Mostrando postagens com marcador impeachment. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador impeachment. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de junho de 2024

O LULA DIZ PARA SE DANAREM OS ARTISTAS QUE ENSINAM PUTARIA ÀS CRIANÇAS. ESTARÁ FLERTANDO COM UMA VOLTA DA CENSURA?

"Cruz, credo! O tal Michelangelo tem de se 
danar! Criança não pode ver essa putaria!"
De hora em hora, o Lula piora. Ou perdeu a memória, ou crê que nós todos a perdemos, pois acaba de fazer uma profissão de fé naquele moralismo rançoso que virou peça de museu a partir da década de 1960:
"Eu sou da turma em que artista, cinema e novela não é (sic) para ensinar putaria. É para ensinar cultura, contar historia, contar narrativas, e não para dizer que nós queremos ensinar às crianças coisas erradas. Nós só queremos fazer aquilo que se chama arte. Quem não quiser entender o que é arte, dane-se. Queremos muita arte, muita cultura".
Depois de ele haver admitido que no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo usava o seu cargo para cantar as viúvas que vinham atrás dos seus benefícios e de ter sido fulminado em plena campanha eleitoral de 1989 pela revelação de que escondia a existência de uma filha fora do casamento e pressionara em vão a amante para abortá-la em benefício de sua carreira política, que moral ele tem para dar palpites sobre o que deva ou não ser ensinado ás crianças? 

Além de levantar um assunto totalmente desaconselhável para quem possui telhado de vidro, o Lula parece inclusive estar pregando a volta à abominável censura artística do período militar. Sua incontinência verbal não tem mais limites.  

Faz um bom tempo que ele deixou de sentir necessidade de esconder que foi, desde o início de sua trajetória sindical, um conservador em pele de esquerdista, com uma visão política absorvida do coronelismo nordestino e lapidada pelo sindicalismo de resultados estadunidense. 

Mas, a desfaçatez com que ele descarta os valores que um dia fingiu professar desembestou de forma chocante no terceiro mandato. 
Sua verdadeira compulsão de chocar e espezinhar aqueles dos quais serviu-se para a conquista da faixa presidencial se tem voltado, nos últimos tempos, para a pauta de costumes. A nova aposta reeleitoral é a de ele se tornar um sapo engolido pelo poder econômico como a alternativa menos extremada ao bolsonarismo. 

Sonha com o tetra sem haver honrado os compromissos assumidos para, na bacia das almas, conquistar o tri . Embriagado com sua condição de principal serviçal dos que realmente mandam no Brasil, parece nem dar-se conta de que de que seu prazo de validade está chegando ao fim e a sua maria-fumaça pode muito bem descarrilar no meio do caminho. 

Seria uma justiça poética o Lula ser usado e jogado fora assim como, desde a década de 1970, vem usando e jogando fora as bandeiras da esquerda combativa. 

Mas, um novo impeachment tenderia a produzir outro monstro, provavelmente o governador paulista Tarcísio de Freitas, já que falta ao palhaço assassino equilíbrio mental para não atrapalhar os negócios dos poderosos, como fez ao sabotar a vacinação contra a covid-19, o que apenas alongou em muito a paradeira geral causada pela pandemia. 

Os episódios do Jânio Quadros, Fernando Collor e Dilma Rousseff evidenciaram que quem é expelido da presidência da República não volta a ela no Brasil. E salta aos olhos que o Bozo não será exceção (alguém pode tentar contrapor o caso do Getúlio Vargas, mas ele não foi defenestrado como presidente eleito e sim como o ditador do período 1930-1945).

Enfim, melhor será se um dos incontáveis ministros do Lula convencê-lo a desistir desses sincericídios, caso contrário vai estar não só dando tiros no pé, como poderá despertar suspeitas de que algo da loucura do antecessor escapou no ano passado à desinfecção do 3º andar do Palácio do Planalto. (por Celso Lungaretti)
Qual será a opinião do palpiteiro com faixa presidencial sobre o erotismo
refinado do Raul Seixas? Ele também o coloca na vala comum da putaria? 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

A ESQUERDA BRASILEIRA NÃO SOBREVIVERÁ SE ACATAR A RENDIÇÃO DE LULA AO CENTRÃO

Um manda e o outro obedece?
Existe algo mais frustrante do que vermos nossas previsões serem desmentidas pelos acontecimentos?

Existe. É quando elas são inteiramente confirmadas pelos acontecimentos, mas não serviram de nada, pois quem podia aproveitá-las as ignorou.

É como me sinto agora. Cansei de escrever que uma falsa vitória do Lula na eleição de 2022 não tiraria o Brasil da armadilha na qual se debate. Dito e feito.

Ele não é, nem nunca foi, um político comprometido com causas. A única causa que move todas as ações, falas e intenções do Lula se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Então, desde 2011 ele tinha como obsessão máxima a volta à presidência da República, custasse o que custasse.

Neste sentido, foi o grande ausente das manifestações #ForaBolsonaro, porque avaliou corretamente que sua maior, quiçá única, chance de êxito pessoal seria enfrentar no 2º turno o palhaço assassino. 

Se um movimento  do tipo diretas-já se avolumasse, poderia propiciar a afirmação de alguma nova liderança no campo antifascista, sem a enorme rejeição do Lula. No entanto, caso ele tivesse como adversário um político monstruoso, com rejeição maior ainda, surfaria na onda da polarização e talvez vencesse.

