Mostrando postagens com marcador emancipação humana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador emancipação humana. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

DALTON ROSADO PROPÕE UMA NOVA CONSTITUIÇÃO PARA UM MUNDO EMANCIPADO

 

Dalton Rosado

CONSTITUIÇÃO COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE FORTALEZA 

      EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS 

As constituições - mesmo as consuetudinárias, que são pouquíssimas - representam a espinha dorsal definidora da forma e conteúdo das relações sociais; é nela que estão insculpidos os fundamentos que regulam a vida social.  

As constituições burguesas, todas!, mundo afora, sejam de cunho mais ou menos conservadoras nos costumes, ou mais ou menos distributivas das riquezas abstratas e materiais, totalitárias ou ditas democráticas, são escravistas nas suas essências por conta do seu modo de relação social que permite o escravismo indireto do trabalho abstrato produtor de riqueza abstrata - dinheiro, mercadoria abstrata por excelência,  e mercadorias tangíveis e serviços, todas(os) representativas(os) da forma-valor -, por mais que os juristas e legisladores que as concebam tentem maquilar seu conteúdo intrínseco como se fossem testemunho e modus faciendi de cidadania protetora.  

Destarte, uma constituição emancipatória da humanidade, para merecer este título, tem que ter como princípio fundamental a coibição milenar da segregação e escravização social, direta e indireta, portanto histórica, de uns sobre outros, que se reproduz constitucionalmente com aperfeiçoamentos humanistas e retrocessos inumanos ao longo dos tempos, e que em todos os casos se dão pela apropriação indébita por uns poucos da riqueza material ou abstrata coletivamente produzida. 

 Deve conter a explicitação libertária de conteúdo sob princípios determinados que se explicitem e se consubstanciem materialmente nas normas constitucionais que a definem, sob as seguintes cláusulas de formas organizacionais e conteúdos intrínsecos:  

- definição dos direitos e garantias fundamentais dos indivíduos sociais; 

- modo de organização administrativa da abrangência territorial; 

- modo de produção social de bens e serviços e sua distribuição;  

- forma de ocupação do solo e dos bens de usos individuais e coletivos; 

- forma de organização jurídico administrativa do espaço territorial;  

-modo da administração dos serviços e infraestrutura de interesse público - segurança urbana e territorial, educação, saúde, arte e cultura; 

- modo do processo legislativo e serviços judiciários. 

A constituição deve vigorar no território georreferenciado abrangido por comunidades que se constituírem sob os princípios e formas aqui definidas, que têm como objetivo o bem comum, o combate à injustiça social, a defesa da vida e do bom convívio social, a promoção e conservação da liberdade, e o crescimento intelectual e material.   

A relação social será realizada por critério de mediação social distributiva da produção social coletiva sem as tradicionais trocas mediadas por valoração abstrata de compra e venda que é abolida constitucionalmente, dinheiro e mercadorias, e de modo a que todos se sintam simultaneamente partícipes da produção e do consumo desta produção. 

 Os membros da comunidade deverão usar todos os esforços, potencialidades materiais e saberes dos meios tecnológicos para a maior produtividade possível e sustentável de tal produção e de modo a que cada indivíduo social, física e intelectualmente apto possa contribuir da forma e tempo que lhe for possível atuar.  

Os meios de produção organizar-se-ão sob estatutos jurídicos de modo a que possa se efetuar os seus gerenciamentos na forma adequada e prevista em lei complementar. 

Nenhum indivíduo social é remunerado, sob qualquer forma, como pagamento individual pelo esforço realizado e contribuição efetivada, mas tem todos os direitos inerentes a todos os demais, que serão simultaneamente protetores de todos, dentro das previsões legais de direito ordinário. 

Esta constituição tem como princípio fundamental a elevação do sentido do ser e o respeito a tal condição, que norteia os demais procedimentos.  

Neste sentido, nesta Constituição, são definidas liberdades individuais e os seus correspondentes estatutos que vão corroborados complementarmente na legislação ordinária substantiva e adjetiva específica para cada ramo do direito. 

A elaboração constitucional é coletiva, definida objetivamente pela forma que adiante se estabelece e de modo que cada comunidade elabore um resumo de sua deliberação constitucional que servirá de cotejo para o consenso definitivo da convergência majoritária das proposições, de modo a que se exercite o amplo debate e prevaleça a vontade da maioria, verdadeiramente.  

Os critérios de contabilidade da produção material, planejamento desta, observadas as características de cada área e os talentos individuais, e distribuição de bens são feitos mediante estatísticas de coleta de dados por sistema de computação em cada comunidade e chancelado pelas demais comunidades que adotem esta constituição, por vontade majoritária, após sua análise e divulgação em período previamente estabelecido.   

Os critérios de distribuição obedecem aos princípios de possibilidade, necessidade e urgência estabelecidos por consenso majoritário da comunidade, cujos regulamentos serão definidos sob a mesma forma.     

 As constituições mundo afora têm formas diferenciadas.  

Algumas são sintéticas, e fixam apenas os alicerces sobre os quais as demais leis são legiferadas e dão formas detalhadas dos fundamentos constitucionais.  A presente Constituição segue este padrão.  

Outras são extensivamente detalhistas, como a Constituição da Índia, com seus 395 artigos e 8 Cronogramas; ou como a da República Federativa do Brasil, publicada no Diário Oficial nº 191-A, em data de 05 de outubro de 1988, com seus 250 artigos e Disposições transitórias e que vem sendo permanentemente objeto de Emendas Constitucionais por conta da insubsistência dos seus propósitos. 

Exemplo de concisão - ainda que sob pressupostos burgueses, capitalistas, aqui superados - é a Constituição dos Estados Unidos da América, por exemplo, que vige desde 1787 e foi ratificada em 1791, complementada pela Carta dos Direitos, Bill of Rights, e que vige até os dias atuais, perfazendo um período de 235 anos, que tem apenas 07 artigos e 26 Emendas, e dá aos Estados Federados autonomia para legislar sobre as questões de natureza regional civil, penal e administrativa, obedecendo aos princípios constitucionais estabelecidos.  

A constituição Emancipatória que ora elaboramos visa apenas delinear, de modo sucinto e simples, os princípios básicos de forma social da produção dos bens necessários ao consumo e sua distribuição, bem como a organização social autônoma de base, horizontalizada, sem estado e governos verticais, remetendo para as vias ordinárias as demais questões que necessitem de detalhamentos minuciosos. 

