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terça-feira, 8 de abril de 2025

O CIRCO DOS HORRORES NUNCA MAIS LEVANTARÁ SUA LONA TENDO O BOZO COMO BUFÃO PRINCIPAL

"Então Pedro se lembrou da palavra que o Senhor lhe tinha dito: 'Antes que o galo cante hoje, você me negará três vezes'. Saindo dali, chorou amargamente" (Lucas 22:54-71).

Mas, segundo a Bíblia, Cristo levou na esportiva a pusilanimidade de Pedro e continuou confiando nele para ser a pedra sobre a qual edificaria sua igreja.

Na vida real, contudo, as coisas são bem diferentes... ainda mais quando se trata dos humores dos ultradireitistas, que, como primatas que são, cultuam desmesuradamente a força bruta.

Portanto, quando Jair Bolsonaro montou todo o esquema de golpes de Estado mas, na hora H, refugou, eu passei imediatamente a considerá-lo carta fora do baralho para os voos mais altos da horda a que pertence.

Refiro-me, é claro, aos Dias da Pátria de 2021 (quando caiu no ridículo total de ter de suplicar ao Michel Temer que limpasse a sua sujeira) e 2022 (o do bicentenário da Independência, quando nem mesmo a solenidade da data lhe incutiu coragem), depois ao 8/1 (quando foi esconder-se na Disneylândia e ficou assistindo pela TV a cabo, junto com o Pateta, enquanto seus zumbis eram presos).
Após amarelar em 2021, o Bozo sentou no colo do Temer

Assim, imediatamente após a terceira amarelada, já escrevi que mito com faniquito é rima que não funciona. 

Assim como o Jânio Quadros após a renúncia e o Fernando Collor após o impeachment (a Dilma nem sequer tentou!), o máximo a que poderia aspirar seria uma cadeira de prefeito ou uma vaga no Legislativo.

Daí o fracasso vexatório da maluquice do último domingo (6), quando o que resta do seu gado foi pastar na avenida Paulista tentando forçar uma anistia que, dentre outras inconstitucionalidades, teria como objetivo máximo livrá-lo da merecida temporada no xilindró. 

Alguém esqueceu de avisá-lo que só se anistiam condenados, o que ele ainda não é. Quiseram botar o carro na frente dos bois e só conseguiram irritar expoentes menos asnáticos da extrema-direita, que se queixaram da truculência com que os desmiolados estão tentando fazê-los embarcar nessa canoa furada.

O circo dos horrores nunca mais levantará sua lona tendo o Bozo como atração principal. Tudo leva a crer que o próximo grão bufão será o Tarcísio. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

O PESADELO SE REPETIRÁ? SARNEY NÃO NOS BASTOU? AGORA TEREMOS DE SUPORTAR O SR. OPUS DEI?

Quando tivemos de engolir, como primeiro presidente da República civil após 21 anos de ditadores impostos pela caserna, um serviçal ridículo do regime militar, já deveríamos ter aprendido a não aceitarmos a formação de chapas encabeçadas por políticos de centro-esquerda que nós ingenuamente apoiávamos, tendo como vices criaturas escrachadamente de direita.

Mas, condescendendo com Tancredo Neves nos condenamos a uma redemocratização pela metade com José Sarney.

Votamos em Dilma  e acabamos assistindo, impotentes, Michel Temer a preparar o terreno para o advento da barbárie bolsonarista.

E agora, por havermos apostado  num Lula em franca decadência, nos vemos ameaçados com a eventualidade de suportarmos 2 intermináveis anos com Geraldo Opus Dei Alckmin no poder.

Bem diziam os antigos: quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue

Então, que nenhum dos nossos se queixe se os excluídos forem muitas vezes mais barbarizados, como o foram em 2012 na desocupação do Pinheirinho  (CL)

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

POR QUE FLOPARAM OS GOLPES DE 2021, 2022 E 2023? POR CAUSA DA INCRÍVEL PAÚRA DO GOLPISTA PRINCIPAL!

"A tentativa de golpe de Estado não foi para frente não só pela negativa dos comandantes do Exército e da Aeronáutica de abraçarem o decreto golpista editado por Jair Bolsonaro, e pela conjuntura nacional e internacional, mas também pelo acovardamento do então presidente, que tinha (e tem) medo de ser preso" (Leonardo Sakamoto confirmando hoje o que este blog vem repetindo desde a primeira grande brochada do Bozo, em 7 de setembro de 2021, quando ele amarelou na hora H e foi pedir colinho para o Michel Temer)
"E mesmo quem não tem coragem pra suportar, 
tem de arranjar também coragem pra suportar"

domingo, 27 de outubro de 2024

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO, BOULOS!

Típica foto da fase papagaio de pirata do Boulos
G
uilherme Boulos é um raro espécime da política convencional que escreve muito bem, tanto em termos de estilo quanto de consistência do conteúdo. Daí eu ter lido quase todos os textos por ele publicados no período 2014/2017, como colunista semanal da Folha de S. Paulo
.

Também, pudera! É bacharel em filosofia e mestre em psiquiatria, ambos pela USP, o que certamente o ajuda a pensar a sociedade. 

Mas, como tenho visto em muitos scholars, as boas análises teóricas não lhe serviram muito para agir sobre a sociedade.

Assim, as esperanças que cheguei a depositar nele logo se tornaram decepções. Ao invés de insistir na mobilização dos excluídos fora do jogo viciado e vicioso da democracia burguesa, foi deixando em segundo plano as ocupações dos sem-teto e apostando cada vez mais suas fichas em candidaturas para o Executivo que, mesmo se houvessem triunfado, não o teriam levado a lugar nenhum.

