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terça-feira, 14 de abril de 2026

SERÁ O FIM DO IMPÉRIO ESTADUNIDENSE?

 “Uma civilização inteira morrerá hoje à noite”.
(Donald Trump, flertando com a barbárie)
Estamos presenciando se não o fim, pelo menos o declínio (perigoso, mas benfazejo) de um império. 

O que se viu nos últimos dias, com o presidente Donald Trump a ameaçar abertamente e sem o menor escrúpulo a extinção de uma civilização milenar como a iraniana, num país extenso e populoso (90 milhões de habitantes), bem demonstra o grau de retrocesso civilizatório causado por uma forma de relação social que se exaure pelos seus próprios fundamentos. 

Os Estados Unidos, país abençoado por recursos naturais existentes em grande extensão territorial, desde a sua ocupação por imigrantes europeus (como, de resto, ocorreu em todos os outros países das Américas), deu um mau exemplo aos autóctones com a implantação de uma civilização de rapinagem trazida por governos que escravizavam os servos do feudalismo. Estes apenas se submeteram como colonos à velha ordem institucional escravista europeia. 

A grande maioria dos colonos, de servos europeus passaram a ser donos de terras, e cedo trouxeram africanos escravizados em substituição aos autóctones que haviam sido dizimados por não se submeterem ao jugo dos invasores e suas culturas escravistas. 

Tratados como semi-humanos, os autóctones acabaram sendo em grande parte dizimados e expulsos das terras nas quais habitavam há milênios e, incorporados à nova ordem, foram sempre tratados com resquícios de racismo desumano. 
A história da humanidade em sua segunda natureza racional se pontua pela irracionalidade, ainda que se queira admitir uma evolução intelectual e científica capaz de prodígios. E Donald Trump é o exemplo mais eloquente de que há algo profundamente primário (e errado) no sentido de obsolescência no nosso modo de ser institucional e econômico.  

Somos, simultanea e coletivamente, vítimas e coautores inconscientes de nossa própria tragédia; mas está mais do que na hora de mudarmos nossa realidade, até porque talvez nunca as condições contextuais tenham sido tão propícias para tanto. 

Vivemos o impasse de fim de linha de uma lógica de relação social contraditória, segregacionista, escravista, socialmente destrutiva e autodestrutiva da forma, posto que a sua própria dinâmica se encarregou de expor a sua irracionalidade.  

Mas, infelizmente, os governos e suas tiranias insistem em manter de pé uma forma de relação social exaurida que clama por superação. Como disse o poeta, caberá à gente exausta a tarefa da emancipação humana, e nós nos juntamentos a esse sobrecarregado contingente humano emancipatório. Aproveitemos as condições materiais e subjetivas que se apresentam para o fazermos! 

Os últimos dias e acontecimentos nos forneceram elementos de análise que devem ser considerados. 

A guerra de escolha promovida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, com alta disparidade de forças bélicas (que afinal demonstraram não serem tão díspares assim, posto que Davi sempre encontra meios de retrucar a violência de Golias), demonstrou a dependência econômica que pode ser exposta por fatores da assimetria de efeitos colaterais econômicos mal dimensionados pelos agressores. 

Os Estados Unidos, por terem o maior PIB entre os países mundo afora e emitirem o dólar como moeda internacional, representam o centro nervoso de uma crise de fundamentos econômicos que lhe causa desespero por evidente esgotamento do seu poder de tração. Tal se expressa não só na queda de poder aquisitivo de sua população, mas, principalmente, pelo medo da perda da hegemonia internacional que exerce. É o exemplo mais claro do feitiço virando contra o feiticeiro. 

O fundamento da crise atual do modo de relação social que vem se aperfeiçoando e se ajustando ao longo dos séculos de modo desigual nos diversos cantos do Planeta, reside no fato de que a sua base de sustentação configurada na exploração do trabalho humano pela escravização direta e, posteriormente, pela escravização indireta do salário, perdeu função. 
A guerra concorrencial de mercado promoveu a mecanização da produção de mercadorias e agora no estágio de automação, com a substituição majoritária do trabalho abstrato (assalariado), único capaz de produzir valor econômico e extração de mais valia necessária para dar dinâmica à valorização do valor. É a morte da galinha dos ovos de ouro. 

A crise mundial do capitalismo em rota direta para o colapso se acelera com as guerras e guerrilhas (como no Iêmen), e isso ocorre por três motivos básicos: 
--a redução do fluxo de comércio mundial em face dos riscos de transporte de mercadorias dos navios mercantes (de valor muito maior do que as mercadorias que transportam), onerando custos de seguros dos fretes e de rotas alternativas mais distantes; 
--o petróleo continua sendo o insumo mais usado na produção e transporte de mercadorias e o seu aumento de preço implica o aumento de investimento em capital constante (máquinas, instalações e insumos) na relação com o capital variável (salários), com a consequência de reduzir a porcentagem de geração de mais valia e lucro sob o capital investido, já precarizada; 
--o aumento do já acentuado endividamento privado e público, por força dos investimentos em capital constante, sem que haja correspondente remuneração para pagamento dos juros dessas dívidas, aponta para o crash futuro de todo o sistema bancário que já vem demonstrando fissuras (como na crise do subprime). 