Tem teor pacifista, razão pela qual deixa de ter forças armadas que garantam pelas armas a defesa territorial comunitária. Qualquer agressão externa, que vise submeter os indivíduos sociais comunitários por meio de tirania belicosa, será respondida com as mãos paradas de todos, quer seja com relação ao revide ou, principalmente, produção social fora dos padrões aqui estabelecidos.  

Quanto desperdício de energia humana e matéria é empregado para a fabricação de uma máquina de guerra destinada a provocar mortes?! Acaso produzir armas não é a mesma coisa, em termos de dispêndio de energia e matéria destinada a produzir mortes, como é a fabricação de cocaína? 

A respeito, podemos dizer que tanto as armas como a cocaína, são mercadorias; e as mercadorias são uma droga. 

A escravização é um ato de permissão e aceitação do escravizado, por mais forte que seja o escravizador e perversa e cruel a sua tirania opressora, e deve ser repelido de modo eficaz com as mãos paradas. O escravo é um ser morto em vida; e ainda que seja morto por assassinato opressor é um ser libertado do jugo escravista. Melhor morrer de pé que viver de joelhos. 

Por eliminar a forma-valor como modo de relação social, a presente Constituição Emancipatória implica numa transformação transcendental daquilo que consideramos que milenarmente vem sendo aperfeiçoado como relação social escravista e segregacionista, mesmo que tente atender à evolução dos seres no sentido da civilidade humana, mas sem consegui-lo, por conta das contradições imanentes ao capitalismo.  

Consideramos, por exemplo, que a forma e conteúdo da questão educacional, aliada aos exemplos de uma relação social voltada para a produção de bens e serviços, bem como para o atendimento coletivo de necessidades de consumo desses mesmo bens e serviços, constitui-se como fator preponderante para a formação de um senso de justiça comum que deverá corrigir os atuais desvios de base da formação moralmente decomposta da sociedade capitalista, na qual todos são adversários de todos na busca pelo vil metal e levar vantagem econômica, principalmente, por uns sobre os outros, é regra descriminalizada. 

A educação burguesa, escolar, seguindo preceitos constitucionais burgueses que lhe servem de norte, tem currículo moral anti-humanista, equivocado, inclusive as ciências exatas e gramaticais, vez que positiva  a negatividade intrínseca a um modo de produção social escravista indireto - glorifica, equivocadamente, o trabalho abstrato como fator de dignidade e a riqueza abstrata como pressuposto de progresso  social linear - e concentra a riqueza socialmente produzida nas mãos da logica subtrativa, segregacionista e autofágica do capital gerido por uns poucos.  

O amesquinhamento do ser humano, imposto pela escravização direta e posteriormente pela escravização indireta do trabalho abstrato, resulta de um sentido de apropriação indébita individual cujo sentido moral deturpado é perceptível até mesmo pelas crianças nas suas evoluções cerebrais.   

Na sociedade que queremos, os professores serão considerados tão respeitosamente como os inventores de vacinas, em razão do grau de importância que adquirem socialmente pela via da transmissão de conhecimentos que é patrimônio cultural coletivo que se perpetua pela tradição oral e escritural.  

O saber científico deixará de ser fonte de lucros abstratos por patentes de invenção ou capacitação de produção manufaturada empresarial capitalista, mas, ao contrário, será objeto de ampla divulgação científica, reconhecidos e divulgados os méritos de seus autores como relevantes contribuintes reconhecidos pelas comunidades como tais e merecedores de distinções públicas. 

Começamos, portanto, com o preâmbulo constitucional que costuma ser a parte do texto no qual se define a legitimidade da construção do texto da chamada carta magna: a forma jurídica de organização e a abrangência territorial. 

Aqui tais elementos caracterizar-se-ão, apenas como exemplo, e por ter nascido nesta cidade libertária, em Constituição Comunitária da Região de Fortaleza, devidamente georreferenciada nos anexos desta constituição, com população computada pelos habitantes nela residentes, composta por assembleias deliberativas autônomas organizadas por zonas deliberativas, cujas deliberações servirão para a construção do consenso de toda a comunidade, por escolha majoritária. 

À comunidade, composta por indivíduos sociais livres, caberá a melhor deliberação de criação de suas entidades administrativas na conformidade desta constituição, que como aqui vai definido, tem produção social e correspondente distribuição sem mercado e sem mediação social pela forma-valor.  

A presente exposição de motivos visa explicitar a natureza doutrinária desta Constituição Comunitária, que poderá e deverá ser aperfeiçoada ao longo do tempo pela vontade livre dos seus munícipes em face da dinâmica dos movimentos sociais, e que ora serve de estatuto jurídico a ser por todos respeitado. 

Serve como espinha dorsal definidora dos objetivos constitucionais gerais, de modo a que embora sucintos os seus artigos - não são detalhistas ao extremo, pois isto deve ser feito pela vontade livre da comunidade observados os princípios gerais por ela definidos -, devem expressar não apenas o pensamento filosófico das relações sociais nos seus aspectos de produção de bens de consumo e organização jurídica social, mas, também, os objetivos a serem colimados no que diz respeito ao engrandecimento do ser humano como espécie. 

Tais objetivos somente poderão ser atingidos quando se permitir que coletivamente se corrijam eventuais erros de condutas, com a própria comunidade assumindo tais erros e com capacidade de corrigi-los, sem as tradicionais transferências de responsabilidades aos representantes políticos que atuam quase sempre como defensores de seus próprios interesses e corporações, e pouco ligados aos interesses comunitários que representam sem fidedignidade.    

Certamente que diante da maldade humana ainda vigente, os conceitos constitucionais aqui propostos parecerão ingênuos quanto à possibilidade de sua consecução. Mas devemos sucumbir na barbárie suicida atual, ou projetarmos um novo modo de viver socialmente? Esta é a grande questão a ser resolvida. 

Aqui estão lançadas as bases de uma nova e emancipada relação social, na qual os indivíduos sociais são os verdadeiros gestores do seu destino, responsáveis que são pelos acertos e eventuais erros, que serão por eles mesmos corrigidos. 

Viva a emancipação humana!! (por Dalton Rosado) 

Clique aqui para acessar a íntegra da proposta constitucional.




domingo, 17 de dezembro de 2023

OS PRINCÍPIOS HUMANISTAS NÃO SÃO NEGOCIÁVEIS!

 

que diferencia um revolucionário emancipacionista e suas proposições de um comportamento conservador de direita é que colocamos o ser humano acima da lógica escravista e segregacionista do capital.  

Para nós, o respeito e a solidariedade ao ser humano devem se expressar na preservação da sua integridade e dignidade física e moral sob um código ético consentâneo com o senso de realização do ideal de justiça.  

