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terça-feira, 12 de maio de 2026

O DONO DA BOI GORDO ERA UM SELF SHIT MAN DO CAPITALISMO. O BOZO, UM SERIAL KILLER. OS POLÍTICOS, SONS OF BITCHES.

Outra prova de que o Brasil não é um país sério

Rui Martins, meu amigo de longa data e colaborador deste blog desde o seu início em 2008, bateu pesado (vide aqui) no Paulo Roberto de Andrade, criador e dono das Fazendas Reunidas Boi Gordo,  cuja falência foi decretada oficialmente em 2004.

Está certo o Rui quanto à necessidade de se punir quem aplica golpes no mercado, mas o Brasil está diminuindo a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, com sua sabotagem vacinal, acrescentou no mínimo três centenas de milhares de óbitos ao número de mortos pela covid. 

O pilantra Andrade deveria passar alguns anos na prisão. O serial killer Bolsonaro merecia ficar o resto da vida a pão e água num cárcere medieval. País que quebra o galho de um exterminador desses decididamente não é um país sério, como Charles De Gaulle disse ou levou a fama de haver dito. 

Tenho mais desprezo pelos políticos profissionais, que roubam sem correr riscos, do que pelos bandidos, cujo ofício embute o perigo de serem mortos. O golpe da amenização das penas da dosimetria, um absurdo gerado no Congresso, está aí para mostrar como a corja da politicagem age com o máximo de fisiologismo para proteger seus pares, ainda que de outros partidos.

Quanto à Boi Gordo, era cliente de uma agência de comunicação empresarial na qual trabalhei. Depois soubemos que Andrade havia cumprido pena de prisão num passado distante. 

.Seu negocio era vender bezerros para os investidores, cuja grana era devolvida, se bem me lembro, um ano e meio depois, acrescida da maior parte do valor obtido com a engorda. 

Tratava-se de  uma pirâmide: o dinheiro utilizado para pagar os clientes cuja engorda se encerrava saía dos novos contratos vendidos pela Boi Gordo.

Andrade percebeu que o esquema batera no teto e os novos contratos não seriam mais suficientes para reembolsar os clientes velhos. Então, tentou salvar a empresa comprando uma megafazenda no Mato Grosso, onde venderia lotes de terra e a Boi Gordo se incumbiria de construir as fazendas solicitadas pelos clientes. 

A infraestrutura, com aeroporto, supermercado, usina de força, banco, etc., ra muito dispendiosa. E foi bem no meio do projeto que a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo proibiu a Boi Gordo de vender novas cotas. A quebra se tornou iminente.
Antonio Fagundes, o rei do gado extraviado
Mas, não me parece que a intenção dele fosse encerrar as atividades e fugir com a grana, pelo menos no momento em que o fez. Caso contrário não gastaria tanto na compra de bois campeões e em melhoria genética. 

Quando o colapso se tornou evidente, ele foi desfrutar sua fortuna nos Estados Unidos, deixando os investidores na mão. 

Pelo que eu soube, o Andrade só pagou uma categoria de investidores: os bandidos que lavavam dinheiro aplicando-o na Boi Gordo. Com esses não se brinca. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 7 de novembro de 2023

A ESQUERDA BRASILEIRA NÃO SOBREVIVERÁ SE ACATAR A RENDIÇÃO DE LULA AO CENTRÃO

Um manda e o outro obedece?
Existe algo mais frustrante do que vermos nossas previsões serem desmentidas pelos acontecimentos?

Existe. É quando elas são inteiramente confirmadas pelos acontecimentos, mas não serviram de nada, pois quem podia aproveitá-las as ignorou.

É como me sinto agora. Cansei de escrever que uma falsa vitória do Lula na eleição de 2022 não tiraria o Brasil da armadilha na qual se debate. Dito e feito.

Ele não é, nem nunca foi, um político comprometido com causas. A única causa que move todas as ações, falas e intenções do Lula se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Então, desde 2011 ele tinha como obsessão máxima a volta à presidência da República, custasse o que custasse.

Neste sentido, foi o grande ausente das manifestações #ForaBolsonaro, porque avaliou corretamente que sua maior, quiçá única, chance de êxito pessoal seria enfrentar no 2º turno o palhaço assassino. 

Se um movimento  do tipo diretas-já se avolumasse, poderia propiciar a afirmação de alguma nova liderança no campo antifascista, sem a enorme rejeição do Lula. No entanto, caso ele tivesse como adversário um político monstruoso, com rejeição maior ainda, surfaria na onda da polarização e talvez vencesse.

Eu acuso: se o Bozo foi responsável indiscutível pela morte de algumas centenas de milhares de brasileiros que, sem sua sabotagem ao combate científico da pandemia, estariam conosco até hoje, o Lula teve grande parte da culpa pelo psicopata da necropolítica haver concluído seus quatro anos de desgoverno catastrófico, apesar de cometer crimes de responsabilidade às dúzias, o tempo todo.    
O jingle agora é "entrega a Caixa pro centrão também"
Um sabotou as medidas que aumentariam em muito as chances de sobrevivência dos atingidos pela covid. O outro sabotou as iniciativas para, pela via do impeachment, removermos o quanto antes o louco da direção do hospício.

