, a cirurgia pela qual passaria e a campanha que desenvolve para evitar a merecida prisão. 

Ele finge cinicamente estar preocupado com os transtornos que causou a seus seguidores, sujeitando-os à prisão enquanto se colocava a salvo na Disneylândia...

Se tivesse a mínima empatia com o sofrimento alheio, pediria em alto e bom som que fossem anistiados os golpistas ingênuos, mas não, nunca, jamais ele próprio, que passou o mandato presidencial inteiro conspirando para usurpar definitivamente o poder. 

O maior obstáculo à anistia ou redução das penas dos que não sabiam direito o que estavam fazendo é a possibilidade de isso vir a servir de cavalo de Tróia para os que sabiam muito bem quão criminosos eram os próprios atos.

Apesar de merecer o mesmo destino que tiveram congêneres seus como Hitler e Mussolini, a pena máxima que a Justiça brasileira poderá aplicar a Bolsonaro é de 30 anos de prisão. Para ele, isto seria lucro. 

Mesmo assim, faz uma descarada chantagem emocional e esperneia como um menininho que não quer tomar purgante. Que nojo! (por Celso Lungaretti) 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

"HOMEM AO MAR!" (participar de conspiração encabeçada pelo Bolsonaro é a maior roubada!)

Quem nasceu para Jair Bolsonaro, nunca chega a Adolf Hitler.

Não que lhe desagradasse ser um dos maiores vilãos da História mundial. Longe disto.

Mas é que ao Bozo sempre faltaram características essenciais de um grande líder da extrema-direita, como a coragem pessoal. 

Os profetas europeus da seita, Hitler e Mussolini, sempre fizeram o máximo para se passarem por machos alfa, enquanto o palhaço tropical brochou logo na primeira situação em que seu valor foi colocado à prova. 

Percebendo que a maneira alucinada como reivindicava reajuste no soldo chocara a mentalidade caxias do Exército, correu a pedir baixa antes que o encarcerassem por período bem maior do que os 15 dias em que ficou preso quando ainda era tenente (vide aqui). 

Já Hitler, longe de logo desistir de seus planos mirabolantes, fez dos nove meses de prisão por haver encabeçado o Putsch da Cervejaria um trunfo para sua ascensão meteórica. Foi quando escreveu Mein Kampf, a bíblia de todos os Bolsonaros.

E o que dizer de quando o melindroso entregou docilmente a bandidos insignificantes a moto e a pistola (mais não deu porque mais não lhe exigiram...)? Dá para imaginar um Hitler, quando ainda subia os degraus para o poder, se comportando de forma tão pusilânime? 

Então, as sucessivas convocações do Bolsonaro presidente ao gado ultradireitista, já no sentido de partir para o golpe, seguidas de ataques de paúra humilhantes na hora do
vamos ver!, eram mais do que previsíveis. 

Bem diferentes da postura mais discreta do antecessor nazista após o fracasso do Putsch da Cervejaria. Quanto a Mussolini, atingiu seu objetivo logo na primeira tentativa, com a Marcha sobre Roma.

Finalmente, outra enorme diferença é a falta de lealdade do Bozo para com seus comparsas: sempre os atira ao mar para salvar-se sozinho. Após cada refugada, vinha sempre uma escolha traíra de quem arcaria com o ônus político e/ou judicial de suas estripulias.

O padrão se repete com a atual denúncia do golpismo bolsonarista. Esta frase do Celso Vilardi, advogado do valente treme-treme, já deixa bem clara qual será a linha de defesa do réu maior: 
"Não há dúvidas de que existiram  fatos graves que foram narrados na denúncia. Não estou minimizando os fatos que foram postos na peça, estou apenas afirmando, estou convicto disso, que o presidente não participou efetivamente de uma questão relativa a um golpe de estado. Não participou, não assinou".
De quem estará rindo o advogado Vilardi?
De quem acreditar na inocência do Bozo?
Ou seja, a tentativa de derrubar Lula aconteceu mesmo e o único erro da denúncia é quanto à identidade do denunciado como líder da tramoia. 

O resto está perfeito. Palavra do defensor do Bozo...

Não é só para golpista que o histrião-mor do circo de horrores brasileiro não presta. Nem para mafioso serviria. 

