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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

LULA FUJÃO CORRE DE MANIFESTANTES NO RIO DE JANEIRO


 Lula veio ao Rio de Janeiro participar de um evento de marketing para entregar carteirinhas aos professores. Em um país com uma educação caindo aos pedaços e com a carreira docente em franca decadência, o presidente acredita que a salvação é ter um papel dando direito a descontos em hotéis e compras pela internet. É o clube de vantagens do peleguismo. 

Na realidade, se trata de mais um exemplo de solução neoliberal típica do lulismo, resolver os problemas com privatização e transformar trabalhador em simples consumidor

Mas Lula não foi sozinho. Não poderia ser a velha politicagem lulista sem a presença da nata do lixo da política nacional: lá estavam Hugo Mota, o insignificante presidente da câmera federal, Ferreirinha, o ignóbil secretário de educação da cidade do Rio, e Eduardo Paes, o prefeito picareta que o lulismo ama. Prefeito e secretário, inclusive, responsáveis por inúmeros ataques aos professores cariocas em 2024, receberam sonoras vaias. Certamente, ninguém melhor para homenagear os professores que aqueles responsáveis pelos maiores ataques a eles. 

Num dia, ferram os professores, no outro,
entregam carteirinhas. 

Contudo, o vexame maior não foi o ato patético de entregar carteirinhas junto com figuras tão desilustres, mas a fuga de Lula dos manifestantes. Dia e local do ato foram guardados a sete chaves e os professores convidados só ficaram sabendo dessas informações cruciais 2 dias antes. Sindicatos dos servidores públicos do Rio de Janeiro, então, convocaram manifestação para a porta do evento, mas os espiões do Lula alertaram o governo e, para desarticular o movimento, se antecipou em 4 horas o horário da entrega das carteirinhas. Diante disso, não foi possível manter o protesto.

Lula fugiu dos manifestantes. (por David Coelho) 

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

EM VEZ DE VITÓRIA FINAL DO CAPITALISMO, A QUEDA DO MURO DE BERLIM FOI O INÍCIO DE SUA DEBACLE EM ESCALA GLOBAL – 1

dalton rosado
O ESTADO E SUAS FORMAS OPRESSORAS
Podemos perceber na obra de Karl Marx e Friedrich Engels não só a grandeza dos ensinamentos, mas também um erro estratégico que embute uma contradição. Esta é a parte que qualifico de marxismo tradicional.

Mas, como não devemos jogar o bebê fora com a água do banho, o melhor é aproveitarmos tudo de inovador e genial que a crítica da economia política marxiana oferece e que, até hoje, pode nos ajudar a solucionarmos grandes impasses. 

Com seu erudito embasamento filosófico, que aproveitou as lições da filosofia de Hegel despojando-as do idealismo pernicioso ali contido, Karl Marx fez uma profunda análise dos mecanismos da relação social fundada na forma-valor (mercadoria dinheiro, representação abstrata da própria abstração valor, e mercadorias sensíveis, corporificadas num objeto com valor de uso e de troca, além da mercadoria serviço, que nada mais é do que trabalho abstrato também mensurado pelo valor) para fazer a correta dissecação anatômica de sua essência, para dela derivar as conclusões que hoje se confirmam. 

O erro estratégico foi acreditar que estaríamos no caminho correto para o fim colimado pelo processo revolucionário armado:
— conduzido por um partido pretensamente admitido como da classe operária;
— pretensamente entronizando a classe operária no poder estatal; e
—  estruturando o Estado como dono de todos os meios de produção.
Assim, eliminando-se a propriedade privada imediatamente (mas não a propriedade como instituto jurídico-econômico, que assim apenas passaria ao Estado) e, portanto, conservando-se as categorias capitalistas sob o pretenso comando operário, caminharíamos paulatinamente para a superação de suas categorias e caminharíamos para a sociedade comunista, sem as ditas cujas e sem classes sociais distintas.

O que se viu foi o feitiço virando contra o feiticeiro. 

As categorias capitalistas sob as rédeas do Estado totalitário e do Partido Comunista caminharam no sentido inverso ao programado por Marx e, embora tenham resgatado a Rússia e a China do seu milenar atraso com relação ao ocidente industrializado, transformaram tais países em potências capitalistas de mercado, conservando a divisão de classes.

