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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

LULA FUJÃO CORRE DE MANIFESTANTES NO RIO DE JANEIRO


 Lula veio ao Rio de Janeiro participar de um evento de marketing para entregar carteirinhas aos professores. Em um país com uma educação caindo aos pedaços e com a carreira docente em franca decadência, o presidente acredita que a salvação é ter um papel dando direito a descontos em hotéis e compras pela internet. É o clube de vantagens do peleguismo. 

Na realidade, se trata de mais um exemplo de solução neoliberal típica do lulismo, resolver os problemas com privatização e transformar trabalhador em simples consumidor

Mas Lula não foi sozinho. Não poderia ser a velha politicagem lulista sem a presença da nata do lixo da política nacional: lá estavam Hugo Mota, o insignificante presidente da câmera federal, Ferreirinha, o ignóbil secretário de educação da cidade do Rio, e Eduardo Paes, o prefeito picareta que o lulismo ama. Prefeito e secretário, inclusive, responsáveis por inúmeros ataques aos professores cariocas em 2024, receberam sonoras vaias. Certamente, ninguém melhor para homenagear os professores que aqueles responsáveis pelos maiores ataques a eles. 

Num dia, ferram os professores, no outro,
entregam carteirinhas. 

Contudo, o vexame maior não foi o ato patético de entregar carteirinhas junto com figuras tão desilustres, mas a fuga de Lula dos manifestantes. Dia e local do ato foram guardados a sete chaves e os professores convidados só ficaram sabendo dessas informações cruciais 2 dias antes. Sindicatos dos servidores públicos do Rio de Janeiro, então, convocaram manifestação para a porta do evento, mas os espiões do Lula alertaram o governo e, para desarticular o movimento, se antecipou em 4 horas o horário da entrega das carteirinhas. Diante disso, não foi possível manter o protesto.

Lula fugiu dos manifestantes. (por David Coelho) 

segunda-feira, 1 de julho de 2024

LULA DERROTA GREVE DA EDUCAÇÃO FEDERAL

 


Após 86 dias, chega ao fim a greve da educação pública federal com a assinatura de um acordo entre os sindicatos representativos dos trabalhadores e o governo Lula. O resultado final do acordo ficou muito aquém do que era pretendido, com uma recomposição salarial insuficiente, recomposição tímida do orçamento e promessas vagas sobre reestruturação de carreira e novas concessões para docentes e técnicos. 

Lula cerrou fileiras junto aos capitalistas e não aceitou que se colocasse qualquer fissura na política de austeridade fiscal, cuja defesa foi elemento fundamental do pacto que permitiu sua saída da prisão e posterior eleição, na farsa da frente ampla pela democracia. Acuado pela fortíssima greve, emparedado pelas manifestações, Lula não teve outra alternativa que fazer prepotente discurso (veja aqui) exigindo que os líderes sindicais, seus paus mandados, colocassem fim à greve.

A indignação de Lula era porque esses líderes não tinham conseguido impedir a greve de acontecer. Tentaram, mas os trabalhadores os atropelaram. Uma vez a greve deflagrada, eles a boicotaram de todas as formas, seja poupando Lula das críticas, seja impedindo a realização de atos de rua, seja induzindo medo entre os trabalhadores. No fim, inclusive, foi esse discurso do medo o determinante para o fim do movimento, pois foi incutido na cabeça dos trabalhadores que se não aceitassem as migalhas concedidas por Lula, ele não daria nada, como já havia feito Dilma em 2011.

Com quase três meses de greve, muitas disputas, pressões e cansaço, os trabalhadores não tiveram outra opção que acatar o encaminhamento do fim do movimento paredista. Seus líderes, obedecendo a Lula, faziam o discurso do medo e o iam instando a retomar as atividades, e esses, em dúvida profunda, resolveram que o melhor era recuar e garantir a miséria concedida pelo governo. 

Contudo, essa greve conseguiu avanços gigantescos, as maiores foram na organização e na consciência política. Foi desnudado o caráter conservador de Lula e sua mentira em relação a valorizar a educação. Ficou também claro seu papel de defensor intransigente dos interesses dos capitalistas, protegendo-os mesmo às custas da implosão de seu governo. Finalmente, os trabalhadores avançaram na compreensão de seu papel enquanto classe, na importância de sua organização e em que, ao fim das contas, são eles próprios os sujeitos da história. 

Lula derrotou a greve, mas junto condenou seu próprio governo ao fiasco, conforme já tínhamos alertado anteriormente em outro post. Depois de suas ações, não poderá nunca mais dizer que defende a educação ou os trabalhadores. Ao pisar na garganta de um setor historicamente aliado, enquanto valorizou os bolsonaristas, o presidente mostrou seu desprezo pelos aliados e seu delírio de onipotência. A conta já chegará nas eleições de outubro desse ano. 