Desrespeitando de forma tão descarada a omertá (código de honra e silêncio das organizações  mafiosas), há muito estaria dormindo com os peixes, preso pelos pés num bloco de cimento, para seus restos mortais nunca virem à tona. (por Celso Lungaretti)

sábado, 24 de fevereiro de 2024

domingo, 7 de janeiro de 2024

COMEMORARMOS O QUÊ? O ANO INTEIRO QUE PASSOU SEM O PAI DO GOLPE SER ENCARCERADO OU, SEQUER, VIRAR RÉU?!

Já em 16/02/2023 o editor David Emanuel Coelho advertia os leitores deste blog que muito se sussurrava nos bastidores sobre um acordo firmado pelos poderosos, no sentido de que Jair Bolsonaro pagasse pelas muitas dezenas de graves crimes por ele cometidos apenas com a inelegibilidade, sendo, contudo, poupado das grades.

No dia seguinte eu aprofundei o assunto neste post, confirmando que havia mesmo cheiro de pizza no ar, mas "a pressão da opinião pública ainda poderá frustrar o acordão a que se referiu o David".

No primeiro aniversário do putsch flopado, continua tudo praticamente na estaca zero. 
Falta cravarmos a estaca no coração do vampiro

Como Lula foi de uma morosidade extrema para indicar um novo procurador geral da República, este, evidentemente, ainda não teve tempo hábil para tornar Bolsonaro réu dos processos mais graves a que ele deverá responder: o do genocídio durante a pandemia e o do golpismo em 08/01. 

Então, continua existindo a possibilidade de o Gonet vir a se revelar outro enrolador geral da República, seguindo os passos letárgicos do Augusto Aras.

Nada há. portanto, para comemorarmos nesta 2ª feira (8): seria como celebrar-se a vitória sobre o nazifascismo sem que Adolf Hitler tivesse se suicidado e Benito Mussolini sido fuzilado pelos partisans. 

Serviço feito pela metade sempre pode dar ensejo a uma reviravolta. Então, a indefinição sobre o futuro do pai do golpe, enquanto muitos peixes pequenos já foram sentenciados e estão mofando atrás das grades, deve ser visto como motivo de constrangimento, e não de júbilo. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

'O LEÃO DO DESERTO' ABRE NOSSO PEQUENO FESTIVAL DE FILMES ANTICOLONIALISTAS

Tenho muitas saudades daquelas lutas nas quais inexistia qualquer dúvida sobre a trincheira que deveríamos ocupar.  

A resistência contra o fascismo na Espanha foi um exemplo. Voluntários de vários países engrossaram as fileiras dos idealistas que combatiam Franco, embora seus respectivos governos permanecessem vergonhosamente em cima do muro.

Então, como acabo de encontrar no YouTube um filme pouco conhecido sobre uma dessas heroicas lutas contra o colonialismo, resolvi não apenas postá-lo hoje, como também acrescentar alguns congêneres nos próximos dias.

Vale, contudo, ressalvar que atualmente não só os acontecimentos deixaram de apresentar-se com idêntica clareza, como o inimigo se tornou bem mais difícil de ser vencido, pois a correlação de forças ficou ainda mais desigual do que era nos séculos passados.

Então, meu propósito não é ressuscitar formas de luta que caducaram e hoje seriam suicidas, mas apenas apontar o destemor e o espírito de sacrifício daqueles combatentes como um componente que precisamos resgatar, pois nos faz imensa falta. (por Celso Lungaretti)

O ANCIÃO QUE SUSTENTOU UMA LUTA DE QUASE
20 ANOS CONTRA OS INVASORES ITALIANOS

Nascido em agosto de 1862, Omar Mukhtar organizou e, a partir de 1912, liderou lutas de resistência contra o controle italiano da Líbia, sendo finalmente capturado e enforcado pelos fascistas em 1931. Morreu vigoroso e lúcido aos 73 anos.
O Omar Mukhtar da vida real

Tudo começou quando, já cinquentão, reuniu um contingente entre 2 mil e 3 mil beduínos para resistir à invasão italiana, impondo consideráveis danos ao inimigo ao cortar-lhe as linhas de comunicação e surpreendê-lo com emboscadas frequentes.

Finalmente, em 1923, aos 63 anos, o emir Idris I o incumbiu de liderar a guerrilha anti-italiana na Líbia inteira. Talvez já estivesse prevendo que a chegada dos fascistas ao poder na Itália levaria aquela guerra para outro patamar.