Assim, não se elegeu presidente da República em 2018, nem prefeito de São Paulo em 2020 e (não terei melindres, pois a derrota é inevitável e detesto manter aparências) agora em 2024. 

E se vencesse, de que adiantaria? Governar o país submetido à camisa de força imposta pelo poder econômico ou governar a cidade sob a mesmíssima limitação, na prática, significa apenas gerenciar as propriedades da classe dominante por deferência da mesma que, se lhe der na telha, aplicará um pé na bunda do serviçal saído das urnas para botar qualquer outro em seu lugar.
A fase de eleger postes já havia terminado 

Foi o que fez com Goulart e Dilma, despojando-os de suas faixas presidenciais para entregá-las àqueles que tinham os votos da caserna ou àquele que era vice também em matéria de escrúpulos. 

E o pior de tudo é que, seduzido por uma miragem de poder, Boulos desempenhou o melancólico papel de bajular o reformista/populista Lula de forma desmedida (houve tempo em que aparecia como papagaio de pirata em boa parte das fotos do dito cujo), sonhando com ser por ele apadrinhado. Nem sequer percebeu que a fase de Lula eleger ou reeleger postes terminara em 2014. 

E não foi só o próprio prestígio que Boulos comprometeu. Graças a ele, o Psol cumpriu a ridícula trajetória de ter nascido como alternativa ao domesticado PT e acabar tornando à casa paterna como bom filho

Só mudou o status. Antes seus dirigentes pertenciam à agremiação que era vermelha e foi virando lilás, agora são apenas um puxadinho da mesma.

Mas, Boulos, nem tudo está perdido: tamanha é a dificuldade que a esquerda brasileira está tendo para forjar os líderes dos quais desesperadamente carece que, se você botar a mão na consciência e repensar suas opções, poderá ainda desempenhar um papel histórico digno. 

Seu verdadeiro trunfo agora é a idade. Aos 42 anos, sobra-lhe tempo para reassumir a missão de transformar em profundidade nossa sociedade, ao invés de continuar apenas ajudando a maquilar a dominação burguesa, para que pareça menos execrável e possa continuar desgraçando indefinidamente nosso sofrido povo. 

A escolha é sua. (por Celso Lungaretti

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

TIROTEIO CONTRA ALEXANDRE DE MORAES É RECADO PARA LULA: OU SE ENQUADRA OU BOLSONARO VOLTA AO PARÉO

 Nestes últimos dias vieram à tona vazamentos a respeito de ações questionáveis por parte de Alexandre de Moraes em sua atuação à frente do TSE -Tribunal Superior Eleitoral. Forçando a mão em alguns momentos, não cumprindo o rito jurídico em outros e mesmo apelando à imaginação, as revelações mostram algo de conhecimento até das pedras da Praça dos Três Poderes: acima de tudo, as ações contra Bolsonaro e sua turma eram políticas, visando sua neutralização.

Na linguagem empolada da esquerda liberal brasileira, com o lulopetismo à frente, tais ações visavam salvar a democracia. Na linguagem concreta da política revolucionária, é simplesmente a justiça como ela é, com o perdão da cacofonia. A justiça não é algo neutro dentro da realidade social, mas é antes parte intrínseca da dominação burguesa, estrutura do Estado para a hegemonia de classe, em defesa da propriedade privada e do capital. Assim, os interesses da burguesia e de suas frações estão sempre ali presentes, se expressando ora de um modo, ora de outro. 

Alexandre de Moraes sempre foi o vetor de expressão dos interesses da burguesia, particularmente se ligando aos setores conservadores da política de São Paulo, seja integrando o governo de Gilberto Kassab na prefeitura de São Paulo, seja enquanto secretário de segurança pública de Geraldo Alckmin. Nesse posto, inclusive, teve atuação importante na repressão às ocupações estudantis de escolas ocorridas no estado e na leniência às manifestações direitistas em prol do impeachment de Dilma. Pelo seu serviço, foi guindado ao posto de ministro da justiça do governo Temer, de onde acabou guindado ao STF.

Alexandre de Moraes no TSE.

No obscuro acordo político pactuado entre lulismo, tucanato decadente e setores da burguesia que retirou Lula da cadeia e garantiu seu retorno à presidência, Moraes foi figura de proa, cumprindo a função de Xerife-Mor, homem todo poderoso capaz de iniciar processos ex officio, mandar prender e mandar soltar, sempre em decisões monocráticas posteriormente, em alguns casos, submetidas para serem referendadas por seus colegas. É preciso dizer franca e verdadeiramente que o inquérito das Fake News não passa de uma Lava Jato de sinal invertido, dessa vez sem sequer a participação do Ministério Público, tornado supérfluo. 

O objetivo foi e é conter o bolsonarismo e seu líder, os quais se tornaram disfuncionais para uma parte da burguesia brasileira. O grande acordo nacional, nas imortais palavras de Jucá, seguia seu caminho irresoluto, mas algo parece ter mudado. Resta perguntar porquê. 

A hipótese mais clara é que a burguesia está mandando sinais a Lula e ao PT no sentido de enquadra-los no programa econômico e político acordado em 2022. De um lado, o aprofundamento do financismo, mais reformas, mais ataques aos direitos sociais e trabalhistas. De outro, sintonia mais afinada com posições políticas do imperialismo, não sendo gratuito ter essa movimentação acontecido no contexto da polêmica das eleições venezuelanas. 

