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sexta-feira, 14 de março de 2025

O BRASIL APODRECE E AS FEMINISTAS CHIAM POR CAUSA DO VISUAL DA GLEISI

Feministas chiam porque Lula se referiu à Gliesi Hoffman como mulher bonita. Motivo: convertida para o identitarês, tal expressão equivale a mulher objeto.

Por que não chiavam antes, quando a talvez bela passava pano em todas as lambanças e asneiras do Lula, ajudando-o a domesticar o PT e a convertê-lo num sócio menor da burguesia na gestão da superexploração capitalista que se pratica nestes tristes trópicos?

Não são mulheres objeto as que lambem os pés dos seus amos e senhores, mesmo quando estes consentem em apenas simular o exercício do poder que as urnas lhes conferiram mas os parlamentares conservadores usurparam como quem tira doce de criança?

Enquanto desperdiçarmos tempo discutindo ninharias 
ao invés de irmos à raiz dos nossos problemas, a escória dominante não precisará que Lula lhe forneça mulheres belas. 

Comprará quantas desejar, neste país que foi apodrecendo cada vez mais sob a conciliação de classes estimulada pelo PT. 

Encerro com o questionamento do poeta Paulo Martins no filmaço Terra em Transe, mesmo porque de 1967 para cá nada verdadeiramente mudou: 
por Celso Lungaretti
"Não é possível acreditar que tudo isso seja verdade! Até quando suportaremos?
Até quando, além da fé e da esperança, suportaremos? 
Até quando, além da paciência, do amor, suportaremos?

Até quando além da inconsciência do medo, além da nossa infância e da nossa adolescência, suportaremos?"

domingo, 4 de dezembro de 2022

AS CARETAS DO PALHAÇO SINISTRO NÃO ASSUSTAM MAIS NINGUÉM

josias de souza
MÁGICO? BOLSONARO TIRA GAMBÁS DA CARTOLA E EXIBE O SHOW DE AUTOENCOLHIMENTO
Acreditar que a Terra é plana, que as urnas foram fraudadas e que Lula não subirá a rampa é um direito de cada um. 

Noutros tempos, a Inquisição romana queimava os que aceitavam as ideias de Copérnico, para quem a Terra girava em torno do Sol. E Bolsonaro ainda não aceitou nem Darwin, que dirá as urnas.

 Mas o final de semana ganharia novo sentido se os golpistas se entregassem a um passatempo. A coisa começa com uma pergunta singela: "E se...?" 

E se Bolsonaro tivesse vencido as eleições, como estariam as coisas? E se o Lula acusasse o TSE de fraude antes de se trancar numa cobertura em São Bernardo? E se o petismo deflagrasse nas redes sociais uma cruzada pela virada de mesa? E se os comunistas trancassem rodovias e cercassem os quarteis para pedir a deposição do "patriota"? 

Mal comparando, o bolsonarismo injeta na receita do seu pudim métodos que fizeram do antipetismo a força política que empurrou Bolsonaro para o Planalto em 2018. 

Lula jamais questionou o resultado das eleições que perdeu. Condenado, submeteu-se às determinações judiciais. Mas nunca hesitou em atiçar seus radicais para botar medo em adversários. Essa tática perdeu o prazo de validade em 2015, quando a classe média desceu ao asfalto para pedir a deposição de Dilma. 

Lula defendeu a permanência de sua pupila no Planalto com a língua em riste. Disse ser um defensor da paz e da democracia. Mas acrescentou: "Também sabemos brigar, sobretudo quando o Stedile colocar o exército dele nas ruas"

Vagner Freitas, então presidente da CUT, fez eco: "Se esse golpe passar, não haverá mais paz no país"

Aprovado o impeachment, Dilma chamou o caminhão de mudança. Em paz.
Quando foi condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula afirmou que não tinha "razão para respeitaro veredicto. Teve que respeitar. Cancelou viagem que faria à Etiópia. Entregou o passaporte às autoridades.

João Pedro Stedile, o hierarca do MST, soou ameaçador: "Aqui vai o recado para a dona Polícia Federal e para a Justiça: não pensem que vocês mandam no país. Nós, dos movimentos populares, não aceitaremos de forma nenhuma que o nosso companheiro Lula seja preso"

Em São Paulo, brasileiros sem teto bloquearam com pneus incendiados a via Dutra e a marginal Pinheiros. Com a autoridade de presidente do PT, Gleisi Hoffmann, riscava o fósforo: "Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente. Mais do que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar"

Quando teve a prisão decretada, com o aval do Supremo Tribunal Federal, Lula refugiou-se no bunker do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Antes de se entregar à Polícia Federal, fez um comício. 

