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sábado, 23 de novembro de 2019

O QUE É PIOR, UM SÚDITO DO OLAVO DE CARVALHO NO MEC OU UM FÃ DO GURU CHARLATÃO COM A FAIXA PRESIDENCIAL?

josias de souza
PROBLEMA DO MEC
É BOLSONARO E
NÃO WEINTRAUB
Em novo ataque às universidades brasileiras, Abram Weintraub insinuou numa entrevista que a autonomia universitária virou um biombo para o tráfico de drogas. 

Há "plantações extensivas de maconha" nas universidades federais, acusou o ministro da Educação. Laboratórios de química das universidades desenvolvem "drogas sintéticas", ele acrescentou, assim, em timbre genérico. 

Ao fazer esse tipo de declaração numa entrevista sem exibir um ofício de comunicação do fato ao Ministério Público, Weintraub confessa a prática de um crime. Gestor público que deixa de tomar providências quando submetido a ilegalidades tão gritantes incorre no crime de prevaricação. Pena de três meses a um ano de cadeia, mais multa. 

Há incontáveis razões para criticar Abram Weintraub. Mas não fica bem falar mal do ministro e usar luvas de renda para analisar o desempenho de Jair Bolsonaro no desastre gerencial em que se transformou o MEC. O que é pior, um ministro inepto ou um presidente que nomeia ministros incapazes? Um súdito de Olavo de Carvalho no MEC ou um seguidor de Olavo de Carvalho na Presidência da República? 

Muitos pacientes se salvariam da morte se fosse obrigatório identificar o médico ao lado do nome do morto no atestado de óbito. 

Do mesmo modo, o presidente da República talvez selecionasse melhor os seus ministros se soubesse de antemão que suas culpas seriam mencionada no obituário dos maus gestores que nomeou. 

Bolsonaro é reincidente no MEC. Antes Weintraub, nomeara outro olavista: Vélez Rodrigues, uma piada colombiana. Portanto, deve-se realçar, para que não reste dúvida: o bunker ideológico que se instalou no MEC tem as digitais de Jair Bolsonaro. (por Josias de Souza)

quarta-feira, 3 de julho de 2019

COLOPROCTOLOGIA: TUDO QUE VC QUERIA SABER SOBRE A MASSA OLAVAL QUE OS BOLSONAROS TÊM NA CABEÇA.

joel pinheiro
da fonseca
EM SEIS MESES, OLAVO FORNECE
A BOLSONARO MILITÂNCIA ATIVA
E FANÁTICA
É uma pena que, em 2019, Olavo de Carvalho ainda seja tema relevante no debate público brasileiro. Com efeito, ele talvez nunca tenha sido tão relevante.

No governo Bolsonaro, Olavo não é apenas um escritor de sucesso ou o professor de um curso online popular; é um dos principais ideólogos do governo e indicou ao presidente os ocupantes de dois ministérios, no que foi prontamente obedecido.

Embora esteja, aos seis meses de governo, um pouco mais afastado do entorno presidencial, seus seguidores e sua ideologia continuam a influenciar os rumos de Brasília.

Essa posição de influência não é fruto do puro acaso.

Olavo veio construindo sua base, doutrinando um número crescente de seguidores com pouca bagagem cultural, desde o início dos anos 2000. Nos anos 1990, fora um polemista e crítico de medalhões intelectuais da esquerda que dominavam o debate público.

Antes disso, vivera muitas e diversas aventuras: alega ter sido militante comunista na juventude. Mais tarde, se juntou a uma tariqa (um grupo esotérico islâmico) e fez um mergulho no misticismo e no perenialismo; foi também astrólogo. Hoje, é católico e reside nos EUA.

Olavo já teve presença na mídia. Chegou a ter coluna no jornal O Globo. Mas, por seu pensamento crescentemente paranoico e sua incapacidade de travar uma discussão sem recorrer a ofensas e xingamentos, acabou perdendo todos os seus espaços na mídia, ao mesmo tempo em que investia em seu site, programa de YouTube e curso online.

Percebeu antes de muitos outros formadores de opinião que, com as novas tecnologias, não era mais necessário o crivo institucional da mídia ou da universidade para chegar ao público.

A aposta vingou. Morando nos EUA, Olavo dá um curso online de filosofia que já se estende por anos, tem milhares de alunos e mensalidade de R$ 60.

Ao mesmo tempo, ele conseguiu se transformar numa grande referência de cultura, filosofia e política para pessoas sem grande bagagem intelectual e com algum ressentimento do discurso dominante na mídia, na política, nas universidades e nas artes.

