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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

SÓ INGÊNUOS DUVIDAVAM DE QUE O LULA PERMANECERIA EM CIMA DO MURO

O Lula queria liderar a América do Sul, mas
a agressão à Venezuela o colocou no seu lugar
C
onfirmando minha previsão de que o Lula permaneceria em cima do muro diante do sequestro de Maduro, fontes palacianas informam que sua postura deverá ser a de apenas pregar genericamente a importância da soberania do Brasil e da América do Sul, deixando o ex-aliado entregue às urtigas. 

Já foi nesta linha o pronunciamento do Itamaraty no Conselho de Segurança da ONU: ao invés de um rugido, um miado. 

Depois da porta arrombada, declara que os EUA não têm autonomia para invadir um país e depor seu presidente sem anuência internacional. 

Faz lembrar quando Inglaterra e França permitiram que Hitler invadisse a Áustria e partes da Checoslováquia, só declarando guerra à Alemanha quando esta anexou a Polônia. 

Daquela vez foi com um vergonhoso atraso de um ano e meio de atraso que ambas reagiram à altura. Desta vez, quanto tempo demorará? 

Se depender do Lula, uma eternidade. (por Celso Lungaretti)

sábado, 19 de julho de 2025

ESTAMOS SOB UMA OFENSIVA RADICAL DA EXTREMA DIREITA GLOBALIZADA, SEU ARSENAL E SEUS 'CAPACHOS'

jamil chade
O BRASIL ESTÁ SOB ATAQUE
O governo dos EUA, com sua base de extrema direita e aliado ao movimento ultraconservador no mundo, decidiu que causar uma profunda instabilidade política no Brasil é uma prioridade estratégica.

Não implementou tarifas. Mas sanções.

Não aplicou vetos individuais contra juízes. Fez um ataque às instituições de um país.

O governo brasileiro já sinalizou que não negocia sua soberania. Mas reconhecer a gravidade dos atos é necessário, inclusive para que haja uma compreensão de quem está de que lado nessa história.

Por anos, a extrema direita mundial construiu e costurou uma aliança com o objetivo de chegar ao poder pelo mundo. A meta é a de desconstruir a ordem internacional, os parâmetros civilizatório e, em seu lugar, erguer um mundo à sua imagem e semelhança.

Ganharam, na posse de Donald Trump, a arma que precisavam. A Casa Branca passou a desvirtuar leis nacionais para usar contra estrangeiros, assumiu e repetiu narrativas mentirosas e acolheu os movimentos ultranacionalistas que flertam com o neofascismo.

O Brasil passou a ser o campo de provas dessa ofensiva pelo desmonte de um mundo que, para esses grupos, é um obstáculo. Não se trata aqui de defender ou não Lula. De simpatizar ou não com Alexandre de Moraes.

O que está em jogo é a capacidade de a jovem democracia do país sobreviver a um ataque externo e que conta com a ajuda de seus capachos "patriotas".

Merecidos carnavais de rua que começaram pontualmente às 19 horas de ontem ecoam ainda, com seus confetes e ressacas. Mas a encruzilhada continua posta.

Reduzir o desafio que o Brasil enfrenta hoje como uma questão tarifária é uma ilusão. Imaginar que memes vão ser suficientes é ingênuo.

Hoje, o país está sob ataque. O teste é ambicioso: descobrir se uma democracia da dimensão de um país de 200 milhões de pessoas resiste à ofensiva radical da extrema direita globalizada e seu arsenal. (por Jamil Chadejornalista brasileiro radicado na Suíça, autor do livro "O mundo não é plano")

segunda-feira, 14 de abril de 2025

DEMAGOGIA ANTES DA CIRURGIA ATESTA QUE CINISMO DO BOLSONARO É ILIMITADO

Jair Bolsonaro jamais demonstrou a menor compaixão pelas centenas de milhares de brasileiros vitimados por sua  alucinada sabotagem à vacinação contra a covid. 

Pelo contrário, até acreditava estar sendo engraçado ao imitar a agonia dos que morriam tentando desesperadamente respirar. 

Agora, ele cometeu a pior demagogia de sua carreira, ao misturar, numa mesma mensagem, a cirurgia pela qual passaria e a campanha que desenvolve para evitar a merecida prisão. 

Ele finge cinicamente estar preocupado com os transtornos que causou a seus seguidores, sujeitando-os à prisão enquanto se colocava a salvo na Disneylândia...

Se tivesse a mínima empatia com o sofrimento alheio, pediria em alto e bom som que fossem anistiados os golpistas ingênuos, mas não, nunca, jamais ele próprio, que passou o mandato presidencial inteiro conspirando para usurpar definitivamente o poder. 