Afinal, como disse Thomas Mann, “o humanismo nada mais é do que o amor pelos seres humanos, apenas isso”, e Karl Marx disse que “ser radical é tomar as coisas pela raiz e a raiz é o homem”. É neste sentido que somos radicais.  

Por acaso o povo da República da Guiana, cuja etnia é formada por 81% de índios e afro-americanos, majoritariamente pobres, merece ser atacado por uma pretensa decisão do povo venezuelano - questionável por conta de uma votação de baixo quórum e controlada por um aparelho militar ostensivo -, que teria autorizado o seu governo a invadir um país vizinho por ocupação militar territorial e político-administrativa?  

Seria razoável do ponto de vista humano uma guerra com suas costumeiras mortes e destruições numa tentativa de ocupação de cerca de 75% do território vizinho, cujas terras recentemente se teve conhecimento de que passaram a ser ricas em recursos minerais de alta qualidade cuja extração barata é alvo da cobiça pelo capital cujos correspondentes usos são poluidores da atmosfera e hoje são questionados por aqueles que ali em Essequibo os exploram, mas que discutem hipocritamente sua substituição e a inclusão da energia limpa na COP28 em Dubai, Emirados Árabes?   

Por acaso ao invés de atacar esse país guianense e seu povo, com o fito de explorar petróleo, gás e ouro, reeditando o que faz a Exxonmobil estadunidense e empresas chinesas que ali estão instaladas buscando lucros sem pejo de promover o aquecimento do Planeta, não deveria um governo que se diz de esquerda ter uma postura de preservação da dignidade humana de todos, dos seus nacionais e vizinhos, suas integridades físicas e morais e propor a solidariedade entre os povos contribuindo para o seus engrandecimentos físicos e intelectuais num contexto de produção de bens e serviços ecologicamente sustentáveis e sem a intermediação negativa e escravista do capital e sua repugnante e limitativa regra da viabilidade econômica para cada ato social, ao invés de se armar e propor a guerra?  

Será que ser racional e humano é otimismo de um pensar ingênuo e impraticável?   

Infelizmente, deste os tempos da pós-revolução bolchevique de 1917, questionar desvios comportamentais da esquerda, quando negadores de princípios humanistas, tem sido considerado como uma doença infantil que disfarçaria um espírito burguês pouco consistente perante a contrarrevolução burguesa, que sempre existe. Stalin, Putin, Mao Tse Tung, Deng Xiao Ping, Hugo Chavez, Daniel Ortega e tantos outros que o digam.  

O imediatismo de interesses governamentais verticais do Estado dito proletário, que tudo desculpa em nome da preservação de uma revolução que nada revoluciona, ao invés de aglutinar um sentimento de resistência à lógica do capital, e em nome de uma governabilidade ameaçada pelas forças do capital, tem sido considerada como a desculpa para a preservação das categorias capitalistas fundantes.  

Em todos os países que fizeram a chamada revolução proletária estiveram sempre presentes as categorias capitalistas que dão sustentação ao modo de relação social negativo do capital, quais sejam: valor abstrato e sua representação numérica pela mercadoria dinheiro, a única sem valor de uso; trabalho abstrato; mercadorias sensíveis e serviços; mercado; acumulação de capital e sistema bancário; direito de propriedade; estado e suas instituições elitistas, partido político e político.  

A preservação de tais categorias nos países do chamado socialismo real é de tal forma predominante em relação à vontade política, que viciam o mecanismo político governamental, submetendo-o e o distanciando dos princípios humanistas em nome dos quais foram feitas as revoluções pretensamente anticapitalistas. Uma contradição no objeto, como diria Karl Marx a estes marxistas.  

A lógica do capital é uma abstração numérica de produção e reprodução necessariamente aumentada de valor que tende ao infinito, mas que esbarra na finitude da capacidade de consumo predeterminada por vários fatores, e que transforma os objetos e atividades de serviços necessários à vida social em mercadorias que nada mais são do que meros instrumentos utilitários de sua existência negativa e segregacionista, ou seja, a produção e o consumo de mercadorias num processo social desequilibrado se constitui como uma equação matemática sem solução.  

É por isso que se destrói alimentos produzidos de forma excedente que possam afetar o mercado, mesmo que haja fome entre a população incapaz de aquisição da mercadoria alimento, o que bem demonstra o que dizemos.  

A sua irresolubilidade decorre do limite da capacidade de consumo humano natural ou forçada pela perda do poder de compra de mercadorias, ainda que estas estejam sempre reduzindo seu valor e preço, o que resulta, inevitavelmente da autodestruição da própria forma de relação social, mas não sem antes nos levar à destruição da própria vida humana pelas muitas formas nas quais isto pode ser tornar possível, como pela guerra, aquecimento global, poluição do solo, subsolo, rios, lagoas e oceano.   

A obediência de governantes despostas à lógica do capital, sejam eles capitalistas estatistas e privatistas, é o que está na base de comportamentos quais sejam:  

- invasão genocida da faixa de Gaza pelo governo desgastado de Israel apoiado pelos Estados Unidos;  

- apoio logístico e financeiro dos Estados Unidos aos golpes militares na América do Sul;  

- tentativa de anexação da Ucrânia pela Rússia imperialista e seus magnatas donos das antigas empresas estatais;   

- as permanentes tentativas chinesas de anexação de Taiwan;  

- tentativa de anexação da República da Guiana pelo governo totalitário bolivariano da Venezuela -Simon Bolívar deve estremecer do túmulo ao ouvir o uso do seu nome para procedimentos antilbertários;   

- exploração de petróleo pela Exxonmobil na República Goiana e correspondente aviso estadunidense sob um conflito bélico com recentíssima movimentação de tropas e equipamentos militares no interior da República da Guiana.   

A tensão na região do Essequibo da República da Guiana pode ter dimensões maiores do que originalmente se supunha.   

Não apenas Estados Unidos e Reino Unido de um lado, mas a Venezuela e a Rússia, que tem sido uma aliada dos governos venezuelanos desde Hugo Chavez e que para ele vendeu aviões de caças que estão nas mãos do corrupto exército bolivariano, estão à espreita dos próximos movimentos de peças, mas também a China, que têm interesses econômicos já instalados na região.  

Para se ter uma ideia da ligação do governo da República da Guiana com a China, por lá circula um jornal de notícias internacionais que somente fala das virtudes e crescimento econômico chinês. Como se vê, a riqueza mineral do Essequibo despertou o interesse do capital internacional como abutres que farejam uma carcaça a ser devorada.  