E foi o que realmente aconteceu, mas até 1930 Mussolini ainda acreditou que seria possível submeter os líbios sem apelar para a devastação total. 

Quando se deu conta de que jamais o conseguiria, incumbiu um general carniceiro, Rodolfo Graziani, de usar força desmedida: extermínio de civis, aprisionamento em campos de concentração, expropriação de seus bens, destruição de aldeias, envenenamento de poços d'água, inutilização de terras utilizadas na agricultura, etc.

A cereja do bolo foi a instalação de uma muralha de arame farpado dividindo a Líbia ao meio, para evitar que os rebeldes (que se ocultavam em montanhas inacessíveis para os italianos e guerreavam no deserto) recebessem armas e víveres. 

Estavam reduzidos a cerca de 700 beduínos quando Mukhtar foi baleado, aprisionado, julgado e executado. Isto significou para eles o golpe de misericórdia. 

Mas sua longa resistência foi épica  e seu estrategista combatente deveria ser reconhecido como um dos maiores comandantes militares da história. Mas, claro, não é este o tipo de herói que convém à academia e à indústria cultural aclamarem...
Oliver Reed e Anthony Quinn como
o general Graziani e Omar Mukhtar

O leão do deserto
, produção libio/estadunidense dirigida pelo cineasta sírio Moustapha Akkad em 1980, não deixa de ser um filme correto e bem realizado, com sequências de batalhas convincentes e tendo o mérito de manter viva a lembrança de uma das primeiras guerras sujas  do século 20 (elas jamais devem ser esquecidas!). 

Reconstitui o período da consolidação a ferro e fogo do domínio italiano, quando Graziani é designado para, com poder ilimitado, dar um fim à rebelião. 

E é, como seria de prever-se, um tanto apologético, mas, sendo o cinebiografado um personagem de grandeza histórica indiscutível, dá para relevarmos alguns excessos louvaminhas aqui e ali.

Anthony Quinn interpreta o velho guerreiro de forma até comedida para quem o conhece de outros carnavais. Pareceu perceber que o brilho do seu personagem existia por si, não precisando de retoques.

Já Oliver Reed, como Graziani, fez um vilão meio caricato, mau como um picapau e com trejeitos de Mussolini, como quando se posta em pé com o queixo erguido, as pernas abertas e ambas as mãos na cintura. Fica parecendo mais o duce do que o próprio duce, interpretado por Rod Steiger.

Raf Vallone está muito bem como  um oficial mais digno e compassivo. E Irene Papas, grande dama do cinema, merecia muito mais minutos em cena do que lhe foram dados. (CL)  
 
Obs: para acessar os vídeos do PEQUENO FESTIVAL DE
FILMES ANTICOLONIALISTAS, clique nos seus títulos:

domingo, 18 de junho de 2023

O GOLPE DOS PALHAÇOS NÃO SÓ FRACASSOU, COMO ELES PRODUZIRAM TONELADAS DE PROVAS CONTRA SI PRÓPRIOS.

"
Conheço bem minha história,
começa na lua cheia
e termina antes do fim.
Aqui é o fim do mundo!
Aqui é o fim do mundo!"
(Torquato Neto, Marginália II) 
Graças à eficiência da Polícia Federal, que se vinga exemplarmente do Bozo por a haver encabrestado em 2020, conhecemos agora todo o roteiro, o protagonista e os coadjuvantes do golpe dos palhaços. 

Tal atração fracassou de forma tão acachapante que o Circo dos Horrores recolheu sua lona no início de janeiro e a única perspectiva de que ela seja erguida de novo é para uma longa temporada na Papuda. 

De resto, mais uma vez se confirmam todas as previsões que eu divulguei e a esquerda fez questão de ignorar, preferindo marchar, como sempre, a reboque dos acontecimentos ao invés de antecipar-se a eles. 

Quem pelo menos leu meus artigos, sabe que eu jamais acreditei na consolidação de um governo proveniente de nova quartelada ultradireitista. De início, admiti a possibilidade de um êxito inicial, mas argumentei que logo se tornaria insustentável, por força do isolamento internacional e da impossibilidade de tirar a nossa economia do fundo do poço. 

Ou seja, teria vida curta, ao contrário das duas ditaduras do século passado, que duraram 15 e 21 anos, respectivamente.