Não nos esqueçamos de suas origens.

Ao bombardearem Moraes, a burguesia brasileira, através de sua imprensa, envia recado claro que, se for preciso, pode ressuscitar Bolsonaro e sua turma desconstruindo o grande salvador da democracia, tal como fizera anteriormente com Sérgio Moro e seus apaniguados do MPF. Estamos diante de um ensaio geral de uma ação que poderá ser acionada caso o lulopetismo não cumpra fielmente sua parte do pacto. Alexandre de Moraes nisso tudo é apenas mais um serviçal, tão dispensável quanto qualquer outro. 

E isso vem acontecer em um contexto em que Trump poderá voltar à Casa Branca, algo a ser considerado na equação geral. As turbulências apenas estão começando. (por David Coelho)

sexta-feira, 7 de junho de 2024

SEBASTIANISMO FOI UMA ROUBADA: NEM A VELHA GUARDA PETISTA ACREDITA EM LULA 4

D. Sebastião, monarca de Portugal, desapareceu em 1578 na Batalha de Alcácer-Quibir e, como tudo começou a dar errado no reino, os lusitanos acalentaram a esperança infundada de que ele reapareceria para restabelecer a governança. Ficaram a ver caravelas. 

Da mesma forma, Lula, reizinho do Brasil, desapareceu na batalha sucessória de 2010 e, como tudo começou a dar errado nesta Pindorama, os mesmerizados pelo populismo acalentaram a esperança infundada de que ele reapareceria para restabelecer a governança. 

Como este continua sendo o país do eterno retorno, Lula até conseguiu recuperar o cargo. Mas nem de longe está sendo capaz de restabelecer a governança, muito pelo contrário. 

Errou lá atrás ao escolher como sucessora uma gerentona trapalhona, que, para piorar, era devota de outro D. Sebastião, um bravo guerreiro no enfrentamento dos inimigos (tanto que até abortou uma conspiração contra a Coroa em 1961), mas cuja visão de mundo era pra lá de ultrapassada.

A gerentona, exumando a proposta de alavancar o desenvolvimento com investimentos estatais que esteve em alta na década de 1950,  acabou colocando o Brasil do século 21 no rumo de uma depressão econômica e sendo por ela tragada. Deu lugar a um regente inexpressivo e, depois, a uma versão piorada de D. Maria I, a rainha louca de Portugal. 

Aquela pelo menos teve uma fase boa antes de endoidar de vez, ao contrário do congênere brasileiro, que aos 33 anos já delirava, acalentando planos malucos como o de mandar pelos ares o reservatório de água da cidade.

Tantas fez tal ser boçal e ignaro, responsável indiscutível pelo maior extermínio de brasileiros em todos os tempos, que o Lula conseguiu um terceiro mandato presidencial surfando na rejeição a tal psicopata, mas sem conseguir recuperar as ferramentas essenciais ao exercício do poder, que ficaram nas mãos de dois altos cortesãos, o Lira Desafinada e o Urtigo Pacheco

Ele usa a faixa presidencial (a coroa está fora de moda), mas não passa de uma rainha da Inglaterra. E perdeu o respeito até dos cortesãos mais antigos, que já o veem como carta fora do baralho em 2026 e adiante. 

Será, aliás, lembrado pelo insólito detalhe de haver sido feito duplamente de rainha da Inglaterra, pois a isto foi reduzido também pela esposa, que se tornou uma espécie de tutora informal do pobre coitado.

Como acabará esta fábula cruel? Tudo leva a crer que com uma derrota acachapante do Lula e seu governo em outubro próximo e a perda do que lhe resta de poder no ano seguinte. Pois a majestade ele já perdeu há muito tempo...
.
AGORA FALANDO SÉRIO – Tão medíocres são os personagens da política institucional brasileira no século 21 que escrever sobre eles em tom de galhofa é uma escapatória para não cairmos na mais profunda depressão. Eu a adoto sem contra-indicações. 

Farei contudo, desta vez, um breve resumo em benefício daqueles que Nelson Rodrigues qualificava de idiotas da objetividade

A obsessão narcisista de Lula por um terceiro mandato está sendo trágica para o Brasil. Pois a pulverização dos fundamentos da vida civilizada sob Bolsonaro exigia uma resposta muito mais contundente: seu  impeachment. Ervas daninhas têm de ser totalmente extirpadas  

Lula, com a cumplicidade bovina da esquerda institucional, tudo fez para que o palhaço do apocalipse sobrevivesse ao diluvio de crimes de responsabilidade com que inundou o Brasil.

Sabia que de uma nova diretas-já emergiria alguma liderança combativa como ele nunca verdadeiramente havia sido e jamais será, já que toda a sua trajetória foi a de um reformista empenhado em maquilar a monstruosidade intrínseca do capitalismo, ao invés de pôr fim à exploração do homem pelo homem,

Então, fez corpo mole com relação ao impeachment do sacripanta de forma tão descarada quanto o dito cujo sabotou a vacinação contra a covid. E o resultado foi uma vitória na bacia das almas e que acabou sendo tão somente pessoal: elegeu-se mas deixou Câmara e Senado entregues ao inimigo.
Agora se encontra emparedado pelos conservadores e extremistas de direita, assistindo impotente à aprovação dos maiores absurdos da pauta de costumes que é o xodó dos ansiosos por uma nova Idade das Trevas.