Eu acuso: se o Bozo foi responsável indiscutível pela morte de algumas centenas de milhares de brasileiros que, sem sua sabotagem ao combate científico da pandemia, estariam conosco até hoje, o Lula teve grande parte da culpa pelo psicopata da necropolítica haver concluído seus quatro anos de desgoverno catastrófico, apesar de cometer crimes de responsabilidade às dúzias, o tempo todo.    
O jingle agora é "entrega a Caixa pro centrão também"
Um sabotou as medidas que aumentariam em muito as chances de sobrevivência dos atingidos pela covid. O outro sabotou as iniciativas para, pela via do impeachment, removermos o quanto antes o louco da direção do hospício.

Aos trancos e barrancos, Lula conseguiu seu intento. Mas, sua vitória por diferença irrisória foi, sim, falsa, porque não expressou a correlação real de forças da política brasileira. 

A direita se tornou, na década passada, dominante, o que se traduziu em sua atual superioridade numérica nas duas casas do Congresso. E, sem plano de voo, Lula só está conseguindo governar com o consentimento do centrão, mediante a entrega de tudo que aquela ralé gananciosa exige, inclusive a Caixa Econômica Federal. 

Para facilitar a vida do seu governo, Lula concede aos inimigos trunfos valiosíssimos para fortalecerem-se ainda mais, em detrimento do futuro do PT! 

E tal consentimento precisa ser obtido em praticamente cada votação importante, com Lula pagando, todas as vezes, um preço altíssimo à predominante bancada dos fisiológicos unidos jamais serão vencidos, integrada pelos fisiológicos da Bíblia, da bala, do boi, das boquinhas e das bocarras.

Resumo da opera: já avesso à esquerda durante as longínquas jornadas do ABC que originaram o PT, Lula a vem desconstruindo aos poucos desde então.
Para cão bravo, dono manso.

Primeiramente liderou a formação do partido que as absorveu, depois tudo fez para desideologizá-lo, de forma a torná-lo um inofensivo apêndice da democracia burguesa, limitado a disputar eleições, sem jamais contrapor-se à exploração do homem pelo homem.

A colheita de seus esforços veio no atual século, com cinco presidências de resultados, que propiciaram pequenas melhoras para os explorados, seguidas por grandes pioras. 

Os castelos de cartas erguidos principalmente em 2002/2010 desabaram e hoje a esquerda está debilitada como nunca, tendo perdido as ruas e a batalha da formação de opinião.  De tanto o PT desinvestir nelas e priorizar apenas as corridas eleitorais, o inimigo as tomou e agora, inclusive, ganha quase todas as eleições.

O pior pecado de Lula foi capitular ante o que há de de mais repulsivo na política brasileira, tirando de nós a autoridade moral que tínhamos por não compactuar com a podridão ambiente. 

Bolsonaro deixou que as grandes decisões nacionais passassem a ser tomadas pelo centrão... e Lula está agindo exatamente igual! Como fazermos para os despolitizados nos verem como os mocinhos deste faroeste caboclo, se nos igualamos aos bandidos?

De quebra, embora na prática o Lula tenha se transformado numa rainha da Inglaterra, o descontentamento do povo, neste momento histórico de agonia do capitalismo e agudização das suas contradições, se voltará cada vez mais contra ele, o símbolo visível de tudo que está aí
"Pedi e vos será dado" (Ll, 11,5-13)

Enquanto isto, o pior presidente brasileiro de todos os tempos ganha fôlego graças à omissão de Lula no cumprimento do dever. 

Sua indecente demora em indicar o novo procurador geral da República torna cada vez mais distante a obrigatória e extremamente necessária colocação atrás das grades do colecionador contumaz de crimes políticos e comuns (único desfecho admissível para o pesadelo que este país viveu entre 2019 e 2022!). 

Está na hora de a esquerda brasileira optar: ou decide sobreviver, reassumindo os valores solidários, igualitários e libertários que definiram a esquerda mundial nos dois últimos séculos, ou marcha para o limbo junto com os domesticados Lula e PT. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

SE O LULA FICAR O CENTRÃO PEGA, SE O LULA CORRER O CENTRÃO COME

A Eliane Cantanhêde, do Estadão, colocou o dedo na ferida em sua coluna dominical:
"A CEF tem mais poder, dinheiro, ramificação e força eleitoral do que grande parte, talvez até a maioria, dos ministérios. Em 2022, seu patrimônio líquido era de R$ 122 trilhões e seu lucro líquido bateu em R$ 9.2 bilhões. 
No primeiro trimestre deste ano, sua carteira geral de crédito chegou a R$ 1 trilhão. Um canhão, inclusive na guerra político-eleitoral.

Espalhada pelo país inteiro, mesmo em pequenos municípios, a CEF oferece crédito para pessoas físicas e jurídicas, habitações populares, casas e apartamentos da classe média e de alto padrão e chega ao topo, o agronegócio. Ou seja, atinge todos os patamares eleitorais, dos mais pobres aos mais ricos. Só para a carteira do agro – calcanhar de Aquiles de Lula –, foram R$ 47 bilhões no primeiro trimestre, 125,5% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Já imaginaram o centrão botando a mão nisso tudo? Além da presidência, quer todas as vice-presidências e diretorias da Caixa, inclusive a de habitação, joia da coroa. É a tal porteira fechada, [ou seja, está entregando] os cargos de cabo a rabo... 
A rainha Eizabeth II, do além, mandou esta
mensagem ao Lula: "Eu sou você amanhã".
...Nunca o Congresso esteve tão empoderado como depois de Bolsonaro dar (...) o governo, as decisões e o orçamento secreto para o centrão. 
O resultado é que nenhum presidente escaparia da armadilha, mas para Lula ela é muito mais perigosa, ameaçadora, depois de mensalão, Lava Jato e prisão. 
Um fator decisivo para essa implosão foi o fatiamento da Petrobras entre partidos aliados e gulosos – inclusive o PP de Lira. Com esse fantasma rondando, qualquer denúncia de corrupção em estatal e banco público ganhará uma dimensão explosiva para Lula, governo e PT".
Resumo da ópera: tendo se resignado a, cada vez que precisa aprovar algo relevante na Câmara,  invariavelmente ceder às chantagens do centrão (ao invés de resistir a ele, como seria obrigatório caso fosse um presidente de esquerda), o Lula garante a governabilidade no curto prazo, mas semeia tempestades terríveis em médio e longo prazos.  

