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sábado, 1 de novembro de 2025

A CULPA É DO POVO SEDENTO DE SANGUE E, MAIS AINDA, DO PT SEDENTO DE PODER.

O
que se depreende do trágico apoio de 57%  dos moradores da capital e da região metropolitana do Rio de Janeiro à carnificina promovida pelo governador Cláudio Castro?

Simplesmente que o PT falhou por completo naquela que deveria agora estar sendo a sua principal tarefa: conscientizar a população de que a civilização é melhor do que a  barbárie.

Não, o PT abandonou o povaréu ao proselitismo desumano de evangélicos, defensores do empreendedorismo e da meritocracia, saudosos da ditadura militar, etc. 

Não se ocupou mais de propor soluções igualitárias e compassivas para as aflições dos excluídos, dos humilhados e dos ofendidos. 

Tornou-se um partido que só existe para disputar eleições e depois governar com um tiquinho maior de benefícios para os coitadezas, umas migalhas a mais caídas da mesa dos opulentos sendo distribuídas para  os famintos. 
                                                        Então, como não vai mais onde o povo está para lutar ao lado dele contra as injustiças sociais, deixou que o fascismo passasse a fazer a cabeça dos proletários e dos lúmpens.                                                                   O
 resultado é o péssimo Congresso que está aí, forçando o Lula a comprar a aprovação legislativa de cada uma de suas medidas mais importantes; ele finge que governa enquanto mal consegue disfarçar a sua impotência.

E que ninguém se surpreenda se a direita retomar a presidência no ano que vem; ela é a favorita disparada.

Até mesmo se massacres cada vez mais chocantes se tornarem a única forma de combate ao crime organizado: enquanto o povo aplaudir, sempre haverá Cláudios Castros fornecendo-lhe o sangue pelo qual anseia. 

E enquanto puder tirar proveito disto, a direita continuará defendendo o governador matador, inclusive os ditos católicos e ditos evangélicos, que mandam às favas o quinto mandamento cristão: "Não matarás".  (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

LULA FUJÃO CORRE DE MANIFESTANTES NO RIO DE JANEIRO


 Lula veio ao Rio de Janeiro participar de um evento de marketing para entregar carteirinhas aos professores. Em um país com uma educação caindo aos pedaços e com a carreira docente em franca decadência, o presidente acredita que a salvação é ter um papel dando direito a descontos em hotéis e compras pela internet. É o clube de vantagens do peleguismo. 

Na realidade, se trata de mais um exemplo de solução neoliberal típica do lulismo, resolver os problemas com privatização e transformar trabalhador em simples consumidor

Mas Lula não foi sozinho. Não poderia ser a velha politicagem lulista sem a presença da nata do lixo da política nacional: lá estavam Hugo Mota, o insignificante presidente da câmera federal, Ferreirinha, o ignóbil secretário de educação da cidade do Rio, e Eduardo Paes, o prefeito picareta que o lulismo ama. Prefeito e secretário, inclusive, responsáveis por inúmeros ataques aos professores cariocas em 2024, receberam sonoras vaias. Certamente, ninguém melhor para homenagear os professores que aqueles responsáveis pelos maiores ataques a eles. 

Num dia, ferram os professores, no outro,
entregam carteirinhas. 

Contudo, o vexame maior não foi o ato patético de entregar carteirinhas junto com figuras tão desilustres, mas a fuga de Lula dos manifestantes. Dia e local do ato foram guardados a sete chaves e os professores convidados só ficaram sabendo dessas informações cruciais 2 dias antes. Sindicatos dos servidores públicos do Rio de Janeiro, então, convocaram manifestação para a porta do evento, mas os espiões do Lula alertaram o governo e, para desarticular o movimento, se antecipou em 4 horas o horário da entrega das carteirinhas. Diante disso, não foi possível manter o protesto.

Lula fugiu dos manifestantes. (por David Coelho) 

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

REITORIA DO PSOL JOGA TROPA DE CHOQUE EM ALUNOS DA UERJ

 Nesta sexta-feira, 20/09, a tropa de choque da polícia militar do Rio de Janeiro cumpriu ordem de reintegração de posse da UERJ no Rio. A reintegração foi pedida pela reitoria da universidade, ligada ao PSOL, após quase dois meses de ocupação estudantil contra a chamada AEDA da Fome, uma medida draconiana baixada pela reitoria daquela instituição que suspende uma série de benefícios e auxílios vitais para milhares de alunos pobres.

Na quinta, a reitoria já havia enviado para o campus jagunços descaracterizados para tentar expulsar os estudantes, sem sucesso. Hoje, as forças repressivas vieram em peso e cercaram o prédio, lançando bombas de gás e de efeito. Os confrontos se espalharam pelas ruas do entorno e terminaram com quatro estudantes presos, além do deputado federal Glauber Braga

Por trás da ação está a aliança entre o lulopetismo, o PSOL e amplos setores do bolsonarismo no Rio de Janeiro, que estão aliados em diversas eleições municipais e estão unidos na defesa dos interesses do financismo e do grande capital. Enquanto estudantes são condenados a abandonar os estudos, por contingência de gastos, bilhões são canalizados para banqueiros e para o agronegócio. 