Foi em 2019 que uma tomada militar do poder, seguindo a tradição das repúblicas bananeiras do século passado, teve maior chance de êxito.

Só que o parasita do baixo clero jamais foi um líder ultradireitista à altura de seus inspiradores, como Hitler e Mussolini. Não passava de um ladrão de galinhas despreparado para o exercício do poder que lhe caiu no colo.
Então, deixou passar 2019, deixou passar 2020 e em janeiro de 2021 perdeu a única sustentação externa que poderia facilitar seu sonho golpista, pois a posse de Joe Biden na presidência colocou os EUA como opositores e não cumplices da insânia bozista.

Foi quando ele se deu conta de que poderia ser expelido do governo pela via eleitoral, pois talvez não lhe sobrasse tempo suficiente para apenas ir tomando o poder aos poucos, por dentro, como outrora fizeram Hitler (após o fracasso do putsch da cervejaria), Mussolini (após a mera demonstração de força que foi a Marcha sobre Roma) e, no século atual, Erdogan, Orban, Putin e outros autocratas.

Assim, marcou o golpe para 7 de setembro de 2021, mas aí nada aconteceu, os tanques fumegantes no desfile militar em Brasília viraram piada e o genocida foi correndo sentar-se no colo do Michel Temer, suplicando-lhe que desse um jeito na lambança que aprontara.

Foi quando tive certeza de que a cúpula do Exército não botaria as tropas na rua simplesmente para eternizá-lo no poder. Antes, eu já advertia que os fardados só derrubam governos no Brasil em benefício de oficiais superiores, não de um tenente amalucado que teve de pedir baixa para não ir em cana.

Era uma opinião minha que a esquerda nem de longe compartilhava. Mas, eu tinha no que me basear.

Primeiramente, convivi na VPR com muitos antigos militares, principalmente o comandante Carlos Lamarca. E o quadro que eles me pintavam do oficialato era de que:
— tenentes e capitães, com longo tempo pela frente até chegarem ao topo da carreira, tinham maior propensão ao golpismo;
— majores, já no meio do caminho, eram (são) mais reticentes face ao risco de botarem a perder todo o tempo já investido, preferindo esperar para alinharem-se com os vitoriosos do que tomarem partido enquanto o desfecho está indefinido;
— tenentes-coronéis, coronéis e generais (de brigada, de divisão e de exército) já detêm considerável poder e amplos privilégios, então, em sua maioria, querem mais é que seja mantido o status quo. 

Outro fator fundamental era o de que, desde a convivência dos oficiais da Força Expedicionária Brasileira com seus congêneres estadunidenses nos campos de batalha da Itália, entre ambos se estabeleceu uma relação de pai e filho, que ficou extremamente nítida na tramoia para a conquista do poder no século passado.  

Os conspiradores castelistas sempre tiveram o apoio discreto da CIA e do Pentágono, mas na primeira tentativa de virada da mesa, em agosto de 1961, os padrinhos estadunidenses não tinham autonomia para apoiá-los de forma mais efetiva,  já que o presidente John Kennedy os mantinha sob rédeas curtas. Bastou ele ser assassinado e o condescendente Lyndon Johnson assumir para o golpe brasileiro ser desfechado (nem cinco meses depois!).  

Então, às vésperas do Dia da Pátria que marcava o bicentenário de nossa independência, cansei de escrever que a nova micareta golpista floparia da mesma maneira que a anterior. E não deu outra coisa.

A derrota do bufão na eleição presidencial e seu abandono do governo supostamente para não passar a faixa ao Lula (na verdade, uma manobra do vacilão para torcer pelo êxito do golpe que engatilhara mas fingir-se de inocente caso houvesse novo fiasco) criaram o pior cenário possível para, em desespero de causa, promoverem o badernaço de 8 de janeiro. 

Depois de refugarem durante quatro anos, partiram para o
tudo ou nada quando a vaca já tinha enterrado até os chifres no brejo. E o resultado foi nada, obviamente.

Vou encerrar com um desabafo: não só fui um dos primeiros a prever que o histrião tinha chance de vitória e deveria ser encarado pela esquerda como o inimigo principal, como passei os quatro anos de seu desgoverno infame antecipando cenários futuros e apontando caminhos melhores do que os depois adotados.