Virou um Ali Babá às avessas, ao consentir que os 40 ladrões estejam roubando tudo que ainda sobra nas cavernas do governo.  

Só não sabemos se, quando completar a limpacentrão permitirá que o Lula continue usando a faixa presidencial, mesmo que reduzido a uma rainha da Inglaterra. Seria mais apropriada a coroa. 

E, claro, não está excluída a hipótese de um novo impeachment de presidente petista e de uma nova temporada na prisão para Lula.

Aguardem os próximos e nada emocionantes capítulos. Afinal, enredo em que um lado só bate e o outro lado só apanha não tem graça, é previsível demais.

Tão previsível que o sempre mordaz Ricardo Kotscho já sugere um slogan para a campanha na qual será escolhido o sucessor de Lula, em 2026: Chega de intermediários, Lira para presidente(por Celso Lungaretti)

sábado, 23 de julho de 2022

DEMÉTRIO MAGNOLI: "O CONGRESSO FOI COMPRADO PELO ORÇAMENTO SECRETO"

demétrio magnoli
A EXPRESSÃO PERDIDA
Insistir no impeachment de Bolsonaro seria o
único caminho decente para a democracia
Atônitos, os embaixadores assistiram a um espetáculo singular. Bolsonaro, chefe de Estado, comportou-se como líder de uma seita extremista denunciando perseguições eleitorais conduzidas contra ele por um Estado maléfico.

Na sequência, o evento foi alvo de diversas notas críticas assinadas pelo presidente do Senado e pelos demais candidatos presidenciais. Nenhuma delas cravou a expressão precisa: crime de responsabilidade. Nossa democracia cambaleia.

Debati, em 2018, com o intelectual petista André Singer. O impeachment de Dilma ocorrera menos de dois anos antes e Lula encontrava-se preso. 

Singer sustentou a ideia de que o lulismo esgotava-se numa crise profunda. Discordei, argumentando que o lulismo seguia como alternativa viável de poder. Depois, concordei com a avaliação dele de que repetidos impeachments enfraquecem a democracia.
 
Acertei ao discordar; errei ao concordar. No fundo, o dilema abstrato não faz sentido.  

Impeachment é uma das últimas linhas de defesa da democracia: a faca grosseira que, cortando o abuso de poder presidencial, preserva o império da lei. 

O Congresso nunca avançou rumo ao necessário impeachment de Bolsonaro porque foi comprado pelo orçamento secreto.

O governo Bolsonaro obteve, por via legal, o que o governo Lula não conseguiu pelas vias ilegais do mensalão e do petrolão

Apavorado pelo espectro do impeachment, o atual presidente renunciou à sua prerrogativa de gerir o orçamento, entregando-o como butim aos parlamentares. 

É uma estratégia coerente, no caso de um presidente engajado exclusivamente no sonho insano de subverter o regime democrático.

Lula jamais faria algo semelhante, pois acalentava, além de um projeto de poder, um programa político e econômico. No caso dele, a aquisição de maioria parlamentar por vias corruptas destinava-se, precisamente, a eliminar os contrapesos parlamentares constitucionais à prerrogativa presidencial de gerir o orçamento público.

Quantos crimes de responsabilidade Bolsonaro já cometeu? O criminoso serial atingiu um ápice no seu comício para os embaixadores. Ali, em evento oficial, diante de representantes de dezenas de nações, o presidente atacou a imagem de uma instituição basilar da democracia brasileira. O nome correto disso é traição à pátria

Mas tudo terminou na célebre pizza e nem mesmo a oposição de esquerda ergueu a voz para clamar pelo impeachment. (por Demétrio Magnoli)

quarta-feira, 20 de julho de 2022

VIROU ZONA!!!

hélio schwartsman
BOLSONARO TRANSFORMOU O BRASIL EM CASA DA SOGRA
J
air Bolsonaro transformou a Presidência numa casa da sogra. A expressão designa o lugar onde o sujeito pode fazer o que lhe der na telha sem risco de ser repreendido.

Não consegui uma confirmação etimológica da seguinte história, mas ela é boa, apesar de politicamente incorreta. 

O lar dos sogros seria esse lugar porque, numa herança do patriarcado, pais estavam tão ansiosos para se livrar de suas filhas, vistas como uma boca a mais para comer e um braço não muito bom para trabalhar, que até pagavam dote, uma indenização, ao genro. Também aceitavam desfeitas que o rapaz pudesse cometer.