Assim, a União Soviética e a China terminaram por não se diferenciarem daquilo que se dizia combater (o capitalismo) e se enquadrando na hipótese de colapso futuro de toda a lógica capitalista, vaticinada pelo próprio Marx. 
Ora, se Marx previu o colapso do capitalismo, se não pela revolução proletária, mas pelos seus próprios fundamentos, é evidente que a manutenção da lógica capitalista por um Estado pretensamente proletário sob uma forma política vertical e totalitária, e sem retirar do seu próprio organismo as categorias capitalistas, estaria contaminado pelos vírus da mesma doença que deveria curar. 

Mas, não se pode combater o mal social mantendo-se intacta a natureza do dito cujo, ainda que sob outra forma política de governo. 

Comprovado está que a revolução armada abrupta, cirúrgica, como a que foi levada a cabo eficazmente por Lenin, necessitava de um poder Estatal armado de igual monta para se contrapor à contrarrevolução ainda viva e com capacidade de reação, e isto implicava a remuneração do contingente humano do exército, armamentos e instalações, que, por sua vez, acarretavam expressivos gastos em dinheiro no pós revolução imediato.

Os dispêndios militares vultosos, remunerados em dinheiro, representavam apenas uma face do problema, já que todo a máquina estatal aumentada exigia gastos ainda mais volumosos e que não podiam ser eliminados imediatamente sem dinheiro. Uma coisa alimentou a outra. 

Tanto é assim que Lenin criou, no seu curto período de vida pós-revolução (até 1924), e premido pela fome e guerra contrarrevolucionária, a Nova Política Econômica, depois imposta por Stalin com mão de ferro, e que nada mais era do que a flexibilização mercadológica interna como forma de superar o atraso russo nos vários campos do conhecimento e combater os problemas do período de transição.

Isso demonstra que a verdadeira revolução deverá ser coletiva, operando-se em termos mundiais gradualmente, e feita a partir de comportamentos que, tangidos pelas necessidades objetivas e discernimentos teóricos, 
escapem da imanência capitalista

Por exemplo, um blog como o Náufrago da Utopia, que se mantém sem concessões ao capital, é um belo exemplo de postura verdadeiramente revolucionária; e a junção teórica com exemplos práticos de negação da imanência capitalista é a chave da verdadeira revolução.

Não estamos falando de reformas dentro da estrutura capitalista, como estão a fazer os sindicatos que se unem no Brasil de hoje para reivindicar a derrubada do veto de Boçalnaro, o ignaro (por sugestão de Paulo Guedes e do mundo empresarial capitalista) à lei da desoneração da folha de pagamento, que transfere para empresas capitalistas o ônus previdenciário dos salários dos trabalhadores. 

Por mais que seja justa tal reivindicação, ao negar o salário em si ela se circunscreve à imanência capitalista, pois, ao invés dos sindicatos lutarem contra a exploração do salário e pela superação completa deste, reafirma equivoca e subliminarmente a importância do dito cujo, que é a fonte primária de formação do capital e de sustentação de toda a entourage capitalista (econômica e institucional) conforme nos ensinou Marx na parte final dos Manuscritos Econômicos- Filosóficosque escreveu em 1844, tinha apenas 26 anos).

Quando os sindicatos não questionam o salário em si (de vez que se sustentam a partir do próprio trabalho assalariado e das contribuições sindicais e impostos daí advindos), mas apenas lutam pela melhora de sua sórdida existência, deixam transparecer o equívoco de considerarem o próprio salário como categoria ontológica, tão sagrada para eles como o ar que respiramos.

Lutar por conquistas salariais sem criticar a existência do próprio salário, é bandeira reivindicatória incompleta, que passa a falsa impressão de combatividade ao capitalismo, mas que visa essencialmente perpetuar a função sindical de defesa do trabalho e do trabalhador, categorias capitalistas por excelência. 

Deveriam, ao invés disso, estar sempre lutando pela superação do salário e não incensando-o como direito sagrado. O sindicalismo, da forma como atua, é poder imanente ao capitalismo e dele dependente. Lula e o Paulinho sem força que o diga. 

