Um dos principais cantores brasileiros do século passado, orei da vozFrancisco Alves obteve grande sucesso comPalhaço, marcha carnavalesca de 1947, composta a seis mãos por Benedito Lacerda, David Nasser e Herivelto Martins.
A quem ela poderia ser dedicada hoje em dia? Não há dúvida nenhuma: a Donald Trump, um inequívoco histrião hors concours,.
Ele pensou que fosse um grande conquistador (mas não passa de um pequeno parlapatão). Então, como se ainda estivesse em 1930/40, agiu contra países mais fracos tal qual Hitler e Mussolini agiriam.
A consequência foi ele ter entrado como um leão numa guerra que deveria ser apenas Israel x Irã e agora estar saindo com o rabo entre as pernas, como um cão enxotado a pontapés, tendo de propor uma trégua e se de dispor a negociações.
As ilusões de Trump não completaram nem sequer um mês. E todos nós assistimos de camarote ao retumbante fracasso desse palhaço.(CL)
Após se tornar o recordista absoluto da República do Brasil em crimes eleitorais impunes ao dar esmolas eleitoreiras no finalzinho da campanha presidencial e ao avacalhar a comemoração do bicentenário da independência transformando-a num comício tosco e ignaro, o palhaço sinistro ainda perde do Lula por 45% a 34%, segundo o DataFolha.
Então, a corrida já acabou. Depois de o bufão haver queimado seus últimos cartuchos sem conseguir alterar o rumo da batalha, seus apoios (comprados com dinheiro público e com a famigerada caneta Bic) vão bandear para o lado vencedor e o Lula herdará votos suficientes para eleger-se no 1º turno.
A dominação burguesa prosseguirá, a escandalosa desigualdade econômica vai permanecer intocada, a economia do País não sairá do buraco, mas a retirada do bode da sala vai dar aos brasileiros algum alívio momentâneo: sem insanidade mental, golpismo e necropolítica, tudo parecerá melhor por uns tempos.
Continuaremos patinando sem sair do lugar, suportando o pesadelo da polarização imbecil que faz do vizinho o lobo do vizinho e a mesmice da alternância entre o ruim (governos populistas reformistas) e o péssimo (governos populistas ultradireitistas), as duas faces da moeda capitalista na atualidade.
Torcendo para ainda estarmos vivos quando, ao invés de dar cara ou coroa, a moeda cair em pé. E, claro, empenhando-nos ao máximo para que tal aconteça. (por Celso Lungaretti)
A 'PEC DO DESESPERO' DE BOLSONARO ESTÁ AJUDANDO LULA
Não há surpresa alguma na PEC do Desespero.
Comprar votos é o que sempre fez a política como ela é. Vergonha na cara não existe nesse tipo de política (nem gratidão). É um traço aparentemente imutável da nossa cultura, goste-se ou não.
A questão é saber se a compra de votos vai funcionar. O universo de eleitores que vivem com renda familiar (atenção, familiar) de até 2 salários mínimos – o alvo da PEC do Desespero – é estimado em 60 milhões de pessoas.
Esse número equivale à soma de colégios eleitorais como São Paulo, Minas e Bahia. É a formidável massa de eleitores da categoria mais pobres (40% do total).
Nesse enorme segmento a vantagem de Lula sobre Bolsonaro tem sido ampla, constante e, ao que tudo indica, consolidada. Noutras palavras, com a PEC do Desespero a estratégia de Bolsonaro consiste em atacar seu adversário onde ele é mais forte.
Dar dinheiro na mão do eleitor muda voto? Em parte, funciona. Os profissionais em leitura de pesquisa constataram sem dificuldades uma correlação entre ajuda emergencial e melhora dos índices de popularidade de Bolsonaro, p. ex.
Mas, neste momento, dois fatores limitam consideravelmente a eficácia da desavergonhada compra de votos.
O primeiro é a deterioração da renda.
Os eleitores mais pobres mencionam a economia como fundamental na formação do voto e consideram que R$ 600 de ajuda já não são R$ 600, grana que ainda por cima só será paga até o fim do ano.
Ou seja, aos olhos do público-alvo a PEC do Desespero chega com pouco. Além de chegar tarde, o segundo fator limita sua eficácia eleitoral.
Existe um reconhecido time lag entre a aprovação/efetivação de um benefício e a melhora da situação do candidato nas pesquisas. Fala-se de um processo que demanda em torno de meio ano – e faltam menos de três meses para o primeiro turno das eleições.