Esse é o leitmotiv da rendição do governo de Donald Trump diante do clamor mundial e perda de prestígio interno do seu governo, que recua sem ver saída para a nova realidade que se apresentou perante um governante bilionário e ególatra, cuja capacidade de percepção da nova realidade  é do tamanho do cérebro dos seus assessores energúmenos e imberbes a dizerem amém às suas sandices.  

O capitalismo é mesmo uma contradição em processo (Marx) e que agora se explicita como metástase num corpo cancerígeno.

Nunca estivemos tão próximos da virada emancipatória da humanidade. (por Dalton Rosado)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

TERRA ARRASADA QUEM DEIXOU PRA TRÁS FOI O LEHMAN BROTHERS. AS FRAUDES DO BANCO MASTER NÃO CHEGAM NEM PERTO.

Tudo que você conhecia sobre a decadência do capitalismo e a podridão do mercado financeiro é superado  em O dia antes do fim (Margin Call, dir. J. C. Chandor, 2011). 

Trata-se de um filme que, sem chamar o vilão pelo nome, mostra como o banco de investimentos Lehman Brothers agiu em setembro de 2018, quando, movido pela ganância, maximizou uma crise anunciada a tal ponto que ela quase acabou sendo o estopim de uma nova Grande Depressão (a qual, ao que tudo indica, foi apenas adiada e está cada vez mais próxima).

Não é um documentário, mas sim um drama, focado na reação dos dirigentes e corretores a partir da materialização do seu pior pesadelo. 

Não demora muito para o espectador ficar sabendo que, entre o fim do expediente num dia e o início no outro, a empresa definiu sua linha de atuação e vai preparar-se para levá-la à prática, face à constatação de que o mercado logo saberá que seus títulos são podres  e o colapso é questão de horas.

Depois da má notícia, os corretores recebem a proposta indecente: a companhia espera que eles vendam o máximo  desses papéis antes que a notícia se espalhe.
.
Os que aceitarem queimar-se em definitivo na profissão, receberão uma vultosa gratificação para irem mantendo seu alto padrão de vida enquanto se reciclam e buscam novas oportunidades. 

A reação deles é previsível: fazem das tripas coração para salvarem-se do naufrágio. O que mais se poderia esperar dos participantes conscientes daquele esquema de negociatas que lhes rendia rendia comissões e bônus magníficos?

Depois, nos papos entre os mandachuvas, percebemos que estes têm a exata noção do tsunami que suas manobras (ilegais) causarão no mercado, mas não estão nem aí; querem é salvar o máximo de grana que puderem antes da decretação da falência.

A excelência do filme se deve, entre outros méritos, a não pretender dar uma aula sobre subprimes e como se transformaram numa arapuca para os investidores, mas sim confrontar as várias reações das pessoas que, vendo uma fase de sua existência chegar ao fim, agem da pior maneira possível, na linha do f...-se o mundo, eu não me chamo Raimundo(por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

IMAGINE UM DONALD TRUMP DECIDINDO QUEM SOBREVIVE E QUEM MORRE

dalton rosado
A DESESPERANÇA
"...em meio a essa imensa confusão, apenas uma coisa
é clara: estamos esperando a vinda de
Godot" (Samuel Beckett) 
Reina um niilismo passivo diante do fracasso dos ordenamentos políticos.

É uma constatação que se impõe, ainda mais se levarmos em conta o descompasso com o enorme ganho do saber adquirido pela humanidade ao longo do lento processo de apreensão do dito cujo e que, aos poucos,  ganhou celeridade nos últimos 50 anos. Isto se deu, com velocidade extrema, a partir do advento da microeletrônica/cibernética e seu uso em todos os aspectos da vida social.

Certamente que a política, enquanto esfera de apoio jurídico-constitucional de uma ordem econômica escravista estabelecida como forma de relação social funcional a partir de uma lógica contraditória e, portanto, ilógica, tornou-se disfuncional em face dos parâmetros modernos de produção social que lhe são antagônicos.

O trabalho abstrato, fundamento da escravização indireta pelo salário e correspondente extração de mais-valia (que é a base primária de uma economia fundada na forma-valor e que se reproduz cumulativamente, segregando os próprios trabalhadores a partir desse fundamento), tornou-se disfuncional, substituído que está sendo em maior parte pela máquina. 