A greve se encerrou, mas a luta por um novo mundo continuará! (por David Coelho)


 Fala em assembleia do Colégio Pedro II em que se decidiu o encerramento da greve

quinta-feira, 30 de maio de 2024

LULA DEU UM GOLPE NA EDUCAÇÃO FEDERAL

 


Nesta segunda-feira, 27/05, o governo Lula assinou clandestinamente nos porões do Ministério da Gestão e Inovação, um acordo fake com uma organização sindical ilegítima, o Proifes, para colocar fim à greve da educação federal. Enquanto dezenas de servidores estavam nas portas do dito ministério protestando, representantes dessa organização entraram pelas portas dos fundos e se reuniram com enviados de Lula. Para completar a farsa, Feijó, preposto do sindicalismo pelego da CUT, foi até a sala onde se encontravam os representantes dos sindicatos legítimos da categoria para declarar que a greve estava encerrada!

Pelego do Proifes assina acordo nos porões do
MGI. Reacionarismo e rock de mãos dadas.
Para quem não conhece, o Proifes é uma organização sindical criada pelo governo Lula em 2008, quando Haddad era ministro da educação, enquanto estratégia para enfraquecer o Andes, esse o legítimo sindicato dos docentes das universidades federais. Isso porque o Andes havia cometido o terrível pecado de se colocar firmemente contra a reforma da previdência, promovida por Lula em 2003, e, por isso, foi punido pelo governo com a perda de sua carta sindical. O Proifes, portanto, já surgiu como uma entidade chapa branca, atrelada aos interesses antidemocráticos e antissindicais de Lula, visando dividir e enfraquecer o movimento dos docentes federais. 

No discurso, Lula diz defender a educação, mas na prática age contra ela de modo sistemático. Seu interesse com o setor não vai muito além de quantos votos ele consegue arrancar entre professores, alunos e técnicos. Para além das eleições, se congrega com setores capitalistas interessados em privatizar a educação pública, sacrifica os trabalhadores da educação em nome dos lucros dos banqueiros e impõe a intransigência nas negociações. 

E tudo isso quando concedeu recomposições salariais de até 60% para a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Penal, entidades profundamente bolsonaristas. Essa é a brilhante estratégia de Lula, esmagar os amigos e fortalecer os inimigos! É a estratégia digna de quem se acha ungido pelos deuses e acima do bem e do mal. 

Apesar do golpe de Lula, a greve segue!

Apesar da estratégia de Lula de esmagar a greve, essa seguirá firme e está ainda mais forte. A ação autoritária e desrespeitosa do presidente serviu apenas para despertar a ira de professores, técnicos e estudantes, os impulsionando ainda mais à luta. Dia 03/06, segunda-feira, ocorrerão atos de resistência nacionalmente e na porta do ministério da gestão e inovação para dar uma resposta incisiva e firme a Lula: não aceitaremos sermos desrespeitados! Todos e todas estão convocados a participar. 

Que Lula decida: ou está ao lado da educação e de seus trabalhadores ou está ao lado dos inimigos da educação! É momento de decisão e não cabe meio termo! (por David Coelho)

                 É assim que Lula trata a educação brasileira!

sexta-feira, 24 de maio de 2024

LULA E HADDAD SEGUEM NO ATAQUE À EDUCAÇÃO FEDERAL

 

"A greve continua, Lula, a culpa é sua!", com esse grito a assembleia do Colégio Pedro II aprovou nesta sexta, dia 24/05, a continuidade da greve. Já são mais de 40 dias de greve total ou parcial na rede federal de ensino sem que o governo Lula se digne a oferecer algo de relevante à categoria dos docentes e técnicos. 

Pior, a última proposta de Lula foi insistir no reajuste zero para a categoria no ano de 2024 e propor algo tão rebaixado para os próximos anos que sequer cobre a inflação futura de forma adequada. No caso dos técnicos, a categoria que ganha o pior salário do serviço público federal, a oferta é ainda mais rebaixada, pois o plano de Lula, Haddad e Tebet é caminhar para a terceirização desse segmento. 

Quando o tema é a recomposição do orçamento para a educação, o debate fica quase nulo. O governo que se diz em favor da educação e que diz querer abrir 100 novos Institutos Federais Brasil afora não propõe qualquer tipo de recomposição orçamentária para recuperar os cortes acumulados nos últimos dez anos, desde o governo Dilma 2. Hoje existem instituições ao redor do país em estado de calamidade, com paredes caindo, tetos desmoronando e sob risco de incêndio. Na última semana, tivemos, por exemplo, notícias de que um ventilador caiu na cabeça de um aluno, que uma professora foi engolida por um buraco em sala de aula e que aulas foram suspensas por falta de água, tudo isso na UFRJ, a maior e mais tradicional universidade do Brasil. 

Mas, Lula e Haddad seguem intransigentes. Querem esmagar a greve da educação a todo custo, a ponto de terem colocado um ultimato para os servidores: não haverá mais negociações e dia 27 assinará o acordo com quem lá estiver para assinar. Na prática, Lula espera que compareça para assinatura o Proifes, pseudo sindicato criado pelo próprio governo em 2008 para minar as organizações independentes e que possui por tradição a falta de democracia interna. Tal sindicato chapa branca representa menos de 5% da categoria dos servidores da educação, não possui carta sindical, mas se arroga o direito de falar pelo conjunto dos trabalhadores. 