Disse à multidão: "Eles têm que saber que vocês são até mais inteligentes do que eu. E poderão queimar os pneus que vocês tanto queimam, fazer as passeatas que tanto vocês queiram, fazer ocupações no campo e na cidade..." A revolta social revelou-se uma ficção. 

Retorne-se, por oportuno, às interrogações do passatempo de domingo. E se Bolsonaro tivesse vencido as eleições? Bem, nessa hipótese, o capitão consolidaria seu projeto de transformar o Brasil numa autocracia mequetrefe.

E se o petismo se insurgisse contra o resultado? Bolsonaro cobraria do desafeto Xandão a reafirmação da segurança do sistema eleitoral que sempre questionou. 

E se a turma da CUT, do MST e do MTST trancasse rodovias e acampasse nas imediações de prédios militares? Bolsonaro não hesitaria em acionar as forças de segurança, inclusive as próprias Forças Armadas, se necessário. 

Nos últimos quatro anos, nenhum outro empreendimento prosperou tanto no Brasil quanto na fábrica de crises que Bolsonaro instalou no Planalto. 

Exilado no interior de sua mediocridade desde que foi derrotado, o pior presidente da história revela-se incapaz de desfazer suas crises. Pior: imagina que pode resolver uma crise criando outras. 

Bolsonaro revelou-se presidente mágico. Especializou-se em retirar gambás de dentro da cartola. Reduz sua própria estatura na frente das crianças. 

Trancado no Alvorada, prepara um grand finale. Ensaia o sumiço da cerimônia de posse. Tornou-se uma diminuta criatura.

O hipotético prestígio que lhe foi conferido pelos 58 milhões de votos amealhados no 2º turno logo caberá numa caixa de fósforos. 
(por Josias de Souza)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

INACREDITÁVEL: O PT CHEGOU A SE REUNIR COM O CANDIDATO DO BOZO À PRESIDÊNCIA DA CÂMARA PARA OUVIR SUAS PROPOSTAS!

"
O PT não comporá bloco para a mesa da Câmara com candidatura apoiada por Bolsonaro, comunicou oficialmente a presidente do partido, Gleisi Hoffmann. 

Não diga! Era só o que faltava: depois do naufrágio nas últimas eleições, quem poderia imaginar o PT apoiando Arthur Lira, o candidato do presidente Bolsonaro e do Centrão, em troca de cargos na Mesa diretora.
...O PT chegou a se reunir com Arthur Lira para ouvir as suas
 propostas, como se fosse possível qualquer composição com o bloco do candidato do presidente que já ameaçou varrer o PT da face da Terra antes de tomar posse. 

Há certas coisas que a gente não consegue entender, muito menos explicar" (Ricardo Kotscho)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

O PT PARECE TER PERDIDO O INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA: TUDO INDICA QUE AFUNDARÁ JUNTO COM LULA

josias de souza
DNA DOS PROBLEMAS DO PT É 100% FEITO DE LULA
O Partido dos Trabalhadores discute os seus problemas desde 2005, quando Roberto Jefferson jogou o mensalão no ventilador. 

Decorridos 15 anos, dois mega-escândalos, várias passagens pela cadeia, um impeachment e uma colossal lipoaspiração partidária, o PT continua discutindo os seus problemas em vez de resolvê-los. 

Um partido não apodrece por cair na lama. Ele apodrece por permanecer lá. O PT parece ter desenvolvido uma certa afeição pelo lodo. 

No momento, o petismo se encaminha para transformar Gleisi Hoffmann, presidente do PT, em boi de piranha —uma personagem que é jogada no rio para ser devorada, enquanto alguém escapa. 

Gleisi é uma dirigente precária. Mas os petistas, como de hábito, escolhem seus bodes expiatórios esquecendo-se de mencionar o grande bode exutório da legenda, uma figura que escapa sempre: Lula. Gleisi é mera preposta do grande chefe no comando do partido. Faz o que ele manda ou consente. 