Como consequência, o edifício da ordem jurídico-constitucional desaba juntamente com a razão de ser de sua existência: o apoio jurídico-constitucional ao capitalismo.    

A política tornou-se disfuncional por invalidez; tornou-se inativa como serva obediente sem soberania de vontade que sempre decidiu em favor do capital porque, com o advento da máquina (trabalho morto), em substituição majoritária do trabalho abstrato (trabalho vivo, assalariado), é o próprio capitalismo que sofre de anemia profunda por esvair-se o sangue que lhe mantem vivo. 

Ou seja, vive o momento da impossibilidade de reprodução aumentada do valor nos níveis necessários por seus próprios fundamentos; assim, a política ficou órfã impotente com a doença terminal do seu amo, o capital.

Este é o ponto fulcral da desesperança, ou niilismo passivo: a espera de um Godot que está morto, qual seja a política.

Como estamos todos acostumados a buscar respostas na institucionalidade política (incapaz de nos oferecer tais respostas), reina a desesperança, que se traduz num niilismo passivo.

Vivemos sob uma forma de relação social destrutiva daquilo que se pode considerar como saudável, seja do ponto de vista da materialização do provimento equânime das necessidades de consumo e demandas sociais básicas, seja do ponto de vista da afirmação das virtudes humanas como tais, ou seja ainda pela questão ecológica.

Além disso, o estágio atual das contradições capitalistas aponta para a destrutibilidade da sua própria forma, traduzida na criação de entraves que impedem a consecução do seu objetivo teleológico: a autorreprodução vazia de sentido humano do capital expresso no dinheiro e das mercadorias sensíveis cujo valor de troca se expressa no tempo-valor.

Ora, com a mecanização preponderante na produção de mercadorias, extingue-se substancialmente o critério de mensuração de trocas destas na guerra concorrencial de mercado de modo a que apenas aqueles grandes conglomerados capitalistas detentores de capacidade de investimento em capital constante em grandes volumes poderão produzir.

É evidente, portanto, que para a sobrevivência desse sistema de verticalização do poder sob critérios de produção controlados pela máquina e seus proprietários, já não será o valor abstrato o critério de mensuração da riqueza, mas a força absolutista político-militar a fornecer um voucher sobrevivência como recentemente propôs Elon Musk. 

Imagine um Donald Trump decidindo quem come e como se obter o alimento? Quem manda e quem obedece?  Quem vive (ou sobrevive) e quem morre?  

É preciso compreender que a máquina e o saber que a criou representam a transição de um modo de produção baseado na força muscular humana para um modo de produção mais confortável e produtivo alterando substancialmente o caráter da sociedade para pior ou para melhor, dependendo do nível de consciência e unidade que os segmentos majoritários da população possam ter sobre seus próprios destinos.

O claro crescimento da direita nos processos eletivos mundo afora, com o surgimento de partidos flagrantemente defensores dos famigerados postulados nazistas deriva da falta de uma proposição de relação social que negue o capitalismo na sua raiz constitutiva: o valor e a dissociação de gênero.

Não há democracia (se se quiser emprestar ao termo uma conotação de livre exercício da soberania da vontade) sob o capital, e não é votando que se rompe com a mesmice, posto que as eleições burguesas mais não são do que um canal de positivação de uma estrutura política de positivação do capital e que somente leva ao descrédito das massas eleitoras diante do fracasso da tentativa bem-intencionada de humanização do capital pelos partidos ditos progressistas.

Então, por que se insistir numa forma jurídico-constitucional-eletiva que comprovadamente é incapaz de prover as demandas sociais de modo equilibrado e aperfeiçoado, e que se deteriora a olhos vistos?

Neste ano de 2026 temos eleições e vai se repetir a polarização entre a direita (que possivelmente virá com uma tentativa de revestir o lobo na pele de um cordeiro) e a social-democracia trabalhista lulista (cujo conteúdo reformista e conciliador propõe a retomada de crescimento econômico, ou seja, mais capitalismo, como forma de crescimento do bolo que possibilite a distribuição de algumas fatias, como queria Delfim Netto nos anos 60).

Mas há alternativa a isso, e passa pela compreensão de que um novo modo de produção requer um novo caráter de sociedade. Podemos conjecturá-la? (por Dalton Rosado)
"Só sinto frio na alma, estou vazio de sentimento.
Não sinto água no corpo, nem amor, nem ferimento"

sábado, 31 de janeiro de 2026

NINGUÉM ESTAVA OLHANDO, ENTÃO OS POLÍTICOS DO BRASIL E OUTROS PAÍSES TOSQUIARAM OS CONTRIBUINTES.

