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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

ESTARÁ MICHELLE BOLSONARO DESTINADA A TORNAR-SE A EVA PERÓN BRASILEIRA?

A vitória de Michelle Bolsonaro contra a articulação PL-PSDB no Ceará dá o que pensar. 

Foi um claro movimento para ela se colocar como a herdeira do bolsonarismo, botando para escanteio Flávio e Carlos Bolsonaro, que haviam acertado a barganha para viabilização da candidatura de Ciro Gomes ao Senado.  

Como Eduardo Bolsonaro se desmoralizou totalmente com suas estrepolias estadunidenses, a candidatura presidencial mais viável da família, neste momento, é a de Michelle.

Faz lembrar a Eva Perón, que não passava de uma atriz de novelas radiofônicas  quando a união com Juan Domingos Perón lhe deu a oportunidade de se tornar a segunda maior liderança política da Argentina. 

Se Evita virou a voz estridente dos descamisados, Michelle tem tudo para se tornar a santa redentora dos evangélicos (embora haja quem a considere apenas uma santinha do pau oco).

Quem chegou a acreditar que o Jair fosse Messias em algo além do sobrenome, crê em qualquer coisa.

Michelle é, provavelmente, o único contraponto à união da direita em torno de Tarcísio Freitas. Os três filhos Patetas do Jair não têm carisma nem base eleitoral própria para competirem com ela. E Papai, no xilindró, pode fazer muito pouco por eles.

Há outra afinidade entre as trajetórias de Eva e Michelle que quem assistiu  ao filme Evita, dirigido por Alan Parker e estrelado pela Madonna, certamente notará. A fita está disponível no streaming da Disney para quem quiser conferir.

Eu sei o que elas duas fizeram em verões passados. 

Registro a semelhança, mas só como curiosidade. Se há algo que eu não sou é preconceituoso...

(por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O DEBATE FINAL MAIS PARECEU UM FILME VELHO E RUIM DA SESSÃO CORUJA

dalton rosado
CANDIDATOS E O PONTO DE UNIDADE
T
odo debate eleitoral na democracia burguesa tem um ponto de unidade: todos devem restringir os seus discursos à governabilidade sob o capitalismo!

Como o capitalismo está entrando na sua fase de limite interno (a saturação da dinâmica da necessária e impossível reprodução aumentada do valor no atual estágio de sua incapacidade de expansão) e externo (os fatores climáticos que alteram a produção e a vida social), o discurso da governabilidade é falso.

Um candidato honesto e conhecedor da disparidade entre receitas fiscais e despesas correntes (aquelas que se constituem em custo fixo) teria de afirmar a ingovernabilidade do Estado é a razão pela qual seu país está cada mais endividado mundo afora  – e, no nosso caso, pagando taxas altas de juros.

Mas, se assim o fizesse, teria cassada a candidatura pelo seu partido; a resultante obvia de tal declaração seria o questionamento sobre o porquê de ter assumido uma candidatura previamente tornada inócua.

Assim, todos os candidatos são forçados a prometer o paraíso na terra. Os que já governaram tentam ressaltar os insuficientes aceertos, supostos ou reais, dos seus governos, omitindo que não alteraram substancialmente a realidade de vida social caótica, com todas as mazelas que conhecemos de cor e salteado.

É graças ao enquadramento prévio sob balizas constitucionais burguesas que o debate televisivo entre candidatos é desfocado da realidade e nele não pode ser abordada (e nem eles querem fazê-lo) a possibilidade de uma existência sob outros parâmetros de produção social e organização jurídico-constitucional de base, sem a verticalidade do poder estatal, que é serviçal da ordem capitalista e, consequentemente, opressor na sua essência constitutiva.

O capitalismo tem uma estrutura de descentralização das esferas de poder estatal entre poderes executivo, legislativo e judiciário que apenas servem ao verdadeiro senhor que é o poder impessoal econômico do capital e sua lógica autotélica (e que beneficia apenas os seus administradores empresariais e os segmentos intermediários da elite gerencial e institucional).

Mas os candidatos, que somente têm tal condição por aceitarem as regras do jogo, e uma vez eleitos devem jurar a constituição burguesa, não podem, evidentemente, sair das quatro linhas demarcatórias da constitucionalidade, ou seja, são aderentes implícitos ao anacronismo de um modelo social exaurido, que clama por um novo tipo de abordagem: a ruptura decorrente do seu ocaso histórico.

Enfim, como o foco deste artigo, na antevéspera do 1º turno, tem de ser uma análise sobre os perfis de cada candidato e seu desempenho no debate levado ao ar em TV aberta, vamos ao que viemos fazer.

Do ponto de vista eleitoral, o debate prejudicou a tentativa de Lula ganhar a eleição ainda neste domingo (2) , embora tal perspectiva continue viva.

Não que ele haja tido um mau desempenho, pois foi até melhor do que seu principal oponente, Boçalnaro, o ignaro. Mas porque, como ele já foi governo e seu partido o exerceu de 2003 a 2016 (quando a Dilma Rousseff foi impichada), o Lula se tornou alvo dos ataques generalizados dos demais candidatos.