A minha maior mágoa é que só os secundaristas de São Paulo e algumas torcidas organizadas de futebol tiveram a coragem de confrontar os bolsonaristas a céu aberto, naquela jornada que deveria ter sido o ponto de inflexão a partir do qual a esquerda tinha tudo para retomar a iniciativa, assumindo pra valer a bandeira do impeachment de um presidente que sabotava o combate científico a uma pandemia devastadora, maximizando as mortes de brasileiros.

Se hoje quem realmente detém as rédeas do poder é o centrão, com o Lula reduzido a pouco mais do que uma rainha da Inglaterra, isto se deve a não ter sido a esquerda que verdadeiramente derrotou o bolsonarismo, o qual jamais passou de um balão inflado quando convinha ao poder econômico e adiante esvaziado pelo mesmíssimo motivo.

Saímos pela porta do fundo da ditadura militar e repetimos a dose agora. Enquanto não forjarmos uma esquerda que conquiste por si própria seus triunfos, ao invés de pegar carona nos esquemas dos inimigos de classe, continuaremos apenas coonestando a perpetuação do capitalismo e torcendo para que ele não cause a extinção da espécie humana.
Celso Lungaretti

Comecei com versos do Torquato, encerro com uns do Vandré
"Quem afrouxa na saída
ou se entrega na chegada,
não perde nenhuma guerra
mas também não ganha nada"

segunda-feira, 15 de maio de 2023

SOMENTE O EMANCIPACIONISMO PODE SUPERAR RADICALMENTE O CAPITALISMO

 Há uma profunda diferença entre as concepções políticas que têm como base de sustentação a forma valor e aquela que prega a superação radical da dita cuja. 

Podemos considerar que se trata de formas e conteúdos dicotômicos por representarem oposição de forma e conteúdo são inconciliáveis no que diz respeito ao convívio político num mesmo campo de atuação.  

São dois campos distintos, sendo um com vários matizes ideológicos, e o outro unificado numa concepção de relação social sem a mediação social pela forma valor. 

No campo da relação social mediada pela forma valor estão os seguintes projetos políticos, com variações pontuais que não alteram a substância de seus conteúdos nos resultados finais. São eles:  

01: O fascismo, que cresceu e se plasmou como poder por meio da política estatal de afirmação e regulação capitalista pela via do incenso ao trabalho abstrato e visão nacional socialista - uma contradição semântica do próprio objeto e enunciado.  

Não é por menos que a ascensão de Adolf Hitler ao poder político foi o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães que se firmou pelo voto depois de ver fracassado putsch de 1923, com alguns mortos e outros presos, incluindo-se o próprio líder nazista, tendo posteriormente saído da prisão com aura de salvador da pátria.   

  Benito Mussolini, fundador do fascismo italiano, inicialmente se filiou ao Partido Socialista Italiano (1901 a 1914), para durante a primeira guerra se apresentar como Fascio d’azone Revoluzionaria (1914 a 1919), e depois Faces de Combate Italianas (1919 a 1943) e Partido Republicano Fascista (1943 a 1945).  

Como se vê, a simbologia do trabalho abstrato produtor de valor, do socialismo e republicanismo estão presentes nos dísticos partidários das doutrinas que levaram o mundo à segunda guerra mundial e seus cerca de 50 milhões de mortos, além de danos materiais incalculáveis.  

02: O marxismo-leninismo, ao endeusar o trabalho abstrato ao invés de condená-lo, como queria Marx, e com ele a extração de mais-valia estatal dos trabalhadores russos, igualzinho ao que fez Mao Tse Tung na China, e sua cartilha stalinista, pode se inserir no campo do capitalismo de estado, inicialmente estatizante, até se render à economia de mercado mundial. 

03: A socialdemocracia, que se afirma como a antítese ao nazifascismo conservador, também se insere entre as formas políticas que atuam sobre uma base de relações mediadas pela forma valor e a partir de um processo eleitoral de alternância cíclica no poder político que proporciona um eterno pêndulo  entre posturas mais avessas aos ganhos civilizatórios dos conservadores e as que querem humanizar o capitalismo com condescendências de preocupações sociais mais civilizadas, e que assim, voltam sempre para o mesmo ponto de partida.  

04: O anarquismo, que jamais se consolidou como relação social vigente, até porque a sua contestação ao Estado e às religiões, sem atacar a mediação social pela forma valor, caiu num vazio de aglutinação de forças e apenas figura como um viés interessante da história da luta contra a opressão sistêmica.  