O Brasil, como sociedade, tornou-se a mais tolerante das sogras. Desde que chegou ao Planalto, Bolsonaro fez de tudo Xingou, ameaçou e, se considerarmos as omissões na pandemia, também matou. Na 2ª feira (18), voltou a mentir em grande escala para uma audiência internacional de embaixadores. 
À esq., a imagem que o Bozo tinha de si próprio;
à dir., 
a imagem que os embaixadores tinham dele.



Só a
CPI da Covid lhe atribuiu oito infrações penais, incluindo crimes contra a humanidade. Os juristas que subscreveram o chamado superpedido de impeachment apontaram cerca de duas dezenas de crimes de responsabilidade.

Ainda que não nessa escala, é esperado que presidentes abusem de suas prerrogativas. O que importa é como a sociedade reage a esses abusos. E, nesse quesito, fracassamos miseravelmente. 

Ainda que Bolsonaro tenha tido o cuidado de blindar-se contra ações penais nomeando um procurador-geral camarada, fomos incapazes até de iniciar um processo de impeachment –isso na Câmara, o espaço parlamentar em que os anseios da população estão em tese mais bem representados.

Mesmo que Bolsonaro seja rejeitado em outubro, deixará atrás de si um rastro de destruição institucional: ele provou para todos os presidentes futuros que, escolhendo as autoridades certas e pagando os tributos devidos aos parlamentares, eles podem, como o genro abusado, cometer os piores crimes sem serem incomodados. (por Hélio Schwartsman)
O Schwartsman pegou leve, pois, na linguagem das ruas, o Bozo fez
do Brasil uma zona. Cai bem, portanto, esta canção, até porque o
cabaré se localiza em região pantanosa, o habitat natural do centrão

terça-feira, 14 de junho de 2022

DOR, REVOLTA E IMPOTÊNCIA

A
informação, ainda não confirmada oficialmente, sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips é avassaladora, embora esperada desde que os dois desapareceram. 

Não serão as primeiras mortes na região amazônica pelos mesmos motivos e acontecem não é de hoje. 

A novidade nos dias que correm é o incentivo do governo federal à pesca ilegal, ao garimpo ilegal, ao desmatamento com exportação de madeira extraída ilegalmente, às milícias. 

Na terra sem lei em que se transformaram os morros, as favelas e as periferias brasileiras, a região amazônica e do Pantanal, a ausência proposital do Estado produz a barbárie. 

Lembremos que o psicopata que elogia torturadores, que disse não ser coveiro em plena pandemia (para a qual receitou imunidade de rebanho) e desfez das vacinas em nome da cloroquina, é o mesmo que dissemina desconfiança em torno do voto eletrônico para justificar a previsível derrota nas urnas e prega o golpe. 

E as Forças Armadas, em vez de colaborarem para tornar, de fato, a Amazônia Legal, se imiscuem onde não é papel delas, na Justiça Eleitoral. Com o que, os dois bravos humanistas são chamados de aventureiros pelo psicopata. 

O Brasil precisa reagir mesmo que já se faça tarde. Muito tarde. (por Juca Kfouri)
.
TOQUE DO EDITOR – Concordo em gênero, número e grau com o comentarista esportivo Juca Kfouri. O Brasil precisa mesmo reagir, não pode esperar a derrota eleitoral do Bozo para iniciar sua reconstrução, depois do que terão sido quatro anos de destruição fanática, premeditada e bestial.

Assim como também aplaudo a iniciativa do bravo companheiro Rui Martins, de clamar pelo impeachment já e agora. Seis meses sob o Bozo, mesmo estando reduzido à impotência com relação ao golpe que tanto sonhou dar, serão uma eternidade,

Lamento, contudo, que tal clamor esteja mesmo vindo muito tarde. A hora em que o impeachment se tornou obrigatório foi aquela em que nossos irmãos começaram a morrer como moscas por causa da condução genocida do combate à pandemia.

Falhamos miseravelmente em 2020 e 2021, então nunca deixarei de lamentar mais a imensidão de brasileiros que morreram de covid podendo ser salvos, do que dois personagens célebres que entregaram a vida por seus ideais e portanto merecem todas as nossas lágrimas e homenagens.

Só que a diferença numérica é acachapante: dois x aproximadamente 400 mil. (por Celso Lungaretti)  

sábado, 7 de maio de 2022

ESTADÃO EXIGE O IMPEACHMENT DO BOZO

Em sua linguagem e abordagem circunspectas, características de um jornalão centenário da imprensa burguesa, o editorial deste sábado (7) de O Estado de S. Paulo simplesmente reclama a aplicação da Lei do Impeachment ao recordista mundial de crimes de responsabilidade, Jair Bolsonaro. 

E isto logo no parágrafo inicial, conforme os leitores constatarão abaixo. Não é pouca coisa. 

Morro de vergonha ao constatar que seja o jornal mais paradigmático do conservadorismo brasileiro quem exija o desencadeamento da luta que a esquerda tinha a obrigação política e moral de estar, sem tréguas, travando desde o primeiro ano do governo mais medíocre, ruinoso e genocida da história republicana deste país. (CL)   
. 
É PRECISO REAGIR AOS CRIMES DE BOLSONARO
O Congresso e a Procuradoria-Geral da República  têm o dever de reagir às ameaças e agressões que Jair Bolsonaro vem cometendo contra a Constituição, a legislação eleitoral e a Lei 1.079/1950 (Lei do Impeachment). Não podem ficar passivos perante tão insistente violência do presidente da República contra a ordem jurídica e o regime democrático.