Deixamos aqui nossa solidariedade aos estudantes da UERJ, aos estudantes detidos e ao deputado Glauber Braga! (por David Coelho)

domingo, 7 de abril de 2024

O RIO DE JANEIRO SEGUE E SEGUIRÁ LINDO, APESAR DE TUDO!

 

Aos vinte e dois anos de idade, recém-casada, minha mãe começou a vida marital na cidade maravilhosa. Era o início dos chamados anos dourados da década de 50 do século passado, véspera da eleição de Getúlio Vargas, que substituiria o presidente militar general Eurico Gaspar Dutra na Presidência da República.   

O deslumbramento da dona Dalvinha se devia ao fato de estar na capital do país, onde tudo rescendia a encanto, e em lua de mel com o amor de sua vida, meu pai, um mineirinho de Mariana, herói da segunda guerra mundial, que ela havia conhecido e por quem se apaixonara dois anos antes em Mossoró. 

Aquela cidade, detentora de contornos geográficos deslumbrantes, capaz de figurar nos mais belos cartões postais do mundo, abençoada pelo Cristo Redentor de braços abertos sobre a Guanabara, tem uma aura de felicidade que em tudo combinava em beleza escultural de suas praias, montanhas e com a alegria dos seus moradores.  

"Até nos barracões dos morros havia o cantar alegre de um viveiro, e as roupas comuns dependuradas pareciam um estranho festival", como dito na canção “Chão de estrelas”, dos cariocas Orestes Barboza e Sílvio Caldas.  

Os cariocas são sabedores de viverem em uma cidade que exala musicalidade e é berço do samba, a nossa identidade cultural; têm gosto pelo bem viver e onde os velhos e novos baianos, desde tia Ciata, Dorival Caymmi e Assis Valente até João Gilberto, Caetano Veloso, Maria Betânia, Gal Costa e Gilberto Gil puderam fazer dela a caixa de ressonância de uma estética brasilianíssima.   

Foi nesse clima de encantamento que fui gerado como resultado da união de dois seres apaixonados que geraram uma criança saudável, nascida no Hospital da Aeronáutica, no bairro Rio Comprido.  

Meu pai era um sargento da aeronáutica, pertencendo, portanto, ao baixo clero da força aérea, o segmento denominado praças que, diferentemente do oficialato, numa corporação claramente dividida em castas, tinha as restrições próprias de ascensão funcional superior e jamais chegaria à presidência da República, até porque ele não tinha a menor pretensão de poder político.  

Minha mãe sempre se referiu ao Rio de Janeiro como sendo o lugar paradisíaco onde viveu os melhores e verdes anos de sua vida, ficando por lá quatro anos, até morar em vários estados acompanhando o marido militar constantemente transferido de bases militares como é praxe na caserna.  

É assim que o Rio de Janeiro povoa meu imaginário tão bem cantado em prosa e verso pelos compositores brasileiros, igual o pernambucano Antônio Maria, que compôs a bela música “Valsa de uma cidade”, cujos versos bem traduzem o sentimento de todos que por lá estão, e que dizem: 

“Rio de Janeiro, gosto de você, gosto de quem gosta, desse Mar, desse Céu, dessa gente feliz”

Apesar de todo os esforços da institucionalidade burguesa decadente em destruir o que é belo, a beleza de lá resiste, até para aqueles que foram forçados a desertar com imensa saudade da cidade maravilhosa, tangidos pelos ventos trevosos do arbítrio político, igual o sociólogo Herbert de Sousa, que de lá viajou num rabo de foguete para o exterior, bem como na música de Gilberto Gil intitulada “Aquele abraço”, que começa por afirmar que o “Rio de Janeiro continua lindo”... 

Outros, presos no Rio de Janeiro e levados para a casa da morte, em Petrópolis, onde foram torturados e assassinados friamente cerca de 20 presos políticos, e que evidentemente teriam uma percepção sombria de seus maus momentos na cidade do Rio de Janeiro, apesar da sua aura urbana e da maioria do seu povo ser de grande beleza e descontração prazerosa.  

Infelizmente, a tradição da contravenção no Rio de Janeiro e o conluio policial é antiga. A música de Donga, de 1916, intitulada “Pelo telefone”, tem um verso que diz: 

“O chefe da polícia pelo telefone, mandou me avisar; que lá na carioca tem uma roleta para se jogar”... 

O problema é que àquela época o malandro carioca apenas vendia bilhete falsamente premiado a um turista ambicioso e desavisado, e trazia apenas uma navalha no bolso para se defender dos enciumados maridos e amantes traídos. Mas agora os criminosos portam metralhadoras AK 45 e vendem entorpecentes à elite que pode comprá-los e aos viciados pobres a quem escravizam pela dependência química. 

