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quarta-feira, 12 de junho de 2024

CHILIQUE DE LULA CONTRA GREVE DA EDUCAÇÃO FEDERAL TEM RAZÃO DE SER: GREVISTAS COLOCAM EM XEQUE OS PODRES ACORDÕES DOS CAPITALISTAS

 

O chilique de Lula na segunda-feira, 10/06, veio acompanhado de chiliques nos jornais Folha de São Paulo e O Globo, grandes porta-vozes da burguesia brasileira. O cerne dos três, presidente e jornalões, é atacar a greve, tentando jogar a sociedade contra os profissionais da educação - quem perde são os alunos, disseram presidente e editorialistas - e acusar a greve de intransigente. 

Ora, intransigente tem sido Lula que desde o ano de 2023 vem se recusando a negociar com os trabalhadores da educação federal, enquanto concede aumentos substanciais às categorias bolsonaristas da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal, o que, segundo fontes do PT, seria uma estratégia para conquistar tais setores ao lulismo... o filme se repete, de forma bisonha

Mas qual o motivo do ataque coordenado entre Lula e jornalões à greve dos trabalhadores da educação? O motivo é simples, nossa greve não é apenas uma greve de um setor, mas um movimento que coloca em xeque a política econômica de austeridade fiscal cristalizada no Arcabouço Fiscal, versão piorada do Teto de Gastos e que foi aprovada pelo presidente Lula e por seu medíocre ministro Haddad em 2023.

Os acordões que livraram Lula da cadeia e o conduziram de volta à presidência, fazendo chapa ao insípido Alckimin, passam diretamente pelo aprofundamento das privatizações do serviço público, cortes de gastos e ataques aos trabalhadores. A última missão de Lula é completar aquilo que o presidente fujão, Bolsonaro, não conseguiu: implementar as "reformas" neoliberais que formalizam o assalto rentista ao orçamento público e promovem a superexploração dos trabalhadores brasileiros. 

Nesse aspecto, não pode causar estranheza a proposta de Haddad de acabar com os mínimos constitucionais para a educação e a saúde, garantias hoje já largamente ignoradas, mas que eliminadas de vez significariam o fim da educação e da saúde públicas no Brasil. Ou sua outra proposta de desatrelar benefícios sociais da correção inflacionária, virtualmente levando seus beneficiários à fome. Que crianças fiquem sem escola, doentes sem hospital e velhos morram de fome, mas que o capital seja saciado! 

Mas não contavam com a greve da educação federal. Seus paus mandados, encastelados nas direções sindicais, tentaram de tudo para evitar que a greve saísse. Não conseguiram. Depois, tentaram de tudo para que ela se encerrasse em pouco tempo, também não conseguiram. Em todas as ocasiões, as bases os atropelaram. Acabaram tomando um puxão de orelha do seu chefe supremo, o pelego-mor, e agora estão em desespero pois não sabem mais o que fazer. 

Ao mesmo tempo, lulistas se aliaram a bolsonaristas para irem às portas dos campi, fantasiados de pais preocupados, pressionarem contra a greve. Dentro das instituições federais, professores lulistas passaram a trabalhar contra a greve, fazendo cartas apócrifas, mentindo e mesmo minando a legitimidade sindical. Vale tudo para proteger o Messias de Garanhuns!

Apesar disso tudo, a greve segue forte e o cerne da política econômica da burguesia brasileira é desnudada. Essa, portanto, não é uma simples greve de mais uma categoria do funcionalismo público, é uma greve contra o nó górdio do regime capitalista hoje no Brasil e, particularmente, uma greve que tensiona os acordões espúrios de Lula e do PT. (por David Coelho)

sexta-feira, 24 de maio de 2024

LULA E HADDAD SEGUEM NO ATAQUE À EDUCAÇÃO FEDERAL

 

"A greve continua, Lula, a culpa é sua!", com esse grito a assembleia do Colégio Pedro II aprovou nesta sexta, dia 24/05, a continuidade da greve. Já são mais de 40 dias de greve total ou parcial na rede federal de ensino sem que o governo Lula se digne a oferecer algo de relevante à categoria dos docentes e técnicos. 

