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segunda-feira, 16 de junho de 2025

SOB FOGO CRUZADO DA EXTREMA-DIREITA E DO POLITICAMENTE CORRETO, O HUMOR DEFINHA E O BRASIL SE TORNA TACITURNO

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Nunca vi o espetáculo de Leo Lins, mas não importa o que seja. Ninguém pode ser preso por fazer rir. Os canais brasileiros têm medo de ser processados, pagar multas e, agora, até de ter seus contratados presos.

A censura militar talvez tenha sido mais branda do que aquilo que acontece hoje, porque existia o foco no jornalismo, mas Chico Anysio, Jô Soares e Renato Aragão brilharam nessa época. 

Antes disso, no Estado Novo de Getúlio Vargas, havia programas no rádio, como o Lauro Borges & Castro Barbosa. Lauro ia trabalhar com uma malinha, porque já sabia que seria preso, mas ele dormia uma noite na cadeia e era solto no dia seguinte, porque não havia fundamento para manter a prisão —como não há hoje. Mas regredimos."
O depoimento acima é de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o
Boni, que foi diretor da Globo de 1967 a 1997. Ele ainda se lembra dos tempos em que perdia horas de trabalho para negociar com os censores e não vê muita diferença com o cenário atual. Pelo contrário, acredita que a condenação do comediante Leo Lins imporá ainda mais receio. 

Muitos outros profissionais destacados da área de artes, espetáculos e comunicação foram ouvidos por Pedro Martins, diretor-adjunto da Folha Ilustrada, que elaborou uma extensa reportagem sobre a terra arrasada a que foi reduzido o gênero do humor sob os ataques simultâneos da extrema-direita caçadora de bruxas e do politicamente correto cancelador e punitivista. 

Detalhe: esse verdadeiro terrorismo de fanáticos intimida tanto que o Boni foi o único que autorizou a citação do seu nome, os outros só falaram em off.

A reportagem intitula-se Entenda o apagão do humor na TV, com medo de irritar o público à esquerda e à direita e é leitura obrigatória para quem ainda mantém o salutar hábito do pensamento crítico nesta tenebrosa era da polarização ideológica.

O pior, para mim, é que os ultradireitistas sempre foram mesmo tacanhos, apenas se tornaram mais influentes agora. Já a esquerda era ou tentava ser exatamente o contrário e eu não me conformo em vê-la assim descaracterizada, tão beligerante no secundário quanto omissa no fundamental, travando as batalhas erradas e espantando os civilizados que antes atraía. (por Celso Lungaretti) 
"Eu quis cantar minha canção iluminada de sol/ Soltei os panos
sobre os mastros no ar/ Soltei os tigres e os leões nos quintais/
Mas as pessoas na sala de jantar/ São ocupadas em nascer e morrer"

domingo, 15 de junho de 2025

O PUNITIVISMO SÓ PROVÊ INTIMIDAÇÃO OU VINGANÇA. É HORA DE DARMOS UM BASTA À DESUMANIDADE CAPITALISTA!

Celebridades que questionaram a sentença monstruosa da juíza Bárbara de Lima Iseppi contra o comediante Léo Lins estão voltando atrás à medida que os rancorosos punitivistas divulgam exemplos chocantes do tipo de humor que ele fazia, chantageando esses me(r)dalhões eternamente reféns das tendências majoritárias nos seus respectivos nichos. 

Entre interesses e convicções, escolhem sem pestanejar os primeiros, por mais humilhante que seja a retratação. Preferem ser vistos como cidadãos que opinam levianamente, sem informarem-se direito sobre o assunto, do que como vozes discrepantes das Maria-vai-com-as-outras que seguem invariavelmente o rebanho, mesmo no erro e na abjeção.

Depois que Hitler e Mussolini tiveram o fim que sempre mereceram, alemães e italianos que antes esmagadoramente os idolatravam, correram a proclamar inocência. 

Mas os chifres e os rabos pontiagudos não sumiram graças a tamanha hipocrisia, tanto que a Itália continuou se rendendo ao fascismo. A virtude não está mais no meio...  