Contudo, já demos o alerta, se Lula esmagar a greve da educação, será um tiro no peito de seu próprio governo, pois estará alienando um grupo que foi absolutamente fundamental para sua eleição, enquanto reforça categorias radicalmente bolsonaristas, como é o caso da PRF e dos Policiais Penais, que receberam reajustes que beiram os 60%. Quem é que fortalece mesmo a extrema direita? Não é fortalecer o fascismo despejar dinheiro nos apoiadores de Bolsonaro, enquanto as categorias tradicionalmente à esquerda são dilaceradas? 

Por trás de tudo estão os compromissos de Lula com o grande capital, sua dívida no pacto celebrado para tirá-lo da prisão e levá-lo de volta à presidência. Ele deve ao capital, sobretudo o financeiro, sua liberdade e seu poder, e fará de tudo para pagar a dívida, mesmo sob o risco de se autodestruir. No fim, o deus lula tem pés de barro e, tal como todo deus, não passa de uma mistificação tão vazia quanto uma bolha de sabão. (por David Coelho) 

terça-feira, 14 de maio de 2024

GREVE DA EDUCAÇÃO PODE SELAR DESTINO DO GOVERNO LULA 3

 

Não acredito que Lula e os lulistas mereçam conselhos, até porque conselho se dá a quem é amigo e deseja minimamente ouvir o que se tem a dizer, características muito distantes da turma hoje ocupante do Palácio do Planalto. Contudo, farei um alerta na esperança de ter algum impacto. 

A greve da educação federal no Brasil já completa 44 dias, 74 se formos contar a greve parcial dos técnicos nas universidades, desencadeada antes da recente onda. Praticamente todas as universidades e institutos federais do país estão parados, parcial ou totalmente. Nesse período todo, a proposta do governo Lula não foi muito além de oferecer uma recomposição salarial que sequer cobre a inflação futura, quanto menos a passada. É pedido 33% de reajuste para os técnicos e 21% para docentes, no entendimento que as perdas salariais dos técnicos é muito maior, passando de metade do salário. Mas o governo apresentou proposta de irrisórios 13%, a ser divido nos próximos três anos, muito longe do ideal, pois a inflação dos próximos anos é prevista para alcançar 11%. 

Pior!, o governo Lula, com Haddad e Tebet à frente, apostam em uma estratégia de divisão e cansaço da categoria. Estão fechando acordos com setores do funcionalismo considerados de maior peso, enquanto mantém a educação isolada com o ônus de uma greve longa e cansativa. No Colégio Pedro II, onde trabalho, já tivemos casos de docentes ameaçados por pais de alunos descontentes com a greve, além da criação de grupos de responsáveis para ir às portas dos campi serem filmados pela Globo gritando contra a greve. Não é preciso dizer que tais grupos congregam a nata do bolsonarismo, algo já esperado, mas também muitos lulistas. 

A etapa final da estratégia do governo é forçar a saída prematura dos docentes da greve, deixando os técnicos sozinhos, já com o intuito de terceirizar as funções desses servidores. Para isso, Lula e Haddad pretendem apresentar uma proposta de reajuste atraente para os docentes e revisar alguns pontos da carreira desses. Os professores, que em sua maioria sequer queriam entrar em greve, podem ficar tentados a aceitar o pedido e encerrarem sua mobilização. 

Contudo, a solução nesse sentido seria trágica para a educação, pois reforçaria a divisão entre técnicos e docentes, não necessariamente solucionaria o problemas dos últimos, pois ainda ficaríamos com perdas imensas, e esmagaria os técnicos. No caso do Colégio Pedro II, e de outras instituições federais, a situação é mais complexa porque o sindicato é unificado, então é impossível terminar a greve sem ter atendido às duas categorias. Ou seja, ficaríamos ainda mais tempo na greve, com um ambiente conturbado e com um desgaste gigantesco, interna e externamente. 

Porém - e aqui vai o alerta - o governo precisa se atentar que a educação é o setor que mais apoiou a eleição de Lula em 2022. Esmagar essa categoria é um contrassenso, ainda mais sabendo-se que setores do funcionalismo profundamente bolsonaristas receberam recomposições vultuosas, como é o caso da PRF, da PF e dos policiais penais, com reajustes que bateram os 60% no caso dos últimos. O governo envia a mensagem que os inimigos precisam ser premiados, mas os aliados devem ser tratados a pontapés! 

A popularidade de Lula caí a cada dia, fruto de sua política econômica atrelada aos interesses dos capitalistas. Ele vai sendo tragado pela crise capitalista e, caso opte por penalizar a educação, terá menos um grupo de apoiadores. A derrota da greve da educação poderá selar o destino de Lula 3, com um fim trágico para esse. (por David Coelho) 



sábado, 4 de maio de 2024

30 DIAS DE GREVE NA REDE FEDERAL: LULA E HADDAD CONTINUAM OS ATAQUES À EDUCAÇÃO

 

A greve do Colégio Pedro II - o mais antigo colégio de ensino médio do Brasil, com quase 190 anos de história - completou 1 mês nesta sexta-feira, 03/04. Junto a ele, praticamente todas as instituições de ensino federais estão em greve, total ou parcialmente. Na última semana, os docentes do CEFET/RJ e da UFF também se declararam em greve, deixando no Rio de Janeiro apenas a UFRJ com os professores fora do movimento. Coincidência ou não, o sindicato dos professores dessa universidade é ligado ao PT.

