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terça-feira, 14 de maio de 2024

GREVE DA EDUCAÇÃO PODE SELAR DESTINO DO GOVERNO LULA 3

 

Não acredito que Lula e os lulistas mereçam conselhos, até porque conselho se dá a quem é amigo e deseja minimamente ouvir o que se tem a dizer, características muito distantes da turma hoje ocupante do Palácio do Planalto. Contudo, farei um alerta na esperança de ter algum impacto. 

A greve da educação federal no Brasil já completa 44 dias, 74 se formos contar a greve parcial dos técnicos nas universidades, desencadeada antes da recente onda. Praticamente todas as universidades e institutos federais do país estão parados, parcial ou totalmente. Nesse período todo, a proposta do governo Lula não foi muito além de oferecer uma recomposição salarial que sequer cobre a inflação futura, quanto menos a passada. É pedido 33% de reajuste para os técnicos e 21% para docentes, no entendimento que as perdas salariais dos técnicos é muito maior, passando de metade do salário. Mas o governo apresentou proposta de irrisórios 13%, a ser divido nos próximos três anos, muito longe do ideal, pois a inflação dos próximos anos é prevista para alcançar 11%. 

Pior!, o governo Lula, com Haddad e Tebet à frente, apostam em uma estratégia de divisão e cansaço da categoria. Estão fechando acordos com setores do funcionalismo considerados de maior peso, enquanto mantém a educação isolada com o ônus de uma greve longa e cansativa. No Colégio Pedro II, onde trabalho, já tivemos casos de docentes ameaçados por pais de alunos descontentes com a greve, além da criação de grupos de responsáveis para ir às portas dos campi serem filmados pela Globo gritando contra a greve. Não é preciso dizer que tais grupos congregam a nata do bolsonarismo, algo já esperado, mas também muitos lulistas. 

A etapa final da estratégia do governo é forçar a saída prematura dos docentes da greve, deixando os técnicos sozinhos, já com o intuito de terceirizar as funções desses servidores. Para isso, Lula e Haddad pretendem apresentar uma proposta de reajuste atraente para os docentes e revisar alguns pontos da carreira desses. Os professores, que em sua maioria sequer queriam entrar em greve, podem ficar tentados a aceitar o pedido e encerrarem sua mobilização. 

Contudo, a solução nesse sentido seria trágica para a educação, pois reforçaria a divisão entre técnicos e docentes, não necessariamente solucionaria o problemas dos últimos, pois ainda ficaríamos com perdas imensas, e esmagaria os técnicos. No caso do Colégio Pedro II, e de outras instituições federais, a situação é mais complexa porque o sindicato é unificado, então é impossível terminar a greve sem ter atendido às duas categorias. Ou seja, ficaríamos ainda mais tempo na greve, com um ambiente conturbado e com um desgaste gigantesco, interna e externamente. 

Porém - e aqui vai o alerta - o governo precisa se atentar que a educação é o setor que mais apoiou a eleição de Lula em 2022. Esmagar essa categoria é um contrassenso, ainda mais sabendo-se que setores do funcionalismo profundamente bolsonaristas receberam recomposições vultuosas, como é o caso da PRF, da PF e dos policiais penais, com reajustes que bateram os 60% no caso dos últimos. O governo envia a mensagem que os inimigos precisam ser premiados, mas os aliados devem ser tratados a pontapés! 

A popularidade de Lula caí a cada dia, fruto de sua política econômica atrelada aos interesses dos capitalistas. Ele vai sendo tragado pela crise capitalista e, caso opte por penalizar a educação, terá menos um grupo de apoiadores. A derrota da greve da educação poderá selar o destino de Lula 3, com um fim trágico para esse. (por David Coelho) 



terça-feira, 7 de maio de 2024

GOVERNO LULA QUER MATAR OS APOSENTADOS DE FOME

 

A última grande proposta a ser apresentada pelo calhorda governo Lula é algo que fatalmente levará os aposentados brasileiros a morrer de fome. De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, a ministra Simone Tebet, que é uma coadjuvante do patético Fernando Haddad, estaria propondo a desvinculação entre salário dos aposentados e salário mínimo. 

Hoje, pela Constituição, o salário dos aposentados possui isonomia frente ao salário mínimo. Sempre que esse último é reajustado, o primeiro também o é. Esse fato assegura que os aposentados tenham garantido o mínimo para sua sobrevivência, mínimo esse que já é pouquíssimo quando se consideram os imensos gastos com medicamentos, planos de saúde, terapias e outras atividades requeridas para essa faixa etária. E o quadro dos aposentados é ainda pior porque eles não estão mais ativos economicamente, então sua força para pressionar o governo e o capital é muito diminuta, dependendo sempre da ação dos trabalhadores da ativa. 

Assim, ao fazer tal proposta, Tebet, em nome de Lula, está propondo esmagar ainda mais o já parco rendimento dos aposentados, abrindo a porteira mesmo para uma possível não correção desses salários pela inflação. No limite, os aposentados podem passar a viver futuramente em situação de total indigência, igual a milhões de idosos chilenos que foram vítimas do regime de aposentadoria desenhado pela ditadura de Pinochet, podendo mesmo enfrentar a fome. 

Ao governo Lula 3 interessa apenas o pagamento da dívida aos banqueiros, despejar toneladas de dinheiro no agronegócio, entupir os bolsos dos pastores, dos militares e de comerciantes. Para isso, sustenta o Teto de Gastos, atualizado com o nome eufemista de Arcabouço Fiscal, e planeja acabar com os gastos mínimos constitucionais para a Educação e a Saúde. Que morram velhos, que se apodreçam as escolas, que os hospitais fechem, mas que o capital continue em frente explorando, destruindo, pilhando e exaurindo a humanidade e o planeta! Esse é o lema do lulismo! 