Os partidos de trabalhadores (e não apenas o PT brasileiro), dentro da estrutura política do Estado capitalista burguês, representam um obstáculo à luta emancipacionista de todos os que são obrigados e vender por preço vil a sua força de trabalho, categoria primária de toda a estrutura capitalista, uma vez que perpetuam, por interesses corporativos específicos, a manutenção da exploração. 

Os partidos de trabalhadores são inimigos dos próprios trabalhadores, pois, ao invés de superarem e exorcizarem o trabalho extrator de mais-valia e fonte primária do capital, e assim os libertarem do jugo do dito cujo, fazem seu elogio como condição honrosa pela via sub-reptícia da defesa de interesses corporativos. 

Não devemos esquecer que o Boçalnaro era e ainda é corporativista dos soldos e gastos militares, uma espécie sui generis de sindicalismo militar... (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

sexta-feira, 1 de junho de 2018

SINDICALISMO E CAPITALISMO SÃO FACES DA MESMA MOEDA, DIZ DALTON ROSADO – 1

A ESSÊNCIA DO OBJETO TELEOLÓGICO SINDICAL

"Toda instituição tem sua estrutura natural
e inevitavelmente determinada pelo
conteúdo de sua ação" (Lênin)
Cada vez me convenço mais de que o trabalhismo sindical está contido dentro da imanência capitalista, não lhe podendo, portanto, fazer oposição de conteúdo constitutivo; afinal, nada mais é do que uma das faces da mesma moeda, literalmente. 

Pensando bem, não podia ser diferente. Os sindicatos se constituem como instituições jurídicas (ou não) verticalizadas de poder classista (laboral ou patronal) em estreita dependência, para a sua existência e manutenção, do número de associados trabalhadores ou patronais. 

Assim, pugnam pela força aglutinadora e crescente de cada categoria e, no caso dos sindicatos profissionais, têm no trabalho abstrato, fonte primária da criação do valor (substrato básico do capital), a sua razão de ser. Os sindicatos laborais querem a existência cada vez maior de trabalhadores, pois é daí que retiram a sustentação. 

Obviamente, os sindicatos de trabalhadores, ao invés de negarem o trabalho abstrato enquanto categoria capitalista, afirmam-no como um dado ontológico da vida social (o que é equivocado). Estabelecem uma confusão semântica, e também sociológica, entre a interação metabólica do ser humano com a natureza no sentido da obtenção do seu sustento e as categorias capitalistas trabalho e trabalhador, como se as duas coisas, interação com a natureza e trabalho (obviamente diferentes entre si) fossem sinônimos.

Por mais revolucionários que possam parecer os movimentos paredistas, eles se dão pelos trabalhadores enquanto tal, e aí se estabelece uma escravização do pensar ao paradigma trabalho
1917: a 1ª greve geral brasileira começou no Cotonifício Crespi

O Marx exotérico do Manifesto Comunista de 1848, que conclamava os trabalhadores do mundo inteiro à união enquanto categoria que considerava revolucionária, não é o mesmo Marx dos Grundrisse, estudo preparatório para a redação d'O Capital.

Nos Grundrisse, Marx afirma que se, com o desenvolvimento da tecnologia aplicada à produção de mercadorias (e agora, mais ainda, com a chamada inteligência artificial dos logaritmos), o trabalho abstrato produtor de valor se tornaria supérfluo e, consequentemente, faria voar pelos ares toda a lógica do capital. 

Trata-se de conceitos antagônicos, mas naturais em quem busca e amadurece o pensar a partir do estudos teóricos e empíricos científicos indispensáveis à compreensão da essência daquilo que constitui o modo de mediação social capitalista, e descobre os equívocos e contradições dos seus próprios fundamentos numa questão tão complexa, diante da qual nenhum economista burguês se atreveu (ou se atreve) ou se interessou (ou se interessa) em querer desvendar.  

Afirmei no meu artigo anterior sobre a greve/locaute do caminhoneiros, que o movimento tinha um cunho eminentemente capitalista.

É que se tratava de um movimento sindical patronal/laboral com características próprias, peculiares, que reivindica melhoras para um setor que tem expressivo poder de fogo reivindicatório. 

