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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

LULA FUJÃO CORRE DE MANIFESTANTES NO RIO DE JANEIRO


 Lula veio ao Rio de Janeiro participar de um evento de marketing para entregar carteirinhas aos professores. Em um país com uma educação caindo aos pedaços e com a carreira docente em franca decadência, o presidente acredita que a salvação é ter um papel dando direito a descontos em hotéis e compras pela internet. É o clube de vantagens do peleguismo. 

Na realidade, se trata de mais um exemplo de solução neoliberal típica do lulismo, resolver os problemas com privatização e transformar trabalhador em simples consumidor

Mas Lula não foi sozinho. Não poderia ser a velha politicagem lulista sem a presença da nata do lixo da política nacional: lá estavam Hugo Mota, o insignificante presidente da câmera federal, Ferreirinha, o ignóbil secretário de educação da cidade do Rio, e Eduardo Paes, o prefeito picareta que o lulismo ama. Prefeito e secretário, inclusive, responsáveis por inúmeros ataques aos professores cariocas em 2024, receberam sonoras vaias. Certamente, ninguém melhor para homenagear os professores que aqueles responsáveis pelos maiores ataques a eles. 

Num dia, ferram os professores, no outro,
entregam carteirinhas. 

Contudo, o vexame maior não foi o ato patético de entregar carteirinhas junto com figuras tão desilustres, mas a fuga de Lula dos manifestantes. Dia e local do ato foram guardados a sete chaves e os professores convidados só ficaram sabendo dessas informações cruciais 2 dias antes. Sindicatos dos servidores públicos do Rio de Janeiro, então, convocaram manifestação para a porta do evento, mas os espiões do Lula alertaram o governo e, para desarticular o movimento, se antecipou em 4 horas o horário da entrega das carteirinhas. Diante disso, não foi possível manter o protesto.

Lula fugiu dos manifestantes. (por David Coelho) 

quarta-feira, 17 de julho de 2024

GREVE DA EDUCAÇÃO FEDERAL: GOVERNO E DIREÇÕES PELEGAS AGIRAM PELA DERROTA

A greve da Educação Federal, encerrada em junho, foi o enfrentamento mais importante que a classe trabalhadora teve com o atual governo Lula. O final da greve foi marcado por algumas vitórias políticas importantes e um acordo econômico ruim. 

A greve, assim como a mobilização de outras categorias de servidores federais, não conseguiu derrotar o governo e o seu reajuste zero em 2024. Não conseguiu uma reestruturação efetiva das carreiras da Educação Federal, não garantiu a reposição das perdas salariais e arrancou uma reposição muito tímida das verbas das universidades e institutos federais. 

A proposta fechada com o governo basicamente impede a perda inflacionária durante os próximos quatro anos. Mas, esse acordo ficará sob o risco de não ser cumprido pelo governo, diante da pressão do setor financeiro para garantir o Arcabouço Fiscal. 

Embora muito aquém do que se pedia, o acordo é maior do que o governo gostaria de ter concedido, algo que só foi possível pela enorme força demonstrada pela greve, uma das maiores dos últimos tempos. Além disso, a greve impulsionou a organização e a confiança da categoria em suas próprias forças e revelou o papel traidor das direções sindicais governistas, que saíram desgastadas e desmoralizadas. 

Grande parte dos trabalhadores e trabalhadoras da Educação Federal tinham grandes expectativas de que, com Lula, haveria mudanças na situação de precariedade no ensino superior federal. Mas, o presidente ignorou suas promessas de campanha e, no seu primeiro ano de governo, aprovou o Arcabouço Fiscal para garantir o teto de gastos exigido pelos banqueiros e grandes empresários. 

Com isso, em 2024, no primeiro orçamento elaborado pelo novo governo, os servidores foram presenteados com reajuste zero e, para as universidades e institutos federais, com um corte de mais de R$ 300 milhões nas verbas de custeio. 

A expectativa em Lula começou a virar decepção e revolta. Foi esse sentimento de traição que alimentou a mobilização dos técnicos-administrativos das universidades e institutos federais e que depois contagiou os docentes e levou o movimento à greve nacional. 

Nesse momento, esse mesmo sentimento impulsiona a greve da área ambiental, que foi judicializada por Lula, visando que a greve seja decretada ilegal, e a greve dos servidores do INSS, marcada para o dia 16.

Durante a greve, a indignação com Lula aumentou muito. Em primeiro lugar, pela postura intransigente do governo, que lutou todo o tempo para não fazer qualquer tipo de concessão ao movimento e, até o fim, manteve sua decisão de conceder zero de reajuste em 2024.