E, se Lula era a pior aposta possível para o que resta de uma verdadeira esquerda nesta fase terminal do capitalismo (quando, ainda por cima, as consequências do aquecimento global desabam uma após outra sobre nós), o artigo desta quinta-feira (6) do William Waack (Velha guarda petista está pessimista quanto às chances de Lula nas eleições de 2026) coloca o dedo na ferida: seu governo sem direção nem noção consegue agora maximizar o prejuízo.

Não há como desmentir Waack: Lula 3 é uma permanente confusão política, que aborta as chances de a economia voltar minimamente a crescer e ainda detona o profissionalismo dos mandatos anteriores, pois a elite de quadros profissionais e experimentados na política agora tem de conviver com os arroubos amadoristas da Janja, que parece imaginar-se uma Evita Perón mas não passa de uma Isabelita...

Waack é caridoso: Frente a um adversário inelegível tropeçando em si mesmo, neste momento o caminho para 2026 deveria surgir bem delineado. Ao contrário, o cenário nunca esteve tão aberto.

Cenário aberto? Nem a pau, Juvenal! 

Eu diria que, hoje, a única luz no fim do túnel que brilha para Lula não passa de um trem vindo em sentido contrário. (por Celso Lungaretti)
                    "Disse o velho, 'eis aqui o fim de tudo'. / Veio o moço e 
                      continuou" (Sergio Ricardo, canção Deus de Barro)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

FOI EM VÃO QUE BOLSONARO LAÇOU TANTOS FIGURANTES PARA FAZEREM CORO À SUA SÚPLICA PELA PRÓPRIA ANISTIA. NÃO A TERÁ!

É a camiseta da seleção principal que dá vexame nas
eliminatórias ou da que fracassou no Pré-Olímpico?
A montanha pariu um rato. A manifestação dominical na avenida Paulista convocada por Jair Bolsonaro não passou exatamente, como a batizei tão logo ele a anunciou, de uma Micareta da Paúra do Xilindró

Laçou algumas centenas de milhares de zumbificados para uma ridícula tentativa de convencer parlamentares e/ou o Supremo Tribunal de Federal de que merece ser anistiado da enxurrada de crimes que cometeu.

Chegou ao cúmulo de simular compaixão pelos inocentes inúteis que estão presos por tentarem dar um golpe de Estado em proveito dele! 

Depois de os lançar ao arremedo de putsch de 08.01.2003 enquanto se mantinha a um oceano de distância preservando a pessoa no mundo por quem mais se preocupa (ele mesmo), agora os utiliza no sentido de angariar simpatias para uma anistia a... ele mesmo! 

Não percebe que os quatro anos do seu circo dos horrores permitiram aos brasileiros com um mínimo de raciocínio crítico conhecerem exatamente com quem estão lidando. Quanto aos que ainda ilude, não são sequer relevantes. Trata-se da poeira que o vento carrega na direção para a qual sopra, como o lumpemproletariado de que Hitler serviu-se para sua escalada ao poder. 
No 7 de setembro de 2021, após ter convocado o golpe e
refugado, Bolsonaro foi sentar no colo do Michel Temer
 

Só que hoje a situação é outra e a chance que Bolsonaro perdeu no início de seu governo, único momento no qual poderia mesmo ter desfechado um autogolpe vitorioso (mas sem condições para sustentar-se em médio prazo), não voltará jamais para os seus braços. 

Desmoralizou-se como um golpista amarelão, que três vezes agendou a virada de mesa e nas três vezes pipocou (refugou nos Dias da Pátria de 2021 e 2022, depois foi esconder-se na Dineylândia em 2023), o que é fatal para quem se aventura a liderar hordas de extrema-direita. 

Entre aqueles debiloides que idolatram o machismo mais truculento e exibicionista, bundões são descartados.

Mas, apostando sempre na imbecilidade de seus seguidores, ele os convocou para a montagem do cenário de sua súplica pela anistia. Mostrou novamente  de que matéria gelatinosa é feito. 

Engana os zumbificados, mas a extrema-direita já discute quem o sucederá à frente do movimento, com o Tarcísio de Freitas como o candidato mais provável ao trono. 
Anistia? Após deixar tantas digitais nas armas dos crimes?

No exato momento em que as portas da cela se fecharem com ele dentro, Bolsonaro se tornará carta fora do baralho, deixando apenas a lembrança de ter sido nosso pior presidente de todos os tempos e o que mais brasileiros exterminou (com sua sabotagem insana ao combate científico à covid 19).

De todos os envolvidos no putsch flopado, ele é o que menos merece escapar da devida punição. 

E, se sua impunidade depender da manifestação deste domingo (25), não a obterá, porque longe de demonstração de força, o que vimos foi uma constrangedora admissão de fraqueza. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 29 de maio de 2023

MARCHAMOS PARA O ABISMO E TALVEZ SEJA A ÚLTIMA CHANCE PARA CORRIGIRMOS O RUMO

Poder do Lula encolhe à medida que o de Lira cresce
P
erseguindo obsessivamente um projeto de poder pessoal, Lula tanto fez, o tempo todo, para evitar que um candidato de esquerda com menor rejeição e ideias atualizadas tomasse seu lugar na eleição presidencial de 2022 que conseguiu. Agora está colhendo o que plantou.

Mesmo surfando na rejeição ainda maior do palhaço exterminador de pobres, idosos e índios, pior presidente brasileiro de todos os tempos, Lula só obteve uma vitória minguada, na bacia das almas (ainda que não houvesse a sabotagem nas rodovias, dificilmente teria alcançado sequer quatro pontos percentuais de vantagem, ou seja 52% x 48% dos votos válidos).