O QUE OLAVO ENSINA — Embora se considere filósofo e tenha escrito livros sobre filosofia, seu real interesse —e o de seus alunos e seguidores— é a política. Sua mensagem política é simples: tudo o que é de esquerda é maligno.

Em nome de extirpar a esquerda, vale tudo, inclusive derrubar à  força qualquer obstáculo institucional ao livre exercício de poder de um governante de direita.

Congresso, STF, mídia, universidades e mesmo as Forças Armadas: à medida em que não se curvarem ao mando de Bolsonaro, devem ser atacados sem trégua.

No passado, ele já torceu abertamente por um golpe que derrubasse o governo constituído, como no caso da greve dos caminhoneiros em 2018. Olavo foi um apoiador de primeira hora dos grevistas. Para ele, os caminhoneiros possuíam a virtude e a força que faltava aos militares para fazer uma revolução.

Num post em sua página no Facebook em 24 de maio de 2018, escreveu:
"Por que os caminhoneiros estão pedindo intervenção militar? Deveriam eles mesmos fazer a intervenção, pois já provaram, mais de uma vez, que têm capacidade e bravura para isso. Todo poder aos caminhoneiros!"
Digamos que a estabilidade institucional do país não lhe seja um valor muito caro.

Embora tenha abandonado há muito o mundo das seitas esotéricas, conserva ainda alguns de seus traços: cultiva perante seus seguidores a imagem de um grande sábio, cuja autoridade deve ser sempre respeitada e reconhecida.

Com essa autoridade, promove a fanatização de seus seguidores, fazendo-os crer que vivemos na iminência constante de um apocalipse esquerdista, do qual apenas Olavo (ou aqueles por ele apontados) podem nos salvar.

Toda sua filosofia, em última instância, aponta para a mesma conclusão: duvidar da argumentação racional e confiar acima de tudo na intuição superior do mestre (ele próprio).

A mídia, a universidade e a ciência de maneira geral são alvo de desprezo.

Recentemente, expressou dúvidas sobre se a Terra é plana. Não se sabe até que ponto manifestações como essas devem ser levadas a sério, mas creio que buscar saber se algo que Olavo diz é sério ou não já é perder o ponto central da filosofia olaviana: o conteúdo é o que menos interessa. O importante é fomentar a dependência do seguidor na autoridade do mestre.

As teses conspiratórias se seguem umas às outras e vão embora sem deixar rastro. Maçonaria, programação neurolinguística, Foro de São Paulo, globalismo, comunismo, marxismo cultural, Clube Bilderberg, segredos de Fátima. O importante é manter a fé cega e o ânimo exaltado.
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O QUE OLAVO E OS OLAVISTAS FAZEM — Não se deve superestimar o papel de Olavo no governo Bolsonaro.

Ele não está presente no dia a dia da administração nem toma decisões. Permanece, contudo, como a fonte da ideologia dominante no discurso do governo (que combate inimigos como o globalismo e o Foro de São Paulo) e é o guru inspirador de figuras influentes: o ministro da Educação, Abraham Weintraub, o chanceler Ernesto Araújo, o assessor de política internacional da Presidência Filipe Martins e os filhos Carlos e Eduardo Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, desafetos seus na equipe do governo têm sido paulatinamente demitidos, como ocorreu com o general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, que em maio foi xingado de “seu merda” por Olavo no Twitter.

Inegavelmente, o que os olavistas têm a oferecer ao governo Bolsonaro não é domínio técnico das pastas em que são alocados. Até agora, vimos o fracasso vergonhoso da primeira indicação de Olavo ao Ministério da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.

Weintraub, seu sucessor, conseguiu transformar um contingenciamento normal numa crise de popularidade, faz o discurso de caça às bruxas contra professores e hoje se resume a xingar o PT no Twitter.

Nas Relações Exteriores os militares do governo tiveram que construir um verdadeiro cordão de isolamento para impedir que o ministro Ernesto Araújo comprometesse o interesse nacional com sua mistura curiosa de discurso nacionalista extremado e subserviência aos EUA.

A Apex, empresa pública que inicialmente fora deixada a cargo de olavistas, praticamente parou em meio à incompetência e às intrigas constantes por eles fabricadas. 
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O QUE RESULTA DO OLAVISMO — O que os olavistas oferecem ao governo é uma militância altamente mobilizada e fanatizada, disposta a atacar alvos selecionados nas redes sociais e fazer barulho nas ruas quando necessário.

Bolsonaro vem apostando nessa ideia, alimentado talvez pela crença de que o grito das redes significa popularidade real nos lares brasileiros.