Em que pese a contaminação de lixo urbano da Baía da Guanabara e:  

- a falência das finanças públicas municipais e estaduais; 

- a incrível sucessão de governantes corruptos, muitos soltos, alguns presos e cassados ou não, e de autoridades encastelados nas instituições públicas; 

- a morte de inocentes por balas perdidas que sempre acham as cabeças de inocentes transeuntes vítimas das disputas entre a polícia e o crime organizado; 

- as chacinas recorrentes nos morros cariocas; 

- as inundações a cada ciclo das águas de janeiro a março fechando o verão;  

- etc., etc., etc., 

o Rio de Janeiro continua lindo... 

De minha parte, um cearensioco assumido - mistura de cearense com carioca por fraternal adesão chancelada por lei oficial que me concedeu o título de cidadania fortalezense, e certidão de nascimento do Rio de Janeiro -, prefiro manter o encantamento pelo Rio de Janeiro que me foi transmitido por minha mãe, a acreditar que por lá vigora um processo de infecção generalizada na vida político-social e policial, ainda que todo dia e reiteradamente se constate a existência e continuidade de tal enfermidade destrutiva. 

 O meu Rio de Janeiro é o mesmo de Donga, João da Baiana, Sinhô, Pixinguinha, Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Carlos Cachaça, Chico Viola, Mário Reis, Noel Rosa, Wilson Batista, Heitor Villa-Lobos, Machado de Assis, Euclides da Cunha, João do Rio, Chiquinha Gonzaga, Joaquim Callado, Ernesto Nazareth, Wilson Batista, Ismael Silva, Heitor dos Prazeres, Vicente Celestino, Orlando Silva, Araci de Almeida, Orestes Barboza, Sílvio Caldas, Braguinha, Dom Pedro II, a portuguesa Carmem Miranda, que por aqui chegou com meses de nascida e se tornou um ícone representativo da brasilidade nos esteites e mundo afora, Almirante, Ciro Monteiro, Jamelão, Neguinho da Beija Flor, os mineiriocas Ari Barroso, Ivo Pintangui, e Zuenir, ventura, Seu Delegado (o dançarino), Valdir Azevedo, Valdir Calmon, Altamiro Carrilho, o cearensiocas César de Alencar e Ed Lincoln, Tom Jobim, Haroldo Costa, a ucranioca Clarisse Lispector, dos botafoguenses Vinicius de Morais, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, o tijucano de BH Milton Nascimento, o cachoieirioca Roberto Carlos, os pernambucuriocas Bezerra da Silva, Austregésilo de Athayde, longevo presidente da Academia Brasileira de Letras e os irmãos Nelson Rodrigues e Mário Filho, o primeiro, um dos maiores dramaturgos do Brasil, e o outro baluarte da construção do Estádio do Maracanã que recebeu seu nome, Oscar Niemeyer, Silvio Santos, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Emílio Santiago, Sérgio Cabral (o pai), Dona Ivone Lara, Jô Soares, os maranguapiocas Chico Anísio, Elano de Paula, Lupe Gigliotti e Zelito Viana, Monarco, Garrincha, Zizinho, Ronaldo Nazário, Romário, Marcelinho Carioca, Djalminha, Domingos da Guia e Ademir da Guia, Aniceto, Martinho da Vila, Moreira da Silva, Dicró, Galvão Bueno, Arnaldo César Coelho, os maranhenciocas Ferreira Gullar, Alcione e Joãozinho Trinta, Emilinha Borba, o acrioca João Donato, o paraensioca Billy Blanco, o paulistioco maestro Erlon Chaves, e as cantoras paulistiocas irmãs Dircinha e Linda Batista, Paulo Gracindo, Tônia Carrero, Cecil Thiré, Odete Lara, Norma Benguel, Zilca Salaberry, Wilza Carla, Herivelto Martins, a paulistioca Dalva de Oliveira, Jece Valadão, o carioca da Moldávia Samuel Wainer, e o ucranioca Adolfo Bloch, o espiritioca Carlos Imperial, os campeoníssimos do Botafogo Carvalho Leite, Nilton Santos, Gerson, Jairzinho e Paulo César Caju, Elton Medeiros, Arlindo Cruz, Almir Guineto, Dudu Nobre, Jorge Aragão, Bira Presidente, Jovelina Pérola Negra, Wilson Simonal, Paulinho da Viola, Zico, Roberto Dinamite, Aldir Blanc,Herbert de Sousa, Henfil, Dolores Duran, Maysa Matarazzo, Elizeth Cardoso, Ronaldo Bôscoli, as irmãs vitoriocarioquíssimas Nara e Danuza Leão, Sylvinha Telles, Carlinhos Lira, Roberto Menescal, o Paulistioca Luiz Carlos Miele, Carlinhos de Jesus, Ana Botafogo, Tim Maia, Jorge Ben Jor, Erasmo Carlos, Zé Kéti, Baden Powell, Gonzaguinha, Paulo Silvino, Cazuza, Rogéria, Roberta Close, Clóvis Bornay, Ibrahim Sued, Jorginho Guinle, Augusto Boal, Miguel Falabella, Cláudia Jimenez, Marília Pêra, Marcelo D2, Anita, Ludmila, Claudinho & Buchecha, Fernanda Abreu, Evandro Mesquita, Mussum, a cearensioca historiadora Isabel Lustosa, Toni Garrido, Zezé Motta, os Mineiriocas Milton Gonçalves, Grande Otelo, o  mineirioca Aguinaldo Timóteo (batafoguense) e Carlos Drummond de Andrade, Marielle Franco, e Nélida Cuiñas Piñon, para citar apenas pouco mais de 160 grandes nomes, numa lista que caberia mais outros 160 que os leitores e parentes vão me perdoar a omissão dos seus nomes vez que todos eles formataram a leve alma carioca que serve de referência à brasilidade.   