Sem dúvida, é uma das maiores greves do ensino federal em muito tempo, resultado de anos de defasagem salarial, corte sistemático do orçamento da educação e precarização em série das carreiras de técnicos e docentes. O desastre no ensino público federal pode ser medido pelo altíssimo grau de evasão dos técnicos, atraídos por carreiras mais vantajosas em outros segmentos do poder público, o que leva ao quadro de grave carência de servidores para trabalhar em diversas áreas cruciais do atendimento educacional. 

Na infraestrutura das instituições é também patente o estado de deterioração e abandono. Não raro existem campi com blocos condenados, salas interditadas, paredes desmoronando, elevadores sem condições de uso, etc. Também nessa semana, a reitora do Colégio Pedro II, Ana Paula Giraux, deu entrevista anunciando que o campus Centro, o mais antigo da instituição, onde o próprio Dom Pedro II ia para participar dos exames finais, corre sério risco de pegar fogo. Isso sem contar centenas de Institutos Federais país afora que ainda funcionam em prédios improvisados, mais de uma década após terem sido inaugurados pelo próprio Lula. 

Mas qual a proposta do governo? Uma recomposição salarial tímida, que não chega à metade do que foi pedido, o que já era bem inferior às perdas reais acumuladas. Pior, fizeram uma proposta de ajuste idêntica para professores e técnicos, mesmo sendo as perdas dos últimos muito maiores, e lançaram a deixa na mesa de negociação em Brasília: "levem para as assembleias, quem sabe não aceitam?". A estratégia era claríssima, fazer os professores aceitarem a oferta e induzir que esses abandonem a greve, deixando apenas os técnicos, parte menos visível para a opinião pública. Ato sórdido de um governo sórdido! 

Recusada em massa a proposta, pois em nenhum lugar os servidores a aceitaram, o governo decidiu partir para nova estratégia, o isolamento da educação dentro do funcionalismo público. Para isso, esperará o dia  13 de maio para nova rodada de negociações com os servidores desse setor, enquanto avança com outros. O objetivo é fechar acordos com setores estratégicos e de peso, deixando professores e técnicos com o ônus de uma greve longa e desgastante. Mais sordidez!



Tudo em nome do sacrossanto Teto de Gastos, rebatizado eufemisticamente de Arcabouço Fiscal. Haddad, o pior ministro do governo, cão de guarda do capital, já disse não existir espaço no orçamento para os servidores e que a meta é o déficit zero, o qual só pode ser conquistado às custas dos servidores, dos serviços públicos, da saúde e da educação, sobretudo. 

Lula se elegeu dizendo defender a educação. Mas em que tal defesa vai além de mera retórica oportunista ainda não foi mostrado. Até agora o que vemos é desrespeito, sordidez, demagogia e compromisso com a precarização do ensino público! (por David Coelho) 



quarta-feira, 10 de abril de 2024

HADDAD, O INIMIGO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA!

 

Dino estava na disputa com Haddad para saber quem seria o pior ministro do governo Lula 3, tendo ele ido para o STF, após lá abocanhar uma bocona, ficou ao Haddad o título inconteste de pior titular da Esplanada dos Ministérios. Agora, contudo, sabemos que ele não é apenas patético, mas também nefasto

Em declaração hoje, 10/04, disse não haver espaço para o reajuste do funcionalismo público, pois o orçamento deste ano já estaria fechado. Ocorre que até o momento a categoria que mais tem pressionado pela recomposição salarial e, inclusive, está em greve é a da educação, com mais de 445 campi de Institutos Federais, centros tecnológicos e universidades tecnológicas paralisadas. O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, onde atualmente trabalho, entrou em greve no dia 03 de abril, se juntando à greve nacional. 

Nos últimos anos, o salário dos técnicos administrativos e dos docentes sofreram perdas imensas, passando de 50% no caso dos primeiros. Ou seja, enquanto a inflação aumentou galopante e o custo de vida atingiu índices gigantescos, o valor nominal pago aos servidores seguiu o mesmo, na prática achatando seus salários e levando não poucos a uma situação de penúria. 

Daí terem sido comuns os relatos na Assembleia dos servidores do Colégio Pedro II em que se relatou a dificuldade em pagar aluguéis, transporte e mesmo alimentação. Alguns confessaram fazer bico de Uber para complementar a renda familiar, enquanto outros não esconderam a intenção de abandonar a carreira na educação em prol de outras mais atrativas. O resultado disso é a degradação dos serviços prestados no Colégio, um dos mais tradicionais do Brasil, com quase 190 anos de história. Faltam funcionários para serviços elementares e os que existem não dão conta de muitas demandas. 

Por fim, o orçamento da educação vem sendo estraçalhado nos últimos 10 anos, desde pelo menos o finado governo Dilma 2, com cortes sucessivos que afetam investimentos, mas também o custeio das estruturas, a contratação de serviços terceirizados, reformas e a assistência estudantil. Assim, é comum encontrar nos campi Brasil afora prédios inacabados ou mesmo faculdades com salas interditadas, além de não raro aulas serem interrompidas por falta de limpeza dos banheiros e espaços gerais. Estudantes pobres muitas vezes precisam abandonar os estudos por falta de apoio financeiro.