Cercado de conselheiros como Filipe Martins e seu filho Eduardo, parece crer na paranoia conspiratória de que todos fora de seu círculo íntimo conspiram contra ele.

Os institutos de pesquisa vêm apontando queda na popularidade do presidente, mas já que, de acordo com Olavo e sua ideologia, os institutos mentem, não há por que acreditar neles.

Mais recentemente, Bolsonaro se afastou um pouco da figura de Olavo —que ficou desgastado depois das sucessivas brigas com a ala militar do governo— sem com isso livrar-se dos olavistas que ocupam posições importantes na administração e da ideologia olavista (teorias da conspiração e fanatização da base a serviço de um projeto de poder absoluto).

Se de fato continuar nessa rota, encaminhará o governo para o sonho de Olavo e de seus seguidores: a ruptura institucional visando o poder total.

Parece uma estratégia fadada ao fracasso, mas dado o tamanho do abismo que o presidente criou entre si e o Congresso, talvez seja vista como o único caminho.

Em todos os projetos em que toca, Olavo deixa um rastro de desavenças, intrigas, ressentimentos, sem nenhuma realização. Com o governo federal não parece que será diferente. (por Joel Pinheiro da Fonseca)

segunda-feira, 3 de junho de 2019

É O CÚMULO DO OPORTUNISMO: INCAPAZ DE MOBILIZAR AS MASSAS, O PT TENTA PEGAR CARONA NAS MANIFESTAÇÕES ESTUDANTIS!

Estou sempre pronto para aplaudir as posturas lúcidas e dignas, partam de quem partirem. Então, não posso deixar de reconhecer que o Fernando Haddad vem sendo a principal voz petista na contramão do oportunismo sem limites que grassa no partido desde que passou a subordinar os interesses dos trabalhadores e da sociedade aos projetos megalomaníacos do ex-presidente Lula.

Ao entrar no sexto mês do governo ultradireitista de Jair Bolsonaro, o PT ainda não foi capaz de articular nenhuma resistência digna deste nome à escalada da intolerância, do arbítrio e da barbárie, muito menos de colocar as massas nas ruas pra valer.

Então, tenta pegar carona descaradamente no movimento contra a destruição da Educação que professores e estudantes ergueram sozinhos, beneficiados pelo fato de que a maioria das pessoas de bem preza o ensino e reprova os excessos extremistas dos ministros que o Rasputin da Virgínia instalou no Governo Bolsonaro.

E é neste momento que o PT tenta colar sua acentuada rejeição à boa imagem do movimento de professores e estudantes, o que inevitavelmente o enfraquecerá. Parece estar querendo dar razão a Bolsonaro, que reagiu ao megaprotesto de 15 de maio exatamente acusando os manifestantes de serem idiotas úteis teleguiados pela esquerda derrotada na última eleição presidencial.
"O PT não pode tutelar movimento social"

Ponto para o Haddad, que não compactuou com mais este desserviço petista à causa da resistência  ao bolsonarismo:
"O PT não pode ter a pretensão de tutelar movimento social.  
O movimento da educação é um movimento da sociedade, independentemente da posição que a pessoa tenha em relação ao PT e ao Lula".
E um conselho aos dirigentes petistas que, neste domingo (2), iniciaram a pregação divisionista, com afirmações do tipo "Lula e educação são inseparáveis. Essa moçada está indo às ruas pelo legado que Lula deixou nesse país" (Gleisi Hoffmann) e "A campanha do Lula Livre, que no nosso caso é mostrar o julgamento injusto que ele teve, se junta à pauta da educação" (Paulo Okamotto): desistam!

Chega de levarem água para o moinho do inimigo, como fizeram em 2013, quando voltaram as costas para o Movimento Passe Livre, permitindo que aqueles jovens fossem massacrados pela repressão de governos estaduais e sofressem chocantes perseguições judiciais.
Candidatura fantasma: um desagravo fora de hora.

E também na campanha presidencial de 2018, quando pavimentaram o caminho para a vitória ultradireitista:
  • com a insistência na candidatura fantasma do Lula (que jamais teve a mais remota chance de vingar, não passando de um desagravo fora de hora que tirou o foco do objetivo principal de determos Bolsonaro); e
  • com o torpedeamento dos esforços para a união de forças da esquerda (que os mais lúcidos pregaram, mas o dono do partido abortou ao puxar o tapete de Ciro Gomes).
O PT tem o direito e até o dever de lutar pela liberdade do Lula. Mas precisa entender que a prioridade máxima da esquerda, neste momento, é evitar a fascistização total da sociedade brasileira. Todo o resto vem depois. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 14 de maio de 2019

SE NÃO CHUTAR O PAU DA BARRACA, MORO VAI SE TRANSFORMAR NO LACAIO ABJETO DE UM PROJETO DE PODER INESCRUPULOSO

Ele supunha estar em marcha triunfal para o STF...
joel pinheiro da fonseca
DE SUPER-HERÓI A LACAIO
passagem de Sergio Moro pelo Ministério da Justiça em sua caminhada para o Supremo prometia ser a marcha triunfal rumo à coroação.