Para piorar a situação de Bolsonaro, ele está sendo vítima da famosa lei das consequências não intencionais.
Ao dedicar-se desesperado à compra de votos via benefícios sociais, paradoxalmente o presidente reforça a imagem de seu grande oponente – Lula é visto, pelos mais pobres e em termos de atributos, como aquele que melhor garantiria os benefícios para além do horizonte de dezembro estabelecido na PEC do Desespero.
Noutras palavras, a derradeira estratégia de Bolsonaro promete trazer pouquíssimo ganho político, obtido a um enorme custo financeiro e, principalmente, institucional ao País (algo que pouco importa para a política como ela é).
Provavelmente o presidente nem percebe que foi engolido pelos fatos que pretendia mudar.(por William Waack)
O governo de Jair Bolsonaro está se decompondo. E o mau cheiro começa a ficar insuportável.
Na 4ª feira (23), o escândalo da estranha negociação para a compra da vacina indiana Covaxin ganhou componentes explosivos.
Foi o mesmo dia em que anunciou-se a saída do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cujo passivo judicial é quase tão vistoso quanto os prejuízos ambientais e de imagem que ele causou ao País.
Espíritos céticos dirão que não se trata de simples coincidência. Sempre que irrompe um novo escândalo com potencial para danificar a fantasia de campeão anticorrupção que Bolsonaro vestiu desde a campanha eleitoral, o presidente se livra de algum dos seus ministros ditos ideológicos – isto é, ventríloquos do bolsonarismo mais estridentes – para tentar desviar a atenção.
Foi o que aconteceu, p. ex., com o notório Abraham Weintraub, colocado por Bolsonaro no Ministério da Educação para destruir o sistema de ensino do País. Estava sendo muito bem-sucedido em sua missão até a manhã do dia 18 de junho do ano passado, quando foi preso Fabrício Queiroz, o faz-tudo da família Bolsonaro, pivô do escândalo das rachadinhas.
À tarde, Weintraub – que havia defendido a prisão dos vagabundos do Supremo Tribunal Federal – foi demitido.
No caso de Salles, o ministro perdeu o emprego não por liderar o maior processo de desmonte da proteção ambiental de que se tem notícia no País, pois o fazia a mando de Bolsonaro, e sim porque o cerco judicial em torno do chefe do Executivo poderia piorar ainda mais a crise política do governo.
O problema é que o descarte de ministros aloprados não tem sido mais suficiente para compensar o volume de denúncias contra o governo, em particular como resultado de sua conduta criminosa na pandemia de covid-19.
O caso da vacina Covaxin é especialmente grave. Os irmãos Luís Cláudio e Luís Ricardo Miranda – o primeiro, deputado federal; o segundo, servidor do Ministério da Saúde – informaram pessoalmente ao presidente Bolsonaro em março passado sobre as supostas irregularidades no contrato para a aquisição do imunizante.
Segundo ambos, Bolsonaro disse que acionaria a Polícia Federal para investigar a denúncia.
Não há notícia de qualquer investigação sobre o assunto, e o contrato, eivado de suspeitas, foi mantido.
Nele, o governo Bolsonaro topou comprar 20 milhões de doses da Covaxin, a um custo unitário de US$ 15, num processo marcado pela celeridade – a negociação com os indianos durou apenas 3 meses, um espantoso contraste com o processo para a compra da vacina da Pfizer, que levou 11 meses.
O servidor Luís Ricardo Miranda, responsável pela área de importação no Ministério da Saúde, relatou ter sofrido pressões anormais para liberar o contrato.Ademais, a vacina da Covaxin foi adquirida mesmo sem ter sido liberada pela Anvisa, contrariando a condição imposta por Bolsonaro para a compra de qualquer imunizante, e por um preço superior ao praticado pela Pfizer – que, para o governo, era muito alto, conforme se queixou o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.
Por fim, o negócio com a Covaxin envolvia um intermediário com várias pendências judiciais e o pagamento para uma empresa em Cingapura – que tem tudo para ser de fachada, como desconfia a CPI da Pandemia.
A comissão parlamentar agora vai se debruçar sobre esse caso, que provavelmente se tornará o centro das investigações dos senadores. Diante disso, o governo Bolsonaro fez o que faz de melhor: em vez de demonstrar interesse em apurar o escândalo, partiu para a intimidação de quem fez a denúncia.
