Mostrando postagens com marcador escala 6x1. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escala 6x1. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de maio de 2026

HERÉTICO, O SILAS MALAFAIA SAPATEIA EM CIMA DO SEGUNDO MANDAMENTO ('Não invocarás seu santo nome em vão')

rui martins
FOI DEUS QUEM CRIOU A ESCALA 6x1
O dito pastor Silas Malafaia, sem zelar por suas ovelhas, defende os interesses dos lobos: é pela manutenção da escala de trabalho 6x1. 

Diante dos fiéis, numa pregação em sua igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, aproveitou para criticar o Bolsa Família e ironizar: do jeito que estão indo as coisas, logo haverá gente querendo um dia de trabalho e seis de folga.

Evidentemente, existe muito cinismo quando um milionário rejeita a escala 5x2, um dia a mais de folga para os trabalhadores de menores salários, porém o pastor Malafaia diz basear-se na  Bíblia. 

Segundo ele, foi o próprio Deus quem criou a escala 6x1, pois teria trabalhado seis dias para criar a Terra, o homem e a mulher, mas no sétimo dia, de acordo com o Genesis, Deus descansou.

E, mais tarde, ao entregar os dez mandamentos para Moisés, Deus colocou a obrigação do descanso no sétimo dia, como terceiro mandamento, depois dos seis dias de trabalho, para a família humana.

Isso incluía até mesmo seus visitantes, seus animais e seus servidores, noutras palavras, seus escravos.

A ideia de um Deus cansado e, ao mesmo tempo generoso, era simplesmente simbólica, mesmo porque os sete dias de trabalho e descanso divinos não se repetiam. 

Mas essa primeira lei trabalhista, atribuída ao sobrenatural e inscrita nos livros religiosos desde os primeiros agrupamentos humanos, foi oportuna por impedir a exaustão das pessoas numa época em que nenhum trabalho era mecânico.

Entretanto, a crença de uma origem divina da primeira lei limitando o tempo semanal de trabalho não significa que não possa ser melhorada. Este é o erro dos fundamentalistas bíblicos, no caso Silas Malafaia e os pastores evangélicos que seguem a linha dele.

A escala bíblica do 6x1 tinha uma falha básica: não estabelecia quantas horas diárias se deveria trabalhar nos dias favoráveis. Na França, p. ex., já em 1848 os trabalhadores conseguiram limitar para 12 horas a duração do trabalho diário. 

Na maioria dos países ocidentais, trabalhava-se de 14 a 16 horas por dia. Marx defendia a jornada de 10 horas, mas a Revolução Russa de 1917 foi além, criou a jornada de 8 horas, imitada por outros países, como a França, em 1919.

Apesar de resistências de certos políticos e empregadores, existem setores no Brasil que já adotaram, faz tempo, escalas semanais de horas de trabalho favoráveis aos empregados. É o caso dos empregos com a chamada semana inglesa e o dos bancários com cinco dias de seis horas diárias num total de trinta horas semanais.

Entretanto, existem certas atividades de trabalhadores avulsos, como as empregadas domésticas, que dificilmente se adaptarão à escala 5x2, mesmo que por pressão de seus patrões. 

Tal universo bem se enquadra numa crítica amiúde feita: a de que tal anacronismo se deve às raízes coloniais de certos patrões, herdadas do período da escravidão. 

Pipocam também nas redes sociais reportagens em direção inversa, mostrando a adesão voluntária de algumas empresas varejistas à escala 5x2 para seus empregados.

Finalmente, os trabalhadores de plataformas digitais conhecidos como uberizados ou empreendedores autônomos com flexibilidade horária, por enquanto escapam à escala 5x2 e das proteções trabalhistas (já está sendo discutida a regulamentação de seus ofícios)). 

Fora da proteção da Consolidação das Leis do Trabalho, estão sem férias remuneradas e sem 13º salário, trabalhando jornadas que ultrapassam as oito horas normais e sem descanso semanal. (por Rui Martins)

quarta-feira, 22 de abril de 2026

A GRANDE IMPRENSA E OS BANCOS ESTÃO UNIDOS NO LOBBY CONTRA O FIM DA ESCALA 6x1. DESCARADAMENTE!

O
 banco Inter, líder do ranking de reclamações do Banco Central, divulgou um estudo estimando que o fim da escala 6x1 acarretará no médio prazo uma redução de 0,82% no Produto Interno Bruto brasileiro.

Só isto? E por que esperaram tanto tempo? Já na década de 1930 a Dinamarca adotava a escala 5x2. 

Afinal, para que servem os bancos além de lucrarem uma enormidade parasitariamente (pois nada produzem) e de frequentarem o noticiário com um escândalo atrás do outro?