Pior, a última proposta de Lula foi insistir no reajuste zero para a categoria no ano de 2024 e propor algo tão rebaixado para os próximos anos que sequer cobre a inflação futura de forma adequada. No caso dos técnicos, a categoria que ganha o pior salário do serviço público federal, a oferta é ainda mais rebaixada, pois o plano de Lula, Haddad e Tebet é caminhar para a terceirização desse segmento. 

Quando o tema é a recomposição do orçamento para a educação, o debate fica quase nulo. O governo que se diz em favor da educação e que diz querer abrir 100 novos Institutos Federais Brasil afora não propõe qualquer tipo de recomposição orçamentária para recuperar os cortes acumulados nos últimos dez anos, desde o governo Dilma 2. Hoje existem instituições ao redor do país em estado de calamidade, com paredes caindo, tetos desmoronando e sob risco de incêndio. Na última semana, tivemos, por exemplo, notícias de que um ventilador caiu na cabeça de um aluno, que uma professora foi engolida por um buraco em sala de aula e que aulas foram suspensas por falta de água, tudo isso na UFRJ, a maior e mais tradicional universidade do Brasil. 

Mas, Lula e Haddad seguem intransigentes. Querem esmagar a greve da educação a todo custo, a ponto de terem colocado um ultimato para os servidores: não haverá mais negociações e dia 27 assinará o acordo com quem lá estiver para assinar. Na prática, Lula espera que compareça para assinatura o Proifes, pseudo sindicato criado pelo próprio governo em 2008 para minar as organizações independentes e que possui por tradição a falta de democracia interna. Tal sindicato chapa branca representa menos de 5% da categoria dos servidores da educação, não possui carta sindical, mas se arroga o direito de falar pelo conjunto dos trabalhadores. 

Contudo, já demos o alerta, se Lula esmagar a greve da educação, será um tiro no peito de seu próprio governo, pois estará alienando um grupo que foi absolutamente fundamental para sua eleição, enquanto reforça categorias radicalmente bolsonaristas, como é o caso da PRF e dos Policiais Penais, que receberam reajustes que beiram os 60%. Quem é que fortalece mesmo a extrema direita? Não é fortalecer o fascismo despejar dinheiro nos apoiadores de Bolsonaro, enquanto as categorias tradicionalmente à esquerda são dilaceradas? 

Por trás de tudo estão os compromissos de Lula com o grande capital, sua dívida no pacto celebrado para tirá-lo da prisão e levá-lo de volta à presidência. Ele deve ao capital, sobretudo o financeiro, sua liberdade e seu poder, e fará de tudo para pagar a dívida, mesmo sob o risco de se autodestruir. No fim, o deus lula tem pés de barro e, tal como todo deus, não passa de uma mistificação tão vazia quanto uma bolha de sabão. (por David Coelho) 

terça-feira, 14 de maio de 2024

GREVE DA EDUCAÇÃO PODE SELAR DESTINO DO GOVERNO LULA 3

 

Não acredito que Lula e os lulistas mereçam conselhos, até porque conselho se dá a quem é amigo e deseja minimamente ouvir o que se tem a dizer, características muito distantes da turma hoje ocupante do Palácio do Planalto. Contudo, farei um alerta na esperança de ter algum impacto. 

A greve da educação federal no Brasil já completa 44 dias, 74 se formos contar a greve parcial dos técnicos nas universidades, desencadeada antes da recente onda. Praticamente todas as universidades e institutos federais do país estão parados, parcial ou totalmente. Nesse período todo, a proposta do governo Lula não foi muito além de oferecer uma recomposição salarial que sequer cobre a inflação futura, quanto menos a passada. É pedido 33% de reajuste para os técnicos e 21% para docentes, no entendimento que as perdas salariais dos técnicos é muito maior, passando de metade do salário. Mas o governo apresentou proposta de irrisórios 13%, a ser divido nos próximos três anos, muito longe do ideal, pois a inflação dos próximos anos é prevista para alcançar 11%. 

Pior!, o governo Lula, com Haddad e Tebet à frente, apostam em uma estratégia de divisão e cansaço da categoria. Estão fechando acordos com setores do funcionalismo considerados de maior peso, enquanto mantém a educação isolada com o ônus de uma greve longa e cansativa. No Colégio Pedro II, onde trabalho, já tivemos casos de docentes ameaçados por pais de alunos descontentes com a greve, além da criação de grupos de responsáveis para ir às portas dos campi serem filmados pela Globo gritando contra a greve. Não é preciso dizer que tais grupos congregam a nata do bolsonarismo, algo já esperado, mas também muitos lulistas. 