Assim, após chafurdar na lama com o pornocrata Silvio Berlusconi, a velha bota tem hoje como primeira-ministra a Giorgia Meloni,  cujo lema é Deus, Pátria e Família

Opositora do aborto voluntário, da eutanásia, da união civil entre pessoas do mesmo sexo, da paternidade LGBT, etc., ela se diz apenas conservadora cristã. Sei.

Então, eu faço questão de reafirmar que, seja lá o que o Léo Lins tiver um dia afirmado, mantenho minha posição de sempre: penas de prisão só se justificam como resposta a ações e não, jamais, a opiniões, por mais repulsivas que sejam.

Se roubou, estuprou, feriu, matou, vandalizou, etc., que mofe na prisão. 

Se apenas escandalizou a sociedade ou debochou de minorias, que seja condenado a prestar serviços comunitários, assistir a palestras, receber tratamentos, etc. 

Tal era o entendimento da esquerda à qual aderi na virada de 1967 para 1968: uma sociedade que erige a ganância em prioridade suprema predispõe os indivíduos a todo tipo de comportamentos distorcidos, daí devermos antes reeducar as vítimas do capitalismo do que fazer desabar sobre elas todo o peso da lei.
A esquerda daquele tempo tinha coragem de assumir que o crime maior de todos é a própria existência do capitalismo e, enquanto não o superarmos, o punitivismo será quase sempre intimidação e/ou vingança, não justiça.

Mas as pessoas simples estão ainda imbuídas do simplismo do olho por olho, dente por dente, ilusório lenitivo para suas dores. 

E a esquerda atual abre mão do dever de educá-las, preferindo a opção confortável de somar-se cinicamente a elas, jogando Marx no lixo.

Eu fico com Marx. (por Celso Lungaretti)
"Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero/ 
Não tolero lero-lero, devo nada pra ninguém"

domingo, 8 de junho de 2025

UNIDOS VENCEREMOS? É A ESPERANÇA QUE NOS RESTA. SEPARADOS PERDEREMOS? DISTO NÃO HÁ NENHUMA DÚVIDA!

A esquerda à qual decidi devotar a minha vida na virada de 1967 para 1968 mantinha firme rejeição ao  autoritarismo e ao punitivismo.

Compreendia que as circunstâncias em que as pessoas eram formadas pelo capitalismo, com o homem reduzido a lobo do homem em luta encarniçada contra tudo e contra todos, favoreciam o afloramento das piores mazelas individuais e coletivas. 

Quem só não rouba, barbariza e mata por temer a polícia, está sempre a um passo de supor que conseguirá cometer seus crimes sem ser punido.  Os mais ousados acabam tentando a sorte e se tornam nefastos para seus semelhantes e para si próprios. 

A maioria não aceita correr os riscos inerentes, mas seu comedimento está longe de ser virtuoso. Deve-se ao medo da punição nos cárceres desta vida ou no suposto inferno de uma suposta outra vida. 

O que me fascinou no marxismo foi ter acenado com uma possibilidade concreta de paraíso na Terra, o que nem as religiões conseguiram oferecer de forma convincente: a de que adiante os avanços científicos e tecnológicos obtidos pela humanidade poderiam, desde que utilizados em benefício do bem comum e não da ganância privada, proporcionar uma vida materialmente satisfatória para cada um dos habitantes do nosso planeta.
Ou seja, a trajetória da humanidade, desde as cavernas, vinha sendo caracterizada pela insuficiência do necessário para todos desfrutarmos uma existência plena. Mas, a humanidade se encaminhava para um tal desenvolvimento das forças produtivas que finalmente a abundância para uns um deixaria de depender da escassez para outros. 

Marx acertou em cheio: a barreira da necessidade foi realmente rompida no século passado. Só que os homens não se tornaram solidários e generosos num passe de mágica. Os privilegiados agarraram-se sofregamente a seus privilégios, tudo fazendo para que fossem poucos a desfrutarem do mesmo padrão de vida e a grande maioria continuasse com acesso parcial ou sem nenhum acesso aos frutos do progresso. 