Ken Griffin discorreu sobre os riscos que o Brasil corre

Um assunto frequente nos artigos do Dalton Rosado é o de que o capitalismo agoniza, cada vez se aproximando mais  de um novo crash como o de 1929, que causou uma década de crise aguda nas principais economias do mundo, começando pela estadunidense .

É a mesma avaliação do Alexandre Borges em seu artigo deste sábado (31) na Folha de S. Paulo, no qual sustenta que a disparada da dívida pública é uma bomba relógio da qual ninguém fala, prestes a explodir nos EUA, França, Reino Unido, Japão e Brasil. 

Como se trata de um texto muito longo para as características deste blog, vou reproduzir apenas os trechos  de maior interesse para nós, brasileiros. (CL)

Em Davos, Ken Griffin, fundador e CEO da Citadel, levou o debate para um ponto pouco frequente no Fórum Econômico Mundial: a deterioração fiscal das grandes economias e o retorno da pressão dos mercados de dívida sobre governos. assunto árido, mas que representa um risco sistêmico, o mais urgente de todos.

Os dados mostram uma deterioração fiscal disseminada nas principais economias mundiais. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o déficit fiscal médio das economias avançadas passou de cerca de 3,3% do PIB em 2019 para mais de 5% em 2024...

...Nas (nações) emergentes, o Brasil aparece como um dos casos mais graves. O país encerrou 2024 com déficit nominal próximo de 8% do PIB, um dos maiores do mundo, segundo estimativas de bancos e organismos multilaterais. 

Em 2025, as projeções apontam déficit entre 8% e 8,6% do PIB, superado apenas por poucas nações em situação fiscal extrema. A dívida bruta brasileira saiu de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 79% no fim de 2025, segundo o Banco Central. 

Para efeito de comparação, a média da dívida dos emergentes passa dos 60% do PIB, e a de países com classificação de risco semelhante ao do Brasil fica abaixo de 55%.

O histórico recente do país reforça o alerta. Entre 2012 e 2015, o resultado primário do governo saiu de superávit de 2,4% do PIB para déficit de 1,9%. O déficit nominal ultrapassou 10% do PIB. A dívida bruta saltou de 51,5% para 66,5% do PIB. 

No mesmo período, a inflação atingiu 10,7%, o desemprego subiu de 6,5% para mais de 11% e o PIB acumulou retração próxima de 7% em dois anos. O país perdeu o grau de investimento...

...Num mundo em que todas as discussões racionais e relevantes foram eclipsadas por pautas elitistas, alienadas, emotivas ou identitárias, a política percebeu que ninguém estava olhando e meteu a mão no cofre do contribuinte. Os efeitos estão apenas começando, e os riscos não poderiam ser maiores. (Alexandre Borges é jornalista e analista político) 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A SOBREVIDA DO CAPITALISMO PARECE A DOS ZUMBIS DA FICÇÃO: FALTA-LHE VIDA, MAS NÃO SE CONFORMA COM A MORTE.

dalton rosado 
A CONJUNTURA POLÍTICO-ECONÔMICA MUNDIAL 
"As máquinas e robôs da Inteligência Artificial farão mais 
e melhor as coisas que o homem pode fazer...  Vamos
instituir uma renda básica universal para suprir 
a capacidade de consumo" (Elon Musc)
Nos últimos 200 anos, o mundo conviveu com a repetição cíclica de crises do capitalismo e com guerras civis e a busca de hegemonia de países contra países. A conclusão é clara: o capitalismo é genocida.      

Agora, quando a depressão econômica mundial se expressa na queda acentuada da curva de crescimento do PIB mundial simultaneamente ao aumento da dívida privada e pública, numa rota de acelerada de colisão rumo ao colapso, com ele vem a desagregação política de uma ordem criada para servir ao Deus Valor, que se autodestrói pelos próprios fundamentos.

Assim, a disfuncionalidade social da metafísica do capital gera a inconciliável briga por um espólio falido pela via política que é incapaz de compreender e aceitar que a lógica do capital chegou ao fim da linha, com os governos e seus governantes ególatras querendo continuar o féretro de um defunto que insiste em não ser sepultado. 

Há coisa mais ridiculamente narcisista, mas belicamente perigosa, do que a reencarnação do lebensraum nazista pelo TrumPIRATA do Caribe querendo ser dono do mundo? 

Na esteira da megalomania político-econômica de bilionários na política se pode aceitar que eles instituam um voucher de sobrevivência por eles controlado, como propôs Elon Musk?!

Por outro lado, diante da clara decadência do capitalismo estadunidense ora em curso, que se soma à decadência das nações da União Europeia, acirra-se a disputa pela hegemonia capitalista, por parte dos países que se aglutinam como força de produção de mercadorias a partir da junção de multinacionais que se deslocam dos países de origem em busca de mão-de-obra barata.