O certo é que nem de longe o PT e a esquerda emasculada que ele avassalou constituem hoje a força política majoritária do país. E se mostram impotentes para evitar que duas das poucas pastas com iniciativas corretas e necessárias do Governo Lula sejam esvaziadas pelo Congresso Nacional: as do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas. 

Para piorar, tudo leva a crer que isto seja apenas o começo. Neste final de maio, só não vê quem não quer: Arthur Lira é o presidente de fato do Brasil, enquanto o estupefato Lula parece conformar-se com o papel de rainha da Inglaterra, desde que o deixem brincar com irrelevâncias como a de ser o patrono do transporte individual num momento em que até as pedras da rua sabem que a priorização absoluta do transporte coletivo (acrescida de outras medidas, como a mudança da matriz energética) é imperativa para salvar a humanidade da extinção.
"Faz lembrar o Jânio Quadros não
sabendo para que lado ir em 1961"

Faz lembrar o Jânio Quadros aparvalhado de 1961, não sabendo para que lado ir, muito menos como lidar com um Congresso majoritariamente oposicionista. Ambos, aliás, evitaram reconhecer o real motivo de suas dificuldades para governar, o homem da vassoura atribuindo-as às forças ocultas e o imperador do PT à taxa básica de juros e outras desconversas.  

Coube ao veterano analista Ricardo Kotscho apontar o verdadeiro motivo (vide aqui): então como agora, quem deita e rola no Congresso Nacional são as forças do atraso, pois na democracia burguesa quem dá as cartas é o poder econômico. Então, p. ex., a bancada ruralista já detém 251 dos 513 deputados federais e 31 dos 81 senadores. 
"Donos de terra, gado e gente sempre tiveram forte poder no parlamento brasileiro desde o Império, mesmo com a progressiva industrialização e urbanização do país após a 2ª Guerra Mundial. Correndo em raia própria ou aliados às bancadas da Bíblia, do boi e da bala, os chamados ruralistas estão sempre na linha de frente do ataque aos direitos socioambientais em geral e aos avanços civilizatórios", ensinou o mestre Kotscho.
Resumo da ópera:
— ou o Lula  arrasta seu mandato até o fim sem poder real, posando de estadista lá fora e deixando suas políticas serem desfiguradas pelo centrão aqui dentro;
— ou tenta radicalizar como fizeram, cada um à sua maneira, Jânio e Jango, mas, como a correlação de forças lhe será tão desfavorável quanto era àqueles antecessores, vai acabar sendo deposto.

De um jeito de outro a esquerda brasileira perderá, seja dando sustentação a um mero serviçal dos donos do PIB, seja acompanhando-o numa guerra impossível de vencer e sofrendo depois a caça às bruxas que os direitistas vitoriosos sempre desencadeiam.

Então, o  racional a fazer seria desencanarmos de uma vez por todas do reformismo lulista e passarmos a construir uma esquerda de verdade, que mire a superação do capitalismo e não a obtenção de migalhas de poder dentro do regime de exploração do homem pelo homem.

Cai como uma luva para nós a frase celebre do dirigente esportivo Carlos Dittborn, quando um terremoto destruiu a infraestrutura com que o Chile contava para sediar o Mundial da Fifa de 1962: "Porque nada tenemos, lo haremos todo"

De resto, escrevo isto na esperança de ser desta vez escutado pelos companheiros de esquerda que dispõem dos meios que me faltam para colocar em ampla discussão o imperativo de tal guinada.
Dilma insistiu em cumprir o roteiro do impeachment até
o mais amargo fim, enquanto a direita acumulava forças

Repete-se a situação de 17/04/2016, aquele agourento domingo em que a Câmara Federal autorizou a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. 

De bate-pronto eu alertei que, transposta a barreira mais difícil (era necessária a anuência de dois terços dos deputados), todas as demais, que requeriam maioria simples, seriam igualmente superadas.

Então, argumentei, a Dilma deveria renunciar imediatamente, pois se persistisse tentando evitar o inevitável até o mais amargo fim, a direita acumularia cada vez mais forças durante todo esse processo. 

Já se fosse encerrado o seu governo moribundo e se iniciasse imediatamente um movimento contra a posse do impopular Michel Temer, na linha das diretas-já, retomaríamos a ofensiva, colocando o inimigo na defesa.

Clamei no deserto, a Dilma perdeu mesmo todas as batalhas e a ultradireita, dando sucessivas demonstrações de força nas manifestações de rua, ganhou musculatura para tornar presidente um farsante crapuloso do baixo clero.

A autocrítica que a esquerda sempre fez nas grandes derrotas, mas deixou de fazer em 2016 e 2018 com as consequências desastrosas que todos conhecemos, terá de ser feita o quanto antes. Marchamos para o abismo e talvez ´seja a última chance para corrigirmos o rumo.
(por Celso Lungaretti)  

terça-feira, 11 de abril de 2023

CEM DIAS DE LULA 3, CEM DIAS DE VAZIO.

 


Nesta segunda-feira, 10/04, completaram-se 100 dias de governo Lula 3. Na realidade, caso anteriormente não tivéssemos tido um presidente canastrão e bandido igual Bolsonaro, seria impossível dizer com segurança existir no Brasil um novo governo, tamanha a mediocridade dos novos residentes de Brasília. 

Novos de forma relativa, bem entendido, pois é a quinta vez que o Palácio do Planalto é ocupado por um petista, terceira pelo próprio Luiz Inácio. Daí inclusive a falta de novidade, pois não é um governo inédito, mas continuação dos 13 anos anteriores. De fato, o lulopetismo insiste em fazer o que não deu certo, com uma política de conciliação de classes, cooptação partidária e limitadas medidas assistenciais. 