No dia 5 de maio, Jair Bolsonaro anunciou que as Forças Armadas vão realizar uma tarefa inteiramente estranha às suas competências constitucionais. "As Forças Armadas não vão fazer papel de chancelar apenas o processo eleitoral, participar como espectadoras do mesmo", disse Bolsonaro.
Com tal anúncio, verdadeira ameaça contra o processo eleitoral, o presidente da República violou a Constituição que jurou defender. 

As Forças Armadas "destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem", diz a Constituição. Não é papel dos militares tutelar eleições.

Entre os crimes de responsabilidade, a Lei 1.079/1950 inclui "incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina". 

De forma evidente e continuada, o que Jair Bolsonaro tem feito é incitar a que Marinha, Exército e Aeronáutica se sintam autorizados a agir fora de suas competências constitucionais. Ao contrário do que disse Bolsonaro, as Forças Armadas são rigorosamente espectadoras do processo eleitoral. É assim que funciona num regime democrático.

Meses atrás, Jair Bolsonaro incitou o Congresso a colocar-se contra o processo eleitoral. Felizmente, o Legislativo foi prudente e rejeitou as propostas do Palácio do Planalto. Em vez de proporcionar maior segurança e confiabilidade, o projeto do voto impresso introduzia fragilidades no sistema, suscitando situações para novas e velhas fraudes. Era descarada tentativa de impor o retrocesso num processo eleitoral que funciona muito bem, de forma rápida, segura e confiável. 

Na ocasião, Jair Bolsonaro prometeu acatar a decisão do Congresso. Não apenas não cumpriu sua promessa, como tenta agora envolver as Forças Armadas em sua campanha de deslegitimação do processo eleitoral.

Infelizmente, a incitação de Jair Bolsonaro para que as Forças Armadas atuem fora de suas competências não é um perigo abstrato ou distante. P. ex., o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, sentiu-se no direito de pedir ao Tribunal Superior Eleitoral a divulgação de propostas das Forças Armadas sobre o processo eleitoral. O ofício do ministro da Defesa é um total disparate, a revelar incompreensão sobre o funcionamento de um Estado Democrático de Direito.

O convite para que as Forças Armadas participassem, em função consultiva, sem nenhum poder decisório, da Comissão Externa de Transparência da Justiça Eleitoral não autoriza o ministro da Defesa a exercer pressão pública sobre o TSE, opinando sobre o que a Corte deveria dar publicidade. 

Cabe ao TSE ser muito firme na defesa de suas prerrogativas constitucionais, sem transigir com esse tipo de pressão, que, de uma só vez, agride a independência do Judiciário e extrapola as competências das Forças Armadas.

Como se não bastasse, Jair Bolsonaro anunciou que seu partido, o PL, vai contratar uma empresa para auditar as eleições. A legislação eleitoral prevê essa possibilidade, mas não é bem isso o que Bolsonaro quer. Ele deseja criar atrito com a Justiça Eleitoral e desconfiança nas urnas. Já até anunciou a pretensa jogada: "Ela (a empresa) pode falar ‘aqui é impossível auditar’ e não fazer o trabalho. Olha a que ponto vamos chegar", disse. 
Com essa conduta, Jair Bolsonaro incorre noutro crime de responsabilidade, previsto no art. 7.º da Lei 1.079/1950: "Utilizar o poder federal para impedir a livre execução da lei eleitoral".

O País tem, portanto, lei para punir Jair Bolsonaro pelo que está fazendo. Cabe ao Congresso e à PGR torná-la efetiva. Não é tempo de covardia. Ao permitirem que o presidente da República perturbe as eleições, como há tempos está fazendo, as instituições a quem caberia impedi-lo prejudicam a si mesmas. 

Afinal, no regime sonhado por Bolsonaro, o Congresso, o Ministério Público e outras expressões do poder soberano do povo não têm nenhuma serventia. (transcrição na íntegra do editorial d'O Estado de S. Paulo de 07/05/2022 – os grifos em verde são do editor deste blog) 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

PENDENGA DANIEL SILVEIRA: O PRINCIPAL NÃO É JURÍDICO

"uma figura medíocre e absolutamente nula"
Uma figura medíocre e absolutamente nula, de nome Daniel Silveira, passou a centralizar a mais recente luta do bolsonarismo contra as instituições da República. 

Processado e condenado após proferir uma série de insultos e ameaças aos membros da Suprema Corte, Silveira recebeu a graça presidencial, no que promete ser mais um capítulo excruciante do já longo clima de zorra total presente no Brasil há pelo menos seis anos, desde o Impeachment Tabajara, nas palavras de Joaquim Barbosa. 

Não pretendo entrar nos detalhes do caso do Silveira e tampouco nos méritos da recente diatribe bozoísta (isto é, na minha opinião, o que menos importa), mas focar em algo mais fundamental e decisivo. Como já diria o Pequeno Princípe, o essencial é invisível aos olhos. 

Em primeiro lugar, constato que o caos instalado no affair Silveira é apenas um sintoma a mais do caos generalizado da República burguesa do Brasil, a qual está claramente em decomposição. 

Desde há muito tempo, a lei vem sendo relativizada e contestada. O que vale um dia, já não vale no outro. Longe de ser um acidente, é algo metódico, impulsionado por nossa burguesia a fim de fazer valer seu poder econômico na base da confusão generalizada. 

A reforma trabalhista é um exemplo. Flagrantemente inconstitucional, instaurou o clima de bagunça ao suprimir normas e contradizer outras, fazendo o dito cada cabeça, uma sentença se tornar a norma no meio jurídico. A insegurança gerada com esta reforma é tanta que muitos juízes simplesmente a ignoram. 