E assim, após um ano e meio de governo, vai se confirmando todas as sinistras previsões a respeito do quadro horrendo que se materializaria em um novo governo Lula. No ataque contínuo aos trabalhadores, agora também aos aposentados, o presidente vai marchando a passos rápidos para o fiasco. (por David Coelho) 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

...O TEMPO PASSOU NA JANELA E SÓ LULALINA NÃO VIU.

"... não parece reconhecer a correlação de
forças diferente daquela de 20 anos atrás..."
 
william waack
LULA E A FORTUNA
Não é uma frente ampla o que Lula montou para governar. É um governo do PT que já começa limitado por duas severas restrições, ambas de amplo alcance.

A primeira é de natureza fiscal e tem como causa principal o horizonte político muito restrito do próprio Lula. 

Ele se esforçou por conseguir uma licença para gastar – seu único foco inicial – e a obteve a custo altíssimo: o centrão enfiou na PEC de fim de ano enorme pressão pela subida de gastos públicos.

O preço disso, nas contas de Marcos Lisboa e Marcos Mendes, é consumir de saída a gordura (que nunca existiu) para investir e antecipar o dilema entre juros altos ou carga tributária mais elevada. Suspeita-se que teremos os dois.

A segunda limitação está na clara intenção de Lula de enfiar goela abaixo do mundo político um ferrolho composto pela velha guarda petista. As figuras simbólicas de Geraldo Alckmin, Simone Tebet e Marina Silva não dispõem das forças necessárias (bancada, máquina partidária, peso político individual) para se contrapor, caso pretendam, ao núcleo duro petista.
"...ofereceu a grupos políticos diversos a
participação no governo, mas não na
formulação das grandes diretrizes..."

É bastante evidente que Lula ofereceu a grupos políticos diversos a oportunidade de participação num governo cujo número de ministérios já sugere grande dispersão de esforços (e enorme dificuldade de coordenação).

Mas, até aqui, não parece tê-los incluído na formulação das grandes diretrizes. Se é que se pode falar disso no momento. 

Hábil na arte da acomodação tática, Lula não dá sinais por enquanto de entender uma frente ampla como agenda abrangente que garanta num horizonte expandido condições de governabilidade melhores do que compromissos de cargos e influências no atual amplo ajuntamento de grupos políticos.

A presença no desenho ministerial de posições antagônicas sugere que tudo convergirá para o arbítrio
ad hoc do líder – ou paralisia decisória.

Exemplo disto é o relatório da assembleia de transição. Ela produziu diagnósticos de situações específicas acompanhadas de sugestões setoriais comparáveis a uma shopping list, mas longe de comporem um plano consistente de ação ordenado segundo uma visão (compartilhada ou não por uma frente ampla de correntes políticas).

As ações de Lula até aqui sugerem que ele superestima suas próprias habilidades e a
fortuna (na definição de Maquiavel). 

É comum agentes políticos acreditarem que alcançaram algo apenas por si próprios, ignorando circunstâncias que pouco controlam.

É onde Lula parece estar no momento. Não parece reconhecer a correlação de forças diferente daquela de 20 anos atrás. Nem a natureza e amplitude da oposição social que enfrenta. (por William Waack)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

O CENTRÃO ESTAVA NO PODER COM O BOZO E NO PODER FICARÁ COM O LULA

william waack
LULA PARECE CONVENCIDO DE QUE PODE FAZER O
QUE QUISER, MAS O ÚNICO VENCEDOR É O CENTRÃO
L
ula é um velho político que sabe usar palavras e se esmera em falar o que diversas audiências querem ouvir. 

Mas, já em seu terceiro mandato, parece ignorar que algumas plateias desenvolveram um sentido para diferenciar palavras de fatos. Especialmente as plateias formadas por pessoas preocupadas com o dinheiro no bolso – no mínimo.

A responsabilidade fiscal que Lula prometeu em muitas palavras está sendo avaliada em função de dois fatos. O primeiro é o tamanho do espaço pretendido para gastar sem dizer de onde virá o dinheiro para financiar. O segundo foi a articulação para esvaziar a Lei das Estatais, instrumento criado para, pelo menos, se tentar bloquear o loteamento político de empresas públicas.

A combinação desses dois acontecimentos é mais eloquente do que os últimos discursos. O novo governo quer gastar na crença de que garanta ou segure índices de popularidade e faça a economia crescer, enquanto reocupa empresas públicas por meio do mesmo tipo de esquema que lembra algo que não deu certo – vide o que aconteceu com o loteamento da Petrobras.

Lula parece ter lido o resultado das eleições de acordo com a expressão
winner takes all. No momento, o único vencedor que está levando tudo é o centrão, que trabalha com Lula para manter suas ferramentas de poder. Leia-se orçamento secreto e liberdade para gastar.

É um fato da política bastante eloquente (muito mais do que palavras) que o consórcio Lira-Bolsonaro-Pacheco tornou-se, sem sobressalto, o consórcio Lira-Lula-Pacheco.

Lula está convencido de ser uma esperteza começar o governo com uma acelerada de arrumação, em vez da esperada freada de arrumação. Economistas que emprestaram prestígio entre o 1º e o 2º turnos falam que mal foram ouvidos. 

mesmo com Simone Tebet, que se queixa do governo que começa equivocado: a prometida frente ampla está com cara de ampla frente de siglas com o velho PT no comando.

A postura do faço o que eu quero, que faz agentes econômicos enxergarem apenas Lula acima de tudo, é uma aposta de alto risco, dados os duros fatos da realidade política. A oposição fora do Parlamento é formidável e só na minoria composta de vândalos e radicais bolsonaristas. 