Agora, não só a desumanidade e desigualdade intrínsecas ao capitalismo impedem a humanidade de ser feliz, como ameaçam `causar a extinção de nossa espécie. 

É este o motivo de eu insistir tanto na necessidade de encararmos  a superação do capitalismo como a principal luta de nosso tempo, a única que poderá garantir que as conquistas pelas quais se mobilizam várias minorias e até maiorias (como as mulheres e os explorados)  serão definitivas, não podendo ser levadas de roldão por retrocessos civilizatórios como o atual.

Dividir para conquistar sempre foi uma fórmula esperta para minorias poderosas evitarem que as maiorias deem fim a seus privilégios injustos. E hoje a lavagem cerebral dos meios de comunicação de massa vai exatamente nessa direção, de insuflar ao máximo a desunião daqueles que somente unidos conseguirão fazer valer sua força para mudar o mundo.

Nós, os explorados, oprimidos e vítimas de uma organização social voltada para eternizar a prevalência dos perdedores e restringir tanto quanto possível o universo dos vencedores, temos de virar esse jogo, antes que seja tarde demais. 

Ou reaprendemos a tolerância, a compaixão e a solidariedade ou continuaremos marchando divididos e mutuamente hostis para o matadouro.
(por Celso Lungaretti)    

quarta-feira, 4 de junho de 2025

O RIGOR CHOCANTE DA SENTENÇA CONTRA O HUMORISTA LÉO LINS É IMAGEM FIEL DO RETROCESSO CIVILIZATÓRIO EM CURSO


Não fosse o autoritarismo extremado da sua condenação a oito anos e três meses de prisão, apenas e tão somente por causa de suas declarações reunidas num vídeo, eu não teria sequer tomado conhecimento da existência de Léo Lins. 

Li que o vídeo, gravado em 2022, mostra o humorista tirando sarro de negros, idosos, obesos, aidéticos, homossexuais, indígenas, nordestinos, evangélicos, judeus e pessoas com deficiência. Ou seja, ele conseguiu irritar os mais poderosos lobbies empenhados em calar o próximo, como se estivéssemos ainda submetidos à nada santa Inquisição.

Sou septuagenário, deficiente físico (parcialmente surdo por causa das torturas nos anos de chumbo), tecnicamente obeso, simpatizo com negros, nordestinos e indígenas, não discrimino absolutamente ninguém pelo sexo consentido que pratica e tenho muito respeito pela contribuição dos judeus (sionistas excluídos) à civilização. 

Decerto consideraria de mau gosto o blablablá do Leo Lins, se o escutasse. Correndo o risco de ser considerado pedante, informo que meu tipo de humor é bem diferente, na linha dos Irmãos Marx, das deliciosas comédias italianas dos anos 60 e 70, dos quadrinhos do Henfil, do Quino  e do Jules Feiffer, etc.
E, claro, percebo claramente que o tal Léo Lins deve agradar à direita grosseira e incomodar os chamados identitários. Mas, mesmo assim, sou obrigado a defendê-lo, pois é a única atitude compatível com as minhas opções de uma vida inteira. 

Sou, antes e acima de tudo, visceralmente contrário a todas as formas de autoritarismo. E uma juíza impor sentença tão draconiana a algo que os cidadãos equilibrados nem sequer consideram crime é inimaginável. Serve apenas para comprovar que passamos por uma fase de retrocesso civilizatório aberrante.

Repito uma divagação pouco conhecida de Engels, sobre a derrota dos gladiadores de Spartacus que se ergueram contra o Império Romano. Ele constatou que desde os primórdios a humanidade vinha em trajetória ascendente quanto à construção de uma civilização, mas chegou a um impasse com Roma. 

O único passo adiante possível naquele momento era o fim da escravidão, liberando formidáveis forças produtivas. E quem implicitamente acenou com tal possibilidade foram os gladiadores rebelados. Sua derrocada eliminou a única força histórica que naquele momento poderia conduzir a civilização a um estágio superior. Sem isto, o mundo sucumbiu por mil anos às trevas da barbárie.