O DNA da crise que produz o definhamento do PT é faz é 100% feito de Lula:
— é
 dele a autoria do mito da gerentona, que levou a inépcia de Dilma à Presidência. Deu em ruína econômica e impeachment. 
— foi nos governos dele que o PT se converteu na máquina coletora de fundos que desaguou no mensalão e no petrolão. Deu em cadeia. 
— foi por causa dele que o partido misturou o Lula Livre à pauta eleitoral de 2018. Deu em Jair Bolsonaro. 

No momento, o PT se divide entre a contemplação de suas feridas e o esforço para anular no Supremo Tribunal Federal a sentença que levou Lula à prisão. Simultaneamente, o partido mantém debaixo do tapete todo o lixo acumulado na sua passagem pelo poder federal. 

Essa estratégia tem dois problemas. O primeiro é que a desfaçatez vaza pelas bordas do tapete. O segundo é a presunção do PT de que o Brasil é uma nação de bobos.

A cada nova eleição o brasileiro informa ao PT que não é imbecil. Mas o partido demora a compreender o recado. (por Josias de Souza)
Este filme de 1973 tem algo a ver com o post? Até que tem: foi o
último da série clássica da Hammer, tendo o Christopher
Lee no papel do conde Drácula. 

Mostra o vampirão cansado de sua existência de séculos e disposto a
dar-lhe fim; mas, nada modesto, ele quer levar consigo toda
humanidade,  espalhando um vírus mortal.

Já o Lula quase destruiu o Brasil com sua incrível sucessão de
erros crassos na década que termina. Mas, ele  também 
fracassou e deverá ser acompanhado só pelo
PT em sua descida ao fundo do poço

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

PT COLOCA MAIS UM PREGO NO SEU CAIXÃO

bruno boghossian
COM ADESÕES A BOULOS, PT PODE SOFRER
 NOVA ONDA DE DESGASTES NAS ELEIÇÕES
Tatto nem parece oposicionista...
O PT preferiu fazer pouco caso diante da adesão de eleitores identificados com o partido à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo. Afinal, o ex-ministro Celso Amorim não vota no município, e Chico Buarque nem é filiado à legenda, argumentaram dirigentes.

Os petistas fingiram não ver o problema. O partido comandou a prefeitura por 12 anos em três décadas, mas penou para definir um nome na disputa deste ano. A vaga ficou com Jilmar Tatto, ex-deputado, ex-secretário e integrante de um clã que domina redutos políticos da zona sul.

De saída, a escolha não empolgou. Petistas notórios declararam apoio a Boulos, como o cientista político André Singer, o ex-presidente do PT Tarso Genro e a ex-deputada Bete Mendes, fundadora da legenda.

A sigla pode enfrentar uma nova onda de desgastes nas eleições municipais. Há quatro anos, a legenda perdeu 60% de suas prefeituras na esteira do impeachment e da Lava Jato. Agora, parece jogar para cumprir tabela em cidades importantes.

...já Boulos tem a cara do PT guerreiro
A escolha de Tatto representa uma opção pela política local, mas muitos petistas se incomodam com o fato de que o partido abriu mão de usar a campanha como palanque para um embate com Jair Bolsonaro. Alguns, como Tarso Genro, acreditam que o PT deveria se aliar a Boulos.

Ex-ministro de Lula e Dilma, Celso Amorim afirma que seu apoio ao candidato do PSOL não representa uma crítica ao PT. Ele argumenta que a eleição terá grande repercussão nacional e “precisa de candidatos que tenham essa dimensão”.

“O edifício está desabando. Não adianta só pregar um andaime novo”, diz. “O cansaço com a política tradicional requer um nome que venha com propostas novas, ideias novas.”

A presidente do PT disse que os filiados que apoiarem outras siglas podem sofrer sanções. “A filiação petista carrega consigo algumas responsabilidades, entre elas a de lealdade ao candidato do partido”, disse Gleisi Hoffmann ao repórter Fábio Zanini. 

A legenda ainda pode perder tempo numa caça a suas próprias bruxas. (por Bruno Boghossian)

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

ESSAS PESSOAS DA SALA DE JANTAR SÃO OCUPADAS COM ELEIÇÕEZINHAS MUNICIPAIS E AMAM BIGODÕES COMO OS DO STALIN

Já foram oficializadas mais de 100 mil  mortes de brasileiros, parte delas decorrentes da Covid-19, outra parte da sabotagem governamental ao combate à Covid-19 de acordo com as práticas sanitárias vigentes no mundo civilizado. Nunca saberemos a quanto monta cada universo, nem quantos outros óbitos foram escamoteados das contas oficiais e impossibilitados de comprovar pelas oficiosas.