Muito pior agora, pois o lulopetismo é um zumbi, tendo morrido em Junho de 2013 e enterrado no Impeachment de 2016. O que vemos hoje é apenas um espectro fantasmagórico de uma alma penada que se recusa a desencarnar. A vitória de Lula nas últimas eleições se deu mais em função de seu adversário - e mesmo assim foi garantida na bacia das almas, com limitadíssima margem. Foi uma eleição do veto, com um lado e outro votando não em programas, inexistentes, mas para barrar quem não gostaria de ver sentado na cadeira de presidente. Ao fim, a rejeição ao Bozo foi maior e o atual presidente venceu por ter menos antipatia popular. 

Aliás, o programa petista e o bolsonarista se equivalem no essencial, pois são basicamente os mesmos de FHC e Temer, o neoliberalismo periférico, exportador de commodities e importador de bens industrializados. Nos últimos vinte e três anos o país viveu profundo processo de primarização econômica, com o setor agropecuário e mineral assumindo a dianteira da produção de valor. Lembremos aqui da lição de Marx, a produção de valor ocorre de dois modos, ou na indústria ou mediante a exploração da renda da terra, esta última assumindo aspecto de extrativismo, ao sugar riquezas do solo e da natureza em geral. 

O agro é pop
No Brasil, esta lógica extrativista atingiu seu clímax com Jair Bolsonaro e deve continuar se generalizando no futuro até nos transformarmos de vez em um grande deserto esburacado e enlameado. A recente viagem de Lula à China dá conta da força do setor extrativista: mais de 200 sanguessugas irão acompanhar o presidente a Pequim, quase todos representantes do agronegócio

Lula 3 assumiu em situação muito mais crítica e rebaixada em relação há vinte anos, inclusive com o passivo gigantesco de seu próprio passado de erros. Pego em meio a uma crise capitalista que se desenha catastrófica, com crescentes tensões mundiais entre potências militares, o novo governo possui muito menos margem de manobra e será cozido de forma muito mais acelerada pela ingovernabilidade derivada dos terremotos da economia de mercado em franca decadência. No entanto, diante do contexto adverso, o presidente e seus asseclas insistem em agir como se tudo ainda fosse igual, afundando-se em debates escolásticos para salvar o insalvável. 

Assim, o mais ignóbil dos ministros, Fernando Haddad, passou estes cem dias discutindo um novo Teto de Gastos com a seriedade típica com a qual os filósofos medievais estudavam o sexo dos anjos. Ao fim, sua engenhoca, digna de um professor Pardal, servirá apenas para desgastar ainda mais o lulopetismo junto às massas, as quais se afundam na fome, na miséria, na violência e no desemprego, alheias ao tecnicismo do tedioso professor. 

De resto, a proposta de Haddad configura claro estelionato eleitoral, pois durante anos o discurso lulopetista era de abolir o teto de gastos e não de substitui-lo por outro. No entanto, a Lula é mais cômodo repetir o servilismo aos capitalistas, os mesmos responsáveis por prende-lo na cadeia e também por tira-lo de lá. 

Nem os filósofos medievais perdiam tanto tempo com
debates ociosos. 

Outra prova do servilismo, e novo estelionato, é a continuação da deforma do Ensino Médio, medida autoritariamente imposta por Temer e cuja sustação fora prometida pelos lulistas. Agora, o discurso mudou e o próprio presidente garante a continuidade de sua implementação. A rigor, estranho seria se ele cumprisse a promessa, pois a reforma já vinha sendo urdida por Dilma e encontrava-se nas gavetas do MEC à época da posse do Drácula, apenas esperando uma mão de ferro para vir à luz do dia. Continuarão os alunos a terem aulas de RPG, Brigadeiro Caseiro e O que Rola por Aí, pois é esta a visão educacional para a juventude também compartilhada por Lula e sua gangue. 

O novo governo move-se por pura inércia, sem norte claro, apenas impulsionado pelo movimento da massa falida chamada Brasil. À deriva, não se deu conta que o chão começa a faltar debaixo de seus pés e não é mais possível agradar a deus e ao diabo. Dito de outro modo, não aprenderam nada sobre a realidade histórica atual. Enquanto almas penadas, repetem em looping o que já viveram. 

Em cem dias temos ideia de toda a falta de rumo de Lula 3. Aguardemos os próximos cem, pois ao que tudo indica, tudo só tende a piorar, para o governo e para nós. (por David Emanuel Coelho



 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

NOVO ENSINO MÉDIO ENSINA AO ESTUDANTE A VIVER NA NOVA REALIDADE BRASILEIRA DE PRECARIEDADE SOCIAL

 


O Novo Ensino Médio entrou definitivamente em vigor neste ano de 2023 e traz em si a marca do projeto de nossa burguesia para o Brasil. 

Apenas duas disciplinas passaram a ser totalmente obrigatórias e com bastante espaço na grade horária, Português e Matemática. Sociologia, Filosofia, Biologia, Física, Química, História, Geografia, etc., foram substancialmente reduzidas para dar lugar a matérias luminares iguais a estas:

O que rola por aí?

RPG

Brigadeiro Caseiro 

Mundo Pets S.A.