Nesse sentido, pergunta-se: esse teatro de prenúncio de guerra por riquezas materiais aptas a se transformarem em riquezas abstratas poluidoras, é alguma coisa compatível com o sentimento anticapitalista de solidariedade humanista, preservacionista da ecologia sustentável e emancipacionista que devemos defender?  

A esquerda verdadeiramente anticapitalista somente consolidará uma reputação humanista capaz de lhe conferir credibilidade, mesmo que no longo prazo, a partir da tomada de posições contra as causas da barbárie em curso e em defesa da vida humana nos mais diferentes momentos de sua existência e se posicionando corretamente diante dos aspectos cotidianos da atual realidade social caótica.  

Três itens programáticos.  

  01. São causas primárias a serem negadas:  

- a relação social sob a forma valor;  

- a mercadoria - dinheiro e valor de troca;  

- o estado, governantes, seus impostos, suas instituições, partidos e segmento político;  

- a democracia burguesa e seus instrumentos de manipulação da vontade popular;  

- o totalitarismo eletivo ou militar;  

- o mercado;  

- o sistema financeiro;   

02. São decorrências sociais das causas acima elencadas a serem denunciadas:  

- o aumento da fome no mundo;   

- a barbárie da violência urbana coletiva e rural na qual um celular ou uma vaca vale mais do que uma vida;   

- as guerras quaisquer que sejam as suas motivações confessadas ou inconfessáveis;  

- a predação ecológica em seus vários níveis.  

- a desassistência médico-hospitalar da população;  

- a falta de habitação digna;  

- o desamparo à velhice e à invalidez;  

- a deficiente ou inexistente educação escolar e seu conteúdo que positiva aas categorias capitalistas - principalmente trabalho e dinheiro;  

- o deficiente abastecimento de energia e água - caros e de pouco acesso;  

- a decomposição da arte e dos esportes como mercadorias;  

- a dissociação de gênero;  

- todas as formas de segregação social e crimes contra a pessoa;  

- a xenofobia, o racismo e supremacismo racial, a homofobia e a misoginia;   

- a desesperança.  

03. São proposições básicas que formatam uma relação social capaz de dar início ao combate às causas e consequências nefastas do capitalismo:     

- produzir bens de consumo e serviços sem o entrave da viabilização econômica, mas apenas para satisfazer necessidades de consumo, ou seja, produzir coletivamente para consumir coletivamente e sem ônus sob a forma valor - dinheiro e mercadorias;  

- organizar a sociedade sob um critério jurídico-constitucional de base comunitária que incorpore os conceitos humanitários de apropriação da riqueza material sob cânones civis, penais e administrativos que reflitam o direito como realização da justiça social e individual.  

Qualquer que seja a luta contra a negação dos princípios humanistas, aí estará evidenciada a postura emancipatória da humanidade de uma esquerda digna desse nome.  (por Dalton Rosado) 

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

ALGUNS PRINCÍPIOS PARA UMA CONSTITUIÇÃO EMANCIPACIONISTA

 

As constituições - mesmo as consuetudinárias, que são pouquíssimas - representam a espinha dorsal definidora da forma e conteúdo das relações sociais. É nelas que estão insculpidos os fundamentos que regulam a vida social.  

As constituições burguesas - todas! - mundo afora, sejam de cunho mais ou menos conservadoras nos costumes, ou mais ou menos distributivas das riquezas abstratas, são escravistas nas suas essências, por mais que os juristas e legisladores que as concebam tentem maquilar seu conteúdo intrínseco como se fossem testemunho e modo de fazer da cidadania protetora.  

Não são! 

Destarte, uma constituição emancipatória da humanidade, que para merecer tal título tem que ter como princípio fundamental a coibição milenar da segregação e escravização social, direta e indireta, portanto histórica, de uns sobre outros, que se reproduz constitucionalmente com aperfeiçoamentos humanistas e retrocessos inumanos ao longo dos tempos, e que em todos os casos se consubstanciam na apropriação indébita por uns poucos da riqueza coletivamente produzida, deve conter a explicitação libertária de conteúdo sob princípios e sob as seguintes cláusulas de formas organizacionais e conteúdos intrínsecos:  

-  definição dos princípios constitucionais; 

- definição dos direitos e garantias fundamentais dos indivíduos sociais; 

- modo de organização administrativa de abrangência territorial; 

- o modo de produção social e sua distribuição;  


- a forma de ocupação do solo e dos bens de usos individuais e coletivos; 

- a organização jurídico administrativa do espaço territorial;  

A administração dos serviços de interesse público, quais sejam: 

(i) princípios para a definição local de espaços de lazer;  

(ii) princípios para a definição do modo de transporte urbano e individual e infraestrutura de circulação de pessoas e bens da produção; 

(iii) princípios para consecução dos sistemas energéticos; 

(iv) princípios e infraestrutura do sistema de educação e correspondente orientação doutrinária do currículo educacional a ser seguido; 

(v) princípios para o estímulo às artes e aos desportos;  

(vi) normas para a segurança pública;  

(vii) formas de elaboração legislativa e jurisdicional relativas às reformas constitucionais, e à elaboração dos códigos de direito substantivo e adjetivo e normas para o exercício da magistratura.  

A constituição emancipatória deve vigorar no território abrangido por comunidades que se constituírem sob os princípios e formas definidas que tenham como objetivo o bem comum, o combate à injustiça social, a defesa da vida e do bom convívio social, a liberdade e o crescimento intelectual e material.   

A relação social será realizada por critério de mediação social distributiva da produção social coletiva - sem as tradicionais trocas mediadas por valoração abstrata de compra e venda que será abolida constitucionalmente, dinheiro e mercadorias- e de modo a que todos se sintam simultaneamente partícipes e corresponsáveis da produção e do consumo. 

 Os membros da comunidade deverão usar todos os esforços, potencialidades materiais e saberes de meios tecnológicos para tal produção e de modo a que cada pessoa possa contribuir da forma e tempo que lhe for possível atuar.  

Os meios de produção organizar-se-ão sob estatutos jurídicos de modo a que possa se efetuar os seus gerenciamentos na forma adequada e prevista em lei complementar. 

Nenhum indivíduo social será remunerado, sob qualquer forma, como pagamento individual pelo esforço realizado e contribuição efetivada, mas terá todos os direitos inerentes a todos os demais, que serão simultaneamente protetores de todos, dentro das previsões legais de direito ordinário. 

A constituição deve ter como princípio fundamental a elevação do sentido do ser e o respeito a tal condição, que deve nortear os demais procedimentos.  

Nesse sentido, serão delineadas as liberdades individuais e os seus correspondentes respeitos definidos na constituição e na legislação ordinária substantiva e adjetiva dela decorrente. 