Até as pedras das ruas sabem que, depois da pandemia, o sofrimento de nossa gente SE INTENSIFICARÁ, pois enfrentaremos nossa pior depressão econômica de todos os tempos.

Não enxerga um palmo à frente do nariz quem não percebe que, em tais condições e submetidos ao governo catastrófico do pior presidente da República brasileiro de todos os tempos, os coitadezas deste país serão empurrados para a explosão social, os saques e as revoltas, o que vai gerar consequências imprevisíveis e reduzirá a pó de traque os calendários eleitorais.

Mesmo assim, essas pessoas da sala de jantar, vulgo esquerda institucionalizada, são ocupadas com as eleiçõezinhas municipais de outubro próximo e fazem grandes planos para  as presidenciais de daqui a 26 meses, como se vivêssemos em tempos perfeitamente normais e não num Brasil em transe, à beira do abismo.

E ainda chegam ao cúmulo de se deixarem contagiar pelo autoritarismo de Bolsonaro, pois ameaçam censurar, suspender ou expulsar filiados que não apoiarem um candidato destinado a manter a passividade da legenda numa conjuntura apocalíptica, pois preferem transferir o seu apoio ao candidato viável mas (para as pessoas na sala de jantar!) incomodamente combativo, de um partido menor com o qual têm vínculos até de nascença.

Refiro-me, claro, à ridícula e repulsiva ameaça da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, contra petistas ilustres que estão oPTando (era assim que escrevíamos antigamente, lembram?) por Guilherme Boulos e Luiza Erundina, que compõem a chapa psolista em São Paulo. Gente como André Singer, Bete Mendes, Camila Pitanga, Celso Amorim, Chico Buarque, Luís Fernando Veríssimo, Tarso Genro, Wagner Moura e que tais.

Ou seja, além de se ocuparem com eleições municipais que mais parecem o baile da Ilha Fiscal, pois transcorrerão na iminência de uma tempestade devastadora, essas pessoas da sala de jantar são ocupadas também em imitar o bigodudo Stalin, por quem demonstram ter uma paixão inconfessada...

"Mandei plantar folhas de sonhos no jardim do solar/ As folhas sabem
procurar pelo sol/ E as raízes procurar, procurar/ Mas as pessoas
da sala de jantar/ Essas pessoas da sala de jantar/
São ocupadas em nascer e morrer"

sexta-feira, 19 de junho de 2020

O PT MANTÉM A SOBERBA: NÃO FOI ÀS RUA CONTRA BOLSONARO, MAS QUER DEFINIR COMO DEVEMOS DAR FIM A SEU GOVERNO

Em artigo mais do mesmo publicado na Folha de S. Paulo, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann desperdiçou quase todo o espaço com elogios em boca própria e lamúrias de quem deveria, isto sim, estar fazendo a autocrítica dos erros crassos cometidos. 

Deixou para o parágrafo final a única coisa que importava: 
"O Brasil não suportará uma saída por cima, para manter a agenda de Guedes com ou sem Bolsonaro. Nem voltará à normalidade sem reparar a injustiça e restaurar os direitos do ex-presidente Lula. 
Mais que o impeachment, o PT defende novas eleições com participação de todas as forças políticas. Ou enfrentamos a crise com o povo ou ela só vai se aprofundar".
Ora, depois de ter respeitado rigorosamente o isolamento social, entrando nele antes mesmo de sua adoção (escondeu-se nalguma caverna logo após o período natalino e só acordou da hibernação para impugnar as iniciativas daqueles que começavam a resistir pra valer a Bolsonaro), eis que agora fixa condições para a retirada do bode da sala.

Com que direito, após ter evitado cuidadosamente os riscos da empreitada, enquanto os ministros do Supremo e os Gaviões da Fiel lhe davam exemplos de destemor diante do inimigo fascista?!

E lá é hora de propor metas que retardarão, ao invés de estimular, a união do máximo de forças políticas para dar um fim ao pesadelo o quanto antes, salvando a vida de brasileiros que estão sofrendo mortes evitáveis em função de Bolsonaro sabotar conscientemente o combate à pandemia?! Quantos milhares precisarão morrer para o PT se dar conta do imperativo de uma solução urgente?!
O objetivo que une os melhores brasileiros é a remoção de Bolsonaro. Temos de somar, não dividir!
A ortodoxia neoliberal do Guedes ficou no passado, a Covid-19 já se incumbiu de mandá-la pelos ares. Qualquer presidente que substitua o catastrófico Bolsonaro, deverá tomar medidas pragmáticas como a montagem de algum tipo de governo de salvação nacional para minimizar o sofrimento dos brasileiros por força do vírus e da depressão econômica. É o óbvio ululante.