Aos brados, em nome do presidente, o secretário-geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, anunciou que Bolsonaro mandou a Polícia Federal investigar os irmãos Miranda, especialmente o deputado Luís Cláudio, um conhecido bolsonarista.
Deus está vendo, disse Lorenzoni, e acrescentou, menos sutil que Don Corleone: Mas o senhor não vai só se entender com Deus, vai se entender com a gente também.
Como acontece com os cadáveres, a luz do sol acelera a putrefação moral do governo. Mais do que nunca, é preciso desenterrar o que a truculência bolsonarista quer esconder. (editorial de 25/06/2021 d'O Estado de S. Paulo)
Poucas coisas são tão democráticas no mundo quanto a vigarice. A prisão de Steve Bannon, ex-estrategista do presidente americano Donald Trump, reforça a convicção de que a falta de caráter não tem ideologia. Está presente na esquerda, no centro e também na direita.
Bannon tornou-se protagonista de uma vulgaridade autossuficiente. Ele mesmo criou a empulhação do muro, ele mesmo convenceu Trump a vender a ilusão de que o muro deteria imigrantes ilegais na fronteira com o México, ele mesmo lançou campanha para recolher dinheiro de americanos ingênuos, ele mesmo embolsou parte da grana arrancada de devotos de Trump. Preso, pagou fiança. Já está solto.
Só uma coisa é mais constrangedora do que as trapaças de Bannon: a dificuldade do clã Bolsonaro de se solidarizar com o amigo americano. A primeira-família sempre se orgulhou de sua proximidade com o ex-mentor da estratégia ideológica e eleitoral de Trump. Na sua primeira visita a Washington, Bolsonaro ofereceu um jantar na embaixada americana que tinha Bannon como estrela e e Olavo de Carvalho no papel de ideólogo coadjuvante.
Mentor de um movimento global de extrema direita, Bannon apontou o Zero Três Eduardo Bolsonaro como líder da pajelança para a área da América Latina. O silêncio momentâneo dos Bolsonaro mostra que só existe um amigo verdadeiramente sincero: o amigo do alheio. (por Josias de Souza)
A forte gripe dos últimos dias e os transtornos por ela causados às minhas atividades diárias já me levavam a deixar para a noite a publicação de algum post, quando percebi que era obrigatório apresentar, o quanto antes, um balanço final da turbulenta e fracassada greve dos PMs cearenses.
Então, por falta de opção melhor nas atuais circunstâncias, estou publicando abaixo o do Reinaldo Azevedo, com o qual basicamente concordo, tendo excluído alguns trechos desnecessários.
Quem quiser acessar os textos integrais das duas postagens do RA, deve clicaraquieaqui.
reinaldo azevedo
ACABA GREVE NO CE. CAMILO CRESCE; BOLSONARO ENCOLHE; MORO HONRA A COVARDIA
A greve criminosa de policiais militares do Ceará chegou ao fim. Duas figuras se sobressaíram nessa crise: uma por suas virtudes e coragem e outra por seu oportunismo pusilânime.
Está de parabéns o governador Camilo Santana, do PT, que não tergiversou nem deu piscadelas para a desordem mesmo quando o governo federal, por atos e omissões, resolveu se juntar a bandidos amotinados. A covardia asquerosa é mesmo a de Sergio Moro, ministro da Justiça.
Não haverá aumento salarial além da oferta originalmente feita pelo governador. Santana também não cedeu à pressão para anistiar os grevistas.
Comprometeu-se, nem poderia ser diferente, com a garantia ao amplo direito de defesa. Sim, é verdade: terão amplo direito de defesa aqueles que largaram a população à mercê de bandidos. Ela não tinha como se defender.
Os que, por sua desídia, irresponsabilidade e militância política, concorreram para a morte de 198 pessoas terão um julgamento justo. Uma Comissão Externa será criada para acompanhar os processos, integrada por membros da OAB, do Exército, da Defensoria Pública e do Ministério Público.
Continuarão fora de serviço e da folha de pagamentos os 230 policiais que foram afastados por 120 dias e que respondem a processos administrativos. Firmada a sua culpa, serão expulsos da corporação. Com acerto, o juiz Roberto Soares Bulcão Coutinho, da 17ª Vara Criminal de Fortaleza, decretou na sexta passada a preventiva de 43 policiais presos em flagrante.