Tais reivindicações, contudo, se restringem à obtenção de sustentabilidade econômica corporativa diante de um quadro nacional de depressão econômica que faz água por todos os lados e que inviabiliza a indústria do transporte de cargas de mercadorias. 
"Tais greves clamam por mais capitalismo"
Isso não significa que não haja méritos na luta dos caminhoneiros autônomos por melhores condições de vida, muitos deles sofrendo fortes pressões dos bancos (com ameaça de busca e apreensão) para pagarem as prestações dos financiamentos que lhes permitiu adquirir os veículos, e sem fretes, ou com fretes sem remuneração à altura de suas necessidades.  

Mas tudo confirma que o objeto teleológico das greves sindicais, mesmo quando que têm um objeto político determinado, geralmente se circunscrevem ao universo limitado da ânsia por dinheiro. Tais greves clamam por mais capitalismo.

Talvez o único exemplo histórico de greve que transcendeu esta estreiteza de visão tenha sido o maio de 1968 francês. Mesmo num período de ascensão capitalista, segmentos mais intelectualizados, revolucionários, quando confrontados pelo sistema e pelos dirigentes sindicais sobre o que estavam reivindicando, responderam de forma enfática e desconcertante: Queremos a vida!  

As lutas sindicais nos países industrialmente desenvolvidos, produtores de mercadorias com alto grau de tecnologia e saber científico nelas incorporado (p. ex., um remédio inovador, capaz de curar pacientes graves, pode ter um preço muito acima do seu valor de produção, o que altera substancialmente toda a lógica de produção de mercadorias nela baseada), no período de ascensão do capital, pode atender reivindicações sindicais importantes e o Estado melhorar as condições gerais de vida da população. 
Trabalhadores no 68 francês: "Queremos a vida!"
Mas isto sempre ocorre de modo inversamente, e negativamente, e em maior proporção nos países periféricos, uma vez que o capital jamais pode promover a riqueza linear.

No capitalismo, a cada ilha de prosperidade corresponde um mar de pobreza. Assim,  ao não levar em conta a questão da hipossuficiência macroeconômica dos trabalhadores mundiais, o sindicalismo termina por se circunscrever ao nacionalismo xenófobo e exclusivista de quem somente consegue enxergar a vida dentro dos seus próprio muros.

A emancipação humana somente pode ocorrer se for transnacional, sem as categorias capitalistas, e transformando o planeta Terra numa casa comum a todos os seres humanos, seus habitantes. 

Cada ser humano deve ser o artífice da sustentação do outro ser humano, e não seu adversário numa competição fratricida pela vida, como nos tem moldado o capitalismo nos cinco últimos séculos. 

UM COMENTÁRIO INFELIZ – Uma jornalista da GloboNews, aludindo à infiltração de radicais no movimento dos caminhoneiros (sem especificar de que orientação política), afirmou que a paralisação ainda não tinha acabado por conta desses radicais. Segundo ela, radical é radical e só quer atrapalhar...

Se ela queria dizer que os tais infiltrados (muitos dos quais desavisadamente pedem intervenção militar, que os fardados não desejam e sabem muito nem por que não desejam) são ativistas desnorteados ou ingênuos, não deveria fazer tal confusão semântica, chamando-os de radicais.

Primeiramente, é necessário que se esclareça o conceito em questão. Dá-se a tal palavra uma conotação propositadamente negativa, desqualificadora, com o objetivo de amedrontar a todos aqueles que ousem afrontar o sistema, ora em rota acelerada de colapso com o iceberg.  [O mesmo, aliás, ocorre com o termo anarquismo, que é uma doutrina revolucionária), 

Como disse Marx, ser radical é ir à raiz das coisas; e a raiz é o homem, para quem deve convergir todas as ações sociais. 

Nunca foi tão necessário compreendermos aquilo que está na raiz do caos social que atinge o Brasil e todos os países da América Latina, por se situarem na periferia do capitalismo. 

A crise do capital, mais que um fenômeno continental, é um fenômeno mundial. E o atendimento das reivindicações dos caminhoneiros não trará a solução dos problemas, que já são estruturais. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)
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