Da mesma forma, o capitalismo foi pelo menos parcialmente pujante até que rompeu a barreira da necessidade, ou seja,  até ter-se capacitado para proporcionar uma existência digna a cada habitante do planeta. E só poderia ter seguido adiante se empreendesse a construção de uma economia voltada para o atendimento das necessidades humanas e não para a realização do lucro.
Chegou a tal encruzilhada nos anos 60 e fez a opção negativa, barrando os ventos de mudança e passando a utilizar os ganhos obtidos graças aos avanços científicos e tecnológicos não para objetivos nobres, mas sim para o aprimoramento da dominação da maioria por uma ínfima, parasitária e predatória minoria. 

Então, apesar de alguns avanços marcantes ainda terem se registrado no final do século passado, tais ganhos foram absorvidos pelas forças da desigualdade e da entropia, não levando ao redirecionamento dos nossos esforços no sentido da priorização do bem comum.

Cada vez mais disfuncional, a economia capitalista vai empurrando sua crise para a frente com a barriga, mas já se percebe claramente  a proximidade do colapso definitivo. E nesse interim, a lavagem cerebral dos meios de comunicação de massa atinge eficiência plena no seu objetivo de dividir os explorados e oprimidos para a burguesia continuar dominando, pois coloca todos os povos, todos os grupos e todas as pessoas em confrontos brutais uns contra os outros.

O punitivismo rancoroso por parte dos identitários, que cancelam e caem de pau em todos que não seguem a cartilha simplória do politicamente correto, nada mais é do que o outro lado da moeda em relação à bestialidade dos ultradireitistas. 

Os dois lados perderam totalmente a cabeça, deletaram os últimos resquícios de senso comum e normalizam desde os massacres dantescos de Israel em Gaza até as sentenças alucinadas como essa contra o humorista. O espírito de Torquemada vive.

Tenho dito que a luta principal da nossa época é a da civilização contra a barbárie. Acrescento que não podemos desconsiderar, como uma de suas componentes destacadas, a batalha do bom senso contra os extremismos que só servem para dividir cada vez mais aqueles que só unindo-se conseguirão, talvez, evitar a extinção da espécie humana, que por enquanto é a possibilidade bem mais plausível.

A escolha é entre sobrevivermos juntos ou morrermos abraçados. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 31 de março de 2025

APÓS A ANULAÇÃO DAS CONDENAÇÕES DE DANIEL ALVES E CUCA, OS ESQUERDISTAS DEVERIAM FICAR LONGE DO PUNITIVISMO.

D
epois de tornarem a imagem do jogador Daniel Alves pior que a do Jack, o estripador, as caçadoras de escalpos serão obrigadas a retirar o dele da galeria de troféus, pois a Justiça espanhola detectou um monte de erros e ilegalidades na condução do processo e o anulou por completo. 

Repetiu-se a reviravolta ocorrida no caso de Alexi Stival, o técnico Tite.

Quem pouco entende de assuntos jurídicos se queixa de que haveria provas contra o Daniel Alves sendo atiradas no lixo, mas, quando está em jogo a liberdade de um ser humano, a possibilidade de ter existido tendenciosidade por parte dos operadores da justiça realmente obriga a descartar tudo o que foi feito e, ou desistir-se da acusação, ou refazerem-se todos os procedimentos a partir da estaca zero.

O pior é que não dá para afixar o escalpo novamente na cabeça do cidadão. O dano à sua reputação foi definitivo.

Eu sempre fui contra o envolvimento de esquerdistas em campanhas punitivistas, exceto quando os alvos sejam verdadeiras aberrações monstruosas, como Hitler e Bolsonaro. 

Se um governante é responsável por milhões ou centenas de milhares de vidas roubadas de coitadezas indefesos (como ocorre, p. ex, quando sabota premeditadamente o combate científico a uma pandemia de enorme letalidade), sua impunidade abala os próprios fundamentos da vida civilizada. Nestes casos, sim, devemos lutar por justiça com todas as nossas forças.