Arte de Morar

O Mundo ao Redor 

Tais disciplinas fariam parte do itinerário formativo, escolha de cada aluno. Desconhece-se a oferta de disciplinas profissionalizantes, a menos que fazer brigadeiro seja considerado como profissão. Considerando o tipo de país ao qual o Brasil tem se transformado, é possível considerar ser sim preparar brigadeiros e sair por aí vendendo como exatamente a ideia de profissão almejada por nossa burguesia para os trabalhadores. 

Bancada e idealizada por fundações educacionais do mercado, - sendo a mais notória, a Fundação Lemann, de Paulo Lemann, o mesmo indivíduo envolvido no rombo bilionário das Americanas - a reforma do ensino médio foi implementada durante o começo do governo Temer e tinha por base a promessa de melhorar o engajamento dos estudantes nesta fase escolar, pois o índice de evasão é altíssimo.

Não é preciso ser especialista em educação para entender os motivos da alta evasão escolar no ensino médio brasileiro. O nó górdio é econômico, pois os estudantes pobres são pressionados a começar a trabalhar cedo - muitas vezes, já antes dos 15 anos de idade - para contribuir no sustento doméstico, levando-os à impossibilidade de compartimentar a vida laboral com a estudantil. 

Em complemento a isto, a própria vida escolar se torna pouco atrativa, seja porque não há vislumbre de prosseguir os estudos no ensino superior ou mesmo porque o estímulo salarial é muito baixo, havendo pouca diferença entre o salário de quem termina o ensino médio e de quem não o termina. 

Ou seja, a evasão escolar ocorre pela própria pressão social sobre os filhos da classe trabalhadora, causada pela ausência de perspectivas e pela baixa qualidade das vagas de emprego no Brasil. Mas, qual a causa apontada pelos tecnocratas das instituições de fomento à educação? O problema é o currículo! Sim, o currículo seria entediante e desconectado da realidade do aluno e, por isso, ele abandonaria o ensino médio... 

Daí tirarem as disciplinas chatas das ciências humanas, exatas e biológicas e colocarem aulas sobre Pets. Afinal, ter aulas sobre animais de estimação é o melhor para preparar os estudantes para o mundo de amanhã. A profissão de cuidadores dos animaizinhos da classe média e alta estará em voga em pouco tempo. 

Na realidade, a reforma do ensino médio casa-se perfeitamente com a nova lógica capitalista do Brasil. Em um país em franca decadência econômica, se desindustrializando e onde a precariedade foi elevada à condição de empreendedorismo, faz todo sentido se retirar disciplinas científicas e humanísticas para se ocupar o aluno com matérias que o ensinam a se virar e a exercitar a arte do vazio. 

A cereja do bolo certamente é a disciplina Projeto de Vida. Quando não existe mais empregos garantidos, não é possível mais comprar a própria casa, ter qualquer estabilidade ou planejamento mínimo do futuro, pois a precariedade engole a todos no capitalismo do século XXI, acreditar em um projeto de vida na adolescência é quase um exercício de sadismo. 

Por óbvio, tais ações valem apenas para o ensino público, já tradicionalmente sucateado. Quem pode pagar matrículas a peso de ouro para seus rebentos continuará recebendo o melhor da educação tradicional - e chata - capaz de prepara-los para ocupar os postos-chave do futuro. À classe trabalhadora restará vender brigadeiro ou cuidar dos bichinhos de estimação destes afortunados. (por David Emanuel Coelho)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

DALTON ROSADO ANALISA A PRIMEIRA ENTREVISTA DE LULA À GLOBONEWS-2

 

Algumas considerações da entrevista de Lula-2

(continuação deste post
L
ula sobre as perspectivas de retomada do desenvolvimento econômico como vara de condão para a solução de todos os males do capitalismo  

 "o que nós precisamos neste instante é o seguinte: a economia brasileira precisa voltar a crescer e nós precisamos fazer mais política social...

... eu fico irritado às vezes quando se discute muito, qualquer problema se discute estabilidade fiscal, estabilidade fiscal. Ninguém, Natuza, ninguém foi mais responsável do ponto de vista fiscal do que eu...

... o que nós fizemos nesse país? Nós entramos, estabelecemos a meta de inflação de 4,5% e cumprimos. Nós geramos em oito anos quase 14 milhões de empregos. Depois. Com o mandato da Dilma, foram 22 milhões. Nós reduzimos a dívida de 60,5% para 37,7%, e nós fizemos uma reserva que o Brasil nunca tinha tido de 370 bilhões de dólares...

... elas são antagônicas (responsabilidade social e fiscal, pergunta levantada pela entrevistadora) por causa da ganância, sabe, das pessoas mais ricas, ou seja, as pessoas não querem. O empresário não ganha muito dinheiro porque ele trabalhou; ele ganha muito dinheiro porque os trabalhadores dele trabalharam. O que nós queremos é que haja a contrapartida no social... " 

    Lula, como qualquer político burguês, crê na pujança eterna do capitalismo, deseja nos fazer crer que a retomada do desenvolvimento econômico deve ocorrer sob seu governo. 

   Quer que o trabalhador continue sendo trabalhador e que seja representado por seu partido e sindicato, ou seja, continue sendo explorado, mas de modo mais humanizado, vez que vive da defesa dos seus interesses de classe e não da sua superação enquanto categoria capitalista primária. 

   Esquece ter sido sob o governo Dilma Rousseff quando começaram a surgir os efeitos deletérios no Brasil daquilo que ele afirmava ser apenas uma marolinha: a grave crise imobiliária dos Estados Unidos, a qual fora socorrida com dinheiro sem valor dos Bancos Centrais de lá e da União Europeia, sob pena de colapso, já ali, de todo o sistema financeiro internacional.