Mais ainda: está levando para o plano da ação política a convicção de que foi um injustiçado que conseguiu numa espetacular reviravolta dar a volta por cima. 

Sente-se ocupando o balcão elevado da superioridade moral que lhe daria condição de conduzir o País rumo ao passado, no qual, na sua imaginação, tudo foi melhor. 

O problema é o tamanho da plateia que não vê palavras combinando com a realidade. (por William Waack)

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O DEBATE FINAL MAIS PARECEU UM FILME VELHO E RUIM DA SESSÃO CORUJA

dalton rosado
CANDIDATOS E O PONTO DE UNIDADE
T
odo debate eleitoral na democracia burguesa tem um ponto de unidade: todos devem restringir os seus discursos à governabilidade sob o capitalismo!

Como o capitalismo está entrando na sua fase de limite interno (a saturação da dinâmica da necessária e impossível reprodução aumentada do valor no atual estágio de sua incapacidade de expansão) e externo (os fatores climáticos que alteram a produção e a vida social), o discurso da governabilidade é falso.

Um candidato honesto e conhecedor da disparidade entre receitas fiscais e despesas correntes (aquelas que se constituem em custo fixo) teria de afirmar a ingovernabilidade do Estado é a razão pela qual seu país está cada mais endividado mundo afora  – e, no nosso caso, pagando taxas altas de juros.

Mas, se assim o fizesse, teria cassada a candidatura pelo seu partido; a resultante obvia de tal declaração seria o questionamento sobre o porquê de ter assumido uma candidatura previamente tornada inócua.

Assim, todos os candidatos são forçados a prometer o paraíso na terra. Os que já governaram tentam ressaltar os insuficientes aceertos, supostos ou reais, dos seus governos, omitindo que não alteraram substancialmente a realidade de vida social caótica, com todas as mazelas que conhecemos de cor e salteado.

É graças ao enquadramento prévio sob balizas constitucionais burguesas que o debate televisivo entre candidatos é desfocado da realidade e nele não pode ser abordada (e nem eles querem fazê-lo) a possibilidade de uma existência sob outros parâmetros de produção social e organização jurídico-constitucional de base, sem a verticalidade do poder estatal, que é serviçal da ordem capitalista e, consequentemente, opressor na sua essência constitutiva.

O capitalismo tem uma estrutura de descentralização das esferas de poder estatal entre poderes executivo, legislativo e judiciário que apenas servem ao verdadeiro senhor que é o poder impessoal econômico do capital e sua lógica autotélica (e que beneficia apenas os seus administradores empresariais e os segmentos intermediários da elite gerencial e institucional).

Mas os candidatos, que somente têm tal condição por aceitarem as regras do jogo, e uma vez eleitos devem jurar a constituição burguesa, não podem, evidentemente, sair das quatro linhas demarcatórias da constitucionalidade, ou seja, são aderentes implícitos ao anacronismo de um modelo social exaurido, que clama por um novo tipo de abordagem: a ruptura decorrente do seu ocaso histórico.

Enfim, como o foco deste artigo, na antevéspera do 1º turno, tem de ser uma análise sobre os perfis de cada candidato e seu desempenho no debate levado ao ar em TV aberta, vamos ao que viemos fazer.

Do ponto de vista eleitoral, o debate prejudicou a tentativa de Lula ganhar a eleição ainda neste domingo (2) , embora tal perspectiva continue viva.

Não que ele haja tido um mau desempenho, pois foi até melhor do que seu principal oponente, Boçalnaro, o ignaro. Mas porque, como ele já foi governo e seu partido o exerceu de 2003 a 2016 (quando a Dilma Rousseff foi impichada), o Lula se tornou alvo dos ataques generalizados dos demais candidatos.

Isto deve ter lhe tirado voto que, carreados para qualquer outro candidato, pode representar um decréscimo nas suas de liquidar a fatura no 1º turno. Não sei se isto provocará um 2º turno, mas considero que, neste aspecto, o debate lhe foi desfavorável.
Boçalnaro
mais uma vez demonstrou que os debates, mesmo sendo superficiais e nem sequer roçando nas causas da nossa tragédia, são-lhe desfavoráveis, expondo seu despreparo para o posto que lhe foi outorgado em 2018 pelo capital e seu aparelho governamental estatal.

É por isto que os donos do PIB já admitem que é melhor trocá-lo por alguém mais experiente e confiável como Lula, que governará, como tem afirmado, sob um programa de conciliação de classes próprio à social-democracia  e, como tem sido a tônica do seu partido trabalhista, reproduzindo tudo o que os partidos convencionais fazem mundo afora.

Mas a crise do capital pode levá-lo a um desgaste em 2023/2024, tal como ocorreu com Dilma Rousseff, e o establishment entender que é chegada a hora de o picolé de xuxu assumir o governo por manobra parlamentar e como forma de conter (mesmo que momentaneamente) a insatisfação popular decorrente da inviabilidade social de um sistema decrépito.

Ciro Gomes ficou isolado, ele e seu marqueteiro João Santana estão movido por ressentimentos pessoais e, em que pese a sua verve professoral e conhecimento da máquina administrativa, não teve tempo de discorrer com desenvoltura; aliás, mesmo que o fizesse, não seria entendido por eleitores desacostumados à uma linguagem rebuscada como a dele.

Tudo indica que Ciro vive o seu ocaso, inclusive no seu estado, o Ceará, com a família Ferreira Gomes rachada eleitoralmente e com a perspectiva de eleição de um governador petista. Deve perder pra Lula até no Ceará.