Mas, exceto nestas situações extremas, existimos para livrar a humanidade dos  horrores do capitalismo, não para escolher a dedo celebridades que paguem simbolicamente pelos males sociais e nada realmente mudar depois de cada uma dessas catarses primitivas. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 19 de maio de 2023

ENQUANTO A ESQUERDA INSTITUCIONAL DORME COM O INIMIGO, AS FEMINISTAS SE LIMITAM AOS ALVOS FÁCEIS MAS INÓCUOS

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...juntaram-se todos os partidos, da extrema-direita à centro-esquerda, do PL de Bolsonaro ao PT de Lula, com a honrosa exceção do pequeno Psol, para esculachar com as leis eleitorais, atropeladas por crimes em série na última campanha, a começar pela cota mínima para candidatas mulheres. 

O pior é que todas as sete mulheres da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara votaram a favor desta bandalha, junto com os 35 homens..." (Ricardo Kotscho, sobre uma bandeira que as feministas nem de longe estão abraçando com a mesma estridência demonstrada na caça punitivista, para não dizer macartista, a celebridades hoje inofensivas, por crimes prescritos há uma eternidade)

quinta-feira, 27 de abril de 2023

LINCHADORES DO CUCA UTILIZARAM A FERRAMENTA DE TRABALHO DO BOLSONARISMO: O ÓDIO.

Jornalistas acreditavam que a torcida corinthiana os acompanharia na sua sanha rancorosa...
O 
linchamento moral do cidadão Alexi Stival foi um dos capítulos mais deprimentes de arrogância e autoritarismo por parte de jornalistas brasileiros que se pretendem de esquerda mas tornam nossa causa odiosa aos olhos do cidadão comum ao reproduzirem a truculência, o espírito vingativo e o desprezo pelas normas e práticas da civilização que caracterizam a atuação da extrema-direita. Ficou difícil distingui-los das milícias virtuais do bolsonarismo.

Inconformados com o fato de o treinador Cuca não ter cumprido uma condenação de 15 meses da Justiça suíça, referente a um episódio de 35 anos atrás, definitivamente prescrita tanto segundo a jurisprudência daquele país quanto da brasileira, eles armaram um verdadeiro rolo compressor de textos tendenciosos, manipulatórios e unidimensionais, satanizando impiedosamente sua vítima sob o pretexto de ela nunca haver ajoelhado no milho da humilhação pública. 

Ou seja, a sentença da corte de Berna deixou de existir e os autos do extinto processo só poderão ser dados a público no final deste século, por força dos 110 anos de segredo de Justiça que sobre eles incidem. Mas isto não impediu o uso e abuso de elementos do processo com finalidade panfletária.
...mas a postura oposta dos jogadores frustrou tal intento. 
Caso de um exame de sêmen realizado para fins forenses e talvez vazado para a imprensa suíça na época (o talvez se deve a que nada realmente garante que o resultado da perícia tenha sido mesmo o alegado, pois nenhuma troca de mensagens com a burocracia de uma corte valida uma reportagem jornalística). 

Como Cuca poderia defender-se, tanto tempo depois, de um mero relato de imprensa referente àquilo que era uma peça do processo cujo conhecimento público estava e está vedado? Isto Freud não explica, só Kafka...

Enfim, como a reportagem em questão não poderia ter-se baseado na leitura e cópia desses autos, pois nunca estiveram disponíveis para a imprensa, tal reportagem nem de longe serve como prova válida para destruir a reputação de um ser humano, ainda mais depois de uma eternidade. Mas, as boas práticas jornalísticas foram atropeladas pelos caçadores de escalpos, em sua sanha para venderem vingança como justiça.

De quebra, os justiçadores armados de teclados pisaram em milênios de evolução da humanidade, desde os rudes tempos do olho por olho, dente por dente. Justiça voltou a ser igualada a castigo, uma mera intimidação de quem possa ser tentado a cometer delitos semelhantes, não levando em conta se o autor de um ato reprovável continua representando perigo para a sociedade ou há décadas deu outro rumo à sua vida. E viva o punitivismo que tanto recriminávamos outrora...