Isto deve ter lhe tirado voto que, carreados para qualquer outro candidato, pode representar um decréscimo nas suas de liquidar a fatura no 1º turno. Não sei se isto provocará um 2º turno, mas considero que, neste aspecto, o debate lhe foi desfavorável.
Boçalnaro
mais uma vez demonstrou que os debates, mesmo sendo superficiais e nem sequer roçando nas causas da nossa tragédia, são-lhe desfavoráveis, expondo seu despreparo para o posto que lhe foi outorgado em 2018 pelo capital e seu aparelho governamental estatal.

É por isto que os donos do PIB já admitem que é melhor trocá-lo por alguém mais experiente e confiável como Lula, que governará, como tem afirmado, sob um programa de conciliação de classes próprio à social-democracia  e, como tem sido a tônica do seu partido trabalhista, reproduzindo tudo o que os partidos convencionais fazem mundo afora.

Mas a crise do capital pode levá-lo a um desgaste em 2023/2024, tal como ocorreu com Dilma Rousseff, e o establishment entender que é chegada a hora de o picolé de xuxu assumir o governo por manobra parlamentar e como forma de conter (mesmo que momentaneamente) a insatisfação popular decorrente da inviabilidade social de um sistema decrépito.

Ciro Gomes ficou isolado, ele e seu marqueteiro João Santana estão movido por ressentimentos pessoais e, em que pese a sua verve professoral e conhecimento da máquina administrativa, não teve tempo de discorrer com desenvoltura; aliás, mesmo que o fizesse, não seria entendido por eleitores desacostumados à uma linguagem rebuscada como a dele.

Tudo indica que Ciro vive o seu ocaso, inclusive no seu estado, o Ceará, com a família Ferreira Gomes rachada eleitoralmente e com a perspectiva de eleição de um governador petista. Deve perder pra Lula até no Ceará.

A grande beneficiária eleitoral é Simone Tebet que, de ilustre desconhecida senadora do MS, ganhou protagonismo eleitoral e se habilita para futuras disputas eleitorais, seja em seu estado ou mesmo nacionalmente.
Felipe D’Ávila e Soraya Thronicke, ambos de direita, são aqueles candidatos de uma nota só:
— o primeiro representa o liberalismo clássico ultrapassado do Paulo Guedes e crença no mercado como apanágio de solução para todos os males; e
— a segunda reapresentou a antiga crença em que a questão fiscal (imposto único) possa resolver substancialmente nossos problemas, os quais são estruturais e não pontuais. 

O padre Kelmon, é uma fake em pessoa. Nem mesmo padre ele é, com sua mitra dos sacerdotes da Idade Média. Não passa de um engenho conservador e despreparado do Roberto Jefferson para introduzir no debate um cabo eleitoral do presidente candidato. Uma lástima.

Fico por aqui, pois tive de aguentar com sono e tédio um debate que mais pareceu um filme velho e ruim da Sessão Coruja. (por Dalton Rosado)

NO DEBATE, FALTOU DISCUTIR COMO SOBREVIVERMOS À MORTE DO CAPITALISMO

Num debate que mais
parecia western italiano...
E
mbora o Bozo não passe de um cadáver político à espera do rabecão, será lamentável se a decisão do pleito presidencial não ocorrer neste domingo (2), pois ele continuará por mais quatro semanas plantando o caos e colhendo a violência cega.

Vai perder e ser expelido da política brasileira da mesmíssima forma, contudo outros fanáticos desmiolados sairão matando vizinhos com as armas que agora podem adquirir sem nenhuma comprovação de discernimento e equilíbrio emocional para sua utilização.

Neste sentido, o debate final desta turbulenta e medíocre campanha eleitoral pode ter contribuído para manter em cartaz um espetáculo que enoja e deprime os brasileiros dotados de um mínimo de espírito crítico.

Isto porque o Bozo, secundado por um pistoleiro de aluguel surgido do nada, executou fielmente o script dos seus marqueteiros: repetiu as habituais acusações levianas e insultos estridentes ao Lula, para que o debate virasse um  mero bate-boca e ambos perdessem votos.

Colocado numa sinuca de bico, Lula teve de responder à altura, pois seria péssimo para sua imagem se parecesse ter sido calado por tal nulidade.

Evidentemente, o palhaço sinistro, com seu carioquês cínico, sua crassa ignorância dos fundamentos da vida civilizada e seu prontuário genocida acabará sofrendo prejuízo maior do que o Lula e a diferença entre eles deve até aumentar.
...este era o Bom (de lábia)...

Mas, a tendência é que o desgaste mútuo acabe beneficiando os outros candidatos que, por comparação, ficaram parecendo mais equilibrados e sensatos, principalmente a Simone Tebet.

Assim, os que já não disputavam a vitória, apenas buscando acumular capital político para futuras eleições ou para valorizar o seu apoio a um que disputar o 2º turno (se houver), poderão crescer o suficiente para que Lula não atinja 50% mais 1 dos votos válidos. É uma das esperanças do motoqueiro fantasma.

A outra, detetada nas pesquisas: que as abstenções no campo lulista sejam elevadas.  

Mas, permanece a esperança de que, após três anos e nove meses tão catastróficos e de uma campanha eleitoral tão enfadonha (e, ao mesmo tempo, ameaçadora), os brasileiros tomem a sábia decisão de livrar-se o quanto antes do presidente demente.