Aos trancos e barrancos, Lula conseguiu seu intento. Mas, sua vitória por diferença irrisória foi, sim, falsa, porque não expressou a correlação real de forças da política brasileira. 

A direita se tornou, na década passada, dominante, o que se traduziu em sua atual superioridade numérica nas duas casas do Congresso. E, sem plano de voo, Lula só está conseguindo governar com o consentimento do centrão, mediante a entrega de tudo que aquela ralé gananciosa exige, inclusive a Caixa Econômica Federal. 

Para facilitar a vida do seu governo, Lula concede aos inimigos trunfos valiosíssimos para fortalecerem-se ainda mais, em detrimento do futuro do PT! 

E tal consentimento precisa ser obtido em praticamente cada votação importante, com Lula pagando, todas as vezes, um preço altíssimo à predominante bancada dos fisiológicos unidos jamais serão vencidos, integrada pelos fisiológicos da Bíblia, da bala, do boi, das boquinhas e das bocarras.

Resumo da opera: já avesso à esquerda durante as longínquas jornadas do ABC que originaram o PT, Lula a vem desconstruindo aos poucos desde então.
Para cão bravo, dono manso.

Primeiramente liderou a formação do partido que as absorveu, depois tudo fez para desideologizá-lo, de forma a torná-lo um inofensivo apêndice da democracia burguesa, limitado a disputar eleições, sem jamais contrapor-se à exploração do homem pelo homem.

A colheita de seus esforços veio no atual século, com cinco presidências de resultados, que propiciaram pequenas melhoras para os explorados, seguidas por grandes pioras. 

Os castelos de cartas erguidos principalmente em 2002/2010 desabaram e hoje a esquerda está debilitada como nunca, tendo perdido as ruas e a batalha da formação de opinião.  De tanto o PT desinvestir nelas e priorizar apenas as corridas eleitorais, o inimigo as tomou e agora, inclusive, ganha quase todas as eleições.

O pior pecado de Lula foi capitular ante o que há de de mais repulsivo na política brasileira, tirando de nós a autoridade moral que tínhamos por não compactuar com a podridão ambiente. 

Bolsonaro deixou que as grandes decisões nacionais passassem a ser tomadas pelo centrão... e Lula está agindo exatamente igual! Como fazermos para os despolitizados nos verem como os mocinhos deste faroeste caboclo, se nos igualamos aos bandidos?

De quebra, embora na prática o Lula tenha se transformado numa rainha da Inglaterra, o descontentamento do povo, neste momento histórico de agonia do capitalismo e agudização das suas contradições, se voltará cada vez mais contra ele, o símbolo visível de tudo que está aí. 
"Pedi e vos será dado" (Ll, 11,5-13)

Enquanto isto, o pior presidente brasileiro de todos os tempos ganha fôlego graças à omissão de Lula no cumprimento do dever. 

Sua indecente demora em indicar o novo procurador geral da República torna cada vez mais distante a obrigatória e extremamente necessária colocação atrás das grades do colecionador contumaz de crimes políticos e comuns (único desfecho admissível para o pesadelo que este país viveu entre 2019 e 2022!). 

Está na hora de a esquerda brasileira optar: ou decide sobreviver, reassumindo os valores solidários, igualitários e libertários que definiram a esquerda mundial nos dois últimos séculos, ou marcha para o limbo junto com os domesticados Lula e PT. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 15 de novembro de 2022

MORTES DIÁRIAS POR COVID JÁ SUPERARAM 4 MIL E HOJE A MÉDIA É 32

S
egundo a totalização correta que o consórcio de imprensa faz dos números incorretos da covid no Brasil (pois os dados recebidos das secretarias municipais e estaduais de Saúde são amiúde subdimensionados), morreram da doença 32 pessoas nos últimos 7 dias.

No pior dia da pandemia, 6 de abril de 2021, os óbitos chegaram a 4.195. 

Como os dados daquela data terrível foram igualmente subestimados, a comparação procede, permitindo-nos concluir que estamos longe, muitíssimo longe de um repique dos horrores maiores daquela peste. Mas, por falta de informação completa, há pessoas aos montes apavorando-se à toa. 

O atual aumento do número de casos ainda é insuficiente para configurar uma nova emergência sanitária, que tanto poderá ocorrer como não ocorrer, mas deveria servir de alerta para os governos, que há um ano deixaram de reforçar a vacinação como deveriam. 

Só que o federal está acéfalo, pois aquele que deveria responder pela presidência da República se trancou no Palácio da Alvorada e passa o dia rezando para seus seguidores conseguirem provocar um golpe de Estado. 