Diante desse cenário, o futuro da educação brasileira é nebuloso. As redes estaduais e municipais já estão sucateadas e arruinadas há décadas, sofrendo com falta de professores, de funcionários, infraestrutura precária, etc. A rede federal, que ainda mantém um mínimo de atendimento com qualidade, pode sofrer o mesmo destino no médio e longo prazo, enterrando de vez a educação em nosso país. 

Por isso, Haddad parece querer juntar ao seu currículo o epíteto de destruidor da educação pública, algo ainda mais desonroso para um professor e ex-ministro da Educação. Político medíocre, intelectual vazio, pelo menos dessa forma entrará para a história. (por David Coelho) 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

ALGO MAIOR ESTÁ PARA ACONTECER E PODE MUITO BEM SER NAS JORNADAS DE AMANHÃ. TODOS ÀS RUAS!

Estudantes e trabalhadores voltarão às ruas amanhã para protestar contra os cortes no orçamento da Educação e o projeto "Future-se", tentativa do governo atual de terceirizar o financiamento do ensino público. [Será que "F...-se" não estaria mais de acordo com a essência dessa iniciativa?]

A data é agourenta (13 de agosto), até porque o desespero da horda bolsonarista que sente o chão fugir sob seus pés inspira inquietação:  os espasmos de agonizantes às vezes são violentos.

O guerreiro Ricardo Kotscho, que não perdeu a sensibilidade do grande repórter que era quando o regime dos generais começava a marchar para a lixeira da História, vê semelhanças com o "final de 1983, nos estertores da ditadura militar, quando líderes de diferentes partidos e de movimentos sociais começaram a discutir formas de mobilização pela redemocratização do país".

Então, confiarei no seu taco:
"Não são só os estudantes, professores e artistas.
A inédita União das Centrais Sindicais mobiliza trabalhadores de todas as áreas, assim como os movimentos sociais e populares, que andavam sumidos das ruas.
É a sociedade civil organizada que está voltando a se manifestar, num momento de sufoco extremo, em que ninguém aguenta mais os desmandos desse governo demente e entreguista, comandado por um capitão desvairado, que agora deu para desfilar de motocicleta e jet-sky por Brasília.  
Por onde andei neste final de semana — não sei como ficaram sabendo dos protestos — muita gente já se programava para ir à avenida Paulista, local da manifestação aqui em São Paulo, a partir das 16 horas".
Embora eu não tenha captado tal clima pela cidade, faz todo sentido que a irreversível desmoralização de Sergio Moro e da Lava-Jato, somada às consecutivas e gritantes evidências de descontrole governamental, assim como à constatação da impotência com que nossas bizarras otoridades assistem ao agravamento da crise econômica, tenham feito a paciência dos brasileiros chegar ao limite. 

Algo maior está para acontecer, só não se sabe quando. A gota d'água que entornará o copo da insatisfação do nosso povo sofrido pode muito bem fazer sua aparição amanhã!

E uma coisa é certa, a onda neofascista reflui em escala internacional: 
— o Brexit está em vias de ser implantado pra valer no Reino Unido, com tal potencial devastador que poderá fazer os britânicos sentirem saudades de quando tinham de suportar os bombardeios do Hitler; 
— as mágicas bestas de Trump na economia caíram no vazio e, sem conseguir entregar o boom econômico prometido na última campanha presidencial, sua reeleição deve virar pó de traque; e 
— até na Argentina se desenha uma macro-derrota do Macri, que equivalerá a uma hiper-derrota de Bolsonaro, aquele insensato que andou por lá buscando lã e tende a ter seu prestígio mais tosquiado ainda, se isto ainda for possível...

Neste momento em que as aberrações vindas à tona com a onda ultradireitista começam a afundar de novo nas profundezas de onde jamais deveriam ter saído, estarei na avenida Paulista e espero que todos os leitores deste blog participem das manifestações marcadas para pelo menos 80 cidades brasileiras, na esperança de que venhamos mesmo a contribuir para um momento decisivo nossa da História. 

Afinal, tanto quanto no caso do Jânio Quadros, não há período mais emblemático para a queda do Bolsonaro que o mês do cachorro louco. (por Celso Lungaretti)

sábado, 15 de junho de 2019

"FIQUEI CONTENTE EM VER OS JOVENS DE 2019 FAZENDO UM ATO DE PROTESTO COM A MESMA DESCONTRAÇÃO DE UMA FESTA"

Não houve paralisação significativa do transporte coletivo em Sampa, poupando-me de caminhar os seis ou sete quilômetros que me separavam do vão do Masp, como prometi que faria em último caso. Fui de ônibus mesmo.

Aqueceu meu coração ver tantos jovens repetindo mais ou menos o que eu fazia 51 anos atrás. Seu entusiasmo ingênuo chegava a me comover. 