Esses, juntamente com tantos outros anônimos cariocas que lutam pela vida honestamente, me representam como artífices da cidade maravilhosa; esses outros do noticiário criminal de ontem e de hoje apenas me repugnam. (por Dalton Rosado) 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

UMA HISTORIETA DE ANO NOVO: CONEXÃO BH-RIO

 

Já tinham passado os fogos quando o baseado começou a rodar. Josué jamais havia experimentado, pois de família evangélica e umbilicalmente ligado à religião. Tinha pego o carro da mãe,  que ficara trabalhando na ceia de ano novo da igreja, para ir com os amigos ver a queima de fogos na Pampulha. Em duas tragadas, o efeito foi fulminante e ele começou a se sentir muito diferente, dominado por uma mistura esquisita de euforia e calma. Logo alguém lançou a ideia:

"Vocês já viram o nascer do sol em Copacabana? E se a gente fosse agora?"

Entusiasmados com a proposta, fizeram cálculos e mais cálculos cuja rapidez é possível apenas aos chapados. "A viagem dura em média sete a oito horas", arrematou um dos presentes. "Faço em seis!", disse Josué enquanto dava mais um trago. "Pra ida tem gasolina, pra volta não. Alguém tem dinheiro?". Somaram e a contabilidade geral dava um total de 80 Janjos. Não é preciso explicar muito que os amigos estavam naquela condição fatídica de falidos do fim do mês, com cartão estourado e apenas em ponto morto para o salário do próximo mês. O passeio para ver o réveillon só fora possível porque a mãe encheu o tanque no dia anterior. 

"Dá sim! Dá sim! Dá sim! Dá sim!", arrematou Josué, repetindo a frase dez vezes como se quisesse convencer ao resto de bom senso que ainda teimava em se manifestar em sua mente ébria. 

Embarcaram e Josué colocou o destino no maps: "Copacabana". Já entrando no anel rodoviário, levou uma multa por excesso de velocidade. "Zé, olha o flash, você levou multa!". "Tá tranquilo, vai pro nome da minha mãe!". "Zé, cuidado!, quero chegar vivo!". "Tranquilo, tranquilo, vamos de boa, Jesus no controle!". Era um olho na estrada e outro no marcador de combustível, pois o nível caía drasticamente a cada centena de quilometro rodado. Não podiam, não deviam e não pararam, pois era uma viagem de um tiro só. 

Após quatro horas já estavam descendo a Serra de Petrópolis, mas nenhum deles sabia que era Petropólis ou que era uma serra, pois, se você vive em Minas, subir e descer serras é tão cotidiano quanto respirar. Deram-se conta mesmo da proximidade do Rio quando se depararam com uma placa imensa anunciando. "Velho, tamo chegando!", celebraram muito e Josué chegou a puxar uma marchinha de carnaval, a única que a censura evangélica lhe permitia conhecer. 

"A pipa do vovô não sobe mais..."

Adentraram a cidade e foram vencendo as linhas coloridas e os elevados com seus milhões de pistas e alças, guiados pela voz onipresente do Maps. Josué cria e confiava no Google tão profundamente quanto cria e confiava em Jesus, até mais porque era possível ouvir o aplicativo de navegação de forma clara e inquestionável, já quanto a deus sempre lhe surgiam dúvidas e angústias que ele abafava assistindo a um filme pornô

Logo avistaram o mar com suas ondas quebrando na praia. O sol ia se levantando no horizonte e o cheiro da maresia invadia o carro levando junto uma sensação total de felicidade e contentamento. Um dos colegas sacou o celular e iniciou uma live no Instagram. Não tinham avisado ninguém da viagem, portanto a surpresa foi ampla e irrestrita na rede social. "Olha Copacabana aí, pessoal! Viemos ver o sol nascer no mar! Feliz 2024!"

"Vocês estão no Rio?! Tá loco, a mãe do Josué teve um troço aqui porque ele sumiu e não tá com celular! Tava quase chamando a polícia!", disparou um dos espectadores que fora acionado pouco tempo antes pela mãe, membra da mesma igreja que Josué e sua progenitora. 

Josué riu e deu um berro pro celular: "Não temos nada para temer, Jesus está no controle!"