Na disputa pelo terceiro lugar, Tebet deve ter-se colocado alguns pontos na frente de Ciro Gomes, que sofre as consequências de sua péssima opção inicial: resolveu tentar ocupar um espaço entre a extrema-direita e a esquerda domesticada, quando seu temperamento, seu estilo e sua história o aconselhavam a lançar-se como representante da esquerda combativa (ou seja, seu lugar era à esquerda do Lula, e não num espaço intermediário entre o reformista e o fascista).  
...este, o Mau como um picapau...

Seu intempestivo ataque de abertura ao Lula foi bem rechaçado e Ciro perdeu o rebolado, tornando-se um coadjuvante inexpressivo durante o restante do debate. Afora ter se omitido repulsivamente quando o provocador fantasiado de sacerdote dizia cobras e lagartos sobre os universitários de esquerda.

Ciro não falou uma palavra em defesa deles e os que disso se lembrarem nunca ouvirão nenhuma outra palavra saída de sua boca. Como também não tem futuro junto à direita, condenou-se ao limbo político.

Que há para se dizer sobre os dois outros candidatos, que não passarão de 1% dos votos no domingo (nas intenções, Soraya Thronicke está com 1% e Felipe D'Avila com traço)? Apenas que os telespectadores devem ter gostado de suas intervenções, por serem as necessárias pausas para ir no banheiro ou esquentar um cafezinho. 

E, quanto à relevante dúvida sobre se o padre Fakelmon deve ou não ir para o inferno, creio que nem o diabo aguentaria tanta chatice. 
 
Finalmente: o grande ganhador do debate e desde já vencedor da eleição é o capitalismo, pois conseguiu fazer as coisas de tal forma que, mesmo estando cada vez mais disfuncional, já nos estertores, ainda assim conseguiu manter totalmente afastados quaisquer questionamentos de sua perpetuação parasitária e destrutiva. 
...e este, o Feio por fora e por dentro.

Não consegue mais oferecer qualidade de vida minimamente aceitável para a maioria dos seres humanos do planeta, torna-se cada vez mais autoritário e ameaça extinguir a nossa espécie com a destruição ambiental desembestada que não consegue deter nem reverter.

E, como isto ficou completamente de fora do debate, este acabou parecendo mais o baile da Ilha Fiscal. 

Com a agravante de não sabermos o que virá depois da queda do império, pois nenhuma das sete candidaturas presentes mostrou ter resposta para a dúvida crucial: como fazermos para a morte do capitalismo não representar também o fim da humanidade? (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

ADEUS, PASSADO VELHO! FELIZ PASSADO NOVO! – 1

Fui candidato à prefeitura de Fortaleza em 1988, apoiado pela prefeita Maria Luíza e tendo o Ciro Gomes como adversário. Considero tal episódio uma mancha no meu currículo.

Não precisaria haver passado por tal experiência para saber que estava legitimando a inescapável opressão inerente à função do Estado; pode-se saber que o fogo queima sem ir queimar as mãos na chama.

Mas, se houve algo de positivo na minha experiência como secretário de finanças da administração popular de Fortaleza, foi a dúvida que ali se iniciou (e posteriormente se comprovou) da disfunção revolucionária que isto representa perante o imaginário popular; e, portanto, de que nunca deveria ter assumido tal função.

Em 1986 os prefeitos das capitais voltaram a ser escolhidos pelo voto (até então o ditador militar os indicava e os governadores os nomeavam), daí terem sido realizadas eleições para o cumprimento de mandatos-tampões até 1988, no sentido de ajustar o calendário eleitoral.  

Mas, as capitais ainda não contavam com autonomia financeira fiscal, que só viria com a promulgação da Constituição de outubro/1988. O triênio 1986/1988 foi, portanto, um período muito difícil para os administradores provisórios das finanças municipais, como era meu caso.

O problema era agravado pelo fato de Fortaleza ser a primeira administração de uma capital brasileira por parte do PT, daí decorrendo que:
— não dispúnhamos de vereadores petistas. 
— só em 1987 passamos a contar com dois deputados estaduais, em meio a 46 parlamentares;
— não havia nenhum deputado federal do PT no Ceará.

Mesmo assim, nosso grupo fez oposição cerrada ao presidente achado (só o foi por causa da morte de Tancredo Neves às vésperas da posse) José Sarney. 

O antigo presidente do PDS, partido da ditadura, num passe de mágica havia herdado a faixa presidencial, governando pelo PMDB, um partido criado pela ditadura para ser oposição de mentirinha (são coisas que só acontecem nesta terra brasilis...). E depois virou aliado do PT, na política de conciliação de classes então adotada. 

Foi, aliás, por conta de tal política de promiscuidade com os inimigos estratégicos que: 
— a Maria Luíza, eu e outros companheiros fomos expulsos do PT;
— sofremos oposição do PC do B (por força da opção conciliadora por ele adotada desde os primeiros anos da redemocratização) e do próprio PT, na medida em que nos diferenciávamos na linha programática e discordávamos da ajuda financeira ao partido e aos seus candidatos, um óbvio ovo da serpente da corrupção;
— sofremos a mais virulenta oposição e boicote empresarial da direita, que queria demonstrar a inviabilidade administrativa de um projeto revolucionário por dentro da administração pública (e nem precisavam de tanto ódio e esforço, porque a própria realidade conspirava contra nós, tanto que eles próprios não conseguem administrar bem o inadministrável aparelho de Estado capitalista, no sentido de prover suficientemente as demandas públicas básicas).