A etapa final da estratégia do governo é forçar a saída prematura dos docentes da greve, deixando os técnicos sozinhos, já com o intuito de terceirizar as funções desses servidores. Para isso, Lula e Haddad pretendem apresentar uma proposta de reajuste atraente para os docentes e revisar alguns pontos da carreira desses. Os professores, que em sua maioria sequer queriam entrar em greve, podem ficar tentados a aceitar o pedido e encerrarem sua mobilização. 

Contudo, a solução nesse sentido seria trágica para a educação, pois reforçaria a divisão entre técnicos e docentes, não necessariamente solucionaria o problemas dos últimos, pois ainda ficaríamos com perdas imensas, e esmagaria os técnicos. No caso do Colégio Pedro II, e de outras instituições federais, a situação é mais complexa porque o sindicato é unificado, então é impossível terminar a greve sem ter atendido às duas categorias. Ou seja, ficaríamos ainda mais tempo na greve, com um ambiente conturbado e com um desgaste gigantesco, interna e externamente. 

Porém - e aqui vai o alerta - o governo precisa se atentar que a educação é o setor que mais apoiou a eleição de Lula em 2022. Esmagar essa categoria é um contrassenso, ainda mais sabendo-se que setores do funcionalismo profundamente bolsonaristas receberam recomposições vultuosas, como é o caso da PRF, da PF e dos policiais penais, com reajustes que bateram os 60% no caso dos últimos. O governo envia a mensagem que os inimigos precisam ser premiados, mas os aliados devem ser tratados a pontapés! 

A popularidade de Lula caí a cada dia, fruto de sua política econômica atrelada aos interesses dos capitalistas. Ele vai sendo tragado pela crise capitalista e, caso opte por penalizar a educação, terá menos um grupo de apoiadores. A derrota da greve da educação poderá selar o destino de Lula 3, com um fim trágico para esse. (por David Coelho) 



sábado, 4 de maio de 2024

30 DIAS DE GREVE NA REDE FEDERAL: LULA E HADDAD CONTINUAM OS ATAQUES À EDUCAÇÃO

 

A greve do Colégio Pedro II - o mais antigo colégio de ensino médio do Brasil, com quase 190 anos de história - completou 1 mês nesta sexta-feira, 03/04. Junto a ele, praticamente todas as instituições de ensino federais estão em greve, total ou parcialmente. Na última semana, os docentes do CEFET/RJ e da UFF também se declararam em greve, deixando no Rio de Janeiro apenas a UFRJ com os professores fora do movimento. Coincidência ou não, o sindicato dos professores dessa universidade é ligado ao PT.

Sem dúvida, é uma das maiores greves do ensino federal em muito tempo, resultado de anos de defasagem salarial, corte sistemático do orçamento da educação e precarização em série das carreiras de técnicos e docentes. O desastre no ensino público federal pode ser medido pelo altíssimo grau de evasão dos técnicos, atraídos por carreiras mais vantajosas em outros segmentos do poder público, o que leva ao quadro de grave carência de servidores para trabalhar em diversas áreas cruciais do atendimento educacional. 

Na infraestrutura das instituições é também patente o estado de deterioração e abandono. Não raro existem campi com blocos condenados, salas interditadas, paredes desmoronando, elevadores sem condições de uso, etc. Também nessa semana, a reitora do Colégio Pedro II, Ana Paula Giraux, deu entrevista anunciando que o campus Centro, o mais antigo da instituição, onde o próprio Dom Pedro II ia para participar dos exames finais, corre sério risco de pegar fogo. Isso sem contar centenas de Institutos Federais país afora que ainda funcionam em prédios improvisados, mais de uma década após terem sido inaugurados pelo próprio Lula. 

Mas qual a proposta do governo? Uma recomposição salarial tímida, que não chega à metade do que foi pedido, o que já era bem inferior às perdas reais acumuladas. Pior, fizeram uma proposta de ajuste idêntica para professores e técnicos, mesmo sendo as perdas dos últimos muito maiores, e lançaram a deixa na mesa de negociação em Brasília: "levem para as assembleias, quem sabe não aceitam?". A estratégia era claríssima, fazer os professores aceitarem a oferta e induzir que esses abandonem a greve, deixando apenas os técnicos, parte menos visível para a opinião pública. Ato sórdido de um governo sórdido! 