O maior obstáculo à anistia ou redução das penas dos que não sabiam direito o que estavam fazendo é a possibilidade de isso vir a servir de cavalo de Tróia para os que sabiam muito bem quão criminosos eram os próprios atos.

Apesar de merecer o mesmo destino que tiveram congêneres seus como Hitler e Mussolini, a pena máxima que a Justiça brasileira poderá aplicar a Bolsonaro é de 30 anos de prisão. Para ele, isto seria lucro. 

Mesmo assim, faz uma descarada chantagem emocional e esperneia como um menininho que não quer tomar purgante. Que nojo! (por Celso Lungaretti) 

quinta-feira, 16 de maio de 2024

ESTE MENINO ESTÁ MORTO. QUANTO É QUE VALIA O SORRISO DELE?

O menino Miguel morreu em 2020, com cinco anos, ao cair do nono andar de um prédio de luxo no Recife.

Sua mãe trabalhava como doméstica no apartamento de luxo pertencente ao então prefeito de Tamandaré, PE. 

A esposa do grande homem, como consequência, também desfrutava de uma existência de luxo e não poderia ficar sem sua serviçal durante a pandemia de covid. 

A mãe do Miguel foi obrigada a trabalhar quando deveria estar a salvo em casa, cumprindo o lockdown obrigatório, 

E, como a escola do filho estava fechada porque, ela sim, o respeitava, teve de levar a criança para o emprego.

Estava passeando com o cachorro dos patrões quando Miguel, deixado aos cuidados da primeira dama, perdia o sorriso para sempre.

A vida do Miguel não tinha preço, mas aquele casal merecia despender uma enormidade como indenização, o que decerto lhe doeria muito mais do que o apagar do brilho de um olhar infantil e o desvanecer de um sorriso inocente (o figurão que se cercava de tanto luxo chegava ao cúmulo de colocar o salário da empregada na conta da sua prefeitura!). 

A Justiça primeiramente resolveu que mãe e avó deveriam receber um total de R$ 2 milhões. 

Agora o Tribunal Regional do Trabalho decidiu que era demais para quem valia tão pouco e estipulou uma indenização de apenas R$ 500 mil para cada uma.

Só o sorriso do Miguel, para mim, faria jus a um mínimo de R$ 500 milhões. Mas, isto não sou eu quem determina. São eles, os que aplicam sem compaixão as regrinhas que sacramentam a desigualdade social.

A relatora do processo qualificou de excessivo o valor aplicado pelo juiz da 1ª instância:
"Deve-se considerar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como os parâmetros do art. 223-G da CLT, estabelecendo-se uma relação adequada entre a gravidade da lesão, o porte econômico dos empregadores, a condição pessoal das ofendidas e o valor da indenização imposta".
Vou parar por aqui, porque se teclar tudo que me vem à cabeça, acabarei me tornando eu o réu  dessa justiça canalha em seus fundamentos e procedimentos, segundo a qual o sorriso de uma doce criança é precificado partindo do critério de que quem produzira a mercadoria tinha baixo valor de mercado

E quanto valem os que vivem no luxo mas esperneiam na Justiça para aviltar o valor, não só material mas também simbólico, da vida inteira que foi roubada de um negrinho pobre? (por Celso Lungaretti)
Temos de soltar o grito preso na garganta, para não sufocarmos!
.
Alegações finais de advogado que trava batalha desigual contra o poder
econômico, após suas provas serem invalidadas por filigranas jurídicas.
Veja O Veredicto (d. Sidney Lumet, 1982) nos streamings Star e Prime 

sábado, 25 de novembro de 2023

MINISTRO DO SUPREMO ESCOLHIDO PELO LULA QUER TIRAR O PÃO DA BOCA DOS APOSENTADOS. É UMA CANALHICE!

Cristiano Zanin, advogado que Lula indicou para o Supremo Tribunal Federal por tê-lo representado bem em suas pendengas jurídicas do passado (e que, afora isto, fez carreira defendendo sobretudo os interesses empresariais), continua sendo um ministro do tipo que a direita adora.

Depois de votar contra a descriminalização da maconha, manter a condenação de dois coitadezas que roubaram bens avaliados em míseros 100 reais e posicionar-se contra a equiparação de LGBTQIA+ ao crime de injúria racial, entre outros votos ultrajantes, Zanin acaba de lixar-se para os aposentados que tentam receber o que lhes foi tungado no passado.

Ao colocar-se contra a revisão da vida toda do INSS, Zanin escancarou a incongruência do Lula ao escolhê-lo, mesmo não tendo, como jurista, um perfil à altura de tal investidura.