Mas, mesmo assim:
— conseguimos equilibrar as finanças públicas num padrão de receitas/despesas razoavelmente compatíveis (até porque a nós não era permitido nos endividarmos, o que nos obrigava a pagar rigorosamente o tal serviço da dívida impagável que herdamos das administrações anteriores);
— elaboramos um sem número de projetos sociais que ficaram engavetados até a posse do novo prefeito, só então sendo liberados. Isto permitiu que Ciro Gomes, aliado dos governos federal e estadual, se tornasse, em apenas um ano, o melhor prefeito do Brasil, laurea que o catapultou para em seguida eleger-se governador do Ceará, tornando-se personagem importante da política nacional;
— mantivemo-nos fieis às nossas bandeiras revolucionárias, ainda que num espaço de poder municipal e sob condições tais que mais parecia tratar-se de um suicídio eleitoral desassistido;

Involuntariamente, prestamos um serviço ao capitalismo ao equilibrar as finanças públicas municipais, e nos restou a lição e compreensão sobre tal impropriedade.

O capital expulsa os revolucionários do seu aparelho de estado assim que pode, como se fosse um vírus no interior daquele ente político dedicado basicamente a perpetuar a opressão.

Agora, quando assisto enfastiado ao debate político-eleitoral, é como estar revendo um filme velho e ruim, daqueles tão mentirosos que não são nem ficção, nem realismo fantástico, mas simplesmente um espetáculo farsesco com roteiro pobre e interpretação a cargo de canastrões sem brilho.

Os candidatos não estão desconectados da realidade em si (de vez que denunciam as mazelas não resolvidas pelo Estado), mas sim do nexo causal dos problemas. 

Nenhum deles denuncia ou alude à causa maior, a obsolescência do capitalismo, atribuindo sempre o fracasso a questiúnculas administrativas. 

Não podem nem querem admitir que o regime da exploração do homem pelo homem sempre foi ruim, tendo agora passado a ser inviável. E isto por estarem presos os padrões sistêmicos pelos quais pretendem se eleger. Afinal, não se deve cuspir no prato que se come!

Os estados nacionais estão falidos justamente porque o capitalismo atingiu o seu crepúsculo existencial após cumprir o itinerário histórico iluminista de nascimento e vida, ora encaminhando-se para a morte histórica, mas não sem antes tentar nos levar para o abismo de uma hecatombe nuclear ou ecológica, como resultante de sua insanidade.

A debacle atual não advém de questões meramente administravas e constitucionais burguesas, ou do antagonismo entre decrépitas ditaduras militaristas e sanguinárias em oposição a democracias burguesas sociais-democratas bem-intencionadas e sensíveis do ponto de vista humano, mas equivocadas.

O verdadeiro foco das nossas mazelas sociais é um modo de relação social subtrativo da riqueza material coletivamente produzida, graças à mediação social feita pela riqueza abstrata.

Dizia Marx que o inferno está cheio de gente bem-intencionada! (por Dalton Rosado – continua neste post)

terça-feira, 6 de setembro de 2022

PRESIDENCIÁVEIS PASSAM LONGE DAS SOLUÇÕES ESTRUTURAIS NECESSÁRIAS

dalton rosado
O DESESPERO SOCIAL (uma breve análise eleitoral)
Fico a me perguntar o que levou 57,8 milhões de brasileiros, correspondentes a 39,3% de um eleitorado total de 147,3 milhões de cidadãos aptos a votar em 2018, a tornarem presidente um candidato com as características grotescas e aberrantes do Boçalnaro, o ignaro, por ele anunciadas e alardeadas, sem o menor pejo, como capazes de proporcionar um governo redentor?

O que leva hoje a mesma população, após o desmascaramento das suas falácias de campanha e da derrocada flagrante do seu (des)governo genocida, ainda pretender desperdiçar com ele, segundo os institutos de pesquisa mais confiáveis, cerca de 32% dos votos válidos?

A resposta não pode ser outra além do desespero social inconsciente que busca soluções milagrosas com falsos profetas e ainda acredita num prepotente e autoritário bravateiro de quinta categoria como salvador da pátria.

A realidade é que temos uma vida social na qual se constata:
— baixo nível de renda per capita para a grande maioria da população, calculado em R$ 1.353,00 no ano de 2020, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE;
— um grau de violência tal que morrem cerca de 60 mi pessoas assassinadas por ano (a maioria pretos e pobres);
— um verdadeiro colapso do sistema prisional, policial e jurídico processual criminal, que se mostra incapaz de administrar e conter tamanha avalanche de produção social de criminosos de colarinho sujo e muitos outros de colarinho branco;
— um aumento dia após dia do poder do crime organizado, seja nos confins da Amazônia, seja nos subúrbios das grandes metrópoles cindidas socialmente por acentuada desigualdade social;
— um colapso no sistema de saúde, de vez que o SUS, apesar de bem intencionado, não tem recursos para atendimentos médico-cirúrgicos mais complexo;
— a impossibilidade de a prole da população da periferia estudar senão em escolas públicas, com as deficiências que todos conhecemos (mas com a melancólica vantagem de proporcionar àquelas crianças seu único alimento no dia);
— a reentrada do Brasil no mapa da fome mundial, mesmo sendo grande exportador de alimentos para o mundo;
— um número absurdo de favelas nas quais inexiste uma mínima infraestrutura urbana (água, luz, esgotamento sanitário, ruas pavimentadas, etc.);
— um nível de analfabetismo em torno de 6,6% da população, ou 11 milhões de analfabetos totalmente incapazes de ler e escrever, afora os analfabetos funcionais que não sabem interpretar um texto ou escrever sem erros crassos;
— um universo de cerca de 10,1 milhões de desempregados aptos ao trabalho; 4,3 m milhões de desalentados (os que já não procuram empregos) e 21,1% de subutilizados, segundo o IBGE;
— uma inflação acumulada de 10,7% nos últimos 12 meses (IGPm), a corroer os já insuficientes ganhos dos assalariados;
— uma cultura de valores morais deturpados, na qual prepondera como virtude o conceito da esperteza (individual ou empresarial) em enganar os outros para obter vantagens pecuniárias e ser respeitado como vencedor da guerra pela sobrevivência.