Se a reforma da Previdência não parar, nós vamos parar este país! era uma das palavras-de-ordem. Bonito de dizer, difícil de fazer. A acumulação de forças está só no comecinho, vai levar um bom tempo até podermos lançar tal ameaça remotamente a sério.

Uma diferença marcante com as manifestações de 1968 era o jeitão de festa, com várias atrações para manter entretida a moçada (até uma partida pândega de futebol, com direito a narrador brincalhão, num trecho próximo da concentração principal).

Diante do Conjunto Nacional, um grupo musical apresentava-se para algumas centenas de manifestantes. Soou-me meio herética a versão que fizeram do hino da resistência italiana ao fascismo, Bella Ciao, cujos versos belíssimos e trágicos (um partigiano que se despede da amada já antevendo sua morte em combate) foram substituídos pelo blablabla de sempre sobre a reforma da Previdência.  
Mas é uma tarantela empolgante e todo mundo gostou, os aplausos foram calorosos. Ao contrário da minha geração, boa parte desses jovens não mostra razoável conhecimento das (nem grande interesse pelas) lutas travadas antes que eles adentrassem gloriosamente o palco. 

Nós, os de 1968, nos víamos como herdeiros de uma tradição milenar, identificávamo-nos com Spartacus, os iluministas, Giordano Bruno, Bolivar, Garibaldi, os communards de Paris, Marx, Proudhon, Lênin, Trotsky, Rosa Luxemburgo, Sacco e Vanzetti, Guevara e tantos outros pensadores, combatentes e mártires através da História. 

Respeitávamos os camaradas que lutaram contra a ditadura de Getúlio Vargas, idem os que abortaram a tentativa golpista de 1961, tínhamos uma boa noção do que todos esses episódios foram e representaram.

Isso tudo agora parece ter virado papo de museu. A sociedade de consumo e do entretenimento forma pessoas mesmerizadas por um eterno presente, que pouco querem saber do passado e preferem ignorar o futuro ameaçador que as espreita.
Nem mesmo os insatisfeitos e descontentes com a civilização escapam ilesos desse condicionamento mental. Daí ser tão difícil agora organizarmos a resistência à desumanidade no cotidiano, no dia a dia. 

Cada um persegue seus objetivos dentro do sistema e, em certos momentos, todos se juntam em grandes manifestações que podem até gerar uma dinâmica transitória mas que, quando elas são esmagadas pela repressão dos poderosos, desaparece sem deixar rastro.

Pode ser que, conforme a crise do capitalismo intensificar-se ainda mais e os efeitos das alterações climáticas se fizerem sentir com gravidade cada vez maior, chegue um momento em que a união dos setes humanos em torno do bem comum venha a ser o preço da sobrevivência da nossa espécie. 

Mas, se racionalmente concluo que temos pela frente tempos muito difíceis, as minhas emoções vão em sentido contrário: fiquei contente em ver os jovens de 2019 fazendo um ato de protesto com descontração de festa (pelo menos na avenida Paulista, alhures a barra já pesou...). Em 1968 havia sempre a possibilidade de sermos reprimidos violentamente, então nunca íamos com espírito tão leve para as ruas. 

Gostaria de lhes dizer: aproveitem agora, pois adiante a caminhada vai ser bem mais árdua e sofrida

Gostaria de lhes dizer: acumulem boas lembranças, para delas extraírem forças quando sua vontade for colocada em xeque pelo que sofrerem ou pelo sofrimento dos que lhes são caros.

Gostaria de lhes dizer: tentem colocar-se à altura das situações que enfrentarão, pois, mais do que nunca, os momentos serão dramáticos e seus esforços, imensamente necessários.

Sei, contudo, que ou não me ouviriam, ou não me compreenderiam. O que vierem a fazer, dependerá do que suas experiências de vida lhes ensinarem.

Cada geração tem, num curto espaço de tempo e dentro de uma relativa escuridão, que descobrir sua missão, cumpri-la ou traí-la foi uma das falas inesquecíveis da melhor de todas as criações coletivas do Grupo Oficina, Gracias, Senhor. (por Celso Lungaretti)
"Disse o velho, eis aqui o fim de tudo / Veio o moço e continuou"

quinta-feira, 13 de junho de 2019

TODOS À GREVE GERAL!

Greve é parar a produção, parar a geração e circulação de capital. A greve é o momento em que o trabalho mostra ao capital a real origem de sua riqueza. 

A greve, no entanto, não é um ato de ruptura revolucionária. Ela é um processo limite da dinâmica burguesa, momento de expressão extrema da insatisfação laboral. A greve não questiona a propriedade privada, mas impõe-se no limite do processo de exploração.

A greve pode mesmo ser considerada um caso extremo da liberdade de expressão, pois é o instante em que o trabalhador usa o próprio corpo para anunciar à classe dominante seu descontentamento. Por isso, a greve acaba sendo um direito no estatuto burguês liberal, direito este negado em regimes ditatoriais. 

Ao longo do tempo, a greve acabou sendo acoplada a uma dinâmica institucionalidade, com o sindicato aparecendo como representante jurídico dos trabalhadores. 