Já os estaduais e municipais gastaram até o que não tinham na campanha eleitoral e agora lhes faltam recursos para despesas que eles consideram menos importantes, como a aquisição de vacinas.

O jeito, nisto que já nem sei mais se continua sendo um país ou virou definitivamente a casa da mãe Joana, é assustar o povo com noticiário alarmista. (por Celso Lungaretti)
Observação: a média de mortes nos últimos 7 dias foi atualizada em 17/11/2022

terça-feira, 14 de junho de 2022

DOR, REVOLTA E IMPOTÊNCIA

A
informação, ainda não confirmada oficialmente, sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips é avassaladora, embora esperada desde que os dois desapareceram. 

Não serão as primeiras mortes na região amazônica pelos mesmos motivos e acontecem não é de hoje. 

A novidade nos dias que correm é o incentivo do governo federal à pesca ilegal, ao garimpo ilegal, ao desmatamento com exportação de madeira extraída ilegalmente, às milícias. 

Na terra sem lei em que se transformaram os morros, as favelas e as periferias brasileiras, a região amazônica e do Pantanal, a ausência proposital do Estado produz a barbárie. 

Lembremos que o psicopata que elogia torturadores, que disse não ser coveiro em plena pandemia (para a qual receitou imunidade de rebanho) e desfez das vacinas em nome da cloroquina, é o mesmo que dissemina desconfiança em torno do voto eletrônico para justificar a previsível derrota nas urnas e prega o golpe. 

E as Forças Armadas, em vez de colaborarem para tornar, de fato, a Amazônia Legal, se imiscuem onde não é papel delas, na Justiça Eleitoral. Com o que, os dois bravos humanistas são chamados de aventureiros pelo psicopata. 

O Brasil precisa reagir mesmo que já se faça tarde. Muito tarde. (por Juca Kfouri)
.
TOQUE DO EDITOR – Concordo em gênero, número e grau com o comentarista esportivo Juca Kfouri. O Brasil precisa mesmo reagir, não pode esperar a derrota eleitoral do Bozo para iniciar sua reconstrução, depois do que terão sido quatro anos de destruição fanática, premeditada e bestial.

Assim como também aplaudo a iniciativa do bravo companheiro Rui Martins, de clamar pelo impeachment já e agora. Seis meses sob o Bozo, mesmo estando reduzido à impotência com relação ao golpe que tanto sonhou dar, serão uma eternidade,

Lamento, contudo, que tal clamor esteja mesmo vindo muito tarde. A hora em que o impeachment se tornou obrigatório foi aquela em que nossos irmãos começaram a morrer como moscas por causa da condução genocida do combate à pandemia.

Falhamos miseravelmente em 2020 e 2021, então nunca deixarei de lamentar mais a imensidão de brasileiros que morreram de covid podendo ser salvos, do que dois personagens célebres que entregaram a vida por seus ideais e portanto merecem todas as nossas lágrimas e homenagens.

Só que a diferença numérica é acachapante: dois x aproximadamente 400 mil. (por Celso Lungaretti)  

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

OLAVO FOI O IRRADIADOR DO IRRACIONALISMO TUPINIQUIM

M
orto por complicações da Covid-19, doença que ele dizia não existir, Olavo de Carvalho foi o primeiro grande irradiador do irracionalismo em terras brasilis, ao regurgitar por aqui teorias mirabolantes já disseminadas na terra do Tio Sam. 

Ao negar todo vínculo possível com a sã razão e mesmo com o mínimo de verossimilhança, o recém falecido conseguiu surfar na onda de ressentimento de parte considerável da classe média brasileira, sobretudo na época do governo petista.

Neste aspecto, foi uma expressão teórica bem acabada da crise de proletarização desta classe média, engolida pelo capitalismo oligopólico. Se antes ela possuía seu próprio negócio, podia curtir a vida ociosa e cruzava com o povo trabalhador apenas na figura do serviçal, agora via-se reduziada a funcionária de grandes corporações e precisava compartilhar seu espaço com o povão. 

Esmagada por forças anônimas e incompreensíveis, esta classe média perdeu o rumo da realidade. Sentia-se joguete de poderes ocultos, não conseguia compreender as mudanças aceleradas e o mundo para ela tornava-se cada vez mais opaco.

É aí onde entra Olavo com suas teorias mirabolantes. A ela oferecia uma explicação tão fantástica quanto o ritmo das mudanças vividas. Era tudo muito simples: a culpa de tudo era dos comunistas e de organizações conspiracionistas. Facilitava seu trabalho o fato de o governo brasileiro ser de esquerda. 

Ansiando por um mínimo de sentido para o caos, a classe média abraçou Olavo, tendo ele se tornado o grande guru, o revelador de conhecimentos ocultos somente transmitidos aos iniciados. 

Seus seguidores possuem mesmo o ar de carregarem um saber secreto, algo muito bem explorado por Olavo graças aos seus dias de líder de seitas religiosas. 