A grande beneficiária eleitoral é Simone Tebet que, de ilustre desconhecida senadora do MS, ganhou protagonismo eleitoral e se habilita para futuras disputas eleitorais, seja em seu estado ou mesmo nacionalmente.
Felipe D’Ávila e Soraya Thronicke, ambos de direita, são aqueles candidatos de uma nota só:
— o primeiro representa o liberalismo clássico ultrapassado do Paulo Guedes e crença no mercado como apanágio de solução para todos os males; e
— a segunda reapresentou a antiga crença em que a questão fiscal (imposto único) possa resolver substancialmente nossos problemas, os quais são estruturais e não pontuais. 

O padre Kelmon, é uma fake em pessoa. Nem mesmo padre ele é, com sua mitra dos sacerdotes da Idade Média. Não passa de um engenho conservador e despreparado do Roberto Jefferson para introduzir no debate um cabo eleitoral do presidente candidato. Uma lástima.

Fico por aqui, pois tive de aguentar com sono e tédio um debate que mais pareceu um filme velho e ruim da Sessão Coruja. (por Dalton Rosado)

NO DEBATE, FALTOU DISCUTIR COMO SOBREVIVERMOS À MORTE DO CAPITALISMO

Num debate que mais
parecia western italiano...
E
mbora o Bozo não passe de um cadáver político à espera do rabecão, será lamentável se a decisão do pleito presidencial não ocorrer neste domingo (2), pois ele continuará por mais quatro semanas plantando o caos e colhendo a violência cega.

Vai perder e ser expelido da política brasileira da mesmíssima forma, contudo outros fanáticos desmiolados sairão matando vizinhos com as armas que agora podem adquirir sem nenhuma comprovação de discernimento e equilíbrio emocional para sua utilização.

Neste sentido, o debate final desta turbulenta e medíocre campanha eleitoral pode ter contribuído para manter em cartaz um espetáculo que enoja e deprime os brasileiros dotados de um mínimo de espírito crítico.

Isto porque o Bozo, secundado por um pistoleiro de aluguel surgido do nada, executou fielmente o script dos seus marqueteiros: repetiu as habituais acusações levianas e insultos estridentes ao Lula, para que o debate virasse um  mero bate-boca e ambos perdessem votos.

Colocado numa sinuca de bico, Lula teve de responder à altura, pois seria péssimo para sua imagem se parecesse ter sido calado por tal nulidade.

Evidentemente, o palhaço sinistro, com seu carioquês cínico, sua crassa ignorância dos fundamentos da vida civilizada e seu prontuário genocida acabará sofrendo prejuízo maior do que o Lula e a diferença entre eles deve até aumentar.
...este era o Bom (de lábia)...

Mas, a tendência é que o desgaste mútuo acabe beneficiando os outros candidatos que, por comparação, ficaram parecendo mais equilibrados e sensatos, principalmente a Simone Tebet.

Assim, os que já não disputavam a vitória, apenas buscando acumular capital político para futuras eleições ou para valorizar o seu apoio a um que disputar o 2º turno (se houver), poderão crescer o suficiente para que Lula não atinja 50% mais 1 dos votos válidos. É uma das esperanças do motoqueiro fantasma.

A outra, detetada nas pesquisas: que as abstenções no campo lulista sejam elevadas.  

Mas, permanece a esperança de que, após três anos e nove meses tão catastróficos e de uma campanha eleitoral tão enfadonha (e, ao mesmo tempo, ameaçadora), os brasileiros tomem a sábia decisão de livrar-se o quanto antes do presidente demente.

Na disputa pelo terceiro lugar, Tebet deve ter-se colocado alguns pontos na frente de Ciro Gomes, que sofre as consequências de sua péssima opção inicial: resolveu tentar ocupar um espaço entre a extrema-direita e a esquerda domesticada, quando seu temperamento, seu estilo e sua história o aconselhavam a lançar-se como representante da esquerda combativa (ou seja, seu lugar era à esquerda do Lula, e não num espaço intermediário entre o reformista e o fascista).  
...este, o Mau como um picapau...

Seu intempestivo ataque de abertura ao Lula foi bem rechaçado e Ciro perdeu o rebolado, tornando-se um coadjuvante inexpressivo durante o restante do debate. Afora ter se omitido repulsivamente quando o provocador fantasiado de sacerdote dizia cobras e lagartos sobre os universitários de esquerda.

Ciro não falou uma palavra em defesa deles e os que disso se lembrarem nunca ouvirão nenhuma outra palavra saída de sua boca. Como também não tem futuro junto à direita, condenou-se ao limbo político.

Que há para se dizer sobre os dois outros candidatos, que não passarão de 1% dos votos no domingo (nas intenções, Soraya Thronicke está com 1% e Felipe D'Avila com traço)? Apenas que os telespectadores devem ter gostado de suas intervenções, por serem as necessárias pausas para ir no banheiro ou esquentar um cafezinho. 

E, quanto à relevante dúvida sobre se o padre Fakelmon deve ou não ir para o inferno, creio que nem o diabo aguentaria tanta chatice. 
 
Finalmente: o grande ganhador do debate e desde já vencedor da eleição é o capitalismo, pois conseguiu fazer as coisas de tal forma que, mesmo estando cada vez mais disfuncional, já nos estertores, ainda assim conseguiu manter totalmente afastados quaisquer questionamentos de sua perpetuação parasitária e destrutiva. 
...e este, o Feio por fora e por dentro.

Não consegue mais oferecer qualidade de vida minimamente aceitável para a maioria dos seres humanos do planeta, torna-se cada vez mais autoritário e ameaça extinguir a nossa espécie com a destruição ambiental desembestada que não consegue deter nem reverter.

E, como isto ficou completamente de fora do debate, este acabou parecendo mais o baile da Ilha Fiscal. 