Há 110 anos Lênin disse tudo que importava sobre o capital financeiro no seu clássico O imperialismo, etapa superior do capitalismo. Eis alguns trechos:
Os bancos, de modestas empresas intermediárias que eram antes, se transformaram em monopolistas do capital financeiro. Três ou cinco grandes bancos de cada uma das nações capitalistas mais avançadas realizaram a "união pessoal" do capital industrial e bancário, e concentraram nas suas mãos somas de milhares e milhares de milhões, que constituem a maior parte dos capitais e dos rendimentos em dinheiro de todo o país.

A oligarquia financeira tece uma densa rede de relações de dependência entre todas as instituições econômicas e políticas da sociedade burguesa contemporânea, sem exceção: tal é a manifestação mais evidente deste monopólio.

O imperialismo é a época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade. A reação em toda a linha, seja qual for o regime político, é a exacerbação extrema das contradições
De resto, o destaque desmesurado dado a tal estudo na grande imprensa é pra lá de suspeito. Como editor que já fui, eu consideraria tal arremedo de notícia merecedor de 10 linhas, e olhe lá... (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

QUEM É O MAIS OCIOSO, O TRABALHADOR QUE QUER TRABALHAR 5 DIAS POR SEMANA OU O DEPUTADO QUE TRABALHA SÓ 1,5 DIA?

Os trabalhadores correm risco de se tornarem ociosos  caso sua jornada  seja reduzida para cinco dias por semana. Ócio demais faz mal...

O autor de afirmações tão calhordas é o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira, que faz lobby explícito contra o fim da escala 6x1. 
Ele sustenta que os pobres não podem pagar por lazer, portanto não passariam mais tempo com a família. Ademais, ficariam expostos a drogas e a jogos de azar. Trágico...

A sua verdadeira preocupação é bem outra, muito mais espúria: a medida supostamente reduziria a competitividade das empresas brasileiras. 

Quanto mais trabalho, mais prosperidade, disse quem trabalha somente 1,5 dia por semana, como os deputados em geral. (por Celso Lungaretti)
Clique aqui e curta no Youtube a
música Construção, que aborda
os ociosos da construção civil.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O CENTRÃO JÁ ESTUDA FÓRMULAS PARA TOMAR DOS TRABALHADORES O QUE ELES POSSAM GANHAR COM O FIM DA ESCALA 6x1

Em países que não estão na idade da pedra, as jornadas de trabalho são de 35 a 40 horas semanais (Alemanha), 35 horas (França), médias próximas a 32 horas (Canadá e Austrália) e média de 36,6 horas (Japão).

Já a semana de 4 dias foi assumida pela Islândia a partir de testes efetuados entre 2015 e 2019, com 90% dos trabalhadores hoje se beneficiando de jornadas reduzidas; a Bélgica foi a primeira nação a institucionalizar a opção de 4 dias, em 2022; na Alemanha, 73% das empresas já optaram pela jornada de 4 dias. 

Escócia, Espanha, Nova Zelândia e Reino Unido desenvolvem projetos pilotos visando à redução da jornada; e até no Brasil, que Torquato Neto definiu com um estribilho antológico (Aqui é o fim do mundo), algumas empresas já realizam projetos pilotos para se direcionarem à jornada de 4 dias. 

Como era de esperar-se, contudo, o fim da jornada 6x1 é mal visto pela parte mais retrógrada do empresariado, mas a Câmara e o Senado dificilmente ousarão flertar com retrocesso num ano eleitoral. Afinal, a prioridade máxima de deputados e senadores é sempre a reeleição, todo o resto vem depois.
No centrão há quem defenda que a jornada de cinco dias totalize 44 horas semanais. 

Pretexto: não aumentar o custo Brasil. Só que, nos países que estão atendendo os reclamos dos trabalhadores, houve ganho de produtividade, maior do que qualquer prejuízo 

O ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) bate pesado nos recalcitrantes:
É claro que haverá oposição no Congresso, mas restrita à extrema-direita. Quem se opuser à redução da escala terá que prestar contas nas urnas em outubro.

Os setores empresariais contrÁRIOS Aos direitos dos trabalhadores repetem os mesmos argumentos surrados desde a abolição da escravidão, passando pela criação da CLT, 13º salário, férias etc.