Não é correto atribuir a ele a fundação da recente extrema-direita brasileira, isto seria idealismo, pois movimentos políticos nascem da dinâmica sócio-econômica. 

Mas é possível vislumbrar em Olavo o formatador intelectual desta extrema-direita. O olavismo é a matriz ideológica do bolsonarismo. 

Deste modo, é ingenuidade pensar que o olavismo morre com Olavo de Carvalho. O corpo se vai, o método fica. 

Talvez não com a mesma estridência do líder da seita, mas enquanto o irracionalismo for alimentado por um sistema econômico em crise terminal, sempre haverá espaço para olavismos e olavos. (por David Emanuel Coelho)

domingo, 16 de janeiro de 2022

A REVELAÇÃO DESTE DOMINGO É QUE JÁ SOMOS O PAÍS COM MAIOR NÚMERO DE CONTAMINAÇÕES E ÓBITOS PELA COVID

A manchete alude apenas aos
que sabem ter contraído covid 
D
á um baita desânimo constatar que um texto tão importante quanto o que o blog Náufrago da Utopia publicou na noite de sábado (15), antecipando o que seria a matéria principal da edição de domingo do maior jornal brasileiro, foi acessado por um contingente apenas mediano de leitores, como se fosse, p. ex., o anúncio de mais um filme do recém-encerrado Festival do Western Italiano. 

Por que tão importante? Porque uma nova pesquisa do Datafolha confirmou que os dados informados à população brasileira pelo que passa por ser governo neste desgraçado país estão imensamente aquém dos reais: 
— os 22 milhões de brasileiros reconhecidos pelas autoridades negacionistas como tendo sido contaminados pela covid são, na verdade, mais de 100 milhões, embora só 42 milhões saibam ter contraído o vírus; e, 
— graças a tamanho empenho governamental para escamotear a verdade mediante a subnotificação na fonte e o falseamento das totalizações (alguém acredita que um ataque hacker supostamente imprevisto foi o  causador de tamanho estrago no sistema principal do Ministério da Saúde, a ponto de até hoje o dito cujo não estar 100% normal?!), tudo indica que, se conhecêssemos os dados reais, estaríamos agora conscientes de que o  Brasil é o país com pior resultado mundial no combate à covid.

Sim, há enorme possibilidade de que já tenhamos ultrapassado os EUA (hoje com 65,5 milhões de contaminações x 850 mil óbitos) e a Índia (37,1 milhões x 486 mil). Trump deve estar orgulhoso: seu discípulo superou o mestre...

E tudo caminha no sentido de a coisa ainda piorar, seguramente quanto às contaminações e talvez (façamos figa para que tal não aconteça!) em número de mortos, pois a ômicron está entrando aqui como faca no queijo e, se em seguida adquirir letalidade comparável à rapidez de sua propagação, conheceremos a tempestade perfeita.

Enquanto isto, continuamos obnubilados por uma eleição que só vai mesmo começar a ser definida no próximo semestre, isto se até lá o Brasil não derreter de vez e se até lá uma explosão social não alterar todo o quadro, inclusive o calendário eleitoral.  

Como desgraça pouca é bobagem, se a eleição fosse hoje, a vitória ficaria entre:
— o representante do capitalismo agonizante que pretende distribuir algumas migalhas para os coitadezas (Lula);
— o representante do capitalismo agonizante que já atingiu o ápice da loucura e extermina os coitadezas como moscas (Bolsonaro); e
— o representante do capitalismo agonizante que ainda não sabe exatamente em qual das direções acima irá, mas tem como principal antecedente a afinidade com o estado policial (Moro).

Ou seja, ao invés de buscarmos verdadeiras soluções (que não sejam mera continuidade do
mais do mesmo em que nos debatemos há décadas, patinando sem sair do lugar) e, de imediato, cerrarmos fileiras para garantir que pelo menos haja um amanhã, estamos mesmerizados pelas elucubrações sobre o que só acontecerá daqui a nove meses, exatamente como convém àqueles que querem piorar o que já é péssimo e àqueles que pretendem apenas mudar uma coisinha ou outra para que tudo continue na mesma.

Sequer nos damos conta de que, pelo andar da carruagem, nada nos garante que tenhamos nove meses pela frente. Podemos não durar nem nove semanas mais... (por Celso Lungaretti) 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

QUEIROGA, QUE POR SERVILISMO RETARDA A VACINAÇÃO DE CRIANÇAS, ESCOLHEU O SEU LUGAR NA HISTÓRIA: A LIXEIRA.

leonardo sakamoto
BARRA TORRES HUMILHA BOLSONARO E
 REDUZ AINDA MAIS O TAMANHO DE QUEIROGA
U
m dos efeitos colaterais da nota pública divulgada pelo presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Antônio Barra Torres, pedindo coragem para que Jair Bolsonaro prove as acusações que fez contra ele e o órgão que dirige ou se retrate publicamente, é reduzir ainda mais a estatura diminuta do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. 

"Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, senhor presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar", escreveu Barra Torres. 

"Agora, se o senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate", acrescentou. 

Bolsonaro e aliados transformaram a Anvisa em alvo porque a agência tem tomado decisões coerentes com a ciência, como o aval técnico à vacina da Pfizer (aquela que Jair disse que transformava pessoas em jacarés) para crianças. 
Em sua cruzada contra a proteção das crianças, Bolsonaro insinuou que a Anvisa tem interesses escusos por trás da liberação do imunizante e diz não saber a pressa para aprovar produtos que salvariam crianças. 

A resposta é dada pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe: do começo da pandemia até 6 de dezembro, foram registrados 301 mortes entre 5 e 11 anos por covid-19. 

O texto do contra-almirante é uma chulapada elegante num Bolsonaro que, ironicamente, vive de lacração. Não será surpresa se o gabinete do ódio que opera dentro do Palácio do Planalto estiver preparando alguma fake para que a nota pública não fique sem resposta junto ao bolsonarismo-raiz. Afinal, o presidente precisa manter a aura de mito para sua base de apoiadores. 

Apesar da manutenção da estabilidade no serviço público ser fundamental para que funcionários possam peitar ordens ilegais e estapafúrdias de político (proteção esta que muita gente adoraria ver removida numa reforma administrativa), a diferença entre eles vai além da garantia de mandato de Barra Torres – que não pode ser demitido até 21/12/2024. 

Há diretores de autarquias federais que, por proximidade de pensamento ou planejamento de seu futuro político, não peitam presidentes. Pelo contrário, preferem bajulá-los em detrimento ao interesse público. 

O que não tem sido o caso de Barra Torres e da Anvisa, que colocam a saúde coletiva acima dos interesses eleitorais e ideológicos de Bolsonaro.  

E estabilidade do cargo nenhuma evitará o fato que, por conta da coragem de publicar a nota, ele e sua família sejam alvos da máquina do ódio bolsonarista – como, aliás, estão sendo.

Já Marcelo Queiroga não foi reduzido à condição análoga à de escravo, crime previsto no artigo 149 do Código Penal. 

Ele não é um trabalhador que foi enganado, assediado, ameaçado ou agredido para endossar o comportamento criminoso do presidente, tampouco para ajudar em sua sabotagem ao combate à pandemia (o epidemiologista Pedro Hallal fala em 500 mil mortes evitáveis). Queiroga se ofereceu conscientemente para o serviço, mesmo tendo condições para dizer não. 

Luiz Henrique Mandetta, p. ex., bateu de frente com o negacionismo de Bolsonaro ainda como ministro da Saúde e deixou o cargo. Nelson Teich não quis endossar a política de entupir os brasileiros de cloroquina e também vazou. 

Queiroga, por outro lado, aceitou se tornar cúmplice não só do morticínio de adultos, mas também o de crianças ao fazer de tudo ao seu alcance para atrasar a vacina a pessoas de 5 a 11 anos. 

Mostrou-se, dessa forma, um homem pequeno, que tem medo de perder o máximo de poder que conquistará na vida, sonhando, talvez, com um apoio presidencial para disputar um cargo de deputado, senador e quiçá governador na Paraíba. 

Tanto Barra Torres quanto Queiroga são médicos. O primeiro será lembrado pela história como um homem justo. 

Já o segundo como alguém que cuspiu em cima do juramento de Hipócrates:
— ao deliberadamente esquecer que prometeu não causar dano ou mal; e
— ao ser cobrado disso num protesto em Nova York, em setembro do ano passado, quando mostrou o dedo do meio aos manifestantes. 

Um homem que, ao ser convidado a escolher onde ficaria eternizado na História, preferiu a lata do lixo. (por Leonardo Sakamoto)

domingo, 9 de janeiro de 2022

SE FOSSE UMA GUERRA CONVENCIONAL AO INVÉS DE SANITÁRIA, QUEIROGA E O BOZO SERIAM FUZILADOS: QUINTA-COLUNAS!

bruno boghossian
GOVERNO AGE PARA VACINAR O MENOR
 NÚMERO POSSÍVEL DE CRIANÇAS
A
contragosto, Marcelo Queiroga anunciou a vacinação de crianças contra a covid. 

O ministro, no entanto, disse que ainda não há previsão de doses para todo o público de 5 a 11 anos de idade. Segundo ele, a compra desses imunizantes vai depender da demanda. "Nós não sabemos ainda qual será a taxa de adesão dos pais a essa vacinação", declarou.

Numa campanha peculiar, o governo Bolsonaro trabalha para achatar esse índice e vacinar o menor número possível de crianças. Depois de propor obstáculos como a exigência de receita médica, o presidente e o ministro da Saúde lançaram uma política oficial de comunicação para desestimular a aplicação de doses.