Com a agravante de não sabermos o que virá depois da queda do império, pois nenhuma das sete candidaturas presentes mostrou ter resposta para a dúvida crucial: como fazermos para a morte do capitalismo não representar também o fim da humanidade? (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

SE O BOZO FOR NO PRÓXIMO DEBATE, NÃO ESQUEÇAM DE TIRAR AS CRIANÇAS DA SALA

O primeiro debate dos candidatos de 2022 à presidência da República teve o previsível: azarões mascateando fórmulas mágicas que não têm como dar certo, um palhaço sinistro exalando ódio por todos os poros e uma Alice populista pretendendo nos levar de volta àquele país das maravilhas  que ela diz ter sido o Brasil de duas décadas atrás. 

Só que não foi e certamente não tem chance nenhuma de vir a sê-lo agora, já que a agonia do capitalismo avançou muito desde então e o Brasil vem sendo sistematicamente destruído há quase quatro anos. 

Destaque para o Bozo, que acabou sendo o mais autêntico dos seis: os marqueteiros orientaram-no a suavizar sua imagem de bicho papão, mas, como sempre, ele perdeu o autocontrole e mostrou sua face monstruosa, tornando-se mais odioso ainda aos olhos das mulheres, dos pobres, dos civilizados, dos cidadãos pacíficos, dos verdadeiros cristãos, etc. Foi lá para ganhar votos e, decerto, os perdeu aos montes.
Os outros cinco coincidiram em repudiar a polarização e a bestialidade desembestada, pois se trata de um sentimento que já está nas ruas. Saturou. A maioria dos brasileiros não aguenta mais tanta violência cega.

Lula, com um desempenho inferior ao esperado, pelo menos foi suficientemente esperto para ficar longe da encrenca. 

Preferiu jogar na retranca, impingindo aos telespectadores uma verdadeira overdose de elogios em boca própria e evitando responder na mesma medida às grosserias do genocida. Deixou que o energúmeno cavasse sozinho a própria cova política.

Lembro-me de um tempo em que nos perguntávamos: "O novo, onde está o novo?". Decididamente. nesse encontro ele não estava. (por Celso Lungaretti)  

domingo, 28 de agosto de 2022

HOJE SE VERÁ QUE O BOZO CONTINUA RUIM DE DEBATES. NOVA FACADA A CAMINHO?

No primeiro debate eleitoral do qual o Bozo participou na campanha presidencial de 2018, não conseguiu dar resposta satisfatória ao Guilherme Boulos, quando este lhe cobrou explicações sobre a funcionária-fantasma que havia uns 15 anos passava por ser sua assessora parlamentar em Brasília. 

Na verdade, a Val do Açaí era paga pelo erário para tomar conta da casa de veraneio que o palhaço sinistro possuía em Angra dos Reis (RJ) e dos cachorros que nela mantinha. 

No segundo debate, o Bozo foi quase nocauteado pela Marina Silva que, autêntica evangélica, testou seus conhecimentos sobre a religião que ele fingia professar para fins meramente eleitoreiros. Teve de segurar-se nas cordas do ringue para não desabar no chão.

Não houve terceiro debate, pois foi providenciado um pretexto para ele fugir da raia, na forma de uma facada cenográfica com lâmina retrátil, episódio sobre o qual nenhuma investigação isenta e transparente foi permitida pelas autoridades, mas tinha uma infinidade de pontos dúbios, contradições e incoerências.

Agora, apavorado por haver tido desempenho em tudo inferior ao do Lula nas sabatinas do
Jornal Nacional, ele aceitou o conselho asnático dos responsáveis por sua campanha: vai participar na noite deste domingo (28) de um debate com Lula, Ciro Gomes, Simone Tebet e dois figurantes.

Não há a mais remota possibilidade de ele sair-se melhor do que o Lula, que há muito o escolheu como o adversário mais fácil de derrotar na presente eleição e tudo fez para esvaziar os esforços oposicionistas no sentido de impichá-lo.

Lula já participou de um sem-número de debates similares. Só travou e teve péssimo desempenho no do 2º turno de 1989, contra Fernando Collor, quando começou visivelmente intimidado e passou o tempo todo na defensiva.

Especulou-se então que sua saia justa talvez se devesse a estar enfrentando um típico rebento da elite, formado em economia pela Universidade Federal de Brasilia, pois naquele tempo o Lula ainda se ressentia por possuir pouca educação formal.

Outra hipótese era a de que ele pisava em ovos por estar sabendo que a campanha do adversário levantara mais informações melindrosas sobre a sua vida particular afora aquela bombástica revelação de que ele não só engravidara uma amante como havia tentado convencê-la a abortar, além de haver escondido da opinião pública tal infidelidade conjugal e consequente paternidade durante anos a fio.
Desde então, contudo, o Lula adquiriu mais casca grossa e jogo de cintura para lidar com tais situações. E, no confronto com o genocida, ele saberá estar duelando com um indivíduo inferior a ele em tudo, o que o deverá deixar inteiramente à vontade. 

Minha única dúvida é: se ambos realmente comparecerem ao debate e o celerado for detonado como tudo leva a crer que vai ser, existirá algum plano B pronto para ser acionado em seguida, como em 2018?

Aguardemos os próximos e entediantes capítulos. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

OS ULTRACONSERVADORES ESTÃO ISOLADOS, MAS VOCIFERANDO – 2

(continuação deste post)
Como se não bastasse ter sido o pivô da expulsão de
Maria Luiza e Dalton Rosado do PT em 1987,  Ciro Gomes
continua atacando até hoje a Administração Popular.
O
voto feminino, de recente inclusão no receituário democrático-burguês, foi uma conquista social relevante diante das circunstâncias jurídico-constitucionais que somente facultavam o voto aos homens alfabetizados, e era descaradamente dominado e controlado pelos senhores feudais que então se transformavam em neocapitalistas.