Estacionaram na Atlântica e correram para a praia. Mas estavam exaustos e, após alguns minutos molhando os pés no mar, deitaram na areia e ali cochilaram algumas horas. Acordaram famintos e com o sol torrando. Pegaram o resto do dinheiro, que não tinha ido pros pedágios, e negociando muito conseguiram comprar espetinhos de camarão de um ambulante. Sensibilizado com os mineiros famélicos, ele ainda os deu de brinde dois pacotes de biscoito Globo

Entraram no carro e iniciaram a viagem de volta. Não era sequer meio-dia quando começaram a subir a Serra de Petrópolis. No pedágio, passaram direto pela cancela automática. "A multa vai pra minha mãe", reforçou Josué. O problema até ali abafado, mas sempre latente, por fim deu as caras: a gasolina estava acabando e eles não tinham nenhum dinheiro. Josué bolou o plano, iriam parar em um posto, pedir para encher o tanque, dar a desculpa que o valor estava errado e darem no pé. 

"Com um tanque viemos, com outro tanque iremos embora!"

Planejado e feito. Pararam, pediram para encher o tanque. Na hora do pagamento, o pobre frentista teve de ouvir terríveis impropérios de que teria feito tudo errado, que não sabia trabalhar, que Jesus tava de testemunha, etc., para logo em seguida ver o Fiesta 2016 sair a toda do posto. Nada de novo! Já passara por coisas piores, pelo menos esses eram tementes a deus e não estavam armados. 

No próximo pedágio, resolveram não tentar furar de novo a cancela automática. "Não força a sorte, Zé". Iam tentar outro golpe, mas, para a surpresa deles, a atendente informou que era possível emitir um boleto para ser pago posteriormente. "Minha mãe vai pagar".

Josué começava a sentir o cansaço de dirigir tanto tempo, mas era o único com carteira no carro e teve de seguir no sacrifício. Extenuados, os colegas já estavam dormindo desde Juiz de Fora e só foram acordar quando Josué encostou já na entrada de Belo Horizonte. "Gente, o carro não quer andar!". Ligaram para a mãe de Josué e após ele ouvir bons sermões sobre falta de responsabilidade e a falta de deus dos amigos, ela indicou o número do seguro para ele entrar em contato e pedir um guincho. 

Desligando o telefone, ela só pode comentar com as irmãs da igreja: "e olha que em tantos anos, eu nunca nem cheguei a dirigir esse carro..."

(por David Emanuel Coelho) 

domingo, 9 de fevereiro de 2020

NÃO HÁ COMO HUMANIZAR O CAPITALISMO. O POVO PRECISA ADQUIRIR CONSCIÊNCIA DO IMPERATIVO DE SUA SUPERAÇÃO!

dalton rosado
COMO ESTÁ SOFRENDO O CARIOCA!
"O próprio José Dirceu acabou de declarar que ganhar eleição é uma coisa, assumir o poder é outra"
(Jair Bolsonaro, sobre o verdadeiro abismo
existente entre o blablablá eleitoreiro
e a  atuação governamental)
O Rio de Janeiro continua lindo, disse Gilberto Gil num belo samba dos idos de 1969 quando muitos brasileiros tinham que se despedir dele por perseguição ideológica. 

Em termos estéticos a natureza resiste; mas, em termos políticos, não estamos muito diferentes disso, por agora.

É que o Rio de Janeiro tem um prefeito que tenta acabar com o carnaval carioca por motivos religiosos e um governador que gostaria de atirar bem na cabecinha de muitos meninos levados ao banditismo porque a sociedade os segrega de modo cruel e brutal. 

A lógica é matar os que não produzem valor e acabar com a alegria (invocando o nome de Deus em vão) como se o carnaval fosse coisa do diabo. 

O controle militar se dá para que os que dele se beneficiam cumulativamente possam desfrutar sua abastança em paz. Trata-se de uma lógica macabra que, a pretexto de proteger os que trabalham, encarniça a perseguição aos que, por exclusão involuntária, não encontram ofertas de emprego e não produzem valo, mas têm de consumir (e, portanto, são encarados como ameaças pelo sistema).

Aparentemente alegre, este samba é de um Gilberto Gil magoado com quem
não o defendera quando estava numa prisão militar nem ousava apoiá-lo no
melancólico exílio londrino ("Pra você que me esqueceu, aquele abraço!")
.
O controle ideológico-religioso se dá por meio da exumação de um fundamentalismo religioso ultrapassado, que teima e ressurgir das catacumbas. As duas vertentes convergem desastrosamente.

Infelizmente, o que há de maravilhoso no Rio de Janeiro se circunscreve apenas às suas belezas naturais (e até essas a ilogia do capitalismo tenta destruir). Mas o povo carioca resiste e, apesar de tudo. o samba de coração continua levantando a poeira do chão.