Primeiro, institucionalizar o combate à corrupção tal como feito pela Operação Lava Jato. Na sequência, sentar-se na mais alta corte do país para não deixar os corruptos impunes. 

Agora, graças aos tropeços políticos, o trajeto parece mais um longo corredor polonês de humilhações. E de destino incerto.

Moro se apequena diariamente em sua relação com o governo do qual topou participar. 

Teve sua indicação de Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária vetada pelo presidente, pela qual teve de pedir desculpas públicas.

Aceitou o papelão de tirar foto com o ex-ministro Vélez Rodríguez e anunciar a Lava Jato da Educação
...mas seu percurso agora está parecendo, isto sim, um longo corredor polonês de humilhações... 
Mantém um silêncio constrangedor sobre as fortes evidências de corrupção que circundam a família Bolsonaro.

Tem sido sumariamente ignorado quando o assunto é liberar as armas de fogo (o decreto mais recente foi anunciado publicamente antes mesmo do parecer do Ministério da Justiça).

E agora observou o governo abrir mão da promessa de manter o Conselho de Controle de Atividades Financeiras sob sua alçada para facilitar a aprovação da reforma administrativa junto ao Congresso.

Moro precisa mais de Bolsonaro do que o contrário. Para virar ministro, largou a magistratura. Se sair do governo sem uma cadeira do STF, fica sem nada e com a reputação manchada não só pelo fracasso de sua gestão como pela subserviência e parcialidade demonstradas. 
...tendo de engolir sapos para garantir a vaga no Supremo...

Bolsonaro sabe disto. E é por isto que, em todas as ocasiões em que apoiar seu superministro lhe custa alguma coisa, opta por desautorizá-lo. 

Dizer em público que indicará Moro para o STF é balançar na frente do ministro a recompensa prometida; lembrá-lo de que todas as humilhações terão valido a pena lá na frente.

Mas 2020 está longe. Se Moro em cinco meses foi de superministro e herói nacional a uma figura apagada e diminuída, será que nesse ritmo ele dura mais um ano e meio?

E, se durar, será aceito pelo Senado? Rejeitar um indicado para o Supremo seria inédito, indicaria o estágio terminal da crise entre Executivo e Legislativo. Nos dias que correm, já não é impensável.

Assim, Moro vai engolindo todos os sapos que o governo lhe apresenta, e ainda tem que fazer cara de quem gostou. Tem que trilhar um caminho difícil entre a subserviência e a insubordinação. A cada passo em falso, perde estatura.

A outra possibilidade seria abraçar de vez a política e se lançar candidato. Mas se quiser manter sua força perante a opinião pública terá que demonstrar força e não servilismo.
...e desimpedindo o caminho para Bolsonaro/2022

Bolsonaro usou a bandeira anticorrupção para crescer politicamente sem jamais fazer nada pela causa. A realidade de seu gabinete (e de seus filhos) parece mostrar um político imerso na pequena corrupção da política brasileira e talvez com vínculos ainda mais sórdidos.

Moro continuará em silêncio, para não desagradar o chefe que não lhe concede o mesmo respeito e cujas propostas populistas dificultam seu trabalho?

Ou fará jus à reputação que construiu ao longo de anos de perseguição implacável --e de alto grau técnico-- à corrupção no país? 

Melhor arriscar tudo e permanecer um herói do que aceitar tudo e se transformar no lacaio abjeto de um projeto de poder inescrupuloso. (por Joel Pinheiro da Fonseca, economista e mestre em Filosofia pela USP)

sábado, 27 de abril de 2019

QUEM PRECISA DE FILÓSOFOS OU DE SOCIÓLOGOS? IGNORÂNCIA É FORÇA!

david emanuel coelho
 BOLSONARO, OLAVO DE CARVALHO E MEC SE JUNTAM PARA BESTIFICAR O BRASIL
Não pode causar surpresa o desejo de Bolsonaro e seu ministro da educação em asfixiar os cursos superiores de filosofia e sociologia. Trata-se não apenas de mais um estágio em seu projeto niilista – o qual visa não deixar país nenhum ao fim do governo – mas também de sua própria belicosidade contra o pensamento.