É simplesmente chocante um presidente ex-sindicalista ter alçado à mais alta corte do país quem não hesita em tentar frustrar uma decisão que repõe, tanto tempo depois, o prejuízo que um pacote econômico causou aos trabalhadores!!! 

Mas, o pior é que nada na trajetória  do Zanin fazia supor que ele agiria de forma diferente. A culpa por esse cavalo de Troia estar agora no STF recai, portanto, inteirinha sobre os ombros do Lula, que utilizou sua primeira indicação ao Supremo para reforçar a dupla reacionária indicada pelo Bozo. 

Aliás, bem vistas as coisas, os conservadores assumidos como o Zanin ao menos têm mais caráter do que os conservadores dissimulados que se fazem passar por esquerdistas como artifício para viabilizarem seus projetos pessoais de poder.  (por Celso Lungaretti)

sábado, 26 de novembro de 2022

O BOZO É BRINCALHÃO E GAIATO COMO UMA CRIANÇA OU APENAS CANALHA? OPINE

ruy castro
O COVARDE EM QUESTÃO
Acontece na guerra: o exército vencido bate em retirada e tenta se vingar do vitorioso deixando um rastro de destruição e morte. Mas, como bem sabem os militares, quem faz isto está sendo só covarde. 

Primeiro, porque é uma vingança a distância, a salvo, pelas costas, típica dos covardes. 

E também porque, ao plantar minas ao fugir, tocar fogo em cidades e florestas e envenenar rios e plantações, matarão muito mais inocentes, como crianças e animais, do que os experientes inimigos que pretendem atingir.

Jair Bolsonaro é o covarde em questão. Ao encontrar o que merecia nas urnas e ter data marcada para ir embora, está aproveitando os últimos dias no cargo para completar seus quatro anos de meticulosa demolição do país. 

Vide seu apoio mudo e tácito aos atos terroristas e às barricadas nas estradas. O histérico baderneiro que, há dias, impediu um pai de vencer a barreira para levar o filho a uma cirurgia que lhe garantiria a visão pode ter nome e sobrenome. 

O Bozo indo buscar proteção no colo do tio Temer, após
negar fogo na tentativa golpista de 7 de setembro de 2021
Mas este é só o pseudônimo do celerado. Seu verdadeiro nome é Jair Bolsonaro, e será a este que o pai deverá exigir satisfações se seu filho perder o olho.

Como ainda tem tinta na caneta, Bolsonaro tenta passar o resto da boiada, infiltrando os derradeiros pilantras de sua confiança em órgãos judiciais, cortando verbas essenciais e desmontando os já poucos serviços de proteção às florestas. 

Quem perde com isso é o Brasil, mas e daí? E seu silêncio fala alto quando, agora temendo processos de verdade, ele escala Walter Braga Netto e Valdemar Costa Neto para fazer o trabalho sujo.

Bolsonaro não tem a hombridade dos grandes generais que, ao perder a guerra, entregam sua espada ao vitorioso e saem de cabeça erguida –vencidos, mas não derrotados. Sua atitude é a de um moleque.

Moleque, segundo o Houaiss, pode ser tanto um sujeito brincalhão e gaiato quanto uma criança ou um canalha. Você escolhe. (por Ruy Castro)

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

CANALHA COMO SEMPRE, CAFAJESTE COMO NUNCA

"
Ele [Neymar] precisa decidir se ele vai ser jogador de seleção brasileira ou celebridade, se ele decidir ser jogador é um grande passo, agora, se ele decidir pintar o cabelo, se jogar no chão para chamar atenção igual ele fez em 2018, pular quando alguém encosta nele, não vai dar em nada
" (Casagrande, em sua coluna no UOL)
"Para variar, o crack Casagrande metendo o nariz onde não deve. Ele quer que a seleção brasileira vire pó. Isso não está cheirando nada bem. Que triste fim de carreira..." (post no Twitter que o Neymar curtiu) 
"...não me surpreende de forma alguma quando uma pessoa como Neymar curte um post com essas perversidades, preconceitos e grosserias. Ele já demonstrou diversas vezes ser uma pessoa que não tem a mínima preocupação com o próximo.
.
Nunca incentivou a vacinação. Apesar de ter muito dinheiro, não se mexeu para ajudar as pessoas de Manaus que, durante a pandemia, estavam morrendo por falta de oxigênio. Não gastou um centavo para comprar um tubo de oxigênio, como fez o Richarlison, p. ex.  Organizou festas em plena pandemia. .