A identidade de todas essas formas políticas é o sistema produtor de mercadorias e tudo que a ele se incorpora, e por seu conteúdo intrínseco termina sempre por as igualar de modo pragmático, vez que a política não tem soberania de vontade sobre a economia capitalista, de onde retira seus sustentos.    

O capitalismo é o suserano de todas as formas políticas que se desenvolveram sob os seus fundamentos e nenhum vassalo pode dar ordens a este senhor ditatorial, abstrato e impessoal, a forma valor, que é de onde tiram o seu sustento pela via da taxação fiscal. 

A política e os políticos beijam a mão do Estado e seus impostos que são cobrados a uma população já exaurida pela extração de mais-valia, sob o argumento falacioso da imprescindibilidade da sua institucionalidade para o atendimento das demandas sociais de sua incumbência constitucional, jamais cumprida. 

Ressalte-se que com a falência do Estado em face da depressão capitalista, causada pela contradição dos seus próprios fundamentos, implica num atendimento das demandas sociais cada vez mais precário, quando não inexistente. 

 Até a própria extração de mais-valia que sustenta o capital agora escasseia irremediavelmente e nem mais isso os escravos do trabalho abstrato conseguem obter por conta do desemprego estrutural que nega o trabalho que os escraviza, fenômeno que se alastra mundo afora prenunciando a morte do capitalismo após seu ciclo de nascimento e milenar desenvolvimento.  

As formas políticas sob o capital exploram o trabalho abstrato e o vendedor da mercadoria força de trabalho - única mercadoria que o trabalhador possui para venda -, e ainda lhe cobra impostos, ou seja, o trabalhador explorado financia a sua própria opressão, e é por isto que este conjunto de fatores tem que ser superado, e não reformado por medidas protetivas legais impossíveis de serem consistentes. 

 Destarte, a única doutrina a pregar a libertação da camisa de força da política serviçal do capital e da sua ditatorial servidão social é aquela situada fora do campo de mediação social pela forma valor e suas categorias complementares - trabalho abstrato, trabalhador, dinheiro, mercadoria, mercado, política, socialismo, democracia burguesa, Estado, direito burguês, etc. 

A negação da política e da forma valor são concepções tão simultaneamente imbricadas a ponto de não poderem ser dissociadas, razão pela qual não se pode conceber a esquerda anticapitalista possa negar a forma valor sustentadora do Estado ao mesmo tempo em que se imiscui nas esferas políticas dele e assim se torna dependente de cargos e dotações orçamentárias em dinheiro.

Algo assim tão contraditório como alguém que sem capital e querendo ficar rico prescinda da exploração do trabalho abstrato extrator de mais-valia que promove a acumulação do capital. Uma coisa não vive sem a outra, do mesmo modo que a política não vive sem o capital que segrega a maior parte da população e, portanto, não pode haver político e política institucional emancipacionista.  

Capitalismo e política institucional são faces de uma mesma moeda. 

O emancipacionista é visceralmente avesso ao capital e à política que lhe dá sustentação, daí se situar num campo de atividade social que foge dos parâmetros tradicionais e fazer uma abordagem diferenciada dos conceitos tradicionais, tais como:  

- ao invés de mendigar empregos e salários, como faz Lula, seu partido e sua administração pública, e os sindicalistas, os emancipacionistas negam esta necessidade e pregam a quebra das correntes dizendo que não se trabalhe jamais - favor não confundir a categoria trabalho, dado histórico, com atividade produtiva social de sustento das necessidades humanas, dado ontológico;  

- ao invés de concorrer às vagas ao parlamento burguês e ser sempre minoria a legitimar aquela instituição burguesa, pregam: NÃO VOTE E NÃO SE CANDIDATE AOS CARGOS ELETIVOS DO ESTADO; 

- ao invés de querer a adoção de um novo padrão monetário fiduciário de concorrência ao dólar, pregam a superação de todos as moedas, seja do dinheiro como representação do valor ou moeda falsa oficial por não ter correspondência com lastro na produção de mercadorias que lhe empreste um mínimo de credibilidade;  

- ao invés de tentar um arcabouço fiscal que permita o atendimento de demandas sociais de modo mais abrangente, como querem todos os governos que buscam agradar os explorados do capital, pregam o banimento dos impostos; 