A elaboração constitucional será coletiva, definida objetivamente pela forma idealizada que aqui se estabelece, e de modo que cada comunidade elabore um resumo de sua deliberação que servirá de cotejo para o consenso definitivo da convergência majoritária das proposições para que se exercite o amplo debate e prevaleça a vontade da maioria, verdadeiramente.  

Os critérios de contabilidade da produção, planejamento dessa, observadas as características de cada área e os talentos individuais e distribuição de bens, serão feitos mediante estatísticas de coleta de dados por sistema de computação em cada macrorregião e chancelado pelas comunidades, majoritariamente, após sua divulgação em período previamente estabelecido.   

Os critérios de distribuição obedecerão a princípios de possibilidade, necessidade e urgência estabelecidos por consenso majoritário das comunidades, cujos regulamentos serão definidos por consenso majoritário.    

Os preceitos constitucionais aqui defendidos podem parecer utópicos ou até mesmo ingênuos, a considerarmos as atuais condições de dominações políticas, ideológicas, níveis elevados de inconsciência da grande maioria da sociedade sobre a natureza dos males de que é vítima e mantidos pela lavagem cerebral sublinear midiática, além dos conceitos equivocados adotados nos currículos educacionais que positivam o negativo que provocam o embotamento do pensar, e o domínio opressor exercido pelo capital sobre as pessoas iludidas pelo fetichismo da mercadoria, mesmo na atual fase de depressão econômica. 

Mas as condições objetivas de vida social e ameaças de autodestruição bélica e ecológica, pari passu ao aumento do enraizamento social do crime organizado diante da corrupção policial e impossível contenção estatal deste lamentável fenômeno, além do crescimento da fome e da pobreza mundo afora, que já atinge até mesmo os países que antes se constituíam como ilhas de prosperidades e modelos a serem seguidos, insistem em demonstrar que ingênuo e irracional é continuarmos esperando que dê certo algo que se sabe de antemão que vai dar errado por se constituir como equação matemática irresolúvel: a vida social sob o capital no atual estágio das contradições dos seus próprios fundamentos. 

Há uma diferença entre o que queremos ou devemos querer e a possibilidade de fazermos; mas querer fazer já é caminho para o fazer. Como disse John Lennon certa vez, e corretamente, se você quiser, a guerra acaba amanhã! 

Assim, as proposições que elaboramos, ainda que muitos considerem inexequíveis, insisto em fazê-las, pelo menos como norte referencial a ser alcançado e aperfeiçoado, e que motive o querer, vez que saber aonde ir já é um começo da possibilidade de se trilhar o caminho para se chegar lá. 

As constituições mundo afora têm formas diferenciadas.  

Algumas são sintéticas, e fixam apenas os alicerces sobre os quais as demais leis são legiferadas e dão formas detalhadas dos fundamentos constitucionais.    

Outras são extensivamente detalhistas, como a Constituição da República Federativa do Brasil que tem 250 artigos, longos incisos e parágrafos, além de 95 Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, e que vem sendo permanentemente objeto de Emendas justamente porque deixou de remeter para as vias ordinárias a elaboração de leis que por ela se norteassem e dessem forma minuciosa aos seus princípios normativos.  

Nascida após um período de centralização governamental militar que promulgou a  Constituição de 1967, aprovada pelo Congresso Nacional por exigência da Ditadura, a chamada Constituição Cidadã foi elaborada por um parlamento constituinte eleito para tal fim, que terminou por descer a detalhes desnecessários, fato que implica, como dissemos, na necessidade da multiplicidade das Emendas que  periodicamente são votadas em face da dinâmica social que assim as exige. 

A Constituição burguesa dos Estados Unidos, mesmo ultrapassada pela dinâmica das contradições capitalistas, por exemplo, vige desde 1787, tendo sido ratificada em 1791, complementada pela Carta dos Direitos - Bill of Rights -, perfazendo um período de 235 anos. Tem apenas 07 artigos e 27 Emendas e dá aos Estados Federados autonomia para legislar sobre as questões de natureza regional nos âmbitos civil, penal e administrativo, obedecendo aos princípios constitucionais estabelecidos federalmente.  

A Constituição Emancipatória que ora vislumbramos deve apenas delinear de modo sucinto os princípios básicos de forma social da produção dos bens necessários aos consumo e sua distribuição, bem como da organização social autônoma de base, horizontalizada, sem Estado e governos verticais, remetendo para as vias ordinárias as demais questões que necessitem de detalhamentos minuciosos. 

Por eliminar a forma-valor como modo de relação social, a Constituição Emancipatória implica numa transformação transcendental daquilo que consideramos que milenarmente vem sem do aperfeiçoado como relação social escravista e segregacionista, mesmo que tente atender à evolução dos seres no sentido da civilidade humana, mas sem consegui-lo, por conta das contradições imanentes ao capitalismo. 

Comunicamos aos leitores que estamos envidando esforços no sentido de dar forma jurídico-constitucional aos princípios e conceitos aqui explanados  e para a publicação futura de uma proposição de constituição que mereça o nome de emancipatória. (por Dalton Rosado) 

segunda-feira, 15 de maio de 2023

SOMENTE O EMANCIPACIONISMO PODE SUPERAR RADICALMENTE O CAPITALISMO

 Há uma profunda diferença entre as concepções políticas que têm como base de sustentação a forma valor e aquela que prega a superação radical da dita cuja. 

Podemos considerar que se trata de formas e conteúdos dicotômicos por representarem oposição de forma e conteúdo são inconciliáveis no que diz respeito ao convívio político num mesmo campo de atuação.  

São dois campos distintos, sendo um com vários matizes ideológicos, e o outro unificado numa concepção de relação social sem a mediação social pela forma valor. 

No campo da relação social mediada pela forma valor estão os seguintes projetos políticos, com variações pontuais que não alteram a substância de seus conteúdos nos resultados finais. São eles:  

01: O fascismo, que cresceu e se plasmou como poder por meio da política estatal de afirmação e regulação capitalista pela via do incenso ao trabalho abstrato e visão nacional socialista - uma contradição semântica do próprio objeto e enunciado.  

Não é por menos que a ascensão de Adolf Hitler ao poder político foi o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães que se firmou pelo voto depois de ver fracassado putsch de 1923, com alguns mortos e outros presos, incluindo-se o próprio líder nazista, tendo posteriormente saído da prisão com aura de salvador da pátria.   