Eu tenho Cristo no meu coração, e não é o mesmo que você diz ter, assim como o seu líder Jair Bolsonaro. Pessoas como vocês, preconceituosas, são absolutamente pobres de espírito. Não importa quanto dinheiro ou poder tenham. 
.
É por isso que te chamo de fake Ney. Você é um dos muitos covardes que publicaram fake news para enganar e manipular a sociedade brasileira. Você é um fake cidadão brasileiro"  (Casagrande, reduzindo Neymar a cocô do cavalo do bandido)

sábado, 16 de julho de 2022

O BOZO SUPÕE SER DEUS E DIZ QUE SÓ QUEM VOTAR NELE TERÁ VIDA ETERNA

bruno boghossian
BOLSONARO TRANSFORMA VOTO EVANGÉLICO EM
 BATALHA PELA
 ALMA DO ELEITOR
Em pouco mais de 24 horas, Jair Bolsonaro mandou o mesmo recado para duas plateias diferentes da Assembleia de Deus. 

Depois de fazer sua conhecida pregação contra a esquerda, o presidente afirmou a pastores e fiéis no Maranhão e em Minas Gerais que a salvação de seus espíritos depende do comportamento de cada um deles na campanha eleitoral.

"No dia do ponto final, nós temos um currículo para ser apresentado. Esse currículo são nossas ações ao longo de toda a vida, bem como as nossas omissões. Quem se abstém, quem diz 'eu não quero nem esse nem aquele' está errando também", disse Bolsonaro em Vitória do Mearim (MA), na 5ª feira (14). "Esse currículo é o que vai nos dizer se teremos ou não a sonhada vida eterna."

O presidente tenta acrescentar uma nova camada à briga pelo voto evangélico. Bolsonaro costuma fazer ofertas concretas aos fiéis, como ações relacionados à política de drogas ou ao aborto. Agora, ele cobra apoio desse grupo como uma espécie de imperativo espiritual.

A batalha pela alma faz parte de um esforço de Bolsonaro para distrair esse eleitor do mau desempenho de seu governo no plano material. 

"A pandemia passa, como está passando, graças a Deus. Os problemas econômicos, a gente vai resolvendo", afirmou, depois de pedir ajuda aos fiéis para derrotar Lula.

O temor do presidente é que, frustrada com o governo, uma fatia do eleitorado evangélico perca o entusiasmo por sua candidatura e não se engaje numa campanha contra o PT.

Bolsonaro reforçou o roteiro do juízo final na 6ª feira (15). Num encontro de pastores em Juiz de Fora (MG), o presidente criticou a esquerda e, apontando para o alto, destacou que todos serão julgados por ações e omissões durante a vida.

"Muitas vezes você pode fazer alguma coisa e lava as mãos. Está na Bíblia o que aconteceu com Jesus", comparou. 
"
Por vezes, no Brasil, nós passamos por momentos onde as mãos de todos nós decidem o futuro de uma pátria, se vocês querem que esse povo continue livre ou não."
 (por Bruno Boghossian)

Quando ainda buscava uma cura, o Bozo foi consultar o psiquiatra 
Walter Franco. Com uma técnica inovadora, o doutor conseguiu gravar os
 pensamentos desconexos do seu paciente. Eis o que lhe passava pela cabeça

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

A QUESTÃO QUE FICOU FALTANDO NO ENEM: "RESUMA NUMA ÚNICA PALAVRA O QUE O BRASIL SE TORNOU SOB BOLSONARO"

Com um forte abraço para o Jaguar, autor da charge, e para o Ruy Castro,
que a utilizou em sua coluna, mas criou uma piada diferente. (CL)
Saudades do Walter Franco, que nos deixou
em 2019. Ele, além de tudo, era profético...

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

LEIAM A ÚLTIMA DECLARAÇÃO HEDIONDA DO GENOCIDA E ENGROSSEM O GRITO QUE SE ESPALHA, PARA SACUDIRMOS O PAÍS!

"Muitas [vítimas] tinham alguma comorbidade, então a Covid apenas encurtou a vida delas por alguns dias ou algumas semanas"
(genocida Bolsonaro falando a ultradireitistas alemães, quando deixou escapar que o motivo de querer ver logo mortos os pobres atendidos pelo SUS é que "uma pessoa na UTI por Covid custa R$ 2 mil por dia, uma pessoa na UTI com outras doenças custa R$ 1 mil")

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

A MENTE DO BOZO VIROU UM ABSURDISTÃO E SÓ OS FANÁTICOS IMBECILIZADOS DAS REDES SOCIAIS NÃO PERCEBERAM

william waack
NINGUÉM TEME BOLSONARO
De tanto se atormentar com fantasmas, Jair Bolsonaro está conseguindo que eles se tornem realidade. 