Trata-se de um endividamento crescente para fazer face à exigência de capital constante (equipamentos, instalações, energia, pesquisa, etc.) e subsídios fiscais. Tal deslocamento da produção de mercadorias se soma ao fenômeno da Inteligência Artificial, ao permitir que máquinas simulem habilidades humanas nos vários campos da vida social.

Com isto o trabalho abstrato se torna cada vez mais prescindível, em maior parte na produção de mercadorias, gerando novos nichos de receita para os países detentores dessa tecnológica microeletrônica/cibernética, mas que, paradoxalmente, implode toda a lógica de produção do valor, ou seja, torna inviável a relação social capitalista pela redução da massa global de valor.

Sem produção de valor nos níveis necessários para a irrigação funcional da mediação pelo dinheiro como valor válido (ou seja, advindo da produção de mercadorias), todo o organismo capitalista morre de inanição.
 
O dinheiro, que deveria ser a expressão monetária do valor, agora é em grande parte dele desconectado: vive sob emissão de moeda sem lastro, oficial mas falsa, gerando inflação. Tal fenômeno ora assola o mundo inteiro.

Sendo ele a mercadoria das mercadorias e a única sem valor de uso intrínseco (não passa de uma abstração meramente numérica no mais alto grau de sua metafisica funcional), o dinheiro, quando desconectado do valor, corresponde ao recurso suicida de uma ordem econômica que roda em falso, como ora ocorre.

É sob esse contexto de depressão capitalista que a guerra comercial perde espaço para a força militar altamente desenvolvida sob um comando político de governos que manipulam a insatisfação popular, inconsciente do que está por trás da perda coletiva da qualidade de vida pela maior parte da população.

O crescimento eleitoral da direita no mundo atual se escuda numa mentira de salvação, tal como cresceu Hitler diante da penúria da Alemanha no final da década de 1920 e ao longo dos anos 30, com a enganosa cantilena nacionalista e racista de retomada alemã do progresso e prosperidade.  

Enquanto isto vivemos o aquecimento global gerado pela emissão na atmosfera dos combustíveis fósseis, com o petróleo ainda disputado a tapa e novas extrações sendo liberadas como fonte de sustentação econômica.    
      
A irracionalidade da permanência do uso dos combustíveis fósseis se prende advém de haver uma enorme gama de atividades econômicas ligadas à produção e comercio dos combustíveis na era do desemprego estrutural, tornando-se uma exigência suicida do sistema produtor de mercadorias; tudo converge a uma fuga para a frente, como se fôssemos uma manada que segue veloz para o precipício.   

Há, portanto, uma cegueira quanto à identificação social da causa dos problemas e, mais ainda, da solução dele.

A causa fundamental dos problemas sociais reside no sistema produtor de mercadorias que entrou numa espiral de contradições que revelam a sua ilogia diante do avanço do saber tecnológico aplicado ao próprio sistema e por ele provocado paradoxalmente; e com ele, a queda da máscara de caráter democrático da política.

Ora, por que não se quer identificar a causa do problema e se intensifica a prática dessa mesma causa como solução?

Por que não se pode produzir bens de consumo e serviços apenas pelo seu valor de uso que satisfaça as necessidades humanas e sociais, superando-se o famigerado valor de troca, substrato oportunista de uma relação social escravista?

Em sua maioria, os economistas (principalmente os burgueses) só apontam saídas ineficazes, ignorando os números macroeconômicos, sem falar que precisam eles mesmos criticar a ciência da qual e na qual são profissionais? 

Tais números estão a demonstrar a correção dos prognósticos de Karl Marx em sua crítica da economia política, na qual demonstrou cientificamente a marcha para o que hoje está a ocorrer.

Nada se faz nesse sentido, justamente porque a negação do valor de troca desnudaria toda a engrenagem da dominação política que está posta a seu serviço.   

As populações empobrecidas do mundo, cuja grande rebelião ora atinge pincipalmente a juventude que chega à idade adulta esbarrando no desemprego estrutural, precisam tomar consciência de que nunca foi tão factível se prover as necessidades de consumo.

Bastaria aliar-se o uso das máquinas ao conhecimento adquirido pela humanidade nos vários campos do saber que promove níveis de produtividade jamais imaginados. Como? Destravando-se da vida social o famigerado critério da viabilidade econômica, que impõe a todo o fazer uma paralisia inaceitável.

Antes de nos armarmos para a guerra, por que não nos desarmarmos para a paz, diferentemente do que propõe o entusiasta digno do Prêmio Nobel da Guerra, sentado na cadeira presidencial dos EUA como se fosse chefe de gang de bullying de escola primária?