  Benito Mussolini, fundador do fascismo italiano, inicialmente se filiou ao Partido Socialista Italiano (1901 a 1914), para durante a primeira guerra se apresentar como Fascio d’azone Revoluzionaria (1914 a 1919), e depois Faces de Combate Italianas (1919 a 1943) e Partido Republicano Fascista (1943 a 1945).  

Como se vê, a simbologia do trabalho abstrato produtor de valor, do socialismo e republicanismo estão presentes nos dísticos partidários das doutrinas que levaram o mundo à segunda guerra mundial e seus cerca de 50 milhões de mortos, além de danos materiais incalculáveis.  

02: O marxismo-leninismo, ao endeusar o trabalho abstrato ao invés de condená-lo, como queria Marx, e com ele a extração de mais-valia estatal dos trabalhadores russos, igualzinho ao que fez Mao Tse Tung na China, e sua cartilha stalinista, pode se inserir no campo do capitalismo de estado, inicialmente estatizante, até se render à economia de mercado mundial. 

03: A socialdemocracia, que se afirma como a antítese ao nazifascismo conservador, também se insere entre as formas políticas que atuam sobre uma base de relações mediadas pela forma valor e a partir de um processo eleitoral de alternância cíclica no poder político que proporciona um eterno pêndulo  entre posturas mais avessas aos ganhos civilizatórios dos conservadores e as que querem humanizar o capitalismo com condescendências de preocupações sociais mais civilizadas, e que assim, voltam sempre para o mesmo ponto de partida.  

04: O anarquismo, que jamais se consolidou como relação social vigente, até porque a sua contestação ao Estado e às religiões, sem atacar a mediação social pela forma valor, caiu num vazio de aglutinação de forças e apenas figura como um viés interessante da história da luta contra a opressão sistêmica.  

A identidade de todas essas formas políticas é o sistema produtor de mercadorias e tudo que a ele se incorpora, e por seu conteúdo intrínseco termina sempre por as igualar de modo pragmático, vez que a política não tem soberania de vontade sobre a economia capitalista, de onde retira seus sustentos.    

O capitalismo é o suserano de todas as formas políticas que se desenvolveram sob os seus fundamentos e nenhum vassalo pode dar ordens a este senhor ditatorial, abstrato e impessoal, a forma valor, que é de onde tiram o seu sustento pela via da taxação fiscal. 

A política e os políticos beijam a mão do Estado e seus impostos que são cobrados a uma população já exaurida pela extração de mais-valia, sob o argumento falacioso da imprescindibilidade da sua institucionalidade para o atendimento das demandas sociais de sua incumbência constitucional, jamais cumprida. 

Ressalte-se que com a falência do Estado em face da depressão capitalista, causada pela contradição dos seus próprios fundamentos, implica num atendimento das demandas sociais cada vez mais precário, quando não inexistente. 

 Até a própria extração de mais-valia que sustenta o capital agora escasseia irremediavelmente e nem mais isso os escravos do trabalho abstrato conseguem obter por conta do desemprego estrutural que nega o trabalho que os escraviza, fenômeno que se alastra mundo afora prenunciando a morte do capitalismo após seu ciclo de nascimento e milenar desenvolvimento.  

As formas políticas sob o capital exploram o trabalho abstrato e o vendedor da mercadoria força de trabalho - única mercadoria que o trabalhador possui para venda -, e ainda lhe cobra impostos, ou seja, o trabalhador explorado financia a sua própria opressão, e é por isto que este conjunto de fatores tem que ser superado, e não reformado por medidas protetivas legais impossíveis de serem consistentes. 

 Destarte, a única doutrina a pregar a libertação da camisa de força da política serviçal do capital e da sua ditatorial servidão social é aquela situada fora do campo de mediação social pela forma valor e suas categorias complementares - trabalho abstrato, trabalhador, dinheiro, mercadoria, mercado, política, socialismo, democracia burguesa, Estado, direito burguês, etc. 

A negação da política e da forma valor são concepções tão simultaneamente imbricadas a ponto de não poderem ser dissociadas, razão pela qual não se pode conceber a esquerda anticapitalista possa negar a forma valor sustentadora do Estado ao mesmo tempo em que se imiscui nas esferas políticas dele e assim se torna dependente de cargos e dotações orçamentárias em dinheiro.

Algo assim tão contraditório como alguém que sem capital e querendo ficar rico prescinda da exploração do trabalho abstrato extrator de mais-valia que promove a acumulação do capital. Uma coisa não vive sem a outra, do mesmo modo que a política não vive sem o capital que segrega a maior parte da população e, portanto, não pode haver político e política institucional emancipacionista.  

Capitalismo e política institucional são faces de uma mesma moeda

O emancipacionista é visceralmente avesso ao capital e à política que lhe dá sustentação, daí se situar num campo de atividade social que foge dos parâmetros tradicionais e fazer uma abordagem diferenciada dos conceitos tradicionais, tais como:  

- ao invés de mendigar empregos e salários, como faz Lula, seu partido e sua administração pública, e os sindicalistas, os emancipacionistas negam esta necessidade e pregam a quebra das correntes dizendo que não se trabalhe jamais - favor não confundir a categoria trabalho, dado histórico, com atividade produtiva social de sustento das necessidades humanas, dado ontológico;  

- ao invés de concorrer às vagas ao parlamento burguês e ser sempre minoria a legitimar aquela instituição burguesa, pregam: NÃO VOTE E NÃO SE CANDIDATE AOS CARGOS ELETIVOS DO ESTADO

- ao invés de querer a adoção de um novo padrão monetário fiduciário de concorrência ao dólar, pregam a superação de todos as moedas, seja do dinheiro como representação do valor ou moeda falsa oficial por não ter correspondência com lastro na produção de mercadorias que lhe empreste um mínimo de credibilidade;  

- ao invés de tentar um arcabouço fiscal que permita o atendimento de demandas sociais de modo mais abrangente, como querem todos os governos que buscam agradar os explorados do capital, pregam o banimento dos impostos; 

- ao invés de defender a criação de um banco como o do BRICS, pregam o fim da agiotagem, seja aquela escorchante, que tira a o escalpo de devedor, ou seja aquela que mantém o devedor apenas vivo para continuar na servidão;  

- ao invés de pugnar pela retomada do desenvolvimento capitalista, ora depressivo, pregam o fim do dito cujo e a adoção de um modo de produção voltado para a satisfação das necessidades coletivas e que dita produção seja capaz de promover o bem-estar mundial a partir do uso das tecnologias avançadas; 