Na 5
ª feira (6), Bolsonaro dedicou um quarto de sua transmissão ao vivo nas redes sociais para alardear riscos da imunização de crianças. As doses pediátricas da Pfizer já foram consideradas seguras pela área técnica do Ministério da Saúde, mas o presidente fez propaganda contra a vacina que o próprio governo vai oferecer nos postos de saúde.

Não foi só uma
posição de internet, como Eduardo Pazuello descreveu as bravatas negacionistas do chefe. Bolsonaro disse ter determinado a Queiroga a divulgação de alertas sobre a vacinação e os possíveis efeitos adversos dos imunizantes, considerados raríssimos. "Vai ser obrigado a falar para os pais que queiram vacinar seus filhos", afirmou.

O ministro gosta de ostentar sua impressão digital na distribuição de milhões de doses de vacina contra a covid, mas endossa as suspeitas difundidas pelo presidente. Na última semana, Queiroga disse que um dos momentos mais difíceis que enfrentou no cargo foi a morte de uma gestante em função de um efeito adverso de vacinas.

[Não havendo comprovação nenhuma de que isto haja realmente ocorrido e tendo o ministro credibilidade zero, a posição deste blog é de que a afirmação acima deve ser desconsiderada].

Em quase dez meses na função, o doutor testemunhou os piores momentos da pandemia no Brasil. No dia em que ele tomou posse, o país registrou mais de 3 mil mortes. Desde então, outras 320 mil pessoas morreram. Neste mês, Queiroga ultrapassa os 303 dias em que Pazuello ocupou a cadeira de ministro. (por Bruno Boghossian)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

GILMAR MENDES ERROU: VERGONHA MAIOR AINDA FOI A TIBIEZA DAS AUTORIDADES QUE NÃO AFASTARAM O BOLSONARO DO CARGO!

O
ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, novamente opta por bater no adversário mais fraco ao invés de ir à raiz do problema:
"A perseguição aos técnicos da Anvisa é uma vergonha nacional. Mostra como o discurso do ódio chegou a níveis alarmantes no país. Aos servidores da agência, expresso minha solidariedade. Conclamo que as autoridades policiais investiguem e garantam a segurança das famílias".
Sim, é estarrecedor que tais canalhas estejam ameaçando até de morte os técnicos empenhados em defender a vida e a saúde de nossas crianças.

Mas, só o estão fazendo porque o STF, o TSE, o Senado e a Câmara Federal permitiram que Jair Bolsonaro permanecesse até agora no poder:
— embora lhe faltassem condições mentais, intelectuais e morais para o exercício do cargo;
— apesar de haver cometido crime eleitoral em 2018 e crimes de responsabilidade às dúzias desde 2019; e
— malgrado tenha sido o responsável indiscutível pela morte de cerca de 200 mil brasileiros que sobreviveriam à covid caso o presidente da República não fosse um negacionista extremado, sabotador da vacinação.

Foi ele quem deu a senha para sua horda de celerados atormentar os profissionais da Anvisa, ao afirmar que estava querendo saber o nome  dos técnicos que haviam (corajosamente!!!) indicado a vacinação das crianças. 

Não se iluda nem tente iludir-nos Gilmar Mendes: caso algum desses bravos venha a ser vítima de atentado, o sangue dele estará também nas suas mãos! (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

DE TODAS AS PROFECIAS SOBRE APOCALIPSE ZUMBI NO BRASIL, A DO ANDRÉ MENDONÇA É A MAIS ASSUSTADORA

O serviçal jurídico que o Bozo tenta impor de qualquer jeito ao Supremo Tribunal Federal como ministro terrivelmente evangélico que defenderia seus interesses na mais alta corte do país, acaba de fazer a profecia mais sinistra que tenho ouvido ultimamente sobre o Brasil: a de que, em 10 anos, os pobres de grana ou de espírito, zumbificados pela lavagem cerebral dos mercantilizadores da fé, se tornarão maioria.

Foi o que me decidiu a postar um filme para ver no blog que não se enquadra nos critérios habitualmente aqui adotados: O Nevoeiro, que Frank Darabont dirigiu e co-roterizou (ao lado de Stephen King, o autor da novela) em 2007.

É mais do mesmo, lembrando muita coisa escrita antes e depois por King, que inevitavelmente se repete, pois não há escritor do mundo que consiga ser original em 60 romances e cerca de 200 contos (além de 6 livros de não-ficção) que escreveu em quase meio século de carreira e deram origem a 335 séries de TV, minisséries, longas e curtas metragens.
A beata maluca: ameaça tão mortal quanto os monstros 

Mostra pessoas cercadas num supermercado enquanto, fora dele, sob um nevoeiro espesso e esquisito, estranhas criaturas parecidas com polvos estraçalham quem se expõe ao ar livre. 

Perdi a conta de situações parecidas noutros filmes inspirados em King, como também nos do George A. Romero, etc.