O grande problema disso é justamente que o sindicato, enquanto estrutura jurídica, acabou por criar uma série de interesses próprios, muitas vezes alheios aos dos trabalhadores, daí resultando a docilização do instrumento da greve, regrado ao mínimo nível institucional e, muitas vezes, atropelado em nome de interesses sindicais específicos. 
Não podemos esquecer que a greve geral de 2017 contra a reforma da Previdência, altamente combativa, com adesão maciça ao redor do Brasil, foi logo traída pelas centrais sindicais em troca da manutenção do imposto sindical. Traídos os trabalhadores e traídos os sindicatos, pois, no frigir dos ovos, ficaram mesmo sem o imposto. 

Fato é que muitas greves convocadas pelas grandes centrais brasileiras eram cênicas, com pouco esforço efetivo de mobilização. 

Apesar disso, a greve é um processo combativo construído de fato pelos trabalhadores e pelas trabalhadoras e, por isto, seu impulso pode atropelar a letargia sindical. 

A greve deste 14 de junho de 2019 é mais um processo de mobilização popular contra o projeto de neoliberalismo radical da burguesia brasileira, por hora capitaneado por Bolsonaro e sua trupe de bestas-feras. 

A mobilização teve início em 15 de maio, quando milhões de professores e estudantes fizeram uma gigantesca greve da educação, com passeatas e atos massivos. 

O processo continuou em 30 de maio, com novas manifestações pela educação. Agora, chega a vez de todos os trabalhadores pararem juntos para enviar um recado forte e altivo à plutocracia nacional. 

Não podemos perder a visão geral de que tais mobilizações são mais um capítulo da gigantesca luta de classes iniciada em 2013 e continuada no impeachment, nas ocupações de escolas, na greve dos caminhoneiros e na eleição do neofascista Jair Bolsonaro. 

Nesta luta, a população brasileira, destemidamente, combate as estruturas excludentes, corruptas e genocidas do capitalismo periférico nacional, no qual sua burguesia só pode ter por opção ampliar o saque ao povo e a crueldade de seu Estado racista e assassino. 

Marx já colocava que um trabalhador não revolucionário não era nada, justamente porque no capitalismo ele só pode ser um joguete da espoliação burguesa, alguém considerado por tecnocratas ministeriais como causador do deficit fiscal. 

Mas, para alguém ser revolucionário, precisa adquirir a consciência de classe, a qual não caí do céu, mas é forjada na luta diária. O povo brasileiro, nestes últimos anos, vem forjando sua consciência de classe. 
Para a burguesia brasileira pouco importa que doentes, mutilados, depressivos ou enfermos morram sem sustento. Ela só se interessa por seu lucro e sua boa vida em Miami. Seu projeto é genocida na forma e no conteúdo. 

Reajamos nós, portanto, lançando-nos nessa batalha de vida ou morte! 

À greve! (por David Emanuel de Souza Coelho)

EDITORIAL: O IMPERATIVO DE REAGIRMOS À MAIS NEGATIVA DAS ENTROPIAS

Por Celso Lungaretti
Pelo que meu apoio valer, ele está integralmente oferecido à greve geral desta 6ª feira, 14. 

E, com ou sem transporte público, darei um jeito de chegar ao vão do Masp, na avenida Paulista, onde terá lugar uma manifestação a partir das 16 horas. Nem que seja caminhando os seis ou sete quilômetros que de lá me separam. 

Mas, não especificamente por causa da reforma da Previdência ou dos cortes na educação, mas sim pelo conjunto da obra do pior presidente brasileiro de todos os tempos. 

Ele é o agente da mais negativa das entropias que presenciei na minha já longa existência, pura destruição desordenada, sem a mais remota noção de como edificar algo sobre as cinzas e os escombros.

Se Bolsonaro fosse capaz de implantar regimes eficientes na administração de sua desumanidade, como os de Hitler e Mussolini, estaríamos numa enorme roubada, pois os brasileiros, com honrosas  exceções, se prostram vergonhosamente aos tiranos. No século passado, o fizeram por 36 anos.
"um buraco negro ou triângulo das Bermudas que a todos tragará"

Mas, uma vez na vida sou obrigado a concordar com o Mino Carta: Bolsonaro não é ultradireitista, soberanista, nem mesmo fascista. Bolsonaro é demente. 

Com seu caos mental, ele faz da demência uma forma de governo, um buraco negro ou triângulo das bermudas que a todos tragará, se não reagirmos.

Então, temos de multiplicar iniciativas como os atos de protesto dos estudantes e professores, a greve agora promovida pelas centrais sindicais e tudo mais que possa deixar bem marcado o repúdio dos civilizados à barbárie em curso.

E acreditar que do conjunto de todos os inconformismos surgirá alguma resposta para a angustiante questão de que este país e este povo simplesmente não conseguirão suportar tal desgoverno por mais três anos e meio. 

segunda-feira, 3 de junho de 2019

É O CÚMULO DO OPORTUNISMO: INCAPAZ DE MOBILIZAR AS MASSAS, O PT TENTA PEGAR CARONA NAS MANIFESTAÇÕES ESTUDANTIS!