Então, a retomada da agenda do mercador de ilusões só poderia entrar em pauta lá por 2022 ou ainda depois. Tanta água passará debaixo da ponte que é ocioso nos ocuparmos disto desde já.

Quanto à restauração dos direitos do Lula, trata-se de piada de mau gosto tocar-se neste assunto agora. Um desrespeito aos que estão morrendo ou sendo levados à penúria e ao desespero por causa dos desmandos do presidente miliciano.  

Tratemos primeiramente de salvar os coitadezas (as vítimas preferenciais de sempre!) e deixemos para quando houver um novo governo a discussão de uma anistia para o Lula; seria a melhor forma de virarmos essa página da História, mas há problemas muito mais urgentes para resolvermos antes. 
Ou alguém duvida de que isto jamais ocorrerá no atual governo? Então, um mínimo de bom senso manda primeiramente efetuarmos a transição e depois colocarmos tal anistia em pauta. 

Quanto a novas eleições após o impeachment, é uma proposta totalmente irresponsável, em primeiro lugar pela demora dos trâmites: a perda definitiva do mandato do Bozo jamais ocorreria em 2020 e, do primeiro dia de 2021 em diante, quem assume é o vice e ponto final.

Nova eleição presidencial somente ocorrerá se a chapa for cassada pela Justiça Eleitoral ainda em 2020. Mas, isto já está para ser concedido ou negado pelo TSE no próximo semestre, independentemente das exigências do PT.

Então, o melhor que o partido tem a fazer é participar humildemente das iniciativas da sociedade civil e das mobilizações dos jovens que, com muito brio, retomaram o controle das ruas (perdido pelos petistas em 2016).

Até porque o protagonismo a que o PT aspira, além de não se justificar pela prática por ele desenvolvida nos últimos anos, serviria como uma possível boia para o governo Bolsonaro agarrar-se no instante em que afunda. 

A rejeição ao PT é uma de suas últimas esperanças para evitar o defenestramento, daí a importância de, como em 1984 nas diretas-já,  haver um amplo leque de forças participando em pé de igualdade, unidas para despachar o governo genocida à lixeira da História. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 21 de abril de 2020

BEM-VINDOS DE VOLTA, COMPANHEIROS! É HORA DE LUTARMOS JUNTOS OUTRA VEZ.

É hora de reencontrarmos o espírito de união...
No dia em que o Brasil reverencia seu maior herói, o PT parece ter-se inspirado no exemplo altaneiro de Tiradentes e, finalmente, decidiu apoiar os esforços dos melhores brasileiros para a remoção de um presidente que está dando mostras cada vez mais eloquentes de sua total falta de condições políticas, administrativas, morais, intelectuais e até mentais para continuar no cargo.

Se no período que antecede o auge da pandemia ele já entrou em parafuso e se descontrolou por completo, tornando-se um sabotador da luta para a preservação da vida de nossa gente, dá para imaginarmos o que sucederá doravante, quando todos precisaremos estar unidos para o enfrentamento da maior crise sanitária desde 1918.
...que predominava nas inesquecíveis jornadas de 1984!

Eu, que bati pesado na decisão petista de ficar à parte do Fora, Bolsonaro, tenho agora a satisfação de aplaudir a nova postura que, esta sim, é coerente com o passado e os princípios da sigla. 

Temos de reconstruir a união de forças que fez das diretas-já o movimento popular mais importante das últimas décadas, e o PT não poderia jamais assumir posição diferente da adotada em 1984. 

Bem-vindos de volta, companheiros! É hora de lutarmos juntos outra vez. (Celso Lungaretti)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

A VERDADEIRA ESQUERDA É ANTÍPODA TANTO DAS GRANDES EMPREITEIRAS QUANTO DA CASTA CORPORATIVA

Entre as maiores aberrações dos governos petistas está a desenvoltura com que pactuaram com a escória de um dos mais repulsivos segmentos do capitalismo (o das grandes empreiteiras, às quais devemos um sem-número de obras tão faraônicas quanto inúteis ou equivocadas, e que invariavelmente ultrapassaram muitíssimo o orçamento inicial) e com os sanguessugas enquistados na administração pública.