- ao invés de defender a criação de um banco como o do BRICS, pregam o fim da agiotagem, seja aquela escorchante, que tira a o escalpo de devedor, ou seja aquela que mantém o devedor apenas vivo para continuar na servidão;  

- ao invés de pugnar pela retomada do desenvolvimento capitalista, ora depressivo, pregam o fim do dito cujo e a adoção de um modo de produção voltado para a satisfação das necessidades coletivas e que dita produção seja capaz de promover o bem-estar mundial a partir do uso das tecnologias avançadas; 

- ao invés de pugnar pela volta ao trabalho vivo a partir dos nervos e músculos humanos na produção de valor em substituição ao trabalho morto, das máquinas, que está levando ao colapso capitalista e se constituindo como a maior das suas contradições existenciais, defendem o uso de toda tecnologia a serviço do ser humano e sem produção de valor, com os evidentes benefícios daí advindos, e a possibilidade de gozo de um ócio produtivo nos vários campos da atividade artística, educacional, esportiva, afetiva, etc.;  

  - ao invés da estrutura de poder do Estado e todas as suas instituições, inclusive com os enormes gastos militares com pessoal e equipamentos de guerra, pugnam pela extinção das forças militares e de todos os artefatos de guerra, inclusive atômicos; 

- ao invés de defender as adaptações atuariais dos gastos com a previdência social que remetem as aposentadorias dos contribuintes para uma idade proibitiva, pugnam pela assistência aos idosos, inválidos e crianças a partir de uma produção social coletiva a ser levada a cabo pelos que estão aptos à produção social compartilhada; 


- ao invés de levantar muros nas fronteiras e elaborar leis contra a imigração, defendem que sejam abolidas as fronteiras nacionais e o próprio nacionalismo, e o fazem em nome da fraternidade humana entre os povos de várias etnias;  

- ao invés do estabelecimento de pactos internacionais para a diminuição da emissão do gás carbônico pelas grandes potências econômicas, e que nunca são cumpridos, defendem a superação da produção e das exportações e importações de mercadorias por estes países, como forma de superação de tais emissões suicidas; 

- ao invés de aceitar a positivação das categorias capitalistas na grade curricular de ensino básico, defendem a crítica categorial a ser lecionada pelos professores de modo a que seja construída no consciente coletivo a negação do que é socialmente negativo, como por exemplo a exploração salarial que promove a desigualdade econômica, e a lógica autotélica do capital que causa o caos ecológico nos rios, mares, solo, subsolo e atmosfera causadora do aquecimento global ecocida; 

- ao invés das negociações políticas que implicam sempre em engolir sapos para que o exercício do poder político institucional do Estado se viabilize por quem o exerça, e que existe para dar sustentação à relação social capitalista e seus tenebrosos negócios, preferem dizer NÃO! e rejeitar a inevitável indigestão; 

 etc., etc. etc.  

Certamente que os defensores da pretensa boa política dirão serem as aspirações emancipacionistas utópicas e distantes da realidade concreta e possível, mas a realidade e a necessidade, mãe de todas as providências pragmáticas, aliada à teoria revolucionária, está a conspirar contra a incredulidade e a impossibilidade.  

Mas a esses incrédulos afirmamos que Jesus Cristo também parecia um lunático aos olhos do poderoso Império Romano e, por conta dos seus ensinamentos, então revolucionários, é que estamos hoje, 1990 anos após sua morte por crucificação, ainda falando em seu nome como fundador de uma das maiores doutrinas religiosas existentes no mundo, enquanto o referido império simplesmente desapareceu desde há muito. 

Estamos em campos mais férteis do que os que estão naqueles que são arados pela força destrutiva e autodestrutiva do capital.   

Sem a menor pretensão de sermos salvadores de um reino de outro mundo, e muito menos das pátrias como pátrias, modestamente afirmamos se encontrarem os emancipacionistas num campo de atuação diferente do que vem se plasmando há milênios, desde que surgiram as primeiras trocas quantificadas de mercadorias e que deram expressão à forma valor substituindo a partilha.  

Não somos melhores que ninguém, mas nos reservamos o direito de sermos diferentes do que está posto na contenda ideológica de uma conjuntura caótica mundial, seja do ponto de vista político, social ou ecológico. 

Pensar o impensável, fazer o impossível! é o lema da crítica categorial à forma valor e à dissociação de gênero. (por Dalton Rosado) 

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