Em segundo lugar, o movimento foi marcado pela prática antissindical adotada na negociação, com ultimatos, manobras, tabelas erradas e a construção da farsa do acordo com a PROIFES-Federação, uma entidade fantasma, controlada pelo PT e pela CUT, que assinou um acordo contra a decisão das suas assembleias de base. 

Em terceiro lugar, a postura do governo foi caracterizada por suas declarações públicas, atacando a greve e dizendo que os servidores deveriam agradecer ao governo, ao invés de criticá-lo.  

“Tem dinheiro para banqueiro, mas não tem para Educação!”

A indignação com o governo cresceu também em função do cinismo de Lula, afirmando que estava fazendo tudo ao seu alcance pela Educação. Uma grande mentira, que ficou evidente para os grevistas. 

O governo se nega a conceder um reajuste salarial em 2024 e a recomposição das verbas dos institutos e universidades federais, que teriam um custo anual de menos de R$ 10 bilhões. Contudo, continua cedendo uma enorme fatia das verbas públicas ao agronegócio, às grandes indústrias e ao setor financeiro. 

Com aquilo que a União gasta em apenas dois dias com a dívida pública - R$ 10,5 bilhões -, seria possível garantir mais de 7% para recomposição salarial, em 2024, e os R$ 4 bilhões que pedem os reitores para as verbas de custeio das universidades e institutos federais. 

Com 2% dos R$ 519 bilhões concedidos em isenções fiscais aos grandes empresários, somente em 2023, seria possível quase triplicar a proposta de reajuste salarial fechada com o governo, que custará R$ R$ 6,2 bilhões, em dois anos. 

É preciso também lembrar do papel das direções pelegas dos sindicatos, nas quais Lula se apoiou para tentar derrotar o movimento.

Para impor sua proposta salarial, Lula se apoiou nas direções governistas das entidades sindicais - PT, PSOL, PCdoB, PCB e UP -, que buscaram impedir e, depois, controlar a greve, para não afetar a popularidade do governo. 

A primeira traição foi abandonar a campanha salarial unificada e semear ilusões nas mesas específicas, que têm se mostrado desastrosas. Com essa postura, as entidades de servidores federais dividiram o movimento e isolaram a greve da Educação Federal. Entidades importantes, como a Confederação dos Trabalhadores Serviço Público Federal (Condsef), sequer entraram na greve. 

A segunda traição foi tentar impedir a greve na Educação Federal, mas, nesse caso, foram atropelados pela base. Durante a greve, passaram semanas preparando o desmonte da paralisação e não se cansaram em repetir argumentos para defender o governo: “A greve não pode se prolongar, para não fortalecer o fascismo”, “Lula, assuma as negociações”, etc. 

Foram inúmeras manobras, práticas burocráticas e antidemocráticas nos comandos de greve nacional e locais, para tentar impedir que a vontade das bases prevalecesse na condução da greve. Mesmo assim, o movimento conseguiu impor ações radicalizadas e mobilizações nacionais. 

A greve deixou algumas lições importantes. Está claro que Lula não vai resolver os problemas da Educação pública. Seu compromisso é governar com e para os grandes empresários, lhes garantindo todo tipo de privilégio fiscal e grandes fatias do orçamento. Contudo, não é possível governar para a burguesia e para os trabalhadores ao mesmo tempo.

Para garantir os investimentos nas universidades e institutos federais, a valorização salarial e o fim do processo de privatização, é preciso derrotar o Arcabouço Fiscal de Lula. E isso só será possível construindo um poderoso processo de mobilização, que envolva não apenas o setor da Educação, mas todos os setores da nossa classe.

Para isso, é necessário construir uma nova direção para as entidades sindicais. Uma direção sindical que se paute pela independência de classe e assegure a democracia operária como método de condução do movimento. Que organize e impulsione a luta da classe trabalhadora por suas demandas e, consequentemente, para enfrentar e derrotar o governo.

Isso não implica descuidar da luta contra a ultradireita, que segue como uma ameaça concreta contra a classe trabalhadora. Mas, é falacioso o argumento de que combater Lula ajuda a ultradireita, pois Lula não a está combatendo. 

Pelo contrário, quando aplica as diretrizes do Arcabouço Fiscal, atua para derrotar e desmoralizar as lutas dos trabalhadores; quando passa a mão na cabeça dos chefes da tentativa de golpe do ano passado, está justamente pavimentando o caminho para a volta desse setor ao poder.