Viva Karl Marx e sua crítica da mercadoria, contida no livro O Capital, praticamente um resumo de tudo o que escreveu (por Dalton Rosado)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

GRAVE ADVERTÊNCIA: AS BLITZKRIEGS DO TRUMP TÊM COMO OBJETIVO FINAL A ECLOSÃO DE UMA NOVA GUERRA MUNDIAL

dalton rosado 
DE QUE DEMOCRACIA TRATAMOS?
"A dívida pública e privada pode desencadear 
uma crise mundial: em 2026 ainda vai dar
pra segurar, mas depois disso vai ser 
difícil..." (José Kobori, economista)
As eleições de 2026 já mobilizam partidos políticos de todos os espectros ideológicos mas com a mesma proposta, a de administrar as finanças públicas para o cargo executivo da União, Estados e escolha de parlamentares para os cargos legislativos.

Só há uma certeza: qualquer que seja o resultado da eleição e perfil ideológico do vencedor eleito para o cargo executivo da União Federal, ele vai administrar a falência estatal e tentar minimizá-la diante da crise do capitalismo internacional e seus reflexos no capitalismo nacional.

Quanto ao parlamento, de maioria conservadora desde o Império, sempre ligada ao capital e elites retrógradas, e agora piorada com a infiltração de parlamentares ligados ao crime organizado, as leis propostas e votadas convergirão para medidas suicidas tomadas em nome da salvação do capitalismo, como é o caso da recente lei da devastação, que levará à prática e descriminalização dos crimes ambientais.

O coro dos contentes eleitorais de ambos os lados, aferrados aos interesses particulares de cada vertente ideológica, é indiferente à realidade catastrófica que se avizinha no mundo econômico mas que  desconhecem, seja porque consideram assunto para economista resolver, ou seja porque a institucionalidade estatal e suas finanças advindas dos impostos arrecadados das atividades mercantis, capitalistas, devem ser preservadas, posto são elas que financiam suas vidas públicas,
As eleições representam para o povo o momento da barganha que se opera em vários níveis de influência, que como diz a poesia:
ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão

A eleição, portanto, é tida como exercício democrático da vontade popular e agrada a todos que consideram ruim apenas a ditadura que concentra ainda mais o poder, e sem barganha. De fato, a ditadura é o pior dos mundos, porque ela se soma à ditadura do capital formando um conjunto de poder absolutista insuportável, mas sua rejeição não isenta os pecados do mundo burguês dito democrático.

Considera-se que ruim com a democracia burguesa, pior sem ela e por medo do péssimo, se aceita o ruim que se conhece e no qual se pode ter um discurso politicamente correto.

Mas o coro dos contentes tem um problema: o capitalismo.

falência do capitalismo por seus próprios fundamentos, apesar de todos os bem-intencionados humanistas quererem civilizá-lo e humanizá-lo, contraria o comodismo pequeno burguês e coloca os conformistas e reformistas numa sinuca de bico. 

São poucos os economistas que admitem o fim da linha do capitalismo; em geral eles sempre encontram soluções dentro da imanência capitalista como se as crises decorressem de má administração e desvios irresponsáveis e nunca das contradições em processo que agora atingem um patamar de dimensão gigantesca sendo impossível de solucionar o problema sob os parâmetros da forma-valor.   

Entrevistado por um site que se pretende independente, o economista e professor de Finanças José Kobori, sobre quem não há a mais remota suspeita de facciosismo de esquerda, pela primeira vez ouvi alguém do campo capitalista admitir a falência dessa forma de relação social que nos últimos 200 anos tomou forma política a lhe dar contornos de sustentação.

Na entrevista ele demonstra alguns dos números macroeconômicos que evidenciam a rota falimentar do capitalismo, tais como o fim da complementaridade econômica entre Estados Unidos e Japão.
Cara de um, focinho de outro.
Como consequência de seus dados econômicos terem credibilidade, o
 Japão se tornou um país receptáculo mundial de capitais há décadas. Recebia investimentos a juros negativos e comprava títulos dos Estados Unidos, ganhando spread (diferença de ganho financeiro) em tais operação de crédito.

Com isso passou a ser uma referência mundial financeira e detentor de grandes somas dos títulos do Estados Unidos; mas a lua-de-mel chegou ao fim. O Japão passou a ter inflação alta para os seus padrões, de 2,9% ao ano e redução da renda per capita para 1,9% aa. 

Com a inflação dos EUA em alta, passou a se livrar dos títulos daquele país, causando um desequilíbrio na questão da liquidez da dívida pública trilionária, e este é apenas um sintoma de um conjunto de fatores explosivos da questão estrutural referente à incapacidade de solvência da dívida pública e privada no sistema financeiro bancário mundial.

O PIB dos Estados Unidos mal se sustentou no  ano passado, assim mesmo em níveis baixos, por conta das big techs e seus negócios na área da Inteligência Artificial, que representaram cerca de 92% do PIB positivo. 