Evidentemente, o capitalismo não se redime cada vez que cede algumas migalhas do seu banquete para quem lhe garante toda a riqueza da qual desfruta. Mas, os trabalhadores ainda não sentem-se prontos para irem buscar tudo que lhes é negado. É pena.
Como não rezo pela cartilha do quanto pior, melhor, estou ao lado deles nesta pendenga. Que tenham um pouco mais de tempo para curtir o que a vida pode lhes oferecer. Espero que o utilizem bem, não o vendendo de volta para os patrões.  

os privilégios e a DESIGUALDADE
De resto, quando comecei a trabalhar em 1973, a jornada já era de 40 horas semanais nas empresas de comunicação empresarial, 

Mais tarde, nas grandes redações, já se cumpria o estipulado numa lei de 1969:  5 horas diárias e, num eventual acordo com o patrão, poderia passar a 7 horas, mas remuneradas como se fossem 9 horas (as 2 extras eram pagas em dobro).

Eu me considerava merecedor de tudo que pagavam, até o último centavo; mas detestava que, atuando no setor terciário, desfrutasse de várias vantagens com relação aos trabalhadores rurais e aos operários industriais. Nunca vi motivo para, nem me sentia  feliz sendo, um privilegiado.

Essa desigualdade me incomodava ainda mais porque meu pai, contra-mestre de tecelagem, não só era obrigado a cumprir religiosamente as 48 horas semanais, como tinha de submeter-se à divisão por turmas que prejudicava muito seu sono: numa semana trabalhava das 5 às 13 horas. noutra semana das 13 às 21 horas. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 12 de novembro de 2024

FIM DA ESCALA 6X1 RECOLOCA A LUTA DE CLASSES NO CENTRO DA POLÍTICA

 


Poderoso movimento cresceu nos últimos meses entre os trabalhadores, a luta contra a escala 6x1, ou seja, a jornada de trabalho de 44 horas semanais que impõe apenas um dia de folga aos trabalhadores. Mais de 1,5 milhões de pessoas assinaram abaixo-assinado enviado ao Congresso para mudar a Constituição e determinar a redução da jornada de trabalho. 

Em primeiro lugar, é digno de entusiasmo ver a mobilização dos trabalhadores em prol de uma causa de sua jornada de trabalho, um movimento auto-organizado pelos próprios trabalhadores. Mesmo que o resultado desta mobilização não leve à aprovação do projeto, a colocação da questão já é importante pois repõe o debate político em seu centro correto que é o das relações econômicas entre capital e trabalho. Essencialmente, a mobilização contra a escala 6x1 é uma ação contra a superexploração do trabalho no Brasil, país que possuí uma das maiores cargas horárias de trabalho do mundo, atrelada a baixíssimos salários. 

Vida para Além do Trabalho (VAT). Trabalhemos
menos, vivamos mais!

Em segundo lugar, deve-se notar que tal pauta deveria já ter sido colocada há décadas pelo lulopetismo. Uma vez no poder, ele deveria ter aprovado a redução da jornada de trabalho. Não apenas não o fez, mas também conduziu uma série de ataques aos trabalhadores, com reformas da previdência, terceirização e privatizações. Com certeza, a atual movimentação deve estar causando incômodos na cúpula pelega do lulismo que, não duvidemos, já deve estar pensando em meios de esvaziar e neutralizar tal movimento.

A extrema-direita já saiu em campo para se posicionar contra a proposta, mostrando claramente sua posição de classe, em defesa da superexploração dos trabalhadores. Isso é muito bom, pois a desentoca do debate cultural e comportamental e a coloca no terreno aberto da luta de classes. Nesse terreno, o trabalhador, mesmo que seduzido pelo discurso moralista do bolsonarismo, verá em ato que o programa da extrema-direita é, e sempre será, o alinhamento aos interesses dos capitalistas. 

Para que o movimento tenha êxito, será essencial ir além de um abaixo-assinado e iniciar grandes mobilizações de rua e mesmo paralisações nacionais, articuladas nos vários setores da economia. Contudo, como dito, o lulopetismo deverá agir pra não ter qualquer mobilização e, assim, o caminho parece ser o fracasso momentâneo da mobilização. 

No entanto, o aparecimento deste tema, de forma tão espontânea e fortalecida, é sinal de uma inflexão na política nacional. Finalmente estaremos saindo do debate superficial e despolitizado sobre democracia, moralismo, fake news e entrando na arena quente da luta de classes em seu ponto nefrálgico. Neste momento, lulismo e bolsonarismo estão nus, revelando, à luz de todos, seus compromissos intrínsecos com os interesses dos capitalistas. Bolsonarismo e lulismo são faces opostas da mesma cabeça burguesa. 

A esquerda revolucionária precisa estar atenta, pois podemos estar entrando em um novo período de lutas políticas no Brasil em que a classe trabalhadora toma consciência de sua real tarefa: destruir o capitalismo. (por David Coelho)



Related Posts with Thumbnails