O que dizer do instituto do impeachment? Usado para defenestrar dona Dilma com base num pretexto tolo e pueril –um crime que, inclusive, foi adiante abolido pelo Congresso–, não foi usado para impedir o genocídio por parte de um presidente aberta e claramente criminoso. Este fato gerou um clima social de falta de civilidade, onde tudo é possível e tem sido permitido pelo Congresso e pelo Judiciário. 
"Depois de servir para defenestrar Dilma Rousseff com base num pretexto pueril, o  impeachment
não foi usado para impedir o genocídio por parte de um presidente clara e abertamente criminoso"
 
Antes o STF, que agora é tão machão com Silveira, perdoou Bolsonaro por suas falas abertamente racistas no clube Hebraica. O mesmo valente Alexandre de Moraes desculpou em 2018 o futuro genocida sob a alegação de imunidade parlamentar e liberdade de expressão! La donna è mobile, já cantava a ópera.  

E o que podemos dizer do TSE perdoando os crimes eleitorais do senhor Messias? 

Fato é que o caso Silveira deveria ter sido tratado pelo Congresso em seu conselho de ética, mas o poder legislativo brasileiro é rápido apenas para ferrar o povo comum, não para fazer justiça adequada.

Tudo isso tem de ser considerado para compreendermos que estamos longe de um fato superficial: é a própria república burguesa, em seu coração, que está dilacerada. Neste aspecto, a esculhambação bolsonarista é parte do processo e não um acidente. Até por isso, o presidente continua sendo presidente e continua tendo apoio duradouro entre as elites nacionais. 

O bolsonarismo revelou ao mundo que, sob a interminável
penúria, o brasileiro cordial se tornou brasileiro boçal
Em segundo lugar, é preciso entender que a condenação de Silveira ou a desgraça dos bolsonaristas nas eleições não significará o sepultamento da extrema-direita brasileira. 

Não se pode resolver algo político e social com meios jurídicos. Esta é uma lição que a esquerda faz questão de não aprender, tanto que continua apostando na institucionalidade. 

Para quem gosta de lições da história, basta lembrarmos de Hitler. Este, após uma tentativa de golpe, foi condenado e passou anos preso. Não apenas escreveu no cárcere seu livro Minha Luta, como de lá saiu ainda mais popular e forte. 

O motivo é muito simples: enquanto lá estava ele encarcerado, a realidade social alemã seguiu em frente, piorando. A pusilanimidade da social-democracia foi fortalecendo as classes dominantes a ponto de estas, após a crise de 1929, conseguirem vender o nazismo enquanto alternativa real para as massas empobrecidas do país. 

Longe de se colocar enquanto alternativa radical ao capitalismo moribundo, a esquerda aposta no discurso carola de pacificação e amansamento, aliando-se a figuras detestáveis e tentando reeditar o que já deu errado. Receita certa para a derrota e para o fortalecimento da extrema-direita, que, mesmo baseada falsidades demagógicas, vende ao grosso do povo uma alternativa radical. 

Bolsonaro se elegeu assim em 2018, passando-se por um outsider, inimigo do status quo. O fato de ele ainda contar com o apoio de pelo menos um terço do povo brasileiro mostra que seu discurso ainda tem muito lastro e pode ser retroalimentado no futuro, ainda mais com um possível –e previsível– fracasso do retorno lulista. 

Assim, o derretimento da república e o acanhamento da esquerda podem ser receita certa para caminharmos para algo ainda pior que os terríveis anos bolsonaristas. Não serão a condenação de um sub-deputado ou uma derrota eleitoral as soluções para evitar isso. Como já dizia Hobbes, apenas a matéria pode fazer frente à matéria e pactos sem a espada são sempre nulos. 

Deveríamos aprender mais com a história, concreta e intelectual. (por David Emanuel Coelho)

quinta-feira, 21 de abril de 2022

EDITORIAL DO BLOG: SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER!

A sem-cerimônia com que o pior, mais catastrófico, mais genocida, mais cínico, mais mentiroso e mais medíocre presidente do Brasil desde o advento da república tenta anular uma decisão soberana da corte suprema do país para livrar da merecida prisão um ferrabrás golpista cuja índole e atos são escancaradamente criminosos, serve especialmente para algo.

E este algo é comprovar, mais uma vez, o quanto a esquerda pusilânime e domesticada errou ao não lançar uma vigorosa campanha pelo impeachment presidencial tão logo os brasileiros começaram a ser abatidos como moscas por causa da sabotagem à vacinação contra a covid orquestrada no próprio Palácio do Planalto.

Tal esquerda desvirtuada, que não consegue sobreviver longe das regalias e benesses dos Poderes, vendeu novamente ao povo a miragem de que uma eleição presidencial tudo resolveria, enquanto tudo fazia para esvaziar as manifestações #ForaBolsonaro enquanto fingia que as apoiava. 

Tornou-se, assim, cúmplice do extermínio de centenas de milhares de pessoas que se salvariam caso o combate à pandemia fosse travado em consonância com a ciência e não entravado por imposições estapafúrdias inspiradas pela ignorância, pela superstição e por mesquinhos interesses políticos, afora todas as falcatruas que se fizeram, com as bençãos oficiais, para  o aproveitamento das inúmeras oportunidades que a praga propiciava.

Como acreditarmos que as eleições deste ano transcorrerão normalmente? 