Quão amargurado deve estar o Sergio Cabral pai, jornalista que resistiu no Pasquim à barbárie militar dos anos de chumbo e era apaixonado pela rica cultura musical brasileira! Pior do que a morte, para ele, deve ser a trajetória antagônica do seu filho, enlameado e conivente com a corrupção crônica de um sistema que é corrupto desde a sua origem na mais-valia (a mãe de todas as corrupções!).  
João Gilberto interpretando o tema composto por Tom e Vinícius para o 
filme Orfeu do Carnaval, que acabaria obtendo grande sucesso em disco
.
Mas considere, Sérgio, que filhos continuam merecendo o carinho dos pais, ainda que tenham deslustrado o nome destes (a necessária reprimenda, no entanto, não deve faltar)..  

As tragédias cariocas governamentais e sistêmicas só fazem aumentar, como se o povo carioca pudesse sempre transcendê-las na Marquês de Sapucaí ou nos festejos mais espontâneos das grandes bandas populares durante o carnaval. Infelizmente, não é assim que a vida real encara a fantasia.

Lembremo-nos do que a bela canção de Tom Jobim e Vinícius de Moraes já dizia: 
"Tristeza não tem fim; felicidade, sim./ A felicidade do pobre parece/ a grande ilusão do carnaval:/ a gente trabalha o ano inteiro/ por um momento de sonho,/ pra fazer a fantasia de rei,/ ou de pirata ou jardineira/ e tudo se acabar na quarta-feira" 
Samba de Wilson Batista que melhor retratou o malandro carioca de outrora (o 
lenço de seda protegia o pescoço das navalhadas rivais) e foi retrucado por
Noel Rosa, desencadeando uma troca de farpas musicais entre ambos
.
Mas depois da 4ª feira de cinzas tudo ao volta ao (a)normal, ou seja:
— o povo é obrigado a consumir a água precária e barrenta, contaminada pela geosmina ou por qualquer resíduo industrial e fecal ; 
— as balas perdidas continuam alojando-se no corpo de inocentes;
— a baía da Guanabara continua recebendo dejetos de lixo e plásticos que envenenam a sua generosa conformação geográfica, tornando-a cada vez mais imprópria para o convívio com os seres vivos;
— o outrora pitoresco malandro carioca (que usava lenço no pescoço, navalha no bolso e tamanco arrastando, tocava samba e vendia o que não era dele para um turista desavisado qualquer), agora acumula riqueza, usa uma metralhador russa contrabandeada, corrompe e vicia adolescentes sem perspectiva de vida que se tornam potenciais assassinos;
— os funcionários públicos aposentados se veem privados do recebimento dos salários após décadas de labuta por força da falência estatal;
Milton Nascimento recriando um tributo prestado por Luiz Antônio em 1958
à Estação Primeira de Mangueira, escola que simboliza a fase romântica e
 eminentemente popular do carnaval carioca (antes da turisticização) 
.
— o sistema de saúde decadente priva de um bom atendimento médico os cariocas, que morrem nas portas dos hospitais e postos de saúde como se estivéssemos em tempo de guerra (ou será que estamos mesmo numa guerra civil não declarada?); 
— o crime organizado, diante de um estado falido, ganha força e impõe seu poderio aos comerciantes e à população, exigindo comportamentos próprios de uma sociedade escravizada;
— morrem incessantemente policiais assinados por bandidos que são assassinados por policiais; 
— pessoas expiram nas construções clandestinas erigidas pelo crime organizado, que desabam como os castelos de cartas do capitalismo, sempre destrutivo e autodestrutivo;
— as tradicionais águas de janeiro, cada vez mais volumosas graças ao aquecimento global, agora provocam destruição em maiores proporções, atingindo principalmente as populações mais pobres, obrigadas a morar em áreas de alto risco;
— os trens suburbanos, cada vez mais lotados e precários, obrigam a população a um transporte diário sufocante, que vem somar-se à exaustão de uma jornada diária de trabalho extenuante;    
— as tímidas taxas brasileiras de recuperação do emprego são ainda menores no Rio de Janeiro.
Depois da quarta-feira de cinzas tudo volta ao normal (e no entanto é
preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar e alegrar a cidade!)
.
Ufa! Vamos ficar por aqui neste alinhavar de tragédias socais cariocas (a maioria das quais não menos graves que as de outras capitais e grandes cidades)... 

Apesar de todas elas, contudo, os governos de direta, de centro e de esquerda se revezam no poder, inevitavelmente se desgastando e sendo substituídos por mais do mesmo sob outra embalagem ideológica (parafraseando a matemática, o rótulo dos fatores não altera o produto).

O governador Wilson Witzel elegeu-se com as mesmas bandeiras do seu congênere federal, o capitão Boçalnaro, o ignaro, um paulista que adotou o Rio de Janeiro como domicílio eleitoral e residencial. O que não impediu Witzel de romper politicamente com seu guru ideológico, numa demonstração inequívoca de crise no topo causada pelas fissuras de um discurso mentiroso cuja falta de solidez o leva a desmanchar-se no ar. 

O povo, induzido a eleger pseudos salvadores da pátria que permanecem a serviço de um sistema que encontrou o seu limite existencial, está convocado, com urgência, a adquirir consciência!
Cabe-nos a tarefa de defendermos e entronizarmos um diferente contrato
social, que traduza os anseios gerais por um novo dia, com o frescor
da mocidade e o compromisso solene com a plena liberdade
.
Mesmo empiricamente, é cada dia mais perceptível a ineficácia da democracia burguesa; a dita cuja não é o antônimo da ditadura burguesa militar, mas o seu congênere de essência constitutiva de base, qual seja a sustentação do capital. 