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BOLSONARO – O presidente Jair Bolsonaro, como resta evidente, solidarizou-se, por meio de silêncios e palavras, com os policiais. Não deu seu apoio explícito à greve, mas também não a censurou. Numa live na quinta retrasada, preferiu atacar o senador Cid Gomes, o doidão – sim! – da retroescavadeira. Ocorre que ele ainda traz duas balas alojadas no corpo.
Onyx Lorenzoni, na tal transmissão pela Internet, estimulado pelo presidente, chamou os tiros disparados por amotinados de legítima defesa. Ou seja,crime de responsabilidade de Bolsonaro e Onyx.
O presidente investiu no caos, mas acabou colaborando, sem querer, para pôr fim à greve. Ao ameaçar na quinta passada, não renovar o decreto de Garantia da Lei e da Ordem, disparou um alerta que soou na mesa de todos os governadores.
Ao sugerir que poderia retirar as Forças Armadas do Ceará, deixando a população à mercê de bandidos, ouviu-se um alarido silencioso: "Isso vale para todos nós".
E não! Bolsonaro não poderia proceder segundo a ameaça porque existe a Lei Complementar 97, que disciplina o que dispõe o caput do Artigo 142 da Constituição. As Forças Armadas podem ser chamadas a atuar como auxiliares na segurança pública a pedido de qualquer um dos Poderes. É o que dispõe também a lei.
O presidente, de fato, é quem dá a autorização formal, mas ele não pode dizer não a uma decisão do STF. Chegaram a seus ouvidos um recado oriundo de Santana e outro do Supremo. Caso decidisse pôr fim à ação das Forças Armadas, o governador iria ao tribunal. E este imporia a continuidade da operação de Garantia da Lei e da Ordem.
Os grevistas acharam melhor pôr fim à patuscada, apesar do apoio informal do presidente. Ele ficou, então, sabendo que, conforme dispõem Constituição e lei, ele não teria como fazer o que lhe desse na telha.
MORO – A greve dos policiais militares revelou, sem chance para leitura alternativa, a natureza politicamente pusilânime de Sergio Moro. Ele faz corar até a falta de vergonha. O ministro recorreu ao Twitter para publicar esta pérola:
"Recebo com satisfação a notícia sobre o fim da greve dos policiais no Ceará. O Gov Federal esteve presente, desde o início, e fez tudo o que era possível dentro dos limites legais e do respeito à autonomia do Estado. Prevaleceu o bom senso, sem radicalismos. Parabéns a todos".
Como? Quase 200 homicídios no período do motim, dois tiros disparados contra um senador, fardados armados e amotinados, e o ministro dá parabéns a todos, incluindo os grevistas?
O ministro só se manifestou sobre o caráter da greve neste sábado. Afirmou que ela era ilegal, mas que "o policial não pode ser tratado de maneira nenhuma como um criminoso".
Segundo a Constituição e a lei, que o ministro deveria respeitar, o grevista é criminoso, sim! Quando se amotina, aterroriza a população e depreda patrimônio, pior.
Só para lembrar: a greve já estava em declínio quando Moro foi ao Ceará. Ao chegar com a sua conversa mole em favor do entendimento — com bandidos amotinados, reitero —, o movimento recrudesceu.
O doutor manda um recado a outras PMs que eventualmente queiram botar fogo no parquinho: podem seguir adiante. Moro, o extremista de direita, o Mussolini de Maringá, não expressará um só muxoxo de reprovação, pregará o entendimento e depois dará parabéns a todos.
Já os roqueiros, desenhistas e chargistas que se cuidem. Com essa turma, ele é de uma coragem fabulosa. (por Reinaldo Azevedo)
Talvez o balanço final da greve nem fosse necessário. Bastaria esta música...
A ilusão de que uma vergonhosa subserviência aos Estados Unidos nos garantiria tratamento privilegiado por parte do Tio Sam acaba de trombar com a realidade. Bolsonaro, mais uma vez, torna o Brasil um motivo de chacota aos olhos do mundo.
Apesar de toda sua bajulação a Trump, o governo estadunidense acaba de ignorar a solicitação do Brasil para fazer parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
E, para não deixar dúvidas de quão pouca importância confere aos interesses brasileiros, simultaneamente anunciou o apoio a idênticos pedidos da Argentina e da... Romênia!!!