Eleito com base em mentiras e falsificações, Bolsonaro é o representante acabado do não-saber, da ignorância elevada a fim. Seu guru é um trambiqueiro autointitulado filósofo, o qual tem a grande proeza de nunca ter dado contribuição alguma à filosofia, vivendo apenas da disseminação de teorias conspiratórias, falsificações da ciência, negação do bom senso e delírios esquizofrênicos. 

Quando nos aproximamos mais do presidente e de seu dito movimento, não conseguimos apreender qualquer tipo de construção intelectual minimamente razoável. Vemos apenas ódio e fúria. E é a partir dessa régua que o presidente e seus seguidores medem o mundo inteiro. 
"indivíduo despeitado e inimigo da intelectualidade acadêmica"

Talvez seja isso mesmo o melhor para levar a cabo o programa neoliberal de Paulo Guedes, o qual também não busca construir nada, mas apenas destruir.
Ignorância é força

Por isso, não poderia causar estranheza o ataque de Bolsonaro e seu pseudo ministro da Educação à filosofia e à sociologia. São areas que visam fundamentalmente a valorização do conhecimento, da reflexão e do espírito crítico e, portanto, antípodas da mentalidade bolsonarista. Arrasar a reflexão e a busca pelo saber é o desejo profundo de um governo comprometido apenas consigo mesmo e que busca uma sociedade burrificada e dócil. 

Contudo, seria errado achar que se trata apenas disso. A desculpa oficiosa é digna de lástima, seja pela candidez, seja pela irrealidade. 

Cândida porque só os crentes no kit gay podem crer de fato que tirar dinheiro de filosofia e sociologia vá alavancar áreas técnicas. Humanidades em geral já são subfinanciadas e mesmo as tais áreas técnicas sofrem com cortes bilionários. 

Irreal porque o Brasil abandonou, há muito tempo, qualquer projeto industrial ou tecnológico. O próprio governo Bolsonaro relega o investimento científico a nada e as pesquisas em áreas de ciências naturais afundam Brasil afora. Hoje, um engenheiro forma-se para ser motorista de aplicativo, pois a indústria não existe mais. 
"Ao despeito de Olavo de Carvalho junta-se sua pretensão de ser o regenerador intelectual do Brasil"
Assim, a desculpa oficiosa não passa de mentira para encobrir os reais interesses, os quais, além de serem um projeto de governo visando burrificar a população, são também um projeto pessoal, de um indivíduo despeitado e virulentamente inimigo da intelectualidade acadêmica. Falo aqui do patético Olavo de Carvalho. 

O ministro da educação – o qual sabe tanto de educação quanto eu sei de mandarim – é um lobotomizado pela doutrina olavista, um fiel seguidor das ordens do astrólogo. Este, por sua vez, nunca escondeu seu ódio aos professores universitários de filosofia e sociologia por eles nunca terem reconhecido sua genialidade e o mantido marginalizado. 

Não faz muito tempo que ameaçou, via redes sociais, os professores de filosofia e sociologia, colocando neles a culpa pelo desastre no qual o Brasil encontra-se. Ao rancor acumulado em anos de ressentimento, junta-se o ódio recente por ter sido desmascarado em sua ignorância por verdadeiros filósofos do Brasil. Por fim, ainda se viu traído pelo seu apadrinhado, Rodrigo Vélez, o qual é justamente professor universitário de filosofia. 
"a meta é encher o Brasil de Araújos e Damares"
Ao despeito junta-se sua pretensão a ser o regenerador intelectual do Brasil. Nada mais fácil para isso do que eliminar seus concorrentes, os filósofos profissionais das universidades. Desse jeito, não haverá mais ninguém para contrariar a leitura olavista de Kant, pois apenas ele deterá a verdade sobre o kantismo. 

E, inexistindo cursos de filosofia e sociologia em nível universitário, restará ao jovem desejoso de aprender essas disciplinas comprar os livros de Olavo de Carvalho e pagar por seus cursos online. Não é isto, inclusive, que teria querido dizer o pseudo ministro da Educação ao defender que os estudantes de filosofia paguem por sua formação?

Mas a ideologia olavista, enquanto um bolsonarismo pseudo intelectual, visará apenas a massificação da estupidez. Extinto o pensamento e a busca pelo conhecimento verdadeiro, restará a paranoia embalada com citações de clássicos. A meta é encher o Brasil de Ernestos Araújos e Damares Alves. 