Não adiantam as promessas vãs do liberalismo econômico.

Não adianta o nacionalismo ultrapassado de patriotas xenófobos.

Não adiante a jactância militarista da disciplina e da ordem para o progresso.

Não adianta o keynesianismo estatista da esquerda que quer (honesta ou falsamente) humanizar o capitalismo.
Não adianta o projeto social-democrata como contraponto ao conservadorismo pretensamente eficiente dos outsiders ilusionistas. 

Cabe-nos a tarefa de defendermos e entronizarmos um novo contrato social, a partir de diferente novo modo de produção, voltado apenas para a satisfação das necessidades (e não a realização do lucro, que deve ser banido das nossas existências).

Só assim o Rio de Janeiro poderá aliar a sua beleza natural à alegria autêntica do seu povo, a partir de uma vida digna e prazerosa no ano inteiro, e não apenas durante o carnaval. (por Dalton Rosado)

domingo, 25 de fevereiro de 2018

INTERVENÇÃO NO RJ É MARCADA POR VIOLAÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS E CRIMES VARIADOS CONTRA A CONSTITUIÇÃO

"A intervenção na segurança pública do Rio é assunto controverso, mas em si um debate de política pública, por mais extrema que seja, e motivo de embate político normal. Mas a conversa agora é outra.

Cabe ao Ministério Público e à Polícia Federal investigar imediatamente o que parece extrapolação das medidas cabíveis em caso de intervenção. Na verdade, trata-se de restrições de direitos possíveis apenas em casos de estado de defesa ou de sítio, extremos que nem foram decretados pelo governo nem aprovados ou autorizados pelo Congresso, agora é necessário dizer. Estão em questão a violação de direitos fundamentais e crimes variados contra a Constituição.

Apenas no estado de sítio pode se obrigar alguém a permanecer em localidade determinada (restringir a liberdade de ir e vir, por extensão) ou restringir a liberdade de imprensa, do que há indícios na atuação das Forças Armadas, que tentavam afastar jornalistas dos locais dessas operações suspeitas.

Na sexta-feira (23), moradores de bairros pobres estariam sendo impedidos de ir e vir caso não se submetessem a serem fichados (fotografados e cadastrados) por soldados. Parece de resto um caso de batida indiscriminada, que desconsidera a presunção de inocência. Os responsáveis pelo sistema de Justiça vão tomar alguma atitude e investigar?

...Qual será o próximo passo? Vai se esperar ainda que se detenham cidadãos em instalações que não a do sistema prisional? Que se viole o sigilo de comunicações, que se faça busca e apreensão em domicílio ou se limite a liberdade de reunião, outras restrições de direitos do estado de sítio, segundo o artigo 139 da Constituição? 

O que o Congresso tem a dizer? 
O Congresso, não os parlamentares ou este e aquele partido apenas. Afinal, as medidas de um estado de sítio deveriam ser acompanhadas e fiscalizadas por uma comissão de cinco parlamentares designada pelo Congresso Nacional (artigo 140 da Constituição). 

No caso de sítio imprevisto, o caso parece mais grave, diga-se com sarcasmo. O que têm a dizer Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Eunício Oliveira, presidente do Senado?"(Vinícius Torres Freire, jornalista)
Estado de sítio é isto que o filme mostra. Já chegamos a tal ponto?

JURISTA ALERTA QUE A IDENTIFICAÇÃO FORÇADA DOS MORADORES DAS FAVELAS CARIOCAS É "INCONSTITUCIONAL E ILEGAL"

"A identificação forçada a que estão sendo submetidos os moradores de favelas do Rio de Janeiro é inconstitucional e ilegal.

Somente poderia ocorrer se as pessoas identificadas na forma de fotografia de rosto e do documento de identificação civil estivessem sendo acusadas de cometimento de crime e apontadas como possíveis autoras, e por autorização judicial.

Não consta que ser pobre e morador de favela ou de determinada região constitua crime.

Os agentes que implementam a intervenção federal devem explicar à sociedade o móvel de tal modo de atuar e o embasamento normativo de sua atuação.

Se as Forças Armadas entendem (...) que há falha no sistema nacional de identificação civil, devem relatar o fato ao Ministério da Justiça, para que providências sejam tomadas...

Cabe, com a urgência necessária, aos profissionais de direito manifestar-se a propósito do que está ocorrendo, protestando para a preservação do Estado Democrático de Direito, e sugerindo medidas a serem tomadas para que se restabeleça, de fato, a lei e a ordem..."(Alfredo Attié, presidente da Academia Paulista de Direito e desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

INTERVENÇÃO NO RJ: COMANDANTE DO EXÉRCITO QUER GARANTIA DE QUE NÃO HAVERÁ APURAÇÃO FUTURA DOS EXCESSOS!