Também nisto os vingadores se igualaram aos bolsonaristas e a todos os fanáticos que querem fazer o mundo retroceder séculos na escala da civilização, voltando ao pré-iluminismo.
Massacrado e privado do
direito de exercer seu ofício

O mais patético de tudo é que, enquanto faziam o mundo desabar sobre Cuca, tais jornalistas nem sequer cogitaram lançar idêntica
cruzada redentora contra o pior exterminador de brasileiros de todos os tempos, responsável pela sabotagem de vacinação que causou a morte de algo entre 350 mil e 400 mil pessoas que, de outra forma, teriam sobrevivido à pandemia de covid.

O motivo: evitar o que parece ser uma pizza já acordada entre os poderosos, no sentido de que ele, de imediato, seja punido apenas com a inelegibilidade e as dezenas de gravíssimos crimes não especificamente eleitorais que cometeu tramitem com a lerdeza habitual da Justiça brasileira, acabando por prescrever. 

Quem se dispusesse a lançar tal campanha, expondo-se às retaliações dos bárbaros, precisaria ter muita coragem. Já o apedrejamento do Cuca só ameaçava infligir danos (físicos, psicológicos, profissionais e morais) ao treinador e sua família. Vai daí que os patrulheiros do passado esquecido não mostraram a menor preocupação com o sofrimento por eles causado no presente.

Para concluir: não precisamos de ilusões compensatórias para o que ficou mal resolvido em priscas eras, mas sim de uma transformação em profundidade da sociedade brasileira hoje e agora!

Neste sentido, temos de somar e não dividir, oferecendo aos explorados e injustiçados a perspectiva de uma existência na qual a prioridade máxima seja a felicidade dos seres humanos, não a realização do lucro e a conquista/manutenção de privilégios.

O ódio é a ferramenta de trabalho dos nossos piores inimigos. Não nos serve, nem os deveríamos imitar. Jamais! (por Celso Lungaretti)
Post scriptum – a sequência de excessos na atuação da imprensa ficou mais aberrante ainda a partir da sem-cerimônia com a qual o Jornal Nacional mostrou aos brasileiros uma página do processo suíço contra os quatro futebolistas que deveria permanecer sob segredo de Justiça até o final do século.
O último ex-nazista levado a julgamento morreu em 2017,
aos 95 anos, quando seu processo continuava inconcluso na
corte mais alta da Alemanha. Seu nome: 
Reinhold Hanning
O fato de a arquivista da corte de Berna aparentemente ter abolido tal sigilo por conta própria f
oi uma prova cabal... de que Cuca está sendo linchado!!! 

Isto porque é quase certo que os advogados helvéticos que ele constituiu para avaliarem tal processo não encontrarão a mesma facilidade para realizar seu trabalho. Outra tentativa neste sentido foi feita anteriormente e os advogados se chocaram com a porta fechada, como deveria estar.

Indignou-se um grande amigo por eu questionar esse fim de feira do nosso jornalismo. Não é nem nunca foi por simpatia ao Cuca, mas sim porque inevitavelmente a mesma conduta será adotada com perseguidos que nos são mais caros, ou seja, os nossos companheiros de ideais. A cobertura da grande imprensa ao Caso Battisti foi um verdadeiro festival de horrores e tendenciosidade. 

E porque, repito, a prescrição de sentenças é um valor fundamental da civilização, caso contrário passaremos a vida inteira privando dos seus empregos, de seus direitos como cidadãos e até de sua liberdade e de sua vida pessoas que cometeram crimes décadas atrás e já não os cometeriam mais nem continuaram representando perigo para a sociedade. Detesto o punitivismo, pois não passa de um miasma medieval que deveria há muito ter-se dissipado! 

Jovem, já me horrorizava quando israelitas sequestravam noutros países ex-nazistas gagás, caindo aos pedaços, para julgá-los e executá-los quando já não eram nem sombra do que haviam sido na ativa. Tem de haver prescrição e a prescrição tem de ser respeitada, caso contrário ficaremos entregues à lei do mais forte e/ou aos humores de quem faz mais barulho na imprensa e nas redes virtuais. (CL)
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