Entretanto, não podemos admitir que as evoluções havidas, e que devem ser assim consideradas em relação ao status quo social anterior, devam se constituir num imobilismo conformista no qual o medo do pior serve para justificar a aceitação do ruim. 

Ainda na semana passada ouvi, atento, os argumentos bem explanados por dois candidatos de experientes formações jurídico-administrativas (Ciro Gomes e Simone Tebet), e que pôde impressionar pela desenvoltura, a ponto de deixar calados e sem contra-argumentos os experientes e competentes jornalistas que os entrevistavam. 

A mim me dava uma comichão de vontade de contraposição às alegações dos dois candidatos, como se eu pudesse entrar na televisão para participar do debate. 

Outro dia, assistindo ao discurso de lançamento da candidatura de Ciro Gomes, constatei, sem surpresa, as meias-verdades e autoelogios por ele proferidos em detrimento da Administração Popular, primeira experiência de uma capital brasileira (Fortaleza) cujo governo estava realmente comprometido com as necessidades maiores de seus cidadãos. Foi inicialmente petista e dele fiz parte como secretário de Finanças.

Não é repetitivo dizer que da experiência da Administração Popular saí para ser candidato com o apoio da então prefeita Maria Luíza, numa eleição por ele (Ciro) vencida para a prefeitura de Fortaleza nos idos de 1988. 
Paulo Sérgio Nogueira comprometeu seu prestígio ao
coadjuvar ataques golpistas contra as urnas eletrônicas
 

Tendo sido ambos expulsos do PT, que promoveu verdadeira
caça às bruxas de esquerda nos anos 80,
acabei nessa eleição saindo candidato pelo Partido Humanista (que se formava e depois não vingou), e pude então contestar firme e pontualmente cada falácia a nosso respeito.  Mas, claro, a máquina eleitoral mais poderosa venceu o pleito. 

Já no debate eleitoral Simone x Ciro, a minha argumentação seria feito com raciocínios fora da caixa, posto que as proposições aparentemente salvadoras apresentadas não teriam (e não têm) consistência sob um capitalismo decadente e seu Estado falido em decorrência desta falência estrutural de onde retira a sua seiva econômica. 

Os argumentos expendidos abstraem os números da depressão econômica mundial na qual estamos inseridos, como se pudéssemos ser dela poupados embora utilizemos os mesmos mecanismos que a causam; e as estatísticas da realidade social de tragédia insuperável sob o capital eram citados como se estes candidatos não pertencessem, como governantes (e também como parlamentares) que foram, às causas desta mesma realidade.  

Contrapor-se ao capitalismo e sua lógica de retomada do desenvolvimento econômico a partir de determinados pressupostos (falsos) não está facultado aos(às) jornalistas de uma empresa que detém forte importância no contexto capitalista. 

Mas somente um jornalista com a alma revolucionária e independência de um Celso Lungaretti (qualidades que evidentemente seus colegas da Globonews não têm, por mais competentes que sejam, e são), e num debate sem patrocínio mercantil e organizado por um veículo de comunicação isento, poderia colocar as coisas sob um raciocínio fora da caixa e demonstrar que a ingovernabilidade não decorre da falta de competência administrativa, mas sim de contradições econômicas insanáveis.  
Um plano golpista era bisar esta
zorra, mas ficou óbvio a ponto
de Deus e o mundo perceberem
.


Boçalnaro, o ignaro
, tornou evidente a sua ignorância político-estratégica e está isolado. 

Também na semana passada o seu ministro da Defesa em reunião com seus pares internacionais, se contrapôs (ainda que com palavras de duplo sentido, num malabarismo retórico evidente) ao seu discurso de derrotado; até o presidente da Câmara Federal teve o desplante de contestar suas alucinações ao vivo. deixando numa posição desconfortável aquele que lhe concedeu o orçamento secreto.

Mas não nos iludamos, o preside(me)nte e sua horda de fanáticos, tal qual Donald Trump, tentará sair do poder atirando, e talvez se exilando para escapar de uma possível cana por tantos desmandos e crimes de responsabilidade cometidos. 

Precisamos, portanto, nos mobilizar na contraposição ao pretendido golpe, sem considerar que as forças ultraconservadoras estejam mortas e sepultadas; elas estão apenas isoladas, mas vociferando.  

Precisamos de uma nova ordem jurídico-constitucional fora da lógica do capital, verdadeiramente popular, que dê ao povo, pela primeira vez nesta terra brasiliana, a capacidade de decidir, acertar, errar, consertar e comemorar aquilo que for o resultado de sua responsabilidade soberana. (por Dalton Rosado)

domingo, 29 de maio de 2022

MAIO TERMINA COM A SUCESSÃO EM ABERTO E O BOZO NEUTRALIZADO

A
pesar da euforia dos petistas com os resultados da última pesquisa eleitoral do DataFolha e de já estarem executando um deplorável arrastão para tentarem liquidar a fatura no 1º turno, o que realmente se decidiu em maio foi o destino político do presidente Jair Bolsonaro: nem se reelegerá, nem vai conseguir dar golpe nenhum. 

No tocante a ele, as únicas dúvidas que restam são se conseguirá escapar impune de todos os crimes que cometeu no passado e no mandato atual, se vai ser merecidamente processado e depois encarcerado ou se  pedirá asilo para o Putin. 

Por quê? Porque em maio se percebeu nitidamente que o grande capital chegou à óbvia conclusão de que o exterminador do nosso futuro é veneno para a economia, dada a instabilidade permanente que causa, afugentando investidores e dificultando negócios com o exterior. E, como o Lula se mostra ainda mais conciliador com o poder econômico do que em 2002, o pragmatismo empresarial acabou prevalecendo sobre restrições ideológicas porventura remanescentes.