Cristaliza-se em círculos do Judiciário, Congresso e também entre oficiais-generais a ideia de que o arruaceiro institucional precisaria no mínimo ser declarado inelegível. E o caminho seria através dos tribunais superiores.

Esse perigo (não poder disputar as eleições) para Bolsonaro é real, mas não imediato. A conspiração não passa, por enquanto, de um desejo amplamente compartilhado nas instâncias mencionadas acima. 

Generalizou-se nesses círculos de elite política, judicial e militar a convicção de que Bolsonaro provocou um impasse institucional para o qual não há saída aparente, e ele nem parece interessado em buscá-la.

A conspiração carece, contudo, de coordenação central e efetiva articulação. 

Setores do Congresso, do STF e das Forças Armadas estão conversando informalmente, e já se falou no Alto Comando do Exército em atribuir ao comandante dessa arma a missão de pôr uma coleira em Bolsonaro. Dois personagens políticos de peso nessa paisagem – os caciques do centrão Arthur Lira e Ciro Nogueira – têm dito a jornalistas que desistiram disso.

Quem conversa quase que diariamente com o presidente o descreve como possuído de um quadro mental para lá de preocupante. Bolsonaro está totalmente convencido de que a conspiração contra seu mandato começou já no primeiro dia do governo, e é conduzida por uma difusa e ao mesmo tempo bem entrincheirada coligação de:
— corruptos no Congresso; 
— corporativistas na administração pública;
— empresários que perderam dinheiro; 
— esquerdistas treinados em Cuba; e
— governadores gananciosos. 

Todos eles estariam unidos em torno de alguns ministros do STF...

Dois aspectos tornam o absurdistão que é a cabeça de Bolsonaro num problema real, pois ele age a partir dessa percepção de mundo. 

O primeiro é a legitimação jurídica que ele julga ter encontrado para ir ao que chama de contragolpe contra os usurpadores do poder do presidente. A interpretação que adotou do artigo 142 da Constituição é espúria, mas lhe confere um ar de certeza no campo do Direito para, eventualmente, chamar forças militares a intervir – no mínimo para garantir lei e ordem num cenário conturbado que Bolsonaro se empenha em piorar.

O segundo aspecto que faz do desequilíbrio presidencial um perigo real é a crença de que disporia de instrumentos de poder tais como irresistível quantidade de povo nas ruas, adesão de setores das Forças Armadas, além de PMs amotinados, insubordinados e levados às ruas por lideranças corporativistas. 

Noutras palavras, ele acha que estaria em posição de superioridade em se tratando da relação das forças treinadas para exercer violência – um cenário implícito nas posturas do presidente.

O problema para Bolsonaro é que, tanto no plano político-jurídico como no plano das
forças das ruas, ele está isolado, completamente refém de um conjunto fisiológico de caciques políticos cínicos que o espremem, deixando aberta a possibilidade de decidir quando jogarão fora o bagaço. 

O cerco judicial ao presidente, no STF e no TSE, é um fator que tornou inclusive irrelevante se o PGR estaria (não está) disposto a denunciá-lo.

Sem ter criado uma organização política capilarizada e sem ter a adesão das cadeias de comando das Forças Armadas, Bolsonaro acha que manda, mas não comanda nada a não ser fanáticos imbecilizados em redes sociais que não sabem até agora muito bem onde está o Palácio de Inverno a ser tomado e ocupado. 

Eles são contra um monte de coisas, mas ainda aguardam uma ordem específica do mito sobre em qual direção marchar e qual inimigo precisam aniquilar.

Noutras palavras, Bolsonaro não dispõe de sólidos argumentos jurídicos, de amplas forças políticas, de nutridos contingentes militares, do domínio das ruas, da adesão das principais elites econômicas e é rejeitado pela maioria dos eleitores, pela quase unanimidade do mundo intelectual e cultural e visto como um estorvo passageiro pelas grandes potências. Ninguém tem medo dele como dirigente político.

O que se teme é a tragédia que ele parece empenhado em provocar. (por William Waack)
Eis a trilha sonora do Absurdistão a que ficou reduzida 
a cabeça do genocida (e piorando cada vez mais!)    

domingo, 4 de julho de 2021

NÃO EXISTE ALEGRIA COMPARÁVEL À DE ESTAR NA AVENIDA COM OS IDEALISTAS; MAS HÁ OS QUE GOSTAM MAIS DE MOTOQUEIROS.

Entre os 100 mil participantes estimados pelos organizadores do #ForaBolsonaro deste sábado (3) em São Paulo e os 5.500 alegados pela Secretaria de Segurança Pública, só posso dizer, com o olhômetro de repórter obrigado a dimensionar multidões em seu ofício e de torcedor de futebol presente em dezenas de clássicos com estádios lotados, que a virtude não estaria no meio (52.750), mas em muito o ultrapassou, embora talvez não atingisse a centena de milhar.