Ou seja, retirando-se os ganhos das big techs, o PIB estadunidense se reduziria a 0,10%, simultaneamente ao crescimento de sua dívida anual em uns U$ 2 trilhões, que já é de cerca de 130% do PIB, o maior do mundo enquanto país; um descompasso que cada vez mais torna visível o descrédito do dólar como moeda internacional e da própria força do capital dos EUA.
EUA e Japão lutam batalha perdida no front econômico

Afirma Kobori que a valorização e lucros das big techs são ambos irracionais e insustentáveis, tendendo a desaparecer com a concorrência de outras big techs, principalmente da China. 

Isto vai acarretar o estouro de uma nova bolha de enorme dimensão. Ele prenuncia que a crise de agora será maior ainda do que a de crise imobiliária 1929/1930 sem que o Estado tenha capacidade de suprir a crise de liquidez a partir da intervenção estatal.

A supervalorização de ativos como ações das bolsas, cujas relações de preços com a capacidade real de geração de lucros do capital de giro das empresas e endividamento destas, tornam irracional e artificial a corrida de valorização fruto da lei da oferta e da procura.

Trata-se, portanto, uma fuga para a frente, evidenciando a falta de consistência desse movimento. Um exemplo disto é o lucro piramidal das criptomoedas num Esquema Ponzi sem sustentação e que levará muita gente à bancarrota na hora da verdade.

Por fim, ele denuncia que os EUA, sob a tutela de Trump e de seus assessores mais influentes (alguns bem ideológicos e conscientes do que querem), flertam com a ideia de guerra mundial, entendendo que o seu maior e mais seguro ativo é o poderio militar que pretendem usar para subjugar a ordem capitalista mundial, dobrando a aposta ao invés de tentar a superação do capitalismo.

Porta-aviões nuclear dos EUA: pirataria se modernizou
Entretanto, o bom analista José Kobori não diz como seria a superação do capitalismo fora da guerra, e eu complemento a sua boa análise anatômica, mas imanente, dizendo que só há uma saída: a superação do sistema produtor de mercadorias. 

Sob uma  nova forma de relação social abrir-se-ão as portas do progresso solidário sem as amarras do critério da famigerada viabilidade econômica, segundo o qual somente se faz aquilo que gera lucros.

Evitemos a guerra fratricida mundial e salvemos a humanidade do assassino denominado capitalismo. (por Dalton Rosado)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

DUAS OU TRÊS COISAS A SE PONDERAR SOBRE A FORMAÇÃO DO CINTURÃO CONSERVADOR NO CONE SUL

"Alguma coisa está
fora da ordem, fora
da nova ordem mundial"
dalton rosado
 
A DEGENERAÇÃO OSTENSIVA DO CAPITAL
O capitalismo, desde o início, tem se caracterizado pela beligerância genocida. Em nenhuma quadra da história se mataram tantos seres humanos quanto nos últimos 200 anos da república capitalista. 

Mal tinha sido derrubada a monarquia francesa, eis que surge Napoleão Bonaparte com suas chamadas campanhas militares de conquistas (1804 a 1815).

O século 19 foi marcado por ebulições próprias ao desenvolvimento do mercantilismo da revolução industrial inglesa, como o surgimento da energia a vapor que transformava energia térmica em energia mecânica impulsionando máquinas, o transporte ferroviário, equipamentos industriais e gerando eletricidade. 

A queima do carvão ou da lenha representou o embrião e despertar da revolução tecnológica que viria a seguir, e com ela o desejo de hegemonia econômica e política tanto no continente europeu como na América estadunidense, inclusive com as duas grandes guerras mundiais nas quais morreram cerca de 3% de toda a população do planeta. 

A trajetória de implantação do capitalismo mercantilista tem, portanto, um rastro de sangue. O capital é assassino e a democracia burguesa, uma farsa representativa que ora demonstra toda a sua incongruência política, simultaneamente à derrocada dos seus fundamentos econômicos decadentes. 

Como se admitir que o povo dos Estados Unidos eleja um Donald Trump, notório golpista político patrono dos atentados ao Capitólio em 2021 contra a posse de Joe Biden no qual morreram manifestantes e militares, além de ser um criminoso condenado por crimes sexuais e de sonegação, senão pelo prevalecimento fr mecanismos estranhos à livre manifestação da vontade popular?

O resultado da influência do poder econômico na eleição de políticos de direita revela que, na democracia burguesa, os eleitores estão presos a um processo suicida de manipulação da vontade e convergem para o abatedouro tal como gado no corredor de abate, inconscientes e sem alternativas; escolhem dentre o que já foi previamente escolhido pelo capital. 