Mas, a cereja do bolo é que uma fanática religiosa (a sra. Carmody, interpretada por Marcia Gay Harden) começa a pregar e vai conquistando pouco a pouco aquelas pessoas confusas e apavoradas, explicando os acontecimentos como castigo de Deus e conduzindo-as à insanidade bárbara de sacrificar os descrentes (ou seja, os que não engoliam o blablablá ignorante dela) para aplacar a ira divina.

A coisa chega a tal ponto que os racionais restantes acabam tendo de matá-la a tiros antes que a turba por ela açulada os matasse. 

Uma solução desesperada que, claro, não recomendo para nossos problemas atuais, embora os sacrifícios mortais já estejam ocorrendo (as centenas de milhares de mortes inúteis, causadas pelo negacionismo e sabotagem com que foi administrada a crise sanitária do coronavírus) e as senhoras Carmody da vida real tenham desempenhado papel semelhante à das telas.

Qualquer semelhança com a regressão civilizatória em curso não é, nem de longe, mera coincidência. (por Celso Lungaretti)

sábado, 27 de novembro de 2021

COMO EVITAR QUE A VARIANTE ÔMICRON CAUSE DESGRAÇA NO BRASIL

No Brasil e no mundo quase inteiro, a epidemia começou com a chegada de um punhado de viajantes infectados.

Com exceção de casos raros imunológicos, a população era indefesa contra o coronavírus. Não havia barreiras além de máscaras e restrições de movimento ou aglomerações.

Quando a variante ômicron chegar, vai encontrar uma paisagem biológica muito diferente. Mais de 62% da população brasileira está completamente vacinada. Cerca de 75% tomaram a dose 1, e parte dessas pessoas pode ter completado sua imunização por ter sido também infectada.

Parece um motivo para ficarmos menos intranquilos. Só parece.

Suponha-se que o bicho novo drible a vacina. Quantos visitantes infectados podem nos trazer esse coronavírus supermutante? Poucos. Mas meia dúzia deles pode trazer a desgraça.

Não temos controle de fronteiras, e o Brasil pode ser um paraíso tropical de férias para malucos antivacinas, pois aqui é Bolsonaro, zorra!. 

Mais importante e antes de mais nada, é preciso pensar nas primas mais velhas da variante ômicron, que outra vez espalham dor e morte pelo mundo rico:
— na Alemanha (68% de vacinação completa), o número de mortes por milhão de habitante é ora de 2,7;
— no Brasil, é de 1 por milhão;
— na Bélgica, 75% de vacinação, de 3,2 mortes por milhão;
— na Áustria, 65% de vacinados, 5,3 por milhão;
— no Reino Unido, 68% de vacinados, 2 por milhão;
— nos EUA, são 3,4 mortes por milhão.

O último e um país sentado em vacinas e com taxa de imunização completa de apenas 58%, vexame ainda maior quando se pensa que não há doses para aquelas pessoas que mal têm uma cuia de comida rala, alguém que lhes faça ataduras ou um abrigo decente contra as durezas do tempo.

A situação epidemiológica do Brasil não é a desse mundo rico, até porque houve uma devastação de infecções por aqui e tomamos vacinas mais tarde – o efeito delas ainda é forte e estamos tomando reforço.

Mas, com ou sem ômicron, temos de correr com a vacinação, buscar os sem-injeção nas suas casas ou nas escolas e evitar aglomerações com bafejos nas fuças sem máscara, como ocorre nos campos de futebol. Da alfa ao ômega, qualquer variante ainda é ameaça.

É possível barrar a ômicron nas fronteiras? Tanto quanto as velhas variantes: pouco. 

Mas conviria exigir passaporte de vacinação de viajantes, o que contraria a militância ignorante de Jair Bolsonaro.

O número de desembarques internacionais nos aeroportos do Brasil caiu. Em outubro de 2019, foram uns 939 mil. Em outubro deste 2021, uns 263 mil. 

Cerca de 35% desses viajantes são não residentes (segundo dados de 2018 e 2019, os mais recentes). É muito menos viajante. A probabilidade de que estejam infectados é bem pequena. 

Seria ainda menor se estivessem vacinados (a vacina diminui de modo relevante a probabilidade de transmissão). Temos de jogar na retranca firme.

Como não se exige o passaporte, há também seleção adversa (atração de malucos, idiotas e perversos). Onde se pode tomar sol, sem vacina, gastar pouco (o real não vale nada) e, por ora, em um lugar com menos mortes de Covid do que em muito país rico? No Brasil.

Os cientistas ainda não têm como saber o tamanho do estrago que a ômicron pode causar. Faltam dados epidemiológicos (quantos contaminados, em quanto tempo, com qual gravidade etc.). 

Ainda a examinam para tentar estimar, por ora no laboratório, se o vírus dribla a vacina. Alguns pesquisadores especulam que não. Na dúvida, é melhor prevenir o que não tem remédio.

Como? Fazendo o óbvio tratado com descaso: vacina, muito teste, máscara e passaportes. 