E houve manifestações em todas as capitais brasileiras e em centenas de outras cidades, todas trazendo às ruas os melhores brasileiros, aqueles que não compactuam com a destruição do nosso país por um genocida desembestado mais seus seguidores e/ou cúmplices – uns, fanáticos negacionistas que, na escala da civilização, continuam até hoje empacados na Idade Média, quiçá na Idade da Pedra; outros, canalhas negocistas dispostos a matar até a mãe por um dólar.

Que importa? A força dessa ralé repulsiva advinha de nossas apatia e prostração. Bastou voltarmos às ruas para delas expulsarmos aqueles a quem elas jamais pertenceram. 

Afinal, como desde Castro Alves ficou estabelecido e lavrado em cartório, a praça é do povo, como o céu é do condor. O ambiente natural dos ratos é outro: os esgotos.

E que imensa alegria foi caminhar de novo ao lado de tantos brasileiros idealistas e esperançosos, a maioria jovens como jovem era eu ao participar de minha primeira passeata, aos 17 anos, no finalzinho de março de 1968! 

Há 53 anos era Abaixo a ditadura!, agora é Fora, genocida! Mas, continua sendo sempre o mesmo inimigo. 

E os melhores brasileiros da minha geração –no caso, aqueles que sobrevivem até hoje ao desencanto de jamais ver o país decolar e, pelo contrário, amiúde vê-lo recuar igualmente continuam os mesmos.

Lá no comecinho da trajetória, antes mesmo de traçar meu caminho pelo mundo, encantei-me com uma estrofe de Gilberto Gil sobre os que travavam o bom combate: "Prefiro ter toda a vida/ a vida como inimiga/ a ter na morte da vida/ minha sorte decidida". Adotei-o e nunca mudei. Outros tantos também nunca mudaram, felizmente! 

Há, claro, quem conclamava nosso povo a perder o medo de ser feliz, mas hoje considera que uma eleição vale mil grandes manifestações populares tais quais a de sábado último; antes pensava, como agora penso, exatamente o contrário. 

Vale lembrar o sensível poeta Cid Franco, que teve estes versos musicados por seu filho Walter: "Mais infeliz deve ser/ o homem que, de alma orgulhosa,/ não quer ou não sabe ver/ a cena maravilhosa".

Caem como uma luva para o personagem em questão, desde que troquemos orgulhosa por gananciosa (não no sentido mais frequente, e sim no de colocar suas ambições pessoais acima de quaisquer outras considerações possíveis e imagináveis).

Quanto ao pior presidente da nossa história e maior exterminador de brasileiros em todos os tempos, pelo menos consegue manter a coerência  num único ponto.

É que, enquanto um dos ditadores do regime militar por ele idolatrado preferia o fedor dos cavalos ao cheiro de povo, o prevaricador troca a companhia de gente como a gente pela dos motoqueiros, bem definidos por Mário Sérgio Conti como os véio na fase anal, moto-pervertidos de escapamento aberto

De resto, não ilude mais ninguém a exibição desses punhados de truculentos como truque para desviar a atenção geral da redução vertiginosa do número de apoiadores locais dessa direita selvagem, cuja onda está em refluxo no mundo inteiro.

Os que preenchemos avenidas é que somos a voz do povo neste instante, e o seremos até  o circo de horrores do palhaço sinistro, decaindo a olhos vistos, baixar definitivamente a lona.

Porque, como Vandré cantou e disse,
gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente! 

É a lição que nos ficará quando for virada esta página vergonhosa de nossa História. Não vai demorar muito. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

"OPOSICIONISTAS" QUEREM MESMO É TER O BOZO COMO ADVERSÁRIO EM 2022, MORRAM QUANTOS BRASILEIROS MORREREM ATÉ LÁ!!!

Está na edição de hoje (16/02) da
Folha de S. Paulo uma notícia dos repórteres Ranier Bragon e Danielle Brant que quase me fez vomitar o café da manhã, embora há muito já percebesse que era exatamente isso o que estava ocorrendo. 