  A crise, provocada pela incapacidade da reprodução de modo sustentável do valor, impactando na reprodução de mercadorias, vem sendo sentida até hoje em seus efeitos, agravados pela pandemia de Covid 19.

  Sob Dilma e o PT explodiu a insatisfação popular em 2013, quando um simples protesto contra um aumento de passagens resultou num processo de aglutinação popular violentamente reprimido pela polícia. 

   Só a duras penas, a então presidente  conseguiu a reeleição contra o então candidato Aécio Neves para logo depois sofrer o impeachment em maio de 2016 com forte adesão popular, embora manipulada pela direita brasileira, que sempre foi negativamente expressiva e influente na política e na economia.

   Lula fala dos números do seu governo como se o PT, sob sua orientação, desde sempre não tivesse nenhuma responsabilidade na crise então instalada, ocasionada pela depressão capitalista dos últimos dez anos, como resultado do tsunami que vem se abatendo sobre o mundo.

   Lula avaliou mal a crise instalada desde 2008/2009 e o Brasil, como periferia econômica de pouca expressão em  relação aos países com hegemonia econômica - hegemonia expressa pela moeda forte aceita mundialmente, altos valores de seus PIB e endividamentos estratosféricos, acima dos PIB anuais, mas com juros baixíssimos ou até negativos - sofre mais intensamente as consequências desta conjuntura. 

   Analisemos, pois, os números destes dez últimos anos no Brasil (2013 a 2022), sob os governos de Dilma Rousseff, Michel Temer, e Jair Bolsonaro.  

Dilma Rousseff           2013  –     2014  –  2015    

PIB .................         3,0% -     0,5%  -   3,5%   = média de 2,33%

Inflação............         5,09 -     6,4%  - 10,67%  = média de 7,37% 

Desemprego  ....          7,1% -     4,8%  -   8,7%   =  média de 6,86%


Michel Temer             2016  -     2017  -  2018

PIB ................          3,0%  -      1,3%  -    1,3%  = média de     1,8%

Inflação ..........         6,29% -     2,95%  -  3,75%  = média de    4,33% 

Desemprego ....         10,9%  -    12,7%   - 11,96%  = média de 11,96%


Jair Bolsonaro           2019   -   2020   -    2021 -   2022

PIB .............           1,1% -     -3,3% -     4,6%   -  2,6% = média      2,5%

Inflação ‘......          4,31% -     4,52% -    10.6%  - 5,79% = média    6,3%

Desemprego ..         11,9% -     13,5% -    13,2%  -  8,7% = média  11,82%


Como se vê, no Brasil dos últimos dez anos vêm se acelerando os processos de PIB anuais baixos com inflação e taxas de desempregos crescentes em governos dos mais variados perfis ideológicos, numa prova inconteste de que a economia capitalista está em um processo autodestrutivo de sua forma de mediação social, é aquilo que se apresenta para a ordem política ditatorialmente sem que esta última possa influir substancialmente na correção de rumos.

O capital, na era da terceira revolução industrial, pelo advento e introdução da microeletrônica no processo  de produção social, tornou o trabalho abstrato produtor de valor dispensável em maior proporção do que os novos nichos de trabalho criados, reduzindo a massa global de valor produzido -razão da emissão estatal de moeda sem valor, inflacionária - e agora atingiu o seu limite interno de expansão, representando o fim de um ciclo cruel, escravista e segregacionista havido desde o seu nascimento, com desenvolvimento aprimorado de sua vida, e que agora atinge o estágio de morte por um processo de autodestruição da própria forma, mas sem querer largar o osso!
Ou superamos o capital ou sucumbimos com ele: eis a questão! 
O governo Lula admite, claramente, na sua entrevista, poder provocar a retomada do desenvolvimento econômico sob tal quadro, como se a política fosse soberana em relação à economia e indutora de uma correção de rumos capaz de resolver todos os problemas decorrentes da contradição capitalista irracional e do seu fim irremediável

O governante, tal qual um surfista numa onda, apenas tenta se manter de pé, equilibrando-se para
chegar à praia, a qual simboliza para ele a governabilidade sob parâmetros previamente estabelecidos
que ele não pode alterar. Esta é a identidade mais definida do reformismo social-democrata, corrente
à qual pertence ao trabalhismo lulista.
Lula sempre teve a simpatia dos militares, desde o seu aparecimento na cena pública quando a ditadura, em sua fase final, sentiu faltar terra sob seus pés, pois apesar de sempre tutelaram politicamente a República deste país, com a economia fraquejando, foi melhor entregar provisoriamente o comando político aos civis, e precisando de alguém confiável pela esquerda, foi melhor ter alguém confiável ao sistema do que ter uma onda revolucionária de verdade.
Entretanto, a obsolescência do capitalismo e sua crise interna, endógena, representada pela
incapacidade de sua reprodução ao nível exigido pela economia burguesa em sua lógica contraditória;
e sua crise externa, exógena, provocada pelo aquecimento global impossível de ser contido sob a
égide irracional do capital, está a exigir uma reestruturação do modo social de produção superando
o valor, a forma mercadoria, o trabalho abstrato, os partidos burgueses, o trabalhador e seu partido,
o Estado vertical, o mercado, e demais categorias que se criaram por séculos no seu entorno como
estrutura de preservação e dominação social. 
Nada mais revelador do reformismo bem-intencionado, contraditório e ineficaz do que
a entrevista de Lula. (por Dalton Rosado


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