E tudo isso, claro, enquanto bancos lucram bilhões e milhares de pessoas vegetam na pobreza e no desemprego. Quando alguém se questionar porque a realidade social está assim, bastará abrir um livro de Olavo de Carvalho e aprender que é tudo culpa do charlatanismo de Isaac Newton... (por David Emanuel de Souza Coelho)

sexta-feira, 5 de abril de 2019

SAFATLE PREGA A DESOBEDIÊNCIA CIVIL

vladimir safatle
NÃO SE SUBMETER
Quem controla o passado, controla o futuro. Esta frase de 1984, de George Orwell, descreve bem um dos fundamentos do Estado autoritário.

Pois, no autoritarismo, trata-se sempre de compreender o passado como objeto de controle do Estado. Seus ocupantes vestem as roupas de historiadores, apagam mais uma vez o sangue dos mortos, profanam suas sepulturas, negam compulsivamente as violências que o poder praticou. 

Depois disso, eles criam relações negadas por todas as testemunhas, por todos os historiadores reais, na esperança de que um delírio repetido infinitamente possa se transformar em realidade.

Nesta semana, descobrimos que o senhor que ocupa a cadeira de ministro da Educação está disposto a literalmente reescrever os livros de história fornecidos aos nossos alunos, apagando o golpe de 1964 e a ditadura.

No romance de Orwell havia um Ministério da Verdade, responsável por reescrever os jornais do passado e apagar notícias a fim de adequar o que ocorreu aos desejos, sempre cambiantes, do poder em curso.

Sugiro então que esse desgoverno seja honesto ao menos uma vez e troque o nome do Ministério da Educação para aquilo que ele realmente é —a saber, o Ministério da Verdade (que é conveniente ao poder).
Falsificações da História na URSS de Stalin: na foto de cima foi apagado Trotsky e na de baixo, Yezhov
O problema são os números. Segundo pesquisa Ibope realizada em março de 1964, 59% da população era a favor das medidas anunciadas por Jango no famoso comício da Central do Brasil. Na mesma época, 49,8% admitiam votar em Jango caso ele pudesse concorrer à próxima eleição. Por fim, outra pesquisa mostrava que seu governo era considerado ótimo por 15%, bom por 30%, regular por 24% e ruim por apenas por 16%. Isso depois de anos de tentativas de desestabilizá-lo.

Onde estava então o clamor do povo contra um governo eleito e suas medidas? Que tal ensinar aos nossos alunos esses números e deixá-los tirar suas próprias conclusões sobre o que ocorreu?
"sinaliza à sociedade que poderá fazer o mesmo"

Mas, talvez esteja na hora de tirar as conclusões de todas as consequências da exposição do verdadeiro núcleo autoritário deste governo. Pois vale lembrar que, mesmo numa democracia liberal, a legitimidade de um governo não vem do fato de ele ter ganhado uma eleição.

Os nazistas também venceram as eleições e começaram por constituir legalmente governos de coalização. Isto serve para nos lembrar que a legitimidade vem de outro lugar: do fato de se mostrar capaz de ser o guardião do exercício do dissenso. A primeira função de um governo é garantir que o dissenso opere.

No entanto, um governo que nega golpes de Estado em seu próprio país e que afirma que um regime que prendeu arbitrariamente, assassinou, estuprou, ocultou cadáveres, censurou, exilou, perseguiu seus opositores é um regime normal, está a dizer que ele também pode fazer o mesmo.

Afinal, se o golpe não foi golpe, se a ditadura não foi ditadura, por que o governo atual também não poderia dar golpes que não são golpes e agir como ditaduras que não são mesmo ditaduras?

Ao fazer isso, ele legitima quem clama por golpes na rua e gostaria de abraçar as mesmas ações que caracterizam uma ditadura, além de sinalizar à sociedade que não vê problema algum em fazer o mesmo caso julgue necessário.
Safatle: sem pacto possível

O fato de Bolsonaro ter sido deputado por várias legislaturas não implica comprometimento com os limites da democracia parlamentar, mas diz simplesmente que ele não se sentia forte o suficiente para operar da maneira com que sempre sonhou.

Ou seja, uma sociedade que permite um governo destes cava sua própria cova. Este governo já saiu de qualquer limiar do que mesmo uma democracia liberal aceitaria. Ele já não tem mais legitimidade alguma para continuar a ocupar os lugares do poder. 

É composto por quem aplaudiu quando éramos exilados, assassinados e torturados. Eles farão o mesmo novamente, assim que a oportunidade lhes for dada.