A confirmação, contudo, fez crescer ainda mais em mim a indignação e a repulsa pelos representantes de si mesmos e de seus interesses mesquinhos, obcecados em ganhar eleições nem que seja por cima dos cadáveres de seu povo. Eis os parágrafos iniciais desse atestado da falência moral desses oposicionistas, pero no mucho:
"Apesar dos tuitaços, panelaços e carreatas, congressistas da oposição admitem nos bastidores que lhes interessa mais a manutenção de clima de impeachment e sangria de Jair Bolsonaro até as portas de 2022 do que a efetivação real de um processo para a saída do presidente do cargo. 
O cálculo se baseia na avaliação principal de que o presidente tem hoje amparo do centrão para derrotar qualquer pedido. Ou seja, na hipótese de ser deflagrado na Câmara, o impeachment seria derrotado por Bolsonaro, que sairia fortalecido politicamente. 
Mesmo em um improvável cenário de sucesso, assumiria o governo o general Hamilton Mourão, que, embora seja visto como mais sensato e eficiente em relação a Bolsonaro, está longe de ser do agrado da esquerda. 
Ele teria um tempo relativamente longo para arregimentar apoio e estrutura, podendo vir a se tornar, inclusive, um real adversário da oposição em 2022".

 

Eu só conseguiria comentar tal postura com uma enxurrada de palavrões. Como isto não é do meu feitio, emitirei minha opinião por meio das canções com que vou ilustrar o post.

E deixo a esses omissos ajudantes de genocida quatro perguntas:
1. quantos brasileiros ainda morrerão de covid como consequência do fanatismo negacionista e da abissal inépcia do pior presidente desta nação em todos os tempos, que já deveria ter sido afastado pela via do impeachment ou por insanidade mental há uma eternidade?
2quantos outros, provavelmente em número maior ainda, morrerão de fome e penúria na terrível depressão que o país enfrentará ao longo de 2021, se continuarem tendo, para piorar o que já está péssimo, um louco furioso e descontrolado se fingindo de seu presidente?

 

3as centenas de milhares de brasileiros que poderiam ser salvos mas acabarão morrendo em 2021 e 2022 importam menos para essa gente do que sua preferência por ter um presidente diferente de Hamilton Mourão em 2023/2016, mesmo sendo o dito cujo percebido como mais sensato e eficiente do que o palhaço sinistro?
4com o Bozo extremamente fragilizado (governante que se agarra ao centrão como tábua de salvação, mesmo sabendo que os mercadores de apoio  parlamentar o trairão tão logo recebam oferta melhor, é porque está a um passo da queda!), não seria hora, isto sim, de convocarmos manifestações de protesto em todo o Brasil?

Não havendo povo na rua e acumulação de força do nosso lado, o genocida não será expelido nem agora nem em 2022. É vergonhosa a indiferença desses oposicionistas (?) que ficam em cima do muro enquanto os pobres e vulneráveis estão sendo exterminados! (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

LULA FAZ AUTOCRÍTICA. MAS NÃO A QUE ESTÁ NOS DEVENDO HÁ ANOS E QUE REALMENTE AJUDARIA AGORA

O ex-presidente Lula, numa entrevista à TV Democracia, pediu desculpas à esquerda italiana e às famílias das supostas vítimas de Cesare Battisti. Mas esqueceu de dizer muitas coisas, então, a bem da verdade, vou colocar os pingos nos is.

Em meados de 2008 recebi telefonema de Brasília, de um participante do Comitê de Solidariedade a Battisti, apelando-me para que entrasse naquela batalha de opinião pública. 

Aceitei de imediato. Não o fizera antes porque nunca tive compulsão por holofotes e acreditava que outros esquerdistas já lhe estariam fornecendo suficiente apoio. Mas, tenho a solidariedade revolucionária como um valor sagrado; quando recorrem a mim e eu tenho uma contribuição a dar, jamais a nego. 

Então, ao tomar conhecimento de que um único jornalista (Rui Martins) vinha sistematicamente refutando as falácias da imprensa burguesa a respeito do Battisti, mas o fazia desde a distante Suíça, percebi que faltava alguém complementando seus esforços no palco principal dos acontecimentos.

Ignorava se o Battisti era ou não culpado do que o acusavam, mas sabia que:
— o governo italiano cometera um rosário de ilegalidades durante os anos de chumbo, atuando com tendenciosidade e rigor extremos contra os ativistas de esquerda e empenho bem menor contra os responsáveis pelos grandes morticínios causados pela direita, como o massacre de Bolonha (85 mortos e mais de 200 feridos) e o atentado da Piazza Fontana (17 mortos e 88 feridos), havendo até hoje questionamento sobre provável acobertamento dos mandantes;
— 29 anos depois do último dos quatro assassinatos dos Proletários Armados pelo Comunismo cuja culpa foi atirada nas costas de Battisti, tendo ele desistido da política, constituído família e se consagrado como escritor, era uma perseguição odiosa a que lhe moviam Berlusconi e seus neofascistas, obcecados em obterem um troféu impactante para exibir; e
Bolonha: o pior massacre dos anos de chumbo italianos
— seria a hipocrisia suprema o Brasil extraditar Battisti após ter abrigado carrascos como o coronel haitiano Albert Pierre (que, chefiando os Tonton Macoutes, fora responsável por mais de 500 episódios de assassinatos e torturas) e o ditador paraguaio Alfredo Stroessner. 