Agora o Chile e a Bolívia acabam de eleger governantes de direita que se somam ao Javier Milei da Argentina, formando um cinturão conservador no cone Sul das Américas, numa demonstração clara de um movimento pendular eleitoral entre direita e esquerda fruto da insatisfação popular que não se apercebe de que ambos os  projetos representam apenas variações políticas que atuam sob uma mesma base de exploração social: o capitalismo.

A trajetória de implantação do capitalismo mercantilista, que moldou uma forma política que lhe é imanente, tem um rastro de sangue. 

O capital é assassino e a democracia burguesa uma farsa representativa que ora demonstra toda a sua incongruência política pari passu à derrocada dos seus fundamentos econômicos decadentes. 

Como se admitir que o povo dos Estados Unidos eleja um Donald Trump, notório golpista político patrono dos atentados ao Capitólio em 06 de janeiro de 2021 contra a eleição e posse de Joe Biden no qual morreram manifestantes e militares, além de ser um criminoso condenado por crimes sexuais e de sonegação, senão pela manipulação da vontade eleitoral por mecanismos estranhos à legítima e livre manifestação da vontade popular?
O resultado da influência do poder econômico na eleição de políticos de direita revela que na democracia burguesa os eleitores estão presos a um processo suicida de manipulação da vontade e convergem para o abatedouro tal como gado no corredor de abate, inconscientes e sem alternativas; escolhem dentre o que já foi previamente escolhido pelo capital. 

Agora o Chile e a Bolívia acabam de eleger governantes de direita que se somam ao Javier Milei da Argentina, formando um cinturão conservador no cone Sul das Américas, numa demonstração clara de um movimento pendular eleitoral entre direita e esquerda. 

Tal movimento é fruto da insatisfação popular que não se apercebe de que ambos os projetos representam apenas variações políticas que atuam sob uma mesma base de exploração social: o capitalismo.

A inconsciência social popular sobre si mesma atua como se se considerasse coletivamente que o capitalismo e suas relações de exploração e ordem política fosse algo tão natural como se beber água e se alimentar diariamente. 

A inconsciência coletiva corresponde a um torpor ensandecido, senão vejamos: 
* elege-se Jair Bolsonaro, o terrorista planejador do atentado à represa do Guandu no Rio de Janeiro, causa de seu afastamento do Exército quando ainda era tenente e declarado defensor de torturadores e assassinos como o coronel Brilhante Ustra e apologista do arbítrio político de exceção;
* elegem-se tipos como Donald Trump, um genocida que quer receber o título Nobel da Paz Mundial, apesar de matar pessoas em barcos indefesos atingidos por poderosas bombas em nome de uma presunção não comprovada de que se trata de narcotraficantes;
*
mantém-se na Presidência o delinquente dos Estados Unidos que não apenas nega o aquecimento global causado pelo consumo de combustíveis fósseis que tem os Estados Unidos V(e a China) como maiores emissores do gás carbônico na atmosfera pelo seu uso, como quer tomar na marra o petróleo venezuelano, fonte de riqueza daquele país numa ordem capitalista que não consegue equacionar o problema do ecocídio causado pela produção, consumo e venda dessa fonte energética predadora da vida;
* aceita-se que um país invada o outro por terra e lance bombas contra civis inocentes como faz o ex-agente da KGB Vladimir Putin, na agressão assassina da população civil da Ucrânia;
*aceita-se o genocídio em Gaza de mulheres, idosos e crianças, praticado pelo governo sionista de Israel;
* gasta-se mais dinheiro em armamentos do que no combate à fome que aumenta, apesar do desenvolvimento científico das técnicas agrárias;
* aceita-se o pagamento extorsivo dos juros da dívida pública em detrimento do provimento de demandas sociais básicas;
* aceita-se que se dê cerca de R$ 5 bilhões para o financiamento de partidos políticos em suas campanhas eleitorais e se esquece da permanente influência do poder econômico do processo eleitoral;
* naturaliza-se a existência de máfias do crime organizado em permanente competição como  o crime do colarinho branco numa disputa que enoja o cidadão comum explorado, ambos infiltrados no aparelho de estado parlamentar, esferas executivas e no judiciário;
* campeiam soltos e com exemplos, e a cada dia pululando, mais volumosos e impunes no noticiário criminal, os crimes de corrupção com o dinheiro público
O retrato da barbárie social parcialmente aqui citado (há muitas outras) tem uma causa: o capitalismo e sua degeneração econômica e política; superá-lo é a palavra de ordem inadiável. 

Como fazê-lo? Isso somente é possível com a introdução de um novo modo de produção social capaz de negar todas as incongruências do sistema produtor de mercadorias e que viabilize uma ordem jurídico-constitucional que lhe seja correspondente. 

Repetir esse desfecho e formular apelo à conscientização do mal e na necessidade de sua superação como um mantra deve servir de incômodo como uma pedra no sapato de um caminhante que errou o caminho. (por Dalton Rosado)
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