- ao invés de pugnar pela volta ao trabalho vivo a partir dos nervos e músculos humanos na produção de valor em substituição ao trabalho morto, das máquinas, que está levando ao colapso capitalista e se constituindo como a maior das suas contradições existenciais, defendem o uso de toda tecnologia a serviço do ser humano e sem produção de valor, com os evidentes benefícios daí advindos, e a possibilidade de gozo de um ócio produtivo nos vários campos da atividade artística, educacional, esportiva, afetiva, etc.;  

  - ao invés da estrutura de poder do Estado e todas as suas instituições, inclusive com os enormes gastos militares com pessoal e equipamentos de guerra, pugnam pela extinção das forças militares e de todos os artefatos de guerra, inclusive atômicos; 

- ao invés de defender as adaptações atuariais dos gastos com a previdência social que remetem as aposentadorias dos contribuintes para uma idade proibitiva, pugnam pela assistência aos idosos, inválidos e crianças a partir de uma produção social coletiva a ser levada a cabo pelos que estão aptos à produção social compartilhada; 


- ao invés de levantar muros nas fronteiras e elaborar leis contra a imigração, defendem que sejam abolidas as fronteiras nacionais e o próprio nacionalismo, e o fazem em nome da fraternidade humana entre os povos de várias etnias;  

- ao invés do estabelecimento de pactos internacionais para a diminuição da emissão do gás carbônico pelas grandes potências econômicas, e que nunca são cumpridos, defendem a superação da produção e das exportações e importações de mercadorias por estes países, como forma de superação de tais emissões suicidas; 

- ao invés de aceitar a positivação das categorias capitalistas na grade curricular de ensino básico, defendem a crítica categorial a ser lecionada pelos professores de modo a que seja construída no consciente coletivo a negação do que é socialmente negativo, como por exemplo a exploração salarial que promove a desigualdade econômica, e a lógica autotélica do capital que causa o caos ecológico nos rios, mares, solo, subsolo e atmosfera causadora do aquecimento global ecocida

- ao invés das negociações políticas que implicam sempre em engolir sapos para que o exercício do poder político institucional do Estado se viabilize por quem o exerça, e que existe para dar sustentação à relação social capitalista e seus tenebrosos negócios, preferem dizer NÃO! e rejeitar a inevitável indigestão; 

 etc., etc. etc.  

Certamente que os defensores da pretensa boa política dirão serem as aspirações emancipacionistas utópicas e distantes da realidade concreta e possível, mas a realidade e a necessidade, mãe de todas as providências pragmáticas, aliada à teoria revolucionária, está a conspirar contra a incredulidade e a impossibilidade.  

Mas a esses incrédulos afirmamos que Jesus Cristo também parecia um lunático aos olhos do poderoso Império Romano e, por conta dos seus ensinamentos, então revolucionários, é que estamos hoje, 1990 anos após sua morte por crucificação, ainda falando em seu nome como fundador de uma das maiores doutrinas religiosas existentes no mundo, enquanto o referido império simplesmente desapareceu desde há muito. 

Estamos em campos mais férteis do que os que estão naqueles que são arados pela força destrutiva e autodestrutiva do capital.   

Sem a menor pretensão de sermos salvadores de um reino de outro mundo, e muito menos das pátrias como pátrias, modestamente afirmamos se encontrarem os emancipacionistas num campo de atuação diferente do que vem se plasmando há milênios, desde que surgiram as primeiras trocas quantificadas de mercadorias e que deram expressão à forma valor substituindo a partilha.  

Não somos melhores que ninguém, mas nos reservamos o direito de sermos diferentes do que está posto na contenda ideológica de uma conjuntura caótica mundial, seja do ponto de vista político, social ou ecológico. 

Pensar o impensável, fazer o impossível! é o lema da crítica categorial à forma valor e à dissociação de gênero. (por Dalton Rosado) 

domingo, 19 de fevereiro de 2023

A LÓGICA CONTRADITÓRIA DO CAPITAL CONDUZ INEVITALVEMENTE AO IRRACIONALISMO DA SOCIEDADE

 


A
relação social capitalista obedece a uma lógica contraditória que conspira permanentemente contra a racionalidade. A lógica capitalista de necessidade de autorreprodução permanente da forma-valor, operando ad infinitum, entra em choque com limites existenciais próprios desta contraditoriedade funcional, tais como a guerra concorrencial de mercado e a capacidade de consumo.  

As mercadorias, que são a materialização do valor, digladiam-se no confronto épico da guerra concorrencial de mercado, explicitando a equação irresolúvel desse modo de relação social. 

Não é por menos que Marx, já no início da sua maturidade, aos 40 anos, deixando mais ao lado a sua intromissão nos eventos políticos das dores do fim da transição feudal para o capitalismo, começa sua obra fundamental, O Capital - da qual os GRUNDISSE foi o alicerce sob a forma de rascunho - dissecando a essência da forma mercadoria que serve de base para toda a sua análise crítica da economia política.  

Nenhum economista burguês, ou filósofo exotérico, conseguiu contraditar consistentemente as suas análises de conteúdo que o levaram ao vaticínio segundo o qual o capitalismo fatalmente viria a se chocar com a questão de forma como agora acontece.  

Até mesmo os marxistas exotéricos, apegados ao conceito pífio de distribuição humanizada da forma-valor pelo estado proletário - o nome já indica sub-repticiamente a perpetuação e incenso do trabalho  abstrato produtor de valor, expresso nas insígnias da foice e do martelo - não souberam ou não quiseram, por mero apego ao poder político vertical, caminhar no sentido da superação das categorias capitalistas e dos seus conceitos de relações sociais tão contraditórios.   


O capital vem se conservando a partir da entourage de institutos políticos-jurídicos constitucionais ou consuetudinários que agora demonstram as suas falácias e fundamentos opressores. O exemplo maior disso é o campo do direito e suas firulas que tentam transformar o que é intrinsecamente injusto em justo

As categorias capitalistas do gênero forma-valor se plasmam socialmente como espécies dele derivadas e compõem o universo da irracionalidade social clamando por superação. Deste conjunto social fantasmagórico, temos: 

- trabalho abstrato;  

- dinheiro, a única mercadoria sem valor de uso que compra todas as outras, a abstração por excelência;  

- mercadorias sensíveis e serviços com valor de uso e de troca, sendo uma concreta outra abstrata;  

- mercado;  

- estado  com suas instituições e formas políticas; 

A irracionalidade social comportamental obedece a um critério autocrático que escraviza a humanidade sem ela perceber os grilhões lhe manietando a ação e o pensar, e  ainda determina  os indivíduos sociais neles inseridos na qualidade de cidadãos a sofrerem as consequências de seu modo cruel e desumano.  