Ao que tudo indica, o país dos caubóis está nos vendo como o cocô do cavalo do bandido. Deve ter formado tal conceito a partir do nosso representante mais saliente.
"Eu assisti de camarote / o teu fracasso, / palhaço, palhaço!"
Qualquer homem inteligente aprende cedo que exibições de virilidade são um tiro no pé, pois fica evidente para quem assiste que a necessidade de se mostrar forte é um sinal de fraqueza. Ao longo da história, porém, ditadores e líderes políticos não se furtaram a fazer uso marqueteiro de seus supostos dotes físicos.
Mao Tse-tung costumava se deixar levar, boiando, pela correnteza dos rios, dando uma braçada aqui e outra acolá, sob o aplauso de multidões. No dia seguinte a imprensa publicava que o Grande Timoneiro havia quebrado recordes, nadado 10 ou mesmo 20 quilômetros.
Vladimir Putin, atual presidente da Rússia, não perde a oportunidade de tirar a camisa ou de aparecer em cima de um cavalo.
Figueiredo também curtia um cavalo, além de posar ao lado de seus halteres.
Collor fez da corrida um evento de campanha. Todo dia saía de casa para seu cooper diante de dezenas de repórteres, com mensagens políticas estampadas nas camisetas. Também se tornaram clássicas as imagens do exterminador de marajás com seu quimono de karatê ou macacão de piloto, num jato da aeronáutica.
É como se, uma vez que já não se pode mais recorrer ao direito divino dos antigos monarcas, a propaganda estatal tentasse ungir os líderes de outra forma, dando-lhes uma aura de potência infinita, uma compleição sobre-humana que justificaria a nossa submissão.
Soa ridículo, em pleno século 21. Mais ridículo, porém, do que as antiquadas exibições políticas de virilidade, só mesmo exibições políticas de virilidade malsucedidas.
E é aí que nós chegamos a este happening macabro, a este Guiness dos Recordes da vergonha alheia, a este megafônico o rei tá nu que é o Bolsonaro fazendo flexão de braço.
Ou melhor: o Bolsonaro NÃO fazendo flexão de braço. Ou melhor, ainda: ao Bolsonaro fazendo flexão de pescoço.
Não está claro se ele não sabe o que é uma flexão de braço ou se ele não consegue fazer uma única flexão de braço —o que não seria problema algum, visto que para governar um país não é preciso fazer flexões de baço, o enrosco é que em vez de governar o país ele resolve fazer flexões de braço; e não faz flexões de braço.
Já é a terceira vez desde a campanha que ele paga este mico em público: coloca-se no chão com os braços esticados e enquanto PMs, policiais civis, o Doria e até mesmo o general Augusto Heleno sobem e descem, vejam só, flexionando os braços,
Jair ergue e abaixa a cabeça como uma galinha a ciscar o terreiro, enquanto grita “em cima! Embaixo! Em cima! Embaixo! Em cima! Embaixo!” —os gritos reforçam a tese de que ele não sabe do que se trata o exercício: afinal, ele acha que alguém fará uma flexão pro lado? Pra frente? Pra trás?
Bolsonaro se elegeu com o discurso do machão destemido que iria resolver os problemas do Brasil no muque, mas revelou-se um homem de meia idade apavorado com a posição que ocupa, acuado e incapaz de fazer uma flexão de braço.
Eu diria que ele é o Tony Soprano tendo uma crise de pânico se ele algum dia houvesse se aproximado da liderança e do poder de um Tony Soprano. Bolsonaro, na verdade, lembra mais Christopher Moltisanti, o sobrinho do mafioso, um homúnculo com delírios de grandeza.
“Sou priápico! Sou priápico! Sou priápico!”, grita o presidente, enquanto o país inteiro assiste à sua broxada. (por Antonio Prata)
"Em lugar de um plano circunstanciado para o ensino público, o atual ocupante do Ministério da Educação, Abraham Weintraub, só tem logrado promover debates sobre sua política aloprada de comunicação.
O ministro parece mais motivado a bater o presidente da República e seus filhos em matéria de histrionismo provocador."(Folha de S. Paulo, em editorial de 01/06)
"No livro de registro desta vida / Numa página perdida / O teu nome há de ficar / Registram-se os fracassos / Esquecem-se os palhaços / E o mundo continua a gargalhar"
Tão logo soube da primeira decisão do desembargador Rogério Favreto, tentando libertar Lula com um passe de mágica judicial, escrevi que não ia dar em nada, pois a correlação de forças no TRF-4 o desfavorecia e isto acabaria prevalecendo. Dito e feito.