Ouvi ainda hoje, de uma mulher doce, digna e profissionalmente virtuosa na modéstia dos sua profissão, a informação de que estava fazendo um grande esforço de compreensão sobre o significado de sua vida, por não sentir-se enquadrada nos padrões sociais estabelecidos.

Tal mulher, que tem 47 anos, perdeu em 2020 um filho maravilhoso, músico que fazia um
bico como motorista de aplicativo para ajudar no orçamento doméstico e foi assassinado a tiros por milicianos ao entrar numa região da periferia de Fortaleza.

Num esforço pessoal de superação do trauma sofrido, disse-me que, se voltasse a ser jovem, não teria mais nenhum filho, para evitar o desgosto de vê-lo smsthsnfo as injustiças desse Brasil que aí está.

Por que temos que aceitar passivamente eleições que (embora alardeadas como salvadoras, democráticas e antídotos ao totalitarismo despótico) apenas reproduzem um modelo de mediação político, econômico e social com todas as distorções acima alinhavadas?

Quando vemos os discursos eleitorais de anos anteriores, identificamos a semelhança com os atuais, já que todos os candidatos prometem soluções milagrosas para nossos trágicos problemas os quais, por serem estruturais, requerem, isto sim, soluções estruturais.

Constatamos que os discursos falaciosos daqueles que pregavam o novo (caso do farsante que falava mal dos políticos, mesmo sendo um deles havia três décadas) evidenciaram-se como miseravelmente falsos.

Boçalnaro, com total desfaçatez, reconhece agora que sempre pertenceu ao segmento político e, pior, como medíocre integrante dq faixa podre deste segmento, o centrão (que sempre existiu e governa o orçamento fiscal brasileiro desde os tempos do Congresso Imperial, ou seja, tem idade maior até  que os 200 anos da independência ora comemorada.

Lula
, que qualificou a crise do subprime de 2008/2009 de mera marolinha, viu, impotente, o tsunami da crise do capitalismo (que defende intransigentemente, como eterno advogado dos trabalhadores submissos ao capital e sem o menor interesse em superar tal condição) consumir o governo da sua pupila Dilma Rousseff.  

Agora, faz questão de eximir-se das responsabilidades por tal debacle, como se o seu partido não tivesse nada a ver com o que aconteceu. Recusa-se até mesmo a fazer autocrítica por ele e o PT terem entragado, numa bandeja, as rédeas da política econômica a um neoliberal de segundo ou terceiro escalão. .

Ciro Gomes vende o Ceará para o Brasil como se fosse o paraíso na terra, mas omite que quem lidera as eleições no seu Estado é o capitão Wagner, um militar inexperiente, metido a político esperto e oportunista, que agora tenta desvincular sua imagem da do seu ídolo fracassado, ainda que, tanto quanto o Boçalnaro, surfe no desespero de uma população aflita, que acredita na força das armas para a contenção de problemas sociais insolúveis sob a perspectiva capitalista em fim de feira.

O presidenciável pedetista já foi tudo em termos partidários, mas trabalhista ele não é, pelo menos na acepção do seu partido. Apesar de sua retórica empolada, que mistura populismo com juridiquês que o povo não entende, nada é além de mais do mesmo, ou seja, um proponente da solução dos nossos problemas estruturais como se fossem questões meramente administrativas, fáceis de resolver.
 
Como o povo diz aqui no Nordeste, "nós estamos mesmo é precisando de uma outra lavagem de roupa". (por Dalton Rosado) 

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

POR SER DESPOLITIZANTE E REACIONÁRIA, A ESTRATÉGIA DO LULA FAVORECE O BOZO

david emanuel coelho
POR QUE NÃO VOTAREI NO LULA
EM NENHUM DOS DOIS TURNOS?
"
Se o Lula for um candidato de esquerda, a gente desconhece o que seja a esquerda no Brasil e no
mundo"(Vera Lúcia, presidenciável do PSTU)
O melhor caminho para combater um chantagista é não se dobrar às suas chantagens. 

O lulopetismo tornou-se chantagista desde o mensalão, quando ficou claro que não havia mais qualquer programa capaz de distingui-lo dos demais partidos da ordem burguesa brasileira. 

O escândalo de 2005 não foi apenas um ato de falta de ética, mas também expressou a completa rendição do PT ao fisiologismo do Congresso Nacional: quem havia sido eleito com a promessa de mudar as práticas políticas, abertamente se adequava a elas.