Estou sempre pronto para aplaudir as posturas lúcidas e dignas, partam de quem partirem. Então, não posso deixar de reconhecer que o Fernando Haddad vem sendo a principal voz petista na contramão do oportunismo sem limites que grassa no partido desde que passou a subordinar os interesses dos trabalhadores e da sociedade aos projetos megalomaníacos do ex-presidente Lula.

Ao entrar no sexto mês do governo ultradireitista de Jair Bolsonaro, o PT ainda não foi capaz de articular nenhuma resistência digna deste nome à escalada da intolerância, do arbítrio e da barbárie, muito menos de colocar as massas nas ruas pra valer.

Então, tenta pegar carona descaradamente no movimento contra a destruição da Educação que professores e estudantes ergueram sozinhos, beneficiados pelo fato de que a maioria das pessoas de bem preza o ensino e reprova os excessos extremistas dos ministros que o Rasputin da Virgínia instalou no Governo Bolsonaro.

E é neste momento que o PT tenta colar sua acentuada rejeição à boa imagem do movimento de professores e estudantes, o que inevitavelmente o enfraquecerá. Parece estar querendo dar razão a Bolsonaro, que reagiu ao megaprotesto de 15 de maio exatamente acusando os manifestantes de serem idiotas úteis teleguiados pela esquerda derrotada na última eleição presidencial.
"O PT não pode tutelar movimento social"

Ponto para o Haddad, que não compactuou com mais este desserviço petista à causa da resistência  ao bolsonarismo:
"O PT não pode ter a pretensão de tutelar movimento social.  
O movimento da educação é um movimento da sociedade, independentemente da posição que a pessoa tenha em relação ao PT e ao Lula".
E um conselho aos dirigentes petistas que, neste domingo (2), iniciaram a pregação divisionista, com afirmações do tipo "Lula e educação são inseparáveis. Essa moçada está indo às ruas pelo legado que Lula deixou nesse país" (Gleisi Hoffmann) e "A campanha do Lula Livre, que no nosso caso é mostrar o julgamento injusto que ele teve, se junta à pauta da educação" (Paulo Okamotto): desistam!

Chega de levarem água para o moinho do inimigo, como fizeram em 2013, quando voltaram as costas para o Movimento Passe Livre, permitindo que aqueles jovens fossem massacrados pela repressão de governos estaduais e sofressem chocantes perseguições judiciais.
Candidatura fantasma: um desagravo fora de hora.

E também na campanha presidencial de 2018, quando pavimentaram o caminho para a vitória ultradireitista:
  • com a insistência na candidatura fantasma do Lula (que jamais teve a mais remota chance de vingar, não passando de um desagravo fora de hora que tirou o foco do objetivo principal de determos Bolsonaro); e
  • com o torpedeamento dos esforços para a união de forças da esquerda (que os mais lúcidos pregaram, mas o dono do partido abortou ao puxar o tapete de Ciro Gomes).
O PT tem o direito e até o dever de lutar pela liberdade do Lula. Mas precisa entender que a prioridade máxima da esquerda, neste momento, é evitar a fascistização total da sociedade brasileira. Todo o resto vem depois. (por Celso Lungaretti)

domingo, 2 de junho de 2019

REFORMA DA PREVIDÊNCIA DESLANCHARÁ RECUPERAÇÃO ECONÔMICA? PAULO GUEDES ESTÁ NOS IMPINGINDO GATO POR LEBRE...

Já o mercador de ilusões Guedes nem tenta ser simpático...
elio gaspari
A FÁBULA DO INVESTIDOR ESTRANGEIRO
O governo, o mercado e os bumbos da orquestra garantem que, uma vez aprovadas as reformas do Posto Ipiranga, a economia brasileira entrará num ciclo virtuoso. Tomara. Em tese, há bilhões de dólares esperando o sol nascer para jogar dinheiro no Brasil.

Imagine-se um investidor belga que já pôs milhões no Chile, reunido em Bruxelas para decidir um investimento.

Seu consultor informa:
— O novo presidente do Brasil quer abrir a economia, está afrouxando as leis do meio ambiente, fez uma faxina no marxismo cultural e combate os movimentos LGBT.
— E como são suas relações com os políticos?
— Ele diz que não negocia no varejo.
— Ele manda no Congresso?
— Ainda não, mas promete apertar os parafusos.
— Manda no Judiciário?
— Não, tudo depende das turmas do Supremo, mas o presidente do tribunal tem a sua simpatia.
— Manda na imprensa?
— Ele tem apoio nas redes sociais e em algumas redes de televisão.
— Tem apoio popular?
— Ele prometeu acabar com o ativismo, mas há manifestações de rua de estudantes contra o governo.
— Sua política econômica nos favorece?
— Ele tem um passado estatista, mas é um liberal converso. Nos primeiros três meses de governo a economia encolheu 0,2%.
— Como anda a economia do Chile?
— No último trimestre ela cresceu 1,6%. O presidente Sebastián Piñera é um conservador que sabe operar pelas regras do jogo.
— E a da Rússia?
— Cresceu 2,3% no ano passado.
— Então vamos continuar no Chile e botar esse investimento na Rússia. Lá o Vladimir Putin já fez o serviço que esse brasileiro promete. (por Elio Gaspari)
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