Que o caricato presidente não virará a mesa armando um fuzuê semelhante ao do Trump ao ser derrotado nas urnas? 

Que um governo de verdade, mesmo que chegue a tomar posse, não será destituído como o foram os de 1964 e de 2016 caso venha a incomodar os poderosos? 

Quantas vezes teremos de aprender a lição de que vitórias eleitorais só valem alguma coisa quando o povo está consciente de sua importância e mobilizado para as defender? 

Reduzir todas as lutas que os explorados têm de travar a uma só (a caça aos votos) é fazer esforços titânicos para construir castelos de areia que o inimigo derruba com um pontapé quando bem entende. 

Só não vê quem não quer: estamos muito longe de vivermos sob uma verdadeira democracia e, enquanto não a conquistarmos nas ruas, nada garante que um número superior de votos bastará para darmos fim ao pesadelo que já está no seu 30º mês.

O momento não é de lutarmos para que o insignificante Daniel Silveira deixe de delinquir impunemente, mas sim o de relançarmos a campanha do impeachment para valer, caso contrário vai ser imenso  o risco de que a eleição presidencial de outubro venha a valer... nada! 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

GILMAR MENDES ERROU: VERGONHA MAIOR AINDA FOI A TIBIEZA DAS AUTORIDADES QUE NÃO AFASTARAM O BOLSONARO DO CARGO!

O
ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, novamente opta por bater no adversário mais fraco ao invés de ir à raiz do problema:
"A perseguição aos técnicos da Anvisa é uma vergonha nacional. Mostra como o discurso do ódio chegou a níveis alarmantes no país. Aos servidores da agência, expresso minha solidariedade. Conclamo que as autoridades policiais investiguem e garantam a segurança das famílias".
Sim, é estarrecedor que tais canalhas estejam ameaçando até de morte os técnicos empenhados em defender a vida e a saúde de nossas crianças.

Mas, só o estão fazendo porque o STF, o TSE, o Senado e a Câmara Federal permitiram que Jair Bolsonaro permanecesse até agora no poder:
— embora lhe faltassem condições mentais, intelectuais e morais para o exercício do cargo;
 apesar de haver cometido crime eleitoral em 2018 e crimes de responsabilidade às dúzias desde 2019; e
 malgrado tenha sido o responsável indiscutível pela morte de cerca de 200 mil brasileiros que sobreviveriam à covid caso o presidente da República não fosse um negacionista extremado, sabotador da vacinação.

Foi ele quem deu a senha para sua horda de celerados atormentar os profissionais da Anvisa, ao afirmar que estava querendo saber o nome  dos técnicos que haviam (corajosamente!!!) indicado a vacinação das crianças. 

Não se iluda nem tente iludir-nos Gilmar Mendes: caso algum desses bravos venha a ser vítima de atentado, o sangue dele estará também nas suas mãos! (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

LULA NÃO VENCEU O CAÇADOR DE MARAJÁS, NEM VENCERÁ O INQUISIDOR DA LAVA-JATO; ESQUERDA PRECISA DE CANDIDATO MELHOR

Bolsonaro participando de badernaço a favor da intervenção militar e do AI-5: as tentativas
de autogolpe fracassaram, a penúria e a sabotagem da vacinação pulverizaram seu prestígio.
O
Brasil sofre com o capitalismo, um sistema político e econômico cuja vida útil está esgotada há mais de um século.

Sua vitalidade dependia de um crescimento contínuo da produção de mercadorias, mas, como não remunerava os produtores dessas mercadorias com o quinhão equivalente à sua participação nos esforços coletivos, gerou-se um crescente descompasso entre a oferta e a procura, do qual decorreram distorções cada vez maiores. 

Consequências: queimas de estoques por falta de compradores, guerras localizadas e dois terríveis conflitos mundiais (pois os produtos destinados à matança têm consumidores compulsórios), uma desigualdade social aberrante entre as classes sociais de cada país e entre as nações ricas e pobres, além de uma utilização predatória dos recursos essenciais à sobrevivência humana que, se não revertida, acabará causando a extinção de nossa espécie.

Em algum momento entre o século 19 e o século 20, contudo, a barreira da necessidade foi transposta. 
Lula foi o grande ausente de todas as manifestações que exigiram o impeachment de
 Bolsonaro, enquanto estudantes secundários e torcedores de futebol assumiam os riscos. 
 
Ou seja, depois de milênios de competição encarniçada entre os seres humanos porque ainda não havia como disponibilizar-se o suficiente para atender às necessidades de todos, impelindo os mais fortes e/ou mais hábeis a tentarem obter uma parte maior para si e para os seus, eis que as descobertas da ciências e o desenvolvimento tecnológico criaram condições para que cada habitante do planeta finalmente levasse uma existência digna, sem carências materiais nem embotamento dos espíritos. 

Desde que os frutos do trabalho fossem distribuídos igualitaria e racionalmente, havia capacidade produtiva suficiente para todos receberem o bastante para construírem sua felicidade. 

No entanto, a desigualdade que estimulara os homens a superarem-se para a conquista de um status superior ao de seus semelhantes, provocando en passant todos os avanços e conquistas da humanidade, não se desfaria num passe de mágica quando deixou de ter uma utilidade social. Os beneficiários dessa desigualdade obviamente não o permitiram, utilizando o imenso poder de fogo que a riqueza lhes proporcionava para sufocar todas as iniciativas igualitárias (e libertárias, à medida que a truculência da classe dominante se tornava insuportável).