A humanidade média se interessa por fofoca e de novidade. Fatos causam tédio ou revolta. (por Vinícius Torres Freire)

sexta-feira, 4 de junho de 2021

'AFFAIR' PAZUELLO CONFIRMA: O EXÉRCITO É PARTE DO BOLSONARISMO

D
eu a lógica: o general da ativa Eduardo Pazuello não sofrerá punição por haver infringido os regulamentos militares ao participar de manifestação política de cunho golpista, apoiando o presidente da República. 

Digo deu a lógica por dois motivos. Primeiro, porque Bolsonaro é de fato o chefe supremo das Forças Armadas e cabe a ele a palavra final em questões de disciplina militar. Lembremos de quando Lula anistiou controladores do Cindacta-1 em 2007 por terem se amotinado, reivindicando melhorias das condições de trabalho. 

Fato é que Lula exerceu seu papel de comandante supremo, mas é fato também que, ao contrário de agora, a Aeronáutica puniu os operadores, tendo a anistia acontecido a posteriori. E aqui reside a diferença fundamental, a de os operadores terem sido punidos e Pazuello, não. 

Este fato já nos leva ao segundo motivo de ter dado a lógica. Bolsonaro poderia até anular a punição, mas era prerrogativa do comandante do Exército impô-la, mesmo sendo ela depois possivelmente anulada. Ao recusar-se a punir o ex-dublê de ministro da saúde, o comandante resolveu seguir a vontade do presidente antes de qualquer coisa. Noutras palavras, decidiu fazer o jogo bolsonarista do liberou geral. 

E aqui entro num ponto em que insisto há tempos e que é apoiado por outros analistas da imprensa e da academia. O exército não é conivente com o bolsonarismo, o exército e as demais forças armadas são pais do bolsonarismo. 

Quando olhamos os militares hoje abrigados no governo, podemos estabelecer a gênese de suas vidas políticas desde pelo menos a época da Comissão Nacional da Anistia. 

Ali estes militares, guardiões da falsificação da história, não aceitaram de modo algum as investigações para esclarecer desaparecimentos e demais crimes cometidos pela ditadura. Mesmo sendo o trabalho da Comissão  apenas memoralístico e não criminal!

O caos político instalado a partir das manifestações de junho de 2013 também teve papel importante. Ao mesmo tempo em que fizeram acordar nestes militares o já secular espírito de tutelagem da República, também teve o papel de traze-los cada vez mais para dentro da vida política e social, à medida que foram chamados pelo próprio poder civil para reprimir atos políticos e administrar sistemas draconianos de segurança pública. 

Não podemos esquecer que Dilma entregou a eles um sistema avançadíssimo de espionagem e os colocou na rua para reprimir manifestantes. 

Para completar, vieram as Olímpiadas de 2016 e cargos importantes foram entregues a generais, almirantes, coroneis, etc, além dos próprios atletas que foram militarizados, treinando em quartéis e bases Brasil afora. Quem não se lembra dos medalhistas brasileiros envergonhando o país ao bater continência nos pódios? Simbolicamente, ali começou a alicerçar-se o caminho de retorno dos militares ao poder. 
Então, há um
background sólido. Os militares não brotaram no governo, foram sendo chamados e aceitos pelo poder civil, como, de resto, é sempre o que ocorre no Brasil. 

Os militares, portanto, já ambicionavam chegar ao comando supremo. É aí que viram em Bolsonaro o cavalo certo a se apostar. 

Desde pelo menos 2015, o atual presidente tinha portas abertas nos quartéis, conforme demonstrado por reportagens e outros analistas. O responsável por isso era o então comandante do Exército, Villas-Bôas, o mesmo do tuíte pressionando o STF e que hoje é assessor do Gabinete de Segurança Institucional da presidência da República. 

Depois vieram outros generais, almirantes, brigadeiros, coronéis e toda fauna do militarismo nacional. Eles embarcaram, deram aval e formularam o plano de governo – não escrito, óbvio – de Bolsonaro. Até mesmo deram aval e formularam os aspectos mais amalucados do bolsonarismo. P. ex., era vontade deles reformular livros didáticos para recolocar a verdade histórica da ditadura militar. 

Não foi portanto uma lógica de cooptação das Forças Armadas pelo bolsonarismo, mas, ao contrário, uma cocriação do bolsonarismo por elas. Daí não existir contradição entre militares e Bolsonaro, sendo, na verdade,  uma coisa só. E daí não ser surpresa Pazuello ficar impune. Como punir um general por fazer exatamente o que é estimulado e normalizado pelo bolsonarismo se este é uma criação dos próprios militares?

As continências olímpicas prenunciaram o que viria

Por isso, o comandante do Exército nem se deu ao trabalho de impor a punição e aguardar ser desautorizado pelo presidente. 

Enquanto bolsonarista, já providenciou a absolvição imediata do general fujão. 

O que, de resto, é mais um aprendizado para os crentes do republicanismo: toda força militar é política, às vezes camuflada, às vezes abertamente. (por David Emanuel Coelho) 

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