Sendo assim, não há razão alguma para reconhecê-lo nem para obedecer a ele. A sociedade brasileira deve desobedecer sistematicamente a este governo até que ele caia. Ela não deve reconhecer o poder de quem dá provas sistemáticas de que desrespeita o comprometimento elementar contra o arbítrio.

Ao insultar a história brasileira, este governo quebra qualquer pacto possível. (por Vladimir Safatle)

terça-feira, 26 de março de 2019

BRECHT DEVE TER-SE INSPIRADO EM ALGUÉM PARECIDO COM VÉLEZ RODRIGUEZ QUANDO FALOU SOBRE "A CADELA DO FASCISMO"

ricardo kotscho
ATÉ QUANDO O COLOMBIANO DOIDO
VAI DETONAR A EDUCAÇÃO BRASILEIRA?
Como um piloto enlouquecido, ele acelera e avança sobre as bases da Educação brasileira, sem o menor compromisso com o principal ministério de qualquer país civilizado.

Teleguiado por outro doido, o guru piromaníaco Olavo de Carvalho, o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, de quem nunca ninguém ouvira falar, a cada dia comete mais desatinos.

Nomeia e demite em seguida altos funcionários da estrutura ministerial, anuncia e revoga medidas delirantes, e depois corre para pedir ajuda ao capitão presidente.

De onde tiraram essa figura soturna e mal encarada, que nem sabe falar português direito?

Só tomamos conhecimento dele quando veio com aquela ideia maluca de obrigar todos os estudantes brasileiros a se perfilar para cantar o Hino Nacional antes das aulas e repetir o slogan da campanha presidencial de Bolsonaro, ritual que deveria ser filmado e enviado às autoridades.

Nem o genial Chaplin pensou nisso quando filmou O grande ditador.

Brecht deve ter-se inspirado em alguém parecido quando falou sobre a cadela do fascismo.
Do nada, ele armou uma guerra contra o marxismo cultural e a ideologia de gênero, antes mesmo das aulas começarem, e não parou mais de dizer e cometer desatinos diariamente.

A última dele foi cancelar a avaliação de crianças de 7 anos em fase de alfabetização, que só voltaria a ser realizada em 2021.

Com a mesma leviandade empregada para fazer isso, no dia seguinte ele mesmo tornou a medida sem efeito, depois de causar mais uma crise no MEC, como se estivesse administrando um botequim.

Sem consultar ninguém, sem ter a menor ideia da responsabilidade do cargo, Vélez vai atropelando e demitindo seus subordinados, muitos deles indicados por Olavo de Carvalho e um grupo de militares da reserva.

Em que outro país o Ministério da Educação é tratado desta forma irresponsável, comprometendo o futuro de uma nação?

É tudo muito louco. Quem teve a brilhante iniciativa de cancelar a avaliação foi um sujeito chamado Carlos Nadalim (indicado pelo guru Carvalho), dono de uma escola em Londrina, a Mundo Balão Mágico, que divulga vídeos pela internet sobre alfabetização de crianças.

Nadalim entrou em choque com Marcos Vinicius Rodrigues, presidente do Inep, indicado pelos militares, que no dia da sua posse se referiu aos “cidadães” brasileiros.

Tânia Leme de Almeida, secretária de Educação Básica, que era do grupo técnico, pediu demissão e Rodrigues foi demitido pelo ministro após uma ríspida discussão.

Nem dá para listar quantos secretários já entraram e saíram do ministério em menos de 90 dias de governo, tamanha é a barafunda que se instalou no MEC.

Até o guru Olavo de Carvalho já entrou em choque com o colombiano e pediu para seus ex-alunos, nomeados por Vélez Rodrigues, deixarem o ministério.

No circo de horrores montado pelo novo governo na Esplanada dos Ministérios, o colombiano doido consegue roubar as manchetes, sem conseguir apresentar até agora nenhum plano de trabalho.

Garantido no cargo pelo presidente Bolsonaro, até quando as entidades do magistério vão suportar estes desaforos que se tornaram diários?

Será que ninguém vai denunciar no Congresso Nacional o caos instalado no MEC e pedir a imediata demissão desse ministro aloprado?

Isto não é normal, não pode continuar assim.

Estamos ultrapassando todos os limites da insanidade governamental, eu sei, mas para mim o mais grave de tudo é o que está acontecendo com a Educação.

Membro fundador do movimento Todos Pela Educação, eu vejo que estão sendo jogados no lixo anos de trabalho voluntário de profissionais abnegados, que lutam para melhorar as condições de ensino das nossas escolas em todos os níveis.