E nem sequer por bons motivos era, pois a rendição ocorreu para aprovar medidas neoliberais que custaram direitos trabalhistas e reforçaram o poder dos oligopólios burgueses. 

Tornando-se mais do mesmo, o lulopetismo ficou sem condições de se viabilizar junto às massas trabalhadoras. Começou aí sua derrocada junto aos trabalhadores organizados e consequente deslocamento de sua base para as massas pauperizadas. 

O assistencialismo substituiu a política operária enquanto a própria indústria decaía nas metrópoles e o papel das commodities crescia exponencialmente. 
"O lulopetismo joga no mesmo campo do bolsonarismo"

Sem ter programa, ao PT restou a política da chantagem: cada eleição passou a ser uma disputa para evitar a ascensão ou retorno do atraso. 

O PSDB foi empurrado para a direita, com seus candidatos sucessivamente vilanizados, pouco importando que no fim os dois partidos fizessem a mesma coisa quando no poder. 

Enquanto persistia o ciclo de crescimento da economia mundial, com dólares inundando o país, era possível camuflar a precariedade na qual o lulopetismo estava assentado. A onda de consumo e a relativa melhora da renda favoreceram Lula em seu segundo mandato, criando a aura que o acompanha até hoje. 

No entanto, a crise capitalista de 2008 foi-se fazendo sentir no país até que, na década passada, nova mudança qualitativa se tornou obrigatória. As contradições acumuladas irromperam e o vazio programático do lulopetismo ficou manifesto. 

Após o mensalão, as manifestações de 2013 foram seu segundo grande encontro com a verdade. Se em 2005 ficara configurada a adesão do PT ao fisiologismo, a partir de 2011 foi se evidenciando cada vez mais seu posicionamento reacionário, de inteira submissão ao capital. 

Junho de 2013 significou para o PT o batismo de fogo de um partido clara e abertamente contra-revolucionário, compromissado até a medula com a ordem capitalista nos moldes subalternos e coloniais ainda presentes no Brasil. 

Tendo ajudado a sufocar a rebelião daquele ano, o petismo compromissou-se ainda mais com as forças do atraso, as mesmas que depois iriam derruba-lo do poder em 2016.
Qual o lado escolhido pelo PT em 2013? Adivinhem...

Sua postura diante daquela explosão social serviu também para alavancar a atuação da extrema-direita, que se tornou soberana nas ruas e usurpadora da insatisfação popular. O bolsonarismo nasceu aí, não sendo exagero afirmar que o lulopetismo teve papel predominante em sua gênese. 

Bolsonaro surfou no inconformismo das massas, na derrocada do sistema político falido. Enquanto o lulopetismo havia se amalgamado com o atraso, o atual presidente passou a atacar o stablishment mediante o chavão genérico – mas nem por isso menos efetivo  de que era preciso acabar com tudo isso que tá aí

Ao se vender como um (falso) outsider, Bolsonaro colocava-se como o grande vingador, o homem que combateria incansavelmente as forças dominantes, agora também identificadas com o petismo e a esquerda em geral graças exatamente às metafomorfoses operadas pelo PT em 2005 e 2013.

Com isto, inverteu-se a lógica. A extrema-direita virou rebelde, revolucionária; e a esquerda se tornou conservadora, amiga da ordem. A ascensão do bolsonarismo em 2018 é uma exata expressão disto; e a estratégia cretina e absolutamente criminosa do Lula e da cúpula do partido em fingir uma candidatura-fantasma, torpedeando Ciro Gomes, só fez agravar o quadro. 

Bolsonaro jamais abandonou o personagem. Continuou posando de rebelde e de adversário do status quo, mas remodulando o discurso após ter ficado claro sua igual sujeição ao fisiologismo e aos capitalistas. 
"Era preciso criar nova história de confrontos"

Era preciso criar uma nova história de confrontos, daí seus alvos terem passado a ser o STF, o TSE, a medicina, a ciência. No lugar das forças do atraso, antes hipocritamente denunciadas, agora a culpa pelas agruras do povo estaria na obrigatoriedade do uso de máscaras, na imposição de vacinas, na restrição ao movimento nas cidades, na suposta conspiração para roubar o seu voto, etc. 

Tais encenações mistificadoras são essenciais para Bolsonaro fazer sentido no seu papel de vingador, de outsider, mesmo não o sendo. 

O resultado no entanto não poderia ser pior, pois graças à estratégia política do presidente, mais de 1 milhão de brasileiros morreram, num ato gritantemente genocida, à medida que envolveu método para aumentar a contaminação por uma doença que ele sabia ser mortífera. 

E o PT nisto? O partido não poderia estar mais feliz, pois passou a ter o melhor dos espantalhos. Se antes precisava vilanizar os tucanos, agora o discurso era ocioso, pois estavam diante de um vilão autêntico, um alucinado insensível à dor alheia e absolutamente despreparado. Por isso, fez de tudo para empurrar Bolsonaro até as eleições deste ano, a fim de bater em cachorro morto. 

Na realidade, o confronto com Bolsonaro serve ao petismo para camuflar sua falta de programa, seu caráter reacionário e corrupto. Diante do atual presidente, nenhum tema relevante será aprofundado e o debate vai permanecer proscrito em nome do retorno à civilidade. 