Recusada em massa a proposta, pois em nenhum lugar os servidores a aceitaram, o governo decidiu partir para nova estratégia, o isolamento da educação dentro do funcionalismo público. Para isso, esperará o dia  13 de maio para nova rodada de negociações com os servidores desse setor, enquanto avança com outros. O objetivo é fechar acordos com setores estratégicos e de peso, deixando professores e técnicos com o ônus de uma greve longa e desgastante. Mais sordidez!



Tudo em nome do sacrossanto Teto de Gastos, rebatizado eufemisticamente de Arcabouço Fiscal. Haddad, o pior ministro do governo, cão de guarda do capital, já disse não existir espaço no orçamento para os servidores e que a meta é o déficit zero, o qual só pode ser conquistado às custas dos servidores, dos serviços públicos, da saúde e da educação, sobretudo. 

Lula se elegeu dizendo defender a educação. Mas em que tal defesa vai além de mera retórica oportunista ainda não foi mostrado. Até agora o que vemos é desrespeito, sordidez, demagogia e compromisso com a precarização do ensino público! (por David Coelho) 



quarta-feira, 10 de abril de 2024

HADDAD, O INIMIGO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA!

 

Dino estava na disputa com Haddad para saber quem seria o pior ministro do governo Lula 3, tendo ele ido para o STF, após lá abocanhar uma bocona, ficou ao Haddad o título inconteste de pior titular da Esplanada dos Ministérios. Agora, contudo, sabemos que ele não é apenas patético, mas também nefasto

Em declaração hoje, 10/04, disse não haver espaço para o reajuste do funcionalismo público, pois o orçamento deste ano já estaria fechado. Ocorre que até o momento a categoria que mais tem pressionado pela recomposição salarial e, inclusive, está em greve é a da educação, com mais de 445 campi de Institutos Federais, centros tecnológicos e universidades tecnológicas paralisadas. O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, onde atualmente trabalho, entrou em greve no dia 03 de abril, se juntando à greve nacional. 

Nos últimos anos, o salário dos técnicos administrativos e dos docentes sofreram perdas imensas, passando de 50% no caso dos primeiros. Ou seja, enquanto a inflação aumentou galopante e o custo de vida atingiu índices gigantescos, o valor nominal pago aos servidores seguiu o mesmo, na prática achatando seus salários e levando não poucos a uma situação de penúria. 

Daí terem sido comuns os relatos na Assembleia dos servidores do Colégio Pedro II em que se relatou a dificuldade em pagar aluguéis, transporte e mesmo alimentação. Alguns confessaram fazer bico de Uber para complementar a renda familiar, enquanto outros não esconderam a intenção de abandonar a carreira na educação em prol de outras mais atrativas. O resultado disso é a degradação dos serviços prestados no Colégio, um dos mais tradicionais do Brasil, com quase 190 anos de história. Faltam funcionários para serviços elementares e os que existem não dão conta de muitas demandas. 

Por fim, o orçamento da educação vem sendo estraçalhado nos últimos 10 anos, desde pelo menos o finado governo Dilma 2, com cortes sucessivos que afetam investimentos, mas também o custeio das estruturas, a contratação de serviços terceirizados, reformas e a assistência estudantil. Assim, é comum encontrar nos campi Brasil afora prédios inacabados ou mesmo faculdades com salas interditadas, além de não raro aulas serem interrompidas por falta de limpeza dos banheiros e espaços gerais. Estudantes pobres muitas vezes precisam abandonar os estudos por falta de apoio financeiro.

Diante desse cenário, o futuro da educação brasileira é nebuloso. As redes estaduais e municipais já estão sucateadas e arruinadas há décadas, sofrendo com falta de professores, de funcionários, infraestrutura precária, etc. A rede federal, que ainda mantém um mínimo de atendimento com qualidade, pode sofrer o mesmo destino no médio e longo prazo, enterrando de vez a educação em nosso país. 

Por isso, Haddad parece querer juntar ao seu currículo o epíteto de destruidor da educação pública, algo ainda mais desonroso para um professor e ex-ministro da Educação. Político medíocre, intelectual vazio, pelo menos dessa forma entrará para a história. (por David Coelho) 

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