segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O CENTRÃO JÁ ESTUDA FÓRMULAS PARA TOMAR DOS TRABALHADORES O QUE ELES POSSAM GANHAR COM O FIM DA ESCALA 6x1

Em países que não estão na idade da pedra, as jornadas de trabalho são de 35 a 40 horas semanais (Alemanha), 35 horas (França), médias próximas a 32 horas (Canadá e Austrália) e média de 36,6 horas (Japão).

Já a semana de 4 dias foi assumida pela Islândia a partir de testes efetuados entre 2015 e 2019, com 90% dos trabalhadores hoje se beneficiando de jornadas reduzidas; a Bélgica foi a primeira nação a institucionalizar a opção de 4 dias, em 2022; na Alemanha, 73% das empresas já optaram pela jornada de 4 dias. 

Escócia, Espanha, Nova Zelândia e Reino Unido desenvolvem projetos pilotos visando à redução da jornada; e até no Brasil, que Torquato Neto definiu com um estribilho antológico (Aqui é o fim do mundo), algumas empresas já realizam projetos pilotos para se direcionarem à jornada de 4 dias. 

Como era de esperar-se, contudo, o fim da jornada 6x1 é mal visto pela parte mais retrógrada do empresariado, mas a Câmara e o Senado dificilmente ousarão flertar com retrocesso num ano eleitoral. Afinal, a prioridade máxima de deputados e senadores é sempre a reeleição, todo o resto vem depois.
No centrão há quem defenda que a jornada de cinco dias totalize 44 horas semanais. 

Pretexto: não aumentar o custo Brasil. Só que, nos países que estão atendendo os reclamos dos trabalhadores, houve ganho de produtividade, maior do que qualquer prejuízo 

O ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) bate pesado nos recalcitrantes:
É claro que haverá oposição no Congresso, mas restrita à extrema-direita. Quem se opuser à redução da escala terá que prestar contas nas urnas em outubro.

Os setores empresariais contra os direitos dos trabalhadores repetem os mesmos argumentos surrados desde a abolição da escravidão, passando pela criação da CLT, 13º salário, férias etc.

Evidentemente, o capitalismo não se redime cada vez que cede algumas migalhas do seu banquete para quem lhe garante toda a riqueza da qual desfruta. Mas, os trabalhadores ainda não sentem-se prontos para irem buscar tudo que lhes é negado. É pena.

Como não rezo pela cartilha do quanto pior, melhor, estou ao lado deles nesta pendenga. Que tenham um pouco mais de tempo para curtir o que a vida pode lhes oferecer. Espero que o utilizem bem, não o vendendo de volta para os patrões.  

os privilégios e a DESIGUALDADE
De resto, quando comecei a trabalhar em 1973, a jornada já era de 40 horas semanais nas empresas de comunicação empresarial, 

Mais tarde, nas grandes redações, já se cumpria o estipulado numa lei de 1969:  5 horas diárias e, num eventual acordo com o patrão, poderia passar a 7 horas, mas remuneradas como se fossem 9 horas (as 2 extras eram pagas em dobro).

Eu considerava merecedor de tudo que me pagavam, até o último centavo; mas detestava que, atuando no setor terciário, desfrutasse de várias vantagens com relação aos trabalhadores rurais e aos operários industriais. Nunca vi motivo para, nem me sentia  feliz sendo, um privilegiado.

Essa desigualdade me incomodava ainda mais porque meu pai, contra-mestre de tecelagem, não só era obrigado a cumprir religiosamente as 48 horas semanais, como tinha de submeter-se à divisão por turmas que prejudicava muito seu sono: numa semana trabalhava das 5 às 13 horas. noutra semana das 13 às 21 horas. (por Celso Lungaretti)

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