Dito de outro modo, o lulopetismo consegue um cheque em branco graças ao seu principal concorrente ser um sujeito absurdamente desqualificado e assim Lula pode ir à TV mentir e vender apenas a si mesmo. Não há debate, há apenas mesmerização do santo salvador. 
Sem papas na língua, Ciro Gomes bate forte na guinada
conservadora do Lula: "Ele se lambuzou no poder".

Ciro Gomes foi o único entre os concorrentes minimamente viáveis que tentou sair deste buraco trazendo um debate racional e programático, sendo, por isso mesmo, torpedeado pelo lulopetismo e amiúde ridicularizado pela militância do PT. 

A rigor, o lulopetismo joga no mesmo campo do bolsonarismo, o da irracionalidade, da substituição do debate pelo apelo emocional e o do ocultamento dos programas. 

Digo os programas de fato, e não as ficções escritas para os ingleses do TSE verem, pois o programa petista é neoliberal e segue a mesma lógica do bolsonarismo – apenas com alguns desvios para mais ou para menos aqui e ali , mas isto é escamoteado do povo pela exploração maciva da imagem redentora do milagreiro de Guaranhuns. 

Pior para nós, pior para o Brasil, pois num contexto de crise acelerada do capitalismo, de divisões crescentes no mundo inteiro, com o fenomeno da desglobalização avançando, e mesmo com o risco de uma nova guerra mundial, não debater os programas, não ter clareza sobre o que será feito, é o caminho mais propício para o desastre. 

A despolitização que tem sido a marca do lulopetismo enquanto estratégia para ocultar sua falta de programa, sua natureza reacionária e antipopular já nos legou o bolsonarismo e pode nos legar algo ainda pior no futuro. 

Por isso, não pretendo dar meu voto a Lula nem sequer num eventual 2º turno. Posso ser acusado de estar favorecendo Bolsonaro, mas tal acusação só faz sentido quando consideramos a política como algo existente apenas a cada quatro anos, na hora do voto, e não enquanto um processo histórico. 

Quando encaramos a política em sua processualidade, é possível constatar que quem realmente favorece Bolsonaro é o lulopetismo com sua estratégia despolitizante e reacionária. Não votar em Lula é dar um grito de sanidade e lucidez contra o rebaixamento político em curso no país.
(por David Emanuel Coelho) 

SE O BOZO FOR NO PRÓXIMO DEBATE, NÃO ESQUEÇAM DE TIRAR AS CRIANÇAS DA SALA

O primeiro debate dos candidatos de 2022 à presidência da República teve o previsível: azarões mascateando fórmulas mágicas que não têm como dar certo, um palhaço sinistro exalando ódio por todos os poros e uma Alice populista pretendendo nos levar de volta àquele país das maravilhas  que ela diz ter sido o Brasil de duas décadas atrás. 

Só que não foi e certamente não tem chance nenhuma de vir a sê-lo agora, já que a agonia do capitalismo avançou muito desde então e o Brasil vem sendo sistematicamente destruído há quase quatro anos. 

Destaque para o Bozo, que acabou sendo o mais autêntico dos seis: os marqueteiros orientaram-no a suavizar sua imagem de bicho papão, mas, como sempre, ele perdeu o autocontrole e mostrou sua face monstruosa, tornando-se mais odioso ainda aos olhos das mulheres, dos pobres, dos civilizados, dos cidadãos pacíficos, dos verdadeiros cristãos, etc. Foi lá para ganhar votos e, decerto, os perdeu aos montes.
Os outros cinco coincidiram em repudiar a polarização e a bestialidade desembestada, pois se trata de um sentimento que já está nas ruas. Saturou. A maioria dos brasileiros não aguenta mais tanta violência cega.

Lula, com um desempenho inferior ao esperado, pelo menos foi suficientemente esperto para ficar longe da encrenca. 

Preferiu jogar na retranca, impingindo aos telespectadores uma verdadeira overdose de elogios em boca própria e evitando responder na mesma medida às grosserias do genocida. Deixou que o energúmeno cavasse sozinho a própria cova política.

Lembro-me de um tempo em que nos perguntávamos: "O novo, onde está o novo?". Decididamente. nesse encontro ele não estava. (por Celso Lungaretti)  

domingo, 28 de agosto de 2022

HOJE SE VERÁ QUE O BOZO CONTINUA RUIM DE DEBATES. NOVA FACADA A CAMINHO?

No primeiro debate eleitoral do qual o Bozo participou na campanha presidencial de 2018, não conseguiu dar resposta satisfatória ao Guilherme Boulos, quando este lhe cobrou explicações sobre a funcionária-fantasma que havia uns 15 anos passava por ser sua assessora parlamentar em Brasília. 

Na verdade, a Val do Açaí era paga pelo erário para tomar conta da casa de veraneio que o palhaço sinistro possuía em Angra dos Reis (RJ) e dos cachorros que nela mantinha. 

No segundo debate, o Bozo foi quase nocauteado pela Marina Silva que, autêntica evangélica, testou seus conhecimentos sobre a religião que ele fingia professar para fins meramente eleitoreiros. Teve de segurar-se nas cordas do ringue para não desabar no chão.

Não houve terceiro debate, pois foi providenciado um pretexto para ele fugir da raia, na forma de uma facada cenográfica com lâmina retrátil, episódio sobre o qual nenhuma investigação isenta e transparente foi permitida pelas autoridades, mas tinha uma infinidade de pontos dúbios, contradições e incoerências.