A Delfim Netto, o ex-ministro da ditadura militar que foi signatário do AI-5 e nunca se arrependeu de ter ajudado a abrir as portas do inferno, não se pode negar, pelo menos, a expertise na própria praia. Sua política econômica era odiosa ("é preciso esperar o bolo crescer para depois dividir"), mas barata tonta ele jamais foi, ao contrário dos juvenis Joaquim Levy e Paulo Guedes. 

Sabia para onde queria ir e como chegar lá, o que o diferencia dos acima citados, serviçais do capital como ele, mas tão incompetentes que o primeiro deu colaboração inestimável para a derrubada de sua presidente e o segundo está engendrando uma explosão social que, mais dia, menos dia, coroará seus desatinados esforços.

Mas, onde entra o Delfim Netto nesta história? É que na sua coluna desta 4ª feira, 11, ele bate pesado em quem merece mesmo apanhar: a casta corporativa que, favorecida pela Constituição de 1988, passou a contar com eficientes gazuas para arrombar os cofres do Executivo na União, estados e municípios.

Vale citar as considerações, uma vez na vida corretas, do nonagenário reaça:
"Ela subtrai recursos dos investimentos públicos, o que empobrece o país, aumenta a desigualdade de renda e reduz a igualdade de oportunidades, causas importantes do malaise que ataca a sociedade brasileira".
E eis que, constatando que suas reformas previdenciária e trabalhista nem de longe farão a economia brasileira decolar em futuro próximo, o ministro tchutchuca resolveu tentar conter essa hemorragia com uma reforma administrativa. 

Ora, como revolucionários, sabemos que o buraco é mais embaixo e que tal tentativa terá o mesmo efeito homeopático das outras duas. Não podemos, contudo, aliar-nos à casta corporativa, porque é basicamente uma sórdida caudatária da corrupção capitalista.  Entre o mercador de ilusões e os parasitas dos palácios do governo, nosso lado é... longe de ambos!

Nada temos em comum com essa outra ralé, assim como o PT nada tinha em comum com os Marcelo Odebrecht da vida e, por ter ido chafurdar no mesmo chiqueiro, acabou reduzido à insignificância atual.

Mas, parece que o PT escolheu de novo o lado errado, e não hoje, mas quatro anos atrás. Diz Delfim:
"O que é de espantar é que a resposta a tais propostas [as da reforma administrativa] no Congresso foi a sua rápida movimentação para aprovar uma PEC de 2015, de autoria da senadora Gleisi (o grifo é meu) que permitirá a deputados e senadores negociarem livremente com governadores e prefeitos suas emendas parlamentares (agora obrigatórias) sem nenhuma coordenação com os programas federais. 
É a volta da escola risonha e franca! Trata-se de um intolerável desperdício de recursos, do qual se retira o controle do TCU, da PF, do MPF, da CGU contra os pareceres técnicos da própria casa.
...Podemos conviver e corrigir eventuais abusos de poder dos órgãos controladores, mas não podemos, sem consequências dramáticas, desativá-los e entregar aos órgãos de controle dos estados e municípios o uso dos recursos federais, porque sabemos o que eles são..."
Ou seja, temos de ficar atentos para que a esquerda brasileira não venha, mais uma vez, dar ao homem comum motivos para acreditar que ela seja uma aliada da nefasta e nefanda casta corporativa, pois isto daria a nossos inimigos outro formidável trunfo para nos desqualificarem.

Temo que mais esta advertência passe batida, como tantas outras que fiz o foram, com resultados desastrosos. Mas, sendo quem sou, não poderia deixar de tentar.  

Se não começarmos a atuar como uma esquerda de verdade, nosso futuro será nenhum. 

Idem se continuarmos omissos face às imoralidades que o PT comete e acabam respingando em nós também, porque até hoje não tivemos a coragem política de romper com essa esquerda que deixou de ser revolucionária há décadas e hoje não passa de força auxiliar do capitalismo, servindo apenas para a manter as ilusões de que a democracia burguesa seja pra valer. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

NÃO ADIANTA SAIR PELA TANGENTE, LULA: VOCÊ E O PT CONTINUAM NOS DEVENDO UMA PROFUNDA AUTOCRÍTICA!