O capital deseduca e transforma os indivíduos sociais em cidadãos contribuintes da sua própria opressão e adversários entre si. A solidariedade, traço comportamental responsável pela evolução dos hominídeos, transforma-se em competição fratricida.    

Neste quadro, surgem as mais diversas teses políticas que vão desde a ultradireita conservadora, agora ressurgida passados 78 anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial - quando, diante dos horrores da bestialidade irracional da guerra, os nazifascistas mantiveram-se calados nos subterrâneos da incivilidade -, até os bem intencionados membros da esquerda institucional, hoje  dependente de todas as categorias capitalistas pelas quais é sustentada, que pregam a retomada do desenvolvimento econômico sem compreender a necessidade de superação daquilo visto por eles como salvação.  

O movimento das doutrinas políticas sob o capital mais parece o pêndulo de um relógio, transitando de um lado para outro sem sair do lugar.  

São muitas as demonstrações perfeitamente visíveis dos comportamentos socialmente irracionais que obedecem à voracidade onívora da forma-mercadoria em sua necessidade de expansão infinita, tais como: 

- congestionamento do trânsito nos grandes centros urbanos que transforma veículos velozes em carroças empacadas nas vias públicas, quando se poderia usar um sistema público de transporte eficaz, com eliminação de CO² na atmosfera e consumo desnecessário de peças; 

- poluição de rios, lagoas, mares, solo, subsolo e atmosfera, além de emissão de gases poluentes que formam o efeito estufa, cientificamente comprovado como fator de alteração climática destrutiva; 

- critério de trabalho abstrato - assalariado - gerador de valor e acumulação concentrada e excludente de capital como forma de remuneração do consumo social pela forma-valor , ao mesmo tempo que desenvolve tecnologias de produção robótica e cibernética capazes de reduzir substancialmente a mesma capacidade de obtenção de salários, causa do desemprego estrutural hoje mundialmente observado;   

- produção clandestina de substancias tóxicas capazes de enlouquecer e tornar dependentes os seus usuários, como forma de se ganhar dinheiro com o tráfico e cumplicidade de setores policiais, igualzinho quando da lei seca estadunidense nos anos da grande depressão econômica. 

-  considerar-se democrático um processo eleitoral sabidamente viciado pela corrupção econômica na qual o eleitor incrédulo nos políticos e suas instituições procura obter uma vantagem econômica individual pretensamente compensatória a partir do voto, e o político corrompe o eleitor sob várias formas recebendo uma outorga de poder delegado no qual o eleitor outorgante se distancia da outorga concedido e fica à mercê de quem o representa infielmente, e que sempre em grande maioria parlamentar representa apenas os interesses dos detentores do capital; 

- aceitar-se e normalizar-se a violência urbana com altos níveis de letalidade e assaltos à mão armada como questão meramente policial; 

- aceitar-se os altos índices de analfabetismo e semialfabetização do povo como traço cultural;  

- aceitar-se a desassistência médica preventiva e hospitalar da população  e os altos preços dos remédios laboratoriais patenteados - muitos delas meramente paliativos, pois muitas doenças poderiam ser curadas com remédios eficazes e definitivos que são boicotados-, e tudo tratado como questão de mercado e meramente administrativa governamental; 

- não  se considerar o niilismo e a raiva juvenil dos adolescentes como a resultante de uma sociedade socialmente injusta e sem perspectivas de realização pessoal profissional e humana que está se plasmando no bojo dos limites expansionistas e de saturação da relação social capitalista;  

- considerar-se que o oposto do processo democrático eleitoral é a ditadura, como se somente houvesse duas formas políticas de estruturação jurídico social, ambas antipovo, e pior, ver que após o processo eleitoral os derrotados clamam diante de quarteis militares por ditadura militar como forma de salvação democrática nacional, fazendo-se continência para pneus queimados e marchando-se em ordens unidas militares com símbolos patrióticos;  

- aceitar-se passivamente e sem questionamento que a humanidade adquiriu imensos saberes tecnológicos capazes de realizações de proezas nas áreas da comunicação via satélite, da computação, da microeletrônica e da biomedicina, enquanto se vê aumentar a fome e a miséria mundiais, se atribuindo, quando muito,  a questões periféricas que contribuem para o agravamento destes problemas, mas não correspondem às suas verdadeiras causas;  

- negar-se o esforço de biólogos, verdadeiros heróis da humanidade,  que em laboratórios mundo afora pesquisaram a natureza biológica do vírus da covi19 como forma de criação de vacinas capazes de combater os seus efeitos letais, de  validades estatisticamente comprovadas, admitindo-se que tais vacinas podem promover mutações genéticas,  principalmente por quem não tendo conhecimento científico sobre a matéria e com a  responsabilidade do ex-Presidente da República coloca em dúvida a sua eficácia e admite jocosamente a possibilidade da transformar os seus usuários em gay ou jacaré;    

- submeter-se qualquer atividade social ao crivo restringente da viabilidade econômica, ou seja, somente se faz aquilo que dá lucro, mesmo que a coletividade esteja necessitando com urgência de uma determinada providência que se torna impossível de ser tomada caso tal iniciativa não resulte na síntese desumana do comando mercantilista como a derrubada de florestas sem um replantio sustentável, ou o uso de combustíveis fósseis poluentes quando se pode usar energias limpas e a não canalização das águas fluviais para as  regiões secas de baixas densidades pluviométricas; 

- ver crescer o fundamentalismo religioso tacanho e charlatão que se aproveita da ingenuidade e sofrimento coletivos na terra vendendo lotes da salvação no Céu ao mesmo tempo que doutrina sub-repticiamente a aceitação dos sofrimentos terrenos, não podendo, contudo isso ser confundido com o direito humano de crença religiosa de boa-fé merecedora de respeitabilidade; 

A sociedade capitalista somente permanece viva, apesar da sua flagrante disfuncionalidade social, graças à inconsciência da maioria da população sobre suas mazelas, bem como pelo desconhecimento de que é possível se viver socialmente, e bem melhor, sem o Deus da modernidade: a forma-valor.  

Os que conhecem o teor da irracionalidade capitalista e dela se beneficiam desejam que ela permaneça socialmente imperceptível; os que deveriam ter interesse em sua superação, a desconhecem.  

Mas, apesar dessa inconsciência sobre si mesma e do caráter negativo contido no modo de produção social capitalista, há um fator conjuntural forçando o despertar da letargia coletiva suicida, a impossibilidade crescente de se viver socialmente sob as contradições inerentes e imanentes à forma-valor.  

A nós todos cabe promover o despertar da emancipação humana antes que seja tarde. (por Dalton Rosado)


Related Posts with Thumbnails