Até que a humanidade foi deixando de avançar para estágios superiores de civilização porque tolhida por seu impasse fundamental (o crescimento econômico, submetido ao imperativo do lucro, não pode durar indefinidamente e, à medida que emperra, vai cada vez mais disseminando tragédias, barbárie e morte, com a economia girando em falso como um pião que rodopia sem sair do lugar, enquanto a sociedade, sem rumo, vai se esfacelando).
Enquanto os brasileiros comiam o pão que o diabo amassou sob o governo do qual ele foi ministro, Moro ficava na moita, para reaparecer só na hora de entrar na corrida eleitoral.
Daí a alternância no Brasil, desde o fim da ditadura getulista em 1945, de governos capitalistas
malvados que submetem os trabalhadores a seus desígnios pela força e governos capitalistas bonzinhos que lhes dão uma folga para recuperarem o fôlego, pois miserê e chicote o tempo todo ninguém aguenta.

Estamos chegando ao final de uma etapa de estupro capitalista imposto (sob Jair Bolsonaro) para passarmos ao que normalmente seria uma fase de estupro capitalista consentido, com lubrificante para facilitar a penetração e farta distribuição de migalhas para os deslumbrados estuprados não se darem conta de que poderiam ter tudo e não têm quase nada. 

Lula, que em momento nenhum de sua trajetória política cogitou uma ruptura com o capitalismo, seria forte candidato a desempenhar bem o segundo papel: o de dourar a pílula da dominação capitalista.

Mas, o reformismo que Lula encarna só funciona a contento se houver algum alívio econômico que o governante possa proporcionar aos explorados. Caso isto seja impossível, só papo furado e o velho manual populista (chapéus de couro inclusos...) não bastam.
Tendo nossa gente sido conduzida a tal miséria, a reconstrução do Brasil exigirá do novo
governo muita firmeza com a minoria exploradora. Lula ousaria  peitar o grande capital?
Bolsonaro também já esgotou a quota de paciência dos brasileiros, pois:
— seu negacionismo na pandemia jamais convenceu um povo que já se acostumara a considerar as vacinas como altamente necessárias; e
— a devastação econômica que ele maximizou salta aos olhos de todos, tanto aqueles que roem ossos por falta de comida quanto os que presenciam esse chocante espetáculo de compatriotas roendo ossos.

Tudo leva a crer que, sendo impossível para o sistema, com a economia no fundo do poço, oferecer alguma bonança em 2022, acenará com a retomada da luta contra a corrupção e com o restabelecimento de alguns fundamentos da vida civilizada após os estragos deixados pela passagem da nuvem de gafanhotos ultradireitistas.

Ou seja, irá de Sergio Moro, que já conta com o apoio da alta oficialidade militar e do poder econômico propriamente dito (Bolsonaro representa os vira-latas do capitalismo e não a elite empresarial que possui visão estratégica e é aconselhada pelos sofisticados faria limers).
Para reconquistar o respeito do povo brasileiro, a esquerda precisará de quadros com o
destemor de Brizola, cuja rede da legalidade abortou em 1961 o golpe fascista em curso.
O que se esboça é uma campanha eleitoral muito parecida com a de 1989 (Marco Antônio Villa, por sinal, prevê que será a mais violenta do Brasil desde aquela ocasião), que o sistema fazia questão de ganhar de qualquer jeito... e conseguiu.

Daí o alerta que eu faço, por dever de consciência e mesmo sabendo que poucos me escutarão agora, porque iludidos por aparências enganosas e pesquisas eleitorais prematuras demais para permitirem certezas): Lula, com suas enormes vulnerabilidades que certamente serão exploradas pela indústria cultural a serviço do poder econômico na reta de chegada, NÃO é o candidato ideal para vencer a eleição presidencial de 2022. 

[Isto, claro, se o calendário eleitoral não for levado de roldão pela explosão social que está sendo incubada, pois as condições de (morte em) vida dos coitadezas deste país se tornam cada vez mais insustentáveis.  Sucedendo aqui algo como as jornadas chilenas do final de 2019, todos os prognósticos, pesquisas e projeções tenderão a virar pó.]  
Se a explosão social chegar antes das eleições de
2022, as perspectivas poderão mudar por completo.
 
Mais: nem sequer passa pela cabeça do Lula o enfrentamento dos problemas maiores do Brasil, o que implicaria, pelo menos, a redução dos obscenos privilégios dos capitalistas, exageradíssimos inclusive se comparados aos que desfrutam seus congêneres nas nações mais ricas do planeta.

Bolsonaro não quer acreditar, mas já é carta fora do baralho. 

E, entre Lula e Moro, dará Moro, até porque, em situações desesperadoras como a atual, as pessoas comuns tendem a acreditar que as soluções provirão antes da vitalidade de um homem com 50 anos e que não pareça comprometido com a podridão política do passado recente, que do legado polêmico de um idoso prestes a completar 77 anos, cujos mandatos foram exaltados de forma tão extremada por uns quanto rejeitados com a mesma intensidade por outros. 

Então, ou a esquerda se une em torno de outro candidato, que não possa ser desqualificado como mais do mesmo, prometa resgatar a combatividade exaurida em quem não teve ânimo ou garra sequer para ir às ruas clamar pelo impeachment do genocida e seja, ademais, muito menos rejeitado, ou teremos todos de amargar um novo Collor. 

O que seria um verdadeiro pesadelo, depois de tudo que tivemos de suportar sob o Médici de hospício que há três anos desconstrói o Brasil. (por Celso Lungaretti)
Related Posts with Thumbnails