"Muita gente bota defeito no PT, e às vezes nós acatamos essas críticas. Mas vocês já viram pedirem para o Fernando Henrique Cardoso, para o Bolsonaro, fazer autocritica? Quem quiser que o PT faça autocrítica, que faça a crítica você. Esse partido é encrenqueiro, não presta? É, mas esse é o meu partido. Na dúvida, a gente defende o nosso companheiro."

Lendo esta simplificação tendenciosa da questão da autocrítica do PT por parte do Lula, em discurso que fez em Salvador na última 5ª feira (14), fico em dúvida sobre se ele é tão desinformado como tais afirmações o fazem parecer ou estava apenas desferindo golpes num espantalho, ao invés de responder honestamente aos questionamentos dos quais discorda.

Já conheço de outros carnavais o seu expediente de sair pela tangente quando não tem chance de se dar bem numa discussão. Então, simplesmente vou explicar o que ele não está entendendo (ou fingindo não entender), assim ele fica impedido de repetir esse pulo do gato.

Originalmente, quem cobrou a abertura de um processo de crítica e autocrítica por parte do PT fomos eu e o Tarso Genro (outros companheiros – infelizmente poucos! – vieram na esteira).

O afastamento provisório de Dilma Rousseff da presidência da República foi decidido no dia 12/05/2016, quando o Senado aprovou a abertura do processo de impeachment contra ela. Cinco dias depois o blog Náufrago da Utopia publicou esta minha exortação à abertura de um debate sobre a refundação da esquerda, justificando: 
"Um agudo processo de crítica e autocrítica hoje é imperativo, pois a derrota que acabamos de sofrer foi, em muitos aspectos, pior ainda do que a capitulação sem luta de 1964.
A reaglutinação de forças deve marchar paralelamente com a depuração moral, pois não conseguiremos reconquistar o respeito do cidadão comum se nossa imagem continuar associada à daqueles que, comprovadamente, tenham utilizado a atuação política para, de forma ilícita, perseguir objetivos pessoais como o enriquecimento e a conquista de status. 
E, claro, como não adianta repetirmos o que deu errado na esperança de que na vez seguinte dê certo, temos de discutir quais as novas estratégias e táticas a serem adotadas, para substituírem as que chegaram ao esgotamento na atual década".
Então, o que realmente se propunha era uma discussão em profundidade das causas de uma derrota política que,  saltava aos olhos, teria consequências terríveis para nosso campo.

Pois esta sempre foi a melhor tradição da esquerda: a de refletir sobre seus grandes erros, reciclar-se após os fracassos mais acachapantes e afastar ou rebaixar os dirigentes diretamente responsáveis pelas decisões desastrosas.

O stalinismo, contudo, introduziu a prática oposta, de calarem-se as críticas e os críticos (até assassinando-os!), de forma a impedir discussões que colocassem em risco o mito da infalibilidade do grande timoneiro.

No pós-1964 o Parido Comunista Brasileiro bem que tentou estancar o questionamento de sua atuação desastrosa, mas não conseguiu. O processo de crítica e autocrítica envolveu praticamente toda a esquerda da época e determinou um sem-número de rupturas, esvaziamento de partidos e organizações, fusões, lançamento de novas siglas, migrações de militantes, etc. 

Nosso campo reconfigurou-se totalmente, com o PCB perdendo a posição de força majoritária e boa parte da esquerda começando a direcionar-se para a luta armada.

O impeachment da Dilma, com a presidente petista sendo despachada para casa por um piparote do Congresso, sem que nenhuma reação importante adviesse, era mais do que motivo para haver um processo de discussões tão dramático quanto aquele. 

A falta de vitalidade que a esquerda demonstrou, aceitando com tamanha resignação um desfecho desfavorável ao extremo, foi o ponto de partida de todas as desgraças posteriores. O inimigo percebeu que poderia fazer impunemente o que bem entendesse – e fez!
Merece nosso reconhecimento o Tarso Genro, pois foi ele quem começou a propor uma refundação do PT, ainda em 2006, durante o escândalo do mensalão. Tentou em vão sensibilizar Lula em novembro de 2014 (foto acima). E, entrevistado pela Folha de S. Paulo em março de 2016, voltou a bater nesta tecla:
"O PT dificilmente vai ter perspectivas de poder nacional no próximo período. Isso não é uma consequência específica das operações. É o fim de um ciclo econômico, social e político do Brasil que foi levado ao esgotamento.  
O PT não soube reconstruir seu projeto desde o fim do governo Lula. Ficou excessivamente vinculado às limitações de uma frente tradicional com o PMDB, fundamentada em velhas práticas que a sociedade não aceita mais.
O PT vai ter que se refundar, vai ter que se reformar profundamente, se quiser continuar com um ator político importante"
 Candidatura fantasma: megalomaníaco desperdício de tempo!
Palavras proféticas: o partido sairia das eleições municipais do mesmo ano como o décimo (!!!) mais votado, e pior: a caminho de duas verdadeiras catástrofes, a prisão do Lula por 580 dias e a entrega do poder à extrema-direita em 2018.