"Na reunião com o Conselho da República, na manhã desta segunda-feira (19), o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse ser necessário dar aos militares 'garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade' no futuro, depois de o presidente Michel Temer informar aos integrantes do encontro da intervenção federal na área de segurança do Rio de Janeiro. 
A referência de Villas Bôas é ao fato de, depois da lei da Anistia, de 1979, ter sido criada Comissão da Verdade, durante o governo Dilma, que investigou casos de tortura e mortes durante o período da ditadura militar".
Mais uma vez a vida imita a arte: até agora a permissão para matar só era concedida oficialmente nas histórias do agente 007.

Oficiosamente (ou seja, por baixo dos panos), os poderosos do mundo inteiro, quando veem ameaçados seus privilégios, quase sempre tiram a coleira dos seus pit bulls e os deixam barbarizar à vontade, garantindo-lhes que não responderão por seus crimes.

As forças repressivas da ditadura de 1964-1985, p. ex., contaram com tal permissão às escâncaras. Só não via quem não queria.
Até a lei foi mudada para evitar que o delegado Sérgio Fleury, tocaieiro de Carlos Marighella, fosse preso por suas matanças anteriores (tinha sido um dos matadores do Esquadrão da Morte paulista).

E do que o general Villas Bôas está se queixando, afinal? A Comissão Nacional da Verdade, abandonada à própria sorte por quem a criou, não conseguiu ir fundo nas investigações nem abrir brecha nenhuma no manto de impunidade que desde 1985 garante sono tranquilo às bestas-feras do regime militar.

Quando penso na CNV, o paralelo que sempre me ocorre é futebolístico: parecia aqueles atacantes franzinos que, quando obrigados a disputar bola dividida com zagueirões de maus bofes, correm para não chegar...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

POR QUE TEMER DECIDIU FAZER AGORA O QUE PODERIA TER FEITO HÁ MUITO TEMPO OU DEIXAR PARA OUTRA OCASIÃO?

Toque do editor
Outros aspectos da intervenção federal no Rio de Janeiro já foram aqui dissecados com muita propriedade pelo David Emanuel de Souza Coelho e pelo Dalton Rosado, então eu pretendia abordar um que tem tudo a ver com meu longínquo passado de comandante de Inteligência da VPR: por que, afinal, o Governo Temer decidiu fazer agora o que já poderia ter feito há muito tempo ou deixar para outra ocasião? 

Desde o primeiro momento me pareceu ser uma decisão determinada pela política e não pela insegurança que era imposta aos cariocas e afugentava os turistas. E, para minha surpresa, encontrei pronto um texto que contém quase ipsis litteris o que eu pretendia escrever. Redigir outro, nestas condições, acabaria sendo um desperdício de tempo.

Daí eu estar publicando abaixo o artigo do já veterano e sempre brilhante colega Marcos Augusto Gonçalves. Dentre todos os que li, foi aquele que melhores respostas deu para algumas questões que me interessavam. Espero que vocês também o apreciem. (por Celso Lungaretti)
TEMER TROCA AGENDA LIBERAL
ESGOTADA POR POPULISMO DE DIREITA
Do blog do MAG
Ao decretar a intervenção que transfere a segurança pública do Estado do Rio para o comando da União e das Forças Armadas, o presidente Michel Temer colocou em segundo plano a agenda econômica liberal, a essa altura esgotada, que o avalizava no plano político.

Em ano eleitoral, o Planalto constatou o fracasso inevitável da prometida e fetichizada reforma da Previdência. Como desse mato não há mais muito o que sair, além da virada ainda lenta do ciclo econômico, resolveu chamar ao proscênio a charanga característica do populismo de direita –que toca música conhecida pelo MDB.

Temer gostaria de candidatar-se à reeleição. Quer pelo menos aumentar o cacife do governismo. Espera melhorar seus baixíssimos índices de popularidade com os efeitos mágicos da intervenção no Rio. Há motivos, de fato, para que parcela considerável da população (a carioca com certeza) apoie a medida drástica.

Mas o tiro político-eleitoral pode sair pela culatra. O Planalto tenta surfar na onda demagógica de Bolsonaro, mas ao fazê-lo abraça  um abacaxi. Enfrentará desafios nada triviais, como revoltas em presídios, união de facções, confrontos e, quem sabe, ataques. 
O que resultará do pulo do gato dado pelo Temer?

Esses problemas vão começar, a partir de agora, a cair na conta do governo. “Não assumiram a parada? Agora resolvam!”

E a insatisfação de setores das Forças Armadas não vai ajudar.

Uma tentativa de aplainar obstáculos seria amenizar o perfil militar da intervenção. O plano está em aberto; nada de concreto foi apresentado.

Algum tipo de controle externo, um conselho, por exemplo, da sociedade civil, poderia, quem sabe, aplacar algumas resistências e reduzir os riscos da aventura. Mas quem dará essa mão? Justo agora, quando tudo se volta para a corrida eleitoral?

O show está apenas começando. (por Marcos Augusto Gonçalves)
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