Só não entendo porque ele e o PT embarcaram numa aventura tão sem pé nem cabeça, a ponto de um simples jornalista perceber imediatamente que era canoa furada.
Por que os dirigentes petistas insistem tanto em desmoralizar o partido?
O que esperam obter com a enxurrada da recursos que de antemão sabemos que serão recusados, e agora com essa traquinagem que só serviu para inspirar falsas esperanças nos adeptos e para fornecer farta munição propagandística à direita?
Que exemplo eles dão para o povo marchando de fiasco em fiasco? Será que pretendem constar do Guinness como recordistas de derrotas?
Se o De Gaulle estivesse vivo, diria que o PT não é um partido sério...
"Eu assisti de camarote / o teu fracasso, / palhaço, palhaço!"
Ah, esses homens e mulheres tocados pelo gênio e seu maravilhoso jogar conversa fora, punhados delas, embebidas de arte, emoção, paixão. A revirar o fundo das nossas almas. Gentes agraciadas pela divindade, esses cronistas! Trilham por todos os mais escondidos caminhos do planeta azul. Pena não chegarem até nós todas as suas delirantes mensagens. Elas se perderão nas noites do tempo.
Na macia alcova de seus sentimentos, esses seres especiais celebram casamentos. Contraem núpcias um punhado de palavras de mãos dadas com ricas melodias e seus intérpretes. E assim nascem as mais belas crônicas, as canções, puras rezas dos corações cheios de ais.
O cronista põe a letra.
O compositor empresta a música.
O cantor passa o recado.
Mistura explosiva, essa.
Esqueça-se a aborrecida história da crônica, quando em seu berço era aquela montanha de letras em rede, cansativamente apinhadas no papel jornal, um martelar enfastiante de pseudo saber político.
Então, canções. São elas:
Um: conversas fiadas em torno da mesmice chorosa de amores perdidos. Dois: pranto repetitivo da paixão que não deu certo, por isso mesmo paixão eterna, viva para sempre. Três: corações a chorar.
Atenção: um bando de linhas, mais música, mais intérprete e dá-lhe gemidos de amor. É a conjugação do verbo doer, do inflamante verbo querer. Eu, tu ele, nós vós, eles, queremos, gememos.
A crônica musical é o hino do fechar do peito pelos golpes da traição, o bambolear das pernas com a separação, a aflição do abandono, as lágrimas do ir embora, a pancada na alma do não te quero mais. Ela já não gosta mais de mim. A aflição dos rejeitados.
A seguir, alguns escassos exemplos de incendiadas conversas fiadas.
[Antes de seguir, miserável homem sou eu, a cometer injustiça aos cronistas musicais e seus intérpretes habitantes de todos as esquinas deste nosso, por enquanto, ainda planeta azul, por não poder alinhar todas as suas preciosas conversas jogadas fora, tantas, tantas, recheadas de amor, graça, paixão, gemidos, gritos por justiça, anseios por um mundo melhor.] Seguindo.
— gemidos de amor, a começar pelo homem dono de mais de mil mulheres sem aquela que ele tem no coração. Esse homem não é ninguém. Ele está na crônica-samba de Ataufo Alves: mulher a gente encontra em toda a parte, mas não encontra a mulher que a gente tem no coração.
— o choro do tudo perdido: ela já não gosta mais de mim, mas eu gosto dela mesmo assim. Que pena, Jorge Ben Jor, cronista, músico, intérprete.
— perdido na vida: buscando um novo rumo que faça sentido nesse mundo louco. Charles Brown Jr.
— o estigma do querer: não sei porque insisto tanto em te querer se você sempre faz de mim o que quer. Fagner
— o sufoco da ausência: não vejo mais você faz tanto tempo, que vontade que eu sinto de olhar em seus olhos, ganhar seus abraços. Caetano Veloso.
— amarga é a aproximação do adeus: me dê motivo para ir embora, estou vendo a hora de te perder. Tim Maia.
— e a malvada faca do ciúme, a furar a nossa alma: me sentindo enamorado e saber que outro ao teu lado pronto pronto te falará de amor. Carlos Gardel.
— não há ponto final numa história de amor: tudo entre nós terminou, a vida não continuou para nós dois, caminhemos, talvez nos vejamos depois. Francisco Alves.