Leva anos para construir, mas para detonar é tudo muito rápido.

Está na hora de lançar outro movimento: SOS Brasil!

Vida que segue.
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(por Ricardo Kotscho)

sábado, 23 de março de 2019

OS DESVARIOS BIZARROS DE OLAVO DE CARVALHO TÊM UM MÉTODO. A LOUCURA MESSIÂNICA DO RASPUTIN TAMBÉM TINHA...

Há sempre simplórios engolindo as lorotas...
demétrio magnoli 
PARA PAULO ENTENDER OLAVO
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"Por que o líder dispara contra a revolução que inspirou?", perguntou um inconformado Paulo Guedes a Olavo de Carvalho no jantar em homenagem a Bolsonaro, em Washington. 

Na véspera, o Bruxo da Virgínia atirara um petardo contra Hamilton Mourão, responsabilizando-o pela virtual dissolução do governo no horizonte de seis meses. Paulo merece resposta. Ofereço-lhe duas, complementares.

Paulo acalenta a doutrina do liberalismo econômico radical: o Estado Mínimo. Já Olavo interessa-se apenas marginalmente por economia. A revolução dele também é um retorno, mas não ao Estado liberal do século 19 e sim a um passado mítico de soberanias estatais absolutas, hierarquias patriarcais fundadas na tradição e respeito às liberdades naturais do colono armado. Numa síntese rápida, a fusão do conservadorismo romântico europeu com o nativismo individualista americano.

Olavo não é original. Logo após a 1ª Guerra Mundial, Oswald Spengler anunciou o declínio do Ocidente, fruto de um longo envenenamento cultural provocado pelas bactérias do Iluminismo. 
...dos mais caricatos gurus.

Do nacionalismo conservador e autoritário spengleriano nasceu essa contrafação pós-moderna: o mingau filosófico servido pelo Bruxo da Virgínia e, de modo geral, pela alt-right (direita nacionalista) americana. Paulo talvez não se interesse por esse labirinto ideológico, mas deveria prestar atenção à sua implicação.

A alt-right difunde a tese de que os liberais globalistas estão associados aos marxistas numa conspiração mundial contra os povos. Nessa aliança fantasiosa, Paulo figura no primeiro grupo. A revolução de Olavo fuzilaria os liberais junto com os comunistas, se pudesse.

No dia seguinte ao célebre jantar, Bolsonaro prostrou-se aos pés de Trump. Cito, com autorização, a incisão cirúrgica realizada pelo embaixador Marcos Azambuja num debate fechado: 
"O produto que Bolsonaro tentou vender não tem demanda na Casa Branca. Trump despreza os que o bajulam; ele gosta de Putin e Kim Jong-un, que o confrontam"
Acrescento: a revolução de Olavo é uma ideia fora de lugar, a importação de um discurso populista estranho aos dilemas brasileiros.

A segunda resposta: a revolução de Olavo é uma revolução permanente, uma guerra sem fim contra moinhos de vento.

O Bruxo da Virgínia precisa conservar seu estatuto de bruxo —ou seja, a condição de guru de uma seita. 
A euforia do fã contrasta com o ar entediado do ídolo
Para reter a lealdade total de seus seguidores, deve evitar que eles sejam contaminados pelos intercâmbios de interesses e conciliações políticas inerentes a qualquer governo. Por meio da revolução permanente, o líder impede que seus liderados cedam à tentação de oscilar entre os comandos de dois senhores.

Olavo não é tonto como seus alunos que colonizam o Itamaraty e o MEC. Ele sabe que clama por uma utopia: a volta dos ponteiros da História a uma Idade de Ouro imaginária. Sabe, portanto, que qualquer governo está destinado ao fracasso, se a medida do sucesso for a régua maximalista da sua utopia. 

O líder que não pretende ser desmascarado pela inevitável falência de sua revolução precisa identificar e denunciar, previamente, os traidores da causa. Daí, o recurso à revolução permanente: o líder dispara contra a revolução que inspirou.

A consequência da revolução permanente é a perene ingovernabilidade. Sacudido por crônicas guerras intestinas, o governo carece da coesão, da autoridade e da força persuasiva para formar maiorias parlamentares sólidas. O projeto da reforma previdenciária, ato inaugural da revolução de Paulo, corre o risco de ser tragado no vórtice da revolução de Olavo.

Há algo mais. Entre os alunos do Bruxo da Virgínia, contam-se ao menos dois dos filhos do presidente. A revolução de Olavo é a de Jair. Anote isso, Paulo.

(por Demétrio Magnoli)
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