Agora, apavorado por haver tido desempenho em tudo inferior ao do Lula nas sabatinas do
Jornal Nacional, ele aceitou o conselho asnático dos responsáveis por sua campanha: vai participar na noite deste domingo (28) de um debate com Lula, Ciro Gomes, Simone Tebet e dois figurantes.

Não há a mais remota possibilidade de ele sair-se melhor do que o Lula, que há muito o escolheu como o adversário mais fácil de derrotar na presente eleição e tudo fez para esvaziar os esforços oposicionistas no sentido de impichá-lo.

Lula já participou de um sem-número de debates similares. Só travou e teve péssimo desempenho no do 2º turno de 1989, contra Fernando Collor, quando começou visivelmente intimidado e passou o tempo todo na defensiva.

Especulou-se então que sua saia justa talvez se devesse a estar enfrentando um típico rebento da elite, formado em economia pela Universidade Federal de Brasilia, pois naquele tempo o Lula ainda se ressentia por possuir pouca educação formal.

Outra hipótese era a de que ele pisava em ovos por estar sabendo que a campanha do adversário levantara mais informações melindrosas sobre a sua vida particular afora aquela bombástica revelação de que ele não só engravidara uma amante como havia tentado convencê-la a abortar, além de haver escondido da opinião pública tal infidelidade conjugal e consequente paternidade durante anos a fio.
Desde então, contudo, o Lula adquiriu mais casca grossa e jogo de cintura para lidar com tais situações. E, no confronto com o genocida, ele saberá estar duelando com um indivíduo inferior a ele em tudo, o que o deverá deixar inteiramente à vontade. 

Minha única dúvida é: se ambos realmente comparecerem ao debate e o celerado for detonado como tudo leva a crer que vai ser, existirá algum plano B pronto para ser acionado em seguida, como em 2018?

Aguardemos os próximos e entediantes capítulos. (por Celso Lungaretti)

sábado, 13 de agosto de 2022

HADDAD QUER REPETIR AS CARAVANAS ELEITORAIS DO LULA. CADÊ O CARISMA?!

Haddad: só funcionou bem como poste
em 2012, mas perdeu em 2016 e 2018
E
stá no  noticiário que Fernando Haddad, candidato a perder também a eleição para governador de São Paulo,  tentará repetir as caravanas eleitorais do Lula, viajando por municípios do interior que costumam não constar da relação dos redutos eleitorais priorizados. 

Os marqueteiros tiveram esta brilhante ideia ao constatarem, mediante sondagens internas, que os eleitores paulistas se lembravam mais do Haddad como derrotado no pleito presidencial de 2018 do que como ex-prefeito de São Paulo (2013/2016) .

Deveriam estar espocando champanhes, pois quem se recorda dele como burgomestre paulistano foi exatamente quem lhe negou a reeleição: Haddad é caso único de prefeito que, na vez seguinte não chegou sequer ao 2º turno, pois João Doria liquidou a fatura logo na primeira rodada.

O motivo foram duas medidas do politicamente correto Haddad que irritaram profundamente eleitores paulistanos que não moram na Vila Madalena:
1. impôs um limite de velocidade ridicuolamente baixo nos trechos das rodovias que entravam na cidade ou dela saíam, o que criou um verdadeiro pandemônio. Nunca vi tanto acidente nesses trechos como naquela época. Caminhoneiros e motoristas conhecedores de onde existiam os radares reduziam  a velocidade quando iam passar por eles, mas logo em seguida enterravam o pé no acelerador, surpreendendo os que desconheciam tal detalhe.  E, claro, também o faziam quando estavam deixando o trecho paulistano. Isto, mais os congestionamentos terríveis das marginais na hora do rush ou quando ocorria acidente, reduziu a cinzas o filme do Haddad;
Boulos tinha energia e carisma para
vencer; Lula preferiu um borocochô
 
 
2
implantou faixas exclusivas para ciclistas em avenidas e ruas de intenso movimento, sem levar em conta que a imensa São Paulo tem área mais de seis vezes maior que a da diminuta Amsterdam. E essas faixas geralmente só serviam para algo nos fins de semana e feriados. Em dias úteis passava 1 bicicleta a cada 5 minutos (pelo menos era a impressão que eu tinha enquanto ficava mofando na pista comum abarrotada de automóveis avançando com rapidez de lesmas...).

Haddad foi um dos fatores importantes para a vitória do horroroso Bozo na trágica eleição de 2018, pois, com zero de carisma, impressionava muito menos os eleitores despotizados do que o bufão estridente.    

Tenho absoluta certeza de que, com Ciro Gomes ou Guilherme Boulos como candidato, a chance de vitória antifascista teria sido muito maior. Mas o Lula, embriagado com seu êxito em impingir os postes Dilma Rousseff e o próprio Haddad, em 2010 e 2012 respectivamente, acreditou que pudesse repetir a mágica e o resultado foi... genocida no poder.

Incrivelmente, o dono do PT vai bisar o fracasso agora, quando poderia ter feito uma aposta muito mais segura com o Boulos. 

Já o Ciro Gomes, inconformado com a puxada de tapete que levou do Lula em 2018, não fará mais alianças com o petismo enquanto o jenio reformista der as cartas. (por Celso Lungaretti) 
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