O processo de crítica e autocrítica, que Lula sempre fez tudo para evitar, talvez alterasse o rumo dos acontecimentos. Sem coragem para encarar seus esqueletos no armário, o partido desceu ao fundo do poço.

Pode-se pensar, p. ex., que o próprio culto quase religioso à personalidade do Lula poderia ter sido colocado em xeque em tempo de evitarem-se descomunais lambanças, como o travamento de toda a articulação e mobilização do PT (e, por tabela, do resto da esquerda) para a fatídica eleição presidencial de 2018 em função da quimera de que o STJ permitiria sua participação como candidato.

Ou seja, ele colocou como prioridade maior a tentativa de provar que era inocente das acusações em função das quais estava sendo sentenciado e relegou a segundo plano o imperativo de evitar que neofascistas conquistassem o poder. 

Jamais perdoarei as vaquinhas de presépio do seu entorno, que lhe permitiram desperdiçar tanto tempo numa aposta que até as pedras das ruas sabiam que estava de antemão perdida.

E a megalomaníaca superestimação de sua força eleitoral levou Lula a cometer outro pecado capital, ao detonar quaisquer chances de formação de uma frente  de esquerda para enfrentar Bolsonaro. 
Se o PT apoiasse candidato de outro partido, não daria a Bolsonaro o formidável trunfo do antipetismo
Deu um chapéu em Ciro Gomes e tratou de inviabilizar a possibilidade de uma coligação de esquerda encabeçada pelo dito cujo, pela Marina Silva ou pelo Guilherme Boulos, oferecendo de mão beijada para o inimigo um trunfo fundamental, ao criar o cenário mais favorável para a acentuada rejeição ao PT tornar-se decisiva para o resultado final.

Agora, depois de ter dado contribuição fundamental para a conquista de quatro anos de mandato por parte do mais tosco presidente da história de nossa república, ainda faz questão de que sejam cumpridos até o último dia, para melhorar as chances de ele, Lula, ser eleito sucessor!

Ao tornar o PT uma cidadela inexpugnável à autocrítica conforme é praticada pela esquerda, Lula desempenhou papel dos mais  destacados na sucessão impressionante de desastres dos últimos anos.

E, mesmo no sentido mais banal da palavra autocrítica, que é o único ao qual Lula alude nas suas tiradas demagógicas, ele deve, sim, uma autocrítica ao povo brasileiro por:
Foi trágico Lula não ter tomado o lugar de Dilma em 2014
— haver afiançado a arrogante e incompetente Dilma Rousseff, cuja decisão de exumar teses econômicas de meio século atrás (o totalmente superado nacional-desenvolvimentismo) mergulhou o Brasil na recessão em que se debate até hoje;
 ter ficado surdo aos apelos de correntes importantes do petismo, as quais, avaliando corretamente que Dilma não conseguiria lidar com a crise que fabricara, cansaram de apelar para que ele, Lula, a substituísse como cabeça de chapa em 2014; e
 ter reduzido a questão da corrupção nos governos petistas a uma questão pessoal, como se eventuais vitórias nos processos criminais o eximissem da responsabilidade política pelo mar de lama em que um partido de esquerda se mancomunou com as figuras mais repulsivas do capitalismo putrefato, quando o que se impunha era um juramento solene (do Lula) de que tais fatos jamais se repetiriam, ponto de partida para o homem comum voltar a crer no PT e na esquerda em geral.

Embromação só cola quando direcionada a fanáticos ou a simplórios. E não é deles que o PT precisa neste instante, mas sim dos brilhantes formadores que um dia teve aos montes e depois insensatamente afugentou.

Se quiser começar a reverter o quadro, Lula precisa deixar de falar tolices sobre a autocrítica que o PT nos deve a todos e tratar de fazê-la, enquanto ainda existe algo para se salvar. (por Celso Lungaretti)
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