E a última pesquisa do DataFolha, ao escancarar que há forte possibilidade de vitória lulista já no 1º turno, retirou a escada do genocida, deixando-o pendurado na brocha, pois:
— o petista teria hoje 54% dos votos válidos e, num eventual 2º turno, golearia o palhaço sinistro por 58% a 33%;
— mostrou que o preside(me)nte não conseguirá reverter a situação com novas esmolas, pois, entre os que recebem o Auxílio Brasil, só 20% votariam nele, contra os 59% que preferem o Lula;
—  no segmento dos mais pobres (fundamentais 52% do eleitorado), a vantagem lulista é acachapante, 66% x 25%, sinalizando que o calcanhar de Aquiles do celerado é o péssimo desempenho na economia;
— não votariam de jeito nenhum no pior presidente deste país em todos os tempos 54% dos eleitores, enquanto são 33% os que mantêm o Lula na lista negra;
—  48% dos eleitores consideram o (des)governo do Bozo "ruim ou péssimo" e 27% "regular", enquanto só 25% o aprovam.

O que se depreende deste quadro? 

Que, como produzir um milagre econômico nos quatro meses que faltam até o pleito é impossível e como novos auxílios demagógicos aos pobres não desfarão a impressão causada por um mandato inteiro de penúria, o abominável já não tem como virar o jogo eleitoral.

Ou seja, o calamitoso não só perderá, como a tendência óbvia é de que o impacto desse novo cenário delineado no último DataFolha acelerará o derretimento da sua candidatura, com os ratos abandonando o navio que afunda. Só continuarão ao lado dele os fanáticos ultradireitistas, uma minoria de menos de 20% dos brasileiros.

E como pensar em golpe sem apoio do grande capital e das nações capitalistas dominantes, bem como das Forças Armadas (cujos altos comandantes sabem muito bem que estariam entrando numa roubada), e não tendo nenhuma perspectiva de tirar o Brasil da recessão em que está atolado até o pescoço? Não vai rolar.

Contudo, por mais que os petistas cantem vitória antecipada e atirem salva-vidas para os personagens mais nefandos da política brasileira, prontos para repetir os erros e as amoralidades que conduziram ao mensalão e ao petrolão, talvez tenham errado no timing: se o efeito Janja e o efeito DataFolha redundarem num esvaziamento rápido demais do pária mundial, é possível algum azarão acelerar na reta final e tomar o lugar dele no 2º turno.

Pois o Lula está se beneficiando da ansiedade que os brasileiros, em sua maioria, têm de encerrarem o quanto antes a temporada do circo de horrores. Mas, com o palhaço sinistro encaminhando-se nitidamente para o desemprego, é possível que algum outro candidato caia no agrado popular  e atropele na chegada. 

É difícil, mas não impossível, que uma intervenção do destino estrague o plano infalível dos que estão há anos favorecendo a polarização para dela extraírem benefícios eleitorais, mesmo que sua sabotagem à luta pelo impeachment do Bozo implicasse a morte de centenas de milhares de brasileiros que poderiam ter sobrevivido à pandemia de covid.  

Quem poderia personificar tal surpresa?

Ciro Gomes parece ter perdido sua chance ao encaminhar-se para a direita, tentando armar sua trincheira na exígua faixa de terra existente entre o capitalismo monstruoso e fedorento sob o Bozo e o capitalismo  maquilado e perfumado sob o Lula. 

Se, ao invés disso, houvesse tentado ocupar o espaço à esquerda do Lula, muito mais amplo, talvez tivesse emplacado.

Pelo mesmo motivo, o potencial de crescimento de Simone Tebet não é grande, embora ela possa se beneficiar de sua condição de mulher (um considerável trunfo depois da misoginia repugnante do motoqueiro fantasma) e de ser uma cara diferente numa política em que os já conhecidos quase todos já decepcionaram.

Vera Lúcia, por sua vez, tende a herdar os votos da esquerda consequente, aquela que quer muito mais do que o Lula está disposto a dar: tudo aquilo que o PT prometia ao ser fundado em 1980 e depois esqueceu ou renegou.   

E não está descartada a possibilidade de que, nestes quatro meses que faltam até a ida às urnas eletrônicas, ocorrer uma explosão social como a do Chile em 2019, pois a situação de miserabilidade está cada dia mais dramática. 

Com isto todos os cálculos iriam para o espaço e teríamos de botar a cabeça para funcionar novamente. (por Celso Lungaretti) 

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

GOVERNO OU MOSTRENGO IDEOLÓGICO? O PRESIDENTE TEM VIÉS DITATORIAL E O GURU ECONÔMICO É UM LIBERAL ANACRÔNICO – 1

dalton rosado
O PRESIDENTE BOÇALNARO, O IGNARO; O MINISTRO TCHUTCHUCA GUEDES, AS CONTRADIÇÕES E IMPASSES POLÍTICO-ECONÔMICOS (ENDÓGENOS E EXÓGENOS)
"Todo nascimento supõe um 
rompimento" (Clarice Lispector)
O Estado sempre tem função estratégica sob o capitalismo (e não sobre). 