Nosso desafio é a construção de uma forte oposição pela esquerda ao governo Lula, sem descuidar do combate à ultradireita. Uma oposição que se apoie na organização e na mobilização da nossa classe, em defesa das demandas do povo trabalhador e dos interesses do país, e que tenha como perspectiva colocar os trabalhadores e trabalhadoras para governar o Brasil, através das suas organizações e de conselhos populares.

Só assim abriremos caminho para a superação do capitalismo, um sistema em que a riqueza está a serviço do lucro e do enriquecimento de poucos. Assim, poderemos dar curso à construção do socialismo, garantindo não apenas uma educação pública, de qualidade e a serviço do desenvolvimento cultural, científico e tecnológico do país, como também uma vida digna e humana para todos e a todas. (Eduardo Zanata, do jornal Opinião Socialista)

segunda-feira, 1 de julho de 2024

A MÚSICA DO DIA É PARA O COMPANHEIRO DAVID, QUE SOFREU DURA DERROTA PARA O PASSADO MAS TEM O FUTURO A SEU LADO

"
Lula derrotou a greve [da Educação Federal], mas junto condenou seu próprio governo ao fiasco. Depois de suas ações, nunca mais poderá dizer que defende a educação ou os trabalhadores. 

Ao pisar na garganta de um setor historicamente aliado, enquanto valorizou os bolsonaristas, o presidente mostrou seu desprezo pelos aliados e seu delírio de onipotência. 

A conta já chegará nas eleições de outubro deste ano." (David Coelho,  editor deste blog e um dos líderes da greve, neste post)
 

LULA DERROTA GREVE DA EDUCAÇÃO FEDERAL

 


Após 86 dias, chega ao fim a greve da educação pública federal com a assinatura de um acordo entre os sindicatos representativos dos trabalhadores e o governo Lula. O resultado final do acordo ficou muito aquém do que era pretendido, com uma recomposição salarial insuficiente, recomposição tímida do orçamento e promessas vagas sobre reestruturação de carreira e novas concessões para docentes e técnicos. 

Lula cerrou fileiras junto aos capitalistas e não aceitou que se colocasse qualquer fissura na política de austeridade fiscal, cuja defesa foi elemento fundamental do pacto que permitiu sua saída da prisão e posterior eleição, na farsa da frente ampla pela democracia. Acuado pela fortíssima greve, emparedado pelas manifestações, Lula não teve outra alternativa que fazer prepotente discurso (veja aqui) exigindo que os líderes sindicais, seus paus mandados, colocassem fim à greve.

A indignação de Lula era porque esses líderes não tinham conseguido impedir a greve de acontecer. Tentaram, mas os trabalhadores os atropelaram. Uma vez a greve deflagrada, eles a boicotaram de todas as formas, seja poupando Lula das críticas, seja impedindo a realização de atos de rua, seja induzindo medo entre os trabalhadores. No fim, inclusive, foi esse discurso do medo o determinante para o fim do movimento, pois foi incutido na cabeça dos trabalhadores que se não aceitassem as migalhas concedidas por Lula, ele não daria nada, como já havia feito Dilma em 2011.

Com quase três meses de greve, muitas disputas, pressões e cansaço, os trabalhadores não tiveram outra opção que acatar o encaminhamento do fim do movimento paredista. Seus líderes, obedecendo a Lula, faziam o discurso do medo e o iam instando a retomar as atividades, e esses, em dúvida profunda, resolveram que o melhor era recuar e garantir a miséria concedida pelo governo. 

Contudo, essa greve conseguiu avanços gigantescos, as maiores foram na organização e na consciência política. Foi desnudado o caráter conservador de Lula e sua mentira em relação a valorizar a educação. Ficou também claro seu papel de defensor intransigente dos interesses dos capitalistas, protegendo-os mesmo às custas da implosão de seu governo. Finalmente, os trabalhadores avançaram na compreensão de seu papel enquanto classe, na importância de sua organização e em que, ao fim das contas, são eles próprios os sujeitos da história. 

Lula derrotou a greve, mas junto condenou seu próprio governo ao fiasco, conforme já tínhamos alertado anteriormente em outro post. Depois de suas ações, não poderá nunca mais dizer que defende a educação ou os trabalhadores. Ao pisar na garganta de um setor historicamente aliado, enquanto valorizou os bolsonaristas, o presidente mostrou seu desprezo pelos aliados e seu delírio de onipotência. A conta já chegará nas eleições de outubro desse ano. 

A greve se encerrou, mas a luta por um novo mundo continuará! (por David Coelho)


 Fala em assembleia do Colégio Pedro II em que se decidiu o encerramento da greve

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