No primeiro contato pessoal que mantive com ele na Papuda (vejam aqui as minhas impressões), fiquei com absoluta certeza de que ele não era homem capaz de matar ninguém. Na luta armada brasileira e depois, na carreira jornalística, conhecera muitos que o eram e havia gritante diferença. O muito que li posteriormente sobre o caso e sobre a montagem do segundo julgamento italiano (no qual, à revelia, foi agravada sua pena) só veio confirmar minha intuição inicial.

No entanto, após o pusilânime Evo Morales cometer suicídio moral, entregando-o à Itália como René Barrientos entregara Che Guevara à CIA, Battisti, já bastante abalado pela perseguição sem fim em que se tornara sua vida, fez uma barganha podre com a Justiça italiana. 

Aceitou admitir a culpa por homicídios pelos quais fora condenado sem provas reais em troca de bom tratamento na prisão, com direito a receber o apoio da família, comunicar-se amiúde pelos meios eletrônicos com o filho brasileiro e escrever seus livros (estes pontos acordados nem sequer estariam sendo cumpridos pelas autoridades italianas, segundo ele se queixa nas suas cartas recentes!). 

De que sua surpreendente confissão de culpa foi fajuta, não tenho a mais remota dúvida. Afinal, é público e notório que, dos quatro assassinatos que delatores premiados cometeram e lhe imputaram para serem libertados o quanto antes, dois foram praticamente simultâneos, não havendo nenhuma possibilidade material de ele estar presente em ambos. Por que haveria ele de confessar até um crime que não poderia ter cometido de jeito nenhum?
Candidatura fantasma confundiu esquerda e desperdiçou tempo

Quanto a Lula, que sempre se colocou na contramão de uma transformação em profundidade da sociedade brasileira, preferindo apenas negociar pequenas concessões com o poder burguês e por meio delas garantir o voto dos coitadezas (tanto que já na década de 1980 tudo fazia para expurgar as tendência de esquerda que atuavam dentro do PT), não é de hoje que ele está contra Battisti.

Como principal porta-voz do comitê de solidariedade no Brasil, muitas vezes eu recebia informações sigilosas de companheiros jornalistas, indignados com o jogo de interesses políticos e econômicos nos bastidores do caso. Então, tive informação segura de que:
— o Lula estava disposto a lavar as mãos e omitir-se, caso o STF decidisse por si só extraditar Battisti; 
— mas, se a decisão final lhe coubesse, ele vetaria a extradição, porque não queria indispor-se com alguns dirigentes influentes do PT para os quais rechaçar as pressões italianas era uma questão de honra.

O desespero do ministro Gilmar Mendes quando seu colega Ayres Britto votou a favor de que a última palavra coubesse ao presidente da República, como sempre foi a tradição brasileira, serviu como atestado eloquente de que a informação que eu havia recebido era correta. 

Tão transtornado Mendes ficou com tal posicionamento que chegou a ser grosseiro em plenário com o Ayres. Por que? Porque sabia que aquele voto era decisivo (ou seja, estava ciente das intenções do Lula).

De resto, ao invés dessas desculpas perfeitamente dispensáveis acerca do Caso Battisti, o que Lula está nos devendo é uma autocrítica pelos erros fatais cometidos ao longo da atual década: 
A derrocada da esquerda começou quando o PT abandonou à própria sorte os manifestantes de 2013
—começando em 2013 pelo abandono dos manifestantes do Passe Livre que foram triturados por polícias e judiciários estaduais reacionários, ante a indiferença do PT, o que levaria adiante à perda das ruas e à reação pífia quando do impeachment da Dilma; e
— terminando por haver inviabilizado a união da esquerda contra Bolsonaro na eleição presidencial, além de ter desperdiçado tempo precioso com sua ridícula candidatura fantasma, dando mais importância à obtenção de uma espécie de desagravo por suas condenações do que ao imperativo de salvar os brasileiros do pesadelo neofascista que se prenunciava.

Isto para não falar de haver reduzido o PT a uma caricatura de partido oposicionista, a ponto de recusar-se a enfrentar nas ruas a escalada golpista do Bolsonaro em maio/junho últimos, deixando que secundaristas e Gaviões da Fiel fossem correr riscos em seu lugar. (por Celso Lungaretti)
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