— o jovem sonhador com sua pequenina crônica Imagine, pequenina no tamanho, a imaginar grandiosamente um novo mundo: eu espero que algum dia você se junte a nós e o mundo será um só. John Lennon.
Continha de somar: palavras, mais música mais intérprete, igual a três professores a registrar a História. Se não vejamos:
— ah, aquelas pranteadas conversas fiadas ecológicas, benditas defensoras do planeta, temerosas por sua destruição: Será que no futuro haverá flores? Será que os peixes vão estar no mar? Será que os arco-íris terão cores? E os passarinhos vão poder voar? Toquinho.
— ah, aquelas rezas encharcadas de ais contra a tirania: Morte, vela, sentinela sou do corpo desse meu irmão que já se foi. Revejo nessa hora tudo que aprendi, memória não morrerá. Longe, longe, ouço essa voz que o tempo não vai levar. Fernando Brant.
— letras, músicas e intérpretes de autoria de combatentes da liberdade e da justiça, a alimentar revoluções: Todo jornal que eu leio me diz que a gente já era, que já não é mais primavera. Oh baby, oh baby, a gente ainda nem começou. Raul Seixas.
— o recado falado e cantado a tirar o sossego dos usurpadores da vida: Seu moço, tenha cuidado com sua exploração, se não lhe dou de presente a sua cova no chão. Gilberto Gil.
— o poder de cantar abate o poder das ditadura: Tanta vida pra viver, tanta vida a se acabar. Com tanto pra se fazer, com tanto pra se salvar. Você que não me entendeu, não perde por esperar. Geraldo Vandré.
Tal é a espada afiada da crônica musical.
Ah, pudéssemos ouvir, cantar, rezar todas as canções nascidas nos mais ocultos cantos e recantos da nossa morada terrestre, brotadas em mil e um corações dedicados a falar o idioma da emoção. (por Apollo Natali)
O Gran Circo VaiTolo estréia o espetáculo Denúncia Mambembe, que cumprirá curtíssima temporada e logo vai sair de cartaz.
A direção adverte que, por motivos de higiene, não será permitido o ingresso de pessoas portando tomates e ovos podres...
Pois é, na última semana de sua gestão desastrada, Rodrigo Janot faz nesta 5ª feira (14) sua segunda e derradeira tentativa de derrubar o presidente Michel Temer. É fracasso certo, depois de a Câmara Federal ter rechaçado a primeira no último dia 2 de agosto e os eventos posteriores haverem comprovado que não passava de uma armação tosca (para não dizer criminosa, de tal forma transtornou o País e convulsionou a economia).
Faltou coerência ao Supremo Tribunal Federal para reconhecer o que o Brasil inteiro já percebeu: Janot está totalmente descontrolado e deveria ser impedido de lançar mais flechas a esmo. Afinal, como a sofreguidão se repetiu, há grande chance de se repetir igualmente a inépcia jurídica.
O sensato seria entregar-se o material à sucessora do Janot, para que ela, após passar calmamente um pente fino em tudo, entregasse uma denúncia capaz de sustentar-se em pé. É provável que, agora, a falta de rigor técnico venha a comprometer as chances de condenação do Temer quando ele perder a imunidade.
A pressa do Janot e da Globo nada tinha a ver com os interesses da Justiça e da Nação. As pessoas sensatas logo perceberam que, não estando os parlamentares dispostos a aprovarem eleição direta para o mandato-tampão ou antecipação do pleito presidencial de outubro de 2018, o resultado do golpe seria apenas:
— a substituição temporária do Temer ruim pelo Temer piorado (Rodrigo Maia); e
— lá por meados do ano que vem, a posse de uma versão brasuca do Pepino, o breve (um presidente eleito pelo ínclito Congresso que temos para assumir no finzinho do mandato, quando o governo já estivesse esvaziado pela corrida eleitoral).
Mês e meio depois, o timing se tornou mais desfavorável ainda e a delação premiadíssima do Joesley Batista se desmanchou no ar, levando consigo a reputação e a credibilidade do Janot. Ainda assim, ele fez questão de bisar o fiasco.
Deve estar acreditando que ainda possa levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima, como no verso de Paulo Vanzolini.
O mais provável é que os brasileiros cantem, isto sim, o samba de Benedito Lacerda e Herivelto Martins: Eu assisti de camarote o teu fracasso, palhaço...