Os governos, espécies funcionais do gênero Estado, dependendo do matiz ideológico, dividem-se em dois modelos básicos, com variações de intensidade e posturas políticas, apenas. São eles: 
— os estatistas, adeptos de um estado intervencionista, proprietário dos meios de produção de modo integral ou parcial, e que se mantêm pela força (hoje eles são denominados de keynesianos ou neo-keynesianos);
b) os anti-estatistas, adeptos de um Estado mínimo que apenas cumpra a sua função de indutor da economia capitalista e mantenedor da ordem institucional, e que igualmente se mantêm pela força (hoje denominados liberais ou neoliberais).
.
Se quisermos, ainda podemos incluir um terceiro modo governamental (que também é espécie funcional do Estado), comum nos dias de hoje: os modelos híbridos, que atuam nos dois sentidos acima, ou seja, ora são estatizantes, ora liberais, numa simbiose de keynesianismo e neoliberalismo. 

Aliás, em razão da debacle capitalista mundial, é cada vez mais usual a existência de tal modelo híbrido.

O que se mostraram os Estados Unidos, defensores históricos do liberalismo de mercado, quando da intervenção do FED  (a Federal Reserve, o Banco Central deles) durante a crise do sub-prime, socorrendo os banco falidos mediante a injeção de dólares sem lastro? Ou, ainda, ao recorrerem à reserva de mercado contra produtos chineses?

O que se mostra a China (dita comunista), diante da ortodoxia liberal provocada pela necessidade de vender seus produtos para fazer face à sua crescente e já insolvável dívida monetária pública e privada?

Ambos os governos citados são estatizantes ou liberais dependendo das circunstâncias ditadas pelo capitalismo ao qual todos os Estados são dependentes submissos. 

Qualquer que seja seu matiz político ideológico, Estado moderno é sinônimo de capitalismo, e ponto final.

A Venezuela é tão capitalista quanto os EUA; os seus governos se diferenciam apenas na condução política, mas dentro de um mesmo norte referencial de produção mercantil decadente. As divergências se cingem às preferências políticas ditadas por interesses econômicos, e não é por menos que Vladimir Putin ajudou eleitoralmente Donald Trump.

Nosso vizinho sul-americano bolivariano gosta de vender o seu petróleo aos Estados Unidos, e os EUA gostam de comprar o petróleo barateado pela oferta superavitária internacional e pelo baixo custo do frete marítimo dada a proximidade da produção. Ambos são dependentes (até certo ponto) entre si, e quando se trata de interesse mercantil, excluem-se das negociações as divergências políticas. 
Apesar de todos os embargos que o Tio Sam articulou e patrocinou contra os governos bolivarianos, os estadunidenses continuaram comprando o petróleo venezuelano. 

É claro que, no interior do gênero capitalista, existem espécies as mais variadas e híbridas, que vão desde os modelos nacionalistas exacerbados, como o nazismo, de triste lembrança (era economicamente liberal e seus empresários industriais privados adoravam Hitler, mas defendiam a tese de Germany First, inclusive na questão do espaço territorial vital), até os modelos mais inusitados como o chinês, dito comunista na sua forma de governo, mas o mais capitalista de quantos disputam a guerra concorrencial de mercado mundo afora.

Sob a forma de produção mercantil, o gênero político-econômico é o capitalismo; as suas espécies, os tipos de governos políticos.

Mas o Brasil anda tão idiossincrásico que não se consegue enquadrá-lo dentre as espécies mais conhecidas. 

Temos um mostrengo ideológico eleitoral nascido da insatisfação popular com a debacle capitalista, falaciosamente apresentada para o grande público como sendo resultante da corrupção com o dinheiro público. 

Tal mostrengo elegeu um candidato cujo primarismo é chocante (ele não possui o traquejo cultural do Lula, justificadamente inculto por ser um migrante nordestino de origem operária, mas calejado em anos de difícil embate político ideológico) e que, por falta de um norte referencial, viaja o tempo todo na maionese e sequer sabe claramente o que quer, o que diz ou o que faz, daí já estarmos acostumados aos desmentidos do seu porta sem voz após cada declaração estapafúrdia. 

As posturas do presidente Boçalnaro, o ignaro, são tão absurdamente contraditórias que mais se parecem com a daquele viajante que, pretendendo ir de São Paulo para o Rio Grande do Sul, toma a Via Dutra e, quanto mais acelera, mais perdido fica. 

A pretensão do seu guru econômico Paulo Guedes (que perde as estribeiras quando o chamam de tchutchuca...) tem norte definido, embora ultrapassado pelo tempo, e se choca com o viés ditatorial imprudente de seu chefe. 

Boçalnaro quer o parlamento e o judiciário aos seus pés. Por ele, um cabo e um soldado suprimiriam o Supremo Tribunal Federal (como disse um dos filhos zero à esquerda); e não cessa de criticar o parlamento, do qual fez parte por longos e parasitários 28 anos, usando as redes sociais para suas críticas como se estivesse em campanha eleitoral. 

A guerra com o parlamento (sabidamente elitista, cujos membros fisiológicos lá estão majoritariamente por força do poder econômico, e que são ideologicamente mais afinados com o liberalismo burguês) é, claro, contraproducente para quem quer ver aprovadas as medidas impopulares tidas como indispensáveis por Paulo Guedes nestes tempos de vacas magérrimas.

Não é por menos que o senador Tasso Jereissati e a senadora Simone Tebet, que têm vieses ideológicos capitalistas, ficam assustados com a falta de tato do presidente e afirmam abertamente que ele contribuiria mais para a agenda liberal se ficasse calado. 

Já o viés ditatorial de Boçalnaro, o ignaro o leva a querer um retrocesso aos tempos de Luís XIV, autor da afirmação célebre que sintetiza o absolutismo: o Estado sou eu (“L’état c’est moi”). 

Bolsonaro não é liberal burguês, mas absolutista feudal com laivos napoleônicos militaristas. Um atraso histórico, e esta é uma das principais idiossincrasias ideológicas do seu desgoverno. (por Dalton Rosado
(continua neste post)
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